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UFRJ – Escola de Comunicação Aluna: Laura Evelyn Dourado de Oliveira / DRE: 112035606

Resumo do texto: As origens do copyright e a ideologia do autor

O direito de copiar um texto para obter lucro foi a base sobre a qual se ergueu toda a indústria editorial. A ideia do autor como proprietário de sua obra se estabeleceu no século XVIII e foi uma invenção dos livreiros, que precisavam de garantias de longo prazo que lhes permitissem fazer investimentos em máquinas e matérias-primas. Foi na França revolucionária que o autor passou a ser definitivamente reconhecido como detentor de direitos morais e patrimoniais sobre os textos literários que mostravam seu gênio e sua forma singular de se expressar. Com base na originalidade da forma, o Estado reconhecia e protegia a propriedade literária, mesmo que o manuscrito da obra fosse cedido permanentemente aos editores para fins de exploração comercial. O surgimento da imprensa propiciou a aceleração da produção de livros e a ampliação da base de consumidores, aumentando a oferta e diminuindo os custos. Eram impressos muitos livros religiosos e escolares, e aos poucos, os livreiros começaram a investir em gêneros variados, como poesia, tratados, dramaturgia, entre outros. O prejuízo que algumas obras davam era compensado pelo lucro obtido com as obras que vendiam bem. Através desse tipo de experiência, os livreiros perceberam que o sucesso de seus negócios dependia da formação de um bom catálogo. Era preciso publicar uma quantidade razoável de títulos, de forma que os livros de venda rápida e os livros de venda lenta e constante produzissem renda suficiente para cobrir o prejuízo dos livros que vendiam pouco. A partir do momento em que se percebeu a importância da formação de catálogo, surgiu o problema da exclusividade. Todos escolhiam e publicavam as mesmas obras. Não havia exclusividade e, consequentemente, não havia diferenças significativas entre os catálogos, o que trazia prejuízo para todos os livreiros. Foi então que alguém teve a ideia de solicitar ao rei o privilégio de ser o único a imprimir tal livro durante algum tempo, até que houvesse retorno do investimento na edição. Instituiu-se o privilégio de impressão, que estimulou os livreiros a publicarem obras de autores contemporâneos. A duração do privilégio de imprimir um manuscrito comprado era limitada, mas o editor não encontrava dificuldades para negociar uma prorrogação. A

. poderia garantir um bom preço na negociação de manuscritos.possibilidade de ter o privilégio renovado e continuar imprimindo os livros rentáveis foi motivo de muita tensão entre os livreiros da época. restringindo a liberdade e os direitos dos outros cidadãos. a fim de tornar imperceptível a colaboração do tipógrafo no processo de composição e impressão da obra. Entretanto. Ao afirmar que o livreiro possui uma obra do mesmo modo que a obra pertencia ao autor. Essa ideia de propriedade. na maioria dos países. Ao longo do século XVIII também tiveram início as práticas de uniformização dos procedimentos tipográficos. o autor é dono de sua produção durante toda a sua vida e pode deixa-la como herança por 70 anos a partir de sua morte. a argumentação apresentada pelo iluminista Denis Diderot provocou uma ruptura permanente nas práticas do mercado editorial. Atualmente. aliada às garantias oferecidas ao livreiro pelo copyright. Uns alegavam que os investimentos na edição já haviam sido compensados. garantindo a renovação do privilégio para edições sem cortes ou acréscimos. no entanto. Nas últimas décadas do século XVIII. consolidou-se a proteção do texto fixo e a garantia de que o comprador de um manuscrito pudesse renovar seu privilégio quantas vezes quisesse. Diderot desconstruiu a ideia do privilégio de impressão como uma graça real que dependia unicamente da vontade do rei. passando a representar nada mais do que a proteção de uma transação particular firmada através do contrato entre dois indivíduos livres. Houveram reações contrárias à esses argumentos e afirmações de que a literatura como propriedade particular seria perigosa para o interesse público. outros se defendiam afirmando que a cada nova edição eram feitas correções e mudanças que resultavam em uma nova obra. a lógica industrial prevaleceu. Por meio da ideia industrial de texto fixo e padronizado. o autor e o livreiro. Para Diderot. A definição tradicional do privilégio foi invertida. Esse conceito de autoria desenvolvido com base nas leis de copyright e nas necessidades industriais do mercado livreiro confirma que “a literatura tem sua materialidade”. o reconhecimento da propriedade legítima sobre uma obra literária que expressa sentimentos e pensamentos de um autor era indispensável ao negócio do livro. o copyright passou a ser visto como um título de propriedade que deveria ser respeitado pelas autoridades e que não dependeria mais do controle de dispositivos corporativos e governamentais. No século XVIII. Depois de muita disputa. ou transmitir seus direitos por meio de herança ou venda. Assim. consolidou-se a ideologia do autor. as ideias de Diderot prevaleceram e permanecem predominantes até hoje.