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POTÊNCIA MÉDIA NA BARRA DE TRAÇÃO DE UM TRATOR AGRÍCOLA DE PNEUS EM DIFERENTES VELOCIDADES DE DESLOCAMENTO NA OPERAÇÃO DE ESCARIFICAÇÃO

André Augusto Veit¹, Mateus Potrich Bellé³, Airton Dos Santos Alonço², Dauto Pivetta Carpes³, Cristian Josué Franck³, Paulo Roberto Bedin³, Tiago Rodrigo Francetto³ ¹ Apresentador, ² Orientador, ³ Co-autores 1. INTRODUÇÃO

O sistema Plantio Direto (SPP), foi introduzido no Brasil na década de 60 e se caracterizou principalmente pela mobilização do solo apenas na linha de semeadura, a manutenção permanente da cobertura do solo e a rotação de culturas conforme comentam Denardin et al. (2008). O autor também cita problemas como a degradação do solo no SPP, ocasionando um aumento da densidade do solo e da resistência do solo à penetração de implementos, redução da microporosidade e da taxa de infiltração de água, contribuindo para deformação e concentração das raízes na camada superficial do solo e erosão com arraste de nutrientes. Estes problemas são resultados de práticas ineficientes de rotação de culturas, pouca cobertura de solo, manejo inadequado do sistema integração lavoura-pecuária, uso de semeadoras equipadas, exclusivamente, com discos duplos para abrir os sulcos de semeadura. Como opção para a descompactação do solo, se faz uso de escarificadores. Estes, de acordo com Machado et al. (2005), quando realizam a operação de escarificação superficial trabalham em uma profundidade de 0,05 a 0,15 m, e quando são utilizados em escarificação profunda, atuam de 0,15 a 0,30m. De acordo com Bellé (2013), quando utilizados em conjunto com os elementos descompactadores, os discos de corte facilitam a operação, cortando a palha e proporcionando uma mínima alteração da cobertura vegetal em superfície. Segundo Marquez (2004), os discos de corte também podem ser utilizados em operações de descompactação onde o solo está com baixo teor de umidade, pois evitam a formação de grandes torrões pelos elementos descompactadores. Este trabalho justifica-se por realizar uma relação entre a velocidade ideal para a melhor eficiência da operação juntamente com baixo requerimento de potência.

Sabendo que este último, reflete diretamente no consumo de combustível, podendo reduzir os custos de operação e diminuindo o tempo da escarificação.

2.

OBJETIVOS

Objetivou-se verificar a demanda de força média na barra de tração e potência média na barra de tração de um escarificador analisando a influência da velocidade de deslocamento do conjunto mecanizado.

3.

METODOLOGIA

O trabalho foi conduzido na fazenda Santa Helena, localizada no município de Boa Vista do Incra, Rio Grande do Sul. O histórico de cultivo da propriedade resume-se à cultura da soja no verão e aveia-branca ou trigo no inverno. O solo foi classificado como LATOSSOLO VERMELHO Distrófico típico. Foram coletadas amostras para análise de densidade do solo, umidade gravimétrica e textura do solo, segundo método pregado pela EMBRAPA (1997). A umidade do solo foi de 16,61% e a densidade do solo encontrada de 0 a 0,15 m foi de 1,59 g cm³ e 0,15 a 0,25 m de 1,66g cm³. A textura do solo apresentou 61,07% de areia, 9,20% de silte e 29,72% de argila, caracterizandose como franco-argilo-arenoso. A resistência à penetração média, aferida a partir do uso de um penetrômetro digital, na camada de 0 a 0,10 m foi de 1816 kPa, 0,10 a 0,20 m de 2333 kPa e de 0,20 a 0,25 m de 1818 kPa. O escarificador utilizado foi adaptado para a operação de escarificação em semeadura direta, representado por uma única haste e ponteira e um disco de corte à frente da haste. Esta tem largura de 0,03 m e perfil parabólico, a ponteira é do tipo estreita com largura de 0,05 m e ângulo de ataque de 20º. Para o acoplamento dos mecanismos (haste e disco de corte) foi utilizada uma estrutura porta-ferramentas (EPF), desenvolvida por Gassen (2011). Esta é acoplada na barra de tração do trator e a sustentação da sua massa se dá pelo apoio na barra de tração e por duas rodas. Para tracionar a EPF, foi utilizado um trator de rodas 4x2 com tração dianteira auxiliar, motor com 132,4 kW (180cv) de potência a 2200 rpm, marca Massey Ferguson1, modelo 7180, ano 2012. Este foi equipado com uma instrumentação similar
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A citação de marcas e modelos comerciais não implica em nenhuma forma de aprovação ou recomendação dos mesmos por parte do autor.

a desenvolvida por Russini (2009), na qual usou-se uma célula de carga unindo a barra de tração do trator ao cabeçalho da EPF, para a extração da força média na barra de tração e utilizou-se uma roda odométrica para a aferição da velocidade de deslocamento do conjunto, ambos os instrumentos conectados a um datalogger, para armazenamento destes dados. Foi efetuada uma média dos dados de força coletados pelo datalogger para representar a condição estudada. Porém, o valor bruto não representa a demanda somente do tratamento, mas sim a soma da demanda de força de tração do tratamento aplicado somada à resistência ao rolamento da estrutura porta-ferramentas (EPF). Essa resistência ao rolamento (Rrol) consiste na força necessária que o trator exerce para tracionar a EPF sem o acoplamento dos elementos descompactadores. Essa foi determinada mediante coleta de quatro repetições, onde o trator com a EPF acoplada percorreu 15 m sem a presença dos elementos descompactadores. Então, para se conhecer os dados reais de força média na barra de tração (FMBT) usou-se a equação abaixo: FMBT = FBT – Rrol

Onde: FMBT – Força média na barra de tração (kN); FBT = Força na barra de tração (kN) Rrol = Resistência ao rolamento (kN)

A potência foi calculada mediante a equação abaixo:

PMBT = FMBT x Vr 3600 Onde: PMBT – Potência média na barra de tração (kW); Vr – velocidade real de deslocamento (km h-1).

O delineamento utilizado foi blocos casualizados e os dados foram submetidos a análise ANOVA e ao teste de Tukey à 5% de probabilidade de erro. Os dados apresentaram-se normais após verificação pelo teste de normalidade de Kolmorogov-

Smirnov e, ao aplicar o teste de Cochran, verificou-se que houve homogeneidade de variâncias.

4.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados da ANOVA estão dispostos na Tabela 1. Verificou-se um incremento da força média de tração com o aumento da velocidade de deslocamento do conjunto mecanizado de 2,93 Km/h para 5,87 km/h, não havendo aumento significativo de 5,87 km/h para 8,84 km/h. Esses dados demonstram concordância com Chandon e Kushwaha (2002) e Gassen (2011), tais autores concluíram que o acréscimo da velocidade de trabalho do conjunto mecanizado implica em uma ampliação da força média na barra de tração. Foi observado também, o incremento na demanda de potência média na barra de tração com o aumento da velocidade de deslocamento, sendo que de 2,98 para 5,87 km h-1 e desta para 8,84 km h-1, houve aumento de 160 % e 42% na potência média na barra de tração. Esta tendência concorda com as observações feitas por Bellé (2013) e Machado et al. (1996).

Tabela 1 - Análise estatística das variáveis força média na barra de tração e potência média na barra de tração. FATOR ESTUDADO VELOCIDADE (km h-1) 2,98 5,87 8,84 Coeficiente de Variação (%) Média geral Teste F FmBT (kN) 7,41* b 9,45 a 9,04 a 8,00 8,63 9,85* PMBT (kw) 6,02 c 15,69 b 22,35 a 7,79 14,69 206,02**

*Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey à 5% de probabilidade.

5.

CONCLUSÃO

O aumento da velocidade de deslocamento do conjunto mecanizado requer um incremento de força média de potência na barra de tração. Do mesmo modo, com o aumento da velocidade de deslocamento observou-se um aumento significativo da potência média exigida na barra de tração.

6.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELLÉ, M. P. Desempenho de elementos descompactadores para escarificação em sistema de semeadura direta. 2013. Dissertação (Mestrado e Engenharia Agrícola) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013, 81 f. CHANDON, K.; KKUSHWAHA R. L. Soil force and shank vibration on deep tillage. Paper ASAE, 2002. ASAE Annual International Meeting / CIGR XVth World Congress Sponsored by ASAE and CIGR Hyatt Regency Chigaco Chicago, Illinois, USA: 2002. DENARDIN, J. E.; FAGANELLO, A.; SANTI, A.. Falhas na implementação do Sistema plantio direto levam a degradação do solo. Revista Plantio Direto, v. 18, p. 3334, 2008. EMBRAPA. Manual de métodos de análise de solo. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 2ª Ed. Rio de Janeiro, 212 p., 1997. GASSEN, J. R. F.. Avaliação de ferramenta para escarificação do solo em camadas de forma simultânea. Tese de doutorado (Doutorado em Engenharia Agrícola – Mecanização Agrícola) – Programa de pós-graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2011, 207 f. MACHADO, A. L. T.; et al. Máquinas para preparo do solo, semeadura, adubação e tratamentos culturais. 2 ed. Pelotas, RS: Ed. Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), 2005. 253p. MACHADO, R. L. T. et al. Avaliação do desempenho de escarificador em planossolo. Revista Brasileira de Agrociência, v.2, n.3, p.151-154, set – dez, 1996. MARQUEZ, L. Maquinaria agrícola. 1 ed., p. 93-267. Madrid. 2004. RUSSINI, A. Projeto, construção e tese de Instrumentação eletrônica para avaliação do desempenho de tratores agrícolas. 2009. Dissertação (Mestrado e Engenharia agrícola) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2009. 142 f.

7.

AGRADECIMENTOS

À STARA Indústria de Implementos Agrícolas S/A e à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pelo apoio financeiro.