Mandato

O contrato de mandato está regulado no art. 1157° e ss. ARTIGO 1157º Noção Mandato é o contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais actos jurídicos por conta da outra. Elementos essenciais Obrigação de praticar um ou mais actos jurídicos   Os actos jurídicos objecto do mandato são normalmente negócios jurídicos, mas podem igualmente ser simples actos jurídicos. Tanto há mandato quando alguém encarrega outrém de comprar ou vender um bem, arrendar um imóvel, como quando alguém encarrega outrém de interpelar os seus devedores ou pagar aos seus devedores. Actuação do mandatário por conta do mandante   É necessário que os actos jurídicos praticados pelo mandatário sejam realizados por conta do mandante. “Por conta” significa a intenção de atribuir a outrém os efeitos do acto celebrado pelo mandatário, que assim se projectarão na esfera do mandante e não do mandatário

A repercussão dos efeitos jurídicos na esfera do mandante pode ocorrer de duas formas : 1) mandato com representação no mandato com representação, os actos jurídicos praticados pelo mandatário em nome do mandante produzem os seus efeitos directamente na esfera jurídica deste último (arts. 1178° e 258°) 2) mandato sem representação no mandato sem representação os actos jurídicos praticados pelo mandatário produzem os seus efeitos na esfera jurídica deste (art. 1180°) Características qualificativas 1) 2) 3) 4) Contrato nominado e típico Contrato primordialmente não formal Contrato que tanto pode ser gratuito como oneroso Contrato sinalagmático (oneroso) ou sinalagmático imperfeito (gratuito)

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Contrato sinalagmático ou sinalagmático imperfeito   O mandato pode ser sinalagmático ou sinalagmático imperfeito. terá de obedecer à forma especial para que o negócio possa ser celebrado validamente. Consagra injuntivamente a regra da onerosidade. Forma do contrato     O mandato é em principio um contrato consensual. No mandato com representação. consoante constitua um mandato oneroso ou gratuito. 232° C.) terá que revestir forma especial. dado que a lei não exige forma especial Apenas o mandato judicial é sujeito a uma forma especial Quando o mandato seja associado à procuração (arts 1178° e ss. A procuração é sujeita a forma especial (art. Do Código Civil Contrato primordialmente não formal     O mandato é normalmente um contrato consensual. estando sujeita em princípio à forma do negócio que o procurador deva realizar. 350°/2) No mandato comercial o art. 1180° e ss. O mandato gratuito é um contrato sinalagmático imperfeito. pois a procuração é sujeita a forma especial.Contrato nominado e típico  A lei reconhece a sua categoria e estabelece o seu regime nos arts. dado que a lei não exige forma especial. 262°/2) . nos termos do art. pois apesar de gerar obrigações tanto para o mandante (art. 1167/a)/c)d)°) como para o mandatário (art. O mandato sem representação não está sujeito a forma especial (arts. Ambas estas presunções são ilidíveis por prova em contrário (art. tendo por fundamento factos acidentais. 1161°). as obrigações do mandante não se encontram num nexo de correspectividade com as obrigações do mandatário. distintos da obrigação de executar o mandato. 2 . 35° CPC. 1158°) Presume-se oneroso o mandato que envolva actos que o mandatário pratique por profissão. 1157° e ss. Com.. Presume-se gratuito o mandato estranho à actividade profissional do mandatário. a procuração associada a esse contrato. Exceptua-se apenas o mandato judicial.) Contrato que tanto pode ser gratuito como oneroso      O actual código Civil estabelece uma presunção de gratuitidade do mandato (art. sujeito a uma forma especial.

1159°/1) Para que se possam abranger actos de disposição. c) A reembolsar o mandatário das despesas feitas que este fundadamente tenha considerado indispensáveis.   O mandato geral só compreende actos de administração ordinária. terá que haver um mandato especial simultâneamente conferido com o mandato geral. uma vez que nenhum desses actos se pode considerar meramente acessório da venda e indispensável à sua realização Obrigações do mandante (art. Mandato especial Aquele que abranja certos e determinados negócios. ou seja. 3 . além dos actos nele conferidos. 830°) Mandato geral Aquele que seja conferido para gestão dos interesses do mandante em determinada região do país ou para uma das actividades económicas a que ele se dedica. b) A pagar-lhe a retribuição que ao caso competir. nem sequer para celebrar a respectiva promessa de venda. e fazer-lhe provisão por conta dela segundo os usos. tem-se entendido que terá que obedecer à forma do contrato-promessa (art. se outra coisa não foi convencionada. ARTIGO 1167º Enumeração O mandante é obrigado: a) A fornecer ao mandatário os meios necessários à execução do mandato. não lhe dá igualmente mandato para o trocar ou hipotecar.   Uma regra específica no âmbito do mandato especial é a de que ele abrange. ainda que o mandante tenha procedido sem culpa. com juros legais desde que foram efectuadas. Quem encarrega outrém de vender um prédio. o mandato sem representação não é sujeito a forma especial. mas. consoante os usos. 1167°) 1) Obrigação de fornecer os meios necessários à execução do mandato. se outra coisa não foi convencionada. actos que correspondem à normal conservação e frutificação do património (art. todos os demais actos acessórios e necessários à sua execução (art. 2) Obrigação de pagar a retribuição devida e fazer provisão por conta dela. 3) Obrigação de reembolsar o mandatário das despesas feitas 4) Obrigação de indemnizar o mandatário do prejuízo sofrido em consequência do mandato.1159°/2). d) A indemnizá-lo do prejuízo sofrido em consequência do mandato.410°/2) para que a obrigação de transferir os bens por parte do mandatário (art. 1181°/1) possa ser sujeita à execução específica (art.

se o não despendeu normalmente no cumprimento do contrato. e) A entregar ao mandante o que recebeu em execução do mandato ou no exercício deste. findo o mandato ou quando o mandante as exigir. 755°/1) – este artigo atribui ao mandatário direito de retenção sobre as coisas que lhe tiverem sido entregues para execução do mandato.ARTIGO 1168º Suspensão da execução do mandato O mandatário pode abster-se da execução do mandato enquanto o mandante estiver em mora quanto à obrigação expressa na alínea a) do artigo anterior. com prontidão. ARTIGO 1161º Obrigações do mandatário O mandatário é obrigado: a) A praticar os actos compreendidos no mandato. c) A comunicar ao mandante. ARTIGO 1162º 4 . no mandato oneroso Direito às provisões para despesas e para honorários Direito de retenção (art. relativas ao estado da gestão. pelo crédito resultante da sua actividade Obrigações do mandatário 1) 2) 3) 4) Obrigação de executar o mandato com respeito pelas instruções recebidas Obrigações de informação e de comunicação Obrigação de prestar contas Obrigação de entregar ao mandante tudo o que recebeu em execução ou no exercício do mandato 5) Obrigações acessórias perante o mandante. d) A prestar contas. designadamente a custódia de objectos que lhe sejam entregues por este para execução do mandato. segundo as instruções do mandante. a razão por que assim procedeu. se o não tiver executado. a execução do mandato ou. b) A prestar as informações que este lhe peça. Direitos do mandatário      Direito ao reembolso de despesas indemnização pelos prejuízos causados Pagamento da retribuição estipulada.

800°.264°) Substituição do mandatário Quando o mandatário encarrega outro mandatário de praticar os mesmos actos jurídicos de que foi encarregado pelo mandante. ou aplicá-las segundo as suas instruções. na falta destes. o silêncio do mandante por tempo superior àquele em que teria de pronunciar-se. de acordo com a natureza do assunto. a partir do momento em que devia entregar-lhas. Utilização de auxiliares Não implica que estes pratiquem os actos jurídicos de que o mandatário foi encarregado. havendo assim um subcontrato de mandato. ARTIGO 1165º 5 . Substitutos e auxiliares do mandatário  O regime da substituição e utilização de auxiliares pelo mandatário resulta integralmente de uma remissão para oo regime da procuração (art.  O mandatário só pode fazer-se substituir por outrém se o mandante o permitir. neste caso será responsabilizado objectivamente pelos actos dos auxiliares. ou seja. vale como aprovação da conduta do mandatário. ainda que este haja excedido os limites do mandato ou desrespeitado as instruções do mandante. ou se essa faculdade resultar do conteúdo do mandato. por aplicação directa do art. ou remeter-lhas. ARTIGO 1163º Aprovação tácita da execução ou inexecução do mandato Comunicada a execução ou inexecução do mandato. salvo acordo em contrário.Inexecução do mandato ou a inobservância das instruções O mandatário pode deixar de executar o mandato ou afastar-se das instruções recebidas. um submandato. segundo os usos ou. ARTIGO 1164º Juros devidos pelo mandatário O mandatário deve pagar ao mandante os juros legais correspondentes às quantias que recebeu dele ou por conta dele. se conhecesse certas circunstâncias que não foi possível comunicar-lhe em tempo útil. quando seja razoável supor que o mandante aprovaria a sua conduta. ou da relação que o determina O mandato é em princípio um contrato “intuitu personae”  O mandatário pode em princípio recorrer a auxiliares para a execução do mandato.

responderá cada um deles pelos seus actos. O mandante acarreta com todas as despesas. MANDATO: artº 1157º C. Há contratos que são gratuitos. É um contrato de natureza revogável.C. Esta cláusula é válida mas ineficaz quanto à irrevogabilidade. Características do mandato: é sempre conferido no interesse do mandante porque os actos que o mandatário praticar repercutem-se na esfera jurídica do mandante. Mas são exclusivamente no interesse do mandante. Esta cláusula tem como consequência a indemnização do mandatário ou mandante por parte de quem a revogue. É um contrato de prestação de serviços: Não há subordinação jurídica do prestador ao contratante. A pluralidade de partes na relação de mandato ARTIGO 1166º Pluralidade de mandatários Havendo dois ou mais mandatários com o dever de agirem conjuntamente. nos mesmos termos em que o procurador o pode fazer. Ele assume uma obrigação perante o mandante. se outro regime não tiver sido convencionado. perdas no resultado do cumprimento do mandato. a sua principal obrigação é a realização de uma actividade O carácter remuneratório do prestador de serviços não é fundamental. É livremente revogável. É sempre livremente revogável mesmo com cláusula de irrevogabilidade do mandato. Para o mandatário é sempre livremente revogável 6 - - - - - . fazer-se substituir por outrem ou servir-se de auxiliares. Obrigação do prestador de serviços (mandatário) praticar actos por conta e no interesse do mandante.Substituto e auxiliares do mandatário O mandatário pode. prejuízos. na execução do mandato.

entendido que terá que obedecer à forma do contrato-promessa (art. de acordo com as circunstâncias do caso (799º/2. Esta exigência não é porém. requisito de validade do contrato. Só será revogável se tiver justa causa. porém. - obrigações de informação e de comunicação. Tem-se.C. O mandato é restrito a : a prática de actos jurídicos (não abrange actos materiais). É uma excepção à livre revogabilidade do mandato. 1161º a).art. - - - - - Subestabelecimento: . No mandato com representação.º 264º C. como sucede no mandato com representação (arts. 1178º e 258º). Nos casos de haver fixação de interesse de terceiro. para que a obrigação de transferir os bens por parte do mandatário (art. mas apenas uma condição para que a obrigação de transferência possa ser executada especificamente. – art. A excepção está contida no art. 410º/ 2). Já o mandato sem representação (arts.é consensual.- - Para o mandante nem sempre é livremente revogável. 1178º e ss).) não é sujeito a forma especial.º 1158º C. (com reserva. é a procuração e não o mandato que tem que obedecer à forma especial).C.mandato com representação. quando o mandato seja associado à procuração. 487º/2). O mandato é um negócio normalmente não formal .º 262/2º. por conta do mandante O mandato caracteriza-se também por não estar necessariamente associado à representação (1178º .mandato sem representação). os actos jurídicos praticados pelo mandatário em nome do mandante produzem os seus efeitos directamente na esfera jurídica deste último (arts. 1180º. Tem que observar na execução do mandato a diligência do bom pai de família. 1181º/nº 1) possa ser sujeita à execução específica prevista no art.C. 7 . 1180º e s. 1181º/nº 1) O mandato pode ser gratuito ou oneroso nos termos do art. C. 1162º. 830º. Já no mandato sem representação.): obrigação de executar o mandato com respeito pelas instruções recebidas o mandatário deve respeitar o mandato não o executando em desconformidade com a vontade do mandante – art. sem reserva) Obrigação do mandatário (1161º e ss. A procuração é que é formal. porém. naturalmente que terá que ser adoptada forma especial para que o negócio possa ser celebrado validamente (mesmo nestes casos. Assim. os actos jurídicos praticados pelo mandatário produzem os seus efeitos na esfera jurídica deste sendo necessário um posterior acto de transmissão para que os direitos correspondentes possam ser adquiridos pelo mandante (art.

C. Sendo oneroso. e destina-se a mantê-lo ciente do estado da gestão. - obrigação de reembolsar o mandatário das despesas feitas (1167º/c)+468º/1+559º) 8 . se o não tiver executado. 1167º/b) admite que o mandante possa ser sujeito a efectuar uma provisão por conta da remuneração. informar o mandante da execução do mandato ou. devendo o mandatário. excepto se tiver por objecto actos que o mandatário pratique por profissão. com prontidão. 1168º) obrigação de pagar a retribuição devida e fazer provisão por conta dela consoante os usos. obrigação de entregar ao mandante tudo o que recebeu em execução ou no exercício do mandato. O mandato presume-se gratuito. Já a obrigação de comunicação é prestada espontaneamente. A lei atribui inclusivamente ao mandatário a faculdade de suspender a execução do mandato enquanto o mandante não cumprir essa obrigação (art. esta é determinada sucessivamente pelas tarifas profissionais.): obrigação de fornecer os meios necessários à execução do mandato.º 1167º e ss C. 1158º/nº 2). caso em que se presume oneroso (art. 1161º c) e 1162º). obrigação de prestar contas. 1161º/1/d)). pelos usos ou por juízos de equidade (art. e se as partes não estipularem a remuneração. se outra coisa não for convencionada trata-se da denominada provisão para despesas/preparos – 1167º/a). A obrigação de informação é executada a pedido do mandante. Obrigações do mandante (art. da razão por que assim procedeu (art. não se confundindo por isso com as obrigações de informação e comunicação acima referidas (art. O mandatário constitui-se em mora se não fizer a entrega nos prazos estabelecidos – art. 1161º/e) obrigações acessórias de custódia de objectos que lhe sejam entregues aos quais se aplica o regime do depósito. 1158º/nº 1). O art.- O mandatário está sujeito às obrigações de informação (art. 1161º c)). 1161º/b)) e de comunicação (art. Esta obrigação restringe-se naturalmente aos casos em que existam créditos e débitos recíprocos das partes surgidos no âmbito da relação de mandato.

º 265º . 342º/1) Direitos do mandatário: Direito de retenção – 755º. Art. Extinção do mandato: . c) C. deve existir um nexo de causalidade que deverá ser provada pelo mandatário nos termos gerais (art. *resolução por incumprimento das obrigações da outra parte (art. A revogação só produz verdadeiramente efeitos quando o mandatário toma conhecimento da revogação.obrigação de indemnizar o mandatário do prejuízo sofrido em consequência do mandato . O mandatário agia ao abrigo de um mandato mas também ao abrigo de uma procuração. desde que realizada para o fim do prazo ou com a antecedência conveniente (art. de que constitui exemplo o caso do art. . revogado um revoga-se automaticamente o outro. *denúncia do contrato. A revogação pode ser tácita ou expressa.C. porém. São dois negócios jurídicos num contrato comum em que cada um deles só faz sentido se o outro se mantiver. títulos de crédito adquiridos ou documentos relativos aos actos praticados. as mercadorias recebidas. que o mandatário tem o direito de reter até ver satisfeito o seu crédito sobre o mandante. Só existe procuração porque existe mandato. pelo crédito resultante da sua actividade. - - - - 9 . porque se assim não for passamos de mandato com representação para mandato sem representação. 1174º e ss).responsabilidade objectiva pois é independente da culpa do mandante. 1172º c) e d)). 1178º): É acompanhado de uma procuração. *revogação por acordo das partes (art. Sendo tácita pode ser com uma nova procuração ou nomeação.1179º revogação da procuração e do mandato. Mandato com representação (art. podendo este extinguir-se assim: *por caducidade (arts. 406º/nº 1). 801º/nº 2).Atribui-se ao mandatário direito de retenção sobre as coisas que lhe tiverem sido entregues para execução do mandato. Revogado um revoga automaticamente o outro. Há uma vinculação estreita entre o mandato e a procuração. Incluemse aqui os créditos cobrados.As causas de extinção normais dos contratos podem ser aplicáveis ao contrato de mandato. 1170º/nº 2.

segundo a qual os efeitos se repercutem na esfera do mandante. 262º). Os actos que pratica. A junção dos dois negócios distintos faz surgir. por conta e em nome do mandante (contemplatio domini). ou seja. Significa que os efeitos jurídicos repercutem-se directamente na esfera jurídica do mandante por mero efeito do negócio. As causas de extinção da procuração estendem-se ao mandato e vice-versa (art.. 10 . porém. 1180º): - - - - - - O mandatário actua por conta do mandante mas em nome próprio..segundo a qual os efeitos se repercutem na esfera do mandatário. O mandato constitui apenas o mandatário no dever de praticar actos jurídicos por conta do mandante (1157º). enquanto que a procuração se reconduz a uma mera concessão de poderes representativos (art. 1179º e 265º/1) Mandato sem representação (art. um dever novo. sendo necessário um negócio autónomo para os transmitir para o mandante. os seus efeitos repercutem-se na sua esfera jurídica e não na do mandante. Existem duas teses de interpretação: tese da projecção imediata (com ou sem representação é igual) - . sem contemplatio domini. Tem procuração (poderes representativos). Entre estas existe uma posição intermédia.- No mandato com representação o mandatário actua por interesse. tese da dupla transferência . 1178º/nº 2). o mandato com representação constitui uma facti species negocial complexa em que se integram procuração e o mandato. sem ter que passar na esfera de património do mandatário. que é o de exercer o mandato em nome do mandante (art.

C.A mandata B para comprar a C. Ex. só fala em mandato sem representação para adquirir. Neste âmbito a lei portuguesa consagrou claramente a tese da dupla transferência ao referir no art. o legislador entendeu adoptar a instituição de separação de patrimónios na esfera do mandatário. Esta impenhorabilidade depende porém da existência de documento anterior à penhora dos bens e do não registo da aquisição pelo mandatário em ordem a evitar expectativas de satisfação de crédito nos seus credores. a posição contrária é claramente prevalecente permitindo a aplicação analógica do 830º ao mandato sem representação desde que este. quando visar a aquisição de imóveis..: . Caso o mandatário não proceda à transferência dos direitos adquiridos o mandante goza da possibilidade de intentar contra o mandatário uma acção pessoal relativa à obrigação de transferência assumida por este e não uma acção real. 1180º que o mandatário ao agir em nome próprio adquire os direitos e assume as obrigações resultantes dos negócios que celebra no art. 410º/2. de reivindicação dos bens adquiridos. A efectiva aquisição pelo mandante depende de um novo negócio de transmissão o qual o mandatário é obrigado a celebrar. O C. seja celebrado por escrito nos termos do art. 1184º). 1181º refere-se a obrigação do mandatário de transferir para o mandante os direitos adquiridos em execução de mandato.que sustenta a dupla transferência no mandato para adquirir e a projecção imediata no mandato para alienar. - - - - - - Outra questão pertinente resultante desta dupla transferência é a do risco relativo à execução dos bens adquiridos pelo mandatário pelos seus credores uma vez que estes estão na sua esfera jurídica antes de serem transmitidos ao mandante. (art. Porém. Relativamente à execução específica parte da doutrina e jurisprudência tem-se pronunciado no sentido de que a aplicação do art. Porém. Com a tese da dupla transferência a coisa passa de C para B e depois de B para C. 830º não pode ter lugar fora do contrato promessa. E se o mandato for para alienar? 11 . Com a tese da projecção imediata a coisa passa automaticamente de C para A.

pelo qual o mandatário adquire previamente a propriedade do mandante. O prof. - - CASOS PRÀTICOS 12 . a qual poderá ser convalidada mediante a aquisição do bem ao mandante (895º). 892º). B vende um bem que não é seu mas fica obrigado a convalidar o negócio. Menezes Leitão defende esta teoria pois não considera concebível que. sendo o mandato sem representação. ele venha a permitir da mesma forma a alienação de bens do mandante como se houvesse representação. transmitindo-se a B o risco. O mandante deverá previamente transferir fiduciariamente a propriedade ao mandatário (art. 1167º a)). Há a hipótese de convalidar o negócio por B. com a obrigação de a retransmitir a terceiro. 2. Na tese da dupla transferência fiduciária defende-se que a transferência no mandato sem representação corresponde a um negócio fiduciário. isto é. Se não ocorrer essa transferência prévia. podendo o mandatário exigir que o mandante convalide esse negócio ao abrigo do art. que assume o encargo de a retransmitir a terceiro.É de seguir a tese da dupla transferência admitindo 2 hipóteses: 1. comprando o bem a A para o entregar a C. deverá considerar-se que o mandatário celebra uma venda de bens alheios (art. 1182º. Há uma transferência fiduciária de A para B para este transmitir a C.

O mandatário é obrigado a celebrar esta obrigação.I) Francisco pretendia fazer investimentos imobiliários no Algarve.Teoria de Galvão Teles: . Mas para aplicar o art.º 830º C.A obrigação de cumprir o mandato. O terceiro não sabe da existência do mandante. Por isso é um negócio alienatório específico. . Francisco não lhe paga a remuneração acordada. Como é que o mandatário faz a transmissão para o mandante? Como os actos que pratica são para o mandante e estão sujeitos à ratificação do mandante. refere-se aos actos que pratica e não relativamente ao negócio propriamente dito ( os actos podem ser remunerados individualmente) 1. Mas não faz sentido esta posição (eram necessários dois negócios). É um negócio de alienação.500€.A tese da dupla transferência – o bem na primeira fase passa do terceiro para a esfera jurídica do mandatário e depois do mandatário para o mandante.se cumprir o mandato transmitir os bens para o mandante..º 1181º/1) O nosso código prevê a tese da dupla transferência. Se o mandatário não cumprir esse negócio o mandante pode invocar acção de incumprimento do contrato. Guilherme adquiriu os imóveis mas recusa-se a entregá-los a Francisco por ter quem lhe pague uma remuneração superior. . credor de Guilherme. 3. (esta teoria era válida antes de existir o art.cumprir o mandato. 2ª .O que está inerente é o de alienação especifica do mandatário para o mandante (é uma promessa de alienação). O mandatário celebra o negócio em seu nome com o terceiro. esse problema resolvia-se com a ratificação do mandante. Como pode Francisco reagir? 2. Suponha agora que após Guilherme adquirir os imóveis. O que está presente no mandato é uma dupla obrigação.defende esta tese que não há dupla transferência porque não é essa a Intenção (vontade) do mandante e do mandatário. Mas esta ideia inutiliza o mandato.C. Esta obrigação é assumida aquando da celebração do mandato.o acto que o mandatário está obrigado a praticar não está tipificado na lei. O objectivo é o mandatário alienar. 1. Para concretizar esses negócios contratou com Guilherme para que este adquirisse em seu nome próprio os imóveis para Francisco o qual lhe pagaria uma remuneração de 2. O mandatário comprou. É inerente no mandato uma promessa de venda especifica ao mandante. Esta obrigação que existe é uma verdadeira obrigação. ao saber que ele tenha adquirido os imóveis os pretendesse executar para satisfazer o seu crédito? Seria diferente no caso de se tratar de um mandato para alienar? Estamos perante um mandato sem representação. Pode também recorrer á execução especifica – 830º C. . para além desta fundamentação.. O terceiro vai exigir a responsabilidade é ao mandatário.. Mas os seus actos destinam-se a repercutir os seus efeitos na esfera jurídica do mandante.A tese da projecção imediata . Assumiu duas obrigações: 1ª . E se Hélder. O mandatário actua em nome próprio mas por conta do mandante. . Deve haver uma projecção imediata do terceiro para o mandante. Guilherme pretende saber a que tem direito. É o negócio específico deste contrato. requer ainda a presença de verdadeiros requisitos formais (o contrato promessa 13 . É um mandato para adquirir. O tribunal declara uma alienação específica.C. Quando a lei refere que o mandatário tem proveito no negócio. Como se faz isso? Há duas teorias: . o mandatário vende.

O credor do mandatário pode penhorar os bens que tenha para alienar? Temos de ver as condições do mandato porque o art. O mandatário tem direito de retenção nos termos do art. . Não porque para ser vender bens alheios o sujeito não vende o bem que é seu e também não tem legitimidade para a venda. A analogia do art. A forma do art.º 1184º e 1181º referem-se a mandatos para adquirir.se assim é não há a distinção entre o mandato com e sem representação. o mandante pode substituir-se ao mandatário. Se o comprar ao mandante para depois os vende fica sem justificação para se poder esquivar aos credores.º 410º com o mandato sem representação é de que o mandatário assumiu a promessa de vender. É oneroso quando: as partes o estipulem. A dupla transferência actua em simultâneo. O mandante tem de pagar – art. . Mas assim não cairíamos numa situação de venda de bens alheios? – 892º C. 14 . Os bens nesta fase estão na situação de impenhorabilidade transitória ou temporária. adquirindo o bem.º 410º/1 e 2 estejam respeitadas (as do 410º/3 não fará sentido).º 410ª é só necessário para se recorrer ao art.C. Para se recorrer às regras da execução específica é necessário que as regras do art. .o bem passa para esfera jurídica do mandatário se e quando ele vender ao terceiro.Então o credor pode executar os bens que o mandatário tem para alienar? Não porque o bem só entra na esfera jurídica do mandatário quando este o vende.nos casos de mandato para alienar quando o mandatário vende o bem a terceiro não refere a existência do mandato. O art.º 1184º não coloca em causa a tese da dupla transferência porque os bens entram na esfera jurídica do mandatário para ele cumprir o mandato.C.A tese tem de ser a da dupla transferência mas com forma especial: . Só adquiriu o bem se o vende a terceiro. Não se podendo recorrer à execução especifica do art.).validamente formado. 3. Há duas posições doutrinárias para resolver esta situação porque a lei é omissa. 2. Aqui vigora a projecção imediata. já se não verificando a tese da dupla transferência.º 41º C.. No que diga respeito ao crédito e dividas que nasçam do contrato sem representação: . É uma verdadeira sub-rogação directa. No caso de venda de imóveis para a escritura. Tem subjacente as regras do art. Criticas: .º 755º/c). Os bens estão na sua esfera jurídica transitoriamente. Não há um verdadeiro enriquecimento patrimonial do mandatário.Teoria de Antunes Varela: . O bem entra e sai simultaneamente. A transmissão do mandante para o mandatário fica sob condição.o mandatário nunca poderá dizer ao terceiro que não tem nada a ver com isso porque ele esteve a exercer o mandato sem representação.Os créditos que nasçam do mandato. não havendo procuração (mandato sem representação) não poderá o mandatário ir à escritura. Assim não estávamos na presença do mandato. Se o mandatário não vender o bem o bem não chega a entrar na esfera jurídica do mandatário. . ao mandante.º 830º.o terceiro só tem crédito perante o mandatário .º 830º recorre-se à acção de incumprimento do contrato. Se o credor pudesse executar os bens estaríamos a prejudicar o mandante. o mandatário faça disso a sua profissão. É um contrato oneroso.º 1168º/f).

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