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RESISTÊNCIA ESPECÍFICA OPERACIONAL EM UMA OPERAÇÃO DE ESCARIFICAÇÃO EM SISTEMA DE SEMEADURA DIRETA

Mateus Potrich Bellé¹, Airton dos Santos Alonço², Tiago Rodrigo Francetto³, Mariana Weber Rodrigues³, Otávio Dias da Costa Machado³, Cristian Josué Franck³, Fernando Rossato³ ¹ Apresentador, ² Orientador, ³ Co-autores INTRODUÇÃO

Na década de 80, em busca de maiores produtividades, os produtores brasileiros começaram a utilizar o sistema de semeadura direta (SSD). Tal técnica foi um marco histórico, pois diminuiu sensivelmente a erosão do solo, reduziu a utilização do preparo de solo com arados e grades e, consequentemente, diminuindo o gasto energético com as operações agrícolas. Porém neste sistema, pela reduzida mobilização do solo, existindo apenas mobilização superficial nas operações de semeadura e plantio, e pela pressão exercida pelos rodados das máquinas e implementos cultivo após cultivo, ocorre a compactação do solo em sub-superfície. De acordo com Raper et al. (2000), esta é a principal queixa do SSD pelos produtores, os quais afirmam que o sistema não é sustentável devido aos efeitos nocivos da compactação do solo sobre as plantas. Os problemas que a compactação gera não são restritos a ação do sistema radicular das plantas, eles também têm grande influência sobre o desempenho de máquinas e implementos. Para Drescher et al. (2011), esta restrição nas áreas agrícolas pode interferir diretamente no desempenho de máquinas e implementos agrícolas, promovendo uma ampliação na demanda de potência para tração. Como alternativa para mitigar este problema, a escarificação tem sido um dos manejos mais utilizados, pois rompe a camada compactada sem revolver excessivamente o solo e promove uma mínima incorporação da palhada. Embora seja recorrente o estudo da demanda energética de implementos de preparo do solo e seus órgãos ativos, são escassas as informações e estudos que relacionam estas variáveis com a mobilização do solo, compondo a resistência específica operacional, bem como a influência do disco de corte quando utilizado em escarificadores.

OBJETIVO

O objetivo foi determinar a resistência específica operacional de um escarificador, composto por uma haste escarificadora de perfil parabólico e uma ponteira estreita, em três velocidades de deslocamento e analisando a influência de um disco de corte à frente das hastes.

MATERIAL E MÉTODOS

Este estudo foi realizado no município de Boa Vista do Incra, Rio Grande do Sul, na fazenda Santa Helena. O histórico de cultivo da propriedade resume-se à cultura da soja no verão e aveia-branca ou trigo no inverno. A cobertura vegetal presente na área é oriunda basicamente dos dois cultivos anteriores, soja e aveia-branca. O solo encontrado na área e na propriedade foi classificado como LATOSSOLO VERMELHO Distrófico típico. As amostras de solo foram coletadas para análise de densidade do solo, umidade gravimétrica e textura do solo, sendo que as duas primeiras foram analisadas no LASERG, segundo método pregado pela EMBRAPA (1997). As amostras de textura foram encaminhadas para o laboratório de física do solo da Universidade Federal de Santa Maria. A umidade gravimétrica do solo durante o experimento foi de 16,61 % e a densidade do solo encontrada de 0 a 0,15 m foi de 1,59 g cm³ e 0,15 a 0,25 m de 1,66g cm³. A textura do solo apresentou 61,07 % de areia, 9,20 % de silte e 29,72 % de argila, sendo classificada como franco argilo arenosa. A resistência à penetração ou índice de cone, aferida mediante uso de um penetrômetro digital, na camada de 0 a 0,10 m foi de 1,82 MPa, 0,10 a 0,20 m 2,33 MPa e de 0,20 a 0,25 m de 1,82 MPa. As três velocidades reais de deslocamento foram 2,98, 5,80 e 8,89 km h-1. O escarificador que foi utilizado é representado por uma única haste e ponteira. A haste tem perfil parabólico e largura de 0,03 m e a ponteira tem largura de 0,05 m, é do tipo estreita com e possui ângulo de ataque de 20º. A haste escarificadora foi retirada de um escarificador da marca Jan Implementos Agrícolas S/A¹ pertencente ao Núcleo de Ensaio de Máquinas Agrícolas - NEMA/UFSM. Para compor o primeiro fator do estudo, a presença de um disco de corte à frente da haste escarificadora, foi utilizado um disco do tipo liso com diâmetro de 0,47 m e espessura de 0,005 m. O segundo fator a ser estudado foi a velocidade de deslocamento, sendo está composta por três velocidades teóricas, 3,0, 6,0 e 9,0 km h-1. Estas escolhidas conforme o diagrama de velocidades do trator.

A profundidade de trabalho da haste escarificadora foi de 0,25 m, já o disco de corte foi posicionado a 0,60 m da haste e operando em uma profundidade de 0,10 m. Os mecanismos foram acoplados em suporte mecânicos e estes foram conectados a uma estrutura porta-ferramentas (EPF), desenvolvida por Gassen (2011). Esta é utilizada para acoplamento de subsistema de implementos de preparo do solo, bem como linhas de semeadura e assim possibilitar avaliações operacionais. A EPF é acoplada na barra de tração do trator e a sustentação do seu peso se dá pelo apoio na barra de tração e por duas rodas. Para tracionar a EPF, foi utilizado um trator de rodas 4x2 com tração dianteira auxiliar, motor com 132,4 kW (180cv) de potência (2200 rpm), marca Massey Ferguson1, modelo 7180, ano 2012. O trator foi equipado com uma instrumentação eletrônica similar a desenvolvida por Russini (2009), usou-se uma célula de carga unindo a barra de tração do trator ao cabeçalho da EPF para a extração da força média na barra de tração e um datalogger para armazenamento dos dados. A área de solo mobilizado, segunda variável que compõe a resistência específica operacional, foi extraída mediante uso de um perfilômetro de hastes, a partir da demarcação do relevo original do solo e do perfil basal mediante acoplamento de folhas milimetradas ao perfilômetro. Após isso, as folhas foram fotografas e as fotos foram plotadas no software Autodesk AutoCad (2012), onde a área das seções foram conhecidas mediante interpolação dos pontos marcados. A área compreendida entre o perfil original e o perfil basal caracterizou-se com área de solo mobilizado. Após a extração dos dados de força média na barra de tração e da área de solo mobilizado, foi efetuado o cálculo da resistência específica operacional, que relaciona estas duas variáveis, conforme a equação abaixo:

Onde: ReO – resistência específica operacional (kN m-2); FMBT – Força de tração média (kN); Am – Área de solo mobilizado (m2).

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A citação de marcas e modelos comerciais não implica em nenhuma forma de aprovação ou recomendação dos

mesmos por parte do autor.

O delineamento estatístico utilizado foi blocos casualizados com dois fatores de estudo, presença de disco de corte e velocidade de deslocamento. Foram utilizadas quatro repetições e os dados foram submetidos ao teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados apresentaram-se normais após verificação pelo teste de normalidade de Kolmorogov-Smirnov e, ao aplicar o teste de Cochran, verificou-se que houve homogeneidade de variâncias. A Tabela 1 contempla a análise completa da ANOVA dos fatores presença de disco de corte (PDC) e velocidade de deslocamento para a variável resistência específica operacional (ReO). A resistência específica operacional (ReO) não se alterou mediante variação da velocidade de deslocamento. A condição com disco de corte de palha à frente do elemento descompactador proporcionou aumento da ReO, pois provavelmente houve aumento da força média na barra de tração, sem aumento da mobilização do solo. Além disso, pode ser observado que o disco de corte proporcionou aumento significativo da ReO nas duas maiores velocidade. Os valores de ReO encontrados são similares aos valores encontrados por Gassen (2011) e Klein (1990).

Tabela 1 - Análise estatísticas e as médias dos fatores velocidades de deslocamento e presença de disco de corte para a variável resistência específica operacional (kN m-2).
Fatores Sem disco de corte Com disco de corte Médias (kN m-²) Velocidade de deslocamento (km h-1) 2,98 70.4150* aA 88.9375 aA 79, 67 a 5,80 59.6200 bA 111.9650 aA 85,79 a 8,89 81.5650 bA 108.2000 aA 94,88 a Médias (kN m-2) 70,53 b 103,03 a -

*Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem entre si à 5% de probabilidade de erro pelo teste de Tukey.

CONCLUSÕES

O aumento da velocidade de deslocamento não influenciou a resistência específica operacional do escarificador estudado. A presença do disco de corte à frente do elemento descompactador proporcionou aumento da resistência específica operacional.

AGRADECIMENTOS

À STARA Indústria de Implementos Agrícolas S/A e à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pelo apoio financeiro.

REFERÊNCIAS

DENARDIN, J. E.; FAGANELLO, A.; SANTI, A.. Falhas na implementação do sistema plantio direto levam a degradação do solo. Revista Plantio Direto, v. 18, p. 33-34, 2008. DRESCHER, M. S.; ELTZ, F. L. F.; DENARDIN, J. E.; FAGANELLO, A. Persistência do efeito de intervenções mecânicas para a descompactação de solos sob plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 35, p. 1713-1722, 2011. EMBRAPA. Manual de métodos de análise de solo. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. 2 ed. Rio de Janeiro, 212 p., 1997. GAMERO, A. C.; Desempenho operacional de um subsolador de hastes com curvatura lateral (“paraplow”), em função de diferentes velocidades de deslocamento e profundidades de trabalho. Botucatu – SP, 2008. 87f. Dissertação (Mestrado em Agronomia – Energia na Agricultura) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, 2008. GASSEN, J. R. F.. Avaliação de ferramenta para escarificação do solo em camadas de forma simultânea. Tese de doutorado (Doutorado em Engenharia Agrícola – Mecanização Agrícola) – Programa de pós-graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2011, 207 f. KLEIN, V. A. Desenvolvimento de haste para escarificação em área sob sistema plantio direto. 1990. Dissertação (Mestrado em Engenharia agrícola) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 1990, 79 f. LEVIEN, R.; et al.. Força de tração em haste sulcadora tipo facão, operando a duas profundidades em solo com e sem vegetação de campo nativo, na presença e ausência de disco de corte de palha. XXXIII Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola – COMBEA. Anais.. 02 a 06 de Agosto, 2004, São Pedro, São Paulo. RUSSINI, A. Projeto, construção e teste de Instrumentação eletrônica para avaliação do desempenho de tratores agrícolas. 2009. Dissertação (Mestrado em Engenharia agrícola) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2009. 142 f.