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ESTUDO DA INSERÇÃO DE CÉLULA A COMBUSTÍVEL INTEGRADA A SISTEMA HÍBRIDO DE GERAÇÃO DE ELETRICIDADE ISOLADO

SILVIO BISPO DO VALE(1) UBIRATAN HOLANDA BEZERRA(1) JOÃO TAVARES PINHO(1) EDINALDO JOSÉ DA SILVA PEREIRA(1)
(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ/CT/PPGEE/GEDAE, BELÉM, PARÁ, BRASIL

RESUMO
O presente trabalho apresenta um estudo de caso da inserção de uma célula a combustível (CaC) em um pequeno sistema híbrido de geração de energia do tipo eólico (10 kW), solar (3,2 kW) e diesel (20 kVA), realizando simulações para a avaliação da participação de cada uma das fontes de energia envolvidas. Pretende-se contribuir com este trabalho para o estabelecimento de parâmetros de avaliação de viabilidade técnico-econômica do uso desses sistemas híbridos isolados, visando futuramente à aplicação de combinações de modelos de hibridização para a geração de energia em comunidades isoladas na Amazônia, priorizando o uso de recursos energéticos locais.

ABSTRACT
This paper presents a case study of a fuel cell (FC) insertion in a small hybrid system for energy generation composed by wind (10 kW), photovoltaic (3,2 kW) and diesel (20 kVA) generations, making computer simulations in order to evaluate the contribution of each one of the energy-supply systems involved. This paper intends to contribute for the establishment of parameters to measure the technical and economic viability for using such isolated hybrid systems, trying in the future several combinations of models to hybridize the energy generation in Amazon isolated villages, making easier the use of local energy resources.

PALAVRAS-CHAVE
Célula a Combustível, Gaseificação, Geração de Energia, Sistema Híbrido, Sistema Isolado.

1

INTRODUÇÃO Nos tempos atuais. eólica. Hoje é fato bastante conhecido que as células a combustível apresentam um grande e eficaz potencial de geração de eletricidade. 2. as de ácido fosfórico (Phosphoric Acid Fuel Cells – PAFC). como os sistemas híbridos empregados em locais de difícil acesso para a rede convencional de distribuição de energia. Belém. A energia gerada é processada por um retificador (VCS10) e em seguida é entregue ao banco de baterias. Assim. aquelas dos tipos carbonato fundido (Molten Carbonate Fuel Cells – MCFC). o impacto e as perspectivas futuras para o uso dessa nova tecnologia em sistemas híbridos de geração de energia. as de óxido sólido (Solid Oxide Fuel Cells – SOFC). distante cerca de 180 km da capital do Estado.438. Assim. formando sistemas híbridos isolados de geração de energia.biomassa. A localidade considerada neste estudo dispõe de um sistema híbrido de geração de energia. as PEMFC e as SOFC demonstram ser mais atraentes pelo seu baixo custo e também por serem desenvolvidas para uso em baixas potências. 4 horas por dia e tem a finalidade de servir como “backup” para o sistema. Pretende-se estudar a inserção da célula a combustível na geração já existente e. As CC produzem eletricidade eletroquimicamente a partir da combinação de hidrogênio e oxigênio. centrais hidrelétricas e eólica. A CaC pode ser integrada com um gaseificador de biomassa. até 2015[1].[2] Como parte do sistema de geração de energia. analisar através de dados a sua contribuição. a eletricidade é um bem primordial na sociedade. A energia gerada pelo painel fotovoltaico é então armazenada em um banco de baterias automotivas. Complementando a geração de energia. amparada pela Lei 10. a integração de diversas tecnologias de energias renováveis apresenta-se como alternativa bastante atrativa no atendimento de pequenas cargas em localidades isoladas. a tecnologia de células a combustível apresenta-se como uma alternativa viável para a geração distribuída ou agregada a outras fontes de geração. 2 . e diesel. seja atendendo a zona urbana ou a zona rural.2 kWp. solar fotovoltaica (3. disponíveis comercialmente desde 1994. Para aplicação residencial. dos quais 10 milhões residentes na área rural. o grupo gerador a diesel funciona.1. O sistema híbrido é complementado na sua geração com uma turbina eólica de 10 kW a 30 metros de altura. Com o objetivo de levar energia elétrica a quase 12 milhões de habitantes sem atendimento elétrico. SISTEMA HÍBRIDO DE GERAÇÃO A comunidade considerada neste trabalho está localizada no nordeste paraense. estabelecendo os incentivos à utilização das fontes renováveis de energia . dispostos em um arranjo série de 120 Vcc. produzindo calor e eletricidade para comunidades isoladas. composto das seguintes fontes: eólica (10 kW). 40 famílias. Dentre as tecnologias de CaC’s. e as de polímero sólido (Proton Exchange Membran Fuel Cells – PEMFC) são as mais adequadas para as aplicações em geração de energia elétrica. As energias renováveis vêm sendo pesquisadas como formas alternativas para substituição. o governo federal brasileiro propôs-se.2 kWp) e diesel-elétrica (20 kVA). A localidade possui cerca de 240 habitantes. atender toda essa demanda com a universalização dos serviços de eletricidade. em geral. ainda que parcial. Esse tipo de atendimento é interessante quando aliado a outros tipos de geração. da geração através da queima de combustíveis fósseis. totalizando uma potência de 3. e tem na pesca sua principal atividade econômica. os módulos fotovoltaicos integram o conjunto gerador composto por 40 módulos fotovoltaicos de 80 Wp cada. como solar.

Ainda fazendo parte desse sistema. um sensor de direção de vento a 30 m. e um sensor de temperatura a 5 m.O sistema de armazenamento de energia é composto por 40 baterias automotivas de 150 Ah/12 Vcc. As figuras 2 e 3 apresentam os dados de um período de um ano coletados pela estação. O sistema de geração é monitorado por sensores dispostos em locais específicos. totalizando 72 kVA. um sensor de radiação solar a 5 m. Os dados são coletados e armazenados em um “data logger” e depois transferidos para um computador para posterior análise. sendo os pontos de medição designados por S1 a S25. dispõe-se de uma torre tubular de 30 metros de altura composta de dois sensores de velocidade de vento. de modo a adquirir os dados de tensão e corrente de todas as fontes geradoras. 6 5 V (m/s ) 4 3 2 1 0 03 3 3 3 2 3 3 r/ 0 m ai /0 /0 z/ 0 /0 /0 v/ m ar ja n ab ju n 30 m M édia 30 m 10 m M édia 10 m Velocid ades no Período 03 ju l/ 0 o/ t/0 t/0 ou de fe ag se M ês Figura 2 – Representação dos dados eólicos coletados. CENTRO DE CONTROLE (SENSORES) Figura 1 – Diagrama do sistema híbrido com os pontos de coleta de dados. O diagrama de blocos. mostrado na figura 1. As velocidades médias mostram-se um pouco baixas para a geração eólica – figura 2. a 10 e 30 m respectivamente. ilustra esta situação. e que estão dispostas em um conjunto série/paralelo de 120 Vcc. A radiação solar apresenta-se promissora para a geração solar fotovoltaica conforme a simulação dos dados mostrados na figura 3. no v/ 03 3 3 3 3 .

considerando fatores técnicos e econômicos relativos à sua inserção. ag fe se 4 . Geração 5000 4000 Consumo Eólico Solar Wh 3000 2000 1000 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Horas Figura 5 – Curvas de geração e consumo de energia. (médias horárias) 3. Ainda na figura 5 é mostrado o comportamento da demanda de energia na localidade. PROPOSTA PARA INSERÇÃO DA CÉLULA A COMBUSTÍVEL Apresenta-se neste trabalho um estudo preliminar da integração gaseificador/célula a combustível no sistema híbrido descrito. respectivamente. As figuras 4 e 5 apresentam. 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Curv a de Carga Fas e A (VA ) Fas e B (VA ) Fas e C (VA ) VA 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Horas Figura 4 – Curva de carga diária. a curva de carga diária por fase e a contribuição para a geração de energia dos sistemas eólico e solar fotovoltaico.Radiação no Período 600 500 400 W /m 2 300 200 100 0 03 03 03 03 3 3 02 03 /0 ju l/ 0 /0 03 n/ n/ r/ t/ 03 ou t/ v/ ar ai o/ v/ no z/ 03 3 Radiação M édia ab de ja ju m m M ês Figura 3 – Representação dos dados de radiação solar coletados.

o qual poderá. Para se obter a quantidade e o custo do hidrogênio necessário à operação da CaC pode-se utilizar o procedimento abaixo. mostrando-se promissora para aplicações estacionárias (geração de energia). quando da aquisição do equipamento. tanto em nível de estudos teóricos quanto em nível prático.20 R$/m3 COMBUSTÍVEL Tecnologia Custo ETANOL ANIDRO DMFC 360. portanto. seguida de reforma e purificação do gás. Quando é aproveitado o calor gerado.[5] A vazão do hidrogênio pode ser expressa conforme a equação 1.00 R$/m3 Neste trabalho. pode-se alcançar um rendimento superior a 70%. entretanto. Sabe-se. como alvo de estudo e posterior aquisição. já que este é possível dada a abundância de matéria-prima no local.1.4]. figura 6. pelo fato de ser desenvolvida para potências na faixa de 1 a 250 kW[3. de modo a obter-se um gás livre de monóxido de carbono (CO). Célula a Combustível Existem diversos tipos de tecnologias de células a combustível em desenvolvimento no mundo e a única em estado comercial é de ácido fosfórico – PAFC. Opta-se aqui pela célula a combustível polimérica. Figura 6 – Esquema de uma célula a combustível PEM.12 R$/m3 0. pois propõe-se a utilização de biomassa local – mamona.3. dendê ou outras disponíveis. da ordem de R$ 1.[5] HIDROGÊNIO GÁS NATURAL ELETROLÍTICO AFC MCFC 4. Vale ressaltar que após a gaseificação. utilizar um eletrólito de membrana polimérica que permite a troca de prótons de hidrogênio e já encontrar-se em estágio pré-comercial. Esta.[3] Sugere-se. envenenar o catalisador da célula a combustível polimérica – PEMFC. A tabela 1 apresenta o custo do combustível para alguns tipos de célula. 5 . o gás será limpo em um filtro (purificador). porém. Isto favorece a utilização dos recursos de biomassa local e promove a geração de renda à comunidade através da comercialização da própria biomassa. Posteriormente poderá ser levantado um valor mais preciso com a instalação do conjunto gaseificador/célula a combustível. caso não seja eliminado. apresentar eficiência entre 40 e 50%. casca de coco.00/m3. é disponibilizada para potências acima de 70 kW. o valor do custo do hidrogênio produzido no gaseificador é considerado para efeito de cálculo. O atual nível de desenvolvimento desse tipo de célula já atingiu um relativo grau de maturidade. a gaseificação da biomassa. Tabela 1 – Custo do combustível. que muitos ajustes terão que ser realizados. operar em temperatura compreendida entre 60 – 110ºC. Por não se ter o valor real dos custos de produção do volume de gás é que se atribuiu de R$ 1.00/m3.

onde os valores apresentados consideram 4 6 .Q= 1⎛ P ⎞ ⎜ ⎟ η ⎝ PCI ⎠ (1) onde: Q: vazão máxima (m3/h). apresenta um baixo fator de utilização. O sistema solar. 100%. O custo real do combustível pode ser expresso através da equação 4. η: rendimento da célula a combustível. (2) Q mA = Q m ∗ 8760 onde: QmA: vazão média anual (m3/h).02 Custo do Combustível (R$/kWh) = 0. Em todos os casos utilizou-se um fator de recuperação de capital de 0.2. P: potência instalada (kW). A célula a combustível tem o melhor fator de utilização. pois opera apenas por quatro horas/dia. custo de R$ 30. determina-se a vazão média do hidrogênio necessária. CH: custo do hidrogênio (R$/m3).356.67 A potência da célula a combustível proposta é de 5 kW.00/kW. fator de carga de 100%. 8760: número de horas no ano. F: fator de carga.35 Vazão Média (m3/h) = 3. A partir das equações (1) a (4) encontra-se os seguintes valores: Vazão Máxima (m3/h) = 3. Calculada a vazão máxima. PCI: poder calorífico inferior do hidrogênio (kJ/m3). (3) CC = 1 ⎛ CH ⎜ η⎜ ⎝ PCI ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ (4) onde: CC: custo do combustível (R$/kWh). apesar de ser o de menor capacidade instalada (3.000. O sistema diesel. Qm = Q ∗ F onde: Qm: vazão média (m3/h). apresenta o menor custo da energia gerada. apesar de ser o de maior potência. rendimento de 50%. Em seguida estima-se a vazão média anual. e um período de funcionamento de 24 horas/dia.11. Análise dos Dados A figura 7 apresenta o fator de utilização (FU) e o custo de produção da energia para cada uma das fontes envolvidas.2 kWp). operando por 24 horas/dia.35 Vazão Média Anual (m3/h) = 29. já que a operação otimizada do gaseificador sugere funcionamento ininterrupto. 3.

função de um menor fator de utilização.00 Solar (3. devendo-se fundamentalmente ao custo de investimento.11 Eólico (10 kW) 4. em determinadas épocas do ano pode-se chegar a 5 HSP por dia.000 36.672. além de uma taxa de juros (i) de 10%aa.000 40.000 28. quando comparada com as demais fontes. 44. Em todos os casos a tarifa utilizada foi normalizada no valor de R$ 1.58 Diesel (4h/dia) 3.39 Solar (4HSP) 16.00 658.7] foi realizado considerando-se o investimento inicial de cada sistema. da ordem de R$ 30. o que melhoraria o desempenho desse sistema frente aos demais. A figura 8 mostra a excelente produção anual da célula combustível.33 5.00 40.80/kWh.00/kWh.00 4.000 16.000 32.00 80.000 24. As condições de operação dos sistemas são as mesmas adotadas na figura anterior.2 kWp) Diesel (20 kVA) Célula (5kW) Figura 8 – Geração anual de energia. Neste caso encontraria-se FU de aproximadamente 6% e um custo da energia de R$ 3. O sistema eólico é o mais oneroso dentre todos os sistemas. apresentando o maior custo de produção de energia.000.00 60.672.00 Eólico (5m/s) 0.00 0. Na realidade.00 20.00/kW. 100. A expressão utilizada para cálculo de TRS anual é: TRS = Investimento Inicial Consumo Anual de Energia x Tarifa (5) 7 . Esta situação poderia ser melhorada caso na região fosse verificada médias anuais de vento da ordem de 10 m/s.75 30.horas de sol pleno (HSP) por dia.000 4. O cálculo do Tempo de Retorno Simples (TRS)[6. o custo do kWh gerado e a tarifa cobrada.05 FU (%) R$/kWh Figura 7 – Fator de utilização e Custo de produção.800.000 12.000 20.67 2.72 Célula 100.000 - Geração kWh/ano 43. Verifica-se que o custo de produção da energia pela célula a combustível é elevado.000 8.00 6.

o que não é observado na região do nordeste paraense.50 3. o gasto anual apenas com óleo combustível é da ordem de R$ 6. considerando-se um fator de carga de 20%. com o aumento do fator de utilização tem-se uma diminuição do custo da energia renovável gerada. Esta aparente vantagem do sistema diesel é eliminada quando leva-se em conta o acesso ao local de geração.05/kWh.Eólico.85 Figura 9 – Tempo de Retorno Simples (TRS).50 1. em geral bastante difícil nas localidades isoladas da Amazônia.TRS TRS (i=10%) 160 120 80 40 - 159. o gasto anual apenas com óleo combustível seria da ordem de R$ 37.00 10. É um valor alto.72 com apenas 4 horas/dia de operação).50 0. o TRS dos sistema eólico e solar ficará mais atrativo quando comparado com o sistema diesel. Figura 11 – Fator de utilização e Custo da energia .90.57 com 4 HSP) ou com o diesel (R$ 5.84 11. Os dados utilizados são provenientes de um aerogerador importado com perfil apropriado para velocidade nominal de 12 m/s.00 0.00 3 4 5 6 Horas de Sol Pleno (HSP) R$/kWh 15 10 5 0 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 V (m/s) 40. Assim.00 1.00 30 25 Solar i = 10% 4.Tempo de Retorno Simples . As figuras 10 a 13 mostram o comportamento do fator de utilização e do custo da energia gerada para cada um dos sistemas envolvidos. 30 25 Eólico i = 10% FU R$/kWh 70.226.55 (Anos) 11. Se o grupo gerador a diesel operasse 24 horas/dia.00 0.00 15 10 5 0 FU R$/kWh Figura 10 – Fator de utilização e Custo da energia .54 9.42 3. Em todos os casos.00 50.00 30.00 20.383.00 60. supondo-se o diesel a R$ 2. que espera-se estejam com custos de implantação menores em poucos anos. Observa-se na figura 9 que o tempo de retorno do investimento é menor na célula a combustível. as fontes renováveis. R$/kWh FU (%) FU (%) 20 So la r( 6H S So la r( 5H S 20 Di es el (4 h) P) P) 8 .00 2. Se houver uma melhor condição de vento e radiação solar. O sistema eólico mostrou falta de competitividade na situação apresentada devido às inadequadas condições de vento consideradas.Solar.00/litro. chega a R$ 6. comparando-se com o sistema solar (R$ 2. Em todos os casos foi novamente considerada uma taxa de juros de 10%aa.30.86 3.00 3. apresentam tendência de aumento do fator de utilização e conseqüente redução no valor da energia gerada. 5m/s. excetuando-se períodos para manutenção. nas condições atuais de mercado. Como o diesel opera por 4 horas/dia. 5 e 12 m/s e 5 e 6 HSP. O custo da energia gerada pela célula a combustível.50 2.

CONCLUSÕES As tecnologias de geração de energia renovável estão se difundindo cada vez mais. ao eliminar ou diminuir a participação do diesel na geração de energia. do diesel e difusão do uso dos sistemas híbridos de geração de energia.00 2. Por outro lado. tornando-os mais competitivos frente aos grupos geradores a diesel.Diesel.800 US$/kW.00 80. como é o caso do Brasil.00 50. considerando-se não apenas sua viabilidade técnica. a inserção de células a combustível em sistemas híbridos de localidades de difícil acesso é. os aspectos econômicos. que aparentemente mostram-se desfavoráveis ao uso dessas tecnologias. até o ano de 2010 o custo da tecnologia de célula a combustível estará na ordem de 400 a 1. A opção pelas tecnologias de fontes renováveis de energia nos sistemas híbridos deve ser feita de modo criterioso. concorre para a preservação do meio ambiente e para a geração de renda em localidades isoladas. na condição de elevado fator de carga.Diesel 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 10 20 30 FU(4h) R$/kWh(4h) 12. devendo diminuir o valor conforme aumente a potência[8]. é interessante considerá-las.00 40 50 60 70 Fator de Carga (%) 80 90 100 60 40 20 0 21 15 11 Horas/dia Figura 12 – Fator de utilização e Custo da energia . e que portanto. Diferentemente do grupo gerador a diesel os sistemas renováveis apresentam baixo custo e freqüência de manutenção.00 FU (%) 9 . o que em geral é favorável.00 60. por se tratar de uma fonte relativamente nova. essas localidades padecem pela falta de infra-estrutura para crescer e produzir. como o grupo gerador a diesel. mas também os impactos ambientais. 13 17 19 23 1 3 5 7 9 R$/kWh 8. o que favorecerá a substituição. o uso continuado dos recursos energéticos. mostrou-se atrativo com relação ao investimento inicial.00 100. A energia gerada pode ser aproveitada para beneficiamento e conseqüente aumento do valor agregado de seus produtos e da renda per capita da comunidade. o custo dos sistemas eólico e solar também devem diminuir com o tempo.00 10. 4.00 0.00 40. A utilização do conjunto gaseificador/célula a combustível como elemento contribuinte para a geração apresenta-se como uma possível solução para esse tipo de atendimento. onde estas apresentam grandes vantagens em relação à geração por combustíveis fósseis e.Célula. se comparada com outras fontes. Em geral. torna as fontes renováveis de energia competitivas. principalmente quando o enfoque restringese apenas ao custo inicial para implantação do sistema. A utilização de sistemas híbridos. utilizados em pequenas comunidades isoladas do Brasil. precisa ser considerada nos projetos futuros e nos já existentes.00 R$/kWh Célula 120 100 80 FU(%) i = 10% FU (%) R$/kWh 6. segundo as tendências de mercado. comparado com as demais tecnologias. uma possibilidade real de substituição parcial ou total dos grupos geradores a diesel. o que é um fator determinante para localidades de difícil acesso. De qualquer modo. pois com a universalização dos serviços de eletricidade. inclusive nos países em desenvolvimento.00 0. particularmente. como mostram as simulações. ainda que parcial. O grupo gerador a diesel. Entretanto. em tamanho comercial de 20 kW.00 10. uma grande parte do atendimento de energia às comunidades da região Norte irá depender de geração com sistemas híbridos. principalmente no que diz respeito à célula a combustível. Figura 13 – Fator de utilização e Custo da energia . pois o diesel apresenta um substancial gasto com operação e manutenção. No entanto. a solar fotovoltaica e a eólica.00 4. A despeito do elevado custo das tecnologias para aproveitamento das fontes renováveis de energia.00 70. Percebe-se que essas tecnologias ainda apresentam um alto custo de aquisição.00 30.00 90.00 20.

25. Em geral.. 10 . 29. Não se faz necessário. Universidade de São Paulo – Instituto de Eletrotécnica e Energia . Tecnologías con Futuro: Pilas de Combustible la Revolución Silenciosa. [6] SANTOS. Química Nova.11. ILDO LUIS. • Célula a Combustível o Oferta local abundante de combustível. Energia Elétrica para Todos os Brasileiros até 2008.br/noticias/2003/novembro/11. 1999.Brasil. Universidade Federal do Pará. o que é uma tendência de mercado. Estudo de Planejamento Integrado da Recursos para o Sistema Elétrico da Boa Vista – RR. LINARDI.2003/htm. 2003. CLAUDIOMIRO FÁBIO DE OLIVEIRA.com. Engenharia Econômica.cgce. L. 2002. GISELA. Secretaria Técnica do Fundo Setorial de Energia – CTEnerg. [4] WENDT. GALVÃO.org. [7] MONTENEGRO. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] www. onde cada uma delas atende uma parcela da demanda da comunidade.br/arquivos/pro01_doc_ref. 470-476. Editora Vozes. MIGUEL EDGAR MORALES.. ELIANA M. o custo do investimento inicial precisa diminuir. 5. pág. MARUYAMA. Curso de Engenharia Elétrica. para que as vantagens do uso das tecnologias renováveis em localidades isoladas tornem-se maiores. de A. N0 3. Trabalho de Conclusão de Curso.energetica21. Células a Combustível de Baixa Potência para Aplicações Estacionárias. www. a utilização de uma única fonte de energia para atendimento da carga. mas um estudo preliminar para identificar as potencialidades dos recursos energéticos locais e a posterior escolha das fontes renováveis a serem integradas ao sistema híbrido. o Aerogerador com característica nominal de operação em velocidades compatíveis com o local escolhido. 1983. Em todos os casos. [5] BURANI. novembro de 2003. MARCELO e ARICÓ. [3] BÜHL. São Paulo. pode-se estabelecer algumas condições gerais para a utilização dos diversos tipos de geração de energia em localidades isoladas: • Sistema Eólico o Velocidades médias anuais de vento da ordem de 8 m/s. J. acessada em 10/10/2003.0 HSP.. GERALDO FRANCISCO. 2a ed. Montagem. Vol. LUIZ CLAUDIO RIBEIRO e UDAETA. HARTMUT. • Sistema Solar o Radiação solar média pelo menos de 4. portanto. 5th Latin-American Congress – Eletricity Generation and Transmission.gov. pág. São Pedro – São Paulo . Comissionamento e Telesupervisão de um Sistema Híbrido Solar-Eólico-Diesel para Geração de Eletricidade.pdf.mme. CÁSSIO BORRÁS e SAUER. [8] www. Introdução da Produção Energética Através de Células de Combustível no Planejamento Energético.Claro deve estar o fato da facilidade de integração dos diversos tipos de fontes renováveis de energia. janeiro de 2003. Petrópolis. acessada em 20/12/2003. [2] BARBOSA. FLÁVIO MINORU. Estado da Arte e Tendências das Tecnologias para Energia.