You are on page 1of 8

FUTEBOL COMPETIÇÕES EUROPEIAS

Podia ter sido melhor
Duas vitórias e duas derrotas é o saldo desta jornada, na qual Benfica e Sporting venceram e FC Porto e Nacional foram derrotados. Mas os quatro adversários das equipas portuguesas eram bem diferentes... Pag. 29

Nº 67 < Ano 3 < 18 Setembro 2009

Director: Daniel Santos

Quinzenal< Gratuito

IMIGRANTES QUEREM VER PROMESSAS ELEITORAIS CUMPRIDAS

DE OLHO NELES!
Faltam apenas nove dias para os portugueses irem às urnas e escolherem quem irá governar o país que os candidatos, excepto Sócrates, afirmam estar em muito “mau estado”, um país a necessitar urgentemente de profundas remodelações. Depois de dez debates televisivos, depois de devidamente esmiuçadas, pelos “Gatos” e por todos nós, as políticas de cada um, depois de inúmeras arruadas e algumas arruaças, ninguém terá ouvido, ao longo destes muitos dias, da boca dos cinco pretendentes a chefe do Governo, qualquer palavra quanto aos emigrantes - que eles tentaram, nas férias, cativar - nem quanto aos imigrantes, que eles pura e simplesmente têm ignorado. Embora as delegações dos maiores partidos, no Reino Unido, tenham publicitado um sem número de intenções, o facto é que, lá longe, nos locais decisórios, nada ou quase nada se discute quanto ao futuro de muitas centenas de milhar de portugueses, que por acaso até votam, mas que parece estarem votados ao esquecimento. Dia 27 anda a roda... e o prémio só contemplará um dos cinco, pese embora a agressividade com que Jerónimo, Louçã e Portas tentem convencer os eleitores de que há algo mais do que PS e PSD. Ganhe quem ganhar, governe quem governar, vamos estar atentos e exigir que, por uma vez, se cumpram as promessas. Estamos, todos, de olho neles! Pags. 2, 6, 7, 21, 22, 23 e 27

INTERNACIONAL

ENTREVISTAS

Xanana Gusmão pode vir a ser preso
Segundo um comunicado do juiz presidente do Tribunal de Recurso e Conselho Superior da Magistratura timorense, ao admitir que libertou um criminoso de guerra indonésio, Xanana arrisca ser preso de dois a seis anos. Pag. 12

CLARA CABRAL
Escritora lança livro sobre vivências em Londres
Pags. 18/19

ÁGATA GONÇALVES
Projecto ambicioso para servir os portugueses
Pags. 24/25
PUB.

2

18 Setembro 2009

ENTRE NÓS
CONSULADO MAIS PERTO DE SI...

Thetford já tem o “Quiosque Consular”
As minhas razões
inda não sei se vou votar. Não que tenha aderido ao “Partido Nulo”, um movimento recentemente criado por meia dúzia de carolas que querem dar nas vistas e que apela ao não voto dos portugueses, chamando a si a descrença e o desânimo dos eleitores que acreditam que nada muda num país onde as diversas experiências políticas poderiam ter feito muito mais por todos os portugueses. Também não serei daqueles que não sabem, ou não querem, reconhecer que o Portugal de hoje é muito diferente do Portugal de há quinze anos para não recuarmos até ao Marquês de Pombal ou, mesmo, até D. Afonso Henriques. Para mim, passado é isso mesmo, é passado, embora as suas costas largas permitam que muitos se desculpem, no presente, com os erros que outros cometeram outrora. É o caso de Sócrates, sempre muito mais preocupado em assinalar a má governação dos seus antecessores (só os do PSD, claro) do que em analisar a conduta do seu governo, cujo trajecto, gabado a esmo pelo próprio primeiro-ministro, parece não ter agradado a muito boa gente, ao ponto de o PS enfrentar, nas eleições de dia 27, uma hipotética derrota que, a confirmar-se, apenas comprovará que as intocáveis e moderníssimas políticas destes últimos quatro anos, mesmo que escudadas numa maioria absoluta, não satisfizeram o povo português. Depois destes debates todos, dos comícios, dos fóruns, das arruadas e das arruaças, ainda não sei se vou votar. É que não sei se vale a pena votar num país que, há cinco anos, me cerceou a liberdade empresarial ao embargar-me uma revista sobre o Campeonato da Europa de 2004, apenas porque o governo de então havia permitido à UEFA que registasse, como sua, a sigla “EURO2004”; não sei se vale a pena votar num país que dá uma pequena esmola aos seus antigos combatentes que andaram três anos e meio a bater com os costados no mato, alimentando uma guerra que não era sua; não sei se vale a pena votar num país cuja Justiça, decorridos cinco anos, ainda não resolveu um simplicíssimo caso de partilhas, no qual os herdeiros de determinada herança correm o risco de falecer antes que o processo termine; não sei se vale a pena votar num país que me obrigou a ir para a reforma aos 55 anos, sofrendo, as penalizações que o Estado está sempre pronto a aplicar; não sei se vale a pena votar num país onde nem os reformados estão isentos do famigerado IRS e de outros impostos municipais que sobrecarregam a factura de uma casa que já custa tanto a pagar; não sei se vale a pena votar num país que obriga os seus cidadãos a emigrarem aos 60 anos por já não conseguirem, em Portugal, um emprego que ajude a “compor” uma reforma insuficiente... Sinceramente, ainda não sei se vou votar. Eu sei que é um dever cívico, democrático, blá, blá, blá, blá... Eu sei isso tudo - mas também sei que, como muitos portugueses que estão cansados de falsas promessas, tenho milhões de razões, pessoais e “gerais”, para não votar. Ainda não sei...
Propriedade e Administração Portuguese Link Ltd. Sede: 25A Guildhall Street Thetford – Norfolk IP24 2DT - Tel: 01842 764622 Delegação: 47 South Lambeth Road London, SW8 1RH - Tel: 02075 821155 geral@portuguesemedia.co.uk - sales@portuguesemedia.co.uk Direcção Geral: João de Noronha joaonoronha@portuguesemedia.co.uk ; Direcção Administrativa e Comercial: Pedro Fernandes pedrofernandes@portuguesemedia.co.uk ; Director/Editor: Daniel Santos daniel@portuguesemedia.co.uk ; Direcção Financeira: Susana Forte Vaz geral@portuguesemedia.co.uk ; Colaboradores: Herlander Cunha (Comunidades e Movimento Associativo); Alfredo Miranda (Portugal); Marques dos Santos (Desporto); JCD Gomes; Isilda de Freitas; P. Pereira; J. Bandeira; Opinião: José Bandeira, F. Gonçalves da Silva, Valdeiza Costa, Carlos Flores (Fotografia), Isa Alexandre (Moda), Mike Silv (Automóvel); Revisão: S. Vaz; Distribuição: Portuguese Link, TNT e EuroMarket ; Tiragem: 20 mil exemplares distribuídos em 259 localidades na Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda, ilhas de Jersey e Guernsey; Colaboração: Lusa, Agência de Notícias de Portugal, SA
Nota da Direcção: A publicidade publicada neste jornal, cadernos e inserções é da inteira responsabilidade dos anunciantes. Os artigos de opinião são também da inteira responsabilidade de quem os subscreve e podem ou não transmitir a opinião do jornal. A sua publicação insere-se na responsabilidade democrática que temos em aceitar a liberdade de expressão, de opinião e o direito à diferença.

A

O TEC, de Susana Forte Vaz, já recebeu, nas suas instalações, em Thetford, o “Quiosque Consular” que vai permitir aos portugueses nesta região poderem contactar directamente com vários departamentos públicos em Portugal e tratarem de alguns assuntos consulares, sem se deslocarem a Londres. O acordo, como noticiámos em Maio, assinado com o Consulado Geral em Londres, traz para esta pequena vila em Norfolk, uma responsabilidade de maior e o reconhecimento do trabalho efectuado pelas autoridades locais e instituições de solidariedade social em prol da nossa comunidade na região. Na opinião de muitos dos dirigentes associativos e de apoio à comunidade, este é um importante primeiro passo para aproximar o estado português da sua população emigrada, mas reconhecem que ainda há muito por fazer para melhorar esse apoio e melhorar a opinião dos portugueses sobre os serviços consulares. Para Susana Forte Vaz e a TEC é um justo prémio pelo trabalho e dedicação a cerca de mil famílias radicadas na região e o reconhecimento, se bem que tardio, do sucesso e importância que este serviço presta à comunidade portuguesa na região. O “Quiosque Consular” é um sistema que trabalha através do “Consulado Virtual” e possibilita aceder a um conjunto de serviços e de informações que até hoje só eram disponibilizados nos postos e secções consulares portuguesas. Agora, será possível pedir, por exemplo, certidões de nascimento e óbito, casamento, certificados de bagagem, residência ou de importação automóvel online. Para isso basta estar inscrito no posto ou secção consular da área de residência, registado no site e pagar com cartão de crédito pela Internet o documento pedido que será, posteriormente, enviado por correio para casa. No entanto, alguns documentos como o passaporte, o bilhete de identidade ou o futuro cartão do cidadão são presenciais, pelo que o utilizador pode preencher o documento no site e enviá-los para o respectivo consulado, mas terá que agendar uma visita ao respectivo Consulado Geral (Londres ou Manchester) para terminar o processo. Neste momento está também em formação uma organização que, junto a Lisboa, irá negociar um

compromisso para a deslocação de um funcionário consular a Thetford, para evitar a deslocação dos utentes a Londres, no que diz respeito à maior parte dos actos consulares presenciais. Esta operação, que permite o acesso à Internet e aos serviços consulares por todos os portugueses, vai disponibilizar cerca de 500 “Quiosques Multimédia”, em localizações-chave, como associações frequentadas por um número considerável de portugueses, que poderão desta forma visitar o “Consulado Virtual”. Quanto a números, António Braga falou num investimento de 2,5 milhões de euros. Este é mais um passo importante do TEC que, em conjunto com as autoridades portuguesas, britânicas e locais, tenta aproximar o maior número de serviços que afectam e complicam a boa integração da comunidade de língua portuguesa.

Apoios a Fábio continuam a chegar
A grande onda de solidariedade em prol do jovem Fábio Tamiço, para angariar o valor de €15,000, e poder viajar até à Moldávia para se submeter a um tratamento que o poderá curar de uma doença fatal, continua em movimento, com entregas em dinheiro, depósitos em conta e a oferta das viagens. Se bem que ainda estejam longe dos objectivos, a pouco e pouco os fundos vão crescendo e as ofertas vão tomando volume e a esperança do Fábio vai crescendo. O jovem continua acamado, vítima de um tumor craniano que, apesar de já ter sido extraído em operação, precisa de uma terapia especial de recuperação, ministrada por uma clínica na PUB. Moldávia. Os apoios serão para custear esta recuperação. Caso contrário, o Fábio pode, a qualquer momento, desenvolver de novo o tumor e não sobreviver. A mãe, Aurélia Correia, explicou-nos que a satellitesystems@hotmail.co.uk www.satellitesystems.com.pt viagem terá de ser efectuada o mais Tel: 07958957974 / 07817800119 depressa possível, e que está disposta, se for Fernando Mendes preciso, a pedir ao banco o valor que faltar para os 15 mil euros necessários. O nosso jornal continua na esperança que este movimento de solidariedade cresça e consiga captar uma quantia significativa, para tornar possível a ida do Fábio para a Moldávia. Reconhecemos que a quantia é alta, mas a nossa ajuda é a última esperança para este jovem de 23 anos. Quem se quiser juntar aos muitos que já contribuíram, seja qual for o montante, deve depositar a verba na conta da mãe no Barclays Bank, sort code 20-67-37, conta nº Pode ter até 3 boxes com apenas uma assinatura 40843040, ou telefonar à Aurélia Correia – Entregas e instalações em todo o Reino Unido 07817123851, ou dirigir-se aos nossos Prestamos serviços 7 dias por semana escritórios em Londres

18 Setembro 2009

11

MADEIRA
ALBERTO JOÃO JARDIM EM DISCURSO NO CANIÇO

“A mim ninguém me cala!”
O presidente do Governo Regional disse, na inauguração de um caminho municipal no Caniço, que os «traidores» não o podem impedir de inaugurar. Pois trata-se de um direito e um dever que, em seu entender, está em conformidade com a Constituição Portuguesa e com a lei. Falando aos populares que se deslocaram ao sítio do Barreiro para assistir ao acto inaugural dos melhoramentos introduzidos na estrada, Alberto João Jardim começou por recordar que a história da Madeira foi feita sempre de dificuldades. Conforme referiu, «toda a nossa história é isto. Põe-nos dificuldades pela frente e nós reagimos», para depois anunciar que, desde o dia 1 deste mês e até meados do próximo, estão previstas 66 inaugurações de empreendimentos públicos e privados. Por isso, disse o chefe do Executivo madeirense, «se não tivéssemos as dificuldades que temos, isto não era façanha nenhuma. A façanha está em estarmos asfixiados aqui na Região Autónoma da Madeira e, mesmo assim, tendo em quatro anos o orçamento de três anos e meio - nem sequer -, temos tido a capacidade para não nos deixarmos sucumbir e fazer da cabeça imaginação e inteligência, fazer da vontade força de trabalho e fazermos aqui, por todos os cantos da Madeira e do Porto Santo, coisas novas para benefício da população». Desta forma também, disse Alberto João Jardim, «a população vê onde está o dinheiro dos seus impostos. Oxalá que noutras paragens do país a população soubesse onde está o dinheiro dos seus impostos e onde estão os fundos europeus». Porém, disse, «há quem não queira que se façam inaugurações, como se estivéssemos aqui a fazer alguma coisa contra a lei. A lei cria-me o dever de informar a população. A Constituição da República é clara: eu devo dar satisfações à população daquilo que estou fazendo. E, por isso, tenho de fazer as inaugurações. E tenho, portanto, a Constituição e a lei do meu lado». Daí que, tal como afirmou, «não vale a pena virem umas criaturas, ainda por cima traidores à Madeira, virem umas criaturas embirrar que eu faça as inaugurações. E cheios de inveja, porque apesar do mal que nos foi feito, mesmo assim, isto vai para a frente e estamos a fazer coisas novas». A única maneira de deixar de fazer inaugurações, e mesmo assim assegura que não iam conseguir, «era desembarcar aí os fuzileiros, me prenderem e me impedirem - mas nessa altura, quem estaria na ilegalidade eram eles, seriam eles que iam presos, não me podem impedir, segundo a lei, de fazer inaugurações». Face a isso, Jardim alertou esses «traidores»: «não percam tempo. E, como dizia o Manuel Alegre, “a mim ninguém me cala”. Eu estou nessa. A mim ninguém me cala. E, portanto, pode haver para aí uns traidores que me queiram calar, a vergonha é deles, a vergonha não é minha». As obras levadas a cabo no Caminho Velho dos Barreiros, no Caniço, representaram um investimento da Câmara Municipal de Santa Cruz superior a 164 mil euros. Durante os trabalhos, foram colocadas redes de água potável e águas residuais, redes eléctricas e de telecomunicações, para além de terem sido construídos passeios e uma nova cobertura asfáltica.

Hospital do Funchal já fez 141 cirurgias cardiotorácicas
O Hospital Central do Funchal (HCF) realizou, até 9 de Setembro do corrente ano, e desde o início de 2009, um total de 141 cirurgias cardiotorácicas, sendo que 58 foram torácicas e 83 cardíacas. Um número que não envergonha em nada a Região, conforme admitiu o presidente do Conselho de Administração do Serviço de Saúde da Região. Almada Cardoso admitiu que a média de cirurgias anda um pouco abaixo do que é feito a nível nacional mas sublinhou que a situação vai melhorar em breve com a resolução do problema da falta de anestesistas. Virá uma nova especialista do Continente, assim como dois colegas portugueses que trabalham, actualmente, na Venezuela mas que deverão chegar à Região, para trabalhar a cirurgia cardíaca, durante o próximo mês de Outubro. Com este reforço e com a abertura de uma segunda sala de cirurgia ambulatória, criam-se condições para que o número de cirurgias ao coração aumente significativamente. Ainda segundo Almada Cardoso, o Serviço de Cardiologia vai igualmente ser alvo de obras. Refira-se que no ano passado, foram feitas 193 cirurgias cardiotorácicas (114 cardíacas e 79 torácicas). Em 2007, o total de cirurgias rondou as 179, sendo que 107 foram cardíacas e 72 torácicas. Em 2006, os valores andaram nas 189 (total), com 101 cirurgias cardíacas e 88 torácicas. Já em 2005, realizaram-se 156 cirurgias, das quais 113 foram cardíacas e 43 torácicas. Em termos de percentagem, 53,5% corresponderam a doença coronária, 42,1 á patologia valvular, 1,8% à patologia aorta torácica e 3,5% à patologia congénita.
PUB.

Tráfico de droga na discoteca e assalto a hotel
Um homem de 29 anos foi detido pela Divisão Policial do Funchal, na passada semana, quando se encontrava no interior de um estabelecimento de diversão nocturna na posse de 120 doses individuais de cocaína e na presumível prática de tráfico de estupefacientes, anunciou ontem a PSP em comunicado. O suspeito foi surpreendido pelas forças policiais “em pleno acto de tráfico de droga, ao qual foi detectada em sua posse inúmeras embalagens de cocaína , vulgo “quartas”, correspondendo a 120 doses individuais, bem como uma quantia monetária superior a 600 euros, a qual foi igualmente apreendida por presumível proveniência do acto ilícito”, informou aquela força policial. O detido, natural de Santa Cruz, foi presente às autoridades judiciárias, e foi-lhe determinado o regime de apresentação semanal obrigatória, junto da PSP. Paralelamente a esta operação, as brigadas da Divisão Policial do Funchal desencadearam várias acções junto de outras áreas urbanas sensíveis da cidade do Funchal que resultaram na apreensão de quantidades de pólen de haxixe suficientes para a produção de 2.400 doses individuais. Encapuzados assaltam hotel Dois indivíduos encapuzados assaltaram uma unidade hoteleira, no Funchal, com o recurso a ameaça de uma arma branca, forçando o recepcionista a abrir o cofre. Segundo dados disponíveis, os indivíduos entraram na unidade hoteleira por arrombamento de uma porta traseira, surpreendendo o recepcionista que se encontrava sozinho naquele sector sem que este pudesse reagir. Ainda de acordo com dados recolhidos, os indivíduos entraram de rompante no edifício e coagiram o funcionário a abrir o cofre sob a ameaça de uma faca, de onde subtraíram uma determinada verba em dinheiro. Segundo o apurado, os encapuzados, simultaneamente trancaram o recepcionista dentro de uma “casa de banho” e puseram-se em fuga pela mesma porta que arrombaram. A PSP destacou meios para o local, entre os quais a Unidade de Polícia Técnica (UPT) no âmbito das investigações. Este assalto faz recordar um outro ocorrido recentemente a uma pequena unidade hoteleira de luxo, no Funchal. Tal como o JM divulgou na altura, o recepcionista partiu uma perna quando se atirou por uma janela perante um indivíduo, de cara encoberta, e de luvas, que arrombou a porta a pontapé e entrou naquelas instalações com um ferro na mão. Dessa feita, de acordo com informação recolhida no local, o indivíduo foi ao armário onde se encontrava o cofre e fugiu com este às costas. O recepcionista foi assistido no hospital e a Polícia deu início a um processo de averiguações.

18 Setembro 2009

21

COMUNIDADES

Paulo Pisco (PS) e Carlos Gonçalves (PSD) respondem
SE ELEITOS, QUAIS AS TRÊS PRIMEIRAS MEDIDAS QUE TOMAVAM EM RELAÇÃO À GRAVE SITUAÇÃO DOS PORTUGUESES NO REINO UNIDO?
caderno do governo prevê que a nossa se reparta em três domínios essenciais. Em primeiro lugar o cumprimento do programa do governo, que é um programa ambicioso, na medida em que, desde logo, pretende uma valorização das comunidades portuguesas na própria estrutura do governo, para que os seus problemas e a sua resolução tenham maior visibilidade. Depois, temos de exercer acção no sentido de, em relação a Portugal, fazer com que haja uma maior sensibilidade à questão relacionada com as nossas comunidades e com os portugueses que vivem no estrangeiro. Isso passa por dirigirmos por levar a administração pública e serviços públicos portugueses, à sensibilidade e competência adequada para tratar dos assuntos dos portugueses residentes no estrangeiro. Para evitar que, para resolver problemas, muitas vezes se depararem com funcionários com má vontade, porque não conseguem resolver os problemas, com os quais não estão habituados a lidar. Por outro lado, utilizando os elementos que as comunidades nos fornecem, da parte dos eleitos, das associações, etc., ajudar para que haja um maior envolvimento e empenhamento cívico dos portugueses nos países de acolhimento. E uma maior aproximação e ligação dos portugueses às instituições e administração publica e outras instituições e partidos políticos para que, através dessa ligação, os portugueses possam ter maior capacidade de organização e reivindicação, para que possam estar mais integrados, de modo a que não sintam os problemas, que tradicionalmente os residentes no estrangeiro sentem. E por esta via participar no processo de tomada de decisão de uma maneira mais activa do que o fazem agora. O problema do Consulado foi reconhecido pelo governo e por mim mesmo em diversas ocasiões, e gostaria de dizer que, a sua rápida resolução, é uma prioridade do próximo governo do PS. Iniciámos um processo de reforma, reestruturação consular, que envolveu uma requalificação dos consulados cujo objectivo final foi servir melhor os portugueses. Para isso, foi feito uma estruturação consular em várias fases. Começamos pela modernização, desburocratização e informatização dos consulados. Houve uma adaptação da estrutura e uma definição das missões dos postos consulares, que passou a ser mais produtiva e mais densa no domínio económico, cultural, político, por forma a integrar plenamente a emigração na política externa de Portugal. Havia problemas graves em alguns consulados e o governo resolveu-os. Fez-se uma modernização fantástica, no que diz respeito a certos documentos que são obtidos imediatamente através da aplicação do SIDIC, como sistema SIRIC que comunica, em tempo real, com todas as conservatórias do país. E esta reforma acabou por atrasar a resolução do problema do consulado de Londres. E é por isso que depois de tudo o que foi feito, o consulado de Londres é, de facto, a prioridade imediata do próximo governo socialista. Quanto ao recenseamento é ponto assente! Não é um problema do governo, mas sim uma responsabilidade das comunidades. O recenseamento é um acto voluntário e tem de haver aqui uma atitude. Poderia haver realmente muito mais recenseados se o consulado aqui tivesse internamente um recenseamento consular automático. Se houvessem indicações nesse sentido e os funcionários consulares incitassem as pessoas a recensear-se. Mas por outro lado, é preciso que os portugueses ganhem consciência que a inscrição no recenseamento consular permitelhes ter uma participação activa na política em Portugal e contribuir para determinar os governos que são eleitos e as linhas de desenvolvimento que são assumidas. É um acto cívico louvável e as pessoas não se podem alhear à influência que podem ter em relação a Portugal.

0

primeira prioridade tem a ver com alargar a intervenção dos portugueses residentes no estrangeiro na vida politica nacional. O reino Unido é um país onde, aparentemente, vivem mais de 300 mil portugueses e onde é preciso que o recenseamento seja automático, ou seja, sempre que um português trate de um documento no consulado e apresente um documento de identificação, se faça o recenseamento automático. Tal como já se faz em Portugal. Os deveres e direitos dos cidadãos residentes fora de Portugal devem ser os mesmos dos que vivem no país. Tudo mudaria com o recenseamento feito convenientemente no Reino Unido. Porque apesar de ter mais de 300 mil portugueses, só cerca de 1,300 podem votar. O que em relação com Paris, por exemplo, que tem mais de 40 mil, é a razão pela qual o governo investe tanto em Paris e maltrata tanto a comunidade portuguesa no Reino Unido. É uma questão de interesse políticopartidário. O facto de vir agora um “Observatório” reduzir a comunidade no Reino Unido dos 300 mil para 77 mil, faz-me lembrar alguns regimes há umas décadas atrás, que definiam e decidiam o número de habitantes, consoante a necessidade das suas políticas. Todos sabemos que não vivem aqui 77 mil portugueses. Outra das medidas seria a participação dos emigrantes no voto das autárquicas. Porque os portugueses, normalmente vindos do interior, têm interesses e comparticipam no EMI, imposto camarário, e, por isso, representam quase 80% das receitas autárquicas. Não é justo que o voto beneficie apenas 20% dos contribuintes. Por fim, para evitar que a ajuda aos portugueses sejam medidos consoante o voto, temos de colocar as comunidades portuguesas na prioridade da política externa. Situação que já se registou, quando o PSD foi governo. Quem faz politica e está num governo, não deve entender que as decisões só devem ser dirigidas às comunidades que, por razões óbvias, têm mais portugueses recenseados. Por isso, se considerarmos colocar as comunidades nas prioridades da política externa, passa a haver a obrigação de tratar todos igualitariamente independente do seu peso político. Por fim falamos num problema grave no Reino Unido – no tratamento e falta de visão no atendimento e apoio social do consulado de Portugal, que não trata como devia tratar uma comunidade emigrada, essencialmente por uma manifesta falta de recursos. Eu não posso admitir minimamente que o secretário de estado diga em Paris que atende os portugueses em 7 minutos, como noticiou no seu jornal, e que aqui leve sete meses. Não posso permitir que esteja previsto o recrutamento de mais cinco administrativos para o consulado de Paris, que tanta falta fazem aqui no Reino Unido. Eu não posso admitir que o consulado de Paris como menos de 100 funcionários tenha mais de 20 chefias, um chefe para cada 4 trabalhadores. É inacreditável como se pode delapidar dinheiro. Mas enquanto o Reino Unido estava com grandes problemas de atendimento ao público e de apoio social, o consulado de Paris recrutou uma técnica, um jurista e está preparado para requisitar mais um técnico todos directamente do ministério, para além dos cinco administrativos e de um cônsul adjunto, coisa que Paris já não tinha há cerca de 15 anos. Por isso nós prometemos, com os meios que tivermos, que são pouco porque este governo deixou o MNE em situação dramática, vamos de forma justa distribuí-los. No meu círculo eleitoral, se há um país que me preocupa é este. E posso dizer abertamente porque fui a única voz que se ouviu, sobre o assunto, neste foi a minha Não porque politicamente me tenha trazido muitos apoios, mas porque se faz justiça a uma comunidade que necessita realmente de ser apoiada.

A

PUB.

22

18 Setembro 2009

COMUNIDADES

Programa eleitoral da CDU para as comunidades
Do PCP recebemos o seu programa para as comunidades, que se apresenta como parte da coligação conhecida por CDU e se intitula como “a grande força de esquerda, espaço de convergência e acção unitária de todos quanto aspiram a uma mudança de política, portadora de um claro projecto de ruptura com a política de direita e de cujo reforço depende uma viragem na política nacional e a construção de uma nova política e um novo rumo para Portugal e para a Diáspora.” Para estas eleições, a CDU defende a necessidade romper “a repetida alternância entre PS e PSD – com ou sem o CDS/PP – que há 33 anos nos governa”, e adianta uma nova política para as Comunidades Portuguesas centrada em 4 eixos fundamentais: o reconhecimento das comunidades portuguesas como um vector estratégico para a afirmação e projecção de Portugal no mundo; a promoção, expansão e qualificação do ensino da Língua e Cultura Portuguesas; a garantia da existência de uma rede consular moderna e qualificada de forma a poder responder às necessidades das várias gerações de portugueses a residir no estrangeiro, bem como às novas realidades dos movimentos migratórios; uma política que, a par da defesa da participação política, promova a participação cívica, o diálogo com as multifacetadas estruturas representativas da nossa Diáspora, e, em particular, respeite a autonomia do Conselho das Comunidades Portuguesas. A CDU acusa depois o PS de ter desprezado “o peso e a importância das comunidades portuguesas no todo nacional” e as “consequências negativas de tal política são evidentes nas seguintes vertentes: desinvestimento no ensino da língua e
PUB.

cultura portuguesas nas comunidades portuguesas; encerramento e despromoção de consulados de carreira com evidentes prejuízos para os utentes; recurso a mecanismos administrativos e financeiros para dificultar o funcionamento autónomo do Conselho das Comunidades; redução substancial do porte pago aos órgãos de informação; pôs termo à “conta poupança emigrante”; manutenção da discriminação dos exmilitares emigrantes na contagem de tempo para efeitos de reforma”. Como solução, a CDU promete a urgente correcção da política de abandono dos sucessivos governos, exigindo a

divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro; a melhor utilização dos meios que o Estado português tem ao seu dispor, nomeadamente através do sector público de comunicação social (antenas internacionais da RTP e RDP e Lusa); a melhor coordenação dos serviços existentes, designadamente no Ministério da Educação e no Ministério dos Negócios Estrangeiros/Instituto Camões; o reconhecimento do importante papel que as Associações e Comissões de Pais desempenham; o indispensável apoio efectivo às organizações dos jovens luso-descendentes, promovendo e apoiando projectos de intercâmbio (no plano escolar, cultural e profissional); o apoio ao movimento associativo das comunidades, respeitando a sua identidade e

diversidade, bem como aos órgãos de informação da nossa diáspora desenvolvendo linhas específicas de colaboração para o desenvolvimento da sua actividade; a garantia de serviços consulares modernos, eficazes e acessíveis, em conformidade com os interesses do país e das comunidades e que respondam eficazmente aos novos problemas decorrentes dos novos fluxos emigratórios, pugnando pela sua eficácia, garantindo não só uma melhor imagem de Portugal mas um melhor atendimento à Comunidade; a necessária definição de uma política para o investimento em Portugal por parte dos emigrantes, potenciando a captação das suas remessas; a atenção a dar à situação dos reformados que trabalharam no estrangeiro; a adaptação à situação dos emigrantes do regime jurídico para contagem do tempo de serviço dos exmilitares, para efeitos de reforma; a criação de um Fundo de Apoio Social, de carácter permanente, para os emigrantes carenciados; a promoção de uma coordenação eficaz na área da Segurança Social, que impeça nos acordos assinados com outros Estados a dupla tributação; o combate eficaz às redes de contratação de mão de obra em condições de forte precariedade e sobre exploração, através de uma activa acção fiscalizadora junto das respectivas empresas contratadoras; o respeito pela autonomia do CCP, criando as condições técnicas e materiais indispensáveis ao seu regular funcionamento. Por fim, a CDU promete “empenhar-se para alargar o esclarecimento e ampliar, na consciência de mais e mais portugueses, a convicção de que o reforço da CDU é a garantia que abre um caminho de esperança de uma vida melhor para os portugueses que vivem dentro e fora do País”.

18 Setembro 2009

23

COMUNIDADES

Programa eleitoral dO PSD para as comunidades
Hoje publicamos as linhas mestras da política de emigração do PSD, que começa por tecer algumas criticas às instituições políticas portugueses que acusa de “raramente se debruçam sobre a realidade da emigração portuguesa. Na prática,” continua o programa “são cinco milhões de Portugueses, normalmente esquecidos, pouco parecendo contar para o presente e o futuro do País”. Continuando por dizer que “só o PSD tem sabido compreender esta realidade ao longo da sua história, conseguindo defender e fazer aprovar diversas soluções legislativas que têm dado um contributo sério para a aproximação entre Portugal e as suas Comunidades”. Tais como a atribuição dos direitos de participação política em eleições presidenciais, legislativas e europeias, a criação o Conselho das Comunidades Portuguesas e a RTP Internacional, e discutidas questões sociais e de segurança que tanto têm afectado as nossas Comunidades”. Numa altura em que, num momento particularmente grave para a nossa economia, “centenas de milhar de Portugueses se viram de novo obrigados a emigrar para poderem ganhar o seu pão e garantirem a subsistência das suas famílias”, o actual Governo liderado pelo engº José Sócrates tem vindo a “bombardear” os emigrantes com “um conjunto de medidas sem precedente nem justificação”, extinguindo as contas poupança; o porte pago para a imprensa regional ser enviada para as nossas comunidades; tentou limitar a participação eleitoral das nossas Comunidades nas eleições para a Assembleia da República através da generalização do voto presencial; a falta de pluralismo em grande parte da comunicação social do Estado, especialmente na RTP Internacional; a falta de acompanhamento dos serviços consulares ao aumento “impressionante” dos fluxos migratórios dos cidadãos nacionais, sendo cada vez mais frequentes as situações de exploração de portugueses no estrangeiro; a ausência dos modelos anunciados para o ensino do Português no estrangeiro; a reforma da rede consular veio a aumentar os problemas e as carências humanas e técnicas; o Instituto Camões e a Direcção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas foram esvaziados de meios humanos e materiais, estando hoje seriamente limitados na sua acção em prol da nossa afirmação externa e da nossa ligação às nossas Comunidades; e as medidas anunciadas do Fórum dos Luso-eleitos, a Escola e o Consulado Virtual, apresentam resultados extremamente reduzidos. Pelo facto, o PSD afirma essencial “garantir a reaproximação entre Portugal e todos os Portugueses que se encontram espalhados pelo Mundo” e, a seu ver, “as Comunidades Portuguesas deverão ser uma prioridade absoluta no contexto da nossa política externa, devendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros reestruturar-se politicamente de modo a que “os responsáveis pela nossa diplomacia nos planos políticos, económicos e culturais deverão alterar radicalmente os seus procedimentos de forma a contemplarem a ligação com as Comunidades Portuguesas.” O PSD defende que os jovens luso-descendentes estão na primeira linha das suas preocupações como garante do futuro da nossa relação com a Diáspora; depois, a sensibilização à participação cívica e política das nossas Comunidades na vida política nacional e nos países de acolhimento; a prioridade à elaboração dos estudos indispensáveis para a alteração do sistema de voto dos portugueses residentes no estrangeiro, adoptando possivelmente o voto electrónico, que permita o combate ao enorme absentismo que se tem verificado; o apoio institucional às celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e do dia 25 de Abril; o desenvolvimento de mecanismos de captação de poupanças e investimentos dos Portugueses residentes no estrangeiro, restaurando-se nomeadamente as contas poupança - emigrante extintas pelo actual Governo; assim como a elaboração de estratégias de organização empresarial; depois a rede consular deverá ser um instrumento activo de desenvolvimento da nossa política externa, conjugando a relação institucional com a comunidade internacional com acções integradas de diplomacia económica e cultural, numa estreita ligação às comunidades portuguesas; propõe a criação dos “Espaços Portugal”, enquanto consulados de nova geração, capazes de concentrarem e coordenarem efectivamente as mais diferentes vertentes da nossa acção externa, sem esquecer a possibilidade de integrarem no seu seio empresas ou associações empresariais e culturais que possam dar um importante contributo para a defesa dos nossos interesses e a aproximação à nossa Diáspora; o alargamento da acção consular contará com a rede de associações portuguesas e com os cônsules honorários, que serão valorizados e com quem deverão ser estabelecidas novas cumplicidades de forma a garantir maior eficácia no domínio da protecção consular e da nossa representação externa; a celebração de acordos bilaterais na área da segurança social e em todos os domínios em que estejam em causa os direitos dos cidadãos portugueses que trabalham no estrangeiro; será retomada a proposta do alargamento da nacionalidade portuguesa aos netos de cidadãos; a introdução do voto dos não residentes nas eleições autárquicas; a reforma do ensino do Português no estrangeiro, executando-se a transferência da tutela deste sector para o Instituto Camões e a contratação de professores locais; o apoio aos Portugueses em situações economicamente mais difíceis e mais fragilizados socialmente; a valorização dos órgãos de comunicação social das nossas Comunidades, procurando desenvolver-se acções de incentivo a programas de intercâmbio e de formação dirigidos aos seus profissionais. “É para isso que nos candidatamos! E foi para isso que abraçámos esta causa – servir os portugueses da Diáspora! Representá-los junto do poder político democrático em Portugal! Levar até aí os seus anseios e necessidades! Em nome da verdade, a eles devemos respostas concretas! Não simples discursos, mas respostas coerentes e sérias!” que tragam lucros, em política, os políticos medem o seu sucesso através dos “mercados” de voto. A nossa apatia e desinteresse pelo voto tem sido paga na mesma moeda pelos políticos. Enquanto no Reino Unido existem 1200 recenseados aptos a votar, em França existem cerca de 90 mil. No Consulado de Paris tratam-se, em sete dias, assuntos que demoram mais de seis meses a tratar em Londres ou em Manchester. Não vale a pena procurar e recriminar nos outros aquilo que só a nós diz respeito. Basta apenas olharmos no espelho e apontarmos os culpados deste “estado de sítio” – nós próprios. Por isso, vou votar. Primeiro, porque não tenho tempo para passar nos cafés a dizer mal dos outros. Depois, porque tenho espelhos em casa. Para além disso, porque acredito poder ser um dos que assim irá contribuir para derrubar as paredes que hoje nos separam dos poderes centrais.
João de Noronha
PUB.

A importância de votar
Eu vou votar porque me registei e recenseei e, deste modo, estou pronto a fazê-lo em defesa dos princípios por que me pauto e que tenho defendido e escrito nesta publicação. O voto é a única arma que temos para defender os nossos interesses. Só com ele iremos conseguir a importância necessária para que Lisboa olhe para esta comunidade com “apetite” político e faça andar instrumentos que possam garantir o nosso futuro neste país como trabalhadores, contribuintes, cidadãos, indivíduos e acesso a benefícios financeiros e sociais a que temos direito como residentes e como portugueses. Até agora tudo nos tem passado ao lado, porque não somos importantes. Tal como numa empresa o proprietário deseja ter acesso a mecanismos

Venha visitar-nos e conhecer os nossos excelentes produtos

26

A crónica dos mentirosos de Roncais de Baixo!
Prezados compatriotas, É sempre para nós um grande prazer saber que muitos foram de férias matar saudades entre os seus amigos e familiares tendo regressado já com as baterias carregadas aos seus postos de trabalho! Mas fazendo um regresso ao passado deparamo-nos com algumas intervenções que vieram já a lume neste periódico, onde sem rebuço alguém criticou o actual conselheiro – António Mota da Cunha, na edição de 16/03/2007, e logo na edição seguinte de 30/03/2007, o dito conselheiro com um sorriso de cacaracá vem cantar de galo acusando o Governo Socialista de falta de diálogo aquando da visita da Deputada Socialista – Maria Carrilho, em que recusaram tê-lo convidado a um jantar, pagando-se depois da mesma moeda que o aludido conselheiro fez com um militante do partido trabalhista britânico no Restaurante Madeira, que já havia pago adiantado e este armado em carapau de corrida indaga que não via o seu nome na lista e quase por poucos segundos não se entornou o caldo! Outrossim, no mesmo periódico de 4/04/2008, quando se começou a preparar as candidaturas para as eleições do Conselho das Comunidades compareceram perante a Comissão Eleitoral, três intervenientes das listas concorrentes, onde já de início começaram os trâmites e as trafulhices dos embusteiros das Listas “B” e “C”, na intenção de ter negado a constituição de mesas de voto em Thetford, Great Yarmouth e Guernsey, alegando falsas difamações de idoneidade, como se pode comprovar pelos dois documentos assinados pelos dois representantes! Mas afinal o que é que estes dois trapaceiros ganharam com isto? Tiveram algum louvour ou receberam algumas medalhas no Dia de Portugal? Destarte, faltava mencionar a página 26 de 2/08/2008, onde nos deparamos com um episódio composto de quatro mentiras da autoria de António Choça, que tem sido desmascarado, não somente pelo coordenador e agente da Lista “A”, como também pelo cabeça da mesma lista, Senhor João de
PUB.

Nesta secção procurarei esclarecer as vossas dúvidas em relação à saúde emocional, familiar e de relacionamentos interpessoais. Enviem as vossas perguntas para o e-mail valdeiza@gmail.com ou mob. 0796 1158 491.

Auto-sabotagem
Pergunta. Tenho um problema sério de auto-boicote. Nunca acredito que as coisas vão tão bem que nada possa dar errado e acabo, eu mesma, travando… aí, de alguma forma as coisas acabam por caminhar para o fracasso… esse círculo vicioso pode ter fim? (ACB, Londres). O auto-boicote, auto-sabotagem ou auto-mutilação representa toda a capacidade auto-destrutiva de um indivíduo e está muito presente na sociedade actual. Apresenta-se de várias formas, entre elas posso citar: obesidade, tabagismo, alcoolismo, depressão com tendência suicida, síndrome de auto-mutilação, cardiopatias, transtornos de ansiedade, vícios em geral, diabetes (com tendência ao agravamento por ausência de cuidado) e em muitas outras patologias. Também pode ser observada em comportamentos diversos, tais como: perda da moral, dificuldade económica crónica, preguiça, apatia, agressividade incontrolável, dificuldade de adaptação com o meio, prostituição, libido exacerbada, etc. Segundo o psicólogo Celso Cruz, existe um aspecto que agrava o quadro do auto-boicote (ou síndrome do bode expiatório) que é o prazer sentido pelo seu portador pelo desprazer, pela dificuldade gerada por situações adversas que lhe causem sofrimento. A característica principal pode ser extraída do próprio nome da patologia auto-boicote, ou seja, a pessoa não pode dar certo em nada. Assim sofre no campo físico, afectivo, intelectual e, até mesmo, no espiritual. Entretanto, trata-se de um processo inconsciente. O indivíduo vive numa batalha diária e todo o seu comportamento, atitudes e sentimentos estão no campo da destrutividade, em maior ou menor grau. É o caso das pessoas das quais se diz: Ela não sabe ser feliz”. O indivíduo age sempre no sentido de estragar sua felicidade, sua saúde, etc. Mutas vezes o problema surge devido um complexo de culpa ou complexo de inferioridade onde a pessoa sente que não merece que as coisas lhe dêem certo e age, inconscientemente, no sentido de estragar tudo e se as coisas lhe estão indo bem, procura de toda forma os aspectos negativos da situação e os apresenta como mais fortes do que os positivos. Este é um problema sério e a pessoa que sofre deste mal deve procurar ajuda profissional o mais rápido possível. O psicoterapeuta terá que adoptar um modelo patriarcal de autoridade para quebrar o círculo vicioso no qual vive o paciente. Geralmente este tipo de paciente tende a justificar todos as suas atitudes e problemas o que chamamos de “racionalização” e este mecanismo de defesa o impede de encarar o problema de frente e, consequentemente, mudar de atitude. Não é raro encontrarmos este tipo de paciente em estrutura hipocondríaca (com mania de doenças). Esta é uma forma simbólica de sempre estar mal, ou a procura de uma patologia que justifique seu mal-estar e de chamar a atenção de forma negativa, colhendo o amor por meio de piedade social.

Noronha! Porém, a estratégia das mentiras tem tendência a continuar. Neste entremeio entrou nas fileiras dos combatentes o nosso grande amigo, Senhor Luís Gonzaga Barros, que já fez estremecer meia dúzia desses fanfarrões que durante as eleições de 20 de Abril 2008 traíram com a sua lábia a maioria da Comunidade Portuguesa que vive fora de Londres impedindo-a que exercesse o seu direito cívico de votar! E qual vai ser o nosso posicionamento nas Eleições Legislativas de Setembro? Não houve tempo para fazer as “Inscrições Consulares e Actualizar o Recenseamento”? Houve mais do que tempo! Faltou-lhes a coragem e a boa vontade para o fazer, porquanto o Partido Socialista é cúmplice de toda esta farsa que se passou dentro da SECP, porque em vez de terem diminuído aos Consulados e seus funcionários, deveriam ter dado mais crédito a milhares de cidadãos que vivem aquém-fronteiras incentivando mais o Movimento Associativo, assim como a sensibilização das “Inscrições Consulares e Actualização do Recenseamento” a fim de estar em dia para as futuras eleições sejam elas quais forem. Neste contexto, é urgente chamar mais uma vez atenção dos partidos que concorrem às eleições legislativas de Setembro que o abstencionismo deve ser repelido no seio da Comunidade, fazendo com que cada cidadão esteja verdadeiramente conscrito e vote sem receio pondo desde já o seu voto a cantar de galo no partido que indica para o céu aos pecadores, porque os santinhos vão continuar a votar no partido dos profetas da desgraça que conduziu Portugal à miséria e que abandonou completamente os Portugueses da Diáspora! De vós nem conhecidos, nem sonhados, se nesta empresa a experiência nos ajudar a ter engenho e arte! Saudações Lusíadas,
F.Gonçalves da Silva & Luis Gonzaga Barros Portuguese Action Group

27

Vira o disco e toca o mesmo
s próximas eleições de 27 de Setembro dominam a actualidade apesar de podermos falar de uma certa apatia por parte da nossa comunidade. A situação é contudo mais complexa do que parece à primeira vista e por isso lhe dedico algumas linhas. Em tempo de eleições lembro-me sempre do velho ditado “vira o disco e toca o mesmo” e penso que estas também não serão muito diferentes. O PS e PSD não são alternativas distintas são apenas visões de gestão diferentes. As mesmas grandes linhas com diferenças muitas vezes de pormenor. Ricardo Pereira o mesmo do ‘Gato Fedorento’ afirmava no início deste ano que era particularmente irónico que os sociaisdemocratas vivessem tempos tão difíceis precisamente na altura em que se encontrava na política activa aquele que era, porventura, o mais bem-sucedido político de sempre do PSD. Só era pena que ele fosse o secretário-

A

geral do PS. Por outro lado concordo com José Saramago quando diz que na esfera política os portugueses são chamados a tirar um governo de que não gostam e a pôr outro de que talvez venham a gostar. A campanha de ambos resume-se a charme, simpatia e cosmética e caracteriza-se pela ausência ideias e de propostas reais para o país real, não se passando da esfera do banal e do insubstancial. Ela não promete nada, ele promete o seu melhor. Ambos vão ser derrotados com a pequena diferença que um vai ser mais derrotado que o outro, mas nenhum terá a tão desejada maioria absoluta. Perante a dramática realidade económica portuguesa creio que tanto o CDS como a CDU têm de uma maneira geral os seus eleitorados fidelizados e tudo indica que continuem a crescer mas não de forma significativa. Paulo Portas participou na governação e não deixou saudades e os comunistas sofrem ainda com a falência dos

regimes comunistas e com alguma desconfiança, justificada ou não. Apesar disso nestas eleições existem alguns aspectos novos que podem alterar significativamente o quadro pós-eleitoral português. A questão da abstenção parece-me ser um deles e o recente crescimento do Bloco de Esquerda (BE) a terceira força política nacional é outro. Estes dois aspectos poderão conduzir a um outro e que tem a ver com a revisão das políticas liberais e neo-liberais do PS e com a evolução da actual crise financeira e que por sua vez poderão condicionar um reposicionamento político do PS como alternativa de esquerda. Em termos económicos a advertência do Norte-americano e Prémio Nobel de Economia Joseph Stiglitz para uma evolução da crise, na qual à recuperação actual poderá seguir-se uma nova recaída não deve ser ignorada. Em termos políticos não é descabido relembrar o projecto de uma esquerda alargada

e dialogante que tem vindo a ser defendido pelo líder do BE. Esta mensagem tem vindo a colher apoios em alguns sectores do PS e pode apelar para o voto dalguns desencantados e desiludidos com as alternâncias dos últimos 30 anos. A realidade tem mostrado que o diálogo das esquerdas é possível e necessário na procura de pontes de entendimento comum para um projecto político abrangente, renovado e autêntico. Pessoalmente não espero grandes alterações mas apenas uma primeira pedrada no charco do marasmo político português, a falta de uma maioria absoluta e a persistência da crise mundial irão condicionar o futuro próximo do nosso xadrez político, provavelmente com eleições intercalares e melhor demarcação das forças políticas com eventuais ajustes e alguns realinhamentos.
José Bandeira

Centro Comunitário Português El-rei D. Sebastião (I)

M

uitos são, por certo, os que já se devem ter questionado no que diz respeito ao Centro Comunitário Português (e ao meio milhão de libras disponível) e aos 18 meses que Lambeth diz termos de esperar – e todos os ditos e desditos acerca do assunto, inclusive uma entrevista, ao Palop News, de António Cunha, que, sobre o centro, diz vão perguntar ao Lambeth, porque ele só sabe que nada sabe. Por aquilo que fui investigando, e ainda a “procissão vai no adro”, parece que todos acordaram tarde. De uma promessa feita em 2004/05, de dar seguimento em 2008, parece que os interessados acordaram tarde demais. Pois a promessa foi e será feita para caçar os votos à nossa comunidade, sacar a câmara à aliança política liberais/conservadores e agora para a manter “mantendo” a promessa. Não custa nada e, se resultou em 2004, porque não há-de resultar agora em 2009?!

Mas, pelos vistos, e pelo andamento da carroça, parece que o centro já foi entregue ao Zé-ninguém, conhecem? O que não quer dizer que não dê para enviar uns convites às “altas sociedades” para uns almoços e jantares, misturados com muita propaganda e lançar uma quantidade de gente que ninguém conhece e ganhar uns “trocados” para aguentar a crise – lembram-se da canção “Eles comem tudo...” – Pete Bower (Labour), que vive em Stockwell – Alguém conhece??? Isto para não falar de outros “mágicos” de batuta portuguesa que, também, ninguém conhece, quem são, donde vieram e o que os fez “investir” as suas capacidades na emigração! Só que, em Stockwell, quem não conhece o ex-vereador Anthony Bottrol? Um homem que sempre deu a cara e olhou pelos interesses dos portugueses e, ao fim de dez anos de trabalho de louvar, teve o azar de apostar no cavalo de batalha errado (Gabriel

Fernandes) e perdeu as eleições. Não por não ter apostado nos portugueses. Mas por ter apostado num conselheiro votado pela maioria dos portugueses. Mas, mesmo assim, em vez de voltar as costas aos portugueses, continua a ajudá-los e para poder conviver e comunicar connosco continua a aprender português. Não são este tipo de homens que devemos respeitar, em vez de um bando de ignorantes? É a este tipo de homens que devemos dar o nosso voto (Liberais/conservadores) e não ao “Labour”, que se fazem a “amigos” com promessas, mas ficam-se pelas promessas e pelas palmadinhas nas costas. Fala-se no orgulho de termos um centro comunitário, só para nós. Dado pelos trabalhistas. Desde 2004. No entanto, onde está? Será importante? O que é preciso é vender a ideia, o conceito, a capacidade, a união, o projecto – baseado num edifício que não existe e se existir não é só para a nossa

comunidade. Mas antes de se saber toda a verdade é preciso festejar, chamar as ambulâncias, os bombeiros, a TV, as rádios e a imprensa – tal como num final de campeonato. Só que este não teve competição, nem equipas. Só fumo e muito nevoeiro – tal como o outro que ainda há-de chegar numa noite de nevoeiro. Já lá vão séculos e séculos... Mas o que têm feito os nossos representantes para mudarem o rumo das coisas? Nada! Nem a embaixada, nem o consulado, nem os conselheiros. Então não sabem o que se passa ao seu redor? O que é que estão eles a fazer aqui? Anda tudo de mãos dadas à espera que o “dinheiro” do centro comunitário chegue – depois há que o distribuir por todos... os 6 do costume?
Luís G. Barros
PUB.