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Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca Unidade Descentralizada de Nova Iguaçu

Resenha
Livro: Tecnologia e desenvolvimento social e solidário Prefácio: Engenharias brasileiras e a recepção de fatos e artefatos

16/12/2013 Aluno: Orlando Lima

. como população ao redor do projeto. Sidney Lianza e Felipe Addor. escrito por Ivan da Costa Marques. economia. ou seja. Os artefatos tecnológicos (bens ou serviços) são em quase sua totalidade importados da Europa e E. talvez.U. são as formas vencedoras dos produtos. étnicas. Como exposto por Ivan Marques. No ensaio de abertura do livro denominado “As engenharias brasileiras e a recepção de fatos e artefatos”. geográficas. democracia e suas relações. muitas vezes originam pontos negativos quando o projeto é implementado. e que ao se deixar de lado as questões políticas. clima.. que são as .A. é tido como verdade que as questões políticas não têm nenhum vinculo com as questões puramente técnicas. porém estes artefatos são produzidos tendo como base decisões ou quadros de referência (diretrizes que fornecem um contexto geral para investigação e acesso as hipóteses de pontos positivos e negativos sobre a implementação de um projeto em dadas circunstâncias) que muitas vezes excluem questões políticas e sociais. (primeiro mundo). Tecnologia e Desenvolvimento Social e Solidário (Editora UFRGS.Resenha O livro. precisando. Porém isso não é verdade. como o autor coloca de forma exemplar. religiosas ou políticas do descobridor do fato científico. mas não se pode dizer o mesmo de suas aplicações. A tese geral do ensaio tem como ponto central a ciência e como ela é difundida dos países de primeiro mundo para o Brasil. etc. de forma coerente e reflexiva. A ciência é tida como universal e neutra. citando casos como o uso da física para a construção de usinas nucleares (meio de produção de energia que não polui o meio ambiente se tomados os devidos cuidados) e ao mesmo tempo esse mesmo conhecimento é usado para construção de bombas atômicas. Os mesmos chegam aqui como produtos finais “corretos”. A partir deste ponto é feita uma análise dos artefatos tecnológicos (os produtos da ciência). apenas de algumas modificações. dos países desenvolvidos. pode ser usado tanto para o bem como para o mal. não importando as características físicas.A ciência pode ser neutra e universal. ou seja.. é abordado as diferenças entre o Brasil e os países de primeiro mundo em se tratando da área da engenharia e como essas diferenças interferem na maneira como o Brasil recebe modelos. 2005) trata e questiona questões sobre a sociedade. seja de produtos ou serviços.

Para agravar esse problema. durante a vida acadêmica do engenheiro ele é ensinado que pode prover. precisa-se analisar com cuidado as questões políticas. mas há a possibilidade de se melhorar os mesmos. Não se pode apenas exportar produtos. nunca se conseguirá colocar todas as questões. Como o autor aborda.únicas questões tratadas em um quadro de referência em sua grande maioria e que já são encaminhadas junto com os modelos importados dos quadros de referência dos países de primeiro mundo. que são afetadas através desse tipo de implementação de projeto. Deixa-se de lado o importante fato de que todo projeto de engenharia necessita de tomada de decisões e que qualquer dessas decisões possui consequências políticas. podendo afetar pessoas e estruturas sócio-políticas. pois os . Por isso os modelos de quadros de referência para os projetos são importados dos países da OCDE. estruturas econômicas e sociais. a participação das engenharias brasileiras nas inovações que poderiam modificar localmente essas questões sócio-políticas. Como tratado no ensaio. como o projetos destes artefatos podem afetar parcelas. Vai muito além. Ivan Marques cita neste interessante ensaio que como há diferenças econômicas. com os artefatos tecnológicos “corretos” oriundos dos países de primeiro mundo. é bastante tímida. Sendo assim. sempre. os artefatos tecnológicos sofrem mudanças. no quadro de referências do mesmo. visando-se somente questões de produção e custo para as empresas. pois estariam erradas. todas as decisões e argumentos técnico-científicos ocorrem dentro de quadros de referências limitados. serviços e fazer pequenas modificações nos mesmos para a realidade brasileira. a universalização da ciência e dos seus produtos não contribui para a descoberta de mudanças neste paradigma que vive o Brasil. pois os mesmos são realizados em centros de cálculo ou laboratórios. que devem ser consideradas em um projeto. sejam elas pequenas ou grandes. soluções puramente técnicas excluindo-se assim a variável política. de pessoas. excluindo-se indivíduos e questões que podem ser afetados. Como descrito por Ivan Marques. Essas questões devem estar no quadro de referência. sociais e políticas entre o Brasil e os países desenvolvidos. Os artefatos tecnológicos vêm na sua forma perfeita e não é possível encontrar outras formas de soluções.

Para isso será necessário um esforço mútuo entre universidades. que é muito mais do que uma simples ferramenta aplicada à graduação do estudante. Aonde estaria o erro se essas tecnologias são praticamente “perfeitas”? Apartir do ponto de vista da aceitação da universalização das tecnologias. Como isso pode ser feito? Aproveitando-se a Extensão e Pesquisa. Há maneiras de se reverter essa situação de inércia do pensamento do Brasil sobre os artefatos tecnológicos importados dos países da OCDE. na própria sociedade brasileira. em que se pode fazer um profunda reflexão sobre como nós (o Brasil em si) somos afetados por essa questão que envolve uma série de paradigmas atualmente reversíveis. o erro estaria. Falar sobre as engenharias brasileiras e a maneira como elas se relacionam com a ciência e os artefatos tecnológicos dos países de primeiro mundo faz deste ensaio um grande e interessante texto. Deverá ser feita uma análise da realidade brasileira e aloca-la em um quadro de referência puramente brasileiro. É através da extensão que poderão ser feitas projeções reais de cada situação. Esse tipo de pensamento leva as empresas a não projetarem seus produtos aqui. Deve-se abordar esse tema nos cursos de engenharia no Brasil e em tantos outros que estão vinculados com as áreas da indústria e procurar soluções aqui mesmo no Brasil. não apenas transferindo conhecimento. as tecnologias importadas não geram os resultados esperados aqui no Brasil. na esfera social aonde o engenheiro não possui atuação direta. mas também produzindo-o e utilizando-os no próprio lugar que são produzido. governo e sociedade. .engenheiros europeus ou americanos estariam mais preparados para desenvolver tecnologias corretas. então. Em muitos casos. analisar com veracidade os pontos onde se deve melhorar e buscar soluções que estarão baseadas nos fatos e necessidades reais do Brasil.