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Universidade Federal do Ceará - Campus Cariri IV Encontro Universitário da UFC no Cariri Juazeiro do Norte-CE, 17 a 19 de Dezembro de 2012

EU 2012

ANÁLISE DE UM RESSALTO HIDRÁULICO GERADO EM CANAL EXPERIMENTAL
Pétrus Eduardo Feliciano de Sá1 Paulo Roberto Lacerda Tavares 2 Introdução
O ressalto hidráulico consiste numa transição do escoamento supercrítico para o escoamento subcrítico em canais abertos (CIRILO, 2003). Tal fenô meno é acompanhado por um incremento instantâneo da elevação da lâmina de água, formando-se um turbilhonamento que incorpora ar atmosférico (NETTO, 1998). O ressalto hidráulico é utilizado, mormente: na dissipação da energia cinética a jusante de estruturas hidráulicas como comportas e vertedouros; na promoção da aeração de escoamentos em instalações de abastecimento de água e na mistura de produtos químicos em meios fluidos. De acordo com Porto (2006):
O ressalto hidráulico ou salto hidráulico é o fenômeno que ocorre na transição de um escoamento torrencial ou supercrítico para um escoamento fluvial ou subcrítico. O escoamento é caracterizado por uma elevação brusca no nível d’água, sobre uma distância curta, acompanhada de uma instabilidade na superfície com ondulações e entrada de ar do ambiente e por uma consequente perda de energia em forma de grande trubulência. (...) Esse fenômeno local ocorre frequentemente nas proximidades de uma comporta de regularização ou ao pé de um vertedor de barragem.

O estudo do ressalto, realizado através do experimento no canal, é de grande relevância, pois o mesmo é empregado como elemento de mistura rápida de substâncias em calhas Parshall na entrada de estações de tratamento, assim como, evita a erosão de leitos naturais a jusante de obras hidráulicas, atuando como dissipador de energia. O presente trabalho possui como escopo realizar a análise do ressalto hidráulico em canal experimental, localizado no Laboratório de Recursos Hídricos da Universidade Federal do Ceará/Campus Cariri, fazendo-se a aferição de medidas (pressões e alturas d’água), anteriores e posteriores à ocorrência do ressalto, a fim de determinar características, tais como: alturas conjugadas; perda de energia e eficiência do ressalto.

2. Metodologia e Resultados
Primeiramente, colocou-se uma calha no canal, com o objetivo de ocasionar um estreitamento, passando de 64 mm (largura do canal) para 13 mm (largura da calha), o que provoca a transformação do escoamento do regime de fluvial para torrencial, através do rebaixamento do nível d’água até abaixo da altura crítica. Posteriormente, colocou-se uma comporta, provocando a transição do regime de escoamento torrencial para o fluvial, tendo como conseqüência o estabelecimento do ressalto hidráulico à montante da comporta (Figura 01).
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Bolsista da graduação, Universidade Federal do Ceará- Campus Cariri, Juazeiro do Norte, Ceará, petruscrato@gmail.com. 2 Professor, Universidade Federal do Ceará- Campus Cariri, Juazeiro do Norte, Ceará, prltavares@ufc.br.

obtiveram-se.0 mm 17.1 mm 13. calculou-se a média das quatro alturas. utilizando o Tubo de Pitot analógico e o automático.Universidade Federal do Ceará . assim como se estabelece o tipo de escoamento.9 mm 50. como se segue abaixo (ver Quadro 1).7 mm 50. Para se calcular o número de Foude utiliza-se a Equação (1): = ∙ (1) Para a determinação da altura conjugada do regime fluvial calcula-se o valor de y a partir da Equação (2): = ∙ 1 + 8Fr − 1 (2) (3) (4) (5) Finalmente. foram realizadas quatro medidas nas duas situações.8 mm e = 51. Por fim. assim como as pressões estáticas e dinâmicas. Logo após. respectivamente.7 mm Regime torencial 51. realizou-se a determinação da perda de carga. Quadro 01. Após a aferição das alturas à jusante e à montante do ressalto. Para a determinação da altura d’água anterior e posterior ao ressalto.Campus Cariri IV Encontro Universitário da UFC no Cariri Juazeiro do Norte-CE.2 mm.0 mm 52. realizaram-se aferições de altura anterior e posterior ao ressalto utilizando-se a ponta linimétrica. no regime supercrítico e subcrítico. os valores de = 16. Todas as medidas tiveram como objetivo determinar as velocidades para que se pudesse realizar a análise do ressalto.Medidas das alturas do ressalto 1ª medida 2ª medida 3ª medida 4ª medida 15. na determinação da eficiência do ressalto utiliza-se a Equação (3): ∆ η e iciência = Em que: ∆E = E = y + Determinação da perda de carga Determinação da energia na seção 1 . Na classificação do ressalto determina-se o número de Froude na seção em que ocorre o escoamento torrencial.4 mm 21. 17 a 19 de Dezembro de 2012 EU 2012 Figura 01: Ressalto hidráulico estabelecido no canal experimental.0 mm Regime fluvial Através do cálculo das médias das alturas nos regimes torrenciais e fluviais.

2. que é a diferença entre a pressão estática e a dinâmica. Para o regime torrencial determinou-se 216mm para a pressão estática e 152mm para pressão dinâmica. obtém-se o valor da velocidade através da expressão = 2 ℎ.064 = 1.2 Método do tubo de Pitot (automático): O funcionamento do tubo de Pitot automático é similar ao da sua forma analógica.427 m/s. obtendo-se ℎ1 = 64mm e no regime fluvial definiu-se 179mm para a pressão estática e 169mm para a pressão dinâmica.81 ∙ 0. (b) Escala de medição das pressões estática e dinâmica.Campus Cariri IV Encontro Universitário da UFC no Cariri Juazeiro do Norte-CE. como se segue a seguir: = √2 ∙ 9.3 mm para a carga de pressão no regime sub-crítico.443 m/s.1 Método do tubo de Pitot: O tubo de Pitot é um instrumento de medição de velocidade muito utilizado para medir a velocidade de fluidos em modelos físicos em laboratórios de hidráulica. em que ℎ consiste na carga de pressão. Assim. 17 a 19 de Dezembro de 2012 EU 2012 Para determinação das velocidades nas seções de escoamento foram empregados os métodos a seguir: 2. obtendo-se ℎ2 = 10mm. Assim. No resssalto em estudo mediu-se o valor de 91. calculam-se as velocidades no regime de escoamento torrencial ( 1) e fluvial ( 2).010 = 0.28 mm para a carga de pressão do regime supercrítico e de 9.00930 = 0. como se segue: = √2 ∙ 9. visto que o tubo contém fluido pode assim ser medida a pressão do fluido em movimento (soma da pressão estática mais a pressão do fluido em movimento .a chamada pressão dinâmica). Consiste basicamente num tubo orientado para o fluxo de fluido a medir.210 m/s e = √2 ∙ 9. .81 ∙ 0. calculam-se as velocidades no regime de escoamento torrencial ( 1) e fluvial ( 2). a diferença se encontra na forma de se aferir a carga de pressão.3380m/s e = √2 ∙ 9.09128 = 1. No tubo de Pitot.81 ∙ 0.81 ∙ 0. pois o aparelho aclopado aos tubos fornece diretamente o valor da diferença entre a pressão estática e a dinâmica. (a) (b) Figura 02: (a) Tubo de Pitot. como foi visto anteriormente.Universidade Federal do Ceará .

pouco acima de 10%. cabendo novas investigações para averiguar a causa da diferença. PORTO. esse não é o valor real.3689 / . J.0381 ∙ Q (m3/s) (6) Assim. de acordo com os métodos utilizados para a determinação da velocidade: Quadro 02 – Resultados dos métodos utilizados Altura conjugada no Eficiência Classificação do Métodos utilizados ressalto regime fluvial (mm) do ressalto (%) Oscilante 62.4 Resultados No Quadro 02 estão apresentados os resultados encontrados. Referências CIRILO.3 Método da bomba Apesar de a bomba oferecer um valor de vazão igual a 5000 l/h. demonstrando uma característica oscilante. São Carlos: EESC-USP. para se corrigir tal erro utiliza-se a seguinte Equação (6): Q = 0. 1998.15 10.00003 + 1. Hidráulica Aplicada. a vazão real é 1.Universidade Federal do Ceará .90 Método do tubo de Pitot Método do tubo de Pitot Oscilante 70.Campus Cariri IV Encontro Universitário da UFC no Cariri Juazeiro do Norte-CE.50 Oscilante Método da bomba 3. a altura conjugada do regime fluvial apresenta-se super-estimada em relação ao valor medido. NETTO. para os três métodos de cálculos utilizados. portanto pouca capacidade de dissipação de energia. et al. Hidráulica Básica.91 (automático) 72. Nota-se que durante o experimento o ressalto hidráulico apresenta características instáveis. modificando sua posição quando mínimas perturbações do escoamento acontecem. 17 a 19 de Dezembro de 2012 EU 2012 2. 2. R.96 12.M. 2006. A. . A. constata-se que o ressalto produzido experimentalmente possui eficiência baixa. 2003. Conclusão Observa-se que. Por fim. Manual de hidráulica. 4. conforme verificado nos cálculos.4718 ∙ 10-3 m3/s e a velocidade média na seção de escoamento torrencial = 1. .. Porto Alegre: ABRH. acompanhada por baixa capacidade de mistura de substâncias ao escoamento. São Paulo: Editora Edgard Blucher LTD.36 10.