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Song against the fold

Introdução: Manifesto-Escorpião

Só é bom aquilo que é aberrante - mas há um pouco de aberrância em cada uma das coisas que existem. Uma aberrância é uma catástrofe de valores, uma singularidade avessa a qualquer mapeamento, um dedo médio levantado ordem cósmica. !oda imagina"#o é por defini"#o aberrante. $ imagina"#o é o escorpi#o capturado pela águia% se dela se libertar, cai por um abismo sem fim. $ águia, por sua ve&, agoni&a do veneno, mas precisa suportá-lo pois carece desesperadamente de alimento, pra suportar seu voo mesmo. ' escorpi#o é a crueldade, a mesma de que nos fala $rtaud. !odas as culturas nascentes da terra, toda a comunitariedade que existiu e que atualmente existe é escorpionina por excel(ncia% pois toda comunidade tem contato com o )ito, e o )ito é a imagina"#o da própria sociedade. $ imagina"#o n#o é nem real - pois n#o é concreta nem irreal - pois ela acontece, e portanto é. !oda comunitariedade é, por defini"#o, contracultural - pois a idéia em si de cultura é um conceito civili&atório, ideificante, portanto $quilino. Só há uma contracultura, a da comunidade, e tudo o mais é fluxo, tudo o mais só atravessa o corpo da contracultura. $ contracultura é o escorpi#o que lentamente assassina a águia - enquanto se mantém, aparentemente, sob seu dom*nio. $ aberrância opiácea dos românticos, a aberrância do nonsense em +ada, a aberrância do sonho no surrealismo, a aberrância da situa"#o com os situacionistas - simultaneamente alimentaram o predador ,pois foram reabsorvidos- e o envenenaram com seu licor maldito. $ )!., a trilogia )atrix, a moderna publicidade e os feitos de anonymous na internet - conquanto que ainda restritos esfera da representa"#o - apontam um profundo esva&iamento de todo o sentido propriamente cultural. /stamos vencendo -

desmontar suas barreiras. $ 2nica arma que temos contra o mesmo é a +iferen"a. onde quer que possam ser desmontadas. de tudo o que tipifica.enquanto estamos fa&endo da própria águia um casamento monstruoso com o escorpi#o. e fa&er algo 3roibido passar. de tudo o que simplifica. a absoluta tritura"#o do nonsense. +esconfie de tudo que é normal. 0 preciso apertar o ferr#o. por mais desesperante que pare"a a situa"#o. 3rocure a a1uda da $berra"#o e ela te suprirá com todas as rique&as poss*veis. todos os monstros imposs*veis que buscam desesperadamente atravessar a fronteira que os separada +aquilo 4ue /xiste. por mais remota que se1a a chance de sobreviv(ncia. o que talve& te destrua. a crueldade do mito. de novo e de novo. !emos a nosso lado legi#o. é preciso cravar mais fundo a agulha da aberrância. 0 preciso invadir fundo o sistema imunológico da criatura. !emos a nosso lado o manancial infindável do sonho. atingir o corpo. o que talve& te fa"a uma aberra"#o também. .

enfim. an<nima.é a for"a transformativa. $ coisa é t#o óbvia que a própria palavra 7hippie7 é um artefato da m*dia . as m2sicas. que se coloca além das estrutura"=es do passado e do futuro.o que possibilita que ha1a mesmo os retratos . enfim. fa&endo 3ura /xperimenta"#o. mas t#o perto.. sem ser guiado pela no"#o de um movimento. ser submetida ao plano de refer(ncia dos retratos. vivo. Sem ter uma série de expectativas sobre o que é ser ou n#o ser hippie. e se lan"ar no pro1eto de uma alternativa sociedade como existia. a energia que circulava na experi(ncia imediata de estar lá. e de repente se descortinou a diferen"a entre os retratos do movimento .e. naquele momento e lugar. e com elas explorar 1untos sem saber aonde isso vai dar. 6S+. e ainda assim deixar o corpo escapar.as roupas. primeiro. e largar emprego e faculdade e queimar a convoca"#o militar. vietn#.Parte 1: A problemática dos retratos )e impressiona como as ci(ncias sociais conseguem estar t#o perto. 0 certo que a op"#o de tais roupas ou tais idéias concatena a sua afinidade ou desafinidade com as tais variadas pessoas.pelo contrário. 8ostumo pedir a meus amigos que imaginem o que era estar nos /stados Unidos em 9:. ' pensamento funciona através desses retratos. do processo de coopta"#o do movimento pelo espetáculo.e o próprio corpo do movimento. $ sensa"#o de perceber variadas outras pessoas em processo similar. sem a refer(ncia transcendente de um retrato para se guiar. sem estar fa&endo disso a escolha de um papel para a vida . com o movimento que acontece e ainda n#o foi nomeado% mas essas influ(ncias transcorrem. com uma perda do viver imediato. mas o que veio primeiro . tudo aquilo que nos acostumamos a reconhecer como hippie . sem ter de usar tais roupas ou ter tais idéias para se classificar ou n#o. 5sso ficou claro acima de tudo quando eu estava estudando os hippies. além da história - . para só depois. na minha opini#o. apenas em seu próprio plano.

uma 8ultura. enquanto a Sociedade é feita de indiv*duos.as ci(ncias sociais acreditamG . reaching bacE in time to the verD emergence of propertied societD. e seus encontros e desencontros.há cultura acontecendo. há 8omunidade .ou mesmo 7ci(ncias sociais7-. mas o c min2sculo do real em oposi"#o ao da abstra"#o .e se essas pessoas se escondem atrás de papéis. de . > ?@ust as the Aussian Aevolution included a subterranean movement of the 7masses7 Bhich conflicted Bith Colshevism. da 8ultura do antropólogo.ele está vivendo lado a lado com uma série de pessoas. e toda rela"#o social é uma rela"#o pessoal . > $ cilada revolucionáriaK entre uma utopia que só pode se reali&ar no futuro. .antes de tudo. H#o existe Sociedade . 1amais foi encontrada uma Sociedade nesse planeta. a trama de rela"=es. e determinar papéis. / por isso é t#o est2pida a idéia de permitir. /nquanto há duas pessoas em rela"#o. independente das abstra"=es da 8ultura dos nativos. simplesmente porque podemos fa&(-lo. de esferas separadas . que naquele caso espec*fico escolheu tais roupas e tais drogas e tais experimenta"=es. Aeligi#o. há também Sociedade.!rabalho. toda ve& que uma pessoa fala .toda ve& que uma pessoa pensa.F . com resultados diferentes . fa&endo cultura com 8 min2sculo. 4uando um antropólogo desce uma 78ultura7 para estudá-la ele está. parindo a abundância a partir das próprias engrenagens do capitalismo. constru*mos abstra"=es% e dependendo de quanto acreditamos nelas . e precisa ser mantida em cheque por ela. com resultados variados . e só depois se inserem os bloqueios que v#o separar uma esfera da outra. > 'u ent#o é a velha distin"#o entre Sociedade e 8omunidade% 8omunidade é o pessoal. de papéis e representa"=es. aqui e agora. e seus enredos. exceto como abstra"#o.a própria for"a de reinven"#o de uma sociedade. )as é uma ambigIidade enganosa .)urraD CooEchin> 4uando falamos de 7Sociedade7 e 78ultura7. e a partir da* todas as problemáticas s#o estéreis.portanto comunitária. !oda ve& que uma pessoa e outra se encontram . constantemente cerceada e bloqueada para que n#o emer1a e devore as abstra"=es com o furor do presente.e o que acontece é o cotidiano. e todo o fluir desse encontro. também.oc(s conseguem ouvir os ecos nostálgicos da palavra ?8omunidadeF. $ 8omunidade é co-extensiva Sociedade. class rule and the state. etc. como. e colocá-la primeiro. com outros ou so&inho. há apenas como fa&(-la. ou sou só euJ ' senso de uni#o.ou naquele ponto onde a história toca o corpo . facilitar ou multiplicar as portas de acesso 8ultura . porque estamos vivos e podemos fa&(-lo. !his movement has entered into our time under the name of 7anarchism.7 although it has never been encompassed bD a single ideologD or bodD of sacred texts.corremos o risco de confundir a abstra"#o do real com o próprio real. o face a face. e se submetem o potencial de sua rela"#o s restri"=es de uma organi&a"#o transcendente. $s ci(ncias sociais perdem a* o que existe . 8i(ncia. independente de haver entendimento. 6a&er. e um desesperado saudosismo que nos leva a suspirar pelo bucólico e pelo campestre.porque fa& diferen"a onde. s#o imediatamente culturais. mas poderiam ter sido outras. com quem-. $narchism is a libidinal movement of humanitD against coercion in anD form. so there is a subterranean movement in historD Bhich conflicts Bith all sDstems of authoritD. uma 8omunidade% apenas se acreditou nelas em maior ou menor grau em cada momento.pois a Sociedade absolutamente inexiste.porque o que existe é o que acontece .8ultura de quemJ H#o há como acessar ou perder o acesso cultura.a for"a viva do 3resente. e todas as conseqI(ncias.

nesse mundo onde de fato existem tais coisas . a dese1o de imobilidade e de fixide&. H#o é mais poss*vel revogar a conclama"#o &apatista. capa& de consonâncias e dissonâncias. a 2nica realidade humana. inclusive aquilo que a cerceia. qu#o mais ?sociedadeF somos. de explos=es e implos=es . em uma fronteira. > / por isso digo 7comunitariedade7 ao invés de 78omunidade7K comunitariedade enquanto processo sem meta final.o contrato sagrado da !radi"#o para podermos deleitar-se nesse 1ardim. captura e restringe seu próprio potencial. /m todas as totali&a"=es transcendentes que buscam capturar a diversidade do real.sem que com isso deixe de ser o que é. mais distantes estamos do viver imediato M mas está em nossas m#os também o poder de recusar o contrato com o passado . é preciso ter a clare&a de que a contracultura acontece $3/H$S H' 3A/S/H!/. mas ousaram uma conclama"#o ?galácticaF. aquela que a tudo abra"a.novamente. suas abstra"=es . ou por mais 2til que se1a estudar as sociedades passadas em busca de alternativas. +igo para que todos ou"amK palavra ?8omunidadeF fede a descanso.como todo sistema totali&ante M excessivamente provincianoG 0 preciso desconfiar de todo investimento em uma identidade.como engendrou. $ quest#o é até onde queremos assinar . proveniente de ?ind*genasF que poderiam muito bem ter se contentado em agir como tal. . sua Sociedades e 8omunidades.o contrato !radicional. assim como está acima da Sociedade% relâmpago que sabota a todas as totali&a"=es. e conte-la em uma ess(ncia. e expropria-la. Llobal é pouco. 3or mais 2til que possa ser nos apossarmos da técnica capitalista. uma fixide& onde só existe fluxo. pois estamos aqui. 0 claro que a comunitariedade engendra suas reifica"=es. +ecerto que. um indiv*duo. enquanto puro desenrolar intenso de encontro. sem refer(ncia de organi&a"#o.pertencimento a alguma coisa maior. $ palavra ?8omunidadeF ainda nos leva a imaginar um átomo.mas sempre em seu próprio plano de devir. uma reifica"#o de algo que sempre esteve em muta"#o.assim como re1eitamos o contrato capitalista com o Nuturo. sempre pura experimenta"#o. qu#o mais nos tornamos civili&ados. a intimidade perdida com a queda do para*so. um c*rculo perfeito tra"ado no tempo e no espa"o. pouco demaisG $inda . em uma pátria. capa& de engendrar suas próprias afinidades e dissocia"=es. ' poder e vigor da contracultura está acima da !radi"#o.

come-se dela e vive-se dela. )as n#o era só Heal. um representante.Parte 2 – A rande !esta da "ida $ aventura beat de se lan"ar na estrada em busca de alguma coisa que só pode ser referida no genérico . /sses povos tinham algo que tinha se perdido na sociedade americana mainstream. de escavar e de revelar o brilho. um l*der. /ra muito claro do que se tratava esse 5SS' e $4U56'. )as n#o quer di&er que se saiba como falar +5SS'. /u n#o concordo quando retratam os beats como um movimento basicamente apol*tico. e é isso que distingue fundamentalmente a micropol*tica da macropol*ticaK a macro sempre tem alguma coisa entre voc( e a história. / aquele bando de intelectuais passare1ava ao redor de +ean )oriarD. todos esses coletivos de terceiro mundo que compunham e sustentavam a sociedade branca de classe média americana. quer di&er.crian"as brincam com ela na rua. pisa-se nela todos os dias. a história vivida ao 2nico n*vel realK o cotidiano. os beats viviam uma pol*tica num n*vel muito mais superficial e imediato.5SS'. uma ideologia. qualquer um que 1á tenha vivido um pouquinho é capa& de sentir ressoar. que se tenha consci(ncia de como 5SS' se processa. 3ara além dos flertes secundários com o marxismo. era também os mexicanos. e contudo continuam todos ignorantes a seu respeito. de representa"#o. uma pol*tica do cotidiano. bebendo avidamente dessa coisa que ele era capa& de fare1ar. os ind*genas. $inda mais porque 5SS' pode ser encontrado em lugares t#o distintosG 0 como a pedra filosofal dos alquimistas . 7micro7 se quiserem di&er assim. de seguir. $4U56'. de Heal 8assadD. uma na"#o. 5mediata enquanto ausente de media"#o. um partido. enquanto em troca o ensinavam a escrever. . quer di&er. essa coisa que alimentava o poder de escrita beat. /nquanto a micro é a ebuli"#o do S/A imediato na história.

bem porque n#o li quase nada de +ebord. do tipo 'uO'u. desde que 3lat#o lan"ou sua maldi"#o sobre a filosofia ocidental.e na submiss#o ao consumo . m#e e senhora da copiabilidade técnica. impedir que o potencial revolucionário inerente ao presente e vida transborde. e sim as imagens que fluem 1unto a essas palavras.ou formas repetidas ao infinido. $s categorias s#o o inimigo fundamental do corpo. / nos confundimos com eles. como mostrou $dorno. pois seu manancial de vida é rapidamente sugado pelo próprio mecanismo que os produ&iu. os papéis eram parte ativa da m*stica que marrava os escravos aos senhores. pré-hierárquicas% quanto s hierárquicas.e na submiss#o hierarquia .o real. se remove sua 7aura7-.copiabilidade. por sua neutralidade. $s categorias n#o s#o nenhuma novidade capitalista. $ sociedade americana mainstream perdeu. trabalhador. a saber. /u n#o sei di&er ainda de como funcionavam os papéis nas sociedades ind*genas.elas s#o categorias-. indie. ativamente destruiu. /sse ataque empreendido contra o real exerce uma fun"#o primordial no mecanismo da sociedade capitalista. irresponsável. nos viramos antes de tudo pra eles e di&emosK d(-me de beberG 4uero viverG / ca"amos papéis novos.P.sempre binárias. responsável. método através do qual. /sse processo de recupera"#o do viver imediato acontece através de sua captura em cate#orias . através desse movimento. por serem n#o-binários% eles duram muito menos também. de escravos e senhores e de uma apropria"#o dos meios de produ"#o. teóricosOartistas marxistas de vanguarda da década . hippie. /studante universitário. namorado. em todos os sentidos.o patr#o-.e na submiss#o ao trabalho . com sua origem hierárquica. sentindo a falta de vida em nós. 's papéis se parecem muito mais com a vida cotidiana. porque buscaram remov(lo de sua posi"#o. buscando.sou superior porque gasto mais-. mas fa& com que eles proliferem ao infinito. entenderam isso como ninguém. dotadas de um /stado. mo"o do interior. pela sua própria dissemina"#o ao infinito. est#o a* desde que há hierarquia. Nalo mais do que tudo de Aaoul . nem que se1a por sua oposi"#o 'uO'u remeter possibilidade imaginária de uma s*ntese. conquanto limitado. ainda conservam um pouco de m*stica. $ internet é pra mim um caso interessante. os mecanismos de mistifica"#o presentes no consumo . simbólica e .aneigem. e os senhores a deus. $s categorias ainda est#o atadas contratualmente a +eus e Seu !rono Hos 8éus. /u acho que no fim era disso que )arx tentava falarK o capitalismo possui uma contradi"#o intr*nseca% enquanto por um lado se calca na escasse&. ou melhor. $ grande inven"#o burguesa nesse sentido é a reprodutibilidade técnica. adotaram-na. > 0 preciso haver uma car(ncia de vida pra que ha1a capitalismo. 's papéis penetram em toda a vida cotidiana e se travestem dela.pra consumir preciso de dinheiro. precisamente a experi(ncia vivida imediata .e os mecanismos de poder presentes na hierarquia . $s categorias. taDlori&a"#o do universo. desde que o ideal passou uma rasteira no real e se colocou como dado primeiro. do tipo caixa-de-pandora% se veio a nós em meio ao processo de domina"#o total cibernética. pelo contrário.amea"ando a própria ind2stria cultural. de uma unifica"#o. material. com o imediato. 's papéis n#o s#o essas palavras . que arrega"a com a fun"#o feudal dos papéis.> 's situacionistas. até o ponto em que. Um transbordamento dessa sorte colocaria em amea"a os mecanismos de auto-sacrif*cio envolvidos no trabalho . ela abriu vastos territórios de potencial abundância .. 0 preciso escasse&. e mandaram o corpo pastar nos terrenos fantasmagóricos do 'b1eto. imagens e imagens que se viram contra o vivido e buscam adotar sua posi"#o. ele é capa& de produ&ir uma enorme abundância. e inundam o presente com sua multiplica"#o insignificante e insatisfatória. pai de fam*lia. ou se1a.e dos pap$is espetaculares . punE. sua recupera"#o e inser"#o dentro de uma determinada ordem das coisas.

restando só a sensa"#o de que 5SS' faltava. das amarras do passado e do futuro. como um 8orpo sem 'rg#os.os gambés ca*rem na sua casa e te impedirem de experimentar-. do 8orpo aos seus /stratos. até fa&er o corpo brotar em um estrato e produ&ir um câncer totalitário. nem que se1a através do inconsciente . 's corpos cancerosos tra&em ent#o a percep"#o de uma diferen"a sutil e perigosa% elas explicam a ra&#o teórica ou filosófica que levou Qeidegger a saudar o nacional-socialismo . como por exemplo tornar-se um trapo humano. da media"#o. ' inconsciente ainda é a linha estratégica definitiva. com certe&a. +eleu&e chama essas formas dobradas de 7estratos7. / eis a história de todos nós desde a década de :P.descrevendo-o como uma 7emerg(ncia do Ser na Qistória. e a 2nica coisa que impede que ele passe uma rasteira em si mesmo é um processo de mistifica"#o. e nas viagens alucinógenas% os punEs foram ca"á-lo na superf*cie da 7atitude7 e na ruptura com as media"=es envolvidas nos processos produtivos . ou nas culturas negligenciadas pelo espetáculo% os hippies foram ca"á-lo no oriente. viciado. com a liberta"#o da vida cotidiana. voc( passa do Ser ao simulacro . +eleu&e enumera uma pá de riscos dessa coisa em um de seus plat<s . 's beats foram ca"á-los em Heal 8assadD. do bolchevismo. perderam a trilha.como é o caso dos papéis. e talve& acuse o grande erro ou grande ingenuidade das contraculturas até ent#o. e imagens. ' capitalismo abre de novo as fontes da vida. contra o imediato . e tem de impedir ent#o que toda essa vida o submer1a% e da* o processo de recupera"#o. das imagens que tentam se passar por 3resente. de renegar o potencial humano de cunhar imagens. e com isso se lan"ar rumo aos passados ou aos futuros. onde a vida é sugada e depois vendida de volta como produto. @ogar fora os papéis. ao /terno 3resente. Qá destinos piores que ser estratificado. 5magine isso .iver aos 3apéis. .7fa"a voc( mesmo7-. ou se1a.9-.e as diversas formas de encontrar ou produ&ir 5SS'. seu próprio .criativa. a respeito dos tempos que passaram ou que vir#o% bem porque o presente possui.e que talve& nem o possa ser. com o próprio ser% chamá-las de 7irreais7 é parcialmente incorreto. podem também estarOser viradas contra o próprio presente. a liberta"#o do 3resente e seu potencial criativo.sem perceber a distin"#o entre o 8orpo sem 'rg#os pleno e suas variantes cancerosas. 7ideologia7. presta-lhes tributo e tenta explicar onde eles falharam. ou se1a. H#o se trata.aneigem retorna várias e várias ve&es aos surrealistas.uma revolu"#o surrealistaG 4ue estranhas quimeras seria poss*vel p<r para andar na ruaG 8ada um de nós é capa& de se conectar ao S/A. fechadas por +eus e Seu !rono Hos 8éus. e frases. desde 1ogar fora o próprio corpo 1unto aos estratos. ao invés de . ou fa&er os estratos precipitarem-se contra o corpo . $ quest#o é que essas frases. > !oda a contracultura se ocupa. sempre foi uma atividade arriscada. quando desliga nosso ego ocupado de papéis. Se voc( seguir a linha certa. > !oda contracultura está ocupada +5SS' .através de tudo aquilo que está em nós e que foi protegido da representa"#o. algo loucamente novo. que buscavam resumir a coisa toda em 7largue os estratos e é isso a*7. /ssa percep"#o é important*ssima. a dobra. o potencial de transbordar como imagens e frases. 'u porque tentaram produ&ir uma nova teoriaOarte radical antes de +ada ter sido completamente recuperado% ou porque tentaram colocar o surrealismo a servi"o da revolu"#o. em si. acima de tudo. 8ada um de nós ainda é capa& de sonhar. 's grunges n#o sabiam mais o que buscar.8omo Na&er 3ara si um 8orpo sem 'rg#os-. do . esqui&ofr(nico. 8ada um de nós ainda é capa& de produ&ir algo novo. fechada pela sociedade de castas feudal. 7aliena"#o7. /las s#o cont*nuas com o próprio presente.como critica $rtaud colocar a revolu"#o a servi"o do inconsciente. o front que nunca foi ultrapassado . 's surrealistas foram buscar 5SS' no inconsciente. que invadiu e coloni&ou nossa sub1etividade.

através da compra-. seu erro foi ter abandonado também a pol*tica radical.basta de categoriasG-. Uns brigam pra proteger um peda"o ou outro. do conforto fácil que eu tinha-. e quando i"aram de volta. de recusa ao espetáculo. 8ontei de como esse real estava relacionado a minhas aventuras no mundo prático. o mais importante. /. nunca tomando o papel pela vida.a fam*lia é ao meu ver basicamente isso. de recusa media"#o. entre a fantasia representativaOmed*ocre . combina"#o. só atinge o 8orpo quando consegue contornar o risco de ser recuperado pelo espetáculo.oc( me pediu pra explicar o que era a Lrande Nesta da .através. porque era a* que eu mais me deixava mediar. dadas as contin#%ncias &ue estruturam min'a (ida.co&inhada por outro.é simplesmente constru"#o.ida através da representa"#o e media"#o% e. $ 2nica prote"#o contra a recupera"#o é o acréscimo de mais uma dose de radicalismo.ida e eu engasguei. fala . me distanciando da comida que adquiro . pra encontrar em si a vida que lhes foi roubada. no supermercado. ' prático só se torna real quando é simultaneamente esteti&ado e politi&ado. Bhatever. Somos todos surrealistas noite. no mundo culinário. carteira de trabalho. atingir o absolutamente in2til. )as pensando por outro lado. H#o há vida no espetáculo. só atinge . H#o há nada de real em um mundo prático por si mesmo. $ briga foi nervosa. e nunca me deixei enganar. e nem acho que vou.mas sempre conservando o distanciamento caracter*stico do 1ogo. ou se1a. desesperada. 1ogo com ele .o que talve& se1a bom . que nos di&K eis seu papelG 5nterpreteG +esde minha AL. /u tentei explicar a um amigo meu o que era essa sensa"#o. 'utras pessoas s#o estratificadas em outros pontos. > .ali na rachadura. há apenas o tédio dos papéis. recombina"#o. ao ser esteti&ado. ou por uma fábrica-. o limite que ela desenha quando em contato com o presente. da comida que como .aneigem. após +adaJ . dan"o a dan"a. eu só poderia ascender ao real através do prático.do su1eito e a doutrina inflex*vel do ob1eto. 5nterprete ou morraG. era a* que os papéis incidiam sobre mim. de estar vivendo perto do real. ' inconsciente n#o significa nada . me di& a vo& da autoridade . de modo que n#o entendeu nada. que a fonte de vida @$)$5S vai ser encontrada em uma carreira. ' inconsciente é a terra de ninguém das categorias . e os burocratas da psicanálise. partos e abortos incansáveis. bem que tentaram coloni&ar o inconsciente com seus próprios papéis . de anarquista. temos uma pistola apontada pra nossa cara.mas a fam*lia é um corpo agoni&ante desde que seu contrato hierárquico Oaristocrático foi rescindido pela carta da constitui"#o democrática.Ninnegans RaEe. até os papéis de rebelde.como poderia. +esde ent#o. ' ponto é que. resiste ao afastamento da . e cheia de auto-sabotagens% foi mais inc<moda do que pra&erosa a maior parte do tempo.e eu que n#o sou burro. de libertino. em um casamento.porque mediada. > ' inconsciente n#o tem nada a ver com a fam*lia . precisando as ve&es precisamente se distanciar do prático. angustiante. fin1o ter um papel. uma empresa de coloni&a"#o do inconsciente . 's surrealistas desceram seus baldes rumo ao inconsciente. nem que se1a só quando dormimos. descobriram que haviam encontrado o próprio 6icor da )aravilha. /u acho que podemos nos virar bastante bem sem fam*lia. 'utros se apegam casca e fingem que nada aconteceu. 5nventar uma socialidade foi sempre o patrim<nio irremov*vel da ra"a humana. por mais que o surrealismo n#o exista mais . acima de tudo. )as eu sempre soube.é simplesmente o corpo próprio da sub1etividade. no espetáculo. 83N. no mundano. /le pegou um peda"o e lhe escapou outro. estive vivendo mais e mais perto do real a cada dia. etc. do dinheiro que ganho . $ fam*lia. / por radicalismo falo de imediatismo. ao ser politi&ado. 4uando $rtaud abandonou os surrealistas. desconstru"#o. $ fam*lia está se despeda"ando e todos 1á sentimos o cheiro de morte.

e é isto a teoria e prática radical .uma simultânea politi&a"#o e esteti&a"#o. nos dois casos. / é isto o radicalismo .H#o sem encontrar uma rachadura no meio do caminho.9. . mas isso abordamos mais tarde . resiste ao afastamento da vida através da representa"#o ou media"#o. ou se1a. contra a media"#o.o 8orpo quando consegue contornar o risco de ser recuperado pelas ideologias. $ fórmula é a mesma.

contracultural.. pro manancial infinito de )aravilha escondido no lado avesso da realidade. de educado. pro murm2rio da inspira"#o. para eles. n#o nos interessa sen#o no seu de(ir. enquanto simultaneamente esva&ia a sociedade de toda vitalidade. estatal.civili&ado. 7's escritores surrealistas . em contraposi"#o ao poder transformador do encontro. de .. o resto todo é fantasma.de belo. O paradoxo está em. por outro lado. / toda comunitariedade é. preservar um 7patrim<nio7.portanto incorpóreo. está sempre em busca de erigir um ideal transcendente .. abrindo caminho pro automático. di&iam eles. pois busca antes de tudo congelar um certo estado das coisas. por defini"#o. o autor.pois a comunitariedade é a m#e da inven"#o.Para libertar as !orças Mara(il'osas da *oite ' erro é pensar que há um segredo.enfim . e ese mesmo devir necessita antes de mais nada da transforma"#o da sociedade pela Aevolu"#o proletária7. em destruir acima de tudo o artista. $ 7cultura7 burguesa está sempre contra o corpo. Creton . e o encontro é a 2nica realidade. 3or isso toda comunitariedade é contracultural . através de um profundo adormecimento da consci(ncia usual. n#o tem lugar em um regime capitalista a defesa e a manuten"#o da cultura.9-. empenhado em destruir a arte burguesa. quando na verdade s#o dois segredos. /sta cultura. em contraposi"#o s for"as caósmicas da barbárie. S#o necessários dois para constituir um encontro. > ' paradoxo do surrealismoK Por um lado. $ 7cultura7 burguesa é civilisatória.Parte ) . con1urando uma arte proletária para a exist(ncia. !odos somos capa&es de sonhar% imaginar o )ito é um patrim<nio irremov*vel de toda comunitariedade. tornando a arte acess*vel para toda a humanidade.especificavam que..

de aprendi&ado rápido e for"oso da arte de viver.7. é minoritário. algo entre as pessoas e a experi(ncia radical surrealista.Y-. $finalK quem é o p2blicoJ Hinguém. o surrealismo precisa evitar a banalidade das categorias.Seria imposs*vel entender o encontro em sua univocidade se ele n#o fosse também. riacho sem in*cio nem fim. e se uniam e se separavam. por outro lado em rela"#o multiplicidade dos simulacros divergentes que essa pot(ncia atuali&a em si mesma. sem que deixem com isso de ser muitos.. a vida social é uma sequ(ncia muito grande de mal entendidos. ' p2blico é um papel.. H#o há um homem sequer na terra que se1a um homem vitruviano. sua anarquia coroada.clamar pela 7'8U6!$ST' 3A'NUH+$ / . a possibilidade de que dos muitos se fa"am um.3ara manter seu caráter radical.X> 3or eu n#o ter tido uma sociali&a"#o comum na minha adolescente . n#o há nenhum caso que se1a verdadeiramente universal. Ho cora"#o de todo encontro há uma dis1un"#o. 3ara atingir sua proposta M a de uma arte verdadeiramente da humanidade . 7comp=em a máxima alqu*mica abrangenteK Solve et coagula7.é necessário atingir as pessoas diretamente em seu corpo.U. se encontrem. / está a* o mistério dos $mantes. seu próprio poder de sempre se modificar.7 . a vida continuava.Z. bradando 7$baixo os que queriam distribuir o pão maldito aos passarinhos.. $o come"o de 1aneiro. . apesar de ninguém se entender e todos acharem que se entendiam. Ho processo que se seguiu. @untas.U-. etc. assisti com curiosidade a capacidade das pessoas de capturar pequenos sinais e amarrá-los em uma trama de significado . evitar servir o senso comum. /sta carta corresponde a um dos dois grandes mistérios dos quais nos falam os esoteristas% só pode ser entendida quando pensada lado a lado com uma carta que lhe serve de contraparte 7$rte7. é singular M ao n*vel do corpo nin#u$m $ todo mundo . um movimento transversal que as carrega uma e outra. análise e s*ntese. 3or qu(J 3orque o Ser deve se di&er em um 2nico sentido. Uma mesma situa"#o. S#o necessários dois. assim em caixa alta. $té que um dia caiu a ficha de que todos eram t#o incapa&es quanto eu de capturar sinais sutis% a diferen"a é que n#o percebiam isso.3ara di&er que há apenas um 2nico sentido VunivocidadeW. / de alguma forma. mas uma dire"#o perpendicular. $credito que é preciso mant(-lo exasperado porta.7era isso e n#o aquilo que ele queria7. evitar servir os fantasmas. / o corpo é raro. que o torna singular. achei que esta carta fosse se referir . mantive-me até bem tarde particularmente cego pras sutile&as e nuances da dan"a de aproxima"#o e afastamento das pessoas. desencontro.nerd solitário que eu era-.U. e que o amarra aos outros encontros que inevitavelmente acontecem.7../A+$+/5A$ +' SUAA/$65S)'7. uma abstra"#o mediadora. 0 absolutamente necessário impedir o p2blico de entrar. as generalidades e os papéis. por um lado em rela"#o unidade de sua pot(ncia. 7ela estava te dando idéia7. 7'ra. Ho que conclu* que na verdade. cada caso é um encontro singular e irrepet*vel. se quisermos evitar a confus#o.7$ aprova"#o do p2blico deve ser evitada acima de tudo. s#o necessários dois nomes. desencadeava toda uma gama divergente de interpreta"=es. consegui 7's $mantes7. através de um sistema de desafios e provoca"=es. que rói suas duas margens e adquire velocidade no meioF.esta abstra"#oG-. demonstra sua ascend(ncia nit&scheana. sem com isso deixar de ser desencontro. inextricavelmente. $o impedir o p2blico de entrar. + nãoespaço do encontroK esse ?entre as coisas VqueW n#o designa uma correla"#o locali&ável que vai de uma para outra e reciprocamente. e as pessoas se afetavam umas s outras. vivenciada por várias pessoas. logo após eu ter me mudado de casa. o que aparecem medida que essas experimenta"=es se desenrolam. e está a* a sua própria vivacidade. um desencontro. > 4uando tirei uma carta de tarot para esse ano. é que um 2nico nome nunca basta.

' aconchegante murm. )as é poss*vel também olhar do outro lado. Qá dois tipos de noites mágicas poss*veis . se. n#o é poss*vel agarrá-lo. / é precisamente 5SS' que constitui o )aravilhoso em sua face extrovertida. se1a aquela da vo& da intui"#o ou da inspira"#o. $ quest#o está toda na entrega7.Y. 0 só agora que percebo que o surrealismo mesmo esteve.7.a segunda sendo apenas a produ"#o imanente da primeira-.Z-. foi uma noite de introvers#o que me deu a resposta. $ Aaposa ent#o me deu a chave.passividade-. algo a adicionar pra aqueles que seguem buscando como eu. como é da nature&a do corpo que se durma pra que se possa acordar. 70 5SS'7. e o expirar para o inspirar. 7qual é a chave capa& de destrancar as Nor"as )aravilhosas da noiteJ7. ora com a do m2ltiplo equ*voco dos entes . as noites das conversas francas entre amigos em frente a uma fogueira. e ali acontece o isolamento necessário pra que se possa apreender a )aravilha sem se confundir com ela. e me leva a pensar que eu tenho.o&. as noites do aconchego e de calma troca de afetos. $ semelhan"a entre as situa"=es foi tocante. +eparada com minha quest#o. desde sua quest#o inicial .o que n#o impede. o 'ráculo dos 3oderosos +euses. mas é muito mais . me disse o 6obo. > 70 5SS'7.agora que abandonei o t*tulo vulpino e me consagrei. como demonstramos. ' n2mero . n#o é poss*vel defin*-lo ou conservá-lo% é poss*vel apenas viver. 4uando 5SS' acontece.há as noites de exalta"#o. 70 muito simplesG 0 só se entregar. a 8have me foi entregue sem alarde . cu1o t*tulo secreto é 's Nilhos da . minha entrega ao cotidiano . sem generalidades. uma amiga constatou 7)as essa é também uma noite mágica7. Sou desapossado das ra*&es do ouro. nunca se1a categorial. quando era quest#o de s(-lo. Nelino-. a partir do aspecto lento e silencioso da )aravilha. quase 1ogada ao ch#o por sua obviedade.atividade-. mas tenho na m#o os fios da tempestade e conservo os sinetes de cera do crime. esses dois nomes n#o operam nenhuma divis#o ontológica. claro. como é da nature&a do corpo que empregue o inspirar para expirar. afinal.o& da )aravilha. sua intui"#o espiritual.. / n#o se pode ter uma sem que se tenha as outras.a do automatismo . aqui e ali. mas a festa que é vivida no corpo . decerto. condu& do n2mero X ao n2mero . $gora eu percebo que é isso. e que se acorde para que se possa dormir. enfim. Hunca perder de vista que.. $final. .. > 8omo todas as coisas )aravilhosas. em sumaK sem categorias. n#o a festa que é marcada.iver e deixar de viver s#o solu"=es imaginárias. sem a media"#o dos g(neros e das espécies.70 preciso pensar [1untas[ a univocidade do Ser e a equivocidade dos entes ..com a própria proposta de viver autogestionariamenteK produ&ir um consenso partindo das diferen"as entre as pessoas. é natural e significativo que a influ(ncia do X sobre o . n#o é poss*vel prend(-lo.7 .fa&er de modo que a aparente travessia de uma anal*tica que 1oga ora com a face un*voca do ser .. mas é uma diferen"a da ordem da do menu e da refei"#o-. 3ortanto.minha rela"#o com a casa. 70 quando ela dorme que ela me pertence% eu entro em seus sonhos como um ladr#o e perco-a verdadeiramente como quem perde uma coroa.7 . Hunca distribuir ou dividir o ser segundo essas duas vias. de explos#o coletiva. que ela se1a marcada. dos tipos ou emblemas.quase de passagem. 7$ carta chamada 's $mantes.\- . $ exist(ncia está em outro lugar.7 . de extrovers#o. acima de tudo. / há também as noites *ntimas e silenciosas. as noites atravessadas pela festa propriamente dita.rio silencioso que é o pano de fundo da consci(nciaK a . 7. me disse ontem a Aaposa .envolvido na explora"#o deste mistério. é a personalidade humana de um homem% o n2mero X.o mistério dos $mantes se coloca para mim em quase todas as esferas de minha vida. / se as noites de extrovers#o me trouxeram a quest#o.. sempre s#o necessários dois nomes para fa&er 1usti"a univocidade.

e4re all .\.$ 8onversation Bith $le1andro @odoroBsED . eu tiro de mim mesmo.ire connectin# and separatin# e(eryt'in# since it all be#an/// 0'is is 'o.. ' que eu n#o dou. Lrant )orrison . conforme seus próprios planos internos.9:XP. é a própria for"a de entrega.$ndré Creton . como uma ferramenta de domina"#o e submiss#o. e o namoroJ H#o há ninguém que verdadeiramente namore. mais eu minto a mim e aos outros.:.' 6ivro de !hoth .- . quanto mais eu coloco para circular. cristali&á-la. e se amplifica na mesma medida em que circula.disfar"ada como 7individualismo7 .9::\. abafando sua tr(mula chama.e4(e #ot/. )as a vida.9:UY.$ll Star Superman .9:UY.Nala 6ex 6uthor. é poss*vel atar-se a ela como um fardo e arrastar seu peso por a*.$le1andro @odoroBsED .:. mas é poss*vel usar o namoro. he sees all t'e time1 e(ery day/ 2i3e it4s all just us1 in 'ere1 together/ And .+o tempo em que os surrealistas tinham ra&#o .$ndré Creton .$ndré Creton .V3rimeiroW )anifesto do Surrealismo .Segundo )anifesto do Surrealismo .$ndré Creton . o amor é a própria instância primeira da rela"#o. 0 por isso que o amor passa sempre ao largo do namoro. definir seus limites.extra do filme /l !opo.Z. ' ci2mes é fundamentalmente anti-amor. 7' que eu dou. esta palavra..+eleu&e e Luattari .)il 3lat<s vol. de minhas posses. uma ve& que o namoro é uma abstra"#o com a v# pretens#o de cristali&ar o amor.9::\.o esfor"o constante de reter a minha vida em mim.]. e o amor apenas .3eixe Sol2vel . por defini"#o.9.]. mant(-la. dormir e fluir. > -I can actually see t'e mac'inery and . o clamor do ser .U.9:XU. e como consequ(ncia. em sua nature&a própria de mudan"a perpétua. filho da inseguran"a e da posse.é a mesma coisa% quanto mais busco reter o amor dos outros por mim. uma problemática sub1acente a todas as outras. menos eu tenhoG !ive crises de avare&a morando aqui na casa% dificuldade de me desprender de minha privacidade. 0 imposs*vel namorar. e se perde na mesma medida em que se congela. s#o acima de tudo amorados. 0 preciso deixar o amor ir e vir. Uma amiga identificou.UPP. 4uanto mais energia eu entrego.+eleu&e. fundamentalmente. a minha avare&a de vida .amora. uma economia da abundância.9:YY.X.. sob o signo da Nalta e da escasse& do outro.!#o distinta do dese1o faltoso do capitalismo. cercear suas for"as. Ho amor .$lain Cadiou . n#o aceita ser acumulada. onde quanto mais eu dou. eu dou a mim mesmo. mas energia eu recebo. em mim. conservá-lo.> $ dinâmica do dese1o humano é. ele será sempre um tanto a mais do que o necessário. Y .Y. acumulá-la. numa epifania indu&ida em si mesma por ter inoculado um elixir que lhe concedeu por UYh os poderes do Superman. sensa"#o de estar sendo constantemente amea"ado e roubado pelo coletivo. 's amantes n#o s#o namorados.7 . deliciosamente desnecessário.$leister 8roBleD .

o capitalismo pós-moderno mostra mais do que nunca quanto é próxima ao na&ismo Qitler e sua arquitetura de ru*nas . se1a a rasid#o do pop evangélico. no colapso da civili&a"#o. ' veneno de +ada finalmente atingiu o mainstream . $ m2sica do pov#o é a m2sica da entrega. $ ironia é uma dobradura no significado. $ entrega é brega.Parte 5 .e com ele.A 6'a(e &ue destranca todas as Almas Qo1e a entrega está passé.atrás do 1ogo duplo.9. quando a folha verde do dólar mostra sua sequid#o. e se p=e a sugar o que pode da ingenuidade pré-ir<nica inerente humanidade. 4uando o significado todo se esvai. a entrega é vergonhosa.é buscar na absoluta fal(ncia da sociedade. $ poesia que resta ao capitalismo é a poesia dos cacos.e essa é a adaga . sugando todo o resto da significância que a tradi"#o. ho1e tudo que nos resta no espetáculo é turismo de catástrofe . ' Eistch n#o é ing(nuo. Hesse ponto. /nquanto isso. o Eistch é simplesmente raso .mesmo que se1a na desola"#o das ru*nas.a burguesia é blasé. tentativa p*fia de transcend(ncia e reconcilia"#o das contradi"=es inerentes máquina capitalista. uma fonte de alteridade . veio o redemoinho e o ralo. pro brut. se1a o corno estropiado do sertane1o e do pagode. pois o Eitsch é necessário para a exist(ncia do chic.se bem que o capitalismo 1á está por demais fundo em seu próprio buraco pra conseguir vislumbrar sequer a grandiosidade do reic' o heróico é por demais ing(nuo. Se bem que depois da . a fam*lia e o estado conservavam. nada de se importar com a vida.orld music até mesmo isso 1á é passé.. ' capitalismo vira ent#o suas câmeras pro exótico. tédio existencial profundo e o embara"o vergonhoso de existir. a entrega é do pov#o . o que pode da vida se esconde atrás do ir<nico . pro naif. a ind2stria cultural cospe seu Eitsch incessantemente no rádio. pois ambos se con1ugam na ironia dialética da pós-modernidade. na queda do império romano.

a sociedade aristocrática. enquanto corpo de ginga. /ste é o mais perigoso dos territórios M atentos este1amos pra fal(ncia do pensamentoG . capturada entre a relatividade e o quântico.na constante tend(ncia do 3ensamento falir em categorias . erroneamente entendida como ?livre arb*trioF quando pro1etada sobre o indiv*duo . pendulo de Noucault. / se pensamos em uma aristocracia. um caminho de resist%ncia% ou a possibilidade de seguir capturando nas velas da intui"#o o vento que sopra do futuro. suas próprias disten"=es. ainda conhece a entrega . uma quest#o de perspectiva M comportando neste aspecto uma hierarquia interna a seu próprio plano. e sua profissionali&a"#o da pregui"a nos tempos de pa&. tentativa de solu"#o das contradi"=es através de uma rasifica"#o progressiva. matéria x esp*rito% o caso da f*sica. a história remete sociedade de castas. para por de pernas pro ar a máxima liberal . balan"ando suavemente ninado pelo vento que sopra do futuro.. 3ara nos tornarmos mestres da arte marcial do passar no meio. qual me refiro como 7problema da dobra7. mas também. problemática da transi"#o entre um universo enquanto puro campo potencial e um universo ob1etivo% problemática da filosofia. uma discrimina"#o fundamental do ser. ' pov#o.na tentativa desesperada de ser chic.Labriel !arde entendeu melhor do que ninguém .pois há uma dificuldade que é inerente ao próprio fluxo. $ dobra cient*fica . é necessário apreender o 3ensamento em sua duplicidadeK enquanto plantar de bananeiras. é capa& de uma doa"#o muito maior do que a da burguesia. a busca de seguran"a e pa&. nos encontramos sempre com a possibilidade de se engastar em estratos. e seguir por um caminho dif7cil. afinal. art*stica.o pov#o ainda tem dentro de si a estrela dan"arina da comunitariedade. a transi"#o entre o atual e o virtual. > $ sociedade burguesa demonstra sua mais profunda inércia na sua eterna busca pela facilidade. própria atra"#o. há uma tens#o cósmica necessária que impele o ser diferen"a M e esta tens#o engendra seus próprios relaxamentos. estagna"#o nos estratos. o caminho fácil de um corpo que escorre segundo os ritmos e fluxos que lhes s#o próprios.falaciosa do capitalismo. /ssa é uma problemática filosófica. +o que se trataria. cient*fica. o mesmo que lhe confere a legitimidade da ascend(ncia . $ todo momento. problemática da onda e da part*cula. é capa& de fa&er abundância e transbordamento e compartilhamento de muito menos . coisa que a burguesia ir<nicamente re1eitou .e na maior parte do tempo.mas n#o existem indiv*duos. / há também uma facilidade inerente coagula"#o. contudo. da busca de uma acumula"#o que #aranta o futuroJ )as a história é mais antiga.a problemática da perspectiva engendra em seu plano o potencial imanente da invers#o ou revers#o de perspectiva. )as o problema volta a se colocar. como o pulsar de um milh#o de cora"=es-metr<nomos. o relaxamento final da sub1etividade . entre o abstrato e o concreto. temos de arcar imediatamente com sua cara-metade. como problema na exterioridade. seu próprio dese1o de estagna"#o e de colapso. se olharmos perto o suficiente todo indiv*duo se revela uma multiplicidade. com a possibilidade de confundir a matéria morta que se acumula na superf*cie do tempo com o corpo próprio do tempo. candelabro das galáxias.indiv*duo x sociedade. dialética sem solu"#o de continuidade.que é apenas capa& de apreender o A/$6 como ob1etividade-. > /xiste o caminho e existe o bloqueio ao caminho. eterno móbile binário da exist(ncia. > ' problema se coloca primeiro como quest#o de interioridade. problema estratégico ou pragmático. um relaxamento absoluto comparável apenas ao que é a morte do ponto de vista sub1etivo. entre a idéia e a experi(ncia. corpo de suspens#o ou de imobilidade. o sacerdócio. se duplo-afirma. e acima de tudo.

para n#o se ter de trabalhar.abrir o caminho para a facilidade inerente crueldade. incide de volta. afinal.a mesma consci(ncia que a burguesia tenta incessantemente esconder de si. mistura s2bita de ra"as. a na qual mais se trabalha. contudo. etc. /sse procedimento precisa. portanto. sua fuga desesperada em outro mundo que os livre da 8rueldade. / a 8rueldade. especialmente em sua própria busca por uma vida fácil no para*so. Aeich de uma 7peste emocional7. de forma muito simples% a nobre&a. Nreud de puls#o de morte. é desde o in*cio o dese1o pela facilidade% e este dese1o. resultado de um adoecimento do corpo .e esse adoecimento é pra mim a grande quest#o. contudo.desfa&er a dobra . $ própria mola catali&adora do /stado. consci(ncia da prima&ia do acaso e do caos . ainda tem a consci(ncia da 8rueldade. ' sistema se fecha. fa&endo com que a vida burguesa. desprimir a crueldade. do sacro contratoK a classe pregui"osa por excel(ncia. em busca de facilidade. se1a sempre a mais dif*cil de todas. ser seguido . se deixa mediar pelo sacerdócio em sua rela"#o com a realidade% e o sacerdócio assegura a sobreviv(ncia fácil de sua própria bunda através do sustento da plebe e da prote"#o dos nobres. 's marxistas nos falariam de 7aliena"#o natural7. se deixa mediar pela plebe na rela"#o com o trabalho% a plebe. os gnósticos da malignidade demi2rgica da matéria. devolvendo em seu rigor a própria press#o exercida contra ela. da Qierarquia. resultado da uma fraque&a de arcar com a própria complexidade imediata do real. n#o importa qu#o fácil se1a.divina. o recalcado. em busca da facilidade. Hiet&sche de alimenta"#o incorreta. desmontar a mola . $ sociedade Qierárquica. > ' primeiro procedimento envolvido na cura é.

Parte 8 – + (ento a soprar do futuro .