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Programa de Pós-Graduação em Administração

GOVERNANÇA CORPORATIVA, INSTITUCIONALISMO E DESEMPENHO ECONÔMICO

TEXTO SOBRE GOVERNANÇA CORPORATIVA EM EMPRESAS BRASILEIRAS

Fernando Horta Latini

Avaliação Substitutiva da disciplina Governança Corporativa do Mestrado Profissional em

Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito do processo de avaliação final.

Professora: Patrícia Bernardes

Belo Horizonte Março de 2007

principalmente a seção 302 que determina que Diretores Executivos e Diretores Financeiros devem declarar pessoalmente que são responsáveis pelos controles e procedimentos de divulgação e a seção 404 que determina uma avaliação anual dos controles e procedimentos internos para a emissão de relatórios financeiros. por conseqüência incentivando o retorno a bolsa de valores. haja vista que a lei tem regras rígidas de governança corporativa. através da implementação de novas diretrizes. Este texto tem como objetivo. restaurando assim a confiabilidade das demonstrações contábeis e financeiras. no qual a gestão de uma companhia estaria efetivamente separada de sua fiscalização. diretoria. principalmente após a promulgação da Lei Sarbannes Oxley (SOX).1 Governança Coorporativa e sistema de gestão integrada – ERP Resumo Atualmente várias são as empresas que possuem sistemas de gestão integrada. pesquisar como área de Tecnologia da Informação vem abordando este assunto a fim de auxiliar as empresas neste processo de gestão de controles internos. Introdução A lei Sarbannes Oxley aumenta o grau de responsabilidade desde o presidente. dentre elas a obrigatoriedade de rígidos controles internos e de um comitê de auditoria independente. auditoria e os próprios gestores internos. os sistemas ERP´s poderiam contribuir para a implementação das seções desta lei. onde o principal objetivo é dar transparência e confiabilidade aos números apresentados pelas empresas ao mercado e cuja forma de garantir a aplicação foi à determinação de severas punições contra fraudes empresariais e fornecendo maior independência aos órgãos de auditoria. A lei procura coibir a conduta antiética de administradores e auditores. e destas algumas possuem práticas de Governança Corporativa já adotadas em seus processos internos. Neste novo ambiente corporativo. os chamados ERP. .

utilizando o exemplo mencionado. pretende-se apenas iniciar uma pesquisa exploratória sobre o que está sendo desenvolvido a este respeito. já estão preparados para auxiliar as empresas no desenvolvimento de um programa de controles internos através de rotinas construídas para gerir os controles determinados pela empresa e extrair informações de seus bancos de dados podendo ser utilizados para documentar objetivos. De acordo com Cardoso (2001) a Tecnologia da Informação trouxe grandes mudanças à maneira como as organizações conduzem seus negócios. Tecnologia de informação. trocar e usar informação em suas várias formas (dados. Referencial Teórico TI e Sistemas ERP´s Tecnologia da Informação (TI) pode ser conceituada como “Recursos computacionais (hardware. de acordo com Gama e Martinello (2006) nos últimos anos. conforme Teixeira citado por Gama e Martinello (2006). ocorre um monitoramento. faz se necessário uma maior pesquisa e abordagem das práticas e vantagens que a atualização de recursos de sistema de gestão integradas (ERP´s) podem trazer aos gestores a fim de se implementarem alguns controles necessários para adequação de algumas seções da SOX. sempre que um supervisor revisa os logs do usuário para verificar se o acesso apropriado ao sistema está sendo mantido. a algumas empresas já implementou algum nível de monitoramento. Além disso. Por exemplo. processamento e armazenamento de dados”. um controle está sendo executado. software e serviços relacionados) que provêm serviços de comunicação. Assim. portanto. é um termo que engloba todas as formas de tecnologia utilizadas para criar. armazenar. de acordo com pesquisas feitas nos seus respectivos sites disponíveis na internet. pretender traçar um panorama deste cenário. Com o uso de sistemas de . Também podem ajudar a identificar falhas e rastrear ações para corrigir deficiências e ainda fornecer suporte para as atividades de auto-avaliação e monitoramento. sem. contudo. a Tecnologia da Informação tem deixado de ser uma área somente de suporte e vem tornando-se cada vez mais necessária na estratégia dos negócios das organizações. Microsoft e Datasul.2 Alguns sistemas de gestão como SAP. imagens estáticas e em movimento). Por exemplo. Pela complexidade e abrangência do assunto. sempre que um membro do departamento financeiro utiliza uma senha exclusiva para obter acesso ao sistema financeiro da companhia. processos e atividades de controle. voz. Diante disso.

Os ERP’s são configuráveis. A Governança Corporativa pode ser considerada como o conjunto de mecanismos por meio dos quais investidores outsiders (acionistas ou credores) se protegem contra expropriação por parte dos investidores insiders . governança de TI não pode ser vista como uma atividade isolada. ela é parte integrante da governança do negócio. todos os tipos de empresa ou instituição. seu conselho de administração. 121). informa que um ERP “promete uma integração ‘sem costura’ de todas as informações que fluem em uma companhia – informações contábeis e financeiras. inclusive o governo. juntamente com a diretoria executiva da firma.” Por sua vez Neto citado por Davenport (1998. como atingi-los e a fiscalização do desempenho (FLORES apud Gama e Martinello. p. informações dos clientes”. elemento chave para o alcance de desempenho superior. controle e direção) para atingir os objetivos estabelecidos em planejamentos estratégicos da organização (BROADBENT apud MENDES-DA-SILVA. a governança de TI descreve como a administração da firma considera e emprega a TI (particularmente em relação ao modo como é utilizada na monitoração.Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. informações de recursos humanos. Com esta evolução da área de TI passou se a um maior uso dos sistemas de ERP´s que são segundo Neto (2002) uma evolução do sistemas de planejamento da produção (MRP II). a governança corporativa é definida como o conjunto de relações entre a administração de uma empresa. Governança Corporativa. Logo. De acordo com as definições citadas os sistemas de ERP´s devem fornecer informações integradas para a tomada de decisão de seus gestores. abertos a interfaces e trazem modelos de gestão embutidos e que podem ser facialmente adaptados as necessidades das empresas. constituindo-se nessa oportunidade em vantagem competitiva. as propostas de práticas de governança de TI. Ou melhor.3 informação. 2006). devem estar alinhadas com os objetivos estratégicos da organização. Também proporciona a estrutura que define os objetivos da empresa. Lei Sarbannes Oxley e Controles Internos segundo o COSO Segundo a OCDE . informações da cadeia de suprimentos. necessariamente. a tomada de decisão dentro das empresas passou a ser cada vez mais facilitada. porque pretendem abranger todas as funções da empresa. Por sua vez. governança de TI é de competência do conselho de administração. De acordo com Corrêa. Por tanto. Gianesi e Caon citado por Neto (2002) “um sistema dito ERP tem a pretensão de suportar todas as necessidades de informação para a tomada de decisão gerencial de um empreendimento como um todo. 2005). seus acionistas e outras partes interessadas.

O Ambiente de Controle abrange toda a estrutura de controles internos. Ao contrário. atitude. competência e estilo. A governança corporativa. Dessa forma. As diretrizes do COSO. Grande parte de sua força é extraída da conduta estabelecida pelo Conselho de Administração e pelos executivos da companhia. conforme definidos pelo COSO (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission). publicadas em 1991. são leis. os problemas de agência são fonte de altos custos para os acionistas. são processos executados pelo Conselho de Administração. A Lei Sarbanes-Oxley de 2002 determinou algumas regras para a governança corporativa. avaliar e monitorar a eficácia dos controles internos sobre relatórios financeiros e divulgações. a estrutura descrita pelo COSO é mais abrangente. pode-se entender que a governança corporativa dedica-se à administração dos problemas tratados pela Teoria da Agência. apud MENDES-DA-SILVA e MAGALHÃES FILHO. Nos países desenvolvidos. induzidos pela separação entre propriedade e controle nas corporações modernas (LA PORTA et al. Dessa forma. pela Diretoria ou por outras pessoas da companhia. diz respeito aos sistemas de controle e monitoramento estabelecidos pelos acionistas controladores de uma determinada empresa ou corporação. que levam ao sucesso operacional em três categorias: Eficácia e eficiência das operações. então. apud GAMA e MARTINELLO. 2005).4 (executivos ou acionistas controladores) . A Lei Sarbanes-Oxley torna Diretores Executivos e Diretores Financeiros explicitamente responsáveis por estabelecer. principalmente. com lealdade (LA PORTA et. transparência (disclosure). de tal modo que os administradores tomam suas decisões sobre alocação dos recursos de acordo com o interesse dos proprietários. responsabilidade pelos resultados (accountability) e a obediência às leis do país (compliance). não se referem explicitamente aos controles e procedimentos de divulgação. espera-se que a boa governança assegure aos sócios: eqüidade. 2006). O Ambiente de Controle inclui conceitos como conduta. Os controles internos. Os primeiros não têm garantia de que seus recursos serão tratados pelos últimos com a devida diligência e. al. A Avaliação de Riscos envolve a identificação e a análise pela . Confiabilidade dos relatórios financeiros. incluindo tanto os controles e procedimentos de divulgação quanto os controles e procedimentos internos para a emissão de relatórios financeiros. consciência. relativas à divulgação e à emissão de relatórios financeiros. Cumprimento de leis e regulamentos aplicáveis. A governança corporativa trata das formas pelas quais os investidores podem garantir o retorno de seus investimentos. residindo na premissa de que a boa governança corporativa e as práticas éticas do negócio não são mais requintes.

As Atividades de Controle são desenvolvidas para direcionar especificamente cada objetivo de controle. ou pelas partes externas. transmitindo as informações sobre os resultados. para buscar a rapidez e a larga difusão de informações financeiras das firmas (MENDES-DA-SILVA apud IBGC. O Monitoramento pode incluir tanto a supervisão interna quanto externa dos controles internos pela administração. procedimentos e práticas adotados para assegurar que os objetivos operacionais sejam atingidos e as estratégias para atenuar riscos sejam executadas. transmitindo diretrizes do nível da administração para os funcionários. As atividades de controle são políticas. tal pesquisa não condiz com as respostas encontradas em sites de empresas desenvolvedoras de sistema de gestão empresarial. Com a evolução rápida da TI e dos ERP´s atualmente pode-se contar com as funções destes sistemas atendendo a necessidades levantadas pela SOX. visando atenuar os riscos identificados anteriormente.5 Administração dos riscos mais relevantes para a obtenção dos objetivos do negócio. Conforme pode ser comprovado através do desenvolvimento de funções e ferramentas de alguns dos principais sistemas coorporativos utilizados por empresas nacionais. O processo também poderia percorrer o caminho inverso. A Informação e Comunicação fornecem suporte aos controles internos. Conclusões Apesar do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa recomendar as várias tecnologias da informação. as deficiências e as questões geradas. 2006). Entretanto. cada objetivo operacional. em um formato e uma estrutura de tempo que lhes permitem executar suas atividades de controle com eficácia. O Monitoramento é o processo para estimar e avaliar a qualidade dos controles internos durante avaliações contínuas e especiais. sejam exploradas. não foram encontrados na literatura estudos que abordassem profunda e simultaneamente governança corporativa e de TI. No decorrer de uma avaliação de riscos. A pesar de encontrar alguns poucos artigos e teses que citam de uma forma ou outra. partindo dos níveis mais baixos da companhia para a administração e para o Conselho de Administração. pelos funcionários. principalmente nas seções referentes aos controles internos das empresas. do nível mais alto ao mais baixo é documentado e então cada risco que possa prejudicar ou impedir o alcance do objetivo é identificado e priorizado. O objetivo desta pesquisa foi verificar a existência de associações entre características determinadas pelas boas práticas de Governança Corporativa e mais incisivamente pela .

Salvador: Anpad. M.F. In ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. Salvador. 30º. 2006. 30º. bem como a utilização de determinantes das diretrizes do COSO. V. 2006. MENDES-DA-SILVA. É importante ressaltar que ainda que não existam trabalhos acadêmicos aprofundando o assunto da utilização de sistema ERP´s para controle internos baseados nos princípios da Governança Corporativa. 2006. In ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. Dissertação (Mestrado em Administração). Análise do Impacto do Nível da Governança de Tecnologia da Informação em Indicadores de Performance de TI: Estudo de Caso no Setor Siderúrgico. Anais.. DUCLÓS. In ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. 2001. Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG.O. Referências Bibliográficas CARDOSO. M. Chile e Peru. Desta forma. Salvador.. o presente trabalho demonstra que a necessidade de trabalhos futuros aprofundando neste assunto se faz necessário para que se possa chegar a conclusões mais determinísticas sobre o uso da ferramenta ERP para as boas práticas de Governança Corporativa.. A. Belo Horizonte. P. MARTINELLO. Anais.6 promulgação da Lei Sarbannes Oxley. W. Anais.... Avaliação do SAP/R3 como instrumento para gestão financeira: Um estudo de caso no setor siderúrgico brasileiro. Verificando Associações entre Governança Corporativa e Governança de Tecnologia de Informação: Uma Análise Empírica com Indústrias Brasileiras. F. BARBOSA. C. 29º. percebe-se que algumas das maiores empresas com atuação no Brasil já possuem em seus softwares recursos disponíveis para tal aplicação.. CORTEZ DA CUNHA. 2005. Institucionalização do e-governo como Instrumento de Legitimidade da Governança Eletrônica no Setor Público no Brasil.A. 228f. A. L. Douglas. principalmente das seções referentes aos controles internos das empresas.. 2006. 2005. GAMA. .MAGALHÃES FILHO. Salvador: Anpad. Brasília.. Brasília: Anpad..A.

Pró-Reitoria de Graduação. 30º. W. 102f.. M. Salvador. Belo Horizonte. Anais. Disseminação Voluntária de Informações Financeiras e Práticas de Governança Corporativa em Websites Corporativos: Um Estudo Empírico com Empresas Listadas na Bovespa. teses. 2006. 2007. 2007. In ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. 2006. Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG.pucminas. A utilização do ERP como ferramenta de geração de vantagens competitivas na cadeia de valores: um estudo de caso numa empresa siderúrgica. Sistema de Bibliotecas. 2002. Acesso em: 26 de mar. Disponível em <http://www. Dissertação (Mestrado em Administração).br/biblioteca/normalizacao_monografias. Belo Horizonte. Salvador: Anpad. . dissertações e monografias. Padrão PUC Minas de normalização: normas da ABNT para apresentação de trabalhos científicos. C. da Silva.pdf>.. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. NETO.7 MENDES-DA-SILVA.