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Volume 15 – número 02 - março 2008

• Saiba sobre as normas de
uso de softwares médicos
nos consultórios
ACCORD
• Dr. Leão Zagury
fala sobre a história
da educação em
diabetes no Brasil

Resultados
polêmicos
mobilizam
comunidade
científca
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ste é o nosso primeiro contato oficial, através da nossa Revista, depois que
assumimos a diretoria da SBD, no dia 1 de janeiro deste ano. E nesses três pri-
meiros meses já traçamos e iniciamos vários projetos, que acreditamos serem
fundamentais para a Sociedade e seus associados.
Estamos investindo tanto na atualização científica quanto na parte administrativa,
porque é importante avançar de forma unificada. Nossa meta é melhorar, sempre, a
visibilidade e respeitabilidade da SBD junto aos profissionais de saúde, população, ór-
gãos públicos e imprensa.
Esperamos manter contato estreito com o Ministério da Saúde, no que tange às
doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, mantendo-nos parceiros das Políticas
Nacionais de Saúde.
Na área científica, agendamos todos os quatro Simpósios de Atualização para este
ano. A atividade já é uma marca da nossa Sociedade e tem se mostrado uma excelente
ferramenta para atualização dos associados. Também com este foco, criamos uma área
exclusiva para sócios em nosso site, onde é possível acessar várias revistas internacio-
nais de grande impacto. Lembramos que é importante que seu cadastro esteja em dia
para que seja possível usufruir deste benefício.
Estamos lançando campanhas de esclarecimento ao público em veículos de comu-
nicação. Nossa nova assessoria de imprensa está empenhada em alcançar também
o interior do país, onde a informação é mais escassa. Estamos procurando ter muito
cuidado com declarações aos jornalistas e recomendamos o mesmo a todos os es-
pecialistas, para evitar reportagens equivocadas, como as que temos presenciado nos
últimos meses.
Nosso site continua crescendo assim como o Diabetes Ebook. Eles já comprovaram
que são indispensáveis a todos os segmentos da Sociedade e continuaremos dando
o apoio necessário ao seu crescimento.
Gostaria de mencionar a nossa parceria com a ADJ no desenvolvimento do curso
Educando Educadores. Temos a certeza que será um marco importante em nossa
gestão. Aliás, a Educação em Diabetes terá sempre destaque especial em várias de
nossas ações.
Esperamos estar indo na direção certa e contamos com a colaboração de todos para
alcançá-las. Participem das nossas atividades, prestigiem as ações da SBD e colaborem
na melhoria da qualidade de vida de nossos pacientes e profissionais de todo o país.

Abraços,

Marília de Brito Gomes
Presidente da SBD – 2008/2009
Palavra da Presidente
DIRETORIA BIÊNIO 2008-2009
Presidente: Dra. Marília de Brito Gomes; vice-presidentes:
Dr. Balduino Tschiedel, Dr. Mario José A. Saad, Dr.
Nelson Rassi, Dra. Reine Marie Chaves Fonseca, Dr.
Saulo Cavalcanti da Silva; secretários: Dr. Sérgio Atala
Dib, Dra. Rosane Kupfer; tesoureiros: Dr. Antônio Carlos
Lerario, Dr. Domigos Augusto Malerbi; membros do Con-
selho Fiscal: Dr. Milton César Foss, Dr. Walter Minicucci,
Dr. Marco Antônio Vívolo; suplente de Conselho Fiscal: Dra.
Adriana Costa e Forti.
SEDE
Rua Afonso Brás, 579, salas 72/74, Vila Nova
Conceição, São Paulo, SP, CEP 04511-011; Email:
secretaria@diabetes.org.br,
Site: www.diabetes.org.br; Tel.: (11) 3846-0729; Gerente:
Anna Maria Ferreira; Secretária: Kariane Krinas
Filiada à International Diabetes Federation.
Membro do International Committee of Diabetes
Media.
REvISTA DA SBD
Editor-chefe: Dr. Leão Zagury
Presidente da SBD: Dra. Marília de Brito Gomes
Equipe de Jornalismo: Informed
Editoras: Cristina Dissat – MTRJ 17518, Elizabeth Pereira dos Santos
– MTRJ 12714; Coordenadora de redação: Sandra Malafaia; Redação: Paula
Camila, Bárbara Bezerra, Elis Galvão, Flávia Garcia e Aristeu Araújo;
Colaboradores: Dr. Augusto Pimazoni, Dr. Reginaldo Albuquerque, Dr.
Rodrigo Lamounier, Dr. Ney Cavalcanti.
Redação: Rua do Catete, 311,
sala 614, Rio de Janeiro - RJ, Cep: 22220-901;
Tels.: (21) 2205-0707 / 2205-2430;
E-mail: revista@diabetes.org.br;
Comercialização: AC Farmacêutica, tel.: (11) 5641-1870 e
(21) 3296-5352, acfarmaceutica@acfarmaceutica.com.br
Projeto gráfico e Diagramação: DoisC Editoração Eletrônica e Fotografia (celso@
doisc.com.br);
Fotos: Celso Pupo; Periodicidade: Bimestral;
Impressão e CTP: Ultraset;
Tiragem: 4.100 exemplares.
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1 Palavra da Presidente
2 Palavra do Editor-Chefe
4 Saúde e Ciência
6 Diabetes Hoje – Como Eu Trato? Avaliação de
um Caso de Diabetes do Tipo 2
8 Atualidades – A Ética do Controle Glicêmico
em Pacientes Polifragilizados
9 Depoimentos – Nossas Histórias de Cada Dia
12 Educando Educadores
13 Ponto de Vista – O Caos Aéreo e a Saúde Pública
14 Accord – Resultados Preliminares do
Estudo Accord Levantam Polêmica
17 Olhando Por Aí – Diagnóstico de Diabetes e Relação entre
Glicemia de Jejum e Retinopatia: Mais Dúvidas à Vista?
18 A Educação em Diabetes no Brasil
21 Cirurgia – Quando Indicar um Transplante
22 Consultório Digital – Software Médico: Por um
Senso Comum
24 Pode ou Não Pode? Aspartame
25 Bastidores – Se Precisar, Ele Até Paga para Tocar!
26 Tecnologia e Interface – O Fim do Medo de
Interagir com a Web
28 Comunicados da SBD
29 Pelo Mundo
30 Pelo Brasil
32 Agenda
Indice
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esejo iniciar meus contatos com os leitores agradecendo publicamente à pre-
sidente da SBD, Dra. Marília de Brito Gomes, a indicação para editor da revista
Diabetes, da SBD. Será uma honra e um prazer exercer o cargo. Impossível
não elogiar o editor anterior, Dr. Walter Minicucci, pelo excelente trabalho re-
alizado em 2007. O Walter é um grande homem, doado à causa das pessoas com
diabetes. Sempre trabalha com esmero e dedicação e desta vez se superou.
Nossa revista, nos próximos dois anos, pretende mostrar muitos lugares e muitas
coisas sobre muitas pessoas. Vamos trabalhar da forma mais abrangente possível. O
objetivo será congregar, cada vez mais, profissionais atuantes nas diversas áreas da
diabetologia, mostrando seus trabalhos, seus sentimentos e, assim, os tornando co-
nhecidos. A melhor maneira de cultivar amigos é convivendo. Como isso não é possí-
vel, vamos tornar nossa revista um ponto de encontro para conhecer histórias dessas
pessoas. No meu entendimento, essa é a maneira de resgatar a sensibilidade que vem
perdendo espaço para a técnica no exercício da medicina.
A revista será um canal, uma vitrine de pessoas e suas histórias.
A regra será a liberdade de expressão e independência do pensamento. O espaço
está aberto sem maiores interferências da editoria. A responsabilidade é do autor. A
editoria só interferirá quando houver quebra da ética ou de princípios morais.
Nossa proposta humanista se inicia destacando a reportagem sobre Histórias do
Diabetes, onde jovens contam como aprenderam a lidar com seu novo dia-a-dia. São
relatos emocionantes, lições de vida para “gente grande”.
De início, contemplamos a discussão científica, apresentando a repercussão do Es-
tudo Accord. Depois de tanta movimentação, a nossa presidente dá a posição oficial
da SBD sobre a pesquisa e será possível ver como a comunidade reagiu, através das
opiniões de diferentes especialistas.
Entendemos que os profissionais de saúde são seres humanos que convivem com o
sofrimento e, por isso, precisam de entretenimento e cultura. Em homenagem a estas
pessoas será lançada, na próxima edição, a seção “Esquina Cultural”. Vamos apresen-
tar as preferências dos nossos associados ao indicarem bons livros, lembrarem boas
músicas e peças de teatro. Desde já aguardamos sua participação. Pode não parecer,
mas a cultura e o entretenimento são tão importantes quanto a ciência.
A Educação será também objeto da nossa atenção. Seria impossível esquecer mi-
nhas raízes na educação de pacientes com diabetes, que ajudei a divulgar e implantar
no nosso país.
Leia, comente, sugira, critique.
Nossa revista é de todos os associados da SBD.
Saúde para todos.
Dr. Leão Zagury
Editor-chefe
Editorial
Muitas Coisas, Muitas
Pessoas, Muitos Lugares
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Saúde e Ciência
A
Agência Nacional de Vigilância Sa-
nitária (Anvisa) publicou, em ja-
neiro, a RDC n° 1/08. O objetivo
é simplificar e agilizar os procedimentos
de importação e exportação de material
para pesquisas científicas.
O conjunto de novos procedimentos
tem foco em pesquisadores ou institui-
ções científicas e tecnológicas, sem fins
lucrativos, credenciados pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Cientí-
fico e Tecnológico (CNPq). A RDC n°
1/08 entra em vigor no dia 22 de feve-
reiro. Sendo assim, a liberação desses
materiais será prioridade em portos e
aeroportos brasileiros e deve ser reali-
zada em até 24 horas, após o cumpri-
mento das exigências legais. A isenção
da inspeção será válida também para
equipamentos. Caso ocorra desvio da
finalidade da entrada do material no
país, ou aplicação diversa da autorizada
pelo CNPq, o pesquisador e a instituição
à qual ele estiver vinculado serão indi-
ciados por possíveis danos à saúde da
população e ao meio ambiente.
A íntegra da RDC pode ser lida no site
da Anvisa: http://www.anvisa.gov.br n
Rimonabanto
e Depressão
P
acientes que tomam rimona-
banto têm um risco aumen-
tado de sofrer problemas
de saúde mental. De acordo com
um estudo feito em mais de 4 mil
pessoas, em quatro experimentos,
aqueles que usaram o medicamen-
to tiveram 40% mais chances de ter
depressão e ansiedade do que os
que tomaram placebo (Lancet 2007;
370: 1706-13).
Uma equipe de pesquisadores
de Copenhagen pesquisou informa-
ções sobre a eficiência de uma dose
diária de 20 mg de rimonabanto, em
comparação ao placebo. Eles des-
cobriram que a perda de peso foi
4,7kg maior naqueles pacientes que
fizeram uso da substância, quando
comparada àqueles que tomaram
placebo, em um período de 1 ano.
No entanto, os usuários de rimo-
nabanto estiveram três vezes mais
suscetíveis à ansiedade e tiveram
2,5 vezes mais chances de parar
o tratamento por causa da depres-
são. Os estudiosos concluíram que
“junto com as recentes descobertas
do FDA sobre um risco aumentado
de suicídio, recomendamos que os
médicos estejam alerta sobre a pos-
sibilidade de reações psiquiátricas
adversas”. n
N
ovas descobertas sugerem que comer menos carboidra-
tos refinados pode reduzir a perda de visão, por desace-
lerar a progressão de degeneração macular relacionada à
idade (AMD). Em um estudo recente, pessoas que consumiram
carboidratos mais refinados estavam 17% mais propensas a
desenvolver AMD, do tipo que pode levar à cegueira, do que
aqueles que consumiam os menos refinados. (Am J Clin Nutr
2007; 86: 1210-8).
Os pesquisadores analisaram questionários preenchidos por
4700 homens e mulheres sem diabetes, de idades entre 55 a
80 anos, com graus variados de AMD. O índice glicêmico de
suas dietas foi medido por 12 meses. As informações indicaram
que os indivíduos no grupo de alto índice glicêmico estavam
em maior risco de progressão da AMD, especialmente aqueles
que já estavam em estágios avançados. n
Anvisa Publica Resolução
Para Pesquisas Científicas
Reduzir os
Carboidratos
Refinados
Retarda
Danos Oculares
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Alguns tópicos da coluna foram trans-
critos (com autorização) da revista Dia-
betes Voice, da International Diabetes
Federation.
P
esquisadores na Austrália desco-
briram recentemente que fibras
de vegetais, quando comparadas
com fibras de frutas ou cereais, têm liga-
ções mais fortes com a redução do risco
de diabetes tipo 2 (Diabetes Care 2007;
30: 2811-3). No estudo, mais de duas mil
pessoas foram acompanhadas por um pe-
ríodo de dez anos. Aqueles que comiam
5 g de fibra vegetal por dia tiveram uma
redução de 24% no diabetes, sendo que
os pacientes acima de 70 anos tiveram
uma redução de 31%. A mesma ingestão
de fibras de frutas ou cereais produziu
apenas uma discreta redução de risco. As
descobertas dão evidências que sugerem
que o tipo e qualidade dos carboidratos
que uma pessoa come têm bastante im-
portância no desenvolvimento do diabe-
tes tipo 2.
Os pesquisadores concluíram que
comer carboidratos ricos em fibras na-
turais e que tenham baixo índice gli-
cêmico pode prevenir eficientemente
a condição. Alimentos com alto índice
glicêmico estão associados a uma rápi-
da elevação e a uma subseqüente baixa
na glicose sangüínea. Carboidratos refi-
nados, como pão e arroz brancos, têm
alto índice glicêmico. Arroz, massas e
pães integrais são exemplos de alimen-
tos com baixo IG. n
A
caneta de insulina SoloSTAR®, fabricada pela Sanofi-
Aventis, recebeu o prêmio Good Design ™ 2007, do
The Chicago Athenaeum Museum of Architecture and
Design. Segundo Paul Jansen, chefe global de equipamen-
tos médicos da Sanofi-Aventis, as canetas SoloSTAR®são o
resultado de quatro anos de intenso desenvolvimento. “O
design foi projetado em diálogos com pacientes, enfermei-
ros e médicos. Elas atendem aos altos padrões da indústria”,
explica Paul.
Uma pesquisa sobre o uso da SoloSTAR® na prática clí-
nica cotidiana, envolvendo mais de duas mil pessoas com
diabetes, mostrou que acima de 95% dos participantes se
declararam “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com o uso da
caneta. 16% desses participantes tinham problemas de ha-
bilidade manual e 15%, problemas de visão sem correção
por uso de óculos. n
Vegetais Oferecem Mais Proteção Contra o Diabetes
Foto: Denis Félix
Caneta de Insulina Recebe o Prêmio Good Design
Diagnóstico
de Hipertensão
É Tardio

P
esquisa realizada, recentemen-
te, pela Secretaria de Saúde
do Estado de São Paulo alerta
que as pessoas hipertensas demo-
ram a procurar acompanhamento
médico especializado. De acordo
com o levantamento, a média de
tempo entre a detecção do proble-
ma e o diagnóstico é de 8,6 anos.
Entre as mulheres, o tempo é de 9,7
anos e, entre os homens, o tempo
cai para 6,8 anos.
Devido à demora do diagnóstico,
cerca de 50% dos hipertensos aca-
bam desenvolvendo complicações
como diabetes, problemas cardíacos
e hipotireoidismo.
Participaram do estudo 500 pa-
cientes, atendidos no Ambulatório
de Hipertensão do Hospital Estadu-
al Ipiranga. n
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Diabetes Hoje
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NEJM publicou, em meados de ja-
neiro, o resultado de uma enque-
te sobre uma conduta terapêuti-
ca em diabetes do tipo 2. Foram
mais de 400 respostas, vindas de todos
os continentes. Cerca de 50 brasileiros
responderam ao questionamento.
Os participantes de 123 países que vo-
taram eram médicos especializados em
diabetes (18%), médicos com outras
especialidades (49%), médicos ou es-
tudantes médicos em formação (17%),
outros profissionais da saúde (12%),
ou outras classificações (4%). Os re-
sultados detalhados foram exibidos de
acordo com a especialidade no país no
www.nejm.org. A percentagem de parti-
cipantes, que selecionou um determina-
do tratamento, variou substancialmente
quando as respostas foram estratificadas
em função dos participantes locais.
Soltamos esta mesma enquete para
os sócios da SBD e obtivemos 230 re-
postas. O resultado que tivemos mostra
uma conduta divergente com relação
ao resto do mundo, onde 50% disseram
que a conduta era passar para insulina
NPH à noite.
A partir deste resultado, consultamos
alguns especialistas brasileiros para que
analisassem essas diferenças e o porquê
deste posicionamento. No gráfico, na
página ao lado, o resultado da pesquisa
feita pelo site da SBD.

Descrição do caso:
Mulher de 62 anos, com diabetes tipo
2, obesidade e hipertensão. Glicose de
jejum entre 110 e 140 mg/dl e A1c de
8,1. Paciente em uso de Metformina
(1000mg, duas vezes ao dia e Glipizida
10mg, também duas vezes ao dia).
O Jogo da Decisão Clínica no DM2
Amélio F. Godoy-Matos
Recentemente, o NEJM propôs uma en-
quete em que uma paciente diabética,
aos 55 anos de idade, obesa, hiperten-
sa e com controle inadequado (HbA1c:
8,1%), sob doses adequadas de SU + Me-
tformina, era exposta à decisão clínica.
As opções de tratamento eram: adição
de NPH ao deitar, pioglitazona ou Exe-
natide.
O resultado revelou que 50% dos
leitores votantes optaram por NPH e a
opção pela TZD ou incretinomimético
ficou dividida em 25% para cada uma.
Uma enquete semelhante (variação na
idade da paciente) foi posta pela SBD.
Mas, a SBD teve o cuidado ético de dei-
xar aberta a opção genérica por uma
glitazona ou uma incretina e não espe-
cificar qual.
Nesse caso, houve uma grande dife-
rença em relação à opção pela insulina,
que ficou com 27.7%; e a incretina, que
ganhou com 47.1%. A opção pela glita-
zona foi exatamente a mesma da pesqui-
sa do NEJM (25.1%).
O que pode explicar a diferença de
opinião entre brasileiros e os leitores do
NEJM? Talvez o perfil de especialistas
votantes? No NEJM, apenas 18% eram
diabetologistas! Cerca de 50% eram
de “outras especialidades” e o restante
eram estudantes ou outros profissionais
de saúde.
Os números tendem a aproximar-se
da opinião dos brasileiros: 41% x 34%
para insulina e incretina, respectiva-
mente, na opinião dos diabetologistas
do mundo. E, mais ainda, quando divi-
didos por continente, os diabetologistas
brasileiros responderam, de forma mui-
to semelhante aos americanos do norte,
que ficaram com 32% para insulina e
53% para incretina!
Igual, não? Se calcularmos o p, não
haverá diferença significativa. Será que
somos muito influenciados pelos ame-
ricanos? Mas, o que merece considera-
ções é o comportamento das glitazonas.
Ela esteve na lanterninha no Brasil e nos
USA, e lá perdeu feio: 19% dos diabe-
tologistas. Uma “matanálise” mal feita
derrubou a convicção dos médicos.
À luz das melhores evidências atu-
ais, as glitazonas seriam uma opção a
ser considerada pela maioria, não fora
a paranóia da volatilidade das verdades
médicas. De fato, as TZDs isoladamente,
quanto mais juntas, têm muito mais en-
saios clínicos do que as incretinas. (...).
No fluxograma de tratamento do
consenso da ADA, em relação ao lugar
das glitazonas, fica claro que elas seriam
uma das três opções num caso como es-
tes. Mas, pelo bem da racionalidade fi-
siopatológica, as incretinas são uma op-
ção para uma boa disputa.
A adição de NPH ao deitar, numa pa-
ciente cujas glicemias de jejum oscilam
entre 110 e 140mg, poderia aumentar o
risco de hipoglicemias noturnas, detec-
tadas ou não (terá sido o que aconteceu
no grupo intensivo do ACCORD?) ou
aumentar mais ainda o peso.
O campeonato da vida continua e te-
mos, todos os dias, oportunidades para
tomar uma decisão clínica. Teríamos
mais opções a considerar, como inves-
tir na perda de peso com o rimonabanto
ou a sibutramina; ou, a pensar em insuli-
nas, a adição de uma insulina basal. Faça
o seu jogo! Afinal, o goleador é você, o
endocrinologista.
Um Controle Inicial
Dr. Bernardo Leo Wajchenberg
O uso de insulina NPH bed-time, asso-
ciado aos hipoglicemiantes orais é corre-
to, pois, (...) já existindo muitos estudos
confirmatórios. Todavia, pacientes não
gostam de tomar inicialmente insulina.
Assim, temos a opção de iniciar uma gli-
tazona - em particular a pioglitazona -
portanto uma tríplice medicação oral.
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Dr. Reginaldo Albuquerque
Editor do site da SBD
Como Eu Trato? Avaliação de
um Caso de Diabetes do Tipo 2
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Este tipo de terapêutica é, em geral,
na minha experiência, muito eficiente. A
outra opção, que estou iniciando recen-
temente, é o emprego de uma gliptina
que, associada à terapêutica da paciente,
poderá ser de boa utilidade. Entretanto,
o Exenatide, embora injetável, pelo seu
efeito anorético, chegando a mais de 4-6
quilogramas, seria preferível.
Os problemas são os efeitos gastrointes-
tinais, particularmente, náuseas e vômi-
tos, que habitualmente regridem com a
continuação da terapêutica, podendo-se
sugerir gengibre oral e mesmo eritromi-
cina. Sugiro sempre acompanhar as enzi-
mas pancreáticas, pela incidência, ainda
que muito pequena, de pancreatite.
Em resumo, a associação da sita - ou
vildagliptina - com os outros hipoglice-
miantes seria uma tentativa inicial de
controle do diabetes, embora estas glip-
tinas não se associem com a altamente
desejada perda de peso, às vezes com
discreta redução do peso.
Quanto ao nível de A1c de 8,1%, espera-
se uma redução de 1,0%, o que é razo-
ável, atingindo um nível de 7%. Com o
uso de Exenatide, a queda da A1c pode-
rá ser levada a um nível final de 6,5%,
ou mesmo menos.
Como é possível ver, estou na linha dos
colegas norte-americanos. Se a pacien-
te estiver disposta, poderá tomar duas
injeções por dia, caso tenha acesso ao
medicamento. Assim, em resumo, no
nosso meio, iniciaria com sita ou vilda-
gliptina.Tenho pacientes que tomam a
sulfoniluréia, metformina, pioglitazona
e sita ou vildaglptina, tendo o objetivo
de A1c menor do que 6,5%.
Várias Possibilidades Terapêuticas
Dr. Domingos Malerbi
O caso em questão é um exemplo típico
de situação clínica que comporta várias
possibilidades terapêuticas, daí a discre-
pância nos resultados das enquetes. No-
te-se, que a predominância de opções
preferenciais entre os brasileiros coin-
cidiu com aquela dos especialistas em
diabetes dos EUA, ou seja, recaiu sobre
o Exenatide.
Isto talvez represente dois fatos:
(A) A enquete aqui no Brasil foi veicu-
lada pelo site da SBD, mais acessado, pro-
vavelmente, por especialistas em diabetes;
(B) Os especialistas brasileiros em diabe-
tes, a exemplo dos norte-americanos, já
estão considerando o Exenatide em seu
raciocínio clínico, perante um caso des-
ses (pode ser que pela maior penetração
da literatura norte-americana aqui, ou
mesmo pela iminência do lançamento
do Exenatide em
nosso mercado,
sendo que vários
colegas aqui já
têm alguma ex-
periência com
o medicamento
importado).
Na Europa e
na Ásia isto deve ser diferente, predomi-
nando a idéia da insulina. Tecnicamente,
trata-se de uma paciente obesa, já rece-
bendo Sulfoniluréia e Metformina, com
controle glicêmico fora da meta à custa
da glicemia pós-prandial, uma vez que a
glicemia de jejum não está tão elevada. Se
a glicada estivesse mais alta, provavelmen-
te a Insulina basal seria a primeira opção
no mundo todo. Nesta faixa é que as dis-
cussões sobre o “terceiro agente” têm se
concentrado: pode ser o Exenatide, um
inibidor da DPP-4, uma Glitazona, ou até
a Acarbose e a Insulina prandial.
As novas opções não estão ainda de-
finidas no consenso da ADA/EASD, o
qual deverá ser revisto num futuro mui-
to próximo para incluir os incretino-sí-
miles e incretino-miméticos.
Para finalizar, lembremos que o recur-
so de melhor custo-benefício na situação
clínica apresentada nem foi contempla-
do como uma das possíveis opções: res-
trição alimentar e exercícios físicos. Será
que, de tanta frustração com a má adesão
a estes recursos, nós, médicos, já nem nos
lembramos mais deles?
Descrição do Caso
Dra. Marília de Brito Gomes
A paciente apresentava glicemias de je-
jum entre 110 e 140 mg/dL e HbA1c
de 8.1%. As opções terapêuticas eram:
adicionar NPH antes de deitar ou pio-
glitazona ou exanatide. Votaram 6455
participantes de 123 países ( incluindo
o Brasil), sendo 18% especialistas, 49%
médicos de outras especialidades, 17%
residentes ou alunos, e 16% outros pro-
fissionais de saúde, ou outros. A primei-
ra consideração que devemos fazer é a
ética: as opções deveriam ser do princí-
pio ativo, não se especificando qual.
A segunda, que seria de grande im-
portância na decisão clínica, diz respei-
to à anamnese da paciente: qual o tem-
po de duração conhecido do diabetes?
Há quanto tempo a paciente fazia uso
desta terapêutica? Como era a evolução
da sua curva ponderal? Estava a paciente
em programa de modificação do estilo
de vida? A ausência destes dados mostra,
claramente, como é conduzida a medi-
cina atualmente, ou seja, a história do
paciente é irrelevante!!!
A SBD realizou uma enquete semelhan-
te, mas colocando como opções os princí-
pios ativos (como recomenda a ética). As
duas enquetes são de difícil comparação,
pois na realizada pela SBD (n=227) não
sabemos as características dos votantes,
no que se refere à especialidade. Conside-
rando-se que fossem todos especialistas,
os dados da SBD seriam semelhantes ao
observado com diabetologistas nos USA,
isto é, 53% vs 47,1% a favor das incretinas
. No Brasil, 27,7% vs 32% de especialistas,
nos USA, votaram a favor da insulina; e
25% vs 15%, respectivamente, votaram a
favor das glitazonas.
Se estes resultados pudessem ser com-
paráveis, mostrariam a tendência do es-
pecialista a seguir com mais freqüência
as inovações terapêuticas, mesmo que as
mesmas ainda careçam de evidências. É
a força do mercado.
Observamos que a insulina venceu em
todos os continentes. Porque adicionar
insulina à noite se a paciente apresen-
tava glicemias de jejum tão aceitáveis?
Correríamos o risco de hipoglicemia.
Torna-se difícil estabelecer uma con-
duta, quando dados da ananmese estão
ausentes. Ressaltando este fato, acho
que uma terapia combinada, por um
período de tempo determinado (como
metformina e glibenclamida e glitazona
e metformina no mesmo comprimido),
poderia ser tentada, em conjunto com
o estabelecimento de metas realísticas,
quanto à mudança do estilo de vida que
nós, médicos, sempre preconizamos,
mas talvez não enfatizemos. n
* O texto, na íntegra, está no site da SBD – coluna Diabetes
Hoje – aberto a comentários.
Como Eu Trato? Avaliação de
um Caso de Diabetes do Tipo 2
Total
Adicionar incretinas
Adicionar NPH antes de deitar
Adicionar uma glitazona 57 – 25,11%
63 – 27,75%
107– 47,14%
227 – 99,50%
Enquete SBD
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Dr. Augusto Pimazoni Netto
Coordenador do Grupo de Educação e
Controle do Diabetes
Centro Integrado de Hipertensão e
Metabologia Cardiovascular
Hospital do Rim e Hipertensão da UNIFESP
Atualidades
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ada vez mais, a visão filosófica
do ato médico vem questionan-
do a adequação das condutas
terapêuticas, principalmente
em relação àqueles pacientes nos quais
os fatores adversos de ordem psicos-
social se apresentam como obstáculos
intransponíveis para o sucesso da con-
duta terapêutica. Afinal, temos o direi-
to de perturbar a tranqüilidade de um
paciente polifragilizado, na tentativa de
impor nossos conceitos pétreos de me-
tas adequadas de controle glicêmico?
Seria ético desestabilizar sua confortan-
te ignorância sobre os perigos a que está
sujeito, em função da falta de controle
adequado de fatores de risco importan-
tes como diabetes, hipertensão, dislipi-
demias, entre outros?
Permitam-me apresentar a vocês o se-
nhor “Poli-F”, um típico polifragilizado,
atendido em nosso Grupo de Educação
e Controle do Diabetes. Em termos de
perfil de patologias associadas, ele dife-
re pouco dos demais pacientes que nos
são encaminhados, apresentando inten-
so descontrole glicêmico, A1C entre 8
a 12%, graus variáveis de insuficiência
renal, dislipidemia, hipertensão, retino-
patia e neuropatia. O que diferencia o
senhor ”Poli-F” dos demais pacientes é
o grau de polifragilização que ele apre-
senta.
Seus níveis glicêmicos oscilam entre
300 mg/dL, em jejum, até 400 mg/dL
no pós-prandial, além de uma hemoglo-
bina glicada de 12,5%. Isso tudo, apesar
do tratamento recebido. Graças a man-
dado judicial, conseguiu obter do SUS o
melhor tratamento insulínico, disponí-
vel atualmente, para pacientes com essa
gravidade: recebe insulina glargina (68
UI/dia) e lispro (42 UI/dia).
Seu histórico médico inclui acidente
vascular cerebral, infarto do miocárdio,
hipertensão, nefropatia, retinopatia, neu-
ropatia, dislipidemia, tudo isso associado
a um importante déficit cognitivo, que o
impede de assumir seu autocuidado.
Apesar disso, o senhor “Poli-F” é uma
pessoa tranqüila, afável e resignada com
sua situação, graças à santa ignorância
a respeito de seu estado de saúde. E a
questão filosófica que se impõe é a se-
guinte: seria ética e humanamente cor-
reto tirá-lo desse estado de graça, que
o impede de cair no desespero frente a
um risco de morte cada vez maior?
Apesar de ter apenas 60 anos, o se-
nhor “Poli-F” é o retrato implacável
da polifragilização extrema que o mau
controle das doenças crônico-degenera-
tivas pode promover. Considerando esse
conjunto desfavorável de circunstâncias
agravantes, qual a importância real de
se promover um controle glicêmico ade-
quado para o senhor “Poli-F”?
O fator social também deixa sua mar-
ca cruel nas dificuldades do senhor “Po-
li-F” em assumir o controle de sua saúde
(ou seria de suas doenças?): morador
da periferia, depende integralmente da
esposa para gerenciar seus cuidados mé-
dicos, inclusive para aspirar e aplicar as
doses necessárias de insulina.
Antes de sair de casa, a esposa aplica
a insulina matinal, deixa pronta uma se-
ringa com a dose prandial do almoço,
na geladeira, e as doses noturnas são
aplicadas quando ela retorna do traba-
lho, à noitinha.
Ela trabalha como vendedora de uma
A Ética do Controle
Glicêmico em Pacientes
Polifragilizados
loja, na região do comércio popular de
São Paulo, cujos donos não dispõem da
menor sensibilidade social e já impli-
cam com ela, cada vez que tem que se
ausentar para levar o marido às muitas
consultas médicas de que ele necessita.
O nosso sistema de acompanhamen-
to no Grupo de Educação e Controle
do Diabetes exige a realização de perfis
glicêmicos de seis pontos, durante três
dias por semana, além da necessidade
de visitas semanais para acompanha-
mento dos resultados terapêuticos e da
evolução do controle glicêmico.
Ele não tem condições de realizar os
testes e ela não tem condições de propor-
cionar-lhe a assistência necessária para
uma avaliação intensiva, durante várias
semanas, para pacientes com o grau de
comprometimento do senhor “Poli-F”. Se
ela for solicitada a faltar ao trabalho para
acompanhar o marido nas visitas sema-
nais, certamente perderá o emprego.
A análise dessa triste realidade do
senhor “Poli-F” deságua exatamente
na encruzilhada entre a medicina, a fi-
losofia, a consciência social e a ética; e
é somente sob a perspectiva integrada
dessas quatro vertentes que o médico
deve conduzir, de forma consciente, seu
processo decisório sobre condutas tera-
pêuticas em pacientes de alto risco.
Cada um de nós, certamente, já tem
uma posição firmada quanto à condu-
ta mais racional a ser adotada em casos
como este. Convido os leitores a com-
partilhar com todos nós suas idéias e
convicções a respeito dessa triste rea-
lidade que, com freqüência, desafia a
ciência médica. Qual seria sua conduta
neste caso? n
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Avand|a º ma|eaIo de ros|g||Iatona º 0ompos|çäo: Comp||m|do |evesl|do. ma|ealo de |os|g||la/oua, 4mg e 8mg e/c|p|eule q.s.p. 1 comp. Ind|caçöes: Nouole|ap|a, ou emcomb|uaçáo commello|m|ua, su|lou||u|e|a ou |usu||ua, uo coul|o|e g||cem|co do d|abeles me|||lus l|po 2. Poso|og|a:
Emmouole|ap|a ou emcomb|uaçáo commello|m|ua ou su|lou||u|e|as, a dose |u|c|a| usua| e de 4mg, emdose uu|ca d|á||a. Após 8 a 12 semauas, coulo|me a g||cem|a, a dose pode se| aumeulada pa|a 8mg, emdose uu|ca ou d|v|d|da emduas lomadas d|á||as. Emuso comb|uado com|usu||ua,
a dose má/|ma |ecomeudada e de 4mg/d|a. AVAhûIA pode se| adm|u|sl|ado comou sema||meulos. ºac/c0/cs /00s0s. heuhumajusle da dose e uecessá||o. /0s0//c/00c/a rc0a/. heuhumajusle e uecessá||o. uma ve/ que a mello|m|ua e coul|a-|ud|cada uesles pac|eules, a adm|u|sl|açáo
coucom|laule de mello|m|ua e AVAhûIA lambeme coul|a-|ud|cada empac|eules com|usul|c|euc|a |eua|. /0s0//c/00c/a 0cpa//ca. 0 l|alameulo comAVAhûIA uáo deve se| |u|c|ado se o pac|eule ap|eseula| ev|deuc|as c||u|cas de doeuça hepál|ca al|va ou u|ve|s aumeulados de l|ausam|uase
se||ca (ALT > 2,5 ve/es o ||m|le má/|mo da uo|ma||dade). Cr/a0ças. Empac|eules meuo|es de 18 auos de |dade o uso de AVAhûIA uáo e |ecomeudado. 0onIra-|nd|caçöes: h|pe|seus|b|||dade à |os|g||la/oua. Precauçöes: AVAhûIA uáo deve se| usado empac|eules comd|abeles l|po 1 ou
pa|a o l|alameulo de celoac|dose d|abel|ca. AVAhûIA pode |esu|la| emovu|açáo, emmu|he|es ua lase auovu|aló||a p|e-meuopausa. Cous|de|audo que as l|a/o||d|uod|ouas podemcausa| |eleuçáo ||qu|da, o que pode e/ace|ba| a |usul|c|euc|a ca|d|aca cougesl|va, AVAhûIA e coul|a-|ud|cado
em pac|eules sob ||sco de |usul|c|euc|a ca|d|aca (pa|l|cu|a|meule aque|es que usam |usu||ua), ou com |usul|c|euc|a ca|d|aca C|asses 8 e 4 da hYhA. ûrav|det e |acIaçäo: 0 uso de g||Iatonas e de oul|os aul|d|abelogeu|cos o|a|s (Aû0s) deve se| ev|lado ua g|av|de/ ou amameulaçáo.
InIeraçöes: A |os|g||la/oua uáo pa|ece |u|b|| de lo|ma s|gu|l|cal|va ueuhuma das eu/|mas do s|slema c|loc|omo P . ho caso de uso comb|uado comßeml|b|o/||, |ecomeuda-se |edu/|| a dose de AVAhûlA e acompauha| a lo|e|ab||dade. ßeaçöes adversas: Auem|a e edema lo|am|e|alados.
45O
8uperdosagem: Adola| l|alameulo de supo|le. ApresenIaçöes: Ca|/a com7, 14, 28ou 5Gcomp||m|dos de 4mg. Ca|/a com7comp||m|dos de 8mg. ü8ûAûüLTû. VEhûA 8û8 PßE80ßIÇÄûNÉûI0A. ßeg. N.8. nº 1.0107.0164. Leg71/001/2004.
ßEFEßËh0IA8: 1) KAhh, SE. el a|. ß|ycem|c du|ab|||ly ol |os|g||la/oue, mello|m|u, o| g|ybu||de mouolhe|apy. h Eug| J Ned, 855.2427-2448, 2OOG. E||alum|u. h Eug| J Ned, 85G.1887-1888, 2OO7. 2) REuSCh, JEB. el a|. Th|a/o||d|ued|oue lhe|apy. lhe beuel|ls ol ag|ess|ve aud ea||y use |u
lype 2d|abeles. û|abeles Techouo|ogy aud The|apeul|cs, 5(4). G85-G98, 2OO8.
Nale||a| de d|vu|gaçáo e/c|us|va à c|asse med|ca. Na|s |ulo|maçoes à d|spos|çáo da c|asse med|ca al|aves do Se|v|ço de lulo|maçáo Ned|ca (ûûßO8OO7O12288ou hllp.//www.s|m-gs|.com.b|). Recomeuda-sea |e|lu|a das bu|as e mouog|al|as dos p|odulos, aules da p|esc||çáo.
3) LEB0VlT/, hE. el a|. Ros|g||la/ouemouolhe|apy |s ellecl|ve |u pal|euls w|lh lype 2. d|abeles. J C||u Eudoc||uo| Nelab, 8G(1). 28O-288, 2OO1.
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Esl|ada dos Baude||aules, 84G4 º Jaca|epaguá º R|o de Jaue||o º RJ
Cep 22788-11O º ChPJ 88.247.748/OOO1-1O WWW.gs|.com.br
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Anos
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3 anos
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metIormìae
*Va|o|es ap|o/|mados.
Anos com a hbA <7%
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Depoimentos
Cristina Dissat
C
om o objetivo de mostrar
o lado mais humano do
paciente diabético, a Re-
vista da SBD foi atrás de
depoimentos de adolescentes
e crianças com DM tipo 1. São
exemplos, conselhos e uma for-
ma toda especial de ver a vida, im-
portantes não só para quem tem,
mas também para quem lida com
pacientes todos os dias.
O relato do diagnóstico, planos
de vida profissional, dificuldades
etc são contadas por Mariana Gar-
cia Abdalla, Rodolfo Gutterres
Giordano, Yuri Antunes Salomoni
e Heloísa Fagundes Coelho. Além
deles, veja alguns momentos de
vida de Matheus Nascimento Be-
zerra, Talita Roeda Cassemiro e
João Guilherme Feitosa. Eles são
mais corajosos do que se pensa e
conhecer um pouquinho de cada
um é aprender a entender um
pouco mais do diabetes.
Ficar doente não dói, mas ma-
chuca às outras pessoas.
(Mariana Abdalla)

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u sou Mariana e tenho 18 anos.
Descobri que tinha diabetes aos
10 anos de idade, na época da
Páscoa. Foi bem difícil porque
eu era muito criança. Todos os meus
amigos brincavam muito com doces
e balas. A minha melhor amiga tinha
diabetes e isso me ajudou, porque eu
já conhecia muita coisa da doença e o
que tinha que fazer. Acho que foi mais
complicado para a minha mãe, que se
assustou, e para a família, pois era o pri-
meiro caso. Eu tinha uma boa alimen-
tação. Por isso, é bom lembrar que não
existe aquela história de “ihh, abusou
do doce, por isso ficou com diabetes”.
Não é nada disso.
Foi complicado no início, mas acabei
transformando o fato em uma forma
de me ajudar. Entrei para a ADJ e, em
2004, participei do meu primeiro acam-
pamento. De lá pra cá, já participei ou-
tras vezes e, este ano, voltei, mas como
monitora. Estou cursando jornalismo e
relações internacionais e assim que ter-
minar, pretendo fazer curso de diplo-
mata. Meu objetivo é seguir os passos
da Gabriela Diccini, que hoje é Jovem
Embaixadora do Diabetes.
Primeiro eu me ajudei aprendendo
tudo relacionado ao diabetes. Agora,
Heloísa Fagundes Coelho
M
eu nome é Heloisa, tenho 15 anos
e há dez anos tenho diabetes. Eu
sempre fui saudável e, de repente,
com 5 anos, comecei a ficar apática, muito
magra (17 quilos) e sempre cansada. Mi-
nha mãe achava que eu tinha Aids e me le-
vou ao hospital. A sede era insaciável. Vivia
com fome. Acabava o almoço, queria fazer
um lanche. Minhas pernas doíam e nem
queria ir mais à escola. Fui ao médico e ele
disse que eu estava com anemia. Passei
uma semana comendo tudo errado. Só
piorei. Voltei ao médico e, depois da insis-
tência da minha mãe, os resultados vie-
ram. Estava com mais de 700 de glicemia
e fui para a UTI. Depois de melhorar, saí do
hospital sem saber nada. Minha mãe tinha
medo até de me dar água. Meu primeiro
contato com informação foi na ADJ.
Eu não queria tomar insulina, nem medir
glicemia. Tudo tinha que ser negociado.
Mas cresci e mudei, entendendo a impor-
Yuri Antunes Salomoni
T
enho 19 anos e 8 de diabetes. O
diagnóstico foi diferente. Era fim
de ano, véspera de Natal, e esta-
va viajando com a família quando, de
repente, comecei a passar muito mal.
Fui à farmácia para comprar um remé-
dio para enjôo, mas o farmacêutico re-
solveu perguntar o que eu tinha. Falei
que estava urinando muito, dormindo
pouco e emagreci em poucos dias. O
farmacêutico disse que era melhor ir
ao hospital antes de comprar qualquer
remédio. Chegando lá, fiz exames de
sangue e um teste de glicemia. O re-
sultado foi 597. Esse número ficou
marcado na minha vida.
Eu sempre gostei de esportes.
Jogo futebol desde os 5 anos de
idade e fui, até, federado. Quando
descobri que tinha diabetes, caí de
cabeça da atividade física. Comecei
a fazer natação, judô e musculação.
Pra mim, controlo o diabetes com es-
portes. Adoro isso. O esporte tam-
bém ajuda no relacionamento com as
pessoas, integra, facilita muito a vida
da gente.
Aproveito para comentar que tudo
o que sei sobre diabetes eu aprendi
no Acampamento da ADJ-Unifesp. O
diagnóstico foi em dezembro e, em ja-
neiro, no ano seguinte, já estava parti-
cipando. Lá, aprendi tudo.
Minha vida não mudou nada, ape-
nas tive que reformular e incluir no-
vos hábitos. Já fazia diversas coisas
por causa do esporte e isso facilitou
a minha vida. No judô, por exemplo,
é preciso ser centrado, ter concentra-
ção e um dia mais regrado. Passei a
comer muito melhor. Eu só adeqüei o
diabetes à minha vida. n
tância de me cuidar. O diabetes acabou
me levando para a televisão e até dei en-
trevista no programa da Ana Maria Braga,
da TV Globo. Os jornalistas sabem o bá-
sico, mas mostram muita surpresa quan-
do você conta certas coisas. Aliás, toda a
família foi entrevistada.
Tenho conhecido muita gente e todos
têm coisas novas para ensinar e apren-
der. n
quero ajudar os outros. Não adianta só
nós sabermos sobre a doença, as outras
pessoas precisam se informar também.
É uma doença complicada, que tem
complicações que a maioria desconhe-
ce. Estou trabalhando como voluntária
na ADJ, dando palestras em escolas,
conversando com as pessoas.
Minha mãe foi sempre um exemplo
pra mim e ela é minha maior incentiva-
dora. Tudo o que ela me dá preciso re-
tribuir e faço isso me cuidando. É muito
mais difícil você ver sua mãe chorando,
do que você chorar por causa de algum
problema. O que me deixa feliz é o or-
gulho que ela sente de mim. Precisamos
ter consciência de que o que fazemos
hoje reflete no amanhã, seja algo bom
ou ruim. Ficar doente não dói, mas ma-
chuca às outras pessoas. n
Mariana Garcia Abdalla
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M
atheus Nascimento Bezerra tem 9
anos e um ano e meio de diabetes.
É bastante extrovertido, esperto, agitado
e entende muito de internet e computa-
dores. Nos bate-papos, durante a co-
bertura do Acampamento da ADJ-Uni-
fesp, ele sempre queria aprender mais,
saber mais, inclusive sobre os softwa-
res que usávamos. Uma curiosidade de
quem sabia o que estava perguntando.
Ele está em plena fase de aprendizado. É
uma idade difícil, mas que pode ser bem
aproveitada pelos pais. Comer salada,
por exemplo, é algo muito recente em
sua vida, assim como aprender a lidar
com o próprio corpo.
A
os quatro anos Talita Roeda Casse-
miro foi diagnosticada com diabetes.
Hoje, aos 12, ela já passou por várias ex-
periências, sendo que algumas mais difí-
ceis, mas que faz questão de dividir, para
que outras pessoas com diabetes não
sofram. Ela conta como foi discriminada
na escola, por falta de informação dos
colegas. Agora, ela é uma menina mais
confiante e procura aconselhar outras
pessoas a não tratar quem tem diabetes
de forma diferente. Para ela, seria funda-
mental que, nas escolas, os professores
ensinassem sobre o diabetes e o que é
necessário no dia-a-dia.
S
ó depois de dois anos de diagnós-
tico é que João Guilherme Feitosa
teve a possibilidade de conhecer outras
crianças com diabetes. Para ele, parti-
cipar do Acampamento da ADJ-Unifesp
foi uma ocasião muito especial, aos 10
anos. Ele disse que antes se sentia so-
zinho. “Agora eu posso falar o que eu
sou, sem me preocupar”. João Guilher-
me passa por um momento importante
na vida, adquirindo novos conhecimen-
tos e aprendendo a lidar com o diabe-
tes. Os pais de João, com certeza, se
sentirão orgulhosos ao saber o quanto
ele é agradecido a eles por apresentar
um novo mundo. n
M
eu nome é Rodolfo, sou estu-
dante de biologia, tenho 23
anos e diabetes do tipo I. O
diagnóstico foi com 12 anos,
ou seja, são 10 anos com este relacio-
namento estável e hoje posso dizer que
sou feliz, apesar de alguns desentendi-
mentos.
Logo depois do diagnóstico eu não
sabia nada, nem que era uma doença
sem cura. O único dado que possuía era
o olhar das pessoas de espanto, quando
descobriam que eu tinha diabetes. E isso
não era muito bom. A começar pelo Dr.
Clínico Geral: “Ihh, meu filho, você vai
ter que tomar uma injeção agora!”. Ao
perguntar o porquê disso, ele disse que
minha glicemia estava 780mg/dl. Nessa
hora minha mãe saiu da sala com uma
cara horrível, e eu nem sabia o que era
glicemia. Depois da insulina fui encami-
nhado para uma endocrinologista.
Ao chegar ao consultório dela, per-
cebi que as pessoas estavam sorrindo,
sem demonstrar preocupação, mesmo
depois da notícia que eu teria que to-
mar aquela injeção
quatro vezes ao dia,
furar meu dedo cin-
co vezes e fazer exa-
mes de urina e de
sangue uma vez por mês. Só mais tarde
entendi que era uma maneira de passar
tranqüilidade.
No mesmo dia conheci um monte
de “parafernálias modernas”, pra épo-
ca. Uma caneta de aplicação de insulina
que vinha com um desenho de elefante
lilás, na verdade era uma coleção cheia
de desenhos e cores. Ela me mostrou a
fitinha medidora de glicemia pelo san-
gue, que era muito mais rápida do que a
do xixi, e bem mais cara também. O apa-
relho de glicemia, na época, era muito
caro. Eu nunca me preocupei em ter
que me furar pra tomar insulina, tanto
que minha mãe, que é enfermeira, só
aplicou insulina uma vez. Eu até achava
legal quando as pessoas vinham e fala-
vam: “nossa que coragem você tem!”.
Mal sabiam elas que era necessidade.
Lembro que, aos 14 anos, tinha vergo-
nha de tomar insulina
na frente das pessoas.
Pedia aos amigos para
“fazerem um cabani-
nha” em volta, enquan-
to eu aplicava a insulina com a seringa.
Foi quando tive um problema complica-
do. O segurança do show onde eu estava
pegou o meu braço e torceu tanto que
dava pra eu coçar a minha nuca. Tentei
explicar, mas não consegui. A minha sor-
te é que uma amiga da minha mãe esta-
va trabalhando em uma ambulância no
show e me ajudou. É importante não ter
vergonha de aplicar insulina, não é erra-
do, não tem porque se esconder. Hoje em
dia eu tomo insulina na frente de todo
mundo.
Digo que sou feliz por ter diabetes
porque ela me tornou o que sou hoje.
Trouxe muita disciplina, responsabi-
lidade e várias lições com relação ao
meu corpo, ao meu comportamento e
às pessoas. Acho que, se isso não tivesse
acontecido, eu teria morrido de outra
coisa. n
Aprendendo no Dia-a-Dia
Rodolfo Gutterres Giordano
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N
o início de fevereiro, a SBD e a Associação de Diabetes fecha-
ram uma parceria inédita, que envolverá médicos e outros
profissionais de saúde.
O Projeto Educando Educadores tem por objetivo qualifi-
car profissionais de saúde a desenvolverem posturas e ações educati-
vas em diabetes no trato com pacientes, familiares e cuidadores em
geral. A ficha de inscrição foi incluída no site da SBD e da ADJ e os
interessados já podem se inscrever para o primeiro curso, que começa
no mês de maio.
ESTRATÉGIAS – Os cursos serão desenvolvidos através de estratégias di-
dático-pedagógicas feitas por profissionais qualificados e obedecendo
as recomendações de especialistas da International Diabetes Federa-
tion, ligada à Organização Mundial de Saúde, em colaboração com a
ADJ / RELAD (Rede Nacional de Pessoas com Diabetes) e a SBD.
Segundo o comunicado oficial da parceira, divulgado pela SBD e
ADJ, “o público-alvo é constituído por profissionais de saúde das áreas
pública e privada, associações e ONGs de pessoas com diabetes, em
conformidade com as diretrizes de dispensação de insumos e medica-
mentos estabelecidas pela Lei nº 11.347, de 27/09/06 e pela Portaria
nº 2.583, de 10/10/07”.
Para a presidente da SBD, Dra. Marília de Brito Gomes, um dos
itens que considera mais importante do curso é o trabalho em con-
junto entre a SBD e a ADJ. “É um projeto que está merecendo uma
atenção especial, porque está sendo todo adaptado de acordo com
as características e particularidades de cada entidade”, disse a presi-
dente.
Ela esclarece que o curso é importante, porque, em primeiro lugar,
é fundamental educar alguém para se preparar para educar o paciente
diabético. “Procuramos fazer isso dentro das normas da IDF. Será um
curso intensivo, de cinco dias, com dedicação exclusiva e procuramos,
nesse primeiro ano, contemplar as cinco regiões do Brasil, onde a
educação precisasse ser mais enfática”, afirmou a Dra Marília.
Várias reuniões entre as duas entidades estão sendo realizadas para
estabelecer a distribuição das aulas e a programação.
Para a presidente da ADJ, Ione Fucs, é uma parceria fantástica e
que tem tudo para dar certo, pois está unindo duas entidades dedica-
das às pessoas com diabetes. “Acredito na credibilidade da junção de
esforços de uma Sociedade Científica com uma Associação Civil, para
fazer o melhor em educação em diabetes”, diz Ione.
Os interessados podem se inscrever no primeiro curso, conta-
tando a ADJ, pelo telefone (11) 3675-3266, ramal 41, ou através do
email: secretaria@adj.org.br, ou contatando a SBD, pelo telefone (11)
3842-4931 ou através do e-mail: secretaria@diabetes.org.br. Haverá
uma seleção dos inscritos, considerando-se critérios de currículo e
necessidades regionais. Foi definido o número de 60 vagas por edição,
sendo 30 (trinta) vagas para cada uma das entidades. n
Educando Educadores
Cursos
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Ponto de Vista
Dr. Ney Cavalcanti
O Caos Aéreo e
a Saúde Pública
U
m dos noticiários de maior des-
taque da nossa imprensa, nos úl-
timos tempos, foi a desorganiza-
ção do nosso transporte aéreo.
Jornais, TVs e revistas dedicaram gran-
des espaços aos problemas que a nossa
aviação comercial apresentava.
Repórteres permaneciam em plantão
nos principais aeroportos, filmando e en-
trevistando passageiros, funcionários das
companhias aéreas, autoridades e etc.
Afinal, os problemas traziam repercus-
sões negativas a um grande número de
brasileiros. E, o que é mais importante,
principalmente sobre os representantes
das classes sociais de maior representa-
tividade e, como tal, com maior poder
político e capacidade de reclamar.
Turistas, empresários, executivos,
deputados, senadores, funcionários pú-
blicos e ministros (com ou sem cartão
corporativo) são a maioria dos viajantes.
O assunto mobilizou a sociedade brasi-
leira. E o Governo, preocupado com a
insatisfação, rapidamente tomou provi-
dências. Descobriram-se graves irregu-
laridades nas agências federais Anac e
Infraero, responsáveis pela regulamen-
tação da nossa aviação comercial.
Seus dirigentes foram removidos. O
ministro a quem estas repartições es-
tavam subordinadas foi sumariamente
demitido. Pistas de pouso e decolagem
foram refeitas. Planejam-se construções
de novos aeroportos. Modificou-se o ho-
rário das viagens e aumentou-se o qua-
dro de controladores de vôos.
O nosso poder judiciário, tão critica-
do pela sociedade devido à sua lentidão,
também agiu rapidamente. Juizados de
pequenas causas foram instalados nos
aeroportos. Julgamento rápido, com pu-
nições às companhias aéreas por atraso
de cancelamentos de vôos.
A justiça achou tão necessária e im-
portante esta medida, que uma das
inaugurações dessas repartições foi fei-
ta pela presidente do Supremo Tribu-
nal Federal. Afinal, os magistrados são
os usuários do transporte aéreo. E o que
tem o caos aéreo a ver com o que experi-
mentamos com a nossa saúde publica?
É que, nesta, o caos já existe há muito
e vem aumentando a cada ano, sem que
a sociedade se mobilize, sequer para ate-
nuá-lo. Seria mais importante corrigir o
problema do nosso trafego aéreo ou as
precárias condições dos nossos ambula-
tórios e hospitais? É maior o transtorno
causado por um atraso de algumas ho-
ras em uma viagem do que o de muitos
dias para uma cirurgia de um câncer de
pulmão?
É mais prejudicial perder uma reu-
nião de negócios por cancelamento de
um vôo ou uma vida por falta de medica-
ção para um Aidético? Obviamente que
os problemas que podem ser causados
pela má assistência médica são muito
mais importantes e freqüentes do que
os decorrentes da desorganização da
nossa aviação comercial.
Não seria muito mais necessário ins-
talar tribunais de pequenas “grandes”
causas nos hospitais, para punir os res-
ponsáveis e ou o governo pelo malefício
causado aos seus usuários ?? . Mas por
que não são tomadas providências para
resolver o caos, que é a nossa saúde pú-
blica?
Em primeiro lugar, porque a elite
brasileira tem grande desprezo pelos
mais pobres. Acha que o pobre é pobre
porque quer e que isso é um grande de-
feito. Por outro lado, e mais importan-
te, é que ela, a elite, não é usuária da
nossa saúde pública.
Caso os ricos, os políticos, os minis-
tros, os juízes necessitassem utilizá-la,
há muito a situação já teria mudado.
Os pobres também têm a sua parcela
de culpa, pela sua pouca capacidade de
organização, pelo seu conformismo e
docilidade. A saúde pública necessita e,
urgentemente, pode e deve ser melho-
rada. Acorda Brasil! n
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Ensaio Clínico
Cristina Dissat
N
o dia 8 de fevereiro, as notí-
cias sobre o resultado parcial
do Estudo Accord (The Action
to Control Cardiovascular Risk
in Diabetes) começavam a circular na
imprensa. Logo no dia seguinte, o site
da SBD passava a receber dezenas de
emails de especialistas brasileiros, an-
siosos por uma posição oficial sobre a
divulgação dos primeiros dados. A no-
tícia, acompanhada de muita polêmica,
se alastrou pelos meios de comunica-
ção, com a velocidade da internet.
A controvérsia era que o grupo de
participantes, alocados no controle da
glicemia intensiva (HbA1c<6%), apre-
sentou maior mortalidade (14 mor-
tes/1000 pacientes x 11 mortes/1000
pacientes) quando comparada ao
grupo de controle padrão da gli-
cemia (HbA1c 7 - 7,7,9%).
A primeira posição da SBD foi
Resultados
Preliminares
do Estudo
Accord
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publicada, logo em seguida, nas colunas
do Dr. Daniel Sigulem (Artigos em Des-
taque - Diabetes tipo II, Nem Tão Pró-
ximo ao Céu, Nem Junto à Terra) e Dr.
Augusto Pimazoni (Debates - A Perigosa
Volatilidade da Verdade Médica).
O debate se intensificou. Foram mais
de 35 comentários postados e uma troca
de informação tão grande, que se alguém
colocar a palavra Accord + Diabetes no
Google, o site da SBD aparece em tercei-
ro lugar nas buscas por toda a web.
As duas semanas que se seguiram à
primeira notícia foram cheias de telefo-
nemas aos consultórios e de jornalistas
atrás de declarações oficiais. E, como
era de se esperar, a imprensa correu
para publicar mais informações ao pú-
blico, provocando novas dúvidas.
No fim de semana seguinte à divulga-
ção da notícia, a revista Veja estampou
uma reportagem de capa sobre o tema
– Saúde Sem Neurose - onde colocava
em dúvida a manutenção do controle
mais rígido da glicose e da pressão ar-
terial. A Dra. Marília de Brito Gomes,
presidente da SBD, enviou carta à reda-
ção da revista, onde elogiava o trabalho
dos jornalistas, porém explicava sobre
a necessidade de complementação das
informações, para que isso não gerasse
problema na conduta dos pacientes. A
Veja publicou a carta, porém só os dois
trechos (início e fim da carta), onde os
elogios eram feitos à matéria feita.
MOBILILIZAÇÃO CIENTÍFICA – Os resul-
tados do Accord mobilizaram todos os
segmentos. Dra. Marília de Brito Gomes,
que também é chefe do Serviço de Dia-
betes do Hospital Pedro Ernesto (Rio
de Janeiro), convocou sua equipe de
residentes para que, juntos, trabalhas-
sem intensamente no levantamento de
todos os dados do estudo e avaliassem
as informações, passadas pelos meios de
comunicação. Além disso, a equipe rea-
lizou também uma comparação com ou-
tras pesquisas (Advance – resumo feito
pelos Drs. Marcus Lopes e Marília Paiva
Fampa; e Steno 2, pela Dra. Tatiane C.
Guimarães). Após uma semana de aná-
lise cuidadosa, o grupo se reuniu para
uma sessão científica, que durou uma
manhã inteira e contou com a presença
de outros especialistas.
Entre os questionamentos feitos pelo
grupo, um deles foi qual seria o impac-
to de uma notícia na revista Veja, junto
aos pacientes e profissionais de saúde.
Para a Dra. Marília, a divulgação pela
imprensa é delicada, principalmente,
pelo fato das reportagens terem saído
só com dados parciais. A especialista fez
questão de enfatizar que logo após a di-
vulgação de estudos internacionais exis-
te uma grande procura dos jornalistas
por posições oficiais da entidade, porém
ela acha importante que toda opinião à
imprensa seja feita apenas após leitura
intensiva do trabalho em questão.
PERFIL DO ACCORD – O Dr. Diogo Guar-
nieri Panazzolo, um dos residentes do
Serviço de Endocrinologia do Hospital
Pedro Ernesto, ficou responsável, junto
com a Dra. Marília, sobre os principais
pontos do estudo Accord, que podem
ser observados a seguir. Ele iniciou ex-
plicando sobre o cancelamento de um
braço da pesquisa, devido ao aumento
total da mortalidade no grupo do trata-
IMC>32 ou tabagismo.
A pesquisa está sendo realizada em 77
clínicas localizadas no Canadá e EUA,
com seguimento dos pacientes de 4 a
8 anos e todos receberam prescrição
de ácido acetil-salicílico (sem menção
da porcentagem de intolerantes ou se
utilizavam outra medicação antiplaque-
tária).
Como desfecho primário analisa
IAM não fatal, AVE não fatal e morte
cardiovascular decorrente de qualquer
etiologia (IAM, ICC, morte súbita, pro-
cedimento cardíaco, arritmia, embolia
pulmonar, aneurisma aórtico...).
Como desfecho secundário dá ênfa-
se para outros eventos cardiovasculares,
mortalidade total, eventos microvascula-
res (retinopatia, neuropatia e nefropa-
tia), alterações na qualidade de vida e
relação custo-benefício da intervenção.
Detalhes do desenvolvimento e plane-
jamento:
O Accord iniciou em outubro de 1999.
Em janeiro de 2001, os dados começa-
ram a ser coletados (em 1.174 pacientes,
grupo vanguarda), acompanhados por
seis meses para tirar possíveis dúvidas
da pesquisa. De fevereiro de 2003 até
outubro de 2005 foram incluídos 10 mil
novos participantes. Em 29 de outubro
de 2005, o último participante foi ran-
domizado e os dados serão coletados até
junho de 2009. A conclusão do trabalho
seria divulgada em 2010, mas devido os
resultados, alguns dados foram apresen-
tados antes do prazo.
Os 10251 participantes foram dividi-
dos em 2 grandes grupos para controle
da glicemia. Um com 5128 participantes
(grupo da glicemia intensiva), no qual
o objetivo era manter a HbA1c<6% e
outro com 5123 participantes (grupo
da glicemia padrão), no qual o objeti-
vo era manter a HbA1c entre 7 a 7,9%.
Estes grupos foram divididos em sub-
grupos para controle de pressão sistóli-
ca (<120mmHg X <140mmHg) e para
controle do perfil lipídico.
Conforme seu del i neamento,
o estudo apresentou seis grupos
de pacientes (veja tabela abaixo):
1) Glicemia intensiva + Pressão intensiva;
2) Glicemia intensiva + Pressão padrão;
3) Glicemia intensiva + Lipídeo grupo;
4) Glicemia padrão + Pressão intensiva;
Resultados
Preliminares
do Estudo
Accord
Levantam
Polêmica
mento da glicemia intensiva.
Patrocinado pela NHLBI (National
Heart, Lung and Blood Intitute), o en-
saio clínico tem as seguintes característi-
cas: estudo randomizado, multicêntrico,
realizado com 10.521 pacientes diabéti-
cos tipo 2 entre 40 e 79 anos (± 62anos),
com média de 10 anos do diagnóstico
e com alto risco cardiovascular. Este
risco foi estratificado em três grupos:
1) Pacientes que já apresentaram even-
tos cardiovasculares.
2) Pacientes com clínica de DCV e com
um destes fatores: microalbuminú-
ria, IBP<0.9, HVE ou estenose arte-
rial maior que 50%(coronárias, ca-
rótidas, extremidades).
3) Paciente sem clínica de DCV e com
dois ou mais fatores: LDL>130mg/
dl, HDL< 40mg/dl em homens
ou <50mg/dl em mul heres,
PAS>140mmHg ou PAD>95mmhg,
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5) Glicemia padrão + Pressão padrão;
6) Glicemia padrão + Lipídeo grupo.
O grupo lipídeo foi o único braço do
estudo duplo-cego e todos participantes
receberam sinvastatina na dose máxima
de 40mg/dia, associado ao fenofibrato
160mg/dia ou placebo. Se o partici-
pante apresentasse LDL>120mg/dl ou
TG>750mg/dl e já estivesse em uso da
dose máxima de antilipêmico permitida
no estudo, este paciente era excluído do
grupo.
Os principais critérios de exclusão
eram: fração de ejeção cardíaca menor
que 25%, história de NYHA III ou IV
para insuficiência cardíaca congestiva,
creatinina acima de 1,5mg/dl, transa-
minases hepática acima de duas vezes
do limite superior da normalidade, uso
de medicações que comprovadamente
alteram o controle glicêmico.
A Dra. Marília mencionou, também,
que alguns itens chamaram a atenção,
com relação ao “baseline” do trabalho:
• Grupos étnicos: maioria brancos
(64%)
• Mulheres: aproximadamente 38%
• Tabagistas: aproximadamente 58%
• HbA1c: 8,3%
• Pacientes em uso de antihipertensivo:
85%
• IMC: 32
• Pacientes em uso de estatinas: apro-
ximadamente 60%
• LDL: 105mg/dl
• Não há referência a mudança do es-
tilo de vida
O acompanhamento dos pacientes,
de forma geral, era realizado a cada 2
meses no grupo intensivo e a cada 4 me-
ses no grupo padrão e consistia em uma
visita clínica (aferição da pressão sistóli-
ca e peso).A HbA1c era dosada a cada 4
meses em todos grupos. Os outros exa-
vida atual sobre o estudo consiste em
discriminar em quais braços do estudo
os pacientes, que apresentaram óbito, se
encontravam. Houve uma discrepância
de mortalidade em algum dos grupos?
Quantos pacientes realmente consegui-
ram manter a HbA1c < 6%? Todos gru-
pos apresentavam pacientes com riscos
cardiovasculares semelhantes? Existiam
outras doenças associadas no grupo de
maior mortalidade?” foram algumas das
colocações durante a reunião científica.
Segundo o grupo, dúvidas como estas
não permitem afirmar que um controle
intensivo da glicemia seria prejudicial a
um paciente diabético tipo 2.
Outro ponto importante a discutir é a
falta de dados do trabalho sobre o con-
trole da pressão diastólica nos grupos,
citando apenas aferições na pressão sis-
tólica. É sabido que há correlação direta
entre os níveis da pressão diastólica e a
ocorrência de eventos cardiovasulares.
A conclusão, no caso da análise da
reportagem da revista Veja, reforçando
a idéia que um tratamento glicêmico
intensivo traga malefícios aos pacientes
não foi apropriada, podendo causar dis-
torção da “verdade médica científica”.
O que saiu na Veja não reflete o que
o trabalho diz. O grupo chegou à con-
clusão que faltam muitos dados, tanto
na reportagem publicada quanto no
próprio estudo, que não ficam claros
ou ainda estão ausentes nesse primeiro
resultado divulgado.
É fundamental que os especialistas
tenham cuidado especial na hora de
responder às perguntas dos jornalistas,
que, na grande maioria, não conhecem
o tema profundamente, tem um curto
espaço de tempo para a produção da ma-
téria e tiram conclusões que não refle-
tem a realidade dos fatos. Todo cuidado
é pouco com a imprensa marrom. n
*Consultoria científica Dr. Diogo Guarnieri Panazzolo.
Table 2
Action to Control Cardiovascular Risk in Diabetes (ACCORD): observed distribution of participants
Glycemia Trial
* l a i r T d i p i L l a i r T P B
Total SBP 120 mm Hg SBP 140 mm Hg Group A Group B
HbA
1c
6.0% 8 2 1 , 5 4 7 3 , 1 3 8 3 , 1 3 9 1 , 1 8 7 1 , 1
HbA
1c
7.0%–7.9% 3 2 1 , 5 1 9 3 , 1 0 7 3 , 1 8 7 1 , 1 4 8 1 , 1
5 6 7 , 2 3 5 7 , 2 1 7 3 , 2 2 6 3 , 2
1 5 2 , 0 1 8 1 5 , 5 3 3 7 , 4 l a t o T
BP blood pressure; HbA
1c
glycosylated hemoglobin; SBP systolic BP. * Treatment group assignments are blinded until the end of the trial.
mes (função renal, hepática, eletrólitos,
perfil lipídico...) diferiam no intervalo
de tempo conforme o grupo em que o
paciente se encontrava.
A grande polêmica do estudo ocor-
reu em fevereiro de 2008, quando o
comitê de ética do trabalho, declarou
que o grupo de participantes aloca-
dos no controle da glicemia intensiva
(HbA1c<6%), apresentou maior mor-
talidade (14mortes /1000 pacientes
X 11mortes/1000pacientes) compa-
rado ao grupo de controle padrão da
glicemia (HbA1c 7-7,9%). Uma dife-
rença estatisticamente significativa de
03mortes/1000pacientes/ano.
Este dado fez com que o grupo da
glicemia intensiva fosse cancelado 18
meses antes de terminar o estudo e seus
participantes transferidos para o grupo
da glicemia padrão.
Sabemos que a média da HbA1c no
grupo padrão foi de 7,5% comparado
a 6,4% do grupo intensivo, porém este
apresentou uma diminuição dos even-
tos cardíacos não fatais (10%).
POR QUE O AUMENTO DA MORTALIDADE?
QUAIS AS CAUSAS? – Para justificar este
fato, postulou-se em maior número de
eventos hipoglicêmicos e maior núme-
ro de medicações utilizadas no grupo
intensivo, mas nenhuma destas causas
apresentou correlação estatística. O
uso de rosiglitazona também não reve-
lou qualquer significância na base dos
dados.
CRÍTICAS À PESQUISA:
• Não citaram a porcentagem de pa-
cientes excluídos do trabalho.
• Apenas existem dados sobre a pressão
sistólica nos grupos acompanhados,
não havendo referência sob o contro-
le da pressão diastólica.
DÚVIDAS E CONCLUSÕES – “A grande dú-
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Diagnóstico de Diabetes e
Relação entre Glicemia de
Jejum e Retinopatia: Mais
Dúvidas à Vista?
Olhando Por Aí
Dr. Rodrigo Lamounier*
* Médico endocrinologista, membro do
conselho editorial do site da SBD.
O
critério atual de diagnóstico de
diabetes, utilizado pela OMS e
pela ADA, ou seja, de uma gli-
cemia de jejum maior ou igual
a 126 mg/dL, baseia-se no fato de que
há um valor de corte de glicemia, que
claramente separa indivíduos com alto
ou baixo risco de apresentar complica-
ções microvasculares.
A retinopatia é a complicação mi-
crovascular mais específica do diabe-
tes. Desde 1994, três estudos clássicos
mostraram que os sinais de retinopatia
eram raros em indivíduos com glicemia
abaixo de 126 mg/dL, e que sua preva-
lência aumentava bastante acima desses
valores. Assim, este valor passou a ser
utilizado como critério de diagnóstico
de diabetes, já que apresentaria alta sen-
sibilidade e especificidade para identifi-
car pessoas com e sem retinopatia.
Entretanto, os três estudos epide-
miológicos em que se baseou esta con-
clusão apresentavam uma importante
limitação metodológica, no que diz
respeito ao diagnóstico de retinopatia,
que foi determinado por um exame
oftalmoscópico direto em um estudo
e por uma fotografia retiniana, nos
outros dois. Esses métodos são hoje
considerados menos confiáveis, espe-
cialmente se comparados ao que atual-
mente é o padrão-ouro no diagnóstico
de retinopatia, que é o uso de múltiplas
fotografias de vários ângulos do fundo
da retina. Esta limitação deixava dú-
vidas quanto à precisão deste dado e,
além disso, resultados do estudo DPP
(Diabetes Prevention Program) mostravam
sinais de retinopatia em proporção sig-
tou a sensibilidade do valor de corte de
126 mg/dL.
Enquanto os estudos anteriores mos-
traram sensibilidade de 80% para este
valor de GJ, os dados atuais mostraram
sensibilidade de 40%. Mais ainda, um
dos três estudos populacionais recentes,
o Blue Montains Eye Study, que incluiu
um acompanhamento prospectivo por 5
anos de mais de 3 mil pessoas, mostrou
que a maioria dos casos incidentes de
retinopatia ocorreu em indivíduos com
GJ abaixo de 126 mg/dL, sugerindo
que não apenas a glicemia, mas outros
fenômenos vasculares devem estar pre-
sentes na genealogia dessas alterações
de retina.
Finalmente, foi avaliado, também, re-
lação entre retinopatia incipiente e gli-
cemia 2h pós-sobrecarga e HbA1c, que
similarmente não mostrou qualquer
valor de corte que pudesse separar os
indivíduos em relação ao risco de reti-
nopatia diabética.
Em outras palavras, esses dados suge-
rem de maneira bastante forte e consis-
tente, que parece não haver um valor
de corte de glicemia para retinopatia,
considerada como a mais específica
das complicações microvasculares rela-
cionadas ao diabetes, o que leva até ao
questionamento dos critérios atuais de
diagnóstico de diabetes, que foram esta-
belecidos baseado nesta premissa.
Ou seja, em meio a tantas verdades
transitórias, mais perguntas...
Ou como diria o músico Tom Zé: “...
Eu tô te explicando que é pra te con-
fundir, eu tô te confundindo que é pra
te esclarecer.” n
nificativa de pessoas com GJ abaixo do
valor de corte, estabelecido para o diag-
nóstico de diabetes.
A revista Lancet de março de 2008
traz um estudo, cujo objetivo foi rea-
valiar a acurácia deste valor de corte
de glicemia, para identificar indivídu-
os em risco de retinopatia. Para tanto,
avaliou a incidência e a prevalência de
retinopatia em três populações adultas,
multi-étnicas, originárias da Austrália e
Estados Unidos, utilizando-se o método
preconizado hoje, de múltiplas fotogra-
fias, incluindo no total mais de 11.000
indivíduos observados. O objetivo era
caracterizar a relação entre glicemia de
jejum e risco de retinopatia, identifican-
do o valor de corte mais preciso para
identificar pacientes de risco.
O resultado do estudo mostrou que
não foi possível identificar um valor de
corte que pudesse servir como limítro-
fe entre indivíduos com ou sem risco
para desenvolver retinopatia diabética.
O valor atual de 126 mg/dL apresen-
tou baixa sensibilidade, e especificidade
para diagnóstico de retinopatia, tendo
sido inclusive observado uma proporção
significativa de retinopatia em pacientes
não diabéticos. Enquanto nos estudos
anteriores acreditava-se que o acometi-
mento da retina era um evento raro em
indivíduos sem diabetes (2-4%), os da-
dos atuais, com metodologia mais preci-
sa, identificaram retinopatia em 7 a 13%
dos indivíduos com glicemia abaixo de
100 mg/dL, portanto um número até
cinco vezes maior. O dado subestimado
de retinopatia em indivíduos com glice-
mias mais baixas provavelmente aumen-
ACTOS
®
(Cloridrato de Pioglitazona). USO ADULTO. Frascos com 15 comprimidos. Cada comprimido contém Cloridrato de Pioglitazona 15 mg, 30 mg ou 45 mg. Excipientes q.s.p. (1 comprimido): Lactose monoidratada, hidroxipro-
pilcelulose, carboximetilcelulose cálcica e estearato de magnésio. Indicações: antidiabético oral utilizado como coadjuvante de dieta e exercícios para melhorar o controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus tipo 2; como
monoterapia e também para uso em combinação com sulfoniluréia, metformina, ou insulina. Contra-indicações: hipersensibilidade a pioglitazona ou a qualquer um de seus excipientes. Precauções e advertências: Não deve ser
utilizado em pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 1 ou para o tratamento de cetoacidose diabética. Em combinação com insulina ou agentes hipoglicemiantes orais há risco de hipoglicemia, podendo ser necessária a redução
do agente concomitante. Pacientes que estejam em período anovulatório pré-menopausa podem ter reinício da ovulação. A pioglitazona pode causar decréscimos na hemoglobina (de 2 a 4%) e hematócrito. Estudos clínicos observaram
o aparecimento de edema leve a moderado. Não está indicada em pacientes com insuficiência cardíaca classe III ou IV da NYHA. As elevações de TGP em pacientes tratados com cloridrato de pioglitazona foram reversíveis e não foram
relacionadas com a terapia com pioglitazona. Embora os dados clínicos disponíveis não mostrem nenhuma evidência de hepatotoxicidade ou elevações de TGP induzidas por pioglitazona, a mesma está estruturalmente relacionada com
a troglitazona. Recomenda-se que pacientes tratados com cloridrato de pioglitazona sejam submetidos a monitorações periódicas de enzimas hepáticas. A terapia com cloridrato de pioglitazona não deve ser iniciada se o paciente exibir
evidência clínica de doença hepática ativa ou níveis de TGP 2,5 vezes acima dos limites da normalidade. A pioglitazona não deve ser usada em pacientes que apresentaram icterícia durante o uso de troglitazona. Medidas de glicemia de
jejum e hemoglobina glicosilada (HbA1c) devem ser realizadas periodicamente para monitorar o controle glicêmico e a resposta terapêutica, bem como enzimas hepáticas. Pioglitazona deverá ser usada durante a gravidez somente se
os potenciais benefícios justificarem o risco potencial para o feto. Não deve ser administrada a mulheres durante o período de amamentação. O uso da pioglitazona não é recomendado para pacientes com menos de 18 anos de idade.
Nenhuma diferença significante na eficácia e segurança foi observada entre pacientes idosos. Interações medicamentosas: Devem ser adotadas precauções adicionais relativas à contracepção em pacientes que estejam recebendo
pioglitazona. Cetoconazol parece inibir significativamente o metabolismo da pioglitazona. Reações adversas: Eventos adversos relatados em estudos clínicos com frequência > 5%: infecção do trato respiratório superior, cefaléia,
sinusite, mialgia, altearções dentárias, diabetes melitus agravado, faringite. Hipoglicemia leve a moderada foi relatada durante a terapia combinada com sulfoniluréia ou insulina. Em estudos de monoterapia, edema foi registrado em
4,8%. Na combinação com insulina, o edema ocorreu em 15,3% dos pacientes. Posologia e modo de usar: Uma vez ao dia, independentemente da alimentação. A monoterapia com ACTOS
®
em pacientes sem controle adequado de
dieta e exercícios pode ser iniciada com 15 mg ou 30 mg uma vez ao dia. A dose pode ser aumentada até 45 mg uma vez ao dia (dose máxima diária recomendada). Em pacientes que não respondem adequadamente à monoterapia,
uma terapia combinada pode ser considerada. ACTOS
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deverá ser iniciado na dose de 15 a 30 mg ao dia. Se o paciente apresentar hipoglicemia na associação com sulfoniluréia, a dose desta deverá ser diminuída. Nos pacientes que
estejam recebendo ACTOS
®
e insulina, a dose de insulina pode ser diminuída em torno de 10 a 25% se o paciente apresentar hipoglicemia ou se as concentrações de glicose plasmática diminuírem para valores menores de 100 mg/dl.
Não é recomendado o ajuste de doses em pacientes com insuficiência renal. Superdosagem: deve ser iniciado tratamento de suporte adequado, de acordo com os sinais e sintomas do paciente. REG. MS.: 1.0553.0238. VENDA SOB
PRESCRIÇÃO MÉDICA. Fabricado por Takeda Chemical Industries, Ltd. - Osaka – Japão. Distribuído por: Abbott Laboratórios do Brasil Ltda. Informações adicionais: Diretoria Médica - Abbott Laboratórios do Brasil Ltda. Rua Michigan,
735 - Brooklin, São Paulo / SP - CEP: 04566-905. Abbott Center: 0800 7031050.
REFERÊNCIAS: 1. Schernthaner-G et al.Efficacy and safety of pioglitazone versus metformin in patients with type 2 diabetes mellitus: a double-blind, randomized trial. J Clin-Endocrinol-Metab, 89(12):6068-6076, 2004. 2. Betteridge,
DJ and Verges, B.Long-term effects on lipids and lipoproteins of pioglitazone versus gliclazide addition to metformin and pioglitazone versus metformin addition to sulphonylurea in the treatment of type 2 diabetes. Diabetologia,
48(12):2477-81, 2005. 3. Dormandy JA et al. Secondary prevention of macrovascular events in patients with type 2 diabetes in the PROactive Study (PROspective pioglitAzone Clinical Trial In macroVascular Events): a randomised
controlled trial. Lancet.;366:1279-89, 2005. 4. Erdmann E et al. The effect of pioglitazone on recurrent myocardial infarction in 2,445 patients with type 2 diabetes and previous myocardial infarction: results from the PROactive
(PROactive 05) Study. J Am Coll Cardiol,49(17):1781-2, 2007. 5. Wilcox R et al. Effects of pioglitazone in patients with type 2 diabetes with or without previous stroke: results from PROactive (PROspective pioglitAzone Clinical Trial
In macroVascular Events 04). Stroke, 38(3):865-73, 2007. 6. Miyazaki Y et al. Dose-response effect of pioglitazone on insulin sensitivity and insulin secretion in type 2 diabetes. Diabetes Care, 25:517–523, 2002. 7. Xiang, AH et al.
Effect of Pioglitazone on Pancreatic [beta]-Cell Function and Diabetes Risk in Hispanic Women With Prior Gestational Diabetes. Diabetes, 55(2): 517-522, 2006. 8. Miyazaki Y et al. Effect of pioglitazone on abdominal fat distribution
and insulin sensitivity in type 2 diabetic patients. J Clin Endocrinol Metab 87:2784–2791, 2002. 9. BASU, A et al. Effects of Pioglitazone Versus Glipizide on Body Fat Distribution, Body Water Content, and Hemodynamics in Type 2
Diabetes. Diabetes Care, 29(3):510–514, 2006.
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do níveis próximos da população em
geral. Os atendimentos de urgência ca-
íram em cerca de 80%. A importância
dessa experiência é o fato de ter se tor-
nado possível quantificar a eficácia da
Educação. Não se podia mais ter dúvidas
quanto a isso.
A partir dessa data, inúmeras experi-
ências foram desenvolvidas e a Educa-
ção de pacientes diabéticos evoluiu nas
décadas que se seguiram, tornando-se
o mais importante item no tratamento.
Nos mais recentes tratados, a Educação
encabeça a lista de itens do tratamento.
Os médicos deixaram de considerar o
paciente apenas “paciente”, transfor-
mando-o em parceiro.
No Brasil, desde 1950, encontramos
manifestações desse interesse. Foram
lançados livros, destinados ao públi-
co leigo, pelos Drs. Francisco Arduíno
(Conheça o seu Diabetes) e Procópio
do Valle (Viva em Paz com o seu Dia-
betes), ambos do Rio de Janeiro. Em
1956, foram fundadas, quase que ao
mesmo tempo, as Associações Carioca
de Diabéticos e Brasileira de Diabéticos
(São Paulo), cujos objetivos eram “pro-
A Educação em
Diabetes no Brasil
A Educação em Diabetes é uma das áreas que merecerá
especial atenção da nova diretoria da SBD. E dentro dessa
proposta está o Curso Educando Educadores, em parceira
com a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ).
Para você entender o crescimento deste segmento,
veja o artigo de autoria do Dr. Leão Zagury*.
O texto na íntegra está no site da SBD, www.diabetes.org.br.
Tabela 01 – Temas de Educação em Diabetes nos Congressos de Endocrinologia e Diabetes no período de 1972 a 1982
Ano Local Tipo de Trabalho Assunto Participantes
1972 Belo Horizonte Tema de Atualização Instrução da Criança Diabética Zagury, L.
1976 Salvador Discussão Informal Educação e Dieta Arduíno,F;Penna,R; Wolf,H; Maciel, L;
1980 Fortaleza Aula/Curso Paralelo Exercício, Instrução e Apoio ao Diabético Oliveira,R.C;
1982 São Paulo Mesa Redonda Colônia de Férias Faria,R; Vivolo,M.A; Sandrini,R; Neri,M.
Um Breve Histórico
A
história da Educação em Diabe-
tes se inicia, de fato, a partir de
1970, com a experiência pionei-
ra do Leona Miller County Hos-
pital. A observação de que, apesar dos
investimentos em pessoal e tecnologia,
a morbidade das pessoas com diabetes
permanecia cerca de cinco vezes maior
do que as que não tinham diabetes, le-
vou à instituição de um programa básico
de ensino, que teve como resultado a
redução do número de hospitalizações
nos dois anos que se seguiram, atingin-
Artigo
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teger, auxiliar e instruir às pessoas com
diabetes”. Essas Associações passaram a
patrocinar encontros para troca de in-
formações entre si.
Em 1969, foi organizada a primei-
ra Colônia de Férias para pacientes
diabéticos, iniciativa pioneira dos Drs.
Rogério de Oliveira e Francisco Ardu-
íno, com objetivos nitidamente educa-
cionais. Nessa época, a postura educa-
cional era apenas de transferência de
conhecimentos, não havendo acompa-
nhamento, muito menos avaliação das
informações adquiridas.
Os endocrinologistas brasileiros, as-
sociados à Sociedade Brasileira de En-
docrinologia e Metabologia (SBEM), já
organizavam seus congressos para dis-
cutir os principais temas relacionados
à especialidade. Nesses fóruns não era
dada à Educação qualquer espaço. Em
1971, influenciados pelos resultados do
Leona Miller County Hospital, organi-
zamos e coordenamos o primeiro curso
regular para pacientes diabéticos e seus
familiares do Ambulatório do Instituto
Estadual de Diabetes (IEDE), no Rio de
Janeiro, já com apoio didático da pro-
fessora Tania Zagury. Foi a primeira ati-
vidade educacional a nível institucional
no Brasil.
Os resultados dos primeiros cursos,
avaliados através de pré e pós testes,
foram apresentados, em Minas Gerais
(1972), como “tema livre” ao congresso
da SBEM. Para nossa surpresa, a Comis-
são Organizadora propôs que fossem
apresentados em um dos simpósios. A
receptividade ao tema foi absolutamen-
te fria e se poderia contar nos dedos os
presentes.
A SBD, fundada em 1970, separou os
congressos de Endocrinologia e Diabe-
tes, mas seguiu a mesma linha da socie-
dade-mãe, não privilegiando a Educa-
ção com melhores espaços.
Levantando os temas relacionados
com Educação de Pacientes Diabéticos
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1976 1978 1980 1982 1984 1986 2001
nos Congressos da SBEM, no período
de 1972 e 1982 (Tabela 1), pode-se ob-
servar que a Educação só ocupou um
espaço nobre no Simpósio, em 1972, do
qual participei com o tema “Instrução
da Criança Diabética” e, nos congres-
sos que se seguiram, o tema foi discu-
tido apenas informalmente, em mesa
redonda e em uma aula em um curso
paralelo.
Temas de Educação em Diabetes nos
Congressos de Endocrinologia e Diabe-
tes no período de 1972 a 1982. (Tabela 1)
Contabilizando os temas livres no
mesmo período, mostra que, nos cinco
Congressos realizados, foram apresen-
tados apenas quatro trabalhos como Te-
mas Livres (Tabela 2).
Analisando os trabalhos apresenta-
dos nos Congressos Brasileiros de 1976
a 1986 (Gráfico 1) e, separando-os em
grupos, observa-se nesse período nítido
predomínio da pesquisa Clínica e Básica
sobre temas de Educação em Diabetes,
o que expressa a visão tecnicista, que
predominava e seu conseqüente refle-
xo sobre a Comunidade de Saúde.
A partir de 1972, observou-se no país
um aumento do número de Associações
de Diabéticos, culminando com sua or-
ganização sob a forma de uma Federa-
ção, em 1986, que trazia como elemento
importante a questão da educação. Aos
poucos, chegou ao país informação so-
bre a importância dada a educação de
diabéticos no mundo.
Apoiados nas modificações que vi-
nham ocorrendo na comunidade acadê-
mica, nas Sociedades de Endocrinologia
e Diabetes, na melhora da compreen-
são do problema pelos especialistas e ao
fato de exercermos a vice-presidência da
SBD, e contando com o apoio do pre-
sidente do X Congresso Brasileiro de
Diabetes, Dr. Edgar D’Avila Niclewicz,
incluímos a Educação em um dos sim-
pósios, conseguindo espaço para tratar
Tabela 02 – Temas Livres nos Congressos de Endocrinologia e Diabetes no período de 1972 a 1982
Autor Ano Instituição N
o
Trabalhos
Teixeira,A.G.F. 1976 HPES 01
Sanches,C.T. 1978 INAMPS – Campinas 01
Oliveira,R.B.C. 1980 Hospital da Lagoa – RJ 01
Sotero,R. 1982 IPES – Sergipe 01
Gráfico 1 – Trabalhos apresentados nos Congressos de Endocrinologia e Diabetes ao
longo dos anos separados por categorias
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especificamente do assunto e garantin-
do melhor freqüência.
Assim foi possível discutir a impor-
tância da educação, propondo revisão
crítica da postura exclusivamente tec-
nicista, a incorporação de novas áreas
do conhecimento como a didática e
a comunicação, chamando a atenção
para o fato de que, desta forma, se po-
deria conseguir a adesão do paciente e
melhorar os resultados do tratamento.
Alertamos que a própria OMS recomen-
dava aos profissionais da área de saúde
desenvolver conhecimentos de técnicas
educacionais. Estabelecemos a diferen-
ça entre Instrução e Educação, conceito
até então desconhecido para a maioria
dos profissionais. A receptividade foi
enorme.
Nesse congresso foi lançado o livro
“Diabetes Sem Medo”, de nossa autoria,
destinado aos pacientes e seus familia-
res. Aderindo a essas idéias, colegas
mais jovens iniciaram a organização de
grupos interessados na Educação. Na
década de 90, a SBD, sob a presidên-
cia do Dr. Adolfo Milech, desenvolveu
um trabalho de esclarecimento sobre a
importância do tema, através de pales-
tras por todo o território nacional. Essa
atitude permitiu que a idéia ganhasse,
gradualmente, a adesão de outros espe-
cialistas.
O resultado do Censo Brasileiro de
Diabetes demonstrou a dimensão do
problema e induziu os especialistas à
conclusão de que seria necessário in-
cluir os clínicos gerais no tratamento do
diabetes, para atingir um número signi-
ficativo de pacientes. Esse fato conduziu
à parceria entre as Sociedades Científi-
cas e o Ministério da Saúde, culminan-
do na elaboração do Plano Nacional de
Prevenção e Controle do Diabetes e na
formação de um Comitê Assessor de
Diabetes do Ministério, que contribuí-
ram para mudar a visão da Educação de
Pacientes Diabéticos no país.
Foi também criado um Comitê de
Educação, que elaborou o manual
“Orientações Básicas para o Diabético”,
do qual fui o editor e que já distribuiu,
gratuitamente, cerca de 120.000 exem-
plares na rede hospitalar brasileira.
A receptividade foi enorme e a sur-
presa correu por conta de que o maior
número de solicitações foi de profissio-
nais da área de saúde. A valorização da
Educação conduziu a organização de
equipes multiprofissionais, ampliando
a força de trabalho educacional. A par-
tir daí, tornou-se obrigatório preparar
melhor esses profissionais.
Em junho de 1987, foi realizado I En-
contro Nacional de Educação em Diabe-
tes. A criação do Encontro Nacional de
Educação abriu espaço para uma visão
mais completa do ser humano “que se
tornara diabético”, de técnicas e ações
educacionais, estimulou a prática e a
pesquisa na área da educação.
Analisar a situação atual no Brasil
parece-me tarefa quase impossível, mas
através de alguns indicadores podemos
tentar chegar a algumas conclusões.
Tomando por base o Congresso de Dia-
betes de 2001, separando em grupos os
trabalhos inscritos e comparando com
o que foi apresentado anteriormente,
encontramos 54 trabalhos sobre Educa-
ção, 147 Clínicos, 11 sobre Pé Diabético
e 50 da Área Básica, o que demonstra a
mudança da visão exclusivamente tec-
nicista do problema e o crescimento da
produção de trabalhos na área educa-
cional (Gráfico 1). Atualmente, com os
congressos das associações de diabéticos
e as iniciativas regionais, esta produção
se tornou independente e não foi pos-
sível contabilizar.
RECONHECIMENTO INTERNACIONAL – A
educação de pessoas com diabetes atin-
giu nível internacional, pela primeira
vez, quando um prêmio internacional
foi concedido ao trabalho desenvolvido,
pelo Dr. Carlos Antônio Negrato, no X
Congresso da Associação Latino-Ameri-
cana de Diabetes (ALAD). No XII Con-
gresso dessa associação internacional,
concorrendo com 52 trabalhos latino-
americanos, dois dos nossos foram clas-
sificados entre os cinco primeiros: o do
Rio de Janeiro (Dr.Leão Zagury) e o do
Ceará (Dra. Adriana Costa e Forti).
No que diz respeito a material didá-
tico, a criatividade dos brasileiros pode
ser comprovada pela criação dos perso-
nagens Joãozinho e Aninha (diabetes
do tipo 1) e o Tio Julião (diabetes do
tipo 2), nas histórias em quadrinhos da
Dra. Claudia Pieper; o Super Mellitus da
Silva, do Centro de Diabetes e Hiperten-
são de Fortaleza; e as figuras cariocas do
Iedinho e Iedão, que ilustram o Manual
de Educação do Serviço de Diabetes do
IEDE.
A revista “Mais Saúde”, durante mui-
tos, anos editada pela SBD, era extrema-
mente importante pelo fato de tornar
mais informal a educação e oferecer
material confiável, não estando ligada a
qualquer instituição com fins lucrativos.
Com a versão online, mais pessoas passa-
ram a ter acesso e sem nenhum custo.
A produção de livros para pessoas
com diabetes também cresceu nos úl-
timos anos. Acabo de receber a comu-
nicação de que a equipe Proafidi, li-
derada pela Professora Jane Dullius da
Universidade de Brasilia, acaba de lan-
çar o “Diabetes Mellitus: Saúde, Educa-
ção, Atividades Físicas”.
Quando, presidi o 9º Encontro de
Educação em Diabetes, enfatizamos a
importância da didática para melhorar
a qualidade do ensino, através da reali-
zação de Curso de Didática para todos
os inscritos.
Nesse ano de 2008 a SBD fecha uma
parceria inédita com a ADJ e a SACA
(Regional da International Diabetes Fe-
deration na América do Sul e Central),
organizando o Curso de qualificação
de profissionais de saúde para Educa-
ção em Diabetes, que se ralizará em São
Paulo e disponibiliza 60 vagas para os
interessados (ver reportagem na pági-
na 14).
Posso, com segurança, concluir que o
país fez grandes progressos graças a en-
tidades e profissionais de saúde respon-
sáveis que estimulam a adesão dos seus
pacientes aos programas de tratamento
e que esses avanços são irreversíveis. n
(*) Dr. Leão Zagury – editor da Revista Diabetes e ex-
presidente da SBD. Ocupou o cargo de Chefe do Serviço de
Diabetes do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia
do Rio de Janeiro. Membro da Academia de Medicina do
Rio de Janeiro
A criação do Encontro
Nacional de Educação
abriu espaço para
uma visão mais
completa do ser
humano “que se
tornara diabético”
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ual o melhor momento e o tipo
ideal de transplante a ser indi-
cado para que a pessoa com
diabetes usufrua do potencial
benéfico dessa intervenção cirúrgica?
No Brasil, desde a primeira transplan-
tação de pâncreas (1998), realizada no
Rio de Janeiro, mais de 800 já foram
feitas. A maioria foi simultânea de pân-
creas e rim.
Segundo dados da Secretaria de Saú-
de de São Paulo, os transplantes de pân-
creas e rins em pessoas com diabetes
vêm resultando em uma sobrevida de
cerca de 83% dos pacientes, em 1 ano, e
77%, em 5 anos. Atualmente, no centro
da Unifesp/EPM, a espera média para
o transplante simultâneo de pâncreas
e rim é de 1,5 a 2 anos, enquanto que
para o de pâncreas após rim e pâncreas
isolado é inferior a seis meses.
De acordo como o Dr. João Roberto
de Sá, coordenador do Departamento
de Transplantes da SBD, o transplante
isolado de pâncreas melhora a qualida-
de de vida dos receptores e, em tese, de-
veria ser indicado para os pacientes com
dificuldade no controle glicêmico, com
ou sem hipoglicemias assintomáticas.
ATENÇÃO NA INDICAÇÃO – No entanto, o
especialista faz um alerta de que, em-
bora vários serviços indiquem esta mo-
dalidade de transplante para reverter
algumas complicações crônicas do dia-
betes, isso ainda não é totalmente com-
provado.
“Há também a suposição de que
essa intervenção aumente os anos de
vida do paciente, como já demonstra-
do no transplante de rim e de pâncreas/
rim. Entretanto, dados da literatura não
apontam esta vantagem, ou seja, ocorre
melhora na qualidade de vida, mas não
necessariamente aumento do tempo de
vida”, afirma o Dr. João Roberto.
A SBD preconiza a transplantação
isolada de pâncreas, principalmente
para pessoas com diabetes instável, com
hipoglicemia assintomática, mesmo que
esteja em tratamento insulínico institu-
ído por profissional com experiência.
Transplantes foi o tema escolhido para
o primeiro Simpósio de Atualização da
Sociedade, este ano.
DIVERSOS TIPOS – O Dr. João Rober-
to explica algumas peculiaridades dos
transplantes a que a pessoa com diabe-
tes pode ser submetida:
Transplante duplo de pâncreas e rim:
diabetes, com doença renal terminal,
em tratamento dialítico ou na iminên-
cia deste. O racional é que necessitará
de imunossupressão, devido ao trans-
plante de rim, e que o transplante de
pâncreas trará benefícios adicionais re-
lacionados ao controle glicêmico.
“Uma ótima opção, discutida no sim-
pósio, refere-se à opção do transplante
isolado de rim, com doador vivo relacio-
nado, que apresenta excelente sobrevi-
da para o paciente”, diz o especialista.
Transplante de pâncreas após rim: para
um paciente com diabetes, transplante
renal prévio estável e com dificuldade
no controle glicêmico. Os dados atuais
mostram melhora importante na quali-
dade de vida, possível benefício em rela-
ção a algumas das complicações crônicas
do diabetes, mas os dados em relação ao
aumento de anos de vida ganho são mo-
tivo de discórdia na literatura.
Transplante Isolado de Pâncreas: é a
modalidade menos realizada, com me-
lhora da qualidade de vida, benefício
em relação a algumas das complicações
crônicas da pessoa com diabetes, mas os
dados em relação ao aumento de anos
de vida ganho são motivo de discórdia
na literatura, ou seja, também não há
comprovação de que seja um transplan-
te “life saving”. n
Quando Indicar um Transplante
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criação de sistemas de maior qualidade
- com garantia de segurança, confiabili-
dade e privacidade da informação em
saúde. O resultado disso foi a criação da
Resolução CFM n˚ 1.639/02.
Atualmente, a legislação brasileira
sobre segurança dos softwares médi-
cos é assistida pela Resolução CFM n˚
1.821/07, que revogou a anterior (2002)
e deu novos parâmetros em direção à
certificação destes softwares. “Nessa nova
Resolução, evoluímos na questão de se-
gurança das informações, recuperação
de dados, confiabilidade e reprodução
dos dados informatizados”, esclarece o
Dr. Roberto D’Ávila, vice-presidente do
Conselho Federal de Medicina.
Ainda segundo o Dr. Roberto, é im-
Software Médico:
Por um
Senso
Comum
informações; facilidade para pesquisas
coletivas; segurança e legibilidade.
“O prontuário eletrônico veio pra fi-
car. Não é possível, hoje em dia, traba-
lhar sem ele e é preciso se adaptar. O
grande segredo de quem trabalha com
o sistema informatizado, hoje, é preser-
var a relação médico-paciente. O médi-
co precisa buscar um programa de fácil
manuseio, onde ele possa rapidamente
acrescentar os dados durante a consulta,
sem deixar de interagir com o pacien-
te como indivíduo”, afirma o Dr. Luís
Fernando Moraes, diretor do Conselho
Regional de Medicina do Rio de Janeiro
(Cremerj).
Com o objetivo de esclarecer o assun-
to, três especialistas - membros das en-
tidades envolvidas no desenvolvimento
da atual legislação que rege o prontuá-
rio eletrônico – foram ouvidos. São eles
os doutores Cláudio Giulliano, diretor
da Sociedade Brasileira de Informática
em Saúde (SBIS); Dr. Roberto D’Ávila,
vice-presidente do Conselho Federal de
Medicina; e o Dr. Luís Fernando Mo-
raes, diretor do Conselho Regional de
Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj).
LEIS PARA REGULAR E CERTIFICAR – Em
2002, segundo o Dr. Cláudio Giulliano
Alves da Costa, diretor da Sociedade Bra-
sileira de Informática em Saúde (SBIS),
a entidade resolveu, em parceria com o
Conselho Federal de Medicina (CFM),
iniciar uma discussão para viabilizar a Dr. Luís Fernando Moraes
Reportagem de Barbara Bezerra
É
inegável o papel da tecnologia no
dia-a-dia dos profissionais da área
de saúde. Dos prontuários em pa-
pel, passando pelos arquivos de
metal até chegar ao HD do computador
são quase 60 anos de busca incessante
pela segurança do sigilo médico.
Hoje, consultórios, clínicas, hospi-
tais, laboratórios e centros de diagnós-
tico usam softwares cada vez mais com-
plexos, adaptando-se à realidade e ao
volume de informações que necessitam
ser mantidas por longos períodos em
poder do médico.
ELE VEIO PARA FICAR – O prontuário é o
registro de informações coletadas pelos
profissionais de saúde junto ao pacien-
te. A sua versão eletrônica é definida
pela Informática Médica, sob a ótica dos
autores Blois e Shottliffe (1990), como
“um campo de rápido desenvolvimento
científico, que lida com armazenamen-
to, recuperação e uso da informação,
dados e conhecimentos biomédicos
para a resolução de problemas e toma-
da de decisões”.
Independente da definição do Pron-
tuário Eletrônico do Paciente (PEP), to-
das destacam o uso da informática como
forma de organizar e armazenar a infor-
mação contida no prontuário de papel.
Entre as vantagens do seu uso estão: agi-
lidade no atendimento; fácil acesso às
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portante ressaltar que a Resolução n˚
1.821 é fruto de uma parceria entre
várias entidades: “O CFM tem uma Câ-
mara Técnica de Informática em Saúde,
composta por representantes do SBIS,
AMB, Anvisa, Ministério da Saúde, ANS,
entre outros, que vêm trabalhando des-
de 2003 no assunto. Tanto esta resolu-
ção quanto o Manual de Certificação
para Sistemas de Registro Eletrônico
em Saúde são fruto desse trabalho em
conjunto”.
“Um profissional que tenha desenvol-
vido um sistema eletrônico de atendi-
mento para seu consultório, deve tomar
conhecimento da Resolução do Conse-
lho Federal de Medicina, que norma-
tiza a matéria. Para que o sistema seja
legalizado, o médico precisa adaptar seu
programa às normas previstas na resolu-
ção”, explica Moraes.
“Em linhas gerais, as resoluções de
2002 (1.638 e 1.639) sobre o prontuá-
rio eletrônico anexavam um manual de
normas técnicas e a de 2007 (1.821) já
aponta para uma certificação de softwa-
res”, esclarece o Dr. Luís Fernando Mo-
raes, diretor do Conselho Regional de
Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj).
A legislação que rege a questão médi-
ca tem um dogma, que é o sigilo médico.
Por isso, é fundamental que as normas
de segurança sejam respeitadas. Para o
Dr. Giulliano, a questão da segurança é,
sim, um dos pontos-chave dessa refor-
mulação: “Garantir que as informações
do paciente sejam mantidas sob sigilo,
com confiabilidade e privacidade, é fun-
damental e uma exigência ético-legal.
Além disso, os sistemas devem garantir
a disponibilidade dos dados sempre que
solicitados”, opina o especialista.
POR DENTRO DA NOVA LEI – A pressão do
mercado devido ao elevado número de
softwares para consultórios disponíveis,
a demanda por parte dos fornecedores
de soluções e o anseio por parte dos mé-
dicos foram os agentes catalizadores da
Resolução CFM n˚ 1.821/07, publicada
do Diário Oficial da União, em 23 de no-
vembro de 2007, Seção I, página 252.
Essa nova resolução tem como obje-
tivo aprovar as normas técnicas relacio-
nadas à digitalização e uso dos sistemas
informatizados para a guarda e manu-
seio dos documentos dos prontuários
eletrônicos dos pacientes, permitindo
o descarte do papel e a troca de infor-
mações identificadas em saúde.
Segundo o Dr. Giulliano, a SBIS e o
CFM reconheceram que o processo de
certificação das empresas de softwares
é muito complexo e o dividiram em fa-
ses evolutivas. A primeira delas foi uma
autodeclaração, na qual os desenvolve-
dores de sistemas verificam se eles aten-
dem mesmo, ou não, às determinações
do Manual de Certificação para Siste-
mas de Registro Eletrônico em Saúde.
“Essa foi uma etapa de educação e
amadurecimento. Hoje, mais de 70 de-
senvolvedores se declararam em con-
formidade. Tudo está publicado no
site da SBIS”, afirma o representante
da entidade.
Na segunda fase, a SBIS irá auditar o
sistema, submetendo-o a uma bateria de
testes para verificação das informações
dadas pelas empresas de softwares, em
adaptação ao Manual, com a participa-
ção de profissionais treinados e creden-
ciados pela entidade. “Atualmente, esta-
mos concluindo os últimos documentos
e, provavelmente, a fase 2 iniciará a sua
operação a partir de maio”, completa.
Há um grande interesse por parte
das empresas de softwares, que vêem na
Certificação uma oportunidade de me-
lhorar o seu sistema e torná-lo aderente
aos padrões nacionais e internacionais.
No entanto, é importante ressaltar que
a SBIS ainda não fiscalizou nem auditou
nenhum dos 70 sistemas listados no site
da entidade.
PARA ESCOLHER UM SISTEMA – Enquan-
to a certificação é “implementada” no
mercado, qual é a melhor forma de
optar por um sistema? Os programas,
hoje, têm uma vasta gama de recursos
para o usuário, desde a administração
de um consultório até a de um hospital
inteiro. As necessidades do dia-a-dia do
profissional ditam as características do
software a ser escolhido.
“Somente com o término da Fase 2 é
que, realmente, os sistemas serão audi-
tados e ganharão um selo de qualidade
SBIS-CFM. Com isso os médicos possui-
rão um parâmetro mais adequado para
escolher um bom sistema”, alerta o Dr.
Cláudio.
Enquanto não acontece essa adequa-
ção, o vice-presidente do CFM sugere
que os médicos utilizem, simultanea-
mente, o registro eletrônico e o papel:
“Esse procedimento deve ser feito es-
pecialmente em relação às prescrições
(com assinatura) e atentos à questão
legal, pois nenhum software atende ao
requisito de segurança máxima (NGS2),
obrigatório para o abandono definitivo
do papel”, ensina.
MÉDICOS X SOFTWARES – Para o Dr. Luís
Fernando, do Cremerj, a segurança
dos sistemas do prontuário eletrôni-
co, de uma certa maneira, protege os
médicos. “Hoje o profissional pode ser
questionado por um paciente sobre um
laudo equivocado e, se ele trabalha com
um prontuário eletrônico, o programa
pode ser periciado, sendo possível re-
capturar se realmente foram feitas ou
não alterações”, alerta o especialista.
Quanto à questão de se armazenar o
back up de informações eletrônicas, o
Dr. Luís Fernando afirma que isso deve
ser feito em local fora do consultório
ou da clínica do médico. Pode ser guar-
dado em outro computador, pen-drive
ou CDs. “Acho interessante o médico
ter uma versão de seu programa em
seu computador pessoal, pois facilitará
o acesso, sempre que precisar, inclusi-
ve em finais de semana ou em casos de
emergência, por exemplo”, sugere.
Na opinião do Dr. Roberto, os médi-
cos ainda não sabem a real dimensão das
transformações da era digital. “Quando
forem possuidores de um CRM digital,
para poder acessar todas as informações
de seus pacientes, registradas eletroni-
camente, aí sim, verão que o papel vai
se tornar obsoleto”, conclui.
Veja a íntegra das Resoluções do CFM
no site www.portalmedico.org.br
Dr. Cláudio Giulliano Alves da Costa,
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GALVUS
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vildagliptina - Formas farmacêuticas e apresentações – Comprimidos simples contendo 50 mg ou 100 mg de vildagliptina. Cada caixa contém 28 comprimidos simples. Indicações – GALVUS é indicado como adjuvante à dieta e ao exercício para melhorar o controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus
tipo 2. É indicado como monoterapia ou em combinação com cloridrato de metformina, sulfoniluréia, tiazolenediona ou insulina quando dieta, exercício e um único agente antidiabético não resultarem em um controle glicêmico adequado. Posologia – A dose usual é 50 mg ou 100 mg ao dia. GALVUS não é recomendado a
pacientes pediátricos. Contra-indicações – Hipersensibilidade à vildagliptina ou a qualquer um dos excipientes. Precauções/Advertências – GALVUS não deve ser usado em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 ou para o tratamento de cetoacidose diabética. Não é recomendado a pacientes com insuficiência hepática grave,
insuficiência renal grave ou a pacientes com doença renal em fase terminal em hemodiálise Não é recomendado a pacientes com problemas hereditários raros de intolerância a galactose, deficiência da lactase ou má absorção de glicose-galactose. Não deve ser utilizado durante a gravidez a menos que os benefícios justifiquem
os riscos potenciais ao feto. Não deve ser utilizado durante a lactação. Interações – A vildagliptina tem um baixo potencial para interações com fármacos. Não foi observada nenhuma interação de relevância clínica na co-administração da vildagliptina com outros antidiabéticos orais (glibenclamida, pioglitazona, cloridrato
de metformina), anlodipino, digoxina, ramipril, sinvastatina, valsartana ou varfarina. Reações adversas – Monoterapia – Comum: tontura, constipação, artralgia. Reações adversas adicionais em terapia combinada com cloridrato de metformina, sulfoniluréia ou tiazolenediona – Comum: nasofaringite, cefaléia, tremor, astenia.
Em terapia combinada com insulina – Muito comum: astenia. Comum: hipoglicemia, cefaléia, náusea, diarréia. USO ADULTO. VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. REG MS n° 1.0068.1050. Informações completas para prescrição disponíveis mediante solicitação ao Departamento Médico da Novartis.
GALVUS
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MET COMBI-PACK vildagliptina + cloridrato de metformina: Formas farmacêuticas e apresentações – Comprimidos simples de vildagliptina 50 mg + comprimidos revestidos de cloridrato de metformina 500 mg ou comprimidos revestidos de cloridrato de metformina 850 mg. Cada caixa
contém, respectivamente: 56 comprimidos simples + 56 comprimidos revestidos.Indicações – Como adjuvante à dieta e ao exercício para melhorar o controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 cuja glicemia não esteja adequadamente controlada com a monoterapia com cloridrato de
metformina ou vildagliptina ou que já estão em tratamento com a combinação livre de vildagliptina e cloridrato de metformina. Posologia – Não exceda a dose diária máxima de vildagliptina de 100 mg ao dia ou de cloridrato de metformina de 1.700 mg ao dia. Deve ser administrado com as refeições.
A dose inicial recomendada deve ser baseada no regime atual do paciente com vildagliptina e/ou cloridrato de metformina. A dose usual é de 50/500 mg ou 50/850 mg duas vezes ao dia (um comprimido de cada pela manhã e novamente à noite). Contra-indicações – Hipersensibilidade conhecida à
vildagliptina, ao cloridrato de metformina ou a qualquer um dos excipientes, doença renal ou disfunção renal, insuficiência cardíaca congestiva, acidose metabólica aguda ou crônica incluindo cetoacidose diabética com ou sem coma. Deve ser temporariamente descontinuado em pacientes que se
submeterão a estudos radiológicos envolvendo a administração intravascular de contrastes iodados. Precauções/Advertências – Não é recomendado a pacientes com problemas hereditários raros de intolerância a galactose, deficiência da lactose ou má absorção de glicose-galactose. Devido ao
risco de acidose lática, monitoramento da função renal e cautela com o uso concomitante de medicações que possam afetar a função renal ou a disponibilidade do cloridrato de metformina. Deve ser temporariamente descontinuado em pacientes que se submeterão a estudos radiológicos
envolvendo a administração intravascular de contrastes iodados, em casos de hipoxemia e em pacientes que se submeterão a procedimento cirúrgico. Deve-se evitar ingestão excessiva de álcool. Não é recomendado a pacientes com insuficiência renal moderada ou grave ou a pacientes
com doença renal em fase terminal em hemodiálise. Não é recomendado a pacientes com insuficiência hepática, incluindo pacientes com níveis pré-tratamento acima de 2,5 vezes o limite superior da normalidade para ALT ou AST. Testes de função hepática devem ser monitorados
durante o tratamento com GALVUS em intervalos de 3 meses durante o primeiro ano e depois periodicamente. Se um aumento de 3x ou mais o limite superior da normalidade da AST ou ALT persistir, é recomendado que se interrompa o tratamento com GALVUS MET
COMBI-PACK. Após a interrupção do tratamento com GALVUS MET COMBI-PACK e normalização dos testes de função hepática, o tratamento com GALVUS MET COMBI-PACK não deve ser reiniciado. Deve ser evitado em pacientes com evidências clínicas e
laboratoriais de doença hepática, risco de hipovitaminose B12¬. Não deve ser utilizado em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 cetoacidose diabética ou risco de hipoglicemia, e pode ser temporariamente suspenso em caso de perda do controle glicêmico.
Deve somente ser utilizado em pacientes idosos com função renal normal. Não é recomendado a pacientes pediátricos. Gravidez: não deve ser utilizado durante a gravidez a menos que os benefícios à mãe sejam superiores aos riscos potenciais ao feto.
Lactação: não deve ser utilizado durante a lactação. Interações – vildagliptina: baixo potencial para interações com fármacos, não foi observada nenhuma interação de relevância clínica com a co-administração da vildagliptina com outros antidiabéticos
orais (glibenclamida, pioglitazona, cloridrato de metformina), anlodipino, valsartana, ramipril, sinvastatina, digoxina ou varfarina. cloridrato de metformina: furosemida, nifedipino, fármacos catiônicos, fármacos com tendência a produzir hipoglicemia,
álcool. Reações adversas – Casos raros de angioedema e disfunção hepática (incluindo hepatite). vildagliptina em monoterapia – comum: tontura; incomum: constipação, cefaléia, edema periférico. cloridrato de metformina em
monoterapia – Muito comuns: náusea, vômito, diarréia, dor abdominal, perda de apetite. Comum: gosto metálico. Muito raras: diminuição da absorção de vitamina B12, acidose lática, anormalidades no teste da função hepática,
hepatite, reações cutâneas como eritema, prurido e urticária. Outros efeitos com a combinação de vildagliptina e cloridrato de metformina – comuns: cefaléia, tremor, vertigem. USO ADULTO. VENDA SOB
PRESCRIÇÃO MÉDICA. Reg. MS: 1.0068.1052. Informações completas para prescrição disponíveis mediante solicitação ao Departamento Médico da Novartis.
*Ahren B e cols. Diabetes Care 2004; 27(12): 2874-2879.
an_simples2 1/14/08 6:50 PM Page 1
A partir desta edição, a revista Diabetes pu-
blica uma nova coluna, onde serão aborda-
dos pontos duvidosos no dia-a-dia da pessoa
com diabetes. E o primeiro tema escolhido foi
o Aspartame, que já foi motivo de dúvidas en-
tre pacientes e profissionais de saúde. Afinal,
ele pode ou não ser prejudicial à saúde?
D
e acordo com a Dra. Celeste
Elvira Viggiano, membro do
Departamento de Nutrição da
SBD, coordenadora do curso de
Nutrição e diretora de Saúde da Uni-
versidade Municipal de São Caetano
do Sul, o Aspartame – sempre envolto
em polêmica e indefinição por conta de
informações duvidosas sobre possíveis
danos ao organismo – não apresenta
riscos à saúde. “O Aspartame tem sido
muito estudado em estudos em vitro e
em vivo e, até o momento, não há na co-
munidade científica nenhuma posição
contra seu uso nas quantidades indica-
das”, afirma.
A ingestão diária não deve ultrapassar
o limite de 40mg por quilo de peso. A
especialista esclarece que a dose não é
motivo para preocupação. “Como seu
poder adoçante é muito alto (200 ve-
zes maior do que o do açúcar), ele está
em pequena quantidade nos alimentos
e adoçantes, não havendo risco de ul-
trapassar a recomendação, mesmo em
crianças”, explica.
Ao longo dos 25 anos em que tem
exercido a prática clínica, a Dra. Celeste
não observou reações individuais de pa-
cientes ao uso, e nem mesmo encontrou
relatos na literatura científica sobre pos-
síveis contra-indicações à sua ingestão.
“O que ocorre é informação sensaciona-
lista da imprensa”, opina.
Uma das confusões em relação a esse
edulcorante foi iniciada em 2005, com a
divulgação de um estudo realizado pela
Fundação Européia de Oncologia e Ci-
ências Ambientais B. Ramazzini, em Bo-
lonha, na Itália, mostrando que o Aspar-
tame poderia levar ao desenvolvimento
de linfomas e leucemias em ratos. A
Anvisa (Agência Nacional de Vigilân-
cia Sanitária) prestou esclarecimentos
à população, afirmando que o receio se
daria pela presença do metanol na com-
posição do Aspartame.
O Aspartame é composto por dois
aminoácidos, L-fenilalanina e L-aspár-
tico, que são unidades formadoras de
cadeias de proteína. Esses aminoácidos
são metabolizados através de um proces-
so que é o mesmo em qualquer organis-
mo, de pessoas com diabetes ou não.
Enquanto os dois aminoácidos não
apresentam riscos para a saúde humana,
já que são encontrados em diversos ali-
mentos, uma dúvida que surge a partir
da composição do Aspartame relaciona-
se ao fato de que, ligando esses dois ami-
noácidos que o compõem, encontra-se
o metanol, um éster de metila, que pode
ser tóxico se analisado como substância
química isolada.
No entanto, conforme destaca a Anvi-
sa, o metanol também não se encontra
exclusivamente no Aspartame, apresen-
tando-se em altas doses em frutas cítri-
cas, por exemplo. Quando ingerido, ele
é metabolizado normalmente pelo orga-
nismo. E, segundo o órgão, mesmo que
uma pessoa consuma a dose diária máxi-
ma recomendada para o uso do edulco-
rante, o consumo de metanol permane-
ce 200 vezes inferior à dose considerada
tóxica ao ser humano. Existem grupos
que discordam, alertando para o que
classificam como efeitos da toxidade do
metanol no organismo.
O Aspartame é contra-indicado para
portadores da fenilcetonúria, uma do-
ença rara classificada como um erro ina-
to do organismo.
A Dra. Celeste destaca também uma
recomendação especial para gestantes,
como forma de prevenção: mulheres
grávidas não devem utiliza-lo, devido
ao risco de gerar uma criança com fe-
nilcetonúria. “Porém, nada comprova-
do, é uma medida de segurança”, desta-
ca, complementando que o Aspartame
pode ser substituído por qualquer outro
edulcorante.
“Todos que estão no mercado são
aprovados e podem substituí-lo, alguns
com acréscimo de sódio, como o cicla-
mato de sódio e a sacarina sódica. Outros
se prestam melhor a preparações culiná-
rias, porque resistem a altas temperatu-
ras, o que não ocorre com o edulcorante
em questão, que, em temperaturas acima
de 100 graus centígrados, perde o poder
de adoçar, progressivamente”. n
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Pode ou Não Pode?
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Aspartame
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Reportagem de Sandra Malafaia
C
orre (corria... porque agora va-
mos “colocar os pingos nos is”)
um boato na Endocrinologia de
que, para pagar a faculdade de
medicina, o Dr. Luiz Roberto Salgado
tocava piano à noite. Nesta entrevista à
coluna Bastidores, o especialista apro-
veita para dizer que isso não é verdade,
já que nasceu em família com recursos
para tal, e ainda afirma: “Meu amor pela
música é tão grande que, se precisar, até
pago para tocar!”.
Filho de instrumentista amador, o Dr.
Salgado nasceu em Santos (SP), na déca-
da de 50, quando a Bossa Nova ensaiava
seus primeiros passos. Aos 12 anos, co-
meçou a estudar acordeon, mas acabou
se encantando mesmo pelo piano, com
o qual ingressou no grupo Alternativa,
que possui mais três integrantes, todos
profissionais liberais.
“Me formei em medicina, em 1974,
e me apresentava com o grupo nos fins
de semana. Mas nunca deixei isso pre-
judicar meus estudos. Sempre fui bom
aluno”, declara o endocrinologista, que
costumava tocar MPB e jazz, em bailes
e festinhas, realizadas no Clube 15 e no
Tênis Clube de Santos.
O grupo Alternativa é tam-
bém bastante conhecido em
Ilhabela, litoral paulista, onde
o Dr. Salgado e seus amigos têm
casa de praia. “Uma vez, um pa-
ciente me viu tocando e falou,
espantado: doutor, o senhor
aqui?. Por isso, não bebo muito
e me apresento em lugares onde
possa ser visto por qualquer pes-
soa, sem problemas”, diz.
E acrescenta: “Ninguém é
uma coisa só. A pessoa é um
conjunto de emoções e acho que, quem
se envolve com música, é mais sensível,
é abençoado mesmo!”.
GANHA-PÃO – “Nunca toquei para ganhar
dinheiro. Aliás, como somos amadores,
até ficamos preocupados, mesmo quan-
do o evento é de apenas um dia, porque
tiramos o ganha-pão de alguém que vive
disso. É complicado...”, comenta.
Trabalhando, atualmente, como mé-
dico assistente do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Univer-
sidade de São Paulo, ele explica que o
fato de poder exercer sua arte nos tecla-
dos, também contribui, favoravelmente,
para a prática da profissão que resolveu
abraçar: “A música me deixa muito bem,
me acalma. E, estando bem, sou melhor
médico”, analisa.
E pelo sinal, a música do Dr. Salgado
também faz bem aos seus colegas. Nos
congressos de Endocrinologia, muitos
participantes já ficam na expectativa de
que haja um piano, no hotel onde es-
tão hospedados, para uma apresentação
do médico paulista. Um dos fãs do Dr.
Salgado é o Dr. Mauro Czepielewski, en-
docrinologista do Hospital de Clínicas
de Porto Alegre (RS), que trabalhou em
São Paulo, durante alguns anos, onde
conheceu o médico/músico.
“Além de ser uma pessoa humana
genial, o Salgado é um dos grandes co-
nhecedores da MPB e já nos propiciou
ótimos momentos, em vários eventos.
No congresso, que aconteceu em Salva-
dor (BA), ele ficou tocando no piano de
cauda do Othon Palace Hotel, durante
horas, para uma platéia de especialistas
nacionais e estrangeiros”, lembra.
CASA DE JAZZ – O Dr. Mauro conta ainda
que, certa vez, quando estavam em New
Orleans (EUA), o Dr. Salgado entrou
numa casa de jazz e logo ficou amigo
do pianista do lugar. “Quando vimos, já
estava ele lá, tocando o clássico do jazz
americano. Foi muito legal!”
O Dr. Salgado é também médico do
Tribunal de Contas do Estado de São
Paulo e tem consultório. “A música me
faz sublimar algo que possa me incomo-
dar, me relaxa. Mas trabalho no hospital
com o mesmo prazer que sinto em um
evento musical”, conclui. n
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INFORMAÇÕES PARA PRESCRIÇÃO MÉDICA - NOVORAPID®. Insulina asparte. Solução para injeção subcutânea. Forma farmacêutica e apresentações: NovoRapid Solução injetável 100 U/mL de análogo de insulina de ação rápida. NovoRapid® FlexPen®: Embalagem
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modo de usar: NovoRapid apresenta início de ação mais rápido e menor duração da ação do que a insulina humana solúvel. Devido ao início de ação mais rápido, NovoRapid geralmente deve ser administrado imediatamente antes da refeição. Quando necessário, NovoRapid
pode ser administrado logo após a refeição. A dosagem de NovoRapid é individual e determinada com base na orientação médica, de acordo com as necessidades do paciente. Normalmente, deverá ser utilizado em associação com uma insulina de ação intermediária
ou prolongada, administrada pelo menos uma vez por dia. A necessidade individual de insulina encontra-se normalmente entre 0,5 e 1,0 U/kg/dia, dos quais aproximadamente 2/3 é insulina relativa às refeições e 1/3 é insulina basal. Em pacientes com diabetes mellitus, o
controle metabólico otimizado retarda efetivamente o aparecimento e diminui a progressão das complicações tardias do diabetes. Portanto, recomenda-se o controle metabólico otimizado, incluindo monitoramento de glicose. NovoRapid é administrado por via subcutânea
na parede abdominal, na coxa, na região deltóide ou na região glútea. Os locais de injeção devem ser alternados dentro da mesma região. Quando injetado subcutaneamente na parede abdominal, o início da ação ocorrerá dentro de 10 a 20 minutos após a injeção. Portanto,
deve-se administrar uma refeição ou um lanche contendo carboidratos dentro de 10 minutos. O efeito máximo é constatado entre 1 e 3 horas após injeção e a duração é de 3 a 5 horas. Contra-indicações: NovoRapid não deve ser usado nos seguintes casos: hipoglicemia,
hipersensibilidade à insulina asparte ou a qualquer um de seus excipientes. Precauções e advertências: A dosagem inadequada ou a descontinuação do tratamento pode, especialmente no diabetes Tipo 1 (diabete mellitus dependente de insulina), causar hiperglicemia e
cetoacidose diabética. Usualmente, os primeiros sintomas de hiperglicemia ocorrem gradualmente, durante um período de horas ou dias. Os sintomas incluem náusea, vômito, sonolência, pele seca e rubor, boca seca, micção aumentada, sede e inapetência, como também
respiração com odor cetônico. Os eventos hiperglicêmicos não tratados são potencialmente letais. NovoRapid deve ser administrado imediatamente com a refeição. Portanto, deve ser considerado o aparecimento rápido da ação em pacientes com doenças ou medicação
concomitantes, em que se espera uma absorção retardada dos alimentos. Normalmente, as doenças concomitantes, especialmente as infecções, aumentam as necessidades de insulina do paciente. Insufciência renal ou hepática pode reduzir a necessidade de insulina
do paciente. A transferência de um paciente para um novo tipo ou marca de insulina deve ser realizada sob rígida supervisão médica. As alterações de concentração, marca, tipo, espécies (animal, humana, análogo da insulina humana) e/ou método de fabricação podem
resultar na mudança de dosagem. Pacientes que tomam NovoRapid podem requerer um maior número de injeções diárias ou mudança da dosagem usada com suas insulinas habituais. Caso seja necessário um ajuste de dose, este ajuste pode ocorrer na primeira dose ou
durante as primeiras semanas ou meses. Pacientes cujo controle glicêmico encontra-se melhorado, por exemplo, por terapia insulínica intensifcada, podem experimentar uma alteração em seus sintomas de alerta de hipoglicemia e devem ser tratados de acordo. A omissão
de uma refeição ou exercícios físicos não planejados e extenuantes podem causar hipoglicemia. Gravidez e lactação: A experiência clínica com NovoRapid na gravidez é limitada. Recomenda-se monitoria intensiva de mulheres portadoras de diabetes ao longo da gravidez,
ou quando houver intenção de engravidar. As necessidades de insulina normalmente declinam no primeiro trimestre, e subseqüentemente aumentam durante o segundo e terceiro trimestres. Não há restrições ao tratamento com NovoRapid durante a amamentação. O
tratamento com insulina de mães que amamentam não representa nenhum risco ao bebê. Entretanto, pode ser necessário ajustar a dosagem de NovoRapid. Interações medicamentosas: As seguintes substâncias podem reduzir as necessidades de insulina do paciente:
agentes hipoglicêmicos orais (AHOs), octreotídeo, inibidores da monoaminooxidase (IMAOs), agentes bloqueadores beta-adrenérgicos não-seletivos, inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA), salicilatos, álcool, esteróides anabólicos e sulfonamidas. As seguintes
substâncias podem aumentar as necessidades de insulina do paciente: contraceptivos orais, tiazidas, glicocorticóides, hormônios da tireóide, simpatomiméticos e danazol. Os agentes beta-bloqueadores podem mascarar os sintomas da hipoglicemia. O álcool pode intensifcar
e prolongar o efeito hipoglicemiante da insulina. Reações adversas: As principais reações adversas são: hipoglicemia, edema, anomalias de refração e hipersensibilidade local (vermelhidão, inchaço e coceira). VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. Registro MS: 1.1766.0016.
Farm. Resp.: Luciane M. H. Fernandes – CRF-PR 6002. DISK NOVO NORDISK 0800 144488. NovoRapid®, FlexPen®, Penfll®, NovoPen® 3 e NovoFine® são marcas de propriedade da Novo Nordisk A/S.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. Hermansen K. et al. Insulin Analogues (insulin Detemir and insulin Aspart) versus traditional human insulins (NPH insulin and regular human insulin) in basal-bolus therapy for patients with Type 1 diabetes. Diabetologia 2004; 47: 622–629.
2. Heller SR et al. Hypoglycaemia with insulin aspart: a double-blind, randomised, crossover trial in subjects with Type 1 diabetes. Diabet Med 2004; 21: 769-775. 3. Danne T et al. A Comparison of Postprandial and Preprandial Administration of Insulin Aspart in Children and
Adolescents With Type 1 Diabetes. Diabetes Care 2003; 26: 2359-2364.
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Bastidores
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Cristina Dissat
H
á pouco tempo atrás, interagir com a
tela de um computador era algo com-
plicado, estranho e gerava, inclusive,
muita insegurança nos internautas.
Preencher dados em sites ou dar informações
não fazia parte do dia-a-dia de quem navegava
pela web.
Só que isso mudou. Primeiro foram as en-
quetes, solicitando a participação do público,
depois os comentários, etc. Surge, então, o
termo Web 2.0 (não estranhe, a expressão
Web 1.0 não existiu mesmo), que significa
uma nova fase, onde a interação do usuário
com sites ou blogs é o centro das atenções.
Os internautas perderam o medo de manter
essa “conversa”.
Todo sistema de
cadastro está online e
cada associado passa
a ser responsável pelos
dados que a SBD possui
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Tecnologia e Interface
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Dentro desse contexto, os profissionais de saú-
de também passaram a olhar para a web com me-
nos desconfiança e a entenderem a importância
de manter um contato online mais próximo com
a sua entidade, por exemplo. Por este motivo, os
boletins eletrônicos (icontat) são tão bem aceitos,
com altos índices de leitura, assim como a parti-
cipação nos debates no site da SBD se tornaram
cada vez mais intensos.
Se a interatividade é o assunto do momento,
também é hora de contar com os associados da
SBD para que sejam, realmente, mais participati-
vos. Isso só trará benefícios ao crescimento da enti-
dade. Como? De várias formas. Manter seus dados
cadastrais sempre atualizados e pagar a anuidade
regularmente são dois itens fundamentais.
Vale lembrar que quase todas as Sociedades Mé-
dicas têm problemas em manter o cadastro de seus
sócios atualizado. Isso atrapalha a comunicação,
faz com que muitos não acompanhem a veloci-
dade das informações passadas. Como o processo
agora passa a ser responsabilidade de todos, fique
atento e colabore.

DIRETO NA WEB – Todo sistema de cadastro está
online e, após a finalização do processo, cada as-
sociado passa a ser responsável pelos dados que a
SBD possui. Qualquer alteração poderá – ou me-
lhor, deverá - ser feita, a partir de agora, direto no
site da SBD, em uma área específica para este fim.
Mudou de endereço? É só ir lá e alterar. Optou
por um novo e-mail? Simples. Entre na área, faça
a troca e continue recebendo todos os comunica-
dos da SBD, sem nenhum transtorno. Aliás, este
item deve ter atenção especial, já que é grande o
índice de erros de digitação no cadastro de asso-
ciados. Muita calma nessa hora: digite devagar e
confira no final, pois uma letra trocada significa
email errado.
Os boletos de pagamentos das anuidades tam-
bém serão gerados nesta área, inclusive com os
códigos de barras, para que o pagamento possa
ser feito online (para quem prefere não enfrentar
filas nos bancos).
ENTENDA O FUNCIONAMENTO – Para entrar na área
de cadastramento, o sócio da SBD precisa ter login
e senha, preenchidos nos campos determinados.
Os logins e senhas foram distribuídos por e-mail,
porém alguns estão sendo encaminhados pelo cor-
reio, devido ao número de associados que ainda
não forneceu este dado.
Para facilitar a memorização, foi adotado um
padrão onde o e-mail do associado é o login e a
senha será o que estiver antes do @. Por exemplo,
se o login for ‘fulano@provedor.com.br’, a senha
será ‘fulano’. Após o primeiro login, o associado
poderá alterar esses dados para outros que sejam
de sua preferência.
No caso do associado esquecer a senha, mas
souber qual é o e-mail de login, basta clicar no
link “Perdi a senha”. Uma mensagem com a senha
esquecida será enviada para o e-mail cadastrado.
Caso o associado não saiba ou não tenha e-mail
cadastrado, terá que entrar em contato com a
secretaria da SBD, por telefone ou usando o for-
mulário disponível no link “Não sabe qual é o seu
Login?”.
Após se “logar”, o associado passa a ter acesso
aos seus dados cadastrais e poderá fazer alterações,
sempre que necessário. Qualquer mudança será
imediatamente incorporada ao sistema e de total
responsabilidade do associado. Isso agilizará o con-
tato da SBD com os associados registrados no ban-
co de dados, com todo o seu banco de dados. O só-
cio poderá alterar os dados pessoais, como nome,
endereço, telefone e e-mail, além de incluir dados
sobre sua formação, especialidade, área de inte-
resse, participação nos Departamentos da SBD. O
sócio, caso tenha um site pessoal, poderá também
incluir essa informação no cadastramento.
Outra funcionalidade incluída na área restrita
aos sócios é a possibilidade de gerar o boleto ban-
cário para o pagamento da anuidade. O procedi-
mento é tão semelhante às compras realizadas pela
internet (ecommerce), que o ícone de compra/
finalização utilizado é o carrinho de compras.
Para a segurança dos associados, a SBD optou
pelo sistema PagSeguro, desenvolvido pela UOL,
empresa renomada na internet. O sistema já é uti-
lizado por centenas de empresas brasileiras.
Depois das explicações de todos os detalhes, é
só se conectar e colaborar com a SBD, mantendo,
sempre, seus dados cadastrais em dia. n
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Comunicados da SBD
Cadastro
Atualizado
S
e você é sócio da SBD, atualize
seus dados cadastrais e conti-
nue tendo acesso aos benefí-
cios. Eles incluem desconto nos con-
gressos da entidade e na assinatura
da revista Arquivos Brasileiros de En-
docrinologia & Metabologia, além de
acesso às publicações da SBD, en-
tre elas a Revista Diabetes, que são
enviadas sem ônus pelo correio. As
publicações permitem você ficar por
dentro dos posicionamentos oficiais
da SBD e suas diretrizes. Além disso,
você recebe, também, comunicados
através do boletim especial do site e
publicações por e-mail. Um dos be-
nefícios mais recentes é o acesso à
revistas científicas online, somente
para sócios em dia com a anuidade.
O vencimento do boleto da anuidade
para sócios da SBD será no final de
abril. A secretaria da SBD lembra que,
as inscrições de novos sócios podem
ser realizadas no site da sociedade
(www.diabetes.org.br), em qualquer
período. n
Simpósios da SBD
Manual de
Nutrição Online
O
Departamento de Nutrição da
SBD encerrou a publicação do Ma-
nual para Profissionais de Saúde
e Público. São sete capítulos, que estão
disponíveis no site da SBD, na área de
Alimentação e Nutrição. Eles são alguns
dos documentos com maior número de
downloads do site. n
Projetos da
Nova Diretoria
N
o dia 1º de janeiro, a Dra. Marília
de Brito Gomes assumiu a presi-
dência da SBD. Durante sua ges-
tão (2008/2009), ela espera uma parti-
cipação efetiva de todos os sócios. Uma
das principais propostas da gestão da
Dra. Marília é o Estudo Multicêntrico
de Diabetes Tipo 1. Na área de forma-
ção de educadores em diabetes e con-
tato com o público, está em andamento
um trabalho conjunto com os Depar-
tamentos de Nutrição e Enfermagem.
Estão sendo planejados cursos itineran-
tes, a partir de uma experiência a ser
realizada na Regional da SBD no Rio
de Janeiro.
Entre os lançamentos previstos para
2008, está a revista científica eletrôni-
ca da SBD. Ela está sendo coordenada
pelo Dr. Daniel Gianella e foi realizado
um levantamento sobre o comitê edito-
rial e científico. Os convites estão sendo
preparados e, segundo a Dra. Marília,
devem ser publicados cerca de 20 tra-
balhos. A comunidade científica é con-
vidada a participar. Espera-se lançar o
projeto em setembro. n
O
s quatro simpósios de 2008 estão
com data, tema e programação
definidos. O primeiro acontece
em São Paulo, no dia 29 de março, en-
focando “Atualização dos Transplantes
em Pacientes Diabéticos no Brasil”. No
dia 26 de abril, a cidade que recebe-
rá o evento é Salvador (BA), onde se-
rão abordadas “Situações Especiais das
Pessoas com Diabetes”. No segundo
semestre, as atividades continuam. No
dia 16 de agosto, no Rio de Janeiro, se-
rão discutidas “Novas Perspectivas Te-
rapêuticas para o Paciente Diabético”.
Este simpósio acontecerá em conjunto
com o Primeiro Encontro de Diabetes
da Regional Rio de Janeiro. O ciclo dos
simpósios será encerrado no dia 26 de
outubro, em Curitiba, abordando “O
Paciente com Diabetes Tipo 1”. n
SBD e Editora Lua
C
irculou no mês de fevereiro
a primeira edição da revis-
ta Diabéticos com o selo da
Sociedade Brasileira de Diabetes. A
publicação está nas bancas e conta
com diversos consultores indicados
pela diretoria da entidade. n
Revistas
Científicas
E
m breve, os sócios da SBD, com
suas anuidades quitadas, terão dis-
ponível o conteúdo completo de
seis publicações científicas internacio-
nais. Elas estarão no site da SBD e são as
seguintes: Annals of Internal Medicine,
Circulation, Diabetes, Diabetes Care,
European Journal of Clinical Nutrition,
Hypertension.
O acesso às revistas será muito sim-
ples. No site da SBD, os sócios encon-
trarão uma página, onde devem digitar
um login e uma senha de acesso. Após
essa etapa, encontrarão uma segunda
página com a listagem dos periódicos.
Basta clicar no link de uma das publica-
ções para ter acesso ao seu conteúdo e
ler as últimas novidades científicas em
primeira mão. n
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Pelo Mundo
Diabetes no
Pacífico Ocidental
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ellington, na Nova Zelândia, se-
diará o 7
th
International Diabe-
tes Federation Western Pacific
Region Congress. O evento ocorre de
30 de março a 3 de abril, com comis-
são científica presidida pelo Dr. Russell
Scott. Na ocasião, especialistas do mun-
do inteiro irão abordar a problemática
do diabetes no Pacífico Ocidental.
Epidemiologia, genética e fatores am-
bientais, nutrição e indústria alimentar,
educação, novas tecnologias, preven-
ção do diabetes e da obesidade, ativida-
de física, formação de profissionais de
saúde, retinopatia, risco cardiovascular,
entre outros, serão os temas abordados
no congresso. n
Pé Diabético
M
édicos, cirurgiões, ortopedistas,
enfermeiros e especialistas interes-
sados em discutir sobre Pé Diabéti-
co estarão reunidos, de 14 a 16 de maio,
no 12th Malvern Diabetic Foot Conferen-
ce. O evento será realizado no Malvern
Theatres Complex, no Reino Unido, sob
a presidência dos renomados professores
Andrew Boulton e Gerry Rayman.
Reduzir amputações, prevenção de
úlceras e infecções estão entre os as-
suntos a serem abordados no evento,
que contará ainda com uma série de
workshops. Entre palestrantes, estarão
os doutores Larry Lavery (EUA), Lyn-
ne Tudhope (África do Sul), Alistair
Emslie-Smith (UK), Peter Cavanagh
(EUA), Kshitij Shankhdhar (Índia) e
Anita Williams (UK). n
ADA 2008
O
próximo encontro anual da
American Diabetes Association
(ADA), o 68
th
Scientific Sessions,
será realizado de 6 a 10 de junho, em
São Francisco, nos Estados Unidos.
Voltado a endocrinologistas, cientis-
tas, enfermeiros, nutricionistas, far-
macêuticos, psicólogos e todos os
profissionais de saúde que lidam com
o diabetes, o evento está a cargo do
especialista norte-americano Harold
E. Lebovitz.
Analisar as últimas pesquisas rela-
cionadas a complicações microvascu-
lares no diabetes, incluindo nefropatia,
doença arterial periférica e neuropatia;
descrever questões comportamentais
relacionadas ao aumento de peso e
da obesidade e as implicações para a
prática clínica; avaliar a evolução dos
estudos genéticos e a as últimas des-
cobertas na área de transplantes são
alguns dos objetivos do ADA 2008.
Um dos destaques do evento é o
“Interest Group Discussion Sessions”,
que proporciona o debate entre es-
pecialistas com interesses mútuos em
áreas, como Medicina Comportamen-
tal e Psicologia; Imunologia e Trans-
plantes; Diabetes na Juventude; Com-
plicações; Educação; Epidemiologia e
Estatística; Gravidez e outras.
Simpósios, palestras e apresenta-
ção de pôsteres também fazem par-
te da extensa programação do ADA
2008. n
D
e 25 a 27 de setembro, em Karlo-
vy Vary – República Checa, acon-
tece o Central European Con-
gress on Obesity: From Nutrition
to Metabolic Syndrome (Cecon 2008).
O evento tem co-presidência dos espe-
cialistas Marie Kunešová e Jan Kopecký.
Segundo a organização do congresso,
a idéia da reunião partiu de um grupo
informal de médicos e cientistas, de vá-
rios países da Europa Central, devido
à crescente prevalência da obesidade e
de distúrbios associados a ela nos países
daquela região.
O programa do evento inclui preven-
ção da obesidade, epidemiologia e in-
vestigação básica com ênfase no papel
da nutrição. n
Obesidade na Europa Central
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Brasileiro de Tireóide
Pelo Brasil
Atualização
no Tratamento
O
2º Curso de Atualização no Tra-
tamento do Diabetes acontece,
nos dias 17 e 18 de maio, no
Windsor Barra Hotel & Congressos
(Rio de Janeiro). A coordenação é
dos doutores Leão Zagury e Roberto
Luís Zagury.
A relação custo-benefício na pres-
crição; tratamento precoce; atualidade
de antigas drogas; uso de silfoniluréias
em gestantes; os novos conceitos fi-
siopatológicos; como avaliar e tratar
inflamação vascular; tratamento da
obesidade na pessoa com diabetes;
controle do diabetes em tempo real;
e aterosclerose são alguns dos temas
a serem abordados no evento.
Diferente da edição anterior, esse
segundo curso inclui um módulo so-
bre o tratamento de problemas as-
sociados ao diabetes: depressão,
esteatose hepática e transtornos ali-
mentares.
“Em 2008, o curso será realizado
sob a forma de imersão, isto é, con-
centrando informações num curto es-
paço de tempo. E terá como objetivo
oferecer conhecimentos que possibi-
litem a intervenção na história natural
do diabetes, utilizando os mais re-
centes conceitos e discutindo ações
correspondentes”, afirma o Dr. Leão
Zagury. n
A
13ª edição do Encontro Brasileiro
de Tireóide (EBT), presidido pela
Dra. Laura Ward, acontece entre
os dias 22 e 25 de maio, na cidade de
Campinas, em São Paulo.
Entre os temas a serem discutidos no
evento estão: Fisiologia da Célula Tiroi-
diana, Mecanismos de Ação e de Con-
trole Hormonal, Doenças Autoimunes da
Tiróide - Diagnóstico, Tratamento e Fisio-
patologia; Disfunções Tiroidianas: Hipo e
Hipertiroidismo - Diagnóstico, Tratamen-
to e Fisiopatologia; Nódulos Tiroidianos e
Câncer da Tiróide: Novas Diretrizes.
“Seguiremos a tradição dos encontros
passados, dando destaque a temas na-
cionais e aos resultados das pesquisas
realizadas no Brasil, particularmente pe-
los mais jovens e promissores pesquisa-
dores”, explica a presidente.
Segundo a programação do XIII EBT
- que neste ano realiza-se no The Royal
Palm Plaza Resort –, no último dia do
evento acontece a entrega do Prêmio Jo-
vem Investigador. Os doutores Anthony
Hollenberg, dos Estados Unidos e Ro-
sella Elisei, da Itália, são alguns dos con-
vidados internacionais. n
O
EndoRecife deste ano será realiza-
do em novo local: no Enotel Por-
to de Galinhas Resort & Spa, na
praia de Porto de Galinhas. O evento,
promovido pela Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia – Regio-
nal Pernambuco (SBEM-PE), está em
sua 11ª edição e acontece de 26 a 28
de junho, sob a presidência do Dr. Ruy
Lyra.
Segundo o Dr. Ruy, o Endo2008 tem
como característica contemplar, tanto
a densa atividade científica, de conte-
údo clínico e abrangente, quanto os
momentos de lazer e confraternização
entre colegas vindos de todas as partes
do Brasil.
Controvérsias em Doenças Tiroidia-
nas; Tumores Hipofisários; Puberdade
Precoce; Diabetes e Doença Cardiovas-
cular; Perspectivas no Tratamento da
Antiobesidade; Novidades no Tratamen-
to do Diabetes; Cirurgia Bariátrica – In-
dicações; Controvérsias no Manuseio da
Acromegalia; e Da Prevenção ao Trata-
mento das Doenças Metabólicas são al-
guns dos temas a serem abordados no
evento. n
EndoRecife em Novo Local
Dra. Laura Ward
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CODDHI 2008
A
cidade de São Paulo recebeu o
CODDHI 2008 (Controvérsias
em Obesidade, Diabetes, Dislipi-
demias e Hipertensão), entre os dias 14
e 15 de março.
Coordenado pelos doutores Marília
de Brito Gomes, presidente da SBD, e
Luiz Turatti, o evento teve como temas
centrais: Diabetes e Incretinas, Tratando
os Múltiplos Fatores de Risco Cardiome-
tabólicos do Paciente Diabético, Investi-
gando e Tratando a Hipertensão Arterial
em Situações Especiais e Estratificando o
Risco Cardiovascular na Prática Clínica.
“Foram abordados temas relevantes,
relacionados desde a investigação para
o diagnóstico das referidas patologias até
a terapêutica mais adequada. O mote foi
sempre um debate entre especialistas e
pesquisadores”, explica a Dra. Marília,
presidente da SBD - gestão 2008/2009.
O evento contou com o apoio da SBD
e da Sociedade Brasileira de Endocrino-
logia e Metabologia (SBEM-SP), SBH e
SBCM. n
C
om a participação de 75 acam-
pantes, de 9 a 15 anos de idade,
o Acampamento Nosso Recanto,
sob a coordenação geral do Dr. Marco
Antônio Vívolo, aconteceu entre os dias
27 de janeiro e 1º. de fevereiro, em Sa-
pucaí-Mirim, Minas Gerais.
Uma equipe multidisciplinar – for-
mada por médicos, enfermeiras, nutri-
cionistas, psicólogos, além dos monito-
res do NR – acompanhou 24 horas por
dia a garotada, que realizou atividades
de gincana, oficinas de marcenaria e
jornal-mural, banhos de piscina, teatro
e jogos.
Para o Dr. Marco Antônio Vívolo, que
coordena o acampamento junto com a
Dra. Sandra Vívolo, a cada ano todos
aprendem um pouco mais. São 28 edi-
ções da atividade e dessa temporada fi-
cou o espírito de equipe e colaboração.
“Aprendemos com os novos profissio-
nais que vêm para o NR”, constata.
Pelo quarto ano consecutivo, a reda-
ção da SBD fez a cobertura do evento,
que, pela primeira vez, também contou
com a participação das crianças e ado-
lescentes como repórteres. n
Curso em São Paulo
J
á estão esgo-
tadas as vagas
para o 10º Cur-
so Avançado em
Tratamento do Dia-
betes. O evento vai
acontecer de 1 a 3 de
maio no Hotel Gran
Meliá Mofarrej, em
São Paulo, SP, e contará com a partici-
pação de 800 endocrinologistas clínicos
e diabetologistas.
Sob a coordenação do Dr. Antonio
Roberto Chacra, o curso aborda os
tradicionais e novos tratamentos para
o diabetes, além de trazer convidados
internacionais e enfatizar as discussões
interativas.
Mais informações devem ser solici-
tadas à Meeting Eventos pelo tel. (11)
3849-0379. n
Diabetes
Weekend
D
e 7 a 9 de março realizou-se a
18ª edição do Diabetes We-
ekend, acampamento de final
de semana para pessoas com diabe-
tes, sob a coordenação do Dr. Levimar
Rocha.
O primeiro dos três encontros de
2008 aconteceu na cidade de Oliveira,
a 160 quilômetros da capital mineira.
Pela primeira vez em 10 anos houve
uma edição especialmente voltada ao
público adolescente, cujo tema central
foi juventude e diabetes.
Cada Diabetes Weekend, em 2008,
conta com vagas para 100 acampan-
tes, que serão supervisionados por
uma equipe de 20 profissionais das
áreas de saúde e educação física.
Para participar das próximas edi-
ções, entre em contato pelo tel. (31)
8877-0077. As inscrições estão aber-
tas e podem ser feitas no site oficial
do Diabetes Weekend: www.diabetes.
med.br n
Debate
sobre
Diabetes
em Porto
Alegre
S
ob a presidência do Dr. Jorge
Gross, será realizada, nos dias
12 e 13 de abril, a quinta edição
do Diabetesul. O evento acontece no
Centro de Eventos do Hotel Plaza São
Rafael, em Porto Alegre (RS).
Tendo como tema central Diabe-
tes: Análise Crítica, o evento é vol-
tado a diabetólogos, cardiologistas,
clínicos gerais, endocrinologistas e
geriatras. n
Acampamento ADJ/Unifesp
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Agenda
Fevereiro
XIV Simpósio Internacional de
Neuroendocrinologia (SINE)
| Data: 29/02 a 02/03
| Local: Rio de Janeiro, RJ
| Informações: http://www.jz.com.br/
| congressos/2008/sine/pt/;
| tel.: (21) 2266-9175
Março
Diabetes Weekend
| Data: 7 a 9
| Local: Oliveira, Minas Gerais
| Informações: www.diabetes.med.br;
| tel.: (31) 8877-0077
CODDHI 2008 – Controvérsias em
Obesidade, Diabetes, Dislipidemias e
Hipertensão
| Data: 14 e 15
| Local: São Paulo, SP
| Informações: www.growup-eventos.com.br/;
| tel.: (11) 3044-1339/3849-0099;
| e-mail: growp@growp-eventos.
| com.br
Simpósio da SBD - Transplantes no
Paciente Portador de Diabetes
| Data: 29
| Local: São Paulo, SP
| Informações: E-mail: secretaria@diabetes.
| org.br

7
th
International Diabetes Federation
Western Pacific Region Congress
| Data: 30/03 a 03/04
| Local: Wellington, Nova Zelândia
| Informações: http://www.idfwpr2008.org/;
| e-mail: congress@diabetes.org.nz;
| tel. : +64 4 473-8442
Abril
Fórum de Síndrome Metabólica
| Data: 4 e 5
| Local: Fortaleza, CE
| Informações: (11) 3044-1339
Curso de Insulinoterapia
| Data: 7
| Local: São Paulo, SP
| Informações: (11) 3069-6293/7694
| (com Rosana)
DiabeteSul 2008
| Data: 12 e 13
| Local: Porto Alegre, RS
| Informações: www.vjs.com.br/
| diabetesul2008; e-mail: eg@
| growup-eventos.com.br;
| tel.: (51) 3330-1134
Maio
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th
Malvern Diabetic Foot Conference
| Data: 14 a 16
| Local: Malvern, Reino Unido
| Informações: http://www.malverndiabetic
| foot.org/;
| e-mail: jamess@ccl-live.com;
| tel.: + 44 (0)1491-419800
2º Curso de Atualização no
Tratamento do Diabetes
| Data: 17 e 18
| Local: Rio de Janeiro, RJ
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| Informações: acfarmaceutica@
| acfarmaceutica.com.br;
| tel.: (11) 5641-1870
13º Encontro Brasileiro de Tireóide (EBT)
| Data: 22 a 25
| Local: Campinas, SP
| Informações: www.eventus.com.br/ebt;
| e-mail: eventus@eventus.com.br;
| tel.: (11) 3361-3056
Simpósio da SBD - Situações
Especiais no Diabetes
| Data: 26
| Local: Salvador, BA
| Informações: secretaria@diabetes.org.br
Diacor Nordeste
| Data: 26 e 27
| Local: Recife, PE
| Informações: Tel.: (11) 3044-1339/
| 3849-0099
VII Simpósio Brasileiro sobre
Síndrome Metabólica
| Data: 30 e 31
| Local: Curitiba, PR - Estação Embratel
| Convention Center
| Informações: Tel.: (41) 3022-1247; e-mail:
| heloisa@ekipedeeventos.com.br
Junho
ADA 2008 - 68
th
Scientific Sessions
| Data: 6 a 10
| Local: São Francisco, EUA
| Informações: http://professional.
| diabetes.org/Congress_Display.
| aspx?TYP=9&CID=58000;
| e-mail: ada@wyndhamjade.com
EndoRecife 2008
| Data: 26 a 28
| Local: Enotel Porto de Galinhas Resort
| & SPA, Porto de Galinhas, PE
| Informações: http://www.
| endocrinologiape.com.br,
| tel.: (81) 3423-1300,
e-mail: secretaria1@assessor-pe.com.br
Julho
Endosul 2008
| Data: 10 a 12
| Local: Florianópolis, SC
| Informações: http://www.endosul2008.
| com.br/;
| tel.: (48) 3322-1021
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