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A crença do “direito à felicidade” – que vem despreparando a atual geração de adultos.

Artigo de Eliane Brum sobre a
Sugiro a leitura deste artigo da colega Eliane Brum, colaboradora da Revista Época. Essa verdade precisa ser lida e compartilhada entre adolescentes, novos pais e pais veteranos. Com o abraço do amigo escritor João Pedro Rori . !!! " CRE#$" %E &'E " (E)*C*%"%E É '+ %*RE*,- ,E+ ,-R#"%- %ESPREP"R"%" " .ER"$/- +"*S PREP"R"%" Por Eliane Brum da Revista Época "o conviver com os bem mais 0ovens, com a1ueles 1ue se tornaram adultos h2 pouco e com a1ueles 1ue estão tateando para virar gente grande, percebo 1ue estamos diante da geração mais preparada 3 e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada por1ue não sabe lidar com 4rustraç5es. Preparada por1ue 6 capa de usar as 4erramentas da tecnologia, despreparada por1ue despre a o es4orço. Preparada por1ue conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada por1ue desconhece a 4ragilidade da mat6ria da vida. E por tudo isso so4re, so4re muito, por1ue 4oi ensinada a acreditar 1ue nasceu com o patrim7nio da 4elicidade. E não 4oi ensinada a criar a partir da dor. 82 uma geração de classe m6dia 1ue estudou em bons col6gios, 6 4luente em outras l9nguas, via0ou para o e:terior e teve acesso ; cultura e ; tecnologia. 'ma geração 1ue teve muito mais do 1ue seus pais. "o mesmo tempo, cresceu com a ilusão de 1ue a vida 6 42cil. -u 1ue 02 nascem prontos 3 bastaria apenas 1ue o mundo reconhecesse a sua genialidade. ,enho me deparado com 0ovens 1ue esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas 3 onde o che4e seria um pai ou uma mãe complacente, 1ue tudo concede. (oram ensinados a pensar 1ue merecem, se0a l2 o 1ue 4or 1ue 1ueiram. E 1uando isso não acontece 3 por1ue obviamente não acontece 3 sentem<se tra9dos, revoltam<se com a =in0ustiça> e boa parte se emburra e desiste. Como esses estreantes na vida adulta 4oram crianças e adolescentes 1ue ganharam tudo, sem ter de lutar por 1uase nada de relevante, desconhecem 1ue a vida 6 construção 3 e para con1uistar um espaço no mundo 6 preciso ralar muito. Com 6tica e honestidade 3 e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram di er, 6 o mundo 1ue anuncia a eles uma nova não l2 muito animadora? viver 6 para os insistentes. Por 1ue boa parte dessa nova geração 6 assim@ Penso 1ue este 6 um 1uestionamento importante para 1uem est2 educando uma criança ou um adolescente ho0e. #ossa 6poca tem sido marcada pela ilusão de 1ue a 4elicidade 6 uma esp6cie de direito. E tenho testemunhado a angAstia de muitos pais para garantir 1ue os 4ilhos se0am =4eli es>. Pais 1ue 4a em malabarismos para dar tudo aos 4ilhos e protegB<los de todos os perrengues 3 sem esperar nenhuma responsabili ação nem reciprocidade. É como se os 4ilhos nascessem e imediatamente os pais 02 se tornassem devedores. Para estes, 4rustrar os 4ilhos 6 sin7nimo de 4racasso pessoal. +as 6 poss9vel uma vida sem 4rustraç5es@ #ão 6 importante 1ue os 4ilhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas b2sicas do viver, a 4rustração e o es4orço@ -u a 4alta e a busca, duas 4aces de um mesmo movimento@ E:iste algu6m 1ue viva sem se con4rontar dia apCs dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais@

o item principal do pacote completo 1ue os pais supostamente teriam de garantir aos 4ilhos para serem considerados bem sucedidos. por1ue isso seria um reconhecimento da 4alBncia do pro0eto 4amiliar constru9do sobre a ilusão da 4elicidade e da completude. de medo e da sensação de se sentir desencai:ado@ #ão h2 espaço para nada 1ue se0a da vida. Se os 4ilhos tBm o direito de ser 4eli es simplesmente por1ue e:istem 3 e aos pais caberia garantir esse direito 3 1ue tipo de relação pais e 4ilhos podem ter@ Como seria poss9vel estabelecer um v9nculo genu9no se o so4rimento. " 1uestão. como percebo em muitos 0ovens. Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de m2goa de 0ovens ao descobrir 1ue a vida não 6 como os pais tinham lhes prometido. %a mesma 4orma 1ue supostamente seria poss9vel construir um lugar sem es4orço.arrincha. consegue tudo o 1ue 1uer. 4r2gil e 4alha. passou a noite na balada e 4oi aprovado no vestibular de +edicina. e:iste a crença não menos 4antasiosa de 1ue 6 poss9vel viver sem so4rer. . "ssim. +e parece 1ue 6 isso 1ue tem acontecido em muitas 4am9lias por a9? se a 4elicidade 6 um imperativo. "os 4ilhos cabe 4ingir 4elicidade 3 e.alve a9 este0a uma pista para compreender a geração do =eu mereço>. E o pior 6 1ue so4rem terrivelmente. 1ue pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo. Es4orçar<se 6. por1ue escutar signi4icaria rever escolhas e reconhecer e1u9vocos 3 o mais 42cil 6 calar. #ingu6m descobre 1ue viver 6 complicado 1uando cresce ou deveria crescer 3 este momento 6 apenas 1uando a condição humana. sC 6 poss9vel 4ingir. . por mais brilhante 1ue se0a. Pais e 4ilhos tBm pagado caro pela crença de 1ue a 4elicidade 6 um direito. E a 4rustração um 4racasso. E não por acaso se cala com medicamentos e cada ve mais cedo o descon4orto de crianças 1ue não se comportam segundo o manual.er de dar duro para con1uistar algo parece 02 vir assinalado com o carimbo de perdedor. onde os pais 4a em de conta 1ue dão o 1ue ningu6m pode dar. Este atesta a e:celBncia dos genes de seus pais. 6? =Estes pais e estes 4ilhos combinaram com a vida 1ue seria 42cil>@ É no passar dos dias 1ue a conta não 4echa e o pro0eto constru9do sobre 4umaça desaparece dei:ando nenhum chão. o 1ue sabem intimamente 1ue 6 uma mentira por1ue a sentem na prCpria pele dia apCs dia. coisa para os 4ilhos da classe C. #em imaginam 1ue viver 6 tamb6m ter de aceitar limitaç5es 3 e 1ue ningu6m. como não conseguem. 1ue ainda precisam assegurar seu lugar no pa9s.#ossa classe m6dia parece despre ar o es4orço. 02 1ue estas são as mais 42ceis de alcançar 3 e aos pais cabe 4ingir ter a possibilidade de garantir a 4elicidade.valor est2 no dom. Pre4ere a genialidade. como 4alar de dor. %i er 1ue =4ulano 6 es4orçado> 6 1uase uma o4ensa. . &uando o 1ue não pode ser dito vira sintoma 3 02 1ue ningu6m est2 disposto a escutar. É pelos ob0etos de consumo 1ue a novela 4amiliar tem se desenrolado. . o medo e as dAvidas estão previamente 4ora dele@ Se a relação est2 constru9da sobre uma ilusão. uma esp6cie de traição ao 4uturo 1ue deveria estar garantido. e os 4ilhos simulam receber o 1ue sC eles podem buscar. como poderia 4ormular o 4ilCso4o . passam a e:igir cada ve mais de tudo. Por1ue possuem muitas habilidades e 4erramentas. E por isso logo 6 preciso criar uma nova demanda para manter o 0ogo 4uncionando. no m2:imo. começa a se e:plicitar no con4ronto com os muros da realidade. E:pressão 1ue logo muda para o emburramento. na1uilo 1ue 02 nasce pronto. %e 1ue as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e. especialmente coisas materiais. Bacana 6 o cara 1ue não estudou. %esde sempre so4remos. E mais vamos so4rer se não temos espaço nem mesmo para 4alar da triste a e da con4usão. mas não tBm o menor preparo para lidar com a dor e as decepç5es. a 4am9lia pode tocar o cotidiano sem 1ue ningu6m precise olhar de verdade para ningu6m dentro de casa.

assumir a narrativa da prCpria vida 6 para 1uem tem coragem. E. percebo 1ue precisam muito de realidade. se0a a de abrir mão dele. "gora. Seria muito bacana 1ue os pais de ho0e entendessem 1ue tão importante 1uanto uma boa escola ou um curso de l9nguas ou um *pad 6 di er de ve em 1uando? =.D em volume alto o su4iciente para 1ue nada 1ue ameace o 4r2gil e1uil9brio dom6stico possa ser dito. buscar a prCpria vo . . estou com medo. estou con4uso> ou =#ão sei o 1ue 4a er.e vira.resultado disso 6 pais e 4ilhos angustiados. . mas a1uela 1ue paralisa. Crescer 6 compreender 1ue o 4ato de a vida ser 4alta não a torna menor. E não culpar ningu6m por1ue eventualmente não deu certo. 02 1ue o trata como um imbecil. Sim. paciBncia. estão perdendo uma grande chance. E 6 melhor não perder tempo se sentindo in0ustiçado por1ue um dia ela acaba. É viver com dAvidas e ter de responder pelas prCprias escolhas. -u trans4erir para o outro a responsabilidade pela sua desistBncia. a vida 6 insu4iciente. DocB sempre poder2 contar comigo.F . 1ue vão conviver uma vida inteira. É tão ruim 1uanto ligar a . "ssim como sentar para 0antar e 4alar da vida como ela 6? =-lha. E acreditar 1ue se pode tudo 6 o atalho mais r2pido para alcançar não a 4rustração 1ue move. por1ue com certe a vai dar errado muitas ve es. EEliane Brum escreve às segundas-feiras na Revista Época. mas essa briga 6 tua>. se os pais mentiram 1ue a 4elicidade 6 um direito e seu 4ilho merece tudo simplesmente por e:istir. #ão 6 complicado por1ue vocB vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua. meu dia 4oi di49cil> ou =Estou com dAvidas.odos so4rem muito nesse teatro de desencontros anunciados. 6 escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certe a de chegada. mas por1ue se tornar a1uilo 1ue se 6. &uando converso com esses 0ovens no parapeito da vida adulta. Sim. Se0a a escolha de lutar pelo seu dese0o 3 ou para descobri<lo 3. portanto. incapa de compreender a mat6ria da e:istBncia.. %e nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir 1ue vai ter de con1uistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. E mais so4rem por1ue precisam 4ingir 1ue e:iste uma vida em 1ue se pode tudo.melhor a 4a er 6 ter a coragem de escolher. meu 4ilho. mas se desconhecem. Com tudo o 1ue a realidade 6. +as 6 o 1ue temos. Por1ue 4ingir 1ue est2 tudo bem e 1ue tudo pode signi4ica di er ao seu 4ilho 1ue vocB não con4ia nele nem o respeita. +as 6 nesse movimento 1ue a gente vira gente grande. com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos 1uanto. mas estou tentando descobrir>.

não 4oi uma escolha num primeiro momento. atrapalhação da 4ilha. Ela tenta intervir. o mais 4raco deles. como 4e %ustin 8o44man no encantador O Quarteto. "ssim. +inha proposta 6 re4letir sobre uma em particular? nos Altimos 1uatro 4ilmes e:ibidos por a1ui e 1ue 02 estão ou devem estar chegando . os 4ilhos ou estão ausentes ou são uns atrapalhados. "inda 1ue depois a opção se mostre interessante. precisam encontrar uma opção mais barata de moradia. 1ue se passa num =lar para velhos> 1ue 4oram cantores e mAsicos antes de perderem a vo . o 1ue tamb6m 6 uma marca da nossa 6poca. encarna a 4ilha perple:a diante dos pais. Em O Quarteto. ela tenta di er e 4a er coisas sensatas 3 e tudo 4alha. . mas mal d2 conta da prCpria vida. a 4ilha do casal interpretado por Jane (onda e Pierre Richard 6 uma chata pretensiosa 1ue sC aparece para EtentarF mandar nos pais e dar palpite na vida deles. mas EconvenientementeF com o dos pais. os 4ilhos não estão l2. eles possivelmente não .Ds por assinatura. muitos deles obrigados a uma aposentadoria não dese0ada.Esses filhos perple os diante da velhice dos pais ! cinema anuncia novos arran"os para o envelhecer e tra# um olhar ir$nico sobre essa relação familiar quase sempre conflituosa E%&A'E B()* GHIJKIGJLM LKhHL < "tuali ado em LNIJOIGJLM LMhGP Kindle 'ma se1uBncia de 4ilmes mostra 1ue a velhice mudou 3 ou est2 mudando. ao 4undo. no e:cepcional Amor.s . nos dias de visita. a maravilhosa *sabelle 8uppert est2 menos maravilhosa no papel de 4ilha do casal 1ue se descobre velho de repente. para em seguida desaparecer. a memCria ou a saAde. E 4a com 1ue atores e atri es sem muita chance de viver pap6is desa4iadores por conta da idade. en1uanto a mãe não sabe de si. Ela tenta principalmente ser potente.rintignant. 02 1ue um dos temas cruciais da sociedade contemporQnea passa a ser como ser velho nestes tempos. Perple:a e apavorada diante da 4ragilidade e da 4initude dos pais. #o Ctimo E se vivêssemos todos !untos". Esta personagem. como 4oi o caso de Emmanuelle Riva e de Jean<)ouis . E sim uma reação . mas nenhum dos personagens principais parece ter 4ilhos. "rtistas de Cpera. mas est2 longe de ser toda a verdade. Seu di2logo com o pai. 1ue se arriscou não com o seu prCprio dinheiro. em um segundo. Em O Excêntrico Hotel arigold. Em Amor. um dos casais britQnicos vai parar na Sndia por1ue a 4ilha gastou o dinheiro dos pais numa aventura empreendedora na internet. oscilando entre a boçalidade e a incapacidade de dar conta da prCpria vida. J2 o 4ilho do %on Juan interpretado por Claude Rich 6 muito mais participativo e 4rancamente es4orçado. Surgem. numa manhã 1ual1uer. São 4ilmes em 1ue a velhice 6 contada pelo olhar de 1uem a est2 vivendo e h2 v2rias 4ormas de pensar sobre o 1ue est2 sendo dito. ela tenta se impor.s voltas com um casamento 1ue parece emocionante apenas pelas ra 5es erradas. dentro e 4ora da tela. *sso di bastante sobre o aumento da e:pectativa de vida. -u tem levado atores consagrados a se aventurar na direção depois dos RJ. passem a ter a chance de interpretaç5es magistrais. o 1ue os leva ao e:cBntrico hotel do t9tulo. mesmo 1ue por caminhos tortuosos. 6 uma das cenas antolCgicas desse 4ilme bel9ssimo.s locadoras e . mas o pai tenta escapar de todo 0eito das boas intenç5es 4iliais por1ue esse 4ilho sC 6 capa de en:erg2<lo como algu6m 1ue vai 1uebrar a 1ual1uer momento 3 o 1ue 6 verdade.

1uarteto 6 primeiro um trio. Soa mais como uma tentativa de potBncia de 4ilhos 1ue estão se sentindo bem impotentes. cada ve mais. certa altura. E esta não parece ser nem uma 1uestão. E a velhice dos pais. %evagar 4ui me dando conta de 1ue era sC o 1ue 4altava ter vivido e e:perimentado tanto para chegar . 1ue no seu caso se e:pressa pela vo 1ue 4alha. conta<se tamb6m da perple:idade dos 4ilhos apatetados diante dos pais. São velhos poderosos 3 e 1ue reivindicam seu poder mesmo em uma condição de 4ragilidade 3 os do cinema. 6 uma diva atormentada pela perda da potBncia. corri1ueira na boca de 4ilhos 1ue parecem e:austos. o 1ue 6 bastante interessante. "o perceber 1ue meus pais estavam envelhecendo. . Poderosos por1ue não se dei:am apartar de sua histCria na velhice. apesar das inevit2veis perdas e limitaç5es. E para isso ter2 de amarrar alguns 4ios esgarçados do passado. nos 1uais me espelho para o 4uturo não mais tão distante. " 1uarta personagem. Com tanto medo 1ue eles 1uebrassem 1ue 1ueria carreg2<los no colo. como no delicioso Elsa # $red. Em 1ual1uer um dos casos. "os poucos 4ui percebendo 1ue estava me tornando uma chata pretensiosa. se0am colocados no seu devido lugar. Com a gentile a 1ue lhes 6 peculiar. em determinado momento achei 1ue tinha de assumir tamb6m o comando da vida deles. como senti pelos 4ilhos dos velhos do cinema. Como senti por mim mesma . #ão mais os pais velhos como um estorvo para 4ilhos 1ue mal dão conta da sua vida. eu me identi4ico com esses 4ilhos perple:os e atrapalhados. meus pais escutavam meus palpites e minhas pregaç5es e. mas pelo pra er . . 1ue a1ui se torna a principal. 1ue se acham tão centrais na vida de seus pais.tiveram tempo para a maternidade ou a paternidade. me provoca alguma descon4iança. SC estou citando os Altimos 4ilmes. =+inha mãe Eou meu paiF virou criança. o 1ue tamb6m 6 muito signi4icativo. me apropriar do 4amigerado =eu sei o 1ue 6 melhor para eles>.1ue vale a pena perceber 6 1ue. me identi4ico com esses velhos. " ponto de em E se vivêssemos todos !untos" dei:arem o 4ilho de um para 4ora do portão e ainda lhe darem um banho de mangueira para 1ue v2 embora de uma ve e não volte tão cedo. 1uando aparecem. para ser uma boa 4ilha. tinha de ter todas as respostas. Como 4ilha de pais 1ue envelhecem. Percebi 1ue o importante era estar por perto não sC para o 1ue 4osse preciso. 1uando de 4ato se encontram completamente perdidos. velhice e ter de suportar uma 4ilha tentando mandar neles. nem um motivo de arrependimento. mas minha estropiada coluna vertebral mal d2 conta de sustentar meu prCprio peso. -u. ao contar a velhice pelo olhar de 1uem a vive. a 1ual1uer tempo. Sinto compai:ão por esses 4ilhos. o 4ato não 4oi tão marcante a ponto de ser citado. a dos 4ilhos diante da velhice dos pais. mas antes destes 02 tivemos outros em 1ue os 4ilhos aparecem ora perdidos. "t6 por1ue 6 uma marca do nosso tempo o retardamento da vida adulta. -u soa como uma tentativa de mostrar 1ue sabem o 1ue 4a em ou para onde vão. sem saber se os en4iam num asilo ou os carregam para casas ou apartamentos onde mal cabem eles. "propriam<se dela e a usam para viver com intensidade seus Altimos cap9tulos. 4a iam e:atamente o 1ue 1ueriam. claro. 1ue chega para 4echar o grupo. os adultos por e:celBncia. invertendo o lugar. de pre4erBncia para sempre. Como uma mulher 1ue envelhece. ora oportunistas na vida dos pais. consigo encontrar discernimento para perceber o 1uanto 6 sensacional 1ue os 4ilhos. 1uando não ine:istente. 1ue se ampara e se diverte na velhice como os amigos de uma vida inteira 1ue 4oram e ainda são.> Esta 4rase. ao contr2rio. E sim 4ilhos atrapalhados ou boçais 1ue. tornam<se um estorvo para os pais. Cabe esclarecer 1ue esta 1uestão. Considerei 1ue. o 1ue de novo 6 bem interessante. Se tiveram 4ilhos. Ela ter2 de descobrir 1ue pode cantar mesmo com uma vo 1ue não 6 3 nem 0amais voltar2 a ser 3 a da 0uventude. nos 4ilmes 6 secund2ria. a4unda todas as esperanças incon4essadas de ser adolescente para sempre em pelo menos um lugar no mundo.

al6m de todas as di4iculdades da idade.da companhia. ao teatro. +as nCs. 6 preciso brigar para ser respeitado. talve se0a este o maior horror.pacto. como sempre 4oram. mas de maneiras mais sutis. nos atrapalhamos mesmo. e 4rente individual. . eles mesmos me di em 3 não sC com palavras. o con4ronto acontece 1uando o corpo est2 dando os primeiros sinais ine1u9vocos de 1ue 02 não somos tão 0ovens. e isso tamb6m 6 preciso lembrar. tão centrais na vida dos pais@ &ue horrorTF "lguns se atrapalham por1ue se con4rontar com a velhice dos pais 6 se con4rontar com a certe a de 1ue não h2 mais 0eito de escapar da vida adulta. 6 uma complicação virar gente grande de uma hora pra outra. 1ue ho0e estão nos RJ. era 4a er uma poupança para não depender dos 4ilhos na velhice. Se depois de me tornar adulta eu nunca permiti 1ue meus pais inter4erissem de 4orma autorit2ria na minha vida. #ossas casas terão 4undos para um p2tio comum. esses 4ilhos na verdade estão di endo? =#ão me dei:em so inho nesse mundo tão ameaçador. OJ anos. #ão me desamparemT>. . NJ anos. nos apro:imamos dos personagens de E se vivêssemos todos !untos". mas principalmente 1ue serão os prC:imos a ter pernas 1ue vacilam. " 1uestão dos meus pais. E se 4a em coisas 1ue eu considero mais arriscadas. para o caso de 1uerermos nos encontrar. como acontece com a velhice asilada 3 e perto de 1uem sabe de nCs. . "cho 1ue a minha geração est2 diante dessa 1uestão como nenhuma outra. por 1ue 6 1ue eu me acharia no direito de me meter de 4orma autorit2ria na deles 1uando estão envelhecendo@ Escutar de verdade ainda 6 o começo e o 4im de 1ual1uer relação de respeito mAtuo 3 e de amor. 'ma cidade pe1uena por ser mais amig2vel a 1uem tem limitaç5es 49sicas. 02 antigo entre nCs. E acredito 1ue esta tamb6m 6 uma mudança importante. a velhice dos pais e o anAncio do prCprio envelhecer. sem contar 1ue perder o pouco tempo de vida 1ue resta empacado no trQnsito não parece uma boa ideia. "inda 1ue não con4essem nem para si mesmos. para 1uem achou 1ue poderia continuar sendo 4ilho para sempre. -u? =#ão 1uero incomodar os meus 4ilhos>. o 1ue todo mundo sabe o 1ue signi4ica no Brasil. nCs. E tem aprendido algo importante com sua prCpria perple:idade diante da velhice dos pais. "o tentar dar ordens aos pais. Como 02 contei a1ui. 6? =#ão 1uero dar trabalho para os meus 4ilhos dependendo deles>. parte da ideia de envelhecer no mundo 3 e não apartado dele.enho encontrado gente na mesma 4ai:a et2ria com pro0etos semelhantes com o seu grupo de amigos. para a rua. E 1uando isso se d2 por volta dos HJ. &ue nem se compara. E. Se precisam da minha a0uda. E acho muito divertida a ironia com 1ue somos tratados nessa se1uBncia de 4ilmes. E este 6 um momento bem periclitante da vida. com o desa4io abissal 1ue 6 ser velho 3 e ser velho nesse mundo em 1ue. mas com um pouco mais de privacidade. #ão por minha ma0estosa concessão. E perto de uma grande por1ue 1ueremos continuar indo ao cinema. É um duplo desa4io.s livrarias e aos ca46s e restaurantes. *sso para alguns. tanto a decisão 1uanto o risco continuam sendo deles. e numa cidade maior as alternativas gratuitas ou de bai:o custo de eventos culturais são mais promissoras para 1uem vive de aposentadoria. É talve o primeiro grande con4ronto com a 4ragilidade e com a 4initude. EComo assim não estamos. 1ue sempre viveram com sal2rio de pro4essor. " 4rase cl2ssica dos pais bacanas. E a irritação 1ue mani4estam diante das limitaç5es dos pais muitas ve es 6 um 0eito tosco de dis4arçar o pavor 1ue sentem diante do desamparo iminente. -s 4ilhos 1ue olham aterrori ados para os passos claudicantes dos pais não temem apenas 1ue eles caiam. compartilho com um grupo de amigos o pro0eto de envelhecermos 0untos num condom9nio constru9do por nCs em uma cidade pe1uena perto de uma grande. mesmo 1uando não estamos. mas por1ue não tenho nenhum direito de impor 1ual1uer vontade. os 4ilhos. . Para todos a velhice dos pais anuncia a prCpria velhice. #este sentido. E escutado. e continuar capa de escut2<los. "l6m de nos dar a possibilidade de amparar as di4iculdades um do outro e de baratear os custos de manutenção.

& .1ue não 1uero 6 1ue os meus 4ilhos me incomodemT %Eliane Brum escreve às segundas-feiras. ." 4rase da minha geração 3 e 1ue 02 se anuncia na boca dos velhos do cinema 3 6 outra? 3 *ncomodar os meus 4ilhos@ #em me importaria.