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ASPECTOS CRÍTICOS EPISTEMOLÓGICOS AO SISTEMA DE EDUCAÇÃO: SUBSÍDIOS PARA A CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO

A proposta do artigo em estudado seria a de contribuir para as discussões, na Conferência Nacional de Educação de 2010, tendo como base textos outros em que o autor havia desenvolvido algumas contribuições para a Educação, a saber, “Educação Brasileira: estrutura e sistema” (SAVIANI, 2008a); “Estruturalismo e educação brasileira” (SAVIANI, 2007); “Desafio da construção de um sistema nacional articulado de educação” (SAVIANI, 2008b). Destarte, o autor se propõe a refletir acerca de dois conceitos, que desde então, não estavam muito claros em face da sua aplicação na educação brasileira. São eles sistema e estrutura, nos quais focaremos, neste breve texto. Sobre sistema, o autor apresenta fundamentações antropocêntricas, quando focaliza-os na dimensão do fazer humano, como resultante a cultura; ele adjetiva esse fazer utilizando termos advindos das reflexões de Sartre, da Fenomenologia husserliana e do existencialismo, mas com algum aspecto marxista, quando centra no trabalho do homem como ordenador da natureza os termos acima discutidos. Então, o conceito de trabalho humano é delineado sob as perspectivas filosóficas do ser-em-situação, situação-liberdade-consciências; assim, o resultado do labor, poiesis e práxis1 humanas, instituído é a representação de sistema de coisas. E a condição da atividade de sistematizar, isto é, de ter controle sobre os acontecimentos outrora contingente é a “postura tematizante consciente”, por meio de uma “consciência refletida”. É possível inferir aí, sobre tal postura: o trabalho da linguagem como conditio sine qua non da sistematização. Antes disso,

as ações humanas se desenvolvem normalmente, espontaneamente, ao nível, portanto, da consciência irrefletida, até que algo interrompe seu curso e interfere no processo, alterando sua seqüência natural.

O que se define por tal postura é uma obrigação (moral, ética, de “sobrevivência”...) de solucionar um problema que interfere na sua “realidade humana [visto que esta] se encontra demarcada pelo trinômio situação-liberdade-consciência.

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Segundo Hannar Arendt, em “A Condição Humana”, labor é o trabalho obrigatório onde se produz para a sobrevivência física; poiesis é o trabalho autônomo, do artista, do artesão, motivado por si e para si; práxis, o trabalho do refletir agir da política, isto é do trabalho para o coletivo, do coletivo.

Variedade. segundo o autor. enquanto o sistema é uma representação dinâmica. a palavra estrutura nos remete a uma edificação. sistema compreende Intencionalidade. Assim. normalmente. o homem é obrigado a se deter e examinar. Por causa disso.4 ). [porque] designa primária e originariamente totalidades concretas em interação com seus elementos que se contrapõem e se compõem entre si dinamicamente” (SAVIANI. Coerência externa. Althusser entre outros para definir a sociedade como um edifício. então. estas duas representações. Tal obrigação se processa na linguagem como meio incontornável de reflexão e de política. “a palavra estrutura vem do latim „structura‟. apud SAVIANI. mas esse termo fora usado por outros pensadores. o que isso indica ordem complexa. Para Williams (2011). “é possível construir modelos cuja função é permitir conhecer da maneira mais precisa possível as estruturas. estrutura fora suado por Marx. 5). Ou ainda.3). se conceitua com “unidade de vários elementos intencionalmente reunidos de modo a formar um conjunto coerente e operante. (p. Unidade. Derrida e Foucault (Estruturalismo). em outras palavras. Coerência interna. Sistema fora termo muito usado por Descarte – inclusive nas ciências. Esse sentido é aceito sem objeções tanto entre os leigos como nos círculos especializados. tais como Lévi-Strauss.Aí. estrutura e sistema. se referencia como paradigma. no campo da dialética. nós nomeamos com a palavra “problema”. A estrutura também.160). p. Segundo o autor. a procurar descobrir o que é esse algo que. como modo de representação da realidade visando facilitar o trabalho humano sobre as coisas do mundo. estrutura correspondia “ao caráter „constitutivo‟ essencial de uma organização”. são utilizados como paradigmas para conceituar os diversos aspectos da educação. tais como “sistema . estrutura nos parece ser estática. o mundo é visto como um sistema descarteano -. derivada do verbo „struere‟. construir”.” (p. pondo em evidência os respectivos elementos e o modo como estes se relacionam entre si. da intersubjetividade. 1971. Por outro lado. p. O termo “estrutura” originou-se do verbo latino “struere”. modelo. isto é do sujeito que desenvolve sua identidade humana com o Outro. A esse verbo é atribuído correntemente o significado de “construir”. no pensamento sociológico do século 18. (BASTIDE. Política no sentido do zoon politikon de Aristóteles.

numa situação histórica determinada. Sistema e estrutura são conceitos que não esgotam os sentidos da escola e da educação. Bourdieu e Passeron (2009).9). . naqueles aspectos dinâmicos e implicados aos contextos diversos onde acontecem como a complexidade e a contingência da práxis dos sujeitos na vida cotidiana – sentido da escola. durante a emergência e consolidação dos Estados nacionais que se fez acompanhar da implantação dos sistemas nacionais de ensino nos diferentes países (9-10). “de maneira simples e homogênea. esse terno surgiu no século XIX. mas essas perspectivas deterministas. de modo complexo e diversificado. e ainda. isto é. p. 2 Segundo o autor.6). nas sociedades atuais” (ibid. na perspectiva “utópica” da escola. e o sentido dessa comunicação. sua promoção ” (ibid. no que há de determinado na estrutura e no sistema corroboram com a visão conservadora de educação de Durkheim (2011) e Kilpatrick (2011). é conhecida “enquanto fenômeno. A educação. onde a escola é dada em oportunidade para todos e em que todos são idênticos em “capacidades”.educacional”2. p. estrutura do sistema educacional (p.7). p. É vista pelos antropólogos em duas modalidades. em sua concepção homogênea de racionalismo lógico (BOURDIEU. “estrutura do ensino superior”. quer dizer. como um lugar de liberdade e de igualdade para todos em condições postas como ideais e sob controle. que se apresenta como uma comunicação entre pessoas livres em graus diferentes de maturação humana.7). a escola tanto reproduz a cultura da classe dominante como as estruturas de classe. 2010. nas comunidades primitivas. a sua finalidade é o próprio homem.

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. José Carlos. Petrópolis: 2001.TORRES. Democracia. ed. Vozes. Educação e Multiculturalismo. .