GABARITO DA PROVA: 1) Em parte. Agiu certo ao declinar a competência, por se tratar de competência absoluta.

Agiu errado ao decretar a invalidade dos atos, porque todo o ato praticado quando a competência era aquela, os atos são validos. 2) A decisão não pode ter eficácia no BR. Jurisdição nacional exclusiva. 3) Há conexão, mas esta não determina a reunião do processo porque as duas competências são absolutas. As normas sobre conexão só determinam a reunião de processos havendo a mesma competência absoluta. Havendo relação incindível o Banrisul poderia ser julgado na Justiça Federal, mas, no caso, se tratava de litisconsórcio facultativo. 4) Pode haver litisconsórcio facultativo. 5) Não, pois o juiz deve determinar à parte do polo passivo que integre o litisconsórcio. AULA 16/10/2012 – AULA 01 P2 LITISCONSÓRCIO (Continuação): se caracteriza como sendo a pluralidade de partes num mesmo polo do processo jungida por um interesse comum. O litisconsórcio pode ser classificado por 4 perspectivas diferentes. As duas que mais nos interessam é quanto à obrigatoriedade do litisconsórcio (facultativo ou necessário) e quanto à uniformidade da decisão (simples e unitário). Evidencia o propósito do litisconsórcio no processo. Mera permissão a que as pessoas litiguem em conjunto – consórcio facultativo. Evitar decisões conflitantes para questões afins ou mesmo idênticas. Cada litisconsorte facultativo tem uma demanda em relação a contraparte. No caso do litisconsórcio necessário, o problema é de legitimação para a causa. Este assegura que o processo se desenvolva perante seus legítimos contraditores. No fundo, as normas do litisconsórcio visam a preservar o direito ao contraditório e, por essa razão é que quando não observadas, o processo é inválido. Na hipótese do litisconsórcio simples o juiz pode julgar a ação procedente para um dos litisconsortes e improcedente para outro. Já no litisconsórcio necessário ocorre o contrário, necessariamente o juiz deve tratar de forma uniforme a situação jurídica, decidindo de forma igual aos litisconsortes. Vimos que o art. 47 está maculado por dois erros graves: primeiro, o juiz pode tratar os litisconsortes necessários de forma diferenciada e, segundo, somente as partes litisconsorciadas devem ser tratadas de forma equânime. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO UNITÁRIO: a) Possível i) MOREIRA, Barbosa. Litisconsórcio Unitário: obra escrita em 1972 quando o Brasil vivia um clima que a doutrina chama de processualismo, ou seja, que ditava a preocupação maior do processualista como a preocupação conceitual (erigir conceitos para que o sistema processual fizesse sentido). Exemplo: Plano Direito Material  Daniela, Vitor e Fernando têm em condomínio uma fazenda que foi esbulhada por Thalles. Condomínio é quando se tem o domínio comum, condôminos são co-proprietárias do imóvel X. Este imóvel, no caso, a

fazenda, se encontra sobre a guarda do Thalles. O art. 1314 do CC que trata do condomínio e permite que qualquer um dos condôminos possa reivindicar a coisa comum (vindicar a propriedade da coisa), possa propor ação, na hipótese em tela, contra Thalles. Poderia Daniela, Vitor e Fernando propor ação em litisconsórcio? Sim. Pode só a Daniela propor ação em separado? Sim, pois o art. 1314 permite tal conduta. Assim, o possível litisconsórcio é facultativo. A relação jurídica incindível. Pode o juiz afirmar que a Daniela tem em condomínio a coisa com Vitor, mas que este não tem com a Daniela? Claro que não. Portanto, desta incindibilidade, resulta ser o litisconsórcio facultativo unitário. Se a Daniela propusesse ação e o pedido fosse julgado improcedente. Esta coisa julgada, essa decisão definitiva que julgou improcedente o pedido vincula Daniela, Vitor e Fernando? A coisa julgada necessariamente alcançará as pessoas que não foram parte, porque é a única maneira de manter a essência jurídica incindível da questão. Isto não estaria ofendendo expressamente o art. 472 do CPC? Sim, está o afrontando. (Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros). À época de Barbosa Moreira não se tinha a preocupação com direitos processuais fundamentais, a preocupação da doutrina era formar conceitos. De um modo geral os doutrinadores seguem Barbosa Moreira cujo entendimento permite coisa julgada ultrapartes, sendo, portanto, contra a lei e contra a Constituição. A primeira monografia escrita no Brasil sobre litisconsórcio unitário é de Barbosa Moreira. Nessa altura, a doutrina estava preocupada com a construção de conceitos e não propriamente com a compreensão do processo civil no quadro do direito ao processo justo. Com esse espírito, BM isolou o conceito de litisconsórcio unitário propondo sua autonomia conceitual, tendo em conta que até então a doutrina compreendia o litisconsórcio unitário como espécie do gênero litisconsórcio necessário. BM percebe que, em determinadas relações jurídicas plúrimas, o direito material outorga legitimidade conjunta e concorrente a todos os seus sujeitos. O litisconsórcio, dai oriundo, seria, portanto, facultativo. Se, semelhante situação jurídica for, ao mesmo tempo, incindível, o litisconsórcio será unitário. Daí a possibilidade conceitual de termos um litisconsórcio facultativo unitário. Como consequência, porém, desta figura, BM propõe a coisa julgada ultrapartes na medida em que, para mantença da uniformidade, é preciso que todos os participantes da situação de direito material incindível sejam alcançados pela coisa julgada. Se a Marcela tem uma situação jurídica incindível com Luiza e só aquela propôs ação, a coisa julgada deve ter efeitos tanto para Marcela quanto para Luiza mesmo ela não sendo parte. O problema desta construção é que colide frontalmente com a necessidade de assegurar-se às partes um processo justo, que é necessariamente realizado em contraditório e com a sua projeção infraconstitucional consubstanciada na regra dos limites subjetivos da coisa julgada (art. 472 do CPC). Nosso país é de raiz bartolista (pósglosador, comentador) que presta grande prestígio à doutrina por reverenciar a autoridade. ii) DINAMARCO, Cândido. Litisconsórcio: 1985. É necessário que se garanta o contraditório às pessoas que deveriam ter sido partes, mas não foram. A posição de BM fere o direito ao contraditório e, por isso, deve ser revista. Dinamarco a reviu no plano dos efeitos (atacar o efeito nefasto que produz a definição de BM). Na ação proposta pela Daniela (exemplo dado) há dois cenários. Sendo o pedido procedente, existe algum problema em se vincular Vitor e Fernando à coisa julgada que lhes é favorável? Não, não há qualquer prejuízo.

Sendo o pedido improcedente, não há coisa julgada nem para o réu, nem para o autor e muito menos para terceiros. Assim, a coisa julgada é “secundum eventum litis”, conforme o resultado do processo. Não pode haver quebra na igualdade sem critério legítimo que autorize a situação. Dinamarco, partindo das mesmas observações de BM, também defende a figura do litisconsórcio facultativo unitário. Critica, no entanto, a formação de coisa julgada ultrapartes, na medida em que violaria o direito ao contraditório dos terceiros co-titulares do direito em questão. Para solucionar semelhante problema, Dinamarco propõe coisa julgada secundum eventum litis. Vale dizer, a coisa julgada formar-se-á apenas se prolatada sentença de procedência, porque aí, inexistirá prejuízo aos terceiros; não se formará, contudo, se prolatada sentença de improcedência, pois, neste caso, terceiros poderão ser prejudicados sem processo justo. A solução de Dinamarco é igualmente criticável, todavia, porque também fere o direito ao processo justo na proporção em que trata de maneira desigual os litigantes (polo ativopolo passivo) e nega o direito à formação da coisa julgada (fundamental à certeza do direito). b) Impossível: Como compatibilizar essas normas que, no plano do direito material, outorgam legitimação conjunta e concorrente à unitariedade da relação jurídica incindível e à necessidade de haver processo justo a todos que participam da relação jurídica incindível? O problema todo tem sua origem porque Barbosa Moreira interpretou de forma errada o art. 1314 entendendo que apenas uma pessoa dentro de uma relação jurídica incindível de condomínio de coisa pode propor ação. Contudo, não significa que, proposta a ação, o juiz, verificando que se trata de relação jurídica incindível não integre o processo com os litisconsortes ausentes. O direito de ação é direito de demandar, ir ao Estado e de conduzir o processo que resulte em uma tutela adequada, justa e tempestiva do direito. Ação não tem perfil estático, mas dinâmico envolvendo serie de posições jurídicas relacionadas pelo procedimento. O direito de ação é compósito por ser formado por um complexo de relações jurídicas. O art. 1314 outorga o direito de demandar, mas não de conduzir o processo em separado. O juiz, ao verificar que a relação é incindível deve citar os litisconsortes necessários. Não existe litisconsórcio unitário facultativo. Todo processo unitário é necessário. Infelizmente, esta é a doutrina minoritária. 3. Regime (48 e 49, CPC): Regime são normas que regem a vida dos litisconsortes nas suas relações e nas dos litisconsortes com a parte adversa. Interessa se o litisconsórcio é facultativo ou necessário para a definição do regime jurídico? Não. Interessa apenas se é simples ou unitário.  Regime Comum: aplicável ao litisconsórcio simples. Autonomia. Se o juiz não tem o dever de tratar os consortes da mesma maneira, cada um deles é autônomo no que tange à sorte do processo, ao seu resultado. Essa autonomia, no plano do direito material se reflete no processual. Quando se tem litisconsórcio simples pouco importa se X contestou o pedido e Y não. Y será considerado revel, e Y não. Os atos e as omissões de um não prejudicam nem beneficiam o outro (autonomia). Se a petição inicial foi bem redigida o juiz manda citar a contraparte que pode tomar varias atitudes ante a petição inicial. Uma delas é “nada fazer”. Nesse caso a pessoa é revel (ausência de resposta ao pedido). Assim, há presunção de veracidade do alegado pela parte não revel.  A regra é o art. 48 do CPC.

 Regime Especial: aplicável ao litisconsórcio unitário. A sorte dos consortes está jungida, eles devem ser tratados da mesma maneira pelo Estado. Vela-se pela unidade. Interdependência. É preciso ter normas que assegurem a harmonização da conduta dos litisconsortes quando se tem um regime especial. A interdependência visa à concretização da harmonia do consórcio.  Disposições em contrário de que são exemplos 320, I; 350 e 509. Art. 320. A revelia não induz, contudo, o efeito mencionado no artigo antecedente: I - se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; Só se aplica o art. 320 ao litisconsórcio unitário. Se fosse regra geral estaria em contradição com o art. 48. Art. 350. A confissão judicial faz prova contra o confitente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes. Parágrafo único. Nas ações que versarem sobre bens imóveis ou direitos sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge não valerá sem a do outro. A regra geral, 350, caput, reproduz o art.48, só especificando, mas o p.u. dispõe que quando se tem incindibilidade da relação jurídica, a confissão de um só será eficaz se ratificada pelo outro. Do contrário, será ineficaz para todos. Art. 509. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros, quando as defesas opostas ao credor Ihes forem comuns. Em regra, todo o recurso aproveita ao litisconsorte? Não! O que esta implícito no 509 é que o art. só se aplica em caso de litisconsórcio unitário para assegurar justamente a harmonia da posição jurídica do litisconsórcio. ATOS BENÉFICOS: praticados pelos litisconsortes a todos aproveita ATOS NÃO BENÉFICOS: só serão eficazes para quem os praticou e para os consortes se ratificados por todos. Art. 49: todo e qualquer consorte tem o direito de conduzir o processo. Art. 191, CPC: quando os litisconsortes tiverem procuradores diferentes terão prazo em dobro para condução do processo. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS (50-80) CONCEITO: parte é quem pede e contra quem se pede tutela jurisdicional. No entanto, o direito debatido em juízo pode suscitar o interesse de outras pessoas que não participam do processo, de terceiros. O direito debatido em juízo pode ser cotitularizado por pessoas que não participam do processo e, bem assim, os deveres que ressaem dos fatos nele debatidos. Terceiro é todo aquele que não participa do processo, conceito encontrado por exclusão.

Como o exercício do poder do Estado Constitucional legitima-se dentre outras coisas pela viabilização de meios de participação na formação das decisões que afetam a esfera jurídica das pessoas é necessário prever condutos de participação de terceiros no processo. Trata-se de imposição inerente ao direito ao contraditório. Existe relação de simetria entre as pessoas que participam do processo e que podem dele participar e aquelas que serão afetadas pelos efeitos da tutela jurisdicional. Recomendação: “Limites subjetivos da eficácia da sentença e da coisa julgada civil. José Rogério Cruz e Tuti”. Livro “Intervenção de Terceiros” de Daniel Ustarroz. CLASSIFICAÇÃO: a) Voluntária: assistência (50-55); “amicus curiae” (Amigo da Corte) e Oposição (56-61) b) Forçosa: nomeação à autoria (42-69); denunciação da lide (70-76) e chamamento ao processo (77-80) O processo civil brasileiro por anos esteve chinfrado a uma dimensão puramente patrimonial. A tutela jurisdicional possível igualizada as posições jurídicas fazendo com que se equivalessem ao dano pecuniário. O CPC de 73 foi pensado a partir desde entendimento. A maneira como a intervenção de terceiros foi disciplinada reflete esse ambiente cultural em que o processo gravitava em torno de obrigações, contratos e direitos reais. Ler a obra do Professor Mitidiero “O Processualismo e a formação do código de Buzaid”. Contexto cultural background do esquema conceitual da intervenção de terceiros. Atualmente há outro componente nessa construção jurídica que diz menos respeito aos direitos individuais discutidos em juízo e mais ao caráter institucional do Processo no Estado Constitucional. Intervenção de Terceiros 1. Conceito 2. Classificação 3. Intervenção Móvel Despolarização Relativa e Zonas de Interesse: passagem do processo civil patrimonial a um processo civil mais complexo. Assistencia Voluntária Amicus Curiae Oposição Classificação:

Nomeação à autora Forçosa Denunciação da Lide Chamamento ao Processo

Terceiro achamos por exclusão. Forma de intervenção de 3ºs não prevista no CPC: participação do Amicus Curiae (própria dos processos coletivos e dos que envolvem controle de constitucionalidade). Ocorre a intervenção de terceiros toda vez que um terceiro intervém em um processo pendente na qualidade de parte ou de assistente da parte com o fim de fazer valer no processo a defesa de sua esfera jurídica. Essa intervenção pode ocorrer de forma voluntária quando terceiro se apresenta espontaneamente para participar do processo. Considera-se forçada quando uma das partes requer a sua intervenção. Na comparação entre os sistemas jurídicos as formas de intervenção de terceiros tendem idealmente a uma previsão aberta, isto é, atípica. Assim por exemplo, o direito italiano (intervento in causa) e o português a partir da década de 1990. O Brasil, no entanto, seguindo o direito português nacional que, de seu turno, seguiu o direito alemão, preferiu trabalhar o tema mediante a previsão de intervenções típicas, isto é prevendo casos específicos de intervenção. Observação sistemática e conceitual: Intervenção de terceiros é interventiva, pois não dá lugar a um processo novo. Ampliação subjetiva de um processo pendente. Consequências: 1) Há mais hipóteses em que 3ºs participam do processo além das ditas pelo CPC em relação à intervenção de terceiros. Embargos de terceiro, por exemplo. 2) Problema da Oposição. Se a oposição for indeferida liminarmente, se for processo autônomo o recurso é apelação, se não for autônomo, é o agravo de instrumento. Ou a intervenção de terceiros dá lugar a litisconsórcio ou sucessão processual (caso da nomeação à autoria), ou, ainda, dá lugar à assistência. Os terceiros podem ser inseridos como parte ou como assistente que não é parte. A lei possibilita a participação de terceiros no processo. Essa intervenção pode ser dada por vontade própria (espontânea) ou convidado a participar (forçada). Assistencia 50/55 1. Assistencia simples 2. Ad adiuvandum tantum a. Conceito b. Requisitos c. Procedimento d. Eficácia da Prevenção (55) e. Exceptio Male Gesti Processus Assistência litisconsorcial Conceito

Eficácia da Intervenção Caso envolvendo a matéria: caso do mercado de energia elétrica. Suponha que o mercado de energia elétrica de determinado país funcione de maneira coordenada e por apuração.de acordo com a regra do jogo, em um determinado período, denominado de apagão, o agente centralizador do mercado, encarregado de contabilizar perdas e ganhos, edita uma norma geral e abstrata instituindo um seguro facultativo às operações no mercado. De acordo com esse seguro, os agentes podem optar por correrem os riscos do mercado e a partir de uma “exposição positiva” ou “exposição negativa” auferirem lucros ou perdas. Suponham que o agente V optou por não fazer o seguro. Os agentes X, Y e Z contrataram o seguro. Os agentes B, C e D tbm optaram por não fazer o seguro. Ao final do período de apuração o agente V contabilizou lucro de 46; os agentes B, C e D contabilizaram perda de 10, 10, 26. O agente V contabilizou o seu ganho que foi inclusive LANÇADO em seu balanço, o qual foi devidamente aprovado pelo mercado. Na sequencia, o mercado muda as suas regras e passa a afirmar que o seguro não era de contratação facultativa e que portanto, o agente V não é mais credor da quantia 46 e os agentes B, C e D não sao mais devedores. Inconformado com as mudanças da regra do jogo no meio dele, o agente V propõe ação para anular a segunda norma emitida pelo mercado. Pergunta-se: os agentes B, C e D têm interesse no processo? Eventual interesse legitima- os a participar do processo na qualidade de litisconsortes ou assistentes da parte ré? Se for o caso de assistência, simples ou litisconsorcial? Justifique. Como as empresas só serão atingidas pela eficácia reflexa da decisão, cabe assistência simples. Assistência simples e litisconsorcial. Obs1: na sistemática do CPC, só é intervenção quando o terceiro participa do processo na condição de parte. A doutrina, no entanto diz que a assistência é intervenção de terceiro. Obs2:como caracterizar a assistência. Assistência simples do art. 50 ou assistência de coadjuvante e a assistência litisconsorcial (art. 54). Essa duas formas de assistência pertencem ao gênero assistência.

ASSISTENCIA SIMPLES Na opinião do professor é a única forma de assistência que temos em nossa ordem processual. Assistência simples é forma de intervenção voluntária de terceiros, motivada pela existência de um interesse jurídico do terceiro em um processo pendente que visa a auxiliar uma das partes a obter provimento favorável no processo e a fiscalizar a conduta processual de ambas as partes. A participação do terceiro no processo é motivada não pelo fato de um direito seu estar sendo debatido em juízo de modo principal. O que motiva a assistência é o debate de uma situação jurídica conexa de quem é titular àquela deduzida em juízo de modo principal. OBSERVAÇÃO: esse conceito está no art. 50.

Art. 50. Pendendo uma causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro, que tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, poderá intervir no processo para assisti-la. O que motiva? Interesse jurídico. Qual o objetivo? Ajudar que uma das partes tenha resultado favorável. Motivação tradicional da assistência desde os romanos é não só obter um resultado favorável a uma das partes como tbm fiscalizar a atuação de ambas as partes. A assistência é admissível em qualquer tempo e grau de jurisdição, art. 50, p.ú. É admissível no processo de conhecimento, no processo cautelar e nos procedimentos especiais. Em todos esses processos o objetivo é obter uma decisão favorável a qualquer uma das partes. Essa é a razão pela qual podemos dizer que é possível admitir a assistência. No processo de execução, a doutrina, tradicionalmente entende que não cabe assistência na medida em que, na execução, o processo não visa à obtenção de um provimento favorável, de uma decisão da causa, mas visa tão somente à prática de atos executivos para a realização do direito estampado no título. Se a assistência visa a ajudar alguém a receber sentença favorável ela só é admissível em processos em que se objetiva a obtenção de decisão favorável. O título executivo a principio carrega um direito certo líquido e exigível. Como é possível obter na execução provimentos que possam redundar em posições de vantagem a uma das partes, por exemplo, acolhimento de uma objeção de executividade, reconhecimento de fraude à execução, então a doutrina refere que nessas hipóteses, a intervenção seria motivada a auxiliar uma das partes a obter decisão nesse sentido, seria admissível a assistência simples. Assim, a doutrina tem apontado para o fato de eventualmente ser possível na execução, a prolação de provimentos favoráveis a uma das partes (verbi gratie ou exempli gratie, declaração de fraude à execução, acolhimento de objeção de executividade). Nesses casos, entende-se possível a assistência na execução. EXECUÇÃO  não cabe assistência salvo quando houver provimentos que resultem em posições de vantagem a uma das partes Parágrafo único. A assistência tem lugar em qualquer dos tipos de procedimento e em todos os graus da jurisdição; mas o assistente recebe o processo no estado em que se encontra. Quando eu tenho configurada a hipótese de assistencia? Quando estiver caracterizado dois requisitos, vide abaixo. REQUISITOS  LITISPENDENCIA: podemos entender a litispendência como lide pendente ou como eficácia de lide pendente. O CPC utiliza a litispendência com esse duplo sentido (art. 301, § 1, §2 e §3 bem como art. 267, V). O primeiro sentido, que é o que interessa à assistência é o literal, litispendência é o fato de haver processo pendente. A partir de quando pende o processo para o autor? A partir da propositura da ação (art. 263, CPC).

Art. 263. Considera-se proposta a ação, tanto que a petição inicial seja despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. A propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no art. 219 depois que for validamente citado. Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição.  INTERESSE JURÍDICO: não se confunde com interesse econômico e nem com interesse moral. Para que eu participe do processo como assistente tenho que demonstrar que tenho interesse jurídico na ação. Diz-se que o terceiro tem interesse jurídico quando um direito, uma pretensão ou uma exceção de que titular corre o risco de desaparecer em face de uma decisão prolatada em processo alheio cujo objeto seja um direito pretensão ou exceção das partes. Tem interesse jurídico todo aquele que está sujeito a eficácia reflexa de uma decisão judicial. Eficácia reflexa é aquela que atinge uma situação jurídica conexa àquela debatida em juízo de modo principal. Eficácia de uma decisão: a) Direta: quando incide sobre a relação jurídica deduzida pelas partes para ser julgada de modo principal. b) Reflexa: quando atinge uma relação jurídica que não foi deduzida em juízo, mas que guarda relação de dependência com aquela relação jurídica deduzida em juízo de modo principal. Qual a repercussão disso? Bom, toda a vez que estiver sendo debatido em juízo relação de que sou titular, me legitimo a participar do processo como parte ou como seu litisconsorte. O provimento judicial, nesse caso, me é endereçado. Pelo fato de alguém estar sujeito à eficácia reflexa que surge o interesse jurídico dessa pessoa participar do processo. Matheus é locador de determinado imóvel para Mariana que é locatária. A Mariana subloca parte do imóvel para Ihana. Esse é o plano do direito material. Plano processual. Matheus propõe ação contra mariana (pagamento de alugueres e despejo). Qual a relação jurídica que está sendo debatida em juízo de modo principal? Matheus e Mariana ou Mariana e Ihana. A relação primeira. A relação Mariana e Ihana não está sendo debatida em juízo. Se o pedido de Matheus for procedente Mariana é despejada. Nesse caso, Ihana tbm deve deixar o imóvel? Sim. Então, em face da sentença prolatada, uma terceira terá que deixar o imóvel, perde seu direito, o direito se extingue. Ihana, diante desse quadro, tem interesse jurídico em que a sentença seja declarada improcedente. Ihana não pode se litisconsorciar com Mariana pq o direito de Ihana não é o objeto do processo, ele foi atingido reflexamente. Isso significa que litisconsórcio só existe quando a demanda for a principal para ambos litisconsortes. X é credor de Y. A quantia é 5. Ocorre que W também é credor de Y que, portanto, tbm é devedor da quantia 6 a W. O grande problema é que o patrimônio do Y é 4. X propõe uma

execução contra Y. W tem interesse? Sim. É econômico ou jurídico? Econômico, porque não há nenhuma relação jurídica. W não perde o direito de cobrar o montante devido e nem sua posição jurídica de credor de Y. Ainda que X tenha sua execução processada e Y esvazie seu patrimônio, W continuará credor de Y. W não terá condições de cobrar pq Y ficará sem nada, mas isso é fato, não direito. Ainda, imagina que X tivesse um amigo que quisesse vê-lo bem. Autorizaria este interesse moral a intervenção do amigo para auxiliar X? Não. Aula com o mestrando: Vitor de Paula Ramos  Eficácia Direta: decisão incide diretamente sobre a relação.  Eficácia Reflexa: relação conexa; efeitos reflexos. Requisitos: litispendência (processo em curso); interesse jurídico e voluntariedade. a) b) c) d) e) f) g) Assistência Simples Assistência Litisconsorcial Oposição Nomeação à autoria Denunciação à llide Chamamento ao Processo Amicus Curiae

Página 197 ASSISTÊNCIA SIMPLES A assistência simples se justifica na possível repercussão que a prestação da tutela jurisdicional às partes pode ter na esfera jurídica dos terceiros juridicamente interessados na decisão da causa. Mesmo quando a autuação seja feita em separado isso não suspende o processo, este segue, com a possibilidade de que a assistência seja deferida ou indeferida mesmo que as partes não estejam de acordo. Esta decisão é interlocutória, cabe agravo de instrumento. Se deferido o efeito é que o assistente pegará o processo no estado em que se encontra. Isso quer dizer que os atos não serão renovados por causa da intervenção. Terceiro assistente pode: a) Auxiliar o assistido a obter tutela jurisdicional favorável a fim de que a decisão judicial não lhe cause prejuízos. b) Fiscalizar a conduta das partes em juízo. A fiscalização visa prevenir possível desídia O assistente como o assistido tem a possibilidade de requerer formulação de provas, acompanhar vistorias. A atuação do assistente é vinculada a do assistido. Isso significa que se o assistido manifesta expressamente ato de vontade, o assistente não pode contrariá-lo.

Quando se dá a revelia do assistido, o assistente tem seus poderes ampliados e a faculdade de ser o gestor de negócios (art. 52). O gestor de negócios, mesmo sem autorização do interessado, intervém em negócio alheio, dirigindo-o segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este e às pessoas com que contratar. Dono do negócio no sentido de parte da relação. Se a gestão for iniciada contra a vontade manifesta ou presumível do interessado, responderá o gestor até pelos casos fortuitos se não provar que teriam sobrevindo ainda que se houvesse abatido. (art. 862, CC). Ainda, se os prejuízos da gestão excederem o seu proveito, poderá o dono do negócio exigir que o gestor restitua as coisas ao estado anterior ou indenize a diferença. Tão forte é a responsabilidade do gestor que mesmo que se faça substituir por outrem, responderá pelas faltas do substituto, ainda que seja pessoa idônea. Demonstrando-se que o titular se aproveitou da gestão, será obrigado a indenizar o gestor das despesas necessárias que tiver feito e dos prejuízos que, por motivo de gestão, houver sofrido. Vinculação do assistente à JUSTIÇA DA DECISÃO. Isso não significa que o assistente esteja vinculado à coisa julgada. A eficácia da coisa julgada está em tornar indiscutível pelo assistente em eventual processo posterior os fatos e fundamentos que serviram ao juiz para motivação da sua decisão. Contudo, isso é injusto. Assim, o assistente, em eventual demanda posterior pode se valer da ‘exceptio mali gesti processus’ (exceção de um processo mal gerido) como matéria de defesa alegando fundamentos dos incisos I e II do art. 55. Isso significa que se a parte demandar contra o assistente ele pode apenas usar o que foi dito como defesa. Art. 55. Transitada em julgado a sentença, na causa em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que: I - pelo estado em que recebera o processo, ou pelas declarações e atos do assistido, fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença; II - desconhecia a existência de alegações ou de provas, de que o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu.

ASSISTÊNCIA LITISCONSORCIAL Segundo o professor Daniel Mitidiero a assistência litisconsorcial trata de eficácia direta da decisão sobre a relação. A demanda do assistente litisconsorte está sendo julgada de forma principal. Trata-se de litisconsorte facultativo simples. Assistente litisconsorcial é litisconsorte, é parte. O ônus a que o assistente está sujeito para entrar no processo é o de demonstrar e provar a relação que tem com a parte adversária à parte assistida. Espécie de litisconsórcio ulterior facultativo simples. Sujeito se dá conta de que sua relação estava sendo debatida em juízo e resolveu participar.

OPOSIÇÃO Demanda nova para exercício do direito próprio contra as duas partes. Terceiro demanda ambas as partes de um processo pendente, em razão de possuir parcial ou totalmente, pretensão sobre o direito ou o bem em discussão. Intervenção voluntária. Terceiro não está no processo para auxiliar as partes. É possível haver sucessivas demandas de oposição. Esta terá lugar enquanto estiver sendo discutida a ação, ou seja, somente antes da prolação de sentença. Não é possível oposição em sede de segunda instância. Nova demanda deve estar sujeita ao art. 282. Pluralidade de partes. No caso da oposição as partes terão 15 dias para oferecer defesa. Art. 56. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu, poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. Art. 57. O opoente deduzirá o seu pedido, observando os requisitos exigidos para a propositura da ação (arts. 282 e 283). Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na pessoa dos seus respectivos advogados, para contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) dias. A oposição é um tipo de intervenção espontânea de terceiro que se julga titular da coisa ou do direito discutido em processo alheio. O opoente, nesse sentido, deduz pretensão contrária à do autor e à do réu, jamais auxiliando qualquer das partes (pag. 61. A Intervenção de Terceiros no Processo Civil Brasileiro). Parágrafo único. Se o processo principal correr à revelia do réu, este será citado na forma estabelecida no Título V, Capítulo IV, Seção III, deste Livro. Art. 58. Se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido, contra o outro prosseguirá o opoente. Art. 59. A oposição, oferecida antes da audiência, será apensada aos autos principais e correrá simultaneamente com a ação, sendo ambas julgadas pela mesma sentença. Art. 60. Oferecida depois de iniciada a audiência, seguirá a oposição o procedimento ordinário, sendo julgada sem prejuízo da causa principal. Poderá o juiz, todavia, sobrestar no andamento do processo, por prazo nunca superior a 90 (noventa) dias, a fim de julgá-la conjuntamente com a oposição. Primeiro o juiz julga a oposição, pois há relação de prejudicialidade. Se o juiz entender que o objeto é do opoente, fica prejudicada a questão de ser das demais partes. Art. 61. Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação e a oposição, desta conhecerá em primeiro lugar.

NOMEAÇÃO À AUTORIA Sustento minha ilegitimidade passiva e aponto quem seria legítimo para estar no polo passivo, por exemplo. Visa à sucessão processual. Art. 62. Aquele que detiver a coisa em nome alheio, sendo-lhe demandada em nome próprio, deverá nomear à autoria o proprietário ou o possuidor. Art. 69. Responderá por perdas e danos aquele a quem incumbia a nomeação: I - deixando de nomear à autoria, quando Ihe competir; II - nomeando pessoa diversa daquela em cujo nome detém a coisa demandada. Responsabilidade subjetiva, deve se demonstrar a culpa do agente. Ex.: Caseiro demandado tem que nomear à autoria o verdadeiro dono da casa. Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. Art. 63. Aplica-se também o disposto no artigo antecedente à ação de indenização, intentada pelo proprietário ou pelo titular de um direito sobre a coisa, toda vez que o responsável pelos prejuízos alegar que praticou o ato por ordem, ou em cumprimento de instruções de terceiro. Na relação de emprego, nosso CC diz que há relação de solidariedade. No caso de solidários, não há nomeação à autoria. Se X bate o carro no exercício de sua função Y que tem relação de emprego com ele (o contratou) é responsável solidariamente. Art. 64. Em ambos os casos, o réu requererá a nomeação no prazo para a defesa; o juiz, ao deferir o pedido, suspenderá o processo e mandará ouvir o autor no prazo de 5 (cinco) dias. Art. 65. Aceitando o nomeado, ao autor incumbirá promover-lhe a citação; recusando-o, ficará sem efeito a nomeação. É necessário haver consentimento do nomeado e consentimento do autor. Regra do duplo consentimento. Havendo aceitação do nomeado, há substituição. Nesse passo, é indispensável a intimação deste nomeado para oferecer contestação. Não basta a mera decisão do juiz para que ocorra a substituição, é essencial a aceitação do nomeado. Art. 66. Se o nomeado reconhecer a qualidade que Ihe é atribuída, contra ele correrá o processo; se a negar, o processo continuará contra o nomeante. Art. 67. Quando o autor recusar o nomeado, ou quando este negar a qualidade que Ihe é atribuída, assinar-se-á ao nomeante novo prazo para contestar. Art. 68. Presume-se aceita a nomeação se:

I - o autor nada requereu, no prazo em que, a seu respeito, Ihe competia manifestar-se; II - o nomeado não comparecer, ou, comparecendo, nada alegar. O silêncio pressupõe que o nomeado e o autor assentiram com a nomeação, portanto. Prazo para defesa do nomeado é prazo por inteiro, dada à interrupção do processo em razão da nomeação à autoria.

DENUNCIAÇÃO À LIDE Art. 73 somente quando de plano puder ser verificado que a ação entre X e Y gerará procedência da ação contra sua seguradora. Este é o entendimento jurisprudencial. Só que, o grande problema é que se esquecem dos benefícios da denunciação da lide porque teoricamente temos não só possibilidade de economia processual como de que a seguradora participe na demanda, possa influir no quantum da condenação com relação a X. Remédio Processual disponibilizado a ambas as partes para instrumentalizarem a pretensão de reembolso mediante o chamamento de terceiro para integrar o processo. A jurisprudência restringe o art. 70 inc. III. O litis denunciado, para quem se denuncia a lide, tem interesse jurídico. O litis denunciado é litisconsorte do denunciante na ação principal. X vende um pc pra Y. W diz que o pc é seu e entra com ação contra Y. Y denuncia à lide o fdp que vendeu o pc pra ela, no caso, X, pq, caso o pc seja mesmo de W, X terá que indenizar Y. Há possibilidade de ação regressiva. A denunciação à lide tem que ocorrer antes da decisão. É uma forma de evitar a necessidade de se entrar com nova ação (de regresso) após o julgamento da ação. Ou seja. X tem uma demanda com Y. Y denunciando W antes da decisão, W se torna litisconsorte e, se Y sofrer evicção, W irá reembolsá-lo. Caso não houvesse a denunciação da lide, Y teria que entrar com ação diferente após a decisão contra W para reembolso. Ainda, como litisconsorte, se Y for condenado por perdas e danos a execução pode ser direcionada diretamente a W, não precisa que Y pague e depois seja reembolsado uma vez que W já se tornou parte ao ser denunciado. Art. 70, II: X aluga um apartamento. Y entra contra o proprietário reclamando do condomínio, quando na verdade deveria entrar contra o locador. Direito de ressarcimento a partir do locador. Ceres contrata pedreiro para fazer reparos de benfeitorias necessárias e o pedreiro cobra dela o valor. Ela diz, tá bem, eu realmente te contratei, mas é o locador que deve pagar.

É só o réu que pode denunciar a lide? Não. Tanto a ré quanto a autora podem denunciar a lide. Aditar significa alterar, acrescentar coisas. No caso de perdas e danos é condenação e não declaração (art. 75). A denunciação à lide não se trata de obrigação, mas de ônus (imperativo de conduta em benefício próprio). O CC fala “obrigatório” de forma equivocada. Exceção: art. 70, I. Com relação a este dispositivo a parte que não promove a denunciação à lide perde seu direito. Art. 456 CC. O direito material condiciona a demanda acerca da evicção à denunciação à lide. É possível denunciação sucessiva. O denunciado pode denunciar à lide terceiro. Denunciação Per saltum: de quem não é imediato na cadeia dominial (de domínio) ou na linha da responsabilidade. Art. 456 CC. No exemplo do X, Y e W é como se A tivesse vendido pra B que vendeu pra X. Assim, é possível, por per saltum denunciar à lide diretamente A. Formalmente se trata de uma sentença só, mas materialmente julga duas ações diferentes que poderiam ser tratadas em demandas distintas.

CHAMAMENTO AO PROCESSO Formação de um titulo executivo comum contra todos os co-obrigados. O autor não pode fazer chamamento ao processo. É o demandado que tem a faculdade de citar pessoa alheia. Exceção: ação de alimentos  Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Se o chamamento for aceito forma-se litisconsórcio passivo ulterior facultativo e simples. Art. 77. É admissível o chamamento ao processo: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) I - do devedor, na ação em que o fiador for réu; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) II - dos outros fiadores, quando para a ação for citado apenas um deles; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973)

III - de todos os devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns deles, parcial ou totalmente, a dívida comum. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) Art. 78. Para que o juiz declare, na mesma sentença, as responsabilidades dos obrigados, a que se refere o artigo antecedente, o réu requererá, no prazo para contestar, a citação do chamado. Art. 79. O juiz suspenderá o processo, mandando observar, quanto à citação e aos prazos, o disposto nos arts. 72 e 74. Art. 80. A sentença, que julgar procedente a ação, condenando os devedores, valerá como título executivo, em favor do que satisfizer a dívida, para exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou de cada um dos co-devedores a sua quota, na proporção que Ihes tocar. AULA 03 06/11/2012    Amicus Curiae Revisão Final (Pontrel) Intervenção de Terceiros

Democratizar o exercício da jurisdição. Origem do amicus curiae: norte-americana O amicus curiae não é exatamente uma intervenção de terceiros. A sua colocação como intervenção é mais uma questão pragmática. A ideia da intervenção de terceiros é privilegiar o contraditório, não afetar a esfera jurídica de uma pessoa sem que ela possa intervir no processo. Interesse institucional em contraposição ao interesse jurídico. O amicus curiae funciona quando há interesse institucional do sujeito que pretende colaborar com o juízo. O que legitima, portanto, o instituto é o interesse institucional. Amicus curiae significa amigo da corte. Esse amigo da corte com interesse institucional que transcende à esfera jurídica, um todo de relações que em razão de dada decisão judicial podem ser afetadas no plano jurídico, econômico, doutrinário ou religioso. Esse amicus curiae é um colaborador do juiz para que este possa fundamentar melhor sua decisão. Serve ao juiz como apoio técnico para que o Magistrado possa ter subsídios para formular uma decisão justa. É uma tentativa de trazer um âmbito maior de conhecimento, de questões e de pontos de vista para que o juiz tenha mais informações, que podem ser muitas vezes divergentes, para formular sua decisão. É um misto de intervenção de terceiro a auxiliar de juízo que não atua em prol de nenhuma das partes do processo, mas do Poder Judiciário, se assemelhando a um perito judicial. Essa discussão do amicus curiae. Hipóteses de participação do amicus curiae: há uma tendência da tipicização à atipicização das hipóteses de cabimento. No inicio, as hipóteses de cabimento eram taxativas expressas

legislativamente. Hoje a doutrina reclama aumentar tal gama para a possibilidade de participação do amicus curiae a qualquer processo. O processo civil no estado constitucional não é apenas decidir o caso concreto. As decisões judiciais importam enriquecimento do direito vigente. Ao lado da dimensão das partes de interesse na resolução do caso, há o interesse do ordenamento jurídico em se alcançar a unidade do direito. Intervenção móvel: despolarização relativa da demanda. A ideia de atipicização responde aos anseios. Não há prejuízo das entidades representativas em auxiliar o juiz tendo em vista a ausência de interesse jurídico. Ainda, não há prejuízo à economia processual, havendo o benefício de aportar mais elementos para consubstanciar a decisão. A primeira previsão do amicus curiae veio no âmbito da CVm que tem interesse institucional na decisão da causa. Lei 6385/76. Quando é matéria que envolve ações a CVM deve ser chamada. Na década de 90 outra lei previu uma hipótese parecida Lei 8884/94 que hoje foi substituída pela lei 12.529/11 o CAD aparece nesses processos. Determinadas autarquias, instituições com algum fundo de interesse publico e regulatório influenciavam no processo para trazer informações técnicas ao juízo. No final da década de 90, começou-se a pensar que não só quando há interesse público ou agencias regulatórias, mas em qualquer caso em que se trabalhasse com controle de constitucionalidade abstrato, seria interessante o Judiciário ouvir instituições. Lei 9882 e 9869/99. A “sociedade aberta dos intérpretes da Constituição” permite que a sociedade tenha a possibilidade de influir na decisão. A ideia do amigo da corte caminha ao lado da ideia de processo como ambiente democrático de participação. o judiciário quando controla a constitucionalidade de forma mais flagrante está agindo no âmbito das pessoas sendo necessário a participação, a cidadania dentro do processo. A população pode intervir como amicus curiae como associações civis. A preocupação é transformar o processo em instrumento de cidadania. Democracia dentro do processo. A partir dessa transformação de pensamento, uma série de outros institutos apareceram respondendo a essa função do processo a sociedade e não somente às partes. Estes instrumentos começam a permitir a resolução massiva das causas, a força do precedente... Quando há controle difuso de constitucionalidade ou a necessidade de formação de precedente também se permite o instituto do amicus curiae. Antes, a permissão de intervenção era apenas no caso do controle abstrato, hoje se possibilita Art. 526, §6 do CPC. Sum Vinculante Lei 11417/2006. Recursos repetitivos. Quando o judiciário exerce função jurisdicional à sociedade como um todo (quando não se trata de uma função

casuística) se possibilita a participação da sociedade civil mediante o emprego da figura amicus curiae para que o juiz amplie seu conhecimento. Não há uma previsão específica que permita a participação do amicus curiae numa grande gama de processos. O projeto do CPC coloca o amicus curiae como intervenção de terceiros. No art. 335 do projeto o juiz terá que considerar a relevância da matéria (balizas para atuação do amicus curiae), especificidade do tema e repercussão social da controvérsia. Assim, atendendo a ideia da atipicização das hipóteses de cabimento pode tanto ser utilizado o instituto de ofício ou a requerimento da parte. Representatividade adequada: quando falo em representatividade adequada estou falando na representação de um interesse e dificilmente conseguirei falar em representação de um interesse institucional. Falando em representatividade continuo com a ideia de que as partes continuarão Experiência norte americana: como o debate a respeito da participação da sociedade civil no processo se coloca? Ideias de conformação do amicus curiae como amigo interessado, não com interesse jurídico, mas com interesse institucional que pende para um dos lados da causa, dessa forma, é uma intervenção de terceiros ao processo. O que a jurisprudência do STF exige para a configuração do interesse constitucional? Pertinência temática. Que aquele que se apresente como amicus curiae tenha ligação com o tema, aferir se ele é um bom representante do interesse institucional. Não há autorização para interposição de recurso por parte do amicus curiae, pois no momento em que ele tivesse autorização recursal teríamos que admitir que tinha interesse no julgamento da causa. A cada caso o juiz pode outorgar mais ou menos poder ao amicus curiae. O § 3 contradiz o §1 dizendo que em regra o amicus curiae não pode recorrer, excetuando se for incidente de resolução de recurso repetitivo. A luta pelo estado constitucional e pelo direito no século XX é pela domesticação do arbítrio. Temos que erigir padrões decisórios atentos a critérios que ocorrendo nos casos tenham condições de serem replicados. Decisão que não é suscetível de ser replicada é injusta. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Concentrado: STF que tem o controle monopoliístico da constitucionalidade. Posso requerer minha participação no processo como amicus curiae. Difuso: todos os juízes exercem ao longo do processo e que culmina no STF mediante Recurso extraordinário. Nesse caso eu também peço minha participação como amicus curiae, faço petição demonstrando interesse institucional e a pertinência a participar do processo e apresento ao relator.

REVISANDO ASSISTÊNCIA LITISCONSORCIAL

De um lado temos um litisconsórcio quando tenho pluralidade de partes jungida por interesse jurídico comum. O que dá legitimidade ao processo é que estas pessoas são co-titulares da relação jurídica debatida em juízo ou têm relações idênticas a que está se debatendo. De outro lado tenho a possibilidade de participar como assistente do processo (que se coloca ao lado) este é um terceiro que não irá participar na qualidade de parte. Esse assistente, cujo interesse jurídico o autoriza a participar e é evidenciado pelo fato de o assistente estar afetado pela eficácia reflexa da decisão. A ordem jurídica brasileira tentou hibridar a participação como parte e como assistente pq a meio caminho daquele que participa como parte litisconsorte (art. 46) e daquele que participa como assistente simples (art. 50) está o assistente litisconsorcial (art. 54). Nós temos dois caminhos bem marcados, quando sou afetado pela eficácia direta da decisão, sou parte, quando sou afetado reflexamente, sou assistente simples. Art. 54 nos diz duas coisas: 1) Diz que meu assistente não tem uma relação comigo (assistido) mas com a parte contrária e que eu também tenho relação contra ele. É uma relação entre assistente e adversário do assistido 2) A sentença deve influir nessa relação. Pode ser considerado assistente litisconsorcial aquele que tem a sua relação jurídica com a parte contrária deduzida em juízo? Não se trata de eficácia reflexa. Pode ser eficácia direta? Sim, pois a decisão influi diretamente na relação do assistente e do adversário do assistido. Por que não previu o legislador a assistência litisconsorcial como litisconsórcio ulterior?  Explicação e ordem sistemática: para manter a regra da estabilidade objetiva prevejo a participação de terceiro como assistente. Uma vez estabelecido o processo entre A e B não posso alterar as partes. Esse entendimento está englobado pela estabilidade objetiva do processo do art. 41 do CPC.  Possibilidade de ter litisconsórcio facultativo unitário (cândido Dinamarco e Barbosa Moreira): os autores que a defendem entendem que quando aquele que deveria ter sido parte, mas não foi, quer participar do processo deve utilizar o instituto do assistente litisconsorcial que seria justamente a maneira de um terceiro participar do processo em uma relação incindível. Àqueles autores que não admitem o litisconsórcio facultativo unitário, a explicação da assistência litisconsorcial é puramente de ordem sistemática. A assistência litisconsorcial é uma intervenção litisconsorcial ulterior. Ex.: credor solidário. “O Assistente litisconsorcial é na verdade um litisconsorte ulterior e, como tal, submete-se à coisa julgada; não submete-se à justiça da decisão (art. 55) – efeito da intervenção.” Teacher é credor da Luiza em uma quantia X. Teacher chega num momento em que não pode mais recorrer da decisão. Se o magistrado decidiu que Luiza deve de forma irrecorrível, formou

entre Teacher e a Luiza coisa julgada. Eventualmente outros juízes devem acatar esse julgado como indiscutível. Isto é uma qualidade que reveste uma decisão que decide alguma questão de direitos e deveres entre as partes.

JUIZ I) PAPEL DO JUIZ NO PROCESSO CIVIL NO ESTADO CONSTITUCIONAL II) DIREÇÃO DO PROCESSO III) APLICAÇÃO DO DIREITO À ESPÉCIE E FORMAÇÃO DO PRECEDENTE IV) RESPONSABILIDADE CIVIL DO JUIZ Qual a função do processo civil? Processo justo tem como função elementos de estruturação o direito à tutela adequada efetiva e tempestiva. O estado deve se organizar de modo a tutelar o direito efetivamente da pessoa que demandou. O processo tem que ter justa estruturação porque é necessário assegurar condições para que possamos prolatar decisões justas. Temos no processo necessariamente a atividade de no mínimo três pessoas. De que modo essas atividades se combinam? O processo deve ser preferentemente condicionado pelas pares ou pelo juiz? Por que será que nos EUA nas ações at law de mandado civil por exemplo tem-se uma imagem de juiz Pilatos que lava as mãos e assiste o duelo entre as partes do processo. O juiz nos EUA não pode ordenar atipiciamente provar de oficio. No processo napoleônico também era assim. Diferentemente disso na austria no fim do sec XIX a doutrina começou a perceber que esta menira de dividir o trbaalho entre as partes e o juiz poderiam ocasionar uma desigualdade muito grande porque as pessoas não são iguais. A parte menos favorecida poderia sofrer desigualdade também no processo mesmo que tivesse razão. O que determina a divisão de trabalho no processo (quem faz o que)? É claro que os papéis são definidos, juiz julga, partes pedem e contestam. O direito não é descoberto, não o descrevemos, ele é construído a partir das necessidades culturais. As sociedades refletem necessidades que devem ser institucionalizadas pelo direito. Por que nos EUA o juiz não pode intervir e no BR pode? Pq um dos pilares estadunidense é a igualdade em ponto de partida e não no ponto de chegada (institucionalidade dos direitos sociais pósguerra). Se eu vejo o processo como instancia para resolver casos e não como meio de obter uma tutela efetiva, tempestiva e adequada não preciso legitimar a prova de ofício pelo juiz. Assim o papel do juiz varia de acordo com a cultura de uma determinada sociedade historicamente situada, e é essa cultura que vai determinar qual a finalidade do processo. Hoje, na opinião do professor, no estado constitucional, o papel do juiz no processo é um papel de colaboração. O juiz tem o dever de dirigir o processo como diz o art. 125 do CPC, mas deve fazê-lo de maneira cooperativa, isto é, equilibrando as iniciativas das partes com seu dever de prolatar decisões justas. Equivale dizer a ordem jurídica deve privilegiar ao mesmo tempo a liberdade das partes no processo (o que significa autoresponsabilidade e

compromisso do juiz em apurar de maneira adequada os fatos da causa e bem individualizar a norma ou as normas que sobre estes devem incidir). Se olharmos para o direito comparado, para a história, vamos ver que o ponto de vista dos modelos de processo, das hipóteses ideais de organização do processo temos algumas alternativas: a) Processos Dispositivos: processos conduzidos pelas partes, entendidos como processor regidos pelo principio dispositivo. A condição dele é levar a efeito a demanda das partes. Leva em consideração a igualdade de todos. Public law litigation não é tanto como o processo dispositivo. Estes também são chamados de processos adversariais entre adversários, juiz é apenas um juiz de futebol, apita faltas, mas não intervém. b) Processos Inquisitoriais: as iniciativas dos processos estão concentradas na figura do juiz. A doutrina contemporânea diz que nem tanto ao ceu nem tanto à terra, o ideial é que haja um equilíbrio entre a iniciativa das partes e do juiz de modo que processo civil deve ser pautado pela colaboração do juiz para com as partes. Outra maneira de dizer a mesma coisa é dizer que o processo civil pautado pela colaboração ou processo cooperativo é um misto entre processos isonômicos (igualdade entre juiz e as partes) e processos assimétricos (desigualdade entre juiz e partes). O que significa dizer que o processo é cooperativo? Obviamente não quer dizer que as partes tem que colaborar entre si. Não há colaboração possível entre as partes, é o juiz que deve colaborar exercendo quatro funções, deveres, no processo: 1º DEVER DE ESCLARECIMENTO: o juiz não pode indeferir de imediato postulações das partes em face de uma dificuldade de compreensão da narrativa exposta. Nessa cos o juiz deve intimar a parte para que ela esclareça a sua posição no processo a respeito dos fatos da causa e do direito que entende aplicável. Ex.: propositura da ação é corporificada pela petição inicial que é quando o autor narra uma história ao juiz que envolve partes e faz um requerimento. Pode acontecer da história não estar bem contada, tem contradições ou da história narrada não decorrer o pedido. Uma das possibilidades é indeferir a petição inicial. O nível de comprometimento do juiz com este tipo de solução é muito ralo. Entendemos que o juiz deve intimar a parte a esclarecer o que não ficou bem compreendido. Em principio o juiz não está comprometido com o autor ou com o réu, apenas com o processo para que ele possa decidir de forma justa. O art. 284 possibilita a emenda à inicial. Quando não houver essa regra permitindo a emenda ao documento, vale-se da regra do dever de esclarecimento. Quando não houver dever típico, positivado, deve lançar mão do dever de esclarecimento. Art. 284. Verificando o juiz que a petição inicial não preenche os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) dias.

2º DEVER DE DIÁLOGO: o juiz tem o dever de decidir a causa levando em consideração tão somente o material fático-jurídico previamente debatido no processo sob pena de surpreender de forma injusta as partes no processo. Isso quer dizer que a aplicação do brocardo “jura novit cúria” (o juiz conhece o direito) deve ser precedida de prévio diálogo com as partes.
Brocardo e aforismo: máxima que expressa norma jurídica. Recomendação: Karl larenz – Metodologia da Ciência do Direito. E História do Direito Privado Moderno de Franz Wieacker. Michel Villey – História do Pensamento Jurídico Moderno. Max Kasa – Direito Privado Romano. Giovanni Pulgiesi – Instituições de Direito Romano.

3º DEVER DE AUXÍLIO: 4º DEVER DE PREVENÇÃO Estes deveres no estão positivados integralmente na CRFB, estão programados pela doutrina brasileira a partir de uma construção doutrinária cuja origem mais próxima pode ser buscado no §139 da ZPO alemã. Estes quatro deveres asseguram o agir cooperativo.

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