88

7 Matrimônio
§1603 O MATRÌMÔNÌO NA ORDEM DA CRÌAÇÃO "A íntima
comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e
dotou com suas leis [...] O próprio [...] Deus é o autor do
matrimônio. "A vocação para o Matrimônio está inscrita na
própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da
mão do Criador. O casamento não é uma instituição
simplesmente humana, apesar das inúmeras variações que
sofreu no curso dos séculos, nas diferentes culturas,
estruturas sociais e atitudes espirituais. Essas diversidades
não devem fazer esquecer os traços comuns e permanentes.
Ainda que a dignidade desta instituição não transpareça em
toda parte com a mesma clareza, existe, contudo, em todas
as culturas, um certo sentido da grandeza da união
matrimonial. "A salvação da pessoa e da sociedade humana
está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade
conjugal e familiar.¨
§1605 Que o homem e a mulher tenham sido criados um para
o outro, a sagrada Escritura o afirma: "Não é bom que O
homem esteja só¨ (Gn 2,
18
). A mulher, "carne de sua carne¨, é,
igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um
"auxilio¨, representando, assim, "Deus, em quem está o nosso
socorro¨. "Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se
une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne¨ (Gn 2,
24
).
Que isto significa uma unidade indefectível de suas duas
vidas, o próprio Senhor no-lo mostra lembrando qual foi, 'na
origem¨, o desígnio do Criador (Cf Mt 19,
4
): "De modo que já
não são dois, mas uma só carne¨ (Mt 19,
6
).
7.1 A união é sagrada
Ef 5,
25
Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a
Ìgreja e se entregou por ela,
26
para a santificar, purificando-a, no
banho da água, pela palavra. [...]
33
De qualquer modo, também
vós: cada um ame a sua mulher como a si mesmo; e a mulher
respeite o seu marido.
89
7.1.1 Ordenado por Deus
Gn 1,
27
Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à
imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher.
28
Abençoando-
os, Deus disse-lhes: "Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai
a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus
e sobre todos os animais que se movem na terra.¨
Gn 2,
18
O Senhor Deus disse: "Não é conveniente que o homem
esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele.¨ [...]
22
Da
costela que retirara do homem, o Senhor Deus fez a mulher e
conduziu-a até ao homem.
23
Então, o homem exclamou: "Esta é,
realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne.
Chamar-se-á mulher, visto ter sido tirada do homem!¨
24
Por esse
motivo, o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua
mulher; e os dois serão uma só carne.
Tb 8,
5
Levantaram-se ambos e
puseram-se a orar e a implorar que lhes
fosse enviada a salvação, dizendo:
"Bendito sejas, Deus dos nossos pais, e
bendito seja o teu nome, por todas as
gerações; louvem-te os céus e todas as
tuas criaturas, por todos os séculos.
6
Tu
criaste Adão e deste-lhe Eva, sua esposa, como amparo valioso,
e de ambos procedeu a linhagem dos homens. Com efeito,
disseste: Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe uma
auxiliar semelhante a ele.
7
Agora, Senhor, Tu bem sabes que não
é com paixão depravada que agora tomo por esposa a minha
irmã, mas é com intenção pura. Permite, pois, que eu e ela
encontremos misericórdia, e cheguemos juntos à velhice.¨
7.1.2 Duas pessoas em uma só carne
Mt 19,
3
Alguns fariseus, para o experimentarem, aproximaram-
se dele e disseram-lhe: "É permitido a um homem divorciar-se da
sua mulher por qualquer motivo?¨
4
Ele respondeu: "Não lestes
que o Criador, desde o princípio, fê-los homem e mulher,
5
e
disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua
mulher, e serão os dois um só?
6
Portanto, já não são dois, mas
um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.¨
90
Ef 5,
31
Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua
mulher e serão os dois uma só carne.
7.1.3 Os filhos são uma bêncão de
Deus
Sl 127(126),
3
Olhai: os filhos são uma
bênção do Senhor; o fruto das entranhas,
uma verdadeira dádiva.
Sl 128(127),
3
A tua esposa será como
videira fecunda na intimidade do teu lar; os
teus filhos serão como rebentos de oliveira ao redor da tua mesa.
4
Assim vai ser abençoado o homem que obedece ao Senhor.
1Sm 1,
6
Além disso, a sua rival afligia-a
duramente, humilhando-a, por o Senhor a ter feito
estéril.
a
[...]
10
Ana, profundamente amargurada, orou
ao Senhor e chorou copiosas lágrimas.
11
E fez um
voto, dizendo: "Senhor do universo, se te dignares
olhar para a aflição da tua serva e te lembrares de
mim, se não te esqueceres da tua serva e lhe deres
um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor, por
todos os dias da sua vida, e a navalha não passará sobre a sua
cabeça.¨
7.2 O divórcio não é permitido
7.2.1 Lei sobre o divórcio no Antigo Testamento
Dt 24,
1"
Quando um homem tomar uma mulher e a desposar, se
depois ela deixar de lhe agradar, por ter descoberto nela algo de
vergonhoso, escrever-lhe-á um documento de divórcio, entregar-
lho-á em mão e despedi-la-á de sua casa.
2
Se ela, tendo saído
da casa dele, for desposar outro homem
3
e este último também a
desprezar, escrever-lhe-á um documento de divórcio, entregar-
lho-á na mão e despedi-la-á da sua casa; ou se o segundo
marido vier a falecer,
4
o primeiro que a tinha repudiado já não
|a| A importância da mulher residia sobretudo na maternidade. Por isso. a
esterilidade causava complexo de inIerioridade. era motivo de vergonha e sinal
de um castigo de Deus (Gn 18.
1-15
).
91
poderá desposá-la, voltando a recebê-la como mulher, porque é
considerada impura. Ìsso seria uma abominação aos olhos do
Senhor, e não deves fazer pecar a terra que o Senhor, teu Deus,
te há-de dar em herança.¨
7.2.2 Adultério e escândalo
Mt 5,
27"
Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério.
28
Eu,
porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher,
desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração.
7.2.3 1esus e o divórcio
Mt 5,
31
"Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher,
dê-lhe documento de divórcio. Eu, porém, digo-vos: Aquele que
se divorciar da sua mulher ÷ exceto em caso de união ilegal ÷
expõe-na a aduItério, e quem casar com a divorciada comete
aduItério.
Mt 19,
9
Ora Eu digo-vos: Se alguém se divorciar da sua mulher
÷ exceto em caso de união ilegal ÷ e casar com outra, comete
aduItério.
Mc 10,
2
Aproximaram-se uns fariseus e perguntaram-lhe, para o
experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher.
3
Ele
respondeu-lhes: "Que vos ordenou Moisés?¨
4
Disseram: "Moisés
mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.¨
5
Jesus retorquiu: "Devido à dureza do vosso coração é que ele
vos deixou esse preceito.
6
Mas, desde o princípio da criação,
Deus fê-los homem e mulher.
7
Por isso, o homem deixará seu pai
e sua mãe para se unir à sua mulher,
8
e serão os dois um só.
Portanto, já não são dois, mas um só.
9
Pois bem, o que Deus
uniu não o separe o homem.¨
10
De regresso a casa, de novo os
discípulos o interrogaram acerca disto.
11
Jesus disse: "Quem se
divorciar da sua muIher e casar com outra, comete aduItério
contra a primeira.
12
E se a muIher se divorciar do seu marido
e casar com outro, comete aduItério.¨
Lc 16,
14
Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas
palavras e troçavam dele.
15
Jesus disse-lhes: "Vós pretendeis
passar por justos aos oIhos dos homens, mas Deus conhece
os vossos corações. Porque o que os homens têm por muito
92
eIevado é abomináveI aos oIhos de Deus.
16
A Lei e os Profetas
subsistiram até João; a partir de então, é anunciada a Boa-Nova
do Reino de Deus, e cada qual esforça-se por entrar nele.
17
Ora,
é mais fáciI que o céu e a terra passem do que cair um só
acento da Lei.
18
Todo aqueIe que se divorcia da sua muIher e
casa com outra comete aduItério; e quem casa com uma
muIher divorciada comete aduItério.¨
7.2.4 Reconcilie-se com seu marido (sua esposa)!
1Cor 7,
10
Aos que já estão casados, ordeno, não eu, mas o
Senhor, que a mulher não se separe do marido;
11
se, porém, está
separada, não se case de novo, ou, então, reconciIie-se com
o marido; e o marido não repudie a sua muIher.
7.2.5 A morte dissolve o matrimônio
Rm 7,
2
Assim, a mulher casada só está vinculada por lei a um
homem, enquanto ele for vivo. Mas, se o marido morrer, fica
liberta da lei que a liga ao marido.
3
Por conseguinte, enquanto o
marido for vivo, será declarada adúltera, se vier a dar-se a outro
homem. Mas, se o marido morrer, fica livre da lei e não comete
adultério, ao dar-se a outro homem.
1Cor 7,
39
A muIher permanece Iigada ao seu marido
enquanto eIe viver. Se, porém, o marido vier a falecer, fica livre
para se casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.
7.3 Divórcio no Catecismo da Igreja Católica
7.3.1 Divórcio civil
§2383 A separação dos esposos com a manutenção do vínculo
matrimonial pode ser legítima em certos casos previstos pelo Direito
canônico (cf. CÌC, cânones 1151-1155). Se o divórcio civil for a única
maneira possível de garantir certos direitos legítimos, o cuidado dos
93
filhos ou a defesa do patrimônio, pode ser tolerado sem constituir
uma falta moral.
7.3.2 Consequências do divórcio entre cônjuges católicos
§1650 São numerosos hoje, em muitos países, os católicos que
recorrem ao divórcio segundo as leis civis e que contraem
civicamente uma nova união. A Ìgreja, por fidelidade à palavra de
Jesus Cristo ("Todo aquele que repudiar sua mulher e desposar
outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar seu
marido e desposar outro comete adultério¨: Mc 10,
11-12
), afirma que
não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro
casamento foi válido. Se os divorciados tornam a casar-se no civil,
ficam numa situação que contraria objetivamente a lei de Deus.
Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto
perdurar esta situação. Pela mesma razão não podem exercer
certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação pelo sacramento
da Penitência só pode ser concedida aos que se mostram
arrependidos por haver violado o sinal da aliança e da fidelidade a
Cristo e se comprometem a viver numa continência completa.
§1664 A unidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade
essenciais ao Matrimônio. A poligamia é incompatível com unidade
do matrimônio; o divórcio separa o que Deus uniu; a recusa da
fecundidade desvia a vida conjugal de seu mais excelente": a prole.
§2384 O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper
o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o
outro até a morte. O divórcio lesa a Aliança de salvação da qual o
matrimônio sacramental é o sinal. O fato de contrair nova união,
mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da
ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de
adultério público e permanente: Se o marido, depois de se separar
de sua mulher, se aproximar de outra mulher, se torna adúltero,
porque faz essa mulher cometer adultério; e a mulher que habita
com ele é adúltera, porque atraiu a si o marido de outra.
§2385 O caráter imoral do divórcio deriva também da desordem que
introduz na célula familiar e na sociedade. Esta desordem acarreta
graves danos: para o cônjuge que fica abandonado; para os filhos,
traumatizados pela separação dos pais, e muitas vezes disputados
entre eles (cada um dos cônjuges querendo os filhos para si); e seu
efeito de contágio, que faz dele urna verdadeira praga social.
94
§2400 O adultério e o divórcio, a poligamia e a união livre são
ofensas graves à dignidade do casamento.
7.3.3 Definicão de divórcio
§2384 O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper
o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o
outro até a morte. O divórcio lesa a Aliança de salvação da qual o
matrimônio sacramental é o sinal. O fato de contrair nova união,
mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da
ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de
adultério público e permanente: Se o marido, depois de se separar
de sua mulher, se aproximar de outra mulher, se torna adúltero,
porque faz essa mulher cometer adultério; e a mulher que habita
com ele é adúltera, porque atraiu a si o marido de outra.
7.3.4 Indissolubilidade do Matrimônio e divórcio
§2382 O Senhor Jesus insistiu na intenção original do Criador, que
queria um casamento indissolúvel. Ab-roga as tolerâncias que se
tinham introduzido na Lei antiga. Entre batizados, o matrimonio
ratificado e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder
humano nem por nenhuma causa, exceto a morte.
7.3.5 Inocência do cônjuge injustamente abandonado
§2386 Pode acontecer que um dos cônjuges seja a vítima inocente
do divórcio decidido pela lei civil; neste caso, ele não viola o preceito
moral. Existe uma diferença considerável entre o cônjuge que se
esforçou sinceramente por ser fiel ao sacramento do Matrimônio e
se vê injustamente abandonado e aquele que, por uma falta grave
de sua parte, destrói um casamento canonicamente válido.
7.3.6 Obra de caridade para com os divorciados
§1651 A respeito dos cristãos que vivem nesta situação e
geralmente conservam a fé e desejam educar cristãmente seus
filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar prova de uma
solicitude atenta, a fim de não se considerarem separados da Ìgreja,
pois, como batizados, podem e devem participar da vida da Ìgreja:
Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício
da missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras
de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a
95
educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de
penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus.
A muIher adúItera
Jo 8,
1 [.]
Jesus sentou-se e pôs-se a ensinar.
3
Então, os doutores da
Lei e os fariseus trouxeram-lhe certa mulher apanhada em adultério,
colocaram-na no meio
4
e disseram-lhe: "Mestre, esta mulher foi
apanhada a pecar em flagrante adultério.
5
Moisés, na Lei, mandou-nos
matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?¨
6
Faziam-lhe esta
pergunta para o fazerem cair numa armadilha e terem de que o acusar.
Mas Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo
na terra.
7
Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes:
"Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!¨
8
E,
inclinando-se novamente para o chão, continuou a escrever na terra.
9
Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos,
e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio deles.
10
Então, Jesus
ergueu-se e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te
condenou?¨
11
Ela respondeu: "Ninguém, Senhor.¨ Disse-Ihe Jesus:
"Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes
a pecar.¨
96
7.4 A Recepção da Sagrada Comunhão por Divorciados
CONGREGACÃO PARA A DOUTRINA DA FE
CARTA AOS BISPOS DA IGREJA CATOLICA
A RESPEITO DA RECEPCÄO DA
COMUNHÄO EUCARISTICA POR FIÉIS
DIVORCIADOS NOVAMENTE CASADOS
Excelência Reverendissima.
1. O Ano Internacional da Familia e uma ocasião particularmente
importante para redescobrir os testemunhos do amor e da solicitude da
Igreia pela Iamilia
a
e. ao mesmo tempo. propor novamente as riquezas
inestimaveis do matrimônio cristão que constitui o Iundamento da
Iamilia.
2. Neste contexto. merecem uma especial atencão as diIiculdades e os
soIrimentos dos Iieis que se encontram em situacões matrimoniais
irregulares
b
. De Iato. os pastores são chamados a Iazer sentir a caridade
de Cristo e a materna solicitude da Igreia. acolhendo-os com amor.
exortando-os a conIiar na misericordia de Deus e. com prudência e
respeito. sugerindo-lhes caminhos concretos de conversão e participacão
na vida da comunidade eclesial
c
.
3. Cientes. porem. de que a compreensão autêntica e a genuina
misericordia nunca andam separadas da verdade
d
. os pastores têm o
dever de recordar a estes Iieis a doutrina da Igreia a proposito da
celebracão dos sacramentos e em particular da recepcão da Eucaristia.
Sobre este ponto. nos ultimos anos em varias regiões Ioram propostas
diversas solucões pastorais segundo as quais certamente não seria
possivel uma admissão geral dos divorciados novamente casados a
comunhão eucaristica. mas poderiam aproximar-se desta em
determinados casos. quando segundo a sua consciência a tal se
considerassem autorizados. Assim. por exemplo. quando tivessem sido
abandonados de modo totalmente iniusto. embora se tivessem esIorcado
sinceramente para salvar o matrimônio precedente ou quando
estivessem convencidos da nulidade do matrimônio anterior. mesmo não
|a| CIr JOÃO PAULO II. Carta as Familias (2 de Fevereiro de 1994). n. 3.
|b| CIr JOÃO PAULO II. Exort. ap. Familiaris consortio. nn. 79-84: AAS 74 (1982) 180-186.
|c| CIr Ibid.. n. 84: AAS 74 (1982) 185; Carta as Familias. n. 5; Catecismo da Igreia Catolica. n. 1651.
|d| CIr PAULO VI. Carta enc. Humanae vitae. n. 29: AAS 60 (1968) 501; JOÃO PAULO II. Exort. ap.
Reconciliatio et paenitentia. n. 34: AAS 77 (1985) 272; Carta enc. Veritatis splendor. n. 95: AAS 85 (1993) 1208.
97
podendo demonstra-la no Ioro externo. ou então quando tivessem ia
transcorrido um longo periodo de reIlexão e de penitência ou mesmo
quando não pudessem. por motivos moralmente validos. satisIazer a
obrigacão da separacão.
Em alguns lugares tambem se propôs que. para examinar
obietivamente a sua eIetiva situacão. os divorciados novamente casados
deveriam encetar um coloquio com um sacerdote criterioso e entendido.
Mas este sacerdote teria de respeitar a eventual decisão de consciência
deles de se abeirarem da Eucaristia. sem que isso implicasse uma
autorizacão oIicial.
Nestes e em semelhantes casos tratar-se-ia de uma solucão pastoral
tolerante e benevola para poder Iazer iustica as diversas situacões dos
divorciados novamente casados.
4. Mesmo sabendo-se que solucões pastorais analogas Ioram
propostas por alguns Padres da Igreia e entrarem em alguma medida
tambem na pratica. contudo elas iamais obtiveram o consenso dos
Padres e de nenhum modo vieram a constituir a doutrina comum da
Igreia nem a determinar a sua disciplina. Compete ao Magisterio
universal da Igreia. na Iidelidade a Escritura e a Tradicão. ensinar e
interpretar autenticamente o depositum fidei.
Face as novas propostas pastorais acima mencionadas. esta
Congregacão considera pois sue dever reaIirmar a doutrina e a disciplina
da Igreia nesta materia. Por Iidelidade a palavra de Jesus Cristo
a
. a
Igreia sustenta que não pode reconhecer como valida uma nova união.
se o primeiro Matrimônio Ioi valido. Se os divorciados se casam
civilmente. Iicam numa situacão obietivamente contraria a lei de Deus.
Por isso. não podem aproximar-se da comunhão eucaristica. enquanto
persiste tal situacão
b
.
Esta norma não tem. de forma alguma. um carácter punitivo ou
então discriminatório para com os divorciados novamente casados.
mas exprime antes uma situacão objectiva que por si torna
impossível o acesso à comunhão eucarística: ~Não podem ser
admitidos. já que o seu estado e condicões de vida contradizem
objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja.
significada e atuada na Eucaristia. Há. além disso. um outro
|a| Mc 10.
11
Quem repudia sua mulher e casa com outra comete adulterio em relacão a primeira;
12
e se uma
mulher repudia seu marido e casa com outro. comete adulterio.
|b| CIr Catecismo da Igreia Catolica. n. 1650; cIr tambem n. 1640 e CONCILIO DE TRENTO. sess. XXIV:
DSch. 1797-1812.
98
peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à
Eucaristia. os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da
doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio¨
a
.
Para os Iieis que permanecem em tal situacão matrimonial. o acesso a
comunhão eucaristica e aberto unicamente pela absolvicão sacramental.
que pode ser dada 'so aqueles que. arrependidos de ter violado o sinal
da Alianca e da Iidelidade a Cristo. estão sinceramente dispostos a uma
Iorma de vida não mais em contradicão com a indissolubilidade do
matrimônio. Isto tem como consequência. concretamente. que. quando o
homem e a mulher. por motivos serios - como. por exemplo. a educacão
dos Iilhos - não se podem separar. "assumem a obrigacão de viver em
plena continência. isto e. de abster-se dos atos proprios dos côniuges"¨
b
.
Neste caso podem aproximar-se da comunhão eucaristica.
permanecendo Iirme todavia a obrigacão de evitar o escândalo.
5. A doutrina e a disciplina da Igreia sobre esta materia Ioram expostas
amplamente no periodo pos-conciliar pela Exortacão Apostolica
Familiaris consortio. Entre outras coisas. a Exortacão recorda aos
pastores que. por amor da verdade. são obrigados a um cuidadoso
discernimento das diversas situacões e anima-os a encoraiarem a
participacão dos divorciados novamente casados em diversos momentos
da vida da Igreia. Ao mesmo tempo. reaIirma a pratica constante e
universal. 'Iundada na Sagrada Escritura. de não admitir a comunhão
eucaristica os divorciados que contrairam nova união¨
c
. indicando os
motivos da mesma. A estrutura da Exortacão e o teor das suas palavras
deixam entender claramente que tal pratica. apresentada como
vinculante. não pode ser modiIicada com base nas diIerentes situacões.
6. O Iiel que convive habitualmente more uxorio com uma pessoa que
não e a legitima esposa ou o legitimo marido. não pode receber a
comunhão eucaristica. Caso aquele o considerasse possivel. os pastores
e os conIessores - dada a gravidade da materia e as exigências do bem
espiritual da pessoa
d
e do bem comum da Igreia - têm o grave dever de
adverti-lo que tal iuizo de consciência esta em evidente contraste com a
doutrina da Igreia
e
. Devem tambem recordar esta doutrina no
ensinamento a todos os Iieis que lhes estão conIiados.
|a| Exort. ap. Familiaris consortio. n. 84: AAS 74 (1982) 185-186.
|b| Ibid.. n. 84: AAS 74 (1982) 186; cIr JOÃO PAULO II. Homilia no encerramento do VI Sinodo dos Bispos.
n. 7: AAS 72 (1980) 1082.
|c| Exort. ap. Familiaris consortio. n. 84: AAS 74 (1982) 185.
|d| CIr 1Cor 11.27-29.
|e| CIr Codigo de Direito Canônico. cân. 978 §2.
99
Isto não signiIica que a Igreia não tenha a peito a situacão destes Iieis
que. alias. de Iato não estão excluidas da comunhão eclesial. Preocupa-
se por acompanha-las pastoralmente e convida-las a participar na vida
eclesial na medida em que isso seia compativel com as disposicões do
direito divino. sobre as quais a Igreia não possui qualquer poder de
dispensa
a
. Por outro lado. e necessario esclarecer os Iieis interessados
para que não considerem a sua participacão na vida da Igreia reduzida
exclusivamente a questão da recepcão da Eucaristia. Os Iieis hão-de ser
aiudados a aproIundar a sua compreensão do valor da participacão no
sacriIicio de Cristo na Missa. da comunhão espiritual
b
. da oracão. da
meditacão da palavra de Deus. das obras de caridade e de iustica
c
.
7. A conviccão errada de poder um divorciado novamente casado
receber a comunhão eucaristica pressupõe normalmente que se atribui a
consciência pessoal o poder de decidir. em ultima instância. com base na
propria conviccão
d
. sobre a existência ou não do matrimônio anterior e
do valor da nova união. Mas tal atribuicão e inadmissivel
e
. EIetivamente
o matrimonio. enquanto imagem da união esponsal entro Cristo e a sua
Igreia. e nucleo de base e Iator importante na vida da sociedade civil.
constitui essencialmente uma realidade publica.
8. Certamente e verdade que o iuizo sobre as proprias disposicões para
o acesso a Eucaristia deve ser Iormulado pela consciência moral
adequadamente Iormada. Mas. e igualmente verdade que o
consentimento. pelo qual e constituido o matrimônio. não e uma simples
decisão privada. visto que cria para cada um dos esposos e para o casal
uma situacão especiIicamente eclesial e social. Portanto o iuizo da
consciência sobre a propria situacão matrimonial não diz respeito
apenas a uma relacão imediata entre o homem e Deus. como se se
pudesse prescindir daquela mediacão eclesial. que inclui tambem as leis
canônicas que obrigam em consciência. Não reconhecer este aspecto
essencial signiIicaria negar. de Iacto. que o matrimônio existe como
realidade da Igreia. quer dizer. como sacramento.
|a| CIr Catecismo da Igreia Catolica. n. 1640.
|b| CIr CONGREGACÃO PARA A DOUTRINA DA FE. Carta aos Bispos da Igreia Catolica sobre algumas
questões respeitantes ao Ministro da Eucaristia. III/4: AAS 75 (1983) 1007; SANTA TERESA DE AVILA.
Caminho de perIeicão. 35.1; SANTO AFONSO MARIA DE LIGORIO. Visitas ao Santissimo Sacramento e a
Maria Santissima.
|c| CIr Exort. ap. Familiaris consortio. n. 84: AAS 74 (1982) 185.
|d| CIr Carta enc. Veritatis splendor. n. 55: AAS 85 (1993) 1178.
|e| CIr Codigo de Direito Canônico. cân. 1085 §2.
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9. De outra parte. a Exortacão Apostolica Familiaris Consortio.
quando convida os pastores a distinguir bem as varias situacões dos
divorciados novamente casados. recorda tambem o caso daqueles que
estão subietivamente certos em consciência que o matrimônio anterior.
irremediavelmente destruido. iamais Iora valido
a
. Deve-se certamente
discernir. atraves da via de Ioro externo estabelecida pela Igreia. se
obietivamente existe tal nulidade do matrimonio. A disciplina da Igreia.
enquanto conIirma a competência exclusiva dos tribunais eclesiasticos
no exame da validade do matrimônio dos catolicos. oIerece agora novos
caminhos para demonstrar a nulidade do matrimônio precedente.
procurando assim excluir. quanto possivel. qualquer distância entre a
verdade veriIicavel no processo e a verdade obiectiva conhecida pela
reta consciência
b
.
Ater-se ao iuizo da Igreia e observar a disciplina vigente acerca da
obrigatoriedade da Iorma canônica como condicão necessaria para a
validade dos matrimônios dos catolicos. e o que verdadeiramente
aproveita ao bem espiritual dos Iieis interessados. Com eIeito. a Igreia e
o Corpo de Cristo. e viver a comunhão eclesial e viver no Corpo de
Cristo e nutrir-se do Corpo de Cristo. Ao receber o sacramento da
Eucaristia. a comunhão com Cristo Cabeca não pode iamais ser
separada da comunhão com seus membros. isto e. com sua Igreia. Por
isso. o sacramento da nossa união com Cristo e tambem o sacramento da
unidade da Igreia. Receber a comunhão eucaristica em contraste com a
comunhão eclesial e. pois. algo de contraditorio em si mesmo. A
comunhão sacramental com Cristo inclui e pressupõe a observância.
mesmo se as vezes pode ser diIicil. das exigências da comunhão
eclesial. e não pode ser iusta e IrutiIera se o Iiel. mesmo querendo
aproximar-se diretamente de Cristo. não observa estas exigências.
10. Em harmonia com o que Iicou dito ate agora. ha que realizar
plenamente o deseio expresso pelo Sinodo dos Bispos. assumido pelo
Santo Padre João Paulo II e atuado com empenhamento e com louvaveis
iniciativas por parte de bispos. sacerdotes. religiosos e Iieis leigos: com
solícita caridade. fazer tudo quanto possa fortificar no amor de
Cristo e da Igreja os fiéis que se encontram em situacão
matrimonial irregular. Só assim será possível para eles acolherem
plenamente a mensagem do matrimônio cristão e suportarem na fé
|a| CIr Exort. ap. Familiaris consortio. n. 84: AAS 74 (1982) 185.
|b| CIr os câns. 1536 §2 e 1679 do Codigo de Direito Canônico. e os câns. 1217 §2 e 1365 do Codigo dos
Cânones das Igreias Orientais acerca da Iorca probatoria das declaracões das partes em tais processos.
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o sofrimento da sua situacão. Na acão pastoral. dever-se-a realizar
todo o esIorco para que seia bem compreendido que não se trata de
nenhuma discriminacão. mas apenas de Iidelidade absoluta a vontade de
Cristo que restabeleceu e de novo nos conIiou a indissolubilidade do
matrimônio como dom do Criador. Sera necessario que os pastores e a
comunidade dos Iieis soIram e amem unidos as pessoas interessadas.
para que possam reconhecer tambem no seu Iardo o iugo suave e o Iardo
leve de Jesus
a
. O seu Iardo não e suave e leve enquanto pequeno ou
insigniIicante. mas torna-se leve porque o Senhor - e iuntamente com
Ele toda a Igreia - o compartilha. E dever da acão pastoral. que ha-de ser
desempenhada com total dedicacão. oIerecer esta aiuda Iundada
coniuntamente na verdade e no amor.
Unidos no compromisso colegial de Iazer resplandecer a verdade de
Jesus Cristo na vida e na pratica da Igreia. tenho o prazer de me
proIessar de Vossa Excelência Reverendissima devotissimo em Cristo.
b
1osef Card. Ratzinger
Prefeito
+ Alberto Bovone
Arcebispo tit. de Cecareia de Numidia
Secretario
|a| CIr. Mt 11. 30.
|b| O Sumo PontiIice João Paulo II. no decorrer da Audiência concedida ao Cardeal PreIeito. aprovou a presente
carta. decidida na reunião ordinaria desta Congregacão e ordenou a sua publicacão. Roma. da Sede da
Congregacão para a Doutrina da Fe. 14 de setembro de 1994. na Festa da Exaltacão da Santa Cruz.

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