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MOVIMENTO

AUTENTICIDADE
TRABALHISTA
PALESTRA GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA

Proferida pelo Dr. Orion Herter Cabral na sede do PDT/RS no dia 13 de março de 2006.
Com base na tese do Professor Gentil Corazza (Economia da UFRGS).

O capitalismo de início era fechado nacionalmente, controlado pelo poder político dos Estados
Nacionais. Com o desenvolvimento das Multinacionais e seus mercados cativos passou a circular
mercadoria e capitais fora do controle dos Estados Nacionais dando origem a Globalização
Financeira e a Globalização dos Mercados.

SIGNIFICADO DE GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA

• Financiamento direto do mercado internacional de capitais.


• Ampla liquidez dos empréstimos.
• Concorrência entre as economias nacionais para atrair capitais externos.
• Securitização dos empréstimos (contratos derivativos que reduzem riscos).

OS MOTORES DA GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA

• A riqueza financeira superior a disponibilidade de tomadores seguros (com base,


principalmente, no retrospecto das empresas).
• A mobilidade dos ativos financeiros sem controle dos bancos centrais (liberalismo financeiro).
• Aplicações de portfólio (especulação financeira de curto prazo)
• O câmbio flutuante (oportunidade de ganhos especulativos).

A flexibilidade das taxas de câmbio é uma das principais características do regime de


globalização financeira, pelas conseqüências que as mesmas provocam nas demais variáveis
econômicas, associando sua intensa oscilação ao incontrolável movimento dos capitais e cujo efeito
são os ciclos econômicos com padrão erráticos, acompanhando os humores do mercado..

DIANTE DESTA REALIDADE É IMPORTANTE ANALISAR

• A globalização financeira é uma situação transitória ou permanente.


• A globalização financeira é uma evolução do capitalismo ou o resultado da globalização.
• Decisões governamentais autônomas podem conviver com a globalização financeira.

CAPITAL ESTRANGEIRO NO BRASIL

O capital estrangeiro sempre enfrentou resistências internas ao seu ingresso no Brasil.


Tínhamos uma ideologia de governos nacionalistas.

• O Decreto Lei n° 9025 de 1946 determinava o máximo de 20% por ano do retorno do capital
externo registrado no Brasil.
• Em fins de 1951, o presidente Vargas denunciava a remessa de lucros como uma espoliação da
riqueza nacional.
• A Carta Testamento reforça o inconveniente da exploração financeira do Brasil

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• Brizola identificava perdas internacionais.
Na década de 1970, o sistema bancário privado internacional assume o crédito para os países.
Contudo, o Brasil formula um arrojado Plano Nacional de Desenvolvimento, centrado no tripé
Empresas Privadas Nacionais, Empresas Estatais e Empresas Multinacionais (propriedade
tripartite).

SEDEMOS GLOBALIZAÇÃO

Nos anos 90, o Brasil ingressa na globalização financeira e perde sua autonomia para formular
políticas de desenvolvimento.

BRASIL O PAÍS MAIS LIBERAL DO MUNDO

Depois da Constituição de 1988, vários dispositivos legais flexibilizaram a entrada e saída de


capitais e na década de 1990 o Governo radicaliza seu idealismo liberal.

A SEDUÇÃO FOI A POSSIBILIDADE DE NOVOS ENDIVIDAMENTOS

A globalização financeira iniciada na década de 90 com o Plano Collor e aprofundada com o


Plano Real de 1994, associada à liquidez internacional de 1990-1993 atraiu o Brasil para um novo
ciclo de endividamento.

Os formuladores da abertura financeira desprezaram as lições do passado e as graves


conseqüências do endividamento para o crescimento da economia brasileira, de modo especial a
“década perdida” de 1980.

A estratégia básica do Plano Real.

• Fixação da taxa de câmbio, como âncora nominal dos preços,


• Abertura financeira para facilitar o ingresso de capitais.
• Elevação da taxa doméstica de juros para atrair capitais e controlar a inflação.
• Privatizações, oportunizando investimentos externos e reduzindo compromissos fiscais.
• Transferência definitiva do Planejamento da Economia para a iniciativa privada.

Francisco Lopes, diretor de Política Monetária do Banco Central: “Acho que o próprio
processo de estabilidade e abertura tende a gerar ganhos de produtividade sem necessidade de
planejado governamental. O sistema de mercado vai saber fazer melhor do que o planejamento”.

A TEORIA

A equação econômica era definida assim: os novos fluxos de capitais determinariam a


reestruturação da economia brasileira; novos investimentos intensivos em tecnologia fortaleceriam
a produtividade alargando a competitividade externa da economia com elevação das exportações e
redução das importações.

AS VIRTUDES DO MERCADO JUSTIFICARAM

• A abertura alfandegária abrupta e

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• A inserção passiva no mercado financeiro internacional especulativo e instável.
DETALHES

• As Grandes empresas brasileiras passaram a captar recursos diretamente no mercado


internacional de capitais.
• Pessoas físicas também puderam realizar investimentos no exterior ou simplesmente,
remeterem dinheiro para o exterior.
• Os bancos passaram a aceitar depósitos em moeda nacional e convertê-los em moeda
estrangeira no exterior.
• Foi revogada a proibição de pagamento de royalties entre matriz e filial.
• Foi estimulada a captação de recursos externos por parte de bancos e empresas brasileiras.
• Foi facilitando o ingresso de capitais para investimentos de portfólio na Bolsa de Valores.
• Os Investimentos Diretos Estrangeiros tiveram novas e lucrativas oportunidades com a
privatização dos setores de infra-estrutura, onde poucos ou nenhuma restrição foi imposta a
esses investimentos.
• As patentes de informática e de bioquímica passaram a serem reconhecidas pelo Brasil.
• A Emenda Constitucional de 1994 equiparou as empresas nacionais as empresas estrangeiras.
• As empresas estrangeiras passaram a acessar ao sistema de crédito público.
• Para as empresas estrangeiras foi reduzida a tributação na remessa de lucros.
• Foi suprimida a proibição de remessas por marcas e patentes.

INVESTIMENTOS EXTRANGEIROS NO BRASIL

• A maior parte dos Investimentos diretos estrangeiros se destinaram a aquisições e fusões de


empresas (não alterando a formação do capital).
• O restante foi para o setor de serviços, (que não gera mercadorias exportáveis nem divisas),
para a indústria de transformação (voltada ao mercado interno).
• Muito pouco foi para investimentos estratégicos.

JUROS ALTOS

• Há doze anos a política econômica vem sendo pautada na elevação dos juros: como forma de
atração de capitais e controle da inflação.
• Significando demanda fraca, desemprego e recessão.

CÂMBIO

• De 1994 a 1998 as incertezas no cenário financeiro mundial, determinaram saídas de capitais


do Brasil.
• Nessa época, o déficit em transações correntes acentuava a necessidade da entrada de dólares.
• Assim, para evitar a saída de capitais e assegurar o câmbio fixo, o Banco Central elevou os
juros e vendia reservas a cada crise.
• Em 1999 foi abandonado o câmbio fixo e a nova ancora passou a ser a estabilidade de preços.
Juros altos atraiam capitais para financiar o déficit em transações correntes.
• A política econômica adotada não coibiu a irresponsabilidade fiscal e por isso o FMI passou a

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exigir em seus acordos superávits primários do setor público.
• A terapia teve efeitos colaterais frente ao expressivo gasto com juros.
• A dívida pública de 32,6% em dezembro de 1993 passou para 57,4% em março de 2004.
• A dívida determinou uma espiral de dificuldades: juros altos, depressão econômica redução das
receitas, a elevação da dívida, que exige mais receitas e assim por diante.
• O endividamento público inverteu o papel do Estado: de estimulador da economia, o Estado
virou cliente sugando recursos e inviabilizando o crescimento (crowding out).

SITUAÇÃO ATUAL

• O baixo nível de crescimento econômico comparativamente à média dos países emergentes.


• O endividamento do setor público (menos visível, mas potencialmente mais perigoso).
• Passados doze anos, o remédio virou doença. Em termos de contas externas, se antes os juros
altos eram utilizados para atrair poupança externa e financiar o déficit em transações correntes,
hoje eles têm um impacto negativo sobre o balanço de pagamentos com a saída de recursos
para pagar encargos da dívida.
• A expectativa da opinião pública de que as políticas econômicas atuais são a semente de bons
frutos futuro é uma fantasia da equipe econômica.
• A orientação para a estabilização e não para o crescimento por muito tempo comprometerá a
própria estabilidade.

INDAGAÇÕES

• As observações de Getulio e Brizola eram demagógicas ou infundadas?


• As observações de Getulio e Brizola perderam a validade?
• É possível aplicar ideologias de Governos Nacionalistas e Estados Desenvolvimentista com
Globalização Financeira?

REPERCUÇÃO NAS FINANÇAS DO RIOGRANDE DO SUL

No receituário da Globalização Financeira a União deveria concentrar e garantir o pagamento


das dividas dos Estados. E assim se fez e por isto passamos de uma divida correspondente a 30%
da Receita Própria Líquida (RPL) no inicio do Governo do PDT para pouco menos de 3 RPL.
Somente os juros desta divida representa 18,5% da RPL o que inviabilizou o funcionamento do
Estado.

INDAGAÇÕES

• Tinha Collares razão para querer a federalização da divida imobiliária comprometendo a receita
do Estado em 7% no primeiro ano e 9% a partir do segundo ano; pagando todas as dívidas em
menos de 20 anos?
• Teriam razão os Burocratas-impertinentes-de-Brasilia determinando que o Estado contribuísse
com a política de estabilização monetária?
• Tiveram razão os governadores, depois do Collares, que aceitaram uma dívida sem ter recebido
qualquer dinheiro?

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SOLUÇÃO: CORAGEM PARA ROMPER OS PARADIGMAS

Porto Alegre, março de 2006.

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