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caricatura

Exposição organizada pela Seção de Exposições da Biblioteca Nacional e patrocinada pelo Jornal

do Brasil, como contribuição aos festejos do 4." Centenário da Cidade.

BU .0 0 1 3 3 0 * 7 2 -2 H l * * / .

na percepção o caricaturista caricaturistas. para organizá-la A escolha Alvaro boração — em cola— justifica com as seções especializadas que a caracteriza histórico. Cotrim. do Rio. centenário. em seu próescrita da ci- documentário especialmente um caricaturista para este catálogo. dade — explica Cotrim das a significação Adonias Filho . cultural IV que se destina um acontecimento a revelar aspectos interesse no de principalmente dos seus Alvarus.A Biblioteca Nacional e o "Jornal promovem do Brasil". com esta de expo- sição "O Rio na Caricatura". Alvaro da Biblioteca Nacional artística i o critério prio como de importância Em introdução — também peças.

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Agostini. F o g u c l o r i o no Bio Col. H e r m a n L i m a .

a origem da Caricatura continua desafiando historiadores e eruditos que se perdem na interpretação de papiros e frisos dos túmulos faraônicos. mãe atenta a tôdas as artes.Perdida na noite dos tempos. durante longo período. pelo evidente ridículo à flor da pele. cujo caminho certo talvez fôsse aquele que se dirige à velha e imorredoura Grécia. No panorama das artes plásticas. atônitos. para chegar até nós. ricamente ataviada. quando levada pelo braço de seu príncipe encantado: o historiador. levando-os. no afã de provocar o riso fácil. Essencialmente simbólica no início de sua existência. passa à condição de deformadora com a preconcebida idéia de desproporção. que somente compareceu à festa. . como que a Gata Borralheira da casa do Desenho. a uma encruzilhada. foi a Caricatura. por seu caráter de intencional subjetivismo.

em sua quarta edição. de repetir por gestos ou palavras ou na fixação gráfica. Bergson. essa tendência inata que o homem sempre revelou pela imitação. Watelet. Sentiu êle. empregando os mais variados elementos e instrumentos. onde a arte da Caricatura atingiu a culminância. êle já era. no seu % 'Le Rire. Até relativamente pouco tempo — e na História o tempo se conta por séculos — a arte da Caricatura não era tomada no seu justo valor. Son art. essai sur la signification du Comique". assim a definia na sua História da Academia Real de Pintura : "imitação irônica e mesmo burlesca da natureza (de caricare. seus atos e atitudes. usado na linguagem corrente. sem dúvida. Ë o mesmo que "charge". assim como o de seus semelhantes. carregar)". qu'a quelque chose de diabolique. 0 germe inicial da Caricatura foi. Na própria França. de Pompadour a — 7 . a necessidade de parodiar a própria existência. porém. Ainda assim refugiando-se através da pintura e sendo definida como "têrmo de pintura oriundo do italiano". Assim é que nas cartas escritas por Mme.* * O real valor da Caricatura não reside tão somente em sua intensidade ou no aperfeiçoamento de seu grafismo. o têrmo — Caricatura — somente entrou no Dicionário da Academia em 1762. mas no que ela sugere. arqueólogos e historiadores descuidaram-se de situá-la no quadro da evolução da humanidade. diz : "l'art du caricaturiste est de saisir ce mouvement parfois imperceptible et de rendre a tous les yeux en l'agrandissant. em todos os tempos. em 1792. Se o têrmo esperou tanto tempo para ser admitido no Dicionário da Academia Francesa. relève le démon qu'avait terrassé l'ange".

como fonte subsidiária da mais real importância. o elemento precioso e necessário para o restabelecimento de um ponto. quase sempre desvirtuado nas descrições laudatórias. na citação que fêz um príncipe da Igreja. O julgamento de tão poderosa e frívola favorita. pois nenhum historiador que se preze poderá estar seguro de ter realizado obra completa e honesta. um filão no qual os estudiosos encontram. ao perceber a potencialidade de uma arte tão indiscreta. no seu exercício como arma política a estremecer nas suas bases todo um sistema cujas rédeas eram manejadas por suas frágeis mãos. repelia aquêle conceito incluído na Enciclopédia de 1751. se não tiver empregado. Entristecer-me-ia possuir êsse dom". o panorama em que se situa a caricatura é bem diferente. * * * Atualmente. seja nas folhas volantes ou no efêmero das páginas impressas de periódicos e revistas. realmente. Monsenhor Giovanni Antonio Massini. talvez fôsse uma explosão de alarme e receio. os oitenta desenhos focalizando tipos populares de Bolonha e de autoria de Agostino Carrache e gravados por Guillain. ao comentar. que são aquelas que comumente informam a História. seja nos murais das épocas mais afastadas. a palavra caricatura é por ela empregada com um sentimento de desdém. estabelecendo as exatas proporções de determinado personagem ou fato. "Digo-lhe que achei sua caricatura horrenda. Baudclaire. merecedora de fé. o mais penetrante e compreensivo dos críticos de arte de seu tempo. apenas. 0 têrmo — Caricatura — tem o seu aparecimento real no século XVII. no seu "Trattato". por um gênero que considerava despida de qualquer elemento artístico. de um fato divertido". 8 — . por vêzes obscuro ou controvertido. que se acobertava sob o pseudônimo de Mossini. O rei também achou o mesmo e ninguém o reconheceria. isoladamente ou em conjunto. durante sua permanência na Itália. que classificava a Caricatura como uma espécie de "libertinagem da imaginação a serviço. a obra legada pelos humoristas do traço. em 1646.seu irmão. A Caricatura é.

> Dez anos mais tarde. é publicada. algumas são de própria autoria de Grose. Dessas gravuras. em tôdas as suas relações com os fatos políticos. graves ou frívolos. que em sua evolução era. Consta de um retrato e 28 gravuras de certo modo medíocres. será uma obra gloriosa e importante". em sua melhor lição. A edição original inglesa. foi publicada em 1788. profundo e misterioso na Caricatura. — 9 . não incluem apologia crítica. Hofmann. e que se constituiu em uma raridade bibliográfica. ela deve tomar seu pôsto nos arquivos nacionais e nos registros biográficos do pensamento humano. como é o caso de Boyer de Nîmes. como nos explica. Baudelaire. a de desenhista. é seguido pelos críticos da geração romântica. sendo que algumas delas se apresentam em páginas desdobradas. torna-se obra de arte. inicialmente. limitando-se a grupar curiosos documentos da época. e tem por título: "Rules for Drawings Caricatures with an Essay on Comique Painting". em edição de apenas duzentos exemplares. religiosos. que aliava à sua atividade de antiquário. em tradução francesa. o primeiro estudo destacado sobre a Caricatura. sendo de notar-se que no subtítulo ela ainda se subordina à pintura. gravadas por Grohmann. Newton e Woodward. em França. Sem dúvida. — a Caricatura — tem direito à atenção do historiador. sendo outras de Bergold. afirmava : "Ela. que já vislumbrara um caráter diabólico. do arqueólogo e dos filósofos. sob o título "Principes de Caricatures suivis d'un essai sur le peinture comique". o cronista da Revolução Francesa em 1792. cronologicamente. e aparecido em 1857. um protesto situado fora das regras da estética.Ao estudá-la sob o ponto de vista histórico e o lugar preponderante que ela ocupa como arte. no seu "De l'Essence du Rire et généralement du Comique dans les arts plastiques". As primeiras tentativas históricas sobre a Caricatura. A Caricatura. a obra do ensaísta inglês Francis Grose. relativos ao espírito nacional ou à moda e que agitaram a humanidade. Cremos ser essa obra. que também começaram a compreender ser preciso deixar de qualificá-la como um "divertissement" inconseqüente ou banal. uma história geral da Caricatura. expressão positiva e rica de sentido. na parte referente aos caricaturistas.

do gabinete de M. porque fazem pensar. são gravadas a água forte. em 1865. Lcber e de diferentes coleções de amadores. por Champfleury. cuja enumeração seria fastidiosa nestas notas. grande parte delas coloridas a mão. em 1838. constituida de cinco volumes. Com texto histórico e descritivo. focalizando especialmente a caricatura na Inglaterra. ilustrada com 31 gravuras em aço. e na qual estuda tôda a evolução da caricatura. Inúmeras gravuras. a do alemão Edouard Fuchs e inúmeros outros que constituem. tiveram realmente consciência perfeita o referido Daumier e seus seguidores. possibilita verdadeira incursão no procedimento moral. no mesmo ano aparecia em França. o primeiro volume de sua monumental obra sobre a Caricatura. Dessa afinidade. manifestada através do aparentemente risível. diante da obra daquele gigante da Caricatura que foi Daumier: "C'est pour vous que le peuple pourrait parler au peuple". transborda naquela frase de Michelet. Mais uma vez caberia a um erudito inglês. vastíssima bibliografia. Coincidentemente. Todo o sentido humano e universalidade da obra dos caricaturistas. "An Historical Sketch of the Art of Caricaturing". por J . completando-a com volume dedicado a essa manifestação artística no Oriente. P. E. minucioso e indelével relatório do caráter da sociedade de qualquer tempo. e denominado " L e Musée Secret de la Caricature". Thomas Wright. aparece. o "Musée de La Caricature ou recueil des Caricatures les plus remarquables publiées en France depuis le XIV au X I X siècle". segundo as provas originais do tempo. Segue-se ainda outra obra monumental. dessa comunhão espiritual entre o artista e o povo. ainda em Londres. * * * A Caricatura. o aparecimento de uma obra crítica sob o título " A llistory of Caricature and Grotesque in Littérature and Art". manuscritos e gravuras da Biblioteca Real.Em 1813. incontestavelmente. Malcolm. sendo o mais perfeito. físico e mental dos caricaturados. desde os tempos mais remotos até Daumier. 10 — . Jayme publica. pois suas obras não provocam apenas o riso. hoje.

que eclode o florescimento de uma das mais valiosas etapas da Caricatura. através da Holanda. pois a caricatura é um espelho deformante no qual devem refletir-se. como o pai da Caricatura inglesa e — por que não dizer? — da caricatura sistematizada. o grotesco da alma. o estudo perfeito das atitudes psicológicas. preferentemente apresentada de forma escultórica. vamos encontrar a Caricatura como elemento de intercomunicação do clero à massa. ao verdadeiro caricaturista são necessários o poder de observação. e a caricatura. A partir da Idade Média. usando o ridículo e a malícia para estigmatizar os baixos sentimentos humanos. com o exagero essencial. memória privilegiada. tão empapada de brutal regressão. é o emprego do horrível como meio de repressão. atingem o mais alto sentido social. chega até nós. Em face da responsabilidade no quadro social de sua época. que lhe permita fixar graficamente a realidade. com Hogarth. permitindo um clima de receptividade e compreensão cada vez mais dilatado. Como muito bem observou Werner Hofmann. Hogarth viu o homem e o mundo que o — 11 . É o período que deixa de fazer rir para provocar o mêdo. especialmente no tocante ao tipo criado pelo artista. de ressaltar. considerado. os vícios e as virtudes da sociedade na qual o caricaturado aparece. o "jedermann". mas sim como o é na realidade. através da deformação intencional do corpo humano. na preocupação de mostrar. represando e por vêzes sublimando os sentimentos de seu meio. Ë no século X V I I I . preconcebidamente deformando com o propósito de reformar ! Passado êsse período de obscurantismo. pelos exegetas. não como se o imagina. renova-se e reformulase o culto e a supremacia da beleza com o Renascimento. com Romain de Hooghe. sem perder sua carapaça realística. sobretudo. através de etapas cada vez mais brilhantes.Examinados no seu tempo e no seu meio. é na Inglaterra. em " L a Caricature de Vinci à Picasso". marcada pelo erotismo e o grotesco. que ela adquire uma objetivividade mais penetrante na crítica dos costumes e na maneira de fixação do comportamento do homem no quadro social. Logo após. Foi indubitavelmente naquele período que se iniciou a caricatura política e de costumes. na ressonância que encontraram e na influência que exerceram. o homem médio de nossa civilização.

até então. conseqüentemente. justamente. Com seus seguidores. sendo de ressaltar-se. sua divulgação de forma precária. verdadeiro arregimentador dos maiores valores caricaturais da época. cronologicamente. como " L a Silhouette". de curta e irregular duração. a primeira. ajudada com o aparecimento dos primeiros jornais satíricos ilustrados. dois anos mais tarde. Ë o momento em que a Caricatura desce à rua e se populariza. sobretudo. que dizia ser necessário observar a vida "de minuto a minuto". no entanto. Sua implacabilidade era tão brutal. por elevado grau de agressividade. o mais ferrenho perseguidor gráfico de Napoleão I. nem mesmo os familiares do imperador dos franceses. antes dessas duas memoráveis publicações. a pôs em prática. o " L e Charivari". motivando a possibilidade de grandes tiragens e. ainda no século X I X . e. que foi. Com o advento da litografia. Rowlandson. * * * Apresentada em pranchas soltas. Hogarth. que realmente passou a ter um sentido de alta valia documental. a caricatura inglesa adquire volume e espessura de tal modo compactos. cujo ápice é alcançado quando das guerras napoleónicas. adquire a Caricatura. a obra de Gillray. não poupando. êste. aproveitando lição de Montaigne. sem ceder à curiosidade mesquinha daquele que olha pelo buraco da fechadura.envolve sob um aspecto nôvo. 12 — . fixando-o na atitude do "laisser aller" e acreditando-se sozinho. a litografia já fôsse utilizada em periódicos no gênero. inventada pelo bávaro Senefelder. em 1830. passaram a ser um tema constante em seus magistrais desenhos. os foros de arte eminentemente popular. que êle agrupou ao fundar " L a Caricature". que a própria infelicidade conjugal do imperador e os desregramentos lúbricos de sua irmã Paulina Bonaparte. Gillray e Cruishank. no entanto. nos quais avultaria a figura do lionês Charles Philipon. Se bem que. pois reduzidas eram as cópias e somente alguns privilegiados podiam possuí-las. a Caricatura tinha. É marcada. que se exasperava ao contemplar os desenhos do artista. maior facilidade de aquisição.

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N. . cabeça de papel ( a p r o p o s t o d a crcação do T i r o de Imprensa cm 1920).Kalixto — M a r c h a soldado. B . Col.

também. têm o relêvo e a majestade de estátuas. decisivo instrumento de ataque. como uma das mais respeitáveis manifestações artísticas. integra-se cada vez mais em sua função de corrigir costumes. o que o destino lhes reservou foi uma facilidade maior de contemplar e compreender a vida no que ela pode apresentar de mais característico : suas virtudes e defeitos. nos dias que correm. com o correr dos tempos. Cumprindo assim sua missão. — 13 . a Caricatura continuou evoluindo para chegar. Das incipientes deformações grotescas de seu comêço. São eles os fixadores por excelência dos aspectos felizes ou agradáveis. Na obra atual dos caricaturistas. os interêsses das massas. pois os caricaturistas são. com espírito e brava galhardia. o eterno que existe na humanidade.Foi em " L a Caricature" que repontou o talento do maior satírico de seu tempo. os caricaturistas. pouco mais de centenária é a Caricatura. são. pois seu aparecimento data de 1837. tem ela cento e vinte e oito anos. $ •p í No Brasil. os testemunhos verazes e os implacáveis juízes de sua época. de modo implacável. quase sempre. eternos David a enfrentar. aos artífices do lápis. a Caricatura. os catalizadores das angústias dos indefesos e dos humildes. ou. simultâneamente. passou a Caricatura a servir-se do Desenho. nesta "muito leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro". indelevelmente. Não se detendo diante de reis e plebeus. os vários e inumeráveis netos de Golias. a uma potencialidade que a situa. traduzindo. submetidas ao julgamento da opinião pública. o anedótico cedeu o lugar ao que há de alcançar. a calva dos poderosos e dos fátuos. pondo à mostra. assim como são. Algo mais do que homens armados de um lápis e tendo como escudo uma folha de cartolina. cujas pranchas — afirmou alguém — são sérias como o Destino e cujas figuras. o genial Daumier. no que êle pode ter de puramente formal. para sermos rigorosamente precisos. aliando legendas de espírito e chegando até nós através de espontânea síntese linear que a transformou em linguagem universal. Aos humoristas do traço. em suma.

no dia 17 de maio daquele ano. isto é. nos têrmos seguintes : " A bela invenção de caricaturas tão apreciadas na Europa.° número de uma "nova invenção artística". na conscienciosa pesquisa a que procedeu para chegar a afirmar. atribuiu o ilustre historiador as sátiras feitas a Bernardo Pereira de Vasconcellos. de 14 de dezembro de 1837. considerou como forte argumento. sob o título de Barão de Santo Ângelo. passamos à motivação desta mostra. sem receio de contestação. Foi no Jornal do Comércio. sendo que o primeiro deu as coordenadas que serviriam de ponto de partida ao segundo. ainda. desde o momento em que esta cidade quatrocentona aparece graficamente revelada por um desenho humorístico. Essa alusão à voga de tal arte na Europa e a coincidência da chegada de Araujo Porto Alegre. que é a de fixar o Rio através da Caricatura. necessárias e agradáveis". a autoria das primeiras caricaturas executadas no Brasil. e a José Antonio Soares de Souza. pelas múltiplas atividades que exerceu no campo das artes plásticas e no desenvolvimento do teatro e na marca nacionalista que imprimiu à sua poesia. é que levou José Antonio Soares de Souza à conclusão de que o autor só poderia ser aquêle que foi chamado. uma sátira contra o jornalista Justiniano José da Rocha. Além do fato relevante do retorno de Porto Alegre. o mérito do levantamento da origem da Caricatura entre nós. ser essa caricatura. pela galera francesa "Rose". hoje dirigindo o Museu Imperial e autor de "As Belas Artes no Primeiro Reinado e na Regência". 14 — . Ainda à mesma autoria. que se anunciou a publicação do 1. a mesma perfeição do desenho e a mesma facilidade no tracejar". acérrimo inimigo pessoal do artista. no seu tempo. o outor de "Vasconcelos e a Caricatura" e " U m caricaturista brasileiro no Rio da Prata". aparece hoje pela primeira vez no nosso país e sem dúvida receberá do público aquêles sinais de estima que êle tributa às coisas úteis. assim. por ver " o mesmo sentido alegórico das cenas. da Europa. " u m homem universal" e que mais tarde seria um grande do Império.Deve-se aos historiadores Francisco Marques dos Santos. Focalizada. caber a Araujo Porto Alegre o privilégio de ter sido o nosso primeiro caricaturista.

ao lado dos tronos. portanto. Não se esqueceram as largas flores do tapete. não só quanto ao texto.. de pé.° volume do Anuário do Museu Histórico em 1941. êle de meias e calções brancos. Pedro I. ela de vestido de côrte côr-de-rosa. continua sendo uma incógnita a desafiar a curiosidade dos pesquisadores. A cena é passada. A autoria de tal obra. G. também. a Família Real". cujo título deixa nitidamente entrever que o alvo principal são os costumes e os usos do velho Portugal. a qual mereceu excelente e substancioso ensaio do saudoso Gustavo Barroso. como. indiscutivelmente. "No primeiro plano. faixa de grã— 15 . depois D.. editada cm Londres em 1825. a que tem por título: "Court-day at Rio". e que produziu tão curioso e malicioso livro. com cinco janelões envidraçados de balcão. especialmente à figura do Rei. edifício ainda existente. pois até hoje não se conhece a menor referência a quem tenha sido o misterioso personagem que se acobertou sob as iniciais A. João VI. nem os monogramas reais. sob um dossel purpúreo. P. Leopoldina e seu marido. o Príncepe Real. publicado no 2. Assim descreveu o historiador ilustre a cena fixada pelo viajante inglês: "Court-day at Rio". No meio do teto estucado e liso. ao tempo del-Rei D. sob a coroa heráldica no espaldar das poltronas". " A Princesa D. " A sala é vasta e triangular. que se poderá traduzir como " 0 beija-mão na Côrte do Rio de Janeiro".Ciemos serem as primeiras aquelas encontradas na obra "Sketches of Portuguese Life. três se referem a esta cidade. a veracidade dos pormenores. Costume. onde funcionam os Correios e Telégrafos à Praça Quinze de Novembro. sob o título: " A Caricatura Inglesa no Museu Histórico". é uma cena em que sobressai da ingenuidade aparente. um grande lustre com três ordens de bugias". e moldurados de sanefas e cortinas presilhadas. nem das Quinas no dossel do trono. sendo a mais importante. Manners. fardão azul. Pelas proporções e pela forma sente-se que esses janelões são do Paço da Cidade. o Beija-mão. e seus personagens principais facilmente identificáveis pela semelhança dos traços que o artista soube imprimir. Das vinte pranchas de que se compõe a obra. dando para a rua ou para um pátio interno. D. às gravuras. and Character".

Enfim. denomina-se: "Party at Rio de Janeiro. o Camarista de dia estende as mãos para os postulantes da porta como a fazer-lhes o sinal de que devem deter-se e esperar com paciência a sua vez". numa mesura formalista. Dá indiferentemente a polpuda mão a beijar a um oficial ajoelhado. faz parecer mais magro o terceiro. caricaturalmente representado na cabeça disforme em relação ao corpo. Em quarto Jugar. outro fidalgo de atitude displicente". Note-se em tôda a maliciosa composição o contraste repetido entre gordos e magros. certamente reumática. 0 segundo um fradalhão com uma grande cruz pátea azul e vermelha ao peito. diadema à cabeça. um militar careca. Não menos curiosa essa gravura. No trono menor. faz repousar a perna esquerda. João VI. sobre um tamborete redondo. Vestido como o Príncepe Real. em cujos cabelos e fisionomia evidentemente se vislumbram sinais de mestiçagem africana". reminiscência da antiga guarda de alabardeiros alemães.cruz. sua rotundidade avulta na sala. cinco 16 — . 0 primeiro. forrado de sêda carmesin. "Segue-se em perspectiva a fila de áulicos admitidos à honra do Beija-mão: sete personagens maldosamente caricaturados. esboça os salamaleques com que se deve aproximar de Sua Magestade. Volta-se um pouco para os Príncepes como se quizesse evitar a cena semigrotesca que se desenrola a dois passos". a Rainha Carlota Joaquina. no meio da qual sobressaem mais um fradalhão bojudo e mais um fidalgo esquelético. apinhada de gente. entre dois frades capuchinhos. Num sofá e cadeiras ao pé dum tapête ralo. acha-se sentado D. Meio curvado para a frente. Nobreza famélica. "No trono maior. outro fidalgo rechonchudo e curvo. "Ao fundo. A segunda. dragonas c condecorações. Fradaria cheia de unto. um deles mais volumoso e mais velho do que o companheiro. um fidalgo de andar tabetico. A Castrate singing". segurando desageitadamente o espadim na mão esquerda. Parece enfadada com o leque meio fechado a bater no queixo. que representa um serão no Rio de Janeiro : " u m salão singelo com crucifixos à parede ladeando o Coração de Jesus. a chamada sala dos Tudescos. a porta que comunica com a ante-sala do Trono. com um laço desconforme na peruca e o chapéu de pasta sob o braço. rigidamente sentada com seu vestido de corte branco e bordado a ouro.

Mas. Três usam barretinhos vermelhos. Aparência de desconforto. Sua cara é cruelmente grotesca. A luz entra da direita por uma janela cruzetada de grossos varões de ferro. Teto de pesados vigamentos. gente ridícula. referente a esta cidade. a terceira e última cena. revela o contraste. afirma que era moda no Rio de Janeiro. Outras trazem altas plumas no penteado. um oficial de expressão entre irônica e zombeteira. 0 autor da obra. Algumas são horrivelmente caricaturadas. ter como cantores os famosos "castratis" italianos do côro da Capela Real. e tem por título: "Slave shop at Rio. matrona gordalhufa que parece ser a dona da casa.damas sentadas. soerguendo-se duma esteira esfarrapada ou duma camada de palhas. Êsse comentário. Aliás essas caricaturas deixam transparecer terem sido tomadas "d'après nature". A ingenuidade preconcebida da composição mal disfarça a maldade da crítica. encolhendo as longas e esguias pernas. como e quanto tempo passou entre nós. em todas as reuniões sociais. A mais moça aceita os galanteios dum oficial de fisionomia simpática. outro moleque traz uma bandeija com guloseimas". senta-se um molequinho. Aos seus pés. Quatro comem acocorados mais além. quando. rescende a um naturalismo cruel. Chão de terra batida. tomando com as mãos bocados — 17 . Ao fundo. "Vasta e nua quadra. Ao lado deste um outro oficial observa a cena. Ao lado. de voz aflautada e regiamente paga. Escravos magros e nús. enquanto que vindo do interior e atravessando uma porta. destaca-se um doente. A do meio da fila. visível na segurança dos pormenores. O castrado senta-se numa cadeira. Ao fundo o piano com duas bugias no tampo e uma jovem tocando. O ambiente e os tipos estão retratados com verdade cheia de dureza". com uma tanga de algodão cobrindo as vergonhas. revela-nos que o seu autor esteve realmente nesta cidade. É quase uma prisão. A Minas merchant bargainning". assim. " I never attended a soirée at Rio %vithout seeing at it onc or two of these castrati". êsse misterioso e indiscreto inglês ? Finalmente. ainda descrita por Gustavo Barroso naquela já referida publicação : " 0 Armazém de escravos. especialmente ao fausto ( ? ) do Beija-Mão. No primeiro plano. no comentário que faz no texto. uma porta de entrada com um negro dc guarda.

Chapelão desabado. descansa o queixo na mão e o cotovelo na mesa. cruza os braços. Jaleco apertado. de longo sutambaque pardusco. parece gabar a mercadoria com certo ar de superioridade". gravatas amplas e chapéus panamás de abas largas. o comerciante de Minas examina uma rapariguinha negra. do mais alto valor documental na iconografia do Rio. com esgares e gestos de famintos". fita-o de esguelha com um olhar de cão que vae mudar de dono e procura adivinhar se este será bondoso ou mau. Ao mesmo tempo um que de sensualidade". ainda. na casa dos vinte anos. Um. "Dois homens da cidade completam ao lado o grupo. Lenço ao pescoço. Botas curtas. de pé. "Diante dele. que deseja comprar.de angú de milho posto cm pequenos montões sobre o solo nú. como se examina uma égua ou uma mula. com a pena de ganso da contabilidade atravessada na orelha. mostrando desconfiança e astúcia. Todo de caipira. Alisa-lhe a carapinha. Alto e meio careca. contemplando a marcha do negócio sem interesse. Calções estreitos. A negrinha timidamente entanguida. deixando aparecer a frente da camisa de algodão. como entediado de ouvir sempre a mesma coisa em idênticas ocasiões : gabos do vendedor. através da reprodução da música e letra duma modinha em 18 — . sentado de pernas cruzadas numa cadeira. do outro a bruaca de viagem. ao pé da cadeira de que acaba de levantar-se o vendedor de escravos. A figura do mineiro está admiravelmente traçada na indumentária e na expressão psicológica. "No meio do quadro. cruzadas ao peito. 0 outro. Dois aproximam-se dos que se alimentam como animais. assim como na divulgação daquela obra pitoresca. Esporas compridas. Não há dúvida serem êsses flagrantes tão cheios de realismo. Cara de fuinha. sustentando dum lado o cantil de aguardente. hoje tornada raridade bibliográfica. casacas azues. de briche. Correias a tiracolo. de vez que é esta cidade mencionada no texto. razão do destaque que aqui lhe damos. Curiosíssimo. apoiando-se na mesa e voltando o rosto para o ato de venda e compra. São moços e mais ou menos elegantes com os escarpins e as peúgas brancas saindo de pantalonas listradas. regatear do comprador". junto à mesa onde se veem os papéis de escrituração do vil negócio de carne humana.

i / e r m e i n o .• .P a r ä r ! flnrnb-'bfa .

Raul Pederneiras — R e g r a s de transito. Col. Floresta de M i r a n d a .

de crueldade grosseira de um Rowlandson ou um Gillray. Elas mais se aproximam daquelas composições ingênuas mas cheias de veracidade de H. quando na captação dum flagrante mais grotesco. sempre. que nos visitou.grande voga na cpoca: a "Cruel Saudade". isto é. nesta mostra. a gestar nos trópicos todos os males de uma civilização importada a muque. nas quais é evidente a dessas cenas de usos e costumes da cidade do que caricaturais. aquela característica. W. inclusão. Bem difícil será. res— 19 . não ser fora de propósito a cinco reproduções. O grande artista. a de costumes. os nossos usos e costumes burgueses. assim como as demais. foi êle o primeiro fixador intencional dos nossos ridículos de metrópole incipiente. tal a riqueza do espólio gráfico de que nos fêz dádiva — era dotado de "vis cômica" irresistível. todavia "et pour cause". acima descritas. que por ter sido a preferida pelo famoso Vidigal. por sua fatura. a ponto de muita vez não se furtar ao toque de genuíno humorismo. ao primeiro exame. portanto. com as cores dum alegre realismo. por si mesmas mais Como muito bem acentuou o escritor Herman Lima na sua História da Caricatura no Brasil. tão constante. cargo que hoje equivale ao de Chefe de Polícia. Nessas "charges" que deixam perceber. Ë que o admirável costumista apenas se limitara a pintar. A temática das primeiras caricaturas cm que aparece esta nossa cidade. referindo-se a Debret. não guardam. de modo nítido. em grande tamanho. foi.5 x 15 cm. é apresentada sob o título de "Vedegal's modinha". entretanto. para fortuna de nossos historiadores. intendente de Polícia. na sua qualidade dc hóspede oficial. impedido de ocuparse daquilo que o divertiria sem dúvida. confundindo os exegetas. apresentam a medida uniforme de 9. Bunbury. pois Jean Baptiste Debret se achava. Baptiste Debrct. a carnavalada real da Corte. Essas gravuras. das escolhidas na obra de Jean intencionalidade caricatural colonial. sua origem inglesa. Daí. pois geralmente se confundem. a determinação do divisor de águas que delimita. o costumista do caricaturista.

as características gráficas do Rafael. Apresenta seis quadros. Além dessas citadas. era a única da série em tais condições de apresentação. da série. sendo sua autoria atribuída. 8 e 15. O historiador Soares de Souza. . no entanto. Em 1840. à condição de "fu20 — . a venda. em pesquisa posterior.peitando-lhcs. fazia anunciar. passou. No primeiro quadro. passou a afirmar serem do desenhista e pintor catarinense Rafael Mendes de Carvalho. isto porque encontrou nos desenhos da Lanterna Mágica. as de números. a 240 réis. em seu estabelecimento. e adquirida. visivelmente acabrunhada. ou. ° l l . dentre os meses de janeiro a setembro. ali se vê. realmente. como de hábito. não sendo em vão que o famoso documentário ficasse mesmo para os pósteros com o título expressivo de "Voyage pittoresque et historique au Brèsil". inicialmente. possui. mesmo. Frederico Guilherme Briggs. na Seção de Iconografia. ao preço de 160 réis. da Caricatura n. publicada a 7 de março daquele ano. se bem que deixando claramente acentuada a influência francesa do traço. Nelas se vê. São flagrantes curiosíssimos de críticas aos acontecimentos mais em voga na época. conforme o texto do anúncio quando de seu aparecimento. 5. que fazem parte daquele precioso acervo e que foram publicadas em pranchas soltas. a Araujo Porto Alegre.° 1. de ótima execução. cada qual mais interessante. como demonstrou exaustivamente no seu " U m caricaturista brasileiro no Rio da Prata". por Marques dos Santos. . discípulo de Porto Alegre. 2. vê-se uma carioquinha que por tanto se ter divertido. Essa "charge". no dia 16 de janeiro. de que não se afastava sequer ao pontilhar de um pouco de sal e pimenta alguma cena de mais gostoso pitoresco. em Londres. a de n . em nossa coleção particular. 6. porém. justamente por ser colorida. todo o malicioso e natural espírito gaulês do grande cronista gráfico da Missão Artística Francesa de 1816. em 1951. sendo as coloridas a mão. possuímos. A nossa Biblioteca Nacional. ao próprio Briggs. em sua fabulosa coleção. quais as conseqüências funestas de semelhante "jôgo". início de uma série de vinte. que foi um dedicado à arte litográfica e cujo estabelecimento se situava na rua do Ouvidor. no Jornal do Comércio. denominada "Os Resultados do Entrudo". a mais estrita veracidade. fielmente. colorida a mão.

o detalhe picaresco e galante de um casal. Também é curiosíssima. que nos desenhos da "Lanterna Mágica". para finalmente. encontrou e adquiriu a de n. seu figurino foi. À cena não falta. como Macaire. sendo de assinalar-se. Robert Macaire e Bertrand. porém. Documentando tão inequívoca influência que por vezes chega a atingir o "pastiche". dois milicianos estropiados nas refregas de rua. no outro. mostra a similitude física dos personagens. no quadro a seguir. " A Lanterna Mágica". abatido. na última cena. que é sempre referente aos nossos problemas ou fatos ocorridos na cidade. Após essa série. na referida revista. mesmo. igualmente colorida a mão e que. se abraça e se beija ternamente. Soares de Souza. que representa uma cena de interior familiar. no malicioso do tema. um ingênuo pau mandado. por seu título: "O jogo do Entrudo". nacionalizar o tema que invariavelmente faz fundo às cenas. pois os dois personagens. desmelinguido. e Belchior. faz justamente "pendant" com a descrita acima. um folião encarcerado. se transmudam nos brasileiros Laverno e Belchior. a caricatura deixa de ser apresentada em folha solta para aparecer integrada no corpo da publicação satírica. aparecer uma essa armada. ainda em Londres. devido aos excessos cometidos é açoitado na prisão. inclusive na disposição gráfica da moldura do desenho. é um espertalhão. No seguinte. sendo vislumbrados pelo entreaberto de indiscreta porta. de certo modo. assim como o assunto. a bacia de água e todos os utensílios indispensáveis ao entrudo. que é Gilberto Ferrez. os "Cent Robert Macaire de Daumier". pois Laverno. que representa para nós o mesmo que " L a Caricature" representou para a França.° 10. aproveitando-se da confusão reinante no ambiente. na expressão popular atual. êsse incansável pesquisador das nossas coisas históricas. o nosso artista procurou. No ano passado. — 21 . assim como a moral. que. um carnavalesco. carrega um frango para reconfortante canja. surgida em 1884. na qual a seringa indefectivel. como Bertrand. Calcada de modo inconfundível no melhor modelo francês. por sua expressividade e graça. depois. um escravo. ao fundo. não há dúvida. como faz exemplo a primeira delas.ture maman'". são violentamente usados. vendo-se. através de Rafael Mendes de Carvalho. com o corpo do entrudado. com a acuidade sempre demonstrada em suas pesquisas.

como deixou bem 22 — . quatro anos mais tarde. ressentia-se da "vis cómica" de um verdadeiro caricaturista. a luta sem desfalecimentos que Agostini empreendeu na defesa de dois dos maiores fastos da nacionalidade : a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. " 0 Brasil Ilustrado". revista que. no entanto. Aluizio Azevedo. substituta de "O Arlequim" e que. " 0 Arlequim" e outras tantas. transferindo-se para o Rio. o que não impediu. incontestavelmente. É de ressaltar-se. o brasileiro Cândido Aragonês de Faria e o italiano Luigi Borgomainerio. encontradas cuidadosamente na seção de Livros Raros de nossa Biblioteca Nacional. o Dr. longe de desmerecer o artista brasileiro. nele estreou. ceifado pela febre amarela. que dois de seus personagens. A marcante figura da caricatura no Brasil. inúmeras foram as publicações que se seguiram no gênero. para colaborar na "Vida Fluminense". no passado. pois se estendeu por dilatados 16 anos. coloca-o justamente em privilegiada situação. Fleiuss. Paulo. se consagraria como um dos maiores romancistas do Brasil. em 1864. necessário se torna lembrar que. o qual abrigava outros dois lápis de grandes méritos artísticos. mais eloqüente e incisivo do que os tropos literários das penas mais em evidência nas colunas de nossa imprensa. a "Semana Ilustrada". Em dezembro de 1860 caberia ao alemão Henrique Fleiuss o lançamento de uma publicação no gênero. ao contrário das auteriores. cuja existência durou duas décadas. que mais tarde. nenhuma publicação no gênero gozou da popularidade e do prestígio da "Revista Ilustrada". teve vida regular e longa. que naquela cidade e naquele ano se iniciaria no "Diabo Coxo" e no "Cabrião". com o italiano Angelo Agostini. Não há dúvida que. O lápis desassombrado de Angelo Agostini foi. também se transformaria no "Fígaro". ao lado dos mencionados artistas. " 0 Bazar Volante". mais adiante.Observada a incipiência dos primórdios da nossa Caricatura. como caricaturista. pelo fato de se ter inspirado na obra do genial mestre francês. A partir daí. Semana e o moleque fizessem as delícias de nossos antepassados. sobretudo. tais como " A Marmota Fluminense". um maranhense. apareceria em S. trocando o lápis pela pena. se bem que fôsse um excelente litografo e desenhista de certo mérito. Citando-se o Fígaro.

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Alvarus . Carlos — Quarla-fcira de cinzas.]. Col.

quando cbamou a "Revista" de "Bíblia da Abolição dos que não sabem ler". quase simultâneo. que seria. Terminada a circulação da "Revista". Agostini. deve-se o florescimento da nova caricatura no Brasil. o seu canto de cisne como diretor de revistas. da caricatura a traço. no entanto. em memorável banquete. sempre bravo e confiante. acompanhado. Os dois primeiros surgiram em 1898. no " 0 Mercúrio". dominariam a sátira gráfica entre nós: Raul (Raul Paranhos Pederneiras). pelo caráter nitidamente regional de que se revestiria sua arte. Kalixto (Calixto Cordeiro) e J . muitas vêzes. Ainda a outro estrangeiro. Coincidentemente com a chegada desse admirável artista. então em plena República: "Don Quixote". Pereira Netto. a par de um desenho seguro. o "Bezouro". um dos mais brilhantes colaboradores da "Revista". com intervalo de dias. o mérito da tentativa de implantação. em 1902. cava nova trincheira. nos moldes europeus e destinados à mais ampla difusão e êxito. bastando dizer que. de três artistas brasileiros que. ao entregar ao artista o título de cidadão brasileiro. durante meio século. cuja existência foi relativamente curta. com o lançamento de grandes periódicos ilustrados. Carlos (José Carlos de Brito e Cunha). é a do português Rafael Bordalo Pinheiro.claro aquele gigante da Abolição que foi Joaquim Nabuco. Figura não menos destacada daquele período. de tal forma sofria a influência do mestre que. É com o despontar do século X X que a caricatura adquiriria magnífico impulso. por caber-lhe inclusive. de legenda sutil e irônica. que nos seus últimos números já vinha aparecendo irregularmente. o português Julião Machado. e o último no " 0 Tagarela". A rigor. leve. já em voga na Europa e aplicada nas páginas da revista que aqui fundou. quase sempre. ao aproveitar-se da melhor lição européia através dos então mais recentes recursos gráficos. — 23 . substituia-o sem que os habituais leitores o notassem. foi o aparecimento. em nosso meio. poderíamos dizer que foram esses três estupendos e saudosos artistas que na realidade nacionalizaram a caricatura brasileira. Enorme foi a influência que êsse artista exerceu em nossos raanejadores do traço.

como era de hábito. no panorama da caricatura no Brasil." dirigida literariamente por aquêle belo espírito que foi o saudoso Alvaro Moreyra. filha de um grande do Império e herói da guerra do Paraguai. como o "Rio Nu". e o "Shimmy". jovem da melhor sociedade. e. de Umberto de Campos. houve. o Barão de Teffé. como constante gráfica.tais como a "Revista da Semana'*. uma revista de caráter artístico e mundano. nessa relação. a então senhorita Nair de Teffé. algumas de sentido um tanto fescenino. e. chancela que rapidamente passou a ser apresentada nas mais prestigiosas publicações ilustradas. que adotaria o pseudônimo de Rian. alguns dos quais são hoje nomes dos mais representativos nas letras e nas artes. artisticamente. talvez a primeira no mundo. artista pernambucano que aqui chegara de retorno da Europa.." foi uma porta aberta e acolhedora para os novos de então. tendo o seu primeiro "portrait-charge" surgido em "Fon-Fon". abrigar em suas páginas os nomes mais prestigiosos da caricatura. a " A Avenida". Por um dêsses deliciosos caprichos do destino. ligar-se. dirigida e fundada por Crispim do Amaral.. Em 1910. cujo título onomatopaico dizia bem da transformação da cidade com o aparecimento dos primeiros automóveis. " A Maçã". cuja existência foi das mais longas. " 0 Fon-Fon". pelo casamento. aureolado de fama. À maneira de De Losques e de Sem. um fato deveras curioso e digno de nota : o aparecimento da nossa primeira caricaturista. educada em Paris. pelo grande J . justamente devido àquela permanência no velho mundo. " 0 Para-todos. culta e graciosa. " A Careta" e o seu "Filhote" e um sem número de outras publicações de vida efêmera.. então. originariamente aparecida como suplemento do "Jornal do Brasil". na época. no nosso meio.. Não poderia deixar de ser comentada. revista de caráter político. justamente a um dos nossos homens públicos. Carlos. em plena "belle époque". que teve larga influência no meio intelectual do país: " 0 Para-todos. então o maior alvo da ponta agu24 — . estaria reservada a essa estupenda caricaturista. Ainda a êsse artista se deve a fundação de " 0 Malho". Rian lançava no Rio. dos quais era evidente a influência. a nossa caricatura mundana. que manteve.

uma caricaturista vem mantendo a flama da caricatura entre nós. inicialmente. Voltando à caricatura mundana. Antonio Nassara. o centenário da Caricatura no Brasil. queremos aqui alinhar — desculpadas as involuntárias — 25 . Presidente da República. com a implantação do regime ditatorial e a criação do celebrado D. Ao finalizar estas notas. especialmente a politica. já desaparecido. justamente. assinalar-se a representação do naipe feminino da "vis cômica" que muitos anos mais tarde tomaria aquele lugar que Rian ocupara : a saudosa Yolanda Pongetti. Atualmente. I. ainda. espontâneo e belo: a caricaturista Hilde. Formam legião os caricaturistas que passaram pela imprensa do Brasil e especialmente nesta cidade. editado em Paris.çada dos humoristas do traço. ao rigor da censura.. A partir de 1937. especialmente a política. autora de páginas memoráveis aparecidas. no período que antecedeu a Revolução de 30. Êsse álbum. por se tratar. sendo de notar-se a coincidência por demais significativa de comemorar-se. Paulo". de um artista famoso. ainda. também. e Irene. perdeu. vigoroso. irinã do estupendo caricaturista "doublé" de compositor. Não menos curioso é. no "Estado de S. de uma artista femininamente grácil. como seus ancestrais franceses. possuidora de traço personalíssimo. em 1911. irmã. A passagem dessas jovens artistas por nossa imprensa ilustrada. o Marechal Hermes da Fonseca. para a caricatura de costumes. que havia dado tão belos frutos. foi infelizmente. Emílio Cardoso Aires. justamente naquele ano. naturalmente. seu ímpeto. por volta da primeira década do século. Como na França de Luiz Felipe. irmã de Henrique Pongetti. muito fugaz. o nome de um artista pernambucano. o que não deixa de ser incomum. que servem de introito ao catálogo desta mostra. de formação européia e de brilhante atuação. é de mencionar-se. a caricatura. Roberto Rodrigues. os nossos caricaturistas também se voltariam. constitui hoje uma das maiores raridades bibliográficas no gênero. um tanto anódina. em 1834. em "Tribuna de Imprensa" e colaborando hoje. Arteobela. autor de famoso álbum em que retrata tôda a sociedade do Rio. P.

tantas páginas memoráveis escritas pelo lápis de nossos humoristas do traço e indelevelmente ligados à história da nossa caricatura e desta cidade. o relato da nossa". Nela se encontra. Amaro Amaral. Taba. Alvaro Lotrim ( Alvarus ) 26 — . Artur. de menor valor. sendo que estes últimos apresentam pronunciada influência da síntese linear dêsse Picasso da caricatura universal. cenas da vida urbana as mais características. Loureiro. ao afirmar. Tantos nomes. Nessa mostra. Euclides Santos. Romano. Vasco Lima. patrocinada pelo "Jornal do Brasil". como contribuição aos festejos do quarto centenário da Cidade. Borjalo. Leonidas. Nássara. Darcy Michel. apresentaram-se as mais díspares manifestações do desenho humorístico. no seu "Idéias de Jeca T a t ú " : "ocupará meia página. seus usos e costumes. mas nem por isso destituídos de interêsse histórico e documental. denotadores de um alto padrão artístico. Nestor Silva. Augusto Bandeira. Figueroa. Luis (Luis Peixoto). Appe. Guevara. Ziraldo. e seus tipos mais representativos. a visão maliciosa de alguns viajantes que usaram do lápis para fixar um precioso documentário. Mendez. Rubem Gill. outros. Luis Sá. Augusto Rodrigues e os mais jovens e atuantes na nossa imprensa ilustrada : Lan. Castro Rebelo. Raul Gomes. Páginas que encantaram nossos avós. Théo (Djalma Pire9 Ferreira). Sotero Cosme. São êles : Belmiro. Di Cavalcanti. Belmonte. na história mundial da caricatura. além dos vários já citados. Teixeira da Rocha. são sem dúvida. Trinas Fox. Whidopff. Storni. Carlos Estevão. se tanto. Esta exposição. Vão Gogo (Milor Fernandes) Fortuna. Voltolino. focalizada pelo espelho deformante e risonho da caricatura nos seus mais variados aspétos. J . Del Pino. Lula Cardoso Aires. um formal desmentido àquela observação menos feliz de um dos nossos maiores escritores. páginas que encantarão nossos netos. inclusive. Celso Herminio. é um apreciável subsídio à história da vida quatrocentona do Rio. que é Steinberg.omissões — os nomes dos caricaturistas que mais se evidenciaram. Fritz (Anisio Mota). Zélio. Ramos Lobão. Claudius e Jaguar. Vieira da Cunha. Martiniano. uns acastelados na firmeza e segurança de traços. a moda. Oswaldo. Yantok. Monteiro Lobato.

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pensão na rua .

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21 — T y p o s do Rio ( A m u c a m a ) . Vida 147, 22 outubro 1870, p. 340. Fot.

Fluminense.

Rio de Janeiro, anno 3, n .

Col. B . N.
22 — T y p o s do Rio ( P e d i n t e de I r m a n d a d e ) . Vida anno 3. n. 125, 30 j u l h o 1870, p. 2 4 4 . Col. B . N . 23 — T y p o s do Rio ( S a l i n h a c c â m à l ò ) . Vida Fluminense, n. 136, 6 agosto 1870, p. 2 5 2 . Fot. Rio de Janeiro, anno 3, Fluminense, Rio de Janeiro.

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*

" A l v a r u s e os seus bonecos", 1954.

N.

1954.

Col. B . N.
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Col. B . N.

— 29

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35 B A N D E I R A ,

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" T o m a r a que proclamem logo a reCharge inspirada na gravura de

pública para eu pader ser presidente." chées a la c o u r " . Original colorido.

Debret " M a n i è r e de porter le bon Dieu aux riches et aux |>e.rsonnes attaCol. do autor 30 — Incêndio da favela. Original. Col. do autor 37 B A R B O S A , Bento ( ? ) — A g u a em 6 dias. O Mequetrefe, 15. n. 475, março 1889, capa. Col. B . N . 38 C A R L O S , J . , pseud. colorido. Col. A l v a r u s 39 — Esperando u m a solução. Original colorido. Coleção F a m í l i a J . Carlo? 40 — Excelente calmante. Original colorido. Coleção F a m í l i a J . Carlos 41 — Leiteiro e padeiro ( T i p o s da paisagem carioca). Original colorido. Col. Alvarus 42 — Quarta-feira de cinzas. Original colorido. Col. Alvarus 43 C A R V A L H O , Rafael Mendes de — Aria de B r a v u r a ! ! Lanterna dico plástico philosophico. Rio de Janeiro, 1844. Col. B . N . 44 — O j o g o do entrado ( 1 0 ) . 1840. Litografia original colorida. Col. Gilberto Ferrez Mágica, periode J o s é Carlos de Brito e Cunha — Ainda de tanga. " C a b r a l Rio de Janeiro, ano

— Quatrocentos anos depois ainda não se habituara mas v e s t e s ! " Original

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nabara.Nassara — A l i ! G u a . . . .

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