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Introdução e Hedge

Os Mercados Futuros promovem a negociação de compra e venda de ativos para entrega no futuro. Por exemplo, se um investidor desejar comprar uma ação para entrega futura e, do outro lado, outro investidor deseja vender uma ação para entrega futura, teremos uma negociação de mercado futuro acontecendo. O preço é acertado no momento da negociação e a entrega é realizada no prazo pré-estabelecido, independente de qual seja a cotação da ação no mercado à vista. Entretanto, os Mercados Futuros não se restringem às ações. São negociadas commodities (como café, soja, milho, boi gordo, ouro e etanol), taxas de câmbio (como Dólar e Euro), taxas de juros futuras, índices futuros (como Ibovespa, IBr-X-50, IPCA e IGP-M) e títulos da dívida externa. A principal finalidade desses mercados é permitir a proteção de posições tomadas (hedge). Apesar de ter essa finalidade original, os futuros também são foco de muita especulação. Mas isso não é ruim, pois o especulador tem o importante papel de prover liquidez ao mercado. A seguir iremos estudar como fazer hedge de posições em Dólar e em Índice. Do inglês, Hedge significa limitar, restringir. No mercado financeiro, as operações de Hedge são aquelas que têm como objetivo proteger uma carteira de ações ou a operação de uma empresa (principalmente as que trabalham com commodities), limitando a perda do responsável pela operação, provavelmente prevendo um mau momento para os seus negócios, gerando uma previsibilidade, também, de parte de seu resultado financeiro. Na capacitação, abordaremos dois casos gerais de Hedge: Operações nos Mercados Futuros e operações com Opções. Vejamos uma notícia divulgada pelo jornal Valor Econômico que evidencia a real dimensão das operações de hedge: “A volatilidade dos mercados globais já cobra seu preço às empresas brasileiras. O dólar subiu 7,35% desde abril e levou a uma corrida de empresas importadoras ou com dívida em moeda estrangeira em busca de proteção cambial. E o custo dessas operações já subiu. A demanda por hedge se reflete no aumento da compra de dólares em contratos a termo, cujo volume na Cetip cresceu 45,6% frente a dezembro, passando de US$ 10,3 bilhões para US$ 14,9 bilhões em maio. Ontem, o dólar chegou a R$ 2,167, maior taxa em quatro anos, o que fez o Banco Central intervir e vender US$ 2,2 bilhões em dois leilões. No fechamento, a cotação caiu a R$ 2,136.”

Cãrãcterísticãs
Ajuste em posição comprada
Nos mercados futuros, o investidor “compra e não paga, vende e não recebe”. Como assim? A situação financeira é ajustada a cada dia de acordo com a variação da cotação que aconteceu no dia anterior. Isto é, acontecem compensações financeiras em D+1 de acordo

com o número de contratos comprados. Vamos ilustrar esta situação para esclarecer, utilizando cotações de um contrato futuro hipotético: Supondo que um investidor tenha comprado 1 contrato em D+0, e encerrou sua posição em D+5. Dia D+0 D+1 D+2 D+3 D+4 D+5 D+6 Cotação R$ 2.400 R$ 2.550 R$ 2.500 R$ 2.670 R$ 2.710 R$ 2.620 R$ 2.540 Variação + R$ 150 - R$ 50 + R$ 170 + R$ 40 - R$ 90 - R$ 80 Ajuste + R$ 150 - R$ 50 + R$ 170 + R$ 40 - R$ 90

Vejamos como calcular o resultado financeiro dessa operação: Primeiramente, o ajuste computa as variações que acontecem nos preços de fechamento dos pregões seguintes, ou seja, ele é D+1 em relação à variação. Por isso que o investidor receberá o primeiro ajuste no segundo dia após a compra, e não no dia seguinte. E por isso também que o último ajuste acontecerá no dia seguinte ao encerramento da posição. Vamos ao ganho com a operação, o qual poderá ser medido somando todos os ajustes que aconteceram ou simplesmente calculando a diferença entre as cotações no encerramento e no início da operação. Portanto,

D+2 D+3 D+4 D+5 D+6 FINAL

• + R$ 150 • - R$ 50 • + R$ 170 • + R$ 40 • - R$ 90

• = R$ 220

Ou então, fazendo a diferença entre a última e a primeira cotação:

Ajuste em posição vendida
Quando um investidor entra vendido em uma operação de futuros, é porque ele espera uma baixa da cotação. Assim, ele venderia num preço e recompraria mais barato para zerar sua posição, gerando lucro. Utilizando o mesmo exemplo do tópico anterior, vejamos os ajustes e o resultado final para o investidor em posição vendida:

Dia D+0 D+1 D+2 D+3 D+4 D+5 D+6

Cotação R$ 2.400 R$ 2.550 R$ 2.500 R$ 2.670 R$ 2.710 R$ 2.620 R$ 2.540

Variação + R$ 150 - R$ 50 + R$ 170 + R$ 40 - R$ 90 - R$ 80

Ajuste - R$ 150 + R$ 50 - R$ 170 - R$ 40 + R$ 90

Repare que os ajustes para os investidores vendidos possuem o sinal contrário da variação da cotação. Assim, a Lei de Lavoisier se aplica nos mercados futuros. Parafraseando-o, nos mercados futuros, não se cria dinheiro e nem se destrói dinheiro, tudo se transfere. Isso significa que, para um lado ganhar, o outro lado está perdendo a mesma quantia. Portanto, o resultado financeiro para o investidor vendido será o oposto do resultado do investidor comprado. Neste caso, o saldo seria negativo em R$ 220,00. Além disso, se quisermos medir o ganho ou perda na operação utilizando apenas a primeira e a última cotação, devemos fazer o contrário do que fazemos numa posição comprada. Devemos fazer a diferença entre a primeira e a última cotação (ao invés de a última menos a primeira). Assim:

Depósito de garantia
Como acabamos de ver, os mercados futuros utilizam ajustes diários para atualizar a posição financeira do investidor. Para tanto, o investidor não deposita o valor do contrato ao compra-lo e nem recebe o mesmo ao vendê-lo. Na verdade, o investidor faz um depósito de garantia de uma fração do valor do contrato. Essa fração varia de acordo com o contrato em questão, e seu cálculo é muito complexo, portanto não será abordado neste estudo. O depósito de garantia foi instituído pela BM&F para evitar que investidores não cumpram com os compromissos firmados em contrato. Assim, evita-se que ele não pague pelo prejuízo que possa vir a ter.

Nomenclatura
Como regra geral, o nome é formado pelo código de negociação, o mês de vencimento e o ano de vencimento. Por exemplo:

Mês de vencimento (Dezembro)

INDZ13
Contrato futuro de Índice Ibovespa Ano de vencimento (2013)

O código de negociação, como em qualquer outro mercado, varia para cada contrato. Os códigos de meses de vencimento para contratos de futuros constam na tabela abaixo: Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro F G H J K M N Q U V X Z

Entretanto, nem todos os contratos possuem vencimento em todos os meses. Por exemplo, os contratos futuros de Ibovespa e IBr-X-50 vencem apenas nos meses pares, permanecendo, ainda assim, com as mesmas letras da tabela anterior.

Minicontratos
Como veremos adiante, existe um lote padrão para a compra e venda de qualquer contrato, assim como no mercado de ações. O lote padrão pode variar de acordo com o tipo de contrato e essas regras são estipuladas pela BM&FBovespa. Como alguns contratos são muito grandes, como o de índice, que tem estado acima dos R$ 50 mil há algum tempo, a BM&FBovespa instaurou os minicontratos, que funcionam como o lote fracionário do mercado de ações para os mercados futuros.

Nos mercados futuros de Dólar e de Índice Bovespa, por exemplo, o lote padrão é de 5 contratos. Com os minicontratos, o investidor poderá negociar apenas 1 contrato, o que garante maior precisão ao hedge e maior liquidez ao mercado.

Mercãdo Futuro de Dolãr
Detalhes do Contrato
Código de negociação Tamanho do contrato Cotação Lote padrão Último dia de negociação Data de vencimento Meses de vencimento Liquidação DOL US$ 50.000,00 Reais por US$ 1.000,00, com até três casas decimais 5 contratos Dia útil anterior à data de vencimento 1º dia útil do mês de vencimento Todos os meses Financeira na data de vencimento pelo preço de liquidação do dia de saque anterior à data de vencimento Fonte: www.bmfbovespa.com.br. Acesso em 13/03/2013

Operação de hedge
Uma empresa contrata um empréstimo no exterior no valor de US$ 10.000.000,00 com a taxa de câmbio a R$ 1,96, o que gera R$ 19.600.000,00 de caixa em 20/03/2013. Uma possível alta na taxa de câmbio teria efeitos desastrosos sobre o caixa da companhia. Por exemplo, se a cotação estivesse a R$ 2,10, a dívida seria de R$ 21.000.000,00, ou seja, um aumento de R$ 1.400.000,00 na dívida. Vamos desconsiderar os juros cobrados pelo credor, focando apenas na operação de hedge. Como o risco de uma variação cambial deve ser considerado ao se posicionar em moeda estrangeira, o hedge é uma medida responsável para evitar prejuízos. Portanto, devemos ter em mãos as seguintes informações:     Vencimento do empréstimo: 01/04/2013 Cotação de DOL J13 (Dólar Futuro para Abril de 2013): R$ 1.985,00 Taxa de câmbio na contratação do empréstimo: R$ 1,96 Montante do empréstimo: US$ 10.000.000,00

Como prosseguir?
Primeiramente, vejamos quantos contratos devem ser negociados. Como cada contrato é no valor de US$ 50.000,00, dividimos o valor do empréstimo por este valor para encontrarmos o número de contratos. Assim:

Agora que sabemos o número de contratos a serem negociados, devemos saber se devemos comprar ou vender estes contratos. Ao vender, o investidor projeta uma queda, então vende antes para recomprar mais barato e ganhar a diferença. Ao comprar, o investidor projeta uma alta, comprando agora e vendendo depois a um preço mais alto. Como neste caso

estamos com receio de uma alta no Dólar, devemos comprar os contratos para termos ganho caso a alta aconteça. Desta forma, poderemos ganhar com a alta (por causa dos ajustes positivos) e com a baixa (por causa da desvalorização da dívida com o empréstimo). Supondo que a empresa tenha feito o mesmo estudo e tenha assumido a posição de comprada em DOL J13, vejamos o fluxo de pagamentos até o dia do vencimento do empréstimo e do contrato futuro: Dia 20/03 21/03 22/03 25/03 26/03 27/03 28/03 01/04 Resultado Cotação R$ 1.985,00 R$ 2.084,00 R$ 2.105,00 R$ 2.150,00 R$ 2.023,00 R$ 2.140,00 R$ 2.105,00 R$ 2.133,00 Variação R$ 99,00 R$ 21,00 R$ 45,00 - R$ 127,00 R$ 117,00 - R$ 35,00 R$ 28,00 Ajuste

R$ 99,00 R$ 21,00 R$ 45,00 - R$ 127,00 R$ 117,00 - R$ 35,00 R$ 28,00 R$ 148,00

Como o contrato se encerra em 01/04, o resultado financeiro da operação em futuros para a empresa será de:

Repare que multiplicamos o resultado dos ajustes e o número de contratos por 50. Isso acontece porque o tamanho do contrato é relativo a US$ 50.000,00. Não multiplicamos por 50.000, porque a cotação já está expressa em Reais por US$ 1.000,00. Com isso, se a cotação do Dólar PTAX no vencimento do empréstimo fosse de R$2,133, o valor a ser pago para o credor seria de: ; e como o valor emprestado foi de: ; teremos o prejuízo do empréstimo: . Como o ganho na operação de hedge foi de R$ 1.480.000,00, teremos esta redução no prejuízo, ficando o saldo final em:

Observação importante:
  Taxa de câmbio na contratação do empréstimo (D+0): R$ 1,96 Cotação de DOL J13 em D+0: R$ 1.985,00

Como a cotação é medida em Reais por mil Dólares, multipliquemos a taxa de câmbio por mil para compararmos a cotação de US$ 1.000,00 em valor presente e em valor futuro:   Valor presente: R$ 1.960,00 Valor futuro: R$ 1.985,00

Agora vejamos a diferença entre esses dois valores:

Multiplicando essa diferença por 50, já que cada contrato se refere a US$ 50.000,00 e a multiplicação por mil já foi feita, teremos o seguinte:

Portanto, R$ 1.250,00 é a diferença entre os valores presente e futuro para comprar US$ 50.000,00. Como na operação de hedge foram negociados 200 contratos para cobrir toda a posição, teremos o seguinte:

Esse é o mesmo valor que encontramos no saldo final da operação. Para qualquer cotação do Dólar no vencimento, a perda será de R$ 250.000,00 neste caso. Generalizando a situação, vejamos uma simples fórmula para se calcular em quanto o resultado ficou “travado”, unindo os passos anteriores em uma equação:

((
Sendo:

)

)

CP: Cotação Presente do Dólar; CF: Cotação do Dólar Futuro; 50: pois cada contrato negocia US$ 50.000,00; e Qtd: Quantidade de contratos negociados. Vale destacar que esta fórmula é válida tanto para as posições vendidas como para as posições compradas em Dólar Futuro.

Mercãdo Futuro de Indice
Assim como fizemos no mercado futuro de Dólar, estudaremos este mercado com foco em hedge.

Detalhes do contrato
Código de negociação Tamanho do contrato Cotação Lote padrão Último dia de negociação IND Cada ponto = R$ 1,00 Pontos de índice 5 contratos Quarta-feira mais próxima do dia 15 do mês de vencimento. Caso não haja pregão, vencimento no pregão seguinte. Meses de vencimento Meses pares Liquidação Financeira no dia útil seguinte à data de vencimento pelo preço de liquidação do último dia de negociação. Fonte: www.bmfbovespa.com.br. Acesso em 17/03/2013

Operação de hedge
Um investidor possui uma carteira de ações composta, em grande parte, por empresas que compõem a carteira teórica do Ibovespa. A carteira vem sido montada há anos, e o investidor não pretende zerar nenhuma posição por motivo de queda nas cotações. Por outro lado, ele também não quer sofrer uma desvalorização do seu patrimônio. O valor de mercado dessa carteira é de R$ 5.000.000,00 em 18 de fevereiro e, projetando uma possível queda com base nos últimos balanços, o investidor acredita que possa sofrer uma desvalorização patrimonial de mais de 10% nas próximas semanas. Com seus conhecimentos de mercados futuros, ele resolve montar uma operação de hedge para proteger sua carteira.

Como prosseguir?
Já que o investidor teme uma queda nas suas ações, ele deverá entrar vendido numa operação com Índice Futuro. Como no Brasil não existem, ainda, mercados futuros sobre ações individuais, recorremos ao Índice Futuro. E como constam na carteira daquele suposto investidor diversas ações que compõem o Ibovespa, a correlação entre a carteira e o Ibovespa é muito grande. Como já vimos que o investidor deverá entrar vendido em contrato futuro de Índice, vejamos qual vencimento e quantos contratos devem ser negociados: Como esta situação hipotética se passa em fevereiro, projetando uma queda para as semanas seguintes, o investidor poderá optar pelo INDJ13, cujo vencimento acontecerá na quarta-feira mais próxima do dia 15 de Abril. Mais precisamente em 17 de Abril. A cotação deste futuro está em R$ 57.980,00.

Como cada contrato cobre, neste momento, R$ 57.980,00 da carteira do investidor, vejamos qual será o número de contratos a serem vendidos:

Assim, o investidor deverá vender 85 contratos em lote padrão e 1 contrato em mini Índice. Repare que, como o valor em decimal é menor que 0,5, o mais prudente é deixar esses 0,24 descobertos do que acabar cobrindo 0,76 que não existem. Se o valor decimal fosse maior que 0,5, seria prudente incluir mais um contrato, visto que devemos deixar sempre o mínimo possível descoberto do hedge se queremos uma proteção eficaz. Agora veja como ficaria o resultado financeiro do investidor em alguns dias: Data Cotação Variação 18/fev 57.980 28/fev 57.400 -580 05/mar 56.150 -1.830 08/mar 58.795 815 13/mar 57.530 -450 15/mar 56.950 -1.030

Obs.: a coluna “Variação” representa o quanto variou em relação ao dia de início da operação (D+0), que foi em 18 de fevereiro, visto que não estão sendo mostrados dias em sequência. Da mesma forma que calculamos o hedge em Dólar futuro, podemos simplesmente usar a variação entre a primeira e a última cotação, porém, como o investidor entrou vendido neste caso, devemos pegar a primeira cotação e dela subtrair a última. Portanto, teremos os mesmos valores em módulo que aparecem na coluna “Variação” da tabela acima, porém com sinais trocados. Assim, até o dia 15 de março, o investidor estaria ganhando R$ 1.030,00 por contrato. Como ele vendeu 86 contratos, teremos o seguinte ganho até o momento:

Agora vejamos as possíveis perdas que o investidor teve com a desvalorização do Índice. Como sua carteira não era idêntica à do Ibovespa e nem era formada apenas por BOVA11, vamos imaginar que sua desvalorização tenha sido de 90% da desvalorização do Índice. Assim, teremos a seguinte desvalorização:

Portanto, se a desvalorização da carteira foi de 1,60%, vejamos este número em valor monetário:

Assim, vejamos o resultado final, supondo que o investidor zerasse sua posição em INDJ13 no dia 15 de Março, utilizando apenas os valores da perda com a desvalorização da carteira e do ganho com a operação de hedge:

Apesar da desvalorização momentânea de sua carteira de ações, o investidor conseguiu auferir um ganho de R$ 8.638,64 com a operação de hedge.

Swap
Introdução
Nesse estudo, abordaremos sobre as operações de SWAP, limitando-nos somente ao que é relevante nos estudos da célula. Veremos o que é um SWAP e como funciona, comparando-o com outros derivativos, como contratos futuros e opções, quais são os swaps mais comuns no mercado. Daremos ênfase às operações de SWAP que são usadas como hedge pelas empresas, mas também podem ser usadas para especulação. No nosso estudo, os contratos são liquidados somente no vencimento, porém há tipos de contrato Swap em que é permitida a liquidação antes do vencimento.

Definição
De acordo com Diego Wawrzeniak, “swap consiste em um acordo para duas partes trocarem o risco de uma posição ativa (credora) ou passiva (devedora), em data futura, conforme critérios preestabelecidos”. De uma forma mais didática, swap é uma operação, geralmente com o objetivo de hedge, em que os dois participantes da operação trocam entre si os seus riscos (tanto se eles forem credores ou devedores no mercado), até certa data futura pré-estabelecida e com critérios de negociação previamente acordados entre eles. Por envolver um grande volume de dinheiro e pela dificuldade de estruturação de uma operação SWAP, ela é feita entre investidores pessoa jurídica, como empresas e bancos (até mesmo o Banco Central do Brasil) e, geralmente há um intermediador financeiro na negociação (banco). Esses intermediadores dão liquidez ao mercado de Swap, pois para uma empresa achar por si só uma outra para estabelecer um contrato seria muito custoso. Quem tem todo esse trabalho é o banco, que tem a tarefa de buscar esse outro contratante para, além de assumir os riscos da negociação, como inadimplência de uma ou das duas partes. Por assumir esse risco, o Banco cobra um “spread”, que pagará os custos da negociação e remunerará o banco pelo risco.

Obs: Existem também contratos Swap negociados na BM&FBovespa, mas agem da mesma forma, havendo uma troca de indexadores entre as partes. Na capacitação abordaremos somente os contrato Swap como contratos de balcão.

Características
. Não há desembolso de recursos no início da operação . Liquidação
A liquidação se dá pela diferença de taxas sobre o valor referencial, não havendo mudanças sobre o pagamento do valor do empréstimo ou compromisso inicial. O contrato Swap só poderá ser liquidado no vencimento da operação, podendo a liquidação ser antecipada se as duas partes concordarem com isso.

. Contratos de Balcão
Os contratos estabelecidos nas operações Swap são contratos de balcão. Contratos de Balcão são contratos customizados, onde as partes contratantes definem item por item (como termos de condições, valores unitários, obrigações entre as partes, aporte de garantias, eventos de liquidação antecipada) do mesmo para realizar a negociação. Assim, depois de registrados na CETIP (Central de Custódia e Liquidação de Títulos Privados), por toda essa peculiaridade do contrato, eles são intransferíveis, ou seja, as partes não podem transferir o contrato a terceiros.

Objetivos da operação de swap
Geralmente, os objetivos para a realização de uma negociação com contrato Swap são:   Proteção (hedge) à flutuação de indexadores, como variação do câmbio, taxa de juros, variação no preço de commodities e variação de índices. Quando há descasamento de indexadores no passivo e no ativo de empresas, deixa-los com o mesmo indexador. Por exemplo, uma empresa possui um passivo indexado à variação cambial, mas possui um ativo que rende CDI, assim ela faz um Swap para que o seu passivo renda CDI, ao invés de dólar, casando seus indexadores, adquirindo maior segurança no seu negócio, e, também, se protegendo de flutuações indesejadas do câmbio. Obter um empréstimo com maior eficiência. (Faremos um exemplo desse caso para ficar mais claro).

Comparação com Contratos Futuros e Opções
O Swap, como anteriormente dito, permite que se faça uma negociação, um hedge perfeitamente ajustado ao prazo e ao valor exato da operação que interessa a empresa, possibilitando prazos muito mais longos do que no mercado futuro e no de opções, porém os custos são mais elevados. Já no Mercado Futuro, os contratos tem valor e prazos padronizados, diminuindo a flexibilização, entretanto tendo maior liquidez do que no de Swap.

Tipos de SWAP
Os diferentes contratos de Swap são basicamente os mesmos, trocando os indexadores entre as partes contratantes. Por ser um instrumento financeiro extremamente versátil, é comum aparecerem constantemente mais e mais tipos de Swap. Os mais vistos no mercado brasileiro são contratos de Swap cambial, de taxa de juros, mas também há o de commodities (indexadores são as variações de preços de commodities), o de índices e outros mais.

Swap Cambial
O Swap Cambial é um tipo de contrato Swap em que uns indexadores trocados entre as partes é a variação cambial do real em relação à outra moeda (é comum usarmos a variação do real perante ao dólar). Existem vários tipos de Swap Cambial, como Pré x Dólar, DI x Dólar, IGP-M x Dólar e outros mais, mas o mais comum é o de Pré x Dólar. No exemplo a seguir, vamos analisar um Swap cambial entre a Petrobrás e o Itaú, em que são trocados os indexadores pré-fixado e dólar mais uma taxa de juros (Pré x Dólar)

Exemplo 1 - Pré x Dólar
Primeiramente, vamos abordar uma negociação de contrato Swap sem intermediador financeiro. Imagine que a Petrobrás possui um ativo de R$1.000.000,00 rendendo a uma taxa pré-fixada de 17% a.a., para receber em 30 dias corridos (21 dias úteis). Entretanto, prevendo uma desvalorização do real frente ao dólar, a empresa quer transformar o indexador desse ativo para dólar + 10% a.a., ou seja, variação cambial do Dólar em relação ao Real mais uma taxa de juros de 10% ao ano. Vamos supor que o outro contratante seja o Itaú. Assim, contratando o Swap, a Petrobrás ficará ativa em dólar + 10% e passiva em 17% e o Itaú ficará ativo em 17% e passivo em dólar + 10%. A Petrobrás entra como compradora (vende 17% e compra Dólar + 10%) do contrato e o Itaú entra como vendedor (vende Dólar + 10% e compra 17%). Vamos esquematizar o problema:

Vamos supor que a variação cambial foi de 2%. Assim, a Petrobrás trocou com o Itaú o indexador do seu ativo, recebendo, no final, a rentabilidade da variação do câmbio mais 10% ao ano, ao invés de 17% e o Itaú recebeu a diferença entre 17% menos a variação cambial + 10%. Vamos então aos cálculos.

SALDO Petrobrás Itaú Antes do Swap 17% Pagamento -17% - (Dólar + 10 %) Recebimento Dólar + 10 % 17% Depois do Swap Dólar + 10 % 17% - (Dólar + 10%) Ganho/Perda com o Swap 28500 -15330,39 Obs: Cálculo do montante relativo a taxa Variação Cambial (Dólar) + taxa de juros.

Em que o Valor Notional é o Valor Principal do contrato Período é o período, em dias corridos, que o contrato Swap está em vigor que, no caso, é de 30 dias. Vamos ao cálculo do montante final de cada empresa: Petrobrás = 1.000.000 x (1,02) + ( 0,1 x (30/360) + 1 ) = R$ 1.028.500,00 Itaú = 1.000.000 x (1,73) ^ ( 21/252 ) - 1.000.000 x (1,02) + ( 0,1 x (30/360) + 1 ) = - R$ 15.330,39 Por fim, Petrobrás conseguiu um lucro de R$28.500,00 com o Swap e Itaú adquiriu um prejuízo de R$15.330,39. Exemplo 2 – Pré x Dólar Vamos agora abordar um exemplo com intermediário financeiro e que há um descasamento entre o passivo e o ativo de uma empresa. A empresa CEMEC S/A possui um ativo que rende taxa de juros pré-fixada e um passivo que está atrelado à variação cambial (R$/US$) + 15% a.a.. Para abster-se do risco de uma variação brusca do câmbio e, também, cancelar o descasamento entre os indexadores de seu passivo e de seu ativo, a CEMEC S/A foi até o Banco X para fazer um contrato Swap, trocando o indexador do seu passivo para uma taxa pré-fixada, encarregando o banco a buscar o outro contratante. Assim, a outra empresa que se dispôs à negociação foi a Value S.A., que possui um passivo atrelado a uma taxa préfixada de 20% a.a. e deseja trocar o indexador do seu ativo para variação cambial, pois ela fez um estudo que previu uma apreciação do real em relação ao dólar. Tanto o valor do passivo da CEMEC S/A quanto do passivo da Value S/A valem R$10.000.000,00. O contrato tem vencimento para 40 dias corridos (30 dias úteis). Vamos supor que a variação cambial foi de 1%. Vamos esquematizar o problema.

Posição Original Pagamento Recebimento Posição Pós-Swap Ganho/Perda com o Swap

CEMEC S/A - (VC + 15%) -10% VC + 13% -12% - R$ 70829,31

Saldo Value S/A Banco X - 10% -( VC + 15%) -(9%+VC+13%) 9% 10%+VC+15% - (VC + 16%) 3% R$38110,65 R$ 35251,00

Vamos ao cálculo do montante final de cada empresa: CEMEC S/A Posição Original: = -10.000.000 x (1 + (-0,01)) x ((0,15 x 40/360)+1) = -R$10.065.000,00 Posição Pós-Swap: = -10.000.000 x (1,12)^(30/252) = -R$ 10.135.829,31 Value S/A Posição Original: -10.000.000 x (1,1)^(30/252) = -R$ 10.114.110,65 Posição Pós-Swap: -10.000.000 x (1 + (-0,01)) x ((0,16 x 40/360)+1) = -R$ 10.076.000,00 Banco X Posição Pós-Swap: 10.000.000 x (1,03)^(30/252) – 10.000.000 = R$ 35.251,00 Nessa operação, o banco cobrou 3% de spread. Assim, CEMEC S/A ficou no prejuízo, pois não previu a apreciação do câmbio, entretanto teve o benefício de não correr o risco, sabendo exatamente o que iria pagar, que é 12%. A Virtual S/A ficou no lucro por acertar a previsão da apreciação do real (especulação), diminuindo sua dívida, e o Banco X recebeu seu spread de 3% para cobrir os custos e o risco da operação.

Swap de taxa de Juros
Swap de taxa de juros é um tipo de contrato Swap em que os indexadores trocados são de naturezas diferentes, ou seja, uma é pré-fixada e a outra é flutuante. Os Swaps de taxa de juros mais comum são LIBOR x Pré (Swap Internacional – Valor Notional em dólar) e CDI x Pré. Muitas vezes, os contratos Swap de taxa de juros são feitos para empresas que tem

passivos atrelados a uma taxa flutuante que, para não correrem riscos de flutuações bruscas nessas taxas, buscam esse tipo de contrato para indexarem suas dívidas à taxas pré-fixadas, dando estabilidade para poder planejar seu futuro. Até aqui, só vimos exemplos em que uma parte contratante e a outra ganha, entretanto o mais comum é vermos contratos de Swap em que as duas partes ganham. Vamos explicar isso melhor com um exemplo de contrato Swap de taxa de juros, onde uma das empresas tem vantagem comparativa no mercado de taxas pré-fixadas e outra tem vantagem comparativa no mercado de taxas flutuantes. Exemplo 3 – Pré x CDI Duas empresas, A e B, desejam captar um empréstimo no valor de R$ 100.000.000,00. Entretanto, as duas empresas não tem as mesmas condições de captação de empréstimo no mercado. A empresa A deseja captar recursos indexados a uma taxa flutuante, pois está prevendo uma queda do CDI, e a empresa B, para não correr risco, prefere captar recursos a uma taxa pré-fixada. Empresa Taxa Fixa Taxa Flutuante A 6% CDI + 0,3% B 7,20% CDI + 1% Exposição aos Juros Baixa Alta Solicitação Flutuante Fixa

A empresa A tem vantagem absoluta em ambos os mercados, já que ela consegue juros mais baixos tanto no mercado de taxa fixa, tanto no mercado de taxa flutuante. Contudo, A tem vantagem comparativa sobre B no mercado de taxas fixas, a vantagem de A nesse mercado (1,2%) é maior que a no mercado de taxas flutuantes (0,7%), sendo a B que tem vantagem comparativa nesse mercado, consequentemente. Assim, se ambas captassem recursos nos mercados onde tem vantagem comparativa, o custo agregado seria menor do que da situação em que cada uma capta recursos no mercado em que queria previamente. Qual é a solução? Cada uma capta recursos onde tem vantagem competitiva e depois elas fazem um Swap.

(*) 6,95% = 7,20% - (1,2% – 0,7%)/2

Para a negociação valer a pena para as duas partes, o saldo final de A deve ser menor que CDI + 0,3% e o saldo final de B deve ser menor que 7,20%. Assim, devemos achar alguma forma em que a transação seja mais vantajosa. A forma estruturada acima é uma delas. Desse jeito, o saldo de juros a pagar das duas empresas fica: Saldo Empresa A -6% -(CDI +1%) 6,95% - (CDI + 0,05%)

Posição Original Pagamento Recebimento Posição Pós-Swap

Empresa B -(CDI + 1%) -(6,95%) CDI + 1% 6,95%

Assim, com o Swap, as duas empresas conseguiram taxas de juros abaixo do que conseguiriam se não tivessem feito o contrato Swap.