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MODELAGEM PARA UM DOSADOR DE FERTILIZANTES DE SEMEADORAS-ADUBADORAS EM FUNÇÃO DE INCLINAÇÕES DE TRABALHO Cristian J.

Franck¹, Lucas Barros de Souza², André Augusto Veit², Tiago Rodrigo Francetto¹, Dauto Pivetta Carpes3, Otávio Dias da Costa Machado4. Orientador: Airton dos Santos Alonço5
¹ Apresentador, Engenheiro Agrícola, Mestrando PPGEA-UFSM. ² Acadêmico do curso de Agronomia, UFSM. 3 Engenheiro Agrônomo, Mestrando PPGEA-UFSM. 4 Engenheiro Agrônomo, Doutorando PPGEA-UFSM. 5 Engenheiro Agrícola, Prof.º Dr. DER/CCR-UFSM .

INTRODUÇÃO A utilização adequada de fertilizantes minerais tem elevada importância, pois segundo TFI (2011) de 40 a 60% do fornecimento de alimentos depende da sua utilização. Com isso, um dos principais fatores a ser analisado é a sua taxa de aplicação, conhecendo os elementos que influenciam este processo. Alguns elementos a considerar são o tipo de fertilizante e suas propriedades físicas bem como o tipo de mecanismo dosador e suas disposições construtivas e operacionais. Uma tecnologia que vem sendo utilizada é a agricultura de precisão (AP) que, segundo Werner (2007) busca aperfeiçoar a utilização dos recursos de produção, conforme a variabilidade espacial da fertilidade do solo e da produtividade das culturas. Para o emprego da AP é necessário o uso de um controlador da taxa de aplicação em conjunto com a semeadora-adubadora adequada. Umezu (2003) define controladores como dispositivos eletrônicos, normalmente microprocessados, que tem a função de variar a taxa de aplicação do equipamento com base em informações obtidas diretamente de sensores ou oriundos de um mapa de aplicação gerado antecipadamente, enviando um controle aos atuadores como demonstra a Figura 1. O sistema de controle possui rotinas, baseadas em algoritmos, que de acordo com Lopes (2010, p. 1) “são uma sequencia finita e ordenada de passos (regras), com um esquema de processamento que permite a realização de uma tarefa (resolução de problemas, cálculos, etc.)”. No entanto, os algoritmos atualmente utilizados por controladores não consideram o efeito de inclinações de trabalho e estas, segundo

Bonotto (2012) e Ferreira et al. (2010), alteram a taxa de aplicação, gerando erros de até 10%. Então, para que sejam desenvolvidos algoritmos capazes de considerar o efeito de inclinações, é necessário que sejam desenvolvidos modelos capazes de predizer a taxa de aplicação de fertilizantes em função das mesmas.

Figura 1 - Fluxograma de funcionamento de um sistema de controle eletrônico da taxa de aplicação de fertilizantes. Fonte: Rossato et al. (2012). OBJETIVOS Desenvolver uma ferramenta capaz de expressar matematicamente a taxa de aplicação de fertilizantes em função de, inclinações longitudinais e transversais de trabalho, rotações de acionamento e interações entre inclinações e rotações, objetivando-se que tais equações sejam utilizadas como recurso para desenvolvimento de um sistema de controle eletrônico da taxa de aplicação de fertilizantes em semeadoras-adubadoras. METODOLOGIA Os experimentos foram conduzidos nas instalações do Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Máquinas Agrícolas (LASERG), vinculado à Universidade Federal de Santa Maria. Para a coleta de dados foi utilizada uma bancada de ensaios na qual foi acoplado o mecanismo dosador do tipo helicoidal com descarga por transbordo transversal e passo da helicoide de 0,0508m, acionado nas diferentes condições estipuladas pelos tratamentos, sendo coletada a quantidade do fertilizante mistura de grânulos NPK 05-20-20 dosada em 30s. O planejamento experimental adotado foi semelhante ao proposto por Rodrigues e Iemma (2009) em delineamento composto central rotacional (DCCR) com três variáveis independentes, inclinação longitudinal,

inclinação transversal e rotação de acionamento, e uma variável dependente, taxa de aplicação de fertilizantes. Foram realizadas dezenove unidades experimentais, com combinações formando contraste ortogonal das três variáveis independentes. As inclinações longitudinais e transversais variaram de -11º a 11º conforme adaptação de ABNT (1994). As rotações de acionamento foram de 25 a 125 min-1, de acordo com as faixas utilizadas por Ferreira et al. (2010) e Bonotto (2012). O modelo pretendido considera o efeito da média, inclinação longitudinal linear e quadrático (IL e IL²), inclinação transversal linear e quadrático (IT e IT²), rotação linear e quadrático (R e R²) e das interações entre IL e IT, IL e R, e IT e R. Porém, através de uma análise de variâncias e teste de hipóteses foi realizada a reparametrização do modelo definindo assim as variáveis significativas. Como o DCCR faz uso de variáveis codificadas para a formação de um contraste ortogonal (-1,68, -1, 0, 1 e 1,68), foi realizada a decodificação das variáveis retornando aos valores físicos das variáveis estudadas. A determinação dos coeficientes de regressão e a decodificação dos modelos foram realizados nos softwares STATÍSTICA 7.0 e MATLAB R2008b,

respectivamente. A análise de regressão foi realizada através da análise de variâncias apresentada na Tabela 1. Tabela 1 - Análise de regressão.
Causas de Variação CV Regressão Linear Graus de Liberdade GL 1 Soma de Quadrados SQ ∑ ̂ ̅ ∑ Quadrados Médios QM ̂ ̅ F Calculado Fcalc

Resíduo

-2

̂

̂

-

-

Total Corrigido

-1

̅

-

-

-

RESULTADOS E DISCUSSÃO Após processamento dos dados coletados, foram definidos os coeficientes de regressão e as variáveis significativas para o modelo codificado, conforme Tabela 2. Tabela 2 - Coeficientes de regressão para o modelo codificado.
Fator Média IL IL² IT IT² R R² ILIT ILR ITR Coef. de regressão 3341,513 186,580 -12,895 30,060 7,300 1337,189 3,049 -20,750 46,250 1,750 ρ-valor 0,000000 0,000000 0,109247 0,002490 0,340630 0,000000 0,684221 0,056001 0,000863 0,857385

Foram significativos (ρ-valor ≤ 0,05) à taxa de aplicação de fertilizantes os efeitos da média, IL, IT, R, e ILR, sendo o modelo reparametrizado decodificado definido pela Equação 1. (1) em que, Y = Taxa de aplicação de fertilizantes, g min-1; IL = Inclinação longitudinal, graus; IT = Inclinação transversal, graus; R = Rotação de acionamento, min-1. A análise de regressão, Tabela 3, demonstra que o modelo proposto tem elevado potencial de utilização para a predição da taxa de aplicação, do fertilizante e mecanismo dosador utilizados, pois a regressão foi significativa ao nível de confiança de 95% e apresentou elevado percentual de variação explicada (R² = 0,9995). Tabela 3 - Análise de regressão.
CV Regressão Linear Resíduo Total corrigido GL 1 17 18 SQ 24902427,4978 13614,9424 24916042,4402 QM 24902427,4978 800,8790 1384224,5800 F calc 31093,8713 ρ-valor 0,0000 R² 0,9995 -

CONCLUSÕES

O modelo proposto pode ser utilizado como ferramenta para a implementação de algoritmos de sistemas de controle da taxa de aplicação de fertilizantes em AP, pois segundo análise de regressão, foi significativo e apresentou elevado coeficiente de variação explicada. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Projeto de norma 04: 015.06004: Semeadora de precisão – ensaio de laboratório – método de ensaio. Rio de Janeiro, 1994. BONOTTO, G. J. Desempenho de dosadores de fertilizantes de semeadorasadubadoras em linhas. 2012. 97 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola) Universidade federal de Santa Maria, Santa Maria, 2012. FERREIRA, M. F. P.; DIAS, V. de O.; OLIVEIRA, A.; ALONÇO, A. dos S.; BAUMHARDT, U. B. Uniformidade de vazão de fertilizantes por dosadores helicoidais em função do nivelamento longitudinal. Engenharia na Agricultura, Viçosa, v. 18, n. 4, p. 297-304, jul./ago. 2010. LOPES, A. J. O que é um algoritmo? Revista Nova Escola, n. 238. São Paulo, 2010. RODRIGUES, M. A.; IEMMA, A. F. Planejamento de experimentos e otimização de processos. 2 ed. Campinas, Cárita, 2009. 358p. ROSSATO, F. P.; MACHADO, O. D. da C.; ALONÇO, A. dos S.; FRANCK, C. J.; FRANCETTO, T. R. Rendimento potencializado. Cultivar Máquinas, v. 122, p. 10-13, set. 2012. TFI - The Fertilizer Institute. Annual Report 2011. 2011. 27 p. UMEZU, C. K. Sistema de controle de um equipamento de formulação, dosagem e aplicação de fertilizantes sólidos a taxas variáveis. 2003. 171 f. Tese (Doutorado em Máquinas Agrícolas) Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003. WERNER, V. Análise econômica e experiência comparativa entre agricultura de precisão e tradicional. 2007. 133 f. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2007.