O Automóvel em Portugal

100 Anos de História

Associação para o

Museu dos Transportes e Comunicações

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Autor: Título: Iniciativa: Fotografia e arranjo gráfico:

José Guilherme Abreu O Automóvel em Portugal. 100 Anos de História AMTC (Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações) José Guilherme Abreu

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Apresentação Dra Isabel Cardoso Ayres 5 .

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Este evento. A todos os coleccionadores e proprietários. E é exactamente como contributo para este fim que colocamos à disposição de todos quantos se possam interessar por este tema o presente texto. pelo Dr. é uma das manifestações integradas no projecto designado por “Ano do Automóvel” e preparado por esta Associação para comemorar o primeiro centenário da entrada do automóvel em Portugal. no ano de 1994-95. Clube Português dos Automóveis Antigos e Museu do Caramulo. que à data do início do estágio já se encontrava montada e em funcionamento. ficando a aguardar as sugestões e comentários que o mesmo possa merecer. José Guilherme Abreu a cedência e colaboração prestada. Tendo em conta o curto espaço de tempo. exigiu uma organização espacial e estética à qual o visitante não pode ser alheio e manter-se indiferente. O projecto de estágio proposto e acordado entre as partes consistiu na elaboração de um catálogo da exposição “O Automóvel em Portugal: 100 Anos de História”. Porto. articulando o trabalho de cada uma das partes: museu e coleccionador. Há que mobilizar as tarefas de investigação. As reacções do público têm sido muito positivas. 10 de Março de 1996 A Presidente do Conselho de Administração Isabel Maria Cardoso Ayres 7 . Este documento resulta da actividade desenvolvida nesta Associação. José Guilherme Abreu.A Exposição “O Automóvel em Portugal: 100 Anos de História” é uma iniciativa desta Associação em colaboração com o Automóvel Club de Portugal. a Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações quer expressar o seu agradecimento. como conclusão do curso de Pós-Graduação em Museologia e Património da Universidade Lusíada de Lisboa. Ao fim de dois meses. o número de visitantes era 10. Mas o aproveitamento cabal das potencialidades museais do automóvel não se esgotam no processo de exibição. cerca de dois meses. A exposição “O Automóvel em Portugal: 100 Anos de História” integra quarenta modelos colocados num espaço físico preparado para o efeito e que pelas suas dimensões e características próprias. a Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações reconhece o esforço realizado e a valia do texto produzido pelo que procede à sua divulgação e agradece ao Dr. o que constitui motivo de satisfação para a organização.000. em que o autor teve de realizar este catálogo. em regime de estágio. A realização desta exposição só foi possível pela boa receptividade com que os coleccionadores e proprietários dos automóveis acolheram o pedido de cedência dos automóveis seleccionados. facto que constitui uma condicionante do projecto. aberto ao público em 11 de Dezembro de 1995 e que terminará em 31 de Março.

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O Automóvel De bem de consumo a objecto museal 9 .

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Roland Barthes. concebida apaixonadamente por artistas desconhecidos. uma grande criação da sua época. Mitologias 11 . cuja imagem e utilização são consumidas por todo um povo que assim se apropria de um objecto verdadeiramente mágico.Penso que o automóvel quase equivale hoje ao que foram as grandes catedrais góticas. isto é.

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importa abordar as funções do automóvel. e conhecê-lo desde a sua origem. no seu propósito de sondar as profundezas da psique humana. ralis. Definitivamente instalado no horizonte colectivo da modernidade. pioneiro da escola fauvista. pelos artistas e estetas futuristas que reunidos em torno da figura do italiano Filippo Marinetti (1876-1944). Em Portugal.estradas. como ao nível do seu valor intrínseco. o pintor André Derain (1880-1954). Nesta perspectiva. exaltando “os automóveis rugidores (. em 1939. como defende José-Augusto França. decorrendo o seu valor económico imediato da dimensão dos investimentos... o automóvel é um objecto pessoal ao qual o seu proprietário ou utente se liga emocional e afectivamente. do contexto histórico para a produção cultural.e promovendo o desenvolvimento de actividades que ocupam os tempos de labor e de lazer nas sociedades industrializadas . o automóvel pouco a pouco modela à sua imagem a paisagem urbana e rural. guio quase devagar. integrando-se nela. Num segundo plano de análise. expedições . para explicar a sucessão e a disparidade de escolas e conceitos artísticos dos séculos XIX e XX.. E. provas desportivas. das receitas e dos postos de trabalho que o seu mercado mobiliza. campismo e caravanismo. por meio de um apaixonante e fecundo mecanismo de identificação pessoal. na estrada deserta. condicionando o ordenamento dos espaços físicos.O automóvel é um artefacto extraordinariamente complexo e pluridimensionalmente significante. interessa dissociar os principais planos da sua problemática. com o centro da causalidade a mudar de campo. Fernando Pessoa. enquanto produto utilizável pela comunidade. chegaria mesmo a afirmar que “o Bugatti é mais belo do que qualquer outro trabalho artístico”. nostalgicamente. é então contribuir para o conhecimento das metamorfoses sucessivas em que esse fascinante e irrequieto intruso e a sociedade que o produz se vêem mutuamente implicados. projectando nele expectativas e valores. ao apresentá-lo como síntese perfeita da difícil conjugação do belo e do útil. Num primeiro plano de análise. não hesitavam em elegê-lo como herói mecânico das suas telas e dos seus manifestos. Sozinho guio.novas profissões. enquanto meio de produção. alguns anos mais tarde (1928). garagens. como logo antes da Grande Guerra seria ruidosamente proclamado. única forma de o enquadrar na evolução histórica geral. enquanto bem de consumo. e o seu prestígio confunde-se com a essência da própria modernidade. muitas das vezes segundo uma relação de causa-efeito de natureza pendular. com a criação de estruturas de apoio . viadutos.. escrevia: Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra. documentando-a. Mas esse não seria um arremedo isolado e sem continuidade. que se manifesta tanto ao nível dos serviços que presta à sociedade. Ao luar e ao sonho. num curioso enquadramento psicológico no qual sujeito e objecto se relacionam. Porque não basta dizer-se que o automóvel é um meio de transporte terrestre capaz de auto-locomover-se. e definir uma chave de interpretação capaz de abarcar e de avaliar o significado socio-cultural do fenómeno civilizacional por ele criado. A sua importância socio-cultural impõe portanto conhecê-lo. o automóvel é um instrumento polivalente que detém uma considerável importância económica. sob o heterónimo de Álvaro de Campos. A sua relevância cultural encontra-se hoje solidamente estabelecida. 13 .) mais belos do que a vitória de Samotrácia”.. Conservar a memória do automóvel. numa dialéctica de integração e desintegração da própria história. sinalização . ou mesmo contradizendo-a.. e vice-versa. que à Psicologia compete estudar. colocando aquele automóvel nos píncaros da criação humana.

Num terceiro plano de análise, o automóvel é um complemento importante de uma imagem exterior de prestígio e de status social. Desde logo, aliás, a sua posse é a esse nível já significativa, funcionando ainda o carro como testemunho do gosto pessoal e do estrato social do seu proprietário. No automóvel, o sujeito encontra então um meio de integração no grupo a que pertence, ou a que deseja pertencer. Fenómenos desta natureza, por sinal, observam-se a todos os níveis da hierarquia social. Num quarto plano de análise, o automóvel é uma obra de arte, ou no mínimo, um artefacto tecnológico de importante dimensão estética, que reflecte de forma particularmente nítida e imediata as oscilações do gosto, expressando numa linguagem paralela e complementar à do traje, do mobiliário e das restantes artes decorativas, a evolução do design e a presença do ornamento, bem como a sucessão de tipologias e de materiais de acabamento. Num quinto plano de análise, o automóvel é um documento histórico que encerra um manancial de pertinentes informações sobre o seu tempo, informações essas que vão da história material a ele associada, até aos acontecimentos por ele protagonizados. Como testemunho da sociedade do seu tempo, o automóvel é um elemento importante na reconstituição do ambiente de determinadas épocas, sendo a sua capacidade evocatória, nesse domínio, evidente, por exemplo, no cinema, usando e abusando os cineastas, do automóvel, como meio, por vezes fácil, de gerar esse efeito. Num derradeiro plano de análise, o automóvel, como súmula do que já foi referido, é uma peça de colecção e um objecto museal que carece de ser encarado e estimado como bem patrimonial que é, e que como tal deve ser conservado, investigado, promovido e divulgado, para “educação e deleite” de toda a comunidade. Na perspectiva do investigador, o automóvel é um bem cultural que merece, tanto quanto outro qualquer, manter viva a sua memória, e ocupar o lugar a que tem direito, no âmbito do legado cultural alargado, que cada vez mais a adopção de uma noção abrangente de cultura implica. José Guilherme Abreu Fevereiro de 1996

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A Exposição Da panóplia ao discurso expositivo

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não se exibem todas as peças de determinada colecção. de antemão. o qual no presente caso só poderia ser entendido por uma reduzida e. . que a exposição tão claramente ilustra. sobre as quais posteriormente deverá ser exercido um trabalho de selecção. os objectos falar. é então assinalar os nexos e as relações que eles entre si estabelecem . em virtude da sua especialização técnica. dentro dos quais se pode observar uma relativamente óbvia uniformidade. pois como diz Kenneth Hudson.nexos e relações essas que a investigação realizada logrou desvendar. É com base nela que procedemos à descrição e à inserção de cada automóvel na sua época. Uma colecção. paragens súbitas e duradouros períodos de estabilidade.V. cujo valor e interesse museológico exigem especiais cuidados de conservação. agrupamento. e ordenam-se da seguinte forma: Categorias da FIVA Código A B C D E F Designação Pioneiros Veteranos Vintage Pós-Vintage Pós-Guerra Pós-1960 Período até 31/12/1904 de 1/1/1905 a 31/12/1919 de 1/1/1920 a 31/12/1930 de 1/1/1931 a 31/12/1945 de 1/1/1946 a 31/12/1960 de 1/1/1961 a 31/12/1971 Desta periodização deverá o visitante estar consciente. que fale por si só. que reforce e interprete o seu infindável potencial didáctico.I. Fazer os objectos falar. cultural ou científico. fortíssimos condicionalismos históricos de índole económica e cultural determinaram a definição destas categorias. Escrever sobre uma exposição é tornar explícito e concreto esse discurso. Para o restante público. São esses períodos aquilo que se convencionou designar por Categorias da F. essa evolução conheceu saltos formidáveis. com o objectivo de promover a sua contextualização histórica. antes a confirmam. 17 . por assim dizer. mas apenas aquelas que são imprescindíveis ao discurso expositivo que se pretende criar. Uma colecção é fundamentalmente uma panóplia de peças soltas. não foi o resultado de um processo ou progresso exclusivamente tecnológico de ritmo homogéneo. mais ou menos acelerado. e pareça remar contra a maré dos tempos. Essas categorias correspondem a cronologias específicas. não é uma série organizada e coerente de objectos. em exposição. tal com a excepção confirma a regra. “Toda a exposição deve contar uma história”. para assim ultrapassar o plano meramente descritivo das peças. já esclarecida franja de connaisseurs. Presidente do Prémio do Museu Europeu do Ano.Toda a colecção museal é um somatório mais ou menos caótico de peças. embora não nos possamos surpreender se aqui e além um ou outro elemento excêntrico ou marginal ignore esses mesmos condicionalismos. A criação humana escapa efectivamente a toda e qualquer determinação absoluta. Por isso. Pelo contrário. é talvez importante começar por mostrar que a evolução do automóvel. de estudo e de restauro. Como veremos. e entre si revelam afinidades e disparidades fundamentais. ao percorrer a exposição. relacionando-o tipologicamente com os outros que pertencem à mesma categoria. por princípio. que tem como justificação última a exposição e divulgação públicas. organização e (re)criação.A. fazendo. e como tal essas circunstâncias excepcionais não podem pôr em causa esta estrutura de interpretação.Fédération Internationale des Voitures Anciennes.

em nossa opinião. cada modelo é antes de mais um documento histórico. rodas/jantes. etc. tampas do radiador. não se tratando a presente exposição de um Concurso de Restauro e Elegância. não se trata aqui de diminuir o valor do restauro. é importante ter presente que ao abordar museologicamente o tema do automóvel. o que mais importa valorizar é a importância e a necessidade da preservação. cada unidade não é uma peça única. relativamente ao período posterior à II Guerra Mundial. Numa perspectiva museológica. os objectivos e os critérios que a inspiram situam-se num plano distinto do da estrita avaliação da autenticidade e da genuinidade de cada modelo face ao original. Prestígio e Divulgação . para a elaboração do Catálogo decidimos não considerar o habitual agrupamento de classes . recorre também a uma metodologia similar. em parte. inserido na história da marca e do modelo a que pertence. diga-se o que se disser. Como os especialistas hão de notar.Ao confrontarmo-nos com a necessidade de definir uma metodologia que pudesse auxiliar e orientar a elaboração do catálogo da presente exposição. Muitos aspectos que gostaríamos de abordar e desenvolver. estudado a dois níveis: em primeiro lugar situando-o dentro da sua respectiva categoria. mas sim um exemplar de um modelo genérico. Aliás. porém. referindo factos. revelando uma mentalidade e uma maneira de fazer eminentemente culturais.faróis. e que influenciaram a sua ornamentação ou concepção formal. o Modelo e o Veículo.Masters. como objecto museal o automóvel tem ainda pela frente um longo caminho a percorrer. o autor se distancie dela. por assim dizer. no caso do automóvel. A verdade. preferimos privilegiar a contextualização histórica geral. Ao contrário. carroçarias. confrontando a ornamentação de determinados elementos que o integram . e nesse particular toda a intervenção de restauro se encontra à partida datada e é culturalmente significante. Em síntese. cada automóvel será. poderia garantir uma abordagem objectiva e reconhecida pelos especialistas desta matéria. e menos ainda no da determinação da excelência intrínseca de cada um dos modelos expostos. em número de quatro: a Categoria da FIVA. logotipos das diversas marcas. e nunca será de mais louvar aquilo que o coleccionador ao longo dos anos tem feito pela conservação da memória do automóvel. Obviamente. tendo presente que. em Automóveis Antigos de Portugal. de maior ou menor divulgação. que provavelmente só iria ter utilidade para um público restrito. muito embora. materiais de acabamento. culturais. João Lopes da Silva. espelhos retrovisores. relacionando a sua produção e utilização com os fenómenos económicos. como por exemplo o estudo da evolução estética do automóvel. depois. que sendo bem sucedido pode. sociais e políticos que se registaram ao longo da sua história. comparar-se a uma verdadeira obra de arte. buzinas. não pode ser encetado.com os sucessivos repertórios decorativos ou estéticos que cronologicamente conviveram com os diferentes modelos e etapas evolutivas do automóvel. . os quais são. separadamente. Nesta ordem de ideias. pareceu-nos que o recurso à periodização subjacente à definição das Categorias da FIVA.dentro de cada categoria. nomeadamente. portanto. em vez de enveredarmos por um estudo. é que. europeia. caracterizando as diferentes fases evolutivas por que passou o automóvel. ao todo. de nível universitário. como forma mais fidedigna de salvaguardar as características originais dos artefactos. em virtude da grande especialização e muita pesquisa que um estudo dessa natureza iria requerer. a Marca. Antes de terminar. acontecimentos e fenómenos que marcaram a realidade nacional e local e inserindo a problemática nacional que se lhe encontra associada nos contextos e movimentos mais vastos e integrantes da história universal e. Por um lado. importa paralelamente distinguir e considerar diferentes planos de análise. 18 . importa referir que elaboração do presente catálogo teve de se confrontar com grandes limitações de tempo. mais do que o restauro que constitui sempre uma intervenção de último recurso.

e dos 11º e 12º anos do ensino secundário. tentámos articular os temas abordados. a realizar na aula. com bom proveito poderá ser utilizado como auxiliar de uma síntese final. por forma a abranger um público o mais vasto possível. Pelo contrário. preocupámo-nos em não produzir textos demasiados técnicos nem demasiado longos. após realização do programa de visitas guiadas que organiza o Serviço Educativo do museu. por marcação prévia. não é exclusivamente a um público especializado que este catálogo se dirige. 19 . com os conteúdos curriculares dos programas da disciplina de História dos 8º e 9º anos de escolaridade do 3º ciclo do ensino básico. com a orientação do professor. Ainda assim. julgamos que o presente catálogo. sempre que possível. Neste particular.Apesar do respeito pelo trabalho de rigor.

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100 Anos de História 21 .Catálogo da Exposição O Automóvel em Portugal .

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Benz Dreirad III 1.Citroën C6 11.Jaguar E 4.Minerva A Minervette 4.3 L Sallon 17.Porsche 356/B-1600 S Cab.Jaguar XK 150 FHC 32.Mercedes Benz Manheim 12.Maserati México 37.Jaguar SS 100 .Lotus Elan Sprint 38.Dodge Touring 6.Bugatti Galibier 57 19.Panhard & Levassor 2.Aston Martin DB6 36.Rolls Royce 20.100 Anos de História” 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 26 27 28 29 30 11 12 13 14 15 35 34 33 32 31 10 9 8 7 6 36 37 38 39 40 1 2 3 4 5 Loja do Museu Legenda Percurso a efectuar Recepção 0 0.Plymouth P 8 18.Bentley Mark VI 28.246 GTS Spider 40.Rolls Royce Phantom II 14.0 CS 39.Citroën 7C 21.Talbot T 23 20. 31.Riley 1 1/2 Litre RMA 24.Chrysler . 25.Willys MB 22.25 Hp 13.2 Roadster 35. 33.Bugatti 35B 10.Citroën ID-19 P Confort 34.Ferrari F40 Os automóveis seleccionados para integrar a exposição são apresentados por ordem cronológica.Mercedes 300 SL 30.Volkswagen Sedan 11 26.Austin A 135 Lim.Phaetom 8.Ford Crestline Sunliner 29.“O Automóvel em Portugal .Chrysler Roadster 9.Alfa Romeo 6C 2500 27.Delage Co 7. Pioneiros 23 .Studebaker Champion 16.Hurtu Break 3 Hp 3.Lancia Aurélia Cab.BMW 3.3 1/2 L 15. Princ.Alvis 4.Ford T .MG TC 23.“Lion” Peugeot 5.Ferrari Dino .

1952 Bentley MK 6 -1953 Ford .1960 Porsche .0 Cs -1973 Ferrari .356 B 1600 Cabriolet (T5) -1960 Pós-1960 Jaguar Type E .1942 Pós-Guerra MG .Elan Sprint .SS 100 31/2l -1938 StudeBaker .F 40 .Sedan 1.7 C .1911 Dodge .20/25 .1904 Veteranos Lion Peugeot .1935 Jaguar .1959 Citroën .Crestline Sunliner .35 B .1966 Maserati México -1968 Lotus .1932 Rolls-Royce .Touring .T 23 .1971 Extra Categorias BMW .DB 6 .6 C 2500 SP .Midget TC .1954 Mercedes-Benz .1895 Hurtu .Mannheim .MB .300 SL Gullwing .1886 Panhard & Levassor .XK 150 FHC .1939 Bugatti Galibier 57 -1939 Talbot .Phaeton .1947 Lancia .1940 Willys .Aurélia Cabriolet .3.3 L Saloon -1939 Chrysler Plymouth .1930 Citroën 6 C -1930 Pós-Vintage Mercedes-Benz .1939 Citroën .1951 Volkswagen .1929 Bugatti .1973 Ferrari .Roadster .1947 Riley .1924 Chrysler .1955 Jaguar .1934 Rolls-Royce .1991 24 .Minervette .1952 Alfa-Romeo .1965 Aston Martin .A 135 Princess .Torpedo Tipe V2 C3 .1939 Alvis .Phantom II .1920 Ford T .Dino 246 GTS Spider .1954 Austin .CO .1 .1898 Minerva .ID 19 P Confort .Benz-Dreirad .4.1916 Vintage Delage .

Pioneiros (até 31/12/1904) 25 .

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Como Eça de Queirós observava do seu consulado parisiense em 1880. a partir dos meados do século XIX. com todos os seus vastos órgãos funcionando poderosamente. foi expulso quando disse que tinha trazido um automóvel com ele. ficou. fervilhando. Os peões detiveram-se. e de fábricas fumegando com ânsia. Construídos principalmente em madeira. e de mercados onde se despejam os vergéis e lezírias de trinta províncias. como os restantes. tramways. essa foi uma idade dourada marcada por uma irradiante alegria de viver. de fios de telefones. no sul do País de Gales. Nem este meu supercivilizado amigo compreendia que longe dos armazéns servidos por três mil caixeiros. Mary’s Street. pela crença no progresso contínuo da humanidade e pela superioridade dos valores morais herdados da época vitoriana: respeito pela família. As luzes eram velas ou lanternas a óleo ou acetileno. Como testemunhos mais expressivos dessa época. Em Londres. não possuíam volante e eram guiados como as embarcações mais pequenas. nos planos político. calhambeques. por outro lado. porque o gerente receava que o carro explodisse ou se incendiasse. por meio de uma cana-do-leme. a delícia de viver. carroças. no veio de transmissão ou inclusive no solo.. Mas esses automóveis pioneiros eram ainda muito rudimentares.. de canos de gazes. semelhantes às que eram usadas pelas locomotivas. Eça de Queirós (1845-1900). Em 1897. Uma delas era sem dúvida o automóvel que na Exposição Universal de Paris de 1900 era exibido. e enquanto as pessoas mais requintadas procuravam fingir-se indiferentes. não se separava da imagem da Cidade. Por exemplo. em 1899.] na busca dura do pão ou sob a ilusão do gozo – o homem do século XIX pudesse saborear. como uma das atracções mais sensacionais dos pavilhões dedicados à indústria francesa. [. económico e cultural. surgem as Grandes Exposições Universais que se realizaram em diversas metrópoles europeias.A ideia de Civilização. os mais ligeiros utilizavam rodas semelhantes às das bicicletas. de canos de fezes. e da fila atroante de ónibus. pela confiança nos valores da civilização ocidental. Durante este período. de fios de telégrafos. desataram aos coices quando o viram. Por exemplo. os menos conscenciosos ficaram pasmados a olhar para ele. a ofegar [. num período a que convencionou chamar-se Belle Époque que coincidiu com o apogeu da civilização europeia. parelhas de luxo. plenamente. os travões eram pouco eficazes. a olhar”. Nessas exposições figuravam as mais deslumbrantes criações da indústria europeia. eram veículos extraordinariamente primitivos que tinham o aspecto de insólitas carruagens sem cavalos. que se encontrava material e espiritualmente assegurada pela prosperidade dos negócios.. boquiaberto.. para a burguesia. a mecânica era muito precária. “os cavalos que puxavam um ‘carro americano’ pela St. velocípedes. por baixo e por cima. os primeiros automóveis não gozavam de grande popularidade. os primeiros automobilistas tinham de suportar as injúrias e os gritos dos condutores de caleches cujos cavalos frequentemente se assustavam com o ruído dos automóveis. puritanismo e dedicação ao trabalho. Um polícia que se aproximou para dispersar a multidão que entretanto se havia juntado. Esta reacção dos Galeses pode contudo considerar-se muito moderada se comparada com a dos ingleses. actuando directamente nas rodas de trás.] e de fundas milhas de ruas. e de bancos em que retine o ouro universal. de uma enorme Cidade. segundo descreve uma revista local. inventando com ânsia. um condutor registado num importante hotel de Hastings. para Jacinto. cortadas. Comparados com os modernos. A Cidade e as Serras O automóvel surge num contexto histórico socio-culturalmente identificado com os padrões da mentalidade burguesa. Ao contrário do que acontece actualmente. Não admira portanto que nesta altura o automóvel por muitas pessoas fosse encarado como um “instrumento do demónio”! 27 . quando pela primeira vez foi visto um automóvel em Cardiff. e de dois milhões de uma vaga humanidade. Rostos vieram espreitar à janela.

refere o caso passado em 1899 de um condutor chamado Jeal. como os chapéus altos dos primeiros e os vestidos e chapéus leves e elegantes das suas graciosas acompanhantes. o motor tinha de ser accionado manualmente. Além disso a vida não era fácil para os condutores. Depois de ligado o motor. menos de 20 Km/h.Aliás.. gorros. recipientes para água e gasolina e até um machado para cortar troncos para ajudar a desembaraçar os carros. que foi condenado a pagar uma multa de £3 e os custos relativos a 21 dias de prisão. rodando o volante. Nas subidas mais íngremes era-se obrigado a sair e a empurrar o carro. Durante as deslocações os furos eram bastante frequentes. não somente por causa da fraca qualidade dos mais antigos pneus de borracha. haviam sido aprovadas no Parlamento inglês. mas outras vezes o único remédio contra o frio consistia em cobrir as pernas com uma espessa manta. uma vez que era difícil encontrar abastecedores. pelo que. ou então tentar subir às “arrecuas”. o que era motivo também de troça por parte dos caricaturistas. nas cerimoniosas corridas dos Reais Clubes do Automóvel. luvas. portanto. procedendo a todas as regulações necessárias ao seu bom funcionamento. para o condutor tinha o inconveniente de lhe limitar os movimentos. Por tudo isto. Ligar o motor de um automóvel era uma tarefa complicada e por vezes bastante penosa! A regulação dos valores da mistura devia ser feita em função das condições atmosféricas e claro está. Como praticamente não existiam estações de serviço. Nos primeiros automóveis os passageiros não se instalavam dentro dele. ao frio. devendo o automóvel ser precedido de um peão transportando uma bandeira vermelha. As penas aos transgressores eram pesadas. eles eram obrigados a proceder a todas as reparações. o condutor era obrigado a cumprir numerosas tarefas fundamentais. O carburador tinha de ser enchido.. mas também devido à existência de muitos pregos nas estradas. uma vez que a marcha-atrás era normalmente mais desmultiplicada. ou seja. que os comparavam a esquimós. ficando assim expostos ao vento. durante a época vitoriana várias leis. acusado de circular a uma velocidade de 12 milhas/h. e fazer-se acompanhar de uma autêntica bateria de ferramentas. peças sobresselentes. eram de todo impróprios para a condução e o passeio automóvel. quando estes se atolavam nas estradas lamacentas. E claro está que os trajes que os cavalheiros e as damas eram obrigados a usar. e por isso nas primeiras corridas que se realizaram. por exemplo. por meio de uma seringa. os condutores eram sempre acompanhados dos seus mecânicos que se ocupavam de vigiar o comportamento do motor. Um dos estratagemas por vezes usado. como a Red Flag Act. que eram soltos pelas ferraduras dos cavalos. De acordo com essa lei. e as deslocações que se realizavam eram fundamentalmente agradáveis passeios e não tarefas utilitárias. andando de trenó. 28 . usar roupas espessas e quentes: sobretudos. Além de dirigir o veículo. mas sobre ele. até à eclosão da Grande Guerra. quando não existia uma manivela. enquanto no resto da Inglaterra unicamente vinte e nove. a condução era também uma operação complexa. e por vezes era necessário introduzir gasolina no cilindro. muitos foram os costureiros que procuraram criar e lançar aquilo que poderá designar-se como moda automóvel. Uma especial atenção devia ser consagrada às reservas de combustível. existiam apenas quatro. não era permitido circular a uma velocidade superior a 2 milhas no interior das cidades e 4 milhas na província. Era necessário. era colocar folhas de papel por dentro dos casacos. às poeiras e. com o objectivo de contrariar o desenvolvimento do automobilismo que era identificado como “uma loucura dos franceses”. tais como regular a torneira de lubrificação. o automobilismo era durante este período considerado um desporto e um passatempo. óculos protectores e botas que resguardassem os passageiros das condições atmosféricas. Uma notícia na revista The Autocar. Em Londres por exemplo. se era bom para os passageiros. no ano de 1899. Tinham de compreender o funcionamento dos motores. o que.

Richmond (EUA) Hertz (Al.) Tellier (Fr. com alguns altos e baixos.) Gramme (Fr. tirando partido da tendência económica favorável de longa duração. Foram esses “cachos de invenções” os seguintes: Principais Inventos Técnicos da 2ª Metade do Século XIX Datas 1854 1856 1858 1859 1860 1867 1868 1870 1872 1876 1879 1880 1883 1884 1886 1888 1890/1900 1893 1895 1897 1903 Inventos Descoberta do alumínio Fabrico do aço industrial Motor de explosão a gás 1º poço de petróleo Processo de fabrico da soda Frigorífico / Máquina de escrever os 1 corantes artificiais Gerador eléctrico Dínamo Telefone Lâmpada eléctrica de filamento Fonógrafo Transporte de electricidade à distância Fibras têxteis artificiais Automóvel com motor de explosão Pneu. do Comércio e da Indústria do 29 . dado o seu atraso em relação ao arranque e desenvolvimento das indústrias europeias.). neste período. 1º automóvel moderno / aspirina Cinematógrafo Motor de combustão 1º voo aéreo Autor/Nacionalidade Deville (Fr.) Lenoir (Fr.).) / Schole (EUA) Groebe (Al. por outro lado. conheceu o sistema capitalista.F.) Diesel (Al.).S.O aparecimento do automóvel. que anteriormente havia sido iniciada com a invenção da máquina a vapor.) Bell (EUA) Edison (EUA) Edison (EUA) Marcel Deprez (Fr. a partir dos meados do Século XIX.) Drake (EUA) Solvay (Bélg.) Siemens (Al. e cuja imagem mais paradigmática facilmente se reconhece no desenvolvimento expansivo do caminho-de-ferro. Marconi (It. A esse período de modernização e de relativa prosperidade chamamos Fontismo.) Irmãos Wright (EUA) Portugal. por referência a Fontes Pereira de Melo. conheceu igualmente uma conjuntura económica favorável.) Bessemer (Ing. proeminente ministro das Obras Públicas.) Panhard (Fr.) Chardonnet Fr. Esta segunda fase do processo industrial seria desencadeada por novos “cachos de invenções”. que se sucederam em catadupa. Daimler (Al) Dunlop (Ing. coincide ainda com o advento de uma nova fase do processo de industrialização: a 2a revolução industrial que sucedia à chamada era do carvão e do ferro. apesar de não existirem condições materiais para o país assumir um papel interventor no processo de renovação industrial.) Lumière (Fr. que a partir dessa data e até finais do século. 1º carro eléctrico T.) / Bayer (AL.) Benz (Al.

período da Regeneração, que o pronunciamento militar do Duque de Saldanha, no Porto, em Abril de 1851, havia inaugurado. Apostado em traçar um rumo de modernização, Fontes Pereira de Melo, por assim dizer, chamou o capitalismo industrial para o nosso país, e criou as infra-estruturas indispensáveis ao seu desenvolvimento, dando, tal como no passado recente, particular atenção à construção e ao melhoramento das vias de comunicação: caminho-de-ferro, estradas, pontes e portos. Dessa política viria a beneficiar substancialmente o desenvolvimento do automobilismo em Portugal. Só em relação à construção de estradas macadamizadas, registou-se um crescimento notável, como se pode verificar no seguinte quadro:

Expansão das estradas macadamizadas

Anos
1852 1869 1885 1890 1895 1900

Extensão (em Km)
218 3.080 9.727 11.125 12.882 14.230

Em Portugal, no período correspondente aos automóveis pioneiros, o cenário não deveria ser muito diferente, portanto, daquele que se verificava nas restantes nações europeias, à excepção do número de viaturas em circulação, que deveria ser entre nós, em termos percentuais, consideravelmente menor do que, por exemplo, em França, onde cedo o automobilismo conheceu uma rápida divulgação, muito embora a aquisição de um Panhard por D. Jorge de Avillez, em 1895, tenha colocado o nome de um português entre os pioneiros do automobilismo mundial. Concebido e produzido por engenheiros e industriais quase sempre provenientes da burguesia com as excepções mais flagrantes do Marquês de Dion e de Ettore Bugatti, ambos movimentandose nos meios aristocráticos - o automóvel foi recebido entusiasticamente pela aristocracia e realeza nacionais, e, à semelhança do que acontecia, então, na Europa, em Portugal, no ano de 1903, seria criado o Real Automóvel Clube de Portugal, presidido por D. Carlos, e cujos estatutos atribuíam ao Infante D. Afonso, que participara e ganhara a primeira prova automobilística realizada no ano anterior no nosso pais, o cargo de Presidente vitalício da Mesa da Assembleia Geral. João Lopes da Silva, em Automóveis Antigos de Portugal, refere alguns valores relativos ao número de veículos importados em Portugal, durante os primeiros anos do nosso século. São eles os seguintes:

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Automóveis importados em Portugal

Ano
1900 1901 1902

Número
13 20 51

Valor total
16.000$000 38.000$000 -

Cedo, se realizariam também as primeiras proezas. Em 1897, ao volante de um Peugeot equipado com motor Panhard, o Dr. Tavares de Melo completava aquela que viria a ser a primeira deslocação automóvel de longo curso: uma viagem entre Coimbra e a Guarda, cujo trajecto levaria 16 horas a ser percorrido. Um artigo da Revista Ilustração Portuguesa de 1903 noticia a construção de carroçarias no nosso país, na oficina de Mr. Albert Beauvalet, representante da Peugeot em Portugal. Apesar do que já foi dito, no início do século o automobilismo em Portugal era um passatempo perfeitamente marginal no contexto do nosso país, e durante todo o ano de 1904, a mesma revista não regista qualquer referência ao automóvel, a não ser uma relativa a um veículo de utilização exclusivamente militar. A era dos Pioneiros terminaria em Portugal com o concurso de habilidade de condução automóvel, organizado pelo Sporting de Cascais, na qual uma vez mais o Infante D. Afonso se destacou, sendo muito aplaudido.

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o triciclo de Benz circulou pela primeira vez num domingo dia 28 de Junho de 1886. sendo igual ao modelo utilizado por Bertha Benz e pelos seus dois filhos na viagem histórica entre Mannheim e Pforzheim. com travão accionado por alavanca actuando no veio de transmissão. a Mercedes-Benz construiu algumas réplicas do protótipo Benz. com transmissão do movimento por correia de couro ao veio de transmissão e por corrente metálica deste às rodas traseiras. Produção em série inicia-se em 1894. montado em chassis de ferro tubular e dirigível por meio de uma cana-de-leme.1886 Benz Modelo: Dreirad III (réplica) Categoria: Pioneiros País de origem Carroçaria No de cilindros Alemanha Aberta 1 Matrícula No do chassis Cilindrada 1660 cc Cor No do motor Velocidade máxima 16 Km/h Descrição: Triciclo de dois lugares de rodas metálicas raiadas tipo bicicleta com finos pneus de borracha maciça. com o modelo «Velo» que alcançou considerável êxito comercial. História do Modelo: Com patente registada em 29 de Janeiro de 1886. em Agosto de 1888. o que só viria a acontecer em 10 de Novembro desse ano. equipado com motor de benzina a quatro tempos de ignição eléctrica. antes de Daimler ter conseguido fazer andar o seu Einspur. data em que se fundiu com a Daimler Motoren Gesselschaft. a Benz & Cie Rheinisch Gasmotorenfabrik. no Ring de Mannheim. conservado no Deutsches Museum de Munique e posteriormente autorizou o fabricante John Bentley & Sons Ltd de Batley a reproduzir fielmente o modelo. fundada por Gottlieb Daimler (1834-1900). História da Marca: Fundada em 1883. A fabricação deste modelo estendeu-se até 1892 em número de 25 unidades. 33 . teve como director geral Karl Benz (1884-1929) até 1926. História do Veículo: Em 1986. para satisfazer a pedidos de vários museus.

em Ivry. substituição da cana do leme por um volante e durante a Grande Guerra. nos arredores de Paris. adquirida pelo Conde de Avillez. sendo pautado como máquina agrícola: “carroça com motor a vapor de gasolina”. Jorge vendeu o Panhard ao Sr.1895 Panhard & Levassor Modelo: Tipo 1894 Categoria: Pioneiros País de origem Carroçaria No de cilindros França Aberta 2 em V Matrícula No do chassis Cilindrada 1290 cc Cor No do motor Velocidade máxima Preta 494 30 km/h História da Marca: Responsável pela produção dos primeiros automóveis com características modernas. caixa de velocidades e suspensão. Panhard et C . o que viria a acontecer em Julho de 1890. Levassor é então encorajado pela sua mulher a construir um automóvel para aquele motor. por troca de um Decauville a João Garrido. Mariano S. com descrição mecânica e de utilização. Com cinco unidades fabricadas em 1891. com a condição de não deixar o Porto. A Panhard & Levassor manter-se-ia em laboração até 1967. Américo Araújo. fundou ie juntamente com Perrin a Société Perrin. pelo Sr. adquirido pelo IV Conde de Avillez D. Jorge à firma de Ivry em 1895. Para a sua promoção foi publicado em 1892 um catálogo a cores. acabando uma delas por vir para Portugal. a Monsieur Verlinde de Paris. o Tipo 1894 vinha já equipado com embraiagem. Em seguida viria a sofrer várias modificações (redução do diâmetro das rodas e substituição dos aros de ferro por pneus Dunlop. René Panhard (1841-1908). da Garagem Auto-Palace. Em 1895. Pouco antes de falecer. História do Veículo: Primeiro automóvel português. de Medeiros. vindo a ser habilmente restaurado à sua condição original. História do modelo: Produzido entre 1891 e 1895. brevetado em 1886. que depois de preparado por Manuel Ferreira o vendeu por 300 mil reis e enviou por barco para o Porto. ano em que o engenheiro formado pela École Centrale de Paris. após o falecimento de Perrin em 1886. esta obtém de Gottlieb Daimler a concessão da licença de fabrico do novo motor a petróleo. para a qual entraria Émile Levassor (184497). após Benz e Daimler se terem desinteressado do seu fabrico. D. a origem da Panhard & Levassor remonta a 1873. sendo posteriormente adquirida pela Citroën. o primeiro automóvel seria vendido a 30 de Outubro de 1891. substituição do sistema de “brüleurs” por velas). 34 . a produção cifrava-se em 74 unidades. Nos anos cinquenta o carro foi oferecido por João Garrido filho ao ACP. Entrou em 12 de Outubro na Alfândega de Lisboa. alteração do capot do motor. Depois de Levassor casar com Louise Sarrazin. devido a problemas financeiros causados pela crise cíclica de 1890.

Possui quatro rodas com aros e raios metálicos revestidas com uma fina tira de borracha maciça. com uma leve cobertura de tecido de tipo dossel. construída em madeira e montada sobre chassis de ferro. Participou no 1º Concurso de Restauro. nem sobre a marca e o modelo em questão. e equipadas com suspensão por lâminas de aço.1898 Hurtu Modelo: Break 3 HP Categoria: Pioneiros País de origem Carroçaria No de cilindros França Aberta 1 Matrícula No do chassis Cilindrada 1. no Porto. começou por produzir máquinas de costura. assente sobre uma estrutura metálica. História da marca: A Hurtu como tantos outros fabricantes de automóveis. não nos foi possível localizar e recolher mais dados e informações seguras sobre este veículo. 35 . depois bicicletas e a seguir automóveis. bem como falta de tempo para encomendar literatura especializada do exterior.026 cc Cor No do motor Velocidade máxima Castanha 25 km/h Descrição: Carruagem sem cavalos com lotação para cinco passageiros em carroçaria arredondada à frente de tipologia vis-a-vis e simultaneamente dos-a-dos. A coluna de direcção é vertical e termina num volante provido de um manípulo de rotação. Como acessórios possui um único farol de acetileno e uma buzina tipo corneta. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. História do modelo: Não dispomos de informações específicas sobre este modelo História do veículo: O presente automóvel é único no país e supõe-se ser presentemente o 2º mais antigo existente em Portugal. Foi nesta fábrica que viria a iniciar-se Alexandre Darracq no fabrico de bicicletas. apoiada sobre a carroçaria por meio de cinco hastes também metálicas. Nota: Devido a lacunas bibliográficas das Bibliotecas e Livrarias que por nós foram pesquisadas. Elegância e Conforto.

a empresa emprega 16. com a Guerra a empresa cessou a sua produção de turismo. dois holandeses de Amsterdão emigrados em Antuérpia. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. a fábrica passaria a produzir motocicletas para aqueles motores. em alusão à deusa romana protectora dos artesãos. Como curiosidade o motor foi encontrado a tirar água de um poço e o eixo da frente equipava uma pequena carroça de entrega de encomendas ao domicílio. Elegância e Conforto. com a Panhard-Levassor e com a Mercedes-Benz. Em 1900. que só fabricava chassis. Só se conhecem três exemplares deste modelo em todo o mundo. ditos “sem válvulas” ou “de camisas”. começaria por ser uma fábrica de bicicletas que dois anos mais tarde produzia já 100 unidades por semana. que também tinham adoptado essa solução. Em 1939. passando a concorrer com a Rolls-Royce. A partir de 1908. Em 1922.000 unidades. foram necessários quatro anos para a sua reconstrução. 36 . em 31 de Dezembro de 1931 História do modelo: Hoje extremamente raro. para tanto constituindo-se a empresa Minerva Motors S. a firma obtém a licença para produzir motores Knight. no Porto.A. mais silenciosos que os convencionais. que são exportadas para todo o mundo. a actividade termina definitivamente. a marca apresentava elevados padrões de qualidade. Participou no 1º Concurso de Restauro. Em 1957. e após o armistício ela é retomada coma a produção de Jeeps e veículos comerciais. devendo os seus clientes a seguir encomendar as carroçarias a seu gosto. ao contrário da Rolls-Royce. e o edifício-sede é demolido e os terrenos loteados. a firmas especializadas. depois de se tornar representante da Dion-Bouton. fabricando motores e carroçarias para os seus automóveis. Em Portugal existiam 279 veículos registados desta marca. História do veículo: Adquirido em peças soltas.000 operários e a produção anual atinge as 2.1904 Minerva Modelo: A Minervette Categoria: Pioneiros País de origem Carroçaria No de cilindros Bélgica 1 Matrícula No do chassis Cilindrada 830 cc Cor No do motor Velocidade máxima Castanha 148 25 km/h História da marca: Fundada em 1897 por Sylvain de Long e o seu irmão. Quer em relação à mecânica como à estética.

Veteranos (de 1/1/1905 a 31/12/1919) 37 .

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Francisco. relativamente aos seus predecessores os modelos agora deixam de se parecer com carruagens sem cavalos e tecnologicamente os motores tornam-se cada vez mais potentes. Aí tiveram lugar até 1938 as mais audazes proezas dos grandes ases do volante.Os automóveis por esta altura começam a sofrer algumas alterações significativas. à média de 104. Em primeiro lugar. No ano de 1907 realizou-se. 39 . e à medida que os automóveis começavam a atingir velocidades mais elevadas. em Fiat. o Itala entrava triunfalmente em Paris. um Spyker holandês. percorrendo um trajecto de trinta e oito mil quilómetros. as 500 Milhas de Indianapolis tornar-se-iam uma das competições automobilísticas mais espectaculares de todo o mundo. ainda hoje assombroso: conduzir durante vinte quatro horas seguidas um Napier de 6 cilindros. no ano de 1911 os americanos construíram em Indianapolis um autódromo com curvas adaptadas a altas velocidades. e somente vinte e um dias mais tarde terminariam os Dion-Bouton e o Spyker. o raid Nova Iorque-Paris. cujo trajecto inicial compreendia a passagem pelo Alasca e a travessia para a Rússia. assiste-se à realização de provas desportivas e pouco a pouco vão sendo criadas as condições e as motivações necessárias à prática do automobilismo. um ano antes. O vencedor desta incrível proeza foi um concorrente norte americano. ao volante de um Thomas Flyer. Para ultrapassar essa dificuldade. Em 1906. o país não ficou indiferente aos avanços do automóvel e às novas velocidades que este era capaz de atingir. Com uma frequência cada vez maior.000 quilómetros com o único impulso do seu motor movido a gasolina”. que viria a desistir pouco depois do início. revolução republicana e participação na Primeira Grande Guerra. demorando no total 168 dias. seguindo depois os seis concorrentes de barco. na Inglaterra as estradas não podiam ser utilizadas para a realização de corridas. para o qual concorreram dois Dion-Bouton franceses. F. foi protagonizado pelo inglês S. Em Inglaterra mesmo após a realização da Liberation Run (1896) que marcou o início do automobilismo e a revogação da Red Flag Act. continuava a existir uma limitação drástica da velocidade de circulação dos automóveis nas estradas: 22 Km/h. Outra proeza ainda maior foi a 12 de Fevereiro do ano seguinte. mas que acabou por se realizar por terra de Nova Iorque até S. o espectacular raid Pequim-Paris. por exemplo. Edge que em 1908 estabeleceu um duplo recorde de resistência e de velocidade. Ao contrário da França. A partir daí. a revista Ilustração Portuguesa noticia a chegada a Sevilha dos portugueses António Praia e Augusto Bruges. permitindo melhorar cada vez mais as suas performances. que “desde Lisboa através de toda a Europa vinha devorando 38. do raid Pequim-Paris.000 km de muitas peripécias. para Vladivostoque e daí para Paris. porém. governo ditatorial de João Franco. O primeiro feito notável realizado nessa pista. o desporto automóvel passaria a assumir um carácter cada vez mais competitivo. Para esses melhoramentos muito contribuíram as provas desportivas. As peripécias maiores acabariam por ser vividas à entrada na Península Ibérica. portanto. o recorde de velocidade seria batido por Felice Nazzaro. Hugh Locke-King um rico comerciante inglês construiu nos terrenos que possuía na floresta de Surrey uma pista especialmente destinada à realização de provas e competições automobilísticas: Brooklands. à velocidade incrível de 180 Km/h. regicídio. Nos Estados Unidos. ou seja cinco meses e meio. contagiados pela febre da velocidade. Apesar da conjuntura política instável vivida em Portugal nos primeiros decénios do século XX agitação republicana. um Itala italiano e um motociclo Contal também francês. Decorrendo entre 10 de Junho e 10 de Agosto. dia de aniversário do Presidente Lincoln. após cerca de 16.6 Km/h! Nesse mesmo ano. protagonistas da “aventurosa viagem” entre Lisboa e Constantinopla (actual Istambul) e volta. através das águas geladas do Estreito de Bering. num “magnífico automóvel Dion-Bouton”. surtos grevistas.

Desta época automobilística. sendo substituído pelo republicano Automóvel Clube de Portugal. onde acabariam por pernoitar. na qual foi vencedor o Fiat 24/40 de Henri Bleck. após terem conseguido desatolar o carro. com a aplicação de placas de azulejo. seria construída a Garagem Auto-Palace de Lisboa. Começa então o esforço de sinalização das estradas do país. tendo Afonso Costa já no ano de 1906 adquirido na Garagem Auto-Palace. prosseguindo no dia seguinte. e a caminhar alguns quilómetros a pé até à aldeia mais próxima. não se escusa a tecer elogios à sua nova aquisição. onde já não havia neve. Nesse mesmo ano realizar-se-ia. de Coimbra chega-nos a notícia das primeiras carreiras de transportes públicos. Em 1914. um Brasier de 16 HP. se encontra classificado como edifício de utilidade pública. realiza-se no Porto o I Salão Automóvel do Palácio de Cristal. a prova de velocidade Km Lançado de Valada. Com a implantação da República. ainda hoje existente.com os dois participantes a serem surpreendidos por um fortíssimo nevão nos Pirinéus que os obrigou a abandonar o carro. pilotado por José Aguiar. na exposição encontram-se os seguintes modelos: 40 .5 Km/h. orgulho da civilização contemporânea”. completamente atolado na neve. e em resposta a uma solicitação dessa empresa. e em 1911 torna-se obrigatória a matrícula em todos os automóveis. Em primeiro lugar é extinto o áulico Real Automóvel Clube de Portugal. com a ajuda de quatro cavalos “que conduziram a passo até Ribas. Ainda em 1906. algumas mudanças ocorrem com relação ao enquadramento jurídico do automobilismo em Portugal. no Ribatejo. onde são expostos perante uma população entusiasmada os automóveis que haviam participado no II Circuito do Minho. aquella maravilha da mechanica. No ano seguinte. realizado no ano anterior. cujo prédio da Rua de Alexandre Herculano. O novo regime político não desdenha do automóvel. organizado pelo Real Automóvel Clube de Portugal. que registou a velocidade média de 82. projectado pelos franceses Veillard e Touzet. utilizando “autocarros” com lotação para 20 passageiros.

des Automobiles Peugeot. Beaulieu. em Audincourt. alguns meses depois do sucesso do 1º Panhard. que se notabilizaram em provas de velocidade. Prevê-se a participação deste modelo em Ralis e concentrações de automóveis antigos. A Peugeot seria representada em Portugal pelo engº Albert Beauvalet. passando dez anos mais tarde para a empresa A Contreras L e nos anos trinta para a firma Orey Antunes & Cª da da L que a manteve até 1946. em 1897. tendo desde então percorrido já 150 Km. dois quais foram produzidas quatro unidades. ficou concluído um profundo restauro que incluiu o motor. 41 . mais tarde denominados Lion-Peugeot. Particularmente complexa foi a reinstalação do magneto original. em vez da habitual transmissão por corrente. A Sociedade Les Fils de Peugeot Frères. em Outubro de 1995. comemorativa do 1º centenário da Revolução Francesa. Armand separa-se e funda a S. foi fundada em 1889 por Eugène (18441907) e o seu primo Armand (1849-1915). este modelo utiliza um sistema de transmissão do movimento do motor por cardan às rodas motrizes. aparelhos domésticos e laminagem de aço a frio. encomendado pelo Dr. depois de durante quatro anos se terem dedicado à produção de bicicletas. operação necessária para devolver o veículo à sua condição inicial. a direcção. Em 1910. Tavares de Melo de Coimbra. Lille e Sochaux. A sua primeira criação no ramo automóvel foi um triciclo movido a vapor. as duas firmas voltam a fundir-se sob o nome de S. História do modelo: Como característica mais inovadora.A. ferramentas. Em 1891. Em 1897. patente Daimler. Seria Peugeot o 2º automóvel a entrar em Portugal. que englobava as quatro fábricas de Audincourt. sob licença Serpolet de 2 HP. da a partir de 1899.1911 LionLion-Peugeot Modelo: Torpedo V2 C3 Categoria: Veteranos País de origem Carroçaria No de cilindros França Aberta 2 em V Matrícula No do chassis Cilindrada 1325 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelho e Preto 46 km/h História da marca: Cronologicamente o segundo fabricante mundial de automóveis. sendo desalfandegado em Lisboa. data em que foi substituída pela Mocar. em 1886. uma delas chegando a figurar na Exposição Mundial de Paris de 1889. passando a construir automóveis de concepção própria. iniciaram a produção de um quadriciclo movido por um motor V2. des Automobiles et Cycles Peugeot. L . fornecido por Panhard. a origem da Peugeot remonta a uma ilustre família de industriais franceses que já no século XVIII se dedicavam à tecelagem e no século XIXI ao fabrico de máquinas. os travões.A. a embraiagem e a suspensão. História do veículo: Na posse do actual proprietário desde os finais de 1972.

Absorvida em 1928 pela Chrysler. e foi 88º no rali comemorativo dos 100 anos da Mercedes. no Porto.188 90 km/h História da marca: A Dodge Brothers. faróis eléctricos de lâmpadas de filamento. utilizando a par das habituais lanternas de acetileno. fabricantes de peças de automóveis que em 1903 se haviam associado a Henry Ford para formar a Ford Motor Co. para a qual forneceram. História do modelo: Este modelo vem equipado com instalação eléctrica. altura em que foi restaurado. tendo percorrido cerca de 700 kms. Segundo alguns autores tratar-se-ia do primeiro automóvel a possuir carroçaria inteiramente construída em ferro. A Dodge Brothers durante a sua existência independente caracterizou-se pela construção de modelos robustos de linhas clássicas. Elegância e Conforto. 42 . a sua produção manteve-se ao longo dos anos.1916 Dodge Brothers Modelo: Touring Categoria: Veteranos País de origem Carroçaria No de cilindros USA Aberta 4 Matrícula No do chassis Cilindrada AA-24-77 80.199 3120 cc Cor No do motor Velocidade máxima Verde 136. Participou em grande número de provas do CPAA. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. Participou no 1º Concurso de Restauro. foi fundada em 1914 pelos irmãos John e Horace Dodge. o motor que passaria a equipar o Ford A. realizado na Alemanha. encontra-se na posse do actual proprietário desde 1978. História do veículo: Descoberto num palheiro no Alentejo. ajudando a perpetuar a imagem de opulência e imponência dos automóveis norte-americanos. aliás. depois de 1914 se terem desentendido com a empresa.

Vintage (de 1/1/1920 a 31/12/1930) 43 .

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Hoje Paris. Terminada a guerra. escrevia assim: Eu vivi um tempo ainda próximo em que não se sabia o que era o cinema. as carroçarias deixam de ser vulneráveis às intempéries e à acção do Sol. criando condições propícias à evasão e ao turismo automóvel. Também o automóvel conhece uma importante evolução. Opel. As cidades modificam a estrutura urbana para receber essa antiga “criação do demónio”. Durante os “roaring twenties”. determinada pelo crescimento da influência norte americana. os preços do automóvel tornam-se mais razoáveis.Após a 1ª Grande Guerra. graças à pintura celulósica e aos cromados. Por essa altura. com todos os acessórios incluídos. Esteticamente a nova produção de um modo geral é sóbria. mas em compensação é construída à base de aço. Num contexto profundamente favorável à mudança. A vida boémia e o culto da velocidade. Chevrolet. e este passa a ser acessível às classes médias. e que agora na Europa dava os primeiros passos primeiro em França com Louis Renault e André Citroën e na Itália com a Fiat. Austin Seven. Além do mais. Graças à produção em série e à estandardização. 45 . de imediato novas soluções técnicas e novos equipamentos foram transferidos para as viaturas de uso civil. e cada vez mais prevalecia a ânsia de viver o momento presente. do charlestone e do fox trot. a preocupação dominante deixara de ser portanto o futuro. a indústria automóvel neste período beneficiou largamente dos avanços da indústria bélica. nomeadamente a nível tecnológico. sociologicamente em expansão. tornando-o um elemento omnipresente e indispensável à vida moderna. Mas não é unicamente o contexto histórico-cultural que se altera. Tal mudança caracterizou-se por um acentuado desenvolvimento do convívio mundano. de pneumáticos de baixa pressão e. estão cheios de automóveis. Particularmente importante para os condutores do sexo feminino. em vez de preferencialmente assegurarem o bem estar. passam a ser vendidos em 1919 pelo preço de 7950 francos. Em 1921. Morris Cowley. ficara por demais evidente que os avanços tecnológicos. Lancia Lambda.. inicia-se uma nova era automobilística marcada pela fabricação em massa que nos Estados Unidos havia sido já ensaiada por Henry Ford com o Ford T. contribuíram para a sua popularização. de instalação eléctrica. Esta nova era corresponde ao período de prosperidade e de grande euforia que ficou conhecido como “os loucos anos 20”. o telefone é automático e faz-se desporto. Maurice Sachs. as devastações da Grande Guerra haviam abalado fortemente os valores tradicionais. o automóvel torna-se então uma das sensações do momento. ocorre uma profunda mudança nos comportamentos pessoais e dos hábitos culturais dos europeus. da procura desenfreada do divertimento e da vida nocturna. enquadrando-se este facto perfeitamente no processo de emancipação feminina que se regista neste período. e por toda a parte rasgam-se e pavimentam-se novas estradas. ao som dos ritmos trepidantes do jazz. Inovação importante neste capítulo é a generalização progressiva do sistema de arranque eléctrico do motor. garantido pelas conquistas da ciência e da tecnologia. este melhoramento abria a possibilidade da utilização do automóvel por parte da mulher. em que ninguém se servia do rádio num apartamento em que só os muito ricos tinham automóvel e em que ninguém praticava desporto. e até o campo. Modelos como o Citroën 10 HP.. muito mais facilmente podiam conduzir ao infortúnio e à dor. registados durante o primeiro conflito mundial. dispõe de travões às quatro rodas. caracterizando a sua época. do snobismo. Em primeiro lugar. Com a guerra. Por toda a parte os exemplos sucedem-se: Fiat 501 e 503. e quebrado a confiança num futuro auspicioso.

durante a década de vinte: São eles os seguintes: Evolução do automóvel em Portugal Anos 1920 1930 Número de automóveis 7. assistindo-se numa primeira fase a provas em que participam carros de pouca nomeada. a Vauxhall. e pelo jornal O Século. realiza-se o Quilómetro de Arranque da Avenida da Liberdade. a partir de 1922. neste período. destaca-se entre os demais Ettore Bugatti cuja originalidade e qualidade das soluções mecânicas e estéticas aplicadas. cujo Salão viria a ser realizado. cujo «fagor dos motores fará esquecer o já extinto troar dos canhões». já o Crash da Bolsa de Wall Street em 25 de Outubro de 1929 desencadeava uma profunda depressão económica a nível mundial. equipados com potentes motores. desempenhando crescentes funções utilitárias e sociais. bem marcada a sua passagem por esta cidade. João Lopes da Silva fornece alguns valores que são testemunho do crescimento que o automóvel conheceu em Portugal. à excepção do ano de 1925.000 pessoas. popularizando-se nos círculos restritos da burguesia. claro está. em Lisboa. só seriam restabelecidas em 1919. projectado para ser adquirido apenas por aqueles que se mostrassem “dignos de ter um Bugatti” . o Aston Martin. ao volante de um Mercedes. com a primeira das cidades a ultrapassar a capital no número e no êxito dos certames realizados. pilotados por obscuros condutores. destaca-se a realização de sucessivos Salões do Automóvel no Porto e em Lisboa. porém. e o espectro da crise regressava de novo em força. em Lisboa. as grandes marcas não lhes darão grande importância. talvez pelo facto do Porto possuir um espaço privilegiado para a sua organização: o Palácio de Cristal.500 37. como acontecia por exemplo com o modelo Royale. O seu vencedor foi Abílio Nunes dos Santos que cobriu a distância em 40 3/4 segundos. imagens onde o automóvel está presente. o Sunbeam. Em Portugal. mesmo sem constituir o assunto que se pretende documentar. pondo fim à dolce vita e ao bem estar. Observando fotografias da época registadas nos números da Ilustração Portuguesa de 1924.000 dólares. como no dia seguinte seria noticiado pela imprensa local: 46 .C. por sinal. Também as provas automobilísticas se recompõem da Guerra. cujo custo ascendia a 400.Mas não são unicamente as classes médias a desfrutar deste desenvolvimento. anualmente. é já habitual encontrar. Pouco interessados nelas. o Bugatti. Deixa portanto de ser um elemento marginal e acessório da sociedade. Mas ainda não havia terminado a década. Em 1922. a Hispano-Suiza. prova organizada pelo A. o automobilismo continua a desenvolver-se. nos clichés de Lisboa. em que participaram 30 concorrentes e a que assistiram à volta de 20. apresentam ao público modelos de linhas requintadas. o Talbot e. seria a vez do Quilómetro Lançado da Avenida da Boavista. autênticos monstros de potência. Fabricantes como a RollsRoyce. Logo a seguir. o Mercedes. até 1930. Em breve regressariam os tempos de penúria. Também os aristocratas endinheirados passam a dispor de grande margem de escolha. aparecerão nas pistas os primeiros Fiat’s. e o desemprego e a miséria dariam azo ao furioso despertar dos antagonismos. no Porto. deixando o seu carro. sem o mesmo “brilho”. a Isotta-Franchini. Interrompidas com a Grande Guerra. o Alfa-Romeo. inicialmente. para se tornar num componente importante e procurado nessa mesma sociedade. cujo vencedor seria precisamente o mesmo. Nos finais dos anos vinte. colocam os seus modelos ao nível de autênticas obras de arte. na maior parte das vezes antigos pilotos de aviões de caça. No ano seguinte.ao todo unicamente sete! Outro aspecto a considerar neste período são as competições desportivas. a Delage e a Duesenberg.P. segundo consta.000 A documentar este crescimento. onde se realizariam.

47 . da velocidade média e da potência do motor. solicitando que “à hora da missa e em dias seguidos chamem a atenção dos paroquianos para a doutrina do artigo 9º do Código da Estrada. tratava-se de uma “prova cronometrada onde cada qual parte de onde quer e se concentra num ponto que é Chaves”. abalando ao mesmo tempo as pedras do passeio. Portugal adere à Convenção de Genebra que estipula a obrigatoriedade de circulação pela direita e ultrapassagem pela esquerda. Em 1925. cuja execução começa no próximo dia 1 de Junho”. onde o 1º lugar seria arrebatado por um Bugatti 35 A. O carro quase nada sofreu. a circular enviada a 27 de Maio pelo Conselho Superior de Viação a todos os párocos. com a instauração do Estado Novo cria-se. e seguiu logo para Lisboa. a título de curiosidade. como documenta o Diário de Notícias de 22 de Maio desse ano. No ano seguinte. A nível legislativo. sendo a classificação atribuída em função da distância percorrida. numa época em que o desenvolvimento das comunicações era ainda muito incipiente. onde o Mercedes de Abílio Sousa obtém o 2º lugar. Por essa altura o record do trajecto entre Porto-Lisboa estava nas nove horas e dezassete minutos.Este autêntico carro voador para se desviar de dois eléctricos à noite na Rua dos Clérigos. assiste-se à 1ª prova automobilística realizada no país com carácter de regularidade: o “Rallye Nacional de Automóveis”. em 1927. Essa decisão representou um esforço de informação enorme para o país. Nessa mesmo ano realizar-se-ia ainda o I Circuito de Estoril. fez ir pelos ares o marco postal de ferro colocado no cimo da rua. com o objectivo de modernizar a rede viária do país. abrindo mão as autoridades dos meios que tinham ao seu alcance para difundir a mensagem. seriamente danificada e insuficiente. Segundo o seu regulamento. como por exemplo. No ano seguinte seria a vez do Quilómetro de Arranque do Campo Grande. do número de pessoas transportada. a Junta Autónoma das Estradas.

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este imponente modelo da prestigiada marca francesa testemunha algumas das inovações introduzidas nos automóveis construídos a seguir à Grande Guerra. História do modelo: Equipado com travões às rodas da frente. morrendo em 1947. e por isso dedicou toda a sua vida a construir modelos rápidos e luxuosos. em 1935. Para ele um automóvel devia ser rápido e elegante. paralelamente a várias tentativas para atingir nos anos vinte recordes de velocidade. Carros com o seu nome continuaram a ser produzidos até 1955. Alguns dos modelos de maior prestígio foram os D6 e D8 que apresentavam inovações técnicas importantes como os travões integrais. 49 .524 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelha + outras 110 Km/h História da marca: Louis Delage foi um engenheiro formado na Escola de Artes e Ofícios de Angers. História do veículo: Foi encontrado num Quartel de Bombeiros e adquirido pelo actual proprietário que o restaurou. Louis Delage foi obrigado a vender a sua marca. com modelos equipados de motores V12. e em 1927 o título mundial de construtores era conquistado pela marca. Trabalhou durante muito tempo na Peugeot. Em 1914 um Delage venceu em Indianapolis.1920 Delage Modelo: Co Categoria: Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros França Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada AA-40-01 4. antes de formar a sua empresa em 1905. à Delahaye. instalação eléctrica e motor com válvulas laterais. Duramente afectado pela crise económica dos anos trinta.

construiu o primeiro automóvel em sua casa. peça por peça. o que lhe permitia baixar progressivamente o seu custo.500 e 1.1924 Ford Modelo: T Phaeton Categoria: Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros USA Aberta 4 Matrícula No do chassis Cilindrada AA-80-81 2. Em Outubro de 1908. cifra somente ultrapassada pelo Volkswagen Carocha em 1972. A aplicação por Henry Ford do sistema Taylor à produção de automóveis viria a revelar-se acertada. possibilitando atingir tempos de produção recorde por cada unidade. Em 1914. data em que foi batido pela Chevrolet. por cadeia de montagem. 1708 veículos modelo A: um dois cilindros inspirado no Cadillac que havia sido lançado pouco tempo antes. e torná-lo acessível a um número cada vez maior de americanos. Em Portugal este veículo passou a estar disponível logo a partir de 1909. o que constituía cerca de metade de toda a produção americana. A partir de então. Ford aplicou o princípio da participação do pessoal nos lucros da empresa. p. construindo. funda em Dearborn a Ford Motor Co. em 15 meses. sendo produzido entre 1908 e 1927. fácil de conduzir e económica. foi um dos carros mais populares de sempre. História do veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 50 . primeiro automóvel estandardizado da história.817. Em 1896. o Ford T. que o volume de produção crescerá até atingir o máximo de 1. Em 1903. colocando a “América sobre rodas”. Para além do seu preço.700 escudos. 65) História do modelo: Modelo que viria a revolucionar a vida nos EUA’s. mas será a partir de 1909 com a aplicação do sistema de produção de Frederick Taylor (1856-1915). surge aquele que seria o fenómeno mais importante da história do automóvel antes da II Guerra mundial: o Ford T.891 unidades produzidas em 1923. e vendido durante esse período mais de quinze milhões de unidades. cada qual baptizado com uma letra do alfabeto. e aos 35 anos abandona a empresa de Edison. Nesse ano o modelo ainda vende 1000 automóveis. para se dedicar inteiramente à produção de automóveis. entre 1. e custava de acordo com o tipo de carroçaria escolhido. apenas com 118 operários. permanecendo como recorde até 1927.896 cc Cor No do motor Velocidade máxima Preto 80 Km/h História da marca: Henry Ford (1863-1947) começou a sua carreira mecânica pela relojoaria e em 1887 era engenheiro-chefe de Edison. (cont. ou “Lizzie”. outros modelos vão sendo produzidos. a “Lizzie” era uma viatura bastante robusta. para intensificar o ritmo de produção.

este automóvel possui travões hidráulicos bastante eficientes. chegando a ser nomeado vice-presidente da General Motors. que custava 3. em 10/05/85. Participou em vários ralis. Teve o 1º Prémio da MACOL em Espanha (1985) e figurou como capa de um disco. Em 1923 adquire a Maxwell-Chalmers que atravessara uma crise financeira. no Porto. tornar-se-ia o 3º grande fabricante dos Estados Unidos. História do veículo: O segundo restauro foi efectuado em 1984/85. O Grupo Chrysler. em 1923. chave para fechar a mala.Volta a Portugal de 1972. O 1º modelo da nova fábrica foi um 6 cilindros de 70 HP.1929 Chrysler Modelo: Roadste Categoria: Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros USA Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada AB-94-94 DW 706Y 3. com o certificado nº 227. e amortecedores de borracha. chave de ignição com duas posições. Restauro homologado pelo CPAA. e melhorado em Julho de 1992 pelo actual proprietário. é construído um modelo de 3 litros e 4 cilindros. concursos e concentrações de automóveis antigos . absorveu em 1928 a Dodge. Rali da FIVA de 1988.7 litros. tendo conquistado o 3º e o 4º lugares da geral. História do modelo: Tecnicamente. a empresa tornou-se o 9º produtor dos EUA’s.095 dólares. e converte esta sociedade na Chrysler Corporation. 1º Concurso de Restauro. rival da General Motors e da Ford. que foi fundada. um engenheiro especializado em locomotivas a vapor. e daí saindo em 1920 para salvar a Willys da falência. Com ele. passeios.300 cc Cor No do motor Velocidade máxima Branca + outras P 220031 110 km/h História da marca: Chrysler é uma das três grandes marcas automobilísticas norte-americanas. Com este modelo competiu em Le Mans. um acelerador manual além do normal. Deve-se ao grande empenho desportivo de Walter Chrysler o enorme êxito deste carro que com o potente motor de seis cilindros conquistou honrosos lugares em corridas internacionais da sua época. em 1993. com travões às quatro rodas que teve bastante sucesso. Elegância e Conforto. para onde entrara em 1911. Em 1926. e com as marcas Plymouth e Desoto. por Walter Percy Chrysler (1875-1940). que iniciara a sua actividade na Buick. 51 . destinado a substituir o Chrysler Imperial de 6 cilindros e 4.

mas desta feita à velocidade média de 198 Km/h. seu amigo. 2º lugar na Gávea (Rio de Janeiro). Com a ajuda financeira do Conde de Giulinelli.000 vitórias em competições desportivas em todo o mundo.1930 Bugatti Modelo: 35 B Categoria: Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros França Aberta 8 Matrícula No do chassis Cilindrada AA-02-52 2261 cc Cor No do motor Velocidade máxima Azul 208 Km/h História da marca: Sem dúvida a marca com maior prestígio da história do automóvel. voltando a ganhar no Km Lançado do Mindelo. o imbatível 35 B emprega soluções mecânicas e construtivas bastante originais. o compositor Puccini e o escultor Príncipe de Troubetskoi. Apesar do ambiente artístico e aristocrático de sua casa. à velocidade de 118 Km/h. e constituindo desde então o carro mais valioso da sua colecção. constrói em 900 o seu primeiro automóvel inteiramente original: um modelo de 4 cilindros de 3 litros de cilindrada com válvulas à cabeça. para onde a família se deslocou quando o seu pai foi convidado para um lugar de professor na Academia de Belas Artes francesa. desta vez com quadro motores também De Dion. Depois disso. Adquirido pelo Dr. com o esvoaçante lenço que trazia ao pescoço a enrolar-se nas rodas traseiras do Bugatti. como aparece reconstituído no filme Isadora. e alcançou mais de 1. (cont. 50) História do modelo: Concebido para a competição e fabricadas apenas 40 unidades. onde obteve sempre boas classificações .vitória no Circuito de Vila Real (1934). sente-se atraído pela mecânica e de volta a Milão realiza a sua 1ª obra: a motorização de um triciclo com dois motores De Dion e pouco depois um quadriciclo. 52 . foi reconstruído pelo Eng José Jorge Canelas e por Tomás Branquinho da Fonseca. depois de frequentar a Escola de Arte de Milão e a partir de 1893 a de Paris. Foi num carro destes que na sequência de um passeio nocturno na Côté d’Azur que a bailarina Isadora Duncan (1878-1927) precursora do ballet moderno encontraria tragicamente a morte. a Bugatti deve a sua glória ao estilo ímpar do italiano naturalizado francês Ettore Bugatti. História do veículo: Este modelo foi adquirido por Henrique Lehrfeld na fábrica de Molsheim. entre outros. aos dezassete anos. 4 velocidades e transmissão por corrente. João Lacerda em o 1956. com por exemplo em Le Mans e La Baule (1991). Era o carro mais potente da Bugatti na década de vinte. onde arrebatou o 1º prémio. sendo em seguida exposto no Museu do Caramulo. normalmente frequentada por personalidades famosas como o escritor Leon Tolstoi. tem participado em várias provas de automóveis antigos. p. (1881-1947) descendente de uma notável família de arquitectos e escultores de Milão. Posteriormente participou em inúmeras provas desportivas. o jovem Ettore Bugatti. como sendo o chassis e o bloco do motor em alumínio. e por ele estreado em 1930 no Km de Arranque de Setúbal.

no princípio dos anos trinta mais ajudou a projectar a Citroën como grande fabricante de automóveis franceses. a Citroën integrando a sua produção em agressivas campanhas publicitárias. Participou no 1º Concurso de Restauro. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. no Porto. e sua apresentação triunfal no Quai de Javel. desde Beirute até Pequim através das estradas perigosas dos Himalaias. apresentando várias versões. apoiada por uma publicidade de grande difusão e numa cadeia de serviços de venda e pós-venda eficazes. a expedição a África que chegou a Moçambique em 14 de Junho de 1925 e o famoso “Cruzeiro Amarelo” já em 1931-32. e lançados no mercado um conjunto de modelos robustos e tecnicamente bem concebidos. O seu objectivo era colocar “a França em quatro rodas”. (cont. realizado em Portugal em 1987. como a colocação de luzes com o nome da marca na torre Eiffel ou o «rapto» de Charles Lindbergh acabado de chegar da sua travessia aérea do Atlântico Norte. Elegância e Conforto. construiu modelos não convencionais que se lançaram na realização de alguma proezas: travessia do Sara em 1923. tal como Henry Ford o fizera nos EUA’s. 53 . de vocação utilitária e de turismo. São adoptados os mais modernos e económicos métodos de produção. onde antes havia já aplicado os princípios da fabricação “em grande série” que anteriormente observara em viagens aos Estados Unidos. a fábrica de automóveis de André Citroën é resultado da reconversão para o mercado civil da indústria de munições que este engenheiro formado pela École Polythécnique de Paris em 1900. 53) História do modelo: O C 6 foi um dos modelos que. Como estratégia recorreu à fabricação em grande série. por Haardt e Audoin-Dubreuil em veículos com rodado de lagartas. nomeadamente no Rally Mundial da FIVA.434 cc Cor No do motor Velocidade máxima Bordeaux + bege 1571 100 Km/h História da marca: Fundada em 1919 em Paris. História do veículo: Este automóvel foi adquirido no Alentejo pelo actual proprietário que o restaurou primorosamente.1930 Citroën Modelo: C 6 Categoria: Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros França Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada NM-14-34 C6-63775 2. tem sete lugares e tem participado em várias provas do CPAA. pondo o automóvel ao alcance da classe média ainda não motorizada e sociologicamente em ascensão. p. instalara no Quai de Javel durante os anos da Grande Guerra. Nos anos vinte e princípios dos anos trinta. e outras de menor dimensão igualmente de grande impacto.

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Pós-Vintage (de 1/1/1931 a 31/12/1945) 55 .

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em 1947. logo seguidas dos horrores do Holocausto. o automóvel de símbolo de modernidade e de bem estar.. Deste período de penúria. mas na prática de efeito mais efectivo e representativo. face ao automóvel. em virtude da falta de combustíveis permanente durante a Guerra em toda a Europa. à velocidade de 630. muitos foram aqueles que sucumbiram às intoxicações letais provocadas pela sua inspiração. Salientando a importância deste último. et roule quand même. a nível mundial. passando os motores destes a funcionar a gás pobre. beneficiaram de importantes subsídios e apoios governamentais para desenvolver carros de corrida. posteriormente. no Pacífico: Je ne pense pas que nous pouvions continuer la guerre sans la Jeep. Além dos carros de combate. Sistema extremamente perigoso devido às quantidades de monóxido de carbono que libertava. Marcas prestigiadas como a Delage. após o desembarque em Okinawa. com este último a fazer baixar o recorde de velocidade pura para a cifra fantástica de 593.. Na encruzilhada de tensões e de contradições agudizadas pela agressividade dos regimes autoritários recém instalados na Europa Ocidental e na URSS. transforma-se em arma de propaganda política. as inovações mecânicas fundamentais deste período foram a aplicação da tracção dianteira em modelos de série. o automóvel torna-se cada vez menos acessível às classes médias. ditado pela retirada dos capitais norte-americanos de que aquele dependia. a Talbot. passando a ser novamente apanágio de uma elite. um conjunto de veículos adaptados ao assalto às posições inimigas e ao transporte de combatentes e de material militar foram concebidos. para fazer face às mais duras condições de funcionamento. travou-se uma luta renhida pela detenção do recorde mundial de velocidade entre Malcolm Campbell. solide comme une mule e agile comme une chèvre. a Maserati. René Bucher. John Cobb. Elle est fidèle comme un chien. G. ou mesmo da madeira. após o ensaio de 23 de Agosto de 1939. Chegara a vez dos avanços registados na indústria civil. Inevitavelmente. onde marcas como a Mercedes-Benz e a Auto-Union. serem agora postos ao serviço da indústria bélica. a Bentley. com o seu Blue Bird. este período ficou também assinalado por um esfriar do entusiasmo da década de vinte. in Passion 4x4. desapareceram ou mudaram de mãos. Tal era o caso da Alemanha. usada pelas nações mais poderosas para mostrar ao mundo a capacidade tecnológica da sua indústria. elle va partout. a aplicação de apoios de borracha para reduzir as trepidações do motor e a vulgarização dos sincronizadores nas caixas de velocidade.Período de crise económica e de agravamento crescente das tensões políticas. sem olhar a custos. Na Inglaterra também. Nestas circunstâncias. En permanence elle accepte des charges deux fois plus élevées que celles pour lesquelles elle a été concue. os responsáveis pela rápida progressão das tropas nazis. As acções violentas das milícias organizadas.880 Km/h.600 HP . o automóvel não poderia deixar de marcar a sua presença no próprio cenário de guerra. as intimidações e perseguições político-raciais e as anexações militares. como veículo de transporte que acabaria por se impor mundialmente em todos os cenários de guerra. enquanto do lado aliado se destaca fundamentalmente o Jeep. a Dion-Bouton. Falando de aspectos menos espectaculares. fica-nos fundamentalmente a memória da aplicação de gasogénios aos automóveis. arrastou para a falência muitos fabricantes de automóveis.recorde este que seria por ele mesmo batido depois da guerra. Foram veículos terrestres como os Panzer. ao volante de um Napier-Railton equipado com dois motores de 12 cilindros arrefecidos a gelo. obrigaram a indústria automóvel das nações aliadas a reconverter-se para suportar o esforço de guerra. extraído do carvão. para não referir veículos mais vanguardistas como os anfíbios Schwimmwagen’s. No Anuário Estatístico de 1939. Elle fait tout. morto num Jeep. politicamente insegura e dividida. Em relação a Portugal. F. cita as palavras do correspondente de guerra norte-americano Ernie Pyle. que já haviam sido introduzidos durante a I Grande Guerra. Devido à quebra brutal do poder de compra. a Citroën. que em conjunto desenvolviam uma potência de 2.72 Km/h. Eyston com o Thunderbolt e. das infindáveis planuras do Norte da Europa aos ardentes areais do Norte de África. cuja fragilidade financeira não foi capaz de suportar o desmoronar do sistema bancário. a profunda depressão económica que se abateu sobre o capitalismo liberal no Ocidente. La Jeep est un instrument divin de locomotion militaire. o número de automóveis existente em Portugal 57 .

dada a modesta dimensão da sua indústria. 1933. Portugal uma indústria automóvel. com a instabilidade política e o endividamento do país dos últimos tempos da I República. aliás. inutilizados. que nunca chegara a conhecer nos anos vinte o boom registado nos restantes países. na linha do nacionalismo económico e de autarcia que. que. 58 . tal como alerta o artigo intitulado “Os Automóveis e a Saúde Pública”. em oito anos o crescimento foi apenas de 2. mas também à política de restrição das importações imposta pelo Estado Novo. nos anos de 1932.871 automóveis registados. contra 27. Aqui. Mas a par dos problemas económicos que afectaram a produção e a aquisição de automóveis neste período. contra 35. em reparação ou para venda. mas também de reorganização e recuperação financeira. Colocando estes valores em tabela e em gráfico. portanto. e que a quebra brutal dos registos se tenha verificado não somente devido à penúria dos tempos. era defendida por Salazar como estratégia draconiana de superação da crise financeira. apesar da conjuntura desfavorável. Não possuindo. convém não esquecer que durante este período Portugal não foi directamente atingido pelo colapso económico provocado pelo Crash da Bolsa de Wall Street. a entrada de veículos no país encontrava-se fortemente condicionada pela política de restrição das importações adoptada. se traduzia pelos «cinco pês»: «Portugueses Patriotas Preferem Produtos Portugueses».510 unidades. era contrária ao desenvolvimento do consumo. 1935. Tal política de pendor fisiocrata. neste período continuou a realizar-se na nave central e salas anexas do Palácio de Cristal o «Sallon Automobile do Porto». pois. e refere-se que a combustão de um só litro de gasolina produz “560 litros de ácido carbónico” e de “560 litros de óxido carbónico”. Salazar afirmava mesmo que “acima do consumidor. Por isso. o resultado é o seguinte: Variação do Número de Automóveis em Portugal Anos 1920 1931 1939 Quantidades 7500 35148 37871 Número de Automóveis em Portugal Continental 40000 30000 20000 10000 0 1920 1931 1939 Dos 37. afinal. o que dá uma ideia muito clara da dimensão exacta da crise. o que poderá dar uma imagem ainda mais negra da situação do parque automóvel nacional.723 unidades.148 em 1931. se encontravam à data parados. a crise havia começado antes. criação parecida com a do cidadão. nos anos trinta. os anos trinta para Portugal naturalmente um período de austeridade.9 % do total. interessava-me o produtor”. importa ainda referir que 4. 1937 e 1939. Ainda assim. ou seja 11. a 30 de Abril de 1930.871. outros se começaram a revelar logo a partir do início da década de trinta: as intoxicações causadas pelo automóvel.Continental era de 37. constituindo. Quererá isso dizer. em sucessivas sessões que invariavelmente suscitavam a adesão e o entusiasmo popular. em 1937. publicado na Revista Ilustração Portuguesa.648 na década anterior. que a apetência pelo automóvel nunca deixou de existir nos círculos da burguesia citadina. isto é. Nesse artigo previnem-se os condutores para o perigo que representam para a saúde pública as emissões de gases dos automóveis.

as primeiras “luzes de tráfego”. e desta vez com a originalidade da introdução em 1934 de uma nova modalidade: o “Rally Auto-Rádio”. no cruzamento da Rua do Ouro com a Rua de S. pelas indicações transmitidas pela Emissora Nacional. a primeira com o apoio do Rádio Clube Português e do Diário de Notícias. onde o Bugatti do Engº Ribeiro Ferreira arrebatava o 1º lugar. 1947. e chegando mesmo a defender o desenvolvimento de uma indústria do Gás Pobre. José Lopes da Silva percorria a distância entre Paris e Lisboa em 29 horas e 40 minutos. e a segunda com o apoio da Emissora Nacional. sendo os concorrentes orientados ao longo da prova. ao volante de Chrysler. durante a guerra. Quanto às provas desportivas. João Cândido de Vasconcelos refere-se amplamente à utilização dos gasogénios neste período.281 3. começam também a surgir os primeiros problemas de tráfego urbano.importante obra do dinâmico e polémico ministro Duarte Pacheco . à média espantosa de 203 Km/h. mais duas edições.tempo realizado pelo Dr. dando exemplos de diferentes sistemas e técnicas de aplicação. Em 1934. Como o nome indica.753 1943 10 1. juntamente com o jornal O Volante. Enquanto que. como forma de tornear a dependência do país em hidrocarbonetos de origem estrangeira.Por esta altura. interessa referir o Km Lançado de Vila Franca de Xira. Para fazer face a uns e a outros é inaugurado o primeiro lanço de auto-estrada entre Lisboa e o Estádio Nacional . Em O Automóvel. Nicolau. Desta modalidade desportiva. organizava a prova. a década de trinta também as conheceu. a duração da viagem entre Lisboa-Madrid baixava para 7 horas e 15 minutos . realizado em 1937.588 1944 10 122 1945 10 159 Automóveis a gasóleo ou gás pobre 2000 1500 1000 500 0 Até 1939 Gasóleo Gas Pobre 1940 1942 1944 59 . devido fundamentalmente à falta de combustíveis.794 Até 1939 388 16 1939 240 42 1940 154 57 1941 443 57 1942 26 1. 4ª Edição. chegaram a realizar-se em 1935 e 1938.e são destacados Polícias-sinaleiros para os principais cruzamentos. Eurico Sena. alguns valores impressionantes sobre a variação do número de automóveis pesados movidos a gás pobre e a óleos pesados (gasóleo). no ano seguinte. Tal como nos outros países. ao volante de um Steyer. que. instalando-se. em Lisboa. a partir do aproveitamento do carvão e da madeira das florestas nacionais. para se participar nesta prova desportiva era necessário ter previamente instalado no automóvel uma “telefonia”. batendo desta feita o automóvel o tempo do Sud-Expresso: 30 horas e 47 minutos Em relação a provas de velocidade. também em Portugal a circulação automóvel reduziu-se imenso durante a guerra. similares àquelas que em 1919 haviam sido introduzidas pela primeira vez na cidade americana de Detroit. Automóveis pesados com motor a óleos pesados ou gás pobre. como a seguir se vê. O Anuário Estatístico de 1945 publica. registados Automóveis pesados registados Com motor a óleos pesados Com motor a gás pobre Total 1.

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logo a seguir à fusão. Depois de 1926. Graças a uma rigorosa gestão e a um desdobramento racional da produção entre as várias fábricas. com o primeiro nome registado já desde 1902.1932 Mercedes-Benz Modelo: Mannheim Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros Alemanha Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada II-10-72 84928 3. os produtos tornaram-se cada vez mais competitivos. Determinada pelas dificuldades crescentes que a situação do mercado na Alemanha causava a ambas. em alusão ao nome da filha do cônsul da Austro-Hungria em Nice. dos quais cerca de metade na Europa. hoje poucos exemplares sobrevivem. Elegância e Conforto. com chassis e carroçarias similares e motores não sobrealimentados: o Stuttgard e o Mannheim. a Mercedes apresentou o novo modelo Mannheim no Outono de 1929. correspondendo ainda a nova designação à necessidade de evitar conflitos jurídicos com os direitos de representação que Panhard e Levassor detinham desde 1890. Emil Jellinek que após a sua encomenda de 36 automóveis à firma de Gottlieb Daimler. Desde a Princesa Zhewarshidse a Al Jonhson e à estrela de Hollywood Lilian Harvey. passaram a exibir o duplo nome Mercedes-Benz. foram introduzidos dois modelos de gama média. 66) História do modelo: Tomando por base a série 300/320/350 desenhada por Ferdinand Porsche.688 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelha 84928 150 Km/h História da marca: A Mercedes-Benz nasceu a 28 de Junho de 1926 com a fusão da Benz e da Daimler: ambas pioneiras da locomoção automóvel com motor de combustão interna no ano de 1886. completados pelo luxuoso Nürburg. após a fusão das firmas Daimler e Benz. Participou no 1º Concurso de Restauro. (cont. Porque foram construídas somente 195 unidades entre 1930 e 1933. a fusão havia sido dois anos antes precedida da constituição de uma associação de interesse comum entre as duas. Várias foram as personalidades célebres que associaram o seu nome à posse de modelos da marca. já então dirigida por Maybach. se tornara representante da marca para a Austro-Hungria. em 1993. p. França e América. nos anos 27/28. História do veículo: Trata-se provavelmente do automóvel antigo português mais valioso. conhecendo-se apenas uma dúzia. 61 . todos os produtos da Daimler-Benz AG. no Porto. realizado no Centro Comercial Capitólio.

que. Rolls. com os dois R’s entrelaçados pintados a negro. Participou no 1º Concurso de Restauro. 62 . Apresentados um ao outro por Henry Edmunds. que possuía um stand na Conduit Street de Londres. A seguir à morte de C. (cont. no Porto. os Rolls-Royce passaram a ser vendidos com uma tampa de radiador da autoria de Charles Sykes. ao contrário da cor encarnada que era utilizada até àquela data. A partir de 1905. 46) História do modelo: Este modelo 20/25 foi carroçado pela firma Mulliner. Tem uma divisória a separar o condutor dos bancos de trás. o sucesso desta associação foi imediato. Elegância e Conforto. em 1993. decidira construir para si e para os amigos um de mecânica mais perfeita. História do veículo: Foi restaurado pelo actual proprietário. vendendo toda a produção no seu stand de Conduit Street. proprietário de uma fábrica de artigos eléctricos em Manchester. e o segundo um industrial de origem modesta. a marca começa a ganhar cada vez maior prestígio e reputação de qualidade internacional. de que foram produzidas 2699 unidades entre 1908 e 1914. sendo o primeiro um aristocrata apaixonado pelo desporto automóvel e pela aviação. distinguindo-se no Trofeu Turístico desse mesmo ano. já com a grelha do radiador em forma de frontão grego. Com o aparecimento do modelo Silver Ghost.1934 Rolls-Royce Modelo: 20/25 Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada QC-37-13 GMD 81 2. descontente com o carro (um De Dion-Bouton) que havia adquirido em 1903. O primeiro modelo foi exposto no Salão Automóvel de Londres de 1904. p. cujo nome formal era «Spirit of Ecstasy» e que era conhecido vulgarmente como “Dama Voadora”. S. que se despenhou em 1910 num biplano Wright.634 cc Cor No do motor Velocidade máxima Verde e Preta Q4D 130 Km/h História da marca: A Rolls-Royce nasce em 1906 da associação de dois ingleses apostados na construção de um automóvel perfeito: Charles Stuart Rolls (1877-1910) e Frederick Henry Royce (1863-1933). a fama de automóvel de “melhor automóvel do mundo” não mais abandonaria a marca. e ainda hoje perdura a sua herança: Royce projectava os carros que Rolls testava em provas desportivas. realizado no Centro Comercial Capitólio.

médico conhecido de Calouste Gulbenkian. em 1993. Construindo apenas motores e chassis. que por isso se presume ter chegado a andar nele. realizado no Centro Comercial Capitólio. Carneiro de Moura. Silver Wraith. Equipado com o motor de maior cilindrada da marca. Frederick-Henry Royce foi armado cavaleiro pela sua contribuição para o desenvolvimento da indústria britânica. silêncio e longevidade. Concebido com sobriedade e classicismo genuinamente britânicos.1935 Rolls-Royce Modelo: Phantom II Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada AF-11-95 7. permanecendo como referência obrigatória para qualquer limusina de luxo. começam a surgir as séries Phantom a que se seguem os modelos Silver Shadow. cujas carroçarias são criadas pelos maiores estilistas europeus. como Mulliner.320 cc Cor No do motor Velocidade máxima Rosa e peto 150 Km/h História da marca: (continuado p. carroçados de acordo com as preferências dos seus clientes que para tanto recorriam aos mais prestigiados carroçadores. Participou no 1º Concurso de Restauro. etc. História do veículo: Um dos melhores Rolls-Royce portugueses. Silver Spirit e Corniche. todas com acabamentos de luxo revestidos a madeiras exóticas e estofados com os melhores couros de Connolly. foi considerado o mais perfeito Rolls-Royce: a última criação do genial engenheiro Henry Royce. Antes de morrer. Elegância e Conforto. 63 . 45) Em 1925. sinónimo do próprio capitalismo» que continua a tradição de conforto. Freestone and Webb. Silver Cloud. Hooper. falecido em 1933. no Porto. O primeiro proprietário deste veículo foi o Dr. História do modelo: Deste modelo produziram-se apenas 1767 unidades entre 1929-35. portanto. o Rolls-Royce é um «símbolo de poder e de glória. os Rolls-Royce eram.

completando-se a gama com o SS II de 1. Porto.. Por essa altura. tirando partido dos subsídios governamentais para orientar a produção para o mercado norte-americano de carros de desporto. onde em 1931 o primeiro automóvel completo foi produzido: o SS 1. construído com base no Standart Little Nine. a empresa baptizada de SSD. e cujas características técnicas aliadas à elegância e qualidade de acabamentos deram à marca a sua fama.054 cc de cilindrada. mas também podia ser equipado com motor de 2 1/2. transferiu-se para Coventry.052cc. que designava Esquadrilha de Segurança: a milícia armada do Partido Nazi. Além das características desportivas que o tornam um dos automóveis mais agradáveis de conduzir. É neste modelo que aparece pela primeira vez associado ao emblema SS (Swallow Side-Cars) a palavra Jaguar. A 3 de Março de 1945. que às ordens de Heinrich Himmler foi responsável por algumas das maiores atrocidades cometidas antes e durante a guerra. 1993. Em 1935.1938 Jaguar Modelo: SS 100 31/2l Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada PP-10-47 39041 3485 cc Cor No do motor Velocidade máxima Cinzenta 150 km/h História da marca: A Jaguar Cars Ltd nasceu da associação de William Lyons e Bill Walmsley dois ingleses naturais de Blackpool que em 1922 começaram a construir e a comercializar side-cars. em conjunto com toda a série dos SS Cars Ltd. Durante a guerra. Em 1928. (continua p. 68) História do modelo: O modelo SS 100 foi apresentado em Setembro de 1935. Sir William Lyons cessou a produção de equipamento militar e relançou o negócio. Este modelo estava equipado com um motor de seis cilindros e 2. aparece o SS 100 que assinalou o início da produção em larga escala. Em 1926 a empresa por ambos formada a Swallow Side-Cars & Coach Building começou a produzir carroçarias para a Morris. a Austin e a Wolseley. foi abandonada a sigla SS que funestamente fazia lembrar a sigla germânica SS (Suchtz-Staffel). inclusive contra correligionários das SA. Bill Walmsley declarou falência e William Lyons ficou à frente da firma. tendo a produção dos SS 100 sido iniciada verdadeiramente em 1936. é um carro de linhas extremamente belas que marcou uma época e um estilo de automóveis desportivos ingleses História do veículo: Participou no 1º Concurso de Restauro. Elegância e Conforto. Finda a guerra. a empresa foi convertida para a produção de material bélico. 64 .

esta pequena mas afamada marca norte americana tem no esmero de construção e de acabamento. a Studebaker torna-se a mais importante marca independente norte-americana. Em 1928 depois de adquirir a Pierce-Arow e de se associar à Packard.693 cc Cor No do motor Velocidade máxima Castanha 128 Km/h História da marca: Fundada pelos irmãos Henry e Clem Studebaker. a Studebaker acabaria por se tornar num pequeno império industrial..1939 Studebaker Modelo: Champion Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros EUA Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada BC-10-98 2.100 dólares. Em 1904 construiu o seu primeiro automóvel: um dois cilindros que custava 1. em meados da década de sessenta. formado por oito núcleos fabris: 5 unidades na região da cidade de Detroit e duas na região da cidade de Pontiac. não englobada dentro dos “três grandes” (General Motors. Nos anos seguintes. a Studebaker deixa de produzir automóveis História do modelo: O modelo Champion foi lançado em 1939 História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 65 . lançou-se na construção de automóveis de quatro cilindros e em 1909 adquiriu a E. que desde 1852 construíam carruagens puxadas a cavalos muito apreciadas e vagões. Após 114 anos de produção ininterrupta.F. uma das suas características mais marcantes.M. Ford e Chrysler). Com escassa difusão na Europa.

Em 1925. John. porém.3 l Saloon Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada BD-11-12 4.460 cc. O primeiro modelo produzido pela nova marca de Coventry. não foi o esperado. A partir de 1923. decorre da circunstância de T. entrava para a empresa o capitão G. e ficou conhecido como o Alvis 10/30: um quatro cilindros de 1. data em que foi produzido o último modelo da marca. História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 66 . enveredando cada vez mais por uma estética clássica e austera. a empresa atravessou um período de dificuldades financeiras. depois de muitas peripécias e dificuldades. Nos anos 30. a Alvis Company manteve em actividade na sua fábrica de Coventry até 20 de Agosto de 1967.1939 Alvis Modelo: 4. a Alvis entrou na competição em Brooklands. O nascimento da empresa encontra-se intimamente ligado ao da firma de engenharia T. História do modelo: Carroçado por Vanden Plas. Com um segmento de mercado fortemente disputado por outras marcas como a Bentley e a Rover. foi lançado em 1920. Smith-Clark. e que se manteve em produção até 1922. este modelo da fábrica de Coventry possui travões servo assistidos. G. Ltd. numa tentativa de aliciar os amantes da competição. concorrendo com alguns modelos da Bentley. O sucesso comercial.387 cc Cor No do motor Velocidade máxima Cinzenta 150 Km/h História da marca: Fundada em 1919 por Thomas George John. a marca foi-se distanciando progressivamente dos modelos desportivos. a companhia de que era proprietário. este modelo seria acrescido de compressor e tracção dianteira. A origem do nome Alvis. John ter adquirido os desenhos e as especificações finais de um motor de automóvel a Geoffrey de Freville que usava essa marca registada como designação de pistões de alumínio que eram fabricados na Aluminium Alloy Pistons Ltd. T. e posteriormente integrar-se na BMC. caixa de quatro velocidades.. por fundir-se com esta última. sendo capaz de atingir perto de 100 Km/h. Nesse mesmo ano. a empresa acabou. ganhando as 200 milhas com o seu novo modelo 12/50. batendo veículos de igual cilindrada. como engenheiro-chefe. lugar em que haveria de se manter até 1947.G. alguns deles carroçados por Vanden Plas. em 1965. e com os tempos da depressão. preferindo construir carros sóbrios e sólidos.240.. uma vez mais em Brooklands. lubrificado sob pressão. lançada no mesmo ano com o capital de £4. com válvulas laterais.

por vácuo. em 1993. realizado no Centro Comercial Capitólio. chegaram à América do Norte. integrado na classe «Prestígio». 67 . História do veículo: Participou no V Concurso Anual de Restauro e Elegância Automóvel.U. Em Agosto de 1934.375019 130 Km/h História da marca: A marca Plymouth foi criada em 1928 pela Chrysler Corp. História do modelo: Este modelo demonstra uma evolução das carroçarias desta época que se reconhece pelos faróis que passam a estar integrados nos guarda-lamas dianteiros. fabricou-se o milionésimo Plymouth: um modelo PE de Luxo que oferecia de série acabamentos bastante sofisticados. no Porto. O nome Plymouth evoca o 1º Porto onde desembarcaram os ingleses que. Um dos últimos modelos que possui lugar para dois passageiros na bagageira. As características inovadoras deste veículo são: selector de velocidades junto ao volante e capota de accionamento automático.790 cc Cor No do motor Velocidade máxima Azul P8. como por exemplo um rádio Philco. Lisboa. Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada ON-10-70 10853019 2. em 1620. Participou no I Concurso de Restauro.A. Elegância e Conforto.1939 Plymouth Modelo: Convertible Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros E. 1991. para conquistar o mercado de automóveis mais económicos.

em Le Mans. não voltando a pisar de novo o saudoso e mítico complexo de Molsheim. a produção de Molsheim desenvolveu-se em torno da construção de modelos desportivos e nas vésperas do conflito a fábrica empregava já 200 operários. Em 1936. Finalmente em 1907. Bugatti tinha um outro sonho: construir «um automóvel maior do que o Rolls-Royce. Bugatti constrói modelos que arrebatam triunfos e mais triunfos: um total de dez mil vitórias e de 37 recordes mundiais. depois de enterrar os novos motores em que estava a trabalhar. é contratado pela Deutz de Colónia. então sob domínio alemão. mas foi avaliada em 300 HP. contrata-o. Durante quatro anos Bugatti permanece na sua fábrica onde desenha automóveis de grande potência (60 HP) e cilindrada (12. Com a colaboração de seu filho Jean Bugatti. com quem cria o famoso Hermés de 90 HP. 68 . é construído o protótipo: um gigante com 4. recordista mundial de velocidade na época. Com a sua fábrica requisitada pelos alemães. Ettore fugiu para Itália. onde permaneceu até 1909. Em 1926. veio a reaver os seus bens dois meses antes de falecer. o Bugatti 57 S era “a melhor viatura de sport do mundo” História do veículo: Participou no 1º Concurso de Restauro. Elegância e Conforto.1939 Bugatti Modelo: Galibier Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros França Fechada 8 Matrícula No do chassis Cilindrada SR-10-80 57762 3255 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelho + preto 545 140 km/h História da marca: (continuado p. Com a sua fábrica ocupada pelos alemães que a reconverteram para o fabrico de material bélico. 37) Exposto no Salão de Milão de 1901. Até à eclosão da grande guerra. levando consigo dois automóveis. Mas além das vitórias desportivas. Foram fabricadas cerca de 800 unidades entre 1934 e 39. Depois em Estrasburgo associa-se a Mathis. De regresso a Molsheim depois do armistício. mas este três anos mais tarde seria vitimado por um acidente de viação a ensaiar um modelo da marca.57 metros de 3 comprimento e motor de 8 cilindros com 14. Ettore passou o negócio para as mãos do seu filho Jean. O Barão de Dietrich proprietário de uma indústria em Niederbronn. mas muito mais leve». Ettore refugiou-se uma vez mais em Paris. Na época o preço de um Royale era três vezes o preço do mais luxuoso Rolls-Royce. Depois de um processo judicial contra o Estado francês. Porto.700 cm de cilindrada! A sua potência nunca chegou a ser medida. O seu 1º modelo exclusivo foi o Bugatti tipo 13: 3 um pequeno automóvel de 1. História do modelo: Último modelo Molsheim a entrar em produção.8 l). na Alsácia. começou a trabalhar na sua obra prima: O Royale ou «Bugatti Dourado».300 cm que atingia a velocidade estonteante de 130 km/h. e donde sairá para fundar a sua própria empresa em Molsheim. Para Sir Malcolm Campbell. 1993. e só em 1956 foram produzidos dois modelos fórmula GP. arrebata o 1º prémio da exposição.

1991.996 cc de cilindrada. Lisboa. trata-se de um coupé de carroçaria aberta de quatro lugares e duas portas equipado com um motor frontal de 6 cilindros em linha de 3. com a designação de «Clément.996 cc Cor No do motor Velocidade máxima Verde + preto 160 Km/h História da marca: A marca Talbot surge em 1902 na sequência de um acordo entre o aristocrata inglês Lorde Shrewsbury e os franceses Talbot e Adolphe Clément que depois de se iniciarem na construção de bicicletas.S. Este carro era um dos preferidos de carroçadores como Figoni e Falaschi.1939 Talbot Modelo: T 23 Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros França Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada LG-11-12 3. Motor semelhante ao 4 litros. perto de Paris. História do veículo: Participou no V Concurso Anual de Restauro e Elegância Automóvel. 69 .D. que adquire e viabiliza o quase falido Consórcio T. Posteriormente adquirida pela Darracq que possuía a sua própria fábrica em Suresnes. na década de 20 História do modelo: Construído entre 1936-39. Foi construído na fábrica de Suresnes. Darracq) em que a empresa se havia tornado após a saída de Alexandre Darracq e a associação à Sunbeam. Lda». na modalidade de Sport de corrida. (Talbot. numa empresa situada nos arredores de Londres. Talbot. mas os modelos mais curtos de 8 pés e 8 polegadas ganharam o G. Normalmente media 9 pés e 8 polegadas. e ainda depois disso após a entrada em cena do anglo-italiano Anthony Lago. com válvulas à cabeça e transmissão ás rodas traseiras. Francês e o Trofeu Turístico.P. Sunbeam. e está equipado com uma caixa de velocidades pré-selectiva. se lançaram com sucesso na fabricação de automóveis. integrado na classe «Prestígio». mas com câmaras esféricas desenhadas por Walter Brocchie desenvolvendo 140 HP. Último modelo Talbot-Darracq Lago anterior à Guerra.

devido à reduzida distância da carroçaria relativamente ao solo. e a falência é declarada em Dezembro de 1934. esta última apresentada em 1938.1940 Citroën Modelo: 7 C Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros França Fechada 4 Matrícula No do chassis Cilindrada GI-11-00 218835 1. Para enfrentar a crise. C e Rosalie vendem perto de 800. a aceitação pelo público é lenta e os problemas inerentes a um modelo tão inovador são imensos. travões hidráulicos. Os resultados começam por ser positivos: os modelos A. Elegância e Conforto. porém.000 unidades nas versões de 7 Cv. no Porto. Em França. é criada uma rede de concessionários com uma grande preocupação de marketing e de prospecção do mercado. (cont. p. Foi restaurado em 1988. 38) Com os mesmos fins. 11 Cv e 15-Six. o modelo é lançado cedo demais numa altura em que a conjuntura económica e social não aconselhava correr o risco de se introduzirem tantas inovações de uma só vez. Participou no 1º Concurso de Restauro. por vezes surge designado como “veículo da liberdade”. por isso. suspensão independente às quatro rodas por barras de torção. ou Arrastadeira que se encontrava equipada com inovações fantásticas para a época: tracção à frente.000 unidades. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. depois de ter estado ao tempo durante 15 anos. B. Devido à crise económica. e juntamente com a Renault e a Peugeot a marca torna-se um dos três grandes da indústria automóvel. um bom exemplo de um automóvel desfasado do seu contexto histórico. carroçaria unitária sem chassis e outras. A crise económica mundial. Em Portugal este modelo ficou conhecido pelo nome de “Arrastadeira”. apanhou a empresa em plena expansão e em posição financeira vulnerável. 70) História do modelo: Deste modelo foram construídas entre 1935 e 1957 mais de 700. A «Arrastadeira» é. Mas a História é implacável e o Traction não consegue resolver a difícil situação financeira da empresa.623 cc Cor No do motor Velocidade máxima Preta FR 037504 130 Km/h História da marca: (continua p. História do veículo: Este modelo foi comprado pelo seu actual proprietário em estado de sucata. 70 . a empresa lança prematuramente um modelo revolucionário para que vinha preparando as suas instalações: o «Traction Avant». e tem participado em várias provas do CPAA sem sofrer avarias. por ter sido muitas vezes utilizado em missões da Resistência. De facto.

História do veículo: Este Jeep participou no desembarque aliado na Normandia.000 Willys MA. passando a partir dessa data a construir modelos de quatro cilindros. História do modelo: O aparecimento do Jeep começa pela determinação por uma Comissão Militar das características de uma viatura todo-o-terreno de transporte militar. tanto a Willys como a Ford enviam observadores ao Campo de treino militar de Holabird. por vezes mudando de uma ano para o outro.200 cc Cor No do motor Velocidade máxima Verde 110 Km/h História da marca: A história da Willys encontra-se intimamente ligada à da Overland. mantendo no entanto a sua sede no Ohio. A partir de 1963. com a apresentação de modelos que ostentavam ambas as marcas. durante e depois da II Guerra Mundial. a sua designação é alterada para Kaiser Jeep Corp. John Willys comprou a Standart Wheel Corp que em 1902 produzira um monocilindro de motor frontal.277. Apesar de não ter sido a escolhida para os primeiros fornecimentos experimentais. entre os anos de 1941 e 1948: Willys . a Willys viria posteriormente a ser juntamente com a Ford a empresa que iria assegurar o fornecimento de Jeeps ao exército americano. A 23 de Julho de 1941. a 6 de Junho de 1944: o memorável dia D que precedeu a libertação da França e a derrota do exército Nazi. A American Bantam entretanto afasta-se da corrida. sendo posteriormente repartida a produção entre a Ford e a Willys da seguinte forma. apostando na construção de reboque e equipamento aeronáutico durante o conflito. Ford . a Willys foi uma das duas sociedades que enviaram propostas ao concurso de uma encomenda de fornecimento de veículos todo-o-terreno de transporte militar. o que viria a constituir uma constante na marca. A produção começou quando em 1905. depois de testarem os seu protótipos no campo de Holabird. A Willys e a American Bantan foram as sociedades que enviaram propostas..314 unidades modelo MB. 71 .1942 Willys Modelo: MB Categoria: Pós-Vintage País de origem Carroçaria No de cilindros USA Aberta 4 Matrícula No do chassis Cilindrada MP-10-86 177410 2. foi assinado o contrato de fornecimento de 16. salvo raras excepções em que foram produzidos motores de seis cilindros. saídos no ano de 1927. onde entre 27 de Setembro e 16 de Outubro decorreram os ensaios do veículo construído por Karl Probst da American Bantan. Apesar de ter sido a outra empresa a escolhida pela Comissão Militar. Em 1940.896 do modelo GPW. Os modelos mais importantes da marca foram os Overland da série “Whipet”. que para todos os efeitos pode considerar-se o pai do Jeep. Posteriormente essa comissão contacta 125 empresas para construir num prazo recorde de 49 dias um protótipo com aquelas características e entregar num prazo de 75 dias uma encomenda de 70 desses veículos.361. a Willys e a Ford lançaram-se na corrida do fornecimento. Aprovado o princípio da repartição das encomendas finais pelas três empresas interessadas.

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Pós-Guerra (de 1/1/1946 a 31/12/1960) 73 .

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não é unânime. encontrando-se ambos suportados por dois poderosos blocos militares. enquanto nos EUA’s. obedecendo às regras do mercado. este período é marcado pela confrontação de dois modelos distintos de sociedade industrial: o norte americano. onde o sector militar continuava a exercer uma poderosa tutela sobre as indústrias consideradas vitais para a segurança do Estado. porém. 75 . o enquadramento político da reconstrução. fazendo dessa política uma importante estratégia de desenvolvimento económico. decididamente permissivo e consumista.Este novo período automobilístico. agora tratava-se de introduzir a automação. sendo atribuídas cotas de produção muito baixas para a construção de automóveis ligeiros. Vejamos alguns dos principais inventos que marcaram o advento da nova era: Data 1937 1941 1942 1944 1946 1948 1953 1956 1957 1958 1959 1960 1962 1964 1969 1970 1971 Inventos Motor a reacção Cortisona Pilha atómica Estreptimicina Primeira geração de computadores Transístor Descoberta do ADN Primeira central eléctrica nuclear Primeiro satélite artificial (Sputnik) Circuitos integrados Segunda geração de computadores Laser Primeiro satélite de telecomunicações Terceira geração de computadores Isolamento de um gene Boeing 747 / Microprocessador Quarta geração de computadores Apesar dos novos recursos tecnológicos. com a produção de automóveis a saltar de 3 milhões de unidades em 1946 para 8 milhões em 1950. corresponde a uma época de reconstrução e recuperação económica de um modo geral vividas um pouco por toda a parte.a 3ª Revolução Industrial . Do lado capitalista tal foi possível. graças às ajudas financeiras do Plano Marshall. reconstrução e recuperação essas que assinalam uma nova etapa da industrialização . Assim. a Leste a indústria automóvel produz essencialmente veículos de utilização híbrida. exigia avultados investimentos.marcada pela energia atómica. pela informática e pela biotecnologia. as principais marcas desenvolviam modelos a um tempo sofisticados e acessíveis ao cidadão comum. A isso teve de se adaptar a indústria automóvel. essa mesma indústria permanecia afectada ao aparelho estatal. fortemente intervencionista e colectivista. A indústria automóvel pode. mas principalmente na Europa e no Japão. com direcção assistida e caixa de velocidades automática. enquanto do lado soviético. rapidamente reconverter-se como indústria fundamentalmente civil. Com a divisão da Alemanha e da Europa pelas superpotências. Enquanto no início do século XX Henry Ford dava um passo histórico ao introduzir o taylorismo como metodologia capaz de assegurar a fabricação em massa do automóvel. Essa reconversão. pela electrónica. porém. e o soviético. então. simultaneamente laboral e militar.

175 65. enquanto o mercado americano absorvia por sua vez a produção de alta gama.257 Índices 100 % 93. mas também como símbolo de liberdade e de qualidade de vida. Impulsionada. Será essa também a tendência que se começa a desenhar em Portugal no Pós-Guerra. Em termos automobilísticos. apesar da recuperação ser inicialmente lenta. portanto.000 20.000 60.297 70.630 170. Por esta altura o desenvolvimento da indústria cinematográfica e paralelamente a aparição da televisão. por uma publicidade intensa e.213 34.8 % 427 % 470. Número de automóveis registados no Continente Anos 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1957 1958 1959 1960 Automóveis ligeiros 36.9 % 125. atingido anteriormente pelo Ford T.036 45. que culminaria em 1957 com a assinatura do Tratado de Roma que dava origem à CEE.251 184.880 138. segundo o Anuário Estatístico de 1950. na qual o automóvel surge já não só como instrumento utilitário ou de recreio. por investimentos maciços. claro está.1 % 508.000 50. contribuíram para a difusão de uma imagem fantasiada e mediatizada da sociedade. recuperando em quatro anos os níveis de produção registados nas vésperas do conflito.5 % 157.000 40. esta nova era corresponde na Europa ao ressurgimento do Volkswagen Carocha que na nova conjuntura político-económica tornar-se-á efectivamente o carro do povo.3 % 195.667 154. ultrapassando nos anos setenta o valor de quinze milhões de unidades vendidas.A Europa inicia então um processo gradual de integração económica.000 0 1945 1946 1947 1948 1949 1950 76 .000 10. nos anos imediatamente a seguir ao termo da guerra.8 % 180. a indústria automóvel conheceu um crescimento substancial.460 57. como se pode verificar no quadro e no gráfico.000 70.000 30. nomeadamente desportiva. continuando o valor do número de automóveis registados a descer. pela abundância de petróleo.7 % 382.8 % Número de Automóveis em Portugal Continental 80.

6 % Como veremos. 77 .408 dólares contra 2750 da Suécia . a projectada modernização industrial do interior não se tornou efectiva. havia sido um precursor avant-la-lettre . ficando bastante aquém do crescimento do parque automóvel. partiria do interior do próprio regime promover a modernização industrial do país. o Pós-Guerra trouxe a Portugal a grande competição internacional. servindo assim como testemunho de sucesso pessoal.estradas. e o país nos finais da década de 50 apresentava um rendimento racional per capita dos mais baixos da Europa . Mas. no caso das infra-estruturas rodoviárias o crescimento não foi suficiente. e encorajando outros a partir. Em termos de desporto automóvel. como meio de transporte familiar. nesse autêntico êxodo nacional que constituiu a emigração.258 novos registos de automóveis ligeiros em Portugal. antes de prematuramente falecer num acidente de viação em 1943. entre 1951 e 1973.barragens. ou seja garantindo uma cota de 56% do mercado nacional.de que Duarte Pacheco. Extensão das Estradas do Continente Anos 1950 1961 Extensão 27.909 Km Índice 100 % 101.e industriais . Assim. criando novas infra-estruturas e definindo estratégias de crescimento dos sectores secundário e terciário.086 dos 7.projectadas por sucessivos Planos de Fomento Nacional. que impõe correcções à linha de orientação económica neofisiocrata e nacionalista que anteriormente havia norteado a governação. a partir dos anos cinquenta: a emigração.452 Km 27. como elemento também de afirmação de um novo status social. desejosos de melhorar as suas condições de vida e de trabalho. no ano de 1950. indústrias químicas e metalúrgicas. é bom não esquecê-lo.um fenómeno pernicioso começava paralelamente a fazer-se sentir. coadjuvado que foi pelos estímulos da ampliação das infraestruturas rodoviárias . Esta viragem é o efeito mais visível da supremacia do capitalismo consumista de feição norte americana. naquilo que poderá ter representado um curioso e ainda não estudado fenómeno de retroacção positiva junto dos meios rurais empobrecidos.Tipologicamente o automóvel predominante deste período é o carro familiar. o automóvel seria chamado a desempenhar uma função fundamental. como se pode observar no quadro seguinte.pelo que paralelamente aos índices encorajadores de desenvolvimento . acumulando 4. transformadoras . pontes e aeroportos . e. Disso viria a beneficiar o automóvel. com a Inglaterra a revelar-se o principal exportador. Agora. ficando célebre a passagem pelo Circuito do Porto de alguns dos mais famosos pilotos das pistas mundiais.crescimento progressivo do PIB .

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surge nos anos vinte quando Cecil Kimber (18881945) é admitido por William Morris para director-geral da Morris Garages de Oxford: uma sucursal da W. leve e original que atinge os 130 Km/h. Os modelos sucedem-se com a linha Midget a surgir em 1929.250 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelha 120 Km/h História da marca: A MG. Ainda assim.1947 MG Modelo: TC Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Aberta 4 Matrícula No do chassis Cilindrada XM-84-97 1. o MGC e o MGB GT continua a tradição desportiva da marca. e com o MGB. autoriza Kimber a prosseguir na produção de carros desportivos a partir de componentes dos Morris de série.R. vende a MG à Morris Motors e decreta o encerramento do departamento desportivo. com o modelo M de 847 cc. Começando pela comercialização. os sucessos mantêmse graças a uma clientela fiel que discretamente continua a ser apoiada pela marca. até que em 1935. equipado com uma carroçaria de dois lugares. O sucesso é imediato e o seu crescimento obriga a nova firma a mudar sucessivamente as suas instalações. em 1924 Kimber produz um protótipo baseado em elementos do Morris Oxford. Kimber deixa a MG definitivamente incompatibilizado com Lorde Nuffield e morre passados quatro anos num acidente ferroviário. este já com o título de Lorde Nuffield. e o desentendimento com William Morris torna-se crescente. um seu colaborador desde os anos trinta toma o seu lugar. o que permite a comercialização de modelos desportivos a preços relativamente módicos. Kimber decide abrir um departamento de competição. História do modelo: Com 10. e depois de restaurado participou no V Concurso de Restauro e Elegância Automóvel. Morris Motors da vizinha Cowley. sigla de Morris Garages. o MG TC foi um dos modelos que mais contribuiu para o relançamento da produção automóvel de desporto inglesa do Pós-Guerra. e que ostenta sobre o radiador as letras MG cercadas por um octógono . 1993. Em 1941. Lisboa. devido ao seu êxito no mercado americano História do veículo: Este carro foi importado dos Estados Unidos. 79 . John Thornley. William Morris. sendo responsável por uma significativa injecção de divisas na economia inglesa.002 unidades produzidas entre 1945 e 1949. assistência e reparação dos modelos da marca. sob a marca MG.a figura geométrica preferida de Kimber.

A partir de 1938. destacando-se as suas versões desportivas em muitas competições automóveis. a Riley foi adquirida pelo grupo de William Morris. é uma das marcas mais antigas.496 cc Cor No do motor Velocidade máxima Preto 120 Km/h História da marca: Fundada em Coventry em 1898.1947 Riley Modelo: 11/2 Litre RMA Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Fechada 4 Matrícula No do chassis Cilindrada EH-13-55 1. Durante muitos anos a sua actividade foi dedicada à construção de voiturettes com motores bicilindros. Lorde Nuffield. dedicando-se a partir de então à construção de modelos convencionais. Após a Grande Guerra começou a produzir automóveis mais potentes. História do modelo: Este modelo é o último dos produzidos na década de trinta e prolonga as características do Sedan de 1937 História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 80 .

Em primeiro lugar com o Lancia Sratos. perdura ainda a memória de um modelo mítico: o Lancia Lambda. apresentado em 1922. o 2º a partir dessa data e até à integração da marca. 81 . com a designação alfa. O 1º modelo desta nova época foi o Lancia Beta. História do modelo: Um dos modelos mais distintos da marca italiana fundada por Vicenzo Lancia. a marca passaria por algumas dificuldades. Da primeira fase. Elegância e Conforto. no Porto. a marca foi projectada ao mais alto nível da competição automóvel na dura modalidade de rali. «Il Sorpasso» de 1957. só se podendo comparar ao Rolls-Royce. o Lancia Aurélia Cabriolet é um clássico de um período alto da actividade multiforme de PininFarina. História do veículo: Participou no 1º Concurso de Restauro. lançado em 1972. para no início dos anos setenta ressurgir. Nos anos trinta destacam-se outros duas berlinas de grande qualidade: o Augusta e o Aprilia. como personificação do playboy europeu. orientada por uma nova política comercial. depois com o Lancia Delta Integrale. que inaugurava uma nova gama completa.1951 Lancia Modelo: Aurelia B 50 Cabriolet Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Itália Aberta 6. A par com o êxito comercial. a firma lançou o seu primeiro modelo no ano seguinte. Após a morte de Vicenzo Lancia. Trata-se de um veículo pleno de dignidade e o estilo de PininFarina nesse período teve enorme sucesso. no grupo Fiat e a 3ª desde essa data até hoje. em V Matrícula No do chassis Cilindrada NT-13-00 B 50-1328 1. sustentada pela sua integração na Fiat. A sua actividade pode delimitar-se em três grandes períodos: o 1º até à morte do seu fundador em 1937. inaugurando o sistema de atribuir nomes de letras do alfabeto grego aos modelos da marca. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. os modelos desportivos da marca começam a destacar-se pelas suas prestações nas mais importantes provas de ralis. «A Ultrapassagem».754 cc Cor No do motor Velocidade máxima Azul Mot B10-2497 150 Km/h História da marca: Fundada em 1906 pelo ex-piloto da Fiat Vicenzo Lancia. em 1969. Um modelo semelhante a este foi utilizado no filme de Vittorio Gassman e Jean-Louis Trintignant.

ao fazer acompanhar o lançamento do Golf de mais dois modelos: o Passat e o Sirocco. com sucessivos melhoramentos que lhe viriam a dar maior potência. foi o único modelo cuja produção mundial ultrapassou a do Ford T. História do modelo: Modelo histórico projectado por Ferdinand Porsche. aos 63 anos baptizava de KDF (Kraft Durch Freude) que significa “força através da alegria”. o “carro do povo” utilizado por Adolfo Hitler como arma de propaganda dirigida à classe média alemã.131 cc Cor No do motor Velocidade máxima Castanho 110 Km/h História da marca: O nascimento da marca resultou de uma decisão do regime nazi que impulsionou a sua criação em 1937. Apesar do alarido da propaganda. Em 1974. embora com sucessivas versões cada vez mais melhoradas. História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 82 . De mecânica simples e robusta o motor de quatro cilindros opostos arrefecidos a ar reabilitado depois da guerra.1952 Volkswagen Modelo: Sedan 1. Tal como com o Carocha. a marca rompia com a tradição de produzir só um modelo. como por exemplo no Brasil. conhecendo uma dimensão verdadeiramente mundial. compacto e deliberadamente económico que Ferdinand Porsche o seu criador.1 Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Alemanha Fechada 4 Matrícula No do chassis Cilindrada GC-18-16 1. desenhado por Georgetto Giugiaro. continuaria a equipar durante algumas décadas mais aquele que viria a ser porventura o carro mais popular de todos os tempos. É então que logo a seguir a empresa lança um modelo robusto. Desta vez. passando a ser produzido na Alemanha e noutras partes do globo. e actualmente o modelo conta já com 14 milhões de unidades vendidas. o êxito do Golf é um fenómeno mundial. Durante anos a empresa dedicar-se-ia exclusivamente à produção deste veículo. o Carocha somente depois da guerra viria a ter êxito. a firma lança um outro modelo de sucesso: o Golf.

até aos monolugares dos «Grands Prix» dos anos cinquenta. foi substituído pelo emblema da cruz vermelha dos cruzados de Milão e pela serpente bíblica que figurava nos seus estandartes medievais. acrescentar-se-ia o seu nome ao da marca. porém. escrito sobre fundo azul. Desde o início a Alfa se mostrou vocacionada para as provas desportivas. deste modelo foram fabricados 680 unidades entre 1947 e 1953. Adquirida por um consórcio de homens de negócios de Milão. História do modelo: Tendo como antecedente a berlina de cinco lugares construída em 1939 e renascida depois da guerra com o nome “Freccia d’Oro”. História do veículo: veículo Presume-se que este seja o único exemplar existente em Portugal. Desde os lendários modelos criados por Merosi nos anos vinte. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. essa tradição foi interrompida. depois de Nicola Romeo um industrial de Milão ter comprado a empresa em 1915. um antigo empregado de Darracq. (Anónima Lombarda Fabbrica di Automobili) foi fundada em 1910. Partici- pou no 1º Concurso de Restauro. Elegância e Conforto. no campeonato alemão de turismo. sendo o seu lugar ocupado pela Ferrari e pela Lancia. a Mercedes e a Opel alemãs.F. no Porto. Recentemente. Por essa altura o duplo «D» de Darracq.L. ocorrida em 1986. A este símbolo.1952 Alfa-Romeo Modelo: 6 C 2500 Sport Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Itália Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada DL-18-52 916396 2.443 cc Cor No do motor Velocidade máxima Branca S-926736 180 km/h História da marca: A A. a firma seria entregue a Giuseppe Merosi. com a marca a triunfar quatro vezes em Le Mans na década de trinta. 83 . essa reputação tem sido confirmada com importantes vitórias.A. após falência da Darracq italiana. Após a sua integração no grupo Fiat. passando a produzir automóveis com a marca Alfa. a marca tem-se destacado. batendo-se por vezes com êxito contra a BMW.

em 1993. O MK VI pode considerar-se equivalente ao Rolls-Royce Silver Dawn e Silver Wraith. História do modelo: Apresentado em Maio de 1951. 84 . produzidos em Derby tinham a grelha do radiador em forma de V. No período entre 1946 e 1965. Profundamente abalada como a Grande Depressão de 1929. e foram baptizados de «automóveis de desporto silenciosos». História do veículo: Participou no I Concurso de Restauro. a Bentley Motors Ltd tem um passado glorioso de vitórias em competição desportivas. Elegância e Conforto. símbolo que havia sido criado pelo pintor de automóveis. seduzida pela forte imagem desportiva da marca do «B» alado. Gordon Crosby. realizado no Centro Comercial Capitólio. a empresa deveria ter desaparecido na sequência de uma liquidação judiciária. triunfando em Le Mans cinco vezes entre 1924 e 1930. enquanto os últimos têm apenas 9 grelhas. Embora de aspecto corpulento. se a Rolls-Royce a não tivesse comprado. Os primeiros modelos têm 10 grelhas por 1/2 radiador. aproximadamente 76 % da produção da Rolls-Royce foram Bentleys. o modelo MK VI foi o primeiro a ser construído após a II Guerra Mundial. conhecendo diferentes versões estandardizadas.1953 Bentley Modelo: MK VI Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada BL-43-32 4. Os primeiros Bentley-Rolls.566 cc Cor No do motor Velocidade máxima Branca 160 Km/h História da marca: Empresa formada por Walter Owen Bentley a 1 de Janeiro de 1919. em 1931. os Bentley da era Rolls mantiveram sempre uma certa conotação desportiva que se detecta na acentuada preocupação pelo aerodinamismo. em homenagem ao glorioso passado desportivo da marca. no Porto.

910 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelha UYEC 159188 150 Km/h História da marca: (continuado p.6 milhões. História do modelo: Com o carisma próprio dos automóveis americanos desta época. este modelo tem como característica inovadora ser o primeiro equipado com um novo tipo de motor Ford de oito cilindros em «V» com válvulas à cabeça. em V Matrícula No do chassis Cilindrada HH-86-37 UYEC 159188 3. História do veículo: Presume-se ser o único exemplar em bom estado no nosso país. espalhando as suas fábricas pelo mundo.1954 Ford Modelo: Crestline Sunliner Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros USA Aberta 8. Actualmente com 5. que foi sofrendo alterações a partir de 1955. 35) Depois do êxito do Ford T. realizado no Centro Comercial Capitólio em 1993. Elegância e Conforto. e mais recentemente do Mustang que vendeu seis milhões de unidades desde 1964. Esse é o caso do Thunderbird. no Brasil e no México.5 milhões de veículos produzidos anualmente. mais de metade é construída fora dos Estados Unidos. no Porto. sendo a Europa responsável pelo fabrico de 1. na Alemanha. Participou no 1º Concurso de Restauro. a Ford tornou-se um dos grupos líderes do mercado americano e mundial de automóveis. a marca de Detroit continuaria a produzir modelos que ficaram na história do automóvel. com unidades industriais instaladas em Inglaterra. Juntamente com a Chevrolet e a Chrysler. 85 . uma vez que até esta altura eram equipados com “válvulas laterais”.

W125. História do veículo: Este automóvel é o 21º da série e figurou no Salão de Paris de 1954.7 Km/h e. o que não chegou a verificar-se devido à eclosão da II Guerra Mundial. antes da guerra. Perante estes resultados. destacou-se em várias competições de sport. devido à II Guerra Mundial. A forma característica de abertura das portas é determinada pelo tipo inovador de chassis utilizado no modelo. Igualmente foi ao volante de um Mercedes-Benz W 196 que Juan Manuel Fangio conquistou o campeonato do Mundo de Fórmula I de 1954. assinala a reentrada da marca na competição automóvel de que se havia afastado em 1939. as «24 Horas de Le Mans» e a «Carrera Pan-americana». quatrocentas das quais para a Europa. Nesse mesmo ano. 86 .1954 Mercedes-Benz Modelo: 300 SL Gullwing Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Alemanha Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada BB-22-06 2. de Berne».400 unidades deste modelo. Foram produzidos ao todo 1. W 165 e W154. História do modelo: Apresentado em 13 de Março de 1952. com a colaboração de Ferdinand Porsche. Para Portugal vieram 19 unidades. o «G. com uma carroçaria e mecânica diferentes.996 cc Cor No do motor Velocidade máxima Cinzenta 250 Km/h História da marca: (continuado p. em 6 de Fevereiro de 1954. em acumulação com o campeonato do Mundo de Construtores. Depois da guerra. que se pretendia atingisse os 650 Km/h. o T 80. 44) Faceta importante da marca foi a construção de modelos de competição que arrebataram importantes e numerosas vitórias nas pistas com os modelos W25. o modelo obteria importantes vitórias em competições como as «Mille Miglia». onde se destaca a injecção directa nos cilindros. o modelo 300 SL de concepção revolucionária. sendo as restantes destinadas ao mercado americano. O primeiro 300 SL foi exposto pela primeira vez em Nova Iorque. Max Hoffman agente da marca nos EUA’s entusiasmou a direcção da marca para a sua produção em série. e o último foi vendido na fábrica em 27 de Setembro de 1957. com o objectivo de arrebatar aos ingleses o recorde mundial de velocidade. o Modelo 300 SL Gullwing (asas de gaivota). a fábrica concebeu um modelo derivado do de competição. Nesse projecto incluíam-se os protótipos W 125 de ensaio de 1939 que atingia 432. Já nos anos trinta. Para tanto. terminando vitorioso a Carrera Pan-americana de 1952. beneficiando de importantes subsídios governamentais. a Mercedes-Benz se interessara pela construção de protótipos de grande potência.P.

na Alemanha pela BMW. é apresentada a primeira versão daquele que viria a ser o mais popular dos carros pequenos: o Seven. equipado com um «motor de bolso» de 696 cc. 87 . em 1959. que na sua versão Cooper S. a Austin funde-se com a Morris de Lorde Nuffield. O resultado desta união foi o nascimento. Em 1921. tanto de alta como de baixa cilindradas. o carro ideal para o meio urbano. Após a Grande Guerra. equipado com motor de 4 cilindros e 3. do modelo revolucionário projectado por Alec Issigonis: o Mini. Com o Seven.991 cc Cor No do motor Velocidade máxima Preto 160 Km/h História da marca: Fundada em 1905 por Herbert Austin. formando o consórcio BMC (British Motor Corporation). no Japão pela Datsun e nos EUA’s pela American Austin. é lançado o Twelve .1955 Austin Modelo:A 135 Limousine Princess Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada IC-22-95 3.um dos mais robustos automóveis de sempre . nos anos sessenta. mantendo-se em produção até 1939. Sir Herbert Austin realizava o seu projecto de «motorizar o homem da rua». oferecendo dois lugares atrás para as crianças. Entre 1905 e 1914. Tratava-se de um automóvel de dimensões reduzidas. apesar de denotar uma vocação familiar. a Austin tentou impor um único modelo: o Twenty. mas que causou bastantes problemas financeiros à empresa. alcançou grande sucesso em provas de rali.e em 1922. História do modelo: Trata-se do modelo mais luxuoso jamais construído pela Austin História do veículo: Este carro pertenceu ao Patriarcado de Lisboa. e era utilizado normalmente pelo Cardeal Cerejeira.6 litros que se manteve em produção até 1929. data em que a Austin se tornou uma empresa pública foram produzidos vários modelos. Este modelo seria construído em França pela Rosengart. após este se ter despedido da Wolseley. Em 1951.

O Tipo E seria o último do seu género: um belíssimo modelo com preço acessível. agora já com pára-brisas panorâmico de um só vidro. e com injecção electrónica. é o sucessor melhorado dos famosos XK 120 e XK 140.4 e 3. Sir William Lyons.4 serão ultrapassados pelo Mark 2. p. e que seria o primeiro de uma linhagem inteiramente nova. intimamente ligada ao projecto de William Lyons de criar um automóvel luxuoso e veloz. em 1961. As linhas arredondadas e um pára-choques envolvente atrás tornaram este modelo muito mais aerodinâmico. de que se chegaram a produzir 100. 78) História do modelo: Concebido por William Lyons. Essa nova geração. respectivamente lançados em 1954 e 1957. cedo a marca se lançou na construção de modelos desportivos. nunca chegaria a produzir o seu «Tipo F». Outro modelo notável foi o gigantesco Mark X de 1961. que depois de muitos ajustamentos realizados no túnel aerodinâmico daria origem ao XJ de dimensões mais reduzidas e que foi lançado em 1964.441 cc Cor No do motor Velocidade máxima Azul 198 Km/h História da marca: (continuado p.1959 Jaguar Modelo: XK 150 FHC Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada CI-49-14 3. de turismo e de grande turismo que impuseram a sua presença como automóveis de prestígio. Consciente de que a participação na competição era fundamental para demonstrar a superioridade dos seus carros. este carro nunca sofreu qualquer intervenção de restauro. o que lhe propicia uma óptima endurance. As séries desportivas culminariam. Depois dele. directamente saído dos circuitos e equipado com travões de disco às quatro rodas. os modelos 2. e por uma vasta gama de sucessores. lançou também versões de desporto: os modelos tipo C e D que correspondem às berlinas XK 140 e XK 150. com o lançamento do Jaguar tipo E. Inicialmente destinado ao mercado americano. aliando a performance à inovação estética e tecnológica. Quanto a berlinas. em 3 de Março de 1945 surgia o fogoso XK 120. surgiu uma nova geração de automóveis que aliava a madeira e o couro ao plástico. encontrando-se em tudo no seu estado original 88 . 47) É pois no contexto de recuperação do Pós-Guerra que surge a Jaguar Cars. Possui “overdrive”. capaz de atingir os 192 Km/h. a gama XJS. Assim.000 unidades. História do veículo: Além das normais operações de manutenção. (cont.

Desde então participou em diversos encontros de marcas e concursos de restauro. trabalhando aí entre 1898 e 1905. em muitas provas internacionais. Em 1935 chefia o gabinete de estudos da Daimler-Benz. onde existiam importantes stocks. concorrendo e por vezes batendo a Ferrari.582 cc Cor No do motor Velocidade máxima Branca 185 Km/h História da marca: Apesar de ter sido fundada em 1938. em Estugarda. mecânica e interiores que se prolongou até aos finais de 1993. Seguidamente passa para a Austro Daimler e depois para a Auto-Union. 89 . o 356.000 unidades. onde obteve o prémio para melhor restauro. Nesse período patenteou o seu primeiro automóvel: o LohnerPorsche. tendo como resultados de maior destaque o 1º lugar no Rali Verde Pino de 1994 e o 1º lugar no Concurso Internacional de Elegância e Restauro “Estoril Classics 94”. História do modelo: O Porsche 356 foi construído entre 1945 e 1965. Com ele e com o 991 S que lhe sucedeu. filho e continuador do célebre criador do Carocha. perto de Estugarda.1960 Porsche Modelo: 356 B Cabriolet Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros Alemanha Aberta 4 Matrícula No do chassis Cilindrada GF-37-95 1. a partir de peças trazidas da Suíça. registou onze vitórias. com o projecto do primeiro modelo a ser construído numa pequena fábrica que “Ferry” Porsche. Foi ao volante de um 356 de competição que James Dean viria a sofrer o acidente que o vitimou. História do veículo: Na posse do actual proprietário desde Agosto de 1987. onde desenvolve os famosos automóveis de competição. como é o caso das 24 Horas de Le Mans. possuía em Gmünd. a marca lançou-se nas competições desportivas. onde. De todo este legado de experiência e criação será herdeira a Porsche. a marca só viria a surgir verdadeiramente no Pós-Guerra. sendo vendidas 78. com o motor atrás. este carro sofreu uma intervenção de restauro integral da carroçaria. O seu primeiro modelo. na Áustria. e é responsável pelo projecto do carro popular alemão encomendado por Hitler: o Volkswagen. Ferdinand Porsche foi um brilhante engenheiro de Viena que iniciara a sua actividade na firma Lohner que fornecia carros de propulsão eléctrica à Casa Real. é fabricado tomando por base a mecânica Volkswagen. por Ferdinand Porsche (1875-1951). entre 1970 e 1986.

os modelos Cx e o luxuoso XM foram tentativas de imprimir uma imagem de renovação à marca. Mais recentemente. e a designação DS (lida Déesse) sugerida a palavra deusa.911 cc Cor No do motor Velocidade máxima Bege + Preto 160 Km/h História da marca: (continuado p. as alterações na caixa de velocidades e na embraiagem. projecto esse que não chegou a atingir o êxito esperado. este modelo durante a sua época foi tido como símbolo de conforto e de arrojo estético e mecânico. a Citroën voltaria a revolucionar o mercado com o lançamento do ID 19. mas que a guerra havia impedido de lançar. renovação essa particularmente mais perceptível no plano estético. e muitos dos inúteis mas esplêndidos excessos de André Citroën são eliminados. logo seguido do DS 21. Baptizado de “Boca de Sapo”. Em 1955. principal credor da empresa. cujos estudos haviam sido iniciados nos anos trinta. o ID 19 é um modelo inovador em muitos aspectos. A Traction Avant inicia então em 1935 a sua brilhante carreira comercial. onde se estreava aquela que viria a constituir uma das mais famosas características da marca: a suspensão hidro-pneumática.1960 Citroën Modelo: ID-19 Confort Categoria: Pós-Guerra País de origem Carroçaria No de cilindros França Fechada Matrícula No do chassis Cilindrada EA-49-58 1. Mais recentemente. História do modelo: Apresentado no Salão de Paris de 1955. além do facto de ter sido o primeiro veículo de série a montar travões de disco às rodas da frente. 53) A Michelin. a marca lançou o inigualável 2 Cv. dos quais se salientam a suspensão hidro-pneumática. Em 1948. a designação ID (lida idée) sugeria a palavra ideia. André Citroën é afastado e morre na miséria em Julho de 1935. nos anos 70 uma associação com o fabricante italiano Maserati daria origem ao opulento Citroën SM. Um rigoroso plano de austeridade é imposto pela Michelin. História do veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 90 . intervém na gestão e assegura a sua continuidade. sendo comum dizer-se a Citroën a partir de uma ideia (ID) fez uma deusa (DS). Em França. a qual só viria a terminar em 1957. e que seria apresentado no Salão de Paris desse mesmo ano.

Pós-1960 (de 1/1/1961 a 31/12/1971) 91 .

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como o slogan Make Love not War bem o ilustrava. cantores como Jim Morison. passa beber coca-cola e delira com os novos ritmos importados dos Estados Unidos: o rock-and-roll. na medida em que permite precisamente a evasão. Mas nem tudo é um mar de rosas. A Ocidente e no Leste. que se vê rapidamente promovido a objecto de consumo corrente. Época de contestação e de irreverência. que emergem precisamente da juventude cuja irreverência e idealismo a fazem aproximar das ideologias de esquerda. de que na Europa foram pioneiros os célebres agrupamentos musicais ingleses The Beatles e The Roling Stones que levaram ao rubro a juventude de todo o mundo. aparecendo como aliado precioso de uma rotura quase ascética com o establishment. tee-shirts e sapatos de ténis. surgem parques de campismo e de caravanismo. em Chicago. cineastas como Millos Forman. Che Guevara. agora ele era encarado como instrumento de libertação. durante os pesados anos da Lei Sêca. Dando resposta a essa inquietação e procurando exprimir a utopia. o cosmonauta soviético Yuri Gagarine completava com êxito a primeira viagem orbital tripulada. os norte-americanos colocavam o primeiro homem na Lua. o automóvel é definitivamente um elemento importante. Época de prosperidade e de pleno emprego. com os novos meios de comunicação a desencadear a adopção de padrões de comportamento e de mentalidade estereotipados em milhões de interlocutores. onde a dupla automóvel/roulotte tornava possível às famílias das classes médias desfrutar o prazer das viagens de turismo. em Paris. Num quadro político-cultural extremamente complexo. Muita da melhor literatura e poesia da época giram em torno dessa evasão. formam-se clubes e as férias começam a ser passadas com regularidade em locais cada vez mais afastados do lar. particularmente vivida pela juventude contestatária. a juventude veste-se de blue-jeans. Poetas como Alan Ginsberg.Flower Power . então. a luta então era pela paz . Entre todas as obras desse período. e admirar os seus líderes: Angela Davis. e paralelamente ao bem-estar. mas época de evasão também. anteriormente apresentado por John F. garantindo aos países industrializados elevados padrões de nível de vida e de segurança social. o sistema produzirá os seus próprios anticorpos e um pouco por toda a parte os registos desse tempo dão-nos o testemunho de uma grande inquietação. integrado na ideia de Nova Fronteira. músicos como Bob Dylan. com difusão crescente nos mercados internacionais. «em intermináveis deambulações à boleia por estradas inundadas de Sol». da revolução ou da corrida aos armamentos de destruição massiva. Kennedy. na década de sessenta assiste-se à formação do Estado Providência. voltar as costas às comodidades do lar e partir à demanda de um suposto paraíso imaginário. Nela. Um pouco por toda a parte. é a obra que porventura melhor traduz o ambiente mental da época.Esta nova era automobilística ficou marcada pela inovação permanente do automóvel. dão-nos uma imagem extremamente fiel desse tempo. O delito supremo era. na sequência do cumprimento do projecto espacial Apollo. surge a chamada contracultura. em que as tensões Leste-Oeste dominam a vários níveis. Da mesma forma como Al Capone usara o automóvel como arma de crime. Por todo o lado. Mas o sentimento e a necessidade de evasão não eram um exclusivo da geração contestatária. propaga-se a nível mundial a cultura de massas. envolver-se nos seus combates. inculcando nos indivíduos o receio da bomba atómica. criando porventura um dos primeiros fenómenos mediáticos a nível mundial. com as instituições estatais a assumir a plenitude das suas obrigações sociais. o romance de Jack Kerouac. Mais do que combater. 93 . artistas como Andy Warhol e escritores como Jack Kerouac. o country e o folk. a sociedade de abundância despoleta energias contrárias de contestação. Nos Anos 60. ao ponto da política seguida pela Casa Branca se confundir com a política das próprias multinacionais. como a expressão «What is good for the General Motors is good for the country» o demonstra. interessar-se pela sorte de grupos minoritários que vivem à margem da sociedade de abundância. On The Road. com os gigantes da indústria automóvel e das empresas petrolíferas norteamericanas a dominar as mais importantes franjas desse mercado. os sucessos tecnológicos sucedem-se a uma cadência alucinante. É a época de ouro das multinacionais. Em 1961. e cuja expressão máxima de revolta culminaria. Foi justamente na década de sessenta que começou a vulgarizar-se o campismo e nomeadamente o caravanismo. e em 1969. no levantamento estudantil de Maio de 68. ou quase. Daniel Cohn-Bendit.

para as suas deslocações ao supermercado. como acontece com o Mini. aparentemente a indústria automóvel não se deixou abalar. O tempo do combustível barato terminara. como acontece com o filme Grand Prix. como o Citroën DS-21. imortalizando pilotos e promovendo marcas de automóveis e de patrocinadores. para se tornar um desporto de massas. Crescem os serviços. que se acentuam ano após ano. os Dragsters. as diferentes marcas começam a fazer experiências de colisões com robots e bonecos. passando doravante os principais fabricantes a desenhar variantes com estas características para cada modelo standart de automóvel. surgem ou adquirem projecção mediática outras modalidades como os carros de Grande Turismo. e com ele regressariam as restrições. que é notório principalmente nas cidades do litoral oeste. deixando este de ser um entretenimento de um círculo reduzido de pessoas. os Stock-Cars. determinam o aparecimento das versões station. As corridas destas modalidades passam a ser difundidas pela televisão. deixando esta de atingir o peito do condutor. Esteticamente os automóveis deste período tornam-se cada vez mais abertos. Por esta altura. 94 . recorrendo a formas arrojadas e elegantes. o aumento dos rendimentos permite que muitos agregados familiares possam daí em diante dispor de um segundo carro. cada vez mais belos. Bertone e outros desenham autênticos modelos de sonho. Melhoram-se os sistemas de travagem com a introdução progressivamente generalizada dos travões de disco às rodas da frente e nos modelos desportivos às quatro rodas. muito embora o país se situe comparativamente num plano de desenvolvimento completamente distinto. para levar as crianças à escola ou dirigir-se ao local de trabalho. obrigam a que se desenhem automóveis cada vez menores. e do campeonato do Mundo de Construtores. A direcção assistida começa a aplicar-se nalguns modelos. compartimento dos passageiros. e começam a surgir modelos que escapam à linha convencional de três volumes: compartimento do motor. Os carros tornam-se cada vez mais baixos por forma a oferecerem menor resistência à passagem do ar. nos finais da década. Pode dizer-se que a estrutura da população activa se transforma. ao nível dos centros urbanos. embora a sua aplicação não seja obrigatória na maior parte dos países. Surgem modificações na coluna da direcção. destinado a ser usado pela mãe de família ou dona-de-casa. Outras vezes chegam mesmo a realizar-se filmes onde se procura retratar e romancear o ambiente vivido nas corridas. o seu uso progressivo como veículo de recreio e de turismo. Além do campeonato do Mundo de Condutores de Fórmula 1. que apresentem menos espaço inútil. se for esse o caso. onde Yves Montand faz o papel de famoso piloto de F1. muitas das vezes em cadeia internacional de várias televisões mundiais. tirando partido da melhor qualidade das estradas que graças aos novos revestimentos de asfalto apresentam cada vez pavimentos mais lisos e mais aderentes que exigem menor trabalho às suspensões. Com a prosperidade económica e o baixo preço do petróleo nos mercados mundiais. os Anos 60 viriam a ser fortemente abalados pelo choque petrolífero do início da década de 70. os Sport-Protótipos. nos anos sessenta.Tecnologicamente o automóvel dos Anos 60 é uma máquina complexa que integra uma multiplicidade de equipamentos e sistemas que permitem aumentar o conforto e a segurança dos passageiros. O crescimento das cidades e o aumento do tráfego urbano. Designers como Pininfarina. como anteriormente sucedia nos impactos mais violentos. para estudarem o comportamento dos materiais e as lesões que o impacto das zonas deformadas provocam nos passageiros. Portugal. Por outro lado. Ghia. tornando assim mais fácil a sua circulação e estacionamento. Verifica-se um expressivo crescimento económico. não se afasta muito do quadro anteriormente traçado. Época de sonho. A utilização cada vez mais polivalente do automóvel. Divulga-se também o uso dos cintos de segurança. e na opinião de muitos especialistas. aumenta o peso do sector secundário e expande-se a escolaridade. Contudo. os Indy-Cars. Uma outra característica desta época é a diminuição progressiva do tamanho dos automóveis utilitários. criam-se de novo as condições favoráveis à prática do desporto automóvel. sendo a partir de então verdadeiramente notável a evolução que conheceu a mecânica Diesel. onde a expansão do espaço de arrumação da bagagem permite a sua adaptação aos passeios e viagens de turismo. compartimento da bagagem. também. Aumenta a superfície envidraçada das carroçarias. que passa para seis anos de frequência obrigatória. com o sector primário pela primeira vez a sofrer uma redução drástica de efectivos. e os principais fabricantes procederam a investigações conducentes à produção de motores cada vez mais económicos e com melhor rendimento. de que os modernos meios de comunicação e a publicidade se começam a interessar.

requeria mão-de-obra pouco qualificada para a construção civil. o governo tentava canalizar esse fluxo para as províncias ultramarinas. num esforço derradeiro de manutenção do sistema vigente.que se revela incapaz de ter efeito prático. Em África. e sobretudo. Principalmente a França. declara-se uma intenção de liberalização do regime . que perversamente se reflectia na falta de dinamismo da classe empresarial. celebrando acordos com as marcas construtoras. aliás.7 % 339.. mas também. patéticas. preferiu-se desenvolver a indústria de montagem de veículos. a realidade é que o crescimento económico nas cidades é um facto. a Europa..257 197.1 % 256.8 % Número de Automóveis em Portugal 700.000 300. imposta pelo Estado.214 Índices 100 % 107. Com a doença de Salazar e a subida ao poder de Marcello Caetano. aeroportos . porém. representava uma espécie de veto popular ao regime. cujos modelos mais procurados eram montados em instalações próprias situadas nos arredores da cidade da Guarda.000 0 1960 1961 1968 1969 1970 Para este crescimento contribuiu também uma maior abertura do país à importação de automóveis. viadutos.080 554. Incapaz de suster a emigração que. através de campanhas publicitárias na TV. 95 . e a evolução do número de automóveis nesse período bem o demonstra. como se pode verificar no quadro e no gráfico seguintes: Número de Automóveis em Portugal Continental Anos 1960 1961 1968 1969 1970 Quantidades 184. As tentativas de modernização do regime eram. A população prefere. como aconteceu por exemplo com a Renault. túneis. o resultado da conjugação de dois factores fundamentais que por vezes se encontram associados: a emigração e a guerra colonial.000 600. eixos periféricos de circulação urbana. eixos nacionais de circulação rodoviária.407 490. pedra angular do regime.000 500.9 % 295.876 626. posta de parte a hipótese da criação de uma indústria nacional própria. Portugal conheceu o seu Vietname e todo o cortejo de contestação e oposição ao sistema.000 100.Neste fenómeno deve ver-se não só o efeito programado dos Planos de Fomento Nacional que visam o crescimento industrial do país. onde o dinamismo económico criado com a CEE. também ela oprimida pelos grandes grupos económicos e limitada por uma política dirigista de substituição de importações. Em vez disso.000 200. eufemismo de colónias.Evolução na Continuidade . por ser muitas das vezes clandestina. devido ao impasse em que havia caído o problema colonial. base de sustentação da economia nacional e dos interesses económicos instituídos. nomeadamente para a construção das grandes vias de comunicação que a efectivação da integração económica europeia implicava: auto-estradas. Mas apesar de todas as críticas que se possam tecer.000 400. sucumbindo perante o peso do imobilismo.

Assim. a partir desta data torna-se possível ter uma ideia clara da estrutura do parque automóvel português. O embate petrolífero não chegou a dar tempo para se verificar se esse iria ou não ser o destino das receitas colectadas aos proprietários de veículos automóveis. embora excluam os motociclos e os tractores.961 553 911 72.991 Importa referir que estes números contemplam apenas os automóveis adquiridos nesse mesmo ano. e atrasa a abertura dos grandes eixos rodoviários de circulação interna e externa no país. que mais do que o marítimo pode promover e assegurar o desenvolvimento das regiões do interior. O país encontrava-se estrangulado em termos de circulação rodoviária. numa altura em que esse mesmo tipo de transporte começava a impor-se. Mas com base nas estatísticas que a adopção desse imposto criou. qualitativo. enquanto a população rural abandona aos magotes os campos para ir construí-los em França. O crescimento do parque automóvel encontrava-se portanto desfasado do crescimento das infra-estruturas rodoviárias. Para nos apercebermos melhor do problema. tendo como satisfação maior poder no regresso viajar de carro. inicialmente apresentado à população como recurso financeiro destinado ao melhoramento das vias rodoviárias. ficando à margem deste cômputo os modelos que haviam sido adquiridos em anos anteriores. os índices de crescimento das estradas é irrisório. mas também internacional. Extensão das Estradas do Continente Anos 1950 1961 1970 Extensão 27. e assim. em Portugal Continental. em 1970. 96 . que se inserem numa outra estrutura de classificação e de taxação. o parque automóvel português. em 1970 nasce o imposto automóvel. não só no plano quantitativo mas também. taxado.909 Km Índice 100 % 101. e sobretudo.230 19. no quadro seguinte registámos a variação da extensão viária entre 1950 e 1961.6 % Comparando com os índices de crescimento dos automóveis. Refém do problema colonial. apresenta a seguinte estrutura: Estrutura de motorização do parque automóvel de Portugal Continental Classe de cilindrada (cm3) Até 750 De 751 a 1500 De 1501 a 3750 De 3751 a 6000 De 6001 a 8000 8001 e mais Total ligeiros Total pesados Quantidades (unidades) 2. nomeadamente em função da cilindrada dos veículos.006 2.A construção europeia iniciada pela integração económica. segundo os dados do Anuário Estatístico. uma vez que seria esse o indicador usado como critério de escalonamento do próprio imposto.707 49. o regime é forçado a tomar uma posição refractária relativamente à integração económica europeia. Por outro lado.452 Km 27. não só como motor da economia nacional. estes dados incluem tanto veículos ligeiros como pesados. Esse crescimento tornava o automóvel atractivo como fonte de receitas para o Estado.635 1. encontra-se intimamente ligada ao desenvolvimento do transporte terrestre de veículos ligeiros e pesados.

Por isso.085 unidades.1% do total.615 unidades. então. Como em outro lugar escrevemos. tanto a nível de ligeiros como de pesados. continuava. e muitos mais haveria ainda a referir. 97 . Seja com for. Com isto não se entenda que a História não deva transgredir a barreira clássica dos cinquenta anos que dantes nos ensinavam a respeitar. os factos relacionam-se de todas as formas imagináveis. A profusão e o consumo de informação a que presentemente se assiste. O espaço privilegiado desse encontro e desse confronto é para nós o museu. Relativamente à origem destes veículos. com 17. embora se registe a aquisição de algumas centenas de veículos de cilindrada elevada. em terceiro lugar a França com 14. por desconto dos veículos pesados.034 unidades e em quarto lugar a Itália com12. surgindo em segundo lugar a Alemanha. «a vocação do museu consiste em integrar o passado no presente e as culturas na sociedade». e é sempre aí que a História se encontra e se confronta consigo mesma. os acontecimentos desmultiplicam-se em séries intermináveis. é evidente a predominância das baixas cilindradas sobre as altas. com 29.761 unidades registadas. o historiador é cada vez mais levado a interessar-se por aquilo que Pierre Nora designou a História do Presente. à partida o número de veículos pesados parece-nos pouco expressiva: apenas 4. Quererá isso dizer que a estrutura de transportes terrestres do país. e fazem-nos saltar da ribalta da opinião pública para o esquecimento mais infame. em última análise. pretendemos também mostrar como facilmente se pode tornar monótona a escrita da história de tempos tão próximos. outros dados nos referem que a maior parte continua a ser originária da Inglaterra. a ser ainda dominada pelo comboio? Ou será que uma parte significativa desse transporte era efectuada através de camiões estrangeiros? Quanto aos ligeiros. além da informação em si. como em época anterior já havíamos registado. é sempre no presente que a História se faz. A informação jorra a rodos. embora no capítulo dos comerciais ligeiros e pesados seja batida pelo Japão que apresenta 1.A análise destes dados torna-se problemática devido à não distinção entre os ligeiros e pesados.132 unidades contra apenas 822 da Itália. tornaram os acontecimentos verdadeiramente efémeros. Até porque. Com a transcrição destes dados.

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a sua participação em competição ficou assinalada por logo na primeira aparição pública ter batido os Aston-Martin e os Ferrari no circuito de Oulton Park. foram concebidos dois protótipo EA1 e EA2 que participaram nas 24 Horas de Le Mans. 68) As vendas da série XJ registaram um grande crescimento.235 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelho 240 Km/h História da marca: (continuado p. continuando apenas a ser usado em Inglaterra. quando o XJ6 foi eleito “automóvel do ano”. Trata-se de um modelo que combina a alta performance com um design soberbo. de 1935/36. Antes da sua apresentação pública que ocorreu no Salão de Genebra de 1961. Ainda activa no domínio da competição. existindo por isso ainda hoje muitos carros destes em circulação. em 1969. o que constitui um recorde dentro da marca. a marca britânica ocupa actualmente um nicho seguro do mercado de automóveis de desporto de gama alta. após os desaires de Le Mans de 1964 e o trágico acidente ocorrido durante os 1000 Km de Monthéry que vitimou F. e mais cedo ainda dos modelos SS 90 e SS100. em Abril de 1961. embora no plano internacional a sua carreira não tenha sido das mais brilhantes. História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 99 . o Jaguar E foi retirado das competições internacionais. o Jaguar Type E foi produzido entre 1961 e 1975. aliados a uma rara fiabilidade e durabilidade. Lindner. equipados com o motor do Jaguar D.972 unidades. História do modelo: Derivado do modelo MK VII de 1950 e do modelo de Sport D-Type de 1954. no ano de 1960. Tratando-se de um modelo desportivo. num total de 33.1965 Jaguar Modelo: Type E Roadster Categoria: Pós-1960 País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Aberta 6 Matrícula No do chassis Cilindrada ER-45-36 4. Aliás. Trata-se dum modelo comercializado a um preço acessível para a sua categoria. em competições de menor importância.

História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 100 . a sua participação nas 24 Horas de Le Mans entre 1928 e 1939. na qual se incluem o V8 Saloon e o Vantage. Um ano depois seria salva por dois industriais norte-americanos. em 1913. quando foi adquirida pelo fabricante de tractores David Brown. devido aos seus êxitos desportivos. e nos últimos anos a Aston-Martin tem produzido uma gama de coupés de grande dimensão e altas prestações. em 1958 é lançado o DB 4GT que constituía um desafio ao Ferrari 250 GT. levando a empresa à falência em 1974. a empresa estava à beira da bancarrota. O êxito desportivo. Seguidamente. Com o advento do motor V8.996 cc Cor No do motor Velocidade máxima Azul 280 Km/h História da marca: Fundada em 1912 por Lionel Martin. ao mesmo tempo que manteve a sua tradição desportiva. História do modelo: Modelo bastante performante para a sua época.000 unidades. o Aston-Martin DB 6 ficou associado à personagem de James Bond que Sean Conery e Roger Moore imortalizaram no cinema. os Aston-Martin perderam um pouco do seu vigor desportivo. ao volante do carro do agente secreto 007.1966 Aston-Martin Modelo: DB 6 Categoria: Pós-1960 País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada CB-25-24 3. No terreno do Grande Turismo. foi coroada de grandes êxitos. seguidos de perto do modelo DB 3 um verdadeiro carro de competição. Nos Anos 60surgiram os modelos DB 5 e DB 6. a reputação da Aston Martin. cujas iniciais DB passam desde então a figurar em todos os modelos da marca. Brown deu um novo fôlego à empresa. mais as suas variantes Lagonda e Vantage Zagato. e enquanto a crise petrolífera desferia um golpe fatal. sempre ultrapassou a sua pequena produção que no total não excedeu as 11. no entanto não foi acompanhado de êxito financeiro e em 1947. A inclusão do nome Aston na designação da marca resulta do facto de Lionel Martin ter vencido a corrida de Aston-Clinton. Nos anos cinquenta surgiram os modelos DB 1 e DB 2.

Nesse primeiro carro aparece sobre o radiador aquele que viria a ser o emblema da marca: o tridente de Neptuno. ano em que Alfieri Maserati faleceu devido ainda ás sequelas de um grave acidente ocorrido durante uma prova disputada cinco anos antes. em V Matrícula No do chassis Cilindrada EF-51-38 4. a firma continuou a produzir carros de desporto e de competição destinados a pilotos amadores e profissionais. e recebeu em 1937 apoio financeiro do Comendador Adolfo Orsi. Controlada pela família Orsi. esse carro terminaria vitorioso a difícil Targa Florio. símbolo da cidade de Bolonha. A produção é relançada e. Continuada pelos irmãos Ettore. Entre 1926 e 1932.719 cc Cor No do motor Velocidade máxima Cinzento 248 Km/h História da marca: Começando antes da Grande Guerra por ser uma fábrica de velas para motores de automóveis. surgem os potentes Biturbo. sendo recuperada por De Tomaso. História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 101 . nos anos 70. foram sendo construídos carros de corrida. entre 1966 e 1971.500 cc de cilindrada. Apesar da qualidade dos modelos. História do modelo: Apresentado no Salão de Turim de 1966 e desenhado por Vignale. que acabaram por ser os antecedentes do 250 FGP que pilotado por Juan Manuel Fangio. em 1976. criando uma nova marca: a Osca. com 1. Passada essa data separaram-se da firma e regressaram a Bolonha. surgiu o projecto conjunto com a Citroën que não deu os resultados esperados.1968 Maserati Modelo: México Categoria: Pós-1960 País de origem Carroçaria No de cilindros Itália Fechada 8. Com a crise petrolífera. mudando as suas instalações de Bolonha para Modena. Embora os problemas financeiros continuassem. 250 unidades deste modelo. foram produzidas. Pilotado nesse ano por Alfieri Maserati. bem sucedidos. essa oficina tornou-se em 1926 a Officine Alfieri Maserati. a Maserati depois da guerra dedicou-se à construção de carros de desporto carroçados por PininFarina e Vignale. em 1982. com sede em Bolonha. Posteriormente o filho de Adolfo Orsi decidiu construir carros de F2. a empresa é dada como falida. Bindo e Ernesto. Os irmãos Maserati permaneceram ainda por um período de dez anos como consultores da empresa. a firma nos meados da década de trinta conheceu dificuldades financeiras crescentes. formada pelos irmãos Alfieri e Ettore e nesse mesmo ano foi projectado e construído o primeiro carro: um bilugar equipado com motor sobrealimentado de 8 cilindros em linha. ganharia o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 em 1957.

fazem com que figure actualmente na galeria das grandes inovações tecnológicas do Museu da Ciência de Londres História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 102 . A partir de 1957. Em 1986. deslocando-se nele para os Grandes Prémios que se disputavam na Europa. este modelo foi publicitado como “a distância mais curta entre dois pontos”.1971 Lotus Modelo: Elan Spint Categoria: Pós-1960 País de origem Carroçaria No de cilindros Inglaterra Fechada 4 Matrícula No do chassis Cilindrada IH-47-33 1. Após a introdução de vários melhoramentos. disse que era “a coisa mais diabólica e mais difícil de conduzir que se pode imaginar” enquanto que Jim Clark o tinha adoptado como carro do dia-a-dia. a empresa foi adquirida pela General Motors. após ter vencido a corrida de Mallory Park. mas cujos antecedentes remontavam a 1948 quando o seu genial fundador Collin Bruce Chapman desenhara um modelo experimental: o Lotus Seven.599 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelho e Branco 180 Km/h História da marca: A Lotus foi fundada em 1951 com o objectivo de construir modelos para as provas de Fórmula 1. Trata-se portanto de um modelo cujas soluções vanguardistas ao nível da mecânica e do chassis. História do modelo: Apresentado em 1963. a fábrica começou também a produzir e a comercializar modelos de grande Turismo. o Sprint seria lançado em 1971. tornando-se o modelo mais famoso produzido pela fábrica do célebre construtor britânico Collin Chapman. Sobre este modelo Jackie Stewart. pintado com as cores da Gold Leaf Team Lotus que no ano anterior fora vencedora do Campeonato do Mundo de Fórmula 1.

Extra Categorias (depois de 1/1/1972) 103 .

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procurando paralelamente desenhar carroçarias cuja resistência ao ar fosse cada vez menor. aumento da tensão política internacional. dos sistemas de ar condicionado de temperatura constante. Por causa disso. da Síria e da Jordânia contra Israel). A este novo quadro socio-económico teve de se adaptar o automóvel. a partir dos anos oitenta. Por tudo isto. nomeadamente na Europa e no Japão. imprimiu um novo impulso ao desenvolvimento da indústria automóvel. ou esta não-categoria. dos alarmes electrónicos. principalmente nos países capitalistas. que eram os mais vulneráveis e mais dependentes do petróleo do Médio Oriente. e nesse particular o papel mais importante é desempenhado pela electrónica. do air-bag e das suspensões activas. Com a crise.Esta última categoria. Mas uma revolução na utilização. muitos construtores de automóveis conheceram dificuldades financeiras. surgem fundamentalmente marcados pela assunção da temática ambientalista de que a realização da Conferência do Rio de Janeiro constituiu um momento de particular relevância. Para tanto organizam-se clubes. da Aston Martin e da Lamborghini. reflectem os contextos e os efeitos do grande choque petrolífero de 1973. As baterias de cádmio-níquel são já um passo nessa direcção. Julgamos poder hoje afirmar-se com total segurança. e renasce o espírito dos raids que marcaram. aquilo que se procura cada vez mais (r)estabelecer é o contacto com a natureza mais rude. julgamos a seu respeito justificar-se uma ainda que breve reflexão. aliás. o automóvel iria evoluir mais do que durante as décadas de cinquenta e sessenta juntas. Tal foi o caso da Maserati. desemprego. tendo nesse aspecto sido particularmente relevante papel do Rali Paris-Dackar. Começou a generalizarse o consumo de gasolina sem chumbo. de evidentes contornos políticos. convém ter presente que os primeiros anos desta temporada. E adaptou-se. apesar do seu carácter. o advento do automóvel. Em meia dúzia de anos. Os efeitos não se fizeram tardar: falta de combustíveis. o que por sua vez obrigou os construtores de automóveis a adoptar um conjunto de dispositivos anti-poluição nos veículos. que a crise que resultou do embate petrolífero. se preferir. uma autêntica revolução tecnológica e estética marca a época. Com a difusão generalizada dos veículos todo-o-terreno. dos sistemas de travagem anti-bloqueio. também. bloqueio do fornecimento e aumento do preço das ramas de petróleo do Médio Oriente. cuja adopção em massa depende do desenvolvimento de sistemas mais eficazes de armazenamento e de recarga de electricidade. como os comandos remotos de abertura e trancagem das portas. Crise económica. portanto. As preocupações com o meio ambiente levaram ainda os fabricantes e investigadores a interessarse pelo desenvolvimento de sistemas de propulsão alternativos ao motor de explosão de combustíveis fósseis. Em primeiro lugar. para o plano jurídico e legislativo. ao longo de estradas e cidades asfaltadas. lateral relativamente à estrutura de interpretação que no início nos propusemos seguir. e os carros a serem obrigados a submeter-se a uma inspecção periódica onde as suas emissões poluentes são rigorosamente analisadas. A pesquisa centra-se no motor eléctrico. uma panóplia de novos recursos tecnológicos começam a ser paulatinamente instalados num cada vez mais alargado número de automóveis. Ao contrário da década anterior. inflação. As preocupações com a preservação do ambiente saíram do plano do discurso de circunstância. Os anos noventa. Quer ao nível da mecânica com a progressiva adopção da ignição electrónica. a evasão que se procura experimentar hoje com o automóvel já não se compraz com pacatos passeios turísticos. decorrente do súbito agravamento de tensões no Médio Oriente (Guerra do Yom Quipur do Egipto. por sinal. dos equipamentos de som de tecnologia digital. redução da actividade industrial. por assim dizer. quer ao nível da utilização crescente de equipamentos cada vez mais sofisticados. política de contenção do consumo. enquanto se descobriam e se generalizava o emprego de materiais mais leves na sua construção. passaram a construir-se motores cada vez mais económicos e com melhor rendimento. e mal se apronte um sistema economicamente 105 .

desabou sobre o automóvel. junto ao recinto da própria Exposição. mais do que reduzir-se a um conhecimento erudito. A ser assim. Ou não fossem a tradição e a inovação o fogo e o gelo que polarizam a própria evolução. Seja como for. com a opção pela propulsão eléctrica previsivelmente a subir em flecha. as últimas décadas surgem como momentos cruciais da sua história. Um conjunto de problemas. Das potencialidades desse mercado. certo é que num tal contexto de mudança o estudo dos automóveis antigos. nos meios urbanos. relativamente ao automóvel. dos quais o preço dos combustíveis não será certamente o mais complicado. em muito poderá ajudar a perspectivar as soluções de que o presente está tão carecido. pelo levantar de questões que a interpretação da sua própria evolução implica. o mercado de veículos utilitários certamente sofrerá uma alteração muito profunda e muito rápida. tal como até hoje o temos concebido.viável e tecnicamente fiável. é aliás um pronúncio a presença de um veículo de propulsão eléctrica construído pela EDP. 106 . venham ou não a confirmar-se estas ou outras divagações. e apontam provavelmente no sentido de uma transformação radical do automóvel. Os problemas da poluição e do tráfego urbano parecem ser muito mais complexos.

criado por Franz Joseph Popp. só fosse registado em 17 de Outubro de 1917. data de nascimento oficial da companhia. Os primeiros motociclos apareceram em 1923.1973 BMW Modelo: 3. Primeiro automóvel de produção inteiramente BMW foi o modelo 3/20 de 1932-34 que vendeu mais de 7.500 CS. 4 lugares. chegando a BMW a ultrapassar a produção da Mercedes pela primeira vez em 1992. Travões de disco às quatro rodas. a BMW adquiria o direito de montagem do modelo Dixi 3/15: o Austin Seven. bem adequado à depressão económica que se avizinhava com o Crash da Bolsa de Wall Street. tornando-se Eisenbach o centro da produção de automóveis e Munique o centro de produção aeronáutica. Mesma estrutura e estilo de 2. a Companhia esteve perto da ruína. alguns deles pilotados pelo Barão Manfred von Richthofen.985 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelho 208 Km/h História da marca: Origem da BMW: 3 de Dezembro de 1896. ou seja. A BMW construiu motores de avião que combateram na I Grande Guerra. projectado por Max Fritz. começaria em Abril de 1929. Duas portas.W. A produção do pequeno carro inglês.M. Ferdinand Porsche (modelo Sascha. mas mais potência e melhor binário: 180 HP no 3. B. protótipo de sport). Após a II Guerra Mundial. Começando pela produção de motociclos acabaria por se notabilizar pelo fabrico de automóveis.063 veículos. tendo sido comercializados 11. iniciando a partir de 1950 uma lenta recuperação que a partir dos Anos 60se tornou galopante. embora o emblema da hélice rodopiante. após algumas falsas partidas às quais se encontrava ligado o Dr. coupé. com a celebração em 1 de Outubro de 1928 de um acordo com a Companhia Dixi de Eisenbach. Vários modelos vendidos com caixa automática. registada em 7 de Março de 1916. é a sigla de Bayerische Motoren Werken. A produção de automóveis.0 CS Categoria: Extra Categorias País de origem Carroçaria No de cilindros Alemanha Fechada 6 Matrícula No do chassis Cilindrada IU-22-95 2. Fábrica de Motores da Baviera. engenheiro-chefe da empresa. As primeiras iniciais BMW derivaram de uma firma de motores de avião. História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 107 .000 unidades. equipados com o motor de dois cilindros opostos de 500 cc. História do modelo: Fabricado entre 1971-75. com o início de actividade da Companhia Wartburg de Eisenach (ex-RDA). o destemido aviador que ficaria conhecido como o Barão Vermelho. Os anos trinta trouxeram prosperidade à BMW.0 CS.

487 unidades. Nesse mesmo ano termina a Targa Florio em segundo lugar. mas a guerra interrompe toda a actividade. 87) História do modelo: Modelo que se encontra na charneira de duas épocas da Ferrari: a dos “monstros” de motor dianteiro V12 e a das viaturas de motor central. novo responsável técnico da Alfa. série essa a que pertence o presente exemplar. data em que tempestuosamente abandona o cargo. O Ferrari Dino é ainda uma homenagem ao filho de Enzo Ferrari. o Dino 246 GTS. adoptara como símbolo. mas mantém-se como responsável desportivo da AlfaRomeo até 1938. Em 1920. Apresentado no Salão de Genebra de 1969. p. que durante os tempos da guerra o piloto da força aérea italiana Franceco Baracca. começando então a usar o célebre emblema do cavallino rampante. após ser desmilitarizado em 1918. mas não sem dificuldade. como evolução do modelo Dino GT 206. Enzo Ferrari (1898-1988) nas suas memórias afirma que enquanto jovem teve sempre uma grande aversão pelos estudos. entrando para a AlfaRomeo. Alfredo que morreu em 1956 num desastre de automóvel. Em 1929. acabando por se empregar numa garagem de Turim que desmontava camiões. e mantém-se em produção até Janeiro de 1974. funda a Scuderia-Ferrari. primeiro como experimentador. O seu êxito levou a que. Em 1940. por conflito com o engº Wilfredo Ricart. foi infrutífera a sua tentativa de ingressar na Fiat. fosse produzido. corta com todas as tradições da Ferrari. numa série reduzida. O último dos desejos viria a cumprir-se. num total de 1. constrói o seu primeiro Ferrari.1973 Ferrari Modelo: Dino 246 GTS Spider Categoria: Extra Categorias País de origem Carroçaria No de cilindros Itália Fechada 6 em V.418 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelha 240 km/h História da marca: Natural de Modena. o modelo Spider. Em 1931 abandona as pistas como piloto. entre 1972 e 74. depois como piloto de automóveis. (cont. para disputar as «Mille Miglias de Brescia».274 unidades. e que o seu desejo maior era vir a ser ou cantor de Ópera ou corredor de automóveis. sendo comercializadas 2. e cujo nome havia ficado associado à concepção de todos os motores V6 da marca. uma vez que com fraca preparação escolar. História do veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 108 . a 65º Matrícula No do chassis Cilindrada DN-21-76 2. consegue enfim realizar os seus intentos. utilizando carros da Alfa-Romeo.

500 cc. ressurge. desenhado por Colombo. deseja-se. O primeiro modelo é o Tipo 125: um V12 de 1. tendo como único equipamento extra a opção de ar condicionado. o F 40 recorre da tecnologia e da experiência da marca na competição automóvel. a marca continua a reger-se pela preocupação de aliar a tecnologia mais a avançada ao artesanato. História do modelo: Projectado para assinalar os 40 anos da Ferrari.. O “Commendatore” confessava: «Nunca fui um grande construtor e nunca sonhei vir a sê-lo». em V Matrícula No do chassis Cilindrada QT-86-68 2. único título académico que viria a obter em toda a sua carreira. Trata-se de um modelo concebido para as pistas com a agressividade e a rudeza dos carros de competição. nos arredores de Modena. de Piacenza. Por isso. P. que se inicia sem sucesso no G. onde instala uma fábrica rudimentar destinada à fabricação de carros de competição. fixando a sua sede em Maranello.».1991 Ferrari Modelo: F 40 Categoria: Extra Categorias País de origem Carroçaria No de cilindros Itália Fechada 8. a 11 de Maio de 1947. Apesar de tal como a Lancia e a AlfaRomeo ter passado para o controlo da Fiat. A partir daí começou a produção em quantidades limitadas de bólides de competição e carros de desporto manufacturados. É seguramente um dos carros de série mais rápidos do mundo. com a respeitosa idade de 90 anos. a produção da Ferrari nunca ultrapassou as quatro mil unidades anuais.936 cc Cor No do motor Velocidade máxima Vermelho 324 Km/h História da marca: (continuado p. para não contrariar o famoso slogan que diz que «um Ferrari não se compra. tal como sempre fora idealizado por Enzo Ferrari que em 1960 recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Engenharia. nomeadamente na Fórmula 1. a 25 de Maio desse mesmo ano. senão mesmo o mais rápido. História do Veículo: Não dispomos de informações específicas sobre a história deste veículo 109 . alcançaria a primeira vitória para a marca. mas passados poucos dias.. 86) Em 1946. Cortese ao volante do mesmo modelo. Faleceu em 1988. no circuito de Roma.

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Conclusões 111 .

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Nele concentram-se vários registos culturais. uma conclusão justa. de carácter visual. Em primeiro lugar porque o automóvel em si é um mecanismo extremamente complexo. Apesar das peças expostas não fazerem parte do acervo do futuro Museu dos Transportes e Comunicações. justifica-se quanto a nós uma avaliação escrupulosa da mesma. Nesta exposição. parece-nos acertado afirmar que o tratamento museológico e museográfico do automóvel. para efectivamente “pôr o automóvel a falar”. técnicos e científicos que se regem por outras tantas linguagens. cuja fabricação há muito atingiu já o topo de eficiência. um outro elemento. Para uma avaliação completa é fundamental conhecer a opinião do visitante. não os oprime nem os desfigura. Ao visitante individual. nem sempre foi possível «dar a palavra» aos automóveis expostos. No fundo. não é fornecida senão a informação indispensável. promete as mais fecundas e compensadoras abordagens. e que a não se verificar acaba por comprometer. e por saber. em termos de discurso expositivo. tenuamente. das legendas e das fotografias. a própria avaliação do museólogo. porque a relação que a exposição estabelece é deliberadamente débil. e não só. foi colocada na secretária de atendimento ao visitante uma caixa de sugestões onde este. desligadas umas das outras. Para entendê-la plenamente. Contudo. em museologia. porque se relacionam tematicamente com o seu programa. Uma música também ela neutra. e verifica-se um relacionamento bastante livre entre os automóveis e as fotografias que lhes estão anexas. somos forçados a reconhecê-lo. quase ascética. poderá deixar as suas opiniões. à saída. Nessa perspectiva. O espaço é neutro. ouvimos uma criança a fazer a seguinte pergunta: “Tio. sem dúvida! De facto. Dir-se-ia quase intemporal. durante o percurso. Como preencher o espaço? Como expor o carro? Como contextualizá-lo? Como dá-lo a conhecer? Um dia que nos encontrávamos na sala de exposição enquanto decorriam as visitas. Ela constitui um precioso feedback de informações que não pode ser substituído por nenhuma outra coisa. porque apesar de tudo o automóvel ainda é um artefacto recente e por isso em evolução. e que nos ligue à peça exposta. ainda há muito por fazer. como tema em si. reflectindo sobre a exposição. Depois. vasto. as fotografias aparecem como figurações em si mesmas. pode-se entrar nos carros?” É uma pergunta terrível. e procurando extrair da pesquisa uma estrutura e uma metodologia de interpretação. e relacioná-los com as salas onde a própria exposição decorre. Para tanto. Uma exposição mínima. ao contrário de um moinho ou de um carro de bois.No fim. porventura. existe ainda o problema da colocação do automóvel em exposição. 113 . para tanto preenchendo um inquérito simples. é imperioso integrar os automóveis no espaço. trata-se de uma exposição de carácter eminentemente contemplativo. para um tema infindável: tal poderia ser. e perversamente condicionar. mais do que analisar esteticamente a exposição. deve retirar conclusões úteis para o futuro da investigação e da restituição de colecções desta natureza. Quanto a nós isso acontece. A recolha das opiniões do público é sempre importante. No essencial. Além dos automóveis. Além disso. Não perturba os automóveis. um balanço final. tentando agarrar a unidade possível que transparece ao longo da busca realizada em torno da história do automóvel em Portugal. e não como meros registos informativos. paira sobre a exposição: a música. não conotável com qualquer época histórica em particular. ao percorrer a exposição acompanha-nos a sensação de que falta alguma coisa que nos aproxime. brilhante. Contudo. previamente distribuído à entrada da exposição. Nenhum é anulado ou especialmente realçado. uma estética minimal percorre toda a exposição.

114 . e ainda um tanto agrestes. da cultura dita não erudita. para assim integrar a sua avaliação na avaliação que os responsáveis e intervenientes na organização da exposição e na condução das visitas guiadas. Em contrapartida. outro não poderá ser o caminho. porém. porém. os primeiros passos só agora começam a ser dados. entre nós. conjuntamente. Relativamente ao aproveitamento museal do automóvel. uma vez que se encontram programadas para o corrente ano mais duas exposições versando a temática do automóvel em Portugal. e certamente no futuro não deixarão de florescer as sementes que às mãos cheias vão sendo lançadas sobre os campos recém-desbravados. a importância da avaliação é ainda maior. farão. Por isso. e como tal torna-se imperioso conhecer as opiniões dos visitantes. a riqueza do tema ainda se não reflecte de forma evidente e equivalente na concepção e elaboração de um discurso expositivo e de uma metodologia de investigação inteiramente adaptados ao tema.Neste caso.

Bibliografia

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Índice 119 .

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p.p.p. 72 Extra Categorias ------------------------------------------------------------------------------------------. 31 Pós-Vintage -----------------------------------------------------------------------------------------------. 16 Veteranos --------------------------------------------------------------------------------------------------. 83 III Parte Conclusões ------------------------------------------------------------------------------------------------. 40 Pós-Guerra ------------------------------------------------------------------------------------------------.p.p. 9 II Parte Pioneiros ---------------------------------------------------------------------------------------------------. 92 Índice -------------------------------------------------------------------------------------------------------. 56 Pós-1960 ---------------------------------------------------------------------------------------------------.p.Índice I Parte Apresentação ---------------------------------------------------------------------------------------------.p.p.p. 3 Introdução ------------------------------------------------------------------------------------------------.p.p. 89 Bibliografia -------------------------------------------------------------------------------------------------. 5 Nota de Abertura ---------------------------------------------------------------------------------------. 94 121 . 26 Vintage -----------------------------------------------------------------------------------------------------.p.p.

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