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Encontro Internacional Participação, Democracia e Politicas Publicas: aproximando agendas e agentes

23 a 25 de abril de 2013, UNESP, Araraquara (SP)

Políticas Públicas de Desenvolvimento Sustentável: um estudo de caso para comunidades remanescentes de quilombos

Rafael José Navas da Silva1, Andrea Yumi Kanikadan1, Maria Elisa de Paula Eduardo Garavello1

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Programa de Pós-graduação Interunidades Ecologia Aplicada - Escola

Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP

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as políticas públicas para estas comunidades foram direcionadas para a agroecologia. Observa-se que a principal atividade econômica desenvolvida é com manejo de Crossostrea brasiliana. desenvolvimento rural sustentável.Introdução Com a Constituição Federal do Brasil de 1988 e a Convenção 169 da OIT. Com essa necessidade de desenvolvimento. Agroecologia. cabendo ao Estado a demarcação e titulação das mesmas. cabendo ao Estado a demarcação e titulação das mesmas e a promoção do desenvolvimento destes grupos. A partir deste momento. considerando que esta abordagem tem sua origem no manejo de recursos naturais realizado por diferentes grupos em seus territórios. ou na necessidade da implantação 2 . Outras atividades importantes são com manejo agroflorestal e agricultura de subsistência. porém a partir de políticas públicas é que se deu início ao manejo sustentável. Assim. Crossostrea brasiliana. localizada no município de Cananéia/SP/Brasil. sendo uma atividade iniciada há mais de três décadas. esta pesquisa objetivou analisar os projetos e atividades econômicas desenvolvidas no território da comunidade remanescente de quilombo Mandira. as comunidades remanescentes de quilombos passaram a ter direito legal às áreas tradicionalmente ocupadas. na luta pela demarcação e regularização dos territórios tradicionalmente ocupados. Palavras-chaves: Políticas públicas. seja na sua auto-identificação como remanescentes de quilombos.Políticas Públicas de Desenvolvimento Sustentável: um estudo de caso para comunidades remanescentes de quilombos Resumo As comunidades remanescentes de quilombos a partir da Constituição Federal do Brasil de 1988 passaram a ter direito legal às áreas tradicionalmente ocupadas. 1. Agrofloresta. porém ambas desenvolvidas por poucas famílias. estas comunidades ganharam destaque frente às instâncias governamentais.

pela Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. com maior visibilidade destas comunidades frente à sociedade nacional. como.As atividades econômicas De acordo com Sales e Moreira (1996:43-44). o extrativismo e a comercialização dos excedentes agrícolas nas regiões onde se localizam. instituída em 2007. o conhecimento local e a relação existente entre a população e o ambiente ocupado/explorado pela mesma – o território. Tradicionalmente estes grupos tinham como atividades econômicas.040/2007 e pela Nova Lei de Assistência Técnica e Extensão Rural (Lei nº 12. algumas políticas governamentais para estes grupos.de políticas visando seu “desenvolvimento” e acesso a melhores condições de vida e sua incorporação à economia predominante. Neste cenário. manejo sustentável de recursos locais e produção agrícola com valor agregado. atividades concomitantes que englobavam a agricultura e a exploração dos recursos 3 .visando atender suas demandas por alimentos. pela Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. por exemplo. à produção de artesanato. instituída pelo Decreto 6. Este modelo também considera para sua implementação. 2. estão sendo baseadas em modelos de agricultura ecológica. a comunidade de Mandira realizava até a primeira metade do século XX. a agricultura itinerante .188/10). o presente trabalho busca avaliar as políticas públicas implantadas na comunidade remanescente de quilombo Mandira e sua contribuição para o desenvolvimento rural sustentável. os produtos agroecologicos. diferentes atividades econômicas vêm ganhando espaços na economia local sejam ligadas ao turismo. Assim. visando maior sustentabilidade para as atividades de produção. Atualmente. sendo realizada através do sistema denominado coivara ou corte e queima. como definido pelo Programa Brasil Quilombola. A agricultura de base ecológica ou agroecologia é compreendida como um modelo de agricultura com baixo uso de insumos externos e o uso de recursos locais.

Sales e Moreira (1996:45) descreveram a forma adotada pelos moradores de Mandira para trabalhar suas terras. finalizando na da exploração de Crossostrea brasiliana.2 a 5 hectares para consumo interno e comercialização. livre de cercamentos e definições rígidas do espaço pertencente a cada família. a partir do qual a terra é considerada como de uso comum dos membros da comunidade. Tal situação se agravou desde meados dos anos 1970 quando a maior parte dos moradores da comunidade venderam suas terras e os remanescentes abandonaram as áreas mais férteis e restringiram-se a uma pequena área. de terreno acidentado e 4 . o equivalente à 50 Kg (1 saco=50Kg=80 litros)”. após queimada. Também nota-se que a propriedade da terra para a comunidade ultrapassa as limitações formais do Direito Oficial. produzisse “matéria orgânica” suficiente para sustentar um novo plantio. A partir dos anos 60. o equivalente à 32. à inicial predominância dos produtos agrícolas. um alqueire produzia aproximadamente 500 “mãos”. a produtividade gerada por esse sistema era significativa. Após esta data. assumindo um significado próprio do direito tradicional. o que permitia o restabelecimento parcial da cobertura vegetal até o ponto que. era realizada a partir de pequenos roçados de 1. Segundo os moradores.000 espigas.naturais locais. onde após a colheita (em geral anual) a área utilizada era deixada em pousio ou descanso por um mínimo de três anos. seguiu-se a do guanandi. mesmo sem a utilização de insumos. determinada pela necessidade de vastas áreas para que o rodízio possa se processar. No que se refere ao milho. Dentre as atividades econômicas. 2 alqueires naquela época produziam aproximadamente 80 “litros”. mandioca e milho. atividade com a qual a comunidade vem se dedicando atualmente. Assim. a agricultura. Tal sistema de prática agrícola indica a especificidade do uso da terra pela comunidade. os autores apontam a ocorrência de “fases subseqüentes de predominância de exploração comercial de um determinado recurso”. Para o caso do arroz. a atividade agrícola sofreu considerável abalo devido às restrições impostas pela legislação ambiental. bem como os níveis de produtividade: “O sistema era basicamente o de rodízio (coivara). como arroz. depois a do palmito e a da caixeta.

comercializando a ostra inteira e posteriormente a ostra “desmariscada”.qualitativamente inferior para o cultivo. foi resultado da demanda comercial aberta pelas serrarias existentes no Estado do Paraná e em Pariquera-Açu/SP. podendo se 5 . A pesca visava mais a obtenção de alimento. que por volta de 1940 esteve bastante cotado comercialmente. presente nas hortas e canteiros de especiarias e ervas medicinais localizadas ao fundo das moradias (SALES e MOREIRA. inclusive da Polícia Florestal”. Assim. 1996). já retirada da casca. Destaca-se também. às dificuldades técnicas embutidas no processo de extração e à falta de acesso aos maiores caixetais. segundo Sales e Moreira (1996:45) “os roçados passaram a ser feitos em sua maioria em terras de terceiros (sendo. principal atividade econômica atual da comunidade. Outra fonte de extração vegetal pelos moradores foi a caixeta. localizados nas áreas vendida do território. Desta exploração decorreu a escassez do produto e a exploração da espécie tornou-se ineficaz para os moradores. A comercialização dos excedentes eventuais era realizada dentro da própria comunidade. portanto. como o guanandi. clandestinos) e tiveram as dimensões reduzidas para dificultar as ações de fiscalização. remonta há aproximadamente 30 anos. surgido há cerca de 40 anos. Outra atividade que se destacou foi com a extração de palmito para fins de comercialização no fim dos anos 1950. ou seja. Com o surgimento de novos compradores – os atravessadores. houve a necessidade do aumento da produção e a sofisticação das técnicas de “desmariscagem”. a cultura de quintal. árvore típica de planícies fluviais. cujo interesse econômico. Outras espécies de madeiras típicas da região eram também tradicionalmente exploradas pela comunidade. Utilizada na confecção de tamancos e solas de sapato e dotada de alta capacidade regenerativa e expansiva. pela instalação de uma fábrica de barris em Cananéia. porém há relatos da atividade até os anos de 1990-1991. A prática da coleta de Crossostrea brasiliana para fins comerciais. a caixeta deixou de ser extraída comercialmente pelos moradores de Mandira devido à falta de compradores.

como a venda do produto para intermediários (atravessadores). em virtude do baixo preço pago aos coletores pelos intermediários. Celestina Benícia de Andrade. fruto da relação do senhor de escravos Antônio Florêncio de Andrade .Metodologia 3. quando o patriarca da família. apresentava alguns problemas. 3. 1996). a fundação da comunidade Mandira remonta à segunda metade do século XIX. Francisco seria. robalo. corvina e arraia. Com a redução do território ocupado. além da intensificação da fiscalização ambiental. bem como da pesca. pescada. a produção não atendia às exigências sanitárias e.estender a pequenos comerciantes da região. conferindo aspectos predatórios a esta atividade (SALES e MOREIRA.Comunidade quilombola de Mandira De acordo com o RTC (2002). Francisco Mandira. hoje utilizadas para a extração de Crossostrea brasiliana. A intensificação da criação de Crossostrea brasiliana surgiu como solução para a nova realidade. de sua meia-irmã. na forma de doação. Como citado no RTC (2002). então. As principais espécies pescadas são parati. A exploração de ostra. no entanto. bagre. A atividade produtiva tradicional da comunidade Mandira era a agricultura visando o consumo e a pequena comercialização. A comunidade remanescente de quilombos Mandira está localizada no município de Cananéia/SP e vizinha à área encontra-se a Reserva Extrativista 6 . eram intensamente aproveitadas em atividades pesqueiras.1. as áreas circundantes ao mangue. através do extrativismo.homem de posses e significativa influência política na Villa de Cananéa . acrescida de outras práticas complementares advindas do extrativismo vegetal e animal. houve a superexploração dos bancos naturais de Crossostrea brasiliana no manguezal. recebeu uma sorte de terras denominada Sítio Mandira.com uma de suas escravas. mais precisamente no ano de 1868. algumas destas práticas econômicas tornaram dificultosas ou até mesmo inviáveis. tainha.

Seu principal interesse é promover aprendizagens sobre a viabilidade de novos modelos de preservação.2. em colaboração com o Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado de Populações Tradicionais (CNPT/IBAMA). integrantes do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas e Áreas Úmidas Brasileiras (NUPAUB-USP). cuja implantação significava claramente a tentativa de conciliar a preservação ambiental de uma região com o desenvolvimento sócio-econômico de seus habitantes tradicionais. Pelo interesse dos moradores de Mandira. bem como com análises preliminares que demonstraram a viabilidade do projeto de implementação de uma Reserva Extrativista contígua ao território por eles ocupado. implementa desde 1995.175 hectares (Decreto s/nº de 13/12/2002). 1988). O Ministério do Meio Ambiente – MMA. como entrevistas parcialmente estruturadas. enviando ao IBAMA o referido projeto.Métodos de pesquisa Para o levantamento de dados foram utilizadas técnicas qualitativas. por meio do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil.do Mandira (Resex de Mandira). no total de nove viagens a campo. Também foi utilizada a técnica de observação participante (em que o pesquisador participa da rotina e atividades dos pesquisados) e levantamento de dados históricos dos projetos. o Subprograma Projetos Demonstrativos – PDA. entrevistas não estruturadas (em que há um diálogo livre entre pesquisador e informantes) e conversas informais (VIERTLER. passaram a divulgar no litoral sul os conceitos de Reserva Extrativista. 3. O levantamento de dados na comunidade ocorreu entre fevereiro de 2011 a julho de 2012. os técnicos das instituições organizaram o projeto da Reserva Extrativista do Bairro Mandira.Resultados e Discussão Em 1993. 4. cuja área total oficial é de 1. conservação e utilização racional dos recursos naturais da 7 .

apoiando cursos no Vale do Ribeira e 8 . crescimento e/ou cultivo e comercialização e proteger a reserva da exploração indiscriminada de seus recursos naturais (MMA. que iniciou atividades com sistemas agroflorestais em 1995 em parceria com a Rede Brasileira Agroflorestal . legalizar a exploração de Crossostrea brasiliana através da obtenção de certificados e/ou registros relacionados à coleta. cuja principal fonte de renda é a exploração de recursos naturais encontrados nos manguezais e nos corpos d’agua contíguos às suas áreas tradicionais de habitação através da exploração sustentável. necessitando de incrementos na infra-estrutura e de formação da população local para gestão sustentada e participativa da área. Posteriormente. Assim.Amazônia e da Mata Atlântica. do fortalecimento da organização social e do gerenciamento de ações que conciliem a conservação dos recursos naturais com o desenvolvimento econômico e social (MMA. 2006). em 2002 foi enviado um projeto ao PDA. Outro projeto desenvolvido foi através da ONG Proter. o objetivo era criar oficialmente a Reserva Extrativista do Mandira. visando a estruturação da Resex do Mandira. enviou-se um novo projeto através da REMA com duração de 36 meses. pela Associação Reserva Extrativista dos Moradores do Bairro Mandira (REMA). 2006). 2006). O PDA propõe essa melhoria por meio do incentivo à experimentação de tecnologias sustentáveis. município de Cananéia/SP.REBRAF. envolvendo 21 famílias. com o objetivo de criar oficialmente e viabilizar a Reserva Extrativista do Bairro Mandira. quanto a promoção da qualidade de vida dos moradores locais. valorização da cultura quilombola e desenvolvimento das potencialidades da comunidade. considerando que a Reserva encontrava-se pouco estruturada. promover as expressões culturais locais. em 2005. em especial das crianças. visando à melhoria da qualidade de vida das populações locais (MMA. otimizar os processos produtivos através da implantação de técnicas de manejo e beneficiamento da produção de Crossostrea brasiliana. Com este projeto. visando tanto a otimização das práticas conservacionistas em área de 100 hectares de ocorrência de manguezais com alta produtividade biológica. jovens e mulheres.

compõe a renda familiar.instalando campos de experimentação agroflorestal na região (PROTER. De acordo com os resultados das entrevistas. Este projeto também teve apoio do PDA e algumas famílias de Mandira participaram e participam das atividades. Atividades econômicas no quilombo Mandira. A atividade com Crossostrea brasiliana teve início há aproximadamente 30 anos. O artesanato. mas por ser atividade esporádica e sem regularidade (o artesanato é comercializado principalmente quando há grupos de turistas na comunidade). Com a restrição ambiental. que era a principal atividade desenvolvida. 2011). que as principais atividades desenvolvidas na comunidade de Mandira estão relacionadas à produção de Crossostrea brasiliana e a coleta de caranguejo. Grafico 1. com a proibição da abertura e queima de áreas de vegetação nativa para realização de roças. observa-se no Grafico 1. A pesca se torna importante para subsistência de algumas famílias e somente comercializada esporadicamente. sendo a principal fonte de renda dos moradores. a coleta e venda de Crossostrea brasiliana desmariscadas tornou-se a principal fonte de renda. porém sua 9 . assim como o turismo. contribui pouco para a renda familiar. em razão da criação do Parque Estadual Jacupiranga e pela imposição das leis ambientais.

as famílias relataram que no início das atividades exercidas pela cooperativa. variava de R$0. O valor pago atualmente é de R$4. pelas famílias se dá através da Cooperostra e em alguns casos para atravessadores. houve problemas financeiros. com diferentes espécies de palmeiras. Apenas quatro famílias trabalham com agricultura. mas que até o momento não foi titulado para a comunidade. porém esta é trabalhada em áreas do território que ainda não foram tituladas para a comunidade. Assim. destacam-se hortaliças e frutos. a remuneração foi maior e o cultivo tornou-se mais interessante.comercialização se dava através de atravessadores. dedica-se a roça de subsistência. atrasando os pagamentos.30 a dúzia. com baixa remuneração. Com o projeto de manejo de Crossostrea brasiliana e a criação da Resex e posteriormente a Cooperostra. observa-se a interação entre diferentes produtos. Neste último caso. que segundo os entrevistados. A comercialização. pupunha. como observado no Grafico 2. no território titulado atualmente não há áreas boas para a agricultura.00 a dúzia de ostra. real e jussara. Entre os produtos cultivados.00 a R$5. quanto ambiental. estando estas no território reconhecido. Nas áreas destas famílias. entre elas. que capacitou os produtores em agroecologia e sistemas agroecológicos de produção. Nas outras três famílias a atividade agrícola é a principal fonte de renda. Também 10 . A agricultura de subsistência é praticada por poucas famílias. que em alguns casos são processados nas próprias residências e cultivados com técnicas agroecológicas e em sistemas agroflorestais. principalmente pelo fato de despenderem a maior parte do tempo com atividades no manguezal. Esta iniciativa agroecológica teve inicio entre os próprios agricultores e posteriormente obtiveram apoio com o projeto da ONG Proter. trabalhando entre 5 e 6 dias por semana. tanto do ponto de vista econômico.20 a R$0. ainda preferem comercializar para atravessadores por ter garantido o escoamento e recebimento pelo produto. Aliado a estes fatores. das quais apenas uma família que trabalha com cultivo da ostra.

visando a conservação da espécie e o manejo futuro pelos moradores. ainda praticada por estas famílias e o uso de resíduos animais. Grafico 2. pois a maioria dos produtos alimentícios são provenientes da cidade. Locais de comercialização.há produção de mel silvestre. como observado no Grafico 2. incluindo ai a agricultura de subsistência. Há outras iniciativas no território como o repovoamento de palmito jussara. que são criados pelas famílias. quanto para a alimentação. Os produtos são comercializados em uma feira agroecológica na cidade de Cananéia/SP. Observou-se também a redução dos cultivos nos quintas entre as famílias que se dedicam ao cultivo de Crossostrea brasiliana. que são variáveis com a época de produção de cada espécie. com agregação de valor aos produtos. em razão da proximidade de áreas de vegetação nativa e licores produzidos com espécies nativas. tanto no que diz respeito à comercialização do produto. ficando mais dependentes do mercado externo. Nota-se que os projetos de agroecologia acabam por proporcionar maior relação com as demais atividades desenvolvidas pelas famílias. que conta com o apoio da Rede Cananéia. Esta feira permite a comercialização direta ao produtor. 11 .

Quantidade de Crossostrea brasiliana extraída pelas famílias. independente da atividade exercida. comercializada à atravessadores. com tamanhos acima de 5 cm e abaixo de 10cm. para posterior engorda. nota-se que os moradores tem conhecimento sobre as restrições e possibilidades de uso. A quantidade extraída de ostras varia de acordo com as famílias e o tipo de trabalho (individual ou familiar). Estes casos estão relacionados a comercialização da ostra desmariscada. sendo realizada a coleta de indivíduos no mangue. A principal forma de produção de Crossostrea brasiliana é através do cultivo em viveiros. Atualmente a renda mensal familiar varia de 1 a 2 salarios.Com relação às práticas de manejo de recursos naturais dentro da Resex. 12 . Grafico 3. porém há relatos de moradores que coletam indivíduos da espécie em tamanhos não permitidos pelo plano de manejo (abaixo de 5 cm e acima de 10 cm). como observado no Grafico 3. em especial às normas para manejo de Crossostrea brasiliana. havendo um único caso de comercialização de ostra “desmariscada”. O valor total de ostras coletadas está de acordo com os permitidos no Plano de Manejo. como observado no Grafico 5. como observado no Gráfico 4.

13 . Renda mensal familiar.Grafico 4. Numero de viveiros por família. Grafico 5.

Com a regularização fundiária. A regularização fundiária do território de Mandira torna-se importante para o manejo de recursos locais. localizadas na Resex.Grafico 6. que permitiu a agregação de valor. É importante destacar a importância da Cooperostra nesse processo. com a maior parte das famílias seguindo o plano de manejo. Relatório Técnico-científico de identificação das comunidades remanescentes de quilombos de Mandira. percebe-se que a atividade está sendo desenvolvida com critérios sustentáveis. pode-se desenvolver outras alternativas de desenvolvimento.Referências bibliográficas ITESP.Considerações finais A partir dos projetos de manejo de Crossostrea brasiliana em Mandira. em especial com atividades relacionadas ao trabalho da juventude. 6. 50p. já que a maior parte das famílias dedicam-se as atividades de manejo de ostra. 2002. Dias trabalhados por semana e familia. em especial com a criação da Resex. o escoamento a produção e visibilidade para esta comunidade remanescente de quilombo. em áreas fora do território quilombola. 5. 14 .

15 . Série Documentos e Relatórios de Pesquisa.. R. São Paulo: Ática. A. Componente: Ações de Conservação da Mata Atlântica. 1988. 2006. nº 22. MOREIRA. (Série Princípios). Brasília. J. São Paulo. C. Ecologia cultural: uma antropologia da mudança. R. Subprograma Projetos Demonstrativos PDA. R. 61p.MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Reservas extrativistas no complexo estuarino-lagunar de Iguape e Cananéia – domínio mata atlântica. 1996. SALES. VIERTLER. B.