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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

FELIPE NASCIMENTO ROMANO
GABRIEL DE OLIVEIRA ALVES PEREIRA
PATOLOGIA DO REVESTIMENTO EXTERNO EM
ARGAMASSA EM EDIFÍCIOS

SÃO PAULO
2011


2
























Orientador: Professor Me. Eng. Fernando José Relvas


FELIPE NASCIMENTO ROMANO
GABRIEL DE OLIVEIRA ALVES PEREIRA
PATOLOGIA DO REVESTIMENTO EXTERNO EM
ARGAMASSA EM EDIFÍCIOS
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi



3




















Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2011.

______________________________________________
Professor Me. Eng. Fernando José Relvas
_
SÃO PAULO
2011
FELIPE NASCIMENTO ROMANO
GABRIEL DE OLIVEIRA ALVES PEREIRA
PATOLOGIA DO REVESTIMENTO EXTERNO EM
ARGAMASSA EM EDIFÍCIOS
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi




4
Nome do professor da banca
















Aos familiares e amigos que nos apoiaram.
Aos que cederam tempo, conhecimento e outras formas de contribuição para o
desenvolvimento deste trabalho.
Aos que se interessam e pretendem adquirir o conhecimento agregado neste
trabalho.




Comentários:_________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________


5
AGRADECIMENTOS


A todos os professores que durante o curso compartilharam seus conhecimentos.

Aos professores Fernando José Relvas, Wilson Shoji Iyomasa e Calebe Paiva
Gomes de Souza que acompanharam e orientaram o desenvolvimento deste
trabalho.

Aos familiares e amigos que durante o curso de graduação nos apoiaram a tomar
decisões e superar obstáculos.








6
RESUMO


Forte expansão no setor imobiliário da cidade de São Paulo faz com que as obras
reduzam os prazos e acelerem seus processos construtivos, prejudicando a
qualidade de execução das etapas construtivas. Com a falta de fiscalização e,
principalmente, falta de conhecimento técnico, as obras registram cada vez mais
ocorrências patológicas nos diversos sistemas construtivos. Esta pesquisa estuda e
analisa as diversas patologias em revestimento externo feitos em argamassa,
sistema construtivo tradicionalmente usado em fachadas de edificações na cidade
de São Paulo.


Palavras Chave: Revestimento em argamassa, patologias, fachadas.











7
ABSTRACT


Large increase at SP’s real estate sector made the constructors speed up their
constructive process and reduce the deadline of the build. With the lack of inspection
and, specially, the lack of technique knowledge, the builds register more pathologic
occurrences in all of the constructive systems. This research studies and analyse the
several pathologies in the mortar outer coating, constructive system traditionally used
at SP’s facade buildings.


Key Worlds: Mortar outer coating, pathology, facade.





8
LISTA DE FIGURAS


Figura 2.1- Fluxograma esquemático do acompanhamento do serviço de
revestimento. ......................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 2.2– Ensaio de determinação de resistência de aderência a tração. ........ Erro!
Indicador não definido.
Figura 2.3– Dinamômetro utilizado para realização dos ensaios.Erro! Indicador não
definido.
Figura 2.4 – Exemplo de uma fachada recebendo o ensaio de percussão e detalhe
do martelo dotado de ponta de borracha. ............. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.5 - Detalhes do ensaio de dureza superficial em argamassa.Erro! Indicador
não definido.
Figura 2.6 - Detalhes do ensaio de dureza superficial em argamassa.Erro! Indicador
não definido.
Figura 2.7Fonte Toten engenharia e tecnologia (2011) Erro! Indicador não definido.
Figura 2.8Fonte Toten engenharia e tecnologia (2011) Erro! Indicador não definido.
Figura 2.9– Detalhe de fixação da alvenaria com equipamento adequado (bisnaga
aplicadora). ........................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 2.10– Detalhe de uma estrutura convencional sem tratamento e apresentando
resíduos de desmoldantes, de nata de cimento,orifícios, pontas de ferro e
madeira. ................................................................ Erro! Indicador não definido.
Figura 2.11 – Escovação manual com escova dotada de cerdas de aço. ............ Erro!
Indicador não definido.
Figura 2.12– Limpeza da estrutura com aparelho eletromecânico de baixa rotação.
.............................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.13 – Detalhe de uma superfície corretamente limpa e com sua porosidade
superficial destacada............................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.14 - Lavagem das bases com equipamento tipo jato d’água em forma de
leque. .................................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 2.15 - Lavagem das bases com equipamento tipo jato d’água em forma de
leque. .................................................................... Erro! Indicador não definido.


9
Figura 2.16 - Detalhes de chapisco virado em obra aplicado manualmente. ....... Erro!
Indicador não definido.
Figura 2.17 - Detalhes de chapisco virado em obra aplicado manualmente. ....... Erro!
Indicador não definido.
Figura 2.18– Aplicação do chapisco industrializado sob a superfície de concreto.
.............................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.19- Detalhe do posicionamento dos arames fachadeiros.Erro! Indicador
não definido.
Figura 2.20 - Arames fachadadeiros nas fachadas. ..... Erro! Indicador não definido.
Figura 2.21 - Detalhes de aplicação da argamassa manualmente.Erro! Indicador
não definido.
Figura 2.22 - Detalhes de aplicação da argamassa manualmente.Erro! Indicador
não definido.
Figura 2.23 - Detalhes de aplicação da argamassa tipo projetada com equipamento
de lançamento de argamassa com alta pressão. .. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.24 - Detalhes de aplicação da argamassa tipo projetada com equipamento
de lançamento de argamassa com alta pressão. .. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.25 - Detalhes de distorção e desalinhamento entre estrutura e alvenaria que
será corrigida com aumento de espessura de argamassa de revestimento
externo. ................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.26 - Detalhes de distorção e desalinhamento entre estrutura e alvenaria que
será corrigida com aumento de espessura de argamassa de revestimento
externo. ................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.27 – Fissuras decorrentes de traço mal feito . Erro! Indicador não definido.
Figura 2.28 - Perda de água de amassamento por via capilar.Erro! Indicador não
definido.
Figura 2.29 - Perda de água de amassamento por via capilar.Erro! Indicador não
definido.
Figura 2.30 - Fissuramento por toda extensão da fachada.Erro! Indicador não
definido.
Figura 2.31 - Fissuramento por toda extensão da fachada.Erro! Indicador não
definido.
Figura 2.32 - Detalhes de fissuramento na argamassa acompanhando as juntas de
assentamento da alvenaria. .................................. Erro! Indicador não definido.


10
Figura 2.33 - Detalhes de fissuramento na argamassa acompanhando as juntas de
assentamento da alvenaria. .................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.34 - Desplacamento da argamassa da base devido à falha de aderência.
.............................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.35 - Desplacamento da argamassa da base devido à falha de aderência.
.............................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.36 – Desplacamento da argamassa de revestimento externo devido a falhas
no preparo de base. .............................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.37 - Exemplo de uma falha de preparo de base que futuramente poderá
gerar uma falha de aderência entre as camadas do revestimento. ............... Erro!
Indicador não definido.
Figura 2.38- Movimentações térmicas diferenciadas. .. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.39 - Movimentações térmicas diferenciadas. . Erro! Indicador não definido.
Figura 2.40 – Demonstrativo de fissura por movimentações térmicas diferenciadas.
.............................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.41 – Demonstrativo de uma fissura na interface alvenaria/viga. ............ Erro!
Indicador não definido.
Figura 2.42 - Fissuramento na fachada devido à movimentação térmica em lajes de
cobertura. .............................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.43 - Fissuramento na fachada devido à movimentação térmica em lajes de
cobertura. .............................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.44 – Fissura no encontro ................................ Erro! Indicador não definido.
Figura 2.45 – Detalhe da figura anterior. ...................... Erro! Indicador não definido.
Figura 2.46 – Detalhe da contra-verga e verga recomendadas para cantos de
aberturas. .............................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.47 – Características das fissuras. .................. Erro! Indicador não definido.
Figura 2.48 – Fissura no canto inferior da fachada devido a falha nas dimensões de
contra-verga. ......................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 2.49 – Detalhe da fotografia anterior, demonstrando a fissura na argamassa
no canto da janela. ................................................ Erro! Indicador não definido.
Figura 2.50- Amarração Química: é exercida pela ligação do chapisco aplicado sobre
a estrutura, com argamassa de assentamento vertical (plena e comprimida), em
face de costura exercida pela cristalização do cimento na porosidade aberta do
chapisco. ............................................................... Erro! Indicador não definido.


11
Figura 2.51- Ilustração genérica deste tipo de fissuração.Erro! Indicador não
definido.
Figura 2.52 - Ilustração genérica deste tipo de fissuração.Erro! Indicador não
definido.
Figura 2.53 - Detalhe fachada com eflorescências. ..... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.1 – Localização .............................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.2 – Localização. ............................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.3 - Localização. .............................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.4– Corte do revestimento argamassado ilustrando suas camadas ........ Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.5– Fachada Lateral direita .............................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.6 - Fissuramento da argamassa no 27°pavimento - Fachada Posterior Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.7 - Fissuramento da argamassa no 26°pavimento - Fachada Frontal ... Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.8– Fissura na ligação pilar/alvenaria. ............. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.9– Fissura na ligação pilar/alvenaria – Barrilete.Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.10– Fissura na região de encunhamento- Apartamento de cobertura –
Fachada Frontal .................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.11– Fissura na região de encunhamento- Apartamento de cobertura –
Fachada Posterior ................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.12– Fissura na região de encunhamento - Apartamento de cobertura –
Fachada lateral esquerda. ..................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.13– Fissura na região de encunhamento- Apartamento de cobertura –
Fachada lateral direita. .......................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.14– Fissura no canto da janela. ..................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.15– Fissura no canto da janela, por dentro do apartamento 132. .......... Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.16– Fissura no canto inferior da janela, fachada posterior.Erro! Indicador
não definido.
Figura 5.17– Fissura no canto inferior da janela, fachada posterior.Erro! Indicador
não definido.


12
Figura 5.18– Desplacamento da pingadeira em torno das janelas.Erro! Indicador
não definido.
Figura 5.19– Desplacamento da pingadeira ................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.20– Desplacamento da moldura do terraço, fachada frontal.Erro! Indicador
não definido.
Figura 5.21 – Ampliação da fotografia anterior............. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.22– Desplacamento da moldura do terraço, fachada frontal 9° andar tipo.
.............................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.23– Desplacamento da moldura do terraço, fachada frontal 4 °andar tipo.
.............................................................................. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.24– Ilustração das anomalias (Fissuras em vermelho).Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.25– Fissura no peitoril dos terraços. .............. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.26– Fissura no peitoril dos terraços. (Face interna).Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.27– Fissura no peitoril dos terraços. (Face interna, apartamento 201). . Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.28– Fissura na ancoragem do gradil metálico. (Apartamento 142). ....... Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.29– Trinca junto aos cantos da fachada ......... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.30– Trinca na moldura externa (Fachada frontal)Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.31– Trinca na moldura externa (Fachada posterior)Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.32– Trinca na moldura externa (Fachada posterior)Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.33– Trinca na moldura externa (Fachada frontal – Vista 14°andar) ....... Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.34– Trinca horizontal na alvenaria de fechamaneto do andar térreo, fachada
frontal. ................................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.35– Trinca horizontal na alvenaria de fechamaneto do andar térreo, fachada
lateral direita. ......................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.36– Trinca vertical na alvenaria de fechamento do andar térreo, fachada
lateral direita. ......................................................... Erro! Indicador não definido.


13
Figura 5.37– Trinca vertical na alvenaria de fechamento do andar térreo, fachada
lateral direita. ......................................................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.38– Desplacamento da textura, fachada lateral esquerda.Erro! Indicador
não definido.
Figura 5.39– Desplacamento da textura, fachada posterior.Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.40– Vista geral da fachada lateral esquerda e posterior.Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.41– Detalhe das manchas escuras no revestimento externo (ultimo
pavimento) ............................................................ Erro! Indicador não definido.
Figura 5.42– Mancha escura na cobertura, fachada lateral esquerda.Erro! Indicador
não definido.
Figura 5.44 - Fissura percorrendo todo emboço .......... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.45 – Ausência de contra-verga ...................... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.46 – Janela de inspeção J2 ............................ Erro! Indicador não definido.
Figura 5.47 – Fissura na ligação pilar/alvenaria ........... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.48 – Fissura percorrendo todo emboço .......... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.49 – Localização da janela J3 ........................ Erro! Indicador não definido.
Figura 5.50 - Detalhe da fissura percorrendo toda região do emboçoErro! Indicador
não definido.
Figura 5.51 - Detalhe da tela tipo “galinheiro” .............. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.52 – Localização da fissura ............................ Erro! Indicador não definido.
Figura 5.53 –Pedaços de madeira na argamassa. ....... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.54 – Detalhe da fissura apenas na região de textura.Erro! Indicador não
definido.
Figura 5.55 – Localização da janela J5 Fonte: Pacelli & RaguebErro! Indicador não
definido.
Figura 5.56 – Fissuração da moldura da janela ........... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.57 – Detalhe da não ancoragem da ferragem da moldura ao pilar. ....... Erro!
Indicador não definido.
Figura 5.58 - Detalhe da ausência de contra-verga. .... Erro! Indicador não definido.
Figura 5.59 – Detalhe da peça de moldura destacada. Erro! Indicador não definido.
Figura 5.60 – Amostra da moldura com corrosão da ferragem.Erro! Indicador não
definido.


14
Figura 5.43 – Localização da janela de inspeção ......... Erro! Indicador não definido.





15
Conteúdo
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 18
1.1 Objetivos .................................................................................................................... 19
1.1.1 Objetivo Geral ......................................................................................................... 19
1.1.2 Objetivo Específico ................................................................................................ 20
1.2 Justificativas ............................................................................................................. 20
1.3 Abrangência .............................................................................................................. 21
1.4 Estrutura do Trabalho ............................................................................................ 22
2 ARGAMASSA DE REVESTIMENTO EXTERNO .............................................. 24
2.1 Normas e Especificações ...................................................................................... 24
2.2 Ensaios ....................................................................................................................... 28
2.3 Tipos de argamassas e suas propriedades ..................................................... 32
2.4 Funções da Argamassa ......................................................................................... 33
2.5 Métodos de Execução de revestimento externo em argamassa ................ 34
2.5.1 Diretrizes para execução ...................................................................................... 35
2.5.2 Treinamento ............................................................................................................ 35
2.5.3 Recebimento da Argamassa ................................................................................ 36
2.5.4 Execução ................................................................................................................. 37
2.6 Anomalias em Argamassa de Revestimento Externo ................................... 49
2.6.1 Irregularidades geométricas (desvios do plano,
requadramentos,arestamentos tortuosos etc) .............................................................. 50
2.6.2 Fissuras ................................................................................................................... 50
2.6.3 Traço inadequado .................................................................................................. 51
2.6.4 Teor excessivo de finos ........................................................................................ 52
2.6.5 Material argiloso na areia ..................................................................................... 52
2.6.6 Excessiva absorção da base ............................................................................... 52
2.6.7 Excessiva evaporação (insolação, ventos) ....................................................... 53


16
2.6.8 Fissuras horizontais ............................................................................................... 54
2.6.9 Fissuras verticais ou inclinadas ........................................................................... 57
2.6.10 Fissuras mapeadas, com espaçamentos/aberturas regulares ................... 58
2.6.11 As fissuras situadas junto aos cantos inferiores e/ou superiores das
aberturas ............................................................................................................................. 61
2.6.12 Trincas verticais situadas na interface entre as alvenarias e pilares ........ 63
2.6.13 Eflorescência ...................................................................................................... 65
3 MÉTODO DE TRABALHO ................................................................................ 67
4 MATERIAIS E FERRAMENTAS ........................................................................ 68
5 PATOLOGIAS EM ARGAMASSAS: EDIFÍCIO PRÍNCIPE DE GALES............ 69
5.1 Localização ............................................................................................................... 69
5.2 Características do edifício .................................................................................... 70
5.2.1 Caracterização das camadas e materiais constituintes dos revestimentos do
edifício ................................................................................................................................. 71
5.3 Inspeções e ensaios realizados ........................................................................... 72
5.3.1 Ensaio de inspeção por percussão ..................................................................... 72
5.3.2 Ensaio de inspeção visual .................................................................................... 73
5.3.3 Ensaio tipo janela de inspeção ............................................................................ 84
6 ANÁLISE DOS RESULTADOS ......................................................................... 91
6.1 Fissuras mapeadas ................................................................................................. 91
6.2 Fissura do tipo amarração alvenaria-pilar ........................................................ 92
6.3 Fissuração na região de topo de alvenaria e fundo de viga ........................ 92
6.4 Fissura do tipo “bigode” ....................................................................................... 92
6.5 Trincas e desplacamento das molduras e pingadeiras da fachada .......... 93
6.6 Fissura e desplacamento nos peitoris de alvenaria do terraço .................. 94


17
6.7 Trincas nas molduras verticais externas .......................................................... 94
6.8 Desplacamento do revestimento na fachada................................................... 94
6.9 Manchas escuras na fachada ............................................................................... 95
7 CONCLUSÕES .................................................................................................. 96
8 RECOMENDAÇÕES.......................................................................................... 98
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 99
ANEXO A ................................................................................................................ 101




18
1 INTRODUÇÃO

Na antiguidade, a maioria das edificações residenciais eram construções da união
de alvenaria, revestimentos rudimentares à base de argila e blocos de vedação com
função também estrutural. Na grande maioria eram utilizados blocos cerâmicos
assentados com mistura de argila (saibro) e em algumas edificações mais
sofisticadas utilizavam como assentamento e revestimento externo a mistura de cal
e areia. Com a mistura de pedras de calcário e argila no século 19, foi desenvolvido
o cimento Portland e consequentemente as edificações obtiveram maior
desempenho estrutural. Gradualmente a utilização do cimento veio substituir estes
métodos rudimentares de construção.

As construções mais antigas, feitas em alvenaria, sem estrutura de concreto armado
convencional (alvenaria estrutural), tinham as solicitações de cargas distribuídas
mais uniforme, fazendo da estrutura um corpo monolítico, consequentemente os
revestimentos externos apresentavam menos sinais de solicitações de estruturas
deformáveis, como, apresentação de fissuras ou desplacamento do revestimento.

O estudo da tecnologia do concreto armado, dos seus materiais e suas
características, facilitou a construção de edificações mais esbeltas com vãos
maiores, consequentemente mais deformações e mais solicitações sobre as
alvenarias. Com o tempo, muitas dessas novas edificações começaram a apresentar
diversas fissuras, consequência da diferença de movimentação das bases (estrutura
de concreto armado e alvenaria de vedação) e os revestimentos externos.

Nos dias atuais, a especulação imobiliária fez com que cada espaço dentro da
edificação ficasse mais valorizado. E para liberação de mais área dentro da
edificação, as dimensões e quantidade de pilares são reduzidas, aumentando os
vãos das lajes e vigas. Consequentemente as vigas exercem solicitações sobre as
alvenarias as quais não haviam antigamente. As alvenarias que trabalhavam a
compressão agora estão eventualmente sobre tração e cisalhamento agravando a
situação do revestimento externo.


19
O concreto armado antigamente possuía em média resistência à compressão de 18
a 20 MPa e sua execução era rústica e sem um controle dos seus componentes, o
que resultava um material de superfície ligeiramente porosa. Porém, hoje, com a
evolução de seus materiais e do controle das misturas dos agregados, suas
resistências foram elevadas para a ordem de 30 a 40 MPa, como conseqüência, o
concreto ficou mais denso e sua porosidade foi sensivelmente reduzida.

Como efeito da redução da porosidade nessa evolução do concreto armado, a
superfície fica muito mais lisa, o que dificulta a aderência dos revestimentos e
argamassas de fixação das alvenarias, agravando ainda mais os riscos de
ocorrência de anomalias nos revestimentos, prejudicando as condições estéticas das
edificações.

1.1 Objetivos

Este trabalho aborda as patologias mais frequentes, que ocorrem nos revestimentos
externos executados em argamassa de edifícios residenciais.

São discutidas as origens dessas patologias, sem a preocupação de apresentar
propostas de soluções técnicas.

1.1.1 Objetivo Geral

O objetivo do presente trabalho é reconhecer, distinguir e registrar as anomalias que
ocorrem nos revestimentos externos em argamassa das fachadas de edificações
residenciais.

A pesquisa efetuada visou também analisar as anomalias com maior incidência
nesse tipo de revestimento externo, buscando ainda reconhecer e determinar suas
prováveis origens.





20
1.1.2 Objetivo Específico

O objetivo específico da pesquisa é realizar levantamento sistemático em fachadas
externas construídas em argamassa, utilizando ferramentas simples de
levantamento de campo, bem como, por meio de conhecimento tácito da engenharia
civil.

O trabalho teve por finalidade também realizar a identificação e a classificação das
anomalias do revestimento externo.


1.2 Justificativas

A velocidade de construção das obras hoje em dia, fez com que a maioria das
etapas da construção fosse acelerada, com isso, cada vez mais o item qualidade
nas construções fica mais difícil de ser obtido. A redução do tempo na execução dos
processos construtivos e aliado a prática de redução dos custos, está gerando sérias
consequências na qualidade final da obra.

O revestimento externo é utilizado como uma ferramenta para baixar custo e
acelerar a produção da obra, consequentemente etapas cruciais de produção do
revestimento externo estão sendo sacrificadas.

Estas falhas de produção em etapas básicas de produção é umas das principais
causas geradoras de anomalias no revestimento externo (fachada). Sabe-se que
estas patologias possuem diversas origens, não apenas na etapa de produção, mas
também oriunda de uma falha de projeto (muitas vezes o empreendimento não
possui projeto específico de produção de fachadas), mas também como uma falha
na escolha dos materiais, falha nos processos executivos ou mesmo falha de
utilização do edifício pelos moradores.

Dentro dos diversos tipos de revestimento externo como: revestimento cerâmico,
concreto aparente, placas pré-moldadas e outros, possuem suas características e
peculiaridades, consequentemente suas deficiências; porém, o tema de revestimento


21
em argamassa foi escolhido devido à diversificação de anomalias no mesmo e a
grande quantidade de obras em São Paulo que utiliza este tipo revestimento como
acabamento final.

O desenvolvimento da presente pesquisa justifica-se no entendimento sobre estes
materiais e seu comportamento que ajudará a desenvolver tecnicamente nas
empresas melhores resultados qualitativos, na tentativa de reduzir as anomalias
neste tipo de revestimento.

O custo do revestimento de fachada é da ordem de 3% a 8% do valor total de uma
obra, porém os danos de anomalias no revestimento externo podem ser desastrosos
para as construtoras devido ao elevado custo de recuperação e, financeiramente,
(publicidades) acabam gerando uma mancha na imagem da empresa, onde o
revestimento externo pode ser comparado como um raio X da obra e a qualidade do
revestimento externo (fachada) está sendo generalizado como qualidade de toda a
edificação.

Devido ao descontentamento técnico do consumidor final, as construtoras estão
sendo obrigadas a criar a disciplina “fachada” em seus diretórios de produção e não
observar a parte de revestimento externo apenas como detalhes arquitetônicos.


1.3 Abrangência

O presente trabalho abrange as principais características das argamassas de
revestimento externo, assim como: Propriedades, impermeabilização, isolamento
acústico, isolamento térmico, métodos de aplicação, acabamento e resistências
mecânicas (propriedades mecânicas).

O foco principal deste trabalho está no estudo das manifestações patológicas no
revestimento externo em argamassa, descrevendo as anomalias de maiores
ocorrências em revestimentos de argamassa. Com estes estudos, será realizada
uma descrição específica das principais anomalias localizadas no edifício em
questão no estudo de caso.


22

São relatados alguns métodos de investigação (mapeamento e localização de
anomalias).

Neste trabalho, não se abordam ensaios de laboratórios especializados para
investigação das anomalias do revestimento externo no edifício em estudo de caso;
Ensaios como: ensaio de extração de testemunhos para argamassa, ensaios de
carbonatação e outros.

Não estão abordadas neste trabalho outras manifestações patológicas do edifício
em estudo de caso, que não seja manifestações patológicas em argamassa de
revestimento externo.


1.4 Estrutura do Trabalho

Este trabalho contêm oito capítulos, sendo que o capítulo 4 abrange as argamassas
de revestimento externo, ressaltando suas propriedades físicas, mecânicas,
durabilidade, impermeabilidade, proteção acústica, proteção mecânica, estética,
ensaios, acabamento e suas principais anomalias.

Nesse mesmo capítulo 4, são abordadas as principais etapas de execução do
revestimento externo, contemplando as etapas de limpeza e preparo de
base(concreto e alvenaria), lavagem e aplicação de chapisco, taliscamento e
verificação das propriedades do chapisco após a cura e aplicação da argamassa de
revestimento externo e acabamento.

O capítulo 5 contempla o estudo de caso, onde foram investigadas as manifestações
patológicas no revestimento externo do edifício Príncipe de Gales (São Paulo),
descrevendo sua localização exata, características do edifício (números de
pavimentos, tipo de estrutura, tipo de alvenaria, tipo de acabamento final), métodos
de investigação das anomalias (Inspeção visual e "in loco" através de descida de
balancim junto à fachada) e ferramentas utilizadas na busca de dados, descrição e
mapeamento das anomalias (cadastramento em planta das anomalias).


23

Será realizado um diagnóstico especifico deste edifício designando as origens
destas manifestações patológicas, assim como, será descrito possíveis métodos de
recuperação para este edifício.

No capítulo 6, são descritas as interpretações de resultados de ensaios e
investigação das anomalias localizadas no edifício em estudo de caso (Edifício
Príncipe de Gales), relacionado com falhas comum de projeto, execução e
manutenção em edifícios de revestimento externo em argamassa.

O capítulo 7 abrange a conclusão deste trabalho e capítulo 8 abrange as
recomendações, seguidos pelas referências e anexos.























24
2 ARGAMASSA DE REVESTIMENTO EXTERNO

2.1 Normas e Especificações

Este capítulo irá listar as principais normas e especificações da Associação
Brasileira de Normas Técnicas relacionadas a argamassas para revestimento:

NBR 7200 (ABNT, 1998) - Execução de revestimento de paredes e tetos de
argamassas inorgânicas – Procedimento.

A NBR 7200 especifica padrões ideais de execução do revestimento de modo a
evitar anomalias posteriores à execução. A norma abrange o assunto passo a passo
desde o projeto do revestimento até o acompanhamento da execução. A seguir na
página seguinte, um fluxograma esquemático das etapas.






















25

Figura 2.1- Fluxograma esquemático do acompanhamento do serviço de revestimento.
Fonte: NBR 7200 (ABNT, 1998)



26

NBR 13277 (ABNT, 2005a) - Argamassa para assentamento e revestimento
de paredes e tetos - Determinação da retenção de água.

Esta norma especifica métodos para determinar o fator de retenção de água da
argamassa.


NBR 13278 (ABNT, 2005b) - Argamassa para assentamento e revestimento
de paredes e tetos - Determinação da densidade de massa e do teor de ar
incorporado.

Esta Norma estabelece o método para determinação da densidade de massa e do
teor de ar incorporado em argamassas no estado fresco, destinadas ao
assentamento e revestimento de paredes e tetos.


NBR 13279 (ABNT, 2005c) - Argamassa para assentamento e revestimento
de paredes e tetos – Determinação da resistência à tração na flexão e à
compressão.

Esta Norma estabelece o método para determinação da resistência à tração na
flexão e da resistência à compressão de argamassas para assentamento e
revestimento de paredes e tetos, no estado endurecido.

NBR 13280 (ABNT, 2005d) - Argamassa para assentamento e revestimento
de paredes e tetos - Determinação da densidade de massa aparente no
estado endurecido.

Esta Norma estabelece o método para determinação da densidade de massa
aparente de argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos, no
estado endurecido.




27
NBR 13281 (ABNT, 2005e) - Argamassa para assentamento e revestimento
de paredes e tetos - Determinação da densidade de massa aparente no
estado endurecido.

Esta Norma especifica os requisitos para argamassa utilizada em assentamento e
revestimento de paredes e tetos.


NBR 13528 (ABNT, 2010) - Revestimento de paredes e tetos de argamassas
inorgânicas - Determinação da resistência de aderência à tração.

Esta Norma prescreve o método para a determinação da resistência de aderência à
tração de revestimento de argamassa aplicados em obra ou laboratório sobre
substratos inorgânicos não metálicos.


NBR 13749 (ABNT, 1996) - Revestimento de paredes e tetos de argamassas
inorgânicas – Especificação.

Esta Norma fixa as condições exigíveis para o recebimento de revestimento de
argamassa inorgânicas aplicadas sobre paredes e tetos de edificações. Esta Norma
aplica-se ao revestimento de elementos constituídos por concreto e alvenarias.













28
2.2 Ensaios

Para inspeção das argamassas de revestimento externo aplicada em uma fachada
são realizados ensaios e testes nas fachadas para determinar sua confiabilidade e
reduzir a incidência de futuras manifestações patológicas no revestimento externo.

Segundo RAGUEB (2005), os ensaios para determinação da resistência à aderência
e à tração devem ser executados sobre emboço e/ou sobre o revestimento de
acabamento quando o desempenho avaliado nas inspeções qualitativas não atender
aos parâmetros especificados e quando a fiscalização da obra e o projetista julgarem
necessário.

O ensaio de argamassa mais comum realizado em campo é o de determinação de
sua resistência de aderência à tração, conforme as especificações da norma NBR
13528 (ABNT, 2010).

Esse ensaio, que é normalizado, é feito através de forma simples, depois da
argamassa pronta e devidamente curada, os panos são liberados para o mesmo.
São feitos pequenos cortes com o auxílio de cerra copo, com dimensões
conhecidas, de onde mais tarde serão extraídos os corpos de prova. Após
determinado os trechos e cortados, os corpos de prova são nomeados e neles são
coladas as pastilhas metálicas com auxílio de adesivo epóxi (Figuras 2.2 e 2.3),
essas pastilhas têm um suporte que ligado a um dinamômetro, irão aplicar um
esforço de tração até a ruptura do revestimento. NBR 13528 (ABNT, 2010)



29

Figura 2.2– Ensaio de determinação de
resistência de aderência a tração.
Fonte: Segall (2002)
Figura 2.3– Dinamômetro utilizado para
realização dos ensaios.
Fonte: Segall (2002)


As várias etapas de execução das fachadas, preparo da base, aplicação do
chapisco, aplicação do emboço, aplicação do acabamento final, devem ser
fiscalizadas e testadas por meio de avaliações qualitativas e quantitativas.
(RAGUEB, 2005)

Para verificação das condições de aderência do revestimento, são aplicados sobre a
superfície o ensaio percussão, que consiste na aplicação de impactos leves com
martelo de cabeça de plástico, verificando se ocorrem sons cavos ("ocos"). Este
ensaio que é adotado pela construtora, não é normalizado e é executado em todos
os panos do revestimento. (RAGUEB, 2005)

Este processo de investigação é feito somente após a superfície ter idade ideal para
a execução de pintura. Os pintores sobem as fachadas com as cadeirinhas e
aplicam golpes com o martelo dotado com ponta de borracha, isto inclui pingadeiras
e enchimentos.

Quando há detecção de falhas no revestimento, o local é identificado com o auxílio
de giz de cera ou giz estaca, circulando todo o trecho com som cavo, onde mais
tarde será avaliado pelo engenheiro da obra que definirá quanto à remoção ou não
do trecho, isso de acordo com o tamanho, forma e local. Se optado pela remoção da
área comprometida, identifica-se o ponto de ocorrência de falha (interface entre


30
substrato e chapisco ou chapisco e revestimento) para que possa facilitar a
identificação do motivo real da causa da degradação. (RAGUEB, 2005)








Figura 2.4 – Exemplo de uma fachada recebendo o ensaio de percussão e detalhe do martelo
dotado de ponta de borracha.
Fonte: http://www.lepar.com.br/ (2011)

Para a verificação das condições de dureza da superfície, foram realizados os testes
do risco (Figuras 2.5 e 2.6), que também é uma técnica adotada na empresa e não é
um ensaio normalizado. O mesmo consiste na execução de riscos cruzados na
superfície com força constante, utilizando prego de aço, riscadeira de fórmica ou
material pontiagudo. Devendo ser observado o sulco produzido pelo risco, sendo
este quanto mais profundo, menor a resistência superficial do revestimento. Este
teste é executado em uma área aproximada de 1,0m² por lote executado e quando
constatada a falha no material, o teste é expandido para outros pontos do lote.
(RAGUEB,2005)


31


Figura 2.5
Fonte: Toten engenharia e tecnologia (2011)

Figura 2.6
Fonte: Toten engenharia e tecnologia (2011)
Detalhes do ensaio de dureza superficial em argamassa.

É recomendada a execução do teste por lixamento (Figuras 2.7 e 2.8) sobre os
riscos executados pelo teste anterior, com o objetivo de confirmar ou não, resultados
obtidos. Sobre a superfície já riscada, realiza-se o lixamento da área (lixa nº 120),
com movimentos de vai-e-vem por 10 vezes, provocando assim o desgaste da
superfície. Quando a superfície apresentar baixa resistência, os riscos serão
"apagados". Confirmando assim o resultado do ensaio anterior. (RAGUEB, 2005)



Figura 2.7Fonte Toten engenharia e tecnologia
(2011)

Figura 2.8Fonte Toten engenharia e tecnologia
(2011)
Detalhes do ensaio de Lixamento.






32
2.3 Tipos de argamassas e suas propriedades

Argamassa é basicamente definida pela NBR 7200 (ABNT, 1998) como uma mistura
entre aglomerantes, agregados e água. Sendo mais comum a utilização do cimento
e a cal hidratada como aglomerantes e a areia como agregado.

As argamassas são classificadas da seguinte maneira(FERNANDES; STROBINO;
DZIURA, 2007, p.6, apud AZEREDO, 1987):

Argamassa de aderência – chapisco;
Argamassa de junta;
Argamassa de regularização – emboço;
Argamassa de acabamento – reboco;
Argamassas especiais – massa única.


A argamassa para revestimento deverá apresentar propriedades que irão garantir as
funções da mesma, assim será possível prever o comportamento do revestimento
nas situações diversas (BAÍA e SABATTINI, 2000).

No estado fresco a argamassa apresenta cinco propriedades (BAÍA eSABATTINI,
2000):

a) Massa específica;
b) Trabalhabilidade;
c) Retenção de água;
d) Aderência inicial;
e) Retração na secagem.


Em GUIMARÃES (2002), também são citadas mais algumas propriedades:

a) Consistência;
b) Retenção da consistência;


33
c) Coesão/ tixotropia
d) Plasticidade

Ainda segundo BAÍA e SABATTINI (2000), no estado rígido, as propriedades da
argamassa são:

a) Aderência;
b) Absorção de deformações;
c) Resistência mecânica;
d) Permeabilidade;
e) Durabilidade.


2.4 Funções da Argamassa

Algumas funções das argamassas de revestimento, segundo BAÍA e
SABATTINI(2000):

“Proteger os elementos de vedação dos edifícios da ação direta
dos agentes agressivos;

Auxiliar as vedações no cumprimento das suas funções, como,
por exemplo, o isolamento termoacústico e a estanqueidade à
água e aos gases;

Regularizar a superfície dos elementos de vedação, servindo de
base regular e adequada ao recebimento de outros revestimentos
ou constituir-se no acabamento final;

“Contribuir para a estética da fachada.”

(FERNANDES; STROBINO; DZIURA, 2007, p.8, apud WIECNEWSKI, 2006) cita
mais algumas funções da argamassa de revestimento:

Promover a união dos elementos construtivos;
Resistir às solicitações de esforços;


34
Absorver os esforços e distribuí-los;
Protegem a superfície de aplicação contra intempéries.

É importante ressaltar que não é função da argamassa de revestimento regularizar a
superfície do substrato com imperfeições, falhas no prumo e outras falhas de
execução.

A função de isolação térmica, segundo THOMAS(2008), é pouco considerada para
conforto da construção, porém sua existência é de suma importância. A camada de
argamassa impede que a ação do calor se propague em blocos cerâmicos e em
outros materiais, transferindo esta sensação térmica para o ambiente interno.

Por se tratar de uma camada regular e com alto grau de consistência, torna a
superfície com menor poder de reter materiais inertes no ar, fazendo com que s e
tenha uma superfície mais limpa. Além da possibilidade de manutenção desta
fachada através de lavagem. (THOMAS, 2008).

Um dos pontos mais notáveis dos revestimentos em argamassa é a facilidade de
acabamento e sua trabalhabilidade, em vista que podemos criar frisos, molduras,
faixas e enchimentos que fazem o revestimento ganhar em potencial de acordo com
a criatividade do projetista e não apenas tenha a função mecânica como proteção e
isolamento, mas tenha também a função arquitetônica e estética, que é muito
importante como atrativo de venda.(RAGUEB, 2005)


2.5 Métodos de Execução de revestimento externo em argamassa

Para a realização de uma fachada em revestimento externo, deve-se inicialmente
realizar um projeto de produção que tenha finalidade de determinar materiais,
geometria, juntas, reforços, pré-moldados, acabamentos, procedimento de execução
e controle, bem como diretrizes para manutenção, específicos para uma
determinada obra, de forma a se obter um desempenho satisfatório do revestimento
ao longo do tempo. Para que este objetivo de projeto seja alcançado, é necessário
contemplar: (RAGUEB, 2005)


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a) Condicionantes para o projeto;
b) Especificação dos materiais;
c) Diretrizes de seleção do sistema;
d) Diretrizes para controle de produção; e
e) Diretrizes de inspeção e manutenção.

2.5.1 Diretrizes para execução

De acordo com RAGUEB (2005), a elaboração do procedimento de execução do
revestimento externo em argamassa deve, também, abranger o acompanhamento e
controle de todas as etapas que compõem o processo executivo. Este documento
deve ser parte integrante do processo de contratação das empreiteiras, que através
dele terão prévio conhecimento da forma de execução e controle dos serviços pelas
construtoras. A equipe administrativa da contratante (engenheiros, estagiários,
mestres, contramestres, encarregados) e a equipe de produção da contratada
(encarregados, pedreiros, tarefeiros) deverão ter pleno conhecimento deste
procedimento de execução, de forma a garantir o bom andamento do processo
construtivo.


2.5.2 Treinamento

O treinamento da mão-de-obra e da equipe técnica da obra é um item de suma
importância para a obtenção da qualidade do revestimento. Isso se deve ao fato de
que a maior parte dos serviços é realizada em balancins na fachada, locais estes de
difícil acesso e controle.

Esta etapa deve ser realizada por mão de obra qualificada com o objetivo de
potencializar os serviços da equipe técnica (pedreiros, ajudantes, engenheiros)
demonstrando todas as etapas executivas do revestimento externo abordando todas
as especificações já definidas no projeto de produção do revestimento externo.
(RAGUEB, 2005)





36
2.5.3 Recebimento da Argamassa

Em função do tipo de produção da argamassa (industrializada ou produzida em
obra), o recebimento de materiais terá características distintas.

Para opção de utilização de argamassas industrializadas, os fornecedores deverão
ser registrados em tabelas, desenvolvidas pela equipe técnica, que deverão conter
no mínimo as seguintes informações: (RAGUEB, 2005)

a) Empresa fornecedora da argamassa;
b) Tipo de argamassa;
c) Número do fornecimento e da nota fiscal;
d) Quantidade recebida; e
e) Datas da fabricação e entrega.

RAGUEB (2005) ainda explica que para opção de produção da argamassa virada
em obra, deve ser considerada uma operação com todo controle tecnológico e de
rastreabilidade requerido no processo industrial, caso contrário a variabilidade das
propriedades do produto poderá ser inaceitável.

Para materiais ensacados (aglomerantes – cimento e cal):

Cada viagem do material entregue à obra deverá ser identificado e numerado.

Todos os fornecimentos dos materiais deverão ser registrados em
tabelas,desenvolvidas pela equipe técnica, que deverão conter no mínimo as
seguintes informações:

a) empresa fornecedora;
b) tipo do material;
c) número do fornecimento e da nota fiscal;
d) quantidade recebida; e
e) datas da fabricação e entrega.


37
2.5.4 Execução
Para maximizar a produtividade e evitar desperdícios de materiais, RAGUEB (2005)
sugere que a produção de revestimento externo seja subdivida em etapas de
execução.

Etapa 01 - Primeira subida de balancim

Na primeira subida de balancins são realizados os serviços de fixação da alvenaria,
preparo da base e mapeamento. O mapeamento, em função da geometria da
edificação ou a critério da mão-de-obra, o mesmo poderá ser executado na primeira
descida (2ª etapa).


a) Fixação da alvenaria

A fixação externa da alvenaria às vigas e lajes deve ser completada com argamassa
cimentícea especificada para esse fim. Esta argamassa de encunhamento deve
possuir baixo módulo de deformação e pode ser utilizada a mesma argamassa para
assentamento e fixação das alvenarias. O preenchimento da abertura deverá ser
completo, sem vazios ou rebarbas. Nesta etapa é recomendado o preenchimento do
vão entre a viga/ alvenaria (encunhamento) com altura de 2 a 3 cm, para que isto
ocorra, a alvenaria deverá ser racionalizada de modo que as dimensões exigidas no
projeto de revestimento externo sejam atendidos.

As orientações para o preparo e aplicação desta argamassa deverão ser fornecidas
pelo fabricante e/ou projetista.



38

Figura 2.9– Detalhe de fixação da alvenaria com equipamento adequado (bisnaga aplicadora).
Fonte: Revista Techne, maio de 2004, nº 86.



b) Preparo de base

A limpeza da base é fundamental para permitir a correta absorção e conseqüente
aderência dos revestimentos. A aderência do revestimento está relacionada
diretamente com o grau de absorção da base, que propicia a microancoragem e com
a rugosidade superficial, que contribuirá para a macroancoragem.

Problemas relacionados com falhas nos revestimentos existem no mundo inteiro.
Noentanto, existe um desconhecimento generalizado acerca da influência do
preparo da base na resistência de aderência, e muitas vezes é executado sem se ter
um conhecimento técnico que permita aproveitar a contribuição dessa camada no
desempenho dos revestimentos de argamassa (BAIA, 2001).

Para melhorar a resistência de aderência entre o substrato e o revestimento, é
necessário realizar um tratamento prévio do substrato, a essa operação denomina-
se preparo da base. Este deve ser escolhido em função das características
superficiais da base e executado usando materiais e técnicas apropriadas para
efetivamente melhorar as condições de aderência do revestimento à base,


39
principalmente criando uma superfície com rugosidade apropriada e regularizando a
capacidade de absorção inicial da base. (BAIA, 2001)


Preparo de base sobre superfície de concreto

As principais patologias de revestimento que ocorrem sobre as bases de concreto
advêm da limpeza incorreta de resíduos de desmoldantes, acúmulos de nata
provenientes da fase da execução de estrutura. Assim, a superfície deverá ser
escovada energicamente com escovas dotadas de cerdas de aço, se possível
mecanicamente (Figuras2. 11 e 2.12) e/ou apicoadas com ferramentas apropriadas.
Toda superfície contaminada por desmoldante e outras impurezas deve ser
rigorosamente limpa. (RAGUEB, 2005)

A superfície do concreto, após esta operação, deve apresentar os poros abertos,
tornando-se mais áspera, o que potencializa a micro ancoragem e a
macroancoragem.

Nesta etapa executiva também deve ser realizada o tratamento de anomalias na
estrutura como “ninhos de pedras ou bicheiras” e qualquer material que possa gerar
dificuldades para aderência do revestimento como rebarbas, pontas de ferro, nichos,
orifícios e todos devem ser removidos ou recuperados utilizando técnicas e materiais
específicos para esta finalidade. (RAGUEB, 2005)









40

Figura 2.10– Detalhe de uma estrutura convencional sem tratamento e apresentando resíduos
de desmoldantes, de nata de cimento,orifícios, pontas de ferro e madeira.
Fonte: Pacelli & Ragueb .


Figura 2.11 – Escovação manual com
escova dotada de cerdas de aço.
Fonte: Pacelli & Ragueb .
Figura 2.12– Limpeza da estrutura com aparelho
eletromecânico de baixa rotação.
Fonte: Pacelli & Ragueb .



41



Figura 2.13 – Detalhe de uma superfície corretamente limpa e com sua porosidade superficial
destacada.
Fonte: Pacelli & Ragueb


Preparo de base sobre superfície de alvenaria de bloco
cerâmico ou de concreto

Segundo (RAGUEB, 2005), os blocos que compõem a alvenaria devem ter a sua
superfície áspera e sem sinais de contaminação ou impregnação. Caso apresentem
estes sinais, as superfícies deverão ser limpas e/ou reparadas.

Os reparos dos buracos devem ser feitos utilizando-se a mesma argamassa do
revestimento. As rebarbas devem ser removidas com uma colher de pedreiro ou
talhadeira e marreta leve.

Caso ocorra o aparecimento de fissuras nos blocos ou na argamassa de
assentamento, a causa geradora deve ser identificada e eliminada. As fissuras
deverão ser tratadas ou reforçadas com telas especificadas no projeto.




42
Etapa 02 – Primeira descida do balancim

Na primeira descida são feitos os serviços de lavagem e inspeção das bases
(alvenaria e estrutura) e aplicação do chapisco.

a) Limpeza

Ainda de acordo com RAGUEB (2005), deverá ser efetuada a limpeza das
bases (estrutura e alvenaria) com a utilização de escova de nylon/piaçava e lavagem
por hidrojateamento. A lavagem deve ser feita na descida do balancim, de modo a
não contaminar superfícies já limpas.

















Fonte: Pacelli & Ragueb .

Fonte: Pacelli & Ragueb .
Lavagem das bases com equipamento tipo jato d’água em forma de leque.






Figura 2.14 Figura 2.15


43
b) Aplicação do chapisco


RAGUEB (2005) diz que a especificação da aplicação já deve ter sido feita na fase
de projeto e planejamento. Naquela fase, a forma de aplicação, espessura e as
ferramentas já foram definidas e explicadas nos treinamentos.

Nesta fase é necessário que a equipe técnica da obra e a da mão-de-obra verifique
se está sendo possível praticar as especificações estabelecidas na fase de
execução dos painéis protótipos, especialmente porque a fase de execução deste
serviço pode ocorrer em época distinta daquela em que foram executados os painéis
protótipos. Atenção especial deve ser dada ao nível de umidade presente nas bases
para a aplicação de cada tipo de chapisco, e isso deve ser definido pelo
projetista/fabricante do chapisco. Se houver dificuldades na execução desse serviço,
é função do projetista e do fabricante do chapisco promover as correções
necessárias. Normalmente são utilizados chapisco diferentes em bases diferentes
(estrutura e alvenaria).


Chapisco manual

O chapisco manual ou tradicional nada mais é que uma mistura de cimento, areia e
água, podendo ainda ser incorporado algum tipo de aditivo capaz de aumentar sua
aderência ao substrato. Esse tipo é o mais antigo e ainda usual, com a mistura dos
materiais se obterá uma argamassa rica em cimento e muito fluída. Como visto na
Figura 2.16 a argamassa é aplicada de forma manual, com o uso de colher de
pedreiro, em golpes com muita energia e de forma uniforme. Tal argamassa não
deve ser manuseada depois de sua aplicação, ou seja, não recebera nenhum tipo de
acabamento a fim de se manter a porosidade e a rugosidade sobre o substrato
(THOMAZ, 2001).



44

Figura 2.16 Figura 2.17
Fonte: Pacelli & Ragueb . Fonte: Pacelli & Ragueb .
Detalhes de chapisco virado em obra aplicado manualmente.

Chapisco industrializado

O Chapisco industrializado é uma das formas mais recentes de aplicação de ponte
de aderência entre substrato e a camada de argamassa. Tem as mesmas funções
que as demais, porém a argamassa tem propriedades diferentes, assim como o seu
método de aplicação. Esse tipo de chapisco é uma argamassa que tem sua
consistência semelhante a uma argamassa colante, comumente usada para
revestimentos cerâmicos. Por ser uma argamassa industrializada, se destaca por te
rum maior controle de qualidade, e é pronta para uso, bastando apenas adicionar
água conforme orientação do fabricante. O controle na obra se torna muito mais
seguro, bastando apenas supervisionar a dosagem de água.

Na Figura 2.18podemosver que a sua forma de aplicação também se assemelha a
das argamassas colantes para revestimento cerâmico. Com o uso de
desempenadeira de aço dentada, o operário espalha a argamassa sobre a base,
fazendo ranhuras com a própria desempenadeira de aço, criando assim as
condições solicitadas para a etapa de revestimento. Essa técnica também se
destaca pela produtividade, mas por ser uma argamassa industrializada, tem um
valor agregado maior, deixando necessário avaliar a relação custos x produtividade.
(THOMAZ, 2001)


45


Figura 2.18– Aplicação do chapisco industrializado sob a superfície de concreto.
Fonte: Pacelli & Ragueb .


Etapa 03 – Segunda subida do balancim

Na segunda subida são feitos os serviços de taliscamento e inspeção dos chapiscos.

a) Taliscamento

Deve-se executar taliscas com material cerâmico em pedaços de 5 cm x 5 cm,
fixadas com a mesma argamassa que será utilizada no emboço, em toda a extensão
da fachada, no alinhamento dos arames. O espaçamento das taliscas deverá ser no
máximo, o comprimento da régua de sarrafeamento. A espessura de cada talisca é
aquela definida pelo projetista após o mapeamento. O mapeamento da fachada que
nada mais é que a verificação da variação de prumo, tanto da estrutura como da
própria alvenaria.
Nesta etapa são soltos arames do topo do prédio com pesos nas pontas como na
Figura 2.19 e 2.20. Os arames estarão afastados da estrutura com uma medida
predeterminada, então é feita a medição deste arame em relação à fachada. A
variação para mais ou para menos deve ser anotada e através desta anotação
podem se obter os pontos mais desfavoráveis na sua fachada.(RAGUEB, 2005)


46

Figura 2.19- Detalhe do posicionamento dos arames
fachadeiros.

Figura 2.20 - Arames fachadadeiros nas
fachadas.
Fonte: Schahin (2003) Fonte: Gafisa (2010)


Etapa 04 – Aplicação da argamassa

A aplicação da argamassa deve ser feita com a observação dos seguintes
Procedimentos de acordo com RAGUEB (2005)

a) Obedecer ao tempo de cura do chapisco especificado no projeto;

b) Executar mestras verticais entre taliscas contíguas;

c) Aplicar a argamassa com a energia de impacto estabelecida no projetono
caso de aplicação mecânica. No caso de aplicação manual, recomenda-se a
maior energia de impacto possível completando com a execução do aperto
nas chapadas com as costas da colher de pedreiro;

d) Sarrafear e desempenar após o tempo de puxamento, utilizando tipo de
desempenadeira (madeira, PVC) compatível com a rugosidade superficial
pretendida para o revestimento (função do acabamento previsto pela
arquitetura);



47
e) Compactar a argamassa com a desempenadeira, sem excesso de
alisamento;

f) Retirar as taliscas e proceder aos preenchimentos necessários;

g) Executar os frisos horizontais e verticais previstos no projeto, requadrar os
vãos de janela com ferramentas adequadas, anteriormente previstas no
projeto; e

h) Assentar ou moldar in loco os peitoris.

Nos trechos onde o taliscamento indicar necessidade de revestimento com
espessura superior ao valor máximo estipulado pela empresa fornecedora da
argamassa e/ou pelo projetista, para aplicação da argamassa numa única etapa,
deverá ser aplicada a primeira cheia, adotando-se reforços com tela ou outro recurso
previsto no projeto. (RAGUEB, 2005)


Figura 2.21

Figura 2.22

Detalhes de aplicação da argamassa manualmente..





48
Figura 2.23
Figura 2.24
Fonte: Pacelli & Ragueb . Fonte: Pacelli & Ragueb .
Detalhes de aplicação da argamassa tipo projetada com equipamento de lançamento de
argamassa com alta pressão.


Nesta etapa é realizado o reforço da argamassa com telas metálicas, fixação de pré-
moldados, execução de frisos e acabamentos conforme detalhes executivos
solicitados em projeto. O tempo de sarrafeamento ou acabamento é essencial para a
obtenção de melhores resultados.

Não há um tempo determinado para que se possa dar início ao acabamento, porém,
se o operário não se atentar ao tempo de pega, poderá ter problemas quanto a
fissuras ou manuseio. Se o processo for feito muito rápido, argamassa não estará no
ponto, ou seja, não terá “puxado”, e pouco tempo depois a mesma irá apresentar
pequenas fissuras de retração. Caso demore muito, ele terá dificuldades em dar o
melhor acabamento ou até mesmo não conseguir.

A análise sobre o tempo de acabamento do revestimento é obtida através da própria
experiência, a variação é grande, pois o tempo esta relacionado ao substrato que é
aplicado (bloco cerâmico, bloco de concreto, estruturas de concreto, etc.) e também
as condições ambientais, tais como temperatura, ventos e umidade do ar (BAIA,
2001).




49
2.6 Anomalias em Argamassa de Revestimento Externo

Neste capítulo são demonstradas as manifestações patológicas de maior incidência
nos revestimentos de argamassa e seus danos. Inicialmente, é importante destacar
a origem das manifestações patológicas dos revestimentos: “as origens para a
ocorrência dos problemas patológicos no revestimento de argamassa podem estar
associadas às fases de projeto, execução e utilização desse revestimento ao longo
do tempo” (BAÍA e SABATTINI, 2000).

BAÍA e SABATTINI (2000) ainda afirmam:

“O problema patológico acontece quando o desempenho do produto ultrapassa o seu limite
mínimo de desempenho desejado. No caso dos revestimentos de argamassa, os problemas
patológicos mais frequentes são:

Formação de manchas de umidade, com desenvolvimento de bolor;
Descolamento da argamassa de revestimento;
Formação de fissuras e trincas na argamassa;
Deslocamento entre a camada de reboco e emboço.”

Dentre esses, merece ser destacado o problema da formação de fissuras e trincas,
que, além de evidenciar um problema no revestimento de argamassa, pode ser sinal
do comprometimento da segurança estrutural e do desempenho da vedação quanto
à estanqueidade, durabilidade e isolação acústica. (CIRNE, et al 2006)

FERNANDES, STROBINO e DZIURA (2007, p.8, apud LIMA2005) complementam
dizendo que esses fatores influenciam o desempenho do revestimento de
argamassa ao longo da vida útil esperada. Assim, é necessário considerar a
definição da argamassa, as espessuras das camadas do revestimento, os detalhes
construtivos, os procedimentos de execução e controle do revestimento e a
manutenção adequada, para minimizar a ocorrência dos problemas patológicos nos
revestimentos de argamassa.



50
2.6.1 Irregularidades geométricas (desvios do plano, requadramentos,
arestamentos tortuosos etc)

As irregularidades geométricas não são apenas uma simples falha no processo
executivo, são erros do processo que podem comprometer a qualidade final do
produto. Panos distorcidos, requadramentos mal feitos e arestamentos tortuosos são
comuns de se encontrar, porém por muitos, não são considerados como um
problema. A falta de fiscalização no momento de execução contribui para a soma de
pequenos desvios que serão vistos a olho nu e que prejudicam a estética.


Figura 2.25
Figura 2.26
Fonte: Pacelli & Ragueb . Fonte: Pacelli & Ragueb .
Detalhes de distorção e desalinhamento entre estrutura e alvenaria que será corrigida com
aumento de espessura de argamassa de revestimento externo.


2.6.2 Fissuras

As fissuras são comumente encontradas não só nas edificações mais antigas, mas
também naquelas em sua fase de execução. Há diversos tipos de fissuras e a elas
atribuídas vários fatores. As fissuras são problemas encontrados não só em
revestimentos externos de argamassa, mas também em vedações, revestimento
interno e estrutura. A fissuração agrega uma perda de resistência mecânica no


51
revestimento e um ponto passível de infiltração de água, ar e outro material em que
o revestimento esteja exposto. (THOMAZ, 2001)

2.6.3 Traço inadequado

A falta de controle na mistura de uma argamassa industrializada, ou uma dosagem
de argamassa virada em obra feita por meio do empirismo pode levar ao surgimento
de fissuras no revestimento. O excesso de materiais como o cimento pode levar a
mistura a uma alta temperatura de hidratação e com pouca quantidade de água para
suprir esta necessidade, a mistura estará passível a fissuras de retração, no
momento em que a mistura começar a reagir.

Em contrapartida a falta de cimento ou o uso de água em demasia na mistura, pode
fazer com que surjam efeitos visuais parecidos. Independente disso, a mistura pode
apresentar-se homogênea, hidratada e com baixa temperatura, mesmo assim há
possibilidade de surgimento de fissuras, pois a argamassa não terá resistência
mecânica suficiente para suprir os esforços causados pela movimentação da base
na qual foi aplicada. (THOMAZ, 2001)



Figura 2.27 – Fissuras decorrentes de traço mal feito
Fonte: THOMAZ (2001)






52
2.6.4 Teor excessivo de finos

A presença em excesso de materiais classificados como finos, contribuem para o
surgimento de fissuras. Estes preenchem os vazios entre os grãos e impede a
passagem da água tanto na hidratação, quanto na evaporação. Além de ser tido
como um material pulverulento, que inibe a união das partículas, interferindo na
aderência ao local aplicado. (THOMAZ, 2001)

2.6.5 Material argiloso na areia

As argilas são tidas como impurezas nas argamassas de cimento, pois ela tem
características muito distintas do comportamento da argamassa. As argilas têm uma
absorção muito lenta de água e sua presença pode causar a fissuração pela sua
expansão e pelo constante fluxo de água que a mesma obtém da mistura. Durante
seu processo de absorção a argila ganha em volume e causa tensões radiais,
provocando fissuração no revestimento que ainda não teve total ganho de
resistência. (THOMAZ, 2001)

2.6.6 Excessiva absorção da base

A absorção de água em excesso pela base foi abordada no escopo geral. Detalhes
que contribuem para a degradação da fachada. A aderência entre a argamassa e o
substrato é um fenômeno essencialmente mecânico, devido à penetração da pasta
aglomerante e argamassa nos poros e na rugosidade da base de aplicação. Assim,
torna-se fator importante na aderência a transferência de água que ocorre entre a
argamassa e o substrato. Isto porque esta água, que conduz em dissolução os
componentes do aglomerante, ao penetrar pelos poros e cavidades do substrato,
leva à precipitação de produtos de hidratação do cimento no interior destes poros,
exercendo ação de ancoragem da argamassa à base. (THOMAZ, 2001)

A absorção excessiva de água das argamassas pelo substrato pode provocar uma
hidratação do cimento localmente retardada, podendo formar regiões com materiais
de diferentes características e ocasionar grande retração (Narciso Silva, 2006),


53
essas retrações não podem ser controladas ficando assim com indicadores a
surgimentos de fissuras.

Figura 2.28

Fonte: Pacelli & Ragueb . Fonte: THOMAZ (2001).
A perda de água de amassamento por via capilar (para o meio ambiente ou por absorção para
as bases) provoca a retração das argamassas que por sua vez sofre restrição das
bases(chapisco) e da vinculação com a própria argamassa do pano, podendo provocar quadro
de fissuração e/ou desplacamento (destacamento) e diminuição da resistência mecânica da
argamassa de emboço.


2.6.7 Excessiva evaporação (insolação, ventos)

Esta anomalia na maioria dos casos, não há como se evitar a incidência de
insolação ou ação dos ventos que ambos provocam uma perda de água muito
rápida e interferem na mistura, no entanto, no momento de aplicação devem-se
combater estas ações utilizando técnicas de compensação da água perdida, ou seja,
umedecer a base antes do inicio do revestimento e após a execução promover uma
cura úmida,algumas formas simples são destinadas a este tipo de procedimento,
como a aplicação direta de água (em pouca quantidade e sem pressão para não
danificar o material), mantas ou peles umedecidas e evaporadores, todos eles com o
intuito de resfriar e compensar a água que ira se perder nestas ações.
Restr
ição
Restr
ição
Retra
ção
Retra
ção
Fissu
ras
mape
adas
Figura 2.29


54
Figura 2.30













Figura 2.31
Fonte: Pacelli & Ragueb . Fonte: Pacelli & Ragueb .
Fissuramento por toda extensão da fachada.


2.6.8 Fissuras horizontais

As fissuras horizontais são comumente vistas em revestimentos através de alguns
fenômenos difíceis de observar e que requerem um conhecimento um pouco mais
aprofundado não só sobre o objeto de estudo, mas também sobre as argamassas de
assentamento. Este tipo de fissura ocorre pela ocorrência dos seguintes fenômenos:

a) Assentamento plástico:

É a fissuração que ocorre quando o revestimento ainda está no seu estado plástico.
Há uma vulnerabilidade a perda de água neste momento e com isso ao se aplicar
sobre juntas de alvenaria, por exemplo, tem-se uma perda de água para a


55
argamassa de assentamento, causando a fissuração horizontal. O surgimento desse
tipo de fissura é facilmente identificado nas edificações atuais. Mesmo uma pintura
ou mesmo revestimento um pouco mais robusto como uma textura não são capazes
de esconder essa falha. Também neste caso, há um conjunto de fatores que
permitem o surgimento de fissuras.

Blocos com alto poder de absorção como cerâmicos, “blocos verdes”, com alto
índice de retração, a retração da argamassa de assentamento ou a utilização da
técnica de vedação como uso das juntas secas interferem diretamente no
revestimento. Outro fator determinante e de muita ocorrência a este tipo de
apresentação de fissuras, são decorrentes da espessura muito fina do revestimento,
que causam o efeito também conhecido popularmente como fachada “fotografada”.
(THOMAZ, 2001)






Figura 2.32
Fonte: Pacelli & Ragueb .

Figura 2.33
Fonte: Pacelli & Ragueb .
Detalhes de fissuramento na argamassa acompanhando as juntas de assentamento da
alvenaria.









56


b) Desplacamento:

É um tipo de fissura que ocorre tempos depois da execução que na verdade é o
indício de outro problema. Quando ocorre uma fissura por descolamentos, é sinal
que o revestimento já não está mais agregado em sua totalidade a base, e está
exposta as intempéries. (THOMAZ, 2001)

Os descolamentos ocorrem quando o revestimento não está mais aderido à base. A
pouca aderência entre o revestimento e a base, ou entre a base e o substrato fazem
com que os esforços internos, como cisalhamento, rompam a ligação entre
camadas, desprendendo-as e deixando-as soltas. Esse problema pode ser de ordem
pontual ou mesmo generalizado (Figura 2.34 e 2.35). No momento que isso ocorre a
sustentação do material se da por si próprio, ou seja, por não estar fixada a base, o
peso do revestimento será transferido de forma radial, sobrecarregando os pontos
ainda com qualidade.


Figura 2.34

Figura 2.35
Fonte: Pacelli & Ragueb . Fonte: Pacelli & Ragueb .


57
Desplacamento da argamassa da base devido à falha de aderência.


Figura 2.36 – Desplacamento da argamassa de
revestimento externo devido a falhas no preparo
de base.
Fonte: Pacelli & Ragueb .

Figura 2.37 - Exemplo de uma falha de
preparo de base que futuramente poderá
gerar uma falha de aderência entre as
camadas do revestimento.
Fonte: Pacelli & Ragueb .



c) Expansão da argamassa de assentamento (sulfatos, presença de
material argiloso na argamassa etc.):

A expansão da argamassa de assentamento é responsável pela formação de
tensões perpendiculares ao plano do revestimento. Tais tensões geram um esforço
pontual no qual o revestimento não está dimensionado, como estes esforços
acompanham a linha formada pela argamassa de assentamento da vedação, é tida
então uma linha de esforço horizontal, gerando este tipo de fissuração. (THOMAZ,
2001)

2.6.9 Fissuras verticais ou inclinadas

A presença de fissura no sentido vertical é gerada na verdade, por uma composição
de esforços do revestimento que junto com o enfraquecimento do sistema de
vedação, feitos por interferências como o posicionamento de tubos e eletrodutos na
vedação externa. Isso tende a enfraquecer a base que irá suportar o sistema. Com a


58
estrutura comprometida por esse enfraquecimento, somando-se as tensões normais
e de cisalhamento, tem-se a propensão a criação de fissuras verticais.

2.6.10 Fissuras mapeadas, com espaçamentos/aberturas regulares

As fissuras mapeadas são feitas por uma associação de movimentações
higrotérmicas diferenciadas entre o revestimento e a estrutura. Eventualmente
associadas à retração de secagem da argamassa. A higrotermia é a perda de calor
ao meio externo, e como revestimento e estrutura tem esse comportamento de
formas distintas, há uma movimentação diferenciada entre eles, contribuindo para o
surgimento deste tipo de ocorrências.

Os elementos e componentes construtivos estão sujeitos a variações de
temperatura, sazonais e diárias. Essas variações repercutem numa variação
dimensional dos materiais de construção (dilatação ou retração).

Os movimentos de dilatação e retração são restringidos pelos diversos vínculos que
envolvem os elementos e componentes, desenvolvendo-se, desta forma, nos
materiais tensões de tração combinadas com tensões de cisalhamento que poderão
provocar o aparecimento de trincas e fissuras.

As trincas de origem térmica podem também surgir por movimentações
diferenciadas entre dois componentes de materiais distintos (estrutura de concreto,
alvenaria de fechamento e argamassa de fixação desta alvenaria), que no caso por
sofrerem dilatações térmicas diferenciais, fissuram-se por tração combinada com
cisalhamento nas interfaces de encontro entre os materiais.

Em função da movimentação térmica, ocorrem destacamentos entre as alvenarias e
o reticulado estrutural na grande maioria das vezes nos últimos dois andares tipos
de um edifício, assim como cobertura e ático (tal como ilustra a Figura2.38 e 2.39),
na interface entre fundo das vigas ou lajes e topo das alvenarias(Figura2. 40 e 2.41),
podendo resultando também a percolação de água para o interior dos apartamentos,
principalmente no último andar tipo. (THOMAZ, 2001)



59

Figura 2.38- Movimentações térmicas diferenciadas.
Fonte: THOMAZ (2001)


Figura 2.39 - Movimentações térmicas diferenciadas.
Fonte: THOMAZ (2001)



60


Figura 2.40 – Demonstrativo de fissura por
movimentações térmicas diferenciadas.
Fonte: THOMAZ (2001)
Figura 2.41 – Demonstrativo de uma fissura na
interface alvenaria/viga.
Fonte: THOMAZ (2001)




Figura 2.42
Figura 2.43
Fonte: http://mundodaimpermeabilizacao.
blogspot.com/2010 (2010)
Fonte: Pacelli & Ragueb .
Fissuramento na fachada devido à movimentação térmica em lajes de cobertura.



61

Figura 2.44 – Fissura no encontro
alvenaria/viga.
Fonte: THOMAZ (2001)




Figura 2.45 – Detalhe da figura anterior.
Fonte: THOMAZ (2001)





2.6.11 As fissuras situadas junto aos cantos inferiores e/ou superiores das
aberturas

Sua origem da ação conjunta das seguintes causas: Pelas tensões de tração que se
concentram nos cantos, principalmente inferiores,das aberturas das alvenarias,
aberturas estas destinadas à fixação de caixilhos nas fachadas.

Estas tensões, que provocam as fissuras tipo “bigode” devem ser absorvidas por
elemento estrutural (contra-verga executada em concreto armado), posicionado
convenientemente (como ilustra a figura 2.46 e 2.47), e que tem a função de
fretagem e distribuição dos esforços concentrados nas quinas das aberturas.



62
SegundoTHOMAZ (2001), “com a finalidade de absorver estas tensões que se
concentram nos contorno dos vãos, devem ser previstas vergas e contra-vergas com
transpasse mínimo de 40 cm para cada lado do vão. No caso de vãos sucessivos, as
vergas e contra-vergas devem ser contínuas; e em caso especiais (janelas ou portas
de grandes dimensões, paredes muito altas), vergas e contra-vergas devem ser
dimensionadas como vigas”.

Para realizar esta fretagem nas aberturas da fachada, esta consultoria também
recomenda a execução de vigas de concreto armado, com altura de no mínimo
15cm,largura igual a do bloco de alvenaria, e comprimento que avançam nas
aberturas, em ambos os lados em no mínimo 40cm. (THOMAZ, 2001)






Figura 2.46 – Detalhe da contra-verga e
verga recomendadas para cantos de
aberturas.
Fonte: Toten Engenharia Ltda (2009).

Figura 2.47 – Características das fissuras.
Fonte: Toten Engenharia Ltda (2009).


63
Figura 2.48 – Fissura no canto inferior da fachada
devido a falha nas dimensões de contra-verga.
Fonte: Pacelli & Ragueb .





Figura 2.49 – Detalhe da fotografia
anterior, demonstrando a fissura na
argamassa no canto da janela.
Fonte: Pacelli & Ragueb .


2.6.12 Trincas verticais situadas na interface entre as alvenarias e pilares

Estas fissuras provavelmente tiveram a sua origem na deficiência desta amarração
entre os dois elementos construtivos, que não resistiram às tensões diferenciais
higrotérmicas que ocorrem na ligação destes dois tipos de materiais (concreto e
bloco de alvenaria). Por sua vez estas deficiências executivas podem ser
relacionadas à:

a) Inexistência ou deficiência de amarração mecânica (telas metálicas ou ferro
cabelo), entre os pilares e a alvenaria de blocos de concreto;

b) Deficiência na aplicação da argamassa de assentamento vertical na região
de amarração (entre o pilar e a alvenaria de blocos de concreto) seja pela
espessura insuficiente, ou na não execução de juntas plenas e comprimidas
(por aperto do bloco de concreto em direção ao pilar, conforme ilustra a figura
2.50). Essa ligação é considerada como amarração química.



64
c) Inexistência de reforços na argamassa de emboço nos últimos 03
pavimentos, cobertura e ático minimizam a ocorrência de fissuras nesta
ligação, para em face das variações térmicas da laje de cobertura nestas
regiões. (THOMAZ,2001)


Figura 2.50- Amarração Química: é exercida pela ligação do chapisco aplicado sobre a
estrutura, com argamassa de assentamento vertical (plena e comprimida), em face de costura
exercida pela cristalização do cimento na porosidade aberta do chapisco.
Fonte:Érico Thomaz (2001).


Figura 2.51- Ilustração genérica deste tipo de fissuração.
Fonte: Érico Thomaz (2001).


65
Figura 2.52 - Ilustração genérica deste tipo de fissuração.
Fonte: Pacelli & Ragueb .



2.6.13 Eflorescência

Esse fenômeno se caracteriza pelo aparecimento de formações salinas sobre
algumas superfícies, podendo ter caráter pulverulento ou ter a forma de crostas
duras e insolúveis em água. Na grande maioria dos casos o fenômeno é visível e de
aspecto desagradável, mas em alguns casos específicos pode ocorrer no interior
dos corpos, imediatamente abaixo da superfície. A eflorescência pode ser
considerada um dano, seja por modificar visualmente o local onde se deposita ou
por poder provocar degradações profundas. O fenômeno da eflorescência, bastante
conhecido, é resultado da dissolução dos sais presentes na argamassa e ocorre seu
transporte às faces junto à água pelos poros (Figura 2.53). Durante esse transporte
a concentração de sais pode aumentar durante o caminho poroso e ocorrer um
acúmulo, podendo entrar em processo de cristalização e dar origem ao fenômeno.
(THOMAZ, 2001)



66
Figura 2.53 - Detalhe fachada com eflorescências.
Fonte: Érico Thomaz (2001).
























67
3 MÉTODO DE TRABALHO

Para realização deste trabalho foram feitas pesquisas em diferentes mídias, como
revistas especializadas, projetos técnicos, laudos técnicos, livros, fotografias/
ilustrações e outros materiais extraídos de sites especializados em engenharia
(internet).

A partir da revisão bibliográfica promoveu-se a organização das informações para
compreensão de patologias em edificações residenciais. Essa revisão permitiu ainda
reconhecer as boas práticas e técnicas de engenharia civil, descritas na literatura
técnica.

A parte prática do estudo foi efetuada por meio de atividades de levantamento,
reconhecimento e identificação das patologias em edifício residencial construído
entre o ano de 1994 e 1995.

Para o desenvolvimento dessa parte prática do estudo foi necessário realizar
planejamento prévio das atividades de campo. Nesse levantamento foram utilizadas
ferramentas simples, como martelo de percussão e micrômetro

Para a exposição de resultados do estudo de caso, em epigrafe, foram realizados
ensaios e levantamentos que visa determinar as quantidades e tipos de anomalias
no revestimento externo, assim como, interpretar o nível de deterioração que a
fachada se apresenta.


68
4 MATERIAIS E FERRAMENTAS

Os trabalhos de levantamento técnico foram caracterizados pela união de dados
coletados através de equipamentos simples e o conhecimento técnico de engenharia
nos comportamentos dos materiais aplicados nos revestimentos, como também o
comportamento de uma edificação ao longo de sua vida útil.

Materiais e ferramentas utilizados:

Câmera fotográfica;

Micrômetro;

Binóculo, para inspeção visual e mapeamento das anomalias;

Martelo dotado de ponta de borracha, para ensaio de percussão no
revestimento;

Software AutoCad, para criação de desenhos e detalhamentos;

Software Microsoft Office, para criação, edição e processamento de textos e
imagens do trabalho.






69
5 PATOLOGIAS EM ARGAMASSAS: EDIFÍCIO PRÍNCIPE DE
GALES

Neste capítulo é feito um relato técnico sobre o condomínio edifício Príncipe de
Gales, construído por uma grande construtora nacional que se destaca na área de
construções residenciais. O edifício apresentou um quadro evoluído de
desplacamento das molduras, desplacamento da argamassa de revestimento
externo, proliferação de fungos na textura e diversas trincas e fissuras por toda
fachada. O revestimento externo deste edifício de alto padrão é o alvo principal de
uma disputa judicial entre a construtora e os moradores.

Para a recuperação do edifício, os moradores solicitaram a consultoria da empresa
Pacelli & Ragueb para realizar um estudo técnico detalhado sobre as anomalias no
revestimento e recomendar as melhores soluções para sua recuperação.

5.1 Localização

O edifício Príncipe de Gales é localizado na Avenida João Castaldi, 113 – Moema,
São Paulo – SP.


Figura 5.1 – Localização
Fonte Google Maps (2011)



70

5.2 Características do edifício

O edifício residencial possui 27 pavimentos, sendo dois subsolos, andar térreo, 22
pavimentos tipo com 4 apartamentos de 118 m² cada um, cobertura e ático (caixas
d’água e casa de máquinas do elevador). As Figuras 5.2 e 5.3 ilustram a fachada
frontal e a entrada do condomínio no pavimento térreo.


Figura 5.2




Figura 5.3

Com início das obras em 1994 e com término da obra em 1995, o edifício foi
construído em estrutura de concreto armado. A alvenaria foi executada com blocos
de vedação de concreto e sua amarração mecânica foi realizada com telas
metálicas de alvenaria e sua amarração química se deu com uma mistura cimento
e saibro.

A arquitetura do edifício é baseada no estilo neo-clássico, no qual suas janelas,
terraços e varandas recebem ornamentos com cornijas e peças pré-moldadas em
concreto armado para destacar o estilo neo-clássico. Os terraços e varandas
possuem guarda-corpo em alvenaria com aproximadamente 1,20 m de altura, onde


71
são fixados os gradis metálicos.

A torre do edifício ocupa quase a totalidade do terreno e no pavimento térreo do
edifício localiza-se: a guarita, quarto de empregados, almoxarifado, zeladoria,
Jardim, Piscina, Piscina Aquecida, Piscina Infantil e Playground.


5.2.1 Caracterização das camadas e materiais constituintes dos
revestimentos do edifício

Para o revestimento de argamassa nas fachadas, foram adotadas as seguintes
características (Figuras 5.4 e 5.5):

- Base ou suporte em alvenaria de blocos de concreto.

- Ponte de aderência na alvenaria em chapisco virado em obra.

- Ponte de aderência no concreto em chapisco industrializado.

- Substrato em argamassa de emboço.

-Acabamento em textura acrílica do tipo travertino.






Figura 5.4– Corte do revestimento
argamassado ilustrando suas camadas



Figura 5.5– Fachada Lateral direita



72
5.3 Inspeções e ensaios realizados

Pela necessidade de iniciar as obras de recuperação da fachada o mais breve
possível por solicitação dos moradores, a consultoria Pacelli & Ragueb determinou
que não fossem realizados ensaios laboratoriais, como por exemplo, ensaio de
determinação da resistência à aderência à tração NBR 135280 (ABNT, 2010).

Então se optou em realizar ensaios não normativos mais simples, de menor custo,
mas que englobam quase totalmente a área da fachada e reportam com fidelidade
as anomalias do revestimento externo no edifício. Os ensaios escolhidos foram:
ensaio de inspeção por percussão, ensaio de inspeção visual da fachada (visita in
loco) e ensaio tipo janelas de inspeção.

O Anexo A demonstra, através de elevações das fachadas, a localização e
característica das anomalias registradas nas inspeções realizadas.

5.3.1 Ensaio de inspeção por percussão

Este ensaio se deu por inspeção à percussão ao longo das fachadas, com
profissional oficial cordeiro, da empresa NVA ENGENHARIA.

Os trabalhos foram procedidos com base na auscultação dos ruídos produzidos
pelo impacto não contundente de pequeno martelo contra as superfícies de
revestimento das fachadas do edifício.

Considerou-se como de estabilidade duvidosa, os pontos onde o som produzido
por martelo dotado de ponta de plástico produzia “som cavo”, indicando a
existência de alguma falha na aderência entre as camadas constituintes do
revestimento.

Esses pontos que apresentaram “som cavo”, desplacamento do revestimento ou
mesmo localizado trincas foram cadastrados e demonstrados nas elevações do
Anexo A.



73
5.3.2 Ensaio de inspeção visual

As fachadas foram inspecionadas visualmente a partir do andar térreo ao último
pavimento tipo e a partir de varandas de alguns apartamentos selecionados, com o
uso de equipamento óptico.

Além do registro das anomalias nas elevações do Anexo A, foram feitos registros
fotográficos. Para fins de organização do registro, as fotografias foram agrupadas
de acordo com as características de maior incidência listadas nos subitens
seguintes.

5.3.2.1 Fissuras Mapeadas

Foram observadas diversas fissuras no revestimento externo conhecidas como
Fissuras Mapeadas. Este tipo de anomalia foi localizado principalmente nos últimos
pavimentos. As Figuras 5.6 e 5.7 mostram as fissuras mapeadas no edifício.




Figura 5.6 - Fissuramento da argamassa no
27°pavimento - Fachada Posterior
Fonte: Pacelli & Ragueb .

Figura 5.7 - Fissuramento da argamassa no
26°pavimento - Fachada Frontal
Fonte: Pacelli & Ragueb .



74
5.3.2.2 Trincas ou fissuras geométricas

As trincas geométricas foram detectadas principalmente em regiões de ligação
entre pilar e alvenaria (Figuras 5.8 e 5.9), regiões de ligação entre alvenaria e fundo
de viga (Figuras 5.10 a 5.13) e nos cantos inferiores e superiores de aberturas para
esquadrias (Figuras 5.14 a 5.17).


Figura 5.8– Fissura na ligação pilar/alvenaria.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.9– Fissura na ligação pilar/alvenaria
– Barrilete.
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.10– Fissura na região de
encunhamento- Apartamento de cobertura –
Fachada Frontal
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.11– Fissura na região de
encunhamento- Apartamento de cobertura –
Fachada Posterior
Fonte: Pacelli & Ragueb


75





Figura 5.12– Fissura na região de
encunhamento - Apartamento de cobertura –
Fachada lateral esquerda.
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.13– Fissura na região de
encunhamento- Apartamento de cobertura –
Fachada lateral direita.
Fonte: Pacelli & Ragueb








Figura 5.14– Fissura no canto da janela.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.15– Fissura no canto da janela, por
dentro do apartamento 132.
Fonte: Pacelli & Ragueb







76

Figura 5.16– Fissura no canto inferior da
janela, fachada posterior.
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.17– Fissura no canto inferior da
janela, fachada posterior.
Fonte: Pacelli & Ragueb





5.3.2.3 Trincas e desplacamento das cornijas e pingadeiras da fachada

Foram localizadas trincas nas molduras das pingadeiras das janelas das fachadas
e dos terraços. No caso da pingadeira foi observada a aderência duvidosa com a
base e o desplacamento involuntário (Figuras 5.18 a 5.23). Algumas dessas
molduras e pingadeiras apresentaram ruptura e destacamento devido à corrosão
das barras de aço facilmente visíveis na Figura 5.21.


77






Figura 5.20– Desplacamento da moldura do
terraço, fachada frontal.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.21 – Ampliação da fotografia
anterior.
Fonte: Pacelli & Ragueb





Figura 5.18– Desplacamento da pingadeira
em torno das janelas.
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.19– Desplacamento da pingadeira
em torno das janelas.
Fonte: Pacelli & Ragueb



78


Figura 5.22– Desplacamento da moldura do
terraço, fachada frontal 9°andar tipo.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.23– Desplacamento da moldura do
terraço, fachada frontal 4 °andar tipo.
Fonte: Pacelli & Ragueb


5.3.2.4 Fissuras próximas às ancoragens de gradil metálico

Fissuras localizadas na alvenaria dos terraços na região de ancoragem do gradil
metálico que compõem o peitoril, assim como fissuras na argamassa de
assentamento das pingadeiras sobre as alvenarias, também apresentando “som
cavo” quando percutido pelo martelo, denunciando aderência duvidosa das
mesmas (Figuras 5.24 a 5.28).



Figura 5.24– Ilustração das anomalias (Fissuras em vermelho).
Fonte: Toten (2008)



79



Figura 5.25– Fissura no peitoril dos terraços.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.26– Fissura no peitoril dos terraços.
(Face interna).
Fonte: Pacelli & Ragueb





Figura 5.27– Fissura no peitoril dos terraços.
(Face interna, apartamento 201).
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.28– Fissura na ancoragem do gradil
metálico. (Apartamento 142).
Fonte: Pacelli & Ragueb









80
5.3.2.5 Trincas nas molduras verticais

Trincas verticais situadas junto aos cantos das fachadas, situadas entre os pilares e
enchimento existentes, que percorrem por quase toda extensão vertical da fachada.
(Figuras 5.29 a 5.33)



Figura 5.29– Trinca junto aos cantos da fachada
Fonte: Toten (2008)



Figura 5.30– Trinca na moldura externa
(Fachada frontal)
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.31– Trinca na moldura externa
(Fachada posterior)
Fonte: Pacelli & Ragueb


81

Figura 5.32– Trinca na moldura externa
(Fachada posterior)
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.33– Trinca na moldura externa
(Fachada frontal – Vista 14°andar)
Fonte: Pacelli & Ragueb


5.3.2.6 Fissuras nos revestimentos dos pilares do andar térreo

Fissuras horizontais e verticais situadas nas alvenarias de fechamento no contorno
dos pilares do térreo com o fundo das vigas do 1°andar tipo. (Figuras 5.34 a 5.37)

Figura 5.34– Trinca horizontal na
alvenaria de fechamaneto do andar
térreo, fachada frontal.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.35– Trinca horizontal na alvenaria de
fechamaneto do andar térreo, fachada lateral
direita.
Fonte: Pacelli & Ragueb


82
Figura 5.36– Trinca vertical na alvenaria de
fechamento do andar térreo, fachada lateral
direita.
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.37– Trinca vertical na alvenaria
de fechamento do andar térreo, fachada
lateral direita.
Fonte: Pacelli & Ragueb


5.3.2.7 Desplacamento do revestimento texturizado da fachada

Desagregação e a perda de aderência do revestimento texturizado em alguns
pontos isolados das fachadas. (Figuras 5.38 e 5.39)

Figura 5.38– Desplacamento da textura,
fachada lateral esquerda.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.39– Desplacamento da textura,
fachada posterior.
Fonte: Pacelli & Ragueb


83
5.3.2.8 Manchas escuras na textura

Manchas escuras nos revestimentos das fachadas, mais intensas nos últimos
andares do edifício (Figuras 5.40 a 5.42).


Figura 5.40– Vista geral da fachada lateral
esquerda e posterior.
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.41– Detalhe das manchas
escuras no revestimento externo
(ultimo pavimento)
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.42– Mancha escura na cobertura, fachada lateral esquerda.
Fonte: Pacelli & Ragueb


84
5.3.3 Ensaio tipo janela de inspeção

Foram realizadas aberturas de “janelas” de inspeção nos revestimentos das
fachadas no sentido de auxiliar no diagnóstico das origens destas anomalias, assim
como analisar prováveis procedimentos de construção e materiais empregados na
obra. Este ensaio consiste em uma prospecção do revestimento através do corte
geométrico do emboço até sua base sobre as tipologias de fissuração mais
detectadas no revestimento externo deste edifício.

Foram realizadas cinco janelas de inspeção no revestimento do edifício sobre as
tipologias mais comuns encontradas no edifício, assim segue:

a) Fissura do tipo “bigode”
b) Fissura na região de ligação pilar/alvenaria (amarração)
c) Fissura na região de ligação de alvenaria/fundo de viga (encunhamento)
d) Fissura inclinada
e) Fissuras nas molduras das janelas

a) Janela de inspeção J01 - realizada sobre a fissura de canto de janela (fissura
tipo “bigode”) no primeiro andar tipo, fachada frontal.














Figura 5.43 – Localização da janela
de inspeção
Fonte: Pacelli&Ragueb



85

Figura 5.44 - Fissura percorrendo todo
emboço
Fonte: Pacelli&Ragueb

Figura 5.45 – Ausência de contra-verga
Fonte: Pacelli&Ragueb



Figura 5.44 – A remoção da placa de argamassa se deu com certa facilidade. O
chapisco foi facilmente removido da alvenaria. A espessura média do emboço é de
quatro centímetros. Nesta imagem é registrada a fissura percorrendo todas as
camadas do revestimento: alvenaria, chapisco, argamassa de emboço e textura.

Figuras 5.45 – Nesta janela de inspeção foi observado a falha no preenchimento
das juntas de assentamento vertical entre os blocos, ausência de contra-verga ou
falta de qualquer reforço da argamassa com telas metálicas.

A empresa Pacelli & Ragueb concluiu que o fissuramento ocorrido no revestimento
externo teve sua origem na ausência da contra-verga de concreto pré-moldada.











86
b) Janela de inspeção J02 - Fissura do emboço na região de amarração entre
pilar e alvenaria.


Figura 5.46 – Janela de inspeção J2
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.47 – Fissura na ligação
pilar/alvenaria
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.48 – Fissura percorrendo todo
emboço
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figuras 5.47 – O chapisco aplicado sobre a estrutura é o chapisco adesivo
industrializado e sobre a alvenaria é o chapisco convencional de areia e cimento. A
argamassa de emboço possui média de cinco centímetros de espessura.

Figuras 5.48 – Foi constatado que a fissura percorreu toda a espessura do emboço
e revestimento. Não foi localizado nesta janela de inspeção telas de amarração
entre a alvenaria e o pilar.



87
A empresa Pacelli & Ragueb concluiu que o fissuramento ocorrido no revestimento
externo teve sua origem na deficiência da ligação entre alvenaria e estrutura.

c) Janela de inspeção J03 - Fissura na região de ligação entre alvenaria e fundo
de viga (encunhamento).


Figura 5.49 – Localização da janela J3
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.50 - Detalhe da fissura percorrendo
toda região do emboço
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.51 - Detalhe da tela tipo
“galinheiro”
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.50 – Na abertura desta janela de inspeção foi possível constatar a
espessura média de cinco centímetros de emboço. A fissura percorre todas as
camadas do revestimento: alvenaria, chapisco, argamassa de emboço e textura. Foi
observada a falha no preenchimento da argamassa de encunhamento na região de
fundo de viga e topo de alvenaria.


88
Figuras 5.51 – Foi constatado nesta imagem o reforço da argamassa de emboço
com tela metálica tipo “galinheiro”.

A empresa Pacelli & Ragueb concluiu que o fissuramento ocorrido nesta região foi
ocasionado pela falha no preenchimento da argamassa de fixação no encontro de
fundo de viga com topo de alvenaria, como espessura insuficiente nesta região e
ausência de tela de reforço da argamassa de revestimento externo.

d) Janela de inspeção J04 - Janela de inspeção sobre trinca inclinada na região
de alvenaria do primeiro andar tipo, fachada lateral direita.


Figura 5.52 – Localização da fissura
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.53 –Pedaços de madeira na
argamassa.
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.54 – Detalhe da fissura apenas na
região de textura.
Fonte: Pacelli & Ragueb




89
Figura 5.53 – Na abertura desta janela de inspeção, a remoção da placa de
argamassa foi removida com certa dificuldade devido a boa aderência do emboço
com a base. Foi detectado existência de pedaços de tijolos e pedrisco na
argamassa de emboço.

Figura 5.54 – A fissura ocorreu apenas na camada de textura e não se estendeu
para o emboço.

A empresa Pacelli & Ragueb concluiu que o fissuramento ocorrido no revestimento
externo teve sua origem da ruptura da alvenaria por deformação lenta da viga de
concreto armado.

e) Janela de inspeção J05 - Janela de inspeção sob moldura de esquadria


Figura 5.55 – Localização da janela J5 Fonte:
Pacelli & Ragueb

Figura 5.56 – Fissuração da moldura da
janela
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.57 – Detalhe da não ancoragem da
ferragem da moldura ao pilar.
Fonte: Pacelli & Ragueb
Figura 5.58 - Detalhe da ausência de
contra-verga.
Fonte: Pacelli & Ragueb


90



Figura 5.59 – Detalhe da peça de moldura
destacada.
Fonte: Pacelli & Ragueb

Figura 5.60 – Amostra da moldura com
corrosão da ferragem.
Fonte: Pacelli & Ragueb


Figura 5.55 e 5.56 – Foi constatado que a pingadeira é executada em peça pré-
moldada e foi facilmente removida devido às fissuras já existentes.

Figura 5.57 – Detalhe da não ancoragem das ferragens da moldura ao pilar
adjacente.

Figura 5.58 – Detalhe da ausência de contra-verga, abaixo da janela.

Figura 5.59 – Detalhe da corrosão na barra de aço e baixa espessura de
cobrimento da argamassa sobre o concreto.

Figura 5.60 – Amostra removida da pingadeira com pedaços de aço da moldura.

A empresa Pacelli & Ragueb concluiu que o desplacamento e fissuramento gerado
na placa de concreto pré-moldado se deu pela corrosão das barras de aço, em face
da espessura inadequada da camada de recobrimento sobre estas barras






91

6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste item está relatada a análise dos dados coletados no edifício Príncipe de
Gales, com base no diagnóstico da consultoria da empresa Pacelli & Ragueb e nas
revisões bibliográficas descritas no capítulo 2 desta pesquisa.

Para melhor entendimento desta análise, as anomalias foram subdivididas e
classificadas em itens de acordo com as características de maior freqüência.


6.1 Fissuras mapeadas

Foi identificado que a incidência desse tipo de fissura ocorreu em maior quantidade
na fachada dos últimos andares, ao qual nesta região possui grande incidência de
ventos, causando maior perda de água da argamassa.

Além da perda de água para o ambiente, a argamassa pode ter sofrido retração por
perda de água para o substrato logo após a sua aplicação

Esse tipo de fissura é uma anomalia característica de falhas na execução da
fachada, onde sua provável origem acontece na ação isolada ou em conjunto, da
falha nas escolhas dos materiais e falha no próprio processo de execução; onde
traços inadequados com excesso de finos como cimento e deficiências na etapa de
cura da argamassa, podem ocasionar a rápida perda de água da argamassa do
revestimento externo por evaporação, consequentemente perda de resistência
mecânica do emboço e fissuração do próprio emboço.









92
6.2 Fissura do tipo amarração alvenaria-pilar

As fissuras ocasionadas nesta região de amarração entre pilar e alvenaria teve sua
origem pela ação isolada ou em conjunto das falhas de ligação mecânica e ligação
química.

Foi detectado este tipo de fissura por quase todos os pavimentos das fachadas. Foi
observado no ensaio de janela de inspeção que havia falhas de assentamento da
argamassa tanto entre os blocos como entre os blocos e os pilares. Estas falhas de
argamassa auxiliaram, gerando esses vazios prejudicaram a aderência entre os
blocos e a estrutura de concreto.

A amarração mecânica que normalmente é realizada pelo emprego de tela metálica,
não foi uniformemente aplicada ou não se executou como visto em um ensaio de
janela de inspeção, ocasionando na falta de resistência a tração da alvenaria.

6.3 Fissuração na região de topo de alvenaria e fundo de viga

O fissuramento da argamassa de emboço nesta região de fixação e travamento do
topo de alvenaria com fundo de viga teve sua origem devido a deficiência no
preenchimento total da argamassa de fixação por toda espessura da alvenaria sob a
viga de periferia.

Muitas dessas juntas se encontraram com a espessura inadequada da argamassa
de fixação. É recomendado que a espessura esteja entre vinte e trinta milímetros,
para ser possível o preenchimento total da argamassa;


6.4 Fissura do tipo “bigode”

Esta anomalia foi o tipo mais presente no revestimento externo deste edifício. Sua
origem foi ocasionada pela falha ou ausência de reforços da alvenaria e dos
revestimentos.


93
As pingadeiras pré-moldadas foram designadas a trabalharem também como contra-
verga, ao qual não estavam embutidas no corpo da alvenaria, o que prova a
ineficiência do elemento como contra-verga.

A concentração de carga gerada pelas laterais de uma abertura numa alvenaria
devem ser redistribuídas pela contra-verga. Na ausência desse mecanismo que é o
caso do edifício em estudo, a carga concentrada gera a fissura na alvenaria que por
sua vez, transfere os esforços para o revestimento, fissurando-o igualmente.


6.5 Trincas e desplacamento das molduras e pingadeiras da fachada

Conforme analisado no item anterior, houve uma tentativa de utilizar as pingadeiras
e parte inferior das molduras como contra-verga dos vãos de janelas.

Notou-se que em muitas molduras, o cobrimento das barras de aço eram inferiores
a dez milímetros, o que facilitou a ação da intempéries contra as barras de aço.

Com o aumento da espessura do aço pela ação de corrosão das barras, houve uma
expulsão do concreto em torno das barras de aço gerando as trincas e o
desplacamento das molduras.

Nos projetos realizados pelas construtoras atualmente, todas as peças decorativas
externas e expostas a intempéries estão sendo projetado em peças pré-moldadas
de poli estireno extrudado de alta densidade.









94
6.6 Fissura e desplacamento nos peitoris de alvenaria do terraço

Anomalias ocorridas devido à corrosão do gradil metálico incorporado na
argamassa, provavelmente causada pela ausência da aplicação de uma pintura anti-
corrosiva da peça metálica.

Alguns terraços apresentaram desplacamento da pingadeira, que pode ter a origem
pela ação de retração da argamassa de regularização, provavelmente pela perda de
água de amassamento para a base e pela falha na limpeza adequada da base antes
de aplicação da argamassa, com a devida remoção de sujeira e agregados finos da
obra.


6.7 Trincas nas molduras verticais externas

Essas trincas ocorreram em quase todas as quinas que receberam um enchimento
de argamassa e por quase toda a altura da fachada. Tiveram a sua origem por conta
da deficiência da amarração da alvenaria de enchimento junto ao pilar existente.

São trincas de grande impacto visual negativo devido à extensão em altura das
mesmas.


6.8 Desplacamento do revestimento na fachada

Esta anomalia foi detectada através do ensaio de percussão, caracterizada pelo som
cavo emitido pelo revestimento ao bater o martelo específico do ensaio. É uma
anomalia considerada grave, devido ao risco de queda dos materiais em local de
tráfego de pessoas.

Foi detectada grande quantidade de desplacamento em todos os panos de fachada,
com a provável origem na retração plástica da argamassa de emboço, que ocorre


95
logo após a sua aplicação devido à perda inicial da água de amassamento, tanto
para as bases como, principalmente, para o meio ambiente.

A perda da água de amassamento, em grande quantidade para o meio ambiente,
provoca a redução do volume da camada de argamassa recém aplicada. Em
oposição a esta tendência de retração, se coloca a aderência do chapisco da base e
a própria restrição da argamassa do entorno que promovem esforços de tração no
emboço recém-aplicado. Face ao exposto, estes esforços de tração podem provocar
fissuras do tipo mapeadas, vide item 6.1, e/ou desplacamentos que podem ocorrer
nas interfaces de menor aderência entre o chapisco e a base, entre o emboço e o
chapisco e no corpo da argamassa de emboço


6.9 Manchas escuras na fachada

As manchas em geral estão localizadas nos últimos pavimentos devido às condições
de intempéries mais acentuadas. Em alguns pontos onde houve obras
complementares de cobertura dos terraços no ultimo pavimento, não foi previsto
nenhum tipo de pingadeira o que fez com que a água acumulada da chuva
caminhasse diretamente para a fachada agravando as condições de formação das
manchas.

Confirmou-se a falta de lavagem das fachadas, que deveria ser feita a cada 03 anos
como manutenção preventiva, com o objetivo de remover as fuligens acumuladas
sobre os revestimentos, assim como as colônias de fungos e micro algas.








96
7 CONCLUSÕES

Com o estudo da literatura técnica a respeito de patologias em revestimento externo
em argamassa citada nesta pesquisa foi possível identificar as anomalias mais
frequentes no revestimento externo e diagnosticar suas prováveis origens.

Mesmo com equipamentos simples como, por exemplo, uma câmera fotográfica,
micrômetro, fissurômetro e martelo, foi possível realizar ensaios simples de campo
que fornecessem informações técnicas. Tais ensaios possibilitaram observar e
analisar, sob olhar técnico e criterioso, as anomalias, auxiliando no desenvolvimento
da pesquisa sobre patologia de revestimento externo em argamassa.

Por meio deste trabalho foi possível realizar estudo sistemático sobre as anomalias
do revestimento externo unindo o conhecimento prático, teórico com o auxílio de
equipamentos simples porém com grande eficiência.

O edifício Príncipe de Gales, escopo do estudo de caso, é um exemplo clássico de
falhas construtiva, em que alguma etapa construtiva ou foi acelerada
excessivamente (diminuição de prazos) ou simplesmente uma etapa executiva do
processo construtivo foi removido. Dentro das diversas anomalias apresentadas no
estudo de caso, é possível afirmar que as falhas constatadas e diagnosticadas no
revestimento tenham suas origens em alguma falha na etapa de construtiva
anteriormente à execução da fachada como execução da estrutura e alvenaria.

Conclui-se que a qualidade final do revestimento externo é depende de outras
etapas executivas de um edifício, porém é evidente que as construtoras devem
fiscalizar todas etapas construtiva para minimizar os erros e vícios construtivos para
as etapas seguintes.

Afirma-se que para obtenção de excelência nos trabalhos de execução de fachadas,
inicialmente todas etapas e detalhes executivos do revestimento externo devem ser
projetadas por profissionais especializados que possam identificar e prevenir futuras
anomalias no revestimento da fachada. Para as etapas efetiva de execução da


97
fachada a construtora deve contratar profissionais legalmente habilitados para os
trabalhos e cabe a construtora vistoriar e fiscalizar todas as etapas executivas, para
que os trabalhos sejam executados conforme especificados em projeto especifico
de fachada. Os moradores também devem manter a manutenção preventiva da
fachada, como lavagem periódica a cada dois anos e pintura em média a cada cinco
anos e evitar manutenções corretivas, como as que serão realizadas no edifício
Príncipe de Gales.



























98
8 RECOMENDAÇÕES

Recomenda-se desenvolver este tipo de pesquisas em outros tipos de revestimentos
externos não abordados nesta pesquisa como pele de vidro, alumínio, cerâmico,
alvenaria ou concreto aparente, entre outros, utilizando estudos de caso em diversas
situações.


















99
REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 13749.
Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Especificações.
ABNT, 1996a.

_____ NBR 13277. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento
de paredes e tetos – Determinação da retenção de água. ABNT, 2005.

_____ NBR 13278. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento
de paredes e tetos – Determinação da densidade de massa e do teor de ar
incorporado. ABNT, 2005.

_____ NBR 13279. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento
de paredes e tetos – Determinação da resistência à compressão. ABNT, 2005.

_____ NBR 13280. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento
de paredes e tetos – Determinação da densidade de massa aparente no estado
endurecido. ABNT, 2005.

_____ NBR 13281. Argamassa para assentamento de revestimento de paredes
e tetos – Requisitos. ABNT, 2001.

_____ NBR 13528. Determinação da resistência de aderência à tração de
revestimento cerâmico em fachadas– Método. ABNT, 1995.

_____ NBR 7200. Execução de revestimento de paredes e tetos de argamassas
inorgânicas - Procedimentos. ABNT, 1998.

CEOTTO, Luiz Henrique; BANDUK, Ragueb C.; NAKAKURA, Elza Hissae.
Revestimentos de Argamassas: boas práticas em projeto, execução e avaliação.
Porto Alegre: Ragueb, 2005. 96 p.



100
BAÍA, Luciana Leone Maciel; SABBATINI, Fernando Henrique. Projeto e Execução
de Revestimento deArgamassa. São Paulo: Nome da Rosa, 2000. 89p.

THOMAS, Érico. Trincas em Edifícios: causas, prevenção e recuperação. São
Paulo:
Pini, 1989. 194p.

AZEREDO, Hélio Alves de. O Edifício e Seu Acabamento. São Paulo: Edgard
Blücher, 1987. 192p.

GUIMARÃES, José Epitácio Passos. A Cal: Fundamentos e Aplicações na
Engenharia Civil. São Paulo: Pini, 2002.341p.

SILVA, Narciso Gonçalves da. Argamassa de revestimento de cimento, cal e
areia britada de rocha calcária. 2006. 180f. - Universidade Federal do Paraná

MEIER, Tiago Fernandes; STROBINO, Gino Luiz; DZIURA, Paulo Douglas. Análise
das causas e origens das manifestações patológicas no revestimento externo
de um edifício residencial em Curitiba. 2007. 76 f. - Universidade Tuiuti Do
Paraná, Curitiba, 2007.

LIMA, A. J. M. Diagnóstico das Patologias. Curitiba: CEFET, 2005.














101
ANEXO A

Mapeamento das anomalias registradas em inspeções técnicas realizadas pela
equipe da Pacell & Ragueb.

J 1
J 3
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
JANELA DE ÌNSPEÇÃO J x
QUEDA DA MOLDURA
J 4
J 5
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
JANELA DE ÌNSPEÇÃO J x
QUEDA DA MOLDURA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
JANELA DE ÌNSPEÇÃO J x
QUEDA DA MOLDURA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
JANELA DE ÌNSPEÇÃO J x
QUEDA DA MOLDURA
J 2
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
JANELA DE ÌNSPEÇÃO J x
QUEDA DA MOLDURA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
LEGENDA:
ESTRUTURA
SOM CAVO NO REVESTIMENTO
TRINCA
JANELA DE ÌNSPEÇÃO J x
QUEDA DA MOLDURA