You are on page 1of 2

"Recados da mãe" de Maria Teresa Maia Gonzalez

Recados de Mãe conta a infância de duas irmãs, Leonor e Clara, após a morte da mãe, narrado pela irmã mais nova, Clara, já depois de crescida. Após a morte da mãe, Leonor (a irmã mais velha de 10 anos) sentiu a necessidade de proteger a irmã mais nova, Clara de 6 anos, do trauma e sofrimento da perda da mãe durante a infância, fazendo de tudo para a fazer feliz. Eram filhas de pais divorciados e, após a morte da mãe, ambas pensavam ir viver com o pai, mas este entregou as suas filhas ao encargo da avó materna. Leonor não ficou muito contente com a ideia, dado que a mãe antes de morrer estava muito chateada com a avó e não se falavam já há muito tempo e pensava ela que a mãe não gostaria de que elas fossem viver para aquela casa, repugnando a avó. Contrariamente, Clara sentiu desde início uma ternura muito especial pela avó e logo se acostumou a viver ali, tal como a irmã que, com o tempo, também foi gostando de ali viver e da avó, embora a sua relação não fosse óptima. Leonor, quando via Clara triste e em baixo, inventava ter sonhos com a mãe, onde ela sempre aparecia trazendo um recado para Clara, ou para ambas, muitas vezes a dizer coisas do género “a mãe cada vez que te vê chorar, chora também e fica muito chateada ao ver-te assim...”, tudo para que Clara se sentisse mais feliz e conformada com a situação. Entretanto, a avó de ambas tinha grandes planos para elas e pô-las a estudar no Colégio de Santa Clara, em Coimbra, onde permaneceram até entrarem na fase adulta. Com o tempo, por volta dos 15,16 anos Clara começou a tomar consciência de que aqueles sonhos eram invenções da irmã para que ela se sentisse mais feliz. Ambas sempre juraram promessas de que nunca se iriam separar, que iriam ter uma casa e uma quinta como a da avó, pintada de cor-de-rosa. No entanto, o destino pregou-lhes uma partida, pois Leonor descobriu a vocação de freira missionária, levando-a aos vinte um anos a ir para África em missão. Esta separação deixou Clara muito triste, mas tal como prometido, casou-se, teve uma filha, ficou a morar na

sem “conto de fadas”. mas no caso desta obra. em que todos os problemas insolucionáveis acabam sempre por se resolver e “viveram felizes para sempre”. E mais uma vez me identifiquei com Clara. ficando-lhe Clara agradecida pela felicidade proporcionada pelos “sonhos inventados” de Leonor na altura mais difícil da sua vida. tal como outras desta autora. como sou muito sonhadora. porque me coloquei no papel das personagens e lembrei-me da relação com a minha única irmã que também é mais velha e também tinha uma atitude muito parecida com a de Leonor. quase. Confesso que chorei. amor e protecção perante a irmã. gosto mais de realidade e de obras realistas e esta obra. . é essencial para que possamos ser felizes. vivi em tempos num “mundo irreal” que me ajudava a suportar a realidade. foi esse “mundo irreal” que fez com que a altura mais infeliz da vida de Clara se tornasse. tal como quase todas as obras desta autora que têm sempre um toque muito especial de realidade nas suas obras e eu gosto muito de obras com muita realidade.quinta da avó e pintara a casa de cor-de-rosa. nem que vivamos num mundo irreal durante algum tempo. pois era ela que cuidava de mim quando minha mãe ainda trabalhava e assumia um papel de segunda mãe. acabando o livro com uma carta de Leonor a dizer que viria para o casamento da sobrinha e contando a sua felicidade de ser missionária. muitas vezes. tem muita realidade. quando também ela necessitava de ser cuidada. Transmite também o sentimento de que o sonho. embora fosse noutrasituação. das melhores. como o sonho delas em crianças e não dependia de ninguém. felizmente. Apenas se voltaram a encontrar no baptizado da filha. Toda a história do livro mostra o agradecimento de Clara perante Leonor que transmitia uma intensa maturidade. porque também eu. Pessoalmente. Apreciação global da obra: Ao ler esta obra comovi-me muito.

Related Interests