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XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas fronteiras e identidades: povos indígenas e missões religiosas Dourados/MS Brasil-30 agosto

a 3 de setembro de 2010

Simpósio 9. Sessão de Comunicações Livres – Fronteiras e Identidades: Povos Indígenas e Missões Religiosas

A PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO SEGUNDO FRANCISCO XAVIER E FERNÃO MENDES PINTO

Karla Katherine de Souza Seule
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em História Integrante do Laboratório de Estudos do Império Português Universidade Estadual de Maringá E-mail: karlaseule@gmail.com

Orientador: Sezinando Luiz Menezes
Prof Doutor, Docente do Programa de Pós-Graduação em História. Coordenador do Laboratório de Estudos do Império Português. Universidade Estadual de Maringá. E-mail: sl.menezes@uol.com.br

INTRODUÇÃO

Nos séculos XV e XVI, o capitalismo nascente passaria a ser impulsionado pela expansão marítimo-comercial européia que resultou no descobrimento de novas rotas de comércio para o Oriente e a conquista e colonização da América na qual os portugueses foram os pioneiros. Já nas décadas finais do século XVI, estes controlavam rotas comerciais que se estendiam do Brasil a África e ao Japão. Francisco Xavier e Fernão Mendes Pinto estavam inseridos nas relações políticas de Portugal no Oriente. Seus escritos possibilitam um patamar bastante favorável para um estudo que visa identificar os conflitos presentes na fase inicial do contato entre as civilizações indiana e européia. O jesuíta Francisco Xavier (1506-1552) foi enviado para a Índia como Núncio Apostólico do Oriente, tendo jurisdição sobre todas as missões do Cabo da Boa Esperança ao Japão. Por meio de suas cartas, além de coordenar os missionários, ele tinha o dever de manter informado o seu Superior em Roma e o Provincial da Companhia em Portugal, além de prestar esclarecimentos ao Rei de Portugal. Xavier era espanhol, estudou em 1525 na Universidade de Paris, onde conheceu Inácio de Loyola e outros colaboradores na fundação

foi amigo do padre Xavier. noz moscada e cravo. Foi nomeado embaixador. com quem trocou correspondência e fez parte da Companhia de Jesus durante algum tempo. 1974). O estabelecimento dessa base em terra firme. já que no final do século XVI os portugueses controlavam a maior parte do comércio dos mares orientais. 1986). “Senhor da conquista. Arábia. Pérsia e Índia”. tendo negociantes árabes e iranianos como intermediários. WILHELM. 1. era real outro título que o soberano português utilizou. Ainda em Portugal. BARRETO. e Goa se tornou a capital dos territórios orientais de Portugal. (EMBREE. que constituíam as forças predominantes daquele período na região. nas complexas lutas de poder que caracterizaram o período. desenvolvendo feitorias. Neste sentido. Esta obra sintetiza a dimensão cultural dos Descobrimentos. (EMBREE. navegação e comércio da Etiópia. inaugurou uma longa relação com a Coroa portuguesa.da Companhia de Jesus. WILHELM. Desde a Antiguidade. daquelas inseridas na esfera do Padroado português do Oriente. (DOMINGUES. Fernão Mendes Pinto andou por parte da Índia e do Oriente por vinte e um anos. 1974). Dentro desse quadro político estava localizado o enclave português de Goa. entre outras missões. cujos governantes viram a possibilidade de servir-se da nova potência marítima. só foi possível devido a contínua formação de alianças e contra alianças com os reinos da asiáticos. Francisco Xavier e as Missões do Índico Encarregados. trata das condições e destinos de Portugal e dos portugueses e da interação entre o Ocidente e o Oriente. jóias e tecidos) chegavam até o Mar Mediterrâneo. que ele descreve como . Nossa outra fonte é a obra de Fernão Mendes Pinto (1510-1583) Peregrinação. ela se encontrava dividida em vários reinos. que merece ser mencionado por sua participação na vida política da Índia meridional. após os primeiros contatos no Oriente. representada por Simão Rodrigues e Francisco Xavier. Xavier faz bons contatos com a corte. que seguiram até Lisboa no ano de 1539. conquistaram diversos pontos estratégicos na Ásia. para estabelecer relações diplomáticas entre o Japão e a Índia Portuguesa e ainda em vida foi reconhecido como perito nos assuntos do Oriente. Inseridos no período áureo da expansão marítima portuguesa os jesuítas deram início a várias missões no Oriente e tiveram participação ativa em questões políticas e culturais. Viajante português. a Índia fez parte de uma rede de comércio transcontinental. Os portugueses. No século XVI. embora muitos considerem as pretensões do rei de Portugal de ser “Senhor das Índias” apenas uma hipérbole. Os produtos que circulavam em seus mercados (condimentos como: pimenta. a Companhia de Jesus.

se dividiam entre alguns insignificantes rajás hindus independentes. tendo chegado inclusive a Índia e arredores. (XAVIER. 2002). o catecismo breve do qual se utilizou a seus companheiros. Grande parte do norte havia sido conquistada por invasores islâmicos. afastadas do interior pelas cordilheiras dos Gates ocidentais. a região tinha uma população hindu numerosa. Déli e Bengala. que segundo ele. estão em “figuras de bestas e alimarias do diabo” e ele acusa de cegos aqueles que adoram este tipo de imagem (XAVIER. Ele chegou a Índia em 6 de maio de 1542. segundo ele. nomeando-o Núncio Apostólico do Oriente e recomendando-o a todos os reis das terras que visitasse. além de pedir proteção a Jesus e Maria. encarregado de preparar mais missionários. Somente passado um ano. cujos descendentes governavam os principados poderosos de Guzerate. que a população da região estaria apta a receber a fé cristã. Enche-se de expectativas quanto ao trabalho missionário que pretende desenvolver no Oriente. onde invernaram para cuidar dos doentes e para aguardar a próxima Monção. faz o mesmo a São Tomé. os chamados “cristãos de São Tomé”. Na época acreditava-se que este apóstolo teria evangelizado várias regiões do Oriente. é que ele retorna para Goa em busca de ajudantes. destinando Paulo Camerino para colaborar no colégio São Paulo. Lá permaneceriam os descendentes daqueles que por ele foram cristianizados. que era considerado pelos católicos o “Patrono da Índia”. Nesse texto. que estaria a muito tempo sem missionários. então. A primeira paragem foi em Moçambique. 2006. deuses pagãos. que se localiza no sul da Índia. Este colégio ficou sob a . (XAVIER. deixando em Lisboa Simão Rodrigues. Após se apresentar às autoridades sacerdotais. a Índia. Ele enviou. Xavier exorta os “pagodes”. Xavier. Apesar de governada por muçulmanos. As regiões costeiras de Canara e Malabar. para tomar posse da Missão na Costa da Pescaria em seu lado oriental. Francisco Xavier partiu a caminho da Índia em 7 de abril de 1541 (seu trigésimo quinto aniversário).solícita com as coisas da fé. ao sul de Goa. dos quais o samorim (rajá do mar) de Calicute era o mais importante. (BOXER. principalmente ao ouvir pessoas recém chegadas da Índia. (BOXER. Junto com ele partiram Paulo Camerino e Francisco Mansilhas. Xavier tratou de catequizar a população cristã. que resistia a qualquer tentativa de imposição a sua religião. 98). que ia para Goa tomar posse de seu cargo. Mais tarde deixou os dois companheiros e acompanhou o Governador Martim Afonso de Souza. 2006). Segundo Charles Boxer. Ele levou quatro Breves que recebera do Papa. que afirmavam. estava profundamente dividida entre hindus e muçulmanos. é importante notar. 2002). No catecismo breve. 2006). como agora. De Goa ele parte para o Cabo de Comorim. p.

No arquipélago da Indonésia. que os jesuítas tiveram que manter suas missões. para não perderem a fluência da língua nativa. Era. no Oriente os portugueses são “senhores do mar”. portanto. que estabelecer contato com grupos muçulmanos e em várias ocasiões descreveu este relacionamento como amigável. Porque antes de enviar algum missionário a determinada região. permitiram a Xavier. localizado no sul do golfo Pérsico. sendo predominante o latim e os estudos teológicos. fundado em Goa em 1541. Em Melinde. Seus governantes se converteram ao islamismo por volta do século XV. Por lá passava quase todo o comércio entre a Índia e a Pérsia. muçulmanos de Guzerate. segundo as palavras do próprio Xavier. onde viviam cingaleses budistas e no norte da ilha havia o reino de tâmil hindu de Jafna. . possuindo apenas entrepostos comerciais. além de especiarias da Indonésia e cavalos árabes. As Molucas eram produtoras de cravo-da-índia e estavam sob a competição dos sultanatos muçulmanos de Ternate e Tidore. Achém era seu reino mais importante na segunda metade do século XVI. mas lá também se encontravam comerciantes tâmus hindus de Coromandel. Sumatra é a segunda maior ilha da Indonésia e estava dividida em estados insignificantes. Outros entrepostos portugueses estavam localizados no Ceilão. O seu ensino baseava-se no dos colégios jesuítas da Europa.tutela dos jesuítas. benjoim e ouro. Malaca era a sede do sultanato mais rico da península e grande empório de especiarias da região junto das Molucas. estavam fixados em Colombo e outras regiões costeiras. proporcionado pela troca constante de correspondências que eles realizavam. muitos mercadores maometanos. Já no início da análise dos escritos de Francisco Xavier. indianos ou árabes. Naquele período. Essas cartas. por lá passavam mercadorias como pimenta. (BOXER. Contudo. que o associaram ao seminário da Santa Fé. para educação e ensino do clero indígena. 2002). um dos entrepostos mais ricos do mundo na época. Os alunos deveriam praticar também os seus idiomas vernáculos. por exemplo. fazia primeiro uma visita de reconhecimento do lugar. Java e Sumatra. sempre que possível. sempre expressa críticas a religião que eles professavam. é visível o elo existente entre os jesuítas dispersos pela Índia. (BOXER. coordenar todos os elementos relacionados as missões do Oriente distribuindo missionários e os instruindo sobre as características de cada população e os perigos que eventualmente estariam sujeitos. Xavier tem. em meio a todas essas populações e disputas territoriais e comerciais. Dentre estes estava Ormuz. Mesmo nunca sendo invadido por muçulmanos. quase todos islamizados. 2002). onde construíram fortalezas que abrigavam várias famílias portuguesas.

A terra era “muito fragosa. Lembra ainda que a única carne de que se alimentavam na região. era de uns porcos monteses. era para ele um lugar muito perigoso. 307). com muitas guerras e habitado por “gentes bárbaras”. onde conhece populações diferentes com problemas diversos. Xavier não os chama literalmente de hereges. (XAVIER. além de outras árvores das quais utilizavam suas cascas para produzirem vestimentas. E apesar dos costumes desses cristãos não seguirem os padrões católicos romanos. sendo os mouros. Ele os descreve como grandes jejuadores. além da existência de um vulcão e de eventuais maremotos. Em outro de seus catecismos. 2006. políticos ou mesmo cotidianos. foi lhe dado apenas uma esposa. como o fato de habitarem terras estéreis. para permanecer na região. No catecismo Xavier fala que quando Deus criou Adão. Careciam de mantimentos. (XAVIER. com seus sacerdotes indígenas e rituais. são interessantes alguns pontos que destacou sobre a criação do mundo. isto acontecia porque Deus não se alegrava de suas orações. que eram os apetrechos utilizados para rezar a missa. escrito em 1546. mas o governador da Índia não consente. estando todos contra Deus. todas as ilhas são serras e muito trabalhosas de andar”. lembrando ele do trigo. Ele frisa que os adoradores de pagodes e os que crêem em feitiços e adivinhadores. 2006). mas transmite a idéia de que eles deveriam ser trazidos para o seio da Igreja. Ele então pede ao capitão português da nau que o levara até lá. pois haviam matado um padre. (XAVIER. Contudo. p. que não sabiam ler nem escrever e que envenenavam aqueles de quem não gostavam. Não tinham muita água potável. (XAVIER. juntamente dos amancebados. gentíos e maus os cristãos que possuíam muitas mulheres. com a ocorrência de eventos naturais que até hoje são assustadores aos olhos humanos. habitada por alguns cristãos isolados a muito tempo. pecavam gravemente. quando ele estava em Ternate. Xavier continua seu trajeto pelos entrepostos portugueses do Índico. por exemplo.conta que as mesquitas estavam vazias e segundo ele. 2006). em sua viagem para o arquipélago de Maluco quando ele descreve a ilha de Moro. pois adoravam o diabo. mas havia muito arroz e sagüeiros que serviam para fazer pão e vinho. Lá ele permaneceu três meses visitando os povoados cristãos e batizando as crianças. Na ilha de Socotorá habitavam muitos cristãos de São Tomé. vinho de uvas. 2006). De acordo com Xavier. . eles eram inimigos dos muçulmanos o que surge como uma possibilidade de estabelecer uma aliança entre eles e os portugueses contra grupos islâmicos. Como. dos quais se utilizou para repreender os habitantes do lugar relacionando-os com alguns de seus costumes.

2006). em várias das cartas destinadas a Dom João. contudo. Se queixa também que poderiam ser catequizadas muito mais pessoas. Francisco Xavier chegou até o Japão onde fundou novas missões e também ambicionou estabelecer missões na China. que estavam cercadas de conflitos e com uma quantidade de missionários deficiente. Após percorrer por vários anos os entrepostos portugueses do Índico. era o de principalmente expandir a fé católica e que o Rei teria que prestar contas sobre isto a Deus. como ele diversas vezes narra em suas cartas. que fizesse tudo aquilo que pudesse pelas missões.Preocupado em conhecer além dos costumes. Xavier fala que a população tem disposição para se converter. Durante todo o tempo que passou de sua chegada às Índias em 1542 até o ano de sua morte em 1552. 2002). não deixava de recomendar aos seus companheiros que fizessem o mesmo. Fernão Mendes Pinto e a sua “Peregrinação” pelo Índico . 2006). os escritos de Francisco Xavier nos possibilitaram um panorama geral das missões. Xavier teve o cuidado de trazer intérpretes que o ajudassem na tradução das fórmulas catequéticas. descobria falhas em suas traduções. seus planos não foram realizados enquanto ele ainda estava vivo e veio a falecer em 1552 tentando entrar na China. (XAVIER. o Pai-Nosso e a Ave Maria. (XAVIER. como também. Como uma das funções principais das cartas era edificar os leitores (LODOÑO. (XAVIER. 2006). Em uma série de cartas. o exorta a ter cuidados especiais com seus representantes na Ásia. em cartas posteriores. também o faziam ao Rei. os idiomas locais. para que na hora de sua morte não tivesse do que se arrepender. 2. advertindo-o que o fim para o qual Deus destinou a Portugal. Da mesma maneira que os jesuítas tinham o dever de informar a seus superiores sobre tudo o que faziam uns para os outros. o império da Índia. principalmente o malabar que era o mais falado na região. porque além de escrever pessoalmente ao Rei. Também traduziu o Credo. No entanto. se fossem enviados mais jesuítas. ele escreve de Cochim ao Rei. quando ao conhecer melhor o malabar. Francisco Xavier não só agradece a Dom João III por sua ajuda. porque segundo ele isto bastava para que se tornassem cristãos. Procurou se aproximar principalmente das crianças. Em 20 de janeiro de 1545. A solução para essa deficiência passa a ser o seu pedido mais freqüente. Em seguida as enviava para os outros jesuítas e inclusive fazia correções em algumas delas. que ele elogiava sempre por sua inteligência e curiosidade em aprender as orações. a atitude de muitos portugueses estaria atrapalhando o crescimento das missões. Ele chega a dizer repetidas vezes ao Rei.

onde foi recebido pelo capitão Antônio da Silveira. Nesse ínterim. Francisco de Faria. 1983. A sua obra é um relato de sua vida. Depois de venderem suas fazendas. nesta dura batalha houve muitas perdas do lado português em um primeiro . p. (PINTO. que ele chama de a “nau do Turco”. Fernão M. 1983. Esses turcos pretendiam tomar Adem e ali construir uma fortaleza que abrisse caminho para a Índia. filho de Vasco da Gama. 18-23). segue para Dabul e depois para Onor. onde tem informação de uma armada turca. João III estaria com toda a sua corte fugindo da peste. Em seu livro ele destaca principalmente as dificuldades que enfrentou. Resgatado pelo capitão da fortaleza de Ormuz. Por motivos obscuros. Ele passa por Socotorá e Massuaa. até a sua volta a Portugal em 1558. que partiu para o Oriente em busca de obter alguma riqueza e nessa procura passa por muitas aventuras. 1983. onde a pedido da rainha do lugar tentam expulsar a armada turca ali presente. com esperanças de conseguir grandes riquezas. como conflitos que envolviam portugueses ou guerras regionais. que trouxe para Lisboa a ossada do pai.Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho em 1510 e ainda jovem foi para Lisboa. que estaria liderando uma ofensiva para expulsar os portugueses do Índico. por ordem de um tio seu. embarcou para a Índia. Mendes Pinto foi com as embarcações a caminho de Diu. 16-17). e lá chegou no dia 3 de agosto de 1538. Em 11 de março de 1537. onde trabalhou para uma senhora da nobreza. Porém. seguindo para Cochim. uma espécie de testamento que ele mesmo diz estar deixando para os seus filhos e curiosos a respeito dos lugares por onde andou. p. as três naus foram para Goa só com seus oficiais e os marinheiros onde ficaram alguns dias. a quem serviu. não enxergando o “quão caro” isto lhe custaria e o quanto arriscaria a sua vida. (PINTO. entre eles Pedro da Silva (“o Gallo”). 1983. Esta armada passou por Moçambique e dela partiram três naus do rei para Diu e duas de mercadores para Goa. onde tomada a carga retornaram para o reino todas as cinco e mais uma feita na Índia chamada São Pedro. (CATZ. (PINTO. Em Setubal ele encontra um fidalgo. ele teve que fugir. falando de si mesmo como uma espécie de “coitado”. onde o rei D. onde iniciou a sua “Peregrinação” pelo Índico. são atacados e feitos prisioneiros. 15). 14). encontrando uma caravela que ia com cavalos para Setubal. Pinto partiu para a Índia em uma armada de cinco naus. após partir para o Oriente em 1537. composta por capitães particulares. Voltando para a Índia eles encontram as armadas inimigas. Fernando de Lima. ele embarca para as proximidades do Mar Vermelho em uma fusta com um Capitão seu amigo. naufrágios e outros perigos no mar. João. recebida com pompa pelo rei D. mas como não lhe bastava para o seu sustento. p. mas segundo ele. além dos muitos cativeiros que conta ter passado. p.

Fernão M. Em Malaca. mas após a sucessão de capitães. Ele continua sua série de viagens através do oceano Índico. p. Passa pela fortaleza de Diu.momento. pois sabia o quão importante ela era para o serviço do Rei. Ele diz ainda que o rei Bata realmente estava certo. também não foram eficientes no combate ao poderio achém. por isso nunca mais ousou pedir socorro aos portugueses. Pinto conta que o novo capitão recebe notícias do rei Bata. destruída após o ataque turco e segue até Malaca com o novo capitão daquela fortaleza. este era o sultanato mais rico. Fernão Mendes Pinto segue suas viagens entre os entrepostos portugueses na costa do Malabar. onde relata suas aventuras e as informações que sempre fornece as autoridades portuguesas – principalmente o capitão de Malaca – a respeito das características gerais de cada lugar e principalmente os produtos comerciáveis que continham em mais abundância. Pinto conta que Pero de Faria aceita a amizade com muito gosto. p. A fortaleza de Diu também é atacada pelos turcos com a ajuda de vários príncipes “mouros e gentios” da região. pela morte de seu filho e muitos dos seus soldados. 1983. como quando tomaram a fortaleza de Paacem e a galé para Maluco e muitas outras embarcações das quais ele dizia se lembrar. No início do século XVII. p. que pedia ajuda contra um possível ataque dos achéns. segundo ele. não atendeu este rei porque o acordo havia sido realizado com o seu antecessor. enquanto os portugueses ficavam em Malaca pouco seguros. o atual que era Faria. para o rendimento da alfândega e para seu proveito e dos portugueses daquelas partes em seus tratos e fazendas. 1983. com três filhos mortos e boa parte do seu reino invadido. onde relata as trocas comerciais realizadas pelos mercadores portugueses que acompanhou e o abastecimento das armadas reais. para tristeza dos portugueses que desejavam prestar socorro àquela fortaleza e assim. conta que um embaixador do rei de Aarú pediu socorro ao capitão Estevão da Gama. Ficou então este rei de acordo com Pinto. 1983. (PINTO. Em Malaca. (PINTO. No entanto. para se proteger também dos achéns. 39). o que causou revolta em no capitão da armada portuguesa. poderoso e sofisticado do Estreito de Malaca. 34-36). (PINTO. Gonçalo Vaz Coutinho. 40-42). p. 1983. 52). principalmente do Hildacão e o Samorim de Calicute. (PINTO. seus principais espiões. Apenas despediu o embaixador do rei de Aarú com presentes que enviou através de Pinto. passando por Sumatra e região. povo que habitava a região da Indonésia chamada Achém. para a segurança da fortaleza de Malaca. nomeado . se verem livres dos “inimigos da nossa Santa Fé”. assim como em outros momentos os portugueses. Pero de Faria. onde o Islã se estabeleceu pela primeira vez no Sudeste Asiático. esta aliança não tem sucesso e o rei Bata lamenta a ajuda dos portugueses não ter tido efeito.

este rei teve o seu reino tomado. se no princípio desta guerra. p. segundo Mendes Pinto. através do Baxá do Cairo. por exemplo. que o rei de Portugal castigaria seriamente os seus capitães se soubesse o quanto eles relaxaram em conter o poder Achem. 72). 1983. (PINTO. sejam aquém lhe pertence por direyto”. 80). p. que assi passou realmente na verdade. ao qual me parece que pudéramos valer com muito pouco custo & cabedal que puséramos de nossa parte. Este rei dizia. e o controle da navegação dos mares da China. (PINTO. 1983.seu embaixador. de Banda e Maluco. Termina então dizendo que a falta do rei português nesse sentido. p. para cumprir a conquista de povos tão apartados da sua terra. É significativo o fato de Fernão Mendes Pinto insistir em falar dos planos dos achéns de tomar Malaca primeiro e depois conquistar os outros entrepostos portugueses. Através da ajuda dada a Pinto. seguindo satisfeito. batalhas entre o rei do Iantanna e o rei do Achém em disputa pelo reino de Aarú. portanto. Pinto então afirma que o propósito dos achéns era tomar o comércio das drogas. 62-63). lhe acudirão co que elle pidio pelo seu Embaixador. Borneo. se perdeo este reyno de Aarù com morte deste pobre Rey tanto nosso amigo. 1983. além de vários ataques dos achéns que tomaram a fortaleza de Puneticão. através de um contrato feito com o “Turco”. mas de quem teue a culpa disto (se ahy ouve alguma) não quero eu ser juiz. Timor e Japão. lamenta a perda do rei de Aarú dizendo: E desta maneyra. Após esses acontecimentos ele ainda presencia algumas batalhas ao redor do Bintão entre os reis da região que disputavam territórios entre si. os direitos de sua fazenda na alfândega e não foi feito a ele nenhum “agravo”. Este mercador esperava com isso ter proveito em Malaca se o capitão e os oficiais não lhe fizessem “agravos de que tem ouvido queixar a muitos que lhe fazem nesta fortaleza nas fazendas que a ela levam”. principalmente pela ação de algumas pessoas particulares e que o rei português. Sem ajuda. 66-67). Sunda. Ele descreve todo o seu poderio militar e os acordos que tinha com o Baxá do Cairo e o “Turco” e. no tempo em que Leonis Pereira. Após vitória dos achéns. foi capitão da fortaleza e a defendeu segundo ele . seria a causa do estado em que Malaca agora se via. Pinto conta que o rei entregou Aarú ao seu filho mais velho. o mercador recebeu sessenta cruzados e duas peças de damasco da China. como. Pinto comenta que ele tinha razão. No retorno a Malaca a embarcação em que vai naufraga e ele acaba sendo socorrido por um mercador mouro que só aceita levá-lo a Malaca porque Pinto lhe disse que era parente do seu capitão. (PINTO. 1983. (PINTO. precisaria castigar os maus e premiar os bons. que depois acabou sendo morto em Malaca ao tentar cercá-la. p.

quando após três meses foi desenterrado para ser levado à Índia. e do rei de Martavão e o rei Bramaa na região do golfo de Bengala. Lá ele encontrou Francisco Barreto como vice-rei. narra os planos desse padre em desenvolver mais trabalhos missionários. Passa boa parte do restante da sua “Peregrinação” relatando ataques realizados por achéns contra portugueses. 679-684). trabalhando como embaixador. encontra o padre jesuíta Francisco Xavier. Afonso de Noronha. Partiu sem o necessário e acabou vindo a falecer às portas da China. Só retorna a Índia em 17 de fevereiro de 1557. 1983. Álvaro de Taíde. p. Eles chegaram em 5 de junho de 1554. estava em perfeito estado. Esteve presente em naufrágios.por milagre já que os portugueses estariam em menor número (cerca de 200 mouros para cada cristão). 1983. 91). Conta que Xavier obteve apoio do vice-rei da Índia. onde foi recompensado por seus serviços. (PINTO. segundo ele. guerras e disputas entre reinos e em ataques sofridos e realizados entre portugueses e inimigos. Fernão Mendes encerra a sua “Peregrinação” acompanhando o padre jesuíta Belchior ao Japão. (PINTO. contando a ele sobre todos os seus . 1983. levando presentes e fazendo acordos em nome dos portugueses com o reinos locais e transportando as “fazendas”. p. Fernão Mendes Pinto. Deus teria feito através dele. e Pereira. em que os portugueses muitas vezes atuaram como soldados em um dos lados. ou que segundo Pinto. Fernão Mendes fala a respeito da viagem de Xavier ao Japão e da fundação de missões neste lugar. não teve permissão do primeiro para guardar suas provisões e para que Pereira o levasse até o seu destino. além das guerras entre os achéns e os reis de Sião. disputas entre os portugueses e guzerates. então. após ainda ter passado por Malaca. o que deixou a todos os presentes impressionados. de quem se torna amigo. sobre o “milagre do corpo incorrupto” de Xavier. este lhe fez muitas propostas para que permanecesse na Índia. causando comoção popular. continuou incorrupto e sem mal cheiro. O jesuíta teria sido enterrado na ilha de Sanchão. e do insucesso que teve. porém devido a desavenças entre o capitão de Malaca. Ao chegar ao Japão. mas Pinto não quis aceitar. 685-687). portanto. e do mercador Diogo Pereira que prometeu patrocinar sua viagem a China. p. (PINTO. principalmente sob a ordem do capitão de Malaca. Xavier era o reitor universal da Companhia de Jesus nas partes da Índia e havia poucos dias que chegara de Maluco. E mesmo demorando mais alguns meses até finalmente chegar em Goa. Depois. agora na China. como embaixador em nome do vice-rei Garcia de Noronha. Após retornar a Malaca. Pinto fala. Era chamado de santo por todo o povo devido a supostos milagres que teria realizado. mas. resolveu tentar a sorte na China e no Japão. na ilha de Sanchão em dezembro de 1552. seguiu a maior parte de seu tempo no Índico.

que seu caso fosse resolvido pela justiça divina. mas não culpa aos reis e sim a aqueles oficiais que deveriam cumprir as suas obrigações. Pinto encerra assim a sua narrativa. primeiro. Xavier expõe a realidade da atividade portuguesa no Oriente de apenas “senhores do mar”. notamos que. próprio dos escritos jesuítas. que tinham o fim de encorajar aqueles que estavam espalhados por missões ao redor do globo e estimular outros a ingressarem na carreira missionária (LODOÑO. 716). Fernão Mendes Pinto retornou à Lisboa em 22 de agosto de 1558 e se dirigiu ao encontro da rainha D. ele estabelece primeiro contato com autoridades do governo português. Tal sentimento aumenta conforme ele estabelece contato com os portugueses ali presentes e conforme a realidade da prática missionária vai sendo delineada. p. 1983. enxergando qualquer outra crença divergente da sua como obra do demônio. Ao falar dos portugueses ali estabelecidos. as autoridades nativas. 2002). Apesar disso. O missionário e o viajante no Estado da Índia portuguesa Ao compararmos o conteúdo das primeiras cartas de Xavier. suas relações – e a dos outros jesuítas espalhados pelos entrepostos portugueses do Oriente – com as autoridades e mercadores portugueses ali presentes. Barreto o enviou para Portugal na posse de uma carta para o Rei. viagens e também o financiamento delas. distribui os missionários que chegam e elabora suas fórmulas catequéticas. nem sempre são relatadas como . decepcionado por não ter recebido aquilo que considerava ser a ele devido. esperando segundo ele. No entanto. (PINTO. 717). ele padece de uma profunda desilusão. principalmente onde existiam fortalezas portuguesas. 1983. ele escreve pretendendo um conteúdo “edificante”. Ele também expressa um sentimento comum a sociedade européia cristã da época em relação a religiões estranhas. 3. na crença de que o restante do povo seguiria seus líderes. (PINTO. apresentando-lhe a carta do governador da Índia. Francisco Barreto. com quem obtêm as licenças para o estabelecimento de igrejas. Catarina. Ela o encaminhou ao oficial encarregado de recompensá-lo pelos seus serviços prestados a Coroa. com aquelas escritas após passar um tempo na Ásia. Nos entrepostos portugueses. quando ele ainda se encontra em Portugal. Xavier vai desenvolvendo algumas idéias que acredita servir para auxiliar na conversão do “gentio”. p. estabelece as suas missões. apesar do cuidado que tem em seu discurso. como o vice-rei em Goa e os capitães das fortalezas espalhadas pelo Índico. Conforme ele faz um reconhecimento de cada entreposto comercial. Ele propõe que sejam convertidas.trabalhos realizados enquanto esteve no Oriente. casas.

Contudo. em Lisboa. para que outras pessoas desejassem se converter. Esses padres. Pinto. relatos de capitães que se recusaram a ajudá-lo a encontrar embarcações que o levassem a determinados lugares. o fato de serem realizados inúmeros acordos comerciais entre portugueses e nativos. Além disso. segundo ele conta. em inúmeras cartas Xavier descreve crises entre jesuítas e capitães portugueses. Vemos no decorrer do tempo. inclusive pelos motivos já citados. com os portugueses e com as populações nativas. Por isso. também não foram sempre amistosos.harmoniosas. Além disso. Como. a presença de outras Ordens religiosas no Oriente e o contato com padres seculares descritos por ele. sua insistência em partir para o Japão e a China. Em geral. Era nítido que naquele momento. só estavam sendo mantidas as missões já existentes. em pouco tempo percebe a pouca disposição das pessoas em abandonar suas crenças e a própria dificuldade em manter os já convertidos. 2006. 2006. em meio a suas passagens pelos entrepostos comerciais portugueses. a atitude de muitos portugueses. p. 189). Se. além de intrigas pessoais entre mercadores importantes que ali comerciavam. (XAVIER. 2006). porque segundo ele: “não temos quem nos ajude senão Deus” (XAVIER. era além da falta de missionários. mal dispostos a os auxiliarem em seus trabalhos. era “gente que gosta de ser obedecida” (XAVIER. onde problemas relativos a crenças religiosas não interferiram no . ele mantém vínculos comerciais e políticos com várias autoridades da Coroa. 178). uma dificuldade latente no relacionamento dos missionários. sendo muito importante que os portugueses lhes favorecessem. Encontramos em suas cartas. Quanto ao viajante Fernão M. por exemplo. Xavier fala da vida cristã da corte portuguesa. porque pensava talvez obter nesses lugares maior sucesso do que na Índia. p. ou mesmo dificultando suas presenças em determinados territórios ao realizarem acordos políticos que comprometiam a boa relação entre os jesuítas e governantes nativos. nos quais observamos alguns episódios interessantes. Ele se lamenta cada vez mais da falta de favorecedores das missões e observa que é preciso mais orações das mulheres e crianças. Em várias ocasiões ele encerra suas cartas dizendo que: “Nosso Senhor nos dê mais descanso na outra vida do que nessa temos” (XAVIER. vimos que após sua chegada a Índia. 2006). outros que venderam cavalos de guerra ou armas para reis inimigos daqueles com os quais os jesuítas já haviam obtido liberação para catequizar em suas terras. Pelo contrário. nas fortalezas descreve a vida desregrada dos portugueses que lá habitavam. Aspectos que teriam dificultado ainda mais o seu trabalho missionário. ele afirma que as pessoas não queriam se converter por ver o quanto os cristãos eram perseguidos. o que os seus escritos demonstram como causa principal dos insucessos na conversão do “gentio”. portanto.

no devido tempo. é claro que nem sempre dosados nas mesmas proporções”.andamento dos negócios. (p. econômicos. houve muito mais cooperação e interação do que dominação”. aos . E o historiador inglês M. principalmente na narração dos conflitos armados em que estavam envolvidos. muito importante. de acordo com Boxer (2002). contra governantes muçulmanos daquela região. o “efeito cumulativo das bulas papais foi o de dar aos portugueses – e. (BOXER. mas de quaisquer outras descobertas. é claro o ódio ao “infiel” nos escritos de Pinto. Na segunda. é importante lembrar que Charles Boxer fala que os historiadores estão longe de chegar a um acordo quanto às motivações que regeram a expansão ultramarina portuguesa terem sido em maior medida econômicas ou religiosas. pagãos e outros infiéis. 2002. Nesse sentido. 37-38). Essas motivações dos portugueses estão presentes. Ele descreve nos primeiros capítulos da Peregrinação um acordo entre os principais chefes de Estados muçulmanos no subcontinente indiano e seu redor e o “Grande Turco” para tentarem expulsar os portugueses da região. Para ele. Este ódio é refletido nas punições severas com que os portugueses castigavam seus prisioneiros de guerra muçulmanos. Pinto menciona em várias ocasiões acordos comerciais entre portugueses e muçulmanos além de “mouros” responsáveis pelas “fazendas” de portugueses. 19). mas que “os impulsos fundamentais por trás do que se conhece como a ‘Era dos Descobrimentos’ sem dúvida surgiram de uma mistura de fatores religiosos. p. a análise dessas bulas é importante porque elas mostram o “espírito da ‘Era dos Descobrimentos’ e estabelecem as diretrizes para o comportamento (ou mau comportamento) europeu posterior no mundo tropical”. ao analisar o impacto luso na região. Segundo ele: “No conjunto. N. construir igrejas e enviar padres. das quais ele cita a Romanus Pontifex de 8 de janeiro de 1544 e a Inter caetera de 13 de marco de 1456. (p. 33). religiosa. conquistar e submeter sarracenos. o papa Nicolau V decreta o monopólio português não só de Ceuta e das regiões já conquistadas naquele momento. inclusive de capitães importantes como o de Malaca. política). Em muitas áreas esse impacto foi mínimo. ao sul do Bojador e até as Índias. Mais tarde eles recebem licença do papa para comerciar com os sarracenos. Daí o fato de em determinados momentos as diferenças religiosas não terem atrapalhado o estabelecimento de acordos entre os portugueses e muçulmanos presentes no Índico. em outras. Segundo Boxer (2002). estratégicos e políticos. No entanto. Na primeira o Papa autoriza os Portugueses a atacar. Da mesma maneira. afirma que a influência portuguesa variou conforme o tempo. Pearson em seu livro Os portugueses na Índia. econômica. em bulas papais. os portugueses também procuraram criar e manter acordos comerciais e políticos com alguns reinos. lugar e categoria (social.

participando de acordos e dos conflitos locais. CONCLUSÃO Todos esses pontos levantados a partir do contato com as fontes mencionadas terminam por demonstrar que a presença portuguesa no Índico foi sentida de maneira diferenciada de acordo com as várias regiões. autoridades do Estado português. Percebemos em seus escritos que. com em troca. são o fator decorrente em sua narrativa e o que o faz se deslocar por vários lugares. Por meio do que foi narrado por Fernão Mendes Pinto em Peregrinação. tinham que pagar tributos ao capitão português lá instituído. muitas vezes. não apenas no comércio. na região oeste da Índia. ainda. Se. mercadores e missionários nem sempre refletiam isso. principalmente como embaixador responsável por esses acordos. que navegavam até o Extremo Oriente e vinham até Malaca e ali. e sua posição como centro de encontro dos produtos vindos de diversas partes do Oriente e depois repassados para Portugal. E. . no leste. nas quais os lusos atuaram. em um plano geral. na prática. o recebimento de vantagens comerciais. Também fica evidente que havia fortes conflitos de interesses por parte dos diferentes grupos que representavam o governo português no Índico. 39). (p. mas no cotidiano político de alguns reinos. Esses acordos se constituíam principalmente na troca de ajuda militar portuguesa. foi possível visualisar. havia uma aparente circulação maior de naus particulares. em guerras e disputas territoriais. o papel de Goa como capital do Estado da Índia Portuguesa.outros europeus que os acompanharam – sanção religiosa a uma atitude igualmente dominadora com relação a todas as raças que estivessem fora do seio da cristandade”. todos estavam inseridos na expansão ultramarina que combinava comércio de especiarias e expansão da fé como objetivos que não se excluíam. Quanto aos acordos políticos mantidos pelas autoridades portuguesas com reis em várias partes do Índico. Enquanto isso. há um controle mais efetivo e também uma atividade mais intensa de embarcações oficiais do Estado português sobre os seus entrepostos comerciais. desde o fornecimento de armas até a ajuda direta de capitães portugueses com seus soldados. membros de um mesmo grupo mantinham rivalidades e cometiam atos que buscavam garantir os seus interesses pessoais.

SUBRAHMANYAN..Referências Bibliográficas BOXER. Sanjay. India. Ainslie T. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Francisco C. Lisboa: Editorial Teorema. EMBREE. vol. CATZ. Revista Brasileira de História. 1974. N. 1. Rebecca. Luís Felipe. Escrevendo Cartas – Jesuítas. PINTO. Luís Felipe. Historia del subcontinente desde las culturas del indo hasta el comienzo del domínio inglês. São Paulo. 2006. 1994. 1986. Friedrich. . In. Cartas de Fernão Mendes Pinto e Outros Documentos. São Francisco. A Abertura do Mundo: Estudos de História dos Descobrimentos Europeus. vol. Tradução de Francisco de Sales Batista. Os Portugueses na Índia. Obras Completas. vol. XAVIER. nº 43. 1983. Lisboa: Editora Presença. PEARSON. Peregrinação. Lisboa: Edições 70. Escrita e Missão no Século XVI. São Paulo: Edições Loyola. 1990. Madrid: Historia Universal Siglo XXI. Comércio e Conflito: A Presença Portuguesa no Golfo de Bengala 1500-1700. LODOÑO.. BARRETO. 2002. Fernando Torres. WILHELM. 2002. BARRETO. Charles Ralph. 22. Introdução à Peregrinação de Fernão Mendes Pinto. São Paulo: Cia das Letras.17. Tradução de Ana Mafalda Telo. Fernão Mendes. Lisboa: Editorial Presença/Biblioteca Nacional. O Império Marítimo Português. DOMINGUES. M. 1983.