ÁREA 1 - Faculdade de Ciência e Tecnologia Cursos de Engenharia Cálculo

Diferencial e Integral I Professor: Álvaro Fernandes Serafim
ax a ln lim 1 + = 25 . x x +∞ Qual o valor de a ? ` ] | ] , ] → . ]
Apostila de limites e derivadas
“Uma grande descoberta envolve a soluÁão de um grande problema, mas há uma semente
de descoberta na soluÁão de qualquer problema. Seu problema pode ser modesto;
porém, se ele desafiar a sua curiosidade e fizer funcionar a sua capacidade
inventiva, e caso você o resolva sozinho, então você poderá experimentar a tensão
e o prazer do triunfo da descoberta” George Polya Última atualizaÁão: 02/06/2006
Índice
Limite e
continuidade......................................................................
....................................... 3 NoÁão intuitiva de
limite............................................................................
............................... 3 Tabelas de
aproximaÁões......................................................................
..................................... 4 Cálculo de uma indeterminaÁão do tipo
0/0..............................................................................
5 DefiniÁão intuitiva de
limite............................................................................
......................... 6 Propriedades dos
limites...........................................................................
................................ 6 Limites
infinitos.........................................................................
............................................... 8 Limites no
infinito..........................................................................
........................................... 9 Expressões
indeterminadas....................................................................
................................... 10 Limite fundamental
exponencial.......................................................................
........................ 12 Limite fundamental
trigonométrico....................................................................
...................... 14 FunÁões
limitadas.........................................................................
............................................ 16
Continuidade......................................................................
....................................................... 18 AplicaÁão 1: Problema
da área sob o arco de uma
parábola..................................................... 20 AplicaÁão 2:
Problema do circuito RL em
série...................................................................... 21
Derivada..........................................................................
......................................................... 22 A reta
tangente..........................................................................
................................................ 22 A reta
normal............................................................................
................................................ 25 A derivada de uma funÁão num
ponto.............................................................................
......... 25 Derivadas
laterais..........................................................................
........................................... 26 Regras de
derivaÁão.........................................................................
......................................... 28 Derivada da funÁão composta (Regra da
cadeia)...................................................................... 30
Derivada da funÁão
inversa...........................................................................
............................ 32 Derivada das funÁões
elementares.......................................................................
..................... 33 Derivada da funÁão
exponencial.......................................................................
........................ 33 Derivada da funÁão
logarítmica.......................................................................
.......................... 34 Derivada das funÁões
trigonométricas...................................................................
................... 34 Derivada das funÁões trigonométricas
inversas........................................................................
37 Tabela de
derivadas.........................................................................
......................................... 39 Derivadas
sucessivas........................................................................
........................................ 40 Derivada na forma
implícita.........................................................................
............................ 42 Derivada de uma funÁão na forma
paramétrica.......................................................................
. 47
Diferencial.......................................................................
......................................................... 51 AplicaÁões da
derivada..........................................................................
................................. 53 A regra de
L’Hospital........................................................................
....................................... InterpretaÁão cinemática da
derivada..........................................................................
............. Taxa de
variaÁão..........................................................................
............................................. Análise gráfica das
funÁões...........................................................................
........................... Máximos e
mínimos...........................................................................
................................ FunÁões crescentes e
decrescentes......................................................................
............... Critérios para determinar os extremos de uma
funÁão........................................................ Concavidade e
inflexão..........................................................................
............................. Assíntotas horizontais e
verticais.........................................................................
............... EsboÁo
gráfico...........................................................................
.......................................... Problemas de
otimizaÁão........................................................................
................................. 53 55 58 61 61 63 65 67 69 72 77
Álvaro Fernandes
2
Limite e continuidade
NoÁão Intuitiva de limite Considere a funÁão f ( x ) = x 2 − 1. Esta funÁão está
definida para todo x , isto é, qualquer que seja o número real c, o valor f ∈ℜ
(c ) está bem definido. Exemplo 1. Se x = 2 então f ( 2) = 2 2 − 1 = 3 . Dizemos
que a imagem de x = 2 é o valor f (2 ) = 3 . Graficamente:
x2 − 1 . Esta funÁão está definida x −1 x − {1} . Isto significa que não ∀ ∈ℜ
podemos estabelecer uma imagem quando x assume o valor 1. Considere agora uma
outra funÁão g( x ) = g (1) = 12 − 1 0 = ??? 1−1 0
0 simboliza uma indeterminaÁão matemática. Outros tipos de indeterminaÁões
matemáticas 0 serão tratados mais adiante.
Qual o comportamento gráfico da funÁão g quando x assume valores muito próximos de
1, porém diferentes de 1? A princípio o estudo do limite visa estabelecer o
comportamento de uma funÁão numa vizinhanÁa de um ponto (que pode ou não pertencer
ao seu domínio). No caso da funÁão f, qualquer valor atribuído a x determina uma
única imagem, sem problema algum. Mas na funÁão g, existe o ponto x = 1 que gera a
indeterminaÁão.
x2 − 1 quando x assume valores próximos x −1 (numa vizinhanÁa) de 1, mas diferente
de 1. Para isto vamos utilizar tabelas de aproximaÁões.
Estudemos os valores da funÁão g( x ) =
Álvaro Fernandes 3
Tabelas de aproximaÁões As tabelas de aproximaÁões são utilizadas para aproximar o
valor da imagem de uma funÁão (se existir) quando a variável x se aproxima de um
determinado ponto. Atribuindo a x valores próximos de 1, porém menores do que 1:
(tabela A)
x g(x)
0 1
0,5 1,5
0,75 1,75
0,9 1,9
0,99 1,99
0,999 1,999
0,9999 1,9999
Atribuindo a x valores próximos de 1, porém maiores do que 1: (tabela B)
x g(x)
2 3
1,5 2,5
1,25 2,25
1,1 2,1
1,01 2,01
1,001 2,001
1,0001 2,0001
Observemos que podemos tornar g(x) tão próximo de 2 quanto desejarmos, bastando
para isso tomarmos x suficientemente próximo de 1. De outra forma, dizemos: “O
limite da funÁão g(x) quando x se aproxima de (tende a) 1 é igual a 2”.
Simbolicamente escrevemos: lim g( x ) = 2
x 1 →
ou
lim
x 1 →
x2 − 1 = 2. x −1
ObservaÁões: 1) Os dois tipos de aproximaÁões que vemos nas tabelas A e B são
chamados de limites laterais.
Quando x tende a 1 por valores menores do que 1 (tabela A), dizemos que x tende ∗
a 1 pela esquerda, e denotamos simbolicamente por x 1− . Temos então que: →
x2 − 1 =2 lim g( x ) = 2 ou lim x 1− x 1− x −1 → →
Obs: O sinal negativo no expoente do no 1 simboliza apenas que x se aproxima do
número 1 pela esquerda.
Quando x tende a 1 por valores maiores do que 1 (tabela B), dizemos que x tende ∗
a 1 pela direita, e denotamos simbolicamente por x 1+ . Temos então que: x2 − 1 →
lim g( x ) = 2 ou lim =2 x 1+ x 1+ x −1 → →
Obs: O sinal positivo no expoente do no 1 simboliza apenas que x se aproxima do
número 1 pela direita.
2) Se a funÁão g se aproximasse de valores distintos à medida que x se aproximasse
lateralmente de 1, pela esquerda e pela direita, então diríamos que o limite da
funÁão g não existiria neste ponto, simbolicamente lim g( x ) .
x 1 →
3) O limite da funÁão g(x) quando x se aproxima de 1, somente existe se os limites
laterais são iguais. Simbolicamente:
lim g( x ) = 2 se, e somente se, lim g( x ) = lim g( x ) = 2 . − +
x 1 x 1 x 1 → → →
Será necessário sempre construir tabelas de aproximaÁões para determinar o limite
de uma funÁão, caso ele exista? Não! Há uma forma bem mais simples, como veremos a
seguir.
Álvaro Fernandes 4
Cálculo de uma indeterminaÁão do tipo
0 0
0 , deveremos simplificar* a 0 expressão da funÁão envolvida. Logo após,
calculamos o limite da funÁão substituindo, na expressão já simplificada, o valor
de x.
Sempre que nos depararmos com uma indeterminaÁão do tipo * Para simplificar a
expressão você deve utilizar fatoraÁão, racionalizaÁão, dispositivo prático de
Briot-Ruffini para dividir polinômios, etc... Vejamos os exemplos seguintes.
x2 − 1 Exemplo 2. Determine lim g( x ) , onde g( x ) = . x 1 x −1 0 que é uma →
indeterminaÁão matemática! Quando a variável x está cada vez 0 mais próxima de 1,
a funÁão g está cada vez mais próxima de quanto? Devemos então simplificar a
expressão da funÁão g e depois fazer a substituiÁão direta.
Observe que g (1) =
g (x ) =
x 2 − 1 ( x − 1)( x + 1) = ( x + 1), x ≠ 1 Então: = x−1 x −1 x2 − 1 Logo, lim = ∀
2. x 1 x −1 →
(x − 1)(x + 1) = lim (x + 1) = 1 + 1 = 2 . x2 − 1 lim g ( x ) = lim = lim x 1 x →
1 x − 1 x 1 x 1 x −1 → → →
Chegamos à mesma conclusão da análise feita pelas tabelas de aproximaÁões, porém
de uma forma mais rápida e sistemática. Não mais utilizaremos as tabelas de
aproximaÁões para casos semelhantes a este!!
x2 − 1 x2 − 1 está = 2 significa que a funÁão g( x ) = x 1 x −1 x −1 tão próxima →
de 2 assim como x está suficientemente próximo de 1, porém diferente de 1.
Graficamente podemos verificar isso:
Vale lembrar que a expressão lim Gráfico da funÁão g( x ) =
x2 − 1 , x ≠ 1. x −1 ∀
Álvaro Fernandes
5
Exemplo3. Determine lim
x 1 →
0 x −1 (observe a indeterminaÁão matemática ). 0 x −1
2
lim
x 1 →
x −1 x −1 x +1 = lim 2 = lim x 1 x − 1 x −1 x + 1 x 1 ⋅ → →
2
(x − 1) (x − 1)(x + 1)(
x +1
)
= lim
x 1 →
(x + 1)(
1
x +1
)
=
1 . 4
Se você construir as tabelas de aproximaÁões, constatará que g(x) está cada vez
mais próximo de 1/4 a medida que x se aproxima de 1.
Exemplo 4. Determine lim
x 2 →
0 x3 − 8 (observe a indeterminaÁão matemática ). 2 3 x − 12 0
x3 − 23 x3 − 8 = lim = lim lim x 2 3 x 2 − 12 x 2 3 x 2 − 4 x 2 → → →
(
(
) )
(x − 2 )(x 2 + 2 x + 4 ) = lim x 2 3( x − 2 )( x + 2 ) →
(x
2
+ 2 x + 4 12 = =1 3( x + 2 ) 12
)
DefiniÁão intuitiva de limite.
Seja f uma funÁão definida num intervalo I contendo a, exceto possivelmente no ⊂ ℜ
próprio a. Dizemos que o limite de f(x) quando x se aproxima de a é L , e ∈ℜ
escrevemos lim f ( x ) = L , se, e somente se, os limites laterais à esquerda e à
direita de a são iguais à L, isto é, lim− f ( x ) = lim+ f ( x ) = L . Caso
contrário, dizemos que o limite não existe, em
x a x a → →
símbolo
lim f ( x ) .
x a →
x a →
ProposiÁão (unicidade do limite).
Se lim f ( x ) = L1 e lim f ( x ) = L2 , então L1 = L2 . Se o limite de uma funÁão
num ponto existe,
x a x a → →
então ele é único.
Principais propriedades dos limites.
Se lim f (x ) e lim g ( x ) existem, e k é um número real qualquer, então:
x a x a → →
a) lim [ f ( x ) ± g ( x )] = lim f (x ) ± lim g ( x ) .
x a x a x a → → →
b) lim k . f ( x ) = k .lim f ( x ) .
x a x a → →
c) lim [ f (x ) g (x )] = lim f ( x ) lim g (x ) . ⋅ ⋅
x a x a x a → → →
d) lim
x a →
f ( x ) lim f ( x ) = x a , lim g ( x ) ≠ 0 . g (x ) lim g ( x ) x a → →
x a →
e) lim k = k .
x a →
Álvaro Fernandes
6
Exemplo 5. Calcule lim
3x 2 − 6 usando as propriedades. x 2 2 x + 4 →
2 3x 2 − 6 3 x2 − 2 3 x 2 − 2 3 lim x − 2 3 2 3 x 2 lim = =. = lim = lim = x 2 2 → ⋅ ⋅ ⋅ →
x + 4 x 2 2( x + 2 ) 2 x 2 x + 2 2 lim x + 2 2 4 4 x 2 → → →
(
)
Obteríamos este resultado substituindo diretamente: lim
3 x 2 − 6 3.2 2 − 6 12 − 6 6 3 = = ==. x 2 2 x + 4 2(2 ) + 4 4+4 8 4 →
Atividades (grupo 1).
Calcule os limites abaixo:
4−x 2+x
2
a) lim
x −2 →
b) lim
x 3 →
x − 4x + 3 x2 − x − 6
2
x3 − 1 c) lim x 1 5 x − 5 →
d) lim
g) lim
8 + x3 x −2 4 − x 2 →
1 − x2 x+ 2+ x
e) lim
x 2 →
x 4 − 16 8 − x3 2− x−3 x 2 − 49
f) lim
x 1 →
x −1 x −1 3− 5+ x 1− 5 − x
x −1 →
h) lim
x 7 →
i) lim
x 4 →
Atividades (grupo 2).
Calcule os limites indicados:
x 2 − 1, x ≤ 0 a) f ( x ) = , x + 1, x > 0 ¹ ' ¹
calcule: lim f ( x ) , lim f ( x ) e lim f ( x ) .
x −1 x 2 x 0 → → →
b) g( x ) = '
x2 , x ≠ 2 3 , x = 2 ¹ ¹
,
calcule: lim g( x ) .
x 2 →
4 − x 2 , x < 1 c) h( x ) = , 5 − 2 x , x > 1 ¹ ' ¹
2 x , x < 0 d) l ( x ) = 1 − x 2 , 0 ≤ x < 2 , 2 x − 6 , x ≥ 2 ¹ ¹ ' ¹ ¹
calcule: lim h( x ) .
x 1 →
calcule: lim l ( x ), lim l ( x ), lim l ( x ) e
x 0 x 2 x −∞ → → →
x +∞ →
lim l ( x ) .
Álvaro Fernandes
7
Limites infinitos
Quando resolvemos um limite e não encontramos como resposta valores numéricos, mas
sim infinito ( + ∞ ou − ∞ ), dizemos então que o limite é infinito.
Exemplo 6. Calcule lim
x −1 →
x2 − 1 . x −1
x2 − 1 0 , encontramos = 0. x −1 −2 0 Esta não é uma situaÁão especial. Sempre que
na substituiÁão de x ocorrer , k ≠ 0 , o resultado k do limite será sempre zero,
naturalmente.
Neste caso, quando fazemos a substituiÁão de x por − 1 na expressão
E se na substituiÁão do valor de x ocorrer
k , k ≠0? 0
Vamos analisar esta situaÁão num caso particular e depois formalizar uma regra.
Exemplo 7. Estude o seguinte limite: lim
x 0 →
1 . x
Devemos analisar os limites laterais. Vamos recorrer às tabelas de aproximaÁões:
AproximaÁão do zero pela direita (notaÁão x 0 + ) →
x f(x)=1/x 1 1 0,1 10 0,01 100 0,001 1000 0,0001 10.000
Cada vez que tomamos x suficientemente próximo de zero (pela direita), f ( x ) = 1
x cresce indefinidamente. Simbolizamos esta situaÁão assim:
lim+ 1 = +∞ x
x 0 →
AproximaÁão do zero pela esquerda (notaÁão x 0 − ) →
x f(x)=1/x -1 -1 -0,1 -10 -0,01 -100 -0,001 -1000 -0,0001 -10.000
Cada vez que tomamos x suficientemente próximo de zero (pela esquerda), f ( x ) =
1 x decresce indefinidamente. Simbolizamos esta situaÁão assim:
lim− 1 = −∞ x lim
x 0 →
x 0 →
Conclusão: Como os limites laterais são distintos, então
1 . x
Veja ao lado o gráfico da funÁão f ( x ) = 1 x .
Álvaro Fernandes 8
Regra (generalizaÁão)
Se no cálculo de um limite ocorrer uma situaÁão do tipo
k k 0 + = +∞ , k > 0 e 0 + = −∞ , k < 0. k k − = −∞ , k > 0 e = +∞ , k < ¹ ¹ ¹ ' ¹ ¹
0. 0− 0 ¹
k , k ≠ 0 , então: 0
Desta tabela podemos perceber que
k Se o denominador tende ao infinito com o =0. ±∞ numerador constante, a razão se
aproxima de zero. Como veremos agora.
Limites no infinito
Estamos interessados agora em estabelecer o comportamento de uma funÁão quando a
variável x cresce indefinidamente ( x +∞ ) ou quando ela decresce →
indefinidamente ( x −∞ ). Em algumas situaÁões, a funÁão se aproxima de um valor →
numérico (figura 1), noutros pode também crescer indefinidamente (figura 2) ou
decrecer indefinidamente (figura 3).
Figura 1
Figura 2
Figura 3
Exemplo 8.
Na figura 1:
x +∞ →
1 lim + 1 = 0 + 1 = 1 , na figura 2: x 2 lim (− x + 4 ) = −∞ . | ` . ,
x +∞ →
x +∞ →
lim ( x + 1) = +∞
e na figura 3:
A tabela abaixo apresenta situaÁões de soma e produto de infinitos que usaremos
com freqüencia.
(± ∞ ) (± ∞ ) = +∞ (m ∞ ) (± ∞ ) = −∞ (± ∞ ) + (± ∞ ) = ±∞ (± ∞ ) − (± ¹ ⋅ ¹ ⋅ ¹ ' ¹ ¹
∞ ) = ? indeterminaÁão! ¹
(± ∞ ) k = ±∞ , se k > 0 (± ∞ ) k = m ∞ , se k < 0 e se k * , então . ¹ ⋅ ¹ ⋅ ¹ ∈ ℜ '
(± ∞ ) + k = ±∞ (± ∞ ) − k = ±∞ ¹ ¹ ¹
Álvaro Fernandes
9
Vale ressaltar ainda que, se n é um natural não nulo, então:
lim x n = +∞
x +∞ →
e
+ ∞ , n par. lim x n = x −∞ − ∞ , n ímpar. ¹ ' → ¹
Atividades (grupo 3). Calcule os limites:
a) lim
x 2 →
x2 x−2
b) lim
x 3 →
(x − 3)
2x − 4
2
c) lim
x 3 →
(x − 3)
2x − 7
2
d) lim
5 − 2x3 + 6 x +∞ 3 x 2 →
Atividades (grupo 4). Calcule os limites:
a) lim+
x 5 →
3− x x−5
b) lim−
x 2 →
3−x 2 x + x −6
c) lim−
x −5 →
x 2 − 10 2 x + 10
d) lim+
x 1 →
x−2 x +x−2
2
Expressões indeterminadas
Vimos que
0 é uma expressão de indeterminaÁão matemática. Também são: 0
e ∞0 .
∞ , ∞ − ∞ , 0 × ∞ , 1∞ , 0 0 ∞
Vamos analisar os quatro primeiros casos. Os outros serão tratados em capítulos
posteriores.
A indeterminaÁão do tipo
∞ . ∞
Exemplo 9. Calcule os limites abaixo:
a) lim
x3 + 1 x +∞ 5 x 2 + 3 →
b) lim
x2 + 1
x +∞ x 4 + x →
c) lim
1 + x2
x +∞ x 2 + x →
Podemos observar que estas expressões geram indeterminaÁões do tipo
∞ , pois quando x +∞ ∞ as expressões do numerador e denominador também tendem a →
+ ∞ . Não podemos afirmar, a priori, o valor delas. Vejamos:
1 1 1 lim x 1 + 3 x 1 + 3 x3 1 + 3 x +∞ x +1 x + ∞(1 + 0 ) + ∞ x ` ` ` | | | → , ,
x = = = +∞ = = lim = lim lim x +∞ x +∞ x +∞ 5 x 2 + 3 3 3 3 5(1 + , . . . → → | → ` ` `
0 ) 5 2 5 1 + 2 lim 5 1 + 2 5x 1 + 2 5x 5 x x +∞ 5x | | , , → . , . .
3
a)
x2 1 + x +1 b) lim 4 = lim x +∞ x +∞ x + x x4 1 + | . → → | .
2
1 x2 1 x3
= lim x +∞ ` , ` → ,
1 1 lim 1 + 2 1 + 2 x +∞ (1 + 0 ) = 1 = 0 . x x = = 1 + ∞(1 + 0 ` ` | | → , , . . `
) + ∞ 1 x 2 1 + 3 lim x 2 1 + 3 x +∞ x x ` | | → , , . .
10
Álvaro Fernandes
1 1 1 lim 1 + 2 6 1 + 2 6 x2 1 + 2 6x +1 6 x 6 (1 + 0 ) 6 x 6 x ` ` ` | | | , , →
+∞ 6x c) lim = = 2. = = lim = lim 2 x +∞ x +∞ 3 x + x 1 1 1 x +∞ . , . ⋅ ⋅ . → → ` ` ` → |
3 (1 + 0 ) 3 2 lim 1 + 3 1 + 3x 1 + x +∞ 3x 3x 3x | | → , , , . . .
2
∞ produziram respostas ∞ distintas (como era esperado, por isso que é
indeterminaÁão!) Você deve ter notado que para resolver indeterminaÁões deste tipo
a idéia é colocar o termo de maior grau em evidência no numerador e no
denominador.
Observamos que nas três situaÁões analisadas as indeterminaÁões do tipo
Atividades (grupo 5).
1. Calcule os limites abaixo: a) lim
2x3 − 1 x +∞ 5 x 3 + x + 1 →
b) lim
x +∞ →
x 5 + 3x 2 2x + 1
c) lim
x2 + 2x3 x −∞ 5 x + 3 − x 4 →
d) lim
x2 x −∞ 1 − 5 x 2 →
A indeterminaÁão do tipo ∞ - ∞ Exemplo 10. Calcule os limites abaixo:
a) lim x 2 − x 3 .
x +∞ →
b) lim 5 x 2 + x .
x −∞ →
Podemos observar que estas expressões geram indeterminaÁões do tipo ∞ - ∞, mas não
podemos afirmar, a priori, o valor delas. Vejamos: Usando a mesma técnica da
indeterminaÁão anterior...
1 a) lim x 2 − x 3 = lim − x 3 − + 1 = −∞(0 + 1) = −∞(1) = −∞ . x +∞ x +∞ | ` → →
x 7 1 b) lim x + 5 x 2 + 7 = lim 5 x 2 + 1 + 2 = +∞(0 + 1 + 0 ) = +∞(1) = +∞ . , ` |
. x −∞ x −∞ 5x 5x → → , .
Atividades (grupo 6).
1. Calcule os limites abaixo: a) lim x 5 − x 3 + 2 x .
x +∞ →
b) lim x 4 + 5 x − 6 .
x −∞ →
A indeterminaÁão do tipo 0 × ∞ Exemplo 11. Calcule os limites abaixo:
a) lim
x +∞ →
22 (x + 1) . x3
b) lim
3 x
x +∞ →
(x ) .
11
Álvaro Fernandes
Podemos observar que estas expressões geram indeterminaÁões do tipo 0 × ∞, mas não
podemos afirmar, a priori, o valor delas. Vejamos: a) lim
2 22 (x + 1) = xlim 2 xx 3+ 2 = ... Transformamos a indeterminaÁão 0 × ∞ em ∞ Ú ∞
. Daí você +∞ x3 →
x +∞ →
já sabe! 2x 2 + 2 ... = lim = ... = 0 . x +∞ x3 b) lim 3 →
x x técnica da racionalizaÁão:
x +∞ →
(x ) = xlim +∞ →
3x
= ... Novamente transformamos a indeterminaÁão para ∞ Ú ∞. Usando a
... = lim
3x x
x +∞ →
= lim
3x x
x +∞ →

x x
= lim
3x x = lim 3 x = 3(+ ∞ ) = +∞ . x +∞ x +∞ x → →
Atividades (grupo 7).
1. Calcule os limites abaixo: a) lim 1
x +∞ →
(x 2 + 3). x
2 2 b) lim x − 25 . x 5 + x-5 | ` → . ,
(
)
Limite fundamental exponencial (a indeterminaÁão do tipo 1∞)
O número e tem grande importância em diversos ramos das ciências, pois está
presente em vários fenômenos naturais, por exemplo: Crescimento populacional,
crescimento de populaÁões de bactérias, desintegraÁão radioativa (dataÁão por
carbono), circuitos elétricos, etc. Na área de economia, é aplicado no cálculo de
juros. Foi o Matemático Inglês Jonh Napier (1550-1617) o responsável pelo
desenvolvimento da teoria logarítmica utilizando o número e como base. O número e
é irracional, ou seja, não pode ser escrito sob forma de fraÁão, e vale
aproximadamente: e 2,7182818 Como o número e é encontrado em diversos fenômenos ≅
naturais, a funÁão exponencial f ( x ) = e é considerada uma das funÁões mais
importantes da matemática, merecendo atenÁão especial de cientistas de diferentes
áreas do conhecimento humano.
x
ProposiÁão:
lim 1 + x ±∞ | → .
1 = e. x ` ,
x
A prova desta proposiÁão envolve noÁões de séries. Utilizaremos o recurso das
tabelas de aproximaÁões e gráfico para visualizar este resultado.
Álvaro Fernandes
12
Tabela x 100 1000 100.000 M x +∞ FaÁa uma tabela para x - ∞. Gráfico: 1 f (x → → ` |
) = 1 + x 2,7048.. 2,7169.. 2,7182.. M f(x) e , . →
x
Exemplo 12. Calcule os limites abaixo:
a) lim 1 + x +∞ | → .
1 . x ` ,
5x
3 b) lim 1 − . x −∞ x ` | → , .
4x
Nestes dois casos percebemos indeterminaÁões do tipo 1∞ . Vejamos as soluÁões...
1 a) lim 1 + x +∞ x ` | → , .
5x x x 1 1 = lim 1 + = lim 1 + = e 5 . x +∞ x x x | ` ] ` ] | ] ] → , ] , ] .
+∞ 5 5 → . ] ]
b) Neste caso, usaremos uma mudanÁa de variável... FaÁa x = −3t . Se x −∞ então →
t +∞ . →
3 Logo, lim 1 − x −∞ x ` | → , .
4x
3 = lim 1 − t +∞ − 3t ` | → , .
4 ( −3 t )
1 = lim 1 + t +∞ t ` | → , .
−12 t
t 1 = lim 1 + t t +∞ ` ] | ] , ] → . ]
−12
= e −12 .
Atividades (grupo 8).
1. Calcule os limites abaixo:
7 a) lim 1 + x x +∞ | ` , → .
2x
.
b) lim 1 − x −∞ | → .
2 . x ` ,
5x
x + 1 c) lim . x +∞ x − 1 | ` → . ,
2x
Álvaro Fernandes
13
Conseqüências importantes do limite fundamental exponencial:
i) lim (1 + x )
x 0 →
1x
= e.
ii) lim
x 0 →
ax −1 = ln(a ), a > 0 e a ≠ 1 . x
Atividades (grupo 9). Resolva os dois limites acima com as sugestões a seguir:
• •
1 e use o limite fundamental exponencial. t No item (ii) faÁa a mudanÁa de
variável a x − 1 = t e use o item (i). No item (i) faÁa a mudanÁa de variável x =
Atividades (grupo 10).
1. Resolva os limites abaixo: a) lim (1 + 2 x ) .
1x x 0 →
b) lim
x 0 →
3x − 1 . x
c) lim
x 0 →
ex − 1 . 4x
d) lim
x 0 →
ex − 2x . x
Limite fundamental trigonométrico
0 0 envolvendo a funÁão trigonométrica y = sen( x ) . Este limite é muito
importante, pois com ele resolveremos outros problemas. O limite fundamental
trigonométrico trata de um limite cuja indeterminaÁão é do tipo
ProposiÁão:
lim
x 0 →
sen( x ) = 1. x
A funÁão f ( x ) =
sen( x ) é par, isto é, f (− x ) = f ( x ) , x ≠ 0 , pois x f (− x ) = sen(− x ) ∀
− sen(x ) sen( x ) = = = f (x ) . −x −x x
Se x 0 + ou x 0 − , f ( x ) apresenta o mesmo valor numérico. Vamos utilizar → →
a tabela de aproximaÁão para verificar este resultado. Tabela x f (x ) = sen( x )
x
±0,1 ±0,01 ±0,001 ±0,0001 ±0,00001 ±10-10 M x 0 →
0.9983341664683.. 0.9999833334167.. 0,9999998333333.. 0,9999999983333..
0,9999999999833.. 0,9999999999999.. M f (x ) 1 →
14
Álvaro Fernandes
Visualizando o gráfico da funÁão f ( x ) =
sen( x ) , podemos perceber também este resultado... x
Exemplo 13. Calcule os limites abaixo:
a) lim
x 0 →
sen(2 x ) . x
b) lim
x 0 →
sen(5 x ) . sen(3 x )
c) lim
cos( x ) − 1 . x 0 x →
d) lim
tg ( x ) . x 0 x →
SoluÁões: a) lim
x 0 →
sen(2 x ) sen(2 x ) sen(2 x ) = lim 2 = 2 lim = ... x 0 x 0 x 2x 2x ⋅ ⋅ → →
FaÁa 2 x = t . Se x 0 então t 0 . Logo: ... = 2 lim → → ⋅
t 0 →
sen(t ) = 2(1) = 2 . t sen(kx ) = 1 . Vamos usar este resultado agora: kx
De uma forma geral, k * , lim ∀ ∈ ℜ
x 0 →
sen(5 x ) sen(5 x ) 5x lim sen(5 x ) 5 x 0 5 x 51 5 b) lim = lim 5 x = = =. x ⋅ → ⋅ ⋅
0 sen(3 x ) x 0 sen(3 x ) sen(3 x ) 3 1 3 3 3x lim x 0 3x 3x → → ⋅ →
c) lim
x 0 →
cos( x ) − 1 cos( x ) − 1 cos( x ) + 1 cos 2 ( x ) − 1 − sen 2 ( x ) = lim = lim ⋅
= lim = x 0 x x cos( x ) + 1 x 0 x[cos( x ) + 1] x 0 x[cos( x ) + 1] → → →
= lim
x 0 →
sen( x ) − sen(x ) 0 = 1 =0. x cos( x ) + 1 1 + 1 tg ( x ) sen( x ) sen(x ) | ` ⋅ . ,
1 sen( x ) 1 1 = lim = lim = lim lim = 1 = 1 . x 0 x cos ( x ) x 0 x 0 | ` ⋅ ⋅ → → →
x 0 cos ( x ) x x cos( x ) x 1 → . ,
d) lim
x 0 →
Atividades (grupo 11).
1. Resolva os limites abaixo usando o limite trigonométrico fundamental: a) lim
sen(4 x ) . 3x b) lim
1 − cos( x ) x
2
x 0 →
x 0 →
.
2e x + 6 sen( x ) − 2 . c) lim x 0 3x →
d) lim
x 0 →
6 x − sen( x ) . 2 x + 3 sen( x )
Álvaro Fernandes
15
FunÁões limitadas DefiniÁão: Uma funÁão y = f ( x ) é chamada limitada, se existe
uma constante k * , tal que f ( x ) ≤ k , x D( f ) , isto é , − k ≤ f ( x ) ∈ ℜ ∀ ∈
≤ k , x D( f ) . Em outras palavras, y = f ( x ) possui o ∀ ∈
conjunto imagem contido num intervalo de extremos reais. Obs.: D( f ) significa o
domínio da funÁão f.
Exemplo 14. Algumas funÁões limitadas e seus gráficos.
f(x) = sen(x) e g(x) = cos(x)
f(x) = k
f(x) = sen(2x2+3x-1)
ProposiÁão: Se lim f ( x ) = 0 e g ( x ) é uma funÁão limitada, então lim f ( x ).
g ( x ) = 0 .
x a ou x ±∞ x a ou x ±∞ → → → →
Exemplo 15.
a) Calcule lim SoluÁão:
sen( x ) . x +∞ x →
1 sen( x ) = lim sen( x ) = * = 0 x +∞ x +∞ x x lim * Usando a proposiÁão: ⋅ → →
Se x +∞ então resultado é zero. Gráfico da funÁão f ( x ) = sen( x ) : x 1 0 → →
. Como a funÁão sen(x ) é limitada, então o x
Observe que as oscilaÁões vão reduzindo a sua amplitude quando x +∞ . O →
resultado do limite permanece o mesmo se x −∞ . →
Álvaro Fernandes
16
b) Calcule lim
x +∞ →
cos( x ) . x
SoluÁão: de forma análoga... 1 cos( x ) = lim cos( x ) = 0 . x +∞ x +∞ x x ⋅ → →
lim Gráfico da funÁão f ( x ) = cos( x ) : x
Observe que, da mesma forma que a funÁão anterior, as oscilaÁões vão reduzindo a
sua amplitude quando x +∞ . O resultado do limite permanece o mesmo se x −∞ . → →
x+1 c) Calcule lim 2 cos( x ) . x +∞ x + 1 x+1 x+1 lim 2 | ` ⋅ → . , | ` | ` ⋅
cos(x ) = 0 . = 0 (Por quê?) e cos( x ) é uma funÁão limitada. Logo, lim 2 x →
+∞ x + 1 x +∞ x + 1 x+1 Gráfico da funÁão f ( x ) = 2 cos( x ) : → . , . , | ` ⋅ .
x + 1,
Atividades (grupo 12).
1. Resolva os limites abaixo usando o conceito de funÁão limitada: a) lim e x ⋅
sen( x ) .
x −∞ →
b) lim
x +∞ →
3 cos(x ) + 2 x . 2x
Álvaro Fernandes
17
Continuidade DefiniÁão: Seja x0 um ponto do domínio de uma funÁão f. Dizemos que f
é contínua no ponto x0 se:
x x0 →
lim f ( x ) = f ( x0 ) .
Exemplo 16. A funÁão do exemplo 1 (pág. 3) é contínua no ponto x0 = 2 , pois lim f
( x ) = f (2 ) = 3 . Na verdade esta funÁão é contínua em , isto é, em todos os ℜ
pontos da reta
x 2 →
(do seu domínio).
Exemplo 17. Algumas funÁões que não são contínuas no ponto x0 :
a)
b)
c)
Pois... a) não existe lim f ( x ) , apesar de f ( x0 ) existir, neste caso f
( x0 ) = L ;
x x0 →
b) existe
x x0 →
lim f ( x ) ≠ f ( x0 ) ;
x x0 →
x x0 →
lim f ( x ) , isto é
x x0 →
lim f ( x ) = L1 . Existe
f ( x0 ) , neste caso
f ( x0 ) = L2 , mas
c) não existe lim f ( x ) , apesar de f ( x0 ) existir, neste caso f ( x0 ) = L .
Exemplo 18. Verifique se as funÁões abaixo são contínuas nos pontos indicados:
1 − x2 , x >1 x −1 2 2x − 2 b) g ( x ) = , x<1 1− x 1 − 5 x , x = ¹ ¹ ¹ ¹ ¹ ¹ ' ¹ ¹ ¹ ¹
1 ¹ ¹
x 2 − 16 , x≠4 8 − 2x a) f ( x ) = , 2 x − 4 , x = 4 ¹ ¹ ¹ ¹ ' ¹ ¹ ¹ ¹
x0 = 4 .
,
x0 = 1 .
(x − 4 )(x + 4 ) = lim − (x + 4 ) = −4 . x 2 − 16 = lim x 4 x 4 8 − 2 x x 4 2(4 → → →
− x ) 2 Calculando a imagem, temos: f (4 ) = 2(4 ) − 4 = 4 . Como lim f ( x ) ≠ f
(4 ) , então a funÁão não é
SoluÁões: a)
Calculando o limite, temos: lim
x 4 →
contínua (ou descontínua) no ponto x0 = 4 .
Álvaro Fernandes
18
b) Calculando o limite, temos: 1 − x2 x −1 = lim+
x 1 →
x 1 →
lim+
(1 − x )(1 + x ) ⋅
x −1
x +1 x +1
= lim+
x 1 →
(1 − x )(1 + x )(
x −1
x +1
) = lim
x 1+ →
− (1 + x )( x + 1 = −4
)
x 1 →
lim−
2x2 − 2 2(x 2 − 1) = lim− = 2 lim− x 1 x 1 1− x 1− x → →
(x − 1)(x + 1) = 2 lim
1− x
x 1 →
x 1 − →
− ( x + 1) = 2(− 2 ) = −4
Como os limites laterais são iguais, temos que lim g ( x ) = −4 . Calculando a
imagem, temos: g (1) = 1 − 5(1) = −4 . Como lim g ( x ) = g (1) , então a funÁão é
contínua no ponto x0 = 1 .
x 1 →
Atividades (grupo 13).
Determine, se possível, a constante a de modo que as funÁões abaixo sejam ∈ ℜ
contínuas no ponto x o , sendo:
3ax 2 + 2 , x < 1 (xo = 1) . a) f ( x ) = x − 2, x ≥ 1 ¹ ' ¹
ax 2 + 2 , x ≠ 1 (x o = 1) . b) g ( x ) = 2 a , x = 1 ¹ ¹ ' ¹ ¹
Atividades (grupo 14).
Determine, se possível, as constantes a e b de modo que as funÁões abaixo ∈ ℜ
sejam contínuas no ponto x o , sendo:
3 x − 3, x > −3 ( x o = −3 ) . c) f ( x ) = ax , x = −3 bx 2 + 1, x < −3 ¹ ¹ ' ¹ ¹
Propriedades das funÁões contínuas.
2a. cos(π + x ) + 1, x < 0 (xo = 0 ) . d) g ( x ) = 7 x − 3a , x = 0 b − 2 x 2 ¹ ¹ ' ¹
, x > 0 ¹
Se as funÁões f e g são contínuas em um ponto x0 , então: i) f ± g é contínua em
x0 ; ii) f
.
g é contínua em x0 ;
iii) f / g é contínua em x0 desde que g ( x0 ) ≠ 0 .
Álvaro Fernandes
19
1. Problema da área sob o arco da parábola y = x 2 no intervalo [0 , 1] (Figura
1). Método dos retângulos.
Figura 1. Dividindo o intervalo [0 , 1] em n subintervalos, cada subintervalo terá
comprimento 1 n : 1 1o subintervalo 0 , , n 1 2 2o subintervalo , , n ] ] ] ] ]
n Obs.: n = 1. n ]
2 3 n − 1 n , . 3o subintervalo , , ... , no subintervalo n n n n ] ] ] ] ] ]
Vamos construir retângulos (Figura 2) cujas bases são ao subintervalos e cujas
alturas são as imagens dos extremos direito* de cada subintervalo pela funÁão y =
x 2 : a altura pode ser calculada sobre qualquer ponto do subintervalo, neste caso
foi tomado o extremo direito.
*
Figura 2. Calculando as área desses retângulo ( A = b.h ), obtemos: A1 = 1 12 , ⋅
n n2 A2 = 1 22 , n n2 A3 = 1 32 , ... , n n2 An = ⋅ ⋅
Figura 3.
1 n2 . n n2 ⋅
A área total desses retângulos ( Atn ) nos dá uma aproximaÁão da área (Figura 1)
que queremos calcular:
1 12 2 2 3 2 n2 Atn = ∑ Ai = 2 + 2 + 2 + L + 2 n n n n n i =1 | .
n
1 12 + 2 2 + 3 2 + L + n 2 = n n2 ` | , .
= ` ,
Álvaro Fernandes
20
=
1 n(n + 1)(2n + 1) n(n + 1)(2 n + 1) . = n 6n2 6n3 | ` . ,
Obs.: A soma 1 2 + 2 2 + 3 2 + ... + n 2 é conhecida pela fórmula [n(n + 1)(2 n +
1)] 6 .
Vejamos alguns resultados para alguns valores crescentes de n:
n Atn
6 (Figura 3) 0,421296
10 0,385000
100 0,338350
1.000 0,333834
10.000 0,333383
100.000 0,333338
A área exata que estamos procurando (Figura 1) é calculada pelo limite:
n +∞ →
lim ATn = lim
n +∞ →
n(n + 1)(2 n + 1) 1 = = 0 ,3 . (Calcule este limite e mostre que é igual a 1/3) 3
6n3
2. Problema do circuito RL em série.
No circuito da figura 4, temos uma associaÁão em série de um resistor (símbolo R)
e um indutor (símbolo L). Da segunda lei de Kirchhoff (lei das voltagens) e do
estudo das equaÁões diferenciais, pode-se mostrar que a corrente i no circuito é
dada por
− t E i (t ) = + c.e L , R R . , | `
(1)
onde E é uma bateria de voltagem fixa, c é uma constante real e t é o tempo.
Unidade de resistência: ohm. Unidade de indutância: henry.
Figura 4.
Exercício 1: Se uma bateria de 12 volts é conectada a um circuito em série (como
na fig. 4) no qual o indutor é de 1/2 henry e o resistor é de 10 ohms, determine o
valor da constante c e a corrente i (t ) . Considere a corrente inicial e o tempo
inicial iguais a zero. Exercício 2: Determine lim i (t ) , sendo i (t ) da equaÁão
(1).
t +∞ →
Obs.: Quando t +∞ o termo c.e L da equaÁão (1) se aproxima de zero. Tal → . ,
termo é usualmente denominado de corrente transitória. A razão E/R é chamada de
corrente estacionária. Após um longo período de tempo, a corrente no circuito é
governada praticamente pela lei de Ohm E = Ri .
R − t | `
Álvaro Fernandes
21
Derivada
A reta tangente.
Suponha que a reta r da figura vá se aproximando da circunferência até tocá-la num
único ponto.
Na situaÁão da figura 4, dizemos que a reta r é tangente a circunferência no ponto
P. Exemplos de retas tangentes (no ponto P) a algumas curvas:
Fig. 5
Fig. 6
Fig. 7
Na figura 7, apesar da reta tocar a curva em dois pontos, ela tangencia a curva em
P, como na figura 4.
Estas retas tocam suavemente as curvas nos pontos P indicados. Exemplos de retas
que não são tangentes (no ponto Q) a algumas curvas:
Fig. 8
Fig. 9.
Estas retas não tocam suavemente as curvas nos pontos indicados como no exemplo da
circunferência (fig. 4). Elas “cortam” , “penetram” as curvas.
Álvaro Fernandes 22
Vamos determinar a equaÁão da reta tangente a uma funÁão (uma curva) num ponto do
seu domínio. Seja y = f ( x ) uma curva definida no intervalo (a , b ) . Considere
P( xo , y o ) , sendo y o = f ( x o ) , um ponto fixo e Q(x , y ) um ponto móvel,
ambos sobre o gráfico de f. Seja s a reta que passa pelos pontos P e Q. Seja t a
reta tangente ao gráfico de f no ponto P.
∆y = y − y o ∆x = x − xo
Considerando o triângulo retângulo PTQ, obtemos o coeficiente angular da reta s
como
tg ( ) = ∆y y − y o . = ∆x x − x o β
Suponha que o ponto Q mova-se sobre o gráfico de f em direÁão ao ponto P. Desta
forma, a reta s se aproximará da reta t. O ângulo se aproximará do ângulo , e β α
então, a tg ( ) se aproximará da tg ( ) . Usando a notaÁão de limites, é fácil β α
perceber que
lim tg ( ) = tg ( ) . β α
Q P →
Mas quando Q P temos que x xo . Desta forma, o limite acima fica → →
y − yo f (x ) − f (xo ) = lim = tg ( ) . x − x o x xo x − xo α →
Q P →
lim tg ( ) = tg ( ) β α

x xo →
lim
Assim lim
x xo →
f (x ) − f (xo ) = tg ( ) . x − xo α
Álvaro Fernandes
23
DefiniÁão: Seja y = f ( x ) uma curva e P( xo , y o ) um ponto sobre o seu
gráfico. O coeficiente angular m da reta tangente ao gráfico de f no ponto P é
dado pelo limite
m = lim
x xo →
f (x ) − f (xo ) , quando este existir. x − xo
m = tg ( ) y o = f ( xo ) α
EquaÁão da reta tangente
Podemos agora determinar a equaÁão da reta tangente t, pois já conhecemos o seu
coeficiente angular e um ponto do seu gráfico P( xo , y o ) . A equaÁão da reta
tangente t é: a) ( y − y o ) = m(x − xo ) , se o limite que determina m existir;
b) A reta vertical x = xo se lim
f (x ) − f (xo ) for infinito. x − xo
x xo →
Exemplo 19. Determine a equaÁão tangente a parábola f ( x ) = x 2 no ponto de
abscissa xo = 1 .
SoluÁão: Temos que determinar dois termos y o e m.
y o = f ( xo ) y o = f (1) = 12 = 1 . f ( x ) − f ( xo ) f ( x ) − f (1) x2 − 1 ⇒
m = lim = lim = lim =L = 2. x xo x 1 x 1 x − 1 x − xo x −1 → → →
Logo a equaÁão da reta tangente é ( y − 1) = 2( x − 1) ou
y = 2x − 1 .
Álvaro Fernandes
24
EquaÁão da reta normal DefiniÁão: Seja y = f ( x ) uma curva e P( xo , y o ) um
ponto sobre o seu gráfico. A reta normal (n) ao gráfico de f no ponto P é a reta
perpendicular a reta tangente (t).
• • •
() ( ) −1 (x − xo ) , sendo que m = xlim f x − f xo ≠ 0 . xo x − xo m Se m = 0 , →
então a equaÁão da reta normal é a reta vertical x = xo . f (x ) − f (xo ) Se lim
for infinito, então a reta normal é horizontal e tem equaÁão y = y o . x xo x − →
xo
A equaÁão da reta normal é ( y − y o ) =
Atividades (grupo 15).
Determine a equaÁão da reta tangente e da reta normal ao gráfico das funÁões
abaixo nos pontos indicados. Esboce os gráficos das funÁões com as retas. a) f ( x
) = x 3 no ponto de abscissa xo = 1 . b) f ( x ) = x no ponto de abscissa xo = 4 .
A derivada de uma funÁão num ponto
O limite lim
x xo →
f (x ) − f (xo ) é muito importante, por isso receberá uma denominaÁão especial. x
− xo
DefiniÁão: Seja y = f ( x ) uma funÁão e xo um ponto do seu domínio. Chama-se
derivada da funÁão f no ponto xo e denota-se f ' ( xo ) (lê-se f linha de xo ), o
limite
f ' ( xo ) = lim f (x ) − f (xo ) , quando este existir. x − xo
x xo →
Forma alternativa para derivada:
Se fizermos ∆x = x − xo , obtemos a seguinte forma para f ' ( xo ) :
f ' ( xo ) = lim f ( xo + ∆x ) − f ( xo ) . ∆x
∆x 0 →
Álvaro Fernandes
25
Outras notaÁões para a derivada da funÁão y = f ( x ) num ponto x qualquer:
• • •
y' ( x ) (lê-se: y linha de x); D x f (lê-se: derivada da funÁão f em relaÁão à
x); dy (lê-se: derivada de y em relaÁão à x). dx
Exemplo 20. Dada a funÁão f ( x ) = x 2 − x + 1 , determine f ' (2 ) . Use as duas
formas da definiÁão.
Usando f ' ( xo ) = lim ⇒
f (x ) − f (xo ) x − xo
x xo →
:
f ' (2 ) = lim
x 2 →
(x − 2 )(x + 1) = lim (x + 1) = 3 . f ( x ) − f (2 ) x2 − x + 1 − 3 x2 − x − 2 =
lim = lim = lim x 2 x 2 x 2 x 2 x−2 x−2 x−2 x−2 → → → →
f ( xo + ∆x ) − f ( xo ) : ∆x
2
Usando f ' ( xo ) = lim ⇒
∆x 0 →
f ' (2 ) = lim
∆x 0 →
(2 + ∆x ) − (2 + ∆x ) + 1 − 3 = lim 4 + 4 ∆x + ∆x 2 − 2 − ∆x − 2 = f (2 + ∆x ) − f
(2 ) = lim ∆x 0 ∆x 0 ∆x ∆x ∆x → →
= lim
3∆x + ∆x 2 ∆x(3 + ∆x ) = lim (3 + ∆x ) = 3 + 0 = 3 . = lim ∆x 0 ∆x 0 ∆x 0 ∆x → → →
∆x
Teorema: Toda funÁão derivável num ponto é contínua neste ponto. Atividades (grupo
16).
1. Determine a equaÁão da reta tangente à curva y = 5 − x 2 , que seja
perpendicular à reta y = 3 + x . 2. Determine a equaÁão da reta normal à curva y =
x 3 , que seja paralela à reta 3 y + x = 0 .
Derivadas laterais
Lembre-se que o limite de uma funÁão num ponto somente existe se os limites
laterais existem e são iguais. Como a derivada de uma funÁão num ponto é um
limite, esta derivada somente existirá em condiÁões análogas.
DefiniÁão: Seja y = f ( x ) uma funÁão e xo um ponto do seu domínio. A derivada à
direita de f em xo , denotada por f + ' (xo ) é definida por
f + ' ( xo ) = lim+
x xo →
f (x ) − f (xo ) . x − xo
Álvaro Fernandes
26
DefiniÁão: Seja y = f ( x ) uma funÁão e xo um ponto do seu domínio. A derivada à
esquerda de f em xo , denotada por f − ' ( xo ) é definida por
f − ' ( xo ) = lim−
x xo →
f (x ) − f (xo ) . x − xo
Uma funÁão é derivável num ponto quando as derivadas laterais (a direita e a
esquerda) existem e são iguais neste ponto. Exemplo 21. Considere a funÁão f ( x )
= x + 1 . Mostre que esta funÁão é contínua no ponto
x = −1 mas não é derivável neste ponto.
f é contínua neste ponto pois lim f ( x ) = lim x + 1 = − 1 + 1 = 0 = 0 = f (− 1)
.
x −1 x −1 → →
x + 1, x > −1 Sabemos que f ( x ) = x + 1 = − x − 1, x < −1 . Vamos calcular f ¹ ¹ '
' (− 1) : 0 , x = −1 f + ' (− 1) = lim+ ¹ ¹
x −1 →
f ( x ) − f (− 1) x +1−0 x+1 = lim+ = lim+ = lim+ (1) = 1 . x −1 x −1 x + 1 x → →
−1 x+1 x+1 f ( x ) − f (− 1) − x −1−0 − ( x + 1) = lim− = lim− = lim− (− 1) = −1 →
. x −1 x −1 x −1 x+1 x+1 x+1 → → →
f − ' (− 1) = lim−
x −1 →
Como as derivadas laterais são distintas concluímos que não existe f ' (− 1) .
Veja o gráfico da funÁão f ( x ) = x + 1 .
Não existe reta tangente ao gráfico desta funÁão no ponto x0 = −1 .
Obs.: Quando as derivadas laterais existem e são diferentes num ponto, dizemos que
este é um ponto anguloso do gráfico da funÁão. Neste caso, não existe reta
tangente num ponto anguloso.
No exemplo acima a funÁão f ( x ) = x + 1 tem um ponto anguloso em x = −1 .
Atividades (grupo 17). Verifique se a funÁão abaixo tem derivada no ponto xo .
Este ponto é anguloso? Esboce o gráfico da funÁão e constate.
2 1 − x , x > 0 no ponto x o = 0 . a) f ( x ) = x e , x ≤ 0 ¹ ¹ ' ¹ ¹
2 x + x + 1, x > 0 no ponto x o = 0 . b) g ( x ) = x e , x ≤ 0 ¹ ¹ ' ¹ ¹
Álvaro Fernandes
27
Regras de derivaÁão
Vamos apresentar algumas regras que irão facilitar o cálculo das derivadas das
funÁões sem recorrer a definiÁão.
1. Derivada de uma funÁão constante.
Se f ( x ) = c , c é uma constante real, então f ' ( x ) = 0 . f ' ( x ) = lim
∆x 0 →
f ( x + ∆x ) − f ( x ) c−c = lim = lim 0 = 0 . ∆x 0 ∆x ∆x 0 ∆x → →
2. Derivada da funÁão potência.
Se n é um inteiro positivo e f ( x ) = x n , então f ' ( x ) = nx n −1 .
(x + ∆x ) − x n f ( x + ∆x ) − f ( x ) = lim Prova: f ( x ) = lim ∆x 0 ∆x 0 ∆x → →
∆x
n '
Usando o Binômio de Newton para expandir ( x + ∆x ) , obtemos
n
n(n − 1) n − 2 n 2 n −1 n n −1 n x + nx ∆x + 2! x (∆x ) + ... + nx(∆x ) + (∆x ) ]
− x f ' ( x ) = lim = ∆x 0 ∆x n(n − 1) n − 2 n−2 n −1 x (∆x ) + ... + ] ] → ]
nx(∆x ) + (∆x ) ∆x nx n −1 + 2! = = lim ∆x 0 ∆x n(n − 1) n − 2 n−2 n −1 = ] ] → ]
lim nx n −1 + x (∆x ) + ... + nx(∆x ) + (∆x ) = nx n −1 . ∆x 0 2! ] → ]
Exemplo 22. Calcule as derivadas das funÁões abaixo:
a) f ( x ) = x
b) f ( x ) = x 2
c) f ( x ) = x 5
a) f ( x ) = x 1 f ' (x ) = 1x 1−1 = 1 . Logo f ' ( x ) = 1 . b) f ( x ) = x 2 ⇒ ⇒
f ' ( x ) = 2 x 2 −1 = 2 x . Logo f ' ( x ) = 2 x . c) f ( x ) = x 5 f ' ( x ) = ⇒
5 x 5 −1 = 5 x 4 . Logo f ' (x ) = 5 x 4 .
Obs.: Se n for um número inteiro negativo ou racional o resultado contínua válido.
Atividades (grupo 18).
1. Mostre, usando a regra e a definiÁão, que a derivada da funÁão f ( x ) = x −1 é
f ' ( x ) = − x −2 . 2. Mostre, usando a regra e a definiÁão, que a derivada da
funÁão f ( x ) = x é f ' ( x ) = 1 2x .
Álvaro Fernandes
28
3. Derivada do produto de uma constante por uma funÁão.
Se f ( x ) é uma funÁão derivável e c é uma constante real, então a funÁão g ( x )
= cf ( x ) tem derivada dada por g' ( x ) = cf ' ( x ) .
Prova: g´ ( x ) = lim
∆x 0 →
g ( x + ∆x ) − g ( x ) cf ( x + ∆x ) − cf ( x ) c[ f ( x + ∆x ) − f ( x )] = lim =
lim = ∆x 0 ∆x 0 ∆x ∆x ∆x → →
= c lim ⋅
∆x 0 →
f ( x + ∆x ) − f ( x ) = cf ´ ( x ) . ∆x
Exemplo 23. Se f ( x ) = 5 x 3 então f ' ( x ) = 5 3 x 2 = 15 x 2 . 4. Derivada de
uma soma de funÁões.
()
Se f ( x ) e g ( x ) são funÁão deriváveis, então a funÁão h( x ) = f ( x ) + g
( x ) tem derivada dada por h' ( x ) = f ' ( x ) + g' ( x ) . Pesquise a
demonstraÁão deste resultado num livro de cálculo.
Exemplo 24. Se f ( x ) = 4 x 3 + 3 x 2 − x + 5 então f ' ( x ) = 12 x 2 + 6 x − 1
. 5. Derivada de um produto de funÁões.
Se f (x ) e g ( x ) são funÁão deriváveis, então a funÁão h( x ) = f (x ) g ⋅
( x ) tem derivada dada por h' ( x ) = f ' (x ) g ( x ) + f ( x ) g' ( x ) . ⋅ ⋅
Pesquise a demonstraÁão deste resultado num livro de cálculo.
Exemplo 25.
Se f ( x ) = x 3 − x 2 − x ) então f ' ( x ) = 3 x 2 − 1 2 − x ) + x 3 − x 0 − 1)
= −4 x 3 + −6 x 2 + 2 x − 2 .
6. Derivada de um quociente de funÁões.
(
)(
(
)(
(
)(
Se f (x ) e g ( x ) são funÁão deriváveis, então a funÁão h( x ) =
h' ( x ) = f ' ( x ) g ( x ) − f ( x ) g' ( x ) ⋅ ⋅
f (x ) tem derivada dada por g (x )
[g (x )]2
.
Pesquise a demonstraÁão deste resultado num livro de cálculo.
(10 x ) (2 x ) − 5 x 2 − 8 (2 ) = ... = 5 x 2 + 8 . 5x2 − 8 Exemplo 26. Se f ⋅ ⋅
(x ) = então f ' ( x ) = 2x 4x2 2x2
Álvaro Fernandes 29
(
)
Atividades (grupo 19).
1. Usando as regras de derivaÁão, calcule as derivadas das funÁões abaixo: a) f
( x ) = x −2 + 3 x + 1 . d) f ( x ) = x 2 − 3 2 x 3 . g) f ( x ) = x + x −2 + 6 .
x+1 b) f ( x ) = x 8 e) f ( x ) = h) f ( x ) =
( ) (x + 3) .
5x − 3 3 + x. 2 2x . x −2
c) f ( x ) = 3 x 4 + x 6 − x ) . f) f ( x ) = x 1 4 (2 − x ) . i) f ( x ) = 4 x 3
1 − x 2 .
(
)(
(
)
(
)
2. Determine os valores das constantes a e b na parábola f (x ) = ax 2 + b de modo
que a reta de equaÁão y = 8 x + 4 seja tangente a parábola no ponto x = 2 .
Derivada da funÁão composta (Regra da cadeia)
Considere agora a funÁão composta gof ( x ) = g ( f ( x )) = (2 x + 1) . Como
poderemos obter a derivada da funÁão composta gof ( x ) sem desenvolver o Binômio?
A regra que veremos agora estabelece uma forma de obter a derivada da funÁão
composta em termos das funÁões elementares f e g.
3
Até o momento sabemos derivar a funÁão g ( x ) = x 3 e também a funÁão f ( x ) = 2
x + 1 .
Regra da cadeia
Se y = g (u ) , u = f ( x ) e as derivadas
y = gof ( x ) = g ( f ( x )) tem derivada dada por
dy du
e
du existem, então a funÁão composta dx
dy dy du = dx du dx ⋅
ou
y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) ⋅
ou
gof ´ ( x ) = g´ ( f ( x )) f ´ ( x ) . ⋅
As três formas acima são equivalentes, mudam apenas as notaÁões.
Exemplo 27. Calcule a derivada das funÁões abaixo:
a) y = (2 x + 1)
3
b) y = 5 x + 3
x c) y = 1 − 3x | ` . ,
5
Para calcular a derivada dessas funÁões, precisamos identificar as funÁões
elementares y = g (u ) e u = f ( x ) (cujas derivadas conhecemos) que formam a
funÁão composta e aplicar a regra. a) y = (2 x + 1)
y = u3 u = 2 x + 1 ¹ ' ¹
3
Então y´ (x ) = y´ (u ) u´ (x ) y´ ( x ) = 3u 2 2 = 3(2 x + 1) 2 = 6 (2 x ⋅ ⇒ ⋅ ⋅
+ 1) .
2 2
Logo y´ ( x ) = 6 (2 x + 1) .
2
Álvaro Fernandes
30
b) y = 5 x + 3
y = u u = 5 x + 3 ¹ ' ¹
Então y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) y´ ( x ) = ⋅ ⇒
1 2u
(5 ) = ⋅
5 2 5x + 3
. Logo y´ ( x ) =
5 2 5x + 3
.
x c) y = 1 − 3x | ` . ,
y = u5 x u = 1 − 3x ¹ ¹ ' ¹ ¹
5
(1)(1 − 3 x ) − ( x )(− 3 ) Então y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) y´ ( x ) = 5u ] ⋅ ⇒
4 = (1 − 3 x )2 ⋅ ] ]
4 5x4 x (1)(1 − 3 x ) − ( x )(− 3) . = = 5 (1 − 3 x )2 (1 − 3 x )6 1 | ` ] ⋅ ] .
− 3x , ]
Logo y´ ( x ) =
(1 − 3 x )6
5x4
.
ProposiÁão: Se f ( x ) é uma funÁão derivável e n é um número inteiro não nulo,
então
d [ f (x )]n = n[ f (x )]n−1 . f ´ (x ) dx
Prova: Fazendo y = u n , onde u = f ( x ) e aplicando a regra da cadeia, temos
y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) y´ ( x ) = nu n −1 f ´ ( x ) y´ ( x ) = n[ f ( ⋅ ⇒ ⋅ ⇒
x )]
n −1
f ´ (x ) . ⋅
A proposiÁão continua válida se n for um número racional não nulo.
Exemplo 28. Calcule a derivada da funÁão y = 4 3 1 + x − x 3 . ⋅
Podemos escrever y = 4 1 + x − x 3
(
)
13
e calcular a derivada usando a proposiÁão acima:
y´ ( x ) = 4 ⋅
1 1 + x − x3 3
(
)
−2 3
1 − 3x 2 . ⋅
(
)
Obs: Com a regra da proposiÁão acima poderíamos calcular todos os exercícios do
exemplo 27. Mas a regra da cadeia é mais completa, ela possibilitará a resoluÁão
de outros problemas mais complicados...
Álvaro Fernandes
31
Atividades (grupo 20). Calcule a derivada das funÁões abaixo:
a) y = 2 − x 3 . d)
(
)
6
b) y = x 4 − 2 . e)
(
)
−3
.
c) y = 2 x − 3 . f) y =
3
(1 − 3 x )2 y= (1 + 5 x )
(2 x )4 y= (1 − x )3
1 + 4x x+1
Derivada da funÁão inversa
Se uma funÁão y = f ( x ) admite uma funÁão inversa x = f derivada dada por
−1
(y),
então a funÁão inversa tem
( f )´ ( y ) = f ´1x ) , (
−1
f ´ (x ) ≠ 0 .
Sabemos que f −1 of ( x ) = x . Aplicando a regra da cadeia, obtemos que f ( f − 1
)´ ( y ) = 1 , desde que f ´ (x ) ≠ 0 . f ´ (x )
( )´ ( f (x )) f ´ (x ) = 1 , daí ⋅
−1
Exemplo 29. Seja y = f ( x ) = 5 x 3 . Calcule a derivada f regra da derivada da
inversa.
( )´ (40 ) invertendo a funÁão e usando a
−1
Invertendo a funÁão: y = f (x ) = 5 x 3 x = f ⇒ ⇒
Logo f
1 ( )´ (40 ) = 3 40 5 | `
−1 −1
(y) = 3

y y = . Assim f 5 5 | ` . ,
13
1y ( )´ ( y ) = 3 5 | `
−1
−2 3
.,

1 5
−2 3
.
,
11 (8 )−2 3 = 1 2 3 = 1 . = 5 15 60 15(8 )
Usando a regra da derivada da inversa: ⇒
Se y = 40 e y = f ( x ) = 5 x 3 , então x = 3
40 3 = 8 = 2 . Como f ´ ( x ) = 15 x 2 , obtemos 5
( f )´ ( y ) = f ´1x ) (
−1

( f )´ (40 ) = f ´12 ) = 1 ( 15(2 )
−1
2
=
1 . 60
Álvaro Fernandes
32
Atividades (grupo 21).
1. Seja y = f ( x ) = 5 x − 3 . Calcule a derivada f 2. Seja y = f (x ) = x 2
( )´ (2) usando a regra da derivada da inversa. , x > 0 . Calcule a derivada ( f )
´ (3 ) usando a regra da derivada da inversa.
−1 −1
Derivada das funÁões elementares.
Vamos agora apresentar as derivadas das funÁões elementares do cálculo. São elas
as funÁões exponenciais, logarítmicas, trigonométricas e trigonométricas inversas.
1. Derivada da funÁão exponencial. ProposiÁão: Se f ( x ) = a x , (a > 0 e a ≠ 1)
, então f ´ ( x ) = a x ln(a ) . Prova: f ´ ( x ) = lim
∆x 0 →
a x + ∆x − a x a x a ∆x − 1 a ∆x − 1 = lim = lim a x lim = a x ln(a ) . ∆x 0 ∆x ⋅ →
0 ∆x 0 ∆x ∆x ∆x → →
(
)
(
)
Lembre-se que lim
−1 = ln(a ) é uma conseqüência importante do limite fundamental ∆x 0 ∆x →
exponencial (item ii pág. 14).
(a
∆x
)
Caso particular: Se f ( x ) = e x , então f ´ ( x ) = e x ln(e ) = e x , onde e é
o número neperiano. Exemplo 30. Determine a deriva da funÁão y = 6 e
x
.
Usando a regra da cadeia, obtemos:
y = 6eu u = x ¹ ¹ ' ¹ ¹
y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) = 6 e u ⋅ ⋅
1 2x
=
3e
x
x
.
Atividades (grupo 22).
1. Calcule a derivada das funÁões abaixo: a) f ( x ) = 2
x +1
.
b) f ( x ) = e .
2x
c) f (x ) = 3 x e ⋅
2
5 x +1
.
d) f ( x ) =
1 − x2 ex
2
.
2. Calcule a área do triângulo retângulo sombreado na figura abaixo, sabendo-se
que n é a reta normal a f ( x ) = e x no ponto de abscissa x0 = 1 .
Resp.: e 3 2
Álvaro Fernandes
33
2. Derivada da funÁão logarítmica. ProposiÁão: Se f ( x ) = log a ( x ), (a > 0 e
a ≠ 1) , então f ´ ( x ) = Prova: A funÁão logarítmica
1 . x ln(a )
x = f −1 ( y ) = a y . Podemos então usar o resultado da derivada da funÁão
inversa para determinar f ´ ( x ) . Assim: f ´ (x ) =
y = f ( x ) = log a ( x )
é a inversa da funÁão exponencial
()
−1
1 1 1 =y = . f ´ ( y ) a ln(a ) x ln(a ) 1 1 =. x ln(e ) x
e 4 x +1 . ln( x )
Caso particular: Se f ( x ) = ln( x ) , então f ´ (x ) =
Exemplo 31. Determine a deriva da funÁão y =
f f ´ g − fg´ Usando a regra da derivada do quociente ´ = g g2 | ` .,
exponencial, obtemos:
e a regra da cadeia na funÁão
(e
y´ =
Atividades (grupo 23).
4 x +1
1 4 [ln( x )] − e 4 x +1 x 2 [ln(x )] | ` ⋅ . ,
)
(
)
1. Calcule a derivada das funÁões abaixo: a) f ( x ) = 4 log 2 (5 x ) . b) f ( x )
= ln(2 x + 1) . c) f ( x ) = e 3 x ln x . ⋅
()
d) f ( x ) =
ln(3 x ) . e− 2 x
3. Derivada das funÁões trigonométricas. ProposiÁão:
a) b) c) d)
y = sen( x ) y = cos( x ) y = tg ( x )
e) y = sec(x ) f) y = cos ec(x ) ⇒ ⇒
y = cot g ( x )
⇒ ⇒ ⇒ ⇒
y´ = − cos ec (x ) . y´ = sec( x )tg (x ) . y´ = − cos ec( x ) cot g ( x ) .
2
y´ = sec 2 ( x ) .
y´ = cos( x ) . y´ = − sen( x ) .
Prova: Vamos provar os itens (a), (c) e (e). Os outros itens têm demonstraÁões
análogas e ficam como exercício.
Álvaro Fernandes
34
a) y = sen( x ) .
Aplicando a definiÁão...
y´ = lim = lim
∆x 0 →
sen(x + ∆x ) − sen(x ) sen( x ) cos(∆x ) + sen(∆x ) cos( x ) − sen( x ) = lim = ∆x
0 ∆x ∆x →
∆x 0 →
sen(∆x ) cos( x ) + sen( x )[cos(∆x ) − 1] sen(∆x ) cos( x ) sen(x )[cos(∆x ) − 1]
= lim + lim = ∆x 0 ∆x 0 ∆x ∆x ∆x sen(∆x ) cos(∆x ) − 1 + sen( x ) lim = cos( x → → ⋅
) (1) + sen( x ) (0 ) = cos( x ) . ∆x 0 ∆x ∆x ⋅ ⋅ →
e
= cos( x ) lim ⋅
∆x 0 →
Lembre-se que lim
sen(∆x ) = 1 é o limite trigonométrico fundamental ∆x foi resolvido no exemplo 13
(c) da pág. 15.
∆x 0 →
∆x 0 →
lim
cos(∆x ) − 1 =0 ∆x
c) y = tg ( x ) Como tg ( x ) = quociente:
sen( x ) e já sabemos a derivada funÁão sen(x ) , podemos aplicar a derivada do
cos( x )
y´ =
cos( x ) cos( x ) − sen( x )[− sen( x )] cos 2 ( x ) + sen 2 ( x ) 1 = = = sec 2 (
x ) . 2 2 2 cos ( x ) cos ( x ) cos ( x )
Lembre-se que cos 2 ( x ) + sen 2 ( x ) = 1 é a relaÁão trigonométrica
fundamental. e) y = sec(x )
1 e sabendo-se que a derivada da funÁão cos( x ) é − sen(x ) , podemos aplicar
cos(x ) a derivada do quociente:
Como sec( x ) =
y´ =
(0 ) cos(x ) − (1)[− sen(x )] = (1) sen(x ) = 1 sen(x ) = sec(x )tg (x ) . cos 2 ⋅
(x ) cos 2 (x ) cos( x ) cos(x )
Exemplo 32. Calcule a derivada das funÁões compostas abaixo:
a) y = sen 3 x 2 . SoluÁões:
() ()
b) y = cos 3 (x ) .
c) y = tg
( x ) e ⋅
5x
.
d) y =
tg ( x ) − 1 . sec( x )
a) y = sen 3 x 2
Usando a regra da cadeia, obtemos:
y = sen(u ) 2 u = 3 x ¹ ' ¹
y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) = cos(u ) 6 x = 6 x cos 3 x 2 . ⋅ ⋅
()
Álvaro Fernandes
35
b) y = cos 3 ( x ) Usando a regra da cadeia, obtemos:
y = u3 u = cos( x ) ¹ ' ¹
y´ (x ) = y´ (u ) u´ ( x ) = 3u 2 [− sen( x )] = −3 sen( x ) cos 2 ( x ) . ⋅ ⋅
c) y = tg
( x ) e ⋅
5x
´ Usando a regra da derivada do produto ( f g ) = f ´ g + fg´ e a regra da ⋅
cadeia, obtemos:
y´ = sec 2
( x ) 2 1 x e | `
. ,
5x
+ tg
( x )e
5x
(5 ) . ⋅
d) y =
tg ( x ) − 1 sec( x )
f f ´ g − fg´ Usando a regra da derivada do quociente ´ = e a regra da | `
cadeia, obtemos: g g2 y´ = .,
[sec
2
(x )] [sec(x )] − [tg (x ) − 1] [sec(x )tg (x )] . sec 2 ( x )
tg ( x ) + 1 . Simplifique-a utilizando a relaÁão trigonométrica sec(x )
Mostre que esta expressão é igual a y´ =
1 + tg 2 ( x ) = sec 2 (x ) se necessário.
Atividades (grupo 24).
1. Calcule a derivada das funÁões abaixo: a) f ( x ) = 3 x + sec x 2 . b) f ( x )
= sen( x ) cos(2 x ) .
()
d) f ( x ) =
sen( x ) . 1 + cot g ( x )
x + 1 e) f ( x ) = cos ec . x − 1 | ` . ,
ex f) f ( x ) = cos x . | . ` ,
c) f ( x ) = tg
( x ).
3
Álvaro Fernandes
36
4. Derivada das funÁões trigonométricas inversas ProposiÁão:
a) y = arcsen( x )

y´ =
1 1− x −1 1 − x2 1 1 + x2 −1 1 + x2 1
.
2
.
b) y = arccos( x ) c) y = arctg ( x ) d) y = arc cot g (x )

y´ =
.

y´ =

y´ =
.
e) y = arc sec( x ) f) y = arccos ec( x )

y´ =
x x −1 −1 x x2 − 1
2
, x > 1.

y´ =
, x > 1.
Prova: Vamos provar os itens (a), (c) e (e). Os outros itens têm demonstraÁões
análogas e ficam como exercício.
a funÁão x = f −1 ( y ) = sen( y ) . Podemos então usar o resultado da derivada da
funÁão inversa para determinar f ´ ( x ) . Assim:
f ´ (x ) = 1 f
−1
a) Seja f : [− 1, 1] [− π 2 , π 2] definida por y = f ( x ) = arcsen( x ) . Esta →
funÁão tem como inversa
(y)
=
1 1 1 . = = 2 2 cos( y ) 1 − sen ( y ) 1− x
Observe que y [− π 2 , π 2 ] . Neste caso o sinal da funÁão cos ( y ) é ∈
positivo. Usando a relaÁão trigonométrica fundamental cos 2 ( y ) + sen 2 ( y ) =
1 , obtemos cos( y ) = 1 − sen 2 ( y ) . c) Seja f : (− π 2 , π 2 ) definida ℜ →
por y = f ( x ) = arctg (x ) . Esta funÁão tem como inversa a funÁão x = f −1
( y ) = tg ( y ) . Podemos então usar o resultado da derivada da funÁão inversa
para determinar f ´ ( x ) . Assim:
f ´ (x ) =
1 f
−1
(y)
=
1 1 1 . = = 2 2 sec ( y ) 1 + tg ( y ) 1 + x 2
Lembre-se que sec 2 ( y ) = 1 + tg 2 ( y ) .
Álvaro Fernandes
37
1 e) Seja y = arc sec( x ) . Podemos reescrever esta expressão como y = arccos | `
, x > 1 . Usando o x item (b) da proposiÁãoe a regra da cadeia, obtemos: . ,
y´ = − 1 1 = 2 = 2 x2 − 1 1 x x2 x2 1− 2 x x −1 | ` ⋅ ` . , | . ,
´
1 x2 − 1 x
2
= x2
1 x2 − 1 x
=
x x2 x2 − 1
=
1 x x2 − 1
.
−1 1 Obs.: lembre-se que = 2 . x x | ` . ,
Exemplo 33. Calcule a derivada das funÁões abaixo:
a) y = arcsen(2 x − 1) . SoluÁão:
1 − x2 b) y = arctg 1 + x2 | .
. ` ,
a) y = arcsen(2 x − 1) . Usando a regra da cadeia, obtemos:
y = arcsen(u ) u = 2 x − 1 ¹ ' ¹
y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) = ⋅
1 1−u
2
(2 ) = ⋅
2 1 − (2 x − 1)
2
.
1 − x2 b) y = arctg 1 + x2 | .
. Novamente a regra da cadeia... ` ,
2 2 (− 2 x )(1 + x − 1 − x 2 x ) = 2 1 + x2 ` ] ⋅ ] , ] ]
y = arctg (u ) 1 − x2 u= 1 + x2 ¹ ¹ ' ¹ ¹
1 = 2 1 + 1 − x 1 + x2 | .
1 y´ ( x ) = y´ (u ) u´ ( x ) = 2 1+ u | ⋅ .
)( ()
)(
− 2x − 4x . simplifique esta expressão e mostre que é igual a 2 22 1 ] ] ] ] ⋅ ] ]
+ x4 1+ x ` ] ] ] ] ,]
(
)
Logo y´ ( x ) =
− 2x . 1 + x4
Atividades (grupo 25).
Determine a derivada das funÁões: a) y = arccos x 2 − 1 .
(
)
b) y = 3 x arctg e x . ⋅
()
Álvaro Fernandes
38
Tabela de derivadas
Vamos fazer um resumo das derivadas das principais funÁões vistas até aqui. Nesta
tabela u é uma funÁão derivável na variável x. São constantes reais c, n e a.
(1) (2 ) (3) (4 ) (5 ) (6 ) (7 ) (8 ) (9 ) (10 )
y = c y' = 0 y = x n y' = nx n −1 y = u n y' = n.u n −1 .u' y = a u y' = a ⇒ ⇒ ⇒ ⇒
u . ln(a ).u' y = log a (u ), y' = u' u. ln(a ) u' u ⇒
(11) (12 ) (13) (14 ) (15 ) (16 ) (17 ) (18 )
y = sec(u ) y' = sec(u )tg (u ).u' y = cos ec(u ) y' = − cos ec(u ) cot g ⇒ ⇒
(u ).u' y = arc sen(u ) y' = u' 1− u2 u' 1− u2 ⇒
y = arc cos(u ) y' = − ⇒
y = ln(u )(u > 0 ) y' = , ⇒
y = arc tg(u ) y' = ⇒
u' 1+ u2 u' 1 + u2 u' u u2 − 1 u' u u2 − 1
y = sen(u ) y' = cos(u ).u' y = cos(u ) y' = − sen(u ).u' y = tg (u ) y' = ⇒ ⇒ ⇒
sec 2 (u ).u' y = cot g (u ) y' = − cos ec 2 (u ).u' ⇒
y = arc cotg (u ) y' = − ⇒
y = arc sec(u ), u > 1 y' = ⇒
y = arc cosec(u ), u > 1 y' = − ⇒
Regras operacionais Se u e v são funÁões deriváveis, então:
1) y = u ± v ⇒
y = u ± v ′ ′ ′
2) y = u v ⋅ ⇒
y = u v + u v ′ ′ ′ ⋅ ⋅
u 3) y = v | ` ⇒ . ,
y = ′
u v − u v v2 ′ ′ ⋅ ⋅
Álvaro Fernandes
39
Derivadas sucessivas
Em algumas aplicaÁões precisamos derivar uma funÁão mais de uma vez. Se uma funÁão
y = f ( x ) for derivável, isto é, existe f ´ ( x ) , podemos pensar na derivada
de f ´ ( x ) e assim sucessivamente. Definimos e denotamos as derivadas sucessivas
de uma funÁão y = f ( x ) de acordo com a tabela abaixo: Como lê-se: 1a derivada
ou derivada de 1a ordem 2a derivada ou derivada de 2a ordem 3a derivada ou
derivada de 3a ordem 4 derivada ou derivada de 4 ordem
M
a a
NotaÁão: f ´ (x ) ou
f ´´ ( x ) ou f ´´´ (x ) ou f
(4 )
dy dx
d2y dx 2 d3y dx 3 d4y dx 4 dny dx n
(x )
ou
M
f (n ) ( x ) ou
na derivada ou derivada de na ordem Justificativa para as notaÁões: • •
f ´´ (x ) = [ f ´ (x )] , ´ d 2 y d dy = , dx 2 dx dx | ` . ,
f ´´´ ( x ) = [ f ´´ ( x )] , a partir da quarta derivada usamos o cardinal. ´ d3y
d d2y , e assim sucessivamente. = dx 3 dx dx 2 | ` . ,
Exemplo 34.
a) Se f ( x ) = x 4 + 2 x − 1 , então: f ´ (x ) = 4 x 3 + 2 f ´´ ( x ) = 12 x 2 f
´´´ ( x ) = 24 x f (4 ) ( x ) = 24 f (5 ) ( x ) = 0
...
f (n ) (x ) = 0 , para todo n ≥ 5 .
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40
b) Se f ( x ) = e 2 x , então: f ´ ( x ) = 2e 2 x f ´´ ( x ) = 4e 2 x f ´´´ ( x )
= 8e 2 x f (4 ) ( x ) = 16 e 2 x
...
f (n ) (x ) = 2 n e 2 x . c) Se f ( x ) = sen( x ) , então:
f ´ ( x ) = cos( x ) f ´´ ( x ) = − sen(x ) f ´´´ ( x ) = − cos( x )
f (4 ) ( x ) = sen( x )
...
cos( x ), n = 1,5 ,9 ,... − sen( x ), n = 2 ,6 ,10 ,... (n ) f (x ) = − cos( ¹ ¹ ¹ ' ¹
x ), n = 3 ,7 ,11,... sen( x ), n = 4 ,8 ,12 ,... ¹ ¹
Atividades (grupo 26).
1. Calcule as derivadas sucessivas até a ordem n indicada. a) y = 3 x 4 − 2 x − 9,
n = 4 .
b) y = ax 3 + bx 2 + cx+d, n = 3 . c) y =
1 , n = 3. 1− x
d) y = sen(− 5 x ), n = 5 . e) y = ln 1 − x 2 , n = 3 .
2. Calcule f ((π99 ) , sendo f ( x ) = e 3 x + sen(2 x ) . )
(
)
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41
Derivada na forma implícita
Até agora sabemos derivar funÁões que são expressas na forma y = f ( x ) . Agora
iremos determinar uma maneira de derivar expressões que não tenham a variável y
isolada (explicitada) em um dos membros. São exemplos dessas expressões x 2 + y 2
= 1 , xy 2 + ln( y ) = 4 , etc. Em algumas situaÁões é inconveniente ou até mesmo
impossível de explicitar a variável y nessas expressões. O método da derivaÁão
implícita permite encontrar a derivada de uma expressão desta forma, sem a
necessidade de explicitá-la. Uma funÁão na forma y = f ( x ) , onde a variável y
aparece isolada no primeiro membro é chamada de funÁão explícita. Entretanto,
algumas vezes as funÁões estão definidas por equaÁões nas quais a variável y não
está isolada. Por exemplo
2 y + x2 y + 1 = x
não está na forma explícita y = f ( x ) . Mesmo assim, esta equaÁão ainda define y
como uma funÁão de x, pois podemos escrevê-la como
y= x −1 . x2 + 2
Caso quiséssemos calcular y´ , poderíamos utilizar esta última expressão.
Uma equaÁão em x e y pode definir mais do que uma funÁão. Por exemplo x 2 + y 2 =
1 que representa graficamente uma circunferência de centro (0 ,0 ) e raio unitário
(figura 1). Explicitando a variável y encontramos duas funÁões
y = ± 1 − x2 .
A funÁão y = + 1 − x 2 representa a semicircunferência superior (figura 2) e y = −
1 − x 2 representa a semicircunferência inferior (figura 3).
figura 1
figura 2
figura 3
Caso quiséssemos calcular y´ , poderíamos utilizar uma das expressões y = ± 1 − x
2 . Ainda neste caso é possível explicitar a variável y, mesmo sabendo que parte
do gráfico é suprimido neste processo.
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42
Às vezes o processo para explicitar a variável y é bastante longo e trabalhoso,
como é o caso da expressão
x 3 + y 3 − 3 xy = 0
e até mesmo impossível por qualquer método elementar, como neste caso
sen( xy ) − y = 0 .
O método da derivaÁão implícita permitirá encontrar a derivada y´ sem a
necessidade de explicitar a funÁão como y = f ( x ) .
DefiniÁão: Uma expressão na forma F ( x , y ) = 0 define implicitamente uma funÁão
y = f ( x ) se o gráfico de y = f ( x ) coincide com alguma parte do gráfico de F
( x , y ) = 0 . Exemplo 35. Exemplos de funÁões definidas implicitamente: a) 2 y +
x 2 y + 1 − x = 0 . b) x 2 + y 2 − 1 = 0 . c) x 3 + y 3 − 3 xy = 0 . d) sen( xy )
− y = 0 .
Vamos agora mostrar como obter a derivada y´ , nos casos do exemplo 35, sem
explicitar y. Usaremos a regra da cadeia para derivar os termos da expressão F ( x
, y ) = 0 que envolvem y.
a) 2 y + x 2 y + 1 − x = 0 .
Esta expressão define y como uma funÁão de x implicitamente, logo:
d d (0 ) 2 y + x2 y + 1 − x = dx dx d (2 y ) + d x 2 y + d (1 − x ) = 0 dx dx dx 2
dy dy + 2 xy + x 2 + (− 1) = 0 dx dx
2
(
)
Derivamos ambos os membros em relaÁão a x.
()
Derivada de uma soma de funÁões.
Observe que usamos a derivada de um produto em
d2 xy. dx
()
2 y´ +2 xy + x y´ −1 = 0 y´ x 2 + 2 = 1 − 2 xy y´ = 1 − 2 xy . x2 + 2
Apenas mudamos os símbolos:
dy = y´ ( x ) = y´ . dx
(
)
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43
Poderíamos obter a derivada y´ derivando diretamente y =
x −1 . Vejamos: x2 + 2
(1)(x 2 + 2 ) − (x − 1)(2 x ) = y´ =
(x
2
+ 2)
x2 + 2 − 2x2 + 2x
2
(x
2
+ 2)
2
=
2 + 2x − x2
(x
2
+ 2)
2
, logo y´ =
2 + 2x − x2
(x
2
+ 2)
2
.
Você pode estar se perguntando: Obtivemos y´ = distintas? Obviamente não, pois se
fizermos
y´ = 2 + 2x − x2 y= x −1 x2 + 2 2 + 2x − x2
(x
2
+2
)
2
, mas anteriormente calculamos y´ =
1 − 2 xy . Estas expressões são x2 + 2 1 − 2 xy , vamos obter x2 + 2
na expressão y´ =
(x
2
+ 2)
2
:
2 x − 1 1 − 2x − 2x 2 1 − 2 x 2 x +2 x +2 = = y´ = x2 + 2 x2 + | ` | ` , . . ,
2
x2 + 2 − 2x2 + 2x 2 + 2x − x2 x2 + 2 = . 2 x2 + 2 x2 + 2 | ` . ,
(
)
AtenÁão: Não é necessário verificar se as derivadas calculadas nas formas
explícita e implícita coincidem, mesmo porque em alguns casos não é possível mesmo
isolar a variável y.
Caso queiramos calcular o valor da derivada y´ num ponto, por exemplo xo = 2 ,
basta encontrarmos o valor da imagem y o , substituindo xo na expressão 2 y + x 2
y + 1 − x = 0 . Depois 1 − 2 xy calculamos y´ com estes dois valores, pois y´ = 2
depende de duas variáveis. Vejamos: x +2
2 y o + xo y o + 1 − xo = 0
2

2 yo + 4 yo + 1 − 2 = 0

yo =
1 . 6
1 1 − 2(2 ) 1 − 2 xo y o 6 = 1 . = y´ = 2 2 18 2 +2 xo + 2 | ` . ,
Observe que encontramos este mesmo valor usando y´ =
2 + 2(2 ) − 2 2 2 1 = . 36 18
2 + 2x − x2
(x
2
+2
)
2
no ponto xo = 2 :
y´ =
(2
2
+2
)
2
=
Mas lembre-se: nem sempre é possível isolar a variável y para calcular y´ .
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44
b) x 2 + y 2 − 1 = 0 .
d2 d (0 ) x + y2 − 1 = dx dx
(
)

2x +
d2 y +0 =0 dx
()

2 x + 2 yy´ = 0

x y´ = − . y
c) x 3 + y 3 − 3 xy = 0 .
d3 d (0 ) x + y 3 − 3 xy = dx dx
3 x 2 + 3 y 2 y´ −3[(1) y + xy´ ] = 0
(
)

3x 2 +
d3 d y − 3 ( xy ) = 0 dx dx
()
)

3 y − 3x 2 3 y 2 − 3x y − x2 . y2 − x

y´ 3 y 2 − 3 x = 3 y − 3 x 2
(

y´ =

y´ =
d) sen( xy ) − y = 0 .
d (sen(xy ) − y ) = d (0 ) dx dx ⇒

d d d (0 ) sen( xy ) − ( y ) = dx dx dx y´ = − y cos( xy ) . x cos( xy ) − 1 ⇒

cos( xy )[(1) y + xy´ ] − y´ = 0
y cos( xy ) + xy´cos (xy ) − y´ = 0
Vejamos alguns exemplos que ocorrem com maior freqüência em derivaÁão implícita:
dn y = ny n −1 y´ . dx d [tg ( y )] = sec 2 ( y ) y´ . dx dy e = e y y´ . dx ⋅ ⋅ ⋅
d [ln( y )] = 1 y´ . dx y d [arctg ( y )] = 1 2 y´ . dx 1+ y ⋅ ⋅
()
[]
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45
Atividades (grupo 27).
1. Determine a derivada y' das curvas dadas implicitamente por: a) x 2 + y 2 = 4
d) e xy = x + y − 3 b) xy 2 + 2 y 3 = x − 2 y e) y 3 −
x− y =0 x+ y
c) x 2 y 2 + x sen( y ) = 0 f) tg ( y ) = xy − 1
2. Determine a equaÁão da reta tangente e da reta normal ao gráfico de cada funÁão
abaixo, nos pontos indicados. a) ln( y ) = x + y 2 no ponto P(− 1,1) . b) x 3 = y
.2 y , no ponto em que a normal é vertical. c) 6 x 2 + 13 y 2 = 19 (elipse), nos
pontos onde a normal é paralela à reta 26 x − 12 y − 7 = 0 .
3. Seja C a circunferência dada implicitamente por x 2 + y 2 = 1 e t a reta
tangente à C no ponto de abscissa xo = 2 2 , como mostra a figura abaixo. Calcule
o valor da área sombreada.
4. Determine a área do triângulo AOB na figura abaixo sabendo-se que r é a reta
tangente a curva C, dada implicitamente por e xy + 2 cos(x 2 − 1) = 3 x , no ponto
A(1, 0 ) .
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46
Derivada de uma funÁão na forma paramétrica FunÁão na forma paramétrica
x = x(t ) Sejam funÁões de uma mesma variável t, t [a , b] . y = y (t ) ¹ ' ∈ ¹
A cada valor de t no intervalo [a , b] corresponde um único par P( x(t ), y (t ))
no plano cartesiano. Se as funÁões x = x(t ) e y = y (t ) forem contínuas, quando
t variar de a até b, o ponto P descreverá uma curva no plano.
x = x(t ) As equaÁões são chamadas de equaÁões paramétricas da curva e t é ¹ '
chamado de y = y (t ) parâmetro. ¹
Se a funÁão x = x(t ) admite uma inversa t = t ( x ) , podemos escrever y = y (t (
x )) , eliminando o parâmetro t. Neste caso, temos y como uma funÁão de x, isto é,
y = y ( x ) . Mesmo quando a funÁão x = x(t ) não admite inversa, em alguns casos,
podemos obter uma forma implícita da curva, eliminando o parâmetro t de forma
conveniente.
x = x(t ) Dizemos que as equaÁões definem a forma paramétrica de uma curva ¹ '
plana. y = y (t ) ¹
Exemplo 36.
x = t + 1 a) As equaÁões , t , definem a reta de equaÁão y = 2 x − 2 . Para ¹ ' ∈ ℜ
verificar isto basta y = 2t isolar o parâmetro t na equaÁão x = t + 1 e ¹
substituir em y = 2t .
x = 1 − t b) As equaÁões , t , definem a parábola de equaÁão y = x 2 − 2 x . ¹ ' ∈ ℜ
Para verificar 2 y = t − 1 isto basta isolar o parâmetro t na equaÁão x = 1 − t e ¹
substituir em y = t 2 − 1 .
x = 2 cos(t ) c) As equaÁões , t [0 , 2π] , definem a circunferência de ¹ ' ∈
equaÁão x 2 + y 2 = 4 . y = 2 sen(t ) ¹
Pois as equaÁões x = 2 cos(t ) e y = 2 sen(t ) satisfazem x 2 + y 2 = 4 , para
todo t . ∈ ℜ
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47
x 2 + y 2 = [2 cos(t )] + [2 sen(t )] = 4 cos 2 (t ) + 4 sen 2 (t ) = 4 cos 2 (t )
+ sen 2 (t ) = 4 .
2 2
(
)
Observe neste caso que a funÁão x = 2 cos(t ) não admite inversa no intervalo t ∈
[0 , 2 π] e a forma encontrada para a curva foi implícita.
x = x o + a cos(t ) Caso geral: , t [0 , 2 π] , a > 0 , definem a ¹ ' ∈
circunferência de equaÁão y = y o + a sen(t ) ¹
( x − x o )2 + ( y − y o )2 = a 2 .
Prove! d) Forma paramétrica da Elipse:
x = x o + a cos(t ) , t [0 , 2 π], a ≠ b e ambos positivos, definem a elipse de ¹ ∈
equaÁão y = y o + b sen(t ) ' ¹
( x − x o )2
a2
+
( y − y o )2
b2
= 1.
Pois cos(t ) =
(x − xo )
a
, sen(t ) =
( y − yo )
b
e cos 2 (t ) + sen 2 (t ) = 1 .
Vamos ver agora como obter a derivada de uma funÁão na forma paramétrica.
x = x(t ) Seja a forma paramétrica que define y como uma funÁão de x. y = y ¹ ' ¹
(t )
Suponha que as funÁões y = y (t ) , x = x(t ) e a sua inversa t = t ( x ) sejam
deriváveis. Podemos então obter a composta y = y (t ( x )) e aplicar a regra da
cadeia para calcular y´ ( x ) :
y´ (x ) = y´ (t ) t´ (x ) . ⋅
Vimos no estudo da derivada da funÁão inversa que t´ ( x ) =
y´ ( x ) = y´ (t ) y´ ( x ) = y´ (t ) x´ (t ) y´ (t ) 1 = . x´ (t ) x´ (t ) ⋅
1 . Daí, temos que x´ (t )
é a derivada de uma funÁão na forma paramétrica.
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48
Exemplo 36.
a) Calcule a derivada x = 3t − 5 , t . y = 1 − 6t ¹ ∈ℜ ' ¹
y´ ( x ) = y´ (t ) − 6 = = −2 . x´ (t ) 3
y´ ( x ) da funÁão
y = y ( x ) definida na forma paramétrica por
Poderíamos obter este resultado eliminado o parâmetro t, obtendo a funÁão y = y
( x ) e calculando diretamente y´ ( x ) :
x = 3t − 5 t = x+5 x + 5 y = 1 − 6 = −2 x − 9 . Daí, y´ ( x ) = −2 . 3 3 ⇒ | ` ∴ . ,
y´ ( x ) da funÁão y = y ( x ) definida na forma paramétrica por
b) Calcule a derivada x = 1 − t , t . 2 y = t + t ¹ ∈ℜ ' ¹
y´ ( x ) =
y´ (t ) 2t + 1 = = −2t − 1 . x´ (t ) −1
Para obter a derivada em funÁão de x, basta substituir t por 1 − x :
y´ ( x ) = −2t − 1 y´ ( x ) = −2(1 − x ) − 1 = 2 x − 3 y´ ( x ) = 2 x − 3 . ⇒
Observe que novamente poderíamos obter este resultado eliminado o parâmetro t,
obtendo a funÁão 2 y = (1 − x ) + (1 − x ) e calculando y´ ( x ) = 2(1 − x )(− 1)
+ −1 = 2 x − 3 .
x = 1 + 2 cos(t ) π c) Determine a equaÁão da reta tangente a elipse , t [0 ¹ ' ∈
,2π] no ponto t = . 4 y = 2 + 4 sen(t ) ¹
A equaÁão da reta tangente é y − y o = y´ ( x − x o ) . Cálculo de x o : Cálculo
de y o :
2 π x o = 1 + 2 cos = 1 + 2 =1+ 2 . 2 4 2 π y o = 2 + 4 sen = 2 + 4 =2 + 2 | ` . , | `
2 = 21+ 2 . 2 4 π : 4 . ,
(
)
Cálculo de y´ no ponto t =
y´ =
y´ (t ) 4 cos(t ) π = = −2 cot g (t ). y´ = −2 cot g = −2(1) = −2 . x´ (t ) | ` ∴
− 2 sen(t ) 4 . ,
Logo, a reta tangente é igual a y − 2 1 + 2 = −2 x − 1 − 2
(
)
(
)
ou y = −2 x + 4 1 + 2 .
(
)
Álvaro Fernandes
49
Gráfico:
Atividades (grupo 28).
1. Calcule a derivada y´ ( x ) das funÁões definidas parametricamente nos pontos
indicados.
x = sen2t π , t= . a) 3 y = cos 3t ¹ ' ¹
x = cos 3 t π b) , t= . 3 6 y = sen t ¹ ¹ ' ¹ ¹
2. Determine a equaÁão da reta tangente e da reta normal ao gráfico de cada funÁão
abaixo, nos pontos indicados.
x = sen t π π , t − , , a) 2 2 y = sen 2t π no ponto t = . 6 ¹ ] ∈ ] ' ] ¹
x = 6 t 1 + t 2 −1 b) ,0 ≤ t ≤ 1 , −1 y = 6t 2 1 + t 2 12 no ponto de ¹ ¹ ' ¹ ¹
abscissa . 5
(
(
)
)
3. Determine o valor da área sombreada na figura abaixo. Sabe-se que r é a reta
tangente a elipse
x = 2 cos(t ) π C: , t 0 , 2π , no ponto t = . 3 y = sen(t ) ¹ ' ∈ ¹
[
]
Obs.: A área da elipse é dada pela fórmula A = πab , onde a e b são os
comprimentos dos semieixos.
Resp.: 8 3 − 3π 6
(
)
Álvaro Fernandes
50
Diferencial
Até agora
dy tem sido visto apenas como uma simples notaÁão para a derivada de uma funÁão dx
dy dy y = f ( x ) em relaÁão a variável x, isto é, = y´ ( x ) = f ´ ( x ) . O que
faremos agora é interpretar dx dx como um quociente entre dois acréscimos
(diferenciais).
Acréscimos e decréscimos
Se a partir de um determinado valor x somarmos ou subtrairmos um determinado valor
∆x * , estaremos fazendo um acréscimo ou decréscimo na variável x. ∈ ℜ
Nesta figura temos que ∆x > 0.
Sem perda de generalidade, podemos supor ∆x > 0 para a nossa análise. Seja y = f
(x ) uma funÁão derivável e ∆x um acréscimo na variável x.
DefiniÁão: O diferencial de x, denotado por dx, é o valor do acréscimo ∆x , isto
é, dx = ∆x .
Considere t a reta tangente ao gráfico de y = f ( x ) no ponto x. Seja o ângulo α
de inclinaÁão de t.
DefiniÁão: O diferencial de y, denotado por dy, é o acréscimo na ordenada da reta
tangente t, correspondente ao acréscimo dx em x.
∆y = f (x + dx ) − f ( x )
De acordo com a figura podemos observar que o quociente esta é a interpretaÁão
geométrica da derivada. Logo
dy = f ´ (x ) dx ⇒
dy = tg ( ) . Mas tg ( ) = f ´ ( x ) , pois dx α α
dy = f ´ (x ) dx ⋅
O acréscimo dy pode ser visto como uma aproximaÁão para ∆y . Esta aproximaÁão é
tanto melhor quanto menor for o valor de dx. Isto é, se dx 0 , então ∆y − dy → →
0 . Daí podemos dizer que ∆y ≈ dy se dx for bem pequeno.
Álvaro Fernandes 51
Como ∆y = f (x + dx ) − f ( x ) e dy = f ´ ( x ) dx , obtemos que ⋅
f (x + dx ) − f (x ) ≈ f ´ (x ) dx , ou seja, f ( x + dx ) ≈ f ´ ( x ) dx + f ⋅ ⋅
( x ) .
Exemplo 37.
1. Calcule o diferencial dy das funÁões abaixo: a) y = x 3 + 2 x . SoluÁões: a) dy
= (3 x 2 + 2 )dx . b) dy = 2 x cos (x 2 )dx .
2
b) y = sen(x 2 ).
c) y = ln(sec( x )) .
c) dy = tg ( x )dx .
2. Calcule um valor aproximado para (19 ,9 ) usando diferenciais. SoluÁão: Podemos
pensar na funÁão f ( x ) = x 2 onde queremos calcular um valor aproximado para f
(19 ,9 ) . Para isto vamos utilizar f ( x + dx ) ≈ f ´ ( x ) dx + f ( x ) , onde ⋅
podemos fazer x = 20 e dx = −0 ,1 .
f ´ (x ) = 2 x .
Daí,
f ( x + dx ) ≈ f ´ ( x ) dx + f ( x ) f (20 + (− 0 ,1)) ≈ f ´ (20 ) (− 0 ,1) + ⋅ ⋅
f (20 )
f (19 ,9 ) ≈ 2(20 ) (− 0 ,1) + 20 2 = 40 (− 0 ,1) + 400 = −4 + 400 = 396 . ⋅ ⋅
Logo f (19 ,9 ) ≈ 396 .
O valor exato é 396,01. Lembre-se: quanto menor o valor de dx, melhor é a
aproximaÁão.
Atividades (grupo 29).
1. Encontre ∆y e dy para os valores dados nas funÁões abaixo e compare os
resultados (∆y dy ) : ≅
a) y = 5 x 2 − 6 x; ∆x = 0 ,02; x = 0.
b) y =
2x + 1 ; ∆x = 0 ,1; x = −1. x −1
2. Usando diferencial, calcule um valor aproximado para: a) 12 ,5 2 .
b) 4 ,1 3 .
c)
13 .
Álvaro Fernandes
52
AplicaÁões da derivada
A regra de L’Hospital
Esta regra permite calcular certos tipos de limites (cujas indeterminaÁões são do
tipo aplicando as regras de derivaÁão.
0 ∞ ) ou 0 ∞
Sejam f e g funÁões deriváveis num intervalo aberto I, exceto possivelmente, num
ponto a I . Suponha que g´ ( x ) ≠ 0 , x I e x ≠ a . a) Se lim f ( x ) = lim ∈ ∀ ∈
g ( x ) = 0
x a x a → →
e
lim
x a →
f ´ (x ) = L , então g´ ( x ) f (x ) f ´ (x ) = lim = L; g ( x ) x a g´ ( x ) f ´ →
(x ) = L , então g´ (x )
lim
x a →
b) Se lim f ( x ) = lim g ( x ) = ±∞
x a x a → →
e
lim
x a →
lim
x a →
f (x ) f ´ (x ) = lim = L. g ( x ) x a g´ ( x ) →
Exemplo 38.
Calcule os limites abaixo usando a regra de L’hospital.
e x -1 . a) lim x 0 x x4 + x − 2 b) lim . x 1 x2 − 1 → →
c) lim
x 0 →
sen( x ) − x . e x + e−x − 2
ex d) lim 2 . x +∞ x →
e) lim+ (x 2 + 2 x )
x 0 →
x
SoluÁões: a) lim
x 0 →
e x -1 0 . (verifique a indeterminaÁão do tipo ) x 0
lim
x 0 →
e x -1 ex = lim = 1. x 0 1 x →
Álvaro Fernandes
53
b) lim
x 1 →
x4 + x − 2 0 . (verifique a indeterminaÁão do tipo ) 2 0 x −1
lim
x 1 →
x4 + x − 2 4x3 + 1 5 = lim =. x 1 2x 2 x2 − 1 sen( x ) − x 0 . (verifique a →
indeterminaÁão do tipo ) x −x 0 e +e −2
c) lim
x 0 →
lim
x 0 →
sen( x ) − x cos( x ) − 1 0 = lim x Observe que ainda há uma indeterminaÁão do
tipo . x −x −x 0 e + e − 2 x 0 e − e →
Neste caso podemos continuar aplicando a regra...
lim
x 0 →
cos( x ) − 1 − sen( x ) sen( x ) − x 0 = lim x = − = 0 . Logo, lim x =0. x −x x 0 →
e + e − x x 0 e + e − x − 2 2 e −e →
d) lim
ex ∞ . (verifique a indeterminaÁão do tipo ) 2 x +∞ x ∞ →
ex ∞ ex lim = lim Observe que ainda há uma indeterminaÁão do tipo . x +∞ x 2 x →
+∞ 2 x ∞ →
Neste caso podemos continuar aplicando a regra...
ex ex ex lim = lim = +∞ . Logo, lim 2 = +∞ . x +∞ x x +∞ 2 x x 0 2 → → →
e) lim+ (x 2 + 2 x ) .
x x 0 →
Verifique que a indeterminaÁão agora é do tipo 0 0 . Neste caso, precisamos
∞ ∞ para poder aplicar a regra de L´Hospital. Vamos usar duas
transformá-la em 0 0 ou
propriedades dos logarítimos. São elas: ln(a x ) = x ln(a )
lim (x + 2 x ) = lim e (
2 x
+
e
e ln ( x ) = x .
ln x 2 + 2 x
x 0 →
x 0 →
+
) = lim e x ln (x
x
2
+2 x
x 0 →
+
) = lim e
x 0 →
+
ln x 2 + 2 x 1x
(
)
= lim+ e
x 0 →
2 x+2 x2 +2 x −1 x 2
= lim+ e
x 0 →

2 x3 + 2 x 2 x2 +2 x
=
= lim+ e
x 0 →

2 x2 +2 x x+2
= lim+ e
x 0 →

0 2
= lim+ e 0 = lim+ 1 = 1 .
x 0 x 0 → →
Podemos aplicar esta mesma técnica para resolvermos indeterminaÁões do tipo ∞ 0 .
Atividades (grupo 30).
Calcule os seguintes limites usando a regra de L’hospital:
e x − e−x − 2x a) lim . x 0 x − sen x →
b) lim
sen(πx ) . x 2 2 − x →
c) lim sec( x ) − tg ( x ) .
x π 2 →
d) lim+ [1 + sen( x )] .
2x x 0 →
Álvaro Fernandes
54
InterpretaÁão cinemática da derivada
Vamos agora interpretar a derivada do ponto de vista da cinemática, que estuda o
movimento dos corpos. Veremos que a velocidade e a aceleraÁão de um corpo podem
ser determinadas através das derivadas de primeira e segunda ordem,
respectivamente, quando conhecemos a funÁão horária do movimento do corpo.
Velocidade. Considere um corpo que se move em linha reta e seja s = s (t ) a sua
funÁão horária, isto é, o espaÁo percorrido em funÁão do tempo. O deslocamento do
corpo no intervalo de tempo t e t + ∆t é definido por ∆s = s (t + ∆t ) − s (t ) .
A velocidade média do corpo neste intervalo de tempo é definida por v m =
∆s s (t + ∆t ) − s (t ) = . ∆t ∆t
A velocidade média do corpo não dá uma informaÁão precisa sobre a velocidade em
cada instante do movimento no intervalo de tempo t e t + ∆t . Para obtermos a
velocidade instantânea do corpo no instante t, precisamos calcular a velocidade
média em intervalos de tempo cada vez menores, isto é, fazendo ∆t 0 . A →
velocidade instantânea do corpo no instante t é definida por
v(t ) = lim v m = lim
∆t 0 →
∆t 0 →
∆s s (t + ∆t ) − s (t ) = lim = s´ (t ) . Assim, v(t ) = s´ (t ) . ∆t ∆t 0 ∆t →
A velocidade instantânea v(t ) é a primeira derivada da funÁão horária s (t ) .
AceleraÁão. De forma análoga ao conceito de velocidade vem o de aceleraÁão:
A aceleraÁão média do corpo no intervalo de tempo t e t + ∆t é definida por
am = ∆v v(t + ∆t ) − v(t ) = . ∆t ∆t
A aceleraÁão instantânea do corpo no instante t é definida por
a(t ) = lim a m = lim
∆t 0 →
∆t 0 →
∆v v(t + ∆t ) − v(t ) = lim = v´ (t ) . Assim, a (t ) = v´ (t ) . ∆t ∆t ∆t 0 →
Como v(t ) = s´ (t ) podemos escrever a aceleraÁão instantânea como a segunda
derivada dos espaÁo em relaÁão ao tempo. Assim a (t ) = s´´ (t ) .
at 2 Obs.: No M.R.U.V. a funÁão horária é do segundo grau s (t ) = s o + v0 (t ) +
, sendo constantes 2 s o o espaÁo inicial, v o a velocidade inicial e a a
aceleraÁão do movimento. Neste caso, a velocidade instantânea é dada por v(t ) = s
(t ) = v o + at e a aceleraÁão instantânea é dada por a (t ) = v (t ) = a . ′ ′
Álvaro Fernandes 55
Exemplo 39. a) Suponha que um corpo em movimento retilíneo tenha funÁão horária
definida por s (t ) = 12t − 2t 2 e no instante t = 0 ele inicia o movimento.
Considere o espaÁo medido em metros e o tempo em segundos. Determine:
i) a velocidade média do corpo no intervalo de tempo [1,3] ; ii) a velocidade do
corpo no instante t = 1 ; iii) a aceleraÁão média do corpo no intervalo de tempo
[1,3] ; iv) a aceleraÁão do corpo no instante t = 1 . SoluÁão: ∆s s (t + ∆t ) −
s(t ) s (3) − s (1) 18 − 10 8 i) v m = = = = = = 4m / s . ∆t ∆t 3−1 2 2 ii) v(t )
= s´ (t ) = 12 − 4t v(1) = 12 − 4 = 8 m / s .
∆v v(t + ∆t ) − v(t ) v(3 ) − v(1) 0 − 8 = = = = −4 m / s 2 . ∆t ∆t 3−1 2
iii) a m =
iv) a(t ) = s´´ (t ) = −4 a(3) = −4 m / s 2 .
b) Uma partícula em movimento retilíneo tem a funÁão horária dada por s (t ) = 2t
3 − 21t 2 + 60t + 3 . Considere o espaÁo medido em metros e o tempo em segundos.
Determine:
i) Em que instante a partícula pára, isto é, tem velocidade nula? ii) Determine a
aceleraÁão da partícula no instante t = 4 ,5 s . SoluÁão: i) v(t ) = s´ (t ) = 6 t
2 − 42t + 60
v(t ) = 0 v(t ) = 6 t 2 − 7 + 10 = 6 (t − 2 )(t − 5 ) . t = 2 s ou t = 5 s . ⇒ ⇔
Assim a partícula tem velocidade nula
(
)
6 (t − 2 )(t − 5 ) = 0 ⇔
nos instantes t = 2 s e t = 5 s .
ii) a(t ) = s´´ (t ) = 12t − 42 a(4 ,5 ) = 12(4 ,5 ) − 42 = 12m / s 2 .
Álvaro Fernandes
56
Atividades (grupo 31).
1. Do solo um projétil é disparado verticalmente para cima. Sua altura (em metros)
é dada em funÁão do tempo (em segundos) por h(t ) = 160t − 10t 2 . Determine: i)
As funÁões velocidade e aceleraÁão do projétil; ii) Em que instante t > 0 o
projétil pára? iii) Quantos segundos dura todo o trajeto do projétil? iv) Com que
velocidade e aceleraÁão o projétil atingirá o solo? 2. A equaÁão do movimento de
uma partícula é s (t ) = 3 t + 2 , s em metros e t em segundos. Determine: i) o
instante em que a velocidade é de 1 12 m/s ; ii) a distância percorrida até este
instante; iii) a aceleraÁão da partícula quando t = 2s.
4 t3 5 (t + 4 ) − + t 2 . 3. A equaÁão horária do movimento retilíneo de uma
partícula é s (t ) = 15 6 Considere s em metros e t em segundos. Determine em que
instante t > 0 a aceleraÁão da partícula é nula.
Álvaro Fernandes
57
Taxa de variaÁão
Vimos na seÁão anterior que se s = s(t ) é a funÁão horária do movimento retilíneo
de um corpo, a ∆s velocidade média é dada por v m = e a velocidade instantânea é a
dada pela derivada ∆t ∆v s (t + ∆t ) − s (t ) ∆s . Da mesma forma, a aceleraÁão
média é a m = ea = lim v(t ) = s´ (t ) = lim ∆t 0 ∆t ∆t 0 ∆t ∆t v(t + ∆t ) − → →
v(t ) ∆v . aceleraÁão instantânea é dada pela derivada a(t ) = v´ (t ) = lim = lim
∆t 0 ∆t ∆t 0 ∆t As razões v m e a m são exemplos de taxas médias de variaÁão → →
num intervalo e as razões ∆s ∆v v(t ) = s´ (t ) = lim e a(t ) = v´ (t ) = lim são
exemplos de taxas instantâneas de variaÁão ∆t 0 ∆t ∆t 0 ∆t num ponto, ou → →
simplesmente taxas de variaÁão num ponto.
DefiniÁão: De uma forma geral, se y = f ( x ) é uma funÁão, a razão de
variaÁão da funÁão f no intervalo f ( x + ∆x ) − f ( x ) ∆y f ´ ( x ) = lim = lim
é chamada de taxa de variaÁão da funÁão f no ponto x. ∆x 0 ∆x ∆x 0 ∆x → →
∆y é chamada de taxa média ∆x [x , x + ∆x] e a derivada
“Toda taxa de variaÁão pode ser interpretada como uma derivada”. Interpretando a
derivada desta forma, podemos resolver diversos problemas das ciências que
envolvem razões instantâneas de variaÁão.
Exemplo 40. Suponha que um óleo derramado através da ruptura do tanque de um navio
se espalhe em forma circular cujo raio cresce a uma taxa de 2m/h. Com que
velocidade a área do derramamento está crescendo no instante em que o raio atingir
60m?
SoluÁão: A taxa com que o raio cresce é de 2m/h. Podemos interpretar e denotar
esta taxa de variaÁão como dr = 2m / h . dt Queremos calcular a taxa com que a
área cresce em relaÁão ao tempo. Podemos denotar esta taxa de dA variaÁão como . A
área do derramamento é circular, logo A = πr 2 . dt
dA dr e temos . A regra da cadeia relaciona estas razões através de dt dt dA dA dr
dA = . Assim, = 2 πr 2 = 4 πr . Quando o raio atingir 60m a área do ⋅ ⋅
derramamento dt dr dt dt estará crescendo a uma taxa de 4 π(60 )m 2 / h = 240 πm 2
/ h .
Queremos calcular
Álvaro Fernandes
58
Diretrizes para resolver problemas de taxa de variaÁão
1. Desenhe uma figura para auxiliar a interpretaÁão do problema; 2. Identifique e
denote as taxas que são conhecidas e a que será calculada; 3. Ache uma equaÁão que
relacione a quantidade, cuja taxa será encontrada, com as quantidades cujas taxas
são conhecidas; 4. Derive esta equaÁão em relaÁão ao tempo, ou use a regra da
cadeia, ou a derivaÁão implícita para determinar a taxa desconhecida; 5. Após
determinada a taxa desconhecida, calcule-a em um ponto apropriado.
Exemplo 41. Um tanque de água tem a forma de um cone circular invertido com base
de raio 2m e altura igual a 4m. Se a água está sendo bombeada dentro do tanque a
uma taxa de 2m3/min, encontre a taxa na qual o nível da água está elevando quando
a água está a 3m de profundidade.
dh dV = 2 m 3 min , devemos encontrar dt dt quando h = 3m. As grandezas V e h
estão 1 relacionadas pela equaÁão V = πr 2 h , que é o 3 volume do cone. Para
obter o volume V como funÁão
Dado
da altura h, podemos eliminar a variável r usando semelhanÁa de triângulos:
r2 = h4

r=
1 h π3 h . Assim, V = π h = h. 2 3 2 12 | ` . ,
2
Derivando ambos os lados em relaÁão ao tempo t, obtemos
dV dV dh = dt dh dt π dV dh 3h 2 = dt 12 dt dh 4 dV = 2 . dt πh dt ⋅ ⇔ ⋅ ⇔ ⋅
Substituindo
dV = 2 m 3 min e h = 3m, temos dt dh 4 8 = 2 2 = ≈ 0 ,28 m min . dt π3 9π ⋅
Álvaro Fernandes
59
Atividades (grupo 32).
1) Uma bola de neve esférica é formada de tal maneira que o seu volume aumenta à
razão de 8 cm3/min. Com que velocidade aumenta o raio no instante em que a bola
tem 4 cm de diâmetro? 2) Um automóvel que viaja à razão de 30 m/s, aproxima-se de
um cruzamento. Quando o automóvel está a 120 m do cruzamento, um caminhão que
viaja à razão de 40 m/s atravessa o cruzamento. O automóvel e o caminhão estão em
rodovias que formam um ângulo reto uma com a outra. Com que velocidade afastam-se
o automóvel e o caminhão 2s depois do caminhão passar pelo cruzamento? 3) Uma
escada com 13m de comprimento está apoiada numa parede vertical e alta. Num
determinado instante a extremidade inferior, que se encontra a 5m da parede, está
escorregando, afastando-se da parede a uma velocidade de 2 m/s. Com que velocidade
o topo da escada está deslizando neste momento? 4) Um balão está a 60 m acima do
solo e se eleva verticalmente à razão de 5 m/s. Um automóvel passa por baixo do
balão viajando à 12 m/s. Com que velocidade varia, um segundo depois, a distância
entre o balão e o automóvel? 5) Despeja-se água num recipiente de forma cônica, à
razão de 8 cm3/min. O cone tem 20 cm de profundidade e 10 cm de diâmetro em sua
parte superior. Se existe um furo na base, e o nível da água está subindo à razão
de 1 mm/min, com que velocidade a água estará escoando quando esta estiver a 16 cm
do fundo? 6) Um lado de retângulo está crescendo a uma taxa de 17 cm/min e o outro
lado está decrescendo a uma taxa de 5 cm/min. Num certo instante, os comprimentos
desses lados são 10 cm e 7 cm, respectivamente. A área do retângulo está crescendo
ou decrescendo nesse instante? A que velocidade? 7) Dois resistores variáveis R1 e
R2 são ligados em paralelo. A resistência total R é calculada pela equaÁão 1 R =
(1 R1 ) + (1 R2 ) . Se R1 e R2 estão aumentando às taxas de 0 ,01 ohm s e 0 ,02
ohm s respectivamente, a que taxa varia R no instante em que R1 = 30 ohms e R 2 =
90 ohms ? 8) Um triângulo isósceles tem os lados iguais com 15 cm cada um. Se o
ângulo entre eles varia à razão de π 90 rad por minuto, determine a variaÁão da θ
área do triângulo quando = π 6 rad . θ
Álvaro Fernandes
60
Análise gráfica das funÁões Máximos e mínimos DefiniÁão: Uma funÁão y = f ( x )
tem um ponto de máximo relativo em x = x0 , se existe um intervalo aberto A,
contendo x0 , tal que f ( x0 ) ≥ f ( x ) , para todo x A . ∈
f ( x0 ) é chamado de valor máximo relativo.
DefiniÁão: Uma funÁão y = f ( x ) tem um ponto de mínimo relativo em x = x1 , se
existe um intervalo aberto B, contendo x1 , tal que f ( x1 ) ≥ f ( x ) , para todo
x B . ∈
f ( x1 ) é chamado de valor mínimo relativo.
Exemplo 42. A funÁão f ( x ) = x 4 − 4 x 2 tem um ponto de máximo relativo em x =
0 e dois pontos
de mínimos relativos em x = ± 2 . O valor máximo relativo é y = 0 e o valor mínimo
relativo é y = −4 .
A proposiÁão seguinte permite encontrar os possíveis pontos de extremos relativos
(máximos relativos ou mínimos relativos) de uma funÁão.
Álvaro Fernandes
61
ProposiÁão: Seja y = f ( x ) uma funÁão definida num intervalo aberto I = (a ,b )
. Se f tem um extremo relativo em k I e f ´ ( x ) existe para todo x I , então ∈ ∈
f ´ (k ) = 0 .
Podemos interpretar geometricamente esta proposiÁão da seguinte forma: A reta
tangente ao gráfico de f no ponto x = k é horizontal, visto que f ´ (k ) = 0 .
DefiniÁão: Um ponto c D( f ) tal que f ´ (c ) = 0 ou crítico de f. ∈
f ´ (c ) não existe é chamado de ponto
Se houverem extremos relativos numa funÁão, estes ocorrem em ponto críticos.
Exemplo 43. Algumas funÁões e seus pontos críticos.
a)
b)
c)
y = x3
y = x −1 + 2
y = ( x − 1) + 1
2
ObservaÁões:
• • •
No exemplo a) f ´ (0 ) = 0 , mas x = 0 não é um ponto de extremo da funÁão. No
exemplo b) não existe f ´ (1) , mas x = 1 é um ponto de extremo (mínimo relativo)
da funÁão. No exemplo c) f ´ (1) = 0 e x = 1 é um ponto de extremo (mínimo
relativo) da funÁão.
Álvaro Fernandes
62
Uma funÁão y = f ( x ) pode admitir num intervalo (a ,b ) mais do que um ponto de
extremo relativo. O maior valor da funÁão num intervalo é chamado de valor máximo
absoluto. Analogamente, o menor valor é chamado de valor mínimo absoluto.
xo é o ponto de máximo absoluto de f; f ( x0 ) é o valor máximo absoluto de f;
x1 é o ponto de mínimo absoluto de f; f ( x1 ) é o valor mínimo absoluto de f.
Algumas funÁões podem não apresentar extremos relativos num intervalo. Por exemplo
y = x , x (− 2 ,2 ) . ∈
FunÁões crescentes e decrescentes DefiniÁão: Uma funÁão y = f ( x ) , definida num
intervalo I, é crescente neste intervalo se para quaisquer x0 , x1 I , x0 < x1 , ∈
temos que f ( x0 ) < f (x1 ) . (ver Fig. 1) DefiniÁão: Uma funÁão y = f ( x ) ,
definida num intervalo I, é decrescente neste intervalo se para quaisquer x0 , x1
I , x0 < x1 , temos que f ( x0 ) > f ( x1 ) . (ver Fig. 2) ∈
Fig. 1
Fig. 2
Podemos identificar os intervalos onde uma funÁão é crescente ou decrescente
através do estudo do sinal da derivada da funÁão. Segue a proposiÁão.
Álvaro Fernandes
63
ProposiÁão: Seja f uma funÁão contínua no intervalo [a ,b] e derivável no
intervalo (a ,b ) .
a) Se f ´ ( x ) > 0 para todo x (a ,b ) , então f é crescente em [a ,b] ; b) Se ∈
f ´ ( x ) < 0 para todo x (a ,b ) , então f é decrescente em [a ,b] . NoÁão ∈
geométrica: a) Se a funÁão derivada é positiva para todo x (a ,b ) então, ∈
geometricamente, a reta tangente tem inclinaÁão positiva para todo x (a ,b ) . ∈
f ´ ( x ) = tg ( ) > 0 α
0 < < 90 o . ⇒ α
b) Se a funÁão derivada é negativa para todo x (a ,b ) então, geometricamente, a ∈
reta tangente tem inclinaÁão negativa para todo x (a ,b ) . ∈
f ´ ( x ) = tg ( ) < 0 α

90 o < < 180 o . α
Exemplo 44. Determine os intervalos de crescimento e decrescimento da funÁão f ( x
) = x 4 − 4 x 2 .
SoluÁão: Vamos analisar o sinal da derivada desta funÁão.
f ´ ( x ) = 4 x 3 − 8 x = 4 x (x 2 − 2 ) .
Logo:
f é crescente para todo x − 2 , 0 ∈ ∪
[
f é decrescente para todo x − ∞ , − intervalos. ∈
[
][
2 , +∞ , pois a derivada é positiva nestes intervalos. 2 , pois a derivada é
negativa nestes
] 2 ] [0 , ∪
]
Observe o gráfico da funÁão f ( x ) = x 4 − 4 x 2 no exemplo 42.
Álvaro Fernandes
64
Critérios para determinar os extremos de uma funÁão Teorema: (Critério da primeira
derivada para determinaÁão de extremos) Seja f uma funÁão contínua num intervalo
fechado [a ,b] que possui derivada em todo ponto do intervalo (a ,b ) , exceto
possivelmente num ponto k:
a) Se f ´ ( x ) > 0 para todo x < k e f ´ ( x ) < 0 para todo x > k, então f tem
um máximo relativo em k;
b) Se f ´ ( x ) < 0 para todo x < k e f ´ ( x ) > 0 para todo x > k, então f tem
um mínimo relativo em k;
InterpretaÁão geométrica: a) A funÁão f é crescente para todo x < k , pois f ´ ( x
) > 0 e é decrescente para todo x > k , pois f ´ ( x ) < 0 . Desta forma, f assume
um ponto de máximo relativo em x = k .
b) A funÁão f é decrescente para todo x < k , pois f ´ ( x ) < 0 e é crescente
para todo x > k , pois f ´ ( x ) > 0 . Desta forma, f assume um ponto de mínimo
relativo em x = k .
Exemplo 45. Determine os extremos da funÁão f ( x ) = x 4 − 4 x 2 .
Como vimos no exemplo anterior o sinal de f ´ ( x ) é
.
Então, de acordo com a proposiÁão, x = ± 2 são ponto de mínimo relativo e x = 0 é
ponto de máximo relativo. Observe o gráfico da funÁão f ( x ) = x 4 − 4 x 2 no
exemplo 42.
Álvaro Fernandes
65
O seguinte teorema também é utilizado para determinaÁão de extremos de uma funÁão.
Ele é aplicado quando a análise do sinal da primeira derivada não é imediata
(simples).
Teorema: (Critério da segunda derivada para determinaÁão de extremos) Seja f uma
funÁão derivável num intervalo (a ,b ) e k um ponto crítico de f neste intervalo,
isto é, f ´ (k ) = 0 . Então:
a) b)
f ´´ (k ) < 0 f ´´ (k ) > 0
f tem um máximo relativo em k; f tem um mínimo relativo em k. ⇒ ⇒
Exemplo 46. Determine os extremos da funÁão f ( x ) = x 4 − 4 x 2 , usando o teste
da segunda derivada.
f ´ (x ) = 4 x 3 − 8 x = 4 x x 2 − 2 . Os pontos críticos de f são xo = 0 , x1 = 2
e x 2 = − 2 . f ´´ ( x ) = 12 x 2 − 8 .
(
)
( 2 ) = 16 > 0 , logo x = 2 é ponto de mínimo relativo. f ´´ (− 2 ) = 16 > 0 ,
logo x = − 2 é ponto de mínimo relativo.
f ´´
1 2
f ´´ (0 ) = −8 < 0 , logo xo = 0 é ponto de máximo relativo.
Este resultado está de acordo com o exemplo 45.
Exemplo 47. Determine os extremos da funÁão f ( x ) = ln( x ) − x 2 , x > 0 ,
usando o teste da segunda derivada.
f ´ (x ) =
1 − 2x . x

f ´ (x ) = 0
1 − 2x = 0 x

1 = 2x x
x2 = ⇒
1 2
x=± ⇒
2 2 . Como x > 0 , temos que x = 2 2
é o ponto crítico de f.
2 Vamos agora determinar o sinal de f ´´ 2 : | ` . ,
f ´´ ( x ) = −
2 1 2 − 2 . Assim f ´´ 2 2 = −4 < 0 e então x = 2 x | ` . ,
é ponto de máximo relativo de f. Veja o gráfico da funÁão f ( x ) = ln( x ) − x 2
, x > 0 ao lado.
Álvaro Fernandes
66
Concavidade e ponto de inflexão
Sabemos que a parábola y = ax 2 + bx + c, a ≠ 0 , tem concavidade voltada para
cima quando a > 0 e concavidade voltada para baixo quando a < 0 . Não existe
mudanÁa de concavidade nos gráficos destas funÁões. SituaÁão diferente acontece em
y = sen( x ) ou y = cos( x ) , onde verificamos essas mudanÁas. Os pontos de
mudanÁa de concavidade são chamados de pontos de inflexão. Através da derivada
(segunda) podemos determinar os intervalos onde uma funÁão tem concavidade voltada
para cima ou para baixo e os pontos de inflexão. Estes conceitos são úteis no
esboÁo gráfico de uma curva.
DefiniÁão: Dizemos que uma funÁão f tem concavidade voltada para cima (C.V.C) num
intervalo (a ,b ) se f ´ é crescente neste intervalo. Em outras palavras, se o
gráfico da funÁão estiver acima de qualquer reta tangente.
Figura 1
DefiniÁão: Dizemos que uma funÁão f tem concavidade voltada para baixo (C.V.B) num
intervalo (a ,b ) se f ´ é decrescente neste intervalo. Em outras palavras, se o
gráfico da funÁão estiver abaixo de qualquer reta tangente.
Figura 2 Através do estudo do sinal da segunda derivada podemos determinar os
intervalos onde uma funÁão tem concavidade voltada para cima ou para baixo.
Vejamos a seguinte proposiÁão.
Álvaro Fernandes
67
ProposiÁão: Seja f uma funÁão contínua e derivável até a segunda ordem no
intervalo (a ,b ) :
a) Se f ´´ ( x ) > 0 para todo x (a ,b ) , então f tem concavidade voltada para ∈
cima em (a ,b ) ; b) Se f ´´ ( x ) < 0 para todo x (a ,b ) , então f tem ∈
concavidade voltada para baixo em (a ,b ) . Prova: a) Como f ´´ ( x ) > 0 para
todo x (a ,b ) , então f ´ ( x ) é crescente em (a ,b ) . Desta forma, o gráfico ∈
de f tem o aspecto do gráfico da figura 1 anterior. De forma análoga prova-se o
item b.
DefiniÁão: Um ponto P(k , f (k )) do gráfico de uma funÁão contínua f é chamado de
ponto de inflexão (P.I.) se ocorre uma mudanÁa de concavidade na passagem por P.
Figura 3
Figura 4
Para verificar a existência de um ponto de inflexão P(k , f (k )) no gráfico de
uma funÁão f, basta verificar a mudanÁa de sinal da segunda derivada na passagem
por k. Observe simbolicamente como isto ocorre: Na figura 3 temos Na figura 4
temos
Exemplo 48.
Determine os intervalos onde a funÁão f ( x ) = x 4 − 4 x 2 tem concavidade
voltada para cima, para baixo e os pontos de inflexão.
Álvaro Fernandes
68
Temos que f ´ ( x ) = 4 x 3 − 8 x e
f ´´ ( x ) = 12 x 2 − 8 .

f ´´ ( x ) > 0
12 x 2 − 8 > 0 ⇒
x2 >
82 = 12 3 82 = 12 3

x>
2 2 ou x < − . 3 3 2 <x< 3 2 . 3
f ´´ ( x ) < 0
12 x 2 − 8 < 0 ⇒

x2 <


Assim,
f 3, 2
tem C.V.C. no intervalo
(− ∞, −
2
3∪
)(
2
3 ,+ ∞
)
e tem C.V.B. em e x1 =
(−
2
3 . Os pontos de inflexão ocorrem nas abscissa x0 = −
)
2 3
2 3
.
Assíntotas horizontais e verticais
Em algumas aplicaÁões práticas, encontramos gráficos que se aproximam de uma reta.
Estas retas são chamadas de assíntotas. Vamos tratar mais detalhadamente das
assíntotas horizontais e verticais.
Álvaro Fernandes
69
DefiniÁão: A reta de equaÁão x = k é uma assíntota vertical do gráfico de uma
funÁão y = f ( x ) , se pelo menos uma das seguintes afirmaÁões for verdadeira:
i) lim+ f (x ) = +∞ ;
x k →
ii) lim− f ( x ) = +∞ ;
x k →
iii) lim+ f ( x ) = −∞ ;
x k →
iv) lim− f ( x ) = −∞ .
x k →
Exemplo 49
a) A reta de equaÁão x = 0 é assíntota vertical da funÁão y = ln( x ) , pois lim+
ln( x ) = −∞ .
x 0 →
Observe o gráfico da funÁão y = ln( x ) :
b) A reta de equaÁão x = 1 é assíntota vertical da funÁão y =
l 1 , pois lim = +∞ . 2 x 1 ( x − 1)2 (x − 1) →
Observe o gráfico da funÁão y =
l : (x − 1)2
Álvaro Fernandes
70
DefiniÁão: A reta de equaÁão y = k é uma assíntota horizontal do gráfico de uma
funÁão y = f ( x ) , se pelo menos uma das seguintes afirmaÁões for verdadeira:
i) lim f (x ) = k ;
x +∞ →
ii) lim f ( x ) = k .
x −∞ →
Exemplo 50
a) A reta de equaÁão y = 1 é assíntota horizontal da funÁão y =
x −1 : 1 + x2
2
x2 − 1 x2 − 1 , pois lim = 1. x +∞ 1 + x 2 1 + x2 ou →
x −∞ →
Observe o gráfico da funÁão y =
b) A reta de equaÁão y = 0 é assíntota horizontal da funÁão y =
sen( x ) sen(x ) , pois lim =0. x +∞ x x ou →
x −∞ →
Graficamente podemos perceber que as oscilaÁões vão reduzindo a sua amplitude e o
gráfico da sen( x ) vai se aproximando da reta y = 0 . funÁão y = x
Percebemos neste exemplo que a assintota horizontal toca o gráfico da funÁão.
Álvaro Fernandes
71
EsboÁos de gráficos
Utilizando todos os resultados da análise gráfica das funÁões, podemos resumir
numa tabela os procedimentos para esboÁar o gráfico de uma funÁão.
Passos 1o 2o 3o 4o 5o 6o 7o 8o Procedimento Encontrar o domínio da funÁão;
Calcular os pontos de interseÁão da funÁão com os eixos (quando não requer muito
cálculo); Calcular os pontos críticos da funÁão; Determinar os intervalos de
crescimento e decrescimento da funÁão; Encontrar os pontos de máximos e mínimos
relativos da funÁão; Determinar a concavidade e os pontos de inflexão; Determinar
as assíntotas horizontais e verticais (se existirem); EsboÁar o gráfico.
Exemplo 51. Esboce o gráfico da funÁão y = f ( x ) =
x . x −1
2
1o passo (Domínio):
x2 − 1 ≠ 0 x2 ≠ 1 x≠± 1 x ≠ ±1 . Logo D( f ) = − {− 1, 1} . ⇒ ⇒ ⇒ ℜ
2o passo (Pontos de interseÁão com os eixos):
x com o eixo x (faÁa y = 0) : 0 = 2 x = 0. Logo temos o ponto (0 , 0 ). x ¹ ⇒ ¹ ¹
−1 com o eixo y (faÁa x = 0) : y = 0 y = 0. O mesmo ponto (0 , 0 ). 02 −1 ' ¹ ⇒ ¹ ¹
3o passo (Pontos críticos):
f ' (x ) = 1(x 2 − 1) − x(2 x )
(x
2
−1
)
2
= ... =
(x
− x2 − 1
2
−1
)
2
.
−1 pois não existe x tal que x 2 = −1 . ∈ ℜ
2
f ' (x ) = 0

(x
− x2 − 1
)
2
=0

− x2 − 1 = 0

x 2 = −1 .
Não existem pontos críticos,
Álvaro Fernandes
72
4o passo (Intervalos de crescimento e decrescimento):
− x2 − 1
2
f ' (x ) =
(x
−1
)
2
. Estudando o sinal da derivada...
A funÁão é decrescente x − {− 1, 1} . ∀ ∈ ℜ
5o passo (Pontos de máximos e mínimos relativos):
Como o sinal de f ' ( x ) não muda (é sempre negativo), então não existem extremos
relativos para f.
6o passo (Concavidade e pontos de inflexão):
(− 2 x )(x 2 − 1)2 − (− x 2 − 1)(2 )(x 2 − 1)(2 x ) = ... = (2 x )(x 2 + 3) . f '
' (x ) =
(x
2
−1
)
4
(x
2
−1
)
3
Estudando o sinal da segunda derivada...
f tem C.V.C. x (− 1, 0 ) (1, + ∞ ) . f tem C.V.B. x (− ∞ , − 1) (0 , 1) ∀ ∈ ∪ ∀ ∈ ∪
.
Como x = −1 e x = 1 não fazem parte do domínio da funÁão f , então o único ponto
de inflexão é x = 0 pois f ' ' muda de sinal quando passa por ele.
Álvaro Fernandes
73
7o passo (Assíntotas horizontais e verticais):
Vertical:
x x 1 1 xlim+ x 2 − 1 = xlim+ ( x + 1)( x − 1) = (2 )(0 + = 0 + = +∞. 1 1 ¹ ¹ → →
A reta x = 1 é assíntota. x x 1 1 lim xlim− x 2 − 1 = x 1− ( x + 1)( x − ¹ ' ¹ ¹ →
1) = (2 )(0 − = 0 − = −∞. 1 x x 1 −1 = lim+ =+ = + = +∞. lim+ 2 x −1 ¹ → ¹ ¹ ¹ →
x − 1 x −1 ( x + 1)(x − 1) 0 − 2 ) 0 A reta x = −1 é assíntota. x x 1 −1 = lim− → '
=− = − = −∞. lim− 2 x −1 x − 1 x −1 ( x + 1)( x − 1) 0 − 2 ) 0 ¹ ¹ → → ¹
)
)
( )(
( )(
x 1 xlim x 2 − 1 = (L´Hospital) = xlim 2 x = 0. +∞ +∞ Horizontal: A ¹ ¹ → ¹ → '
reta y = 0 é assíntota. x 1 lim = (L´Hospital) = lim = 0. x −∞ x 2 − 1 x ¹ ¹ → →
−∞ 2 x ¹
8o passo (EsboÁo do gráfico):
Reunindo todos o elementos calculados, podemos agora traÁar o gráfico:
Álvaro Fernandes
74
Atividades (grupo 33) Pontos críticos.
1. Determinar os pontos críticos das seguintes funÁões, se existirem. a) f ( x ) =
3 x + 2 . b) f ( x ) = x 2 − 3 x + 8 . c) f ( x ) = 3 − x 3 . d) f ( x ) = e x − x
. e) f ( x ) = x x 2 − 4 . f) f ( x ) = 4 x 3 − 12 x 2 .
(
)
Crescimento e decrescimento.
2. Determinar os intervalos nos quais as funÁões a seguir são crescentes ou
decrescentes. a) f ( x ) = 2 x − 1. b) f ( x ) = 3 x 2 + 6 x + 7 . c) f ( x ) = x
3 + 2 x 2 − 4 x + 2 . d) f ( x ) = e − x . e) f ( x ) = x . e − x . f) f ( x ) = x
+ 1 . x
g) f ( x ) = 2 cos( x ) + sen( 2 x ) , x [0 , 2 π] . h) f ( x ) = x 2 ( x − 1) . ∈
Pontos de extremos relativos.
3. Encontrar os pontos de máximos e mínimos relativos das seguintes funÁões, se
existirem. a) f ( x ) = x 3 + 3 x 2 + 1. b) f ( x ) = 8 x 2 − 4 x 3 . c) f ( x ) =
x 3 3 + x 2 2 − 6 x + 5 . 4. Encontre os d) f ( x ) = 5 x 5 − 25 x 3 . e) f ( x )
= ( x − 1) ( x + 1) .
(
)(
)
f) f ( x ) = xe x . da funÁão
pontos de máximos e mínimos relativos x [0 , 2 π] , usando o critério da segunda ∈
derivada. f ( x ) = 2 sen( x ) + cos(2 x ),
Álvaro Fernandes
75
Concavidade e ponto de inflexão.
5. Determinar os intervalos onde as funÁões têm concavidade voltada para cima
(C.V.C.) e concavidade voltada para baixo (C.V.B.). Determine também os pontos de
inflexão (P.I.). a) f ( x ) = x 3 − 2 x 2 + x + 1. b) f ( x ) = 3 x 4 − 4 x 3 + 6
. c) f ( x ) = 2 x 6 − 6 x 4 . d) f ( x ) = ( x 2 − 1) .
2
e) f ( x ) = 5 x − 1. f) f ( x ) = xe x .
Assíntotas.
6. Determine as assíntotas horizontais e verticais das funÁões abaixo, se
existirem. a) f ( x ) = x 3 − 3 x 2 + 2 . d) f ( x ) = e) f ( x ) = f) f ( x ) = −
x2 . x2 − x − 2
sen( x ) . x
2x2 b) f ( x ) = . 9 − x2 c) f ( x ) = x−2 . x+9
ln( x ) . 3 x
EsboÁo gráfico.
7. Para cada funÁão a seguir, determine (se possível): o domínio, as interseÁões
com os eixos, as assíntotas horizontais e verticais, os intervalos de crescimento
e decrescimento, os máximos e mínimos relativos, os intervalos onde o gráfico tem
concavidade para cima e onde o gráfico tem concavidade para baixo, os pontos de
inflexão e o esboÁo gráfico. Obs: Para confirmar a sua resposta, construa os
gráficos utilizando um software matemático. a) f ( x ) = 10 + 12 x − 3 x 2 − 2 x 3
. b) f ( x ) = ( x + 1) ( x − 1) . c) f ( x ) = − x 4 + 6 x 2 − 3 . d) f ( x ) = e
− x .
2
e) f ( x ) = x .ln( x ) . f) f ( x ) = e x x .
Álvaro Fernandes
76
Problemas de otimizaÁão
Agora apresentaremos os problemas de otimizaÁão. Nestes problemas buscamos
soluÁões que são ótimas, do ponto de vista matemático. Por exemplo: uma empresa
deseja produzir potes cilíndricos de 300ml para armazenar certo tipo de produto.
Sabe-se que estes potes devem ter área total mínima para reduzir o custo de
impressão dos rótulos. De todos os cilindros de volume igual a 300ml, qual possui
menor área total (raio da base e altura)? Devemos então buscar uma soluÁão que
minimize a área total do cilindro, reduzindo assim o custo de impressão dos
rótulos nos potes. Variados problemas práticos, semelhantes a esse, em diversos
ramos do conhecimento, são resolvidos com o auxílio das derivadas. Iniciaremos
resolvendo este problema.
Exemplo 52. De todos os cilindros de volume igual a 300ml, qual possui menor área
total (raio da base e altura)?
Abrindo o cilindro nós temos
Sabe-se que o volume do cilindro é V = πr 2 h e a área total é A = 2πr 2 + 2πrh .
Queremos determinar os valores do raio (r) da base e a altura (h) de um cilindro
de 300 ml de volume (V) que possua mínima área total (A). Já sabemos determinar o
ponto de mínimo de uma funÁão através dos dois critérios vistos, mas a funÁão área
possui duas variáveis r e h. Poderemos resolver este problema isolando uma das
variáveis em V = πr 2 h (com V = 300 ) e substituí-la em A = 2 πr 2 + 2 πrh . 300
= πr 2 h h= 300 . πr 2 ⇒
300 600 . Conseguimos então tornar a funÁão área como = 2 πr 2 + 2 r πr funÁão de
uma única variável. Vamos determinar o ponto crítico desta funÁão:
Temos então que A = 2 πr 2 + 2 πr
A´ = 4 πr −
600 . Resolvendo agora a equaÁão A´ = 0 : r2
4 πr −
600 =0 r2

4 πr =
600 r2

r3 =
600 4π

r=3
600 ≈ 3,6 cm . 4π
600 600 o 3 Como A´´ 3 4 π > 0 (verifique!), temos que r = 4 π é ponto de | `
mínimo da funÁão A (pelo 2 , .
critério para determinaÁão de extremos). Substituindo r = 3
Álvaro Fernandes
300 600 em h = 2 , obtemos h ≈ 7 ,2cm . 4π πr
77
Diretrizes para resoluÁão de problemas de otimizaÁão
1. Leia cuidadosamente o problema. Esboce uma figura para auxiliar a sua
interpretaÁão; 2. Identifique e denomine com variáveis as quantidades informadas
no problema; 3. Determine algumas relaÁões (ou fórmulas) entre as variáveis; 4.
Determine qual variável deve ser otimizada (maximizada ou minimizada) . Expresse
esta variável como funÁão de uma das outras variáveis; 5. Determine o ponto
crítico da funÁão obtida o item anterior; 6. Determine o(s) extremo(s) com o
auxílio dos critérios da 1a e 2a derivadas.
Exemplo 53. Determine as dimensões (base e altura) do retângulo de área máxima que
pode ser inscrito em um semicírculo de raio constante a, como mostra a figura.
Podemos dizer que este retângulo tem base igual a b e altura igual a h.
a é o raio do semicírculo.
Queremos maximizar a área do retângulo A = bh , sabendo-se que as variáveis b e h
obedecem o b teorema de Pitágoras + h 2 = a 2 . Podemos então tornar a funÁão | `
área como funÁão de uma 2 b única variável (b), pois h = a − = 2 . , | ` . ,
2 2 2
4a 2 − b 2 : 2
4a 2 − b 2 1 A = b = b 4 a 2 − b 2 . Lembre-se que a é uma constante! 2 2 ⋅ ⋅
Resolvendo a equaÁão A´ (b ) = 0 , obtemos: b − 2b 1 A´ = 4 a 2 − b 2 + = 2 | ` ⋅
2 4a 2 − b 2 2 A´ = 0 4a 2 − b 2 b2 = 2 2 4a 2 − b 2 4a 2 − b 2 b2 . − 2 2 4a . , ⇔
2 − b 2 4a 2 − b 2 = b 2 2b 2 = 4 a 2 ⇔ ⇔ ⇔
Álvaro Fernandes
78

b = 2a 2

b=a 2.
Substituindo b = a 2 em h =
a2 4a 2 − b 2 . , obtemos h = 2 2 1 b 4 a 2 − b 2 usando 2 ⋅
Verifique que realmente b = a 2 é o ponto de máximo da funÁão área A = o critério
da segunda deriva A´´ b = a 2 < 0 .
Atividades (grupo 34)
(
)
1) De todos os retângulos de comprimento fixo L, qual possui maior área? Determine
a base e a altura de tal retângulo. 2) Uma reta variável passando por P(1,2) corta
o eixo Ox em A(a,0) e o eixo Oy em B(0,b) . Determine o triângulo OAB de área
mínima, para a e b positivos. 3) Dentre os retângulos com base no eixo Ox e
vértices superiores sobre a parábola y = 12 − x 2 , determine o de área máxima
(base e altura).
4) Uma fábrica produz x milhares de unidades mensais de um determinado artigo. Se
o custo de produÁão é dado por C( x ) = 2 x 3 + 6 x 2 + 18 x + 6 e a receita
obtida na venda é dada por R( x ) = 60 x − 12 x 2 , determinar o número ótimo de
unidades que maximiza o lucro L. Obs.: Lucro = Receita - Custo, isto é, L( x ) =
R( x ) − C( x ) . 5) Usando uma folha quadrada de cartolina, de lado igual a 60
cm, deseja-se construir uma caixa sem tampa, cortando seus cantos em quadrados
iguais e dobrando convenientemente a parte restante. Determinar o lado dos
quadrados que devem ser cortados de modo que o volume da caixa seja o maior
possível.
Álvaro Fernandes
79
6) A potência P de uma bateria de um automóvel é dada por P = VI − I 2 R , sendo I
a corrente para uma voltagem V e resistência interna da bateria R. São constantes
V e R. Que corrente corresponde à potência máxima? 7) O departamento de trânsito
de uma cidade, depois de uma pesquisa, constatou que num dia normal da semana à
tarde, entre 2 e 7 horas, a velocidade do tráfego é de aproximadamente V ( t ) =
2t 3 − 27 t 2 + 108 t − 35 quilômetros por hora, onde t é o número de horas
transcorridas após o meio dia. A que horas do intervalo de 2 às 7 o tráfego flui
mais rapidamente e a que horas flui mais lentamente, e com que velocidade? 8) Faz-
se girar um triângulo retângulo de hipotenusa dada H em torno de um de seus
catetos, gerando um cone circular reto. Determine o cone de volume máximo (raio da
base e altura). 9) Um gerador de corrente elétrica tem uma forÁa eletromotriz de ε
volts e uma resistência interna de r ohms. e r são constantes. Se R ohms é uma ε
resistência externa, a resistência total é (r + R) ohms e se P watts é a potência
então, P = ( 2 R) (r + R) 2 . Qual o valor de R que consumirá o máximo de ε
potência? Interprete o resultado. 10) Corta-se um pedaÁo de arame de comprimento L
em duas partes. Com uma das partes faz-se uma circunferência e com a outra um
quadrado. Determine o raio da circunferência e o lado do quadrado para que a soma
das áreas compreendidas pelas duas figuras seja mínima. 11) Um construtor deseja
construir um depósito com as seguintes características: capacidade de 30 m3, teto
plano, base retangular cuja largura é três quartos do comprimento. O custo por
metro quadrado do material é de R$ 36,00 para o chão, R$ 204,00 para os lados e R$
102,00 para o teto. Quais as dimensões do depósito que minimizarão o custo?
Álvaro Fernandes
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