APLICABILIDADE DAS PEQUENAS CENTRAIS ELÉTRICAS NO MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO Magno Alessandro G. M.

Moura RESUMO Este artigo introduz ao leitor os diversos aspectos relacionados ao Mercado de Carbono, de forma a demonstrar a viabilidade e a aplicabilidade de projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas, dentro dos padrões do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e do Protocolo de Kyoto, com enfoque no estudo de caso do projeto realizado para a PCH São João - Energest. Foram destacados os aspectos relacionados à metodologia empregada, explanação sobre as reduções de emissões e estimativas de créditos gerados. Conclui-se que os projetos de PCHs no Brasil são bastante viáveis e oferecem um vasto campo à aplicação destes no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. PALAVRAS-CHAVE Pequenas Centrais Hidrelétricas, Mercado de Carbono, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, Protocolo de Kyoto.

SMALL HYDRO POWER PLANTS APPLICABILITY INTO THE CLEAN DEVELOPMENT MECHANISM ABSTRACT This article introduces the reader into the different aspects related to the Carbon Market, demonstrating the viability and applicability of Small Hydro Power Plants (SHP) projects, into the Clean Development Mechanism (CDM) and the Kyoto Protocol, evidencing the case of the project carried to SHP São João - Energest. Were presented some aspects related to the use of the project methodology, the emissions reductions and the estimative of credits. It follows that the SHP projects in Brazil are sufficiently viable and offer a vast field to the application of these SHPs into the CDM scope. KEY WORDS Small Hydro Plants, Carbon Market, Clean Development Mechanism, Kyoto Protocol.

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SUMçRIO 1. INTRODUÇÃO 1.1.Visão geral do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. 1.1.1 Ciclo do Projeto MDL. 1.2.Projetos existentes.

2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1 2.2 2.3 2.4 Estudo de Caso (PCH São João). Metodologia. Adicionalidade do Projeto. Base de Cálculos e Estimativas de Reduções.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 3.2 3.3 Mercado de Carbono (Análise Econômica). Perspectivas para o mercado futuro. Demonstração de viabilidade dos projetos e conclusão.

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ANEXOS 4.1 4.2 Figuras. Tabelas.

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1. INTRODUÇÃO 1.1 Visão geral do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) Em 1992 foi estabelecido, pela Organização das Nações Unidas – ONU, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC)1, com o objetivo de tratar do efeito estufa e suas possíveis conseqüências negativas ao meio ambiente e ao homem. A convenção tem como meta propor ações para os países industrializados estabilizarem as concentrações de gases causadores de efeito estufa (GEE)2 na atmosfera, de forma que a quantidade de gases lançada pelo homem na atmosfera não cause alterações danosas ao clima do planeta. O MDL tem como objetivo assistir os países em desenvolvimento (partes não incluídas no Anexo I3 do Protocolo de Kyoto) para que atinjam o desenvolvimento sustentável e contribuam para o objetivo final da Convenção do Clima e assistir os países desenvolvidos para que atendam seus compromissos quantificados de limitação e redução de emissões, de acordo com a meta estipulada4.O princípio de funcionamento do mecanismo consiste em permitir que os países desenvolvidos invistam em projetos de “redução de emissões” ou “fixação de carbono atmosférico” implantados em países em desenvolvimento. Esses projetos resultam em Reduções Certificadas de Emissão (RCE) de gases de efeitos estufa. As RCE's geradas poderão ser utilizadas para contribuir com o cumprimento de parte dos compromissos de redução de emissões dos países desenvolvidos, desde que sejam devidamente certificados por uma entidade operacional independente.

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Disponível em http://cdm.unfccc.int

Os gases de efeito estufa são: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), os hidrofluorcarbonetos (HFC’s), perfluormetano (CF4), perfluoretano (C2F6) e hexafluoreto de enxofre (SF6).
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Países listados no Anexo 1: Alemanha, Austrália, çustria, Belarussia, Bélgica, Bulgária, Canadá, Comunidade Européia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Federação Russa, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, República Tcheco-Eslovaca, Romênia, Suécia, Suíça, Turquia e Ucrânia.
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O Protocolo de Kyoto define que os países industrializados (Anexo I) reduziriam em pelo menos 5,2% suas emissões combinadas de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 1990.

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1.1.1 Ciclo do Projeto MDL Para que um projeto resulte em reduções certificadas de emissões – RCEs, as atividades de projeto do MDL devem, necessariamente, passar por algumas etapas que compõe o ciclo do projeto: • Elaboração do documento de concepção do projeto (DCP). Este documento físico apresenta os aspectos técnicos da atividade de projeto, além disso, deve descrever a metodologia e o cálculo da linha de base adotada, a justificativa da adicionalidade do projeto, o potencial de reduções de emissões do projeto e a metodologia de monitoramento. O DCP será enviado para validação, para autoridade nacional designada e para o conselho executivo para registro. Etapas que serão explanadas em seguida. • Validação pelas Entidades Operacionais Designadas (EOD). As EOD têm o papel de avaliar o projeto MDL, no procedimento da validação estima-se se o projeto executado como planejado - cumprirá as exigências e gerará créditos negociáveis. A EOD fará um relatório de validação para que seja solicitado o registro da atividade proposta. A Validação precisa ser realizada por uma entidade operacional independente, isto é, uma certificadora de 3ª parte, acreditada pelas Nações Unidas. (Figura 01 em anexo); • Aprovação pela Autoridade Nacional Designada (AND). Os países participantes de uma atividade de projeto de MDL devem designar junto à UNFCCC uma autoridade nacional para o MDL, que irá atestar que a participação dos países é voluntária e que as atividades a serem implantadas contribuem para o desenvolvimento sustentável do país. Estas atividades devem ser aprovadas pela AND, sendo ela no Brasil a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC), presidida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e formada por representantes de todos os setores de atividades relevantes à questão climática; • Submissão ao Conselho Executivo para registro. O Conselho executivo é o órgão máximo de supervisão do MDL nível mundial. Entre suas responsabilidades destacamse o registro das atividades de projetos de MDL, a emissão das Reduções Certificadas de Emissão (RCE), o desenvolvimento e operação do registro do MDL, o estabelecimento e aperfeiçoamento de metodologias para definição de linha de base, monitoramento e fugas, entre outros;

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Monitoramento e Verificação. Nessa fase o projeto aprovado será monitorado por uma EOD diferente da qual o projeto foi validado, para a comprovação das reduções previamente estimadas. Tendo esta verificação aprovada, a DOE emitirá um certificado.

Emissão dos créditos. Fase final, onde os créditos serão comercializados, empresacomprador, através de agentes financeiros. Mas adiante será mais detalhado este mercado. A Figura 02 em anexo apresenta as etapas do ciclo de um projeto MDL e os custos

estimados.

1.2 Projetos Existentes no Brasil Atualmente no Brasil, existem quatro projetos MDL de PCHs registrados pela UNFCCC, sendo eles: • • • • PCH Furnas do Segredo - Jaguari Energética S.A.; PCH Palestina - Brascan Energética Minas Gerais S.A.; PCH Ferradura - BT Geradora de Energia Elétrica S. A.; PCH Pesqueiro Energia (PESHP) . Projetos que foram submetidos a registros e que estão sendo analisados pelo conselho executivo: • • • • • PCH Nova Sinceridade; PCHs Cachoeira Encoberta e Triunfo - Brascan ; PCHs Araputanga Centrais Elétricas S.A; Repotencialização de PCHs no Estado de São Paulo ; PCHs Passo do Meio, Salto Natal, Pedrinho I, Granada, Ponte e Salto Corgão. Dentre os projetos MDL de PCHs que estão em processo de Validação, o Brasil é o país anfitrião com mais de 20 projetos5. A Figura 02 e a Figura 03 apresentam um panorama geral sobre os projetos MDL no Brasil.

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Disponível em http://cdm.unfccc.int/Projects/Validation

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No âmbito da geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis, há no Brasil um destaque para a hidroeletricidade em PCHs conforme indicado na Tabela 01 em anexo.

2.MATERIAL E MÉTODOS 2.1 Estudo de Caso (PCH São João) Para efeito de elucidação, analisaremos o projeto da Pequena Central Hidrelétrica São João6, realizado para a Energest, empresa do grupo Energias do Brasil, holding detentora de investimentos no setor de energia elétrica e consolida atividades de geração, comercialização e distribuição elétrica. A PCH São João, localizada no município de Conceição do Castelo - ES realiza o aproveitamento do potencial hidrelétrico do Rio Doce, com uma potência instalada de 25 MW (02 turbinas Francis horizontais) e uma área alagada de 0,21km² gerando aproximadamente 123,6 Gwh/ano. A energia gerada é transmitida através de linhas de transmissão de 96 kV que conecta a planta à subestação Castelo que por sua vez despacha a energia para o subsistema Sul/Sudeste/Centro-Oeste. A Tabela 02 fornece mais informações técnicas sobre a usina. 2.2 Metodologia Para a determinação das reduções de emissões de gases de efeito estufa deve ser utilizada uma metodologia aprovada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC em inglês). O projeto em estudo utilizou-se da metodologia ACM00027-“Metodologia para geração elétrica conectada à rede a partir de fontes renováveis”. Através dessa metodologia são definidos e calculados a linha de base de emissões, as emissões decorrentes da atividade do projeto, as emissões fugitivas, o plano de monitoramento anual dos dados relevantes e as reduções anuais das emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE). A metodologia em questão é aplicável a usinas hidrelétricas novas ou em expansão (sem aumento do volume do reservatório), hidrelétricas a fio de água e outras fontes renováveis de geração elétrica, tais como eólica, geotérmica e solar. São excluídos da metodologia os
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Disponível em: http://www.sgsqualitynetwork.com/tradeassurance/ccp/projects/Sao%20Joao%20Hidro%20Power%20plant/Sao%20Joao%2 0PDD%2003.07.pdf#search=%22pdd%20s%C3%A3o%20jo%C3%A3o%20small%20power%20unfccc%22
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Disponível em: http://www.mct.gov.br/UserFiles//Clima/PDFs%20projetos%20CIGMC/ACM0002-v5_port.pdf

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projetos que realizam substituição de combustíveis fósseis e projetos de recuperação de gases de aterros sanitários. 2.3 Adicionalidade do projeto Uma atividade é considerada adicional quando promove a remoção de gases de efeito estufa além do que comumente e naturalmente acontece, ou se as emissões antrópicas forem menores do que na ausência do projeto (linha de base). De acordo com o conselho executivo do MDL, a adicionalidade do projeto deve ser verificada através da “Ferramenta para Demonstração e Avaliação da Adicionalidade8”, para tanto devem ser observados alguns aspectos relevantes tais como: • • Identificação de alternativas à atividade do projeto; Análise do investimento para determinar se a atividade do projeto proposta não é a mais atraente do ponto de vista econômico ou financeiro; • • • Análise de obstáculos; Análise da prática comum do mercado; e Impacto do registro da atividade do projeto proposta como uma atividade do projeto de MDL. Deve ser evidenciado que são impostas algumas barreiras à implantação da atividade do projeto, as quais seriam transpostas com maior facilidade através do incentivo financeiro gerado a partir da venda dos créditos de carbono gerados. 2.4 Base de Cálculos e Estimativa de Reduções As reduções anuais de emissões de um projeto MDL são obtidas pela diferença numérica entre as emissões ocorridas na linha de base do projeto e as emissões decorrentes da atividade do projeto. Para a obtenção do valor das emissões anuais de linha de base de um projeto MDL para PCHs, são necessárias algumas análises e definições do panorama de geração elétrica nacional, tais como limites físicos, exportações e importações de energia do subsistema em questão, estudo da matriz energética local, dentre outros.
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Disponível em: http://cdm.unfccc.int/methodologies/PAmethodologies/AdditionalityTools/Additionality_tool.pdf

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O valor que rege a quantidade de reduções de emissões anuais é o fator de emissão de linha de base da rede, expresso em tCO2/MWh. Esse valor é específico para cada subsistema e expressa a quão “limpa” é a energia gerada. Para a obtenção desse fator são considerados dois aspectos, a Margem de Operação (MO) e a Margem de Construção (MC). A Margem de Operação pode ser obtida através da análise de um dos aspectos a seguir: os fatores de emissão específico das usinas, cujo a energia é importada ao subsistema considerado (caso seja conhecido); ou a taxa média de emissão da rede de exportação, caso as importação não excedam 20% da geração total do subsistema elétrico do projeto; ou o fator de emissão da rede exportadora, caso as importações líquidas excedam 20% da geração total do subsistema elétrico considerado. Para o projeto da PCH São João, o valor da Margem de Operação foi obtido através da análise de todas as termoelétricas dentro dos limites do subsistema Sul/Sudeste/CentroOeste. As fontes de energia foram separadas em baixo custo e operação obrigatória, e, foi considerada a quantidade de combustível consumida por essas usinas, tempo de operação das fontes de baixo custo/operação obrigatória, fator de emissão da queima do combustível e a energia despachada à rede. O valor obtido foi de 0,626 tCO2equ/MWh. Para o cálculo da Margem de Construção foi relacionado um grupo de amostragem com as 05 últimas usinas construídas (hidrelétricas e termoelétricas) e que estão em operação atualmente. Dentro desse grupo são analisados os mesmos aspectos utilizados no cálculo da Margem de Operação. O valor obtido para a PCH São João foi de 0,13 tCO2equ/MWh. O fator de emissão de linha de base é obtido através da média ponderada da Margem de Operação e a Margem de Construção. Para a PCH São João o valor encontrado foi de 0,377 tCO2equ/MWh. Tendo em mãos o fator de emissão, as reduções de emissões anuais são obtidas através do produto entre a geração de energia anual expressa em MWh/ano pelo fator de emissão encontrado. A PCH São João tem uma geração anual prevista de aproximadamente 123.600 MWh, o que resultará em uma redução de emissões anuais de 46.597 tCO2/ano. (ver tabela 03).

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Mercado de Carbono

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Existem atualmente dois gêneros de créditos de carbono que interessam e influenciam no mercado de carbono. O primeiro é o “European Allowance” – EUA, o crédito de carbono no âmbito do “European Trading Scheme” – ETS, um sistema de cotas de emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) em vigor desde 2005 nos países membros da União Européia. O ETS é um sistema que funciona paralelamente ao Protocolo de Kyoto, mas cujas regras de funcionamento estão em consonância com o mesmo. O segundo gênero é o das Reduções Certificadas de Emissões, as reduções de emissões derivadas de projetos que reduzem ou deixam de emitir GEE, em países não listados no Anexo – 1, através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, um dos três mecanismos de flexibilização previstos no Protocolo de Kyoto. Ambas as unidades representam 01 (uma) tonelada equivalente de CO2. A distinção principal entre essas duas unidades é que o EUA é uma cotação e possui risco zero. Já o RCE, é fruto de um projeto físico que possui uma série de riscos associados. Assim, entende-se que o RCE, conforme sua evolução no ciclo de projeto possua um desconto frente aos preços do EUA. Esses riscos podem ser divididos sob quatro focos principais: • Risco de Registro pelo Comitê Executivo, duas componentes: (i) se o projeto já foi registrado e (ii) quão controverso o projeto é; • Risco do Projeto – Conformidade de implantação e operação conforme (processos e prazos); • Risco de Entrega–depende de quem é o vendedor e da maneira que o comprador o percebe; • Risco de Mercado – ausência de regras claras quanto ao horizonte e volume de uso dos RCEs para entrar em conformidade com as metas do ETS e incertezas quanto aos preços do EUA. O espectro de preços do RCE em uma negociação varia em função dos riscos assumidos pelo comprador e vendedor, tal qual em outros mercados, quanto maior o risco, maior o potencial de retorno. O entendimento dos riscos envolvidos no processo MDL, sob a ótica do comprador e sua minimização, é o melhor caminho para se alcançar os melhores preços e condições. Atualmente, os mercados têm demonstrado baixa volatilidade, mas no passado recente, em meados de abril e início de maio, demonstraram sua força. O EUA Dez/06 negociado ao redor de €30,00, achou seu piso ao redor de €9,00. Esse período de turbulências do mercado

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foi marcado por uma forte mudança de percepção dos agentes. Ao longo do ano de 2005, início de 2006 o EUA viu seu valor aumentar exponencialmente. Entretanto, em meados de maio, quando os primeiros “compliance reports” (relatórios de balanço de emissões) seriam emitidos, percebeu-se que ao invés de uma situação de déficit, o mercado encontrava-se em um cenário de superávit. Ao invés de estarem precisando de EUA para cumprir suas cotas de emissões, estavam na verdade sobrando permissões no mercado. Existe um sentimento de que esse cenário de superávit foi menos um êxito do sistema que alcançou uma redução significativa nas emissões de GEE no seu primeiro ano de funcionamento e mais a conseqüência de uma manobra dos países membros, em superestimar as cotas de emissões alocadas ex-ante, visando afugentar um potencial aumento dos custos das empresas e seus desdobramentos. Os preços encontraram algum suporte ao redor de €15.00 / €17.00 para Dez/06 e €18.50 / €21.00 para Dez/08. Entretanto, o mercado ainda está sujeito a oscilações. No momento, o foco de atenção voltou-se para o segundo período de comprometimento entre 2008 e 2012, e seus respectivos NAPs-National Allocation Plans (Planos de Alocação Nacional) que estão sendo discutidos e definidos neste momento. Os NAPs são a dotação de cotas de emissões nacionais que serão alocadas. Outro ponto interessante a ser acompanhado é o limite na quantidade de RCEs passíveis de serem usados para adequar-se as metas estipuladas. Os países em seus novos NAPs estão definindo que apenas uma parte das emissões poderão ser neutralizadas através de RCEs. O entendimento do mercado e preços do European Allowance é fundamental, pois assume-se que ele possui risco zero, consequentemente ele é utilizado para balizar os preços dos RCEs. Um RCE emitido e depositado em uma conta custódia possui risco zero. Possui teoricamente valor igual ao de um EUA. Na prática, o valor fica muito próximo. 3.2 Demonstração de viabilidade dos projetos e conclusão No projeto da PCH São João, o incentivo financeiro dos créditos de carbono faz com que uma das maiores barreiras à implantação do projeto, a barreira financeira, se torne menos impactante. Tomando como exemplo a Taxa Interna de Retorno (TIR) do projeto, inicialmente a TIR é de 10,71% (ausência dos créditos do MDL), mas decorrente da receita da venda dos créditos, a TIR se eleva a um patamar de 13,51%, fato que torna a viabilidade financeira do

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investimento notavelmente maior. Fica demonstrado que a receita advinda da vendas dos créditos de carbono gerados pela atividade do projeto, auxilia na transposição da barreira de investimento. Atualmente o Mercado de Carbono vem se tornando cada vez mais difundido e aplicado nos diversos setores industriais, principalmente no setor energético, no qual o Brasil possui um amplo potencial de expansão e conseqüente implantação de projetos de redução de emissão de GEE. 3.3 Perspectivas para o mercado futuro O Brasil conta com um potencial hídrico que ainda pode ser explorado, no âmbito das PCHs são previstos pela ANEEL uma adição de 3.384,1 MW, dentre os quais 687.2 MW provenientes das 44 PCHs em construção e 3.383,4 MW das 214 outorgadas. A Figura 05 em anexo fornece dados do potencial energético nacional proveniente de PCHs. Assim, conclui-se que as RCEs podem ser um estímulo fundamental para viabilizar o aproveitamento deste potencial hídrico de forma a auxiliar a diversificação da matriz energética brasileira através de uma energia limpa e com poucos impactos ambientais negativos.

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ANEXOS 3.1 Figuras

Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia Figura 01: Estrutura institucional e a obrigação de cada parte dentro do MDL. Figure 01: Institutional Structure and the obligation of each one inside the CDM.

Fonte: Elaboração Própria Figura 02: Ciclo do Projeto MDL. Figure 02: CDM project cycle.

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Fonte: Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima - CIMGC Figura 03: Distribuição das atividades de projeto no Brasil por escopo setorial Figure 03: Sectorial distribution of projects activities in Brazil.

Fonte: Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima - CIMGC Figura 04: Capacidade instalada (MW) das atividades de projeto do MDL aprovadas na CIMGC. Figure 04: Installed capacity (MW) of CDM projects activities approved by the Brazilian DNA..

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SIPOT, Eletrobrás (2002) apud Tolmesquim, 2005 Figura 05. Potencial estimado (MW) de PCHs no Brasil. Figure 05. Estimated potencial (MW) of SHPs in Brazil.

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Tabelas Fonte Grandes Hidrelétricas Termeletricas a Gás Termelétricas a Petróleo Termeelétricas a Carvão Nuclear Eólica PCHs Biomassa Total Capacidade Instalada (kW) 65.128 6.361 5.652 1.461 2.007 22 2.027 2.410 85.068

Fonte: Ministério de Minas e Energia - MME 2003 (Elaboração Própria) Tabela 01: Comparativo da contribuição, de fontes renováveis e não renováveis, para geração de eletricidade no Brasil. Table 01: Comparative of the energy contribution, renewable and non-renewable sources of electricity generation in Brazil.

Pequena Central Hidroelétrica São João

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Capacidade Instalada Número de geradores Tipo da turbina

25 MW 02 Francis

Descarga máxima por turbina 5,6 m³/s Comprimento da queda 60,00 m Volume do reservatório 1.950.000 m³ çrea inundada 0,21 km² çrea da bacia hidrográfica 552 km² Comprimento da tubulação de entrega 7.034 m Queda da água 259,4 m Voltagem 6,9 kV Fonte: DCP São João – Elaboração Própria Tabela 02. Dados técnicos-PCH São João. Table 02. Technical data-SHP São João.

Ano 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Total de reduções estimadas (toneladas de CO2equ) Quantidade de anos para obtenção de créditos Média anual das reduções estimadas para os 7 anos de obtenção de créditos (toneladas de CO2equ)

Estimativa anual de reduções de emissões em toneladas de CO2equ

46,565 46,565 46,565 46,565 46,565 46,565 46,565 325,955 7 46,565 Fonte: DCP São João – Elaboração Própria

Tabela 03. Estimativa das reduções de emissões durante o período de crédito. Table 03. Estimated amount of emission reductions over the chosen crediting period.

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