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Resenha do Livro: Com quem tua andas? Editora: Caravana de Luz Ano: 2008 Autores: Jorge Andréa dos Santos, Hermínio Corrêa de Miranda e Suely Caldas Schubert

Com quem tu andas? apresenta-se como obra espírita de considerável investimento conceitual e interpretativo. Editada a partir de transcrições de um simpósio realizado em 1987, pela Aliança Municipal Espírita (Ame) de Belo Horizonte, seu propósito maior norteia-se pela busca de uma profunda clareza conceitual e analítica da temática da obsessão/ desobsessão. É nesse sentido que o livro reúne e concentra conceitos-chave imprescindíveis para a compreensão desse fenômeno, bem como apresenta, de modo cuidadoso e metódico, uma terapêutica espírita voltada ao tratamento das obsessões, seja por força do próprio indivíduo, seja em reuniões voltadas para tal finalidade, no contexto das casas espíritas. Dessa maneira, organizado por seções específicas, com formato de perguntas e respostas, Com quem tu andas? oferece os entendimentos de Hermínio Corrêa de Miranda, Suely Caldas Schubert e Jorge Andréa dos Santos – autores da obra – sobre diversas particularidades vinculadas à temática geral e baseadas inteiramente na observância aos postulados da codificação espírita e da mensagem de Jesus. Os conteúdos do livro dispõem-se em duas grandes partes. A primeira, intitulada Obsessão e Desobsessão, conta com um intenso mergulho realizado por Hermínio Miranda nesses dois conceitos que conduzem a obra – a partir de sua experiência no encaminhamento de problemas relacionados à obsessão e de outros estudos realizados pelo autor. Muito antes de aprofundar a temática tendo como cenário o contexto espírita, Hermínio esforça-se, primeiramente, por retirar toda a carga simbólica e opinativa que os termos carregam, e se volta a uma busca do que chama de “pureza primitiva que não nos envolve com conceitos dogmático-religiosos, nem dogmático-científicos”. Após expressar a compreensão de que o obsessor é aquele que “ocupa um espaço” disponibilizado pelo obsidiado, o autor nos convida a uma abordagem nova e criativa desse processo, de modo a indicar uma metodologia de estudo e de tratamento de seus efeitos. É assim que lança luz sobre a relação estabelecida entre essas duas individualidades, e clarifica a complexidade psíquica que alimenta tal vínculo. Por esses termos, o obsessor não é um perseguidor obstinado que ataca irracionalmente o ser encarnado; muito menos o obsidiado é vítima passiva, deixando-se dominar inocentemente. São ambos sujeitos, que sofrem aprisionados por equívocos passados, tendo em vista envolvimentos negativos com a Lei Divina.

sobre uma tentativa de compreender a Obsessão como um fenômeno que abrange a vida na Terra.muito antes de expressar uma relação ostensiva de ódio e rancor. Respondem perguntas sobre por que Deus permite a obsessão e como o processo obsessivo pode ser distinguido de floração mediúnica. paralisando-os. antes de tudo. os autores buscam conceituar os mecanismos do vampirisimo e elegem pistas sobre como saber se uma instituição ou um grupo está sob o escudo de um processo obsessivo. que ocupa o maior número de páginas. a partir de uma autoconsciência de desajuste com a Lei. c) pode se exprimir na forma de auto-obsessão. quando de sua passagem pela Terra. A segunda parte do livro. representa o núcleo central da obra. descrevem passagens evangélicas que exemplificam tais casos e levantam algumas técnicas utilizadas pelos obsessores para “ocupar os espaços” junto aos obsidiados. de indulgência e de amor. na ocasião do Simpósio sobre Obsessão e Desobsessão. Nesse sentido. Obsidiado. Tendo em vista esse complexo e qualificado desafio. estabelecendo-se por vínculos de inteligência e elegância . guarda os conteúdos extraídos do debate mediado por José Martins Peralva entre Jorge Andréa dos Santos. mas não se prendem somente a isso: levantam vários problemas que podem ter origem e/ ou continuidade . os temas são apresentados na forma de perguntas e respostas e se subdividem em três grandes capítulos. os três debatedores se debruçam. Ainda nessa seção. Após a seção Obsessão. Tipos de Obsessão e Causas das Obsessões. o autor encaminha algumas técnicas que favorecem a quebra desses vínculos. entendida a obsessão como um território de conflito disputado por sujeitos (encarnados ou desencarnados) em crise e em desarmonia. seja na vida cotidiana. pela Ame de Belo Horizonte. que cumprem a função de aprofundamento conceitual do tema: Obsessor. Suely. desafios de caridade.2 Hermínio também nos faz ver que a obsessão assume outras feições mais sutis e complexas: a) pode ocorrer no campo das instituições. realizado em 1987. Em seguida. Suely Caldas Schubert e Hermínio Miranda. religiosas ou profanas. Intitulada Mesa Redonda. Apresenta ainda alguns casos que ilustram essa perspectiva e atenta para a compreensão necessária de que os esforços de desobssessão representam. b) pode se manifestar a partir de técnicas astutas de envolvimento. seja em sonhos. Como num rico diálogo. inicialmente. O Capítulo II é inteiramente dedicado a uma interlocução sobre o Tratamento das Obsessões. o Capítulo I ainda se parte em quatro subdivisões. Jorge e Hermínio discutem sobre os recursos dos quais dispõe o obsidiado para se auto-tratar. No Capítulo I. motivada pelas próprias experiências passadas – estas que passam a ocupar um espaço interior na vida dos indivíduos. revelados e propagados pela própria missão libertadora do Cristo.

É também dedicado um tempo para discutir sobre características e cuidados implicados no uso da técnica de regressão em trabalhos de desobsessão. e encaminham a temática para questões ligadas aos próprios obsidiados e a relação dos mesmos com seus familiares. atual Presidente da Fraternidade Espírita Caravana de Luz. É assim que refletem sobre a epilepsia. Bastante provocador ainda é o jogo visual que a tipografia desse título ganha na capa. Não por acaso. durante e após o término das reuniões. esse livro mereceu o título que o representa. Com quem tu andas? conta ainda com uma apresentação de Maria Fátima Ferreira de Carvalho. Em seguida. de posturas antes. Uma ampla. a esquizofrenia bem como sobre doenças psicossomáticas. Ao final do capítulo. uma seção curta – e não menos importante – reflete sobre o Autismo na visão da Doutrina Espírita. o debate encaminha-se para o papel do doutrinador e dos médiuns durante as reuniões: são detalhados alguns procedimentos de concentração e de controle dos médiuns. ex Presidente da Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte e do Conselho Regional Espírita da Zona Metalurgia. Olhando com mais cuidado. o Capítulo III guarda uma seção que representa o fio condutor de quase todas as perguntas e respostas e que se mostra de grande interesse às casas espíritas: as Reuniões de Desobsessão. posicionam a própria medicina tradicional e o tratamento psiquiátrico clássico junto ao tratamento das obsessões. conceituado psicóloga espírita. de onde nasceu a Editora Caravana de Luz. profunda e cuidadosa discussão é levantada. é possível que o leitor atento perceba o convite de amor e de renovação expressado pela combinação das palavras e pela figura de uma estampa de rádio movimentada por freqüências diversas: Com quem tu andas? Comandas? . São expostos alguns preparativos que devem ser adotados pela equipe de desobsessão e algumas indicações para iniciar o tratamento da obsessão nas reuniões. iniciando-se pelo olhar das condições necessárias à realização de uma reunião de desobsessão num grupo espírita. e de recomendações que podem ser tomadas no caso de um médium da equipe vir a sofrer um processo obsessivo.3 junto aos processos obsessivos. Por fim.