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MERCADOS

// Novembro 13 // Portugalglobal 28
Marrocos é um importante parceiro comercial de Portugal, destacando-se,
nos últimos anos, o crescimento regular das exportações portuguesas de bens
para este país. O número de empresas portuguesas presentes no mercado
tem igualmente vindo a aumentar – deverão ascender a cerca de 200
actualmente –, assistindo-se a uma diversificação da sua área de negócios,
inicialmente centrada na fileira da construção.
Neste dossier, conheça as potencialidades que este mercado representa para as
empresas e para a economia nacionais.
MARROCOS
POTENCIAL PARA CRESCER
MERCADOS
Portugalglobal // Novembro 13 // 29
Ao longo da última década Marrocos
tem vindo a afirmar-se como um pólo de
estabilidade e crescimento económico na
zona do Magrebe. Marrocos tem prosse-
guido uma estratégia coerente de mo-
dernização e abertura que lhe permitiu,
apesar da contracção económica do seu
principal parceiro – a UE –, manter uma
taxa de crescimento médio superior a 4
por cento. Ao contrário de outros países
da região, que procuram ainda um novo
ponto de equilíbrio político na sequência
da “Primavera árabe”, Marrocos conse-
guiu também manter uma trajectória de
estabilidade, procurando novas soluções
de abertura democrática, alicerçadas
numa tradição de efectivo pluralismo. O
governo saído das eleições posteriores à
adopção da nova Constituição de 2011
inclui, pela primeira vez, partidos de re-
ferência islamista. A recente remodela-
ção do governo, com a substituição de
um dos principais parceiros da coligação
por um partido que até agora estava na
oposição, sem que fosse necessário in-
terromper a presente legislatura, é mais
uma prova da maturidade e solidez do
sistema político.
Esta estabilidade política tem por sua
vez permitido seguir uma política de
desenvolvimento económico a médio e
longo prazo que está a dar os seus fru-
tos. Marrocos apostou numa estratégia
de inserção na economia mundial, arris-
cando-se a abrir as suas fronteiras para
também estar em condições de atrair
mais investimento externo. A aposta pa-
ralela na formação de uma mão-de-obra
qualificada, na criação de uma rede lo-
gística bem dimensionada, a garantia de
um ambiente de negócios aberto e pre-
visível, têm sido alguns dos ingredientes
que estão a diferenciar Marrocos como
um dos pólos de crescimento na região.
Marrocos está assim a colocar-se como
um dos principais parceiros numa lógi-
ca de aprofundamento da cooperação
mediterrânica, entre países da UE e da
margem Sul do Mediterrâneo.
NOVA FASE NAS RELAÇÕES
PORTUGAL - MARROCOS
>POR FRANCISCO XAVIER ESTEVES, EMBAIXADOR DE PORTUGAL EM MARROCOS
Para além de uma tradição multissecu-
lar de convivência histórica, ainda hoje
tão presente na paisagem física dos dois
países, Portugal e Marrocos têm uma
relação de franca e fluida amizade, sem
sombras, entre Estados e Povos. Sempre
isso foi reconhecido, ao mesmo tempo
que lamentávamos ambos que essa re-
lação de convivência tão espontânea e
natural não atingisse todo o seu poten-
cial. Nos últimos anos, começámos feliz-
mente a ver avanços significativos que
nos fazem esperar que estamos no bom
caminho. Os fluxos turísticos e outros en-
tre os dois países estão-se a intensificar:
a TAP voa hoje para Casablanca, Marra-
quexe e, agora, Tânger – com frequên-
cia cada vez maior e com aeronaves de
maior capacidade – e a RAM é também
crescentemente utilizada para estabe-
lecer ligações com outros destinos quer
na África Ocidental, quer mesmo com a
África Austral (Luanda). Está-se assim a
criar uma malha de ligações entre os dois
países cada vez mais densa, propiciadora
de novas oportunidades.
As empresas portuguesas estão, em
larga medida, a liderar este movimento
de aproximação entre os dois países. As
trocas económicas entre Portugal e Mar-
rocos continuam a crescer de forma re-
gular, sendo este país já o nosso segundo
parceiro em África e o décimo no mun-
do. Mais de 150 empresas portuguesas
operam actualmente em Marrocos e
muitas mais têm com ele relações co-
merciais. Desde o sector agro-alimentar
e agro-industrial ao sector farmacêutico,
dos serviços à construção, da logística à
hotelaria, do têxtil ao calçado, do sector
automóvel à metalomecânica, são muito
diversas as áreas de actuação das empre-
sas portuguesas. Começam a multiplicar-
se os exemplos de instalação de unida-
des de produção em Marrocos, nalguns
casos mais orientadas para o mercado
local, mas crescentemente também para
a exportação, usando Marrocos como
plataforma exportadora.
Esta grande diversidade permite esperar
que esta dinâmica no relacionamento
económico bilateral possa resistir me-
lhor a variações de conjuntura. Comple-
mentando as iniciativas dos governos
dos dois países, a Câmara de Comércio
Luso-marroquina, em Lisboa, e a As-
sociation Maroc-Portugal des Affaires
(AMPA) têm vindo a desempenhar um
papel inestimável de fomento deste re-
lacionamento económico, aproximando
empresários dos dois países. É legítima
a expectativa de que à medida que a
economia europeia vá recuperando e
que Marrocos consolide a sua estra-
tégia de desenvolvimento, as relações
entre Portugal e Marrocos aprofundem
esta trajectória de expansão das trocas
económicas registada nos últimos anos.
Começam cada vez mais a surgir par-
cerias entre empresas dos dois países
e podemos não estar longe de futuros
cruzamentos de interesses para poten-
ciar a intervenção noutros mercados. Os
dois países parecem assim estar a redes-
cobrir, com vigor, as vantagens da sua
proximidade humana, cultural, geográ-
fica, retomando uma convivência mul-
tissecular e preenchendo, finalmente,
as expectativas de relacionamento mais
intenso que a real amizade entre os dois
países nos permitem ter.
MERCADOS
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Em 2012, a economia marroquina cres-
ceu 2,7 por cento apesar da conjuntura
adversa a nível mundial e, mais concre-
tamente, a do seu principal parceiro
económico, a Europa. Para a quebra
de 2,3 por cento no PIB, em relação a
2011, contribuíram o mau ano agrícola
(uma quebra de produção de 9,2 por
cento), o elevado preço das matérias-
primas e da energia, o fraco desempe-
nho das exportações e aumento das
importações, bem como a diminuição
das remessas de emigrantes e o tímido
aumento das receitas do Turismo.
Neste contexto, o défice do sector públi-
co em 2012 foi de 8,3 por cento, sofren-
do um agravamento de 1,2 por cento,
em relação a 2011. Na origem deste
agravamento, está um recuo das receitas
fiscais e um acréscimo de 1,8 por cento
das despesas do Estado, onde os maiores
incrementos de valor foram no Fundo de
Compensação (subsídio combustíveis e
cereais) – mais 19,3 por cento, forneci-
mento de outros bens e serviços – mais
18 por cento, custo da dívida pública –
mais 15,3 por cento, e custos com pesso-
al – mais 4,1 por cento. Quanto à dívida
do país, esta passou de 64,8 por cento
MARROCOS
O CRESCIMENTO CONTINUA
>POR RUI CORDOVIL, DIRECTOR DO CENTRO DE NEGÓCIOS DA AICEP EM MARROCOS
em 2011 para 71,2 por cento do PIB.
Estima-se que em 2012 o custo do fun-
do de compensação tenha sido cerca 6,5
por cento do PIB, apesar do governo ter
diminuído o subsídio aos combustíveis.
A balança comercial marroquina é es-
truturalmente deficitária, tendo-se veri-
ficado um agravamento significativo do
défice em 2011, o qual atingiu perto de
19,5 mil milhões de dólares. As estima-
tivas relativas a 2012, face ao ano ante-
rior, apontam para um aumento das ex-
portações e das importações de 1,4 por
cento e 3,6 por cento, respectivamente,
com implicações negativas em termos
de défice comercial, que terá atingido
20,6 mil milhões de dólares (mais 6,1
por cento face a 2011), representando
mais de 20 por cento do PIB.
A inflação aumentou 0,4 por cento,
fixando-se no final do ano em 1,3 por
cento. Quanto ao desemprego mante-
ve-se em torno dos 9 por cento.
No final do ano passado, o PIB per capi-
ta terá sido de 2.950 dólares, registando
uma ligeira quebra relativamente a 2011
(3.070 dólares), mas em 2013 estima-se
que recupere para os 3.100 dólares.
Refira-se que Marrocos conseguiu obter
junto do FMI uma linha de “précaution
et liquidité” o que lhe permitiu realizar
um empréstimo internacional de 1,5 mil
milhões dólares com taxas relativamen-
te baixas, equilibrando deste modo a
sua contabilidade nacional em 2012.
No início do corrente ano a economia
marroquina não cresceu como era ex-
MERCADOS
Portugalglobal // Novembro 13 // 31
“A proximidade entre os dois
países tem tido reflexos muito
positivos nas exportações
de bens portugueses para
Marrocos que, em 2012, foram
na ordem dos 460 milhões
de euros, traduzindo-se num
aumento de 18,7 por cento
relativamente ao ano anterior.”
pectável, mas desde Abril esta situação
tem vindo a alterar-se significativamen-
te, em grande parte devido ao excep-
cional ano agrícola de 2013. Assim, as
previsões de crescimento do PIB foram
revistas em alta e tudo indica que al-
cance os 4,3 por cento, sendo essen-
cialmente impulsionado pelo cresci-
mento de 6,7 por cento do PIB agrícola
e 4,8 por cento para o não agrícola. Em
valor, o PIB deverá rondar os 104,6 mil
milhões de dólares em 2013.
Na origem desta melhoria registada até
Agosto destacam-se: o IDE de 2,4 mil
milhões de euros, aumentando 22 por
cento relativamente a 2012; as receitas
do Turismo cresceram 6,8 por cento;
excluindo os fosfatos, as exportações
cresceram 4,7 por cento. Por outro
lado, as remessas de emigrantes tam-
bém aumentaram e as importações de
energia e bens alimentares diminuíram
no 1º semestre, respectivamente 4,3
por cento e 13,7 por cento.
Paralelamente, a recente indexação
introduzida para ajustar os preços dos
combustíveis às variações do mercado
internacional, uma das mais importan-
tes fontes de despesa do Estado, irá
reduzir montantes atribuídos ao Fundo
de Compensação e consequentemente
aliviar o défice orçamental.
Todavia, saliente-se que o Ministério
das Finanças reviu em alta as previsões
do défice do sector público de 4,3 por
cento para 5,5 por cento, fruto do au-
mento das despesas e revisão do valor
do custo com combustíveis, subestima-
dos no orçamento de 2013.
Face à ligeira recuperação da economia
europeia e à actual dinâmica da eco-
nomia marroquina no último trimestre,
tudo indica que Marrocos poderá conti-
nuar a crescer nos próximos 3 a 4 anos
em torno dos 4,5 por cento ao ano.
A importância do mercado
marroquino para
a economia nacional
Marrocos, pela sua dinâmica económi-
ca e proximidade geográfica, tem vin-
do a aumentar a sua importância como
destino da internacionalização de bens
e serviços das empresas portuguesas.
O facto de Casablanca, a capital eco-
nómica, estar a menos de uma hora e
meia de voo e existirem dois voos diá-
rios com partida em Lisboa, são facto-
res que certamente muito contribuíram
para o desenvolvimento das relações
económicas entre os dois países. Acres-
ce ainda a possibilidade de viajar de
carro para este país (Lisboa / Tanger –
650 quilómetros) o que facilita muito a
realização de negócios.
1,4 por cento e 1,6 por cento, respecti-
vamente. De salientar que, ao longo dos
últimos anos, Portugal tem vindo a me-
lhorar a sua quota de mercado e posição
enquanto fornecedor de Marrocos (1,2
por cento das importações em 2007 e
1,6 por cento em 2012). No contexto da
UE, Portugal posicionou-se em 8º lugar
enquanto cliente e fornecedor.
Na lista dos principais clientes de bens
portugueses, Marrocos ocupa a 13ª
em 2012 (21ª em 2007), é de realçar
que, fora do espaço europeu, ocupou
o quinto lugar, depois de Angola, EUA,
China e Brasil, representando 3,5 por
cento das exportações extracomunitá-
rias em 2012 e é o 2º mercado africano
de destino das nossas exportações.
A estrutura das exportações portugue-
sas para Marrocos, por grandes grupos
de produtos, revela uma predominância
dos metais comuns (22,8 por cento do
total em 2012) e das máquinas e apare-
lhos (17,3 por cento), que, em conjun-
to, representaram 40,1 por cento das
exportações totais em 2012 (42,7 por
cento em 2011 e 47,6 por cento em
2008). Ou seja, é perceptível uma pre-
ponderância dos bens dos sectores da
construção e obras públicas e forneci-
mentos industriais, se bem que se cons-
tata existir uma diversificação da oferta
portuguesa de outros produtos neste
mercado, nomeadamente do sector ali-
Esta proximidade tem tido reflexos mui-
to positivos nas exportações de bens
portugueses que, em 2012, foram na
ordem dos 460 milhões de euros, tra-
duzindo-se num aumento de 18,7 por
cento relativamente ao ano anterior.
Em 2012 Portugal ocupou o 15º lugar
do ranking de clientes e o 14º enquanto
fornecedor, com quotas de mercado de
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mentar, a prestação de serviços de cariz
técnico ou sector automóvel.
No último ano os combustíveis minerais
registaram uma subida muito acentua-
da (mais 458 por cento face a 2011),
colocando-se em 3º lugar do ranking
das exportações portuguesas para o
mercado marroquino, com uma quota
de 12,9 por cento. Das restantes cate-
gorias de produtos, destacam-se ainda
os plásticos e borracha (9,7 por cento),
madeira e cortiça (5,8 por cento), ma-
térias têxteis (5,5 por cento), pastas ce-
lulósicas e papel (5,2 por cento) e pro-
dutos químicos (5,0 por cento).
No decorrer do corrente ano as expor-
tações para Marrocos até Setembro
alcançaram os 605 milhões de euros,
aumentando 70,9 por cento.
Saliente-se que UE27 é o principal
parceiro comercial de Marrocos (repre-
sentou cerca de 59 por cento das ex-
portações do país e 61 por cento das
importações em 2012), sendo a França
e a Espanha os seus principais merca-
dos de exportação e importação. De
acordo com as estatísticas disponíveis,
estes dois países foram, em 2012, o
destino de cerca de 37 por cento das
vendas e a origem de 33 por cento das
compras marroquinas ao exterior. Espa-
nha foi o seu principal fornecedor com
18,9 por cento de quota, onde se des-
taca o aumento das compras na área
da energia. A França foi relegada para
a 2ª posição com 14,4 por cento do va-
lor das importações.
De acordo com recente actualização da
nossa base de dados, estão activas cer-
ca de 160 empresas com capital por-
tuguês em Marrocos. Todavia, dada a
proximidade geográfica e a facilidade
com que as empresas podem instalar-
se neste mercado, estimamos que este
número possa ser mais do dobro e a
tendência é para continuar a aumentar.
Quanto ao perfil destas empresas,
constata-se serem na sua maioria PME e
existir uma grande dispersão em termos
de sectores de actividade e tipologia de
investimento, i.e., comerciais ou indus-
triais. A título de exemplo, salientam-se
algumas das áreas onde empresas por-
tuguesas estão activas localmente com
investimentos produtivos: agricultura;
indústria agro-alimentar; fileira moda;
indústria metalomecânica; transportes;
construção; serviços; farmacêutico.
fundamentais para alcançar sucesso nes-
te mercado é estar “presente”.
Oportunidades para as
empresas portuguesas
Marrocos distingue-se muito de uma
grande maioria dos países africanos
na medida em que tem uma economia
muito aberta, um sector privado muito
desenvolvido com excelentes quadros
tanto em termos técnicos, como co-
merciais, assim como, um sector públi-
co bem estruturado, com politicas de
desenvolvimento e crescimento objeti-
vas e bem definidas.
Muito já foi feito mas ainda há muito
por fazer. E a presença das empresas
portuguesas poderá ser ampliada na
medida em que elas dispõem de uma
boa capacidade técnica e de uma boa
capacidade de adaptação, compreen-
dendo as suas especificidades de fun-
cionamento o que lhes permite facil-
mente trabalharem neste país.
Os incentivos ao investimento continu-
am a ser elevados e é uma prioridade
“Marrocos distingue-se muito
de uma grande maioria dos
países africanos na medida em
que tem uma economia muito
aberta, um sector privado muito
desenvolvido com excelentes
quadros tanto em termos
técnicos, como comerciais, assim
como, um sector público bem
estruturado, com politicas de
desenvolvimento e crescimento
objetivas e bem definidas.”
Na área dos serviços e comercialização de
bens, verifica-se igualmente um aumen-
to da presença de empresas portuguesas
neste mercado, pois uma das condições
MERCADOS
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º Uma boa preparaçao na aborda-
gem ao mercado marroquino é fun-
damental para se alcançar sucesso
no processo de internacionalização
para este país.
º Marrocos e um pais aberlo mas lem
muitas especificidades de ordem prá-
tica, uma cultura de negócios mui-
to apurada e bastante diferenciada
daquela que habitualmente seria de
esperar encontrar num país africano.
º Numa primeira lase e convenienle
realizar uma recolha de informa-
ção económica e sobre o quadro
legal o mais vasta possível. Neste
âmbito, é fortemente aconselhável
efectuar um contacto com a AICEP
em Portugal, que dispõe de muita
informação sobre o mercado, seja a
nível económico como jurídico.
º A inexislencia de inlormaçao dela-
lhada sobre o funcionamento dos
diversos sectores de actividade leva a
que seja necessário realizar visitas ao
mercado, que deverão ser cuidado-
samente planeadas e com a devida
antecedência, de modo a conseguir
rentabilizar os custos de deslocação.
º O processo de decisao nunca e
imediato e leva sempre mais tem-
po do que à partida seria de supor,
pelo que factores como paciência e
persistência são fundamentais para
conseguir trabalhar neste mercado.
º Preço e qualidade dos produlos e
serviços também são pontos muito
sensíveis no processo de decisão e
normalmente o primeiro prevalece.
Daí que a relação preço/qualidade
tenha de ser muito bem estrutura-
da e adaptada ao mercado.
º linalmenle, o dominio da lingua
francesa é essencial para realizar
negócios em Marrocos.
CONSELHOS ÚTEIS ÀS EMPRESAS
para o governo marroquino continuar a
atrair novos investimentos que promo-
vam o desenvolvimento e a diversifica-
ção do tecido industrial e de serviços.
Neste contexto de desenvolvimento in-
dustrial, encontra-se em vigor o “Pacte
National pour l’Emergence Industrielle,
2009-2015“ que tem por finalidade
promover o desenvolvimento e criação
de PME de índole industrial em geral,
mas também define apoios específicos
a sectores prioritários como: Offshoring
(call centers, ITO - Information Technolo-
gy Outsourcing, BPO - Business Process);
energias renováveis e sectores automó-
vel, aeronáutico, electrónica, têxtil, cal-
çado, agro-alimentar, bem como mais
recentemente o sector farmacêutico.
Neste Pacto insere-se ainda um pro-
grama de desenvolvimento em várias
regiões do país de parques industriais e
de zonas francas, com vista a facilitar a
instalação de novas empresas.
Igualmente, o Plano Vision 2020, que
visa promover de forma concertada o
desenvolvimento do sector do Turis-
mo em Marrocos, segue o seu curso
apesar de ter registado uma diminui-
ção do IDE neste sector no primeiro
semestre do corrente ano. No entan-
to, os bons resultados alcançados no
decorrer deste ano poderão certa-
mente incentivar a retoma do inves-
timento neste domínio que continua
a ser crucial para o desenvolvimento
económico do país e da sua estabili-
dade económica.
A agricultura é sem dúvida um dos
principais pilares da economia marro-
quina, representando cerca de 19 por
cento do PIB (15 por cento agricultura
e 4 por cento agro-indústria), pelo que
não podia deixar de ser um dos secto-
res onde o Estado mantém uma forte
aposta no seu desenvolvimento, atra-
vés da melhoria do acesso e distribuição
de água, racionalização dos terrenos
agrícolas bem como na promoção de
uma integração com a agro-indústria.
Neste sector, estão disponíveis apoios
ao investimento privado e prevê-se um
acréscimo do investimento público na
criação de novas estradas rurais e na
melhoria do acesso à água para au-
mentar a agricultura de regadio.
Outra área onde se prevê virem a existir
excelentes oportunidades é o sector da
logística onde actualmente há grandes
carências de organização e de estrutu-
ração, implicando elevados custos para
os agentes económicos e com reflexos
muito negativos nos preços ao consumi-
dor. Neste domínio, foi criada uma enti-
dade pública para gerir e implementar
um plano estratégico definido para este
sector, com o objectivo de racionalizar
esta actividade de modo a reduzir subs-
tancialmente este tipo custos.
O desenvolvimento do plano energéti-
co, assente no aumento substancial da
produção de energia solar e eólica, con-
tinuará a ser uma das grandes priorida-
des de Marrocos a curto e médio prazo.
Por outro lado, tudo indica que em
2014 haverá um aumento do inves-
timento público. Do orçamento de
Estado prevê-se o financiamento da
construção de três novas barragens,
estradas rurais e aumento da rede ro-
doviária. Em termos de investimento,
MERCADOS
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AICEP em Marrocos
5, Rue Thami Lamdouar
B. Postale 5050 Souissi – Rabat
MAROC
Tel.: +212 537 752 472
+212 537 656 986
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aicep.rabat@portugalglobal.pt
“Apesar de Marrocos ser um
país com um grande potencial, é
necessário compreender as suas
especificidades e entender que
se trata de um mercado, não em
vias de desenvolvimento, mas em
crescimento.”
via empresas públicas, destacam-se os
seguintes:
º da ADM (Auloroules du Maroc) cer-
ca 400 milhões de euros na constru-
ção de auto-estradas,
º do ONLL (Ollce Nalional Lleclricile
et Eau) – aproximadamente 700 mi-
lhões de euros produção de eletrici-
dade e 550 milhões de euros no alar-
gamento e manutenção da rede de
distribuição de água,
º do OCP (Ollce Cherilen des Phos-
phates) – investirá em diversas unida-
des industriais cerca de 3 mil milhões
de euros,
º do ONCl (Ollce Nalional des Che-
mins de Fer) – TGV Tanger / Casa-
blanca continuação da construção,
550 milhões de euros,
º da Holding Al Omrane (imobiliario)
750 milhões de euros de investimen-
to previstos para 2014,
º da TMSA (Agence Speciale Tanger
Méditerranée) – cerca de 179 milhões
de euros para conclusão do trabalhos
de alargamento do Porto Tanger Med
e continuação da implementação do
programa de desenvolvimento de zo-
nas francas na região.
A nível internacional importa referir que
Marrocos celebrou Acordos de Livre
Circulação de bens com vários países e
regiões económicas, entre os quais se
destacam a UE, Países Árabes, EUA e
Turquia. Estão ainda em fase de nego-
ciação Acordos com o Canadá e alguns
países africanos da costa ocidental. Esta
política de abertura económica a outros
países é sem dúvida um excelente meio
para poder abordar novos mercados em
condições concorrenciais privilegiadas,
na medida em que não existe aplicação
de taxas aduaneiras a produtos prove-
nientes de Marrocos.

Neste contexto de desenvolvimento e
abertura económica existe uma multi-
Por último, acresce referir que Marrocos
ainda tem uma grande dependência das
importações o que explica o elevado
desequilíbrio da sua balança comercial
onde o valor das exportações represen-
ta, somente, cerca de 50 por cento do
valor das importações deste país.
Em resumo, Marrocos reúne todas as
condições para que o processo de in-
ternacionalização de empresas por-
tuguesas seja considerável e que este
país seja cada vez mais um importante
parceiro de Portugal.
Factores como a estabilidade politi-
ca, proximidade geográfica, abertura
económica do país, dinâmica de cres-
cimento económico, apoios ao desen-
volvimento existentes, bem como a
possibilidade de se alcançarem novos
mercados via Marrocos, são sem dúvida
aspectos que poderão contribuir muito
positivamente para um incremento do
relacionamento económico bilateral.
Em termos sectoriais com potencial
de desenvolvimento de negócio des-
tacam-se os seguintes: energias reno-
váveis e eficácia energética; ambiente,
recolha e tratamento de resíduos sóli-
dos e tratamento de águas; logística;
construção civil e obras públicas; com-
ponentes para a indústria automóvel e
aeronáutica (nova fábrica Renault em
Tanger); ordenamento do território.
Apesar de Marrocos ser um país com
um grande potencial, é necessário
compreender as suas especificidades e
entender que se trata de um mercado,
não em vias de desenvolvimento, mas
em crescimento. A grande diferença
reside na maior capacidade técnica da
maioria dos quadros públicos e priva-
dos e por se tratar de um país com uma
cultura de negócio muito apurada e di-
ferenciada daquela que normalmente
se encontra noutros países.
plicidade de oportunidades de negócio
e investimento para as empresas portu-
guesas. Importa, no entanto, efectuar
uma análise aprofundada do mercado
para dominar minimamente o seu fun-
cionamento e evitar cometer erros que
poderão implicar avultados prejuízos.
MERCADOS
Portugalglobal // Novembro 13 // 35
COUVERMETAL SARL
Route Nationale 109
Ain Harrouda - 20640 Casablanca
MAROC
Tel.: +212 522 329 216
Fax: +212 522 329 204
couvermetal@menara.ma
www.couvermetal.ma
A decisão de investir no mercado de
Marrocos partiu do CEO da COBERME-
TAL, Carlos Crespo, que, numa altura
em que a conjuntura económica era
bem diferente da actual, idealizou a in-
ternacionalização da empresa sedeada
na Batalha para aquele país. Após a ne-
cessária prospecção ao mercado, o pro-
jecto ganha forma em 2011 com a cria-
ção da COUVERMETAL, que tinha como
objectivo internacionalizar os negócios e
exportar conhecimento e tecnologia na
área da construção metálica onde em
Portugal a empresa já tinha dado provas
de competência e inovação.
A empresa optou por entrar no merca-
do em parceria com a LONGOFER, uma
empresa marroquina fabricante de tubos
metálicos, que ficou a deter 45 por cento
do capital da então criada COUVERME-
TAL, segundo adianta fonte da empresa.
A liderança e gestão da COUVERMETAL
ficaram a cargo de Pedro Martinho, li-
cenciado em engenharia mecânica pela
Universidade de Coimbra. A COBERME-
TAL investiu em Marrocos cerca de dois
milhões de euros neste projecto e foi a
empresa que colocou toda a maquinaria
e tecnologia existente.
A COUVERMETAL realizou em Marro-
cos, de 2002 até hoje, cerca de 1,5 mi-
lhões de metros quadrados de estrutu-
ras e coberturas metálicas, número que
fala por si e que foram distribuídos pelo
enorme território marroquino que vai
desde a vizinha Argélia, a nordeste, até
ao sul com a Mauritânia. Entre as obras
realizadas pela COUVERMETAL, des-
tacam-se o aeroporto de Benslimane,
fábrica da IVECO em Casablanca, a fá-
brica da Coca-Cola em Marraquexe, os
COUVERMETAL
SUCESSO EM MARROCOS
A COBERMETAL está presente no mercado marroquino desde 2001, onde criou a
empresa COUVERMETAL numa aposta que visou a internacionalização do grupo e
exportação de conhecimento e tecnologia na área da construção metálica. A empresa
investiu dois milhões de euros neste projecto e construiu, até hoje, cerca de milhão e
meio de metros quadrados de estruturas e coberturas metálicas.
centros da KITEA e MOBILIA, a fábrica
das televisões Siera, o Estádio de Oujda
e 38 pavilhões gimnodesportivos.
A COUVERMETAL tem também co-
laborado com grandes empresas de
construção portuguesas na execução
de alguns projectos em Marrocos, de-
signadamente com a TECNOVIA, a
CASAIS, a CONSTRUTORA DO LENA, a
EUSEBIOS, a CONDURIL e a MARTIFER .
A COUVERMETAL factura actualmen-
te cerca de cinco milhões de euros,
emprega directamente 80 pessoas e
tem em carteira um conjunto de pro-
jectos públicos e privados. De acordo
com a mesma fonte, os resultados da
COUVERMETAL foram, ao longo dos
últimos anos, muito importantes e um
grande contributo para o grupo de em-
presas de que faz parte.
A fonte adianta igualmente que para
o sucesso deste projecto no merca-
do marroquino contribuíram alguns
factores como a estratégia de desen-
volvimento do Rei Mohamed VI, a es-
tabilidade politica, a proximidade com
Portugal e a segurança de pessoas e
bens. Acrescenta ainda que a Embai-
xada de Portugal e o escritório da AI-
CEP em Marrocos são hoje um grande
contributo para agilizar os negócios de
portugueses naquele país.
MERCADOS
// Novembro 13 // Portugalglobal 36
Desde a sua fundação, em 1986, a
Telcabo sempre teve uma vocação in-
ternacional, tendo ao longo da sua
história realizado projectos em vários
continentes, alguns deles a convite dos
seus clientes, em Portugal, que encon-
travam na Telcabo um parceiro capaz
de responder às exigências de novos
projectos internacionais.
Presente em Marrocos há mais de 15
anos, desde o seu início que se envol-
veu na implementação dos projectos
de telecomunicações mais relevantes,
donde se destaca o lançamento da
Rede do Operador Móvel Meditel e a
construção de parte da rede de fibra
óptica da ONCF.
Com uma presença em mais de dez ci-
dades, a Telcabo gere a sua operação a
partir de dois centros operacionais situ-
A internacionalização foi, desde sempre, uma prioridade para a Telcabo que tem presença
em Marrocos há mais de 15 anos. A actividade da empresa está centrada na engenharia,
construção, instalação e manutenção de Redes de Telecomunicações e Energia.
TELCABO COM PRESENÇA
ACTIVA EM MARROCOS
ados em Casablanca e Agadir, emprega
no total 200 pessoas e regista uma factu-
ração anual na ordem dos 10 milhões de
euros, segundo revela fonte da empresa.
Sendo os sectores onde actua caracte-
rizados por uma forte competitividade
e uma evolução permanente, a Telca-
bo procura responder através de uma
qualificação superior dos seus colabora-
dores e uma análise constante das ne-
cessidades dos clientes, como forma de
antecipar e propor soluções inovadoras.
Como exemplos, a fonte destaca que
a Telcabo foi a primeira empresa a
utilizar, em Marrocos, a tecnologia de
instalação de cabo de fibra óptica pelo
método de sopragem com ar compri-
mido, num projecto chave-na-mão de
mais de mil quilómetros de cabo de
fibra óptica e cerca de 12 mil fusões.
TELCABO
Estrada Nacional Nº 1, Km 38,6
Cheganças – Alenquer
2580-374 Alenquer – Portugal
Tel.: +351 263 731 000
Fax: +351 263 731 060
telcabo@telcabo.pt
www.telcabo.pt
Mais recentemente ganhou um projec-
to para o fornecimento e manutenção
de uma solução inovadora no âmbito
da eficiência energética.
Em termos de futuro, a Telcabo vê com
grande confiança o desenvolvimento do
Reino de Marrocos onde trabalha para
continuar a ter um papel activo e con-
tinuar a merecer a preferência dos seus
clientes, acrescenta a mesma fonte.
MERCADOS
Portugalglobal // Novembro 13 // 37
De acordo com os dados do INE, Mar-
rocos ocupa posições cada vez mais
relevantes na lista dos principais clien-
tes de Portugal (13ª em 2012 versus
17ª em 2008), e, fora do espaço eu-
ropeu, encontra-se em quinto lugar,
depois de Angola, EUA, China e Brasil.
Nos primeiros nove meses deste ano,
as exportações de bens para este mer-
cado aumentaram quase 71 por cento
face a período idêntico de 2012, po-
sicionando-se agora Marrocos no 10º
lugar do ranking de clientes.
Enquanto fornecedor, Marrocos foi
responsável por 0,28 por cento do
RELACIONAMENTO ECONÓMICO
PORTUGAL – MARROCOS
total das importações portuguesas
em 2012 (37ª posição), o valor mais
elevado dos últimos anos. Até Setem-
bro ano, o seu peso no valor global
das importações registou uma ligeira
descida para a 38ª posição do ranking
de fornecedores.
As transacções comerciais entre os dois
países são tradicionalmente favoráveis
a Portugal, com as exportações por-
tuguesas a apresentarem, no período
de 2008-2012, um crescimento médio
anual de 16,5 por cento, enquanto as
importações registaram um aumento
de 27,4 por cento.
Em 2012, as exportações portuguesas
para o mercado marroquino atingiram
cerca de 460 milhões de euros e as im-
portações alcançaram 156,6 milhões
de euros, tendo o saldo da balança co-
mercial ultrapassado os 302 milhões de
euros, o valor mais elevado do período
em análise (2008-2012). Nos primeiros
nove meses de 2013, essa diferença
acentuou-se, tendo o saldo da balança
comercial sido excendentário em 496,5
milhões de euros.
A estrutura das exportações portugue-
sas para Marrocos, por grandes grupos
de produtos, revela uma predominân-
BALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE BENS
2008 2009 2010 2011 2012
Var %
a

12/08
2012 Jan/
Set
2013 Jan/
Set
Var %
b

13/12
Exportações 273.331 215.357 302.209 387.986 459.279 16,5 354.118 605.112 70,9
Importações 70.911 58.469 109.604 139.002 156.616 27,4 94.010 108.568 15,5
Saldo 202.419 156.888 192.605 248.984 302.662 -- 260.108 496.544 --
Coef. Cobertura (%) 385,5% 368,3% 275,7% 279,1% 293,3% -- 376,7% 557,4% --
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística Unidade: Milhares de euros
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2008-2012 (b) Taxa de variação homóloga 2012-2014
2008 a 2011: resultados definitivos; 2012 resultados provisórios; 2013: resultados preliminares 1º apuramento
Marrocos é um importante parceiro comercial de Portugal, designadamente
enquanto destino das nossas exportações de bens, ocupando uma posição bastante
mais modesta como fornecedor.
MERCADOS
// Novembro 13 // Portugalglobal 38
cia dos metais comuns (22,6 por cen-
to do total em 2012) e das máquinas
e aparelhos (17,3 por cento), que, em
conjunto, representaram cerca de 40
por cento das exportações totais de
bens para aquele mercado em 2012,
o que traduz uma preponderância dos
bens vinculados aos sectores da cons-
trução e obras públicas e fornecimen-
tos industriais.
No entanto, no ano de 2102 e nos pri-
meiros nove meses de 2013, os com-
bustíveis minerais registaram uma su-
bida muito acentuada (mais 458 por
cento em 2012 face a 2011, e mais
318 por cento de Janeiro a Setembro de
2013 face ao mesmo período de 2012),
colocando-se em 3º lugar e em 1º lu-
gar, respectivamente, do ranking das
exportações portuguesas para o merca-
do marroquino, com quotas de 13 por
cento e de 38 por cento. Das restantes
categorias de produtos, destacam-se
ainda os plásticos e borracha, a madeira
e cortiça e as matérias têxteis.
De acordo com o INE, o número de
empresas portuguesas que exportaram
produtos para Marrocos tem vindo a
aumentar de forma contínua ao longo
dos últimos anos, passando de 838 em
2008 para 1.112 em 2012.
Relativamente às importações prove-
nientes de Marrocos, os dois primeiros
grupos – máquinas/aparelhos e combus-
tíveis minerais – representaram 47,2 por
cento das importações totais em 2012,
com particular destaque para o grupo
das máquinas e aparelhos, que detém
uma quota de 29,2 por cento. Cabe
ainda salientar os produtos agrícolas e o
vestuário, que representaram, em con-
junto, 24,9 por cento das importações.
No período de Janeiro a Setembro deste
ano, o grupo de máquinas e aparelhos
continuou a ser o mais importado –
38,5 por cento do total –, seguindo-se
os produtos agrícolas com 25 por cento
e os metais comuns com 6,5 por cento.
Serviços e investimento
No âmbito dos serviços, e segundo da-
dos do Banco de Portugal, constata-se
que Marrocos é mais importante como
fornecedor do que como cliente de
Portugal. Em 2012, Marrocos ocupou
o 36º lugar enquanto cliente de Portu-
gal (tendo absorvido 0,12 por cento das
vendas totais ao exterior) e foi o nosso
30º fornecedor (0,32 por cento das im-
portações), posições que este ano, nos
oito primeiros meses, se alteraram para,
respectivamente, 35ª (como cliente) e
25ª (como fornecedor).
Ao contrário do que acontece no co-
mércio de mercadorias, na área dos
serviços a balança bilateral tem sido, de
um modo geral, desfavorável a Portu-
gal e registou uma evolução negativa
ao longo dos últimos cinco anos. As
exportações de serviços para Marrocos
atingiram cerca de 23,3 milhões de eu-
ros em 2012 (o que representou uma
diminuição de 21,7 por cento relativa-
mente a 2011), enquanto as importa-
ções alcançaram 33,2 milhões de euros
(mais 4,9 por cento).
No que respeita ao investimento,
também segundo o Banco de Portugal,
e exceptuando o ano de 2002, em que
Marrocos ocupou um importante 7º lu-
gar enquanto destino do investimento
directo português no exterior (IDPE),
este mercado tem ocupado posições
modestas ao longo dos últimos anos
– 28º lugar do ranking em 2012, com
uma quota de 0,06 por cento.
Por outro lado, o investimento realiza-
do em Portugal com origem em Mar-
rocos assume valores pouco significa-
tivos, relegando o país para posições
baixas no ranking dos investidores
estrangeiros (46ª em 2012, com uma
quota inexpressiva).
Nos primeiros oito meses de 2013, o in-
vestimento português em Marrocos foi
de 2,7 milhões de euros (27º lugar no
ranking de países de destino do investi-
mento português no estrangeiro), en-
quanto o desinvestimento registou um
valor da ordem de 3,36 milhões de euros.
No entanto, se do ponto de vista es-
tritamente financeiro, o investimento
português em Marrocos é relativamen-
te baixo, tem-se verificado um interes-
se crescente pelo mercado, estando
a presença de empresas portuguesas
calculada em cerca de 200, sendo de
notar o reforço da tendência para o in-
cremento das pequenas e médias em-
presas (PME) nacionais em detrimento
das grandes empresas.
Em termos sectoriais, a presença na-
cional é cada vez mais diversificada.
Para além da fileira da construção
(construção e obras públicas, cimento,
materiais de construção), constata-se
de forma crescente, a presença de
empresas nas áreas da consultoria e
engenharia, confecções, calçado, in-
dústria farmacêutica, energia, agro-
indústria e serviços, assim como no
sector automóvel.
MERCADOS
Portugalglobal // Novembro 13 // 39
ENDEREÇOS ÚTEIS
MARROCOS EM FICHA
Marrocos
Rabat
Área: 710.850 km
2
(incluindo o Sahara Oci-
dental, que ocupa 252.120 km
2
)
População: 32,4 milhões de habitantes (es-
timativa 2012 - FMI)
Densidade populacional: 45,5 habitantes
por km
2
(estimativa 2012)
Designação oficial: Reino de Marrocos
Chefe do Estado: Rei Mohammed VI
Primeiro-ministro: Abdelilah Benkirane (PJD)
Data da actual constituição: Julho de
2011
Principais partidos políticos - Lealis-
tas: Congregação Nacional dos Indepen-
dentes; União Constitucional; Movimento
Popular (MP); Aliança Nacional; Partido
da Autenticidade e da Modernidade. Es-
querda e Centro-Esquerda: Partido Istiqlal;
União Socialista das Forças Populares; Par-
tido do Progresso e do Socialismo (PPS).
Islamita: Partido da Justiça e Desenvolvi-
mento (PJD). O maior movimento islami-
ta do país é o banido al-Adl-wal-Ihsane
(Justiça e Caridade). As eleições legislati-
vas irão ter lugar em Novembro de 2016
(Câmara dos Representantes).
Capital: Rabat – 1.879 mil habitantes (inclui
Salé) – cálculos World Gazetteer, 2013.
Outras cidades importantes: Casablanca
(3.352 mil), Fés (1.079 mil), Marraquexe (956
mil), Tanger (771 mil) e Kénitra (419 mil).
Religião: A religião oficial é o islamismo; a
maioria da população é muçulmana.
Língua: A língua oficial é o árabe, embora
uma minoria significativa da população fale
o berbere. O francês (língua usada predomi-
EMBAIXADA DO
REINO DE MARROCOS
Rua Alto do Duque, 21
1400-099 Lisboa
Tel.: +351 213 008 080
Fax: +351 213 020 935
sifmar@emb-marroccos.pt
www.emb-marrocos.pt
CÂMARA DE COMÉRCIO
E INDÚSTRIA LUSO-MARRO-
QUINA
Edifício da Universidade Europeia
Quinta do Bom Nome
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1500-210 Lisboa
Tel.: +351 213 970 036
Fax: +351 213 970 588
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www.ccilm.pt
EMBAIXADA DE PORTUGAL
EM RABAT
5, Rue Thami Lamdouar – Souissi
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http://ambportugalrabat.org
BANK AL-MAGHRIB
(BANCO CENTRAL)
277, Avenue Mohamed V
B. P. 445 – Rabat – Maroc
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webmaster@bkam.gov.ma
www.bkam.ma

MINISTÈRE DE L’ECONOMIE
ET DES FINANCES
Quartier Administratif – Chellah
Rabat – Maroc
Tel.: +212 537 67 75 01 08
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Fax: +212 537 67 75 27 / 28
internet@finances.gov.ma
www.finances.gov.ma
MINISTÈRE DU COMMERCE
EXTÉRIEUR
63, Avenue Moulay Youssef
Rabat – Maroc
Tel.: +212 537 70 61 21
Fax: +212 537 70 32 31
ministere@mce.gov.ma
www.mce.gov.ma
MINISTÈRE DE
L’AGRICULTURE ET DE LA
PÊCHE MARITIME (MAPM)
Avenue Mohamed V, Quartier
administratif Place Abdellah
Chefchaouni,
Rabat – Maroc
Tel.:+212 537 66 53 00
www.agriculture.gov.ma/contact
MINISTÈRE DE L’ENERGIE,
DES MINES, DE L’EAU ET DE
L’ENVIRONNEMENT
Rue Abou Marouane Essaadi BP
Pabal lnsliluls 6208 Haul
Agdal - Rabat – Maroc
Tel.: +212 537 68 88 57
Fax: +212 537 68 88 63
www.mem.gov.ma
www.water.gov.ma
nantemente nos negócios e na administra-
ção) e o castelhano são também utilizados.
Unidade monetária: Dirham marroquino
(MAD) 1 EUR = 11,1728 MAD (BdP – final
de Julho de 2013)
Risco do país:
Risco geral - BB
(AAA = risco menor; D = risco maior)
Risco de estrutura económica - B
Risco político – BB
(The Economist Intelligence Unit - EIU)
Risco de crédito: 3
(1 = risco menor; 7 = risco maior)
(COSEC – http://cgf.cosec.pt – Julho de 2013)
Política de cobertura de risco:
Mercado prioritário: Operações de Curto
prazo – Aberta sem condições restritivas;
Médio/Longo prazo – Garantia bancária ou
garantia soberana. (COSEC – Julho de 2013)
Fontes:
The Economist Intelligence Unit (EIU);
COSEC;
Banco de Portugal.