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Estudo detalhado de neuralgia do trigêmeos

Neuralgia do Trigêmeo
Autoria: Neurocirurgião Dr. Eloy Rusafa Neto, Especialista e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Fellowship em Cirurgia da Coluna Vertebral na Cleveland Clinic, Fellowship em Cirurgia de Tumores Encefálicos e da Coluna Vertebral no MD Anderson Cancer http://www.dreloyrusafa.com

A Neuralgia do Trigêmeo apresenta referências na história da humanidade desde o século 2 DC por Aretaus da Capadócia. No século 16, Jonh Fothergill referiu-se a ela como dor unilateral de natureza paraxística e associada a fatores desencadeantes como comer, falar ou tocar a face. O diagnóstico da neuralgia trigeminal é sempre baseado na história clínica do paciente. É uma dor unilateral em choque, caracterizada como agonizante, lancinante, com duração de alguns segundos a minutos, que nos intervalos, que podem ser, variáveis de semanas a anos, desaparece por completo, deixando a sensação de que poderá acontecer de novo de maneira iminente. Estímulos como frio, calor, sensação do vento no rosto , falar, deglutir ou tocar a face também podem desencadear as dores que pode ocorrer em uma ou mais divisões do nervo trigêmeo e leva o paciente a evitar estes estímulos. O exame neurológico, na grande maioria dos pacientes é normal e, em uma minoria, alterações sensoriais na face podem ser encontradas. A Neuralgia trigeminal clássica é relacionada a compressão do nervo trigêmeo por uma artéria na saída do nervo no tronco encefálico. Entretanto, a desmielinização, perda da capa que recobre o nervo ou lesão central podem estar entre as causas da dor. Outras características de dor facial relatadas como: constante, em queimação, pulsátil, ”em repuxamento “, não tem sido consideradas como neuralgia trigeminal verdadeira e termos como neuralgia trigeminal atípica ou dor facial atípica tem sido usados nestes casos. O termo dor atípica combina uma série de dores faciais o que impede o entendimento dos diferentes tipos de dores na face, bem como suas causas e diagnósticos diferenciais, o que é fundamental na escolha do tratamento adequado destes pacientes e nos cuidados para evitarse desnecessariamente um procedimento cirúrgico e na escolha da medicação adequada. Portanto, o auto-diagnóstico através de informações lidas e a auto-medicação é algo muito perigoso e envolve risco para o paciente, que deve sempre consultar um medico especialista para elucidação diagnóstica. 1. Dor trigeminal sem causa definida Podemos dividi-la em 2 tipos: A neuralgia clássica, descrita acima, e a neuralgia caracterizada pela dor pulsátil, em queimação, que ocorre mais de 50% do tempo e é constante, apenas com episódios rápidos e menos frenquentes da dor em choque, característica da neuralgia. Geralmente, esta é mais comum em paciente que apresentam lesões como tumor ou malformação vascular como causa da neuralgia, entretanto, pode ser a evolução da neuralgia clássica não tratada. 2. Dor trigeminal neuropática ou por Desaferentação Ocorre em pacientes que tem história de lesão trigeminal ou dos seus ramos por traumas como cirurgias na face, base do crânio ou AVC, popular derrame. Aqueles que foram submetidos a procedimentos para tratamento do dor trigeminal podem também desenvolver tal dor. A lesão do nervo leva a perda de contato dos estímulos deste com o tronco encefálico ou do núcleo no tronco encefálico com o restante das conexões encefálicas do nervo ou mesmo a interpretação inadequada destes estímulos que são interpretados como dolorosos.

O problema é que ela geralmente volta com grande intensidade. Dor Facial Atípica Esta geralmente é bilateral e pode ocorrer em outros territórios que não do trigêmeo e geralmente associada a distúrbios somáticos como lesão na articulação temporo-mandibular ou associada a dores em outras regiões do corpo. a dor se distribui de acordo com o ramo acometido. que geralmente afeta o primeiro ramo do trigêmeo. 4. um par de nervos cranianos. o paciente pode desenvolver quadro de dor ao toque ou sensação de queimor.COM. A imagem 2 deixa ver os territórios de distribuição dessa dor vistos de perfil. É uma dor muito.3. Entretanto. Tais nuances da dor facial devem ser interpretadas pelo médico frente a sua experiência no tratamento dos pacientes. é um nervo sensitivo que controla as sensações que se espalham pelo rosto. provoca uma dor absolutamente inesquecível. A ENTREVISTA ABAIXO. Por isso. dura segundos e desaparece. Neuralgia do trigêmeo. Apos quadro de herpes zoster facial. responsável pelo Grupo de Dor do Hospital 9 de Julho de São Paulo e presidente do Instituto Simbidor. podem fazê-lo como sintoma inicial de esclerose múltipla e esta deve ser considera principalmente em pacientes com menos de 40 anos de idade. recebe esse nome porque tem três ramos (imagem 3): o ramo oftálmico. A neuralgia do trigêmeo se distribui segundo três territórios especiais: a região frontal que toma a órbita ocular e parte do nariz (em vermelho na Imagem 1). muito forte que pega um lado da face. . por isso este texto tem apenas o objetivo de ser informativo e não deve levar ao auto-dianóstico e tratamento. Como vários outros nervos da face. QUE CONSTA EM VÍDEOS E LINKS. FOI EXTRAIDA DO SITE HTTP://DRAUZIOVARELLA. Dor Trigeminal Pós-herpética ou por Esclerose Múltipla 1% dos pacientes com neuralgia do trigêmeo.BR/DOENCAS-ESINTOMAS/NEURALGIA-DO-TRIGEMEO/. COMO SITES SUGERIDOS NEURALGIA DO TRIGÊMEO Cláudio Fernandes Corrêa é neurocirurgião. O nervo do trigêmeo. a região malar que se estende até a asa do nariz e parte do lábio superior (representada em verde) e a região temporal que passa pelo lado do ouvido e acompanha a mandíbula ou maxilar inferior (em preto na imagem). a incidência de neuralgia trigeminal em pacientes com esclerose múltipla é de apenas 1 a 3%. em intervalos de tempo variáveis. ou nevralgia do trigêmeo. o ramo maxilar (acompanha o maxilar superior) e o ramo mandibular (acompanha a mandíbula ou maxilar inferior).

desapareceram por seis meses e depois voltaram com mais intensidade e frequência. Vários outros nervos sensitivos que também perdem a bainha envoltória não têm o mesmo padrão de comportamento. acredita-se que a bainha de mielina que envolve os nervos se perca com o passar do tempo. perdura por décadas. Drauzio – É uma dor mais forte do que a cólica renal? Cláudio Fernandes Corrêa – Na literatura. Essa camada que envolve o nervo é fundamental para que ocorra a condução do estímulo de forma harmoniosa. pode sofrer descargas elétricas. a uma pontada num dos três territórios da face por onde passa o nervo trigêmeo. três vezes por dia e em qualquer horário. a neuralgia do trigêmeo é considerada uma das dores mais violentas que afligem o ser humano. Na sua larga experiência. mesmo que o episódio doloroso tenha ocorrido muitos anos antes. POSSÍVEIS CAUSAS Drauzio – Minha pequena experiência com esse tipo de dor mostra que os doentes tentam sempre encontrar uma explicação para as crises. de dentes. Cláudio Fernandes Corrêa – As pessoas são capazes de relatar com detalhes o dia e as circunstâncias do momento. por esse motivo. a dor é relacionada a um tratamento dentário. Talvez. Drauzio – As pessoas que tiveram neuralgia do trigêmeo nunca mais esquecem da dor que sentiram.CARACTERÍSTICAS DA NEURALGIA DO TRIGÊMEO Drauzio . Drauzio – Todos os nervos são encapados pela bainha de mielina. Aliás. F golpe de ar ou um trauma. mas a neuralgia do trigêmeo é considerada a mais violenta das dores crônicas paroxicísticas e repetitivas e. progressiva e intensamente. EVOLUÇÃO DO QUADRO Drauzio – Como evolui o quadro da neuralgia do trigêmeo? Cláudio Fernandes Corrêa – Em geral. às vezes.O que faz surgir a neuralgia do trigêmeo? Cláudio Fernandes Corrêa – Apesar de já ter sido descrita antes de Cristo. ou seja. às vezes. depois de perdê-la. Por que essa dor atinge especialmente o trigêmeo? Cláudio Fernandes Corrêa – Essa é uma questão interessante. embora seja possível acontecer uma lesão de . da cólica renal. É um processo degenerativo. Portanto. repetitiva. porque também está num território próximo da face. A única exceção é o nervo craniano chamado glossofaríngeo ligado à enervação na base da língua e na região do ouvido interno e que. o primeiro episódio é inesquecível e pode repetir-se numa frequência extremamente variável de paciente para paciente. É um fato relatado sem nada que possa explicá-lo categoricamente. são citadas como violentas as dores do infarto do miocárdio. É assim que a explica o paciente que se refere a um choque. as crises eram diárias. Como prevalece na população mais idosa. Também é comum ouvir que. a neuralgia do trigêmeo ainda continua provocando polêmica. o que está longe de ser comprovado. mas há o risco de que volte a manifestar-se mais frequente. por exemplo. agudas. em determinado ponto do nervo ocorre uma descarga elétrica. Às vezes. não provocam dores paroxísticas. quais as associações mais frequentes. durante anos. rápidas e sem aviso prévio. a dor em fisgada. a neuralgia do trigêmeo resulta provavelmente da perda da bainha de mielina que envolve o nervo trigêmeo e que. Cláudio Fernandes Corrêa – Na maior parte das vezes. Assim como um fio que perdeu a capa envoltória isolante. Drauzio – Existe alguma explicação lógica para esses episódios? Cláudio Fernandes Corrêa – Não existe explicação. a uma dor semelhante a uma fisgada. sem razão aparente que caracteriza a neuralgia do trigêmeo pode sumir por períodos longos. ocorre duas. Portanto. as crises nunca sejam esquecidas. pode simular um pouco a neuralgia do trigêmeo.

HISTÓRICO DAS CRISES Drauzio – Você disse que o curso da doença é variável. geralmente recebo pacientes triados. embora alguns pacientes refiram que no frio as crises são mais prevalentes. Em 95% dos casos. essa não é a regra. o exame neurológico é absolutamente normal. Drauzio – Há casos em que o episódio é único. Portanto. neurinomas do nervo trigêmeo são causas comuns de neuralgia trigeminal. Nos casos em que existe um fator orgânico provocador. apresentam também neuralgia do nervo trigêmeo causada por placas depositadas no nível do gânglio trigeminal ou no próprio nervo trigêmeo. É claro que a repetição da crise várias vezes num dia e em dias consecutivos o obrigará a buscar ajuda. dura alguns dias. Drauzio – Não há nenhuma alteração perceptível. Malformação dos vasos localizados na região posterior do encéfalo também pode provocar sintomas similares. mas ele raramente irá procurar um profissional. por exemplo? Cláudio Fernandes Corrêa – Não há nenhuma alteração sensorial ou motora. Drauzio – Esses episódios duram sempre apenas segundos? . o histórico mais comum é de pacientes que referem dor há mais de dez anos. as crises tinham menor frequência diária. é acima da sexta década de vida que prevalece a neuralgia do trigêmeo. quase todos apresentam intervalos em que não houve manifestação da doença. Cláudio Fernandes Corrêa – O conceito de pessoas mais velhas tem mudado bastante ultimamente. como se um fio elétrico desemcapado tivesse sido encostado na face. De qualquer modo. geralmente o exame neurológico revela alterações. No começo. pois além da referencia à dor paroxicística. como um desvio da boca. na chamada terceira idade ou em idades mais avançadas. Drauzio – Frio e calor têm alguma influência? Cláudio Fernandes Corrêa – Não. Drauzio – As causas da neuralgia do trigêmeo são mal conhecidas. doença com maior prevalência hoje porque as pessoas vivem mais. Cláudio Fernandes Corrêa – Quando a esclerose múltipla afeta também o nervo trigêmeo pode desencadear um quadro neurálgico. o que provocará um quadro clínico doloroso. não existe causa orgânica definida nem trauma prévio que justifique a neuralgia do trigêmeo. O que a medicina sabe hoje a esse respeito? Cláudio Fernandes Corrêa – A causa da neuralgia essencial do nervo trigêmeo não é conhecida. Drauzio – Esses intervalos duram quanto tempo? Cláudio Fernandes Corrêa – O tempo varia muito. digamos assim. da dor em choque. de formigamento na face. porém. embora provoque dor violenta. Intervalos de anos constituem as exceções. empurramos seu início para depois. ou ter uma crise e só depois de um tempo que pode ser longo. Quais seriam os casos mais representativos da doença? Cláudio Fernandes Corrêa – Na minha experiência. Os nervos vão ficando desencapados. é a exceção. ter outra. Já nos 95% dos pacientes com neuralgia sem causa determinada. O mais comum são os intervalos de semanas ou de poucos meses entre uma crise e outra. É bom lembrar que 5% dos pacientes com esclerose múltipla. À medida que vamos chegando nessa faixa etária. é uma doença que prevalece. Acredito que um episódio isolado. desaparece e nunca mais volta? Cláudio Fernandes Corrêa – Como sou neurocirurgião. existe uma sensação de dormência. Por exemplo. Em geral. mas foram progressivamente aumentando. que dure alguns segundos. Drauzio – – A esclerose múltipla é uma doença basicamente da bainha de mielina. sabe-se que algumas situações podem provocar a dor. meningiomas. tumores benignos. No entanto. mais de 60% dos pacientes que apresentam neuralgia do trigêmeo estão acima dos 60 anos de idade. Algumas pessoas podem apresentar várias crises num dia. Pacientes que tiveram um episódio isolado dificilmente chegam ao meu conhecimento.ramos do trigêmeo num tratamento desse tipo. assusta o paciente. Embora eu já tenha tratado de pacientes com vinte e poucos anos. No entanto. PREVALÊNCIA NOS IDOSOS Drauzio – Você disse que a neuralgia do trigêmeo é uma doença que acomete as pessoas mais velhas. Pode haver meses ou anos de intervalo. que já passaram por neurologistas e por clínicos e não responderam ao tratamento conservador.

porém. ele ouviu falar que toda a dor na face é sinal de neuralgia do trigêmeo. Nesse caso. qual é nossa primeira reação? Esfregamos o local porque isso estimula uma fibra nervosa mais grossa chamada beta que inibe o fenômeno desagradável. Quando somos picados por um inseto. a pessoa pode apresentar certa fraqueza para mastigar alimentos duros. seguram e alguns declaram que. Às vezes. o diagnóstico inclui um conjunto de sinais e sintomas que não se restringem à neuralgia do trigêmeo. Alterações na arcada dentária e alguns tumores raros também são causa de dor na face.Cláudio Fernandes Corrêa – Essa é uma característica muito importante da doença. mas isso não foi comprovado. mas não paralisia facial. Há várias outras causas para as dores na face. Outro dado importante para diagnóstico é a neuralgia do trigêmeo nunca ser uma dor bilateral. Durante a crise. Na neuralgia do trigêmeo. em que descrevo os sintomas da doença e deixo o paciente fazer o diagnóstico. falar e manter conservada a simetria. Nesse caso. Ele tem a dor que dura segundos e não sente mais nada. o paciente entra num estado de mal de crise. Exemplo típico é o que chamamos de desvio de rima. lesão no nervo trigêmeo pode provocar fraqueza na mastigação. pois algumas pessoas reclamam mais das crises no frio e outras. um pedaço de carne. quer de natureza amorosa. Às vezes. Não que a emoção simule o efeito doloroso. Esses quadros podem ser confundidos com neuralgia do trigêmeo? Cláudio Fernandes Corrêa – O nervo responsável pela mímica da face. quando o problema está associado a alterações de outros nervos cranianos – um tumor que envolva o nervo trigêmeo e o facial. de ambiente podem disparar as crises? Cláudio Fernandes Corrêa – Seguramente. um choque. apertando a região. em alguns minutos. pode dar idéia de que se trata de um evento mais prolongado. o paciente é absolutamente isento de sintomas. apertam. os pacientes têm essa reação reflexa: levam a mão. nos casos de esclerose múltipla. o paciente pode apresentar desvio da rima bucal. No entanto. quando vão à praia. Numa fase da vida. na minha área. mas a mímica da face é preservada. depois passar para o outro. A dor é tão violenta que o normal é ele dizer que dói sempre. quando a dor é paroxicística. recebo no consultório uma pessoa dizendo que tem neuralgia do trigêmeo. talvez por causa do aumento da pressão. o rosto fica vermelho no lado afetado porque o nervo possui um componente sensitivo e um componente neurovegetativo relacionado com a vasodilatação. Nas neuralgias do trigêmeo. há uma série de distúrbios que provocam paralisia em alguns músculos da face. o paciente prontamente pressiona a região afetada. Isso não é verdade. a dor alivia. aquele que a pessoa usa para sorrir. variações de temperatura. o nervo facial. é o nervo facial. já foi observado que. Mudanças de temperatura são frequentemente mencionadas como gatilho das crises. As disfunções da articulação temporomandibular podem até simular paroxicismo. de pressão. Essa é uma das poucas ocasiões. mas nunca se manifesta nos dois ao mesmo tempo. mesmo que próximas. uma castanha. financeira ou profissional. A pessoa fica com a boca torta. não há nenhum sinal visível. mas na anamnese fica claro que se trata de uma dor que dura segundos. A neuralgia do trigêmeo tem esta característica: no intervalo entre uma crise e outra. comprometimento da motilidade do olho e paralisia da face. ela pode atingir um lado. dói demais para chamar a atenção do médico. por exemplo – além de dor. quando atravessa fases complicadas. tratamos de um lado durante anos e depois o paciente apresenta . Drauzio – Os doentes sempre levam a mão ao rosto quando vem a dor? Cláudio Fernandes Corrêa – Sempre levam ao rosto e para isso existe explicação. A proximidade entre uma crise e outra. o fator emocional interfere. O problema é que o intervalo entre uma e outra pode ser muito pequeno e. Paralisia facial envolve outro nervo craniano. GATILHO DAS CRISES Drauzio – Estados emocionais. A neuralgia típica da face é uma dor constante que não segue o trajeto dos ramos do nervo trigêmeo. O trigêmeo é o quinto nervo e está essencialmente ligado à sensibilidade da face. ocorrem vários episódios seguidos. Drauzio – Nas neuralgias do trigêmeo. No entanto. mas a pessoa se refere a crises mais frequentes. Há só a sensação de dor lancinante? Cláudio Fernandes Corrêa – Pode ocorrer também hiperemia. É verdade que o ramo mandibular possui uma porção motora responsável pela enervação do músculo masseter da mastigação que recebe suprimento nervoso motor e não sensitivo do nervo trigêmeo. mas provocam dor constante e a região fica sensível à palpação. Por isso. durante um ou dois meses. SINTOMAS CORRELATOS Drauzio – Em medicina. o sétimo nervo craniano. Às vezes. Se o alívio é completo. não temos condição de afirmar.

particularmente. procurar o nervo trigêmeo e verificar se ele está comprimindo algum vaso. É como se carbonizássemos o nervo trigêmeo. Embora esses medicamentos possam controlar a crise de dor do paciente. ou seja. . um tumor maligno. apesar das medicações ministradas em doses corretas. A segunda. desenvolve alergia por ele ou atingiu a dose limite sem resultados efetivos. tive a oportunidade de encontrar apenas dois casos de neuralgia bilateral concomitante. De qualquer maneira. podem provocar desequilíbrio. morre tanta gente afogada. Digo isso para ilustrar que é preciso ter cuidado com todos os procedimentos utilizados. PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS Drauzio – E quando. Drauzio – Você poderia explicar como são as técnicas percutâneas? Cláudio Fernandes Corrêa . há necessidade de ir aumentando progressivamente a dose de tal forma que surgem efeitos colaterais. Portanto. tontura. uma curiosidade na medicina. porque envolve neurocirurgia com microscópio e internação na UTI. ou propanotriol. elas poderão ser aumentadas progressivamente. em dose inadequada. A quarta técnica envolve cirurgia mais complexa. A eletrocoagulação traz danos importantes ao paciente. Essa técnica tem sido indicada para pacientes mais jovens. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO Drauzio – Qual o tratamento indicado para quem sofre de neuralgia do trigêmeo? Cláudio Fernandes Corrêa – Sou neurocirurgião. No início. sob anestesia local ou sedação. esse tratamento conservador costuma ser bastante eficaz. pode matar. Ao longo de minha vida profissional. às vezes por tempo longo. mas. foi iniciada em 1932 por um alemão que fazia uma eletrocoagulação. e está sendo abandonada pelo alto índice de recidiva da dor que apresenta. ou glicerina. lançada mais recentemente. é preciso pôr na balança os benefícios e os efeitos adversos que o uso dessas drogas produz. o mais simples é o tratamento medicamentoso e a primeira escolha recai sobre duas drogas já consagradas no mundo todo (a carbamazepina e a oxicarbazepina) e sobre a gabapentina. ele queimava o nervo. A primeira consiste em injetar uma substância química chamada glicerol. esses medicamentos podem ser administrados em doses menores. Nenhum é perfeito. às vezes por toda a vida. Nesses casos. surgiu a radiofrequência que permitiu o controle da temperatura. para tratar a neuralgia do trigêmeo existem quatro técnicas. diminuição da capacidade de raciocínio. na década de 1960. Doses muito elevadas desses medicamentos que.a doença no outro lado da face. Costumo dizer a meus pacientes que nenhum tratamento é isento de risco. maxilar e mandibular). só indico a radiofrequência quando existe doença oncológica. Depois de certo tempo. Drauzio – Quais são os efeitos colaterais mais importantes? Cláudio Fernandes Corrêa – A neuralgia do trigêmeo predomina na terceira idade. Até água.Existem três técnicas percutâneas. Três delas são chamadas técnicas percutâneas. Em se tratando de neuralgia do trigêmeo. Na imagem 6. Realizadas em cinco minutos aproximadamente. mas requer avaliação periódica das condições do paciente para aumentar as doses guardando margem de segurança. chamada de lesão por radiofrequência. Eu. Às vezes. Por isso. porque provoca uma lesão não controlada. se necessário. em geral. porque é preciso abrir a base do crânio. mas sigo a regra da medicina que defende começar sempre pela indicação do tratamento mais simples para todas as doenças. são anticonvulsivantes. aparece o gânglio de onde partem os três ramos do trigêmeo (oftálmico. a dor persiste? Cláudio Fernandes Corrêa – Vamos considerar três hipóteses: o paciente não tolera o medicamento. são indicadas para pacientes mais idosos ou para aqueles com contraindicação de uma cirurgia maior. Ele vai perder a sensibilidade e isso ninguém quer. Uma crise dos dois lados é considerada uma raridade.

não me lembre do passado. e a linha papilar média (imagem 4). Agora vivo em paz”. dura de 30 a 60 dias no máximo. um buraquinho existente no ouvido. Geralmente. Drauzio – Você poderia mostrar alguns casos ilustrativos das técnicas percutâneas? Cláudio Fernandes Corrêa – Em relação às técnicas percutâneas. Essa falta de circulação. Esse caminho envolve uma punção realizada ao lado da comissura labial. a demarcação da altura a partir de três centímetros do poro acústico. mas nada que incomode e quando se faz a pergunta – Qual é seu grau de desconforto comparado com as crises que tinha antes? – a resposta é uma só: “Ah. A punção seguindo esses três parâmetros permite que se atinja um pequeno orifício dentro da base do crânio que se chama forâmen e alcance o gânglio onde começa o nervo trigêmeo. como que imobiliza ou neutraliza a área que perdeu a bainha de mielina e faz desaparecer a dor em choque. Com o rosto na posição que mostra a imagem 5 .A terceira técnica é a que tem sido mais utilizada. mas todos os trabalhos de revisão que vieram depois mostram que o índice de sucesso dessa técnica é de 98% e que. o paciente recebe anestesia local ou leve sedação para realizar a punção que leva mais ou menos dez minutos para ser feita. Consiste em introduzir um cateter em cuja extremidade existe um balãozinho que é insuflado e distendido por 50 segundos em média exatamente no gânglio que dá origem ao nervo trigêmeo (imagem 7). entre as técnicas percutâneas. Feito isso. Na maioria dos casos. Os primeiros estudos foram feitos da Europa. Essa técnica foi descrita por Müllan e Lichtor no início da década de 1990. pode-se ver a agulha que foi . Drauzio – Há perda de sensibilidade na face? Cláudio Fernandes Corrêa – Temporária. o interessante é que o caminho para chegar à região onde fica o gânglio do nervo trigêmeo foi descrito no começo do século passado.São espetaculares. Drauzio – Os resultados com o balão são bons? Cláudio Fernandes Corrêa . a sensibilidade volta ao normal. A compressão feita em cima do gânglio interrompe a circulação por 50 segundos. essa é a que menos efeitos colaterais provoca. ele é esvaziado e retirado. doutor. Alguns pacientes dizem que pequenas áreas ficaram com a sensibilidade diminuída.

doença que afeta o nervo de três ramificações localizado na face. seus portadores costumam percorrer diferentes especialistas sem resposta satisfatória quanto a diagnóstico. Alguns creditam à doença uma descrição de que o nervo trigêmeo perca a sua "bainha" ou "capa protetora" ao longo do tempo. mas o motivo continua desconhecido.com. O texto abaixo foi extraido do site http://www.Pacientes podem extrair dentes sadios indevidamente responsabilizados como fonte da dor. . o qual consta em VIDEOS E LINKS. próximo à mandíbula.methodus.Alguns creditam a doença uma decrição de que o nervo trigêmeo perda a sua "bainha" ou "capa protetora". pontada ou queimação. continuam calorosas as discussões sobre sua origem e a melhor técnica para o controle da intensidade desse sofrimento. Por este motivo. submetidos a um sofrimento por décadas. pode surgir sem aviso centenas de vezes ao dia. como um dos sites sugeridos.Neuralgia do trigêmeo produz dor na forma de choque. Ela produz dor na forma de choque. mas o motivo disso continua desconhecido. mas na maioria dos casos evolui para um estágio incontrolável. com a suposição de estar relacionado à dor. Revista Scientific American . A intensidade e frequência da dor variam. Imagine que tivesse em seu rosto um fio elétrico desencapado. Dados da história antiga relatam casos de suicídio de pacientes desesperados. a Dor Insuportável Técnica cirúrgica realizada em poucos minutos devolve qualidade de vida a pacientes que chegam a pensar em suicídio. pode surgir sem aviso centenas de vezes ao dia. . A neuralgia trigeminal é uma doença rara.br/artigo/494/neuralgia-do-trigemeo-a-dorinsuportavel.html. gerando um curto-circuito sensível aos mínimos estímulos. É importante notar que a agulha passou por dentro do crânio e não por fora. Neuralgia do Trigêmeo. que afeta quatro em 100 mil pessoas. Também não é raro o caso de pessoas que têm dentes sadios extraídos. pontada ou queimação. desenvolvendo isolamento acompanhado de quadros de depressão. Embora haja referências sobre a presença de portadores de neuralgia trigeminal anterior à era cristã.introduzida na região occipital e alcançou o gânglio do nervo trigêmeo. . como uma simples brisa. Essa é a sensação relatada pelas pessoas que sofrem de neuralgia do trigêmeo . as pessoas afetadas pelo problema ao longo de anos passam a ter um sério comprometimento de sua capacidade de trabalho e atividades sociais. Como é de esperar.por Claudio Fernandes Corrêa Conceitos-chave .

inicia-se a recuperação da sensibilidade e no final de dois meses. Uma das mais recentes técnicas para o tratamento da neuralgia trigeminal foi publicada há mais de 20 anos por Mullan e Lichtor: "Compressão do gânglio trigeminal com balão". Mesmo não sendo unanimidade entre os profissionais. Poucos dias após. conclui-se que a doença afeta mais a terceira idade. posso afirmar que é a que oferece maior conforto. observase alteração da sensibilidade na face tratada. Os pacientes operados na vigência de crises de dor podem. de diâmetro equivalente ao da ponta de uma caneta esferográfica. O paciente é posicionado deitado. é introduzido um cateter no rosto do paciente. com mais de 1. que comprime o gânglio trigeminal.200 casos de neuralgia do trigêmeo que tratamos. Realizando este procedimento desde 1991. Como qualquer método percutâneo para tratamento da neuralgia do trigêmeo. Dos mais de 1. No campo cirúrgico também já foram desenvolvidas diferentes técnicas. Há pequenas modificações desde que a técnica foi descrita pela primeira vez em 1983. especialmente próximo aos lábios. Com uma pequena perfuração. Pode ser geral. Particularmente tenho feito o procedimento após a realização de anestesia geral endovenosa. com ou sem entubação. mas é indicado para avaliar risco de arritmias durante o ato operatório. em média. casos publicados em periódicos conceituados popularizaram e tornaram essa técnica uma das opções mais simples e eficazes no controle da dor em pacientes com essa enfermidade. Para a realização do procedimento é necessário um exame de tomografia computadorizada ou ressonância magnética do encéfalo para identificar eventual causa orgânica. ainda que o índice de complicações infecciosas seja muito baixo. com exceção de pacientes obesos. considero importante o uso de antibiótico pré-operatório. todas direcionadas ao alívio do sintoma e não ao tratamento da causa. são observados em média de 15% dos pacientes. Um pequeno balão é insuflado na extremidade do cateter. Também é importante alertar o paciente a esse respeito antes do ato operatório. O tipo de anestesia varia de acordo com a experiência do profissional envolvido no ato operatório. a maioria das pessoas tratadas está praticamente sem essa queixa. considerando o tempo médio de vida do brasileiro. embora esses casos não apresentem contra indicação à compressão com balão. fazendo com que a dor seja eliminada em 98% dos casos. continuar apresentando o mesmo padrão de dor por aproximadamente 12 a 24 horas. Apenas cinco tinham mais de 91 anos de idade e seis. como tonturas e perda de equilíbrio. Portanto. por maior tempo. Poucos casos de perda de sensibilidade. por dentro da bochecha. ou com bloqueio da região a ser tratada com lidocaína ou outra droga equivalente. com um pequeno coxim firme sob sua cabeça. Trata-se de uma variante de outra técnica descrita por Shelden e colegas. como má-formação vascular ou tumor. em cerca de 10%. na maioria dos casos. O procedimento dura poucos minutos e dispensa corte. com menor índice de recidiva (cerca de 30%). é indicativo de que o procedimento cirúrgico não foi correto e o paciente não foi tratado. desde 1990. é muito importante alertá-Io sobre esse fato. Assim. difíceis de serem ventilados.Algumas drogas podem controlar a crise em alguns casos. além de menor taxa de morbidade e ausência de mortalidade. menos de 30 anos.200 casos atendidos. Eletrocardiograma pré-operatório de rotina não é obrigatório. Quando isso não ocorre. entre outros. cerca de 68% eram pacientes entre 50 e 70 anos de idade. mas com grandes possibilidades de efeito colateral. em todo o mundo. Desde então. .

10. Rovit.22 % de recorrência da dor. 20% em cinco anos e 20. obtivemos 8. Esses dados são semelhantes aos de outros profissionais com trabalhos publicados.8% dos ramos oftálmico. MD. 20. Guest Editor. 13. Para conhecer mais Trigeminal neuralgia. Outros profissionais obtiveram 20% em cinco anos: 26% em quatro anos. Editado por Jeffrey. 25.neuralgia-do-trigemeo. Jannetta. 34. Editado por Richard l.com/textosmedicos/ . Neurosurgical perspectives on trigeminal neuralgia.7% dos ramos maxilar e mandibular e 3. Raj Murali e Peter J. Sebastião Gusmão e Antônio Bento.8 % dos ramos oftálmico e maxilar.7% do ramo maxilar. maxilar e mandibular. 21 % em quatro anos. Brown.A. Até três anos de tratamento.9% dos pacientes tiveram o diagnóstico de neuralgia trigeminal do ramo oftálmico. Leia mais: http://www.5% em cinco anos. Neuralgia do trigêmeo. Neurosurgery clinics of North America.Pouco mais de 3.6% num período médio de seis a 67 meses.18% do ramo mandibular. 2009. 24% entre seis meses e sete anos.