You are on page 1of 2

No moinho (Conto), de Eça de Queirós

Publicado: 06/06/2013 Com enredo muito parecido com o de O primo Basílio, em uma linha acentuadamente naturalista, o conto No Moinho tem um problema relativo à construção da protagonista. A falta de coerência marca a trajetória que vai da “senhora modelo”, que vive para cuidar do marido inválido e dos filhos doentes, à mulher promíscua, que pensa em apressar a morte do marido e deixa os filhos sujos e sem comida até tarde. Toda esta transformação de caráter provocada pelo simples beijo de um primo. Apesar da variedade temática, pode-se perceber no conto de Eça uma grande preocupação com as dores humanas. Seus personagens são em geral tristes, alguns céticos, outros ingênuos, mas sempre atormentados. Neste conto como em outros, os eventos surgem no discurso narrativo seguindo a sua ordem cronológica. Os eventos são relatados linearmente, delineando três situações diferentes para a personagem protagonista: — a da enfermeira zelosa; — aquela em que conhece e se apaixona por Adrião; — aquela em que se entrega a leituras românticas desencadeadoras de imaginários falsos e perniciosos. O final adúltero é a consequência lógica e determinística deste percurso. O elemento desencadeador da ação é Adrião, cuja chegada vem alterar o decorrer monótono, mas pacífico, da vida de D. Maria da Piedade, causando diferentes atitudes e comportamentos. A sua visita instaura o conflito necessário à narrativa. O espaço e o tempo da história — uma vila de província e um tempo contemporâneo — são facilmente reconhecíveis pelo leitor, porque se apresentam idênticos à sua própria vivência. No moinho é um conto que prescreve que o leitor imagine aquela história como verdadeira. Trata-se de uma forma específica de desencadear o imaginar muito utilizada pela ficção realista. Personagens principais D. Maria da Piedade - protagonista. Caracterizada como "uma loura, de perfil fino, a pele ebúrnea, e os olhos escuros de um tom de violeta, a que as pestanas longas escureciam mais o brilho sombrio e doce", surge no início do conto com a imagem angélica de mulher sacrificada e dedicada às doenças do marido e dos filhos, vivendo isolada do mundo e da vida social. A chegada de Adrião, primo do marido, modifica esta existência: uma fugaz atração sentimental por essa figura viril e atrativa induz Maria da Piedade num "romantismo mórbido" que a leva ao adultério.

mas esta experiência leva D. e Adrião. Maria da Piedade a sua fama de "herói de Lisboa. loira e linda. a sua figura viril e sedutora atrai Maria da Piedade a uma fugaz aventura. ali. Maria da Piedade vai com ele visitar um moinho velho. Maria da Piedade a imaginar um outro modo de vida. fala-lhe de uma vida a dois. Começa a ler romances e a não cuidar dos seus doentes. sobre a vila em que vive D. trata das doenças do marido e dos filhos. agindo como uma zelosa enfermeira. uma senhora modelo. casada com João Coutinho — rico mas entrevado —. é escritor famoso e homem público. Também por isso. Adrião projeta. e dá-lhe um beijo. destinado a uma alta situação no Estado". que toma conta da sua casa. primo do marido. Depois de o ajudar a vender uma propriedade. D. resultado de um comportamento masculino de índole donjuanesca. amado das fidalgas. acaba por cometer adultério com o sebento praticante da botica. vem alterar a rotina deste modo de viver. Envolvida num "romanticismo mórbido". que embora seja romancista é caracterizado como um homem robusto. Maria da Piedade. Enredo A história do conto No Moinho é composta pela narração de parte da vida de D. impetuoso e brilhante. cortejando a prima. no moinho. Adrião parte logo para Lisboa. .Adrião: primo de João Coutinho. A chegada de Adrião.