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Ensaios Econômicos

Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas

N◦ 94

ISSN 0104-8910

Inação, Indexação e Orçamento do Governo

Fernando de Holanda Barbosa

Janeiro de 1987
URL:

http://hdl.handle.net/10438/624

Os artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista da Fundação Getulio Vargas.

ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA Diretor Diretor Diretor Diretor Geral: Renato Fragelli Cardoso de Ensino: Luis Henrique Bertolino Braido de Pesquisa: João Victor Issler de Publicações Cientícas: Ricardo de Oliveira Cavalcanti

de Holanda Barbosa, Fernando Inflação, Indexação e Orçamento do Governo/ Fernando de Holanda Barbosa  Rio de Janeiro : FGV,EPGE, 2010 (Ensaios Econômicos; 94) Inclui bibliografia. CDD-330

Bt-1). iniciamos por uma definição simplificada da restrição orçamentária do governo. investimento ( it = t ) e pagamento de juros reais da dívida pública Pt Pt [(rt − π t ) Dt −1 / Pt ] são financiadas através de impostos diretos e indiretos (tt). O resultado desta operação. Examinando-se cada um dos elementos da última identidade. através do imposto inflacionário e do pagamento de juros da dívida pública. as despesas do governo com consumo G I ( g t = t ). pode-se perceber que a inflação afeta o orçamento do governo por diferentes vias: diretamente. a preços constantes. bt = Bt Pt −1−1 é a taxa de inflação. através da receita tributária e dos gastos de consumo do governo. Nesta identidade. e esta perda de valor real corresponde a um tributo que é arrecadado pelo sistema bancário e pelo governo federal.Inflação. d t = Dt Pt é o estoque é o estoque real da base monetária. e ∆ é o operador diferença (∆xt = xt-xt-1). A inflação corrói o valor real da moeda.Dt-1) e da expressão da base monetária (Li. pois sua existência deve-se ao fato de que a moeda. As despesas do governo com consumo (Gt). aumento real da dívida do governo. não é remunerada. * Professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas e do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal Fluminense. com títulos (∆dt) e com moeda (∆bt). Para se compreender melhor os vários aspectos envolvidos neste tema. o índice em cada Pt variável refere-se ao tempo. π t = real da dívida pública. A inflação constitui-se em um imposto com características bastante peculiares. imposto inflacionário (π t β t −1 / Pt ) . depois de algumas simplificações. Indexação e Orçamento do Governo Fernando de Holanda Barbosa* 1. sob a forma de papel-moeda e de depósitos à vista no sistema bancário. indiretamente. de aumento da dívida pública (Dt . Isto é: Gt + I t + rt Dt −1 ≡ Tt + Bt − Bt −1 + Dt − Dt −1 Esta restrição orçamentária pode ser escrita em termos reais dividindo-se ambos os membros pelo nível de preços (Pt). é o seguinte: g t + it + (rt − π t ) Dt −1 B ≡ t t + π t t −1 ∆bt + ∆d t Pt Pt Pt onde rt é a taxa de juros nominal. . como acontece com outros ativos financeiros. Introdução Este trabalho tem por objetivo analisar como a inflação afeta alguns itens do orçamento do governo. com investimento (It) e com o serviço da dívida pública (rt Dt-1) são financiadas através de impostos (Tt).

pois nessas circunstâncias a arrecadação real dos impostos diminui e o mercado de títulos públicos deixa de existir. Receita do Governo Brasileiro com a Criação de Moeda A receita do governo coma criação de moeda é igual ao acréscimo da base monetária no período. Um tópico pouco estudado na literatura econômica brasileira diz respeito justamente à variação da arrecadação real dos impostos com a inflação. Na medida em que os salários pagos pelo governo não são indexados e que os reajustes salariais ocorrem em intervalos de tempo fixos. isto é: Rt = Bt – Bt-1 onde Bt é a base monetária em t e Rt é a arrecadação do governo. Nessa economia a taxa de inflação pode eventualmente alcançar patamares bastante elevados. alguns instáveis. Um informação mais adequada sobre a importância desta fonte de receita para o governo é obtida comparando-se a receita (Rt) proveniente do crescimento da base com o produto interno bruto medido a preços correntes (Yt). ou seja. mesmo que mutáveis ao longo dos anos. a elevação da taxa de inflação pode implicar uma diminuição da despesa real de consumo do governo. no pagamento do funcionalismo público. também. computando-se a seguinte razão: rt = Rt Bt − Bt −1 = Yt Yt 2 . a existência de defasagens entre o fato gerador e a coleta dos tributos faz com que a arrecadação real caia quando a taxa de inflação se eleva. Em primeiro lugar. a receita nominal está sempre crescendo em virtude do aumento persistente da base monetária. As despesas de consumo do governo consistem. a partir do início da década de 50 até 1985. em grande parte. também. Verifica-se. 2. como este imposto tem evoluído com a própria taxa de inflação. a emissão de moeda sempre se constituiu numa fonte importante de recursos para o governo. apresenta-se um sumário das principais conclusões do trabalho. a partir da estimação de uma equação de consumo real do governo para o período 1948-83. No item 2 procura-se quantificar o imposto inflacionário arrecadado pelo governo federal brasileiro. Em segundo lugar. No item 3 deste trabalho desenvolve-se um modelo bastante simples para analisar este assunto e apresenta-se um estudo econométrico em que esta hipótese é investigada para os tributos existentes na economia brasileira no período 1970-84. o imposto inflacionário é a fonte mais importante no financiamento dos gastos do governo. Ao final. Existe. a possibilidade de ocorrência de equilíbrios múltiplos. Em economias com longa experiência inflacionária. O item 5 apresenta um modelo de uma economia que financia o déficit público única e exclusivamente através da expansão monetária. A arrecadação real dos impostos diretos e indiretos pode ser afetada pela inflação.No Brasil. No item 4 examina-se esta hipótese para a economia brasileira. se os impostos não são indexados. Este item aponta alguns problemas que aparecem nesse tipo de modelo e que vêm sendo tratados recentemente na literatura sobre o assunto. Em situações de hiperinflação. país com longa tradição inflacionária. inclusive com situações de hiperinflação. basicamente por dois motivos. a arrecadação real varia com o nível geral de preços.

90 2.94%.23% do PIB Quadro 1 Receita do governo com criação de moeda Ano 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 rt (%) 3.1 37.7 38.2 20.26 2.7 27.27 2.O quadro 1 mostra a evolução da proporção rt na economia brasileira para o período 1950-85.1 13.99 3.64 2.3 17.3 14.95 2.31 2.31 2. Entre 1959 e 1965 a receita do governo com crescimento da base monetária assume uma importância que não é suplantada em nenhum outro período de nossa história recente.90%.93 1.3 16.5 Obs.01% e no ano seguinte sofre uma grande redução.80% em 1959.0 95.7 14.0 11.6 56.04 3.8 38.8 75.79 1.26% do PIB.23 1.13 1.69 2.17 2.0 100.0 14.26 2.53 2.5 20.99 3.80 3.01 1.8 27. em 1965 cai para 5. Os menores valores alcançados por rt ocorreram nos anos de 1970 e 1972.90 2.39 1.70 1. Em 1979 o elevado crescimento da base monetária faz com que a participação desta fonte de receita aumente para 3.90 1.1 37.91 2. pois a fração desta receita no PIB passa de 3.9 28.3 24.29 1.66 Inflação (%) 11.80 5.96 5.0 20.9 41.03 1. atinge seu pico em 1962 com 5.1 51.78 1.2 42.99 2.3 90. disponibilidade interna.66 5.0 28.6 225.4 17.: a inflação é medida pelo índice geral de preços. média anual 3 .7 54.1 20. quando é igual a 1.88 5.26 1.5 220. passando para 1.2 110.7 29.94 5.4 154.

05 (1.97 1.49) a4 0.43) 2.80) a2 -5.87) 0.70x10-6 (1. a relação entre a receita com a criação de moeda como proporção do produto e a taxa de inflação deve ser não linear.06 (2. Quando se retira o intercepto e obriga-se a regressão a passar pela origem. e não devem ser interpretados como uma relação estável entre as variáveis envolvidas. Caso a inflação fosse zero. A receita real do governo com a criação de moeda é igual ao poder de compra do acréscimo da base monetária no período.64) a3 1.O quadro 1 contém ainda as taxas anuais da inflação do período 1950-85 para que se possa compará-la com a receita do governo em virtude da expansão monetária.45) -7.30 (0.57 (3.98 Obs. A correlação simples entre a proporção rt e a taxa de inflação é bastante baixa (cerca de 11%) como se pode perceber através de uma inspeção atenta do referido quadro.01) R2 (F) 0. a estatística h de Durbin rejeita a hipótese de correlação serial dos resíduos. Isto é: Rt Bt − Bt −1 = Pt Pt onde Pt é o índice de preços no período t. A segunda parcela refere-se à seignorage que o governo arrecada em função da variação do valor real da base monetária. Esses resultados são apresentados aqui apenas a título de ilustração da relação não linear entre a receita do governo com a expansão da base monetária e a taxa de inflação.84x10-4 (1. O quadro 3 apresenta a decomposição da receita do governo proveniente de variações da base monetária nos dois componentes.58) 0. O quadro 2 apresenta os resultados de uma regressão da produção rt com relação a uma equação cúbica da taxa de inflação e a variável rt defasada de um período. O quadro 3 mostra que a 4 . os coeficientes das taxas de inflação não são muito significativos do ponto de vista estatístico. pois mudanças estruturais ocorreram na economia brasileira. esta expressão pode ser reescrita da seguinte forma: Rt π t bt −1 = + bt − bt −1 Pt 1 + π t onde πt é a taxa de inflação no período t.50) a1 0. o imposto inflacionário e a seignorage.11x10-6 (3. ambos medidos a preços constantes de 1977. durante o período 1950-85. e certamente afetaram tal relação. Todavia. Observe-se que em vários anos a seignorage é negativa em virtude do decréscimo da base real. A primeira parcela desta expressão consiste no imposto inflacionário. todos os parâmetros são significativos.91 (-) S 1.99 DW 1. o imposto seria nulo.00 0. Na regressão que inclui um intercepto. e bt = Bt/Pt é o valor real da base monetária no instante t.58 (4.44) 0.49 (7. Quadro 2 Regressão: rt = a0 + a1 π t + a 2 π t2 + a3 π t3 + a 4 rt −1 ao 0.30x10-4 (2.

504.6 7.881.1 2.4 -1.578.5 72.2 8.944.799.349.1 -2. de modo geral.8 17.3 7.7 7.5 49.044.0 -6.590.2 -871.901.8 52.6 69.2 4.970.7 6.0 Seignorage (2) 4.0 5.922.0 54.3 14.9 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Obs.5 7.956.2 15.564.3 10.0 25.8 6. 5 .035.953.868.017.755.959.302.293.905.274.0 17.522.144.0 48.1 43.281.5 8.4 57.930.0 81.065.752.4 36.4 29.102.8 -14.8 32.9 17.5 6.270.3 59.809.1 15.264.515.8 Receita Total (3) = (1)+(2) 6.9 15.4 -22.259.: as diferenças existentes entre os valores da coluna (3) e a soma dos respectivos valores das colunas (1) e (2) devem-se a erros de arredondamento.262.4 8.290.1 56.7 22.5 5.393.2 6.4 34.605.7 35.9 35.638.799.6 39.7 26.350.565.6 46.5 -12.248.128.034.470.990.6 927. também tem uma variabilidade acentuada.090.9 2.6 19.586.0 34.327.192.4 27.5 6.292.065. Já o imposto inflacionário apresenta .743.4 743.688.seignorage apresenta uma variabilidade bastante grande no período 1950-85.4 10.111.4 34.119.7 3.5 16.2 61.4 9.322.219.393.7 31.177.1 58.318.6 33.8 8.776.394.459.1 3.048.4 303.5 18.8 54.1 4.036.1 17.7 -256.2 7.237.348.458.0 15.845.131.6 21.7 5.734.147.1 5. Quadro 3 Imposto inflacionário e seignorage do governo Ano Imposto Inflacionário (1) 5.667.6 1.9 -2.4 29.4 8.185.088.3 17.1 -2.070.312.6 -109.020.4 75.370.5 9.315.3 -1.9 73.646. mas.577.400.999.7 95.275.1 30.326.épocas de relativa estabilidade (como entre 1967 e 1973) em diferentes patamares.7 21.9 13.6 16.164.2 20.122.5 4.892.9 44.0 16.285.619.0 6.450.539.820.891.397.

Por outro lado. menor é o valor real coletado pelo governo. se θ = 0 Yt onde g é a taxa de crescimento da renda real por unidade de tempo entre os períodos t-θ e t. defasagem na arrecadação e carga fiscal Suponha-se. e admitindose uma taxa de inflação constante entre os instantes t-θ e t. que existe uma defasagem de θ períodos entre o fato gerador e a arrecadação do tributo. Indexação do imposto.3. yt-θ é a renda nominal. Pt-θ é o índice de preços e yt-θ é a renda real. por unidade de tempo. em cruzados correntes. quanto maior a taxa de inflação. para uma dada defasagem. Isto é: Tt = γ yt − θ = γ Pt −θ yt −θ onde γ é a alíquota do imposto. obtido dividindo-se o valor nominal do imposto pelo índice de preços no período t. mas que exista uma defasagem de θ períodos entre o fato gerador do imposto e a arrecadação do mesmo pelo governo. Pt = Pt −θ (1 + π τ ) θ o valor real do imposto pode ser escrito como: Tt = γ yt −θ (1 + π τ ) −θ Pt A partir desta expressão é fácil concluir-se que. Admita-se. obtém-se: 6 . do imposto seja dado por: β Tt = γ ytα−θ Pt − θ Multiplicando-se e dividindo-se o lado direito desta expressão por Pt. entre os períodos t-θ e t seja constante e igual a πτ. agora. que um determinado tipo de imposto seja indexado integralmente com relação ao nível de preços e que ele seja proporcional à renda nominal. que o imposto é parcialmente indexado com relação ao nível de preços. todos medidos no período t-θ. O valor real do imposto coletado pelo governo. de modo que o valor. Se a defasagem fosse igual a zero. a proporção da receita fiscal em relação à renda nominal seria constante. para uma dada taxa de inflação. inicialmente. é igual a : Tt P = γ yt −θ t −θ Pt Pt Admitindo-se que a taxa de inflação. pois: Tt = γ (1 + π ) −θ (1 + g ) −θ = γ . quanto maior a defasagem entre o fato gerador e a arrecadação do tributo. menor a receita fiscal do governo em termos reais.

log Tt = log γ + α log yt −θ − β θ log (1 + π τ ) + ( β − 1) log Pt Pt Quando o coeficiente β for igual a 1. Quando o governo diminui a defasagem de θ0 para θ1. muito mais imposto de renda em termos reais. é possível para o governo recuperar a arrecadação fiscal diminuindo os prazos de recolhimento dos impostos. pagando. o imposto é completamente indexado com relação ao nível de preços. Pois. Assim. A existência de defasagem na coleta do imposto implica que a receita fiscal real do Arrecadação 0 governo diminua quando a taxa deTinflação aumenta. Quando a taxa de inflação se eleva de π0 para π1. t0 T1 (θ1< θ0) t1 T0(θ0) π0 π1 taxa de inflação Figura 1 Arrecadação real versus inflação 7 . Este fato ocorre. quando as alíquotas progressivas do imposto de renda não forem reajustadas automaticamente com a inflação. pois a arrecadação real independe do nível de preços. A arrecadação real do imposto aumenta quando o nível de preços cresce.a arrecadação real do imposto cai de t0 para t1. a curva TT se desloca para cima e para direita. por exemplo. em consequência. como indicado na figura 1. nestas circunstâncias. se o T1 coeficiente β for maior que 1. o aumento dos salários nominais e de outros rendimentos leva os indivíduos a caírem em alíquotas mais elevadas. Este tipo real de fenômeno ocorre apenas uma única vez quando a inflação muda de patamar.

No período 1984-86 os grupos passam a ter duas subdivisões. segundo o valor vigente em dezembro de 1983. A evolução do prazo de recolhimento do imposto das empresas do grupo B é mais irregular. em média. para o estado do Rio de Janeiro. exceto em 1978. no exercício de 1983. Quadro 4 Prazo de recolhimento do ICM (Em dias) Ano 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 a) anexo 1 b) anexo 2 1985 a) anexo 1 b) anexo 2 1986 a) anexo 1 b) anexo 2 Grupo A 62 63 63 62 61 62 64 78 62 62 62 62 64 34 62 33 62 32 62 Grupo B 63 88 90 89 89 89 88 80 71 71 70 71 71 41 71 41 71 41 71 O quadro 5 mostra a evolução do prazo médio de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados (IPI).3. Contém os prazos de recolhimento para dois grupos de empresas. O quadro 4 mostra que no grupo A o prazo médio de recolhimento no período 1971-83 era de cerca de dois meses. Cada grupo é definido através do calendário fixado anualmente pelo governo estadual. A partir de 1984 os contribuintes classificados no anexo 1 do grupo B tiveram uma redução no prazo de recolhimento que passou a ser. tenha sido superior a 30 mil ORTNs. que denominamos de A e B. de 41 dias. O anexo 1 refere-se a empresas cuja base de cálculo do imposto. Evolução do prazo de recolhimento de alguns impostos no Brasil O quadro 4 mostra a evolução do prazo de recolhimento do imposto de circulação de mercadorias (ICM) no período 1971-86. automóveis e bebidas (cerveja). quando o prazo foi de dois meses e meio. os contribuintes classificados no anexo 1 passaram a ter um prazo médio de recolhimento de um mês. O cálculo do prazo médio de recolhimento foi estimado tomando-se como base o mês de julho em todos os anos. para três produtos: cigarro. A partir de 1984.1. oscilando no período 1971-83 entre dois e três meses. de acordo com o número de inscrições da empresa. No caso do cigarro considera-se ainda se as vendas são realizadas dentro do estado (intra- 8 . O anexo 2 refere-se aos demais contribuintes. enquanto aqueles pertencentes ao anexo 2 do grupo A continuaram com dois meses de prazo.

O prazo médio de recolhimento do IPI sobre cigarros. 9 . Entre 1970 e 1981 os prazos de recolhimento não se modificaram. e desde 1985 passou a vigorar o mesmo prazo para recolhimento da parte da contribuição que cabe à empresa. automóveis e bebidas manteve-se praticamente inalterado no período 1973-85. Quadro 6 Prazo de recolhimento do Iapas (Em dias) Período 1970-81 1982-84 1985em diante Empregados 30 10 10 Empresas 30 30 10 Obs.: os prazos acima representam o número máximo de dias do mês subsequente àquele em que ocorreu o fato gerador para o Iapas ser recolhido. Na estimativa do prazo médio de recolhimento tomou-se como base o mês de julho para todos os anos do período 1973-86. Quadro 5 Prazo médio de recolhimento do IPI (Em dias) Ano 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 Cigarros Intra-estadual Interestadual 23 39 23 39 25 38 25 39 24 39 23 39 23 39 23 38 24 38 25 38 24 39 23 39 23 38 18 28 Automóveis 61 61 61 61 61 61 63 61 61 61 61 62 62 44 Bebidas 30 30 30 31 30 30 30 31 32 31 30 31 30 30 O quadro 6 contém os prazos de recolhimento das contribuições da previdência social (Iapas) feitas pelos empregados e pelas empresas. Em 1986 o prazo médio de recolhimento para o cigarro e automóveis foi reduzido em cerca de um terço.estadual) ou entre estados (interestadual). A partir de 1982 o prazo máximo de recolhimento pela empresa da contribuição do empregado passou a ser de 10 dias do mês subsequente àquele em que ocorreu o fato gerador.

De acordo com o que foi visto anteriormente.3. O coeficiente a1 mede a elasticidaderenda do imposto. IPTU. a indexação é parcial. A análise dos resultados do quadro 7 mostra que a hipótese de indexação completa dos impostos só é rejeitada ao nível de 5% para o IPI e para a equação que engloba os outros impostos indiretos. imposto sobre produtos industrializados (IPI). com as hipóteses tradicionais de média zero. Sesc. outros impostos diretos. ICM e Iuee. tem a seguinte expressão: log Tt P = ao + a1 log yt + a2 log t + a3 log Pt + ε t Pt Pt −1 onde εt é o termo estocástico. imposto único sobre combustíveis e lubrificantes (IUCL). 10 . imposto predial e territorial urbano (IPTU). no período 1870-84. ou contribuições parafiscais: fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS). depende do nível de renda real. etc. no conceito de disponibilidade interna. Pt é o índice geral de preços (IGP).). IOF – as estatísticas de Durbin-Watson são bastante baixas. da taxa de inflação e do nível de preços. espera-se que o sinal do coeficiente a2 seja negativo. Direto (outras contribuições).2 Estimativas de equações do imposto no Brasil O valor real do imposto arrecadado pelo governo. apontando na direção de que as equações desses impostos podem apresentar algum problema de especificação. O coeficiente a2 da taxa de inflação tem o sinal esperado em todos os casos e é significativamente diferente de zero para os seguintes impostos: FGTS. contribuições para o PIS/Pasep. IR. no modelo que analisamos anteriormente. O quadro 7 contém os resultados da regressão anterior para os seguintes impostos. imposto sobre circulação de mercadorias (ICM). pois o aumento da taxa de inflação reduz o valor real da arrecadação tributária. imposto sobre operações financeiras (IOF). O símbolo Tt indica o valor nominal da arrecadação do tributo. a exceção sendo o ICM com elasticidade-renda igual a 0. outras contribuições (Sesi. Iapas. As elasticidades-renda dos impostos são em geral maiores do que 1. em virtude da defasagem existente entre o fato gerador e a coleta de imposto. contribuição total para previdência social (Iapas). contribuição dos segurados para a previdência social (Iapass). se a3 for negativo. imposto único sobre energia elétrica (Iuee) e outros impostos indiretos. imposto de renda (IR). Yt é o índice do produto interno bruto real. A equação que será estimada para os diferentes impostos existentes na economia brasileira.94 e o imposto territorial rural cuja elasticidade-renda não é significativamente diferente de zero. imposto territorial rural (ITR). O coeficiente a3 será igual a zero se o imposto for indexado totalmente com relação ao nível de preços. variância constante e correlação serial nula. contribuição das empresas para a previdência social (Iapase). taxa rodoviária única (TRU). Em alguns casos – Total.

00 1.93 (-6.32 0.54 2.14 (12.81 (-3.50 (-1. estaduais e o governo federal.67) 1.01) 4.43 (6.94) 1.45) 0.06 (-1.75 (-4.20 Período 1970-83 1970-84 1970-84 1970-84 1970-84 1970-83 1970-84 1970-84 1970-83 1970-84 1971-84 1970-84 1970-84 1972-84 1970-84 1970-84 1970-84 1970-83 1.58 (-3.67 (-5.00 (-0.61) Iapass -1.93 (-3.4) 0.95) 0.46 (-1.85 (-0.35) -0.96) R2 (F) S 0.94 (16.76) -0.08 0.41) -0.92 3.23) -0.04 1.25 (1.15) a3 0.93 (40.16) -0.01) 0.04 1.73) 0.41 (-5.20 (-0.85) Iapas -2.03 (-0.48 (1.03 (6. como medidas nas contas nacionais.13 (-2.22) -1.05) -0.71 1.50) Indiretos 1.90 1.11 DW 1.6) 0.85) 2.68) 1.34 (1.86 (2.45 2.01 (10.72 (15.10 0.9) 0.54 (-1.35 0.38) 3.90 (34.72 0.30 (-1.3) 0.07) -0.14 (1.05) Direto (outros) -1.10 (-1.85 (12.94) -0.31) -1.98 (163.18 (-0.2) 0.09 0.38 0.63) ICM 2.Quadro 7 Regressão: log Imposto Total (diretos mais Indiretos ) Tt P = a0 + a1 log yt + a2 log t + a3 log Pt Pt Pt −1 a0 a1 1.95 1.18 (0.70) IUCL -1.28 -0.04 (0.92) IR 0.03 0.03 0.03 (-2.80 (14.63) -0.41 (-2.97 (101.27 (16.82) 2.13 (1.08 (1.91 (37.84 (outros) (2.43 (5.13 (-0.72) -0.48 (-0.69) 0 (0.10 0.28 (8.14 0.95 1.97 (115.39 (-4.29 0.10 (0.88) -1.34) 0.50) 0.2) 0.96 (84.56) -0.87 1.61 (-1.56 (-1.74 1.8) 0.80) IOF -6.74) 0.5) 0.88) TRU -14. O quadro 8 mostra a evolução das despesas com pessoal e o consumo do governo no Brasil.98) -0.5) 0.36) -0.69) a2 -0.13 0.87 (23.47) 1.88 (-5.58 0.26 (-2.51 1.18) 1.93 (51.44) -0. Efeitos da Inflação Sobre o Consumo do Governo Uma parte substancial do consumo do governo corresponde a gastos com o pagamento de salários do funcionalismo público.0) 0.5) 0.07 (-3.10) 1.12 0.06 0.29) ITR -0.86 (23. compreendendo os governos municipais.55 (2.59 (-1.23 (0.29 0.76) 0.58) Direto (outras -0.53) IPTU -3.51 (-0.04 (-0.38 (-5.56) 1.21 IPI 1.60) 0.12 1.58 2.45 (8.29 (1.58 contribuições) (-5.14 (8.70) -1.26 0.04 0.00) 1.3) 0.3) 0.59) 0.99 (5.16 1.50 1.16) -3.10 (-0.37) 0.84) 0.04 (0.75) PIS/Pasep -16.61 (-2.65) FGTS -2.92) Iapase -4.2) 0.37 (7.64) 0.09 0.39) -0.95 (75.57) Iuee -3. para o 11 .22 -0.19) -0.9) 4.77 (3.03 (1.4) 0.95 (70.66) -1.92 (7.56) -1.87 (21.80) 1.84 (18.

cai para 63.4 69.4 235.6 70. Na hipótese de que o reajuste salarial no período T se faça de acordo como princípio da recomposição do pico prévio.8% e em 1984 para 61.6 31.2 28.5 106. depende da diferença entre a inflação realizada e aquela que era antecipada.8 6.8 Para se compreender como a inflação afeta o consumo do governo deve-se analisar como o salário real dos servidores públicos evolui coma a taxa de inflação.2 5. inferior portanto à média que era antecipada no momento do reajuste precedente.2 416.7 250. de sorte que a trajetória do salário real é agora dada pela reta AC.9 116. com trajetória semelhante à do período anterior.153.6 70.4 74. Imagine-se que.2 590.1 21.5 74.7 61.778.0 350.5 Consumo do governo (2) 22. e que a inflação prossiga no mesmo patamar. de caráter transitório. o salário real evoluiria de acordo com a reta AB. e durante esses intervalos os salários nominais permaneciam fixos.990. a inflação impõe uma perda aos funcionários públicos. Em 1982 esta percentagem. Isto é. O salário real médio cai.9 163. A figura 2 procura mostrar.3 63.7 48.7 11. Admita-se. com o salário real médio igual a ωe.0 70. por exemplo.9 171. de maneira estilizada.1 2.986. então de ωe para ωr.8%. ponto a da figura 2.8 61.5 812.2 1.2 69.4 27.223.9 Pessoal consumo (%) (3) = (1)/(2) 72. que o salário foi reajustado no período 0 para vigorar até o período T. No Brasil os salários dos empregados do governo usualmente foram reajustados até recentemente em intervalos de tempo que variaram de seis a 12 meses.0 19.5 1. Até 1981 a proporção da despesa pessoal no consumo do governo gira em torno dos 70%.285. O primeiro.5 69.4 70. O segundo componente existe quando as perdas salariais devidas à inflação não forem compensadas nos períodos subseqüentes.327. Este tipo de análise sugere que a inflação pode afetar o consumo real do governo através de dois componentes.1 3. a taxa de inflação aumente. acarretando uma redução na despesa real de pessoal do governo.7 69. Se a inflação seguisse a trajetória esperada. 12 .período 1970-84. o que acontece nestas circunstâncias. o salário médio real permanecerá no nível ω r .6 35.056.7 71.3 50.1 68.7 37.6 74. Quadro 8 Despesa pessoal versus consumo do governo (Cz$ milhões) Ano 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Despesa pessoal (1) 16.583. por alguma razão.

espera-se.Salário real A A’ ωe ωr B C C’ 0 T 2T Tempo Figura 2 Salário real versus inflação Analiticamente. A renda yt foi incluída nesta equação. A taxa de inflação esperada não é observada. pois a demanda de serviços públicos deve aumentar com o crescimento real da economia. e yt é o nível de renda real. Uma hipótese bastante simples é admitir-se que ela é igual à taxa de inflação do período precedente. que os três coeficientes α sejam positivos.2. α2 capta o efeito permanente da inflação. π te é a taxa de inflação esperada. Isto é: log g t = α 0 − α1 (π t − π t −1 ) − α 2 π t + α 3 log yt + α 4 log g t −1 + ε t 13 . poderíamos escrever a seguinte equação para o consumo real do governo (gt): log g t = α 0 − α1 (π t − π te − α 2 π t + α 3 log yt ' α i ≥ 0 i = 1. o consumo real do governo defasado de um período para captar este efeito. O coeficiente α1 mede o efeito da componente transitória. então.3 onde πt é a taxa de inflação em t. o parâmetro α3 é a elasticidade do consumo do governo com relação ao nível de renda. Incluiremos. ou seja: log g t = α 0 − α1 (π t − π t −1 ) − α 2 π t + α 3 log yt O consumo real do governo pode apresentar uma certa inércia e não se ajustar instantaneamente diante das mudanças das variáveis que a determinam. a priori.

13) (3. O quadro 9 reporta os resultados obtidos.97) 0. a evidência empírica aqui reportada.38) (3.83 (-3. O quadro 9 contém também estimativas dos par6ametros de equação de consumo real do governo para os subperíodos 1964-83 e 1970-83.: os valores entre parênteses são as estatísticas t de Student.65. Quadro 9 Regressão: log g t = a0 − α1 ∆π t − α 2 π t + α 3 log yt + α 4 log g t −1 R2 DW α1 α2 α3 α4 0.99 2. de uma economia que financia o déficit público única e exclusivamente através de expansão monetária.15 (1.37 0.53) Período 1948-83 1964-83 1970-83 Obs.43 0.61 0.onde o termo estocástico πt foi acrescentado à equação. Déficit do Governo Financiado por Imposto Inflacionário Neste item analisamos um modelo. Os resultados obtidos mostram que no período mais recente a elasticidade-renda de curto prazo aumenta. Supõe-se que πt tenha média zero.27 (1. da Fundação Getulio Vargas.18) (2. Estes resultados parecem indicar que a equação de consumo do governo é instável. a elasticidade-renda de longo prazo é praticamente igual a 1.73 (2.56 0. quando se estima a regressão para o período 1970-83. variância constante e correlação serial nula. de políticas e o próprio processo de crescimento econômico tenham provocado alterações na demanda de serviços públicos.19 0.30) a0 -1.65) (1. do consumo do governo é igual a 0. f ' < 0 (1) onde kt=Mt/Pt yt é a proporcão de moeda (Mt) em relação ao nível de renda nominal (Pt Yt) que os indivíduos desejam reter em seus portfolios. de curto prazo. Nesta equação de demanda a elasticidade-renda da 14 . A renda real é o índice do produto interno bruto real. Ao nível de 5% a hipótese de que existe também um efeito transitório não é rejeitada.00 (0. A inflação é medida pelo índice de preços por atacado (disponibilidade interna).18 (2.50) (5. Este fato. para o período 1948-83. A estatística h de Durbin rejeita a hipótese de correlação serial dos resíduos.38) -3.42) 0. é consistente com a hipótese de que a inflação influencia o consumo real do governo. ηte+1 é a taxa de inflação antecipada no instante t para o período subsequente. 5. o coeficiente da variável defasada diminui.86 0. o parâmetro que mede o efeito permanente da inflação aumenta.34 0.99 2.58) 5. Esta equação foi estimada para o Brasil.40 0. apesar de seu caráter preliminar.50 0. Todavia.03 0. não causa surpresa.48) (5.60) (5.65 0.15 0.57) (2. apresentando uma boa dose de variabilidade nos seus parâmetros. A hipótese de que a inflação afeta permanentemente o consumo real do governo não é rejeitada.79) (2.37.97 2. Admite-se que a equação de demanda de moeda seja expressa por: k t = f (π te+1 ). pois o coeficiente do consumo real do governo defasado de um período é igual a 0. bastante conhecido na literatura. pois é de se esperar que mudanças do governo. A elasticidade-renda. aliás. O coeficiente do componente transitório torna-se insignificante do ponto de vista estatístico.

é adotada aqui apenas por conveniência algébrica. a equação de demanda de moeda. pois o modelo não é estocástico. se existe ou não equilíbrio. não-linear. Em primeiro lugar. digamos π. Isto é: π te+1 = π t +1 (5) A solução do modelo formado pelas equações (1) – (5) fornece a seguinte equação de diferenças finitas. em terceiro lugar. por simplicidade. 5. Previsão perfeita é equivalente a supor-se que as taxas antecipadas serão iguais às realizadas. que o nível de renda real é constante: yt = yt (4) (3) O modelo para ser fechado requer que se especifique o mecanismo de formação de expectativas. ou seja: Gt − Tt =δ Pt yt (2) onde G representa os gastos e T os tributos arrecadados pelo governo. A figura 3 mostra várias possibilidades.moeda é iguala 1. π 1+ π A análise da existência ou não de soluções para essa equação depende do parâmetro δ e das propriedades da função f. o número de soluções quando o equilíbrio existe. δ ) = g (π ) − δ = 0 g (π ) = f (π ) . Admitindo-se a hipótese de expectativas racionais. Esta hipótese particular não é relevante para o que se segue. para a taxa de inflação: f (π t +1 ) = f (π t ) +δ 1+ π t (6) A análise desta equação deve buscar respostas para três tipos de questões: em primeiro lugar. as previsões serão perfeitas. O déficit público é financiado através da emissão de moeda: Gt − Tt = M t − M t −1 Supõe-se. é obtida como solução da equação anterior. ou seja: ϕ (π . em segundo lugar. A proporção do déficit público em relação ao produto nominal é constante e igual a δ. é possível que não haja taxa de inflação 15 . o problema da estabilidade ou não do modelo.1 Taxa de inflação de equilíbrio A taxa de inflação de equilíbrio.

por exemplo. π2 e π3) para o caso da figura 3d. Nos demais casos da figura 3 a equação ϕ (π . em que. como indicado na figura 3a. g(π) g(π) δ δ π π1 π A) Inexiste taxa de equilíbrio π B) Uma única taxa de equilíbrio δ π1 π2 π π1 π2 π3 π C) Duas taxas de equilíbrio D) Mais de duas taxas de equilíbrio 16 . o nível desejado do déficit público seria diferente do nível realizado. O modelo neste caso simplesmente diz que é impossível compatibilizar-se o déficit público e seu financiamento através do imposto inflacionário. Seria.de equilíbrio. tem duas soluções (π1 e π2) no exemplo da figura 3c e mais de duas soluções (π1. necessário introduzir-se uma equação adicional para resolver esta incompatibilidade. então. δ ) = 0 tem solução: ela é única (π1) na situação descrita na figura 3b.

Considere-se. mesmo sem especificá-la é possível examinarem-se alguns casos. o modelo tem uma infinidade de soluções. em casos concretos. apresentar várias soluções. e não uma única. esta solução é interessante porque resolve em outros casos um paradoxo gerado por este modelo. Outra possibilidade é a introdução de hipótese adicionais que restringem o conjunto de soluções do modelo. pois inexiste uma base teórica que a fundamente. e na figura 4b as soluções de equilíbrio são dadas pelas taxas de inflação π1 e π2.se para qualquer valor.. pois partindo-se de qualquer taxa de inflação diferente de π1 diverge-se para mais ou menos infinito. por exemplo.2 Estabilidade e multiplicidade de soluções Para se estudar com mais detalhes a estabilidade da equação das diferenças finitas não-linear (6) seria preciso que se especificasse a equação de demanda de moeda. embora bastante intuitiva e plausível. se encarreguem de investigar a existência ou não de soluções múltiplas. A figura 4 ilustra duas alternativas: na figura 4a o modelo tem como única solução de equilíbrio a raiz π1. as condições iniciais da taxa de inflação não estão previamente fixadas. a imposição da seguinte condição no modelo: a taxa de inflação de equilíbrio deve ser nula quando não existir déficit público. que corresponde ao trecho descendente da curva. argumentar que é parcial pois não impede que ocorra mais de uma solução. Este problema pode ser abordado de diferentes maneiras.). 2. para a taxa de inflação observada. Os exemplos das figuras 3c e 3d sugerem que o modelo pode. h2. esta hipótese é considerada patológica por muitos economistas e conseqüentemente posta de lado por não ter respaldo em qualquer das hiperinflações que grassaram em diferentes países. pois a um dado valor do parâmetro δ pode estar associadas várias taxas de inflação. quando o déficit público diminui a taxa de inflação aumenta. Em símbolos: hi (δ = 0) = 0 Deve-se admitir que esta solução.. conseqüentemente. pois a previsão é perfeita. Todavia. Com efeito. Uma delas é deixar que estudos empíricos.A proporção do déficit público em relação ao produto é a variável exógena do modelo. pois o nível de preços pode ajustar. Pode-se. no exemplo da figura 3c. Quando o modelo tiver solução. Cabe aqui lembrar que em modelos com expectativas racionais. 5. Da maneira como está formulado até agora. Entretanto. i = 1. como seria fácil verificar-se com um pouco de imaginação. O regime de política econômica retratado aqui é tal que a autoridade monetária vai a reboque da autoridade fiscal. através de diferentes funções (h1. teríamos uma hiperinflação com a redução do déficit público. a taxa de inflação e a taxa de expansão monetária são duas das variáveis endógenas do modelo. é ad-hoc. Isto posto. Se a curva for assintótica no eixo horizontal. O modelo da figura 4a seria instável. o modelo não permite resolver o problema da escolha da função quando existirem soluções múltiplas. Para qualquer valor de π0 corresponde uma trajetória para a taxa de inflação esperada e. Dito de outro modo: qualquer taxa de 17 .. também. e esta relação poderia ser representada pela função hi: π = hi (δ ). a taxa de inflação de equilíbrio depende do tamanho do déficit público. na verdade. se a taxa de inflação de equilíbrio for π2 .

de que a taxa de inflação fosse zero quando o governo não tivesse déficit. existe uma infinidade de soluções pois o modelo não fixa o valor inicial da taxa de inflação esperada. ser feita com base no critério sugerido anteriormente. 18 . mesmo sem as hipótese adicionais. Cabe ainda salientar que o modelo da figura 4b. A maneira pela qual se pode eliminar a multiplicidade de soluções é delimitando-se o conjunto de soluções através de algum tipo de restrição por exemplo. com a substituição da equação (2). também. Observe-se. a taxa de inflação será igual a π1. por uma equação em que o governo estabelece a taxa de expansão monetária. nestas circunstâncias. A mudança do regime de política econômica. A limitação da taxa de inflação esperada reduziria o número de soluções do modelo a dias taxas de equilíbrio (π1. A escolha entre estas duas soluções poderia.e π2). faria com que o modelo tivesse uma solução semelhante àquela da figura 4a e aí haveria a possibilidade de um processo inflacionário se desenvolver com a taxa de inflação explodindo. em que o governo fixa o tamanho do déficit público. que esta suposição eliminaria a possibilidade de uma ‘bolha”. de uma hiperinflação. fixando-se um limite para a taxa de inflação esperada.inflação esperada para o futuro é consistente com alguma taxa de inflação esperada para o presente. ou seja. πt+1 A πt+1 B 45º 45 π1 π0 πt π1 π0 π2 πt Figura 4 Estabilidade do modelo O modelo da figura 4b tem uma taxa de equilíbrio estável π2 e outra instável π1. Novamente. é incapaz de gerar um processo hiperinflacionário. então. Este fato é interessante. que passa a ser uma variável exógena. como no caso anterior. apesar de ela ser uma solução instável. pois frequentemente este modelo está associado ao fenômeno de hiperinflação.

1985 a. sob certas condições. International Monetary Fund Staff Papers. a relação entre o consumo do governo e a renda real deve permanecer constante. de gerar processos de hiperinflação. 649-76 _________ Dinámica de la inflación com señorage exógeno. Anales de la XX Reunión Anual. M. que variam desde 11.H. 25: 417-51. ao longo do qual se observaram diferentes taxas de inflação. 40 (1): 9-18. lags in collection. O modelo neste regime de política econômica é incapaz. pois deixa em aberto a questão para o qual ele foi construído. Tanzi. 1977. conduz a questões de existência de equilíbrio. mantendo-se constantes as demais variáveis. em que a política monetária segue a reboque da política fiscal. de multiplicidade de soluções para a taxa de inflação e da estabilidade do processo inflacionário. c) a evidência empírica para o período 1948-83 é de que a inflação tem influenciado o consumo real do governo. Simonsen. el papel de las velocidades de ajuste de expectativas y carteras. a hipótese de que os impostos no Brasil têm sido indexados com relação ao nível de preços. No longo prazo.p. 1978 19 . 79: 84656.6. org. International Monetary Fund Staff Papers. jan/mar. Studies in the quantity theory of money. o regime de política econômica adotado nesses modelos. Ademais. Bibliografia Cagan P. Mendoza. and the case for infaltionary finance: theory with an application to Argentina. situação até certo ponto paradoxal. Revista Brasileira de Economia.5% ao ano. Government revenue from inflation. 1965. 24: 154-67. Quando a inflação aumenta (diminui). Inflation. nos quais a demanda de moeda e o financiamento do governo através do imposto inflacionário são ingredientes principais. Associación Argentina de Economía Política. 1971. Friedman. mimeogr. 1986. In: Friedman. 1985b. Dinámica de la indflación en un modelo de equilibrio de cartera com ingressos fiscales endógenos.4% até 225. real tax revenue. Escudé. M. d) em alguns modelos de hiperinflação. Chicago. o consumo real do governo diminui (aumenta). Monetary dynamics of hyperinflation. ________ Inflation. de maneira geral. b) a defasagem existente entre o fato gerador do tributo e a coleta do mesmo tem contribuído para que em períodos de elevação (diminuição) da taxa de inflação a arrecadação fiscal real diminua (aumente). pois a elasticidade-de-renda do consumo do governo é igual a 1. The University of Chicago Press. Journal of Political Economy. G.Conclusão As principais conclusões que emergem deste trabalho são as seguintes: a) a receita com a criação de moeda tem sido uma fonte importante no financiamento do governo brasileiro durante todo o período 1950-85. Um paradoxo em expectativas racionais. a evidência empírica no período 1970-84 corrobora. and the real value of tax revenue. V. M.

due to lags in collection. on the real value of tax revenue. for the Brazilian economy.Abstract This paper attempts to evaluate. the following questions: how important has been the inflation tax for the government as source for financing its deficit. and the effect of inflation on real government consumption. the effect of inflation. This paper also addresses some issues raised by models that try to explain hyperinflation processes. 20 .