Direitos Humanos

Direitos Humanos são os direitos fundamentais da pessoa humana. No regime democrático, toda pessoa deve ter a sua dignidade respeitada e a sua integridade protegida, independentemente da origem, raça, etnia, gênero, idade, condição econômica e social, orientação ou identidade sexual, credo religioso ou convicção política. Toda pessoa deve ter garantidos seus direitos civis (como o direito à vida, segurança, justiça, liberdade e igualdade), políticos (como o direito à participação nas decisões políticas), econômicos (como o direito ao trabalho), sociais (como o direito à educação, saúde e bem-estar), culturais (como o direito à participação na vida cultural) e ambientais (como o direito a um meio ambiente saudável). A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS Apesar da falta de historicidade inerente a esses direitos, é com a história e seus grandes pensadores que se observa a "evolução" da humanidade, no sentido de ampliar o conhecimento da essência humana, a fim de assegurar a cada pessoa seus direitos fundamentais. Podemos destacar que a noção de direitos humanos foi cunhada ao longo dos últimos três milênios da civilização. O Prof. Fábio Konder Comparato, fazendo uma análise histórica dessa evolução, aponta que foi no período axial que os grandes princípios, os enunciados e as diretrizes fundamentais da vida, até hoje considerados em vigor, foram estabelecidos. Informa que nesse período, especialmente entre 600 e 480 a.C., coexistiram, sem se comunicarem entre si, alguns dos maiores doutrinadores de todos os tempos (entre eles, Buda, na Índia; Confúcio, na China; Pitágoras, na Grécia e o profeta Isaías, em Israel) e, a partir daí, o curso da História passou a constituir o desdobramento das idéias e princípios estabelecidos nesse período. Inclusive, foi nesse período que surgiu a filosofia, tanto na Ásia como na Grécia, quando então substituiu-se, "pela primeira vez na História, o saber mitológico da tradição pelo saber lógico da razão" . Em resumo, assinala que foi nesse período que nasceu a idéia de igualdade entre os seres humanos: "é a partir do período axial que o ser humano passa a ser considerado, pela primeira vez na História, em sua igualdade essencial, como ser dotado de liberdade e razão, não obstante as múltiplas diferenças de sexo, raça, religião ou costumes sociais. Lançavam-se, assim, os fundamentos intelectuais para a compreensão da pessoa humana e para a afirmação de direitos universais, porque a ela inerentes". Na seqüência, podemos destacar o Cristianismo, que em muito contribuiu para o estabelecimento da igualdade entre os homens. O Cristianismo, sem dúvida, no plano divino, pregava a igualdade de todos os seres humanos, considerando-os filhos de Deus, apesar de, na prática, admitir desigualdades em contradição com a mensagem evangélica (admitiu a legitimidade da escravidão, a inferioridade da mulher em relação ao homem). sujeitar-se, devem ser elaboradas pelos membros da associação". Sua visão, complementando, é de que o ser humano não existe como meio para uma finalidade, mas existe como um fim em si mesmo, ou seja, todo homem tem como fim natural a realização de sua própria felicidade, daí resultando que todo homem tem dignidade. Isso implica, na sua concepção, que não basta ao homem o dever negativo de não prejudicar alguém, mas, também, e essencialmente, o dever positivo de trabalhar para a felicidade alheia. Essa concepção foi fundamental para o reconhecimento dos direitos necessários à formulação de políticas públicas de conteúdo econômico e social. Pode-se falar em três ápices da evolução dos direitos humanos: o Iluminismo, a Revolução Francesa e o término da Segunda Guerra Mundial. Com o primeiro foi ressaltada a razão, o espírito crítico e a fé na ciência. Esse movimento procurou chegar às origens da humanidade, compreender a essência das coisas e das pessoas, observar o homem natural. A Revolução Francesa deu origem aos ideais representativos dos direitos humanos, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Estes inspiraram os teóricos e transformaram todo o modo de pensar ocidental. Os homens tinham plena liberdade (apesar de empecilhos de ordem econômica,

destacados, posteriormente, pelo Socialismo), eram iguais, ao menos em relação à lei, e deveriam ser fraternos, auxiliando uns aos outros. Por fim, com a barbárie da Segunda Grande Guerra, os homens se conscientizaram da necessidade de não se permitir que aquelas monstruosidades ocorressem novamente, de se prevenir os arbítrios dos Estados. Isto culminou na criação da Organização das Nações Unidas e na declaração de inúmeros Tratados Internacionais de Direitos Humanos, como "A Declaração Universal dos Direitos do Homem", como ideal comum de todos os povos. Os documentos de proteção aos direitos humanos foram surgindo progressivamente. O antecedente mais remoto pode ser a Magna Carta, que submetia o governante a um corpo escrito de normas, que ressaltava a inexistência de arbitrariedades na cobrança de impostos. A execução de uma multa ou um aprisionamento ficavam submetidos à imperiosa necessidade de um julgamento justo. A Petition of Rights tentou incorporar novamente os direitos estabelecidos pela Magna Carta, por meio da necessidade de consentimento do Parlamento para a realização de inúmeros atos. O Habeas Corpus Act instituiu um dos mais importantes instrumentos de garantia de direitos criados. Bastante utilizado até os nossos dias, destaca o direito à liberdade de locomoção a todos os indivíduos. A Bill of Rights veio para assegurar a supremacia do Parlamento sobre a vontade do rei. A Declaração de Direitos do estado da Virgínia declara que "todos os homens são por natureza igualmente livres e independentes e têm certos direitos inatos de que, quando entram no estado de sociedade, não podem, por nenhuma forma, privar ou despojar de sua posteridade, nomeadamente o gozo da vida e da liberdade, com os meios de adquirir e possuir propriedade e procurar e obter felicidade e segurança". Assegura, também, todo poder ao povo e o devido processo legal (julgamento justo para todos). A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, assim como a Constituição Federal de 1787, consolidam barreiras contra o Estado, como tripartição do poder e a alegação que todo poder vem do povo; asseguram, ainda, alguns direitos fundamentais, como a igualdade entre os homens, a vida, a liberdade, a propriedade. As dez Emendas Constitucionais americanas permanecem em vigor até hoje, demonstrando o caráter atemporal desses direitos fundamentais. Essas Emendas têm caráter apenas exemplificativo, já que, constantemente, novos direitos fundamentais podem ser declarados e incorporados à Lei Fundamental Americana. Com a Revolução Francesa, foi aprovada a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão", que garante os direitos referentes à liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão. Destaca os princípios da legalidade e da igualdade de todos perante a lei, e da soberania popular. Aqui, o pressuposto é o valor absoluto da dignidade humana, a elaboração do conceito de pessoa abarcou a descoberta do mundo dos valores, sob o prisma de que a pessoa dá preferência, em sua vida, a valores que elege, que passam a ser fundamentais, daí porque os direitos humanos hão de ser identificados como os valores mais importantes eleitos pelos homens. A partir do século XX, a regulação dos direitos econômicos e sociais passaram a incorporar as Constituições Nacionais. A primeira Carta Magna, a revolucionar a positivação de tais direitos, foi a Constituição Mexicana de 1917, que versava, inclusive, sobre a função social da propriedade. A Constituição de Weimar de 1919, pelo seu capítulo sobre os direitos econômicos e sociais, foi o grande modelo seguido pelas novas Constituições Ocidentais. A partir da segunda metade do século XX, iniciou-se a real positivação dos direitos humanos, que cresceram em importância e em número, devido, principalmente, aos inúmeros acordos internacionais. O pensamento formulado nesse período acentua o caráter único e singular da personalidade de cada indivíduo, derivando daí que todo homem tem dignidade individual e, com isto, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu art. 6.°, afirma: "Todo homem tem direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei". Atualmente não se pode discutir a existência desses direitos, já que, além de amplamente consagrados pela doutrina, estão presentes também na lei fundamental brasileira: A Constituição Federal. Mesmo os mais pessimistas, que alegam a falta de eficácia dos direitos fundamentais, não podem negar a rápida evolução, tanto no sentido normativo, como no sentido executivo, desses direitos, que já adquiriram um papel essencial na doutrina jurídica, apesar de apenas serem realmente reconhecidos por meio da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. Pode-se constatar, por estes apontamentos, que a evolução dos direitos humanos foi gradual; todavia, o pensamento moderno "é a convicção generalizada de que o verdadeiro fundamento da validade – do Direito em geral e dos direitos humanos em particular – já não deve ser procurado na

esfera sobrenatural da revelação religiosa, nem tampouco numa abstração metafísica – a natureza como essência imutável de todos os entes do mundo. Se o direito é uma criação humana, o seu valor deriva, justamente, daquele que o criou. O que significa que esse fundamento não é outro, senão o próprio homem, considerado em sua dignidade substancial de pessoa...". A adoção, pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, da Declaração Universal de Direitos Humanos, em 1948, constitui o principal marco no desenvolvimento do direito internacional dos direitos humanos. A Declaração Universal de Direitos Humanos contém um conjunto indissociável e interdependente de direitos individuais e coletivos, civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, sem os quais a dignidade da pessoa humana não se realiza por completo. Esta Declaração tornou-se uma fonte de inspiração para a elaboração de cartas constitucionais e tratados internacionais voltados à proteção dos direitos humanos e um autêntico paradigma ético a partir do qual se pode medir e contestar ou afirmar a legitimidade de regimes e governos. Os direitos ali inscritos constituem hoje um dos mais importantes instrumentos de nossa civilização visando assegurar um convívio social digno, justo e pacífico. A Declaração Universal dos Direitos Humanos não é apenas um conjunto de preceitos morais que devem informar a organização da sociedade e a criação do direito. Inscritos em diversos tratados internacionais e constituições, os direitos contidos na Declaração Universal estabelecem obrigações jurídicas concretas aos estados nacionais. São normas jurídicas claras e precisas, voltadas para a proteção e promoção dos interesses mais fundamentais da pessoa humana. São normas que obrigam os Estados nacionais no plano interno e externo. Com a criação da Organização das Nações Unidas em 1945 e a adoção de declarações, convenções e tratados internacionais para a proteção da pessoa humana, os direitos humanos deixaram de ser uma questão exclusiva dos Estados nacionais, passando a ser matéria de interesse de toda a comunidade internacional. A criação de mecanismos judiciais internacionais de proteção dos direitos humanos, como a Corte Interamericana e a Corte Européia de Direitos Humanos ou quasejudiciais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos ou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, deixam clara esta mudança na antiga formulação do conceito de soberania. Mas a obrigação primária de assegurar os Direitos Humanos continua a ser responsabilidade interna dos Estados Nacional. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu a mais precisa e detalhada carta de direitos de nossa história, que inclui uma vasta identificação de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, além de um conjunto preciso de garantias constitucionais. A Constituição impôs ao Estado brasileiro a obrigação de reger-se, em suas relações internacionais, pelo princípio da "prevalência dos direitos humanos"(artigo 4°, inciso II). Resultado desta nova diretriz constitucional foi o Brasil, no início dos anos noventa, ratificar a adesão aos Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e às Convenções contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes e Americana de Direitos Humanos, que se encontram entre os mais relevantes instrumentos internacionais de proteção aos direitos humanos. Em 1993, o Brasil presidiu o comitê de redação e desempenhou papel decisivo na elaboração e aprovação da Declaração e do programa da Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena, que recomendou aos Estados Nacionais a elaboração de planos nacionais para a proteção e promoção dos direitos humanos. O governo brasileiro considera as normas constitucionais e a adesão a tratados internacionais passos essenciais para a promoção dos direitos humanos, mas está consciente de que a proteção efetiva destes direitos depende da atuação constante do Estado e da sociedade. Com este objetivo, o governo federal tem se empenhado na proteção de promoção dos direitos humanos no país, a começar pela elaboração da Agenda de Direitos Humanos, que resultou em um elenco de propostas e projetos de lei contra a violência. No dia 13 de maio de 1996, o Presidente Fernando Henrique Cardoso lançou oficialmente o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), tornando o Brasil o terceiro país, depois da Austrália e das Filipinas, a atender a recomendação da Conferência Mundial de Direitos Humanos de Viena de preparar um plano de ação para proteção e promoção dos direitos humanos. O PNDH é uma declaração inequívoca do compromisso do Brasil com a proteção e promoção dos direitos humanos de todas as pessoas que residem no, e transitam pelo, território brasileiro. Com a colaboração da Universidade de São Paulo, através do Núcleo de Estudos da Violência, o PNDH tornou-se documento de referência obrigatória para o governo e a sociedade na luta pela consolidação da democracia e do estado de direito e pela construção de uma sociedade mais justa. Num estado federal como é o Brasil, os Estados da Federação têm um papel fundamental na implementação do programa Nacional de Direitos Humanos e na luta contra a violência, discriminação impunidade e pela efetiva proteção dos direitos humanos no país. O PNDH propõe ações

seminários e fóruns sobre políticas e programas de direitos humanos. encontros. Fomentar ações de divulgação e conscientização da importância da legislação nacional pertinente às . entre o governo federal e o governo estadual. cultural e psicológica. Princípios Básicos: Primeiro. igrejas. agentes penitenciários e lideranças comunitárias. sociais e culturais são indissociáveis. Numa sociedade injusta como é a brasileira. econômicos. individuais e coletivos. no ensino de primeiro. de debates. com grave desigualdade de renda. Apoiar iniciativas de premiação de programas e reportagens que ampliem a compreensão da sociedade sobre a importância do respeito aos direitos humanos. com os governos municipais e a sociedade civil. de ordem internacional. tanto na fase de formulação quanto na fase de implementação. sociais. Mas. Promover e apoiar a promoção. movimentos sociais e sindicais. governos estaduais. é fundamental que seus direitos civis e políticos sejam garantidos. políticos. Conceder anualmente prêmios a entidades e pessoas que se destacaram na defesa dos direitos humanos.2. segundo e terceiro graus. Princípios e Prioridades da Política Nacional de Direitos Humanos Na elaboração de uma política e um programa de direitos humanos exeqüível.governamentais que devem ser implementadas nos Estados da Federação. a consolidação da democracia exige a garantia dos direitos humanos de todas pessoas. os direitos civis. o estudo e pesquisa da natureza e das causas das violações de direitos humanos são indispensáveis para formulação e implementação de políticas e programas de combate á violência e discriminação e de proteção e promoção dos direitos humanos. condição econômica e social. política. governos municipais e sociedade civil. organizações não governamentais. monitoramento e avaliação das políticas e programas de direitos humanos. é impossível promover os direitos humanos sem que os problemas estruturais do desemprego. Terceiro. nos municípios e regiões dos estados. da educação. econômicos e culturais. Quarto. sexo. Promover cursos de capacitação de professores para ministrar disciplinas ou desenvolver programas interdisciplinares na área de direitos humanos. pela abordagem de temas transversais. a proteção dos direitos humanos e a consolidação da democracia depende da cooperação de todos. orientados pela concepção dos direitos humanos segundo a qual o respeito à igualdade supõe também o reconhecimento e valorização das diferenças entre indivíduos e coletividades. da saúde e do meio ambiente sejam objeto de políticas e programas governamentais.3). Desenvolver programas de informação e formação para profissionais do direito. Segundo. pelos governos estaduais ou através de parcerias entre o governo federal. Quinto. para que a população possa assumir que os direitos humanos são direitos de todos e as entidades da sociedade civil possam lutar por esses direitos e atuar em parceria com os Estados. deve-se reconhecer que não é possível resolver imediatamente problemas que foram gerados ao longo de décadas de desrespeito aos mais elementares direitos da pessoa humana. policiais civis e militares. Reconhecendo a indissociabilidade dos direitos civis. procura-se definir propostas para proteção de todos os direitos humanos. etnia. as violações dos direitos humanos têm muitas causas. Promover campanhas de divulgação das normas internacionais de proteção dos direitos humanos para operadores do direito. credo religioso e convicção política. Promoção dos Direitos Humanos Introduzir noções de direitos humanos no currículo escolar. do acesso à terra. orientação ou identidade sexual.1. em parceria com entidades governamentais. raça. econômica. social. independentemente de origem. Criar comissão para elaborar e sugerir material didático e metodologia educacional e de comunicação para a implementação dos itens imediatamente anteriores (n. idade. políticos.

políticas de proteção e promoção dos direitos humanos. Desenvolver campanhas estaduais permanentes que ampliem a compreensão da sociedade brasileira sobre o valor da vida humana e a importância do respeito aos direitos humanos. Desenvolver campanha publicitária dirigida â escola sobre o valor da diferença em uma sociedade democrática. Promover concursos entre as escolas por meio de cartazes, redações e manifestações artísticas sobre o tema da diferença. Participação Política Desenvolver programas estaduais e apoiar programas municipais, para assegurar a todos os grupos sociais o direito de participar na formulação e implementação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação, habitação, meio ambiente, segurança social, trabalho, economia, cultura, segurança e justiça. Apoiar campanhas que incentivem a participação política dos vários grupos sociais, nos municípios e nos estados. Criar banco de dados sobre entidades, partidos políticos, empresas, sindicatos, escolas e outras associações comprometidas com a promoção e proteção dos direitos humanos. Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais Direitos ao Desenvolvimento humano Formular e implementar políticas e programas de governo para redução das desigualdades regionais, econômicas, sociais e culturais, definindo recursos em cada secretaria estadual para o alcance dessa meta. Promover, em escala municipal e regional, a integração das ações direcionadas às comunidades e grupos mais carentes, pelas prefeituras municipais, governos estadual e federal e sociedade civil. Criar um banco de dados que possibilite o direcionamento das políticas e programas de governo e a realização de parcerias entre os Estados e a sociedade para a redução de desigualdades regionais, econômicas, sociais e culturais. Incentivar as empresas a publicar em seus balanços informações sobre realizações na área de promoção e defesa dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Emprego e Geração de Renda Criar fórum, com participação de representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário e da sociedade civil, para a realização de estudos visando a redução da jornada de trabalho e o fim das horas extras. Estabelecer políticas e programas estaduais de desenvolvimento e apoiar políticas e programas municipais, visando reduzir a pobreza em áreas urbanas e rurais por meio da provisão de infraestrutura e serviços básicos e da geração de empregos e/ou renda para as populações carentes, redirecionando a política orçamentária para a realização destes objetivos. Incentivar nos municípios a criação de programas de renda complementar. Incentivar a criação de organizações sem fins lucrativos capazes de gerar emprego e/ou renda, nas áreas urbanas e rurais, por meio de projetos de prestação de serviços à comunidade. Incentivar a criação de centros de aprendizagem em que grupos carentes e pessoas desempregadas possam desenvolver projetos de sobrevivência. Incentivar a criação de micro e pequenas empresas e cooperativas capazes de gerar emprego e/ou renda, nas áreas urbana e rural, com medidas e/ou propostas para simplificação, eliminação ou redução de suas obrigações administrativas, tributárias e crediticias. Criar programas de financiamento para micro e pequenas empresas e cooperativas, associados à formação e reciclagem profissional. Apoiar programas de regularização e legalização das atividades da economia informal, com instituição de tributos condizentes com sua atividade. Ampliar o atendimento ao trabalhador, multiplicando os postos para obtenção de carteira de trabalho,

formação profissional, orientação jurídica e acompanhamento das condições de saúde, higiene e segurança no trabalho. Incentivar a criação e o funcionamento de comissões municipais de emprego. Política agrária e fundiária Apoiar formas negociadas e não violentas de resolução de conflitos fundiários. Apoiar os assentamentos rurais existentes, dotando-os de infra-estrutura e promovendo treinamento adequado à produção agrícola, além de incentivar atividades econômicas compatíveis com a defesa do meio ambiente e a criação de canais de escoamento da produção. Propor lei estadual definindo a legitimação da posse de terras devolutas com até 500 hectares aos ocupantes que atendam aos princípios da legislação agrária. Dar continuidade à políticas de reivindicação e utilização de terras devolutas para assentamento de trabalhadores sem terra. Apoiar a identificação de áreas rurais improdutivas ou que não atendam à função social da propriedade, para fins de reforma agrária. Promover políticas e programas de abastecimento, apoiando a criação e o funcionamento de cooperativas para aproximar os produtores rurais dos consumidores urbanos. Expandir o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Educação Promover a melhoria do ensino público, por meio de programas de educação continuada dos professores, elevação dos níveis salariais e melhoria das condições de trabalho. Incentivar a participação de pais, professores e estudantes e fortalecer os conselhos de escola, as associações de pais e mestres, os grêmio estudantis e outras entidades comunitárias. Garantir o acesso, o reingresso, a permanência e o sucesso de todas as crianças e adolescentes nos ensinos fundamental e médio, por meio de ações como a implementação de classes de aceleração, a recuperação paralela e outras medidas, entre as quais a concessão de incentivo às famílias carentes que mantiverem os filhos na escola. Apoiar programas de monitoramento e eliminação da evasão escolar. Valorizar as associações de pais e mestres, incentivando sua participação no gerenciamento dos recursos públicos destinados à escola. Promover cursos de alfabetização de adultos. Comunicação Estabelecer programas de integração intersecretarias e organizações não governamentais, visando prevenir e reduzir a incidência do uso indevido de drogas e de doenças transmissíveis. Promover ações de divulgação sobre o valor da educação, da saúde, do meio ambiente, da habitação, do transporte e da cultura como direitos da cidadania e fatores essenciais à melhoria da qualidade de vida das pessoas, bem-estar social e desenvolvimento econômico. Desenvolver ações para proteger o direito à preservação da imagem dos cidadão. Criar uma comissão de educação e mídia, com a participação de representantes do Estado, da sociedade e dos meios de comunicação social, para apoiar o desenvolvimento de uma perspectiva positiva no tratamento das questões de direitos humanos na mídia e monitorar os programas radiofônicos e televisivos, identificando os que contenham incitação ao crime ou sua apologia. Cultura e Ciência Promover a punição dos responsáveis pela transmissão de programas de rádio e televisão que contenham incitação ao crime ou sua apologia, com a aplicação das sanções cabíveis às concessionárias, na forma da lei. Criar centro de referência de cidadania e direitos humanos, com biblioteca especializada, para desenvolvimento de estudos e projetos sobre os temas da cidadania e direitos humanos.

Apoiar programas de revalorização e criação de bibliotecas públicas, casas de cultura e oficinas culturais, estimulando intercâmbio entre grupos das Capitais e do interior dos estados. Elaborar indicadores de desenvolvimento humano nos Estados. Promover a realização de estudos e pesquisas sobre violência, custos da violência, discriminação, vitimização e direitos humanos. Criar banco de dados sobre as violações dos direitos humanos e o perfil dos autores e das vítimas da violação a esses direitos. Saúde Incentivar, com ampla divulgação nos meios de comunicação de massa, a participação da comunidade na formulação e implementação de políticas públicas de saúde, por meio de Conselhos Estaduais de Saúde, dos Conselhos Municipais de Saúde e de outras formas de organização da população como os Conselhos de Bairros e as Comunidades de Saúde. Apoiar programas de medicina preventiva, com equipes multidisciplinares, identificando e minimizando os fatores de risco aos quais a população está exposta, dando prioridade ao atendimento em áreas periféricas. Promover campanhas para divulgar informações sobre os fatores que afetam a saúde pública, particularmente os que aumentam o risco de morte violenta, como o uso de armas de fogo, uso indevido de drogas, acidentes de trânsito e acidentes de trabalho. Apoiar campanhas de conscientização contra os riscos do uso do fumo e do álcool. Promover ações que contribuam para aumentar a integração entre as áreas saúde, da educação e da segurança pública, com o objetivo de limitar a incidência e o impacto da violência contra a pessoa. Desenvolver programas com o objetivo de melhorar a qualidade do ambiente de trabalho e aumentar a segurança e a saúde do trabalhador urbano e rural, integrando ações das áreas de saúde, emprego e relações de trabalho, justiça e defesa da cidadania e agricultura, tendo em vista este objetivo. Fortalecer a atuação das comissões de ética e fiscalização das atividades dos profissionais da saúde. Formular políticas e desenvolver campanhas públicas para incentivar a doação de sangue. Desenvolver e divulgar programas, assistência e tratamento para os portadores de anemia falciforme. Adotar programas que contribuam para a melhoria do atendimento às pessoas portadoras de patologias crônicas. Apoiar programas de prevenção, assistência e tratamento à dependência de drogas. Desenvolver campanhas de informação e prevenção sobre doenças sexualmente transmissíveis e HIV/Aids. Apoiar estudos, pesquisas e programas para reduzir a incidência, morbidade e mortalidade causadas por HIV/Aids. Apoiar a implantação de um cadastro técnico de receptores de órgãos, a cargo das Secretarias de Saúde dos estados, que vise assegurar o princípio da igualdade nas ações de saúde e ordem cronológica de atendimento de pacientes que necessitem de transplante. Bem-Estar, Habilitação e Transporte Implantar os Conselhos e Fundos Municipais da Assistência Social e elaborar planos municipais de assistência social com programas destinados às crianças, adolescentes, família, maternidade, idosos, portadores de deficiência, inserção no mercado de trabalho e geração de renda, incentivando a formação de parcerias entre organizações governamentais e da sociedade civil e redes municipais, regionais e estaduais. Implantar políticas de complementação de renda familiar, integradas com políticas educacionais, de saúde, de habitação, de inserção no mercado de trabalho e de geração de renda. Incentivar em parceria com a entidade civil programas municipais de orientação e apoio à família, para capacitá-Ias a resolver seus conflitos de forma não violenta e a cumprir sua responsabilidade de proteger e educar as crianças.

Família e Bem Estar Social com o objetivo de oferecer atendimento nas delegacias de polícia. com representantes do Estado. destinando os recursos para programas de construção e melhoria de moradias populares. Implantar programa de controle de poluição do sistema integrado de transportes no Estado. particularmente por meio do sistema de mutirão. Incentivar. para formulação. especialmente nas áreas de segurança. Apoiar projetos de preservação. pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo. garantindo o anonimato dos . como o objetivo de sua reinserção social. Desenvolver ações integradas entre os Governo Federal. Apoiar medidas no âmbito estadual e municipal que visem a remuneração da cessão de próprios públicos para clubes e entidades sem fins lucrativos. prefeituras e sociedade civil. Aperfeiçoar a defesa de direitos dos consumidores. saúde e educação. Criar programa estadual e apoiar a criação de programas municipais de educação para a segurança no trânsito e de prevenção de acidentes de trânsito. os municipais. nos programas de atendimento pré-natal. Criar ouvidorias nas Secretarias dos Estados. Implementar ações de educação para o consumo por meio de parcerias entre a escola e órgãos de defesa do consumidor. leitura e aprendizado ambiental em unidades de proteção ambiental. Reativar convênio entre a Secretaria da Segurança Pública e Secretaria da Criança. implementação e monitoramento de políticas e programas de proteção ambiental. Consumo e Meio Ambiente Ampliar o programa de municipalização da defesa do consumidor por meio da criação e fortalecimento de Procons municipais. destinando os recursos para programas de assistência social. empresários e organizações da sociedade civil para projetos de educação ambiental e de turismo ecológico. Criar. em associação com projetos de geração de emprego e renda. a inclusão de orientação preventiva de maustratos na infância. Propor lei de defesa do usuário do serviço público. justiça. Apoiar o Poder Judiciário na instalação de juizados especiais para questões de direito do consumidor. Desenvolver e implementar programas permanentes de qualidade no serviço público. por meio de programas de coleta e reciclagem de lixo. qualificação e requalificação profissional. Promover a melhoria e garantir a qualidade do meio ambiente. orientação sócio-educativa. Incentivar projetos de construção e melhoria das condições das moradias populares. organizacional e jurídica dos integrantes dos movimentos de moradias. inclusive com programas de capacitação técnica. em especial nas áreas da Educação e Saúde e na Procuradoria Geral do Estado. com o objetivo de democratizar a discussão de políticas e programas de desenvolvimento urbano. Direitos Civis e Políticos Acesso à Justiça e Luta Contra a Impunidade Criar centros de lazer. orientação e sugestões. na rede escolar. inclusive estabelecendo convênio entre a Fundação Procon e a Procuradoria Geral do Estado para a propositura de ações individuais. coletivas e ações civis públicas. por assistentes sociais. Implantar conselhos das unidades de proteção ambiental. garantindo aos ouvidores mandato com prazo certo. os estaduais. bem como estimular sua criação pelo Ministério Público. Implantar Conselhos e Fundos Municipais de Desenvolvimento Urbano. Instalar e divulgar canais especiais de comunicação para denúncias. manter e apoiar programas de proteção à população em situação de rua. Promover a melhoria e expansão dos serviços de transporte coletivo. incluindo abrigo. Apoiar medidas no âmbito municipal que visem o aumento de impostos sobre imóveis desocupados. recuperação e melhoria do meio ambiente.

para lideranças populares. da Constituição Federal. crianças e adolescentes em situação de risco. respeitados o devido processo legal e a ampla defesa. do Ministério Público e do Poder Judiciário. Procon. Segurança do Cidadão e Medidas Contra a Violência Apoiar programas e campanhas de prevenção à violência contra pessoas e grupos em situação de alto risco. particularmente . mulheres. Polícia Militar. da população em situação de rua. Polícia Civil. de prevenção de doenças e com ampla participação da sociedade civil. Realizar gestões junto aos Poderes Legislativo e Judiciário para aprovação de lei estadual regulamentando os juizados especiais cíveis e criminais. Procuradoria de Assistência Judiciária. bem como a seus familiares. Apoiar o projeto de lei que tipifica crime contra os direitos humanos. de acordo com o artigo 127. Fortalecer a ampliar a atuação das corregedorias administrativas do Poder Executivo. Criar programa de assistência aos herdeiros e dependentes carentes de pessoas vitimadas por crimes dolosos. indígenas. transexuais. na parte de assistência a famílias. Apoiar iniciativa de extinção da Justiça Militar dos Estados. em integração com órgão públicos. Ministério Público. Pugnar em favor do reconhecimento. negros. Expandir e melhorar o atendimento às pessoas necessitadas de assistência judiciária. Estimular o debate sobre a reorganização do Poder Judiciário e do Ministério Público. Estimular a solução pacífica de conflitos. Estimular a criação de núcleos municipais de defesa da cidadania. homossexuais. idosos. na periferia das grandes cidades. criando e fortalecendo. com a participação de advogados. notadamente da Polícia Civil e Polícia Militar.usuários. Estimular a criação e o funcionamento de mecanismos para agilizar o julgamento de casos de graves violações de direitos humanos. a fim de que sejam efetivamente implantados no Estado. outros órgãos governamentais de atendimento social. no Ministério Público. particularmente crianças e adolescentes. trabalhadores sem-terra. Agilizar a apuração e a responsabilização administrativa e judicial de agentes públicos acusados de atos de violência e corrupção. com a participação do Poder Judiciário. Garantir indenização às vítimas de violência praticada por agentes públicos. de promotorias especializadas na defesa da cidadania e dos direitos humanos. centros de integração da cidadania. modernizar e informatizar os serviços de distribuição de justiça para melhorar o sistema de proteção e promoção dos direitos humanos. para melhor atender às demandas da população. Procuradoria de Assistência Judiciária e Delegacias de Polícia. incluindo a prestação de serviços gratuitos de assistência jurídica. Expandir. Estimular a criação e o funcionamento. incluindo policiais e seus familiares ameaçados em razão da natureza da sua atividade. nos termos do artigo 62 da Declaração Americana de Direitos Humanos. mediação de conflitos coletivos e requisição de documentos básicos para a população carente. pelo Brasil. Promover cursos de capacitação na defesa dos direitos humanos e cidadania. Criar programa específico para prevenção e repressão à violência doméstica e implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Criar programa estadual de proteção a vítimas e testemunhas. migrantes. Apoiar o estabelecimento e funcionamento de plantões permanentes do Poder Judiciário. Consolidar e fortalecer o controle externo da atividade policial pelo Ministério Público. VII. da competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. em parceria com a sociedade civil. professores e estudantes. ameaçados em razão de envolvimento em inquérito policial e/ou processo judicial. de geração de renda. com a participação de organizações da sociedade civil e do Governo. trabalhadores sem-teto. com atribuição à Justiça comum da competência para julgamento de todos os crimes cometidos por policiais militares. nos termos do artigo 245 da Constituição Federal. Ministério Público.

definindo não apenas a manutenção da ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimõnio mas também e principalmente a defesa dos direitos da cidadania e da dignidade da pessoa humana como missões prioritárias das polícias civil e militar. Elaborar indicadores básicos para o monitoramento e a avaliação de políticas de segurança pública e do funcionamento do Poder Judiciário e do Ministério Público. Desenvolver e apoiar programas e campanhas de desarmamento. Sistema prisional e ressocialização Desenvolver parcerias entre os estados e entidades da sociedade civil para o aperfeiçoamento do sistema penitenciário e para a proteção dos direitos de cidadania e da dignidade do preso. dotando-os de maior autonomia e representatividade. praticados por policiais ou contra policiais. da Criança. ampliando e fortalecendo serviços de atendimento e investigação de casos de violência doméstica. Coordenar e integrar as ações das polícias civil e militar. Apoiar a realização de cursos de direitos humanos para policiais em todos os níveis da hierarquia policial. . Incentivar a aplicação de penas alternativas pelo Poder Judiciário. Criar cursos regulares para capacitação em gerenciamento de crise e negociação em conflitos coletivos. no exercício de suas funções. notadamente o da Polícia Militar. Incentivar a criação de fundo da polícia. Regulamentar e aumentar o controle sobre o uso de armas e munições por policiais em serviço e nos horários de folga. Organizar seminário estadual para policiais sobre educação em direitos humanos. Dar continuidade ao programa de seguro de vida especial para policiais.das delegacias de defesa da mulher. Apoiar projeto de lei federal. por meio do aumento e redistribuição do efetivo policial. Incentivar experiências de polícia comunitária. nas secretarias de Emprego e Relações do Trabalho. exigindo a elaboração de relatório sobre cada ocorrência de disparo de arma de fogo. dedicados a profissionais ligados às áreas de segurança e justiça. Desenvolver programas de identificação de postos de trabalho para cumprimento de pena de prestação de serviços à comunidade. Apoiar programas de aperfeiçoamento profissional de policiais militares e civis por meio da concessão de bolsas de estudo e intercãmbio com polícias de outros países para fortalecer estratégias de policiamento condizentes com o respeito à lei. o uso limitado da força. Ampliar a atuação das polícias. agravando as penas para crimes dolosos. Desenvolver programas e campanhas para impedir o trabalho forçado. compatibilizandoos à ordem constitucional vigente. Integrar os sistemas de informação e comunicação das polícias civil e militar. de forma a valorizar e incentivar o respeito à lei. Valorizar os conselhos comunitários de segurança. uso limitado da força. orientando-as principalmente para as áreas de maior risco de violência. a defesa dos direitos dos cidadãos e da dignidade humana no exercício da atividade policial. Aperfeiçoar critérios para seleção e promoção de policiais. defesa dos direitos dos cidadãos e da dignidade humana. a fim de implementar no Estado a lei federal que criminaliza a posse e o porte ilegal de armas. com apreensão de armas ilegais. adolescentes e migrantes. de áreas especializadas na prevenção e repressão ao trabalho forçado. para que eles possam servir efetivamente como centros de acompanhamento e monitoramento das atividades das polícias civil e militar pela comunidade e como mecanismos para melhorar a sua integração e cooperação. sobretudo de crianças. por meio de parcerias entre órgãos públicos e sociedade civil. Apoiar o aperfeiçoamento da legislação que regulamenta os serviços privados de segurança. para obtenção de recursos e realização de investimentos na área de segurança pública. particularmente por meio da criação. Rever os regulamentos disciplinares das polícias. Família e Bem Estar Social e da Segurança Pública. contribuindo para a melhor reintegração dos condenados à sociedade.

Apoiar o trabalho do grupo de negociadores que tem por objetivo a resolução pacífica de incidentes prisionais e elaborar manual com regras mínimas para tratamento de rebeliões no sistema penitenciário. possibilitando sua reinserção profissional nas áreas urbanas e rurais. em parceria com entidades não governamentais. Apoiar propostas legislativas para estender ao trabalhador preso os direitos do trabalhador livre. Criar grupo de trabalho. Expandir e fortalecer a assistência judiciária ao preso. em tramitação no Congresso Nacional. Telecurso 2000. Secretarias de Administração Penitenciária e da Segurança Pública. . Criar Escolas Estaduais Penitenciárias. com a participação de representantes do Poder Judiciário. Garantir acesso aos mapas da população de presos no sistema penitenciário. com a contratação e a capacitação de profissionais para elaborar e acompanhar programas de ressocialização e reeducação de presos. que trata das penas alternativas. Prever mecanismos de defesa técnica para presos acusados em processos disciplinares. Facilitar o acesso dos presos à educação. Promover programas de capacitação técnico-profissionalizante para os presos. Aperfeiçoar o atendimento da saúde no sistema penitenciário. Aperfeiçoar o tratamento prisional da mulher. nos termos da Lei de Execução Penal. Criar as condições necessárias ao cumprimento da Lei de Execução Penal. de acordo com as normas para seleção e formação de pessoal penitenciário da ONU e OEA. Implementar os procedimentos de Manuais de Segurança Física das Unidades Prisionais em todo o sistema prisional. fortalecendo projetos como Educação Básica. privilegiando parcerias com organizações não governamentais e universidades. Desenvolver programas visando a absorção pelo mercado de trabalho de egressos do sistema penitenciário e de presos em regime aberto e semi-aberto. inclusive estabelecendo convénios entre Governos Estaduais e governos municipais para garantir assistência médica e hospitalar aos presos. Apoiar o Projeto de Lei 2.684/96. Garantir a separação dos presos por tipo de delito e entre os presos condenados e provisórios. no que toca à classificação de presos para individualização da execução da pena. Desenvolver programas de informatização do sistema penitenciário e integração com o Ministério Público e o Poder Judiciário. Ministério Público. destinado a propor ações urgentes para melhorar o funcionamento da Vara de Execuções Criminais. privilegiando parcerias com organizações não governamentais. OAB e organizações da sociedade civil. nas cadeias públicas e nos distritos policiais. Incentivar a criação dos conselhos comunitários para supervisionar o funcionamento das prisões. Construir novas unidades para o regime semi-aberto. Educação pela Informática. Realizar o monitoramento epidemiológico da população carcerária. garantindo progressivamente a alocação de agentes femininas para vistoria e guarda dos pavilhões e a realização de visitas íntimas e familiares. Agilizar o exame de corpo de delito nos casos de denúncia de violação à integridade física do preso. Criar condições para a absorção pelo sistema penitenciário dos presos condenados e recolhidos nos distritos policiais e cadeias públicas. ao esporte e à cultura. incluindo a sua integração à Previdência Social. Instituir a Ouvidorias nos Sistemas Penitenciários. Aperfeiçoar a formação e reciclagem dos diretores e agentes do sistema penitenciário. incentivando o cumprimento de penas nesse sistema e no regime aberto. ressalvadas apenas as restrições inerentes à sua condição. Procuradoria Geral do Estado. nos termos da Lei de Execução Penal e exigir visitas mensais de juízes e promotores para verificar as condições do sistema penitenciário. para agilizar a execução penal. Teatro nas Prisões e Oficinas Culturais. privilegiando parcerias com organizações não governamentais e universidades. a fim de permitir o monitoramento da relação entre número de vagas e número de presos no sistema.

erradicação do trabalho infantil. título de eleitor e certificado de alistamento militar (ou certificado de reservista ou de dispensa da incorporação). particularmente aqueles internados em unidades de ressocialização. tutela e adoção de crianças e adolescentes. orientação ou identidade sexual. em particular na educação. adotando normas que incentivem o cumprimento dos termos do artigo 7°. Manter e incrementar infra-estrutura para o adequado funcionamento dos Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente e incentivar a criação e funcionamento dos Conselhos Municipais de Direitos. Garantir orientação jurídica e assistência judiciária para famílias de adolescentes autores de ato infracional. Desenvolver programas permanentes de treinamento do servidor público. Criar programas de orientação jurídica e assistência judiciária para famílias de adolescentes autores de ato infracional.Promoção da Cidadania e Medidas contra a Discriminação Apoiar propostas legislativas coibindo todo tipo de discriminação. promotorias e delegacias especializadas em infrações penais envolvendo crianças e adolescentes. Incentivar a captação de recursos provados para os Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. teatro e artes plásticas. programas e campanhas de promoção da igualdade no trabalho. proteção do adolescente trabalhador. com base em diretrizes estaduais e nacionais. trabalho e meios de comunicação social. Conselhos Tutelares e Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. carteira de trabalho. tais como certidão de nascimento. para elaboração de diagnósticos e formulação de políticas. prostituição infanto-juvenil. sexo. priorizando os temas da violência. para reforçar e consolidar a proibição de práticas discriminatórias previstas na Constituição Federal. inciso XXXIII. Formular e implementar políticas. com base em origem. de acordo com os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente. Desenvolver oficinas culturais e cursos de música. Erradicar o trabalho infantil nos Estados e proteger os direitos do adolescente trabalhador. idade. Manter programas de capacitação de profissionais encarregados da execução da política de promoção e defesa de direitos da criança e do adolescente. . Instalar. da Constituição Federal. dirigidos para crianças e adolescentes. violência doméstica e uso indevido de drogas. raça. Ampliar programas de prevenção à gravidez precoce e de atendimento a adolescentes grávidas. no âmbito das Secretarias de Emprego e Relações do Trabalho. deficiência física ou mental e doenças e revogar normas discriminatórias na legislação infraconstitucional. por meio de parcerias entre organizações governamentais e da sociedade civil. etnia. programas e campanhas para eliminação da discriminação. convicção política. Crianças e Adolescentes Implementar campanhas de proteção e promoção dos direitos da criança e do adolescente. uma Câmara Permanente de Promoção da Igualdade. Desenvolver programa de capacitação técnico-profissional dirigido a adolescentes e jovens de 14 a 21 anos. envolvendo todos os municípios. órfãos ou abandonados. abuso e assédio sexual. saúde. prioritariamente para aqueles em situação de risco social. Elaborar plano estadual e incentivar a elaboração de planos municipais de proteção dos direitos da criança e do adolescente. Desenvolver programa de combate à exploração sexual infanto-juvenil. com o objetivo de dotar gratuitamente a população carente dos documentos básicos de cidadania. Criar canais de acesso direto e regular da população a informações e documentos governamentais. Incentivar programas de integração da criança e do adolescente à família e à comunidade e de guarda. Lançar campanhas estaduais. Apoiar a criação e funcionamento de varas. para habilitá-lo a tratar adequadamente a diversidade social e a identificar e combater práticas discriminatórias. Divulgar amplamente o Estatuto da Criança e do Adolescente nas escolas estaduais. credo religioso. carteira de identidade.

Incentivar a participação das mulheres na política e na administração pública em todos os níveis. por meio da formulação e implementação de leis e programas estaduais para proteção da mulher no mercado de trabalho. Mulheres Apoiar os Conselhos Estaduais da Condição Feminina e incentivar a criação de conselhos municipais de defesa dos direitos da mulher. por meio da adoção de ações afirmativas e programas para profissionalização. Apoiar a revogação de normas discriminatórias ainda existentes na legislação infraconstitucional. cultura. de acordo com as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. os dispositivos da Constituição Federal e a legislação infraconstitucional que tratam da discriminação racial. Manter programas de atendimento a crianças e adolescentes em situação de rua. em observância à Convenção Interamericana para Erradicar. inciso XX. por meio de parcerias entre os Governos Estaduais. Criar. Incrementar parcerias com organizações da sociedade civil. para formular a monitorar políticas e programas de governo para a defesa dos direitos da mulher. como creches. Priorizar programas que privilegiem a aplicação de medidas sócio-educativas não privativas de liberdade para adolescentes autores de ato infracional. Desenvolver ação integrada do Poder Executivo com o Poder Judiciário e Ministério Público. profissionalização e trabalho e resgate integral da cidadania. oferecendo condições de socialização. Assegurar a implementação da Lei 9. Manter programas sócio-educativos de atendimento à criança e ao adolescente em meio aberto. em apoio à família e à escola. manter e apoiar programas de combate à violência contra a mulher. com participação da comunidade. incluindo a questão do assédio sexual. Criar e manter programas de nutrição e prevenção à mortalidade de crianças e adolescentes. que protege as mulheres contra a discriminação em razão de gravidez. nas áreas urbana e rural. Prevenir e Combater a Violência Contra a Mulher. População Negra Promover o acesso da população negra ao mercado de trabalho e ao serviço público. centros de juventude. lazer. Apoiar o aperfeiçoamento de normas de prevenção da violência e discriminação contra a mulher. combate à violência contra a criança e o adolescente e atendimento aos autores de ato infracional. com atenção particular para a identificação e localização de crianças. Desenvolver pesquisas e divulgar informações sobre a violência e a discriminação contra a mulher e sobre as formas de proteção e promoção de seus direitos. os governos municipais e organizações da sociedade civil. com a participação dos conselhos estadual e municipais.029/95. Apoiar a regulamentação do artigo 7°. Estabelecer um sistema de monitoramento da situação da criança e do adolescente. Divulgar na esfera estadual os documentos internacionais de proteção dos direitos das mulheres ratificados pelo Brasil. Divulgar as convenções internacionais. priorizando as casasabrigo e os centros integrados de atendimento às mulheres vítimas ou sob risco de violência. Aprimorar o funcionamento e a expansão da rede de delegacias da mulher. treinamento e reciclagem dirigidos à população negra. educação. da Constituição Federal. aperfeiçoando o sistema de aplicação de medidas sócio-educativas aos adolescentes autores de ato infracional. Revogar normas discriminatórias ainda existentes na legislação infraconstitucional e aperfeiçoar . Reorganizar e regionalizar os estabelecimentos destinados à internação de adolescentes autores de ato infracional. em particular as do Código Civil brasileiro. adolescentes e familiares desaparecidos. reintegração à família.

respeitem os princípios da Convenção sobre Diversidade Biológica. Refugiados. . nos termos do artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. ambiental e cultural. Migrantes Brasileiros e Estrangeiros Apoiar o aperfeiçoamento da Lei de Estrangeiros. principalmente nos meios de comunicação e escolas. Apoiar as comunidades indígenas no desenvolvimento de projetos auto-sustentáveis do ponto de vista econômico. pesquisas e discussão dos problemas dos trabalhadores migrantes e suas famílias. com atenção à especificidade de cada povo. Apoiar políticas de proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas que. incluindo os direitos de trabalho. Incluir no currículo de 1° e 2° graus a história e a cultura da comunidade negra no Brasil. Desenvolver ações afirmativas para ampliar o acesso e a permanência da população negra na rede pública e particular de ensino. dando-lhes plenas condições de exercício dos seus direitos. Promover a divulgação de informações sobre os indígenas e seus direitos. em colaboração com o Governo Federal. saúde e moradia. Implementar a Convenção sobre a Eliminação da Discriminação Racial no Ensino. Desenvolver programas que assegurem a igualdade de oportunidade e tratamento nas políticas culturais dos Estados. Apoiar os serviços de orientação jurídica e assistência judiciária aos povos indígenas. particularmente na rede pública e privada de ensino. Mapear e promover os atos necessários ao tombamento de sítios e documentos de importância histórica para a comunidade negra. Desenvolver campanhas de combate à discriminação racial e valorização da pluralidade étnica no Brasil. social e politicamente. Apoiar propostas para anistiar e/ou regularizar a situação dos estrangeiros clandestinos e irregulares. ao mesmo tempo. Garantir aos povos indígenas educação escolar diferenciada. notadamente em cursos profissionalizantes e universidades. no que se refere ao fomento à produção cultural e à preservação da memória da comunidade negra no Brasil. Apoiar a ratificação da Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e suas Famílias. educação. de forma a garantir os direitos dos estrangeiros que vivem no Brasil. Aprofundar o debate sobre os direitos dos migrantes no Mercosul e apoiar acordos bilaterais para proteção e promoção dos direitos dos migrantes. como medida de combate à discriminação e à violência contra os povos indígenas e suas culturas. Garantir aos povos indígenas assistência de saúde por meio de programas diferenciados. Incluir o quesito "cor" em todos os sistemas de informação e registro sobre a população e banco de dados públicos. Apoiar estudos. bem como apoiar programas que propiciem o desenvolvimento econômico e social das comunidades. Apoiar a demarcação de terras das comunidades indígenas do Estado. respeitando seu universo sóciocultural. Promover a titulação definitiva das terras das comunidades remanescentes de quilombos. Colaborar com o Governo Federal na assistência emergencial às comunidades indígenas mais vulneráveis nos Estados. Desenvolver pesquisas e divulgar informações sobre violência e discriminação contra a população negra e sobre formas de proteção e promoção de seus direitos. Organizar levantamento da situação atual da saúde dos povos indígenas nos Estados e desenvolver ações emergenciais nesta área. Apoiar os serviços gratuitos de orientação jurídica e assistência judiciária aos refugiados e migrantes. Apoiar políticas que promovam a comunidade negra econômica.normas de combate à discriminação racial.

Incentivar a criação de cooperativas. para verificar as condições de funcionamento. Apoiar a criação e o fortalecimento de conselhos municipais e associações de defesa dos direitos do idoso. Apoiar a "Universidade para a Terceira Idade". educação. teatros. Apoiar programas de estudo e pesquisa sobre a situação dos idosos com vistas ao mapeamento da situação dos idosos nos Estados. Apoiar programas de capacitação de profissionais que trabalham com os idosos. Apoiar programas de assistência aos idosos visando sua integração à família e à sociedade e incentivando o atendimento no seu próprio ambiente. Garantir atendimento prioritário às pessoas idosas em todas as repartições públicas. Apoiar a formulação e implementação da Política Nacional do Idoso. Garantir o atendimento preferencial ao idoso no sistema público de saúde. com atividades físicas. Desenvolver e apoiar programas de escolarização e atividades laborativas para pessoas idosas. Formular e/ou apoiar normas relativas ao acesso do portador de deficiência ao mercado de trabalho e ao serviço público. Criar e incentivar programas de lazer e turismo para a população idosa. trabalho e serviço social e facilitar o acesso a serviços especializados e programas de complementação de renda. Apoiar programas de orientação de servidores públicos civis e militares no atendimento aos idosos. Garantir assistência preferencial médica e odontológica e fornecimento de remédios aos idosos carentes e internados em residências para idosos. microempresas e outras formas de geração de rendas para o idoso. Pugnar pela humanização dos asilos. Estudar formas de garantir moradia aos idosos desabrigados. Pessoas Portadoras de Deficiência Apoiar os Conselhos Estaduais para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência e incentivar a criação de conselhos municipais de defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência. bem como incentivar programas de educação e treinamento profissional que contribuam para a eliminação da discriminação. priorizar o atendimento à pessoa portadora de deficiência em sua residência e em serviços comuns de saúde. Facilitar o acesso das pessoas idosas a cinemas. Apoiar programas de preparo das pessoas idosas para a aposentadoria. Criar incentivos para a aquisição e adaptação de equipamentos que permitam o trabalho dos . Criar e incentivar a criação de núcleos de atendimento-dia à terceira idade. e a outros espaços de lazer público. para garantir aos cidadãos com mais de 60 anos as condições necessárias para o pleno exercício dos direitos de cidadania. laborativas. Apoiar a criação e o funcionamento de centros de convivência para pessoas idosas. recreativas e associativas. Formular Políticas Estaduais do Idoso. Criar programas especiais de aluguel social para idosos de baixa renda. Implementar políticas e programas de proteção dos direitos das pessoas portadoras de deficiência e sua integração plena à vida familiar e comunitária. ou que moram de forma precária e não têm condições de pagar aluguel. Incentivar a modificação dos degraus dos ônibus para facilitar o acesso das pessoas idosas. em conformidade com a Política Nacional. Conceder passe livre e precedência de acesso aos idosos em todos os sistemas de transporte público urbano e interurbano. de eliminação da discriminação nos locais de trabalho e de inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. inclusive promovendo visitas regulares dos Conselho Estaduais do Idoso às residências para idosos. Criar e incentivar projetos de assistência e de qualificação profissional e fixação territorial da população migrante.

Apoiar programas de estudo e pesquisa sobre a situação das pessoas portadoras de deficiência para mapeamento da sua situação nos Estados. para atuar na formulação. Adotar medidas para coibir a discriminação com base em orientação e identidade sexual dentro do serviço público. implementação. Assegurar a ampla divulgação e distribuição dos Programas Estaduais de Direitos Humanos nos Estados. travestis e profissionais do sexo. por meio da regularização do trabalho abrigado. lésbicas. Implementar políticas que contribuam para a melhoria do atendimento aos portadores de deficiência mental. governos municipais e organizações da sociedade civil. Estabelecer acordos entre os Governos Estaduais. a eliminação de todas as formas de discriminação. para formação e capacitação de agentes da cidadania. Assegurar aos portadores de deficiência oportunidades de educação em ambientes inclusivos. Incentivar a formação de parcerias entre os Estados e a sociedade na formulação. divulgação da legislação sobre os seus direitos. por todos os meios de difusão. Publicar guia de serviços públicos estaduais voltados à pessoa portadora de deficiência. Apoiar programas de lazer. Implementação e Monitoramento de Políticas de Direitos Humanos Acompanhar e apoiar as prefeituras municipais no cumprimento das obrigações mínimas de proteção e promoção dos direitos humanos. esporte e turismo. Apoiar programas de coleta e divulgação de informações junto a organizações governamentais e da sociedade civil sobre a questão da homossexualidade e transexualidade e da violência e discriminação contra gays. monitoramento e avaliação de políticas e programas de direitos humanos. Elaborar indicadores básicos para monitoramento e avaliação de políticas de direitos humanos e da . implementação e monitoramento de políticas de direitos humanos e em particular do PEDH. Apoiar o funcionamento da Comissão de Direitos Humanos das Assembléias Legislativas. voltados à pessoa portadora de deficiência.050/94) por todos os órgãos públicos responsáveis pela elaboração e aprovação de projetos de obras. garantindo a observância das normas técnicas de acessibilidade (ABNT 9. • Incentivar a elaboração de programas municipais de direitos humanos. documentação e comunicação social. Pugnar pelo julgamento e punição dos autores de crimes motivados por discriminação centrada na orientação ou identidade sexual. Apoiar a criação e o funcionamento de comissões de direitos humanos nas câmaras municipais.portadores de deficiência física. Apoiar a criação e o funcionamento de conselhos municipais de defesa dos direitos humanos e de defesa da cidadania. Garantir atendimento prioritário ao portador de deficiência em todos os serviços públicos. artísticos e culturais. Homossexuais e Transexuais Apoiar campanha pela inserção na Constituição Federal e na Constituição Estadual de dispositivo proibindo expressamente a discriminação por orientação e identidade sexual. Promover campanha educativa para a integração da pessoa portadora de deficiência à sociedade. Facilitar o acesso de pessoas portadora de deficiência aos serviços de informação. Desenvolver programas de remoção de barreiras físicas que impeçam ou dificultem a locomoção das pessoas portadoras de deficiências. Apoiar a criação e funcionamento de casas abrigo para adolescentes expulsos da família por sua orientação ou identidade sexual. estímulo ao trabalho em meio aberto e construção de moradias devidamente equipadas e com pessoal capacitado. Apoiar o funcionamento dos Conselhos Estaduais de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e dos Conselhos Estaduais de Defesa da Cidadania.

já que a dogmática jurídica se caracteriza pela historicidade. O conceito de Direitos Humanos é muito amplo. além da difusão de sua regulação por meio de mecanismos internacionais. enquanto produto de ação da coletividade humana. portanto. moral. economia. É longa a caminhada empreendida pela humanidade para o reconhecimento e estabelecimento da dignidade da pessoa humana. pergunta-se qual o fundamento desses direitos e qual a sua fonte justificativa? Os teóricos se dividem em duas posições antagônicas. tendo sempre em mente esta Declaração. Divulgar anualmente as iniciativas dos Governos do Estados no cumprimento dos Programa Estaduais de Direitos Humanos. advindas da sociedade. pois são meras expectativas de conduta. que lhe concede eficácia. Elaborar indicadores básicos para monitoramento e avaliação de políticas de segurança pública e de funcionamento do Poder Judiciário e do Ministério Público. se esforcem. A Declaração Universal dos Direitos Humanos. Fernando Sorondo. como os Tratados e Convenções . e "este sistema de valores. etnia. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. Se a Ordem Jurídica nada pode fazer para assegurar o cumprimento desses preceitos. apesar das inúmeras diferenças biológicas e culturais que os distinguem entre si. Por conseguinte. através da criação de novos mecanismos para garanti-los. acompanha e reflete sua constante evolução e acolhe o clamor de justiça dos povos. descobrir a verdade e criar a beleza". Atualmente. não se discute. porém. visando ao mais completo entendimento da matéria.qualidade de programas/projetos relativos aos direitos humanos. afirma a inexistência de um direito absoluto para esses "direitos". apresentada por Norberto Bobbio. além de um profundo conhecimento jurídico. há o reconhecimento de que toda pessoa tem direitos fundamentais. em promover o respeito a esses direitos e liberdades e. Possui. É. como bem ressaltava Hans Kelsen. cultura. meras expressões de boas intenções que orientam a ação para um futuro indeterminado. Não se pode dar. já muito trabalhadas pela Teoria Geral do Direito: o Positivismo e o Jusnaturalismo. de forma a inserilos nas Constituições Estatais. um fundamento eterno para algo que necessariamente sofrerá modificações. Mas o que são esses direitos? Quais seus fundamentos? Como surgiram? Para onde se dirigem? Perguntas como estas não são facilmente respondidas. através do ensino e da educação. como únicos entes no mundo capazes de amar. há uma tendência a "positivação" dos direitos humanos. Um preceito só pode ser considerado jurídico quando nele estiver presente o caráter repressivo. A primeira. aprovada em resolução da Ill Seção Ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas proclama: "A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. na linguagem filosófica. Inicialmente. ele pode ser considerado sob dois aspectos: "constituindo um ideal comum para todos os povos e para todas as nações. em assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos. A doutrina apresenta distintos posicionamentos e ideologias que devem ser observados. Fábio Konder Comparato. género. tanto entre os povos dos próprios Estados-membros quanto entre os povos dos territórios sob a sua jurisdição. "é o princípio moral de que o ser humano deve ser tratado como um fim e nunca como um meio". necessitam de uma ampla análise históricofilosófica. grupo religioso ou nação – pode afirmar-se superior aos demais". eles não podem ser denominados "direito". um toque de passado e uma projeção de futuro. ao mesmo tempo. sendo o Direito passível de constantes modificações. Em razão desse reconhecimento universal. conclui: "ninguém – nenhum indivíduo. O tema dos direitos humanos é de crescente relevância na caracterização da mentalidade jurídica do século XXI. De acordo com o Prof. um direito essencial. decorrendo daí a imprescindibilidade da sua proteção para preservação da dignidade humana. Atualmente. Esta Declaração avalia vários aspectos dos relacionamentos humanos. A PESSOA HUMANA E SUA DIGNIDADE A dignidade humana. Para o Prof. que se alteram dia após dia. classe social. incerto. os Direitos Humanos possuem uma dimensão histórica". "todos os seres humanos. assim. seria então um sistema de valores". merecem igual respeito. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade.

capazes de assegurar a característica essencial do homem. Dessa forma. Diz o Prof. cor. e põem a descoberto os condicionamentos econômicos. devem ser sempre seguidos. CF/88. em seu artigo 1. Imprescribilidade: eles não sofrem alterações com o decurso do tempo. opinião política ou de outra natureza. Com isso. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade". A pessoa é a mesma em todos os lugares e. Não cabe ao particular dispor dos direitos conforme a própria vontade. é na pessoa humana que o Direito encontra o seu valor. sempre. tanto no campo estatal como no campo supra-estatal. amparado por doutrinadores como Dalmo de Abreu Dallari e Fábio Konder Comparato. a sua dignidade. sexo. religião. Inviolabilidade: esses direitos não podem ser descumpridos por nenhuma pessoa ou autoridade. pois. 2. sociais e políticos que impedem sua completa realização". assegurados ao indivíduo através da regulamentação e aplicação desses direitos. A boa doutrina ressalta algumas características próprias desses direitos. independente de credo.°) e garante a todos eles os mesmos direitos. 1. o cumprimento das necessidades inseridas em sua condição de pessoa humana. inciso Ill. Ressalta-se o artigo 1.Internacionais de Direitos Humanos. nascimento ou qualquer outra condição (art. raça. o conjunto de condições. sexo. O direito não existe sem o homem e é nele que se fundamenta todo e qualquer direito. convicções. ressalta a Pessoa Humana como o fundamento absoluto. restando a este apenas "declará-lo". esses direitos não são criados pelos homens ou pelos Estados. que afirma ser fundamento da República Federativa do Brasil a "dignidade humana". já se pode falar num conceito positivo de "direitos humanos. Diz.0. não havendo hierarquia entre eles. . devendo ser resguardada e cultivada por estes. Complementaridade: os direitos humanos devem ser interpretados em conjunto. pois têm caráter eterno. garantias e comportamentos. cor. Sorondo: "Os Direitos Humanos julgam a ordem vigente. a Declaração Universal dos Direitos do Homem: "Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. "A Declaração afirma que todos os homens nascem livres e iguais em dignidade (art. sendo: Universalidade: todo e qualquer ser humano é sujeito ativo desses direitos. de forma a conceder a todos. eles são preexistentes ao Direito.0. nacionalidade. de forma justa e solidária. deve ser tratada igualmente. atemporal e global desses direitos. considerando as diversidades culturais. sem distinção de raça. nunca constituí-los. que seriam os "direitos fundamentais". Ressalta-se a dignidade inerente a todo e qualquer ser humano como a razão máxima do Direito e da Sociedade. uma união dessas duas teorias na caracterização moderna dos direitos humanos. O Jusnaturalismo.°. são um formador de opinião pública nos mais diversos confins do planeta. Os direitos humanos seriam. Indisponibilidade: esses direitos não podem ser renunciados. língua. assim. Há. I)".

O Rei mandava em tudo e tinha um grande poder. percebendo assim. A Burguesia ficava cada vez mais rica e independente. cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro para fora) na Ágora (praça pública. Iluminismo (Revolução Filosófica). No sentido ateniense do termo. entra a Idade Contemporânea (séc. Cidadania é a participação de todos . em uma grande crise. trata-se do mais avançado processo que a humanidade já conheceu. Os países formados após o desaparecimento dos feudos foram em conseqüência da união de dois grupos: o Rei e a Burguesia. foram realizadas cinco grandes revoluções burguesas: Revolução Industrial. o rei construía exércitos cada vez mais fortes. e os servos que habitavam os feudos não podiam participar de nada. eram cidadãos. crianças. Revolução Inglesa. Entra a 3a era (Idade Moderna . Apenas homens (de maior) e proprietários de terras (desde que não fossem estrangeiros). porém. surgiram na Europa.séc XV ao XVIII d. onde somente 10% da população determinava os destinos de toda a Cidade (eram excluídos os escravos. entrando assim. XVIII até os dias de hoje). Dentro desta concepção surge a democracia grega. de ingressar com uma ação popular etc. surge o processo de exploração e dominação do capital. já que mulheres. pois os proprietários dos feudos passaram a mandar em tudo.C). estrangeiros e escravos não eram considerados cidadãos. V até XV d. que é uma grande característica do modelo atual. Diminuindo assim a idéia de cidadania. A idéia de cidadania se acaba. V d. e que tem seu correlato grego na palavra politikos – aquele que habita na cidade.C. cidadão deriva da palavra civita. A idéia de cidadania surgiu na Idade Antiga. Com o fim do Absolutismo. a Burguesia ficava cada vez mais rica e era ela quem dava apoio econômico aos Reis (através dos impostos).CIDADANIA: NOÇÃO. Revolução Francesa (A maior de todas). após a Roma conquistar a Grécia (séc. A burguesia precisava do povo e o convencia de que todos estavam contra o Rei e lutando pela igualdade. Para acabar com o Absolutismo (poder total do Rei). as primeiras constituições (Estado feito a serviço da Burguesia). vendo o Rei como um perigo e um obstáculo ao seu progresso. pois ele usava o poder para "sacaneála". Os feudos se decompõem. o Rei começou a atrapalhar a Burguesia.séc. o Estado de Direito. A principal característica do Estado de Direito é: "Todos tem direitos iguais perante a constituição". além de dar apoio político à Burguesia. se expandindo para o resto da Europa. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. surgindo assim.). mulheres e artesãos). Todas essas cinco revoluções tinham o mesmo objetivo: tirar o Rei do poder. uma grande mudança no conceito de cidadania. Com o tempo. que em latim significa cidade. os feudos (ou fortalezas particulares). terminaram-se as invasões Bárbaras. Independência dos Estados Unidos. Com todo esse dinheiro nas mãos. Acontece a grande contradição: cidadania X capitalismo. Após a Idade Média. surgindo um novo tipo de Estado. formando cidades e depois países (Os Estados Nacionais). por outro lado. graças aos impostos que recebia. Direito de Cidadania = Prerrogativa que tem o indivíduo de participar da tomada de decisão política do Estado (exemplos: direito de votar. No sentido etimológico da palavra. Na Idade Média (2a era . Em conseqüência dessa união. onde se agonizava para deliberar sobre decisões de comum acordo).).C. SIGNIFICDO E HISTÓRIA Direitos e deveres da cidadania. de participar de plebiscito. Por um lado.). terminando-se também os feudos.

Os direitos que temos não nos foram conferidos. pois novos desafios na vida social surgirão. a grande maioria não pode ter muito dinheiro. a «engolir sapos". ser capitalista é ser um grande empresário (por exemplo). ela é construída e conquistada a partir da nossa capacidade de organização. Damos passos importantes com o processo de redemocratização e a Constituição de 1988. Mas. O homem que consome satisfaz as necessidades que outros impõem como necessárias para sua sobrevivência. Começaram a ocorrer greves (pressão) contra os capitalistas por parte dos trabalhadores. a cidadania não nos é dada. ou a sociologia? Quem estuda o comportamento do individuo ? Seria a Filosofia. Quem estuda o comportamento da pessoa ? Seria a Filosofia. a ética. A cidadania é tarefa que não termina.em busca de benefícios sociais e igualdade. na vida social e pública. a achar "normal" as injustiças. a pensar que direitos são privilégios e exigi-los é ser boçal e metido. Para mudar essas idéias. A cidadania é algo que não se aprende com os livros. Da função de político.. o homem passa para a função de consumidor. faça valer os seus direitos. Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. estamos gestando a nossa cidadania. a ecologia. Se todos fossem capitalistas. muito temos que andar. a dizer sempre "sim senhor. as pessoas devem criar seus próprios conceitos e a escola aparece como um fator fundamental. mas conquistados. de trabalho e Consumo. apresento e pronto. O homem tornar-se Ser O Ser Humano tornar-se Humano nas relações de indivíduo quando convívio social. que visavam uma vida melhor e sem exploração no trabalho. com a coisa pública e o próprio meio ambiente. pois não existiriam mais operários (por exemplo). Muitas vezes compreendemos os direitos como uma concessão. ficarão só no papel. demandando novas conquistas e. participação e intervenção social. a história. do outro e do mundo. Contudo. ou seja. Ainda predomina uma visão reducionista da cidadania (votar. esses serão letra morta. a termos um "jeitinho' para tudo. sempre estaremos buscando. No Brasil. Quem estuda o comportamento do Ser Humano? Seria a antropologia. a democracia. o que é alimentado de forma acentuada pela mídia. O Ser Humano O Ser Indivíduo O Ser Pessoa O Ser Cidadão A Dimensão do convívio A dimensão do mercado A Dimensão de encontrar. Mas a sociedade capitalista se alimenta da pobreza. A cidadania não surge do nada como um toque de mágica. Enquanto seres inacabados que somos. mais cidadania. acostumados a apanhar calados. A cidadania não é como um dever de casa. Vejamos neste quadro sintético como se processa a "evolução" do Ser Humano até o Ser Cidadão. descobrindo. ninguém mais ia trabalhar. a sociologia ou a Psicologia? O Indivíduo torna-se A pessoa torna-se pessoa quanto toma cidadão quando intervém consciência de si mesmo. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada. na realidade em que vive. seja ativo. mas com a convivência. a Filosofia ou As ciências políticas? . acabou. os direitos humanos. e de forma obrigatória. nem tão pouco a simples conquista legal de alguns direitos significa a realização destes direitos. através das relações que estabelecemos com os outros. Isso se mantém até os dias de hoje (idéia de consumo). afinal.. Simplesmente porque existe o Código do Consumidor. criando e tomando consciência mais ampla dos direitos. se no mundo.A dimensão de intervir na social. No capitalismo. a sociologia ou a Psicologia? Quem estuda o comportamento do cidadão? Seria a Sociologia. a não levar a sério a coisa pública. descobre seu papel e função social. a pensar que Deus é brasileiro e se as coisas estão como estão é por vontade Dele. o capitalismo acabaria. fazer coisas que nos são impostas) e encontramos muitas barreiras culturais e históricas para a vivência da cidadania. E necessário que o cidadão participe. A cidadania deve ser perpassada por temáticas como a solidariedade. um favor de quem está em cima para os que estão em baixo. automaticamente deixarão de existir os desrespeitos aos direitos do consumidor ou então estes direitos se tornarão efetivos? Não! Se o cidadão não se apropriar desses direitos fazendo-os valer. Nunca poderemos chegar e entregar a tarefa pronta. portanto. onde faço a minha parte. E no convívio do dia-adia que exercitamos a nossa cidadania. pagar os impostos. realidade.

respeitar os mais velhos (assim como todas às outras pessoas). a ética na política.Resolver problemas pessoais e os da comunidade formando e participando de associações civis de moradores. à segurança e à propriedade. Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade para melhorar suas vidas e a de outras pessoas. minorias e deficientes. Sartre) negamos tal natureza. desculpe. homossexuais. que é a omissão dos governantes em assegurar condições legais para o efetivo cumprimento das leis. Seguindo a corrente existencialista (J. especialmente os preconceitos contra mulheres. raça. fazendo valer os direitos constitucionais e denunciando a pior violência. à igualdade. saber dizer obrigado. a reforma do sistema eleitoral e partidário para tornar o voto um direito de cidadania e compatibilizar a democracia representativa tradicional com os modernos mecanismos de democracia direta e participativa. 5 . afirmamos que existe a uma natureza humana. de proteção às pessoas. Ser cidadão é nunca se esquecer das pessoas que mais necessitam. violência. Que diferença existe entre o direito do consumidor e o direito do cidadão? Ao Consumidor deve ser dado o direito de propriedade enquanto ao cidadão deve ser dado o direito de acesso Quem garante os Direitos da pessoa? A própria pessoa (amor próprio ou auto-estima). apoiando aqueles que procuram meios eficientes de assegurar a segurança pública sem desrespeitar os direitos humanos fundamentais. votando e fiscalizando candidatos e partidos comprometidos com o interesse público. Sobretudo da parte de elites colonizadas que pregam e incentivam. usuários de serviços e contribuintes. idade.P. há modificação de comportamento. de preservação do meio ambiente e de amigos do patrimônio cultural. respeitar os sinais e placas. 4 . por favor e bom dia quando necessário. à liberdade individual e de expressão. 6 .Lutar contra toda sorte de violência e manifestação de preconceito contra os direitos culturais e de identidade étnica do povo. . Existe realmente uma natureza humana? Teologicamente.Combater a violência da injustiça.Combater toda forma de discriminação de origem. do adolescente e do idoso. à dignidade.. exploração. O que significa tornar-se Como podemos intervir pessoa no nível na realidade.Respeitar os direitos da criança. sexo. crueldade e opressão. a eliminação do clientelismo e corporativismo.. favorecendo a impunidade que estimula o mau exemplo da prática generalizada de delitos.Quem garante os direitos Quem garante os Direitos do Ser Humano? A do Consumidor? O Declaração Universal do Código do Consumidor. deficientes físicos e pobres. A cidadania deve ser divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação. Direitos Humanos. A cada direito violado corresponde uma ação que possa e se deve empreender para obrigar o estado a fazer justiça. A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua. não destruir telefones públicos. sempre visando travar uma luta coletiva como forma mais eficaz de exigir dos governantes o cumprimento de seus deveres para com a coletividade. denunciando aos órgãos públicos competentes e entidades não governamentais toda forma de negligência. 3 . discriminação. cor. até saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas. sobre qualquer forma que seja.Participar da vida política da comunidade e do país. apoiando entidades não governamentais que lutam pelos direitos de cidadania dos discriminados. negros. a redução das desigualdades sociais e regionais. modificando psicológico e social? A as estruturas corruptas e injustas? Quando os pessoa é o indivíduo que toma consciência direitos do cidadão lhe de si mesmo ("Tornar-se são oferecidos.Buscar soluções coletivas para combater toda forma de violência. bem como de associações de eleitores. como a garantia à vida. o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso país." DIREITOS E DEVERES DO CIDADÃO 1 . 7 . e o Pessoa" de Karl Roger) mesmo passa a exercêlo. o sentimento de inferioridade e a baixa auto-estima de povo. 2 . "A revolta é o último dos direitos a que deve um povo livre para garantir os interesses coletivos: mas é também o mais imperioso dos deveres impostos aos cidadãos. Quem garante os Direitos do cidadão? (A Constituição e suas leis regulamentares). não pichar os muros. consumidores.

Tem de denunciar aos órgãos de combate aos crimes financeiros do Ministério da Justiça. Tem de constranger quem joga e propor a implantação de coletas seletivas e de reciclagem em seu condomínio. e da proteção ao meio ambiente. 10 – Não basta não votar e divulgar os nomes dos políticos que traíram a sua confiança. Os 10 Compromissos do Cidadão Atuante 1 . 9 . Tem de denunciar na corregedoria policial para que este mal não se prolifere.Não basta se recusar a comprar ingressos de cambistas. 5 .Não basta não consumir drogas. 3 . Tem de denunciar os pontos e os agentes do tráfico que aliciam menores para o consumo.Não basta ao cidadão atuante se recusar a subornar um agente da lei. mas ajudar todos aqueles que foram enganados a exercer maior controle sobre os mandatos e o desempenho de todos os políticos. acionando o Ministério Público toda vez que tais princípios forem violados. 9 . Tem de denunciar a conivência de bilheteiros com cambistas para os administradores culturais. do respeito aos contratos. cumprindo e fazendo cumprir os códigos civis coletivos e servindo de exemplo de conduta pacífica.Não basta conduzir seu veículo dentro das regras do trânsito. pesquisando preços para não pagar mais caro.Fiscalizar as execuções orçamentárias e combater a sonegação de impostos. da propriedade.Não basta não jogar lixo nas ruas.Não basta não negociar ou fazer vista grossa a enriquecidos ilícitos e repentinos.Lutar pela concretização de uma ordem econômica democrática e justa. exigindo a aplicação dos princípios universais da liberdade de iniciativa. 6 . estadual e municipal.Não basta não corromper fiscais. Tem de controlar a boa aplicação dos orçamentos públicos da educação e da assistência social dos governos federal. através de uma reforma tributária que permita exigir sempre a nota fiscal de todos os produtos e serviços.Não basta exigir notas fiscais. e fortalecendo as associações de contribuintes e de defesa de consumidores. Tem de colaborar com os agentes de trânsito e constranger os que assim não o fazem. 4 . cobrando a cooperação de todos. Tem de denunciar ao Ministério Público e à mídia que é a única maneira de se livrer em definitivo da chantagem dos mesmos. .Não basta não dar esmolas. da livre concorrência contra monopólios e cartéis.8 . 10 . 8 . da defesa do consumidor por meio do cumprimento do Código de Defesa do Consumidor. bem como apoiando e participando de iniciativas que lutam pela transparência na elaboração e aplicação do orçamento público.Pautar a liberdade pela justiça. 2 . 7 . Tem de colaborar com o combate a pirataria e ao contrabando denunciando lotes de mercadorias suspeitas à polícia federal.

As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância. práticas sociais. SIGNIFICADO E VALORES Democracia vem da palavra grega "demos" que significa povo. e liberdade de organizar. convicção religiosa. mas verdadeiras competições pelo apoio do povo. não é uma outra via para a opressão. As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião. As minorias — seja devido à sua origem étnica. julgamento justo e igual proteção legal. Nas palavras de Mahatma Gandhi. As democracias reconhecem que chegar a um consenso requer compromisso e que isto nem sempre é realizável. Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana. na cultura e nos valores como um desafio que pode reforçar e enriquecê-los e não como uma ameaça. consciências individuais e atividades religiosas é uma de suas tarefas principais. abertas a todos os cidadãos. Mas as democracias reconhecem que a diversidade pode ser uma vantagem enorme. nível de renda ou simplesmente por ter perdido as eleições ou o debate político — desfrutam de direitos humanos fundamentais garantidos que nenhum governo e nenhuma maioria. certos princípios e práticas distinguem o governo democrático de outras formas de governo. Feito isto. As democracias entendem que proteger os direitos das minorias para apoiar a identidade cultural. As democracias protegem de governos centrais muito poderosos e fazem a descentralização do governo a nível regional e local. os princípios da maioria e a proteção dos direitos individuais e das minorias podem parecer contraditórios. por seu lado. As eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais se escondem ditadores ou um partido único. Superficialmente. também nenhuma maioria. têm o dever de participar no sistema político que. discordar e participar plenamente na vida pública da sua sociedade. A aceitação de grupos étnicos e culturais. Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias. Na realidade. Nas democracias. Tratam estas diferenças na identidade. refletindo a vida política. entendendo que o governo local deve ser tão acessível e receptivo às pessoas quanto possível. é a institucionalização da liberdade. é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo. A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que todos os cidadãos recebam a mesma proteção legal e que os seus direitos sejam protegidos pelo sistema judiciário. Todas as democracias. A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. social e cultural de cada país. pode ser um dos maiores desafios que um governo democrático tem que enfrentar. Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos. eleita ou não. "a intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático". diretamente ou através dos seus representantes livremente eleitos. que parecem estranhos e mesmo esquisitos para a maioria. As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas. mesmo numa democracia. Entre os direitos humanos fundamentais que qualquer governo democrático deve proteger estão a liberdade de expressão. protege os seus direitos e as suas liberdades. embora respeitem a vontade da maioria. podem tirar. As minorias devem acreditar que o governo vai proteger os seus direitos e a sua identidade própria. deve tirar os direitos e as liberdades fundamentais de um grupo minoritário ou de um indivíduo. . protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias.DEMOCRACIA: NOÇÃO. estes princípios são pilares gêmeos que sustêm a mesma base daquilo que designamos por governo democrático. Governo da maioria é um meio para organizar o governo e decidir sobre assuntos públicos. da cooperação e do compromisso. denunciar. Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos. econômica e cultural da sociedade. e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política. contudo. o direito a proteção legal igual. a liberdade de religião e de crença. localização geográfica. As democracias são diversificadas. esses grupos podem participar e contribuir para as instituições democráticas do seu país. Assim como um grupo auto-nomeado não tem o direito de oprimir os outros. As democracias baseiam-se em princípios fundamentais e não em práticas uniformes.

sem entrar em pormenores. Limitar-nos-emos a indicar esses princípios. dotada de supremacia. No Estado Democrático de Direito. Estado Democrático de Direito significa que nenhum indivíduo. ditadores. ensinamentos religiosos e étnicos e tradições e práticas culturais. porque estas são as suas próprias regras e regulamentos. que exprime. do abuso ou da tortura e reduz enormemente a tentação da polícia de empregar tais medidas. os juizes devem ter uma formação sólida. presidente ou cidadão comum. a lei deve preservar certas cláusulas para proteger os direitos e liberdades dos cidadãos: No âmbito do requisito de proteção igual pela lei. Se forem condenados. b) princípio democrático que. e que seja a garantia geral da vigência e eficácia dos direitos fundamentais (art. o Presidencialismo. a lei não pode ser aplicável unicamente a um indivíduo ou grupo. pluralista. independentes e imparciais. os recursos e o prestígio para responsabilizar membros do governo e altos funcionários perante as leis e os regulamentos da nação. que. bem como à oportunidade de confrontar e questionar seus acusadores. os juizes devem estar empenhados nos princípios da democracia. . como regime de governo. estatutos e regulamentos. foi evidenciar "que se pretende um país governado e administrado por poderes legitimados. há de constituir uma democracia representativa e participativa. não podem ser sujeitos a castigo cruel ou excepcional. Essa denominação do princípio da legalidade em sentido genérico e um dos objetivos fundamentais de nossa Constituição. está acima da lei. ser profissionais. nos termos da Constituição. Estado Democrático de Direito: noção e significado. líderes religiosos ou partidos políticos auto-nomeados.Pode não haver uma resposta única a como são resolvidas as diferenças das minorias em termos de opiniões e valores — apenas a certeza de que só através do processo democrático de tolerância. A justiça é melhor alcançada quando as leis são criadas pelas próprias pessoas que devem obedecê-las. A intenção do legislador constituinte (mens legislatoris). não os caprichos de reis. Os cidadãos nas democracias estão dispostos a obedecer às leis da sua sociedade. Os cidadãos não podem ser forçados a testemunhar contra si mesmos. debate e disposição para negociar é que as sociedades livres podem chegar a acordos que abranjam os pilares gêmeos do governo da maioria e dos direitos das minorias. que o Estado Democrático de Direito se funda na legitimidade de uma Constituição rígida.10). As leis da democracia podem ter muitas origens: constituições escritas. Os cidadãos devem estar protegidos da prisão arbitrária. um sistema de tribunais fortes e independentes deve ter o poder e a autoridade. Os Princípios do Estado Democrático de Direito brasileiro. em primeiro lugar. Os governos democráticos exercem a autoridade por meio da lei e estão eles próprios sujeitos aos constrangimentos impostos pela lei. Estado Democrático de Direito brasileiro: fundamentos e objetivos. As leis devem expressar a vontade do povo. Os cidadãos acusados de crime têm direito a um julgamento rápido e público. vincule todos os poderes e os atos deles provenientes. Nela se afirma que o Brasil é um Estado democrático tendo. no primeiro artigo de nossa Carta política. submissos à lei e obedientes aos princípios democráticos fundamentais". Por esta razão. Este princípio protege os cidadãos da coerção. Independentemente da origem. A Carta Magna da República Federativa do Brasil de 05/10/1988 é denominada "Constituição Cidadã". então. ao cunhar a expressão "Estado Democrático de Direito". emanada da vontade popular. militares. da busca sem razão em suas casas ou da apreensão de seus bens pessoais. com as garantias de atuação livre da jurisdição constitucional. Para cumprirem o papel necessário no sistema legal e no político. São os seguintes: a) princípio da constitucionalidade.

Não sendo o poder social exercido a favor do povo por desconhecimento dos instrumentos de participação popular garantidos em lei. Apesar dessa classificação. sem imaginar os seus poderes de legitimador e participante ativo do poder público. 50. 14 da Constituição Federal. social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa. são quiçá conhecidos por poucos. a separação dos poderes é o fundamento do Estado Constitucional Democrático de Direito. Seus princípios. e inciso 1). d) princípio da justiça social. conforme disposto no art. h) princípio da segurança jurídica (art. do Legislativo. referido no art. com igual valor para todos. Têm-se todos os dispositivos necessários (mecanismos de participação popular) para realizá-la. se o povo não consegue externar as suas necessidades? O povo brasileiro. embora não avance significativamente rumo à democracia econômica. 20) e da independência do juiz (art. como o faz a Constituição portuguesa. 14. pois. o sufrágio universal. no art. com escopo de salvaguardar o exercício dos direitos individuais e coletivos. do Executivo e do Judiciário. miséria etc. de nossa Constituição Federal. XXXV a LXXII). que estão garantidos na Constituição. incisos 1 a 111. g) princípio da legalidade (art. a nossa Carta Magna é casuística. para atingir o bem comum.eleição dos seus representantes na Assembléia Nacional Constituinte – ou pela democracia representativa – mandato político. regras e valores ora destacados na Carta Constitucional brasileira de 1988 temos que o poder está estruturado na independência e harmonia entre si. sociais e culturais (Títs. como dissemos. também. no qual cada um dos integrantes dos três poderes (Legislativo. fruto do desejo e intenção constituinte de estabelecer funções diferenciadas. II). no artigo 14. Podemos dizer que a intenção do legislador. foi a de procurar estender os direitos a todos os cidadãos brasileiros sem nenhuma distinção. e) princípio da igualdade (art. uma lacuna na classificação de Estado Democrático de Direito. conjugando princípios por vezes aparentemente contrapostos. sendo evidente colocar o problema de estabelecimento dos meios para que o povo externe a sua vontade. O sufrágio é o direito concedido aos cidadãos para a escolha dos seus representantes e está assegurado pelo artigo 1o. como o direito ao sufrágio. II. caput. não se sabendo se o que está sendo decidido atende realmente a vontade popular. não é fácil de se alcançar o nível de entendimento pelo povo brasileiro do processo de legitimação de poder. mas abre-se ela. 95). em relação à formação política.170. Analisando os princípios. A separação dos poderes tornou-se um princípio essencial de legitimação do Estado brasileiro. 193. para a realização da democracia social e cultural. Segundo Dalmo Dallari. No Brasil. verificamos a presença dos mecanismos de participação popular nas decisões políticas: pela democracia semi-direta. plebiscito. ao elaborar a Constituição Federal. como princípio da ordem econômica e da ordem social. parágrafo único de nossa Constituição. porque não há uma ação política participativa do povo brasileiro na formação da sociedade. a eleição de um representante para realizar os ideais pretendidos pelos cidadãos. aprendeu que o voto é uma obrigação do cidadão. coletivos. Mas a verdade é que. ou seja. através da representatividade". Mas a vontade popular nem sempre é acatada pelos representantes eleitos. A separação dos poderes é uma garantia extraordinária que foi alçada à dimensão constitucional. Como sanar essas carências sociais. a Constituição não prometeu a transição para o socialismo mediante a realização da democracia econômica. Suas características estão descritas no art. Há. Executivo e Judiciário) deve observar sua função frente a um propósito social. VII e VIII). 50. na prática. quando deveria ser uma afirmação de sua vontade. Assim. . haverá sérias conseqüências sociais tais como fome. incisos I a III: o voto direto e secreto. referendo e iniciativa popular . f) princípio da divisão de poderes (art.c) sistema de direitos fundamentais individuais. caput. 50. Então como verificar se a todos os brasileiros está sendo dispensado o mesmo tratamento? Como saber se o bem comum atinge a todos os níveis sociais indistintamente? O povo exerce o seu direito ao voto como uma obrigação. "O Estado Democrático é aquele em que o próprio povo governa.

No art. Mas. 2°. O ideal para a garantia do processo democrático seria a conscientização política do povo. raça. que o ato de escolha do cidadão pode não resultar na escolha de um representante que atenda a seus ideais. com idade superior a 21 anos que tivessem certo nível de renda.93. Sem esse direito político. cultura etc. essa afirmação pressupõe um ato de escolha. desde a sua proclamação em 15 de novembro de 1889.Esses representantes têm seu mandato por determinado tempo. a sociedade pretende a prática do exercício de suas vontades. Cumpre ressaltar que. que foi objeto de antecipação pela Emenda Constitucional n° 2. voto e eleição. Assim. 18. No Brasil. da CF. conforme art. como já dito anteriormente. § 20. A Democracia participativa brasileira Um exemplo concreto da democracia participativa brasileira está no art. 49. Cabe salientar que poucas pessoas exercitam conscientemente esse direito como identificar a autenticidade do processo eleitoral. para se efetivar a vontade do povo. foram necessárias várias manifestações populares para firmar-se o direito de escolha dos representantes no parlamento brasileiro. § 3°) e de novos Municípios (art. Para que o processo democrático e o sistema eleitoral sejam eficazes na estruturação desse . de acordo com o disposto no art. com o golpe militar. capaz de firmar todos os seus anseios. O sufrágio é o direito da escolha. 61. 14. esse direito foi negado à população. Isso implica. nesse período. realmente. porque determinar o fim social não é apenas traçá-lo num pedaço de papel. pois objetiva a diminuição das diferenças sociais e a garantia dos direitos fundamentais a todos. Tinham como justificativa a necessidade de preservar a segurança nacional. familiarizando-o com os dispositivos estabelecidos em lei. A evolução do processo democrático brasileiro foi influenciada por vários fatores históricos da nossa República. concedendo-lhes. 14 da Constituição dispõe sobre esses mecanismos. indistintamente. art. Até chegarmos à Constituição de 1988. já que os representantes escolhidos pelo povo fizeram o desgaste econômico. 18. neste momento. surgem. O art. com a finalidade de garantir e estender as condições de igualdade a todo povo brasileiro. está escrito que compete somente ao Congresso Nacional a convocação para plebiscitos. § 3° da Constituição Federal. um objeto conscientemente estabelecido. afirmando que o seu poder social é peça fundamental para a estruturação de melhorias das condições de qualidade de vida. Em nossa Carta Magna estão estabelecidas as formas de participação do povo na tomada de decisões no governo. § 4°). configurando. A Constituição prevê expressamente a exigência de plebiscito para criação de novos Estados (art. Faz-se necessária a diferenciação entre sufrágio. o voto só poderia ser exercido por homens. o voto ainda não era estendido a todas as classes sociais. No preâmbulo da Constituição Federal. A definição de Estado Democrático de Direito está correlacionada à expressão de "governo do povo". cabendo ao cidadão o poder de iniciativa política.09. o povo elege o seu representante no governo. caput. Por isso. Vai além de qualquer definição escrita. o voto é o ato que assegura o sufrágio. No início do período republicano. assim.92. inciso XV.8. sem distinção de cor. com a finalidade de fazer prevalecer a vontade popular. cabendo a um pequeno grupo formado por representantes da Assembléia Nacional Constituinte exercê-lo pelo povo. inciso III. sendo garantido a todos os cidadãos o direito de participar. de 25. a eleição é o processo dessa escolha. 14. o direito de apresentar projeto de lei à Câmara dos Deputados. a representação democrática é semi-direta. a participação do povo no processo democrático é importante. político e social do país. tendo-se realizado em 21. a iniciativa popular. ou seja.04. estão confirmadas as intenções dos legisladores em estabelecer um Estado Democrático de Direito. do Ato das Disposições Transitórias de nossa Constituição de 1988. a sua importância e sua finalidade. com data para o dia 07. a igualdade de todos. 5o. além do exercício do voto. entre os seus princípios. não estaria configurado o processo democrático que prevê. Em 1964. Finalidade Social Quando se afirma que há uma finalidade a atingir. conforme as condições de elegibilidade estabelecidas no art. os instrumentos legais do processo de legitimação do poder. caput.93". em que se previu "a realização de plebiscito para definir a forma e o sistema de governo.

que é a garantia do bem comum. que no prazo de 10 dias deverá aprová-lo (art. Dessa forma. Qualquer prisão por crime contra o Estado deverá ser imediatamente comunicada pelo executor da medida ao juiz competente (controle jurisdicional concomitante).° do art. podendo avaliar-se os seus reflexos. efetuada sem ordem judicial. que não depende de prévia autorização do Congresso Nacional. É uma exceção ao disposto nos incs. I e II do § 1. o Congresso será convocado para se reunir em cinco dias. Se estiver em recesso. principalmente o direito à educação. deve constar o tempo de duração da medida (não superior a 30 dias. sentindo-se o povo responsável em fazer parte desse processo de mudança no país. mas se a maior parte dos objetivos estabelecidos em nossa Carta Magna fossem cumpridos. a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades da natureza de grandes proporções. por exemplo. quais das medidas restritivas previstas nos inc. . os representantes eleitos pelo povo poderão atingir o objetivo democrático. o Presidente da República pode decretar o estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer. os direitos sejam respeitados e. em locais restritos e determinados. salvo hipótese de autorização do Poder Judiciário. permanecendo em funcionamento durante todo o período do estado de defesa. A democracia só existe se houver garantias da participação de todos. A previsão deixa claro que nas hipóteses de estado de defesa é constitucional a prisão. Rejeitado o decreto. É vedada a incomunicabilidade do preso. os projetos sejam efetuados. DO ESTADO DE DEFESA Ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional (órgãos meramente consultivos). teríamos cidadãos mais participativos no governo. se esta for cumprida. haveria análise aprofundada das questões que mais afetam a sociedade e. do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação. Pode parecer utópico.Estado. assim com está definido em nosso art. da Constituição Federal) ou rejeitá-lo (art. O voto não significa que os representantes eleitos legislarão de forma a estabelecer as diretrizes e decisões que sejam justas e estendidas a todos. principalmente. que. ou vota-se ou perde-se o salário do mês. 136 da Constituição Federal serão adotadas. IV. sem distinção. com o trabalho conjunto de povo e governo. no caso de o empregado não apresentar o comprovante de votação ao setor de recursos humanos de sua empresa. ainda que não em flagrante. as propostas políticas apresentadas pelos representantes poderão ser convertidas em melhorias nas áreas política. não poderá exceder a 10 dias. social e econômica do país. 5° em seu caput. prévio pedido de autorização). conforme está estabelecido em nossa Constituição Federal. Confirmar a decisão da maioria é a garantia do processo democrático e. É facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial. Se a população tivesse conhecimento sobre política. LIV e LXI do art. tendo como contrapartida a perda de algum direito. sempre por maioria absoluta (voto da maioria dos membros). 136. seria mais fácil e justa a tomada de decisões. portanto. Em 24 horas. a sua funcionalidade prática e seu controle para as devidas correções. Conclusão O Estado Moderno necessário é aquele em que a democracia prevaleça. inc. cessa de imediato o estado de defesa. 5. a área que a medida atinge e. haja uma articulação entre o governo e o povo. prorrogável uma vez por igual período). será acompanhada de declaração. Do decreto presidencial. o decreto deve ser encaminhado com a respectiva justificativa ao Congresso Nacional (não há.° da Constituição Federal. A comunicação da prisão. A verdade é que se tem a idéia de que votar é uma obrigação. Defesa do Estado e das Instituições Democráticas: Segurança Pública. que a relaxará se for ilegal. a participação popular é fundamental para a constituição de seus princípios. já que nesse período convive-se dentro de um critério de legalidade extraordinária estabelecido pela própria Constituição. Organização da Segurança Pública. e qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus. 49. nos limites da lei. § 4°). feita pela autoridade competente.

IV. a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. na hipótese de calamidade pública. Comentário: Dever de indenizar: a responsabilidade da União é condicionada à efetiva existência de dano a reparar. podendo ser prorrogado uma vez. ainda que exercida no seio das associações. Insuficiência da medida: caso não se atinja os objetivos da medida. Comentário: Conselhos: a intervenção dos Conselhos da República e de Defesa Nacional é opinativa. por mais trinta dias.Na vigência do estado de defesa: . admitida apenas uma única prorrogação. Nesses casos. Segundo Moacyr Amaral dos Santos. 90 e 91. sem o que perderá imediatamente a validade. Sem que se verifique a necessidade real. informadas pelos princípios da necessidade e da temporariedade têm por objeto as situações de crises e por finalidade a mantença ou o restabelecimento da normalidade constitucional. qualquer das medidas de exceção é golpe de estado. especificará as áreas a serem abrangidas e indicará. a legalidade normal é substituída por uma legalidade extraordinária. Sem que se verifique a temporariedade. se persistirem as razões que justificaram a sua decretação. § 3º . § 1º . tal sistema é o conjunto ordenado de normas constitucionais que.Segundo o texto Constitucional ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO SEÇÃO I DO ESTADO DE DEFESA Comentário: Sistema constitucional de crises: sob este Título V. na forma do art.O Presidente da República pode.restrições aos direitos de: a) reunião.ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos. 84. Art. II . em locais restritos e determinados. respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. o ato deverá ser aprovado pelo Congresso Nacional. Caráter preventivo: a aptidão da decretação do estado de defesa para preservar a ordem pública ou a paz social atribui a esse instituto característica preventiva. 137. por igual período. poderá ser decretado estado de sítio. ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer. as medidas coercitivas a vigorarem. c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica. na forma do art.O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração. Comentário: Tempo de duração: o estado de defesa não poderar durar mais de trinta dias na primeira decretação. está o chamado sistema constitucional de crises. 49. qualquer das medidas de exceção é ditadura. 136 . nos termos e limites da lei. § 2º . I . I. na forma dos arts. Sujeição ao Congresso: após a declaração do estado de defesa. Regionalização: a aptidão do estado de defesa é nitidamente regional. na forma do art. dentre as seguintes: Comentário: Decreto: é de competência privativa do Presidente da República.O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias. IX. b) sigilo de correspondência.

em face do que consta no § 7º. III . submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional. Instrumento: o Congresso Nacional. o Presidente da República. será por este comunicada imediatamente ao juiz competente. decidirá pro decreto legislativo. DO ESTADO DE SÍTIO Ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional (órgãos meramente consultivos). na forma do art. § 5º . O pedido de autorização ou de prorrogação do estado de sítio deve ser acompanhado da respectiva exposição dos motivos.I . para cuja aprovaçãoé necessária. Comentário: Não apreciação no prazo: será entendida como aprovação da medida. o . cessa imediatamente o estado de defesa.49. Comentário: Ato: o ato é o decreto executivo de execução da medida. Depois de publicado o decreto. § 7º . é atribuição do Presidente do Congresso Nacional. E o denominado estado de sítio defensivo. salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário. que a relaxará. na forma do art. na forma do art. que decidirá por maioria absoluta. excepcionalmente.Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação.a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias. dentro de vinte e quatro horas. IV . as normas necessárias à sua execução e as garantias e direitos constitucionais que ficarão suspensos. Comentário: Convocação extraordinária: na forma do art.Rejeitado o decreto. Comentário: Acompanhamento legislativo: a execução de todas as medidas relativas ao estado de defesa é encargo do Congresso Nacional.O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento. extraordinariamente. do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação. § 6º . I. no prazo de cinco dias. devendo continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. será convocado. Comentário: Persistência da medida: a não-cessação efetiva e imediata da medida expõe o Presidente da República a processo de impeachment. 140. O decreto de estado de sítio indicará a sua duração. prorrogável cada vez por igual período). decidindo o Congresso por maioria absoluta.a prisão por crime contra o Estado.a comunicação será acompanhada de declaração. 2) Declaração de estado de guerra ou resposta à agressão armada estrangeira (pode perdurar por todo o tempo da guerra ou da agressão armada estrangeira). pela autoridade. se não for legal. 85. IV. § 4º . que para isso comporá comissão especial mista temporária. facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial.é vedada a incomunicabilidade do preso. determinada pelo executor da medida. LUIZ ALBERTO DAVID ARAÚJO e VIDAL SERRANO NUNES JUNIOR denominam essa hipótese de estado de sítio repressivo. pode o Presidente da República solicitar (há um controle político prévio) ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: 1) Comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia da medida tomada durante o estado de defesa (prazo de 30 dias. maioria absoluta. 57.Se o Congresso Nacional estiver em recesso. II . § 6º.

A qualquer tempo. O estado de defesa e o estado de sítio estão sujeitos a um controle político concomitante – uma comissão composta por cinco parlamentares (designados pela mesa do Congresso Nacional após ser dada oportunidade de manifestação aos líderes partidários) acompanhará e fiscalizará a execução das medidas.. IV.Presidente da República indicará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. Segundo o texto Constitucional SEÇÃO II DO ESTADO DE SÍTIO Art. I . devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta. inc. na forma dos arts. terá a duração do estado de guerra ou agressão estrangeira. II . O estado de sítio decretado com base no inc. 141 da Constituição Federal. Parágrafo único . é competência do Congresso Nacional.declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 139 da própria Constituição Federal. 137 . que deverá autorizar ou não a medida. o Congresso Nacional. que é essencialmente política. relatará os motivos determinantes do pedido. 138. que serão analisados à luz das restrições autorizadas pela própria Constituição Federal (à luz da legalidade extraordinária). § 1°. pois os executores e os agentes das medidas excepcionais poderão ser responsabilizados pelos ilícitos (principalmente excessos) eventualmente cometidos. I do art.O Presidente da República pode. nos termos do art. pode suspender o estado de defesa ou o estado de sítio (art. . Não cabe ao Poder Judiciário analisar a conveniência ou a oportunidade da medida. por este fundamento. Comentário: Duração: nos termos do mesmo art. 137. Comentário: Repercussão nacional: a locução revela a aptidão nacional da medida de sítio. 90 e 91. sobretudo. solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: Comentário: Conselhos: a intervenção dos conselhos da República e de Defesa Nacional é opinativa. em tese. da Constituição Federal). 49. 49. ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. nos termos do art. O estado de sítio decretado com base no inc. a medida. II do art. 140 da Constituição Federal – e a um controle político posterior – na apreciação do relatório que será encaminhado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional logo que cesse a medida. Gravidade: o primeiro juízo sobre a gravidade da comoção é do Presidente da República. Após. admite a suspensão de qualquer direito ou garantia constitucional. por intermédio do habeas corpus e do mandado de segurança. 137 da Constituição Federal só autoriza a imposição das medidas específicas no art. desde que prevista na autorização do Congresso Nacional. O controle jurisdicional concomitante se faz. Comentário: Ação congressual: a deliberação do Congresso Nacional é prévia à decretação.comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa. que o formaliza com o pedido de autorização para a decretação. IV. na forma do art. O controle jurisdicional posterior é o mesmo previsto para o estado de defesa e para o estado de sítio. Instrumento: o veículo da decretação do estado de sítio é o decreto executivo. o Presidente a decretará. Se autorizada.O Presidente da República. que permanece em funcionamento enquanto perdurar a medida de exceção. ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorrogação.

restrições relativas à inviolabilidade da correspondência. Comentário: Direito fundamental: este direito está garantido pelo art. na forma da lei. não cabendo habeas corpus. e. . XVI. Comentário: Prazos: o prazo do estado de sítio é de trinta dias. exceto no caso de guerra ou agressão armada estrangeira.Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. aprovado por maioria absoluta.Solicitada autorização para decretar o estado de sítio durante o recesso parlamentar. 140.O estado de sítio. é atribuição do Presidente do Congresso Nacional.Veículo: o Congresso Nacional veiculará a autorização por decreto legislativo. IV . no caso do art. não de comissão representativa nem da comissão de que trata o art. § 1º . 137. I. 5o. o Presidente da República designará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. III . Comentário: Convocação extraordinária: na forma do art. não poderá ser decretado por mais de trinta dias. principalmente.O Congresso Nacional permanecerá em funcionamento até o término das medidas coercitivas. 5o. por prazo superior. a fim de apreciar o ato. 139 . prorrogáveis tantas vezes quantas se façam necessárias. as normas necessárias a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas. IX. Comentário: Direitos fundamentais: estas garantias estão asseguradas no art.detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns. 137. Art. o Presidente do Senado Federal. poderá ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira. no do inciso II. XII e XIV. em sessão conjunta.57. por exemplo. Comentário: Edifícios: tais edifícios seriam. II . só poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas: I . Comentário: Funcionamento: a prescrição exige o funcionamento do Congresso Nacional. § 3º . I. nem prorrogado. § 6º. § 2º . radiodifusão e televisão. caso em que terá a duração desse evento. I.O decreto do estado de sítio indicará sua duração.obrigação de permanência em localidade determinada. ao sigilo das comunicações. à prestação de informações e à liberdade de imprensa. os quartéis. Art. 138 .suspensão da liberdade de reunião. depois de publicado. convocará extraordinariamente o Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias. de imediato. de cada vez. Comentário: Locomoção: é essa medida fortemente restritiva do direito de locomoção. Comentário: Decreto: é decreto executivo de execução.

V .busca e apreensão em domicílio.intervenção nas empresas de serviços públicos.Não se inclui nas restrições do inciso III a difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados em suas Casas Legislativas. XXV. mas é de se observar a possibilidade de ação censória da Mesa da Casa respectiva. mesmo em empresas . 5o. Comentário: Extensão: a locução constitucional permite a intervenção concessionárias. regulado pelo inciso XI do mesmo artigo. Comentário: Inviolabilidade: esta prescrição está em consonância com a inviolabilidade parlamentar por opiniões.requisição de bens. 5º. VI . assegurada pelo inciso X do art. Parágrafo único . desde que liberada pela respectiva Mesa. bem como ao ingresso em residência. Comentário: Requisição administrativa: a requisição administrativa está prevista no art. permissionárias e autorizatárias de serviços públicos. palavras ou votos. Comentário: Domicílio: a restrição configura restrição ao direito à intimidade e à vida privada. VII .

5º . ou Princípio da Isonomia.Todos são iguais perante a lei. em outras palavras: o direito é o que se protege. Ou. os direitos sociais. Os direitos fundamentais classificam-se em: Direitos de primeira geração: são os direitos civis e políticos.Os Direitos Humanos fundamentais na vigente Constituição da República: direitos à vida e à preservação da integridade física e moral (honra. e a Declaração Universal dos Direitos do Homem. às biociências. à liberdade. exercem a função de defesa do cidadão sob dupla perspectiva: a) no plano jurídico-político. São direitos do indivíduo perante o Estado. à liberdade em todas as suas formas. à eutanásia. segundo nota Luiz Alberto David Araújo. Assim. implicam o poder de exercer positivamente os direitos fundamentais (liberdade positiva). como os direitos sociais das minorias e os relativos à informática. por exemplo. sem distinção de qualquer natureza. Direitos de terceira geração: são direitos coletivos. e compreendem as liberdades clássicas (liberdade. b) no plano jurídico-subjetivo. dentre outros. do Código de Processo Civil foi. . Não significa ele que todas as pessoas terão tratamento absolutamente igual pelas leis brasileiras. propriedade. a Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia. e as garantias. aos softwares. inconstitucional. imagem. Direitos de quarta geração: são os direitos que surgem e se consolidam ao final do milênio. de que o verdadeiro conteúdo do princípio é o direito da pessoa de não ser desigualada pela lei. a nacionalidade e os direitos políticos. o que leva à conclusão. a proibição de inscrição a indivíduos do sexo masculino se justifica. disposições assecuratórias. com Celso Bastos. de 1215. os direitos fundamentais. A garantia é o mecanismo criado pela Constituição para defender o direito. à sucessão de filhos gerados por inseminação artificial. nome. proibindo-os de atentarem contra a esfera individual da pessoa. Na lição de Canotilho. I. ou seja. então. O que a Constituição exige é que as diferenciações impostas sejam justificáveis pelos objetivos que se pretende atingir pela lei. o bem da vida guardado pela Constituição. em geral. Os direitos fundamentais têm. aos alimentos transgênicos. segundo o qual "todos são iguais perante a lei". à clonagem. como ao meio ambiente. por isso. à igualdade. TÍTULO II DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Comentário: A primeira abordagem técnica. 5° é o Princípio da Igualdade Formal. 125. Processualmente. à qualidade de vida saudável. a não ser que o cargo seja de atendente ou carcereira de uma penitenciária de mulheres. vida. a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. aplicar o princípio da igualdade significa que o juiz deverá dar tratamento idêntico às partes. Para ele. O art. quando. os direitos seriam disposições declaratórias. segurança). nos termos seguintes: Comentário: A principal disposição do caput deste art. funcionam como normas de competência negativa para os Poderes Públicos. como a Magna Carta Libertatum. da infância e da juventude. à igualdade. mas que terão tratamento diferenciado na medida das suas diferenças. à segurança e à propriedade. à paz. a explorar a diferença entre direito e garantia foi realizada por Rui Barbosa. e importantes documentos são encontráveis na análise da sua evolução. à autodeterminação dos povos e a defesa do consumidor. tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. sociais e culturais. um caráter histórico. São os que exigem uma prestação do Estado em relação ao indivíduo. à propriedade e à segurança. de 1776. integralmente recepcionado. de 1789. e de exigir omissões dos poderes públicos. Direitos de segunda geração: são os direitos econômicos. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. no direito brasileiro. de 1948. diferençar homem e mulher num concurso público será. Art. intimidade e vida privada).

4°. o princípio da isonomia deve merecer atenção tanto do elaborador da lei (Legislativo ou Executivo) quanto do julgador e do intérprete.Ainda. revela na submissão de determinada matéria ao regulamento por lei. física ou psíquica. Com essa lei de 1997 passou a ter definição legal. art. a locução "estrangeiros residentes" deve ser interpretada no sentido de abranger todo e qualquer estrangeiro. XXXII e XXXIV).homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. finalmente. art. Comentário: Como já visto. A palavra "ninguém" abrange qualquer pessoa. proteger a dignidade da pessoa contra atos que poderiam atentar contra ela. A importância deste inciso é. Na verdade. art. porque a parte final informa que ela será nos termos da Constituição. é capaz de criar a alguma pessoa obrigação de fazer ou não fazer alguma coisa. a identificação precisa da matéria que. Além disso. dentre outras coisas. até então não existentes no Direito brasileiro. XXXI. Qualquer lei que contenha diferenciação de ordem sexual e que seja posterior à Constituição será inconstitucional. III. de 7/4/97. Sempre haverá. por qualquer meio. É de se ressaltar a existência de uma nítida diferença entre o princípio da legalidade e o princípio da reserva legal. 2° deste art. O princípio da legalidade impõe a submissão à lei e admite duas leituras: a de que somente a lei pode obrigar. nas relações do trabalho (CF. Este é o sentido do dispositivo. brasileiro ou estrangeiro. E. Lei. a qual será revogada por não-recepção. como por exemplo nos arts. é todo comando genérico e abstrato aprovado pelo Legislativo que inova o ordenamento jurídico. no que se constitui num dever da pessoa. e somente ela. e nada mais. contudo. A Lei n° 9.455.ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. Ainda. está o dever de preservar a integridade de pessoa de outras nacionalidades que estejam no Brasil. II . 19. porque o Princípio da Isonomia garante isso. Em síntese. como em relações internacionais (CF. . mas é uma igualdade relativa. Na Constituição aparece sob as formas "nos termos da lei" ou "na forma da lei". XXX. assim. diz o artigo). nos termos desta Constituição. 5° garante o respeito. nada disso pode criar uma obrigação a alguém se não estiver fundamentada numa lei onde tal obrigação seja prevista. diminui a condição de pessoa humana e sua dignidade. XX. efetivamente. art. como no caso de uma prova de esforço físico entre candidatos homens e mulheres. neles. faz isso. tanto que o STF concedeu habeas corpus a um policial militar paulista que estava preso sob a alegação de ter "torturado" um preso. resoluções. no determinado dispositivo constitucional. e a segunda é a de que uma vez que exista a lei. portarias. mediante o emprego de violência ou grave ameaça. de direitos oriundos de "tratados internacionais" e. regularmente votada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo Poder Executivo. I). a distinção de ordem sexual é aceita pela Constituição quando a finalidade pretendida for reduzir desigualdade. 37. nesse caso. constituindo-se. As únicas diferenças entre os dois sexos são as expressamente ditas no texto constitucional. veio definir. aplicado. O constituinte consagra da isonomia em diversas passagens.ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Tratamento desumano é aquele que se tem por contrário à condição de pessoa humana. expressamente ("sem distinção de qualquer natureza". obrigando. III). Tratamento degradante é aquele que. este inciso visa. no Brasil. a de impedir a vigência de qualquer lei anterior à Constituição. está sendo submetida à lei. por exemplo). qual seja o constrangimento a alguém. mais estrito. o que implica dizer que a Constituição. e 40. os crimes de tortura. poderá impor tratamento diferençado entre os dois sexos. o que é absurdo. V). na administração pública (CF. ocasião em que o Supremo reconheceu a inexistência do crime de tortura. vale a pena notar que uma interpretação literal do artigo conduziria ao entendimento de que o estrangeiro não-residente no Brasil (um turista ou um empresário. que estabeleça uma diferença entre homens e mulheres. III . segundo o qual apenas uma lei. não expressamente repetida na própria Constituição. poderia ser morto ou assaltado à vontade. Comentário: Este inciso impõe uma igualação entre homens e mulheres. Comentário: Neste inciso está o importantíssimo Princípio da Legalidade. na organização política (CF. 7°. não absoluta. proibição ou permissão. o par. 7°. I . o seu cumprimento é obrigatório. Já o princípio da reserva legal. Decretos. Tortura é sofrimento psíquico ou físico imposto a uma pessoa. em garantia da pessoa contra os excessos do Poder Público. instruções. causando-lhe sofrimento físico ou mental. nessa linha.

Consciência e crença são diferentes. Essa proporcionalidade deve ser observada no meio e no modo. desde que respeitem os direitos de outras pessoas e as leis. em si. além da indenização por dano material. é. como Paulo José da Costa Junior. Em outras palavras. Além disso. o que pensa a respeito de qualquer coisa. ressalte-se que o pensamento. e a melhor doutrina entende que não há qualquer limitação de ordem formal à livre manifestação do pensamento. VI . moral ou à imagem. à maneira como ela aparece e é vista por outras pessoas). 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem. a liberdade ilimitada da palavra e da imprensa. ou seja.IV . V . a resposta deverá ser verbal e pessoal. o de ter livre o exercício do culto religioso pelo qual tenha optado. mal ou bem. proporcional ao agravo. da maneira como quiser.é livre a manifestação do pensamento. Os adeptos de ritos satânicos também estão protegidos pelo dispositivo. Finalmente. o eventual prejudicado poderá usar o próximo inciso. Comentário: Este inciso trata de três direitos: o de ter liberdade de consciência e de crença (que não são a mesma coisa). entendem que. . o que significa dizer que podem ser pedidas na mesma ação e somadas para o pagamento final. A única exigência da Constituição é de que a pessoa que exerce esse direito se identifique. sem expor-se a uma repressão ou a uma responsabilidade qualquer. sendo vedado o anonimato. no local em que quiser. moral (à intimidade da pessoa. bastando que se sinta ofendido) e à imagem (dano produzido contra a pessoa em suas relações externas. e somente ela própria ouviu a ofensa. a livre manifestação de idéias deverá ser delimitada pela veracidade e. é o direito de resposta proporcional à ofensa. Os direitos do atingido são dados em duas linhas. por qualquer forma e meio. Apenas a sua manifestação o é. bem como áreas de restrição a barulhos. para impedir que ele seja fonte de leviandade ou que seja usado de maneira irresponsável. também pelo interesse público. a autorização de tudo dizer e de tudo publicar. porque trata-se de um direito individual. É importante reproduzir a análise de Chassan. poderão exercer os seus ritos sob proteção constitucional. como proximidades de hospitais. se a ofensa foi por escrito. pela ação cível própria. que impõe o respeito à opinião. A segunda linha de defesa do ofendido ocorre através do pedido de indenização em juízo. como o pacifismo e o naturismo (nudismo). e o valor exigência. por exemplo. neste inciso. uma consciência livre pode optar por não ter crença nenhuma. através de agressão física. o V.é assegurado o direito de resposta. Estes também estão protegidos pela Constituição. devendo ser observadas as leis sobre repouso noturno e horários de silêncio. no plano da imprensa. por exemplo. na forma da lei. isto é. de quem quiser. é o direito de uma pessoa dizer o que quer.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. para defenderse. no plano lógico. e não. e o de ter os locais onde esses cultos são realizados protegidos contra agressões de quem quer que seja. a qual saberá contra quem agir graças à proibição de anonimato. por escrito deverá ser a resposta. independentemente de ter a ofensa sido conhecida por qualquer outra pessoa. O sentido da liberdade de opinião é duplo: o valor da indiferença impõe que a opinião não deve ser tomada em consideração. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. A primeira. comentando a Constituição dos Estados Unidos. se a pessoa foi atingida verbalmente. como no caso dos ateus e agnósticos. O livre exercício dos cultos não é amplo. e. porque. Esse direito vem do art. As indenizações pedidas pelas três linhas são acumuláveis. Assim. não é tutelado nem pela Constituição nem pelo Direito. Comentário: Se no inciso anterior falava-se do direito daquela pessoa que quer manifestar seu pensamento sobre qualquer coisa. Sabendo quem é o autor do pensamento manifestado. porém uma absurdidade que não pode existir na legislação de nenhum povo civilizado". para quem "de resto. não uma utopia. cuida-se de proteger a pessoa eventualmente atingida por aquela manifestação. não. porque a primeira é uma orientação filosófica. Os danos indenizáveis são o material (representado pelos danos causados e pelos lucros não obtidos por causa da ofensa). sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. escrita ou transmitida pela televisão. Comentário: A liberdade de manifestação do pensamento é o direito que a pessoa tem de exprimir. além do que. Alguns. aqui. por exemplo. também é de crença que se trata.

a vida privada. será punido com a privação de direitos. na forma da lei. 21. e ele é pacifista (convicção filosófica). científica e de comunicação. O direito à escusa de consciência não está limitado simplesmente ao serviço militar. Por exemplo e para ficar mais claro: todo jovem na idade de 18 anos é obrigado a prestar serviço militar (obrigação legal a todos imposta). contudo. e não proibindo.A proteção aos locais de cultos impede que os adeptos de determinada religião ou crença hostilizem os de outra.é livre a expressão da atividade intelectual. textos em jornais e dos próprios jornais.é assegurada. o jovem não poderá ser obrigado a alistar-se. VIII . Distrito Federal e Municípios tenham qualquer envolvimento com religiões ou seus representantes. Por estarem em locais de onde o acesso a seus templos e sacerdotes não é livre. amparo material ou financeiro do Estado para isso. recusar-se a cumprir uma obrigação fixada como alternativa ao não querer cumprir aquela. sob qualquer argumento. salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa. a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. até porque no inciso V. Todavia. aqui. a honra e a imagem das pessoas. Comentário: Pessoas que estiverem nessas entidades de internação coletiva civis (como hospitais. Cuida-se. salvo exceções especiais. artística. pois a regra constitucional é a da liberdade de expressão. Comentário: A regra geral é de que não poderá ocorrer a privação de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. fixada em lei. pintura. o que a sua religião não permite. já que não podem ir até os locais onde está a sua religião. nos termos da lei. pois a vida é divina (convicção religiosa). artes plásticas. e ele é marxista convicto (convicção política). músicas. podendo abranger outras obrigações. acima. fixada em lei. ou que a Aeronáutica é uma força militar de um país capitalista. Se se recusar a essa prestação alternativa. alternativa ao serviço militar. dentre outros. XVI). e também não poderá ser punido por isso. X . ou que a Marinha é um instrumento de guerra. fica garantida a inviolabilidade de consciência. O máximo que a Constituição permite é a classificação para efeito indicativo (art. Não poderá haver. terão direito de receber a assistência religiosa onde estiverem. peças de teatro. como o alistamento eleitoral. já defendidas pelo inciso IV deste artigo. Mas será obrigado a prestar uma outra obrigação. são claras manifestações inconstitucionais de censura prévia. recusar-se a cumprir obrigação legal a todos imposta e. poesia. presídios e asilos) e militares (como os quartéis) podem querer praticar seus cultos ou crenças para engrandecimento espiritual. Essa assistência religiosa será prestada à conta da própria religião ou do interessado. também. por exemplo. VII . independentemente de censura ou licença. Comentário: . dispor sobre a maneira como se fará essa proteção. I. há possibilidade de ocorrer a privação de direitos se a pessoa. por exemplo. livros e revistas. livros. quando a expressão do pensamento assume forma de teatro. música. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. e não poderia haver punição de qualquer tipo para a pessoa que exerce um direito constitucional. Estados. porque o art. sendo o Poder Público obrigado a permitir que isso aconteça. e esta não é uma delas. aí sim. baseada em uma das liberdades citadas. e. até porque acabamos de ver. de formas de manifestação do pensamento. acima. aconselhando sobre isso. Comentário: Não pode mais o Poder Público controlar a produção de filmes. proíbe que a União. poderá recusar-se a alistar-se alegando que o Exército usa armas e que armas são instrumentos para tirar a vida de pessoas. Expressamente se diz que não poderá haver censura ou licença.ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política.são invioláveis a intimidade. Por qualquer desses argumentos. o voto e a participação em tribunal do júri IX . As proibições que se têm visto sobre músicas e livros. Incumbirá ao Poder Público (polícia). a que público e idade é adequado tal filme. 19. mas ela terá por objeto informar aos pais ou responsável. todavia. que a Constituição dá direito à liberdade de consciência e de crença.

Como não há uma definição de "dia" para efeitos penais. e. dentro do qual existe um menor. honra é a dignidade pessoal refletida na consideração alheia e no sentimento da própria pessoa. Luiz Alberto David Araújo ilustra o tema como sendo a vida social um grande círculo. em qualquer lugar onde se encontre. por fotografia. logo depois. por ser variável do direito à imagem. por estarem em lugar público. Por isso. Para Hubmann. Em todos os casos. que veremos agora. Os direitos referentes à primeira servem de proteção da personalidade dentro da vida pública. durante o dia. ou pela filmagem de uma pessoa muito bonita. desenho. ou. protegem a inviolabilidade da personalidade dentro de seu retiro. não ao proprietário. a que título a pessoa está morando no local. Também não se cogita dessa proteção quando da divulgação da foto de um criminoso. quando procurado. queda de árvore sobre a casa. estão renunciando. XI . excessivamente destacada. Finalmente. Comentário: A casa é o lugar onde a pessoa que nela mora tem total proteção à sua intimidade e vida privada. Imagem é a figura física e material da pessoa. como também está. perceba que a proteção é dada ao morador. Uma se refere à produção gráfica da pessoa (retrato. qualquer pessoa pode entrar nessa casa. onde dia é o período que vai das 6h às 20h (até dezembro de 1994 era das 6h às 18h). o da intimidade. de barraca de camping e barracos até mansões e. Vale lembrar que qualquer pessoa pode prender quem quer que se encontre numa das quatro situações de flagrante delito. mais subjetiva e mais profunda do ser humano. como estádios de futebol ou ruas. seus problemas. com as suas concepções pessoais. Não fosse assim. a não ser em alguns casos. em alguns casos. não podem pedir indenização. o homem vive com personalidade em duas esferas: uma esfera individual e uma esfera privada. como a casa onde mora. quando acabou de ser cometido. naquele momento. e na lição de Adriano De Cupis. Honra é um atributo pessoal da pessoa. para ilustrar um lançamento imobiliário. seus desvios. os locais de trabalho). suas taras. psicopata ou louco. porque. Poderiam ser violadas. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. a consciência da própria dignidade pessoal. seus gostos. os atingidos teriam direito à indenização. para prestação de socorro (como no caso de um acidente envolvendo o morador). e em cujo interior existe um outro círculo. como políticos. com objetos ou instrumento que façam presumir ser aquela pessoa o autor do crime). Uma casa pode ser penetrada a qualquer momento. logo após o crime. vale informar que esse período de "dia" é para o ingresso na casa. nem contra ele. para esses fins. talvez. Ambos estão protegidos pela Constituição. que acontece em lugares onde a pessoa esteja ou se sinta protegida da interferência de estranhos. com seu consentimento. filmagem). por exemplo. é adotada a definição do Direito Civil. qualquer pessoa tem.a casa é asilo inviolável do indivíduo. bom nome e boa fama. ainda mais restrito e impenetrável. que se somam: o interesse de que a intimidade não venha a sofrer agressões e o de que não venha a ser divulgada. não para permanência nela. pois ela significa a esfera mais íntima. E quando o criminoso for encontrado. ou em lugares públicos. à preservação de sua imagem. além do sentimento íntimo. numa praia. não só pessoal mas também por pintura. uma parte do corpo facilmente identificável e atribuível a determinada pessoa. Pessoas com imagem pública. pela publicação de um livro sobre a vida de alguém (violaria intimidade e vida privada. por televisão. se filmadas ou fotografadas não individualmente. pelo que um oficial de justiça . O direito à imagem possui duas variações. terremoto) e em flagrante delito (em todos os quatro casos que o Código Penal prevê: quando o crime está sendo cometido. por charge ou por reprodução de partes do corpo da pessoa pelas quais se possa identificá-la. em caso de desastre (incêndio. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. porque não importa. mas como parte do todo. por determinação judicial. A proteção é dada a quem habita a casa (que abrange qualquer tipo de moradia. ou por fotos da pessoa num campo de nudismo. o da privacidade. por caricatura. ou para prestar socorro. O dano estético é indenizável por se referir à proteção da integridade da imagem. é uma característica que reveste a imagem da pessoa dando-lhe respeitabilidade. a transmissão de um jogo de futebol pela televisão levaria alguns milhares de pessoas aos tribunais em busca de indenização contra a emissora. durante o dia ou à noite. os referentes à segunda. uma voz famosa. neste inciso.Intimidade. Outro é o conjunto de atributos cultivados pelo indivíduo e reconhecido pelo grupo social. inundação. Antes disso. Todas essas esferas estão constitucionalmente protegidas pela Constituição. Em outras palavras. a imagem). Por determinação judicial só é possível entrar em uma casa durante o "dia". mas não sem consentimento. quando houver perseguição ao criminoso. Vida privada é uma forma de externar essa intimidade. Na expressão "direito à intimidade" são tutelados dois interesses.

às 19h59 e lá permanecer até a conclusão da diligência ou até às 22h. XIII . Questão importante refere-se à propriedade da correspondência. Segundo lição de Dinorá Adelaide Musetti Grotti. no último caso. do piloto de avião). Quanto à correspondência. Se não houver lei dispondo sobre determinada profissão. 139. pode exercê-la (por exemplo. 139. de maneira exclusiva. não policial ou administrativa. alíneas b e c (no caso de estado de defesa) e art. veio regulamentar a possibilidade constitucional de interceptação das comunicações telefônicas. e estende-se. geralmente pela autoridade judicial. São titulares de tal direito quaisquer pessoas. quando então passa a ser propriedade deste. mas em hipóteses muito específicas: é necessário. no dizer deste inciso. marceneiro. com mandado.sine qua non . por ordem judicial. É importante notar que. V onde se lê a possibilidade de busca e apreensão em domicílio no caso de estado de sítio. e a sua disciplina se aplica também ao sigilo das comunicações em sistemas de informática. isso depois de o Supremo Tribunal Federal ter decidido que a atual Constituição não recepcionou. da proteção constitucional a quatro sigilos. Ao contrário. constituindo. A única forma de sigilo que poderá ser quebrado. Está ela prevista no art. a Constituição também proíbe o conhecimento da origem. a violação dessa garantia. somente aquele que atender ao que exige a lei pode exercer esse trabalho.é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. A autorização judicial vai depender da demonstração. no ponto. qualquer pessoa. que a Constituição quer uma autorização judicial.é livre o exercício de qualquer trabalho. todos os quatro sigilos previstos neste inciso podem ser quebrados. distinto da conceituação do Direito Privado ou de outros ramos do Direito Público. Comentário: Trata-se. se houver lei estabelecendo uma qualificação profissional necessária. "casa". é o caminho indispensável . ou também para sua família.296. A permissão de penetração em domicílio por determinação judicial é chamada de reserva jurisdicional. A expressão maior da restrição ao trabalho é . A Lei n° 9. constitucionalmente. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. de dados e das comunicações telefônicas. artesão. do médico. é o de comunicação telefônica. tem sentido próprio e abrangente. as oficinas e os escritórios também são resguardados por essa proteção constitucional. depois. ofício ou profissão (casos do advogado. primeiro. III (no caso de estado de sítio). carnavalesco. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. 150 do Código Penal. a Constituição comporta uma hipótese de quebra dessa inviolabilidade. A proteção buscada aqui pela Constituição foi a do direito à privacidade e à intimidade. à pessoa jurídica. A vedação constitucional é dirigida tanto ao Poder Público quanto ao particular. Por essa lei. o antigo Código Nacional de Telecomunicações. do engenheiro. a qualquer tempo. no Direito Constitucional. das razões e indícios claros de autoria de crime contra quem há de sofrer a degravação. desde que não abertos ao público em geral. Por fim. detetive particular. a qualquer título. I. quando comeca o horírio tido como de repouso noturno. que haja uma ordem judicial prévia ao grampo. É o que se vê na leitura do art.pode entrar. salvo. de 24/7/96.para o logro de sua felicidade ou bem-estar. em caráter definitivo ou habitual. Ressalte-se. O grampo telefônico poderá ser determinado de ofício pelo juiz do processo ou a requerimento da autoridade policial ou de membro do Ministério Público. ofício ou profissão. também. sob segredo de justiça. crime previsto no art. como forma de proteção da pessoa física. que essa violação esteja sendo feita para uma de duas únicas finalidades: ou investigação criminal (que só pode ser feita por autoridade policial) ou instrução processual penal (por autoridades judiciárias). os estabelecimentos de trabalho. de que o indivíduo serve-se para si. A liberdade de trabalho é definida por Ignacio Burgoa como a faculdade que tem o indivíduo de eleger a ocupação que mais lhe convém para verificar seus fins vitais. aqui. alcança qualquer lugar fechado. Em seu significado constitucional. numa casa. do número e da qualidade e tipo da correspondência de determinada pessoa. que são inconstitucionais para esses fins. trabalho ou ofício. também. XII . brasileiros ou estrangeiros. 1 36. S 1°. ator de teatro). Comentário: A regra é simples. A carta pertence ao remetente até o momento em que chega às mãos do destinatário. e de qualquer forma. a autorização para a quebra do sigilo telefônico deverá ser dada por autoridade judicial. Assim. todos relacionados com comunicação.

De outro lado. demarcando um campo impenetrável da vida individual e dando à pessoa.é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte. para haver reunião não basta que algumas pessoas se encontrem juntas. quando necessário ao exercício profissional. Comentário: Este dispositivo trata das duas pontas da relação de informação. Ainda. que é o prévio aviso à autoridade competente. se entender necessário. quando houver um conflito entre o direito à honra e o direito de informar. dar à autoridade condições de providenciar segurança e policiamento no local. de buscar a informação e de receber a informação. independentemente de autorização. podendo qualquer pessoa. permanecer ou dele sair com seus bens. por exemplo) não poderá invocar esse direito de liberdade de locomoção. Primeiramente. e qualquer ato contra ele é atacável por habeas corpus (inciso LXVIII deste art. tributos e coisas do gênero. Esse prévio aviso tem duas finalidades: a primeira. então. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local. existem no País mais de setenta profissões regulamentadas em lei. ficar ou sair do Brasil. sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. nos termos da lei. fixa uma limitação à atividade do Estado. abrange o direito de informar. Em tempo de paz significa tempo de normalidade democrática e institucional. Em caso de guerra ou mesmo em caso de estado de sítio (art. Se a reunião preencher as condições do inciso. Comentário: Direito fundamental da pessoa. sem armas. dia e hora (note que uma reunião não poderá frustrar outra "anteriormente convocada" para o mesmo local). segundo o Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo. o poder de escolher a sua profissão. assegurar aos comunicantes um direito de preferência sobre outras reuniões posteriormente marcadas para o mesmo local. mas apenas dispor sobre passaporte. registro. I) poderá haver restrição ao direito de locomoção.dada pela História. é uma mera comunicação. XV . foi assegurado ao profissional de imprensa o poder de manter a origem da informação divulgada sob sigilo. implica o direito de circulação por via pública ou afetada ao uso público (como uma servidão). O direito de locomoção. pela sensibilidade dos interesses envolvidos. Esse prévio aviso não é. sob o manto das corporações de ofício. Ou seja: de passar a informação. no direito de ir. veja também o que consta no art. o direito de informar. na lição de José Afonso da Silva. prevalece. trabalho ou ofício. pela relevância da questão. nos termos da lei. Segundo Canotilho. aqui prevista e preservada. ressalte-se. ao falar da pessoa a quem se dirige a informação. Hoje. porque entre esse e o direito da população de não ser contaminada pela doença prevalece este. nele entrar. sua divulgação seja essencial ao entendimento da notícia e não se faça uso de forma insidiosa ou abusiva. Comentário: Trata-se aqui do direito de reunião (cuja principal característica é ser eventual e temporária) e que se define como um direito de ação coletiva que envolve a adesão consciente de duas ou mais pessoas com a finalidade de realização de um objetivo comum. lei esta que não poderá impor obstáculos intransponíveis a essa locomoção. como regra. 1°.é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. já que se exige desde logo a consciência e a vontade de . de se informar e de ser informado. XVI . A liberdade de informação. desde que a informação seja verídica. o direito de ir. Para que também essas informações cheguem ao brasileiro. Quanto à informação. diz ele que toda e qualquer pessoa tem o direito constitucional de ser informada sobre tudo o que não estiver protegido pelo sigilo oficial. A parte final diz que qualquer pessoa (inclusive estrangeiro) poderá entrar. em locais abertos ao público. XIV . político e empresarial. um requerimento ou pedido. Qualquer bem móvel está compreendido na proteção do dispositivo. Finalmente. especialmente no setor público. a reunião em local aberto ao público depende de uma única providência. segundo Eduardo Gabriel Saad. vir e ficar se compreende o direito de fixar residência. 139. e a segunda. Uma pessoa submetida a quarentena médica (por doença contagiosa. Esta norma constitucional. 220. vir e ficar está assegurado nos termos deste inciso. não poderá a autoridade impedir a sua realização em local próprio. Desde que pacífica (sem propósito hostil) e sem armas. e assim o seu direito pleno à informação seja amplamente atendido.todos podem reunir-se pacificamente. 5°). par. o direito coletivo. sabia o constituinte que as informações mais importantes geralmente comprometem a sua fonte.

política. Ninguém pode ser obrigado à associação.as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial. recreativa). e não tenha ela caráter paramilitar. Tanto para a suspensão das atividades quanto para dissolução compulsória. Quem determina como vai ser a associação são os seus membros. Esse caráter é expressado geralmente pelo uso de uniformes. XVII . por exemplo. isto é. A ocorrência de uns ou alguns desses requisitos pode indicar a existência de uma associação de caráter paramilitar. desde que os fins da associação sejam lícitos (e são lícitos os fins expressamente permitidos pela lei ou não expressamente proibidos pela lei). permitir a sua reestruturação. como aquela da qual se recorreu.reunião. poderão fazer funcionar a entidade independentemente de qualquer providência. No entanto. também. decisão definitiva. exigindo-se. em torno dos quais se associam pessoas que os buscam. XX . pois. quando ela tiver que ser dissolvida contra a vontade dos sócios. Essa associação pode ter inúmeras características (empresarial. é de se ver que. Comentário: Se é plena a liberdade de associação. o que importa dizer que ordens administrativas ou policiais sobre o assunto são inconstitucionais. por exemplo. nada mais lógico do que o direito de criá-las ser independente de autorização de quem quer que seja. Ou seja. O que se pretende é segurança. pela reforma da decisão. seria um contra-senso. essencial. viu-se. no primeiro caso. Segundo Eduardo Saad. Comentário: A dissolução voluntária de associação depende do que os associados decidirem a respeito. Comentário: O direito individual de associar-se é exatamente isso: um direito. como podem ser. O caráter temporário é. Comentário: Associação é diferente de reunião por ter um caráter de permanência e objetivos definidos. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. Ainda.a criação de associações e. a obrigatoriedade de existência de Conselho Fiscal. na forma da lei. Essa liberdade é plena. A sua criação também não depende de autorização de ninguém. nem a permanecer em uma. no funcionamento da entidade. sob direção única. se houver um. hostil à . esportiva. deverá ser registrada na forma da lei. exige a Constituição uma decisão judicial. a Constituição determina que se obedeça a uma lei que vai dispor sobre a criação dessas entidades especiais. A liberdade de associação foi erguida a plano constitucional a partir da segunda metade do século passado. ou treinamento marcial. XIX . ou sistema interno de hierarquia e uso de palavras de ordem. Mas a aquisição dessa personalidade é opção dos associados. Quanto à cooperativa a disciplina é um pouco diferente. da qual não cabe mais recurso. isso porque essa decisão é mais drástica e de mais difícil reversão. se a associação quiser adquirir personalidade jurídica. até então o pensamento de Jean Jacques Rousseau. se houver permanência. e nenhum órgão estatal poderá interferir na sua gestão. o trânsito em julgado. Não querendo.é plena a liberdade de associação para fins lícitos. XVIII . sindical. poderá vir a ser encaixada nessa proibição. e o Estado não pode interferir. plena. depois. de não remunerar os cargos de comando e de reaplicar os excedentes financeiros nos objetivos da cooperativa. lei esta que imporá certos procedimentos e providências obrigatórias para que a entidade seja chamada de cooperativa. tratar-se-á de associação. ou uso de armas. imodificável. Além disso. Uma torcida organizada de futebol. ou da disciplina do assunto dada pelo regimento interno. por nenhum de seus órgãos. vedada a de caráter paramilitar. enquanto uma associação pode ter as suas atividades suspensas por decisão judicial ainda modificável. é uma coligação voluntária de duas ou mais pessoas com vistas à realização de um objetivo comum. isto é. a dissolução exige decisão judicial com trânsito em julgado. O que a Constituição trata é como se fará a dissolução compulsória de associação.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. pelo que tolerar que uma decisão provisória dissolvesse associação e. filantrópica. a de cooperativas independem de autorização. cultural. já que a liberdade de organizar-se em associação é.

Comentário: Este dispositivo assegura toda e qualquer propriedade. não apenas individual. em nome de terceiros. III). isto é. a propriedade. é um instrumento de que se vale o Estado para retirar a propriedade de um particular e incorporar ao patrimônio público. o conceito está no art. Comentário: O assunto. além das associações. Significa dizer que a propriedade não é um direito que se exerce apenas pelo dono de alguma coisa. bastando a estatutária. É um dispositivo pelo qual se reconhece à pessoa. genericamente. antes de mais nada prove por escrito que está autorizada expressamente por esse ou esses associados a falar em nome deles. às entidades sindicais. Quanto à propriedade rural. a associação é ilegítima para essa representação. quando alguém age em juízo em nome próprio para a defesa de interesse alheio. segundo lição de Luiz Alberto David Araújo. 182. O mesmo não ocorre. um benefício pela manutenção e uso da propriedade. não se pode deduzir que uma pessoa que se ligue a uma associação de qualquer tipo esteja. a Constituição exige que uma associação. é também um encargo contra essa. XXII . porque tal autorização se presume das próprias finalidades do sindicato. Esse dispositivo se aplica. XXI . contudo. também habilitadas a defender os interesses dos seus sindicalizados judicial e extrajudicialmente. ou por interesse social. o direito de uma entidade defender em juízo ou fora dele. desde a imobiliária até a intelectual e de marcas. Ou seja. Comentário: Desapropriação é uma forma de aquisição de bens pelo Poder Público. 6° do Código Civil. em relação às organizações sindicais (art. ao filiar-se. 8°. ao grupo social. mas também que esse dono exerce em relação a terceiros. de que. amparado por mandato. § 2°. não há necessidade de autorização específica para a associação atuar em nome de seus associados. têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. além de direito da pessoa. XXIV . quando atuar em defesa de interesse de associados. a liberdade de constituir uma associação é plena e não é imposta nenhuma condicionante a isso. Eduardo Saad concorda em que não se trata. Comentário: Função social da propriedade é um conceito que dá a esta um atributo coletivo.é garantido o direito de propriedade. Quanto à propriedade urbana. Sem essa prova.a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública. um direito que não é seu. Segundo o Supremo Tribunal Federal. para regularizar a representação processual. de substituição processual. Em face dessa imprecisão. implicitamente autorizando a entidade a representá-la. indenizando o ex-proprietário.as entidades associativas. aqui. Em outras palavras. Como visto acima. ressalvados os casos previstos nesta Constituição. quando expressamente autorizadas. A Constituição estabelece três tipos de desapropriação: . função social é aquela estabelecida no art.a propriedade atenderá a sua função social. em contraponto com exclusividade da propriedade estatal de outros regimes. o direito de ser proprietário de algo. XXIII . quando o sindicato postula sobre direitos individuais de seus filiados é imprescindível a outorga de poderes a ele. alguns ou todos os seus associados. Como isso não pode ser presumido. 186. Quando alguém se filia a um sindicato é lícito admitir que fez isso procurando reforçar-se para defender os seus direitos. mediante justa e prévia indenização em dinheiro. de alguma forma. judicial ou extrajudicialmente. mas sem precisar provar que estão autorizados a isso. conforme estatui o art. O direito de propriedade. e sempre em virtude de lei. mas de um. aqui.formação de órgãos intermediários entre o homem e o Estado. no Brasil. A Constituição define o conceito de função social da propriedade em relação a dois dos seus tipos. serviu de barreira à proteção ao direito de associação. por exemplo. pode ser definido como um direito subjetivo que assegura à pessoa o monopólio da exploração de um bem e de fazer valer esse poder contra todos que eventualmente queiram a ele se opor. É feita a ressalva. é a representação processual. que fica constitucionalmente obrigada a retribuir.

. na forma do art. XXV . As indenizações devem ser pagas em dinheiro. nessas condições. caput. Comentário: O inciso fala do instituto da requisição administrativa. feita. não em dinheiro. Esses títulos são devidos pela desapropriação de imóvel rural (títulos da dívida pública). desde que trabalhada pela família. se houver dano. quando não cumpre a sua função social. Como. portanto. para que o Poder Público enfrente uma situação de iminente perigo público. ou. que é um argumento vasto. Como o pequeno proprietário subsiste do que colhe e produz em sua terra. a origem da dívida deve ter sido financiamento da atividade produtiva da propriedade. Há duas exceções a essa regra geral. pela desapropriação de imóveis rurais (títulos da dívida agrária). o constituinte fixou que a pequena propriedade rural não é penhorável. se da ocupação ou uso resultou algum dano material ao bem. transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. § 4°. mas dentro do qual cabem argumentos que sustentem que a propriedade. publicação ou reprodução de suas obras. quatro requisitos: a) a propriedade deve ser classificada como pequena nos termos da lei. sob o mesmo argumento.no caso de iminente perigo público.por necessidade pública. Além de justa.por utilidade pública. dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. d) finalmente. XXVI . quando é indispensável que determinado bem particular seja usado para uma finalidade pública. sobre terras onde exista cultivo de plantas psicotrópicas (cannabis sativa. como uma enchente. conforme previsto no art. A primeira é que algumas desapropriações são feitas mediante indenização justa e prévia. assim definida em lei. nos termos do art. . c) deve produzir a partir do trabalho familiar. será mais bem aproveitada se transferida ao patrimônio público do que se mantida sob o poder do particular.a pequena propriedade rural. o que implica dizer que o preço a ser recebido pelo particular desapropriado deverá corresponder o mais possível ao que ele receberia se vendesse a propriedade pela sua vontade. dificilmente um pequeno colono obteria crédito agrícola em bancos. Comentário: O direito autoral é uma das formas de propriedade garantidas pela Constituição. exclusivamente. ou de guerra. pelo qual o proprietário particular do bem não perde a propriedade. pedindo. a autoridade competente poderá usar de propriedade particular. Para isso. sem indenização do proprietário particular. O resultado material da exploração da obra do autor é auferido por ele vitaliciamente. 182. o Estado desocupará ou devolverá o bem do particular e ficará obrigado a indenizar este. assegurada ao proprietário indenização ulterior. Com a sua morte. quando não é indispensável. ou seja. por qualquer motivo. não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva. 243. esses . tolerar a penhora desta para o pagamento de dívidas seria o mesmo que condenar o pequeno colono à fome ou à marginalização das favelas nas cidades. mas terá que tolerar a ocupação ou o uso dela durante um certo período de tempo.aos autores pertence o direito exclusivo de utilização. eritroxilon coca. mas em títulos.por interesse social. há que ser prévia. manda o inciso que a lei disponha sobre a forma como será viabilizado o financiamento da produção nessas propriedades. III. epadu. A segunda exceção é uma desapropriação com efeito de confisco.. este já deve ter sido indenizado. Comentário: Este inciso abre uma exceção à regra da penhorabilidade dos bens dados em garantia de financiamentos. para isso. papoula). A indenização há de ser justa. 184. geralmente. Finda a ocupação. XXVII . mas é conveniente que determinado bem seja usado no desempenho de atividade pública. antes de o Estado passar para o seu patrimônio a propriedade do particular. b) deve ser produtiva.

. hoje. A proteção ao invento vem de longa data no Brasil. o constituinte resolveu impor uma proteção apenas temporária. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. uma atividade desportiva coletiva. que a lei informa ser. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas. para os objetivos dessa obra. O mesmo não acontece com as criações industriais. obter-se inventos melhores. no momento exato do falecimento. de forma a não haver burla no cálculo do direito autoral a que fazem jus. uma novela. cuja presença em um ou em outro canal significa um aumento de qualidade e de arrecadação pelas emissoras. a contar de primeiro de janeiro do ano seguinte à morte do autor. inclusive nas atividades desportivas. o que justifica o interesse da empresa em aprimorá-los e o interesse do Estado em proteger essa propriedade. a sucessão nesses direitos se dará por prazo determinado. Depois desse prazo. é dita sucessão legítima. contudo. o conjunto de seus direitos e deveres. contudo. em fase final de tramitação no Congresso Nacional. bem como proteção às criações industriais. tais herdeiros forem distantes. de 60 anos. para acesso de qualquer pessoa. A Segunda alínea estabelece o direito de tais participantes de fiscalizar o resultado econômico das obras de que participarem. não vitalícia. A ressalva final. através do recebimento de royalties. as marcas. aos herdeiros legítimos e testamentários do morto. Se. para que o inventor. quanto ao interesse social e ao desenvolvimento tecnológico e econômico do País é perigosa e pode levar à negativa do reconhecimento de patentes e progressos tecnológicos estrangeiros utilizados no Brasil. XXIX . Comentário: Herança é o patrimônio do falecido. aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas. Foi introduzida entre nós pelo Alvará do Príncipe Regente de 28 de janeiro de 1809.são assegurados. segundo lição precisa de Sílvio Rodrigues. Apenas importa. o invento cai no domínio comum. à propriedade das marcas. chamado por alguns de de cujus e por outros de autor da herança. já que o maior ou menor valor da marca ou do nome de uma empresa tem relação direta com a qualidade de seus produtos. As pessoas que participam da realização dessas obras têm direito constitucional de receber remuneração por essa participação. caso em que serão desfrutados também de forma vitalícia. XXX .é garantido o direito de herança. XXVIII . decorrendo da lei. E extensão desse direito à reprodução da imagem e voz humanas reconhece a importância dos trabalhos de certas pessoas na mídia. partindo deles. É razoável a disciplina. seja remunerado pelo seu talento e atividade intelectual empregados na invenção.a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores. Essa sucessão pode dar-se de duas maneiras: decorrendo de disposições de última vontade (testamento). como os narradores e locutores esportivos. em grande medida. Com a morte do titular. fixar que o que for invento industrial terá uma proteção temporária. os nomes de empresas e seus símbolos. que são propriedade perene dos seus detentores. Comentário: A definição do que seja invento industrial ou criação industrial é matéria do Código Nacional de Propriedade Industrial. pelo que não vamos tratar aqui desses conceitos. Como o progresso tecnológico e sua importância para a humanidade dependem. Isso se justifica. o que nos tornou o quarto país do mundo a tratar do assunto. na medida dela. pais ou filhos). esse conjunto se transfere. um filme.direitos passam aos herdeiros (cônjuge. é chamada sucessão testamentária. de se conhecer determinados inventos e. Comentário: Obras coletivas quer dizer uma peça de teatro.

por importante. ou obter certidão em repartição pública para defesa de direitos ou esclarecimento de situação pessoal. a ação adequa é o mandado de segurança. A locução “em defesa de direitos” permite que o direito de petição seja usado para defender tanto direitos individuais quanto coletivos ou gerais. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. ficou preenchido o sentido desse dispositivo. fazer-se titular de direitos e obrigações que não eram seus.todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. para assegurar a ela um grupo de direitos que a tirem da posição de inferioridade em que estão em relação ao produtor ou ao vendedor de determinado produto ou serviço. pois possibilita o exercício das prerrogativas de cidadania. que voltou-se à pessoa na condição de consumidor. o termo sucessão indica o fato de uma pessoa inserir-se na titularidade de uma relação jurídica que lhe advém de uma outra pessoa. de outra forma. o direito de escolher entre a lei brasileira e a lei do País de origem do cônjuge falecido para regular a sucessão. a defesa do consumidor.o Estado promoverá. abre ao cônjuge sobrevivente e aos seus fïlhos.são a todos assegurados. b) a obtenção de certidões em repartições públicas. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. situado no Brasil. na forma da lei. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. Comentário: O que a Constituição quer garantir aqui é a publicidade dos atos de governo. Nos demais casos (informações de interesse coletivo ou geral. desde que brasileiros. que se quer cada vez mais participativo da vida do Estado. escolhendo a que lhes seja mais favorável. às reservas energéticas e à matéria radioativa. Cabe anotar. sob pena de responsabilidade. Essas informações serão pedidas por requerimento ao órgão público competente para prestálas. . Comentário: Toda e qualquer pessoa. podendo aplicar aqui qualquer das duas. pode requerer informações em que tenha interesse particular. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. situado no Brasil. Essas informações serão prestadas pelo órgão competente. XXXII . e a Constituição proíbe que seja cobrada taxa (entendida como espécie do gênero tributo) sobre tais prestações. contudo. XXXIV . que serão prestadas no prazo da lei. ou informações de interesse pessoal que não sejam a respeito da própria pessoa). como as relativas às Forças Armadas. à segurança nacional. ou de interesse coletivo ou geral. terá sempre a sua sucessão regulada pela lei brasileira. também identifica um instrumento de participação individual na vida do Estado. posto que interessam à coletividade. O servidor a quem a lei incumbe o dever de prestar tais informações será punido pela prática de crime de responsabilidade se não fizer isso no prazo que a lei lhe estabelece.a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros. O cidadão. Somente é admitida a não prestação das informações pelos órgãos públicos quando essa for de natureza sigilosa. ou. mas também pode fazê-lo em relação àquelas em que tenha interesse remoto. O direito de petição. Segundo Maria Helena Diniz. inclusive estrangeiros. mas somente nos casos em que a informação perseguida diga respeito à própria pessoa do requerente.XXXI . que este inciso consagra. pode requerer informações para defender seus direitos. XXXIII . à sociedade. Comentário: Um bem (como um imóvel) de brasileiros. Um bem de estrangeiro. Comentário: Com a promulgação do Código de Defesa do Consumidor. que a não-observância desse direito subjetivo a informações nem sempre será corrigida pelo haheas data. impedindo uma administração sigilosa ou secreta.

Coisa julgada é o objeto sobre o qual versava determinada demanda judicial.Dentre as pessoas que podem usar o direito de petição estão o cidadão. ou somente poderão sê-lo depois da tomada de outra atitude. previsto na alínea b. O direito de petição é um direito político. objeto lícito (o que se está fazendo deve ser expressamente permitido por lei ou não expressamente proibido por ela) e forma prescrita ou não defesa em lei (o revestimento externo do ato deve ser aquele que a lei obriga ou. Ou. ao seu fim. ou do Acesso ao Judiciário. essa nova lei será dada por inconstitucional. mas a cobrança de taxas excessivas. XXXVI . ou seja. folhas corridas e histórico funcional. final e impositiva. Comentário: Direito adquirido é aquele que já se incorporou ao patrimônio da pessoa. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. para pedir a reapreciação de punição administrativa que tenha sofrido. e as partes. XXXV . torna-se imodificável. e do domínio dessa pessoa não pode ser retirado. estão abrindo mão do uso da jurisdição estatal. não obrigando. é estruturado para ser exercido contra as repartições públicas. caracterizando-se pela informalidade. segundo Luiz Alberto David Araújo. especialmente servidor público. secretarias do Ministério Público. órgãos do Poder Judiciário. A garantia de acesso à justiça não significa que o processo deva ser gratuito. Ato jurídico perfeito é aquele que reúne sujeito capaz (com capacidade civil plena. o Princípio da Legalidade afirma que somente a lei pode obrigar a fazer ou não fazer alguma coisa. o fato de as partes constituírem compromisso arbitral não significa ofensa ao princípio do direito de ação. a Justiça vai dizer quem é o proprietário. Certidões administrativas. Por exemplo. o servidor adquire o direito à estabilidade no serviço público. esse servidor vai exercer o direito da estabilidade contra o ato. e deverá ser observada pelas partes. Se se tentar exonerá-la de ofício. assim. compreendidas aí delegacias de polícia. E essa lei nunca poderá prever que eventuais danos que cause ou possa causar na sua aplicação não poderão ser apreciados pelo Judiciário. é inconstitucional qualquer obstáculo entre a pessoa cujo direito esteja lesado ou ameaçado de lesão e o Poder Judiciário. Hoje. e a coisa (quem era o dono do imóvel) fica julgada. do qual tratamos no inciso anterior. aos 21 anos). que fosse lesada por ato administrativo teria que expor suas razões primeiro ao próprio órgão.a lei não prejudicará o direito adquirido. o qual. Pode vir exteriorizado como petição. com o trânsito em julgado. o ingresso na via administrativa é opção do administrado. Muito importante notar que não existe mais constitucionalidade numa figura adotada na esfera administrativa em tempos passados. A decisão proferida pelo Judiciário é. Assim. livro ou documento que se encontre nas repartições públicas. bastando a identificação do peticionário e o conteúdo sumário do que pretende. com o fim do processo. porque somente os direitos disponíveis podem ser objeto desse compromisso. se se tentar eliminar o direito por outra lei. representação. único competente para resolver definitivamente qualquer assunto que envolva direito. O direito de certidão. sendo que não é possível a rediscussão do assunto no próprio Judiciário ou em qualquer dos outros Poderes da República. se o processo era para saber quem é o proprietário de determinado imóvel. pelo aperfeiçoamento de algum ato que o confere. pela qual toda pessoa. Para Nelson Nery Junior. que poderá usá-la ou não. e o servidor. e é garantido à pessoa o direto de ter acesso a esse Poder. na lição de Hely Lopes Meirelles. são cópias ou fotocópias fiéis e autenticadas de ato ou fato constante de processo. quando o celebram. é um direito exercitável pela pessoa no momento em que se tenta tirá-lo dela. . Dentre as certidões contidas na alínea b estão a certidão de tempo de serviço para fins de averbação. chamada de instância administrativa de curso forçado. ou do Direito de Ação. tem sido dada por inconstitucional. Mesas do Legislativo. um que a lei não proíba).a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. optando pela jurisdição arbitral. que pode ser exercido por qualquer um. Como se viu na análise do inciso II deste artigo. queixa ou reclamação. que criem obstáculo ao uso da jurisdição. pessoa física ou jurídica. Comentário: O inciso cuida do importante Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição. de onde se produzem de imediato dois importantes efeitos: é consagrado ao Judiciário o monopólio da jurisdição. não mais podendo ser rediscutida. para exercer o direito de obter informação. após dois anos de efetivo exercício. e só depois de resolvida por ele é que teria acesso ao Judiciário. em forma rígida de procedimento para fazer-se valer. Segundo o princípio.

irrelevante a já existência do tribunal. matar ou ferir (dolo indireto alternativo). chamado Juiz-Presidente. pela defesa e pelas testemunhas. Um tribunal de júri em que o Juiz-Presidente não permita ao acusado produzir determinada prova lícita que lhe era necessária é nulo.não haverá juízo ou tribunal de exceção. A proibição da existência de tribunais de exceção não abrange as justiças especializadas. Repita-se: quando tais crimes forem . Comentário: O tribunal do júri é uma especialização da justiça criminal de primeira instância. produzem efeitos para o futuro ou para os atos em andamento. Qualquer juízo não previsto. com base no que entenderam de tudo o que foi dito pela acusação. em regra. Crimes geralmente são julgados por juízes chamados singulares porque sentenciam sozinhos. de crime doloso contra a vida. terão que fazê-las sozinhos. Esse tribunal é presidido por um juiz de carreira. por exemplo. para produzi-lo. em determinadas condições. O dolo pode ser direto ou indireto. quando dolosos: o homicídio. Na definição de Nelson Nery Junior. o juiz não poderá reconhecê-la na sentença. XXXVIII . a quem incumbe transformar a decisão dos jurados em sentença. Soberania dos veredictos implica dizer que o Juiz-Presidente. ao fixar a sentença do acusado. assegurados: a) a plenitude de defesa. XXXVII . em geral não conhecedoras de Direito. no processo. de quaisquer direitos processuais. deverá respeitar tudo o quanto decidido pelos jurados. d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. declarado inconstitucional pelos meios próprios. Comentário: Juízo ou tribunal de exceção é juízo ou tribunal não previsto na Constituição. c) a soberania dos veredictos. para desfazer um ato jurídico perfeito. Não poderão se comunicar com ninguém enquanto fazem isso. O Supremo Tribunal Federal. As regras referentes a este inciso são complementadas pelas do inciso LIII. São crimes que vão a julgamento pelo tribunal do júri. contra o réu. equivale a transformar qualquer juízo em juízo de exceção. no interesse público. ao decidirem sobre os quesitos (perguntas feitas pelo Juiz-Presidente). nem quebrar o sigilo de sua decisão.O que o inciso protege são essas três instituições jurídicas de lei posterior que pretenda retroagir para eliminar um direito adquirido. onde se cuida do princípio do juiz natural. O sigilo das votações impõe que os jurados. Diz indireto quando. será dado como de exceção e. com a organização que lhe der a lei. instigação e auxílio a suicídio. para impor novo julgamento de coisa julgada. agiu para isso. por isso. garantias ou prerrogativas. por exemplo. A competência do júri é firmada pela existência. tribunal de exceção é aquele designado ou criado por deliberação legislativa. As leis. com violação do devido processo legal. para julgar determinado caso. o aborto. dessa forma. as quais são atribuições e divisão da atividade jurisdicional do Estado entre vários órgãos do Poder Judiciário. A lei penal pode retroagir. b) o sigilo das votações. Diz-se direto quando o agente quis o resultado criminoso. para beneficiar o réu. em acórdão vencedor de autoria do Ministro Celso de Mello. apesar de não querer expressamente produzir o crime. que ocorre quando a lei favorece alguém em razão de uma condição pessoal. O Poder Judiciário não admite novidade na sua estrutura. o infanticídio e o induzimento. agiu sabendo da possibilidade de cometê-lo e assumiu. desde que a prova lhe aproveite. qualquer tribunal especial. esse juiz não mais poderá prosseguir no processo. se se tratar de crime doloso contra a vida (definiremos logo abaixo). devendo remetê-lo para um órgão chamado Tribunal do Júri. onde o julgamento será feito por sete pessoas comuns do povo. Plenitude da defesa é a garantia que o acusado tem de usar todos os meios legais para tentar provar a sua inocência. o risco de produzir tal resultado (dolo indireto eventual) ou agiu querendo produzir um ou outro resultado criminoso. Também não se pode confundir tribunal de exceção com privilégio de foro. ou não. não podendo retroagir. tenha ele já ocorrido ou não. Todavia.é reconhecida a instituição do júri. já afirmou que a supressão. o júri negar a tese da legítima defesa. Se.

e é dessa precisão que resulta a proibição de interpretações extensivas ou analógicas. a lei não regula o fato. a lei anterior. antes da data em que o fato aconteceu é preciso que haja uma lei estabelecendo que aquela conduta é punível e como é punível. estendendo a descrição da norma penal. XLI . Luiz Vicente Cernicchiaro ensina que. é de se frisar que o benefício ao réu poderá ser de qualquer ordem.cometidos por culpa (nos casos em que isso for possível) o julgamento não será feito pelo tribunal do júri. Formalmente. salvo para beneficiar o réu. tanto consumados (quando o resultado criminoso é produzido) quanto tentados (quando. Em razão do princípio da reserva legal. mas pelo juiz singular. então. contudo. determinada e delimitada em qualidade e quantidade. que em muitos livros e tribunais é também chamado de Princípio da Legalidade ou Princípio da Reserva Legal. faria com que ela operasse para o passado. segundo o qual a lei penal retroage para beneficiar o réu. a lei penal não retroage. sem o que não se poderá falar em crime. nem alcance ultrativo. sendo esse o conteúdo do brocardo latino tempus regit actum. A rigor. e não para qualquer lei. Essa modificação legal inicia-se com a nova lei. Essa é a regra. ou seja. ela afasta a incidência da lei anterior ou impede que a posterior a afaste. Por fim. crime é a descrição de uma conduta acompanhada de sanção. Enquanto não desconstituída a relação jurídica penal. que é insuficiente apenas a lei anterior à conduta. frise-se que vão a júri quaisquer dos crimes acima. Respectivamente. que levem o julgador a. XL . mas. portanto. Comentário: Trata-se aqui do Princípio da Anterioridade da Lei Penal. XXXIX . desde a extinção do tipo penal (chamada abolitio criminis).não há crime sem lei anterior que o defina. porque mais benéfica. o Princípio da Irretroatividade da Lei mais Gravosa. também há de vir especificada. É conveniente frisar que esses três princípios valem para a lei penal. a definição da conduta punível deve ser precisa. Logo. se acontecesse. apesar de o agente ter feito tudo para produzir o resultado. pelo que o delinqüente não viola a lei penal. para amparar o processo e julgamento de réu que tenha cometido ilícito sob sua égide. cede lugar à mais benigna. fazendo com que os direitos e deveres contrapostos sejam modificados. Finalmente. e não é isso que acontece. nenhuma conduta humana será considerada crime sem uma lei anterior ao fato (e não ao julgamento) que o preveja como crime. como o faz o Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro. contudo. a lei que rege o ato poderá ser outra e não mais aquela da época da conduta. a competência para legislar sobre Direito Penal foi mantida como privativa da União (art. Comentário: Este singelo enunciado esconde três princípios: Princípio da Retroatividade da Lei mais Benigna. por seu turno. segundo o qual a lei mais prejudicial ao réu não retroage. a relação jurídica no campo penal é definida pela lei vigente à época do fato. para que se garanta o direito de liberdade da pessoa. É de notar. 22.a lei penal não retroagirá. Para que isso acontecesse. e o Princípio da Ultraatividade da Lei mais Benigna. a lei penal mais benéfica aplica-se incondicionalmente e alcança a relação jurídica como está no momento em que a lei mais benéfica se faz vigente e. em verdade. este não se produziu). . apesar de o fato que originou a relação processual ser anterior. Impõe-se descrição específica. A conduta precisamente descrita pela lei como punível é chamada de tipo penal. visto acima. a realiza. ao contrário. Por imperativo constitucional.a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. Em importante lição. incorrendo por isso na sanção a ela imposta. Seu conteúdo é simples. Finalmente. seria necessário produzir efeitos antes e depois de sua vigência. I). o que. A pena. a partir da respectiva vigência. individualizadora do comportamento delituoso. até a diminuição da pena e a criação de penas alternativas. desde que dolosos. Essa lei anterior também precisa fixar a pena. mas a relação jurídica que o tem como causa. Vale dizer: a lei não tem efeito retroativo. abranger e reger outras condutas não expressamente previstas. desde que uma lei posterior ou anterior seja mais favorável ao réu. que estabelece que a lei mais benéfica ao réu age mesmo após a sua revogação. nem pena sem prévia cominação legal. Como o crime nada mais é do que uma conduta humana punível. a partir de então. além do estabelecimento de novas condições de punibilidade. sendo a lei mais favorável.

A de reclusão. São eles o tráfico de drogas. processados e condenados. Anos ou décadas depois. A condição de inafiançável do crime de racismo. a extorsão com morte. e prescrição é um prazo dentro do qual o Estado tem poder para encontrar. também. o estupro em todas as suas formas). A graça considera as condições pessoais do preso. punir e executar a pena do criminoso. pois. sem direito a fiança. um reforço da garantia de igualdade perante a lei. veja o quese disse no comentário ao inciso XLII. Crime imprescritível é crime que não sofre prescrição. Por ação de grupos armados civis ou militares contra a ordem constitucional e o Estado democrático entende-se o golpe de estado. e também as condutas adotadas com base em preconceito de raça (como não permitir que um negro entre no seu restaurante. assim. o próprio crime de racismo. os crimes de homicídio qualificado. é mais severa. Comentário: Fiança é um pagamento feito pela pessoa presa para responder ao processo penal em liberdade. como um determinado limite de pena (poderiam ser anistiados todos os condenados a penas inferiores a 6 meses de reclusão. os golpistas poderão ser presos. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. proibir um oriental de entrar no seu táxi ou um branco de entrar no seu clube). Um crime considerado inafiançável é um crime que não admite fiança. Comentário: Este inciso tem vários pontos técnicos. o que significa dizer que. quer pelo Estado. XLII . em penitenciária. por eles respondendo os mandantes. a tortura e os crimes hediondos (são hediondos. impõe que. e que hoje é qualquer discriminação com base em raça (como chamar alguém de macaco. e a anistia parte de um pressuposto objetivo. é crime em relação ao qual a Justiça jamais perde o poder de punir o seu autor. podendo evitá-los. pois é a única que pode levar o preso ao regime fechado de cumprimento de pena. Note que o fato de ser imprescritível torna o golpe de estado punível mesmo que tenha êxito e derrube o governo. que à época da promulgação da Constituição ainda não existia. Findo esse prazo.Comentário: O que se pretende neste inciso é que a lei venha a estabelecer punições para toda e qualquer conduta com fundamento discriminatório. deverá ficar presa até o final do processo. tanto quanto a de detenção. Note. Comentário: Sobre crime inafiançável e imprescritível. como bom comportamento. civis ou militares. e fiança é um pagamento que a pessoa faz ao Poder Judiciário para poder responder ao processo em liberdade provisória.constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. XLIII . os executores e os que. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. .a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. preso vai ficar até o final do processo. Os crimes e o grupo de crimes previstos neste inciso não admitem nenhum dos dois benefícios. se quem o praticou estiver preso. dentre outros. poderiam evitá-lo se agissem. que nada há sobre imprescritibilidade. é privativa de liberdade. também. se omitirem. hoje. se o governo recuperar sua legitimidade. sabendo do crime ou o presenciando. quer cometida por particular.a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. Crime imprescritível. e todas aquelas pessoas que. de branquela). o terrorismo. quem mandou cometer o crime (mandante). na verdade. O dispositivo é. nos termos da lei. Crime inafiançável é crime que não admite fiança. contudo. por exemplo). processar. inafiançáveis. Por lei. Na parte final temos que responderão por esses crimes a pessoa que os comete (executor). XLIV . A pena de reclusão. mas se omitiram. Primeiro. sujeito à pena de reclusão. os crimes hediondos são. se a pessoa for presa em flagrante por tal crime. o latrocínio. Graça e anistia são dois tipos de benefícios que podem ser dados à pessoa presa ou condenada a prisão. nada mais a Justiça pode fazer contra o criminoso. de amarelo. o que implica dizer que todos esses crimes são prescritíveis.

um parente. razão pela qual. É muito importante notar que a vítima não poderá retirar dos sucessores do criminoso nenhum centavo a mais do que o valor recebido por eles na sucessão. 44. o cônjuge ou um vizinho ou amigo. não pessoal deles. Comentário: Este inciso trata das penas constitucionais. quais sejam a imposição de uma obrigação de reparar o dano causado pelo criminoso.XLV . como forma de reparar todo ou parte de seu crime.nenhuma pena passará da pessoa do condenado. XLVI . como no enriquecimento ilícito ou outros crimes funcionais. Se o valor transferido não bastar para indenizar a vítima. do direito de dirigir. Perda de bens significa tê-los retirados pelo Estado. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. autônomas e substitutivas das penas privativas de liberdade. como no caso do motorista que atropela e mata um pedestre. por exemplo. já que a obrigação de repará-lo é inafastável do causador daquele. portanto. poderá alcançar a retirada temporária ou definitiva da carteira de habilitação e. b) perda de bens. que a relação não é definitiva. seja de que pena aplicada for. o ser a pena privativa de liberdade (reclusão ou detenção). Não afasta esse princípio da personalização. já que a Constituição tolera expressamente outras penas além das previstas. entre outras. das penas possíveis no Direito brasileiro e firma o princípio da individualização da pena. art. para reparar aos cofres públicos uma quantia que deles tenha sido retirada. a segunda parte do inciso fala dos efeitos civis da sentença penal condenatória. o furto ou a apropriação indébita. Com a morte. essa vítima poderá processar os eventuais sucessores do criminoso para tirar deles os valores que tenham recebido como herança (não como sucessão). d) prestação social alternativa. como peculato. e ocorre no sursis. penas restritivas de direito e quaisquer outras penas alternativas. Perceba. até o limite do valor do patrimônio transferido. além das referentes ao crime. não podendo ser tocado o patrimônio pessoal de nenhum deles. Notese que os herdeiros do condenado falecido não têm obrigação de pagar o dano por aquele causado. Na raiz dessa sanção civil está a identificação do patrimônio do condenado como garantia da reparação do dano. como pintar as paredes de uma associação comunitária. mas sim apenas ilustrativa. para reparar à vítima ou a si próprio. havendo obrigações do falecido. Por outro lado. ministrar aulas gratuitas e outros. Condenado o criminoso por um desses crimes e falecendo antes de devolver à vítima o valor que dela tirou. portanto. o agente do crime. sendo que dirigia embriagado. c) multa. Prestação social alternativa é a condenação do condenado a fazer alguma coisa em benefício da sociedade. A privação é a perda total da liberdade. restringir-se-á ao condenado. Multa é a imposição de uma penalidade pecuniária. Sinal de que é assim é a locução "entre outras". auxiliar no atendimento em creche ou orfanatos. com ela. nos termos da lei. diz o inciso. segundo o qual a única pessoa que pode sofrer a condenação criminal é o próprio criminoso. Por fim. . pela reclusão ou pela detenção. por exemplo. antes de mais nada. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. de um valor a ser pago pelo preso. o perdimento de bens é a perda destes em favor do Estado. Corresponde às penas restritivas de direitos. uma diminuição dela. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. A execução penal. Comentário: Trata-se aqui do princípio da personalização da pena ou da responsabilidade pessoal. há transferência do patrimônio e. nos regimes aberto e semi-aberto de prisão e no livramento condicional. multas. indicadas no Código Penal. não podendo ser punido. A restrição de liberdade é apenas um cerceamento.a lei regulará a individualização da pena e adotará. A pena. geralmente nos crimes contra o patrimônio. pois essa obrigação é do espólio. Suspensão de direito é a supressão temporária dele. as dívidas serão executadas "até o limite do valor do patrimônio transferido". o caso resolve-se em perdas e danos contra a vítima. como o roubo. e) suspensão ou interdição de direitos. e desde que não sejam as do próximo inciso. cumpre ao espólio honrá-las.

que não os normais na execução das penas constitucionais e legais. antes da execução da pena de morte. a idade e o sexo do apenado. punir o criminoso condenado. condenar um brasileiro a viver fora do nosso País por um prazo (porque se fosse para sempre seria. É bom ressaltar que a expulsão de estrangeiro é legal e constitucional. e o valor pago será usado para reparar o dano causado à vítima. pelos AI-13 e AI-14. como delito autônomo. d) de banimento. como se sabe. A lei deverá dizer quais são tais penas. XIX). também. Na segunda. Somente nesses casos de guerra é que se admite a pena de morte. a chamada laborterapia. tirando-lhe a vida. poderá ser executada por mais de 30 anos. ou seja. I50. deverá ser sempre remunerado. como a prisão perpétua. dentre outras. seja ouvido o Presidente da República. nos termos do art. XLVIII . Comentário: Estão aqui todas as penas consideradas inconstitucionais. A tradição brasileira informa que. A melhor interpretação é a segunda. a conduta social. O Código Criminal do Império definia o banimento como pena que privava para sempre os réus dos direitos de cidadão brasileiro e os impedia perpetuamente de habitar o território do Império. por ter sido agredido e tendo respondido a essa agressão estrangeira. a espionagem e a traição. saber que a pena de morte é constitucional nos casos em que o Brasil esteja oficialmente em guerra com outro país. XLVII . Cernicchiaro entende que essa futura legislação deverá tratar a pena de forma a que. e na Lei de Contravenções Penais. O Código Penal deixa claro que nenhuma pena. submetendo o condenado a tratamento degradante. 84. As versões mais modernas do instituto. contudo. autorizado pelo Congresso Nacional ou por ele referendado (art. salvo em caso de guerra declarada. não ofenda a dignidade do homem. c) de trabalhos forçados. na sua execução. 200 anos de prisão. contudo. Essa é. uma pena de caráter perpétuo). além de físicos. que toma o nome de banimento. 29). podendo o condenado (como no caso da Candelária) pegar 100.A individualização da pena de que fala o inciso é a sua fixação de acordo com as características pessoais do condenado. Banimento é a expulsão de brasileiro do Brasil. Na primeira. São crimes puníveis com essa pena drástica a deserção. A discussão sobre a justiça que se faz a partir desse tipo de punição é profunda. se ainda pendente. sua condição escolar e financeira. O caráter perpétuo de uma pena aparece quando o cumprimento de qualquer uma se alonga por toda a vida do condenado. e nenhuma outra pena poderá assim ser considerada. Pena de caráter perpétuo não é a mesma coisa que pena de prisão perpétua. 84. além de custear pequenas despesas pessoais do mesmo. muito embora se reconheça os efeitos positivos de sua ocupação durante o cumprimento da pena. que poderá utilizar-se da clementia principis para impedir a morte do condenado e transformar essa pena em outra. justamente para afastar um caráter de perpetuidade. e) cruéis. a assistir à família e a ressarcir o Estado pelas despesas com a manutenção do preso. ou quebrar pedras durante o mesmo tempo. hoje à razão de 1/3 do salário mínimo. Importante se ver que o sistema penal brasileiro possibilita penas centenárias em algumas ocasiões. A relação é terminativa. Não o é apenas a expulsão de brasileiro. XLVII combinado com o art. A nosso estudo basta. A condenação de um servidor público por corrupção a nunca mais poder ocupar cargo público é inconstitucional por ter caráter perpétuo. XIX. sua personalidade. tenha a duração que tiver. Penas cruéis dependem ainda de definição. final. A pena de morte é. de acordo com a natureza do delito. física ou moralmente. seria a proibição de ser o preso obrigado a trabalhar. . e se serão considerados também sofrimentos mentais. muito embora a crueldade já exista no Código Penal. limitaram esses efeitos ao tempo de duração da pena.não haverá penas: a) de morte. seria a proibição de sujeição do preso a um trabalho para cuja execução se exija excepcional esforço físico ou mental. nos termos da Lei de Execução Penal (art.a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. 5°. Tornava-os párias. b) de caráter perpétuo. O trabalho do preso. apátridas. como agravante. A pena de trabalhos forçados pode ser entendida de duas formas diferentes. nesses casos. controvertida e de correntes inconciliáveis. a pena imposta. como fazer cadeiras durante 12 horas por dia. de 1968.

pois. pelo qual o preso deverá ter regime carcerário diferente em razão do seu sexo e idade e. pode ser confortavelmente situado sob o princípio da individualização da pena. será processado e julgado pelo país onde estiver. quer antes. e que é competente para julgá-lo e puni-lo. à justiça de outro. O banimento é a expulsão de natural do Estado que expulsa. quando ainda era estrangeiro. de acordo com as leis brasileiras. tendo aplicação o princípio da territorialidade. L . do tipo de crime cometido. em caso de crime comum. o fato de estar preso não autoriza um tratamento violento. LII . XLIX . atuando em qualquer fase do processo.Comentário: É uma espécie de desdobramento do princípio da individualização da pena. ou. Comentário: Extradição é a transferência de uma pessoa de um país para outro. mas também aos presos temporariamente. É um dispositivo de conteúdo humano e. de regra. isto é. portos e aeroportos. Comentário: Tem-se no Código Penal que o preso conserva todos os seus direitos não atingidos pela perda da liberdade. de jovens com criminosos experimentados e de autores de pequenos furtos com grandes traficantes e homicidas. Assim. esse brasileiro será processado e punido no Brasil como se aqui tivesse cometido o crime. É um ato de soberania do Estado.nenhum brasileiro será extraditado. e essa conduta for punida no Brasil. Comentário: Pretende-se aqui não infligir dano aos filhos de presidiárias pelo fato de essas estarem com sua liberdade cerceada. se for comprovado o seu envolvimento com tráfico ilícito de drogas. pela prática de crime comum (pelas leis brasileiras) antes da naturalização. A expulsão é ato soberano de um Estado (país). Se fizer alguma coisa no estrangeiro.é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. portanto. ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. a convivência de presos e presas. salvo o naturalizado. refino. nele. desde a plantação ou cultivo da erva ou folha até o transporte. o banimento e a deportação. sempre dependendo de decisão soberana do Supremo Tribunal Federal. Seu fundamento é o ingresso. em nenhuma hipótese. de acordo com a lei local. acusado de um delito ou já condenado como criminoso. somente pode ser extraditado em duas situações. ou seja. irregular no território nacional. venda ou lavagem de dinheiro. pelas chamadas prisões processuais. também. Isso se conseguir cometer esse crime em outro país e fugir antes de ser preso.às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. e depende da existência de tratados de extradição ou compromissos de reciprocidade. quer depois da naturalização. É de se notar que a Constituição fala em "presos" e.não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. praticado antes da naturalização. A deportação é a devolução do estrangeiro ao exterior. aquele que era estrangeiro e tornou-se brasileiro a pedido. não refere-se apenas aos definitivamente presos por sentença final. que o reclama. veja-se que não se confundem a extradição. seja qual for a pena. para que nele seja processada e punida por algum crime. se o fato pelo qual o país que pretende a . na forma da lei. por exemplo. poderá ser extraditado a qualquer tempo. LI . extraditável. nem ordens que o submetam a atitudes ou situações constrangedoras. a pedido deste. Na primeira. Não é possível a extradição. Hildebrando Accioly a define como o ato pelo qual um Estado entrega um indivíduo. que nele esteja irregularmente. que retira do seu território determinada pessoa que haja. para impedir. contudo. Comentário: O estrangeiro é. e ocorre geralmente na área de fronteira. cometido fato tido como criminoso pelas leis locais. O brasileiro naturalizado. Note que neste caso a extradição somente será dada depois de ter essa pessoa cumprido a pena imposta no Brasil. que a defere se quiser. a expulsão. também. ou tentativa de ingresso. extraditado pelo Brasil para nenhum outro país. O brasileiro nato não pode ser. do contrário. depravado ou subumano. ainda. Por fim. Na segunda.

LIII . . o juiz não pode impedir que isso aconteça. isto porque o primeiro direito do acusado não é apenas o de ser julgado por um órgão independente do Estado. nos termos hoje consagrados. O desrespeito a esse princípio conduz à nulidade do processo. no Statute of Westminster of the Liberties of London. Para Nelson Nery Junior. d) a definição em lei das atribuições do órgão. A primeira menção expressa ao trinômio consagrado. caso em que esse estrangeiro será protegido pelo asilo político previsto no art. e foi também repetida em diversas constituições estaduais norte-americanas. LIV . mas sob ótica diversa. o postulado do juiz natural. Basta que se diga que ele impõe que as características e peculiaridades de cada tipo de processo judicial. o princípio do promotor natural. tanto em razão do fato como da pessoa ou do local do ilícito. aboli. Para Luiz Alberto David Araújo. Este princípio tem suas raízes na Magna Carta de João Sem Terra. antes de incorporar-se ao texto da Constituição Americana de 1787. ou seja. Qualquer dessas violações conduz à inconstitucionalidade do procedimento. até mesmo antes disso. segundo Nelson Nery Junior. para alguns. e uma eventual concessão de extradição seria inconstitucional. foi feita na Declaração dos Direitos de Maryland.dos o procedimento de ofício. a impossibilidade de utilizar-se em juízo prova obtida por meio ilícito. escolhido previamente segundo critérios e atribuições legais. Quanto ao princípio do promotor natural. principalmente. o estabelecimento de critérios objetivos para a determinação da competência dos juízes. b) direito a juiz imparcial. ou criem novidades ao longo dele. Assim. consistente na prévia individualização dos juízes por meio de leis gerais. ou ignorem ou não garantam direitos e prerrogativas das partes.ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. também. prosseguiu aparecendo. o de receber a acusação de um órgão independente. sem que os órgãos judiciários usem um processo por outro. como também aparece). Para Nelson Nery Junior. d) observância das determinações de procedimentos referentes à divisão funcional interna. Como não há definição constitucional ou legal do que seja crime político. esse princípio assegura: a) direito à prévia citação. referentemente ao objeto do litígio. b) a existência de órgão de execução. Nelson Nery Junior ensina que o Princípio do Juiz Natural se traduz no seguinte conteúdo: a) exigência de determinabilidade. segundo lição de Alexandre de Moraes. em cada caso. é deste princípio que decorrem todos os demais. o acusador público de encomenda. para a lei brasileira. c) a lotação por titularidade e inamovibilidade do promotor de justiça no órgão de execução. afirmando a doutrina que são manifestações do Due Process of Law o princípio da publicidade dos atos processuais. ou seja. 39). do contraditório e do procedimento regular. 4°. a acusação privada e. crime político ou de opinião. mais abreviado). incumbe ao Supremo Tribunal Federal. Se a parte tinha direito de produzir prova ou ter vistas ou ouvir testemunhas ou fazer perícia. de 1215 (art. por exemplo. Segundo ele. Comentário: Eis aqui o princípio do juiz natural e. este princípio exige a presença de quatro requisitos: a) a investidura no cargo de promotor de justiça. Princípio de profundo significado técnico. b) garantia de justiça material. c) fixação de competência. se o rito era ordinário (mais longo). em 3/11/1776. julgar o caráter político do fato criminoso.ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. de 1354. escolhido pelo procurador-geral de justiça. não é esta obra o local adequado para discuti-lo em profundidade. X. as autoridades judiciárias que funcionem num processo precisam ser aquelas com competência para isso. mas. o juiz não pode impor rito sumário (mais curto. independência e imparcialidade dos juízes. Comentário: Este inciso encerra o Princípio do Devido Processo Legal (ou Due Process of Law. A partir das lições dos direitos alemão e português. sejam religiosamente respeitados.extradição e punição do estrangeiro seja. diz Hugo Nigro Mazzili que este é o mesmo princípio do juiz natural.

Comentário: Trata-se aqui do princípio da presunção da inocência. Comentário: Aqui é encontrado o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. mas. Ampla defesa é a garantia constitucional que a parte tem de usar de todos os meios legais de fazer prova para tentar provar a sua inocência ou para defender as suas alegações e o seu direito. reputam-se ilícitas as provas obtidas com infração a normas ou princípios de direito material e. LVII . a ilicitude repercute no plano processual. mas a partir de elementos colhidos de forma ilícita. com os meios e recursos a ela inerentes. elemento integrador do convencimento do juiz. a prisão desse traficante e o confisco da própria droga serão ilegais e tidos como nulos. Assim. ou seja. impertinente ou protelatória. no processo.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. LVI . o que significa dizer que a sindicância e o processo administrativo terão que respeitar esses princípios. Não só a prova ilícita resulta nula e inexiste no processo. as provas obtidas por meios ilícitos. Ou. se um delegado de polícia faz uma gravação telefônica ("grampo") ilegal na casa de alguém e consegue obter a confissão de envolvimento em tráfico de drogas. Em matéria penal. Também são considerados inexistentes todos os atos que se originaram nessa prova ilegal. e) direito à defesa técnica. e não existia nas Constituições anteriores do País. de resistir à pretensão do outro. Comentário: Uma prova produzida de maneira ilícita é uma prova inexistente para o Direito. por melhor que seja a prova ou o seu resultado. Assim. efetivamente. de outro. d) direito ao contraditório. de discordar e de trazer as suas razões aos autos. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa.aos litigantes.são inadmissíveis. de um lado.c) direito ao arrolamento de testemunhas. não se reduzindo ao direito de propor ou ver produzidos os meios de prova. a necessidade de dar-se conhecimento da existência da ação e de todos os atos do processo às partes. É importante notar que qualquer litigante (partes numa lide. mas também as chamadas provas ilícitas por derivação. Por essa orientação. e tudo e qualquer coisa que ela provar. na lição de Luiz Francisco Torquato Avolio. Segundo o mesmo autor. tornando a prova inutilizável. na defìnição de Nelson Nery Junior. civil e administrativo. . conceito obtido da doutrina americana do fruits of the poisonous tree. não culpado. a possibilidade de as partes reagirem aos atos que lhes sejam desfavoráveis. A prova tem importância fundamental no processo. as provas colhidas por meios lícitos. e. é inconstitucional qualquer ação no sentido de se apontar qualquer pessoa como culpada de qualquer coisa até que o competente processo legal esteja concluído sem mais possibilidade de recursos. Não ofende nem o contraditório nem a ampla defesa o indeferimento. durante uma investigação ou durante o próprio processo. é. na possibilidade de influir no convencimento do juiz. o direito à prova constitui desdobramento do princípio do contraditório. Contraditório é o poder que tem cada parte no processo de resistir ao que pretende a outra parte. pois constitui. embora essas violações ocorram nesse plano. o réu é apenas acusado. em processo judicial ou administrativo. entende-se que não é admissível a inversão do ônus da prova ou de qualquer outra providência que force a uma situação de presunção de culpa. h) privilégio contra auto-incriminação. LV . também chamado de Princípio da NãoCulpabilidade. pelo juiz. num processo) tem esses direitos. enquanto ele ainda estiver tramitando. será desconsiderado e tido como não existente no processo. É importante notar que o contraditório assume diferentes feições nos processos penal. g) direito ao não-uso de provas ilícitas. Mais do que isso. tanto em processo judicial quanto administrativo. são contaminadas pela ilicitude e tem o mesmo destino. f) direito à igualdade entre acusação e defesa. de diligência tida por desnecessária. Por ele.

Comentário: Identificação civil é aquela feita a partir de qualquer documento civil apto para provar que a pessoa é quem diz ser. também a fotografia policial seria identificação criminal. não comece a ação.será admitida ação privada nos crimes de ação pública.a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. não mais passível de recurso. Identificação criminal é a dactiloscópica. audiências e julgamentos poderão ser secretos. apresentando. que o crime não fique impune. ou seja. como a carteira de identidade. Para essas situações. Guarda-se. atos processuais. pela natureza da matéria discutida. podendo qualquer pessoa presenciá-los. Geralmente. como divórcio. quando. chamada subsidiária. o decalque das impressões digitais em papel. separação judicial. Isso ocorre quando a intimidade das partes ou o interesse social exigirem que apenas as partes e seus advogados. aqui. como regra. já que a única ação que poderia levar a punição até ele não foi começada pela única autoridade que podia fazê-lo. mãe. sendo absolutamente proibido ao ofendido (vítima) que ajuíze tal ação. se esta não for intentada no prazo legal. LX . é exclusiva do Ministério Público. As exceções. o que significa que apenas um promotor de justiça ou um procurador da República poderá propô-la. ou somente estes. Para o ofendido ou seu representante legal existe a ação penal privada. tutor ou curador) poderão oferecer uma ação privada. Por eles. ou. A autoridade policial somente poderá exigir a identificação criminal se a pessoa não puder ou não quiser apresentar documento civil de identidade. Neste caso. consolidada. os casos em que poderá ser exigida a dupla identificação. Somente se admite outro tipo quando isto estiver expresso no Código ou na lei. contudo. qualquer pessoa que já tenha provado a sua identidade com um documento civil não poderá ser obrigada a "tocar piano". não peça provas novas. assim. A regra no Código Penal é de que os crimes sejam de ação penal pública incondicionada.Trânsito em julgado é expressão jurídica que indica uma decisão judicial irreformável. públicos. que ainda não existe. serão criadas por lei. na qual um crime que exigia ação pública será processado por ação privada oferecida pelo particular. . o Princípio da Publicidade. A doutrina reconhece sob o nome de "status de condenado" a situação do réu declarado culpado por sentença final. presenciem tais ocorrências judiciais. o passaporte. contudo. garantindo. Com ele. civil e criminal. LIX .o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal. como regra. audiências e julgamentos serão sempre. atos processuais. Para alguns. não é interesse da justiça e das partes que haja público para ouvir ou ler os debates. Como exceção. a decalcar os dedos. O que o inciso afirma é que. a carteira de trabalho. Comentário: Este inciso se completa com o inciso IX do art. que num crime de ação penal pública o Ministério Público não faça absolutamente nada. sigilosos. desde que guarde silêncio e porte-se de maneira respeitosa. tanto condicionada como incondicionada. seja este tido por falso ou pre sumivelmente falso. Comentário: A ação penal pública. alimentos e investigação de paternidade. isso é. Pode ocorrer. ou seja. não peça arquivamento. exclusiva dele. ficam proibidas as sessões secretas (que o regimento interno do Supremo Tribunal Federal previa). um criminoso poderia não vir a ser punido. LVIII . 93 desta Constituição. salvo nas hipóteses previstas em lei. diz o inciso que o ofendido ou seu representante legal (pai. isso ocorre nas ações de estado. no que é chamado de segredo de justiça.

contudo. Comentário: São vários os direitos do preso. pelos quais poderá vir a ser processado por abuso de autoridade. ao juiz competente. para que essas pessoas possam verificar o estado físico e psíquico do encarcerado. não diz nada. já visto. A regra geral. impõe que a prisão somente poderá ocorrer sob dois argumentos.a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. Uma. aves ou para intimidar um transeunte pacífico ou para matar um desafeto também poderá sê-lo (crime militar próprio). LXV . O que se comunicará é o fato da prisão e o local onde está detido o preso. ou. De início. em qualquer situação. As autoridades policiais ficam obrigadas a oferecer ao preso todas as alternativas necessárias à identificação do policial ou da equipe que o prendeu ou interrogou. Outra. definidos em lei. Ou a pessoa está em flagrante delito (cometendo o crime. a prisão terá que ser executada em cumprimento de ordem judicial escrita e fundamentada. entre os quais o de permanecer calado. O melhor entendimento desse direito de ficar calado é aquele que aponta o descabimento de ser o preso obrigado a falar e assim fornecer elementos que serão usados para prejudicá-lo e à sua defesa no processo. não podendo cometer excessos. as prisões obedecem ao que consta no Código Penal Militar. na esfera militar. Qualquer preso. Comentário: São obrigatórias duas comunicações a partir da prisão. LXII . Hoje. LXIII .LXI .a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. e ajudá-lo. sem que esteja em flagrante e sem ordem judicial. se for possível identificá-la. veja-se que estão previstas exceções à regra. explícito no inciso. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. sendo perseguida logo após o crime ou sendo encontrada logo depois com objetos ou instrumentos dos quais se presuma a autoria do crime). Realmente. Comentário: Com este inciso começa a disciplina constitucional da prisão. . pois do silêncio do acusado nenhuma conclusão sobre sua culpa pode ser tirada. Assim. e um militar que use arma de serviço para atirar em latas. não estando em flagrante ou não tendo a fundamentá-la uma ordem de autoridade judicial escrita e fundamentada. de ter preservada a sua integridade física e. obrigatoriamente. Comentário: O dispositivo tem finalidade nitidamente preventiva. e que poderá ser o seu advogado. considerando o que consta no inciso anterior. ou à pessoa que o preso indicar.ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. ou a alguém da família. Sabendo que o preso tem direito constitucional de identificá-lo. dentre eles o de ser assistido pela família e por advogado. o qual vai justamente avaliar a legalidade da prisão. LXIV .o preso será informado de seus direitos. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. o policial que realizar a prisão ou o interrogatório do preso saberá usar apenas a força necessária para um e outro ato. não podendo mais ser uma ordem de autoridade policial (como está na Lei de Contravenções Penais) ou autoridade executiva (como no caso da prisão para extradição por ordem do Ministro da Justiça). pode reservar-se o direito de somente falar em juízo. a prisão estará inconstitucional e ilegal. um soldado que se recuse a obedecer a uma ordem de um superior ou o desrespeite pode ser preso (transgressão militar). quem cala. consente" não tem mais a menor valia. negando-se a responder a todas as perguntas da autoridade policial.o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial. acabando de cometê-lo. e não estão sujeitas às regras gerais estabelecidas para o caso no campo das relações civis. Note que a Constituição quer ordem judicial. o de ficar calado. Não sendo militar. até por força do Princípio da Presunção da Inocência. A antiga presunção de que "quem cala.

O habeas corpus pode ser usado contra ato de qualquer pessoa. Comentário: Há crimes inafiançáveis. são ditos crimes de cuja prisão o preso livra-se solto. Uma prisão legal. a única ação que pode ser impetrada por qualquer pessoa. portanto. LXVII . LXVI . vir e ficar. cujos autores. ou. E. poderá ser presa a pessoa que for devedora de pensão alimentícia e. Finalmente.conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. embora isso também ocorra com aquele que não quer ou não pode pagar fiança. atualmente. independentemente de advogado. a pessoa é presa para ser pressionada a fazer alguma coisa. A liberdade obtida é provisória. Na primeira. segundo. a natureza é coercitiva. decide parar de fazê-lo. pelos quais se possibilita ao preso pagar uma quantia arbitrada por autoridade policial ou judicial (dependendo do crime) e. o que leva à conclusão de que só ficará preso o autor de crime inafiançável. podendo pagar. expressa pela sua liberdade de ir. E há crimes levíssimos. A segunda exceção é a prisão do depositário infiel. Já na prisão civil. que é quem recebe um bem para guardar em depósito. por ilegalidade ou abuso de poder. No vocabulário jurídico. Pode ser usada por qualquer pessoa. por exemplo. 21 anos). de particular ou da Justiça. presa sem ordem judicial escrita e fundamentada. na hora de devolver esse bem. a da pessoa que não estiver em flagrante. não pode ser desfeita por habeas corpus. Quem recebia a pensão pode pedir a prisão civil do devedor.não haverá prisão civil por dívida. é necessário que a violência ou coação contra a liberdade de locomoção tenha por fundamento um ato abusivo ou ilegal. a prisão criminal). em benefício próprio ou de outrem. A regra está no início do inciso: não haverá prisão civil por dívida.ninguém será levado à prisão ou nela mantido. e até o Ministério Público pode dela fazer uso em favor de quem quer que esteja preso ou ameaçado de prisão ilegal ou abusiva. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. deverão ser libertados provisoriamente sem precisar pagar qualquer quantia como fiança. com ou sem fiança. Há crimes afiançáveis. sem uma justificativa aceitável para tanto. a regra é que o preso tem direito à liberdade provisória. Por "qualquer pessoa" entenda-se inclusive estrangeiros. Comentário: A prisão civil difere da prisão criminal. por mais que se tenha certeza de que o preso é o culpado. Traduz-se que ninguém pode ser preso por ser devedor de outrem (o que não é a mesma coisa de pagar com cheque sem fundo. quando a lei admitir a liberdade provisória. a partir desse pagamento.Comentário: Prisão ilegal é aquela que não obedece aos parâmetros legais. a pessoa está presa como punição por ter cometido um crime. sucessor de Ricardo Coração de Leão). A partir dessas noções se compreende o alcance do inciso em estudo. Há duas exceções à regra. como. a cumprir uma obrigação que deveria ter cumprido e não o fez. e. Tal prisão. compreendida nesta também a liberdade de fixar residência. tanto autoridade pública quanto pessoa privada. deverá ser relaxada (liberação do preso) por ordem de autoridade judiciária. ou seja. Nos crimes em que o preso livra-se solto e naqueles em que caiba a fiança. pois isso é crime de estelionato e sujeito. . mesmo presos em flagrante. o habeas corpus é uma ação que tem por objeto tutelar a liberdade física de locomoção do indivíduo. porque a prisão preventiva ou cautelar do acusado poderá ser pedida a qualquer momento. LXVIII . sob o Rei João Sem Terra. A prisão criminal tem natureza punitiva. com ou sem capacidade jurídica (maioridade civil. em outras palavras. apesar de quebrar a liberdade de locomoção do preso. É. dois dos quais já vimos nos incisos anteriores. primeiro. não mais o tem. que ficará preso até que pague ou volte a pagar essa dívida alimentar. obter liberdade provisória. porque ele poderá ser preso novamente se condenado ao final do processo a pena restritiva ou privativa de liberdade. se assim entender a autoridade policial ou judiciária. Comentário: De origem inglesa (1215.

A legitimação ativa é ampla. objeto: cabe contra atos lesivos ao direito de locomoção. Há fundada divergência doutrinária quanto a essa natureza jurídica. profissão. legitimação ativa: qualquer pessoa física. no caso. para a proteção de direito líquido. quando interposto contra uma decisão. ou de ação tutelar. Na prática. quando o habeas corpus é pedido por delegado de polícia. que se tenha exatamente dimensionado o alcance do direito pretendido (líquido).conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. podendo ser impetrado por "qualquer pessoa" (art. pessoa jurídica privada ou pública ou qualquer entidade que tenha capacidade processual. A liminar em habeas corpus não só é cabível como absolutamente necessária. certo e incontestável. para afirmar que não cabe o habeas corpus em relação a punições disciplinares militares. em relação às Forças Armadas. tipos: pode ser preventivo (salvo conduto) ou repressivo (habeas corpus liberatório). essa ressalva não prevalece quando a ilegalidade da punição for flagrante. contra atos de tribunais (exceto do Supremo Tribunal Federal). não amparado por habeas corpus ou habeas data. 142. Réu nessa ação deverá ser a autoridade pública competente para desfazer o ato que esteja violando o direito líquido e certo de alguém. De recurso. § 2°). Paulo Lúcio Nogueira a reconhece com a natureza híbrida. independentemente de idade. por promotor ou por juiz. natureza jurídica: é ação constitucional de caráter penal e procedimento especial. desde que não sejam o direito líquido e certo de locomoção (amparado por habeas corpus) e os direitos líquidos e certos de obter informação a seu respeito e de retificá-la (amparados por habeas data). mas está ameaçado de sofrer tais ilegalidades). idade. Todos os demais direitos líquidos e certos são protegidos pelo mandado de segurança. Na definição de José Cretella Junior. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. podendo deferir a ordem por motivo diverso do alegado. qualquer pessoa física. Pode usar essa ação qualquer pessoa que comprove titularidade de direito líquido e certo. nacional ou estrangeira.Note que essa ação pode ser repressiva ou liberatória (quando alguém estiver sofrendo violência ou coação contra o seu direito de locomoção) ou preventiva (quando alguém ainda não sofreu. direito líquido e certo é todo aquele cuja titularidade possa ser inequivocamente demonstrada por quem o pretende (cerin) e que esteja delimitado em sua extensão. mas o faz em outra passagem (art. profissão ou capacidade civil. contra atos ilegais de promotor de justiça e contra atos de juízes e órgãos colegiados. já que deverá. podendo ser autoridade pública ou particular. Também pode ser réu nessa ação. Pessoa jurídica pode ajuizar em benefício de pessoa física. A redação atual não menciona a ressalva neste inciso. quando impetrado contra possível ameaça de constrangimento ilegal. - . As Constituições anteriores. legitimação passiva: o coator ou quem ameaça o ato de coação contra a liberdade de locomoção. Para Paulo Lúcio Nogueira. condição social ou nacionalidade. de ação e de recurso judicial. Para esses fins. não podendo ser usado para qualquer outra ilegalidade. Comentário: O mandado de segurança é uma ação que visa a proteger todos os direitos líquidos e certos do impetrante. no Brasil. Promotor de Justiça pode utilizar essa ação. mas juiz não. podemos elencar apontamentos fundamentais para a compreensão do habeas corpus: finalidade: é proteção ao direito de locomoção. surgem problemas. conceder a ordem de ofício. ameaçado ou violado por ato ou fato oriundo de autoridade responsável pela ilegalidade ou abuso de poder. de que pode utilizar-se pessoa física. O habeas corpus tem dupla natureza jurídica. fundamentos do pedido: o juiz ou tribunal competente para o julgamento não está vinculado à causa do pedido. em benefício próprio ou de terceiro. 654 do CPP). como reconhece Celso Delmanto. LXIX . ou seja. independente de estado mental. o mandado de segurança é ação de rito sumaríssimo. A partir da forte obra de Alexandre de Moraes. liminar: é admitida a concessão de liminar. sexo. excluíam a utilização do habeas corpus nas punições e transgressões disciplinares.

entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. Tudo isso nos termos do art. finalmente. somente poderão ser as entidades citadas no inciso. Frise-se que se o direito tiver duvidosa a sua existência. também e ao mesmo tempo. Os interesses que podem ser defendidos por esse instrumento são os coletivos ou individuais homogêneos. mas sim. se a lei tiver efeitos concretos. Note-se. tanto os "interesses" deste inciso quanto os "direitos" do anterior levam ao mesmo lugar. Uma última questão versa sobre o termo "interesses". . As condições de admissibilidade da ação são o direito líquido e certo e o ato ilegal ou com abuso de poder. e até terceiros prejudicados em relação ao ato da administração. a saber: .o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. Na legitimação ativa estão. o mandado de segurança é cabível. esse direito não será nem líquido nem certo. para que não haja dúvida alguma quanto aos exatos limites do que se pede. no ato atacado. entidades de classe e associação só poderão usar essa ação na defesa de interesse de seus membros ou associados. como já visto). sempre. tout court. Zélio Maia. para seu exercício. da ocorrência de fato futuro incerto. Comentário: O mandado de segurança coletivo tem os mesmos pressupostos do mandado de segurança visto acima. inclusive menores e estrangeiros. como se viu. 5° da Lei n° 1. A medida liminar é cabível e desejável. b) organização sindical. porque esta não fere direito individual. Themístocles Brandão Cavalcanti. entre outros. o mandado de segurança cabe contra ato disciplinar. tenha agido como preposto ou intermediário de órgão público. O STF. no mandado de segurança coletivo o impetrante não é o dono do direito líquido e certo. Segundo aquele mestre. embora sendo. é o que se apresenta devidamente individualizado e caracterizado. segundo jurisprudência do STJ. 5°. que o partido político pode usar a ação de mandado de segurança coletivo somente em benefício de seus filiados.533/51. Pontes de Miranda ensinou que direito líquido e certo é aquele que não desperta dúvidas. O mandado de segurança cabe também contra ato judicial. Para Calmon de Passos. A condição a diferençá-los é que. coisa julgada. em defesa dos interesses de seus membros ou associados. Direito líquido e certo. As organizações sindicais. A sentença que concede mandado de segurança faz. A utilização do termo "interesses" foi para reduzir a atuação dos substitutos processuais na defesa daqueles direitos para cuja tutela manifestaram interesse de filiar-se à associação ou entidade. calcado em vasta doutrina. que esteja funcionando regularmente há pelo menos um ano e esteja legalmente constituída. que serão defendidos pela ação para Uadi Lamêgo Bulos. federação ou sindicato) ou entidade de classe (que represente classe econômica).partido político. já entendeu que. ou b) que. que está isento de obscuridades. desde que representado no Congresso Nacional (e para isso basta que tenha ou um deputado federal ou um senador). LXX .em nome próprio ou de pessoa jurídica. o dono do direito reclamado. que não precisa ser aclarado com exame de provas em dilações. . enquanto no anterior o impetrante (autor) da ação de mandado de segurança é. para Arnoldo Wald. aos direitos de seus membros ou associados cujo substrato material seja um interesse de membro ou interesse de associado. a legitimação diz respeito não à defesa dos direitos de seus membros ou associados. Detentor de tal direito pode ser qualquer grupo de pessoas. não valendo a ressalva do art. Não cabe mandado de segurança contra lei em tese. também do STF. a redação do modo como foi adotada evita excessos. por outro lado. Impetrante. todas comprovadamente nessa condição de detentoras do direito. contudo. III. desde que. segundo.organização sindical (que pode ser confederação. não tenha o recurso efeito suspensivo. se não estiver dimensionado em seu alcance. desde que: a) o ato não seja passível de revisão por recurso específico. Segundo o Ministro Carlos Velloso. se depender. da Lei citada. de qualquer tipo (desde que tenha fins legais e não tenha caráter paramilitar. . para assegurar a eficácia do instrumento judicial. como lembra o prof. com finalidade política e desde que haja autorização estatutária.associação.

judicial ou administrativo. constitucionalmente. a partir do que dizem os arts. é preciso: a) que haja direito. g. em várias passagens (por exemplo. A legitimação ativa é de qualquer pessoa com interesse no direito. que ao Judiciário incumbia apenas reconhecer a omissão legislativa. I. Mesmo sob as críticas da doutrina. garantia ou prerrogativa assegur~idos na Constituição (e não na lei). e d) que. se quiser. e. ganhar. O debate em torno da posição jurisprudencial do mandado de injunção não encontra local correto nesta obra. sem a qual tais direitos não podem ser exercidos. liberdade ou prerrogativa constitucional. assim. I. foi a escolhida pelo Supremo Tribunal Federal. com exceções tópicas em casos bem específicos. assim. O mandado de injunção pressupõe uma norma constitucional de eficácia limitada. à soberania e à cidadania. LXXII . h. constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. isso porque as repetidas decisões do Supremo Tribunal Federal sobre essa matéria têm tirado muito da força que o constituinte de 1988 pretendeu dar a ele. a elaboração da norma faltante. ação pela qual o interessado no exercício do direito que depende de norma para ser desfrutado vai ao Judiciário buscar o regramento. e resolvê-la. para o seu caso concreto. já reconheceu a viabilidade de mandado de injunção coletivo. Presta-se ela. A primeira proclamava que ao Judiciário incumbia formular a norma faltante. o constituinte criou o mandado de injunção.LXXI . VII. pelo que o faremos no futuro. principalmente em face do obstáculo principal. a competência será fixada. Comentário: O mandado de injunção é. . estabeleceu direitos cujo exercício foi condicionado à elaboração de uma lei posterior que viesse a dizer em que termos isso iria ocorrer. A terceira. 37. Cretella Junior o chamou de "remédio inócuo". A terceira. O habeas data é ação adequada para que o impetrante tenha acesso a informações a seu respeito. que. Sem essa lei o direito garantido pela Constituição fica letra morta. a ação mandamental que menos utilidade tem tido para os seus autores. que a proclamou em reiterados julgados. se reiterada. Conforme a qualidade da norma. Em outras palavras: a Constituição Federal. para que caiba essa ação. c) que essa regulamentação ainda não haja sido feita. sem essa regulamentação. de esquizofrenia constituinte". essa orientação foi mantida. 7°. não seja possível exercitar a garantia constitucional. Celso Bastos afirmou que "este habeas data é um grande engodo. XXI). a propósito. A segunda. finalmente. que o Judiciário deveria julgar a lide nos termos em que proposta. ideologicamente. O STF. na garantia ou na prerrogativa constitucionalmente assegurada.conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. Tem. contudo. Comentário: O habeas data nasceu sob severas críticas da doutrina. as condições de exercitar o direito constitucional que tem. Por outra via. qual seja a absoluta impossibilidade de o Judiciário determinar ao Executivo ou ao Legislativo que elabore a norma faltante. Fiquemos com os contornos que o constituinte atribui a essa ação. b) para a retificação de dados. A segunda linha era e é a preferida por toda a melhor doutrina. art. garantia ou prerrogativa exija regulamentação. em livro específico. a suprir a falta de norma regulamentadora de direito. diante do princípio da independência dos Poderes. através da mesma ação. quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso. fica regra sem efeito nenhum. Para impedir isso. 102. fazer a retificação dos dados encontrados de modo a ajustá-los à realidade e à verdade. levaria à declaração da inconstitucionalidade por omissão. Muito já se discutiu sobre o conteúdo da decisão judicial em mandado de injunção. b) que esse direito. art. regulamentando exclusivamente para as partes o direito pendente. No pólo passivo figura o órgão a quem incumbe. talvez. sob o argumento de que não incumbe ao Judiciário o exercício anômalo de função típica de outro Poder. Houve três correntes. constantes de bancos de dados oficiais ou públicos e. dupla função: conhecimento e retificação.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. fruto de uma esquizofrenia. e 105.

o comunitário. Onde houver ato funcional lesivo ao patrimônio público. processo administrativo sigiloso e processo judicial sigiloso. salvo comprovada má-fé. o artístico. como custas iniciais para autuação. o histórico. A decisão da ação popular é constitutiva negativa. principalmente em face do princípio do amplo acesso ao Judiciário. honorários de peritos. há o direito e o dever cívico do cidadão de defendê-lo. porte de remessa e retorno de recurso e assim por diante. física ou jurídica. Bancos de dados públicos são aqueles organizados e mantidos por entidades privadas. esta última um conceito muito amplo que dá extraordinário alcance à ação popular. A legitimação passiva é de todo órgão ou entidade governamental. Importante notar duas coisas: primeiro. Segundo Pinto Ferreira. o cívico. entendemos. ficar evidenciado que usou da ação popular de má-fé. impugnados em termos de anulação ou nulidade. o meio ambiente e a moralidade pública. e. usando. Segundo. em estruturação. ficando o autor. mas apenas quando. Se todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido. à moralidade administrativa. como salienta Sahid Maluf. de capacidade eleitoral ativa. de poder de voto. na medida em que visa a desconstituir os atos. que a retificação pode ser feita de três maneiras: habeas data. ou da inafastabilidade da jurisdição (art. vis ou baixos. Custas são todos os valores geralmente cobrados no curso de um processo judicial. O objetivo da ação popular não é outro senão o de anular um ato lesivo a bem constitucionalmente protegido.038/90. ter entendido que tal requerimento é necessário. derrotado. mas apenas aquele ou aqueles detentores de direitos políticos. de qualquer esfera administrativa. para qualquer fim. pessoa . XXXV). o exercício do poder deve estar sob a vigilância constante do povo.qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. ou. Perceba que isso não será imposto ao autor da ação popular sempre que ele for derrotado. que o impetrante (autor) da ação de habeas data somente poderá usá-la para obter informações a seu respeito. o que implica dizer que não é qualquer brasileiro que pode fazê-lo.Bancos de dados oficiais são aqueles mantidos por órgãos governamentais. o patrimônio público. como regra. Seu fundamento está na natureza substancial do regime democrático. para fins não escusáveis. Pode propor essa ação somente o “cidadão” . como muitos outros. por ordem deste. mas não a ação popular penal. ainda. na lição de Péricles Prade. para conhecer informações a seu respeito. tradutores e outros. Comentário: A nossa Constituição prevê a ação popular civil. portanto. É exemplo o ex-SNI e a Agência Brasileira de Inteligência. de brasileiro eleitor. estes desde que as dimensões de sua atuação ganhem uma ressonância pública. ou seja. sendo estes apenas o patrimônio histórico e cultural. o autor da ação popular não será obrigado a pagar nem custas nem ônus da sucumbência. porque sua falta revelaria ausência de interesse de agir do impetrante. com um caráter corretivo. Ônus da sucumbência é o dever que a parte perdedora tem de pagar o advogado da parte vencedora. visando à nulidade dos atos lesivos ao patrimônio público ou ao interesse público. Grande discussão existe sobre a necessiciade de requerimento administrativo antes do uso da ação de habeas data. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. A legitimação ativa é de qualquer cidadão. mediante a responsabilidade do autor do ato e de seus beneficiários. cuja atuação tenha por finalidade. 5°. se não exclusiva pelo menos relevante. mediante o pagamento de perdas e danos decorrentes da irregularidade cometida. Patrimônio público. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. vê-se. o estoque de dados pessoais. que o habeas data pode ser usado sem esse requerimento. no direito brasileiro. em seu próprio favor. o cultural. A legitimação ativa é de qualquer pessoa. porque a informação prestada administrativamente pode não ser tão séria ou completa quanto aquela prestada sob a ameaça do Judiciário. que pode também ter caráter preventivo. por maioria. incluindo-se a administração descentralizada e os próprios entes privados. Segundo já sumulado pelo STF (Súmula 365). a ação popular tem uma natureza civil. pessoais. sendo que essa qualidade se comprova com o título de eleitor. Apesar de o Superior Tribunal de Justiça. São exemplos o Serviço de Proteção ao Crédito e o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos. LXXIII . as normas do processo do mandado de segurança até que haja legislação específica. abrange o econômico. O processamento do HD obedece à Lei n° 8. O interesse de agir advém do prejuízo ao patrimônio público decorrente do ato lesivo. Lê-se no inciso que. também.

jurídica não tem legitimidade para propor ação popular. A legitimação passiva é da autoridade ou preposto de autoridade pública responsável pelo ato lesivo. Os pressupostos são a ilegalidade do ato e a sua lesividade. A liminar é admissível. A intervenção do Ministério Público, depois de 1965, foi reconhecida como obrigatória, sob pena de nulidade. O processamento é regulado pela Lei n° 4.717/65. LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; Comentário: A assistência jurídica integral e gratuita é prestada por um órgão criado pela própria Constituição, a Defensoria Pública, prevista no art. 134, e cuja finalidade é propor e tocar as ações judiciais de interesse de pessoas que tenham insuficiência de recursos. Insuficiência de recursos, para os fins deste inciso, não é a situação de miserabilidade, mas, sim, a daquela pessoa que tem renda suficiente para manter-se, mas não pode desviar nenhum dinheiro dessa renda para custear um advogado e manter uma batalha judicial. Obviamente também os miseráveis estão amparados. É para esses a Defensoria Pública. LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; Comentário: Trata-se aqui da indenização de ato judicial típico, e não de ato administrativo realizado por autoridade judicial. E o ato judicial típico é a sentença, a decisão. Existem somente dois fundamentos possíveis pelos quais se pode pedir indenização ao Estado por ato judicial. O primeiro é no caso de condenação por erro judiciário (por exemplo, de um irmão gêmeo, ou de um homônimo). O segundo e último é o da prisão para além do tempo fixado na sentença. Ocorrendo qualquer dos dois casos o prejudicado entrará com uma ação cível de reparação de danos morais, materiais e à imagem contra o Poder Público. LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; Comentário: Trata-se aqui de dois favores estatais, não a todos os que tenham insuficiência de recursos, mas apenas aos reconhecidamente pobres, aqueles em situação de miserabilidade. A estes o Estado dará, gratuitamente. o registro civil de nascimento e a certidão de óbito. Reconhecidamente pobre é aquele que não tem renda suficiente sequer para prover a própria subsistência. LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. Comentário: Habeas corpus e habeas data são, portanto, ações gratuitas, sem ônus de custas judiciais. O que absolutamente não significa dizer que o advogado escolhido pelo autor trabalhará de graça. A proibição de cobrar é fixada, aqui, contra o Poder Judiciário, não contra os profissionais que atuam nessas ações. Por atos necessários ao exercício da cidadania entenda-se a confecção de título de eleitor, carteira de trabalho e carteira de identidade e o ato de votar. LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. § 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

§ 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. Comentário: A emenda constitucional 45 de 08 de dezembro de 2004 estabeleceu a possibilidade de os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada casa do congresso nacional, em dois turnos de votação, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serem equivalentes às emendas constitucionais. Deste modo, após a citada reforma constitucional, verificamos a possibilidade de os tratados internacionais serem incorporados no ordenamento brasileiro com o status de norma constitucional, desde que cumpridos dois requisitos: • O conteúdo do tratado internacional seja referente aos direitos humanos • A sua deliberação parlamentar obedeça aos limites formais estabelecidos para a edição das emendas constitucionais, quais sejam, deliberação em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos de votação, só sendo aprovado se obtiver três quintos dos votos dos respectivos membros parlamentares. § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. CAPÍTULO II DOS DIREITOS SOCIAIS Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Comentário: Este artigo enumera os direitos da pessoa, especialmente a pessoa trabalhadora. O acesso a todos eles vai atender de forma plena o art. 1°, no inciso que comanda como um dos fundamentos da República brasileira os valores sociais do trabalho (IV). Traduzindo, o trabalhador e a pessoa, como resultado do seu trabalho, deve obter condições de adquirir e manter todos os direitos sociais aqui expostos. A Emenda Constitucional n° 26/00 inseriu, dentre os direitos sociais, a moradia. Trata-se, visivelmente, de uma norma constitucional programática, ou seja, estabelecendo um objetivo necessário à ação do Estado, mas que não gera efeitos imediatos e nem dá liquidez ao direito de moradia. Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Comentário: Trabalhadores, para este artigo da Constituição, têm a mesma definição da CLT, qual seja: "Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Essa imposição conceitual inspira, também, a redação do inciso XXXIV deste artigo, onde se equipara ao trabalhador com vínculo permanente aquele avulso, embora em nenhum dos dois entre o trabalhador eventual. Tem grande importância perceber que o texto constitucional equipara definitivamente o trabalhador urbano ao trabalhador rural, deixando ambos em pé de igualdade e com os mesmos direitos e em mesma extensão, restando um único ponto em que o tratamento é diferençado, qual seja o que trata da prescrição (inciso XXIX). Trabalhador rural é aquele que presta trabalho de natureza rural, e sua conceituação vem da Lei n° 5.889, de 8 de junho de 1973, onde se lê que o empregado rural é "toda pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante salário". Também é importante notar que nem todos os direitos do trabalhador estão expressos neste art. 7°. A Constituição admite expressamente outros, pela locução "além de outros que visem à melhoria de sua condição social", do caput. Pelo sistema adotado pela Constituição, não estão incluídos neste artigo os trabalhadores eventuais (aqueles que prestam trabalho ocasionalmente, a diferentes patrões, por tempo curto), os

trabalhadores temporários (que prestam serviços para as empresas de trabalho temporário, as quais alugam tais serviços a outras empresas) e os trabalhadores autônomos (que são aqueles que organizam a sua própria atividade, são seus próprios patrões). Os trabalhadores avulsos estão equiparados aos permanentes, pelo inciso XXXIV deste artigo. Os trabalhadores domésticos têm alguns, mas não todos os direitos deste artigo, pelos termos do parágrafo único, ao final deste artigo. I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; Comentário: Despedida arbitrária é aquela fruto do humor, da vontade exclusiva do patrão, sem nenhuma razão. Despedida sem justa causa está disciplinada nas leis trabalhistas. Este inciso defende a relação de emprego contra os dois tipos de demissão, afirmando que lei complementar deverá regulamentar a matéria. Não se trata aqui de estabilidade ao trabalhador, pois que, mesmo após a edição da lei complementar pedida, ainda poderá ser despedido arbitrariamente ou sem justa causa. O que tal lei deverá trazer serão elementos, multas e punições visando a impedir que o empregador adote essas formas de desligamento. A conclusão de que a lei não trará a estabilidade no emprego é obtida a partir da compreensão da "indenização compensatória" de que fala o inciso. Deixa ela claro que a verba terá um caráter compensatório da demissão arbitrária ou sem justa causa, visando a intimidar o patrão. No caso da estabilidade no emprego, a nossa Constituição preferiu afastar-se do modelo alemão, que dela desfruta de forma relativa após o fim do período de experiência. Também foi contornado o art. 4° da Convenção n° 158 da Organização Internacional do Trabalho, que aponta para uma relativa estabilidade no emprego. O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição, em seu art. 10, afirma que, até que essa lei complementar venha a existir, a proteção do trabalhador demitido arbitrariamente ou sem justa causa será limitada à imposição de uma multa no valor de 40% do saldo do FGTS. Isso, logicamente, em relação apenas ao fato da demissão, porque o trabalhador terá direito a todas as outras verbas legais. Com essa multa o que se quer é apenas punir financeiramente o empregador. Essa demissibilidade arbitrária ou sem justa causa está excepcionada no caso de empregado membro de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, da mulher gestante (ADCT, art. 10, II, a e b) e do empregado eleito para cargo sindical (art. 8°, VIII). É oportuno frisar que a atual Constituição aboliu a estabilidade aos dez anos de trabalho, colocando em seu lugar a indenização compensatória. II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; Comentário: A proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário se completa com o que consta no art. 201, IV e no art. 239. O seguro-desemprego é um auxílio financeiro cujo montante varia de meio salário mínimo a um salário mínimo e meio, que será pago por prazo máximo de 4 meses a cada 18 meses. Ainda, exige-se que o desemprego seja involuntário, ou seja, que o empregado tenha sido demitido, e não pedido demissão. O seguro-desemprego, criado pelo Decreto-Lei n° 2.284, de 10/3/86, está mantido naqueles termos, porque recepcionado pela Constituição atual. III - fundo de garantia do tempo de serviço; Comentário: O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço foi criado para substituir o antigo sistema de estabilidade, para garantir ao empregado a formação de uma espécie de poupança que deverá socorrê-lo quando demitido, no futuro. A vinculação ao FGTS não tem mais caráter de opção, sendo, a partir da Constituição, uma obrigação criada ao trabalhador em seu próprio favor. Se não fosse assim não teria sentido se falar na multa de 40% do saldo da conta do FGTS em caso de demissão arbitrária ou sem justa causa, se o empregado demitido dessa forma pudesse não ter tal conta. A questão da fusão, ou não, do regime da CLT com o do FGTS foi resolvida pela Lei n° 7.839, de 12/10/89, que aboliu a opção pelo Fundo e colocou, segundo Eduardo Saad, em pé de igualdade

nacionalmente unificado. .irredutibilidade do salário. é a menor remuneração com a qual deverão ser pagos os membros de determinada profissão. no que difere fundamentalmente da disciplina constitucional anterior. a não ser que haja uma emenda constitucional. Já piso salarial profissional é a menor remuneração acertada para os membros de uma categoria profissional necessariamente sindicalizada. tendo em conta a extensão e a complexidade do trabalho. lazer. Terceiro. e. Este inciso foi regulamentado pela Lei n° 7. não mais pelas antigas comissões nem pelo Presidente da República sozinho. IV .piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho. E quarto. o que. aliás. ou em uma ou várias empresas. Essa redução deverá obedecer a certos critérios. mas sim apenas repor o poder de compra perdido pela depreciação causada pela inflação. neste inciso. Este. nem a correção de prestação de contrato. não poderá levar o valor final para menos do que o salário mínimo. Segundo. A Constituição impõe que o valor desse piso seja fixado. mensalmente. a lei que o aumenta deverá passar pelo Congresso Nacional. Segundo. Veja-se. fixado em lei. por tarefa. a Constituição assegura reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo do salário mínimo. as variações dos valores mensais não são inconstitucionais. o salário mínimo está nacionalmente unificado. Note que. poderá variar para menos. 8% do salário pago. primeiro. por peça ou por empreitada. embora possam significar reduções eventuais. A redução de salário foi normatizada pela Lei n° 4. Primeiro. Comentário: O salário. permite tanto a fixação de piso salarial quanto o salário mínimo profissional. de 23/12/65. a remuneração é necessariamente variável. VI . V . de 3 de julho de 1989. nunca. que se o trabalhador é remunerado por comissão. os eventualmente demitidos são indenizáveis nos termos da CLT. para menos do que o salário mínimo. vestuário. porque tem caráter alimentar. transporte e previdência social. terá que ser geral. Agora.789. saúde. Nesses casos. quando contratados como empregados por alguma empresa. o salário mínimo deveria comprar tudo o que está nele para o trabalhador e para a família desse. Terceiro. contudo. a Constituição. não pode ser reduzido. Até essa data. pelo dizer do inciso. educação. também. Comentário: Salário mínimo é a menor remuneração que se pode pagar pela prestação de trabalho por alguém. o salário mínimo não poderá ser vinculado a nada. como os advogados. salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. O que se tem de principal neste inciso é. nem a qualquer índice. Com a nova disciplina constitucional. Preservar não é aumentar. o salário mínimo profissional.salário mínimo. na qual os empregadores são obrigados a depositar. higiene. a necessidade de a fixação do valor do salário mínimo ser feita por lei. assim. com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo. seria de constitucionalidade duvidosa. alimentação. desde que fique o salário reduzido acima do mínimo.todos os trabalhadores. sendo vedada sua vinculação para qualquer fim. como regra. Comentário: Piso salarial não é a mesma coisa que salário mínimo profissional. o que poderia levar à redução de até 25% dos salários. desde que assim decidido por convenção ou acordo coletivo. eliminando a possibilidade de fixação de salários mínimos regionais. não poderá ultrapassar a 25%a da remuneração habitual do empregado. Este inciso admite. A partir de 1° de outubro de 1989 todos os trabalhadores passaram a ser titulares de uma conta vinculada em estabelecimento bancário. porque assegura a subsistência do trabalhador e de sua família.923. categoria essa que poderá reunir várias profissões. porém. os motivos da redução poderão ser acordados ou convencionados livremente por empregados e empregadores. no que tange à relação de emprego. capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia. a redução. Para Eduardo Gabriel Saad. principalmente para o caso de empresas em crise financeira ou econômica.

remuneração do trabalho noturno superior à do diurno. Do que resulta que a retenção dolosa do salário é a atitude do patrão com objetivo de prejudicar o empregado. X . Segundo o art. de 13 de julho de 1962.garantia de salário. No Direito Civil. nunca lhe poderá ser pago valor menor que o salário mínimo.749. Comentário: A única imposição da Constituição é que o adicional de trabalho noturno tenha seu valor-hora maior do que o valor-hora do trabalho diurno. e só recentemente foi enviado ao Congresso Nacional projeto de lei dispondo sobre o assunto.participação nos lucros.décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria. O adicional noturno só é devido enquanto durar a jornada noturna do trabalhador. engodo ou esperteza para induzir alguém a erro. A propósito. o salário e as garantias permanentes. a hora do trabalho noturno será computada como de 52 minutos e 30 segundos. a quantia deverá ser completada pelo empregador. ou seja. Sob a Constituição de 88. o que vai ao encontro do conceito de salário mínimo e de sua fundamentação filosófica. é artifício. Comentário: Essa proteção do salário de que fala o dispositivo é ampla. Note que o não-pagamento do salário porque o empregador está falido não configura retenção dolosa. Comentário: A Constituição garante aqui o que se falou acima. por mais de 20 anos. participação na gestão da empresa. No Direito Penal.proteção do salário na forma da lei. ou resultados. A Convenção n° 95. de 3 de novembro de 1965. e. pelos empregados. desvinculada da remuneração. VIII . conforme definido em lei. Não diz o quanto maior deverá ser essa remuneração. de 12 de agosto de 1965. onde ainda está tramitando. dolo é um vício de consentimento correspondente à intenção de prejudicar (animus dolandi). e será punida na forma da lei criminal. excepcionalmente. Esse benefício é regulado pelas Leis Nos 4. IX . ficou existindo como uma regra morta. No caso de empregado que receba remuneração variável. pois nenhuma lei foi aprovada para regulamentar esse benefício. podendo ser retirado após sem que se possa alegar redução de salário. mesmo que suas comissões. esse direito não teve tratamento melhor. . para os que percebem remuneração variável. repetida a prescrição. XI . a garantia de reajustes do poder aquisitivo do mínimo e assim por diante) até outras formas de proteção que a lei venha a criar. 1°. por exemplo. nunca inferior ao mínimo.155. e abrange desde os princípios constitucionais (como irredutibilidade do salário.090. da OIT. Comentário: A garantia constitucional de participação. dolo. é dito que a retenção dolosa (quando o empregador não paga porque não quer) é crime. nos lucros das empresas. O seu cálculo tomará em conta a remuneração integral do trabalhador. Ambas foram regulamentadas pelo Decreto n° 57. Comentário: O benefício do 13° salário é direito do trabalhador na ativa e do trabalhador aposentado. 73. constituindo crime sua retenção dolosa.VII . Neste caso. editada a 1° de julho de 1947. aprovou as normas sobre a proteção do salário. mas culposa. dolo é a vontade deliberada de praticar um delito ou de assumir o risco de produzir o resultado delituoso. pelo que a regulamentação da matéria vai para a legislação ordinária. não levem a tanto. e 4. não é nova. Vem desde a Constituição de 1946. da CLT. A doutrina e a jurisprudência são pacíficas nesse sentido. juridicamente. Na segunda parte. parág. e será noturno o trabalho executado das 22 horas de um dia às 5 horas do dia seguinte. e.

Nesses casos. Acordo ou convenção coletiva de trabalho somente poderão diminuir a jornada do trabalhador. quem já recebe deverá ter esse direito respeitado. entendese como dia trabalhado para fins de remuneração. que a participação na gestão (na condução dos negócios da empresa. e nem as verbas devidas pela demissão poderão considerá-las. 6 horas. como faz o dispositivo. párag. não será calculado também sobre o valor das parcelas de lucros eventualmente distribuídas.jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento. imposta pela EC n° 20. como acréscimo ao pagamento do salário normal. no máximo. enquanto direito do trabalhador. 2°. o acordo ou convenção coletiva de trabalho. que é dividida em duas de quatro horas. como o percentual da participação nos resultados. XIII . 59. condiciona o pagamento do salário-família à dependência de trabalhador de baixa renda. Comentário: O salário-família é devido ao empregado por ter este filho menor de 14 anos. como no caso da jornada de 8 horas.repouso semanal remunerado. o que significa dizer que não poderá resultar em qualquer tipo de prejuízo ao salário. A quantia será calculada aplicando-se um percentual sobre o salário mínimo. A nova redação do dispositivo. À vista disso. no que atenderia às recomendações da fisiologia do trabalho. O trabalhador também receberá saláriofamília pela existência de filho inválido. proferida em sessão de novembro de 1923. Os turnos ininterruptos terão. A CLT estabelece. Isso significa dizer que o 13° salário. uma parte dos lucros líquidos. entre os assalariados de empresa. de há muito. Finalmente. assim. não para todos os empregados. ferindo limitação material expressa ao poder reformador.salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei.A participação nos lucros ou resultados. Segundo definição do Conselho Superior do Trabalho da França. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. a fiscalização da exatidão contábil dos lucros divulgados pelo empregador e a identificação dos beneficiários e respectivas quotas. os turnos não terão uma pausa. com isso. como pressuposto de legitimidade da compensação de jornada. não em todos os casos. restringindo expressivamente. não em todas as empresas. lesiva a cláusula pétrea.duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. esse dia de repouso será dado no domingo. está desvinculada da remuneração. participação nos lucros é um contrato em virtude do qual o empregador se compromete a distribuir. caso em que o acréscimo de jornada não será considerado trabalho extraordinário. XV . de qualquer idade e de dependentes do trabalhador aposentado por invalidez ou velhice. Seria. Se não for. tanto na quantidade quanto na qualidade. Ainda é de se ressaltar. diz o inciso. salvo negociação coletiva. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. . Comentário: Há empresas em que a produção não pára. ao lado do empresário) será excepcional. XII . por exemplo. XIV . Comentário: Depois de certo tempo de trabalho diário. funcionando continuamente ao longo das 24 horas do dia. as quais também poderão ser reduzidas por negociação coletiva. se for possível. ou seja. Esse repouso semanal será remunerado. Comentário: Todo trabalhador tem direito a um período de 24 horas de descanso a cada semana de trabalho. A lei de que fala o inciso deverá enfrentar temas básicos desse instituto. o universo dos beneficiários. a critério do empregador. a produtividade do empregado começa a decrescer. preferencialmente aos domingos. porque o dia de repouso. no art. sem participação nos prejuízos. não aumentá-la. em qualquer outro dia. Os direitos adquiridos. Há severas suspeitas de inconstitucionalidade da EC n° 20 por ter abolido direito individual fundamental do trabalhador que tenha renda superior à "baixa renda" arbitrada pelo Congresso ao fazer a Emenda. isto é. a jornada tida por produtiva é fixada em oito horas por dia e 44 horas semanais.

A Convenção n° 132 da OIT determina que o repouso anual não poderá ser inferior a três semanas. da ordem de um terço. pelo menos. por aquela. Por essa estabilidade. no mínimo. 59) e que excepcionalmente permitem trabalho extraordinário além daquele limite (art.licença-paternidade. o que será. o que tornaria inconstitucional a conversão de uma parte do período em abono. 157. Qualquer período diário de trabalho maior do que esses prazos significa horas extraordinárias de trabalho. como de trabalho. Somente poderá ser despedida por justa causa. A única determinação constitucional é no sentido de que a hora extra seja mais bem paga que a hora normal de trabalho. § 1°. 59. disciplinada pela Lei n° 605. para fins de remuneração. pelo menos. assim. . para dar a assistência pessoal e inicial ao bebê recém-nascido. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.A primeira menção ao repouso hebdomadário vem da Constituição de 1946.gozo de férias anuais remuneradas com. percebe-se que também é conteúdo deste inciso a previsão do descanso de 24 horas por semana. sempre que possível. A matéria acha-se. A OIT também enfrenta esse assunto na Convenção n° 14. 165. no mínimo. Logo. e assim mesmo receber normalmente o salário. em regra contados a partir do parto. Comentário: Como já visto. VI. da CLT. Agora. no curso de cada período de sete dias. a jornada diária é de 8 horas (em dois turnos de quatro horas) ou de 6 horas (se ininterrupta). As duas proteções. A Constituição não diz maior em quanto. vinte e quatro horas consecutivas que. O pagamento do adicional deve ser feito antes do gozo do benefício. um terço a mais do que o salário normal. Os melhores mestres nacionais entendem que o trabalhador não pode abrir mão desse direito a 30 dias de descanso por ano. tem direito a 30 dias de descanso remunerado por ano. nos termos do art. nos termos fixados em lei. não se confundem porque no caso desta. XVI . cujo art. no mínimo. mas com acréscimo sobre o salário normal do empregado. o trabalhador tem direito a um dia de descanso remunerado por semana. no caso da licença. segundo a qual todo trabalhador. a trabalhadora gestante não poderá ser demitida arbitrariamente ou sem justa causa desde o momento em que confirmada a sua gravidez até o quinto mês após o parto. com base neste inciso da Constituição. de 12 de agosto de 1949. a da licença e a da estabilidade relativa. com a duração de cento e vinte dias. o repouso anual também remunerado. sem prejuízo do emprego e do salário". onde se lia que o adicional por hora suplementar é de. ao passo em que. A licença-maternidade não se confunde com a estabilidade relativa dada à gestante. XIX . em cinqüenta por cento à do normal. Comentário: A figura das férias anuais guarda alguma simetria com o repouso semanal remunerado. É estabelecido. ainda. Esses trinta dias serão contados. o pagamento referente a esse período terá que ter um acréscimo de um terço sobre o salário normal. X1. por este. de 5 de janeiro de 1949. antes e depois do parto.048. deve coincidir com o domingo. Comentário: A trabalhadora gestante tem direito a um período de 120 dias de licença. tarefa de lei ordinária. deve ter um descanso que compreenda. regulamentada pelo Decreto n° 27. As disposições da CLT que autorizam o aumento da jornada normal de trabalho em duas horas. no máximo (art. da estabilidade.licença à gestante. 61) permanecem em vigor. XVII . art. como se estivesse trabalhando. sem prejuízo do emprego e do salário. a mulher tem direito de continuar trabalhando normalmente e recebendo seu salário. recebendo o salário integral normalmente. XVIII . 20% da hora normal. Durante esses 120 dias não poderá ter nenhum prejuízo em sua remuneração.remuneração do serviço extraordinário superior. por isso. Se. tem direito de não trabalhar durante o período. previa o "descanso remunerado da gestante. sendo que a duração dessa proteção era remetida à lei ordinária. O pagamento desse acréscimo será feito num valor de hora de trabalho maior do que o da hora normal. Este inciso constitucional revoga o art. Esse direito vem da Constituição anterior.

de forma a garantir a integridade física e psíquica do trabalhador. na forma da lei. o legislador instituiu um período para o benefício até que a lei pedida não fosse feita. sendo no mínimo de trinta dias. significa. 473 da CLT. Comentário: Traduzido.aviso prévio proporcional ao tempo de serviço.aposentadoria. proteção de segurança e itens assemelhados. Não há disposição semelhante em Constituições de outros países. Quem dirá o tamanho desse acréscimo no prazo de aviso prévio será a lei ordinária pedida pelo dispositivo. Assim. que o empregador deve garantir ao empregado um trabalho em boas condições de higiene. e. a própria morosidade. XXI .redução dos riscos inerentes ao trabalho. a licença será de 5 dias até que a lei que o regulamente venha a existir. Atividade insalubre é a que compromete a saúde do trabalhador. e desde então tem o prazo de 30 dias. 5°. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. que. também. por ele. Consiste na obrigação que qualquer uma das partes do contrato de trabalho. por um dia. um esforço. A Constituição assegura que o menor prazo possível para esse instituto é de 30 dias.Comentário: O constituinte decidiu também proteger o pai por causa do nascimento do filho. XXIII . Essa proteção será feita mediante a previsão legal de incentivos específicos para a mulher trabalhadora. deverá aguardar a lei regulamentadora.adicional de remuneração para as atividades penosas. evidentemente. em caso de nascimento de filho. XXII . no decorrer da primeira semana. Prevendo. nos termos da lei. sacrifício ou incômodo muito grande. A aplicabilidade desta norma. Atividade perigosa é a que ameaça a vida do trabalhador. Comentário: O aviso prévio existe no Brasil desde 1850. quanto mais tempo de trabalho na empresa. patrão ou empregado. A única notícia de legislação anterior à atual Constituição está no art. por não haver ainda a lei que estabelece a proporcionalidade. prevendo hipótese semelhante. uma das formas de tratamento diferenciado entre homens e mulheres. para a sua realização. nos termos da lei. por meio de normas de saúde. insalubres ou perigosas. de forma a compensá-lo pelo sacrifício e riscos que corre. tem de comunicar previamente à outra a sua intenção de romper essa relação em data futura e certa. cuja regulamentação será dada em lei. XXIV . Disse neste inciso que o pai terá direito a uma licença-paternidade. contudo. Comentário: . Esse período está no art. mediante incentivos específicos. o prazo total do aviso. no que tange ao período mínimo do aviso prévio.proteção do mercado de trabalho da mulher. a partir desse prazo mínimo. Pelo trabalho em tais condições tem o trabalhador direito a receber um valor adicional ao salário. Comentário: Encontra-se. XX . contudo. iluminação. o prazo de 30 dias é. ventilação. autoriza o empregado a não comparecer ao serviço. sem prejuízo do salário. temperatura. Comentário: Atividade penosa é a que exige. mas evolui no sentido de afirmar que deverá ter ele. maior deverá ser o prazo de aviso prévio. nem nas nações mais avançadas. admitida pelo inciso I do art. Trata-se de norma parcialmente aplicável. que não existe ainda. higiene e segurança. onde serão criados os instrumentos que permitam essa especial proteção. a mulher terá o seu mercado de trabalho especialmente protegido por lei. aqui. Conforme tem decidido o TST. Por este inciso. proporcionalidade com o tempo de empresa do empregado.

vinculando os seus subscritores e obrigando reciprocamente.assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas.ação. terá direito de pleitear indenização por acidente de trabalho contra o patrão. Comentário: Sabendo da preocupação que tem o trabalhador com os cuidados com seus filhos menores durante a jornada de trabalho. 201. Comentário: A preocupação aqui é de diminuir os impactos da progressiva automação das empresas sobre o número de seus empregados. como os aeronautas.reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho. paga pelo empregador. já que. até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho. Com raríssimas exceções. ao trabalhador. invalidez ou morte decorrente de acidente de trabalho. se vier a se acidentar sem culpa própria ou sem dolo. A norma sob exame mostra que o ônus do seguro acidentário é do empregador. a cargo do empregador. Além disso. XXVI . A Previdência Social deverá atender aos casos de doença. Convenções coletivas de trabalho são instrumentos destinados a regular as relações de trabalho de toda uma categoria profissional. com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais. Não se afasta.proteção em face da automação. na forma da lei. XXIX . recebendo uma quantia chamada proventos e que. I. a Constituição parece ter admitido qualquer dessas formas. Por esse dispositivo. a instalação de um robô ou processos informatizados de produção leva ao desemprego de quantos realizavam essas tarefas antes disso. mas se destinam a ter vigência exclusivamente entre as empresas ou grupos de empresas que participaram da negociação. Por força da equiparação promovida pelo caput deste artigo. XXVIII .Aposentadoria é o direito que tem o trabalhador de passar para a inatividade. é uma espécie de contrato coletivo. deve garantir-lhe um final de vida tranqüilo depois de um período de trabalho. XXV . e que poderá ser através de reciclagem profissional. instituiu a Constituição. situados na faixa etária de até 5 anos. Comentário: O principal efeito deste inciso é o de dar peso jurídico às disposições contidas em convenções e acordos coletivos de trabalho. preliminarmente. o direito de ter uma cobertura de seguro contra eventuais acidentes de trabalho. aproveitamento em outras atividades ou um tipo de indenização.seguro contra acidentes de trabalho. quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho. Comentário: O inciso garante. o constituinte quis determinar ao legislador ordinário que criasse maneiras de proteger os empregados de perderem seus postos de trabalho para a automação. Comentário: . primeiramente. XXVII . a obrigação do empregador de garantir assistência gratuita aos filhos e dependentes do trabalhador. a cobertura será tanto de acidentes de trabalho urbano quanto de trabalho rural. por idade ou por invalidez e. nem o direito de algumas categorias especiais de trabalhadores a aposentadorias especiais. em tese. o que dispensa as contribuições da União e do empregado para mantê-lo. os operadores de aparelhos de raio X e os professores. as convenções coletivas são exclusivas de sindicatos de empregadores e de empregados. não raro. Acordo coletivo são instrumentos que não obrigam toda uma categoria. neste inciso. quando incorrer em dolo ou culpa. parar de trabalhar. A aposentadoria pode ser por tempo de serviço. isto é. por este inciso. sem excluir a indenização a que este está obrigado. independentemente de este já ter pago o seguro citado. nos termos do art. com peso de lei.

que passou de quatorze para dezesseis . se tem reflexo do Princípio da Isonomia. já vistos. se o fizer em até dois anos depois do fim do contrato de trabalho. Para o trabalhador urbano. comparecer perante a Justiça do Trabalho para comprovar o cumprimento das obrigações trabalhistas que tem com o seu empregado.proibição de distinção entre trabalho manual. aqui. Comentário: A nova redação deste inciso. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. se o intérprete pensar que se está equiparando todas as profissões. Comentário: A redação deste inciso pode induzir a erro. regularmente. Salários. e diz mal. idade. 233 da Constituição. O que quer dizer o inciso. que se refere à primeira comprovação nos termos do art. É oportuno repetir a lição de Câmara Leal para quem prescrição é “a extinção da ação ajuizável em virtude da inércia de seu titular. ou seja. de cinco anos. párag. sendo esta limitada aos dois anos depois do fim do contrato de trabalho. da data da demissão. poderá pedir judicialmente. 3°. neste artigo. é contado da data do fato. todos os créditos daquela relação de emprego.proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. O rigor dessa norma é suavizado pela prescrição do art. cor ou estado civil. O primeiro prazo. em que trabalhadores urbanos e rurais são tratados diferentemente. onde o deficiente tinha a seu favor a proibição de discriminação. e assim por diante. durante um certo lapso de tempo. de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo. dada pela EC n° 20/98. pela redação deste inciso. XXXIII . salvo na condição de aprendiz.proibição de diferença de salários. Também. quer intelectuais. 233. Para o trabalhador rural o prazo é diferente. rechaçar uma ação porque aquele que a promove deixou durante certo tempo de intentar ou exercer o direito ao qual ela se refere. XXXII . Cuida ele dos prazos prescricionais. Comentário: Regra que complementa o inciso anterior. o seu representante sindical deverá acompanhá-lo. desde o seu início. principalmente no tocante a salários.Este é o único ponto. quer técnicas. Vale ver ainda o art. pelo qual o empregador rural deverá. Essa regra tem raízes em emenda constitucional de 1978. quer manuais. tanto tem direito a horas extras o trabalhador manual quanto o técnico e o intelectual. a prescrição de cinco anos interna ao contrato de trabalho. Este também deverá comparecer. funções e critério de admissão não poderão ter fundamento discriminatório com base em sexo. 10. durante a relação de emprego. estendendo a isonomia para abranger também a proibição da diferenciação dos deficientes físicos. conduz a duas conseqüências imediatas: o aumento da idade mínima para exercer qualquer trabalho. e de apenas dois anos depois do final dela. perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos. Comentário: Tem-se aqui uma outra face do princípio da isonomia e da proibição da discriminação. XXXI . na ausência de causas preclusivas de seu curso”. já que não ocorre para ele. técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos. a cada cinco anos. O resultado é que o trabalhador rural. Em outras palavras. e. O segundo. a partir de quatorze anos. para se evitar que fique sem assistência.” (Aubry-Rau) XXX . é que nenhuma dessas formas de trabalho poderá ser vista de maneira diferente para fins de reconhecimento e aplicação de direitos trabalhistas. cor ou estado civil. idade.proibição de trabalho noturno. dos prazos dentro dos quais o trabalhador pode reclamar judicialmente o pagamento de alguma verba que entenda devida. em geral. Ou “a prescrição é uma exceção ou meio pelo qual se pode. o prazo é de cinco anos. inclusive quanto à admissão ao trabalho ou ao serviço público.

a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato. Também é assegurada ao empregado doméstico a integração ao sistema previdenciário. mas o faz sujeito a diversos patrões. através. licença-paternidade. por exemplo. observado o seguinte: Comentário: O caput deste artigo repete direito já assegurado no art. Mas. é o Ministério do Trabalho. No primeiro caso. 7°. somente poderá ser recusado pelo órgão competente se os estatutos da entidade sindical contiverem previsões contrárias à lei ou à Constituição. II . ressalvado o registro no órgão competente. férias. ensacadores de café. Comentário: Trabalhador doméstico é aquele que se ocupa de atividade da qual não resulta proveito econômico. catadeiras e costureiras no comércio de café. irredutibilidade de salário. qual seja quatorze anos. O empregado doméstico não tem todos os direitos do art. se é genérico. repouso semanal remunerado. compreende também este. trabalhadores no comércio armazenador (arrumadores). o autônomo e o eventual.São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV. vigias portuários. além de fazer a faxina. Art. décimo terceiro salário. XVII. que trabalha rotineiramente. Apenas especifica que aqui se trata de associação profissional ou associação sindical. inexistente no texto vencido. por exemplo. que será definida pelos . sendo a primeira um núcleo embrionário. com as formalidades para que esse ato jurídico produza seus regulares efeitos. XXXIV . Esse registro. a saber: salário mínimo. XVIII. XIX. trabalhadores em estiva de carvão e minério e trabalhadores em alvarenga. cacau. do que é exemplo típico o estivador de cais. VI. sal e similares. da exigência de relatórios de atividades. avulso. não.anos. Cabe a observação de que associação profissional e associação sindical não são sinônimos.igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. XXI e XXIV. é ela empregada doméstica. não está na mesma posição da empregada que. veja-se os comentários ao caput deste art. XV. No segundo. Em decorrência. Uma empregada que faça a faxina de uma casa. trabalhadores avulsos de capatazia. na mesma base territorial. da segunda. O trabalhador avulso não se confunde com o temporário. de publicação de balanços.é vedada a criação de mais de uma organização sindical. em qualquer grau.É livre a associação profissional ou sindical. que é o lançamento em livro próprio. trabalha com a patroa na fabricação de doces e salgados para a venda. Parágrafo único . São trabalhadores avulsos os estivadores. Para os conceitos. VIII. e a imposição de uma idade mínima para a admissão como aprendiz. Tem apenas alguns. classificador de frutas. já decidiu o Supremo Tribunal Federal. bem como a sua integração à previdência social. de suportar a presença de um preposto de autoridade pública nas reuniões e assembléias. representativa de categoria profissional ou econômica. inicial. dentre outros. ao passo que lá o direito é genérico. 7°. Ainda fica proibido o condicionamento da existência de sindicato à autorização de quem quer que seja. conferentes de carga e descarga. Comentário: Inciso do qual já se falou ao comentar o caput deste artigo. Aqui se encontra a equiparação do trabalhador com vínculo permanente (com contrato assinado com um único empregador). XX. aviso prévio e aposentadoria. até que a lei crie outro. licença-maternidade. Comentário: O inciso trata da única providência legal para a constituição de sindicato. até os quatorze anos é inconstitucional a admissão de aprendiz. e vedadas todas as formas de interferência ou intervenção do Estado na estrutura sindical. práticos de barra e portos. consertadores de carga e descarga. 5°. vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical. I . que é o registro em órgão competente. 8º . Esse “órgão competente”.

pelo qual somente poderá haver uma entidade sindical em cada base territorial. porque ela já se presume pelas suas próprias finalidades. já que são independentes. Vale a pena confrontar esse dispositivo com o inciso XXI do art. que previa a necessidade de consentimento do Ministro do Trabalho para que uma federação fosse interestadual ou nacional.trabalhadores ou empregadores interessados. dispõe que “nos termos do inciso III do art. será representante processual. e o adequado será definido pela categoria. sendo que.ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. é criada por lei e paga por todos os trabalhadores. Se em nome coletivo. Lá. as entidades sindicais poderão atuar como substitutos processuais da categoria. Dos sindicatos não se pode exigir essa autorização expressa. não tendo eficácia a desistência. Para Eduardo Gabriel Saad. III . Comentário: Este dispositivo consagra o princípio da unicidade sindical. a renúncia e transações individuais”.é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. será descontada em folha. O pagamento de uma não impede a cobrança da outra. sindicalizados ou não. 5°. exige-se que as entidades associativas podem representar seus associados judicial e extrajudicialmente. em seu art. fica revogado o art. poderia adotar esses atos. Comentário: Novamente se prevê a liberdade associativa. A segunda.ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato. federação (que representa sindicatos). A Lei n° 7. somente a categoria. sua presença é obrigatória. para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva. tanto judicial quanto extrajudicialmente. será substituto processual. A contribuição sindical é devida pelo fato de se pertencer a uma determinada categoria econômica ou profissional ou a uma profissão liberal. e confederação (que representa federações). abaixo. A primeira. naquelas. fica o tempo que quiser e desliga-se quando quiser. 534.788. Em face da redação constitucional. será criada por assembléiageral da organização sindical interessada. deste inciso e do anterior. e paga por todos os trabalhadores sindicalizados. § 2°. a contribuição sindical. desde que expressamente autorizadas. o limite territorial onde atua a entidade sindical. em assembléia. Comentário: Trata-se aqui de duas contribuições.a assembléia geral fixará a contribuição que. Comentário: O sindicato é o representante dos empregados sindicalizados nas negociações e acordos coletivos. da CLT. Os sindicatos também exercem a função de representação processual do empregado. Base territorial é a região. não podendo ser inferior à área de um Município. V . 8°. a contribuição de custeio do sistema confederativo. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que essa contribuição não pode ser cobrada de trabalhador não vinculado à entidade sindical que a cria. inclusive em questões judiciais ou administrativas. 8° da Constituição. tanto em defesa de interesse de toda a categoria quanto na defesa de interesses de um grupo de membros ou mesmo de um só deles. independentemente da contribuição prevista em lei. Comentário: . Qualquer pessoa filia-se ao sindicato quando quiser. IV . em se tratando de categoria profissional. como se verá no inciso VI. Se atuar em nome individual. Seu tamanho mínimo será um município. VI . Os graus das organizações sindicais são três: sindicato (que representa categoria). de 1°/7/89.

Sobre a greve de trabalhadores cabe ver que compete a eles decidir o que querem pleitear pelo movimento e quando querem que seja feito. são serviços essenciais os ligados à água. possa ser alijado do direito de participar da definição dos destinos da entidade a que pertence. também. saúde. Comentário: Dispositivo que visa a evitar que um sindicalizado. o terceiro caso. gás e combustível. pelos trabalhadores. VIII . Note. a greve é um ato de força. VII. 7°. Comentário: Este inciso pede uma lei de greve para reger esse movimento dos trabalhadores. captação e tratamento de esgoto e lixo. até um ano após o final do mandato. § 1º . durante o mandato e até um ano após o fim deste. por isso. ainda que suplente. 37.é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e. atendidas as condições que a lei estabelecer. praça de Paris onde os trabalhadores se reuniam para fazer reivindicações trabalhistas. desde a confirmação da gravidez até o quinto mês após o parto. lei ordinária regerá a greve de empregados públicos ou privados. o Direito não deveria dela se ocupar. A permissão de escolha. em razão de suas peculiaridades. Comentário: Colônias de pescadores e sindicatos rurais são entidades associativas de natureza sindical de pequeno porte. Parágrafo único . telecomunicações. dos interesses que podem ser defendidos por greve permite a realização de greve de solidariedade. competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. Segundo Alexandre de Moraes. compensação bancária e processamento de dados. Nesta Lei. à primeira vista. funerária. Para Cássio Mesquita de Barros. ao comentar o inciso XXVI do art. VII . lei que já existe desde 1989.Do conceito de negociação coletiva de trabalho já se falou. O direito de greve do servidor público está previsto no art. de greve de protesto e de greve política.É assegurado o direito de greve. incluídos os de sociedades de economia mista e de empresas públicas. lá e no comentário ao inciso I deste artigo. salvo se cometer falta grave nos termos da lei.A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. só pela condição de estar inativo. neste inciso. Duas delas estão no art. Art. e são a do trabalhador membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) durante o mandato e até um ano após o fim deste. que todos os membros de todas as chapas que disputam a eleição têm essa proteção até a eleição. o direito de greve se configura como um direito de imunidade do trabalhador face às conseqüências normais de não trabalhar. 9º . Vale perceber que este art. e. Comentário: Segundo Helène Sinay. 9° trata da greve dos trabalhadores privados. § 2º . e da trabalhadora gestante. Depois desta. 9°. que é o do trabalhador eleito para ocupar cargo de direção ou representação sindical. distribuição de medicamentos e alimentos. Comentário: A Constituição estabelece três hipóteses de estabilidade relativa para o empregado. tráfego aéreo. Da necessidade de o sindicato participar delas também já se disse. sob o n° 7. Há. Neste art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. energia elétrica. os não-eleitos a perdem. As atividades e serviços essenciais já estão definidos . por meio de arbitragem ou para ajuizamento de um dissídio coletivo. no que couber. se eleito. A elas. serão estendidos os princípios de organização e funcionamento sindical conhecidos neste artigo. transporte coletivo. de greve reivindicatória. a palavra “greve” deriva de uma Place de Grève.As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores.Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais. Essa redação faz do sindicato figura indispensável na celebração de um pacto coletivo (convenção ou acordo) na tentativa de resolução de um conflito coletivo de trabalho.783.

Nas empresas de mais de duzentos empregados. Dir-se-ia. já que permitiria a realização da greve para qualquer finalidade e a qualquer momento. então.pela lei de que se falou acima. a Convenção n° 135 da OIT prevê proteção aos trabalhadores que sejam “representantes dos trabalhadores na empresa”. proteção essa que se estende contra a despedida imotivada. não há problema. Embora o Brasil não a tenha ratificado. independentemente do lugar de nascimento. O que determina a nacionalidade é a nacionalidade dos pais. É novidade da atual Constituição. por aqueles que têm a faculdade de intervir na direção dos negócios públicos e de participar no exercício da soberania) e de nacionalidade. um direito coletivo corporativo. 10 . hábitos e meios de vida. Francisco Xavier da Silva Guimarães. 11 . que se viu acima. Art. A rigor. É muito criticada a excessiva liberdade dada pelo caput deste artigo. Art. O sentido jurídico. que não deve ser confundido com população. Comentário: Empresas compostas por número de empregados igual ou superior a 200 deverão admitir um representante deste junto à direção. O conceito sociológico vincula-se à Nação. que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão pessoal do Estado. mas.É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação. que é o que interessa a esta obra. O conjunto dessas pessoas chama-se povo. Para Pontes de Miranda. cidadania (conjunto de prerrogativas de direito político conferidas à pessoa natural. Art. aqui. sim. a tendência que domina em muitos países é reconhecer-se a nacionalidade do filho se este tiver nascido no território nacional e qualquer dos pais . É assegurado o direito à participação orgânica aos empregados. segundo o prof. ou motivada pela sua condição de representante. será punido. Se ambos forem de mesma nacionalidade. religião. O jus sanguinis informa a nacionalidade pela filiação. tem a predominância não no sentido de nação. ou seja. para realizar a ponte entre os interesses dos empregados e o dos patrões. como língua. a palavra nacionalidade apresenta dois conteúdos: um sociológico e outro jurídico. é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. traduzida na necessidade de o Estado indicar seus próprios nacionais.São brasileiros: Comentário: São dois os critérios determinadores da nacionalidade. que a nacionalidade em acepção jurídica é o vínculo que une os indivíduos de uma sociedade juridicamente organizada. É importante ressaltar. mas se essa for diferente para ambos. em certa região ou localidade). também. Exemplo desses órgãos é o conselho curador da Previdência Social. 12 . constitucionalmente asseguradas e exercidas pelos nacionais. pois este tem uma compreensão meramente demográfica. e qualquer desrespeito a essa lei. Tem-se. ao grupo de indivíduos que possuem as mesmas características. CAPÍTULO III DA NACIONALIDADE Comentário: A nacionalidade representa um vínculo jurídico que designa quais são as pessoas que fazem parte da sociedade política estatal. como qualquer desrespeito a qualquer lei. tendo como fundamento básico razões de ordem política. as diferenças conceituais entre naturalidade (indicativa do lugar de nascimento de uma pessoa. da qualidade de um indivíduo como membro de um Estado. raça. ou seja. nacionalidade é o laço jurídico-político de direito público interno. a saber o jus sanguinis e o jus solis. inclusive em defesa de interesses que nada ou muito pouco tenham a ver com os dos trabalhadores. Comentário: Trabalhadores e empregadores terão assento nos órgãos colegiados (compostos por diversas pessoas) em que interesses profissionais e previdenciários sejam discutidos e decididos.

Basta que um dos pais seja brasileiro em missão oficial no exterior. Neste caso.for nacional do país. que "todo homem tem direito a uma nacionalidade" e que "ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. de pai brasileiro ou mãe brasileira. guardam a nacionalidade do país de origem dos pais. ainda que de pais estrangeiros. Assim. Todos os casos possíveis de reconhecimento de condição de brasileiro nato estão neste inciso. O jus solis atribui a nacionalidade pelo local de nascimento. 15. ou. mas qualquer brasileiro. b) os nascidos no estrangeiro. Comentário: Tratando de brasileiros natos. dos que estiverem em missão de serviço público a serviço de seus Estados de origem ou que aqui representem legações internacionais. em qualquer tempo. Novamente é o caso dos diplomatas. Não está previsto o . e aqui. desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem. Comentário: Aqui está a última regra do jus sanguinis para aquisição de condição de brasileiro. adquirir a condiçâo de brasileiro nato sob condição suspensiva de posterior residência no Brasil. Comentário: A regra contida neste inciso. desde que estes não estejam a serviço de seu país. O Ministro Francisco Rezek. neste inciso. então no STF identifica inconstitucionalidade em qualquer lei que pretenda criar hipóteses novas de condição de brasileiro nato. que exige que ambos os pais sejam natos). quer de mãe brasileiros (e por isso não é acolhido no Brasil o jus sanguinis puro. também chamada pela doutrina de nacionalidade potestativa. Aqui é dito que são brasileiros natos os nascidos no exterior. em caráter definitivo. ou seja. nas hipóteses envolvendo diplomatas em missão oficial. em seu art. Neste ponto. nem do direito de mudar de nacionalidade". nesta alínea. a qualquer tempo (após os 21 anos. Não se fala. É de se perceber que as únicas hipóteses de nacionalidade primária (ou originária) são as previstas neste inciso da Constituição. são brasileiros os nascidos na República Federativa do Brasil. estabelece a regra geral. ainda será brasileiro nato. e que pelo menos um deles esteja a serviço diplomático oficial de seu próprio país. em qualquer ponto de seu território. pela nacionalidade brasileira. mas a melhor interpretação do dispositivo atual é: nascida a criança no estrangeiro. desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil. I . É de ver que a Declaração Universal dos Direitos do Homem estabelece. tanto serão brasileiros natos os filhos de um diplomata brasileiro com uma ucraniana como de uma diplomata brasileira com um chinês. a) os nascidos na República Federativa do Brasil. nesse momento. a regra do jus solis. desde que qualquer dos dois esteja no estrangeiro a serviço oficial do Brasil. filha de pai ou de mãe brasileira. quer de pai. Restará outra opção à criança: vir a residir no Brasil. e não de outro. antes da qual as manifestações de vontade não têm reconhecimento legal perante a lei brasileira) optar pela condição de brasileiro nato. e no próximo. de aquisição da nacionalidade pelo solo de nascimento. involuntária. afirma que mesmo que os pais do nascido acidentalmente no Brasil sejam estrangeiros ele. e desconsidera a nacionalidade dos pais. É interessante notar que a Constituição exige que ambos os pais sejam estrangeiros.natos: Comentário: Tem-se aqui a nacionalidade primária. se feito registro civil competente. como a ONU. A única exceção ocorre quando tais pais estrangeiros estiverem no Brasil em serviço oficial de seu país. c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira. como no caso dos diplomatas. a superação da redação original da Constituição de 1988 deixou algumas dúvidas no ar. pelo critério do jus sanguinis (aquisição de nacionalidade pelo sangue dos pais). no exterior por qualquer motivo. o bebê. pelo fato do nascimento. poderá ela ser registrada em repartição consular competente (como um consulado brasileiro) e. Mais adiante. a Constituição. que é a maioridade civil. pelo critério territorial. provando essa mesma condição a respeito de um dos pais. fazendo valer o princípio da extraterritorialidade diplomática. fala da aquisição da nacionalidade pelo jus sanguinis. Nesta linha. depois de atingida a maioridade.

perante um juiz federal. Dio. que não é quebrado por breves viagens ao exterior já que a Constituição exige residência contínua.. 109. A Lei n° 6. pelo detentor de maioridade civil. Para alguns autores. A concessão da nacionalidade brasileira está inteiramente submetida à discricionariedade do Poder Público brasileiro. A outorga da nacionalidade brasileira. no entanto. quais sejam residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. É de se notar que não é impedimento a essa via de aquisição de nacionalidade a existência de condenação civil ou trabalhista.". um grupo especial de estrangeiros. Aos demais estrangeiros a lei se aplica na sua inteireza. secundária a um estrangeiro.) a) os que." significa que o requerimento.. Essa concessão está prevista no art. não poderá ser negado pelo Poder Executivo. segundo límpida lição de Francisco Xavier da Silva Guimarães. exigências e requisitos legais não assegura ao estrangeiro direito à naturalização. no Brasil ou no exterior. dentro dos critérios de conveniência e oportunidade. Ilhas Príncipe. bom procedimento. como Alexandre de Moraes e Celso Bastos. pelo que pode se eternizar essa condição suspensiva. nem aos filhos. Gamão. o estrangeiro deverá proceder de acordo com a lei (o Estatuto do Estrangeiro. Comentário: Aqui. a nacionalidade secundária. Macau e Timor) que tem a seu favor condições mais favoráveis. a aquisição de nacionalidade depende de requerimento e. residência contínua no Brasil pelo prazo mínimo de 4 anos. por força do art. Açores.815/80 enumera oito condições para a naturalização: capacidade civil.. e boa saúde. exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. imediatamente anteriores ao pedido de naturalização. feito este por um dos cônjuges. para quem "a concessão da naturalização é faculdade exclusiva do Poder Executivo. A doutrina divide esta última em ordinária (quando esse requerimento é regido pela lei) e extraordinária (quando a hipótese de aquisição é oferecida pela própria Constituição. ausência de condenação penal definitiva no Brasil e requerimento. Há. de qualquer nacionalidade. preenchidas as condições constitucionais.naturalizados: Comentário: Aqui. adquiram a nacionalidade brasileira.. X. e por opção ou por eleição. a Constituição erige hipótese de aquisição de nacionalidade brasileira expressa extraordinária. não se estende automaticamente ao outro. a quem incumbe. desde que requeiram a nacionalidade brasileira. pronúncia ou condenação. registro como permanente no Brasil. citado). Uma das condições impostas ao estrangeiro é a renúncia à nacionalidade ou nacionalidades anteriores. e do Ministro Celso de Mello. na forma da lei. Cabo Verde. constituindo-se em direito subjetivo do estrangeiro. hipótese de naturalização expressa ordinária. a passagem ". A satisfação das condições. É importante notar a condição de ininterrupto do prazo de residência. constitui manifestação de soberania nacional". poderá beneficiar-se dessa forma excepcional de aquisição de nacionalidade. pela lei brasileira. exercício de profissão ou posse de bens suficientes para a manutenção própria e da família. Guiné Bissau. Angola.815/80). Como é lógico. e não permanência contínua. II . saber ler e escrever em português.. Comentário: Tem-se. já que submetida aos termos da lei. 121 do Estatuto do Estrangeiro (Lei n° 6. inexistência de denúncia. voluntária. A aquisição da nacionalidade pode ser tácita (quando não depende de requerimento do interessado) ou expressa (quando depende dessa manifestação de vontade). inclusive a respectiva opção. b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal. Moçambique. Por ela. todos e qualquer estrangeiro.prazo de residência nem o prazo para a opção. na qual são encontráveis os requisitos e procedimentos necessários para a obtenção da nacionalidade brasileira. As exigências são apenas três: residência ininterrupta no Brasil há mais de quinze anos. Goa. "processar e julgar as causas referentes à nacionalidade.desde que requeiram. A opção deverá ser necessariamente exercida.. aqui. Para a aquisição da condição de brasileiro. formado pelos egressos de país de língua portuguesa (Portugal. .

segundo o prof.§ 1º . Presidente do Senado Federal (mas não senador). Comentário: Os cargos previstos neste parágrafo são privativos de brasileiros natos. Francisco Xavier da Silva Guimarães. necessariamente). As únicas distinções permitidas pelo texto constitucional são para o caso de extradição (art. têm lugares reservados a ministros do STF e a oficiais generais das Forças Armadas. mantendo a paridade com o brasileiro naturalizado. como estrangeiro. que a revisão constitucional realizada em Portugal em 1998 retirou da Constituição lusitana dispositivo que assegurava a equiparação do brasileiro ao português. e sim permanecer como português. Um angolano. introduziu neste dispositivo o cargo de Ministro da Defesa. V .de Presidente do Senado Federal. VII) e para administração e orientação intelectual de veículo de mídia no Brasil (art. finalmente. não podendo ser estendidas a outros casos. São: Presidente e Vice-Presidente da República (mas não os Ministros de Estado). LI).de Ministro de Estado da Defesa. Comentário: O parágrafo elimina quaisquer dúvidas acerca do alcance das desigualações entre brasileiros natos e naturalizados. 119 e 123. que veda essas distinções. documento bilateral aprovado em 24 de novembro de 1971 pelo Decreto Legislativo n° 82/72. A Emenda n° 23.de Ministro do Supremo Tribunal Federal. arts. para o exercício de determinados cargos públicos (art. terá uma equiparação ao brasileiro naturalizado sem sê-lo.de Presidente e Vice-Presidente da República. § 3°). Este parágrafo veio recepcionar a Lei n° 6. em virtude dos laços históricos com Portugal.182.Aos portugueses com residência permanente no País. Ministro do Supremo Tribunal Federal (mas não de outros tribunais superiores. que significa dar aos portugueses no Brasil tratamento semelhante ao conferido aos brasileiros em Portugal. nem os oficiais da Polícia Militar). brasileiros natos. que é o embaixador) e. cuidando-se que o STM e o TSE. . então. 5°. Note que apenas o português tem direito a essa equiparação.A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados. 1° Secretário. de 19/12/74. O parágrafo também condiciona o gozo dessa equiparação à existência e observância da reciprocidade. está contida no Estatuto da Igualdade ou Convenção de Reciprocidade de Tratamento entre brasileiros e portugueses. que passa a ser. mas àquele que não pretende a naturalização. Marinha e Aeronáutica (mas não os suboficiais destas Forças. se houver reciprocidade em favor dos brasileiros. 12. A supressão da igualação ao "brasileiro nato". § 2º . Conselheiro. Comentário: Este parágrafo não se dirige ao português que pretenda nacionalizar-se brasileiro. salvo nos casos previstos nesta Constituição. privativo de brasileiro nato. 89. da carreira diplomática (que são 3° Secretário. na reforma constitucional de 1994. serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro.de Presidente da Câmara dos Deputados. A dimensão da reciprocidade. Vale observar. III .de oficial das Forças Armadas. § 3º . por exemplo. Esse português. os de oficiais das Forças Armadas. não podendo ser ocupados por qualquer outro. VI . recolocou a questão nos seus termos. de 3/9/99. 2° Secretário.da carreira diplomática. no Brasil. II . como o Superior Tribunal de Justiça ou o Tribunal Superior do Trabalho. 222). salvo os casos previstos nesta Constituição. IV . Ministro de 2a Classe e Ministro de 1a Classe.São privativos de brasileiro nato os cargos: I . Presidente da Câmara dos Deputados (mas não deputado federal). nos termos da Constituição. As conseqüências disso para a "reciprocidade" são óbvias. VII . São as previstas expressamente na Constituição. para ocupar o cargo de membro do Conselho da República (art. terá que se naturalizar para adquirir tais direitos. como informação. que são Exército.

à perda da sua nacionalidade brasileira. receber uma pena acessória de cancelamento da naturalização. faculdades. que reconhece aos índios no Brasil o direito de usarem suas linguagens e dialetos no aprendizado. etc.tiver cancelada sua naturalização. no caso de a lei estrangeira reconhecer ao brasileiro em determinadas condições determinada nacionalidade estrangeira. Seria. a ação popular. Nesse caso. segundo o prof. a inserção da vontade do cidadão no universo da formação da vontade nacional. § 1º . Somente duas exceções são admitidas. o que não proíbe que outras aqui sejam faladas e reconhecidas. ao brasileiro residente em Estado estrangeiro. por sentença judicial. intervenção direta ou indireta. como no caso do art. II . Segunda e última. Francisco Xavier da Silva Guimarães. não é meramente declaratório. também. constitucionalmente amparado. como é o caso da Itália. 210. Comentário: A língua portuguesa é oficial no Brasil. mas constitutivo de perda. o hino. que é pena inconstitucional. § 2º . como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. quando a lei estrangeira impuser ao brasileiro a obrigação de naturalizar-se. até porque pertencem à União.A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Comentário: A aquisição voluntária de outra nacionalidade por um brasileiro conduz. para viabilizar a expulsão do Brasil (já que expulsão de brasileiro. CAPÍTULO IV DOS DIREITOS POLÍTICOS Comentário: Segundo Pimenta Bueno. É caso de acumulação de nacionalidade. Comentário: O brasileiro naturalizado que for processado e julgado culpado de algum crime no Brasil poderá. O ato que cancela ou revoga a nacionalidade. os direitos políticos são um conjunto de prerrogativas. b) de imposição de naturalização. a partir dessa sentença. será declarada a perda de sua nacionalidade. Art. o plebiscito. que os Territórios não poderão ter símbolos próprios. requerendo ato específico que a determine. d). em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. para que naquele país possa permanecer ou mesmo exercer direitos civis. como trabalhar.§ 4º . que reconhece aos descendentes de italianos nascidos no Brasil a condição de italianos.adquirir outra nacionalidade. ou poder de intervenção dos cidadãos ativos no governo de seu país. de acordo com a gravidade do crime. o direito de informação em órgãos públicos e a filiação a partidos políticos. ter conta em banco. XLVII. § 2°. Primeira. pela forma estrangeira. assim. mesmo que naturalizado. como autarquias territoriais. basicamente: o direito de votar e de ser votado. 5°. 13 . o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios. configura banimento.Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I . a fiscalização popular de contas públicas. as armas e o selo nacionais. . alugar imóvel. nos termos do art. atributos.Os Estados.São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira. mais ou menos ampla. a iniciativa popular de leis. como regra. Note. por ato do Presidente da República. já que esta não é automática. o referendo. salvo nos casos: a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira. ou dupla nacionalidade. na sentença. As formas dessa participação são.

facultativos para: a) os analfabetos. sujeito a diferentes requisitos. § 4°) e municipal (art. durante o período do serviço militar obrigatório. do poder de iniciativa de projeto de lei e da prerrogativa de organizar e integrar partido político. é o ato político que materializa. como no art. É. Só é feito por iniciativa do interessado. segundo lição de Alexandre de Moraes. assim. na prática. sobre uma questão política definida mas hipotética. 1°.Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e. § 2º . o direito subjetivo de sufrágio. uma consulta prévia ao cidadão. ou seja. O voto apresenta as características de personalidade (só pode ser exercido pessoalmente). geralmente legislativa. o povo opina sobre questão concreta efetivada. os conscritos. como renda e bens) ou capacitário (quando o eleitor precisa apresentar algumas condições especiais de capacidade. sendo que. obrigatoriedade formal de comparecimento (pela regra. onde está que todo o poder emana do povo. mediante: Comentário: Sufrágio é direito e função. configurando um direito público subjetivo de eleger e ser eleito. 14 . contudo. 29. o eleitor precisa comparecer. nos termos da lei. com valor igual para todos. O sufrágio universal se apóia na coincidência entre a qualidade de eleitor e de nacional de um país. sujeito. periodicidade (o eleitor é chamado a votar de tempos em tempos). estão as formas de exercício direto de tal poder. embora não precise efetivamente votar). 45). acrescidas do poder de oferecer ação popular. A palavra é formada do latim plebis (plebe) e scitum (decreto). como idade. Comentário: . XIII). liberdade (o eleitor escolhe livremente o nome de sua preferência). e. igualdade (cada voto tem o mesmo peso no processo político. sigilosidade (o voto é secreto). do poder de fiscalização popular de contas. e também o direito de participar da organização e da atividade do poder estatal. O voto. Comentário: É o poder de oferecer projeto de lei.plebiscito. b) os maiores de setenta anos.iniciativa popular. c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. I . Comentário: É forma de oitiva popular em que o povo é chamado a se manifestar. 61.Art.A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Comentário: Ao contrário do plebiscito. estadual (27.O alistamento eleitoral e o voto são: Comentário: Alistamento eleitoral é a inscrição como eleitor. por seu turno. Os direitos existentes neste artigo são desdobramentos da previsão do parágrafo único do art. sobre um fato realizado. O sufrágio pode ser universal ou restrito. aqui.obrigatórios para os maiores de dezoito anos. O sufrágio restrito pode ser censitário (quando a votante precisa preencher requisitos de natureza econômica. II . com o objetivo de registrar todos aqueles que reúnam condições constitucionais e legais para serem eleitores. pelo que não é possível alistamento ex oficio. II . Existe em nível federal (art. embora a Constituição admita casos em que isso é negado. é um ato de natureza administrativa que se dá no âmbito da justiça eleitoral. III . como as de natureza intelectual). diretamente. aqui.referendo. § 1º . I . § 2°). Nas palavras de Celso Bastos. a condicionamentos.

Conscritos são os recrutados para servir às Forças Armadas. não havendo mandato eletivo restrito ao brasileiro nato. Nos §§ 5° e 7° estão casos de inelegibilidades relativas. cujos direitos políticos não tenham sido perdidos ou suspensos. b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal. § 4º . 15. O português com reciprocidade também desfruta desse direito. nem com a incompatibilidade. Deputado Estadual ou Distrital. Circunscrição é a área territorial qualificadora do mandato pleiteado (Município. Comentário: A capacidade eleitoral passiva (para ser votado) depende. nos termos do art. qual seja o de prestar serviço militar por certo tempo. possibilidade de candidatura avulsa. VI . embora a lei eleitoral possa fazê-los coincidir. c) vinte e um anos para Deputado Federal. Não existe. Prefeito. Comentário: É o registro regular em algum partido político legalmente registrado.o alistamento eleitoral. então. Os demais integrantes das Forças Armadas têm o poder-dever de alistamento. Não se confunde com a inalistabilidade.São condições de elegibilidade. O prazo será dado por lei. mas de cidadãos no cumprimento de um ônus constitucional.o domicílio eleitoral na circunscrição. Este parágrafo enumera casos de inelegibilidade absoluta. Comentário: Domicílio eleitoral não se confunde nem com domicílio civil nem com residência. § 3º . então. III . Não as integram na condição de profissionais. assim como a alistabilidade diz respeito à capacidade eleitoral ativa (capacidade de ser eleitor). Distrito Federal ou República).o pleno exercício dos direitos políticos. . desvinculada de partido político. II . Estado. IV .São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. isto é. isto é. que é a impossibilidade de se alistar eleitor.a filiação partidária.a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador. I . exceto o de Presidente da República e Vice-Presidente da República. ao direito de ser votado. ou capacidade de ser eleito. d) dezoito anos para Vereador. Apenas durante esse tempo é que não podem alistar-se. a elegibilidade refere-se à capacidade eleitoral passiva. Comentário: Inelegibilidade é impedimento à capacidade eleitoral passiva. VicePrefeito e juiz de paz.a nacionalidade brasileira. da capacidade eleitoral ativa (para votar). Comentário: Ou seja. É comprovado pela inscrição eleitoral obtida no juízo eleitoral do domicílio do eleitor. Comentário: Tanto o nato quanto o naturalizado são elegíveis. impedimento ao exercício do mandato depois de eleito. V . na forma da lei: Comentário: Ensina José Afonso da Silva que.

São inelegíveis. principalmente da necessidade de renúncia. inclusive pelos jornais. na diplomação. os Governadores de Estado e do Distrito Federal. com o § 5°. Comentário: O militar só é alistável se não for conscrito. mais os cargos de Governador e Vice-Governador e de Deputado Estadual. se eleito. deveria.se contar mais de dez anos de serviço. dessa prescrição. Comentário: Sucessão é a ocupação do mandato de forma definitiva. será agregado pela autoridade superior e.O militar alistável é elegível. acima. no ato da diplomação. o do Presidente da República é todo o País. sendo lógico que. do Presidente da República. por conta da continuidade administrativa que é subjacente à própria idéia de reeleição. além do que ocupam. para tentar sua reeleição. deverá sinalizar a harmonia. a disputa a um terceiro mandato consecutivo. atendidas as seguintes condições: I .se contar menos de dez anos de serviço. sendo que o pedido de inscrição de candidatura é supridora dessa condição. § 7º . até o segundo grau ou por adoção. de Governador de Estado ou Território. Comentário: Tem-se. renunciar. aqui. em caráter temporário. a inelegibilidade reflexa. são absolutamente inelegíveis. entre constitucionalistas de peso sobre a necessidade. automaticamente será conduzido. os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.§ 5º . se eleito. cada Estado e o Distrito Federal constituem uma circunscrição eleitoral". do Presidente da República. do Governador. Federal e Senador. por uma única reeleição. Em face da redação da Emenda Constitucional n° 16/97. se o Presidente da República. diz o parágrafo. ou seja. Essa nova redação permite aos chefes do Poder Executivo uma única recandidatura para o mesmo cargo. Portanto. do Distrito Federal. a redação combinada deste § 6° com o § 5°. portanto. no período imediatamente subseqüente. ou não. não podendo haver. o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins. de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito. dão plausibilidade. é elegível. para a inatividade. ou não.Para concorrerem a outros cargos. Comentário: Mostra que os chefes do Poder Executivo podem pleitear outros cargos eletivos. o do Governador. um pronunciamento judiciário definitivo. no território de jurisdição do titular. Cabe. a razão parece estar com aqueles que se manifestaram contra a renúncia para a hipótese de recandidatura. mesmo após a EC n° 16. Contudo. Se for alistável. se eleito. onde foi decidido que "em se tratando de eleição para deputado federal ou senador. Assim. salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. o que amplia a relação dos impedimentos. aqui. desde que renunciem a esses até seis meses antes do pleito. Assim. § 8º . ou não. de renúncia para a disputa de um novo mandato executivo consecutivo. nos Municípios do Estado.O Presidente da República. Vice-Prefeito e Vereador naquele Município. dada a opção do Congresso Nacional. . esses cargos citados. também. à tese dos que exigem a renúncia para a recandidatura. ainda. Substituição. o Município. para a inatividade. os Prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente. § 6º . referência à decisão do Tribunal Superior Eleitoral. o Presidente da República. O STF já decidiu que do militar elegível não é exigível a filiação partidária. e o do Prefeito. especialmente do STF. Acirrada discussão foi travada. o território de “jurisdição” (a doutrina prefere "circunscrição") do titular é a área física em que esse exerce poder. passará automaticamente. no uso de poder constituinte derivado reformador. permanecerá afastado enquanto durar o mandato. a jurisprudência. deverá afastar-se da atividade. que também impõe condições: se contar menos de dez anos de serviço deverá afastar-se da atividade para ser candidato. Para esses fins. estes dois últimos para vagas do próprio Estado. salvo a única hipótese do final da redação do dispositivo. Com mais de dez anos de serviço o militar será agregado (afasta-se do cargo mas permanece com a remuneração até ser aproveitado em outro cargo) e. o respectivo Estado. cônjuge e parentes do Prefeito não poderão disputar os cargos e mandatos de Prefeito. Embora não haja. II . a inelegibilidade descrita neste dispositivo continua relativa. por fim.

com isso. do Poder Executivo. 15 . das coligações e dos candidatos. § 11 . considerada a vida pregressa do candidato. LX. . Preso sem sentença definitiva pode votar. § 3°.Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação. art. que ocorrerá bem mais tarde. § 4°.A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça. com fundamento no art. § 10 . a moralidade para o exercício do mandato. configurando uma radical medida contra o regime democrático. Para tanto. suspensão é uma perda temporária.condenação criminal transitada em julgado. Com essa condição. a pessoa perde a condição de brasileiro.É vedada a cassação de direitos políticos. se membro do Legislativo. Comentário: Segundo o Código Civil. respondendo o autor. instruída a ação com provas de abuso do poder econômico. na forma da lei. O eleito que for réu nessa ação e vier a perdê-la. Se for condenado por crime contra a economia popular. Note que os casos admitidos neste artigo têm fundamento constitucional. se temerária ou de manifesta má-fé. contra a fé pública. e impor prazos para os ocupantes de determinados cargos ou funções públicas afastarem-se destes. cargo ou emprego na administração direta ou indireta. 5°. e com a extinção da punibilidade o preso readquire direitos políticos.cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. Comentário: Esta lei complementar. 12. Comentário: A duração da suspensão depende da pena. A legitimação ativa para essa ação é do Ministério Público. I a IV). III . cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: Comentário: Cassação é ato unilateral. os surdos-mudos que não possam exprimir sua vontade e os ausentes assim declarados por ato de juiz (CC. deverão se desincompatibilizar. II . 55. a fim de proteger a probidade administrativa. que suprime direitos e garantias individuais. I. sob pena de não se poderem eleger.incapacidade civil absoluta. perde também direitos políticos.O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação. Perda é a privação definitiva. contra a Administração Pública. Note que o prazo é para a entrada da ação no Judiciário. Comentário: O parágrafo trata do ajuizamento da ação de impugnação de mandato eletivo. Art. contra o patrimônio público. 55. quanto à publicidade dos atos processuais. enquanto durarem seus efeitos. são absolutamente incapazes os menores de 16 anos. Comentário: Exceção à regra geral do art. corrupção ou fraude. terá o seu mandato extinto na forma do art.§ 9º . não para o seu julgamento. dos partidos políticos. Comentário: Na forma do art. As finalidades dessas inelegibilidades estão ditas no próprio parágrafo. I . que são inerentes à cidadania. vai enumerar outros casos de inelegibilidades. legal ou judicial. que será federal. 5°. retorna ao status de estrangeiro e. V. eleitos ou não. e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. os loucos de todo gênero.

IV .239/91 regulou as prestações alternativas. de tráfico de drogas ou crimes eleitorais. não se aplicando à eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência. V . aqui. um prazo de interstício de um ano entre a publicação regular da lei e a sua efetiva aplicação.improbidade administrativa. Princípio que é posto para que as novidades da lei não surpreendam as autoridades eleitorais. Art. nos termos do art.recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. VIII. cujo descumprimento. A Lei n° 8. candidatos e eleitores. nos termos do art. alterando e regulando o processo eleitoral. 16 . § 4º. . Comentário: É exigido.A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação. 37. a suspensão se estende por mais três anos depois de cumprida a pena. 5º. Comentário: Se vier a cumpri-la.contra o mercado financeiro. ou cumprimento parcial. deixa o brasileiro sem direitos políticos. readquire os direitos políticos perdidos ou suspensos.

organizado. ordenar diligências em circunscrições outras. § 1 °. em obediência a lei processual que se refere ao território das diversas jurisdições (circunscrições). significa atribuição a um funcionário público para o exercício das suas funções. "As polícias civis. § 6°. Essa atribuição é distribuída de um modo geral. dirigidas por delegados de polícia de carreira. de acordo com as normas de organização policial dos Estados. Polícia Judiciária A Constituição Federal. incumbem. investigue os fatos criminosos que. para que este possa propor a denúncia ou oferecer a queixa contra o autor dos fatos. 144. independentemente de precatórios ou requisições. A direção da polícia civil é reservada a um delegado de polícia que seja integrante da instituição. ressalvada a competência da União. de acordo com o lugar onde se consumou a infração. o que impede que os governadores venham a nomear uma pessoa que não pertença aos seus quadros. ou Varas da Fazenda Pública. Nos § 1° e § 4° do referido artigo. ressalvada a competência . não impede que a autoridade policial de uma circunscrição (Estado ou Município). aos delegados de polícia de carreira. em seu artigo 144. 2) pela polícia civil. e bem assim providenciará. ao tratar da segurança pública. consignou que esta é exercida com o escopo de garantir a ordem pública e incolumidade das pessoas e do patrimônio. LIII da CF de 1988. nos inquéritos a que esteja procedendo. o interessado deverá propor a ação de indenização perante uma das Varas Cíveis. da CF/88).A Polícia Civil e a defesa das instituições democráticas. a autoridade com exercício em uma delas poderá. Polícia civil A polícia civil é um órgão permanente. com o objetivo de fornecer os elementos necessários ao titular da ação penal. com exclusividade. "as policias civis dirigidas por delegados de polícia de carreira. até que compareça a autoridade competente. salvo as exceções legais. as funções de polícia judiciária da União" (art. Cada Estado-membro da Federação possui sua própria força policial civil sendo responsável por sua manutenção. A competência para presidir o inquérito policial é deferida. O artigo 4° do CPP. por serem inquisitoriais não se acham alcançados pela regra do artigo 5°. preceitua que "no Distrito Federal e nas Comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial. a polícia judiciária é exercida: 1) pela polícia federal. Competência. o constituinte firmou orientação. No caso de danos praticados pelos policiais civis ao administrado. IV. o artigo 22° do CPP. No Brasil. pois os atos investigatórios. A atividade fim exercida pela polícia civil é a função de polícia judiciária. O artigo 144° da CF em seu parágrafo 4° dispõe. 144. cabe à Polícia Federal "exercer. segundo a qual ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. onde esta busca a autoria e materialidade das infrações criminais. sobre qualquer fato que ocorra em sua presença. e estruturado em carreira que exerce as funções de polícia judiciária. incumbem. praticados em outro local. a polícia civil encontra-se vinculada na maioria dos Estadosmembros da Federação à Secretaria de Segurança Pública. Entretanto. em sentido amplo. no intuito de buscar o ressarcimento pelos prejuízos suportados. No exercício de suas funções. noutra circunscrição". exceto as militares". devendo por força do art. da Constituição Federal obediência ao Governador do Estado. tenham repercutido na sua competência. as funções de polícia judiciária e a apuração das infrações penais. A polícia judiciária e a promoção dos direitos fundamentais. 3) pela polícia militar nos crimes militares. nos Estados em que estas existirem. Competência Geralmente cabe à autoridade policial a realização do inquérito.

da União. inexiste lei complementar para disciplinar a matéria. que deverão ser dirigidas por delegados de polícia de carreira. 2) dar subsídios para a interposição de eventuais ações penais. tendo como finalidades: 1) garantir a eficácia do processo penal. inciso VII. da Constituição Federal). das funções específicas de polícia judiciária e apuração de infrações penais. sobre qualquer fato que ocorra em sua presença noutra circunscrição. independentemente de precatórias ou requisições. 144. como filtro processual. § 4°. marítima ou aérea. o fundamento da atividade da Polícia Judiciária decorre do poder de polícia inerente à Administração. até que compareça a autoridade competente. É auxiliar da justiça. que é um procedimento administrativo. exceto infrações militares. No Estado Moderno o ciclo da persecução criminal e o ciclo de polícia estão organizados de forma integrada e sistêmica. Tem na pessoa do delegado. b) momento da quebra da ordem pública e sua restauração. o responsável para todos os efeitos: processuais. nos inquéritos a que esteja procedendo." Etapas da Persecução Penal A persecução penal no Brasil desenvolve-se em duas etapas: 1) Fase de investigação (preliminar). divide-se em três segmentos ou fases: a) situação de ordem pública normal. para a preservação da ordem pública. A polícia judiciária exerce suas funções conforme alguns critérios: . a autoridade com exercício em uma delas poderá. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais.territorial: quanto ao lugar da atividade pode ser terrestre. funcionando. aduz que: "Como regra. Outras considerações As polícias civis. civis e administrativos. ressalvada a competência da União. visa apurar o fato e sua autoria. . Artigo 22 do Código Processo Penal: "No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial. A atividade de polícia judiciária consiste na realização de uma investigação preliminar ao processo penal. Atividade de Polícia Judiciária É exercida por autoridades policiais. 2) Fase Judicial ou Processual (ação penal). No Brasil. da CF/88). ademais. é mera irregularidade que não contamina a ação penal. desestimulando a prática de novas infrações. 3) manter a regularidade das relações sociais. A inobservância de qualquer um desses critérios não implica nulidade. e bem assim providenciará. . exceto as militares" (art. ALVARO LAllARINI. penais. O controle externo da polícia está previsto constitucionalmente e é exercido pelo Ministério Público (artigo 129.em razão da matéria. As polícias militares têm atribuição de polícia ostensiva. fase onde ocorre a quase totalidade dos atos de polícia (por vezes há resquícios na fase processual).em razão da pessoa (exemplo: delegacia da mulher). Na prática. o modelo brasileiro de ciclo de polícia. investiga crimes (artigo 13 do Código de Processo Penal). ordenar diligências em circunscrição de outra. materializada pelo inquérito policial. . são incumbidas.

composto por quatro segmentos. afirma-se que o mais correto não é qualificar a atividade policial em preventiva ou repressiva. São Paulo: Atlas.” Doutrinariamente. d) fase das penas. fazendo atuar as normas do direito processual penal. b) nela é dada continuidade aos trabalhos da fase anterior. O que há. enquanto não restabelecida. é o período de flagrância que se segue (este foi o caso do ocorrido no ônibus 174). 1990. Por sua vez. terá em vista o sucesso da persecução criminal. 173). já que não contempla o contraditório. O órgão policial que está exercendo atividade de polícia preventiva . havendo então a intersecção entre eles. Havendo ilícito penal. destinatário final da ocorrência. Assim. c) fase processual. a linha de diferenciação entre o que seja polícia administrativa e polícia judiciária é bem precisa. quando diante do ilícito penal. Da mesma forma entende ANDRÉ DE LAUBADERE ao analisar a diferença entre as atividades de polícia administrativa e de polícia judiciária.polícia judiciária . sempre.polícia administrativa diante do ilícito penal que não conseguiu evitar. em qualquer hipótese. automática e imediatamente. sendo inviável seccionar atividades dentro de um mesmo segmento. na verdade. cumpre seu mister constitucional de preservar a ordem pública. Esta fase tem dois momentos importantes: a eclosão e a duração. é uma predominância de atividades preventivas no atuar rotineiro das polícias militares. conforme se demonstrará. porque sempre será a ocorrência ou não de um ilícito penal. como ainda na qualidade de oficial de polícia judiciária" . Isso não significa invadir a atribuição de outro órgão policial. pp. ocorrendo ilícito penal. A atitude policial é de repressão imediata. A fase seguinte é a investigatória propriamente dita. Neste caso o policial civil ou militar rege-se pelas normas do direito processual penal. o órgão estará restaurando a ordem pública naquele momento e local. Esta assertiva é igualmente válida se a atividade de polícia repressiva . dando prosseguimento às medidas repressivas. seja comum ou militar e. pois independem de autorização superior e visam. Saraiva. b) fase investigatória. e mais. As medidas tomadas pela polícia são de oficio. passa. com o fito de restaurar também a ordem jurídica. restabelecer a ordem pública. porque. está sujeita às correições do Poder Judiciário e ao controle externo do Ministério Público. isso mediante intensas investigações. constitui atuação primordial da polícia federal e das polícias civis. dizendo que "na realidade das coisas a distinção não é simples. essa divisa é doutrinária. com o que concorda MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO (Direito Administrativo. havendo ou não ilícito penal e a segunda é o período em que persiste a alteração da ordem. Como afirmado. pelo órgão público que a exerce. incumbido da repressão mediata. feitas de forma discreta para garantir seu êxito. sendo utilizadas. começa na Segunda fase do ciclo de polícia. independentemente de seu autor e também por certos funcionários e autoridades possuírem dupla qualidade de agirem tanto na qualidade de autoridade administrativa. seja por policiais militares ou por policiais civis.polícia judiciária. a linha de diferenciação entre a polícia administrativa (geral ou especial) e a polícia judiciária está na ocorrência ou não de ilícito penal. na prática é impossível de ser efetivada. a divisão da polícia em preventiva e repressiva está apenas "na maneira de agir da autoridade no exercício do poder de polícia" (Enciclopédia Saraiva de Direito. a operação em causa guarda a sua própria natureza. Seria inadmissível que ele assim não pudesse proceder. ao realizar atividades de repressão imediata. ao exercício da atividade de polícia repressiva . c) a atividade investigatória continua tendo valor informativo e caracteriza-se por ser inquisitória. eis que ela está incluída na segunda fase do ciclo de polícia. ações de contenção. Mas. que. A primeira é o instante em que se deflagra a anormalidade. pela atividade de polícia em si mesma desenvolvida. p. o qual só é divisível em segmentos. como na fase anterior.c) fase investigatória. Agindo dessa maneira. agora mediatas.vier a ser deflagrada pela polícia civil. No dizer de JOSÉ LOPES ZARZUELA. dessa forma: a) momento da quebra da ordem pública. apresentando as seguintes características: a) inicia-se com a lavratura do auto de prisão em flagrante ou a instauração de inquérito policial. o ciclo da persecução criminal. além do controle externo pelo Parquet. 89-90). coletando-se outras provas ou ainda ampliando e aperfeiçoando as iniciais. mas sim. uma inovação da nova Carta. segundo a Constituição. pois. pois não podem ser perdidos os elementos indispensáveis à realização da Justiça Criminal. que. estando suas ações sob a égide do Poder Judiciário.

observando que: "No Brasil. pp. cabendo ao mesmo órgão. pp. aos estados-membros e ao Distrito Federal. a distinção da polícia judiciária e administrativa. como Autoridade Superior que é. 2a ed. incumbe as atividades de polícia judiciária sobre seus membros. dos Estados e do Distrito Federal. Mas. Tratando das polícias militares alerta para a questão. Nada obsta. isso através do Tribunal ou Órgão Especial competente.aí deverá prevalecer o bom-senso de se conferir integralmente a tarefa aos agentes policiais da Polícia Civil. Nessas missões a Polícia Militar pratica atos discricionários. Bem mais incisivo foi HELY LOPES MEIRELLES ao afirmar que "pode a Polícia Militar desempenhar função de polícia judiciária. Em tempo: Polícia de Segurança (Administrativa ou Preventiva) É a polícia ostensiva. exercida em regra pela polícia militar. a coercibilidade e a discricionariedade. policiais militares no exercício das atividades preventivas . fazendo funcionar a autoexecutoriedade. 173). poderá verificar pela conveniência e oportunidade de ser transferida a responsabilidade da ocorrência de uma para outra corporação. in Direito Administrativo da Ordem Pública. regulada em dispositivos legais como o Código de Processo Penal Militar e leis esparsas. no entanto.. não investiga crime (exceto os militares).segunda fase do ciclo de polícia . Presses Universitaires de France. pois sua competência é concorrente com a de outros órgãos públicos.pois a mediata . Com sua peculiar sabedoria. ao tomar contato inicial com o evento criminal. conforme exposto. Nesse ponto. b e c). apóie a outra com recursos materiais e/ou humanos.cabe inegavelmente às polícias civis. pois. p. ou até mesmo determinar que uma delas. tal como na perseguição e detenção de criminosos. 154-155). 2a ed. 3°. apresentando-os à Polícia Civil para o devido inquérito a ser remetido. Paris. A legislação infraconstitucional é muito clara a respeito do assunto. Também ao Poder Legislativo e ao Ministério Público. havendo ainda a polícia judiciária militar. porque a nossa Polícia é mista.as ações de repressão imediata e de restauração da ordem pública quebrada. oportunamente. igualmente conferida à esfera federal. JOSÉ CRETELLA JR. Somos que a melhor solução no campo prático é que a polícia ostensiva.. até porque se assim o fizesse prejudicaria a possibilidade de existência da outra. Rio: Forense. 1977. de procedência francesa e universalmente aceita. . menos pelos povos influenciados pelo direito inglês (Grã-Bretanha e Estados Unidos) não tem integral aplicação. sem exclusividade. Normalmente. fardada.a Polícia Militar . de execução imediata" ("Polícia de Manutenção da Ordem Pública e suas Atribuições". se eventualmente ocorrer que policiais civis sejam os primeiros a tomar contato com a prática do ilícito penal . Deve-se ainda entender que a Constituição Federal de 1988 não conferiu a nenhuma das polícias estaduais o ciclo completo. pois tem caráter preventivo. O próprio Poder Judiciário. E nem poderia ser diferente.terceira fase . comunicando após o fato à Polícia Civil para as ações de repressão mediata no segmento investigatório. que não esteja diretamente atuando no caso. detalhando os dispositivos constitucionais. ao praticá-los o faz munido legalmente de autoridade policial e no exercício do poder de polícia. A própria polícia federal só detém o ciclo completo quando se trata do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. mas não exclusiva. outra medida.(Manual de Droit Administratif/Spécial. art. mormente no que tange a atuação repressiva imediata. é que se encarrega das investigações. 1987. da União. atividades preventivas e repressivas" ("Polícia Militare Poder de Polícia no Direito Brasileiro". 86-87). pois. caso a caso. determine ela . o contrabando e o descaminho ainda assim. in Direito Administrativo da Ordem Pública. embora como afirmamos anteriormente elas devam ser entendidas de forma ampla. à Justiça Criminal. Tudo isso demonstra a impossibilidade de prever-se em norma legal a exclusividade nas funções de polícia judiciária destinadas constitucionalmente às polícias civis. seus atributos. Mas não é só a polícia ostensiva que realiza funções de polícia judiciária.e não como de regra ocorre. até conclusão final das investigações. 1987. sendo vedado à autoridade policial civil ou militar fazê-lo. é que ela está limitada àquela imediata . quando houver indício de prática de crime por parte de magistrado. convém esclarecer que nosso entendimento quanto à repressão citada. pois. ao tratar da competência das polícias militares atribuiu-lhes atividades preventivas e repressivas (Decreto-lei n° 667/69. Rio: Forense. como dissemos. que o Secretário de Segurança Pública determine.

Pela noção jurídica desenvolvida no subitem anterior. torna-se uma tarefa mais simples compreender e adotar um conceito de serviço público. Entre os autores contemporâneos que propõem conceitos amplos de serviço público pode-se citar: a) Hely Lopes Meirelles: "Serviço Público é todo aquele prestado pela administração ou por seus delegados.. abaixo transcritos: Art. b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água. O termo "serviço público" não é utilizado na doutrina numa acepção única. direta ou indiretamente.. 21. Segundo. segue-se o entendimento de que há uma distinção relevante entre serviço público e outras atividades. sob normas e controles estatais. prestado pelo Estado ou por quem lhe faça às vezes. nos termos da lei. pois poderia abranger a atividade legislativa ou até mesmo a judiciária. e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros. enquanto neste se restringe ou limita a liberdade ou propriedade do mesmo. d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais. ou que transponham os limites de Estado ou Território. Procede-se assim por diversas razões. aplicando-se aos serviços constitucionalmente previstos. instituído pelo Estado em favor dos interesses que houver definido como próprios no sistema normativo". o conceito é compatível com o uso da expressão na Constituição Federal de 1988. c) a navegação aérea. De outro lado.O DIREITO DE RECEBER SERVIÇOS PÚBLICOS ADEQUADOS SERVIÇOS PÚBLICOS Conceito Estudadas as características e princípios a que o serviço público está vinculado. de sons e imagens.. como o exercício do poder de polícia.explorar. Neste estudo adotaremos o conceito de Bandeira de Mello. concessão ou permissão. que não estão submetidas ao regime jurídico de Direito Administrativo. b) Celso Antônio Bandeira de Mello: "Serviço público é toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material fruível diretamente pelos administrados. Compete à União: (. b) José Cretella Júnior: "Serviço público é toda atividade que o Estado exerce. a adoção de um conceito amplo prejudicaria o foco do presente estudo.) X . sob regime jurídico total ou parcialmente público". para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniências do Estado". Naquele caso é oferecida uma utilidade material ao administrado. XI . com o objetivo de satisfazer concretamente às necessidades coletivas. temse: a) Maria Sylvia Zanella Di Pietro: "Toda atividade material que a lei atribui ao Estado para que a exerça diretamente ou por meio de seus delegados.explorar. Primeiro. os serviços de telecomunicações. consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais . aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária. mediante procedimento de direito público".manter o serviço postal e o correio aéreo nacional. concorda-se com a afirmação do autor de que a utilidade de uma noção jurídica está ligada à sua correspondência a um sistema de regras e princípios. dentre os doutrinadores que adotam conceitos estritos de serviço público. Os de competência da União são expressamente definidos no artigo 21. a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais. . sob um regime de Direito Público – portanto. concessão ou permissão: a) os serviços de radiodifusão sonora. que disporá sobre a organização dos serviços. Terceiro. XII . em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos. diretamente ou mediante autorização. para a satisfação do interesse público. diretamente ou mediante autorização.

São também reservadas as competências que não lhes sejam vedadas pela Constituição. serão prestados diretamente ao usuário preferencialmente pelos Municípios. o administrado perceberá o problema assim que houver repercussão nas atividades que oferecem utilidades ou comodidades materiais fruíveis diretamente por ele. sem prejuízo dos serviços assistenciais. os serviços públicos de interesse local. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão. dos trabalhos de pesquisa científica. é claro que os mesmos são tratados como verdadeiros serviços públicos. Quanto à saúde. há uma delegação expressa por parte do Estado. Assim é o caso dos serviços administrativos do Estado prestados internamente. no artigo 23 são elencadas as atribuições cuja competência é comum à União. vinculada às normas gerais da educação nacional.f) os portos marítimos. dos serviços diplomáticos. pois estes são fruíveis diretamente pelos administrados. está estabelecida a competência do Município para "organizar e prestar. dentre as quais. . seriam serviços públicos. que tem caráter essencial". fluviais e lacustres. Tais serviços de educação e saúde.. ou seja. quanto à abrangência: "Tal conceito restringe demais com a expressão `utilidade ou comodidade fruível diretamente pelos administrados'. com prioridade para as atividades preventivas. Deve-se ter em mente que um dos objetivos desse trabalho é examinar os meios colocados à disposição do usuário para a defesa do seu direito de receber um serviço que seja satisfatório para ele. duas condições devem ser satisfeitas: cumprimento das normas gerais da educação nacional. Contudo. Sobre os serviços de educação e saúde. Mas existem outras espécies de serviços que são considerados públicos e nem por isso são usufruíveis diretamente pela coletividade. Nesse sentido. a Constituição prevê que as ações e serviços públicos de saúde constituem um sistema único.. o que levou Aguillar a negar que sejam realmente serviços públicos. A liberdade de iniciativa na atividade também fica restrita. Estados. por serem de grande interesse local. organizado de acordo com as diretrizes constantes do artigo 198. Uma vez que têm competência comum com os Municípios para prestar serviços de educação e saúde. e autorização e avaliação de qualidade pelo serviço público. Quando os serviços administrativos internos do Estado e as atividades diplomáticas e de pesquisa funcionarem irregularmente. o de transportes. pois qualquer tipo de atendimento estaria assegurado pelo Estado. os quais só por via indireta beneficiam a coletividade. Di Pietro assim critica o conceito proposto por Bandeira de Mello. o particular só pode prestar o serviço se autorizado pelo Poder Público. o de água. Quanto aos Estados. Distrito Federal e Municípios. um conceito com a limitação de abrangência indicada. Finalmente. No caso da educação. atendimento integral. quando esses serviços são prestados pelo Estado. proporcionar os meios de acesso à cultura. Ainda. Contudo. os Estados devem garantir a prestação nas localidades onde aqueles não têm condições para arcar com a tarefa. ao dispor que são direitos de todos e deveres do Estado. o de energia elétrica. A Constituição enfatiza o interesse público nestes casos. Desta forma. da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência.) No artigo 30. à educação e à ciência. a avaliação de qualidade pelo serviço público garante o controle do Estado sobre a atividade." Não há prejuízo em se adotar. para o presente estudo. respectivamente. o de telecomunicações. por exemplo. dentre as quais algumas compreendem a prestação de serviços públicos: a) b) cuidar da saúde e assistência pública. incluído o de transporte coletivo. Inciso V. ocasião em que poderá exigir medidas saneadoras. não há liberdade plena de iniciativa para os particulares. o particular só recorreria ao serviço das instituições privadas por escolha própria. (. há uma maior liberdade de ação para as instituições privadas. Portanto. cabe-lhes explorar os serviços de gás canalizado na forma da lei. a Constituição assegura que são livres à iniciativa privada nos artigos 209 e 199.

prestados sob regime de direito público. do interesse público. a lei que tratar do regime de concessão e permissão da prestação desses serviços disporá. da modicidade de tarifas e da eficiência. privilegiando uma parte da coletividade com água tratada em abundância e não atendendo outra. provocando a deterioração de produtos que deveriam ser mantidos sob refrigeração. sobre os direitos dos usuários e a obrigação de manter serviço adequado. Logo. se os serviços públicos não estão sendo prestados de forma a atender o interesse público expresso no sistema normativo. os serviços que só por via indireta beneficiam a coletividade podem ser alcançados pelo administrado em sua defesa do seu direito ao serviço adequado. 37. da generalidade. também de forma indireta. na forma da lei. O direito do usuário e o serviço adequado na legislação Já foi visto que o direito dos usuários ao serviço público adequado e o direito de exigir a observância do primeiro é uma decorrência natural dos princípios que instruem o regime jurídico administrativo. ou em que ocorrem freqüentemente linhas cruzadas. o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. sendo cláusula pétrea: a) a todos são assegurados. os requisitos de adequação do serviço público definidos nesta lei serão equivalentes ao que se espera no serviço público prestado diretamente. pela Administração. não previstas. enunciados no "caput" do art. em seu Capítulo III. . pela Administração. as normas deverão observar os princípios constitucionais da Administração Pública. b) o direito de defender seu direito de receber o serviço público adequado. dos direitos do usuário e do que se deve entender por serviço adequado. que prejudicam o cotidiano dos usuários. se o serviço é prestado sem observância dos princípios referidos. na nova lei de concessões e permissões. O direito do usuário de defender seu direito de receber serviço público adequado é assegurado na Constituição Federal em seu Título II – Dos Direitos e Garantias individuais. para o usuário. entre outras coisas.Portanto. ao usuário de serviços públicos devem ser garantidos: a) o direito de receber serviço público prestado de forma que satisfaça os princípios que exprimem o interesse público. decidiu-se adotar o conceito que alia de forma mais clara o serviço público a uma atividade instituída em favor do interesse público. art. que consagra certas prerrogativas à Administração Pública na sua prestação mas também a submete a certos princípios. a qualidade do serviço público prestado não pode depender de quem está executando as atividades. colocando vidas em perigo com a interrupção da sinalização de trânsito. Portanto. Direitos dos usuários dos serviços públicos Os administrados são. portanto. a coletividade tem o direito de reclamar e exigir a adequada prestação. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão.987/95 (Lei de concessões e permissões) Conforme previsto nos incisos II e IV do parágrafo único do art. em processo judicial ou administrativo. se o fornecimento de energia elétrica sofre interrupções constante. como o da isonomia. A seguir será feita uma exposição dos dispositivos existentes no ordenamento jurídico que têm por finalidade garantir esse direito. 5°. se o fornecimento de água é oferecido de forma desigual. 175 da Constituição Federal. Obviamente. se a prestação de serviços de telecomunicações é precária. com equipamentos ultrapassados que comprometem as ligações com redes mais modernas. o "caput" do art. usuários dos serviços públicos. todos derivados do princípio maior da indisponibilidade. Segundo prescreve o parágrafo único desse artigo. do interesse público. da continuidade. Finalmente. o artigo 175 da Constituição Federal dispõe que é incumbência do Poder Público a prestação de serviços públicos. para que seja satisfeito o princípio da indisponibilidade. independentemente do pagamento de taxas. atrasos no tom de discar ou ligações completadas em números errados. No tocante apenas aos direitos. Na Lei n° 8. o legislador tratou. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa. Ainda. pois. Na Constituição Federal Como já visto anteriormente. b) aos litigantes. enfim. danificando aparelhos eletrodomésticos.

nacional ou estrangeira. por meio da Lei n° 9. criação. pois o usuário poderá escolher o prestador cujo serviço considerar mais adequado. O reconhecimento do direito do usuário de obter e utilizar o serviço. bem como os entes despersonalizados. O sentido de uma parte dessas condições é apreendido diretamente ou a partir dos princípios que instruem o serviço público. do equipamento e das instalações e a sua conservação. Na Lei n° 8. considerado o interesse da coletividade. nos Estados e no Distrito Federal. no parágrafo 2° é dada uma definição. Tanto a regularidade quanto a segurança são aspectos particulares contidos no princípio da eficiência. A obediência a regras de segurança. dentro do mês de vencimento. Ao requisito de continuidade foi incorporada uma ressalva: ficou determinado que não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência ou após prévio aviso. de 11 de setembro de 1990 (Código de Proteção e Defesa do Consumidor). bem como a melhoria e expansão do serviço. de direito público e privado.078. Ainda. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica.) . e c) comunicar às autoridades competentes os atos ilícitos praticados pela concessionária na prestação do serviço. A definição do que é serviço público adequado é feita no § 1º do art. 7° da Lei de Concessões. o art. O Código de Defesa do Consumidor trata o usuário do serviço público como um consumidor e o prestador como um fornecedor. que também é um parâmetro de qualidade. 6° prescreve em seu "caput" que toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários. Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade. atualidade. pois beneficia o usuário respeitando suas possibilidades de programação de despesas. sem prejuízo do disposto na Lei n° 8. com liberdade de escolha entre vários prestadores de serviços. aparece destacada como condição. Quanto à atualidade. estando a relação entre eles sujeita às suas disposições. as entidades que executam atividades de prestação de serviço público são classificadas como fornecedores: Art. quando for o caso. os direitos enunciados naquele artigo para os usuários não prejudicam os que estes têm como consumidores de serviços. transformação. dispõe que é direito dos usuários receber serviço adequado. O resultado é um serviço de melhor qualidade. são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário. composto de requisitos de qualidade. que desenvolvem atividade de produção. e b) por inadimplemento do usuário. cortesia na sua apresentação e modicidade das tarifas. 6º. O requisito de eficiência foi observado pelo próprio legislador quando. 7°-A que dispõe que as concessionárias de serviços públicos. construção. (. A condição de regularidade impõe uma observância constante a um padrão determinado de prestação. generalidade. No art. 3°. a lei definiu expressamente seu direito de: a) receber do poder concedente e da concessionária informações para a defesa de interesses individuais ou coletivos. quando: a) motivada por razões de ordem técnica ou de segurança nas instalações. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. o mínimo de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de seus débitos. exportação.. pública ou privada. montagem. eficiência. continuidade..791. acrescentou à lei de concessões e permissões o art. Para garantir ao usuário a defesa de seu direito ao serviço público adequado.078/90 (Código de Proteção e Defesa do Consumidor) Como disposto no art. observadas as normas do poder concedente. compreendendo a modernidade das técnicas. é também uma aplicação do princípio da eficiência por parte do próprio legislador. importação. segurança. b) levar ao conhecimento do poder público e da concessionária as irregularidades de que tenham conhecimento.7° e seu inciso I. de 24 de março de 1999. referentes ao serviço prestado.

22. "caput". Ao dispor sobre a Política Nacional de Relações de Consumo. Na legislação esparsa Da Constituição Federal. modicidade da mesma.à inviolabilidade e ao segredo de sua comunicação. Conforme o art. Finalmente. Não ocorre uma redefinição. atualidade. quanto aos essenciais. permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento. IV . a Lei possui vários dispositivos específicos que o abordam. segurança. concessionárias. inclusive as de natureza bancária. VIl . com padrões de qualidade e regularidade adequados à sua natureza. mas uma especificação dos requisitos levando em consideração o serviço que está sendo normatizado. salvo nas hipóteses e condições constitucional e legalmente previstas. 22. mediante remuneração. a saber: regularidade.à reparação dos danos causados pela violação de seus direitos. V . XI . o art. Quando da regulamentação de um serviço específico.de acesso aos serviços de telecomunicações. VIII .) A Lei de concessões. Os incisos I a IX são especificações do direito do usuário ao serviço adequado.. agregou os requisitos de eficiência.à não divulgação. do CDC é expresso em obrigar a prestação do serviço público com qualidade: Art.ao respeito de sua privacidade nos documentos de cobrança e na utilização de seus dados pessoais pela prestadora de serviço.. generalidade. Ill .472/97.ao prévio conhecimento das condições de suspensão do serviço. em qualquer ponto do território nacional. de crédito e securitária. cortesia na prestação e. Numa interpretação sistemática. Um exemplo desse tipo de regulamentação está na Lei n° 9. 6° da Lei de Concessões. os incisos X a XII são decorrentes do seu direito de defesa. suas tarifas e preços. (. seguros e.de peticionar contra a prestadora de serviço perante o órgão regulador e os organismos de defesa do consumidor. IX .de não ser discriminado quanto às condições de acesso e fruição do serviço.à não suspensão de serviço prestado em regime público. por si ou suas empresas. pode-se concluir que a prestação adequada e eficaz é aquela que satisfaz às condições estabelecidas no § 1° do art. salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização ou por descumprimento de condições contratuais. XII . o usuário de serviços de telecomunicações tem direito: I . VI . no caso dos serviços públicos remunerados por tarifa. de seu código de acesso. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. eficiência. o legislador por vezes dispõe novamente sobre os direitos dos usuários e serviço adequado. . são obrigados a fornecer serviços adequados. Além de mencionar o serviço público como uma espécie de serviço oferecido ao consumidor. estabelece como um dos princípios a "racionalização e melhoria dos serviços públicos". X . Os órgãos públicos.§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. da Lei n° 8. A adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral é relacionada como um dos direitos básicos do consumidor.à liberdade de escolha de sua prestadora de serviço.à informação adequada sobre as condições de prestação dos serviços. continuidade. segurança e continuidade dentro do conceito de serviço adequado. 3°.987/95 e da Lei n° 8. II .078/90 retiram-se os dispositivos básicos que definem quais são os direitos dos usuários de serviços públicos e o que é serviço adequado. caso o requeira. eficientes. que dispõe sobre a organização dos serviços de telecomunicações. posterior ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. contínuos.de resposta às suas reclamações pela prestadora de serviço. financeira.

sem isenção do pagamento da tarifa. cortesia e modicidade das tarifas: Comumente apresentam: I – ser transportado com segurança. decorrente do requisito da cortesia. Nestes. em velocidade compatível com as normas legais. atualidade. conforto e higiene nas linhas. Os direitos básicos dos usuários que não forem mencionados nas leis específicas devem ser observados por força do Código de Proteção e Defesa do Consumidor e da Lei de Concessões e Permissões. Um outro direito do usuário. às informações pertinentes à operação. . IV . III – ter o preço das tarifas compatíveis com a modalidade dos serviços oferecidos. Pode-se constatar que são decorrências dos requisitos de segurança. através de seus prepostos e funcionários. VI – usufruir do direito do não pagamento da tarifa em casos de falta de troco. V – zelar e não danificar veículos e equipamentos públicos utilizados no serviço de transporte coletivo. horários e outras características dos serviços oferecidos. é com a autorização à gestante ou pessoa com dificuldade de transposição pela catraca para desembarcar pela porta de embarque. como itinerários. II – ser tratado com urbanidade e respeito pelas operadoras.Outro exemplo de especificação dos direitos básicos do usuário está em leis que dispõe sobre o Sistema de Transporte Coletivo de Passageiros de diversos municípios brasileiros. quando não exceder o limite de "x" vezes o valor da tarifa do respectivo patamar. bem como pela fiscalização do Órgão Gestor. através do Órgão Gestor.ter acesso fácil e permanente. itinerários e horários fixados pelo Órgão Gestor. são tratados os direitos e deveres dos usuários.

Ao final da Segunda Guerra e após intensos debates sobre o modo pelo qual poderse-ia responsabilizar os alemães pela guerra e pelos bárbaros excessos do período. direitos que derivam de determinado sistema moral". mas se aderirem ao regramento internacional. em 1948 e. previstos pelo Acordo de Londres". Seu desenvolvimento pode ser atribuído às monstruosas violações de direitos humanos da era Hitler e à crença de que parte destas violações poderiam ser prevenidas se um efetivo sistema de proteção internacional de direitos humanos existisse". Flávia Piovesan: "A necessidade de uma ação internacional mais eficaz para a proteção dos direitos humanos impulsionou o processo de internacionalização desses direitos. em 1945-1946. Não mais poder-se-ia afirmar no plano internacional that king can do no wrong". O sistema global de proteção é composto de instrumentos de alcance geral (pactos) e instrumentos de alcance especial (convenções específicas). ficam obrigados a cumprir o seu conteúdo. ainda. "O Tribunal de Nuremberg aplicou fundamentalmente o costume internacional para a condenação criminal de indivíduos envolvidos na prática de crime contra a paz. As teses de que os Estados deveriam ter uma soberania absoluta e sem limites e cederam lugar a que os doutrinadores afirmassem que "a soberania estatal não é um princípio absoluto. Eles têm total liberdade para aceitar ou não o documento. no fim do século XX. podendo alcançar qualquer Estado integrante da ordem internacional. significou um poderoso impulso ao movimento de internacionalização dos direitos humanos. foi introduzida a Organização Internacional do Trabalho que colaborou. quando as instituições nacionais se mostram falhas ou omissas na tarefa de proteção dos direitos humanos". como conseqüência. com o Acordo de Londres de 1945. Quer em conjunto. no plano internacional. há limites à liberdade e à autonomia dos Estados. Flávia Piovesan: "Neste contexto. o Tribunal de Nuremberg. tanto no âmbito global quanto no âmbito regional. .OS SISTEMAS GLOBAL E AMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS INSTRUMENTOS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS Sistema Global A Prof. Flávia Piovesan declara que "sempre se mostrou intensa a polêmica sobre o fundamento e a natureza dos direitos humanos – se são direitos naturais e inatos. Reforçando este ponto de vista. a fim de tornar internacional os direitos humanos. O sistema internacional de proteção dos direitos humanos é formado por documentos internacionais voltados à garantia dos direitos humanos. mas deve estar sujeita a certas limitações em prol dos direitos humanos. o que equivaleria dizer "terem aberto mão de parte de sua soberania". Os Estados aderem aos documentos internacionais no exercício de sua soberania. com a criação das Nações Unidas. Não mais poder-se-ia afirmar. quer em separado. não sofrendo qualquer responsabilização na arena internacional. esses institutos foram a base para a internacionalização dos direitos humanos. Os direitos humanos tornam-se uma legítima preocupação internacional com o fim da Segunda Guerra Mundial. ainda que na hipótese de conflito armado". e sua incidência não se limita a uma determinada região. ou direitos positivos e históricos ou. No periodo do pós-guerra. A seguir. E. profundamente. sem dúvida. ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. foi criada a Liga das Nações. e sim o de protegê-los". como declara a Prof. os indivíduos tornam-se foco de atenção internacional. culminando na criação da sistemática normativa de proteção internacional. A real consolidação do Direito Internacional dos Direitos Humanos. Diz o Prof. no entanto. que o Estado pode tratar de seus cidadãos da forma que quiser. os aliados chegaram a um consenso. o problema no que tange aos direitos humanos "não é mais o de fundamentá-los. A estrutura do contemporâneo Direito Internacional dos Direitos Humanos começa a se consolidar. crime de guerra e crime contra a humanidade. pelo qual ficava convocado um Tribunal Militar Internacional para julgar os criminosos de guerra". Com o fim da Segunda Guerra Mundial começaram os grandes questionamentos sobre o Direito Humanitário: "foi a primeira expressão de que. que faz possível a responsabilização do Estado no domínio internacional. Para Norberto Bobbio. com a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembléia Geral da ONU. Acrescenta a Prof. que apontava "a necessidade de relativização da soberania dos Estados". Buergenthal: "O moderno Direito Internacional dos Direitos Humanos é um fenômeno do pós-guerra. passam a ocupar um espaço central na agenda das instituições internacionais.

como as retomadas das hostilidades. Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura. 3.1989. ratificados pelo Brasil: 1. contavam-se mais de 40 milhões de pessoas deslocadas. 2. São lançados. em 9. adotada pela Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos.11.44 (XLIV) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 20.2. Comparato declara que: "A Guerra Mundial de 1939 a 1945 costuma ser apresentada como a conseqüência da falta de solução. assinada pelo Brasil em 20.12.12.1948 e assinada pelo Brasil nesta mesma data. em San José da Costa Rica. adotada e aberta à assinatura pela Conferência de São Francisco em 26. assim. em sua quase totalidade.1984. "Diferiu não tanto pelo maior número de países envolvidos e a duração mais prolongada do conflito – seis anos.1992. Compõem o sistema regional interamericano: 1. Com todas estas disposições legais internacionais "testemunha-se uma mudança significativa nas relações interestatais. 2. adotada pela Resolução L. às questões suscitadas pela Primeira Guerra Mundial e.106 A (XX) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 21.7. Essa interpretação é plausível. 3. em 22.12.9.6.1989.Ao lado do sistema global.1968. adotado pela Resolução n. assinada pelo Brasil em 24. 34/180 da Assembléia Geral das Nações Unidas em 18. sem contar. . adotado pela Resolução n. o que vem a sinalizar transformações na compreensão dos Direitos Humanos que.9.1989. ou seja. da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10.1965. os mais decisivos passos para a internacionalização dos direitos humanos".200-A (XXI) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 16.12. Compõem o sistema global de proteção os seguintes documentos internacionais. em 1932. mas deixa na sombra o fato de que o conflito bélico deflagrado na madrugada de 1. em 1935 –. seis vezes mais do que no conflito do começo do século. e a da Etiópia pela Itália. a partir das primeiras declarações oficiais de guerra. assinada pelo Brasil em 24. Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis. 2.12.1992. 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10. Convenção sobre ao Direitos da Criança.1992.12. 8. particularmente na Europa.9. com a invasão da Polônia pelas forças armadas da Alemanha nazista. adotada e aberta à assinatura na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos Humanos.1. a ocupação da Manchúria pelo Japão. Calcula-se que 60 milhões de pessoas foram mortas durante a Segunda Guerra Mundial. Fabio K. 2. com a cessação das hostilidades na Europa. Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. América e África.1945. adotada pela Resolução n. assinada pelo Brasil em 1. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher. assinada pelo Brasil em 25. portanto.1966.1966. portanto. assinada pelo Brasil em 27. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. 7. Sociais e Culturais. 2. Desumanos ou Degradantes. Convenção Americana de Direitos Humanos. 6.° de setembro de 1939.1985.1969. não mais poderiam ficar confinados à exclusiva jurisdição doméstica. e também é formado por instrumentos de alcance geral e de alcance especial.1990. interrompidas em 1918. assinada pelo Brasil em 24. a maior parte delas civis. Carta das Nações Unidas.1984. na Conferência Internacional de Versalhes. diferiu profundamente da guerra de 1914 a 1918". 4.9. Além disso.3. PRECEITOS DA CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS (1945) O Prof. em que as vítimas. 39/46. adotada e proclamada pela Resolução n. Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.1979. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. adotada pela Resolução n. assinada pelo Brasil em 28. enquanto a guerra do início do século provocou o surgimento de cerca de 4 milhões de refugiados. em maio de 1945. de certa forma. eram militares. quanto pela descomunal cifra de vítimas.200 A (XXI) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 16. que busca internacionalizar os direitos humanos no plano regional. a partir dai.12.1945 e assinada pelo Brasil em 21. adotada pela Resolução n. surge o sistema regional de proteção. 5. Convenção Interamericana para Prevenir.1.11.

enquanto a Liga das Nações não passava de um clube de Estados. restrito ao domínio reservado do Estado. "Estes institutos rompem. a qualidade ou índole das duas guerras mundiais foi bem distinta. portanto. todas as nações do globo empenhadas na defesa da dignidade humana". com a criação das Nações Unidas – ONU. o conceito tradicional que concebia o Direito Internacional apenas como a lei da comunidade internacional dos Estados e que sustentava ser o Estado o único sujeito de Direito Internacional.1945. incremento de relações amistosas entre nações. diferentemente. representantes de 50 países. nem é questão meramente nacional. aos 24. compreendeu-se que a proteção dos Direitos Humanos não se encerra na atuação do Estado.10. A eclosão da Segunda Guerra Mundial trouxe à tona a necessidade de criação de um órgão internacional de controle efetivo da paz mundial. "A ONU difere da Liga das Nações. A de 1914-1918 desenrolou-se. e teve como principais precedentes o Direito Humanitário. as nações se aperceberam que era urgente a criação de um órgão internacional para a contenção das guerras. pode-se tomar como termo inicial efetivo da manifestação dessa vocação a Primeira Guerra Mundial. Califórnia. que não prosperou e dissolveu-se em 1946. Na realidade. Os objetivos principais da ONU são: a manutenção da paz e segurança internacionais. as nações vencedoras houveram por bem criar uma organização internacional. na mesma medida em que a Segunda Guerra Mundial se distingue da Primeira Enquanto em 1919 a preocupação única era a criação de uma instância de arbitragem e regulação dos conflitos bélicos. bem como a concepção de que os direitos humanos não mais se limitam à exclusiva jurisdição doméstica. entre os dias 25. pelas quais os Estados procuravam alcançar conquistas territoriais. Rompem ainda com a noção de soberania nacional absoluta. que se denominou "Liga das Nações". Pouco a pouco. A proteção dos direitos humanos surgiu como decorrência do processo de internacionalização e universalização desses direitos. mas também sujeito de direito internacional. Diante desse panorama. lembrando os episódios de conquista das Américas a partir dos descobrimentos. à qual deveriam pertencer. com base no respeito incondicional à dignidade humana". enfim. o horror engendrado pelo surgimento dos Estados totalitários. o ato final da tragédia – o lançamento da bomba atõmica em Hiroshima e Nagasaki. sem o respeito aos direitos humanos. mas constituem interesse internacional". sem escravizar ou aniquilar os povos inimigos. Conclui dizendo: "As consciências se abriram. em 1945 objetivou-se colocar a guerra definitivamente fora da lei. as consciências se abriram para o fato de que a sobrevivência da humanidade exigia a colaboração de todos os Estados na reorganização das relações internacionais. ocorrida entre 1914 e 1918. Prenunciava-se o fim da era em que a forma pela qual o Estado tratava seus nacionais era concebida como um problema de jurisdição doméstica. dos países onde viviam em meados de 1939". Aos poucos. na cidade de São Francisco. após a Segunda Guerra Mundial. decorrência de sua soberania. Então. Por outro lado. A partir desta perspectiva. sobretudo. assim. Desse modo. Com a derrota da Alemanha e de seus aliados. na medida em que admitem intervenções no plano nacional. para o fato de que a sobrevivência da humanidade exigia a colaboração de todos os povos na reorganização das relações internacionais. foi deflagrada com base em proclamados projetos de subjugação de povos considerados inferiores. . Continua: "Mas. Ademais.1945. com liberdade de ingresso e retirada conforme suas conveniências próprias. autonomia e liberdade. redigiram a Carta das Nações Unidas e.6. suscitou em toda parte a consciência de que. emerge a idéia de que o indivíduo é não apenas objeto. apesar da maior capacidade de destruição dos meios empregados (sobretudo com a introdução dos tanques e aviões de combate).4 e 26. a convivência pacífica das nações tornava-se impossível. a Liga das Nações e a Organização Internacional do Trabalho. verdadeiras máquinas de destruição de povos inteiros. respectivamente – soou como um prenúncio de apocalipse: o homem acabara de adquirir o poder de destruir toda a vida na face da Terra". em 6 e 9 de agosto de 1945. a Organização das Nações Unidas (ONU) estava oficialmente criada.de modo forçado ou voluntário. na linha clássica das conflagrações anteriores. as Nações Unidas nasceram com a vocação de se tornarem a organização da sociedade política mundial. em prol da proteção dos direitos humanos. Por isso. A Segunda Guerra Mundial. necessariamente. começa a se consolidar a capacidade processual internacional dos individuos.

para tanto. . O art. língua ou religião. 56 reafirma o dever de todos os membros das Nações Unidas em exercer ações conjugadas ou separadas. Neste sentido. sem distinção de raça. incentivando o respeito pelos direitos e liberdades individuais. da justiça e da paz no mundo. quando determina: "Com vistas à criação de condições de estabilidade e bem estar. 13 da Carta. as Nações Unidas promoverão o respeito universal e a observância dos Direitos Humanos e liberdades fundamentais para todos. unicamente. bem como preparar projetos de Convenções Internacionais para este fim. Secretaria. "Ao lado da preocupação de evitar a guerra e manter a paz e a segurança internacional. inequivocamente. objeto de instituições internacionais e do Direito Internacional. art. 13. as liberdades individuais".° (3). Corte Internacional de Justiça. A ONU se compõe de seis órgãos especiais. fica estabelecido que um dos propósitos das Nações Unidas é alcançar a cooperação internacional para a solução de problemas econômicos.1. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade. 62 (2 e 3) da Carta das Nações Unidas. para o alcance dos propósitos lançados no art. a Carta das Nações Unidas afirma. a partir do consenso de Estados que elevam a promoção desses direitos ao propósito e finalidade das Nações Unidas. caracterizam a nova configuração da agenda da comunidade internacional". O art. culturais ou de caráter humanitário e encorajar o respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos. Nos termos do art. 55. 55 reforça o objetivo de promoção dos Direitos Humanos. E verdade que o tratado instituidor da ONU atribui às Nações Unidas a incumbência de favorecer entre os povos "níveis mais altos de vida. 55.e 55. com o propósito de promover o respeito e a observância dos Direitos Humanos e das liberdades fundamentais. A Carta das Nações Unidas de 1945 consolida o movimento de internacionalização dos direitos humanos. sexo. os direitos humanos foram concebidos como sendo. combinada com a busca de inéditas formas de cooperação econômica e social. Conselho de Segurança. em cooperação com a própria organização. Mas o efetivo direito ao desenvolvimento só veio a ser reconhecido mais tarde. Comparato diz que: "No texto da Carta. como se vê. sociais. sem distinção de raça. bastando. Definitivamente.° (3). sem distinção de raça. a relação de um Estado com seus nacionais passa a ser uma problemática internacional. examinar os arts. nos termos do art. língua ou religião. Em contrapartida. e baseada nos princípios da igualdade dos direitos e da autodeterminação dos povos. A coexistência pacifica entre os Estados. necessárias para a pacífica e amistosa relação entre as Nações. 62 da Carta da ONU. cooperação internacional para a solução de problemas mundiais de ordem social. a agenda internacional passa a conjugar novas e emergentes preocupações. culturais ou de caráter humanitário e encorajar o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos. trabalho efetivo e condições de progresso e desenvolvimento econômico e social". com o propósito de promover a cooperação internacional para a solução de problemas econômicos. Também ao Conselho Econômico e Social cabe fazer recomendações. 7. sexo. sexo. sociais. a existência de um direito de autodeterminação dos povos.°): Assembléia Geral. língua ou religião". 1. da leitura dos artigos 13. Conselho de Tutela. em conformidade com o art. que são (Carta das Nações Unidas. 56. Conselho Econômico e Social. econômica e cultural. cabe à Assembléia Geral iniciar estudos e fazer recomendações. O Prof.

Artigo I Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Artigo V Ninguém será submetido à tortura. seja de raça. em cooperação com as Nações Unidas. como último recurso. sua fé nos direitos humanos fundamentais. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. ou qualquer outra condição. desumano ou degradante. para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito. Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros. Artigo IX Ninguém será arbitrariamente preso. em todos os lugares. riqueza. Artigo VI Toda pessoa tem o direito de ser. detido ou exilado. Artigo II Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração. cor. Artigo VIII Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. religião. através do ensino e da educação. reconhecida como pessoa perante a lei. opinião política ou de outra natureza. Artigo VII Todos são iguais perante a lei e têm direito. se esforce. à liberdade e à segurança pessoal. Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. sem qualquer distinção. língua. nem a tratamento ou castigo cruel. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. em plena igualdade. origem nacional ou social. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações. para que o homem não seja compelido. Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso. à rebelião contra tirania e a opressão. Artigo XI . sem distinção de qualquer espécie. A Assembléia Geral proclama A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades. e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla. Artigo X Toda pessoa tem direito. tendo sempre em mente esta Declaração.Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra. Artigo III Toda pessoa tem direito à vida. a igual proteção da lei. na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres. de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum. a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial. na Carta. nascimento. Artigo IV Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos. e. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. sexo.

este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença. sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.1. pelo esforço nacional. consciência e religião.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. na sua família. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. no seu lar ou na sua correspondência. só ou em sociedade com outros. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento. não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. era aplicável ao ato delituoso. inclusive o próprio. Artigo XVIII Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento. Toda pessoa tem direito à propriedade. 2. dos direitos econômicos. Os homens e mulheres de maior idade. 2. vítima de perseguição. têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Artigo XIII 1. e a este regressar. Artigo XIV 1. Artigo XV 1. sem interferência. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país. Artigo XXI 1. por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.Toda pessoa. nem do direito de mudar de nacionalidade. 2. nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. sua duração e sua dissolução. Artigo XVII 1. pela prática. 2. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que. Artigo XX 1. diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. pelo culto e pela observância. como membro da sociedade. nacionalidade ou religião. isolada ou coletivamente. 2. . Artigo XXII Toda pessoa. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de sue país. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. por sufrágio universal. no momento. 2. sem qualquer retrição de raça. no momento da prática. tem direito à segurança social e à realização. este direito inclui a liberdade de. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. em público ou em particular. Artigo XII Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que. A vontade do povo será a base da autoridade do governo. receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. 3. ter opiniões e de procurar. 2. Artigo XIX Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão. esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas. pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado. Artigo XVI 1. 2. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei. pelo ensino.

de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios. 2. bem como a instrução superior. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade. literária ou artística da qual seja autor. a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio. da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. 3. 4. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória. tem direito a igual remuneração por igual trabalho. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. Artigo XVIII Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. e direito à segurança em caso de desemprego. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS PACTO DE SAN JOSÉ DA COSTA RICA Adotada e aberta à assinatura na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos Humanos. Toda pessoa tem direito à instrução. que lhe assegure. do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos. viuvez. outros meios de proteção social. Artigo XXV 1. Esses direitos e liberdades não podem. . esta baseada no mérito. 2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. 2. doença. uma existência compatível com a dignidade humana. 3. habitação. gozarão da mesma proteção social. inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas. assim como à sua família. pelo menos nos graus elementares e fundamentais. em hipótese alguma. 2. A instrução promoverá a compreensão. inclusive alimentação. em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses. vestuário. em 22 de novembro de 1969 e ratificada pelo Brasil em 25 de setembro de 1992. Artigo XXVII 1. Artigo XXVI 1. cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. 3. à livre escolha de emprego. se necessário. A instrução será gratuita. e a que se acrescentarão. A instrução técnico-profissional será acessível a todos.Artigo XXIII 1. Artigo XXIV Toda pessoa tem direito a repouso e lazer. Toda pessoa. Artigo XXIV 1. grupo ou pessoa.Toda pessoa tem direito ao trabalho. invalidez. No exercício de seus direitos e liberdades. Artigo XXX Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado. A instrução elementar será obrigatória. sem qualquer distinção. exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade. a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos. 2. ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas. em San José de Costa Rica.

mas sim do fato de Ter como fundamento os atributos da pessoa humana. Reiterando que. Esse direito deve ser protegido pela lei e. nem a delitos comuns conexos com delitos políticos. Capítulo II Direitos Civis e Políticos Artigo 3º . § 3. em geral. § 4. Convieram o seguinte: PARTE I – DEVERES DOS ESTADOS E DIREITOS PROTEGIDOS Capítulo I Enumeração dos Deveres Artigo 1º . competência e processo dos órgãos encarregados dessa matéria. Reafirmando seu propósito de consolidar neste Continente. dentro do quadro das instituições democráticas. . no momento da perpetração do delito. for menor de dezoito anos. posição econômica. pessoa é todo ser humano. sexo. sem discriminação alguma. religião. bem como dos seus direitos civis e políticos.Dever de adotar disposições de direito interno. sociais e educacionais e resolveu que uma Convenção Interamericana sobre Direitos Humanos determinasse a estrutura. e que foram reafirmados e desenvolvidos em outros instrumentos internacionais. Os Estados-partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição. só pode ser realizado o ideal do ser humano livre. por motivo de raça. § 5. 1967) aprovou a incorporação à própria Carta da Organização de normas mais amplas sobre os direitos econômicos. de natureza convencional.Direito à vida § 1. § 2. Considerando que esses princípios foram consagrados na Carta da Organização dos Estados Americanos.Preâmbulo Os Estados Americanos signatários da presente Convenção.Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica. origem nacional ou social. idioma. e Considerando que a Terceira Conferência Interamericana Extraordinária (Buenos Aires. em cumprimento de sentença final de tribunal competentes e em conformidade com a lei que estabeleça tal pena. coadjuvante ou complementar da que oferece o direito interno dos Estados Americanos. Nos países que não houverem abolido a pena de morte. cor. um regime de liberdade pessoal e de justiça social. Tampouco se estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente. ou maior de setenta. fundado no respeito dos direitos humanos essenciais. promulgada antes de haver o delito sido cometido. esta só poderá ser imposta pelos delitos mais graves. de acordo com as suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção. razão por que justificam uma proteção internacional. Para efeitos desta Convenção. Artigo 2º . Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1º ainda não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra natureza. Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade jurídica. Reconhecendo que os direitos essenciais da pessoa humana não derivam do fato de ser ela nacional de determinado Estado. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos políticos. isento do temor e da miséria. opiniões políticas ou de qualquer natureza. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. nascimento ou qualquer outra condição social.Obrigação de respeitar os direitos § 1. § 2. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido. desde o momento da concepção. os Estados-partes comprometem-se a adotar. sociais e culturais. se forem criadas condições que permitam a cada pessoa gozar dos seus direitos econômicos. Artigo 4º . tanto de âmbito mundial como regional. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que. as medidas legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para tornar efetivos tais direitos e liberdades. nem aplicá-la a mulher em estado de gravidez. de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente. na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

qualquer serviço nacional que a lei estabelecer em lugar daqueles. A pena não pode passar da pessoa do delinquente. nos países em que se admite a isenção por motivo de consciência. sem prejuízo de que prossiga o processo. se a prisão ou a detenção forem ilegais. § 6. quando puderem ser processados. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da detenção e notificada. com a maior rapidez possível. os quais podem ser concedidos em todos os caos. § 5. Toda pessoa presa. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competentes. sobre a legalidade de sua prisão ou detenção e ordene sua soltura. Toda pessoa privada de liberdade deve ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano. § 5.§ 6. tal recurso não pode ser restringido nem abolido. Artigo 7º . Ninguém deve ser submetido a torturas. § 5. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar anistia. § 6. para seu tratamento. e os indivíduos que os executarem não devem ser postos à disposição de particulares. O recurso pode ser interposto pela própria pessoa ou por outra pessoa.Direito à liberdade pessoal § 1. nem a penas ou tratos cruéis. a fim de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça. § 3. § 4. os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal expedida pela autoridade judiciária competente. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obrigatório. Ninguém deve ser detido por dívidas. devem ser separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado. desumanos ou degradantes. esta disposição não pode ser interpretada no sentido de proibir o cumprimento da dita pena. § 3. O trabalho forçado não deve afetar a dignidade. Artigo 6º . sem demora. Nos países em que se prescreve. da acusação ou das acusações formuladas contra ela. Os processados devem ficar separados dos condenados. para certos delitos. Sua liberdade pode ser condicionada a garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo. imposta por um juiz ou tribunal competente. As penas privativas de liberdade devem Ter por finalidade essencial a reforma e a readaptação social dos condenados. à presença de um juiz ou outra autoridade por lei a exercer funções judiciais e tem o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser posta em liberdade. indulto ou comutação da pena. nem a capacidade física e intelectual do recluso. salvo em circunstâncias excepcionais. Este princípio não limita os mandatos de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemente de obrigação alimentar. Os menores. Tais trabalhos ou serviços devem ser executados sob a vigilância e controle das autoridades públicas. sem demora. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste artigo: § 4. psíquica e moral. sem demora.Direito à integridade pessoal § 1. o serviço em casos de perigo ou de calamidade que ameacem a existência ou o bem-estar da comunidade. pena privativa de liberdade acompanhada de trabalhos forçados. Não se pode executar a pena de morte enquanto o pedido estiver pendente de decisão ante a autoridade competentes. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários. salvo pelas causas e nas condições previamente fixadas pelas Constituições políticas dos Estados-partes ou pelas leis de acordo com elas promulgadas. Artigo 5º . Ninguém poderá ser submetido a escravidão ou servidão e tanto estas como o tráfico de escravos e o tráfico de mulheres são proibidos em todas as suas formas. o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais. § 4. companhias ou pessoas jurídicas de caráter privado. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. § 2. § 3. e devem ser submetidos a tratamento adequado à sua condição de pessoas não condenadas. § 6. detida ou retida deve ser conduzida. § 2. . Nos Estados-partes cujas leis prevêem que toda pessoa que se vir ameaçada de ser privada de sua liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competentes. § 7. a fim de que decida. § 7.Proibição da escravidão e da servidão § 1. serviço militar e. Toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física. § 2.

direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no Tribunal e de obter o comparecimento. independente e imparcial. de outras pessoas que possam lançar luz sobre os fatos. a ordem. Artigo 9º . Os pais e. em plena igualdade. § 2. e § 10. § 6. . § 8.Princípio da legalidade e da retroatividade Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que. toda pessoa tem direito. concessão ao acusado do tempo e dos meios necessários à preparação de sua defesa.Artigo 8º . Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. os tutores. tanto em público como em privado. remunerado ou não. com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável. § 4. Artigo 11 – Proteção da honra e da dignidade § 1. direito de não ser obrigada a depor contra si mesma. se o acusado não se defender ele próprio. fiscal ou de qualquer outra natureza. § 13. nem a confessar-se culpada. estabelecido anteriormente por lei. § 9. ou de mudar de religião ou de crenças. por erro judiciário. O processo penal deve ser público. direito ao acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido por um defensor de sua escolha e de comunicar-se. no caso de haver sido condenada em sentença transitada em julgado. na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela. Tampouco poder-se-á impor pena mais grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. trabalhista. ou de mudar de religião ou de crenças. o delinquente deverá dela beneficiar-se.Garantias judiciais § 1. de acordo com o direito aplicável. por um juiz ou Tribunal competente. individual ou coletivamente. ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida. no momento em que foram cometidos. Artigo 12 – Liberdade de consciência e de religião § 1. § 11. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza. § 5. bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças. Se. caso não compreenda ou não fale a língua do juízo ou tribunal. como testemunhas ou peritos. direito do acusado de ser assistido gratuitamente por um tradutor ou intérprete. § 3. às seguintes garantias mínimas: § 3. Artigo 10 – Direito à indenização Toda pessoa tem direito a ser indenizada conforme a lei. depois de perpetrado o delito. segundo a legislação interna. enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. § 3. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças. não constituam delito. nem nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei. salvo no que for necessário para preservar os interesses da justiça. direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita apenas às limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou tais ofensas. em seu domicílio ou em sua correspondência. O acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos. com seu defensor. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Ninguém pode ser submetido a medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças. § 7. § 4. a lei estipular a imposição de pena mais leve. a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas. § 12. nem de ofensas ilegais à sua honra ou reputação. § 2. comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada. livremente e em particular. Durante o processo. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada. têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções. em sua família. § 2. direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado. quando for o caso.

§ 4. § 2. sem prejuízo do disposto no inciso 2. É reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem casamento e de constituírem uma família. Os Estados-partes devem adotar as medidas apropriadas para assegurar a igualdade de direitos e a adequada equivalência de responsabilidades dos cônjuges quanto ao casamento. da segurança ou ordem públicas. e mesmo a privação do exercício do direito de associação. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra. ao interesse da segurança nacional. § 3. a proteção da segurança nacional. Em caso de dissolução. em uma sociedade democrática. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado. bem como toda apologia ao ódio nacional. O exercício desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas em lei e que se façam necessárias. que devem ser expressamente previstas em lei e que se façam necessárias para assegurar: § 3. ou da saúde ou da moral públicas. nas condições que estabeleça a lei. sem considerações de fronteiras. Para a efetiva proteção da honra e da reputação. A lei pode submeter os espetáculos a censura prévia. da segurança e da ordem públicas. durante o mesmo e por ocasião de sua dissolução. com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles. Artigo 15 – Direito de reunião É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. toda publicação ou empresa jornalística. deve ter uma pessoa responsável. § 2. à hostilidade. Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios indiretos. . verbalmente ou por escrito. econômicos. Artigo 16 – Liberdade de associação § 1. por meios de difusão legalmente regulamentados e que se dirijam ao público em geral. § 7. ao interesse da segurança nacional. tem direito a fazer. religiosos. § 4. nem goze de foro especial. da ordem pública. o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas. em uma sociedade democrática. § 3. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeita à censura prévia. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente com fins ideológicos. com base unicamente no interesse e conveniência dos mesmos. ou por qualquer meio de sua escolha. ou em forma impressa ou artística. políticos. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. O exercício desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas em lei e que se façam necessárias. atingida por informações inexatas ou ofensivas emitidas em seu prejuízo. mas a responsabilidades ulteriores. para proteção moral da infância e da adolescência. se tiverem a idade e as condições para isso exigidas pelas leis internas. § 3. tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa. culturais. que não seja protegida por imunidades. cinematográfica. nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões. § 6. pelo mesmo órgão de difusão. Toda pessoa. na medida em que não afetem estas o princípio da não-discriminação estabelecido nesta Convenção. trabalhistas. ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas. de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação. racial ou religioso que constitua incitamento à discriminação. desportivos ou de qualquer outra natureza. Artigo 14 – Direito de retificação ou resposta § 1. § 2. O casamento não pode ser celebrado sem o consentimento livre e pleno dos contraentes. ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas. receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza. Esse direito inclui a liberdade de procurar. sociais. § 5. § 2. serão adotadas as disposições que assegurem a proteção necessária aos filhos.Artigo 13 – Liberdade de pensamento e de expressão § 1. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das outras responsabilidades legais em que se houver incorrido. de rádio ou televisão. Artigo 17 – Proteção da família § 1. O presente artigo não impede a imposição de restrições legais. ao crime ou à violência. aos membros das forças armadas e da polícia. sua retificação ou resposta.

Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido. na medida indispensável. Artigo 23 – Direitos políticos § 1. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a outro país. senão em virtude de lei. se não tiver direito a outra. da sociedade e do Estado. que garantam a livre expressão da vontade dos eleitores. de acordo com a legislação de cada Estado e com as Convenções internacionais. A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua nacionalidade. capacidade civil ou mental. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades: § 2. Artigo 21 – Direito à propriedade privada § 1. a moral ou a saúde públicas. de votar e ser eleito em eleições periódicas. § 2. por juiz competentes. ou os direitos e liberdades das demais pessoas. § 9. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. § 3. nacionalidade. condição social ou de suas opiniões políticas. residência. § 3. salvo mediante o pagamento de indenização justa. diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos. a que se refere o inciso anterior. § 5. como qualquer outra forma de exploração do homem pelo homem. se for necessário. onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal esteja em risco de violação em virtude de sua raça. ou condenação. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros. inclusive de seu próprio país. A lei deve regular a forma de assegurar a todos esse direito. por motivo de utilidade pública ou de interesse social e nos casos e na forma estabelecidos pela lei. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for nacional e nem ser privado do direito de nele entrar. a segurança ou a ordem públicas. § 3. às funções públicas de seu país. § 8. mediante nomes fictícios. em uma sociedade democrática. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos nascidos fora do casamento. O estrangeiro que se encontre legalmente no território de um Estado-parte na presente Convenção só poderá dele ser expulso em decorrência de decisão adotada em conformidade com a lei. § 5. nem do direito de mudá-la. § 2. Tanto a usura. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode também ser restringido pela lei. religião. em conformidade com as disposições legais. exclusivamente por motivo de idade. A lei pode subordinar esse uso e gozo ao interesse social. em zonas determinadas. em caso de perseguição por delitos políticos ou comuns conexos com delitos políticos. para prevenir infrações penais ou para proteger a segurança nacional. Artigo 18 – Direito ao nome Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de seus pais ou ao de um destes. Artigo 20 – Direito à nacionalidade § 1. idioma. seja ou não de origem. § 4. em condições gerais de igualdade. e § 4. como aos nascidos dentro do casamento. Artigo 19 – Direitos da criança Toda criança terá direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer. de participar da condução dos assuntos públicos. por motivo de interesse público. de ter acesso. § 2. § 3. nacionalidade. O exercício dos direitos supracitados não pode ser restringido. Artigo 22 – Direito de circulação e de residência § 1. .§ 5. realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto. instrução. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território estrangeiro. por parte da sua família. § 6. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo de seus bens. § 7. devem ser reprimidas pela lei. em processo penal. Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país. Toda pessoa que se encontre legalmente no território de um Estado tem o direito de nele livremente circular e de nele residir. autênticas.

Artigo 24 – Igualdade perante a lei Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguinte, têm direito, sem discriminação alguma, à igual proteção da lei. Artigo 25 – Proteção judicial § 1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais. § 2. Os Estados-partes comprometem-se: § 3. a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal do Estado decida sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso; § 4. a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e § 5. a assegurar o cumprimento, pelas autoridades competentes, de toda decisão em que se tenha considerado procedente o recurso. Capítulo III Direitos Econômicos, Sociais e Culturais Artigo 26 – Desenvolvimento progressivo Os Estados-partes comprometem-se a adotar as providências, tanto no âmbito interno, como mediante cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros meios apropriados. Capítulo IV Suspensão de Garantias, Interpretação e Aplicação Artigo 27 – Suspensão de garantias § 1. Em caso de guerra, de perigo público, ou de outra emergência que ameace a independência ou segurança do Estado-parte, este poderá adotar as disposições que, na medida e pelo tempo estritamente limitados às exigências da situação, suspendam as obrigações contraídas em virtude desta Convenção, desde que tais disposições não sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhe impõe o Direito Internacional e não encerrem discriminação alguma fundada em motivos de raça, cor, sexo,, idioma, religião ou origem social. § 2. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos determinados nos seguintes artigos: 3º (direito ao reconhecimento da personalidade jurídica), 4º (direito à vida), 5º (direito à integridade pessoal), 6º (proibição da escravidão e da servidão), 9º (princípio da legalidade e da retroatividade), 12 (liberdade de consciência e religião), 17 (proteção da família), 18 (direito ao nome), 19 (direitos da criança), 20 (direito à nacionalidade) e 23 (direitos políticos), nem das garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos. § 3. Todo Estado-parte no presente Pacto que fizer uso do direito de suspensão deverá comunicar imediatamente aos outros Estados-partes na presente Convenção, por intermédio do Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos, as disposições cuja aplicação haja suspendido, os motivos determinantes da suspensão e a data em que haja dado por determinada tal suspensão. Artigo 28 – Cláusula federal § 1. Quando se tratar de um Estado-parte constituído como Estado federal, o governo nacional do aludido Estado-parte cumprirá todas as disposições da presente Convenção, relacionadas com as matérias sobre as quais exerce competência legislativa e judicial. § 2. No tocante às disposições relativas às matérias que correspondem à competência das entidades competentes da federação, o governo nacional deve tomar imediatamente as medidas pertinentes, em conformidade com sua Constituição e com suas leis, a fim de que as autoridades competentes das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o cumprimento desta Convenção. § 3. Quando dois ou mais Estados-partes decidirem constituir entre eles uma federação ou outro tipo de associação, diligenciarão no sentido de que o pacto comunitário respectivo contenha as disposições necessárias para que continuem sendo efetivas no novo Estado, assim organizado, as normas da presente Convenção. Artigo 29 – Normas de interpretação

Nenhuma disposição da presente Convenção pode ser interpretada no sentido de: § 1. permitir a qualquer dos Estados-partes, grupo ou indivíduo, suprimir o gozo e o exercício dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá-los em maior medida do que a nela prevista; § 2. limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos em virtude de leis de qualquer dos Estados-partes ou em virtude de Convenções em que seja parte um dos referidos Estados; § 3. excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que decorrem da forma democrática representativa de governo; § 4. excluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e outros atos internacionais da mesma natureza. Artigo 30 – Alcance das restrições As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo e exercício dos direitos e liberdades nela reconhecidos, não podem ser aplicadas senão de acordo com leis que forem promulgadas por motivo de interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido estabelecidas. Artigo 31 – Reconhecimento de outros direitos Poderão ser incluídos, no regime de proteção desta Convenção, outros direitos e liberdades que forem reconhecidos de acordo com os processos estabelecidos nos artigos 69 e 70. Capítulo V Deveres das Pessoas Artigo 32 – Correlação entre deveres e direitos § 1. Toda pessoa tem deveres para com a família, a comunidade e a humanidade. § 2. Os direitos de cada pessoa são limitados pelos direitos dos demais, pela segurança de todos e pelas justas exigências do bem comum, em uma sociedade democrática. PARTE II – MEIOS DE PROTEÇÃO Capítulo VI Órgãos Competente Artigo 33 – São competentes para conhecer de assuntos relacionados com o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados-partes nesta Convenção: § 1. a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, doravante denominada a Comissão; e § 2. a Corte Interamericana de Direitos Humanos, doravante denominada a Corte. Capítulo VII Comissão Interamericana de Direitos Humanos Seção 1 – Organização Artigo 34 – A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-se-á de sete membros, que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos humanos. Artigo 35 – A Comissão representa todos os Membros da Organização dos Estados Americanos. Artigo 36. § 1. Os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal, pela Assembléia Geral da Organização, a partir de uma lista de candidatos propostos pelos governos dos Estados-membros. § 2. Cada um dos referidos governos pode propor até três candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado-membro da Organização dos Estados Americanos. Quando for proposta uma lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado diferente do proponente. Artigo 37. § 1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e só poderão ser reeleitos uma vez, porém o mandato de três dos membros designados na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos. Logo depois da referida eleição, serão determinados por sorteio, na Assembléia Geral, os nomes desses três membros. § 2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional de um mesmo país.

Artigo 38 – As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam à expiração normal do mandato, serão preenchidas pelo Conselho Permanente da Organização, de acordo com o que dispuser o Estatuto da Comissão. Artigo 39 – A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e expedirá seu próprio Regulamento. Artigo 40 – Os serviços da Secretaria da Comissão devem ser desempenhados pela unidade funcional especializada que faz parte da Secretaria Geral da Organização e deve dispor dos recursos necessários para cumprir as tarefas que lhe forem confiadas pela Comissão. Seção 2 – Funções Artigo 41 – A Comissão tem a função principal de promover a observância e a defesa dos direitos humanos e, no exercício de seu mandato, tem as seguintes funções e atribuições: § 1. estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América; § 2. formular recomendações aos governos dos Estados-membros, quando considerar conveniente, no sentido de que adotem medidas progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis internas e seus preceitos constitucionais, bem como disposições apropriadas para promover o devido respeito a esses direitos; § 3. preparar estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas funções; § 4. solicitar aos governos dos Estados-membros que lhe proporcionem informações sobre as medidas que adotarem em matéria de direitos humanos; § 5. atender às consultas que, por meio da Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os Estados-membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-lhes o assessoramento que lhes solicitarem; § 6. atuar com respeito às petições e outras comunicações, no exercício de sua autoridades, de conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 desta Convenção; e § 7. apresentar um relatório anual à Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos. Artigo 42 – Os Estados-partes devem submeter à Comissão cópia dos relatórios e estudos que, em seus respectivos campos, submetem anualmente às Comissões Executivas do Conselho Interamericano Econômico e Social e do Conselho Interamericano de Educação, Ciência e Cultura, a fim de que aquela zele para que se promovam os direitos decorrentes das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. Artigo 43 – Os Estados-partes obrigam-se a proporcionar à Comissão as informações que esta lhes solicitar sobre a maneira pela qual seu direito interno assegura a aplicação efetiva de quaisquer disposições desta Convenção. Seção 3 – Competência Artigo 44 – Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidades não governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da Organização, pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-parte. Artigo 45. § 1. Todo Estado-parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de ratificação desta Convenção, ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que reconhece a competência da Comissão para receber e examinar as comunicações em que um Estado-parte alegue haver outro Estado-parte incorrido em violações dos direitos humanos estabelecidos nesta Convenção. § 2. As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem, ser admitidas e examinadas se forem apresentadas por um Estado-parte que haja feito uma declaração pela qual reconheça a referida competência da Comissão. A Comissão não admitirá nenhuma comunicação contra um Estado-parte que não haja feito tal declaração. § 3. As declarações sobre reconhecimento de competência podem ser feitas para que esta vigore por tempo indefinido, por período determinado ou para casos específicos. § 4. As declarações serão depositadas na Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos, a qual encaminhará cópia das mesmas aos Estados-membros da referida Organização. Artigo 46. § 1. Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão será necessário:

a) que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os princípios de Direito Internacional geralmente reconhecidos; b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva; c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução internacional; e d) que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição. § 2. As disposições das alíneas "a" e "b" do inciso 1 deste artigo não se aplicarão quando: a) não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido processo legal para a proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados; b) não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de esgotá-los; e c) houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados recursos. Artigo 47 – A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 quando: § 1. não preencher algum dos requisitos estabelecidos no artigo 46; § 2. não expuser fatos que caracterizem violação dos direitos garantidos por esta Convenção; § 3. pela exposição do próprio peticionário ou do Estado, for manifestamente infundada a petição ou comunicação ou for evidente sua total; improcedência; ou § 4. for substancialmente reprodução de petição ou comunicação anterior, já examinada pela Comissão ou por outro organismo internacional. Seção 4 – Processo Artigo 48 – 1. A Comissão, ao receber uma petição ou comunicação na qual se alegue a violação de qualquer dos direitos consagrados nesta Convenção, procederá da seguinte maneira: § 1. se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação, solicitará informações ao Governo do Estado ao qual pertença a autoridade apontada como responsável pela violação alegada e transcreverá as partes pertinentes da petição ou comunicação. As referidas informações devem ser enviadas dentro de um prazo razoável, fixado pela Comissão ao considerar as circunstâncias de cada caso: § 2. recebidas as informações, ou transcorrido o prazo fixado sem que sejam elas recebidas, verificará se existem ou subsistem os motivos da petição ou comunicação. No caso de não existirem ou não subsistirem, mandará arquivar o expediente; § 3. poderá também declarar a inadmissibilidade ou a improcedência da petição ou comunicação, com base em informação ou prova supervenientes; § 4. se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim de comprovar os fatos, a Comissão procederá, com conhecimento das partes, a um exame do assunto exposto na petição ou comunicação. Se for necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação para cuja eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhe proporcionarão, todas as facilidades necessárias. § 5. poderá pedir aos Estados interessados qualquer informação pertinente e receberá, se isso for solicitado, as exposições verbais ou escritas que apresentarem os interessados; e § 6. pôr-se-á à disposição das partes interessadas, a fim de chegar a uma solução amistosa do assunto, fundada no respeito aos direitos reconhecidos nesta Convenção. § 7. Entretanto, em casos graves e urgentes, pode ser realizada uma investigação, mediante prévio consentimento do Estado em cujo território se alegue houver sido cometida a violação, tão somente com a apresentação de uma petição ou comunicação que reuna todos os requisitos formais de admissibilidade. Artigo 49 – Se se houver chegado a uma solução amistosa de acordo com as disposições do inciso 1, "f", do artigo 48, a Comissão redigirá um relatório que será encaminhado ao peticionário e os Estadospartes nesta Convenção e posteriormente transmitido, para sua publicação, ao Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos. O referido relatório conterá uma breve exposição dos fatos e da solução alcançada. Se qualquer das partes no caso o solicitar, ser-lhe-á proporcionada a mais ampla informação possível.

em votação secreta e pelo voto da maioria absoluta dos Estadospartes na Convenção. aceitando sua competência. o assunto não houver sido solucionado ou submetido à decisão da Corte pela Comissão ou pelo Estado interessado. § 3. Artigo 54. eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade moral. pelo voto da maioria absoluta dos seus membros. § 1. O juiz eleito para substituir outro. Quando se propuser uma lista de três candidatos. continuarão funcionando nos casos de que já houverem tomado conhecimento e que encontrem em fase de sentença e. Ao encaminhar o relatório. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis anos e só poderão ser reeleitos uma vez. § 2. b) Transcorrido o prazo fixado. do artigo 48. § 1. o acordo unânime dos membros da Comissão. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de nacionalidade de um dos Estados-partes. . e dentro do prazo que for fixado pelo Estatuto da Comissão. O juiz. a) A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo dentro do qual o Estado deve tomar as medidas que lhe competir para remediar a situação examinada. na Assembléia Geral. dentre os juízes chamados a conhecer do caso. na Assembléia Geral da Organização. Não deve haver dois juízes da nacionalidade. pelo voto da maioria absoluta dos seus membros. a partir da remessa aos Estados interessados do relatório da Comissão. aos quais não será facultado publicá-lo. Se. Artigo 53. a) Cada um dos Estados-partes pode propor até três candidatos nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado-membro da organização dos Estados Americanos. que reunam as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções judiciais. Artigo 55. § 1. § 1. que for nacional de algum dos Estados-partes em caso submetido à Corte. ou do Estado que os propuser como candidatos. Capítulo VIII Corte Interamericana de Direitos Humanos Seção 1 – Organização Artigo 52. pelo menos um deles deverá ser nacional dos Estado diferente do proponente. Artigo 51.Artigo 50. § 3. no todo ou em parte. cada um destes poderá designar um juiz ad hoc. para tais efeitos. nenhum dor da nacionalidade dos Estadospartes. § 1. "e". a partir de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados. nacionais dos Estados-membros da Organização. § 2. § 2. de reconhecida competência em matéria de direitos humanos. qualquer deles poderá agregar ao referido relatório seu voto em separado. determinar-se-ão por sorteio. completará o período deste. conservará o seu direito de conhecer mesmo. § 2. esta redigirá um relatório o qual exporá os fatos e suas conclusões. § 1. não serão substituídos pelos novos juízes eleitos. Os juízes da Corte serão eleitos. cujo mandato não haja expirado. a Comissão decidirá. Imediatamente depois da referida eleição. O mandato de três dos juízes designados na primeira eleição expirará ao cabo de três anos. de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais. Se não se chegar a uma solução. Entretanto. sua opinião e conclusões sobre a questão submetida à sua consideração. a Comissão poderá emitir. A Corte compor-se-á de sete juízes. Se no prazo de três meses. § 3. se o Estado tomou ou não as medidas adequadas e se publica ou nãos seu relatório. Também se agregarão ao relatório as exposições verbais ou escritas que houverem sido feitas pelos interessados em virtude do inciso 1. os nomes desses três juízes. outro Estado-parte no caso poderá designar uma pessoa de sua escolha para integrar a Corte. na qualidade de juiz ad hoc. a Comissão pode formular as proposições e recomendações que julgar adequadas. Se o relatório não representar. O relatório será encaminhado aos Estados interessados. Os juízes permanecerão em suas funções até o término dos seus mandatos.

§ 2. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos aos seu conhecimento. Determinará também. Artigo 60 – A Corte elaborará seu Estatuto e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e expedirá seu Regimento. ou em qualquer momento posterior. a Corte determinará que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados. e quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas. Somente os Estados-partes e a Comissão têm direito de submeter um caso à decisão da Corte. na Assembléia Geral da Organização.§ 4. mudar a sede da Corte. Artigo 58. em consulta com o Secretário da Corte. declarar que reconhece como obrigatória. § 2. para os fins das disposições anteriores. Artigo 62. Em caso de dúvida. § 2. § 1. como prevêem os incisos anteriores. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no artigo 52. os órgãos enumerados no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos. § 3. se isso for procedente . Artigo 56 – O quorum para as deliberações da Corte é constituído por cinco juízes. relativo à interpretação e aplicação das disposições desta Convenção. de pleno direito e sem convenção especial. A declaração pode ser feita incondicionalmente. A Corte Designará seu Secretário. Os Estados-membros da Organização poderão consultar a Corte sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados concernentes à proteção dos diretos humanos nos Estados americanos. § 3. pelos Estados-partes na Convenção. Os Estados-partes na Convenção podem. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado. § 1. que lhe seja submetido. Seção 2 – Competência e funções Artigo 61. § 2. A Corte. por dois terços dos seus votos. § 5. Para que a Corte possa conhecer de qualquer caso. . pela maioria dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Estado respectivo. bem como o pagamento de indenização justa à parte lesada. a competência da Corte em todos os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção. Também poderão consultá-la. poderá emitir pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os mencionados instrumentos internacionais. Artigo 57 – A Comissão comparecerá em todos os casos perante a Corte. § 1. mas poderá realizar reuniões no território de qualquer Estado-membro da Organização dos Estados Americanos em que considerar conveniente. nos assuntos de que estiver conhecendo. Quando decidir que houve a violação de um direito ou liberdade protegidos nesta Convenção. ou sob condição de reciprocidade. poderá atuar a pedido da Comissão. por prazo determinado ou para casos específicos. a pedido de um Estado-membro da Organização. seja por declaração especial. A Corte tem competência para conhecer de qualquer caso. Artigo 63. Artigo 59 – A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e funcionará sob a direção do Secretário Geral da Organização em tudo o que não for incompatível com a independência da Corte.. Todo Estado-parte pode. § 1. no momento do depósito do seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir às reuniões que ela realizar for da mesma. § 2. reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. poderá tomar as medida provisórias que considerar pertinentes. a Corte. que sejam reparadas as conseqüências da medida ou situação que haja configurado a violação desses direitos. é necessário que sejam esgotados os processos previstos nos artigos 48 a 50. sejas por convenção especial. Seus funcionários serão nomeados pelo Secretário Geral da Organização. Se vários Estados-partes na Convenção tiverem o mesmo interesse no caso. serão considerados como uma só parte. desde que os Estados-partes no caso tenham reconhecido ou reconheçam a referida competência. que encaminhará cópias da mesma a outros Estados-membros da Organização e ao Secretário da Corte. Deverá ser apresentada ao Secretário Geral da Organização. na Assembléia Geral. Artigo 64. Em casos de extrema gravidade e urgência. no que lhes compete. § 1. a Corte decidirá.

Ratificação. § 1. Reserva. § 2. um relatório sobre as suas atividades no ano anterior. § 2. A ratificação desta Convenção ou a adesão a ela efetuar-se-á mediante depósito de um instrumento de ratificação ou adesão na Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos. levando em conta a importância e independência de suas funções. e com as recomendações pertinentes. desde o momento da eleição e enquanto durar o seu mandato. De maneira especial.Artigo 65 – A Corte submeterá à consideração da Assembléia Geral da Organização. além disso. Esta última não poderá nele introduzir modificações. Artigo 67 – A sentença da Corte será definitiva e inapelável. Artigo 73 – Somente por solicitação da Comissão ou da Corte. Durante o exercício dos seus cargos gozam. Esta Convenção entrará em vigor logo que onze Estados houverem depositado os seus respectivos instrumentos de ratificação ou de adesão. indicará os casos em que um Estado não tenha dado cumprimento a suas sentenças. no qual devem ser incluídas. A sentença da Corte dever ser fundamentada. PARTE III – DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS Capítulo X Assinatura. Os Estados-partes na Convenção comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes. por intermédio da Secretaria Geral. Com referência a qualquer outro Estado que a ratificar ou . Os juízes da Corte e os membros da Comissão gozam. Artigo 72 – Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão honorários e despesas de viagem na forma e nas condições que determinarem os seus Estatutos. as despesas da Corte e da sua Secretaria. além disso. A parte da sentença que determinar indenização compensatória poderá ser executada no país respectivo pelo processo interno vigente para a execução de sentenças contra o Estado. se se tratar dos juízes da Corte. conforme o caso. por votos e opiniões emitidos no exercício de suas funções. será necessária maioria de dois terços dos votos dos Estados-membros da Organização. § 2. conforme o que for determinado nos respectivos Estatutos. a Corte iterpretá-la-á. Para tais efeitos. em cada período ordinário de sessões. a Corte elaborará o seu próprio projeto de orçamento e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral. e. dois terços dos votos dos Estados-partes na Convenção. § 1. § 1. Capítulo IX Disposições Comuns Artigo 70. Para expedir uma resolução. Artigo 69 – A sentença da Corte deve ser notificada às partes no caso e transmitida aos Estados-partes na Convenção. Se a sentença não expressar no todo ou em parte a opinião unânime dos juízes. Protocolo e Denúncia Artigo 74. Artigo 68. § 1. Não se poderá exigir responsabilidade em tempo algum dos juízes da Corte. Artigo 71 – Os cargos de juiz da Corte ou de membro da Comissão são incompatíveis com outras atividades que possam afetar sua independência ou imparcialidade. qualquer deles terá direito a que se agregue à sentença o seu voto dissidente ou individual. Esta Convenção está aberta à assinatura e à ratificação de todos os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos. nem dos membros da Comissão. a pedido de qualquer das parte. dos privilégios diplomáticos necessários para o desempenho de suas funções. § 2. Seção 3 – Processo Artigo 66. das imunidades reconhecidas aos agentes diplomáticos pelo Direito Internacional. desde que o pedido seja apresentado dentro de noventa dias a partir da data da notificação da sentença. Tais honorários e despesas de viagem serão fixados no orçamento-programa da Organização dos Estados Americanos. além disso. cabe à Assembléia Geral da Organização resolver sobre as sanções aplicáveis aos membros da Comissão ou aos juízes da Corte que incorrerem nos casos previstos nos respectivos Estatutos. Em caso de divergência sobre o sentido ou alcance da sentença. Emenda. no caso dos membros da Comissão.

na Assembléia Geral. . serão eliminados sucessivamente. na data em que houver sido depositado o respectivo instrumento de ratificação. O Secretário Geral preparará uma lista por ordem alfabética dos candidatos apresentados e a encaminhará aos Estados-partes pelo menos trinta dias antes da Assembléia Geral seguinte. qualquer Estado-parte e a Comissão podem submeter à consideração dos Estados-partes reunidos por ocasião da Assembléia Geral projetos de Protocolos adicionais a esta Convenção. O Secretário Geral comunicará todos os Estados-membros da Organização sobre a entrada em vigor da Convenção. o Secretário Geral pedirá a cada Estado-parte que apresente. Os Estados-partes poderão denunciar esta Convenção depois de expirado o prazo de cinco anos. § 3. Artigo 82 – A eleição dos juízes da Corte far-se-á dentre os candidatos que figurem na lista a que se refere o artigo 81. o qual deve informar as outras partes. Artigo 75 – Esta Convenção só pode ser objeto de reservas em conformidade com as disposições da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. dentro de um prazo de noventa dias. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o Estado-parte interessado das obrigações contidas nesta Convenção. proposta de emendas a esta Convenção. § 1. § 2. pelo menos trinta dias antes da Assembléia Geral seguinte. assinada em 23 de maio de 1969. na forma que for determinada pela Assembléia Geral. entrarão em vigor na data em que eles depositarem os seus respectivos instrumentos de ratificação. com a finalidade de incluir progressivamente. para eleger todos os juízes da Corte. Se. e serão declarados eleitos os candidatos que obtiverem o maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados-partes. serão eliminados sucessivamente.. por votação secreta dos Estados-partes. os candidatos que receberem menor número de votos.que a ela aderir ulteriormente. Qualquer Estado-parte. por dois terços dos Estados-partes nesta Convenção. seus candidatos a juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos. podem submeter à Assembléia Geral. o Secretário Geral pedirá por escrito a cada Estadomembro da Organização que apresente. houver sido cometido por ele anteriormente à data na qual a denúncia produzir efeito. a Convenção entrará em vigor na data do depósito do seu instrumento de ratificação ou adesão. § 1. for necessário realizar várias votações. para o que julgarem conveniente. Artigo 80 – A eleição dos membros da Comissão far-se-á dentre os candidatos que figurem na lista a que se refere o artigo 79. podendo constituir violação dessas obrigações. Artigo 78. De acordo com a faculdade estabelecida no artigo 31. Capítulo XI Disposições Transitórias Seção 1 – Comissão Interamericana de Direitos Humanos Artigo 79 – Ao entrar em vigor esta Convenção. por intermédio do Secretário Geral. diretamente. na forma que for determinada pelos Estadospartes. no regime de proteção da mesma. Quanto aos outros Estados-partes. Artigo 76. para eleger todos os membros da Comissão. for necessário realizar várias votações. os candidatos que receberem maior número de votos. e serão declarados eleitos os candidatos que obtiverem maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados-membros. Tais emendas entrarão em vigor para os Estados que as ratificarem. § 1. § 2. no que diz respeito a qualquer ato que. § 2. Cada Protocolo deve estabelecer as modalidades de sua entrada em vigor e será aplicado somente entre os Estados-partes no mesmo. por votação secreta da Assembléia Geral. Se. e a Comissão e a Corte. outros direitos e liberdades. Artigo 77. dentro de um prazo de noventa dias. seus candidatos a membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O Secretário Geral preparará uma lista por ordem alfabética dos candidatos apresentados e a encaminhará aos Estados-membros da Organização. notificando o Secretário Geral da Organização. a partir da data em vigor da mesma e mediante aviso prévio de um ano. Seção 2 – Corte Interamericana de Direitos Humanos Artigo 81 – Ao entrar em vigor esta Convenção.

Os Princípios Orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. à segurança nacional ou instabilidades políticas de qualquer tipo ou emergenciais públicas como justificação para atos extremos e degradantes contra qualquer pessoa. Por fim. O trabalho policial também deve ser satisfatoriamente remunerado e as condições adequadas. Os governos devem promover e se encarregar da educação e formação através de troca de idéias a nível regional e interregional. a Onu coloca como premissa básica que o policial trabalhe servindo a comunidade. se necessário. de 18 de dezembro de 1990). desumano ou degradante. O Código estabelece que os governos devem adotar as medidas necessárias para que os funcionários responsáveis pela lei recebam instrução. de medidas gerais relativas à formação do policial. a outras autoridades com poderes de controle e reparação competentes. Trata-se de três resoluções internacionais aprovadas pela Assembléia Geral. nem invocar ordens superiores ou circunstancias excepcionais ligadas. Os policias são recomendados a empregar a força quanto esta seja estritamente necessária e esteja de acordo com o cumprimento de seu dever. protegendo todas as pessoas contra atos ilegais. São elas: O Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela aplicação da Lei (Resolução 34/169 de 17 de dezembro de 1979). por exemplo. A terceira resolução da ONU. deve ser dada importância primordial. Este funcionário também deve afastar-se de qualquer meio corruptivo existente na sociedade. mantendo e apoiando os direitos fundamentais de todas as pessoas.CÓDIGO DE CONDUTA DA ONU PARA FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI A organização das nações Unidas consciente de que a polícia como órgão de gerenciamento e aplicação da lei em defesa da ordem pública influencia sobremaneira a qualidade de vida dos indivíduos em sociedade. se faz necessário a existência de instâncias de controle externo da instituição policial. sobre as disposições da legislação nacional relativas ao Código assim como outros textos básicos sobre a questão dos direitos do homem. em parte do texto. respeitando e protegendo a dignidade humana. em especial. deve comunicar o fato aos seus superiores e. Dentre as recomendações expostas no Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. que possa intermediar e averiguar os atos denunciados. os responsáveis pela aplicação da lei devem assegurar a proteção da saúde das pessoas em sua guarda. A utilização da força só deve se dar em caráter excepcional. À seleção. A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece que a elaboração de um Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei é apenas uma das várias medidas importantes que visa a garantia de todos os direitos e interesses dos cidadãos. combatendo vigorosamente os atos de corrupção existentes na sociedade. Os policiais não devem em hipótese alguma infligir. no âmbito da formação de base e de todos os cursos posteriores de formação e aperfeiçoamento. trata. tomar medidas para assegurar a prestação de cuidados médicos adequados àqueles que necessitar. de qualquer ordem. os Princípios Orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (Resolução 1989/61 de maio de 1989. já que é ao funcionário policial que recaí o dever de tal gerenciamento do sistema de segurança pública. já que a conduta de cada funcionário do sistema tem uma incidência sobre o sistema no seu conjunto. aqui. Além disso. objetivando em última instância a prevenção ao crime e luta contra a delinqüência. estabeleceu a partir de três resoluções um rol de princípios a serem seguidos pelas corporações policiais em todo o mundo. sobre o código de conduta policial diz respeito aos Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela . por exemplo. para a prevenção de um crime ou para a detenção legal de delinqüentes ou de suspeitos de crime. do Conselho Econômico e Social) e os Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela aplicação da Lei (Resolução 45/166. o código de conduta estabelece que o policial que tiver motivo para acreditar que este código será violado. Este serviço voltado à comunidade deve incluir a prestação de serviços de assistência aos membros da comunidade que necessitem de ajuda imediata. instigar ou tolerar qualquer ato de tortura1[2] ou qualquer outra pena ou tratamento cruel. educação e formação.

deve ser utilizada indispensavelmente para proteger vidas humanas. No exercício da função policial. as três resoluções apresentadas apontam para o consenso lógico e eficiente do comportamento ético e operacional do policial em seu trabalho diário. identificar-se como tal e fazer uma advertência clara da sua intenção de utilização da arma de fogo. pois é a partir do aprendizado e do treinamento o policial poderá ter eficiência em seu trabalho. tendo em conta as circunstâncias do caso. se. O acompanhamento psicológico também é frisado como importante. É recomendado que se desenvolva um leque de meios tão amplos quanto possível e que se habilite os funcionários policiais a utilizar diversos tipos de armas e munições. deixando um prazo suficiente para que o aviso possa ser respeitado. quando utilizar a arma de fogo. Esta conduta policial também sinaliza que os policiais não devem utilizar armas de fogo contra pessoas detidas ou presas. Nesse sentido. Assim. E. tendo em vista a limitação da força bélica. Assim. exceto se esse modo de proceder colocar indevidamente em risco a segurança daqueles responsáveis. sabendo ou devendo saber que os policiais sob suas ordens utilizam ou utilizaram ilicitamente a força ou armas de fogo. além de ser desenvolvidas armas não letais e dotar os policiais de equipamentos defensivos. As regras ou resoluções da ONU são abrangentes e traçam diretrizes amplas. que permitam uma utilização diferenciada da força e das armas de fogo. sob a ótica da ONU. .Aplicação da Lei. Em qualquer caso. também existe responsabilidade da parte do superior que proferiu a ordem ilegal. a fim de reduzir a necessidade de utilização de qualquer tipo de arma. fazerem cessar ou comunicarem este abuso. coletes anti-balas e veículos blindados. quando a arma de fogo tiver que ser utilizada contra uma pessoa . viseiras. pois incidem sobre aspectos de suma importância para o trabalho do policial. em particular. em função de incidentes concretos. a utilização do armamento bélico e a formação e o treinamento. deve-se utilizar com moderação. sem distinção de raça. a Declaração Universal dos Direitos do Homem 108 e os Pactos Internacionais sobre os direitos do homem 109. não tomaram as medidas ao seu alcance para impedirem. exceto em caso de legítima defesa ou para defesa de terceiros contra perigo iminente de morte ou lesão grave. Deve-se então. principalmente àqueles que foram envolvidos em situações em que foram utilizados armamentos de fogo. implicar em perigo de morte ou lesão grave para outras pessoas ou se mostrar manifestamente inadequado ou inútil. ou quando essa utilização for indispensável para impedir a evasão de pessoa detida ou presa representando risco. E. O comportamento com relação à comunidade. adoptada pela Assembleia Geral na sua resolução 3452 (XXX) de 9 de Dezembro de 1975. Além disso. tais como escudos. Os funcionários da lei que devem transportar armas de fogo deveriam ser apenas autorizados a fazê-lo após recebimento de formação especial para a sua utilização. o funcionário deve recorrer a meios não violentos antes de utilizar armas de fogo. Considerando que um dos objectivos proclamados na Carta das Nações Unidas é o da realização da cooperação internacional para o desenvolvimento e encorajamento do respeito pelos direitos do homem e das liberdades fundamentais para todos. a partir desses pressupostos rever-se os métodos de formação e procedimentos operacionais. Nesse sentido é importante a revisão de alguns pontos ligados à formação deste funcionário da lei. A utilização da arma de fogo deve estar ligada às questões de ética policial e de direitos do homem. deve ser garantido que os oficiais superiores sejam responsabilizados. Lembrando. Os funcionários policiais devem ser submetidos a testes de acordo com normas de avaliação adequadas sobre a utilização da força. bem como meios técnicos. são destacados como componentes estratégicos no resultado final do trabalho do policial. é a conduta do policial no trabalho preventivo e ostensivo que refletirá o sucesso da organização. porém importantes. investindo no âmbito da resolução pacífica dos conflitos. língua ou religião. a obediência a ordens superiores não pode ser invocada como meio de defesa se os responsáveis pela aplicação da lei sabiam que a ordem de utilização da força ou de armas de fogo de que resultaram a morte ou lesões graves era manifestamente ilegal e se tinham uma possibilidade razoável de recusar cumpri-la. conhecimento do comportamento de multidões e os métodos de persuasão. negociação e mediação. A Assembleia Geral. proporcionalidade e preservação da vida humana. Lembrando igualmente a Declaração sobre a Protecção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis. O policial deve então. sexo. Esta resolução determina que os governos e os organismos aplicadores da lei adotem e apliquem regras sobre a utilização da força e armas de fogo contra as pessoas a partir de permanente avaliação ética desta utilização. Desumanos ou Degradantes. para que se possa evitar a sua utilização.

no entanto. ou ainda por um outro organismo de controlo.Consciente de que a natureza das funções de aplicação da lei para defesa da ordem pública e a forma como essas funções são exercidas. Comentário O termo "funcionários responsáveis pela aplicação da lei" inclui todos os agentes da lei. que figura em anexo à presente resolução e decide transmiti-lo aos Governos. como qualquer órgão do sistema de justiça penal. pela magistratura. formação e controlo. exercido por uma comissão de controlo. mediante educação. e que a conduta de cada funcionário do sistema tem uma incidência sobre o sistema no seu conjunto. ou por forças de segurança do Estado. aceite pela população e de carácter humano. Nos países onde os poderes policiais são exercidos por autoridades militares. Reconhecendo que a elaboração de um Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei é apenas uma das várias medidas importantes para garantir a protecção de todos os direitos e interesses dos cidadãos servidos pelos referidos funcionários. . especialmente poderes de detenção ou prisão. em plena conformidade com os princípios e normas aqui previstos. das possibilidades de abuso que o exercício destas tarefas proporciona. enquanto tais. Artigo 2º No cumprimento do dever. responder às suas necessidades e ser responsáveis perante ela. Adopta o Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. Consciente de que existem outros importantes princípios e condições prévias ao desempenho humanitário das funções de aplicação da lei. tem o dever de autodisciplina. todos os órgãos de aplicação da lei devem ser representativos da comunidade no seu conjunto. em conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer. um ministério. cujo objectivo consiste em prevenir o crime e lutar contra a delinquência. d) Que qualquer órgão encarregado da aplicação da lei. e) Que as normas. quer em uniforme. quer eleitos. nomeadamente: a) Que. uma comissão de cidadãos. em conformidade com os princípios dos direitos do homem. com diligência e dignidade. que exerçam poderes policiais. carecem de valor prático. será entendido que a definição dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei incluirá os funcionários de tais serviços.ª sessão plenária 17 de Dezembro de 1979 Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei Artigo 1º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem sempre cumprir o dever que a lei lhes impõe. recomendando que encarem favoravelmente a sua utilização no quadro da legislação e prática nacionais como conjunto de princípios que deverão ser observados pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei. Consciente. ou por vários destes órgãos. têm uma incidência directa sobre a qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade no seu conjunto. 106. Artigo 3º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando estritamente necessária e na medida exigida para o cumprimento do seu dever. em cumprimento da primeira norma de qualquer profissão. a menos que o seu conteúdo e significado seja inculcado em todos os funcionários responsáveis pela aplicação da lei. por um provedor. servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais. depende da existência de um sistema jurídico bem concebido. os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar e proteger a dignidade humana. quer nomeados. manter e apoiar os direitos humanos de todas as pessoas. e que os actos dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem estar sujeitos ao escrutínio público. um procurador-geral. c) Que qualquer funcionário responsável pela aplicação da lei é um elemento do sistema de justiça penal. Consciente das importantes tarefas que os funcionários responsáveis pela aplicação da lei levam a cabo. quer não. b) Que o respeito efectivo de normas éticas pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei.

ou que sejam inerentes a tais sanções ou dela decorram. dela ou de uma terceira pessoa. Embora se admita que estes funcionários. . físicos ou mentais são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter. Em geral. Artigo 7º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem cometer quaisquer atos de corrupção. a não ser que o cumprimento do dever ou necessidade de justiça estritamente exijam outro comportamento. possam empregar uma força razoável. ou por sua instigação. também. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam conseqüência unicamente de sanções legítimas. sempre que necessário. ou com o seu consentimento ou aquiescência. devem adotar medidas imediatas para assegurar-lhes cuidados médicos. de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas. de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido. é incompatível com a profissão dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei. A lei deve ser aplicada com rigor a qualquer funcionário que cometa um ato de corrupção. especialmente contra crianças. armas de fogo só deveriam ser utilizadas quando um suspeito oferece resistência armada ou. põe em risco vidas alheias e medidas menos drásticas são insuficientes para dominá-lo. Artigo 4º Os assuntos de natureza confidencial em poder dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem ser mantidos confidenciais. Também devem opor-se vigorosamente e combater todos estes atos.Comentário O emprego da força por parte dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei deve ser excepcional. devem-se fazer todos os esforços no sentido de restringir seu uso. em especial. desumano ou degradante. Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei que tiverem motivos para acreditar que houve ou que está para haver uma violação deste Código. desumanos ou degradantes. se necessário.qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos. tal como qualquer outro abuso de autoridade. instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outro tratamento ou pena cruel." Artigo 6º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem garantir a proteção da saúde de todas as pessoas sob sua guarda e. de algum outro modo. Desumanos ou Degradantes define tortura como: ". O emprego de armas de fogo é considerado uma medida extrema. deve-se fazer imediatamente um relatório às autoridades competentes. Artigo 5º Nenhum funcionário responsável pela aplicação da lei pode infligir. informações ou confissões. Toda vez que uma arma de fogo for disparada. Os governos não podem esperar que os cidadãos respeitem as leis se estas também não foram aplicadas contra os próprios agentes do Estado e dentro dos seus próprios organismos. na medida das suas possibilidades. Comentário Qualquer ato de corrupção. instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública. Devem. como justificativa para torturas ou outros tratamentos ou penas cruéis. nem nenhum destes funcionários pode invocar ordens superiores ou circunstâncias excepcionais. tais como o estado de guerra ou uma ameaça de guerra. devem comunicar o fato aos seus superiores e. quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas. de nenhuma maneira ela poderá ser utilizada de forma desproporcional ao legítimo objetivo a ser atingido.. de acordo com as circunstâncias. ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza. Comentário A Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis. a outras autoridades competentes ou órgãos com poderes de revisão e reparação. ameaça à segurança nacional. evitar e opor-se com rigor a quaisquer violações da lei e deste Código. Artigo 8º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar a lei e este Código..

coadjuvante ou complementar da que oferece o direito interno dos Estados americanos. cor. na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos do Homem. e Considerando que a Terceira Conferência Interamericana Extraordinária (Buenos Aires. por motivo de raça.CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (1969) (PACTO DE SAN JOSÉ DA COSTA RICA) PREÂMBULO Os Estados Americanos signatários da presente Convenção. Considerando que esses princípios foram consagrados na Carta da Organização dos Estados Americanos. dentro do quadro das instituições democráticas. sexo. Reiterando que. isento do temor e da miséria. sociais e culturais. tanto de âmbito mundial como regional. mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana. só pode ser realizado o ideal do ser humano livre. e que foram reafirmados e desenvolvidos em outros instrumentos internacionais. se forem criadas condições que permitam a cada pessoa gozar dos seus direitos econômicos. um regime de liberdade pessoal e de justiça social. 1967) aprovou a incorporação à própria Carta da Organização de normas mais amplas sobre os direitos econômicos. Os Estados-partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição. Convieram no seguinte: PARTE I . . sociais e educacionais e resolveu que uma Convenção Interamericana sobre Direitos Humanos determinasse a estrutura. Reafirmando seu propósito de consolidar neste Continente.Obrigação de respeitar os direitos 1. de natureza convencional. razão por que justificam uma proteção internacional. competência e processo dos órgãos encarregados dessa matéria. fundado no respeito dos direitos humanos essenciais.DEVERES DOS ESTADOS E DIREITOS PROTEGIDOS Capítulo I . de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.ENUMERAÇÃO DOS DEVERES Artigo 1º . Reconhecendo que os direitos essenciais da pessoa humana não derivam do fato de ser ela nacional de determinado Estado. sem discriminação alguma. bem como dos seus direitos civis e políticos.

Toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física.Direito à vida 1. 4. esta só poderá ser imposta pelos delitos mais graves. em geral. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que. psíquica e moral. Nos países que não houverem abolido a pena de morte.Direito à integridade pessoal 1.Dever de adotar disposições de direito interno Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1 ainda não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra natureza. os quais podem ser concedidos em todos os casos. religião.Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade jurídica. de acordo com as suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção. ou maior de setenta. 2. 2. posição econômica. . 3. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente. pessoa é todo ser humano. Artigo 4º . desde o momento da concepção. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar anistia. indulto ou comutação da pena. Para efeitos desta Convenção. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido. Artigo 2º . promulgada antes de haver o delito sido cometido. Esse direito deve ser protegido pela lei e. for menor de dezoito anos. opiniões políticas ou de qualquer outra natureza. os Estados-partes comprometem-se a adotar. Artigo 5º . nascimento ou qualquer outra condição social. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Tampouco se estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente. as medidas legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para tornar efetivos tais direitos e liberdades.idioma. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos políticos. nem a delitos comuns conexos com delitos políticos. no momento da perpetração do delito. 5. origem nacional ou social. Não se pode executar a pena de morte enquanto o pedido estiver pendente de decisão ante a autoridade competente.DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS Artigo 3º . 6. Capítulo II . nem aplicá-la a mulher em estado de gravidez. em cumprimento de sentença final de tribunal competente e em conformidade com a lei que estabeleça tal pena.

Nos países em que se prescreve. imposta por um juiz ou tribunal competente. 3. qualquer serviço nacional que a lei estabelecer em lugar daquele. b) serviço militar e. para seu tratamento. devem ser separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado. Ninguém poderá ser submetido a escravidão ou servidão e tanto estas como o tráfico de escravos e o tráfico de mulheres são proibidos em todas as suas formas. esta disposição não pode ser interpretada no sentido de proibir o cumprimento da dita pena. e devem ser submetidos a tratamento adequado à sua condição de pessoas não condenadas. As penas privativas de liberdade devem ter por finalidade essencial a reforma e a readaptação social dos condenados.Proibição da escravidão e da servidão 1. salvo em circunstâncias excepcionais. nem a capacidade física e intelectual do recluso. Tais trabalhos ou serviços devem ser executados sob a vigilância e controle das autoridades públicas. quando puderem ser processados. Os menores. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obrigatório.2. desumanos ou degradantes. . O trabalho forçado não deve afetar a dignidade. 6. A pena não pode passar da pessoa do delinquente. pena privativa de liberdade acompanhada de trabalhos forçados. 3. Artigo 6º . e os indivíduos que os executarem não devem ser postos à disposição de particulares. companhias ou pessoas jurídicas de caráter privado. com a maior rapidez possível. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste artigo: a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal expedida pela autoridade judiciária competente. Ninguém deve ser submetido a torturas. 2. 4.Direito à liberdade pessoal 1. d) o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais. para certos delitos. Os processados devem ficar separados dos condenados. Toda pessoa privada de liberdade deve ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano. 5. nos países em que se admite a isenção por motivo de consciência. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. c) o serviço exigido em casos de perigo ou de calamidade que ameacem a existência ou o bem-estar da comunidade. nem a penas ou tratos cruéis. Artigo 7º .

livremente e em particular. independente e imparcial. com seu defensor. O recurso pode ser interposto pela própria pessoa ou por outra pessoa. Artigo 8º . estabelecido anteriormente por lei. em plena igualdade. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da detenção e notificada. 6. enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida. 7. . salvo pelas causas e nas condições previamente fixadas pelas Constituições políticas dos Estados-partes ou pelas leis de acordo com elas promulgadas. sem demora. Este princípio não limita os mandados de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar. a fim de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça. 5. 2. detida ou retida deve ser conduzida. Sua liberdade pode ser condicionada a garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo. da acusação ou das acusações formuladas contra ela. Durante o processo. fiscal ou de qualquer outra natureza. às seguintes garantias mínimas: a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente por um tradutor ou intérprete. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física. na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela. a fim de que este decida. sem demora. 3. toda pessoa tem direito. sem prejuízo de que prossiga o processo. com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável. d) direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido por um defensor de sua escolha e de comunicar-se. Toda pessoa presa. se a prisão ou a detenção forem ilegais. sobre a legalidade de sua prisão ou detenção e ordene sua soltura. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários. sem demora.Garantias judiciais 1. caso não compreenda ou não fale a língua do juízo ou tribunal. b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente. Ninguém deve ser detido por dívidas. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência. por um juiz ou Tribunal competente.2. à presença de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais e tem o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser posta em liberdade. ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil. tal recurso não pode ser restringido nem abolido. c) concessão ao acusado do tempo e dos meios necessários à preparação de sua defesa. 4. Nos Estadospartes cujas leis prevêem que toda pessoa que se vir ameaçada de ser privada de sua liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente. trabalhista.

Artigo 10 .Proteção da honra e da dignidade 1. 3. nem nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei. no caso de haver sido condenada em sentença transitada em julgado. Tampouco poder-se-á impor pena mais grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. Se. o deliquente deverá dela beneficiar-se. nem a confessar-se culpada. f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no Tribunal e de obter o comparecimento.Liberdade de consciência e de religião . 2. remunerado ou não.Princípio da legalidade e da retroatividade Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que. salvo no que for necessário para preservar os interesses da justiça. depois de perpetrado o delito. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada. nem de ofensas ilegais à sua honra ou reputação. e h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior. não constituam delito. O processo penal deve ser público. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza. em seu domicílio ou em sua correspondência.e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado. se o acusado não se defender ele próprio. Artigo 9º . 3. Artigo 12 . O acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos. como testemunhas ou peritos. em sua família. segundo a legislação interna. por erro judiciário. 4. de acordo com o direito aplicável. no momento em que foram cometidos. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou tais ofensas. 5. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. Artigo 11 . g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma.Direito à indenização Toda pessoa tem direito de ser indenizada conforme a lei. de outras pessoas que possam lançar luz sobre os fatos. a lei estipular a imposição de pena mais leve.

Os pais e. Artigo 14 . A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita apenas às limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. verbalmente ou por escrito. Artigo 13 . ou em forma impressa ou artística. sem prejuízo do disposto no inciso 2. receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia. 4. tanto em público como em privado. Esse direito inclui a liberdade de procurar. que devem ser expressamente previstas em lei e que se façam necessárias para assegurar: a) o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas. ou de mudar de religião ou de crenças. sem considerações de fronteiras. 4. 3. ou por qualquer meio de sua escolha. com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles.Direito de retificação ou resposta . à hostilidade. a ordem. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças. bem como toda apologia ao ódio nacional. individual ou coletivamente. Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios indiretos. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. ou da saúde ou da moral públicas. bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças. 2. nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões. a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas. ou de mudar de religião ou de crenças. 3. b) a proteção da segurança nacional. 2. racial ou religioso que constitua incitamento à discriminação. para proteção moral da infância e da adolescência. têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções. Ninguém pode ser submetido a medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito à censura prévia. 5. quando for o caso. tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa.1. ao crime ou à violência. mas a responsabilidades ulteriores.Liberdade de pensamento e de expressão 1. os tutores. da ordem pública. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra. de frequências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação.

ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas. O exercício desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas em lei e que se façam necessárias. 2.Liberdade de associação 1. 4. pelo mesmo órgão de difusão. que não seja protegida por imunidades. da segurança ou ordem públicas.Direito de reunião É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. aos membros das forças armadas e da polícia. nas condições que estabeleça a lei. econômicos. desportivos ou de qualquer outra natureza. O exercício desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas em lei e que se façam necessárias. trabalhistas. em uma sociedade democrática. sua retificação ou resposta. toda publicação ou empresa jornalística. 2. da segurança e da ordem públicas. Artigo 15 . deve ter uma pessoa responsável. 3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado. na medida em que não afetem estas o princípio da não-discriminação estabelecido nesta Convenção. religiosos. e mesmo a privação do exercício do direito de associação. 3. O casamento não pode ser celebrado sem o consentimento livre e pleno dos contraentes. nem goze de foro especial. Artigo 17 . em uma sociedade democrática. de rádio ou televisão. se tiverem a idade e as condições para isso exigidas pelas leis internas. sociais. Artigo 16 . culturais.Proteção da família 1. atingida por informações inexatas ou ofensivas emitidas em seu prejuízo por meios de difusão legalmente regulamentados e que se dirijam ao público em geral. É reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem casamento e de constituírem uma família. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das outras responsabilidades legais em que se houver incorrido. Para a efetiva proteção da honra e da reputação. ao interesse da segurança nacional. políticos. 2. ao interesse da segurança nacional. O presente artigo não impede a imposição de restrições legais. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente com fins ideológicos. Os Estados-partes devem adotar as medidas apropriadas para assegurar a igualdade de direitos e a adequada equivalência de responsabilidades dos cônjuges . 3. tem direito a fazer. cinematográfica.1. Toda pessoa. ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.

Direito à nacionalidade 1. por motivo de utilidade pública ou de interesse social e nos casos e na forma estabelecidos pela lei. A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua nacionalidade. se não tiver direito a outra. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 5.quanto ao casamento.Direitos da criança Toda criança terá direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer. Tanto a usura. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens. se for necessário. Toda pessoa que se encontre legalmente no território de um Estado tem o direito de nele livremente circular e de nele residir. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido. 2. da sociedade e do Estado. Artigo 19 . por parte da sua família. serão adotadas as disposições que assegurem a proteção necessária aos filhos.Direito ao nome Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de seus pais ou ao de um destes. salvo mediante o pagamento de indenização justa. como qualquer outra forma de exploração do homem pelo homem. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos nascidos fora do casamento. A lei pode subordinar esse uso e gozo ao interesse social. . Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país.Direito de circulação e de residência 1. 3. Artigo 22 . devem ser reprimidas pela lei. nem do direito de mudá-la. mediante nomes fictícios. A lei deve regular a forma de assegurar a todos esse direito. 2. em conformidade com as disposições legais. Artigo 18 . Toda pessoa tem direito ao uso e gozo de seus bens.Direito à propriedade privada 1. durante o mesmo e por ocasião de sua dissolução. 3. como aos nascidos dentro do casamento. Artigo 21 . Em caso de dissolução. 2. Artigo 20 . com base unicamente no interesse e conveniência dos mesmos. inclusive de seu próprio país.

Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a outro país. instrução. em uma sociedade democrática. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades. 5. ou condenação. 8. 4. realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto. residência. em processo penal. que garantam a livre expressão da vontade dos eleitores. à igual proteção da lei. para prevenir infrações penais ou para proteger a segurança nacional. O exercício dos direitos supracitados não pode ser restringido. 6. idioma. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território estrangeiro. 2. diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos. por motivo de interesse público. a segurança ou a ordem públicas. às funções públicas de seu país. Artigo 23 . a que se refere o inciso anterior. nacionalidade. e c) de ter acesso. de acordo com a legislação de cada Estado e com as Convenções internacionais. 9. b) de votar e ser eleito em eleições periódicas. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros. autênticas. em caso de perseguição por delitos políticos ou comuns conexos com delitos políticos. por juiz competente. sem discriminação alguma. Artigo 24 . capacidade civil ou mental. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode também ser restringido pela lei. exclusivamente por motivo de idade. ou os direitos e liberdades das demais pessoas. têm direito. nacionalidade. seja ou não de origem. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades: a) de participar da condução dos assuntos públicos.Direitos políticos 1. . O estrangeiro que se encontre legalmente no território de um Estado-parte na presente Convenção só poderá dele ser expulso em decorrência de decisão adotada em conformidade com a lei.3. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for nacional e nem ser privado do direito de nele entrar.Igualdade perante a lei Todas as pessoas são iguais perante a lei. em zonas determinadas. religião. na medida indispensável. em condições gerais de igualdade. condição social ou de suas opiniões políticas. Por conseguinte. 7. onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal esteja em risco de violação em virtude de sua raça. senão em virtude de lei. a moral ou a saúde públicas.

2. que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição. ciência e cultura. SOCIAIS E CULTURAIS Artigo 26 . na medida e pelo tempo estritamente limitados às exigências da situação. 19 (direitos da criança). e c) a assegurar o cumprimento. . na medida dos recursos disponíveis. 5 (direito à integridade pessoal). INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO Artigo 27 . 18 (direito ao nome). 17 (proteção da família). sexo.Proteção judicial 1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo.DIREITOS ECONÔMICOS. b) a desenvolver as possibilidades de recurso judicial. cor.Desenvolvimento progressivo Os Estados-partes comprometem-se a adotar as providências. suspendam as obrigações contraídas em virtude desta Convenção. Os Estados-partes comprometem-se: a) a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal do Estado decida sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos determinados nos seguintes artigos: 3 (direito ao reconhecimento da personalidade jurídica). perante os juízes ou tribunais competentes. 9 (princípio da legalidade e da retroatividade). Capítulo III .Artigo 25 .Suspensão de garantias 1. 6 (proibição da escravidão e da servidão). desde que tais disposições não sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhe impõe o Direito Internacional e não encerrem discriminação alguma fundada em motivos de raça. 12 (liberdade de consciência e religião). nem das garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos. religião ou origem social. tanto no âmbito interno. pela lei ou pela presente Convenção. mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais. ou de outra emergência que ameace a independência ou segurança do Estado-parte. a fim de conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas. especialmente econômica e técnica. constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos. Em caso de guerra. este poderá adotar as disposições que. pelas autoridades competentes. de perigo público. 4 (direito à vida). como mediante cooperação internacional. idioma. de toda decisão em que se tenha considerado procedente o recurso.SUSPENSÃO DE GARANTIAS. Capítulo IV . 20 (direito à nacionalidade) e 23 (direitos políticos). reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. sociais e sobre educação. 2. por via legislativa ou por outros meios apropriados.

a fim de que as autoridades competentes das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o cumprimento desta Convenção. assim organizado. d) excluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e outros atos internacionais da mesma natureza. Todo Estado-parte no presente Pacto que fizer uso do direito de suspensão deverá comunicar imediatamente aos outros Estados-partes na presente Convenção. 2. as disposições cuja aplicação haja suspendido. relacionadas com as matérias sobre as quais exerce competência legislativa e judicial. Artigo 30 .Alcance das restrições As restrições permitidas. em conformidade com sua Constituição e com suas leis. Artigo 29 . suprimir o gozo e o exercício dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá-los em maior medida do que a nela prevista. Quando se tratar de um Estado-parte constituído como Estado federal.Cláusula federal 1. diligenciarão no sentido de que o pacto comunitário respectivo contenha as disposições necessárias para que continuem sendo efetivas no novo Estado. o governo nacional deve tomar imediatamente as medidas pertinentes. b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos em virtude de leis de qualquer dos Estados-partes ou em virtude de Convenções em que seja parte um dos referidos Estados. por intermédio do Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos. as normas da presente Convenção. o governo nacional do aludido Estado-parte cumprirá todas as disposições da presente Convenção. grupo ou indivíduo. . não podem ser aplicadas senão de acordo com leis que forem promulgadas por motivo de interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido estabelecidas. os motivos determinantes da suspensão e a data em que haja dado por terminada tal suspensão. 3. de acordo com esta Convenção. ao gozo e exercício dos direitos e liberdades nela reconhecidos.Normas de interpretação Nenhuma disposição da presente Convenção pode ser interpretada no sentido de: a) permitir a qualquer dos Estados-partes. Quando dois ou mais Estados-partes decidirem constituir entre eles uma federação ou outro tipo de associação.3. c) excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que decorrem da forma democrática representativa de governo. Artigo 28 . No tocante às disposições relativas às matérias que correspondem à competência das entidades componentes da federação.

Os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal. a partir de uma lista de candidatos propostos pelos governos dos Estados-membros.Reconhecimento de outros direitos Poderão ser incluídos. pela segurança de todos e pelas justas exigências do bem comum.DEVERES DAS PESSOAS Artigo 32 .ÓRGÃOS COMPETENTES Artigo 33 . a comunidade e a humanidade. Artigo 35 .Organização Artigo 34 . Os direitos de cada pessoa são limitados pelos direitos dos demais. pela Assembléia Geral da Organização.MEIOS DE PROTEÇÃO Capítulo VI .A Comissão representa todos os Membros da Organização dos Estados Americanos. Artigo 36 . no regime de proteção desta Convenção.1. em uma sociedade democrática. PARTE II . Toda pessoa tem deveres para com a família. nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado-membro da Organização dos . 2.São competentes para conhecer de assuntos relacionados com o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados-partes nesta Convenção: a) a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. doravante denominada a Corte. Cada um dos referidos governos pode propor até três candidatos. que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos humanos. e b) a Corte Interamericana de Direitos Humanos. 2. outros direitos e liberdades que forem reconhecidos de acordo com os processos estabelecidos nos artigo 69 e 70.Correlação entre deveres e direitos 1. Capítulo V .Artigo 31 .A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-se-á de sete membros. doravante denominada a Comissão. Capítulo HUMANOS VII COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS Seção 1 .

prestar-lhes o assessoramento que lhes solicitarem.Funções Artigo 41 . no sentido de que adotem medidas progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis internas e seus preceitos constitucionais. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional de um mesmo país. c) preparar estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas funções. porém o mandato de três dos membros designados na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos. d) solicitar aos governos dos Estados-membros que lhe proporcionem informações sobre as medidas que adotarem em matéria de direitos humanos. Artigo 40 . os nomes desses três membros. f) atuar com respeito às petições e outras comunicações. pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado diferente do proponente. Artigo 38 . e . dentro de suas possibilidades. Seção 2 .Os serviços da Secretaria da Comissão devem ser desempenhados pela unidade funcional especializada que faz parte da Secretaria Geral da Organização e deve dispor dos recursos necessários para cumprir as tarefas que lhe forem confiadas pela Comissão. tem as seguintes funções e atribuições: a) estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América. na Assembléia Geral. quando considerar conveniente. Quando for proposta uma lista de três candidatos. serão determinados por sorteio.A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e expedirá seu próprio Regulamento. por meio da Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos. bem como disposições apropriadas para promover o devido respeito a esses direitos. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e só poderão ser reeleitos um vez. que não se devam à expiração normal do mandato. Artigo 39 .As vagas que ocorrerem na Comissão. Artigo 37 . no exercício de sua autoridade. Logo depois da referida eleição. de conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 desta Convenção. 2. e) atender às consultas que.1. b) formular recomendações aos governos dos Estados-membros. no exercício de seu mandato. serão preenchidas pelo Conselho Permanente da Organização. de acordo com o que dispuser o Estatuto da Comissão.Estados Americanos.A Comissão tem a função principal de promover a observância e a defesa dos direitos humanos e. lhe formularem os Estados-membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e.

em seus respectivos campos.Os Estados-partes devem submeter à Comissão cópia dos relatórios e estudos que.Competência Artigo 44 . por período determinado ou para casos específicos. ou em qualquer momento posterior. 4. no momento do depósito do seu instrumento de ratificação desta Convenção. a qual encaminhará cópia das mesmas aos Estados-membros da referida Organização. a fim de que aquela zele para que se promovam os direitos decorrentes das normas econômicas. 2. A Comissão não admitirá nenhuma comunicação contra um Estado-parte que não haja feito tal declaração. 3. Todo Estado-parte pode. de acordo com os princípios de Direito Internacional geralmente reconhecidos. . As declarações sobre reconhecimento de competência podem ser feitas para que esta vigore por tempo indefinido. ou de adesão a ela. ou entidade nãogovernamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da Organização. Seção 3 . Artigo 45 . constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos. Artigo 46 .g) apresentar um relatório anual à Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos. As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem ser admitidas e examinadas se forem apresentadas por um Estado-parte que haja feito uma declaração pela qual reconheça a referida competência da Comissão.Qualquer pessoa ou grupo de pessoas. submetem anualmente às Comissões Executivas do Conselho Interamericano Econômico e Social e do Conselho Interamericano de Educação.Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão. declarar que reconhece a competência da Comissão para receber e examinar as comunicações em que um Estado-parte alegue haver outro Estado-parte incorrido em violações dos direitos humanos estabelecidos nesta Convenção. pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-parte. ciência e cultura.Os Estados-partes obrigam-se a proporcionar à Comissão as informações que esta lhes solicitar sobre a maneira pela qual seu direito interno assegura a aplicação efetiva de quaisquer disposições desta Convenção. Artigo 42 . reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. sociais e sobre educação. As declarações serão depositadas na Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos. será necessário: a) que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna. Ciência e Cultura. Artigo 43 .1.

As disposições das alíneas "a" e "b" do inciso 1 deste artigo não se aplicarão quando: a) não existir. mandará arquivar o expediente. b) não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna. e d) que.Processo Artigo 48 . As referidas informações devem ser enviadas dentro de um prazo razoável. a partir da data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva. e c) houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados recursos. A Comissão. ao receber uma petição ou comunicação na qual se alegue a violação de qualquer dos direitos consagrados nesta Convenção. 2. procederá da seguinte maneira: a) se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação. a nacionalidade. . fixado pela Comissão ao considerar as circunstâncias de cada caso. solicitará informações ao Governo do Estado ao qual pertença a autoridade apontada como responsável pela violação alegada e transcreverá as partes pertinentes da petição ou comunicação. No caso de não existirem ou não subsistirem. a profissão. ou d) for substancialmente reprodução de petição ou comunicação anterior. o devido processo legal para a proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados. já examinada pela Comissão ou por outro organismo internacional. b) recebidas as informações. o domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição. na legislação interna do Estado de que se tratar. ou transcorrido o prazo fixado sem que sejam elas recebidas. Artigo 47 .A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 quando: a) não preencher algum dos requisitos estabelecidos no artigo 46. no caso do artigo 44. verificará se existem ou subsistem os motivos da petição ou comunicação. Seção 4 . b) não expuser fatos que caracterizem violação dos direitos garantidos por esta Convenção. c) pela exposição do próprio peticionário ou do Estado. a petição contenha o nome. ou houver sido ele impedido de esgotá-los. for manifestamente infundada a petição ou comunicação ou for evidente sua total improcedência. c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução internacional.b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses.1.

Entretanto.1.1.Se se houver chegado a uma solução amistosa de acordo com as disposições do inciso 1. ser-lhe-á proporcionada a mais ampla informação possível. com conhecimento das partes. O relatório será encaminhado aos Estados interessados. a Comissão poderá emitir. "f". do artigo 48. O referido relatório conterá uma breve exposição dos fatos e da solução alcançada. e f) pôr-se-á à disposição das partes interessadas. Artigo 49 . pelo voto da maioria absoluta dos seus membros. sua opinião e conclusões sobre a questão submetida à sua consideração. as exposições verbais ou escritas que apresentarem os interessados. e com o fim de comprovar os fatos. Se o relatório não representar. mediante prévio consentimento do Estado em cujo território se alegue houver sido cometida a violação. a Comissão procederá a uma investigação para cuja eficaz realização solicitará. a fim de chegar a uma solução amistosa do assunto. Se não se chegar a uma solução. a um exame do assunto exposto na petição ou comunicação. pode ser realizada uma investigação. fundada no respeito aos direitos reconhecidos nesta Convenção. se isso for solicitado. 2. a Comissão pode formular as proposições e recomendações que julgar adequadas. Se for necessário e conveniente. todas as facilidades necessárias. esta redigirá um relatório no qual exporá os fatos e suas conclusões. aos quais não será facultado publicá-lo. Se qualquer das partes no caso o solicitar. 2. e) poderá pedir aos Estados interessados qualquer informação pertinente e receberá. tão somente com a apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os requisitos formais de admissibilidade. no todo ou em parte. 3. Também se agregarão ao relatório as exposições verbais ou escritas que houverem sido feitas pelos interessados em virtude do inciso 1.c) poderá também declarar a inadmissibilidade ou a improcedência da petição ou comunicação. a partir da remessa aos Estados interessados do relatório da Comissão. e dentro do prazo que for fixado pelo Estatuto da Comissão. a Comissão procederá. em casos graves e urgentes. com base em informação ou prova supervenientes. para sua publicação. a Comissão redigirá um relatório que será encaminhado ao peticionário e aos Estados-partes nesta Convenção e posteriormente transmitido. Ao encaminhar o relatório. o assunto não houver sido solucionado ou submetido à decisão da Corte pela Comissão ou pelo Estado interessado. . aceitando sua competência. Artigo 50 . do artigo 48. Se no prazo de três meses. ao Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos. o acordo unânime dos membros da Comissão. "e". e os Estados interessados lhe proporcionarão. Artigo 51 . d) se o expediente não houver sido arquivado. qualquer deles poderá agregar ao referido relatório seu voto em separado.

2. pelo menos um deles deverá ser nacional do Estado diferente do proponente. Imediatamente depois da referida eleição. . a Comissão decidirá. O juiz eleito para substituir outro. O mandato de três dos juízes designados na primeira eleição expirará ao cabo de três anos. O juiz. Artigo 54 . em votação secreta e pelo voto da maioria absoluta dos Estados-partes na Convenção. 3. completará o período deste.Organização Artigo 52 . A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo dentro do qual o Estado deve tomar as medidas que lhe competir para remediar a situação examinada. 2. Capítulo VIII . na Assembléia Geral. a partir de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados. determinar-se-ão por sorteio. que for nacional de algum dos Estados-partes em caso submetido à Corte. 3. Artigo 55 . pelo voto da maioria absoluta dos seus membros. Entretanto.1. Transcorrido o prazo fixado. conservará o seu direito de conhecer do mesmo. 2. A Corte compor-se-á de sete juízes. nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado-membro da Organização dos Estados Americanos. de reconhecida competência em matéria de direitos humanos.CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS Seção 1 . 2. eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade moral. nacionais dos Estadosmembros da Organização. cujo mandato não haja expirado. Artigo 53 . se o Estado tomou ou não as medidas adequadas e se publica ou não seu relatório. Os juízes permanecerão em suas funções até o término dos seus mandatos. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis anos e só poderão ser reeleitos uma vez.1. que reúnam as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções judiciais. de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais. para tais efeitos. não serão substituídos pelos novos juízes eleitos.1. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade. Cada um dos Estados-partes pode propor até três candidatos. na Assembléia Geral da Organização. os nomes desse três juízes. ou do Estado que os propuser como candidatos. Quando se propuser um lista de três candidatos. Os juízes da Corte serão eleitos. continuarão funcionando nos casos de que já houverem tomado conhecimento e que se encontrem em fase de sentença e.1.

na Assembléia Geral. 5. mas poderá realizar reuniões no território de qualquer Estado-membro da Organização dos Estados Americanos em que considerar conveniente. 2.A Comissão comparecerá em todos os casos perante a Corte. é necessário que sejam esgotados os processos previstos nos artigos 48 a 50. outro Estado-parte no caso poderá designar uma pessoa de sua escolha para integrar a Corte.2. Se vários Estados-partes na Convenção tiverem o mesmo interesse no caso. na qualidade de juiz ad hoc. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado. a Corte decidirá.Competência e funções Artigo 61 . Em caso de dúvida. em consulta com o Secretário da Corte. 3. Seus funcionários serão nomeados pelo Secretário Geral da Organização.1. por dois terços dos seus votos. dentre os juízes chamados a conhecer do caso. Seção 2 .O quorum para as deliberações da Corte é constituído por cinco juízes. Artigo 58 . 2. Todo Estado-parte pode. Para que a Corte possa conhecer de qualquer caso. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir às reuniões que ela realizar fora da mesma. Somente os Estados-partes e a Comissão têm direito de submeter um caso à decisão da Corte. Os Estados-partes na Convenção podem. Artigo 62 . na Assembléia Geral da Organização. para os fins das disposições anteriores. 3. A Corte designará seu Secretário.1. no momento do depósito do seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela.A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e funcionará sob a direção do Secretário Geral da Organização em tudo o que não for incompatível com a independência da Corte. ou em qualquer . Se. 4. nenhum for da nacionalidade dos Estados-partes.1. Artigo 60 . Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de nacionalidade de um dos Estados-partes. mudar a sede da Corte. serão considerados como uma só parte. Artigo 56 . pelos Estados-partes na Convenção. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no artigo 52. Artigo 57 . pela maioria dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Estado respectivo. Artigo 59 . cada um destes poderá designar um juiz ad hoc.A Corte elaborará seu Estatuto e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e expedirá seu Regimento.

Artigo 64 . reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. Também poderão consultá-la. que lhe seja submetido. um relatório sobre as suas atividades no ano anterior. poderá atuar a pedido da Comissão. 3. a Corte determinará que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados. ou sob condição de reciprocidade. A sentença da Corte deve ser fundamentada. .A Corte submeterá à consideração da Assembléia Geral da Organização. declarar que reconhece como obrigatória. seja por declaração especial.1. a Corte.Processo Artigo 66 . se isso for procedente. seja por convenção especial. de pleno direito e sem convenção especial. Deverá ser apresentada ao Secretário Geral da Organização. desde que os Estados-partes no caso tenham reconhecido ou reconheçam a referida competência. A declaração pode ser feita incondicionalmente. bem como o pagamento de indenização justa à parte lesada. 2. que sejam reparadas as consequências da medida ou situação que haja configurado a violação desses direitos. poderá tomar as medidas provisórias que considerar pertinentes. 2.1.momento posterior. Seção 3 . Em casos de extrema gravidade e urgência. em cada período ordinário de sessões. Determinará também. que encaminhará cópias da mesma a outros Estados-membros da Organização e ao Secretário da Corte. por prazo determinado ou para casos específicos. 2. no que lhes compete. A Corte tem competência para conhecer de qualquer caso. e quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas. Quando decidir que houve violação de um direito ou liberdade protegidos nesta Convenção. poderá emitir pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os mencionados instrumentos internacionais. A Corte. indicará os casos em que um Estado não tenha dado cumprimento a suas sentenças.1. os órgãos enumerados no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos. a competência da Corte em todos os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção. relativo à interpretação e aplicação das disposições desta Convenção. nos assuntos de que estiver conhecendo. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos ao seu conhecimento. De maneira especial. Artigo 65 . Os Estados-membros da Organização poderão consultar a Corte sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados concernentes à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos. e com as recomendações pertinentes. Artigo 63 . a pedido de um Estado-membro da Organização. como prevêem os incisos anteriores.

Os cargos de juiz da Corte ou de membro da Comissão são incompatíveis com outras atividades que possam afetar sua independência ou imparcialidade. Para tais efeitos. além disso. cabe à Assembléia Geral da Organização resolver sobre as sanções aplicáveis aos membros da Comissão ou aos juízes da Corte que incorrerem nos casos previstos nos respectivos Estatutos. Tais honorários e despesas de viagem serão fixados no orçamento-programa da Organização dos Estados Americanos. 2. no caso dos membros da . conforme o caso. Os juízes da Corte e os membros da Comissão gozam. a pedido de qualquer das partes. Artigo 69 . conforme o que for determinado nos respectivos Estatutos.DISPOSIÇÕES COMUNS Artigo 70 . nem dos membros da Comissão. Em caso de divergência sobre o sentido ou alcance da sentença.A sentença da Corte será definitiva e inapelável.2. a Corte interpretá-la-á.1. dos privilégios diplomáticos necessários para o desempenho de suas funções. das imunidades reconhecidas aos agentes diplomáticos pelo Direito Internacional. Para expedir uma resolução. Durante o exercício dos seus cargos gozam. Esta última não poderá nele introduzir modificações. Não se poderá exigir responsabilidade em tempo algum dos juízes da Corte. será necessária maioria de dois terços dos votos dos Estados-membros da Organização. 2. Artigo 72 . Artigo 68 . desde o momento da eleição e enquanto durar o seu mandato. por intermédio da Secretaria Geral.A sentença da Corte deve ser notificada às partes no caso e transmitida aos Estados-partes na Convenção. Se a sentença não expressar no todo ou em parte a opinião unânime dos juízes. Artigo 71 . qualquer deles terá direito a que se agregue à sentença o seu voto dissidente ou individual.Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão honorários e despesas de viagem na forma e nas condições que determinarem os seus Estatutos. desde que o pedido seja apresentado dentro de noventa dias a partir da data da notificação da sentença. as despesas da Corte e da sua Secretaria. Os Estados-partes na Convenção comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes. por votos e opiniões emitidos no exercício de suas funções. no qual devem ser incluídas. Artigo 73 . além disso. a Corte elaborará o seu próprio projeto de orçamento e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral. levando em conta a importância e independência de suas funções.Somente por solicitação da Comissão ou da Corte.1. Capítulo IX . Artigo 67 . A parte da sentença que determinar indenização compensatória poderá ser executada no país respectivo pelo processo interno vigente para a execução de sentenças contra o Estado.

por intermédio do Secretário Geral. Cada Protocolo deve estabelecer as modalidades de sua entrada em vigor e será aplicado somente entre os Estados-partes no mesmo. se se tratar dos juízes da Corte. diretamente.1. de dois terços dos votos dos Estados-partes na Convenção. Artigo 77 . A ratificação desta Convenção ou a adesão a ela efetuar-se-á mediante depósito de um instrumento de ratificação ou adesão na Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos. além disso. a partir da data em vigor da mesma e mediante aviso prévio de um ano. proposta de emendas a esta Convenção. Artigo 75 . Os Estados-partes poderão denunciar esta Convenção depois de expirado o prazo de cinco anos.1. assinada em 23 de maio de 1969. o qual deve informar as outras partes.Comissão. podem submeter à Assembléia Geral. O Secretário Geral comunicará todos os Estados-membros da Organização sobre a entrada em vigor da Convenção. e. Com referência a qualquer outro Estado que a ratificar ou que a ela aderir ulteriormente. outros direitos e liberdades. . e a Comissão e a Corte. Esta Convenção está aberta à assinatura e à ratificação de todos os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos. 2. Artigo 76 . na data em que houver sido depositado o respectivo instrumento de ratificação. por dois terços dos Estados-partes nesta Convenção.DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS Capítulo X . no regime de proteção da mesma. PARTE III . para o que julgarem conveniente. Tais emendas entrarão em vigor para os Estados que as ratificarem. Artigo 78 . Esta Convenção entrará em vigor logo que onze Estados houverem depositado os seus respectivos instrumentos de ratificação ou de adesão. PROTOCOLO E DENÚNCIA Artigo 74 . com a finalidade de incluir progressivamente.1. notificando o Secretário Geral da Organização. RATIFICAÇÃO. 2. Qualquer Estado-parte.ASSINATURA. entrarão em vigor na data em que eles depositarem os seus respectivos instrumentos de ratificação. a Convenção entrará em vigor na data do depósito do seu instrumento de ratificação ou adesão.1. RESERVA. qualquer Estado-parte e a Comissão podem submeter à consideração dos Estados-partes reunidos por ocasião da Assembléia Geral projetos de Protocolos adicionais a esta Convenção. 3. EMENDA. Quanto aos outros Estados-partes.Esta Convenção só pode ser objeto de reservas em conformidade com as disposições da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. 2. De acordo com a faculdade estabelecida no artigo 31.

para eleger todos os membros da Comissão.Ao entrar em vigor esta Convenção. O Secretário Geral preparará uma lista por ordem alfabética dos candidatos apresentados e a encaminhará aos Estadospartes pelo menos trinta dias antes da Assembléia Geral seguinte. . for necessário realizar várias votações.Comissão Interamericana de Direitos Humanos Artigo 79 . podendo constituir violação dessas obrigações.A eleição dos membros da Comissão far-se-á dentre os candidatos que figurem na lista a que se refere o artigo 79. na Assembléia Geral. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o Estado-parte interessado das obrigações contidas nesta Convenção. Artigo 82 . pelo menos trinta dias antes da Assembléia Geral seguinte.Corte Interamericana de Direitos Humanos Artigo 81 . seus candidatos a membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. os candidatos que receberem maior número de votos.2. os candidatos que receberem menor número de votos. serão eliminados sucessivamente. por votação secreta dos Estados-partes. houver sido cometido por ele anteriormente à data na qual a denúncia produzir efeito. o Secretário Geral pedirá a cada Estado-parte que apresente.A eleição dos juízes da Corte far-se-á dentre os candidatos que figurem na lista a que se refere o artigo 81. Se. O Secretário Geral preparará uma lista por ordem alfabética dos candidatos apresentados e a encaminhará aos Estados-membros da Organização. e serão declarados eleitos os candidatos que obtiverem o maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados-partes. for necessário realizar várias votações. no que diz respeito a qualquer ato que. dentro de um prazo de noventa dias. o Secretário Geral pedirá por escrito a cada Estado-membro da Organização que apresente. na forma que for determinada pelos Estados-partes. dentro de um prazo de noventa dias. e serão declarados eleitos os candidatos que obtiverem maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados-membros. Seção 2 . seus candidatos a juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos. serão eliminados sucessivamente. por votação secreta da Assembléia Geral. para eleger todos os juízes da Corte. Se. Capítulo XI DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Seção 1 . na forma que for determinada pela Assembléia Geral.Ao entrar em vigor esta Convenção. Artigo 80 .

Aprova o Programa Nacional de Direitos Humanos . e c) Diretriz 3: Integração e ampliação dos sistemas de informações em Direitos Humanos e construção de mecanismos de avaliação e monitoramento de sua efetivação.Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigualdades: a) Diretriz 7: Garantia dos Direitos Humanos de forma universal. assegurando a cidadania plena. e c) Diretriz 6: Promover e proteger os direitos ambientais como Direitos Humanos. Acesso à Justiça e Combate à Violência: a) Diretriz 11: Democratização e modernização do sistema de segurança pública.PNDH-3 e dá outras providências. de forma não discriminatória. incluindo as gerações futuras como sujeitos de direitos. em consonância com as diretrizes. objetivos estratégicos e ações programáticas estabelecidos. participativo e não discriminatório. II .037. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. 1 Fica aprovado o Programa Nacional de Direitos Humanos . 84. da Constituição. assegurando seu direito de opinião e participação. DECRETA: Art. e d) Diretriz 10: Garantia da igualdade na diversidade. b) Diretriz 8: Promoção dos direitos de crianças e adolescentes para o seu desenvolvimento integral. na forma do Anexo deste Decreto. com inclusão social e econômica. indivisível e interdependente. cultural e regionalmente diverso. o o . DE 21 DE DEZEMBRO DE 2009. IV . alínea “a”.Eixo Orientador IV: Segurança Pública. inciso VI. b) Diretriz 2: Fortalecimento dos Direitos Humanos como instrumento transversal das políticas públicas e de interação democrática.DECRETO Nº 7. b) Diretriz 5: Valorização da pessoa humana como sujeito central do processo de desenvolvimento. c) Diretriz 9: Combate às desigualdades estruturais. ambientalmente equilibrado e tecnologicamente responsável.Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos: a) Diretriz 4: Efetivação de modelo de desenvolvimento sustentável.PNDH-3.Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade civil: a) Diretriz 1: Interação democrática entre Estado e sociedade civil como instrumento de fortalecimento da democracia participativa. no uso da atribuição que lhe confere o art. 2 O PNDH-3 será implementado de acordo com os seguintes eixos orientadores e suas respectivas diretrizes: I . Art. III .

c) Diretriz 20: Reconhecimento da educação não formal como espaço de defesa e promoção dos Direitos Humanos. Art. fortalecendo a democracia. e c) Diretriz 25: Modernização da legislação relacionada com promoção do direito à memória e à verdade. com a finalidade de: o o . com ênfase na erradicação da tortura e na redução da letalidade policial e carcerária. ágil e efetivo.Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos: a) Diretriz 18: Efetivação das diretrizes e dos princípios da política nacional de educação em Direitos Humanos para fortalecer uma cultura de direitos. f) Diretriz 16: Modernização da política de execução penal. prazos e recursos necessários para a implementação do PNDH-3 serão definidos e aprovados em Planos de Ação de Direitos Humanos bianuais. priorizando a aplicação de penas e medidas alternativas à privação de liberdade e melhoria do sistema penitenciário. e e) Diretriz 22: Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos. para o conhecimento. 3 As metas. Art. A implementação do PNDH-3. Parágrafo único. d) Diretriz 14: Combate à violência institucional. d) Diretriz 21: Promoção da Educação em Direitos Humanos no serviço público. nas instituições de ensino superior e nas instituições formadoras. b) Diretriz 24: Preservação da memória histórica e construção pública da verdade. a garantia e a defesa de direitos.b) Diretriz 12: Transparência e participação popular no sistema de segurança pública e justiça criminal. além dos responsáveis nele indicados. V . b) Diretriz 19: Fortalecimento dos princípios da democracia e dos Direitos Humanos nos sistemas de educação básica. e g) Diretriz 17: Promoção de sistema de justiça mais acessível.Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade: a) Diretriz 23: Reconhecimento da memória e da verdade como Direito Humano da cidadania e dever do Estado. envolve parcerias com outros órgãos federais relacionados com os temas tratados nos eixos orientadores e suas diretrizes. e VI . e) Diretriz 15: Garantia dos direitos das vítimas de crimes e de proteção das pessoas ameaçadas. 4 Fica instituído o Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3. c) Diretriz 13: Prevenção da violência e da criminalidade e profissionalização da investigação de atos criminosos.

Ministério da Cultura. e V .Ministério das Comunicações. VI . XV .Ministério do Esporte. XVII .Ministério da Educação.Ministério do Turismo. VII . V .elaborar e aprovar seu regimento interno. XVIII .Ministério do Trabalho e Emprego. II .I .Ministério da Justiça.Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. II . XIV .Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. IV .estabelecer indicadores para o acompanhamento. indicados pelos respectivos titulares: I . XIII .Ministério da Saúde. VIII .Ministério das Cidades. que o coordenará. IX .Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.Ministério do Meio Ambiente. XI .elaborar os Planos de Ação dos Direitos Humanos.Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. o . III . XII . § 1 O Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3 será integrado por um representante e respectivo suplente de cada órgão a seguir descrito.promover a articulação entre os órgãos e entidades envolvidos na implementação das suas ações programáticas. XVI . monitoramento e avaliação dos Planos de Ação dos Direitos Humanos.Ministério da Previdência Social. X .Ministério da Pesca e Aqüicultura.Secretaria-Geral da Presidência da República.acompanhar a implementação das ações e recomendações. III . IV .Ministério do Desenvolvimento Agrário.Ministério das Relações Exteriores. XIX .

de 13 de maio de 2002. Por isso. porém. o crescimento do PIB não é suficiente para causar. Durante muitos anos. Não existe modelo único e preestabelecido de desenvolvimento. Brasília. As privações das liberdades não são apenas resultantes da escassez de recursos. Art. § 3 O Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3 poderá constituir subcomitês temáticos para a execução de suas atividades. automaticamente. foi usado como indicador relevante para medir o avanço de um país. Acreditava-se que. que poderão contar com a participação de representantes de outros órgãos do Governo Federal. pressupõe-se que ele deva garantir a livre determinação dos povos. 21 de dezembro de 2009. de fato. refletindo transições de estágios mais baixos para estágios mais altos. 7 Fica revogado o Decreto n 4. melhoria do bem estar para todas as camadas sociais. melhorias nas condições de vida dos indivíduos. embora importante. São essenciais para o desenvolvimento as liberdades e os direitos básicos como alimentação.229. o conceito de desenvolvimento foi adotado por ser mais abrangente e refletir. que. Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos O tema "desenvolvimento" tem sido amplamente debatido por ser um conceito complexo e multidisciplinar. 6 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Este conceito de desenvolvimento reconhece seu caráter pluralista e a tese de que a expansão das liberdades não representa somente um fim.Ministério da Ciência e Tecnologia. respeito pleno à sua identidade cultural e a busca de equidade na distribuição das riquezas. nos direitos do ser humano. A teoria predominante de desenvolvimento econômico o define como um processo que faz aumentar as possibilidades de acesso das pessoas a bens e serviços. que abordam o desenvolvimento como liberdade e seus resultados centrados no bem estar social e. uma vez garantido o aumento de bens e serviços. e XXI . § 4 O Comitê convidará representantes dos demais Poderes. Art. serão convidados a aderir ao PNDH-3.XX . medido pela variação anual do Produto Interno Bruto (PIB). o crescimento econômico. o reconhecimento de soberania sobre seus recursos e riquezas naturais. mas sim das desigualdades inerentes aos mecanismos de distribuição. da ausência de serviços públicos e de assistência do Estado para a expansão das escolhas individuais. mas também o meio para seu o o o o o o o o o . Art. sua distribuição ocorreria de forma a satisfazer as necessidades de todas as pessoas. o Distrito Federal. da sociedade civil e dos entes federados para participarem de suas reuniões e atividades. por meio da adoção de novas tecnologias que permitem e favorecem essa transição. do Poder Judiciário e do Ministério Público. porém. propiciadas pela expansão da capacidade e do âmbito das atividades econômicas. O desenvolvimento seria a medida qualitativa do progresso da economia de um país. Constatou-se. por conseguinte. 5 Os Estados. § 2 O Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República designará os representantes do Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3. os Municípios e os órgãos do Poder Legislativo. saúde e educação. 188 da Independência e 121 da República. Cresce nos últimos anos a assimilação das idéias desenvolvidas por Amartya Sem.Ministério de Minas e Energia.

É necessário que o modelo de desenvolvimento econômico tenha a preocupação de aperfeiçoar os mecanismos de distribuição de renda e de oportunidades para todos os brasileiros. pela primeira vez. Assim. Os debates sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global. e incorporando a preocupação com a preservação e a sustentabilidade como eixos estruturantes de proposta renovada de progresso. ao fomento da aquicultura. a medição de um índice de desenvolvimento humano veio substituir a medição de aumento do PIB. à vida cultural. Nesse sentido. dos bens e serviços. assim como prevê ações mitigatórias e compensatórias. por muitos anos o crescimento econômico não levou à distribuição justa de renda e riqueza. Considera fundamental fiscalizar o respeito aos Direitos Humanos nos projetos implementados pelas empresas transnacionais. culturais e ambientais. uma vez que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) combina a riqueza per capita indicada pelo PIB aos aspectos de educação e expectativa de vida. permitindo. em grande parte. dos poluentes . sociais. Motiva a passar da consideração de problemas individuais a questões de interesse comum. este capítulo do PNDH-3 propõe instrumentos de avanço e reforça propostas para políticas públicas de redução das desigualdades sociais concretizadas por meio de ações de transferência de renda. No caso do Brasil. mantendo-se elevados índices de desigualdade. buscando a garantia do acesso ao trabalho. A partir daí. O PNDH-3 inova ao incorporar o meio ambiente saudável e as cidades sustentáveis como Direitos Humanos. A inclusão do tema Desenvolvimento e a Direitos Humanos na 11 Conferência Nacional reforçou as estratégias governamentais em sua proposta de desenvolvimento. incorporando a relação entre os direitos econômicos. As ações de Estado voltadas para a conquista da igualdade socioeconômica requerem ainda políticas permanentes. à expansão da reforma agrária. incentivo à economia solidária e ao cooperativismo. da pesca e do extrativismo e da promoção do turismo sustentável. bem como incorpore os valores de preservação ambiental. baseados. sem a preocupação com a potencial violação dos direitos de pequenos e médios agricultores e das populações tradicionais. Todo esse debate traz desafios para a conceituação sobre os Direitos Humanos no sentido de incorporar o desenvolvimento como exigência fundamental. assim como fomenta pesquisas de tecnologias socialmente inclusivas. Nos projetos e empreendimentos com grande impacto socioambiental. Esses direitos têm como foco a distribuição da riqueza. a sociedade deve pactuar as políticas sociais e os direitos coletivos de acesso e uso dos recursos. à previdência. para que se verifique a plena proteção e promoção dos Direitos Humanos. A perspectiva dos Direitos Humanos contribui para redimensionar o desenvolvimento. Em consequência. o PNDH-3 garante a participação efetiva das populações atingidas. avalia como importante mensurar o impacto da biotecnologia aplicada aos alimentos. de bem-estar coletivo. uma avaliação de aspectos sociais não mensurados pelos padrões econométricos. de longa duração. no agronegócio. está na agenda do dia. à alimentação. bem como seus impactos na manipulação das políticas de desenvolvimento. sociais. pressupondo a garantia de acesso de todos os indivíduos aos direitos econômicos. gerados pela preocupação com a maneira com que os países vêm explorando os recursos naturais e direcionando o progresso civilizatório. à moradia adequada. da nanotecnologia. O desenvolvimento pode ser garantido se as pessoas forem protagonistas do processo. à educação. Ressaltamos que a noção de desenvolvimento está sendo amadurecida como parte de um debate em curso na sociedade e no governo. à saúde. Esta discussão coloca em questão os investimentos em infraestrutura e modelos de desenvolvimento econômico na área rural.alcance. propõe a inclusão do item "direitos ambientais" nos relatórios de monitoramento sobre Direitos Humanos e do item "Direitos Humanos" nos relatórios ambientais. culturais e ambientais. à assistência social e a um meio ambiente sustentável. o que alude novamente o Estado e o chama à corresponsabilidade social e à solidariedade.

Diretriz 4: Efetivação de modelo de desenvolvimento sustentável. como instrumento de garantia de priorização orçamentária de programas sociais. com direitos e responsabilidades. com inclusão social e econômica. cultural e regionalmente diverso. . Alcançar o desenvolvimento com Direitos Humanos é capacitar as pessoas e as comunidades a exercerem a cidadania. como forma de inclusão social e acesso aos direitos básicos. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome f)Fortalecer políticas públicas de apoio ao extrativismo e ao manejo florestal comunitário ambientalmente sustentáveis. Ações programáticas: a)Ampliar e fortalecer as políticas de desenvolvimento social e de combate à fome. Objetivo estratégico I: Implementação de políticas públicas de desenvolvimento com inclusão social. garantindo a segurança alimentar e nutricional. visando a inclusão e a promoção da cidadania. de cooperativismo e associativismo e de fomento a pequenas e micro empresas. Por fim. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome c)Apoiar projetos de desenvolvimento sustentável local para redução das desigualdades inter e intrarregionais e o aumento da autonomia e sustentabilidade de espaços sub-regionais. de forma articulada com as políticas de saúde. a própria população brasileira. Ministério do Desenvolvimento Agrário. por meio de participação ativa nas decisões que afetam diretamente suas vidas. É assegurar a transparência dos grandes projetos de desenvolvimento econômico e mecanismos de compensação para a garantia dos Direitos Humanos das populações diretamente atingidas. nos projetos. meio ambiente e fomento à produção alimentar. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome b)Expandir políticas públicas de geração e transferência de renda para erradicação da extrema pobreza e redução da pobreza. metais pesados e outros poluentes inorgânicos em relação aos Direitos Humanos. este PNDH-3 reforça o papel da equidade no Plano Plurianual. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Ministério do Desenvolvimento Agrário d)Avançar na implantação da reforma agrária. É incorporar. ambientalmente equilibrado e tecnologicamente responsável. Ministério das Cidades. educação. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Agrário e)Incentivar as políticas públicas de economia solidária.orgânicos persistentes. participativo e não discriminatório. renda mínima e assistência integral às famílias.

quilombolas. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério do Desenvolvimento. Ministério da Pesca e Aquicultura. Ministério de Minas e Energia. assentados da reforma agrária. Ministério do Desenvolvimento Agrário. bem como todas as formas de violência e exploração sexual de crianças e adolescentes nas cadeias produtivas. Indústria e Comércio Exterior . Ministério da Justiça. Ministério do Meio Ambiente. Ministério das Cidades. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Ministério da Cultura. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Ministério da Integração Nacional. Ministério do Desenvolvimento Agrário. respeito à cultura local. Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República l)Fortalecer políticas públicas de fomento à aquicultura e à pesca sustentáveis. participação e inclusão dos povos e das comunidades nos benefícios advindos da atividade turística. Indústria e Comércio Exterior g)Fomentar o debate sobre a expansão de plantios de monoculturas que geram impacto no meio ambiente e na cultura dos povos e comunidades tradicionais. Responsáveis: Ministério da Pesca e Aquicultura. com base em códigos de conduta e no Estatuto da Criança e do Adolescente. em especial de catadores de materiais recicláveis e população em situação de rua. turismo e pesca. Ministério do Trabalho e Emprego. mineração. Ministério do Desenvolvimento. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. soja. tais como eucalipto. conforme previsto na Constituição e nos tratados e convenções internacionais. com foco nos povos e comunidades tradicionais de baixa renda. Ministério do Turismo i)Garantir que os grandes empreendimentos e projetos de infraestrutura resguardem os direitos dos povos indígenas e de comunidades quilombolas e tradicionais. Ministério do Meio Ambiente. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. famílias de pescadores e comunidades tradicionais. Responsáveis: Ministério da Justiça. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Especial de Portos da Presidência da República j)Integrar políticas de geração de emprego e renda e políticas sociais para o combate à pobreza rural dos agricultores familiares. e sobre o manejo florestal. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República h)Erradicar o trabalho infantil. mediante a criação e geração de trabalho e renda alternativos e inserção no mercado de trabalho. a grande pecuária. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome m)Promover o turismo sustentável com geração de trabalho e renda. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério da Pesca e Aquicultura k)Integrar políticas sociais e de geração de emprego e renda para o combate à pobreza urbana. cana-de-açúcar.Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente. Ministério dos Transportes. contribuindo para a segurança alimentar e a inclusão social. indígenas. Responsáveis: Ministério do Turismo.

Objetivo estratégico II: Fortalecimento de modelos de agricultura familiar e agroecológica. agroecologia e produção orgânica. Ministério do Desenvolvimento. Responsáveis: Ministério da Educação. Pecuária e Abastecimento. Ministério do Desenvolvimento Agrário Objetivo estratégico III: Fomento à pesquisa e à implementação de políticas para o desenvolvimento de tecnologias socialmente inclusivas. respeitando as especificidades de cada região. do seguro. Indústria e Comércio Exterior d)Fortalecer a legislação e a fiscalização para evitar a contaminação dos alimentos e danos à saúde e ao meio ambiente causados pelos agrotóxicos. Ministério da Saúde . Ações programáticas: a)Garantir que nos projetos de reforma agrária e agricultura familiar sejam incentivados os modelos de produção agroecológica e a inserção produtiva nos mercados formais. da assistência técnica. Ministério da Agricultura. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ministério da Pesca e Aquicultura. Indústria e Comércio Exterior b)Fortalecer a agricultura familiar camponesa e a pesca artesanal. Ministério do Desenvolvimento Agrário e)Promover o debate com as instituições de ensino superior e a sociedade civil para a implementação de cursos e realização de pesquisas tecnológicas voltados à temática socioambiental. emancipatórias e ambientalmente sustentáveis. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Ministério do Meio Ambiente. Responsáveis: Ministério da Agricultura. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ministério do Desenvolvimento. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ministério da Pesca e Aquicultura c)Garantir pesquisa e programas voltados à agricultura familiar e pesca artesanal. Ministério da Saúde. Ministério do Meio Ambiente. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ações programáticas: a)Adotar tecnologias sociais de baixo custo e fácil aplicabilidade nas políticas e ações públicas para a geração de renda e para a solução de problemas socioambientais e de saúde pública. com ampliação do crédito. com base nos princípios da agroecologia. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário. Pecuária e Abastecimento. extensão rural e da infraestrutura para comercialização. Ministério do Meio Ambiente.

sistematizar e divulgar pesquisas econômicas e metodologias de cálculo de custos socioambientais de projetos de infraestrutura. Ministério do Desenvolvimento. Ministério da Saúde. Responsável: Ministério das Cidades c)Fomentar políticas públicas de apoio aos Estados. Indústria e Comércio Exterior d)Fomentar tecnologias de gerenciamento de resíduos sólidos e emissões atmosféricas para minimizar impactos à saúde e ao meio ambiente. Distrito Federal e Municípios em ações sustentáveis de urbanização e regularização fundiária dos assentamentos de população . de energia e de mineração que sirvam como parâmetro para o controle dos impactos de grandes projetos. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério da Agricultura. Pecuária e Abastecimento. Pecuária e Abastecimento. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Responsáveis: Ministério da Saúde. como poluentes orgânicos persistentes. Responsáveis: Ministério de Ciência e Tecnologia. Indústria e Comércio Exterior b)Fortalecer espaços institucionais democráticos. Responsáveis: Ministério de Ciência e Tecnologia. Ações programáticas: a)Apoiar ações que tenham como princípio o direito a cidades inclusivas e acessíveis como elemento fundamental da implementação de políticas urbanas.b)Garantir a aplicação do princípio da precaução na proteção da agrobiodiversidade e da saúde. Responsáveis: Ministério das Cidades. Ministério da Agricultura. Ministério da Saúde. Ministério do Meio Ambiente. Ministério do Desenvolvimento. Ministério do Meio Ambiente. Ministério do Meio Ambiente. metais pesados e outros poluentes inorgânicos. realizando pesquisas que avaliem os impactos dos transgênicos no meio ambiente e na saúde. Ministério de Ciência e Tecnologia c)Fomentar tecnologias alternativas para substituir o uso de substâncias danosas à saúde e ao meio ambiente. Ministério da Integração Nacional Objetivo estratégico IV: Garantia do direito a cidades inclusivas e sustentáveis. Ministério do Meio Ambiente. Responsáveis: Ministério da Ciência e Tecnologia. Ministério do Meio Ambiente. participativos e de apoio aos Municípios para a implementação de planos diretores que atendam aos preceitos da política urbana estabelecidos no Estatuto da Cidade. Ministério da Saúde. Ministério de Minas e Energia. Ministério de Ciência e Tecnologia f)Produzir. Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Ministério das Cidades e)Desenvolver e divulgar pesquisas públicas para diagnosticar os impactos da biotecnologia e da nanotecnologia em temas de Direitos Humanos.

em espaços urbanos e periurbanos ociosos e fomentar a mobilização comunitária para a implementação de hortas. Ministério do Meio Ambiente f)Fomentar políticas e ações públicas voltadas à mobilidade urbana sustentável. triagem. que beneficiem as famílias dos catadores. canteiros de ervas medicinais. criação de pequenos animais. Objetivo estratégico I: Garantia da participação e do controle social nas políticas públicas de desenvolvimento com grande impacto socioambiental. Responsáveis: Ministério das Cidades. materializando a função social da propriedade. reciclagem e a destinação seletiva de resíduos sólidos e líquidos. com a organização de cooperativas de reciclagem. unidades de processamento e beneficiamento agroalimentar. Orçamento e Gestão. comunidades pesqueiras e de provisão habitacional de interesse social. Ministério do Meio Ambiente. Responsáveis: Ministério das Cidades. viveiros. com uso de tecnologias de bases agroecológicas. Ministério do Trabalho e Emprego. visando à disponibilização de áreas e prédios desocupados pertencentes à União. Ações programáticas: . Ministério do Meio Ambiente. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Responsáveis: Ministério das Cidades. pomares. Responsáveis: Ministério da Saúde.de baixa renda. Ministério das Cidades. feiras e mercados públicos populares. Ministério do Trabalho e Emprego. a fim de serem transformados em infraestrutura produtiva para essas organizações. reaproveitamento. com participação da sociedade civil. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome i)Estimular a produção de alimentos de forma comunitária. Responsável: Ministério das Cidades g)Considerar na elaboração de políticas públicas de desenvolvimento urbano os impactos na saúde pública. Ministério das Cidades h)Fomentar políticas públicas de apoio às organizações de catadores de materiais recicláveis. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Responsáveis: Ministério do Planejamento. Ministério da Agricultura. Ministério da Pesca e Aquicultura d)Fortalecer a articulação entre os órgãos de governo e os consórcios municipais para atuar na política de saneamento ambiental. Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e)Fortalecer a política de coleta. Pecuária e Abastecimento Diretriz 5: Valorização da pessoa humana como sujeito central do processo de desenvolvimento.

Responsáveis: Ministério da Integração Nacional. Ministério da Integração Nacional. especialmente na definição das ações mitigadoras e compensatórias por impactos sociais e ambientais. Ministério da Saúde h)Promover e fortalecer ações de proteção às populações mais pobres da convivência com áreas contaminadas. incorporando o sócio e etnozoneamento. Ministério de Minas e Energia. de forma a garantir o direito à saúde do trabalhador. Ministério de Minas e Energia. Ministério das Cidades. Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República f)Definir mecanismos para a garantia dos Direitos Humanos das populações diretamente atingidas e vizinhas aos empreendimentos de impactos sociais e ambientais. enfrentando o quadro atual de injustiça ambiental que atinge principalmente as populações mais pobres. Ministério do Trabalho e Emprego. Responsáveis: Ministério dos Transportes. Ministério da Saúde Objetivo estratégico II: Afirmação dos princípios da dignidade humana e da equidade como fundamentos do processo de desenvolvimento nacional. para viabilizar o controle social. . resguardando-as contra essa ameaça e assegurando-lhes seus direitos fundamentais. e dos recursos utilizados nos grandes projetos econômicos. Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. em todas as suas etapas. Ministério do Meio Ambiente d)Assegurar a transparência dos projetos realizados. Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República g)Apoiar a incorporação dos sindicatos de trabalhadores e centrais sindicais nos processos de licenciamento ambiental de empresas. Ministério do Meio Ambiente b)Assegurar participação efetiva da população na elaboração dos instrumentos de gestão territorial e na análise e controle dos processos de licenciamento urbanístico e ambiental de empreendimentos de impacto.a)Fortalecer ações que valorizem a pessoa humana como sujeito central do desenvolvimento. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e)Garantir a exigência de capacitação qualificada e participativa das comunidades afetadas nos projetos básicos de obras e empreendimentos com impactos sociais e ambientais. Ministério das Cidades c)Fomentar a elaboração do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE). Responsáveis: Ministério das Cidades.

Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e)Ampliar a adesão de empresas ao compromisso de responsabilidade social e Direitos Humanos. Ministério do Desenvolvimento. Ministério de Minas e Energia. . Responsáveis: Ministério da Justiça. Ministério da Agricultura. Indústria e Comércio Exterior. Ministério da Fazenda c)Garantir o direito à informação do consumidor. Responsável: Ministério do Planejamento. Ministério da Educação. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.Ações programáticas: a)Reforçar o papel do Plano Plurianual como instrumento de consolidação dos Direitos Humanos e de enfrentamento da concentração de renda e riqueza e de promoção da inclusão da população de baixa renda. Responsáveis: Ministério da Fazenda. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério das Cidades b)Fortalecer o sistema brasileiro de defesa da concorrência para coibir condutas anticompetitivas e concentradoras de renda. Pecuária e Abastecimento d)Fortalecer o combate à fraude e a avaliação da conformidade dos produtos e serviços no mercado. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República d)Regulamentar a taxação do imposto sobre grandes fortunas previsto na Constituição. Orçamento e Gestão b)Reforçar os critérios da equidade e da prevalência dos Direitos Humanos como prioritários na avaliação da programação orçamentária de ação ou autorização de gastos. Ações programáticas: a)Garantir o acesso universal a serviços públicos essenciais de qualidade. Indústria e Comércio Exterior Objetivo estratégico III: Fortalecimento dos direitos econômicos por meio de políticas públicas de defesa da concorrência e de proteção do consumidor. Ministério do Desenvolvimento. Responsáveis: Ministério da Saúde. Responsáveis: Ministério da Justiça. inclusive a rotulagem dos transgênicos. Orçamento e Gestão c)Instituir código de conduta em Direitos Humanos para ser considerado no âmbito do poder público como critério para a contratação e financiamento de empresas. fortalecendo as ações de acompanhamento de mercado. Responsável: Ministério do Planejamento.

Ações programáticas: a)Incluir o item Direito Ambiental nos relatórios de monitoramento dos Direitos Humanos. Responsável: Ministério do Meio Ambiente d)Implementar e ampliar políticas públicas voltadas para a recuperação de áreas degradadas e áreas de desmatamento nas zonas urbanas e rurais. Objetivo estratégico I: Afirmação dos direitos ambientais como Direitos Humanos.Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério do Meio Ambiente c)Assegurar a proteção dos direitos ambientais e dos Direitos Humanos no Código Florestal. Responsável: Ministério do Meio Ambiente f)Garantir o efetivo acesso a informação sobre a degradação e os riscos ambientais. Ministério do Meio Ambiente Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigualdades . Ministério do Meio Ambiente b)Incluir o tema dos Direitos Humanos nos instrumentos e relatórios dos órgãos ambientais. Indústria e Comércio Exterior Diretriz 6: Promover e proteger os direitos ambientais como Direitos Humanos. incluindo as gerações futuras como sujeitos de direitos. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Responsáveis: Ministério do Meio Ambiente. Ministério do Trabalho e Emprego. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério do Desenvolvimento. Responsável: Ministério do Meio Ambiente g)Integrar os atores envolvidos no combate ao trabalho escravo nas operações correntes de fiscalização ao desmatamento e ao corte ilegal de madeira. e ampliar e articular as bases de informações dos entes federados e produzir informativos em linguagem acessível. controlando a interferência das atividades humanas (antrópicas) no sistema climático. Ministério das Cidades e)Fortalecer ações que estabilizem a concentração de gases de efeito estufa em nível que permita a adaptação natural dos ecossistemas à mudança do clima.

ciganos. ribeirinhos. entre outros. pessoas idosas. propostas de criação de indicadores que possam mensurar a efetivação progressiva dos direitos. até secular. lésbicas. fundamentais para garantir o respeito à dignidade humana. transexuais. o peso negativo do passado continua a projetar no presente uma situação de profunda iniquidade social. esporte e saúde. Caso contrário. para valorizar a . gays. Os objetivos estratégicos direcionados à promoção da cidadania plena preconizam a universalidade. práticas que continuam a ecoar em comportamentos. medidas e políticas que devem ser efetivadas para reconhecer e proteger os indivíduos como iguais na diferença. alimentação adequada. As ações programáticas formuladas visam enfrentar o desafio de eliminar as desigualdades. lazer. pessoas com deficiência. adolescentes. para que a implementação dos direitos civis e políticos transitem pelas diversas dimensões dos direitos econômicos. que muitas vezes se manifesta sob a forma de violência contra sujeitos que são histórica e estruturalmente vulnerabilizados. À luz da história dos movimentos sociais e de programas de governo. sociais. pela escravidão e por períodos ditatoriais. leis e na realidade social. Porém. ou seja. nas vicissitudes ocorridas no cumprimento da Declaração pelos Estados signatários. as ações afirmativas constituem medidas especiais e temporárias que buscam remediar um passado discriminatório. O acesso aos direitos fundamentais continua enfrentando barreiras estruturais. trabalho decente. neste capítulo. bissexuais. participação política. mulheres. O acesso aos direitos de registro civil. Há. O PNDH-3 assimila os grandes avanços conquistados ao longo destes últimos anos. Definem-se. como forma capaz de estimular a inclusão de grupos socialmente vulneráveis. os Direitos Humanos passaram a ocupar uma posição de destaque no ordenamento jurídico. deve considerar a pessoa humana em suas múltiplas dimensões de ator social e sujeito de cidadania. Os pactos e convenções que integram o sistema regional e internacional de proteção dos Direitos Humanos apontam para a necessidade de combinar estas medidas com políticas compensatórias que acelerem a construção da igualdade. educação. desde o planejamento até a sua concretização e avaliação. pelo racismo estrutural e pela discriminação dificilmente terão acesso a tais direitos. quanto na preocupação com a moradia e saúde. tanto nas políticas de erradicação da miséria e da fome. resquícios de um processo histórico. levando em conta as dimensões de gênero e raça nas políticas públicas. povos indígenas. culturais e ambientais. grupos sociais afetados pela pobreza. neste sentido. O País avançou decisivamente na proteção e promoção do direito às diferenças. No Brasil. terra e moradia. No entanto. Além disso. indivisibilidade e interdependência dos Direitos Humanos. condições para sua efetivação integral e igualitária. populações negras e quilombolas. varzanteiros e pescadores. pessoas moradoras de rua. o PNDH-3 orientase pela transversalidade. da justiça e da paz no mundo". identificou-se a necessidade de reconhecer as diversidades e diferenças para concretização do princípio da igualdade. mas insuficiente enquanto medida isolada. e aponta para a continuidade e ampliação do acesso a tais políticas. No rol de movimentos e grupos sociais que demandam políticas de inclusão social encontram-se crianças. ao longo das últimas décadas. cultura. travestis. marcado pelo genocídio indígena.A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma em seu preâmbulo que o "reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade. O combate à discriminação mostra-se necessário. Às desigualdades soma-se a persistência da discriminação.

o capítulo aponta suas diretrizes para o respeito e a garantia das gerações futuras. Como sujeitos de direitos. para o efetivo acesso aos direitos. em articulação com o Conselho Nacional de Justiça. do adolescente e da juventude. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. com a preocupação de assegurar o respeito às diferenças e o combate às desigualdades. contemplando a diversidade na emissão pelos estabelecimentos de saúde e pelas parteiras. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Promover a mobilização nacional com intuito de reduzir o número de pessoas sem registro civil de nascimento e documentação básica. Objetivo estratégico I: Universalização do registro civil de nascimento e ampliação do acesso à documentação básica. para emissão de registro civil de nascimento logo após o parto. Responsáveis: Ministério da Saúde. Orçamento e Gestão. emitida pelo Sistema Único de Saúde . • Interligar maternidades e unidades de saúde aos cartórios. As ações programáticas promovem a garantia de espaços e investimentos que assegurem proteção contra qualquer forma de violência e discriminação. assegurando a cidadania plena. como mecanismo de acesso ao registro civil de nascimento. Por fim. • Fortalecer a Declaração de Nascido Vivo (DNV). por meio de sistema manual ou informatizado. Ações programáticas: a)Ampliar e reestruturar a rede de atendimento para a emissão do registro civil de nascimento visando a sua universalização. • Realizar orientação sobre a importância do registro civil de nascimento para a cidadania por meio da rede de atendimento (saúde. Ministério da Justiça. o direito de opinião e participação. as crianças.diversidade presente na população brasileira para estabelecer acesso igualitário aos direitos fundamentais. as crianças. os adolescentes e os jovens são frequentemente subestimadas em sua participação política e em sua capacidade decisória. educação e assistência social) e pelo sistema de Justiça e de segurança pública. indivisível e interdependente. Ministério do Planejamento. em respeito à primazia constitucional de proteção e promoção da infância. . desde cedo. garantindo ao recém nascido a certidão de nascimento antes da alta médica. Preconiza-se o dever de assegurar-lhes. Trata-se de reforçar os programas de governo e as resoluções pactuadas nas diversas conferências nacionais temáticas. os adolescentes e os jovens estão sujeitos a discriminações e violências. sempre sob o foco dos Direitos Humanos. bem como a promoção da articulação entre família. • Aperfeiçoar as normas e o serviço público notarial e de registro. sociedade e Estado para fortalecer a rede social de proteção que garante a efetividade de seus direitos. Diretriz 7: Garantia dos Direitos Humanos de forma universal. Marcadas pelas diferenças e por sua fragilidade temporal. Ministério da Previdência Social. para garantia da gratuidade e da cobertura do serviço de registro civil em âmbito nacional.

• Desenvolver estudo sobre a política nacional de documentação civil básica. Ministério da Defesa. • Desenvolver a padronização do registro civil (certidão de nascimento. • Garantir a emissão gratuita de Registro Geral e Cadastro de Pessoa Física aos reconhecidamente pobres. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. de casamento e de óbito) em território nacional. institucionalizadas e às trabalhadoras rurais. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Criar bases normativas e gerenciais para garantia da universalização do acesso ao registro civil de nascimento e à documentação básica. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico II: Acesso à alimentação adequada por meio de políticas estruturantes. Orçamento e Gestão. Ministério da Fazenda. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério da Justiça. Responsáveis: Ministério da Saúde. pessoas em situação de rua. com foco nas regiões de difícil acesso e no atendimento às populações específicas como os povos indígenas. Ministério do Trabalho e Emprego. Responsáveis: Ministério da Saúde. ciganos. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República d)Incluir no questionário do censo demográfico perguntas para identificar a ausência de documentos civis na população. • Realizar mutirões para emissão de registro civil de nascimento e documentação básica. Ministério da Previdência Social. quilombolas. • Realizar estudo de sustentabilidade do serviço notarial e de registro no País. a fim de viabilizar a busca ativa dos nascidos não registrados e aperfeiçoar os indicadores para subsidiar políticas públicas. Ministério do Planejamento. Ações programáticas: . • Implantar sistema nacional de registro civil para interligação das informações de estimativas de nascimentos. Ministério da Fazenda. • Desenvolver estudo e revisão da legislação para garantir o acesso do cidadão ao registro civil de nascimento em todo o território nacional. Ministério da Justiça. Ministério do Trabalho e Emprego. • Realizar campanhas para orientação e conscientização da população e dos agentes responsáveis pela articulação e pela garantia do acesso aos serviços de emissão de registro civil de nascimento e de documentação básica.• Instituir comitês gestores estaduais. de nascidos vivos e do registro civil. distrital e municipais com o objetivo de articular as instituições públicas e as entidades da sociedade civil para a implantação de ações que visem à ampliação do acesso à documentação básica.

com o objetivo de erradicar a desnutrição infantil. Ministério da Agricultura. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. de capacitação. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ministério da Agricultura. atualização dos índices Grau de Utilização da Terra (GUT) e Grau de Eficiência na Exploração . Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome d)Ampliar o abastecimento alimentar. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário. com vistas a ampliar o acesso à alimentação saudável de baixo custo. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. de agricultura familiar camponesa e de agricultura urbana. valorizar as culturas alimentares regionais. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério do Desenvolvimento Agrário e)Promover a implantação de equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional. de educação alimentar. Ministério da Saúde c)Fortalecer a agricultura familiar e camponesa no desenvolvimento de ações específicas que promovam a geração de renda no campo e o aumento da produção de alimentos agroecológicos para o autoconsumo e para o mercado local. à regularização do crédito fundiário e à assistência técnica aos assentados.a)Ampliar o acesso aos alimentos por meio de programas e ações de geração e transferência de renda. Ações programáticas: a)Fortalecer a reforma agrária com prioridade à implementação e recuperação de assentamentos. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. de geração de ocupações produtivas. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República b)Vincular programas de transferência de renda à garantia da segurança alimentar da criança. estimular o aproveitamento integral dos alimentos. por meio do acompanhamento da saúde e nutrição e do estímulo de hábitos alimentares saudáveis. com maior autonomia e fortalecimento da economia local. Pecuária e Abastecimento Objetivo estratégico III: Garantia do acesso à terra e à moradia para a população de baixa renda e grupos sociais vulnerabilizados. com ênfase na participação das mulheres como potenciais beneficiárias. Ministério da Educação. Pecuária e Abastecimento. associado a programas de informação. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome f)Garantir que os hábitos e contextos regionais sejam incorporados nos modelos de segurança alimentar como fatores da produção sustentável de alimentos. evitar o desperdício e contribuir para a recuperação social e de saúde da sociedade. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome g)Realizar pesquisas científicas que promovam ganhos de produtividade na agricultura familiar e assegurar estoques reguladores.

a população em situação de rua e grupos sociais em situação de vulnerabilidade no espaço urbano e rural. Orçamento e Gestão i)Estabelecer que a garantia da qualidade de abrigos e albergues. Responsável: Ministério do Planejamento. respeitando e preservando os sítios de valor simbólico e histórico. acelerando a identificação. Ministério do Planejamento. o reconhecimento. conforme padrões atuais e regulamentação da desapropriação de áreas pelo descumprimento da função social plena. Ministério do Desenvolvimento Agrário f)Garantir o acesso a terra às populações ribeirinhas. assegurando seu etnodesenvolvimento e sua autonomia produtiva. reduzindo o déficit habitacional. cultural e econômica. do desenho universal e os critérios de acessibilidade nos projetos. homologação. Responsáveis: Ministério das Cidades. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Agrário. em harmonia com os projetos de futuro de cada povo indígena. Ministério do Meio Ambiente g)Garantir que nos programas habitacionais do governo sejam priorizadas as populações de baixa renda. bem como seu caráter inclusivo e de resgate da cidadania à população em situação de rua. possibilitando o bloqueio ou o cancelamento administrativo dos títulos das terras e registros irregulares. Orçamento e Gestão c)Estimular o saneamento dos serviços notariais de registros imobiliários. Ministério do Desenvolvimento Agrário d)Garantir demarcação. regularização e desintrusão das terras indígenas. a demarcação e a titulação desses territórios. Pecuária e Abastecimento b)Integrar as ações de mapeamento das terras públicas da União. Responsáveis: Ministério das Cidades. Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsáveis: Ministério das Cidades. Ministério da Agricultura. Ministério da Cultura. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. varzanteiras e pescadoras.(GEE). Responsável: Ministério da Justiça e)Assegurar às comunidades quilombolas a posse dos seus territórios. para a população de baixa renda. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário. assegurando acesso aos recursos naturais que tradicionalmente utilizam para sua reprodução física. estejam entre os critérios de concessão de recursos para novas construções e manutenção dos existentes. considerando os princípios da moradia digna. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome h)Promover a destinação das glebas e edifícios vazios ou subutilizados pertencentes à União. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome .

Ministério da Pesca e Aquicultura b)Criar programas de pesquisa e divulgação sobre tratamentos alternativos à medicina tradicional no sistema de saúde. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. contemplando a elaboração de materiais específicos para a população jovem e adolescente e para pessoas com deficiência. travestis. Responsável: Ministério da Saúde c)Reformular o marco regulatório dos planos de saúde. Responsável: Ministério das Cidades k)Garantir as condições para a realização de acampamentos ciganos em todo o território nacional. à educação sexual e reprodutiva e à saúde mental. pessoas com deficiência. com enfoque na prevenção e diagnóstico prévio de doenças e deficiências. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e)Aperfeiçoar o programa de saúde para adolescentes. estimulando a adoção de medidas de capitalização para gastos futuros pelos planos de saúde. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. crianças e adolescentes. gays. Responsáveis: Ministério da Saúde. visando a preservação de suas tradições. mulheres. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. especificamente quanto à saúde de gênero. Ministério das Cidades Objetivo estratégico IV: Ampliação do acesso universal a sistema de saúde de qualidade. indígenas. transexuais. práticas e patrimônio cultural. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. negros e comunidades quilombolas. de modo a diminuir os custos para a pessoa idosa e fortalecer o pacto intergeracional. Responsáveis: Ministério da Saúde. Responsáveis: Ministério da Saúde. . instrucional e educativo sobre planejamento reprodutivo que respeite os direitos sexuais e reprodutivos. garantindo às cooperativas e associações habitacionais acesso às informações. lésbicas. Ações programáticas: a)Expandir e consolidar programas de serviços básicos de saúde e de atendimento domiciliar para a população de baixa renda. pescadores artesanais e população de baixa renda. Responsável: Ministério da Saúde d)Reconhecer as parteiras como agentes comunitárias de saúde.j)Apoiar o monitoramento de políticas de habitação de interesse social pelos conselhos municipais de habitação. bissexuais. com apoio diferenciado às pessoas idosas. pessoas em situação de rua. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República f)Criar campanhas e material técnico.

com garantia de acesso a informações sobre as escolhas individuais. visando à prevenção do surgimento ou do agravamento de deficiências. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República i)Expandir a assistência pré-natal e pós-natal por meio de programas de visitas domiciliares para acompanhamento das crianças na primeira infância. da floresta e em situação de rua. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Responsável: Ministério da Saúde n)Proporcionar às pessoas que vivem com HIV/AIDS programas de atenção no âmbito da saúde sexual e reprodutiva. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Responsáveis: Ministério da Saúde. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Responsáveis: Ministério da Saúde. com inclusão de campanhas educacionais de esclarecimento. contemplando o recorte étnico-racial e regional. . Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República o)Capacitar os agentes comunitários de saúde que realizam a triagem e a captação nas hemorredes para praticarem abordagens sem preconceito e sem discriminação. Responsáveis: Ministério da Saúde. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome h)Ampliar e disseminar políticas de saúde pré e neonatal. Responsável: Ministério da Saúde m)Realizar campanhas de diagnóstico precoce e tratamento adequado às pessoas que vivem com HIV/AIDS para evitar o estágio grave da doença e prevenir sua expansão e disseminação. para a pessoa idosa. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. considerando suas especificidades étnico-raciais. priorizando as moradoras do campo. Responsável: Ministério da Saúde j)Apoiar e financiar a realização de pesquisas e intervenções sobre a mortalidade materna. Responsáveis: Ministério da Saúde. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República g)Estimular programas de atenção integral à saúde das mulheres. geracionais. Responsáveis: Ministério da Saúde. de orientação sexual. especiais e excepcionais. regionais.Responsáveis: Ministério da Saúde. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República l)Ampliar a oferta de medicamentos de uso contínuo. de pessoa com deficiência. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República k)Assegurar o acesso a laqueaduras e vasectomias ou reversão desses procedimentos no sistema público de saúde.

Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República x)Proporcionar as condições necessárias para conclusão do trabalho da Comissão Interministerial de Avaliação para análise dos requerimentos de pensão especial das pessoas atingidas pela hanseníase. com convivência familiar e acesso aos recursos psiquiátricos e farmacológicos. Ministério da Cultura t)Implementar medidas destinadas a desburocratizar os serviços do Instituto Nacional de Seguro Social para a concessão de aposentadorias e benefícios. Responsáveis: Ministério da Saúde. Ministério da Saúde w)Reconhecer. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Responsável: Ministério da Previdência Social v)Assegurar a inserção social das pessoas atingidas pela hanseníase isoladas e internadas em hospitais-colônias. Responsáveis: Ministério da Saúde.Responsáveis: Ministério da Saúde. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome s)Investir na política de reforma psiquiátrica fomentando programas de tratamentos substitutivos à internação. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República p)Garantir o acompanhamento multiprofissional a pessoas transexuais que fazem parte do processo transexualizador no Sistema Único de Saúde e de suas famílias. que foram internadas e isoladas compulsoriamente em hospitaiscolônia até 31 de dezembro de 1986. Responsáveis: Ministério da Saúde. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. as violações de direitos às pessoas atingidas pela hanseníase no período da internação e do isolamento compulsórios. apoiando iniciativas para o agilizar as reparações com a concessão de pensão especial prevista na Lei n 11. Responsável: Ministério da Previdência Social u)Estimular a incorporação do trabalhador urbano e rural ao regime geral da previdência social. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República q)Apoiar o acesso a programas de saúde preventiva e de proteção à saúde para profissionais do sexo.520/2007. que garantam às pessoas com transtorno mental a possibilidade de escolha autônoma de tratamento. . Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República r)Apoiar a implementação de espaços essenciais para higiene pessoal e centros de referência para a população em situação de rua. pelo Estado brasileiro.

inserindo conteúdos que valorizem as diversidades. indígena e de baixa renda no ensino superior. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério do Trabalho e Emprego. Ministério da Saúde f)Integrar os programas de alfabetização de jovens e adultos aos programas de qualificação profissional e educação cidadã. Ministério da Cultura. Responsável: Ministério da Educação e)Adequar o currículo escolar. Responsável: Ministério da Educação b)Assegurar a qualidade do ensino formal público com seu monitoramento contínuo e atualização curricular. . culturais e de esporte e lazer. as práticas artísticas. Ministério da Justiça i)Ampliar o ensino superior público de qualidade por meio da criação permanente de universidades federais. Ministério do Esporte d)Apoiar projetos e experiências de integração da escola com a comunidade que utilizem sistema de alternância. Ministério da Cultura. Ações programáticas: a)Ampliar o acesso a educação básica. Responsáveis: Ministério da Educação. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Responsáveis: Ministério da Educação. a necessidade de alimentação adequada e saudável e as atividades físicas e esportivas. Responsáveis: Ministério da Educação.Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico V: Acesso à educação de qualidade e garantia de permanência na escola. cursos e vagas para docentes e discentes. Ministério da Pesca e Aquicultura g)Estimular e financiar programas de extensão universitária como forma de integrar o estudante à realidade social. Responsáveis: Ministério da Educação. a permanência na escola e a universalização do ensino no atendimento à educação infantil. Responsáveis: Ministério da Educação. Ministério do Esporte. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Desenvolver programas para a reestruturação das escolas como pólos de integração de políticas educacionais. Responsável: Ministério da Educação h)Fomentar as ações afirmativas para o ingresso das populações negra. apoiando e incentivando a utilização de metodologias adequadas às realidades dos povos e comunidades tradicionais.

população em situação de rua e população de baixa renda. especialmente escolas. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ministério da Pesca e Aquicultura l)Fortalecer programas de educação no campo e nas comunidades pesqueiras que estimulem a permanência dos estudantes na comunidade e que sejam adequados às respectivas culturas e identidades. Responsável: Ministério do Trabalho e Emprego c)Ampliar programas de economia solidária. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome d)Criar programas de formação. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Responsável: Ministério do Trabalho e Emprego b)Fortalecer programas de geração de emprego. Ministério da Educação e)Integrar as ações de qualificação profissional às atividades produtivas executadas com recursos públicos. mediante políticas integradas. Ministério da Ciência e Tecnologia. apoiando a realização de festivais nas comunidades tradicionais e valorizando as diversas expressões artísticas nas escolas e nas comunidades. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República k)Ampliar o acesso a programas de inclusão digital para populações de baixa renda em espaços públicos. Ações programáticas: a)Apoiar a agenda nacional de trabalho decente por meio do fortalecimento do seu comitê executivo e da efetivação de suas ações. qualificação e inserção profissional e de geração de emprego e renda para jovens. exercido em condições de equidade e segurança. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério da Pesca e Aquicultura Objetivo estratégico VI: Garantia do trabalho decente.Responsável: Ministério da Educação j)Fortalecer as iniciativas de educação popular por meio da valorização da arte e da cultura. como forma de garantir a inserção no mercado de trabalho. Responsáveis: Ministério da Educação. bibliotecas e centros comunitários. Responsáveis: Ministério da Educação. adequadamente remunerado. ampliando progressivamente o nível de ocupação e priorizando a população de baixa renda e os Estados com elevados índices de emigração. como alternativa de geração de trabalho e renda. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. . priorizando os jovens das famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. Ministério da Cultura. e de inclusão social. Responsáveis: Ministério da Educação. Ministério da Cultura.

sexual e psicológico. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome f)Criar programas de formação e qualificação profissional para pescadores artesanais. população negra e pessoas com deficiência. no âmbito da administração pública federal. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. visando orientar ações de combate à discriminação e abuso nas relações de trabalho. Ministério da Justiça m)Criar cadastro nacional e relatório periódico de empregabilidade de egressos do sistema penitenciário. Responsáveis: Ministério da Fazenda. Ministério da Previdência Social l)Promover incentivos a empresas para que empreguem os egressos do sistema penitenciário. etnia e das pessoas com deficiência. instituído o pelo Decreto n 4. industriais e aquicultores familiares. Responsável: Ministério da Justiça . Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Ministério do Trabalho e Emprego. direta e indireta. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. com apuração de denúncias de desrespeito aos direitos das trabalhadoras e trabalhadores. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República k)Garantir a igualdade de direitos das trabalhadoras e trabalhadores domésticos com os dos demais trabalhadores.Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. bem como ampliar a licença-paternidade. com vistas à realização de metas percentuais da ocupação de cargos comissionados pelas mulheres. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. raça. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República h)Acompanhar a implementação do Programa Nacional de Ações Afirmativas. como forma de contribuir para a corresponsabilidade e para o combate ao preconceito quanto à inserção das mulheres no mercado de trabalho. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.228/2002. Ministério do Trabalho e Emprego j)Elaborar diagnósticos com base em ações judiciais que envolvam atos de assédio moral. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República i)Realizar campanhas envolvendo a sociedade civil organizada sobre paternidade responsável. Ministério da Pesca e Aquicultura g)Combater as desigualdades salariais baseadas em diferenças de gênero.

Ações programáticas: a)Promover a efetivação do Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. distrital e municipais para a erradicação do trabalho escravo. Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República . ♣ Objetivo estratégico VII: ♣ Combate e prevenção ao trabalho escravo. distrital e municipais para erradicação do trabalho escravo. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e)Identificar periodicamente as atividades produtivas em que há ocorrência de trabalho escravo adulto e infantil. assim como para implementação de política de reinserção social dos libertados da condição de trabalho escravo. como medida preventiva ao trabalho escravo. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Monitorar e articular o trabalho das comissões estaduais. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial g)Promover a destinação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para capacitação técnica e profissionalizante de trabalhadores rurais e de povos e comunidades tradicionais. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República d)Apoiar a alteração da Constituição para prever a expropriação dos imóveis rurais e urbanos nos quais forem encontrados trabalhadores reduzidos à condição análoga a de escravos. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República f)Propor marco legal e ações repressivas para erradicar a intermediação ilegal de mão de obra. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Apoiar a coordenação e implementação de planos estaduais. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego.n)Garantir os direitos trabalhistas e previdenciários de profissionais do sexo por meio da regulamentação de sua profissão. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego.

de forma a atender a todas as faixas etárias e aos grupos sociais. considerando as diversidades locais. Responsável: Ministério do Esporte g)Ampliar o desenvolvimento de programas de produção audiovisual. as demandas e as características específicas das diferentes faixas etárias e dos grupos sociais. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República i)Fortalecer e ampliar programas que contemplem participação dos idosos nas atividades de esporte e lazer. Responsáveis: Ministério da Cultura. em formatos acessíveis. e de desenvolver e utilizar o seu potencial criativo.h)Atualizar e divulgar semestralmente o cadastro de empregadores que utilizaram mãode-obra escrava. Ministério da Cultura. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico VIII: Promoção do direito à cultura. Responsável: Ministério da Cultura c)Fomentar políticas públicas de esporte e lazer. Responsáveis: Ministério da Cultura. Ministério do Esporte b)Elaborar programas e ações de cultura que considerem os formatos acessíveis. musical e artesanal dos povos indígenas. Responsável: Ministério da Cultura f)Fomentar políticas públicas de formação em esporte e lazer. lazer e esporte como elementos formadores de cidadania. na ação comunitária na intergeracionalidade e na diversidade cultural. Responsáveis: Ministério do Esporte. Ministério da Justiça h)Assegurar o direito das pessoas com deficiência e em sofrimento mental de participarem da vida cultural em igualdade de oportunidade com as demais. Responsável: Ministério da Cultura e)Ampliar e desconcentrar os pólos culturais e pontos de cultura para garantir o acesso das populações de regiões periféricas e de baixa renda. . com foco na intersetorialidade. Ações programáticas: a)Ampliar programas de cultura que tenham por finalidade planejar e implementar políticas públicas para a proteção e promoção da diversidade cultural brasileira. Responsável: Ministério do Esporte d)Elaborar inventário das línguas faladas no Brasil. artístico e intelectual.

Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República b)Apoiar o combate ao crime de captação ilícita de sufrágio. Responsável: Ministério da Justiça f)Apoiar ações de formação política das mulheres em sua diversidade étnico-racial. Ações programáticas: a)Apoiar campanhas para promover a ampla divulgação do direito ao voto e participação política de homens e mulheres. inclusive com campanhas de esclarecimento e conscientização dos eleitores. assegurando os mecanismos de acessibilidade necessários. Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsável: Ministério da Justiça c)Apoiar os projetos legislativos para o financiamento público de campanhas eleitorais. Responsáveis: Ministério do Turismo. . Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República j)Potencializar ações de incentivo ao turismo para pessoas idosas. por meio de campanhas informativas que garantam a escolha livre e consciente. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico IX: Garantia da participação igualitária e acessível na vida política. Responsável: Ministério da Justiça d)Garantir acesso irrestrito às zonas eleitorais por meio de transporte público e acessível e apoiar a criação de zonas eleitorais em áreas de difícil acesso. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Diretriz 8: Promoção dos direitos de crianças e adolescentes para o seu desenvolvimento integral. Ministério das Cidades e)Promover junto aos povos indígenas ações de educação e capacitação sobre o sistema político brasileiro.Responsáveis: Ministério do Esporte. de forma não discriminatória. inclusive a modalidade do voto assistido. estimulando candidaturas e votos de mulheres em todos os níveis. Responsável: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República g)Garantir e estimular a plena participação das pessoas com deficiência no ato do sufrágio. Responsáveis: Ministério da Justiça. assegurando seu direito de opinião e participação. seja como eleitor ou candidato.

para atender às recomendações do Comitê sobre Direitos da Criança. . Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Elaborar e implantar sistema de coordenação da política dos direitos da criança e do adolescente em todos os níveis de governo. garantindo sua participação nas conferências dos direitos das crianças e dos adolescentes. dos relatores especiais e do Comitê sobre Direitos Econômicos. com vistas a apoiar a estruturação e qualificação da ação dos Conselhos Tutelares e de Direitos. Proteção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU. na formulação das políticas públicas voltadas para estes segmentos. proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Desenvolver e implementar metodologias de acompanhamento e avaliação das políticas e planos nacionais referentes aos direitos de crianças e adolescentes.Objetivo estratégico I: Proteger e garantir os direitos de crianças e adolescentes por meio da consolidação das diretrizes nacionais do ECA. conforme o disposto no artigo 12 da Convenção sobre os Direitos da Criança. Ações programáticas: a)Apoiar a universalização dos Conselhos Tutelares e de Direitos em todos os Municípios e no Distrito Federal. Sociais e Culturais da ONU. e instituir parâmetros nacionais que orientem o seu funcionamento. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico II: Consolidar o Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes. Ações programáticas: a)Formular plano de médio prazo e decenal para a política nacional de promoção. com o fortalecimento do papel dos Conselhos Tutelares e de Direitos. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Estados e Distrito Federal acerca do cumprimento das obrigações da Convenção dos Direitos da Criança da ONU. da Política Nacional de Promoção. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Implantar escolas de conselhos nos Estados e no Distrito Federal. Ministério das Relações Exteriores d)Criar sistema nacional de coleta de dados e monitoramento junto aos Municípios. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e)Assegurar a opinião das crianças e dos adolescentes que estiverem capacitados a formular seus próprios juízos.

Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Desenvolver programas nas redes de assistência social.Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Apoiar a capacitação dos operadores do sistema de garantia dos direitos para a proteção dos direitos e promoção do modo de vida das crianças e adolescentes indígenas. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. na mídia impressa. implementando as recomendações expressas no Relatório Mundial de Violência contra a Criança da ONU. no rádio e na Internet. na escola. Ministério da Justiça . Ministério da Educação Objetivo estratégico III: Proteger e defender os direitos de crianças e adolescentes com maior vulnerabilidade. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. de educação e de saúde para o fortalecimento do papel das famílias em relação ao desenvolvimento infantil e à disciplina não violenta. bem como nas escolas. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério da Educação. de segurança e defensorias públicas. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República f)Estimular a informação às crianças e aos adolescentes sobre seus direitos. para atendimento de crianças e adolescentes vítimas e autores de violência. Ministério da Justiça e)Desenvolver mecanismos que viabilizem a participação de crianças e adolescentes no processo das conferências dos direitos. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. nos tribunais e nos procedimentos judiciais e administrativos que os afetem. por meio de esforços conjuntos na escola. Ações programáticas: a)Promover ações educativas para erradicação da violência na família. contemplando ainda as especificidades da população infanto-juvenil com deficiência. Ministério da Justiça d)Fomentar a criação de instâncias especializadas e regionalizadas do sistema de justiça. nas instituições e na comunidade em geral. nos conselhos de direitos. Ministério da Saúde c)Propor marco legal para a abolição das práticas de castigos físicos e corporais contra crianças e adolescentes. na televisão. afrodescendentes e comunidades tradicionais.

incluindo as práticas de violência gratuita e reiterada entre estudantes (bullying). Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. prática de ato infracional e origem. Responsável: Ministério da Educação e)Apoiar iniciativas comunitárias de mobilização de crianças e adolescentes em estratégias preventivas. Ministério do Turismo f)Extinguir os grandes abrigos e eliminar a longa permanência de crianças e adolescentes em abrigamento. Ministério do Esporte. identidade de gênero. deficiência. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome h)Ampliar a oferta de programas de famílias acolhedoras para crianças e adolescentes em situação de violência. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome g)Fortalecer as políticas de apoio às famílias para a redução dos índices de abandono e institucionalização. especialmente sobre os grupos em situação de . Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República l)Exigir em todos os projetos financiados pelo Governo Federal a adoção de estratégias de não discriminação de crianças e adolescentes em razão de classe. adequando os serviços de acolhimento aos parâmetros aprovados pelo CONANDA e CNAS. gênero. com prioridade aos grupos familiares de crianças com deficiências. raça. com o objetivo de garantir que esta seja a única opção para crianças retiradas do convívio com sua família de origem na primeira infância. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério das Relações Exteriores k)Criar serviços e aprimorar metodologias para identificação e localização de crianças e adolescentes desaparecidos. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome i)Estruturar programas de moradia coletivas para adolescentes e jovens egressos de abrigos institucionais.d)Implantar sistema nacional de registro de ocorrência de violência escolar. orientação sexual. adotando formulário unificado de registro a ser utilizado por todas as escolas. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República m)Reforçar e centralizar os mecanismos de coleta e análise sistemática de dados desagregados da infância e adolescência. crença. em consonância com o ECA e com acordos internacionais. Ministério da Justiça. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome j)Fomentar a adoção legal. com vistas a minimizar sua vulnerabilidade em contextos de violência. por meio de campanhas educativas. etnia.

Ministério do Turismo. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério do Trabalho e Emprego. Ações programáticas: a)Revisar o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Ministério da Saúde. historicamente vulnerabilizados. e)Estimular a responsabilidade social das empresas para ações de enfrentamento da exploração sexual e de combate ao trabalho infantil em suas organizações e cadeias produtivas. educação e assistência social. Ministério da Educação. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico IV: Enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. em consonância com as recomendações do III Congresso Mundial sobre o tema. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Desenvolver protocolos unificados de atendimento psicossocial e jurídico a vítimas de violência sexual. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. vítimas de discriminação. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Ampliar o acesso e qualificar os programas especializados em saúde. integrada aos Conselhos Tutelares. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República d)Desenvolver ações específicas para combate à violência e à exploração sexual de crianças e adolescentes em situação de rua. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. . Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.vulnerabilidade. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República n)Estruturar rede de canais de denúncias (Disques) de violência contra crianças e adolescentes. no atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e de suas famílias Responsáveis: Ministério da Saúde. de abuso e de negligência. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República o)Estabelecer instrumentos para combater a discriminação religiosa sofrida por crianças e adolescentes.

Responsável: Ministério do Trabalho e Emprego c)Desenvolver pesquisas. por meio do fortalecimento do Hot Line Federal e da difusão de procedimentos de navegação segura para crianças. inspetores de trabalho. Ações programáticas: a)Erradicar o trabalho infantil. adolescentes. com foco em temas e públicos que requerem abordagens específicas. Ministério da Educação Objetivo estratégico V: Garantir o atendimento especializado a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico e dependência química.097/2000). por meio das ações intersetoriais no Governo Federal. Responsável: Ministério da Saúde Objetivo estratégico VI: Erradicação do trabalho infantil em todo o território nacional. trabalho doméstico. o . organismos internacionais e organizações não governamentais. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Responsável: Ministério da Saúde b)Fortalecer políticas de saúde que contemplem programas de desintoxicação e redução de danos em casos de dependência química. campanhas e relatórios periódicos sobre o trabalho infantil. com ênfase no apoio às famílias e educação em tempo integral. incluindo a garantia de retaguarda para as unidades de internação socioeducativa. organizações de trabalhadores. Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. famílias e educadores. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Fomentar a implantação da Lei de Aprendizagem (Lei n 10. trabalho de rua. tais como agricultura familiar. Ações programáticas: a)Universalizar o acesso a serviços de saúde mental para crianças e adolescentes em cidades de grande e médio porte. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ministério da Justiça Objetivo estratégico VII: Implementação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Responsáveis: Ministério do Trabalho e Emprego. Ministério da Educação. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. mobilizando empregadores. Judiciário.f)Combater a pornografia infanto-juvenil na Internet. Responsáveis: Ministério da Justiça.

por meio do apoio à reforma e construção de novas unidades alinhadas aos parâmetros estabelecidos . de acordo com o estabelecido no ECA. Ministério da Educação. condicionando a transferência voluntária de verbas federais à observância das diretrizes do plano nacional. com divulgação anual de seus resultados e estabelecimento de metas. Ministério do Trabalho e Emprego g)Garantir aos adolescentes privados de liberdade e suas famílias informação sobre sua situação legal. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Implantar módulo específico de informações para o sistema nacional de atendimento educativo junto ao Sistema de Informação para a Infância e Adolescência. com vistas ao estabelecimento de regras específicas para a aplicação da medida de privação de liberdade em caráter excepcional e de pouca duração. bem como acesso à defesa técnica durante todo o período de cumprimento da medida socioeducativa. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República i)Fomentar a desativação dos grandes complexos de unidades de internação. criando base de dados unificada que inclua as varas da infância e juventude. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ministério da Saúde. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República f)Apoiar os Estados e o Distrito Federal na implementação de programas de atendimento ao adolescente em privação de liberdade. Ministério da Justiça h)Promover a transparência das unidades de internação de adolescentes em conflito com a lei. as unidades de internação e os programas municipais em meio aberto. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.Ações programáticas: a)Elaborar e implementar um plano nacional socioeducativo e sistema de avaliação da execução das medidas daquele sistema. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Implantar centros de formação continuada para os operadores do sistema socioeducativo em todos os Estados e no Distrito Federal. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. com garantia de escolarização. Ministério do Esporte. atendimento em saúde. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome d)Desenvolver estratégias conjuntas com o sistema de justiça. garantindo o contato com a família e a criação de comissões mistas de inspeção e supervisão. cultura e educação para o trabalho. esporte. Ministério da Educação. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e)Apoiar a expansão de programas municipais de atendimento socioeducativo em meio aberto. Ministério da Cultura.

Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Ações programáticas: a)Apoiar. faixa etária e compleição física. saúde e de geração de emprego e renda. informações sobre inclusão no sistema de ensino (básico e superior). Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Diretriz 9: Combate às desigualdades estruturais. junto ao Poder Legislativo. em especial na observância da separação por sexo. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República k)Estabelecer parâmetros nacionais para a apuração administrativa de possíveis violações dos direitos e casos de tortura em adolescentes privados de liberdade. inclusão no mercado de trabalho. recorrências de violações. Ministério do Trabalho e Emprego. cultura. entre outras. visando incidir diretamente na qualidade de vida da população negra e no combate à violência racial. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Ministério da Educação. Ministério da Saúde c)Elaborar programas de combate ao racismo institucional e estrutural. assistência integrada à saúde. por meio de sistema independente e de tramitação ágil.no SINASE e no ECA. Objetivo estratégico I: Igualdade e proteção dos direitos das populações negras. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República . a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. implementando normas administrativas e legislação nacional e internacional. Responsável: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República d)Realizar levantamento de informações para produção de relatórios periódicos de acompanhamento das políticas contra a discriminação racial. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República j)Desenvolver campanhas de informação sobre o adolescente em conflito com a lei. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Promover ações articuladas entre as políticas de educação. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. defendendo a não redução da maioridade penal. contendo. número de violações registradas e apuradas. e dados populacionais e de renda. historicamente afetadas pela discriminação e outras formas de intolerância.

Responsável: Ministério da Cultura. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ações programáticas: a)Assegurar a integridade das terras indígenas para proteger e promover o modo de vida dos povos indígenas. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Responsável: Ministério da Justiça c)Aplicar os saberes dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na elaboração o de políticas públicas. Responsável: Ministério da Justiça b)Proteger os povos indígenas isolados e de recente contato para garantir sua reprodução cultural e etnoambiental. Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República i)Assegurar o resgate da memória das populações negras. Ministério da Saúde f)Fortalecer a integração das políticas públicas em todas as comunidades remanescentes de quilombos localizadas no território brasileiro. Responsável: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República Objetivo estratégico II: Garantia aos povos indígenas da manutenção e resgate das condições de reprodução. assegurando seus modos de vida. Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República h)Fomentar programas de valorização do patrimônio cultural das populações negras. Ministério da Cultura g)Fortalecer os mecanismos existentes de reconhecimento das comunidades quilombolas como garantia dos seus direitos específicos . Ministério da Cultura. . Responsável: Ministério da Justiça d)Apoiar projetos de lei com objetivo de revisar o Estatuto do Índio com base no texto o constitucional de 1988 e na Convenção n 169 da OIT. Ministério do Trabalho e Emprego. Ministério da Educação. respeitando a Convenção n 169 da OIT.e)Analisar periodicamente os indicadores que apontam desigualdades visando à formulação e implementação de políticas públicas afirmativas que valorizem a promoção da igualdade racial. mediante a publicação da história de resistência e resgate de tradições das populações das diásporas.

Ministério da Saúde. mapeando os sítios históricos e arqueológicos. Responsáveis: Ministério da Justiça. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ministério da Saúde g)Implementar políticas de proteção do patrimônio dos povos indígenas. Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsáveis: Ministério da Cultura. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico III: Garantia dos direitos das mulheres para o estabelecimento das condições necessárias para sua plena cidadania. Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsáveis: Ministério da Educação. recorrências de violações e dados populacionais. número de violações registradas e apuradas. bilíngues e com adequação curricular formulada com a participação de representantes das etnias indigenistas e especialistas em educação. Ministério da Educação l)Adotar medidas de proteção dos direitos das crianças indígenas nas redes de ensino. Ministério da Justiça j)Garantir o acesso à educação formal pelos povos indígenas. a cultura. estimulando a valorização de suas próprias formas de produção do conhecimento.Responsável: Ministério da Justiça e)Elaborar relatório periódico de acompanhamento das políticas indigenistas que contemple dados sobre os processos de demarcações das terras indígenas. Ministério da Justiça h)Promover projetos e pesquisas para resgatar a história dos povos indígenas. assistência integrada à saúde. em consonância com a promoção dos seus modos de vida. Ministério da Educação k)Assegurar o acesso e permanência da população indígena no ensino superior. por meio de ações afirmativas e respeito à diversidade étnica e cultural. inclusão no sistema de ensino (básico e superior). saúde e assistência social. dados sobre intrusões e conflitos territoriais. Responsável: Ministério da Justiça i)Promover ações culturais para o fortalecimento da educação escolar dos povos indígenas. as línguas e a arte. por meio dos registros material e imaterial. Ações programáticas: . Responsáveis: Ministério da Cultura. Responsável: Ministério da Justiça f)Proteger e promover os conhecimentos tradicionais e medicinais dos povos indígenas.

. que contenha dados sobre renda.a)Desenvolver ações afirmativas que permitam incluir plenamente as mulheres no processo de desenvolvimento do País. g) Considerar o aborto como tema de saúde pública. garantindo plena acessibilidade. Responsável: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República b)Incentivar políticas públicas e ações afirmativas para a participação igualitária. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome f)Propor tratamento preferencial de atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar nos Conselhos Gestores do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social e junto ao Fundo de Desenvolvimento Social. mortalidade materna e escolarização. como braile. Ministério da Justiça h)Realizar campanhas e ações educativas para desconstruir os estereótipos relativos às profissionais do sexo. plural e multirracial das mulheres nos espaços de poder e decisão. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. incluindo sua publicação em formatos acessíveis. nacionais e internacionais. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. CD de áudio e demais tecnologias assistivas. (Redação dada pelo Decreto nº 7. dados reprodutivos. considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos. sexual e psicológico. jornada e ambiente de trabalho.177. assistência à saúde integral. Responsável: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República Diretriz 10: Garantia da igualdade na diversidade. de 2010) Responsáveis: Ministério da Saúde. ocorrências de violências contra a mulher. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome g)Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto. Responsável: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e)Ampliar o financiamento de abrigos para mulheres em situação de vulnerabilidade. por meio da promoção da sua autonomia econômica e de iniciativas produtivas que garantam sua independência. ocorrências de assédio moral. Responsável: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República c)Elaborar relatório periódico de acompanhamento das políticas para mulheres com recorte étnico-racial. Responsável: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República d)Divulgar os instrumentos legais de proteção às mulheres. Ministério das Cidades. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. com a garantia do acesso aos serviços de saúde.

lideranças ameaçadas. assistência integrada à saúde. Ministério da Cultura d)Apoiar políticas de acesso a direitos para a população cigana. etárias. Ações programáticas: a)Realizar campanhas e ações educativas para desconstrução de estereótipos relacionados com diferenças étnico-raciais. protegendo e promovendo a continuidade de seu trabalho extrativista. pescadores artesanais. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. entre outras. número de violações registradas e apuradas. varzanteiros. Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. recorrência de violações. rurais e urbanas. dados sobre acesso à moradia. entre elas ribeirinhos. extrativistas. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.Objetivo estratégico I: Afirmação da diversidade para construção de uma sociedade igualitária. Ministério da Saúde. caiçaras e faxinalenses. comunidades de fundo de pasto. Responsáveis: Ministério da Cultura. Ações programáticas: . Ministério da Cultura b)Incentivar e promover a realização de atividades de valorização da cultura das comunidades tradicionais. Ministério do Esporte c)Fomentar a formação e capacitação em Direitos Humanos. quebradeiras de coco. terra e território e conflitos existentes. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e)Apoiar e valorizar a associação das mulheres quebradeiras de coco. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. ou segmentos profissionais socialmente discriminados. Ministério da Justiça. que contenham. como meio de resgatar a autoestima e a dignidade das comunidades tradicionais. de pessoas com deficiência. de identidade e orientação sexual. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. informações sobre população estimada. pantaneiros. Responsáveis: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. seringueiros. Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome f)Elaborar relatórios periódicos de acompanhamento das políticas direcionadas às populações e comunidades tradicionais. geraizeiros. valorizando seus conhecimentos e cultura. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico II: Proteção e promoção da diversidade das expressões culturais como Direito Humano.

. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República f)Desenvolver ações intersetoriais para capacitação continuada de cuidadores de pessoas idosas. Responsável: Ministério da Cultura Objetivo estratégico III: Valorização da pessoa idosa e promoção de sua participação na sociedade. Ministério da Cultura g)Desenvolver política de humanização do atendimento ao idoso. ao lazer. Ministério da Cultura c)Fomentar programas de voluntariado de pessoas idosas. Ministério do Esporte b)Apoiar a criação de centros de convivência e desenvolver ações de valorização e socialização da pessoa idosa nas zonas urbanas e rurais. garantindo o acesso a serviços. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ações programáticas: a)Promover a inserção. Ministério da Cultura. possibilitando sua participação ativa na construção de uma nova percepção intergeracional. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e)Potencializar ações com ênfase no diálogo intergeracional. visando valorizar e reconhecer sua contribuição para o desenvolvimento e bem-estar da comunidade.a)Promover ações de afirmação do direito à diversidade das expressões culturais. Responsáveis: Ministério da Saúde. principalmente em instituições de longa permanência. Ministério da Cultura h)Elaborar programas de capacitação para os operadores dos direitos da pessoa idosa. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. garantindo igual dignidade e respeito para todas as culturas. a qualidade de vida e a prevenção de agravos aos idosos. à cultura e à atividade física. Responsável: Ministério da Cultura b)Incluir nos instrumentos e relatórios de políticas culturais a temática dos Direitos Humanos. valorizando o conhecimento acumulado das pessoas idosas. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. de acordo com sua capacidade funcional. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República d)Desenvolver ações que contribuam para o protagonismo da pessoa idosa na escola. por meio de programas que fortaleçam o convívio familiar e comunitário.

famílias providas por pessoas idosas. Ações programáticas: a)Garantir às pessoas com deficiência igual e efetiva proteção legal contra a discriminação. internadas e mortas por violência ou maus-tratos.296/2004). Ministério das Cidades d)Garantir recursos didáticos e pedagógicos para atender às necessidades educativas especiais. tais como: quantidade existente. escrita de sinais e libras tátil para inclusão das pessoas com deficiência em todo o sistema de ensino. principal fonte de renda dos idosos. Ministério da Previdência Social. Ministério do Trabalho e Emprego. mobiliários. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. tadoma. e outros itens de uso individual e coletivo. prédios públicos. i)Elaborar relatório periódico de acompanhamento das políticas para pessoas idosas que contenha informações sobre os Centros Integrados de Atenção a Prevenção à Violência. Ministério da Educação f)Instituir e implementar o ensino da Língua Brasileira de Sinais como disciplina curricular facultativa. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. inclusive instituições de ensino. Responsável: Ministério da Educação e)Disseminar a utilização dos sistemas braile. Ministério da Justiça. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. semáforos. pessoas idosas atendidas. pessoas idosas atendidas. número de profissionais capacitados. proporção dos casos com resoluções. Ministério da Saúde. Ministério da Educação o . Ministério da Justiça b)Garantir salvaguardas apropriadas e efetivas para prevenir abusos a pessoas com deficiência e pessoas idosas. pessoas idosas em abrigos. taxa de reincidência. pessoas idosas seguradas e aposentadas. habitações. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República c)Assegurar o cumprimento do Decreto de Acessibilidade (Decreto n 5. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. espaços de lazer. pessoas idosas em situação de rua. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Objetivo estratégico IV: Promoção e proteção dos direitos das pessoas com deficiência e garantia da acessibilidade igualitária. que garante a acessibilidade pela adequação das vias e passeios públicos. transportes. sua participação no financiamento público. sua inclusão nos sistemas de atendimento.

Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. guia-intérprete. Gays. Responsável: Ministério do Trabalho e Emprego h)Elaborar relatórios sobre os Municípios que possuam frota adaptada para subsidiar o processo de monitoramento do cumprimento e implementação da legislação de acessibilidade. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República d)Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas. Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República f)Acrescentar campo para informações sobre a identidade de gênero dos pacientes nos prontuários do sistema de saúde. tradutor-intérprete. bissexuais. Responsáveis: Ministério das Cidades. com base na desconstrução da heteronormatividade. tais como: instrutor de Libras. Ministério da Justiça c)Promover ações voltadas à garantia do direito de adoção por casais homoafetivos. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República . Responsável: Ministério do Planejamento. gays. Orçamento e Gestão e)Desenvolver meios para garantir o uso do nome social de travestis e transexuais.g)Propor a regulamentação das profissões relativas à implementação da acessibilidade. Responsável: Ministério da Saúde g)Fomentar a criação de redes de proteção dos Direitos Humanos de Lésbicas. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Travestis e Transexuais (LGBT). favorecendo a visibilidade e o reconhecimento social. travestis e transexuais. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico V: Garantia do respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Ações programáticas: a)Desenvolver políticas afirmativas e de promoção de cultura de respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero. revisor e ledor da escrita braile e treinadores de cães-guia. transcritor. Bissexuais. principalmente a partir do apoio à implementação de Centros de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia e de núcleos de pesquisa e promoção da cidadania daquele segmento em universidades públicas.

Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Objetivo estratégico VI: Respeito às diferentes crenças. assegurando a proteção do seu espaço físico e coibindo manifestações de intolerância religiosa. Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República . que contenha. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República c)Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União. de renda e conjugais. número de violações registradas e apuradas. informações sobre número de religiões praticadas. promoção da tolerância e na afirmação da laicidade do Estado. Ministério da Cultura. (Revogado pelo Decreto nº 7. recorrências de violações. informações sobre inclusão no mercado de trabalho. que contenha. assistência à saúde integral. proporção de pessoas distribuídas entre as religiões. entre outras.h)Realizar relatório periódico de acompanhamento das políticas contra discriminação à população LGBT. dados populacionais. de 2010) Responsável: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (Revogado pelo Decreto nº 7. inclusive as derivadas de matriz africana. Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. liberdade de culto e garantia da laicidade do Estado.177. proporção de pessoas que já trocaram de religião. Responsáveis: Ministério da Justiça. Responsáveis: Ministério da Educação. de 2010) d)Estabelecer o ensino da diversidade e história das religiões. entre outras. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e)Realizar relatório sobre pesquisas populacionais relativas a práticas religiosas. Ministério da Cultura. número de pessoas religiosas não praticantes e número de pessoas sem religião. na rede pública de ensino. com ênfase no reconhecimento das diferenças culturais. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República b)Promover campanhas de divulgação sobre a diversidade religiosa para disseminar cultura da paz e de respeito às diferentes crenças. Ações programáticas: a)Instituir mecanismos que assegurem o livre exercício das diversas práticas religiosas.177.