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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Proposta do Plano de Consulta para os Aproveitamentos Hidrelétricos de São Luiz do Tapajós e Jatobá

Abril de 2013

Índice

1.

Introdução ........................................................................................................................ 3

2. Contextualização ................................................................................................................... 3 3. Processo de Consulta ............................................................................................................ 4 4.Preceitos da Consulta ............................................................................................................. 4 5.Etapas da Consulta ................................................................................................................. 5 5.1.Apresentação da Intenção: versão preliminar do Plano de Consulta ................................ 5 5.2.Pactuação do Processo de Consulta ................................................................................. 6 5.3.Consultiva ....................................................................................................................... 6 5.4Devolutiva ........................................................................................................................ 7 ANEXO. Próximas Etapas na Consolidação do Plano de Consulta ............................................... 7

1.

Introdução

Trata-se de uma proposta de Plano de Consulta que o Governo Federal quer apresentar e colocar para discussão juntamente com as comunidades indígenas e sociedade de uma maneira geral. Essa proposta se insere numa estratégia e necessidade de aproximar Governos, comunidades e populações; para além de ouvilas, dialogar e co-criar soluções sustentáveis, diante de um planejamento de investimentos na região do Tapajós. Ainda nessa estratégia, visando elaborar um planejamento conjunto do governo federal, que oriente a atuação na região de possível implantação das Usinas de São Luiz do Tapajós e Jatobá, identificadas como prioritárias na Bacia Tapajós, foi constituído um grupo informal com o objetivo de elaborar um diagnóstico multissetorial sobre a região, identificando problemas, gargalos e necessidades além do levantamento dos investimentos dos órgãos federais na região. Nesse sentido, o governo federal tem buscado desenvolver ações conjuntas com o intuito de garantir as diferentes leituras e expectativas das populações locais, de modo a inseri-las na construção das bases para o desenvolvimento regional aliada ao respeito à população e ao ambiente no qual estão inseridas, garantindo-se assim, a preservação de recursos naturais necessários a sua boa sobrevivência. Atualmente encontra-se em discussão a execução de ações de governo para a região, especialmente no que diz respeito ao reforço dos equipamentos públicos nos municípios e a priorização de políticas públicas de educação, saúde, saneamento, segurança, entre outras. Por último, uma vez que a principal vocação identificada na região é a da conservação, ressalta-se que se encontram em desenvolvimento ações de proteção de unidades de conservação, territórios indígenas e fortalecimento das atividades produtivas dessas populações na região.

2. Contextualização
Posteriormente às atividades já iniciadas pelos diversos órgãos de governo no ano de 2012, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou em 26/09/2012 uma Ação Civil Pública em face da União, IBAMA, ANEEL e EPE, autuada sob o nº 388398.2012.4.01.3902, perante a Justiça Federal de Santarém, requerendo a elaboração da Avaliação Ambiental Estratégica - AAE, de Avaliação Ambiental Integrada - AAI, bem como a realização de Consulta Prévia, Livre e Informada para comunidades indígenas e tradicionais presentes na área de influência do empreendimento. Foi deferida a liminar nesse processo, em 19/11/2012, determinando a elaboração da AAI e a oitiva às comunidades indígenas da região afetada e estipulando prazo de 60 dias para o MPF indicar o formato para execução desse processo de escuta e as lideranças das comunidades possivelmente impactadas pelos projetos de AHE. Em

razão da inexistência de fundamento legal, não foi acolhido o pedido para realização de AAE. Diante da decisão exarada e devido à responsabilidade de elaboração do formato direcionada ao MPF, Governo Federal e MPF iniciaram diálogo para a formatação de uma proposta conjunta. Ressalta-se que as bases conceituais adotadas para a elaboração desta proposta estão pautadas nos princípios preconizados pela Constituição Federal e textos internacionais. Foram realizadas duas reuniões com representantes do MPF, uma na PGR com a presença da Dra. Déborah Duprat e Procuradores da República de Santarém; e a outra reunião, ocorrida no Palácio do Planalto, entre representantes do Governo Federal e o Procurador da República Dr. Fernando Antônio. O objetivo dessa última reunião foi o de avançar numa proposta conjunta de plano de consulta que deveria ser debatido e pactuado com representantes das comunidades a serem consultadas. Nessa oportunidade, o Governo Federal destacou que o processo de consulta deverá ser pactuado preliminarmente com os povos, obedecendo aos momentos de informação, consulta e concertação, bem como os princípios da boa-fé, transparência, interculturalidade, representatividade e flexibilidade. Cabe ressaltar que os estudos da Avaliação Ambiental Integrada, compreendem a realização de seminários para o público em geral e já estão em fase de conclusão, prevista para maio de 2013.

3. Processo de Consulta
A consulta é compreendida como um processo de escuta e diálogo em que as partes colocam-se a disposição para ouvir e apreender, expondo e revendo posições. Deve ter preparação adequada com a definição de suas bases de forma conjunta, momentos de informação e escuta de acordo com a metodologia pré-definida. O objeto desse processo de consulta abrangerá informações sobre os AHEs São Luiz do Tapajós e Jatobá, empreendimentos priorizados pelo governo nessa etapa por oferecerem menor impacto direto em áreas antropisadas, conforme trabalhos ainda em desenvolvimento, mas também trabalhará informações sobre o planejamento energético na Bacia do rio Tapajós.

4. Preceitos da Consulta
Alguns preceitos básicos foram considerados para a delimitação do plano da consulta de acordo com as especificidades do processo em curso. Primeiramente, a consulta será prévia haja vista o estágio atual de realização de estudos e verificação de viabilidade. Primar-se-á pela interculturalidade do processo, garantindo condições adequadas para a compreensão e o diálogo entre consultados e atores

governamentais. Para tanto a representatividade dos povos interessados deve ser contemplada, respeitando suas formas próprias de organização. Com intuito de construir um diálogo aberto e rico, a transparência e boa fé devem ser consideradas, através da disseminação de informações qualificadas, franqueza e respeito mútuo. A flexibilidade e prazo razoável advêm da necessidade de ouvir e apreender sugestões, argumentos e contra-argumentos, mas também da importância de definição de um cronograma claro de atividades, evitando o prolongamento indevido. Por fim, faz-se necessária a observação da etapa devolutiva do processo às representações das comunidades consultadas, apresentando as análises feitas e as decisões tomadas. O Plano de consulta deverá conter: descrição do objeto de consulta, identificação do público-alvo, relação dos representantes governamentais que participarão do processo, formato do processo de consulta, cronograma de execução da consulta, sugestão de duração do processo e previsão orçamentária.

5. Etapas da Consulta
Com intuito de possibilitar um diálogo aberto e uma interlocução efetiva junto ao público-alvo da consulta, foram definidas quatro etapas: de apresentação da intenção, pactuação, execução das atividades da consulta e devolutiva do processo. Essas etapas encontram-se detalhadas abaixo. 5.1 Apresentação da Intenção: versão preliminar do Plano de Consulta A primeira fase do processo tem como objetivo principal apresentar e discutir com representantes das comunidades a versão preliminar do Plano de Consulta, informando os objetivos com relação ao empreendimento e os efeitos da realização desse procedimento diante de um processo de tomada de decisão. O público consultado poderá definir suas formas de representação com membros do governo e das comunidades. Caberá nesse momento debater e construir a metodologia e planejamento do processo. Foi realizado em 15/03/2013 um encontro específico sobre esse processo de consulta na cidade de Itaituba-PA. O Governo Federal esperava discutir essa proposta com lideranças indígenas indicadas pelas comunidades e associações representativas das comunidades indígenas. Os Procuradores da República de Santarém foram convidados a participar. Esse encontro teve como objetivo inaugurar o diálogo para a realização da consulta, demonstrando as intenções do governo de disponibilizar as informações relacionadas ao empreendimento assim como o desejo de ouvir e ponderar as diversas contribuições apresentadas pelos participantes durante todo o processo.

5.2 Pactuação do Processo de Consulta No segundo momento, governo e representantes das comunidades deverão, após assimilação da versão preliminar, pactuar o Plano de Consulta. O produto desse momento é o acordo entre as partes para dar início ao processo de consulta pactuado. A partir da interlocução, espera-se pactuar o plano de consulta com prazos adequados a sua plena consecução, tanto para os representantes indígenas quanto para o governo federal. Como encaminhamento da reunião do dia 15/03/2013, ficou acertada uma nova reunião em abril, primeiramente marcada para o dia 10 e depois repactuada a pedido dos indígenas para o dia 25, para discussão das sugestões, buscando assim Governo Federal e indígenas planejarem e pactuarem juntos o formato do processo de consulta. Nessa reunião, deverá ser proposto um calendário para execução das atividades e um conjunto de informações a serem apresentadas no processo de consulta. 5.3 Consultiva O governo levará as informações gerais, que estiverem disponíveis até a data de realização dos encontros, relativas aos empreendimentos, impactos e componentes, bem como as perspectivas para o desenvolvimento sustentável da região. Essas informações deverão estar em linguagem (inclusive com tradução) e formato acessíveis, permitindo o entendimento e reflexão dos presentes. A produção desse material informativo terá como base o Inventário Hidrelétrico dos Rios Tapajós e Jamanxim, estudo da bacia elaborado pela ANA, informações já disponíveis dos Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE) e do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), Avaliação Ambiental Integrada (AAI), estudo do componente indígena, além de outros documentos que forem identificados como pertinentes. Após a divulgação das principais informações em relação aos empreendimentos, pretende-se debater os impactos socioambientais, econômicos e culturais. Caberá ao governo ouvir e avaliar as preocupações e ponderações das comunidades indígenas afetadas, influenciando a tomada de decisão do governo no que tange as ações pensadas para a região. 5.3.1 Abrangência da Consulta Considerando a alínea b da decisão em liminar, já referida, referente ao processo nº 3883-98.2012.4.01.3902, e a dimensão do empreendimento, apontam-se como localizações para realização desse processo as comunidades indígenas de AndiráMarau, Praia do Mangue, Praia do Índio, Km 43, Pimental, São Luiz do Tapajós. Apesar dessa determinação, o Governo considera relevante para o processo ouvir também outras comunidades indígenas. Espera-se realizar essas atividades entre os meses entre abril e julho de 2013 com a participação do MMA, MME, Funai/MJ, MPOG, SG/PR e MPF.

5.4 Devolutiva Ao cabo desse processo, o Governo deverá apresentar um relatório, escrito com base no debate e insumos coletados em todo o processo da consulta. Os resultados deverão ser consolidados nesse documento com a identificação dos órgãos a serem informados e provocados quanto ao material produzido no processo. Ademais, será feita avaliação do processo. A partir do envolvimento dos diversos órgãos necessários para análise desse documento, objetiva-se a formatação de uma resposta formal do governo perante aos posicionamentos apresentados pelos indígenas na consulta realizada. Essa resposta deverá ser apresentada às comunidades consultadas, expondo as análises e decisões do governo quanto às ações a serem realizadas na região.

Etapas Apresentação da Intenção Pactuação do Processo

Consultiva

Devolutiva

Quadro Resumo das Etapas da Consulta Envolvidos Objetivo Abrir o diálogo e definir SG/PR, Funai/MJ e representação dos povos MPF. afetados Pactuar o processo e SG/PR, Funai/MJ, constituir as bases de um MMA, MME e ambiente aberto de MPF. interação Apresentar, ouvir, debater e MMA, Funai/MJ, absorver os MME, MPOG, posicionamentos dos SG/PR, AGU e MPF. participantes. Assimilar e elaborar MMA, Funai/MJ, resposta do governo ao MME, MPOG, processo e apresentá-la as SG/PR, AGU e MPF. comunidades.

Prazos Março

Abril

Abril e Junho

Julho

ANEXO. Próximas Etapas na Consolidação do Plano de Consulta
6.1 Definição do público alvo   Comunidades indígenas possivelmente afetadas pela instalação da UHE São Luis do Tapajós e Jatobá Definição dos membros do Governo que irão participar (incluindo-se os representantes do MPF)

Mapa detalhado com todas as comunidades para preparar a logística das consultas

6.2 Objeto da consulta (informações a serem apresentadas às comunidades indígenas): 1. Alternativas de quedas de aproveitamento do potencial hidráulico 2. Previsão de empreendimentos na bacia do rio Tapajós (primeira etapa e demais) 3. Mapa com os barramentos e as áreas alagadas 4. Critérios técnicos, econômicos e socioambientais 5. Etapas (sequência do processo de viabilidade e licenciamento dos projetos)  Fase de estudos (Inventário, EVTE/EIA-RIMA e AAI)– o que ocorre nas fases de planejamento energético, viabilidade e licenciamento (pesquisadores, coletas, elaboração de diagnósticos, etc.)  Fases da obra (implantação e operação) (Licenciamento ambiental e implementação do PBA – Programas e projetos para mitigação de impactos)  Atuação do governo na promoção de políticas públicas para o desenvolvimento da região, reforço das estruturas governamentais, investimentos nas áreas de infraestrutura e social (saúde, educação, saneamento, etc.)  Apresentar as medidas de mitigação e compensação que porventura já estejam apontadas pelos estudos na data do encontro. 6.3. Metodologia  Língua – tanto o material impresso quanto a tradução, quanto ao material da apresentação, durante as reuniões poderão ser traduzidos para as línguas das comunidades consultadas Definição do quantitativo de reuniões necessárias para consultar o público alvo Recebimento da devolutiva das lideranças sobre a proposta de agrupamento das áreas e de perspectiva de datas para a realização da consulta – Elaboração do cronograma de consultas em cada área após o retorno das comunidades. Realização preferencial das reuniões nas aldeias Cronograma com a programação das reuniões Produção de recursos visuais, gráficos, gravações e fotografias do processo (documentação em geral) Registro de TODAS as atividades

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5.4 Orçamento   Detalhamento de todos os custos Logística, acomodação, alimentação, transporte, recursos audiovisuais, pessoas, equipe de apoio, etc.

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Custeio do deslocamento das comunidades para a realização das reuniões de consulta. Elaboração das memórias das reuniões e também do documento final de compilação das informações produzidas pela consulta e a devolutiva Material a ser elaborado para o processo de consulta (mapas, cartilhas, informativos, etc.)