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Deste mundo à eternidade

08 de setembro. Desencarne do Mestre Daniel Pereira de Mattos
Juarez Duarte Bomfim[1]
Bomfim

Mestre Daniel Pereira de Mattos, o Frei Daniel, passou desta vida à eternidade no
dia 08 de setembro de 1958, durante a romaria de São Francisco das Chagas. Por
isso, nesta sagrada noite a Vila Ivonete (Rio Branco-Acre)
Branco Acre) e demais casas da
doutrina daimista da Barquinha festejam este dia e homenageiam
homenageiam o fundador.

De Daniel Pereira de Mattos sabe-se
sabe se que ele nasceu em 13 de julho de 1888 numa
antiga feitoria de escravos de nome São Sebastião de Vargem Grande no interior do
Maranhão e que pertenceu a Marinha de Guerra Brasileira. Além disso, sendo se
homem bastante habilidoso, dele é dito que sabia desempenhar doze tarefas: foi
construtor naval, cozinheiro, músico, barbeiro, alfaiate, carpinteiro, marceneiro,
artesão, poeta, pedreiro, sapateiro e padeiro.

Ao fixar residência na cidade de Rio Branco-Acre,
Branco Acre, Daniel se notabilizou como um
grande boêmio do bairro do Papôco, as margens do Rio Acre, zona de baixo
meretrício e freqüentado por navegantes e boêmios em geral que por ali passavam.

Daniel fazia composições musicais que falavam de amor, paixão e busca
b pela
mulher amada. Músicas que fluíam pelos seus dedos ao violão declarando paixão
pela noite e pelas serenatas que embriagavam os homens de canções e cachaça.

Ao encontrar-sese enfermo, com problemas de fígado, decorrente do abuso de álcool,
passa a serr tratado e zelado pelo seu conterrâneo, Raimundo Irineu Serra, fundador
da doutrina do Santo Daime. O tratamento teve início em 1936, sendo interrompido
por Daniel quando se encontrou melhor de saúde. Voltou a beber e novamente
doente, foi chamado pelo generoso
generoso e paciente amigo Irineu Serra para fazer um
novo tratamento pelo restabelecimento da saúde física e espiritual.

Daniel se tornou discípulo do Mestre Irineu, ficou conhecido como o “barbeiro do
Mestre” e tocava violino nos trabalhos espirituais de Concentração
Concentração instituídos por
Irineu Serra.

Já residindo na colônia Custódio Freire, atual Vila Irineu Serra (Alto Santo) o Mestre
Irineu para lá também transferiu os seus trabalhos. Ao término de uma
Concentração, Daniel, cansado, voltando para casa, adormeceu
adormeceu a margem do
igarapé São Francisco e teve um sonho, uma visão: a descida do céu de dois Anjos
que, por ordem da Virgem da Conceição, lhe entregaram um Livro Azul e lhe falaram
no cumprimento de uma missão.

Esta foi a “primeira morte” de Daniel Pereira de Mattos, quando dessa experiência e
revelação renasce como místico e devoto de São Francisco das Chagas. A visão do
Livro Azul por Daniel pode ser encarada como o primeiro ensinamento da doutrina
que então surgia. Cada página deste livro foi e continua sendo instruções musicadas
(salmos) recebidas e a cor do livro, o azul, representa o céu, de onde provêm
revelações do nosso Pai de bondade, da Virgem Mãe Santíssima e dos Seres
Divinos da Corte Celestial.

Os trabalhos espirituais com Daime do Mestre Daniel tiveram a duração de quase
treze anos (1945-1958). Daniel construiu uma casinha rústica de taipa e paus
roliços, semelhante a uma pequena casa de seringal – a Capelinha de São
Francisco. Lá ele recebeu os salmos de louvor e instruções provenientes dos planos
sagrados – o Astral Superior. Neste espaço começou o trabalho de atendimento
denominado “Obras de Caridade”. No início era procurado pelos seringueiros e
caçadores da região junto com suas famílias. Pouco tempo depois, moradores da
zona urbana de Rio Branco passaram a procurá-lo.

Daniel passou desta vida para a eternidade após cumprir uma penitência de noventa
dias. Desencarnou nos braços do sr. Manuel Araújo, no interior da casinha do Daime
no dia 08 de setembro de 1958, às 18:30h, em plena romaria de São Francisco das
Chagas. Seu corpo foi colocado no interior da igreja, e velado sobre a mesa dos
trabalhos, em forma de cruz.

A Barquinha do Mestre Daniel Pereira de Mattos, o Frei Daniel, continua a singrar as
ondas do mar sagrado, guiando os marinheiros da Luz deste mundo para a
eternidade.

[1] Juarez Duarte Bomfim é professor universitário na Bahia. E-mail: juarezbomfim@uol.com.br