You are on page 1of 23

UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO AS MINAS E AS GERAIS: HISTORIOGRAFIA REGIONAL PROF.DRA.

GLAURA TEIXEIRA NOGUEIRA LIMA

Fichamento _______________________________________________________________
SOUZA, Laura de Mello e. Norma e conflito: aspectos da história de Minas no século XVIII. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1999

_______________________________________________________________

Parte I “Pela riqueza de informações fornecidas pelas Devassas mineiras, creio poder afirmar, com segurança, que o estudo conjugado desse tipo de documentação propiciaria traçar com maior precisão o painel da sociedade colonial, obrigando talvez à reformulação de muitas afirmações que vêm sendo feitas através dos tempos.” (pág.19)

“As Devassas mineiras foram inicialmente efetuadas por deliberação do bispado do Rio de Janeiro (1721-1748), passando para a jurisdição do bispado de Mariana a partir de sua criação.” (pág.19)

“{...} as testemunhas que comparecem à Mesa da denúncia falam muito mais da vida amorosa, da sexualidade, dos costumes de seus semelhantes, do que da sua regularidade no comparecimento ás missas e na obediência aos jejuns.” (pág.20)

“Acredito que as autoridades da Visita tendiam a chamar as pessoas mais observantes dos preceitos religiosos, melhor reputadas na localidade, mas também as mais humildes e, nessa qualidade, mais facilmente intimidáveis.” (pág.20)

“Sucedem-se as referências a indivíduos que fugiam ante o pânico de terem sua vida instável devassada pelos olhos perscrutadores da Igreja, pulando de arraial a arraial para, uma vez acabada a Visita, tornarem ao seu local de moradia.” (pág.21)

“Segundo rezam os próprios assentos das Devassas, designar -se-ia para cada Comarca um visitador diferente; entretanto o que se nota, na pratica é que os visitadores acumulavam a Visita de mais de uma Comarca.” (pág.21)

“É frequente acontecer a incriminação de uma testemunha em um depoimento subsequente ao seu: assim, o individuo que depôs contra um outro, acaba caindo na teia da Devassa quando este segundo é chamado pelo visitador a fim de responder às culpas que lhe foram imputadas pelo primeiro.” (Pág.21,22)

“ Sua leitura elucida de igual maneira aspectos da sexualidade do homem de então, de suas práticas mágicas, das relações de tensão e de conflito entre as diferentes camadas da sociedade, propiciando ainda o desvendamento do modo de vida da população urbana e rural nas suas diversas facetas: habitação, vestuário, condições materiais de vida, lazer.” (Pág. 22)

23) “Muitos homens vinham de Portugal e de outras regiões da colônia para tentar a sorte na mineração. ao lado dos casos de pancadaria – as vítimas sendo. sobretudo de gado. frequentemente. nem mesmo para comprar roupas para que sua família comparecesse ás missas dominicais -. O concubinato não se reduzia apenas à convivência de um homem com uma mulher.” (Pág. ao alegarem pobreza e incapacidade para pagarem a pena pecuniária imposta pela Mesa quando da apuração das culpas – já que não dispunham de meios. valentões. as mulheres.23) “Ao denunciarem a promiscuidade em que viviam os homens libres pobres.” (pág. desafiavam e provocavam os fiés. em um único cômodo.25) . É ainda considerável a incidência de roubos. as testemunhas depoentes fornecem subsídios para o estudo do modo de vida dessa camada: casas pobres e mal construídas.“ O aspecto que mais ressalta nessa leitura é a extrema fluidez da camada dos homens livres pobres.”(pág. sendo bastante frequentes os casos de um homem convivendo com duas ou mais mulheres e de uma mulher convivendo com dois ou mais homens. mas também os padres que. ante a camada senhorial.. envolviam-se em brigas por causa de mulher. Os crimes passionais também mostram sua presença nas Devassas. em menor escala. essas testemunhas deixam entrever o quanto era pobre e precária a vestimenta dos menos favorecidos. evidentemente. lá deixando suas esposas: sucedem-se denuncias de indivíduos vivendo “ausentes de suas mulheres”.” (Pág.24) “ As bebedeiras eram frequentes e os vapores do álcool inebriavam não apenas os menos favorecidos. a indefinição que muitas vezes manifestam ante a camada escrava e. então. Ao darem importância excessiva às pessoas que possuíam roupas mais caras – sobretudo as mulheres . davam tiros. em que várias pessoas de sexos diferentes viviam em poucos cômodos e.

portanto.” (Pág. Numa sociedade escravista. sentencia.} Assim.25) “{. Durante um mês e uma semana. de pactos com o demônio. por outro. exalta suas origens. reprodutor consciencioso da ideologia oficial – de que a Igreja era um dos principais sustentáculos . a prática da feitiçaria como meio de agredir o senhor inclusive com a morte – e defender o cativo tinha um papel de destaque.27) “Em 24 de julho de 1717. e seguia para São Paulo. de animismo.. pôde familiarizar-se com a aspereza das viagens e as improvisações impostas pelas carências do cotidiano. Sucedem-se aos casos de cura. que cruzara os mares. de feitiços com finalidade amorosa ou sexual.” (Pág. Não era em busca de mais nobreza.e provável co-autor em muito daquilo que de preconceituoso se dizia sobre a população da terra. inconteste e consolidada. onde desembarcara. repetindo as palavras que a mão lhe dirigia quando lutava na Espanha.32) . de benzeduras de animais.“As práticas cotidianas da população pobre das Minas no século XVIII envolviam. Por um lado.. o conde deixava o Rio de Janeiro. Assumar desenvolve uma estratégia bem urdida.” (Pág. vendo a cada momento mesclarem-se os hábitos europeus e as aclimatações próprias ao meio colonial. Isto porque os penachos com que se adornam as pessoas devem originar-se antes no próprio mérito do que no de seus antepassados. Sua nobreza apresenta-se. assim. porque advinda de dupla fonte: a hereditária e a pessoal. com frequência. o recurso à magia e à feitiçaria propriamente dita. é de se considerar o fato de existir uma intermediação entre a testemunha que narra os fatos e o relato que chegou até nós: o escrivão da Devassa. e sim para obedecer o rei.31) “Na assim denominada primeira parte. o seu próprio merecimento.” (pág. os feitos de armas de seus antepassados.

ausentando-se dos parentes e dos amigos. que com âncoras bem aferradas domesticamente me detinham. as autoridades cobrando os quintos. esquecendo-me da pátria sempre cara e sempre amável.ficando todos certos que choverão em número as graças e as honras de Sua Majestade.]” (pág. na capacidade. Eu lhe empenho já a sua palavra autentificada nesta carta assinada pela sua real mão. ou para melhor dizer arrancando-me violentamente daquelas coisas mais e mais que amáveis. porque experimentando esta cidade no presente. mas finalmente. sob o ponto de vista da lógica metropolitana: os colonos trabalhando as minas já descobertas e achando outras novas. e por consequência ao público e aos particulares .. união de que procede a sua total fortaleza e intrepidez nos descobrimentos..[.. imprescindíveis para que tudo entre nos eixos. e de algum modo diminui o meu contentamento. e abrir-se-ão aos seus copiosos tesouros para remunerar a tais serviços..}Finalmente. é-me necessário para igualá-los no talento. „nervo principal‟ do comércio. de que nasce a boa ordem das repúblicas. de que solenemente faço diante deste nobilíssimo auditório a todo aquele que se quiser distinguir com alguém de . e desde hoje ficará atada a minha promessa.37) “ {. e sobretudo deixando com grande risco seu. e não sei se me faz arrepender de me ter empenhado em mais do que podem as minhas débeis forças.]” (pág. de que se seguiram maiores riquezas ao rei. e afabilidade dos seus governadores. e no seu reto modo de governar[. aos vassalos. e o meu pesar. havendo obediência. fluindo para Portugal e pagando as alianças políticas necessárias.33) “Porém uma só coisa me desanima. e nos governos passados tal benevolência.. o ouro..35) “Todos estes obstáculos venci depois de forcejar e lutar bastante a minha vontade com meu entendimento.” (Pág.“Sem obediência não há paz nem sossego.

48) “Antes que a assistência ás crianças abandonadas recaísse sobre as Santas Casas de Misericórdias e que nelas se estabelecessem as rodas dos expostos. como acontecia na metrópole.49) “Outra peculiaridade colonial é a presença.” (Pág. e por meus parentes. seu defensor.48) “Entre 1699 e 1726 – ano em que se estabeleceu na Santa Casa local a roda dos expostos -.serviço memorável à coroa para ser por mim. caso desejassem crialas receberiam para isso um pagamento da Municipalidade. e seu procurador diligentíssimo. e por tudo o que me toca seu protetor. nos raros registros das Câmaras.” (pág. o longo governo de Gomes Freire de Andrade e seu irmão e interino.” (Pág. das expressões „criadeira‟ e „criador‟. praticamente inexistindo referências. a Câmara de Salvador criava entre 4 e 5 crianças por ano. As pessoas que encontrassem criancinhas comunicavam o ocorrido ás autoridades competentes e. e entre 1745 e 1746 não se criaram mais do que 6 crianças com a subvenção da Câmara do Rio de Janeiro – onde a roda surgiria em 1738. José Antônio Freire de Andrade. notadamente o pipocar de quilombos e de investidas normatizadoras contra desclassificados sociais.49) .” (pág. o aprofundamento de vasta gama de tensões sociais.” (Pág.40) Parte II “A década de 40 é ainda mais significativa por corresponder a um momento de alterações substantivas na vida da capitania: a criação do bispado de Mariana e consequente implantação dos mecanismos de funcionamento da instituição eclesiástica. a „amas de leite‟. cabia aos senadores das Câmaras Municipais responder pelo socorro aos bebês deixados em locais públicos.

o que talvez seja ainda mais relevante. a revelar uma tendência no sentido de preferir criar homens ou mulheres. ao dim e ao cabo. ás vezes.“Em Minas.50) “O que não ressalta.51) “No que se diz respeito as pessoas que adotavam crianças expostas.” (Pág. por isso aumentando o número de expostos.51) “Ao todo. acarretando. a meu ver. por se regular. e me parece pertinente considerar.49. a banalidade da bastardia dada a alta ocorrência de relações consensuais. a sociedade talvez desenvolvesse expectativas maiores acerca da participação do Estado na criação da infância abandonada.50) “Caba ainda lembrar que. parece-me curioso que tenham sido majoritariamente homens.51) .50.”(Pág. enquanto o menor índice verificado entre nós sugere maior capacidade de absorver tais nascimentos ou.” (Pág. sendo apenas reflexo da flutuação natural que sempre no tocante a uma distribuição de nascimentos entre os sexos. e a diferença não chega. atitudes ambíguas e contraditórias. é que as altas taxas europeias revelam sociedade muito mais refratária aos nascimentos ilegítimos. com o avançar do século. como tive a oportunidade de discutir em outro trabalho.” (Pág. expuseram-se 245 mulheres e 229 homens. acabando. e onde não houve roda dos expostos durante o século XVIII. onde as Misericórdias surgiam muito tarde. ou pelo menos àquelas que se apresentavam às câmaras alegando disposição para cria-las.” (Pág. a criação de enjeitados recaiu totalmente sobre as Câmaras Municipais.

} o estipêndio pago pela câmara poderia ser significativo para um orçamento minguado. O aumento dos fogos . Sob o ponto de vista das mentalidades.” (Pág.52) “{. reiterar o que a historiografia já sabe: zonas urbanizadas expunham mais crianças do que zonas rurais. valiam-se dos estipêndios pagos pela Câmara para atenuar os encargos representados pela subsistência das cativas. onde as transformações lentas e as solidariedades mais acentuadas propiciavam melhor recepção aos enjeitados.53) “Para homens e mulheres melhor situados na sociedade. visando reconduzir ao cativeiro os bebês que a exposição. tendo longuíssima duração na nossa história. em principio. ao invés de leva-las a vender nas ruas gêneros comestíveis ou favores amorosos. é curioso que muitas variáveis apontem no sentido de uma desestabilização geral ocorrida ao mesmo tempo em que decaía o rendimento aurífero.. Por fim.“Talvez. Redes de solidariedade e compadrio se formaram dessa maneira.54) “Tais evidências parecem portanto. já há muito dotada de outras atividades econômicas de relevo.. fossem movidos pela deliberada má -fé. libertava. ou a criação de crianças garantia aos indivíduos pobres o aumento do número de braços disponíveis para a luta pela subsistência. o fato de uns poucos indivíduos adotarem muitos bebês faz lembrar o costume de se tirarem crianças para criar em função do pagamento de promessas feitas. podia ser que agissem de forma análoga à dos senhores que punham suas escravas ao ganho.58) “Mesmo que a crise do ouro não inviabilizasse a vida na capita nia.” (Pág.” (Pág. a criação dessas crianças poderia ter o objetivo de aumentar o número de agregados e apaniguados. ao contrario. visando antes conferir estima e status do que trazer vantagens pecuniárias.” (Pág.

Na hora de matricularem crianças. e esta mútua desconsideração explicaria.} seja ainda por estarem cientes os interessados a . que talvez partiam em busca de novas atividades{.” (Pág. contudo. sugere tanto maior autonomia econômica das mulheres quanto a evasão dos homens. por exemplo.” (Pág. a impossibilidade das Irmandades assumirem totalmente a criação dos expostos e a indefinição legal da Metrópole. em parte. começaram a recorrer a procuradores do sexo masculino que gozavam de certa projeção social. seja por impossibilidade de se definir a cor de recém-nascidos {. a Câmara expressa claramente o seu propósito de não criar mulatos. por fim. o alto número de mortes entre os enjeitados. nas Minas..66) “De uma ou outra forma.femininos.60) “Mulheres sozinhas a garantir a própria subsistência não abandonaram. por sua vez. os padrões tradicionais da sociedade. não obedeciam as determinações de apresentar periodicamente as crianças às Câmaras. Tais mulheres.60) “Caio Cesar Boschi..” (Pág. a fragilidade das Misericórdias no desempenho das funções assistencialistas.65) “Por outro lado. deixa claro que.devem certamente ter contribuído para que grande parte das crianças expostas morressem antes mesmo de serem matriculadas nos assentos camerários.}” (Pág... vigente até 1775. nem sempre se tinha conhecimento da cor do enjeitado – seja por não ser o mesmo trazido perante os vereadores naquele momento. e revela que por ocasião da matrícula. a criação dos enjeitados recaía basicamente sobre as Irmandades ou sobre as Câmaras. estas ultimas deixando muitas vezes de cumprir o prometido: o pagamento das mensalidades aos criadores ou às amas de leite.

nas Minas. através de medidas restritivas e racistas.71) “A recusa em criar mulatinhos às expensas do erário público se insere num contexto geral de horror à mestiçagem: a lei poderia aparecer como justa. um temor ante a miscigenação que tinha raízes nos primeiros decênios do povoamento das Minas.” (Pág.” (Pág.679 brancos. ferir as normas estabelecidas pelo Poder Central.” (Pág. poderiam até se submeter. com ela. que sistematizava temores difusos e esparsos. percorrera os caminhos que ligavam a capitania interiorana à sede do governo dos vice-reis. inúmeras vezes.791 pardos e 49. nas Minas como um todo ou particularmente na Comarca de Vila Rica – onde o censo de 1776 acusaria um total de 12. mas a prática acusava a mentalidade discriminatória dos colonizadores e colonos brancos. racista e discriminatória assumida pela Câmara da Leal Cidade de Mariana no tocante à criação de bebês mulatos.85) . que.” (Pág.” (Pág. as autoridades camerárias demonstravam. as autoridades portuguesas não se cansaram de discorrer sobre o perigo da sublevação ou sobre a periculosidade potencial dos habitantes da colônia. bem situados na escala social.84) “Durante todo século XVIII. portanto.69) “Na década de 50. como o índio da alegoria acima descrita. embasaram atitudes ilegal. 16.72) “A ordem de execução de Tiradentes e a alegoria que celebrava o fim da conjuntura imprimiam no cotidiano o suplício do insubordinado e a afirmação do poder. mas traziam sempre uma serpente ao alcance da mão para. era ao longo dos caminhos que seu cadáver deveria ficar exposto. era endossada pelo vice-rei.148 negros (considerando-se ambos os sexos).criação do exposto de que a legislação vigente ou a prática usual do Senado se furtava à criação de mestiços de sangue negro. Se o réu da horrível conspiração morara em Minas e.” (Pág. situada em terras do litoral.70) “A reprovação de mestiçagem tomara assim forma oficial. tais como os que.

os oligarcas mineiros estiveram antes do lado do poder do que contra ele. cada vez mais. sempre pronto a atacar as colunas que entravam pelos matos. deveria implantar nas Minas. mostrou-se a atuação do conde de Assumar. constantes.” (Pág.” (Pág. disseminadas.Acuado pelos protestos contra a forma de tributação que. como se ia dizendo. Desde então. o gentio bravo. Inimigo com I maiúsculo se tornara. de ser julgado por uma Junta de Justiça. passível nesta condição.88) “A partir de meados do século. tendo sido ele o primeiro governante português que. percebia também que o grande número de escravos negros e a minguada população de brancos fazia de Minas um barril de pólvora. o governo do conde foi um divisor de águas no que diz respeito ao exercício do poder em Minas. o quilombola fugidio. gozando de benefícios e propinas. na colônia. neste processo. quando o Estado se instalava na convulsionada capitania das Minas. que dirigiu a capitania entre 1717 e 1721. separando-a da de São Paulo para melhor governá-la. inevitável.” (Pág. pela relação desequilibrada entre o pequeno número de brancos e o enorme contingente negro. em nome da Coroa.90) “No imaginário politico da época. e até o governo de Luís da Cunha Menezes. o conde de Assumar tinha claro que a revolta de colonos e de escravos podia pôr a perder os domínios portugueses na América do Sul. cotidianas : mudara tanto sua anatomia como a forma de encerá-las. e apavorado com a iminência de um levante escravo. executou sumariamente um homem branco e de certa qualidade social.“Fundamental. comedor de gente nas florestas que margeavam o rio Doce. antes seus olhos. as revoltas tornaram-se surdas.87) “Na década de 20. portanto. sempre presto na pilhagem de paios e roças de fazendeiros .

que rodava pelo sertão e pelas vilas. pelos quais o mundo civilizado procurava domar o sertão. ameaçavam os aldeamentos. negros da África que tentavam. Havendo resistência tinham autorização para matar. comiam gente. viam-se „infestadas‟ deles. atacavam as povoações que sabiam „menos fortificadas para a defesa‟. talvez reduzir ao mundo dos brancos civilizadores. índios eram. onde viviam „sem lei nem obediência‟ às normas do Estado português. com sua forma intermitente de trabalhar. tradicionalmente. ou seja.90) “No imaginário colonial. Os homens designados para perseguir e prender quilombolas deveriam primeiro busca-los nas imediações das estradas. Se bravios.” (Pág. reclamavam os habitantes. onde deveriam primeiro cuidar de prender os negros fugidos sem machuca-los.” (Pág. voltavam-se contra os brancos se a aliança com eles não mais interessasse.” (Pág. antítese da cultura que a expansão das fronteiras e a conversão ao trabalho sistemático poderia. inimigos permanentes: quando mansos. traíam. os sertanistas relatavam de forma natural e serena os massacres cometidos contra aldeias. pesando. erguiam suas malocas nas paragens mais inacessíveis a o brancos. .” (Pág. matavam. desertavam.91) “Índios eram portanto. „despojarem‟. agentes de Satã que a catequese se esforçava por metamorfosear em almas de Cristo. o vadio itinerante e biscateiro.93) “Para cada branco pululavam nas Minas cem „etíopes‟.91) “Vendo como ilegítimos os atos de violência dos índios. que. passariam então para os quilombos. Quando estivessem limpas.imprevisíveis. era preciso desenvolver estratégias. sempre que se oferecia a ocasião.” (Pág. incendiar.94) “Se a guerra campeava.

96) “Esses particulares que por conta própria. ou de nada fazerem de forma sistemática. expressas nas queixas incessantes das Câmaras Municipais e das autoridades administrativas ou judiciarias.95) “Contra os quilombos. por sua forma de vida. às escondidas. inscrevendo-a no corpo criminoso.” (Pág. a ideia de homens que carregavam cabeças de outros homens em bolsas ou sacos para exibi-las ao governante é. em 1770. que os tornava suspeitos ante a parte bem organizada da sociedade.família. que talvez se mostrem embotadas ante outras barbaridades. soldados pedestres. e os senhores solicitavam ao governador o direito de exercê-lo sobre os seus escravos fujões. para melhor surpreender o inimigo. neutralizar a eterna falta de capitães-do-mato e de tropas adequadas. Por não terem laços. auxiliares.98) “O exemplo tinha.” (Pág. pois.destruir as aldeias. caçavam fugidos. Era o fato de não fazerem nada.98) “Outra forma de castigo exemplar empregada sobre quilombolas era o corte de orelhas.” (Pág. como um certo Gonçalo Pais que. procurariam talvez. voltava-se também a „civil sociedade‟. Podiam contar com 100 homens entre os quais havia dragões.” (Pág.antes de mais nada. os homens comuns.98) “Os vadios eram um grupo infrator caracterizado . sem dúvida. ao mesmo tempo atacando os aldeamentos de negros fugidos.96) “Para nossas sensibilidades de homem do século XX. partiam sem alarde.” (Pág. na maior parte das vezes. domicilio certo. Contra os quilombos eram enviadas expedições bélicas que. explorando-o e.” (Pág. se oferecia para patrulhar o sertão às suas expensas. este objetivo de tornar visível a infração. vinculo empregatício- . insuportável.

„fazendo deste modo com pouca despesa aquela importante obra. pouco depois da expulsão dos jesuítas. as pessoas tidas como vadias não desempenhavam algum tipo de atividade útil.99) “ O curioso destas instruções é que revelam a fluidez da sociedade mineira setecentista: há um cuidado extremo em alertar os comandantes no sentido de prenderem vadios verdadeiros. e purgando também a sociedade civil dos perturbadores dela.” (Pág.100) “Até a década de 70.101. difícil de controlar e até mesmo de enquadrar.101) “Para trabalhar nas construções do presidio de Cuieté. Com o aprofundamento da crise aurífera. Comportamentos desviantes em pessoas com o ofício definido eram considerados irrelevantes. revoltadas.” (Pág.” (Pág. várias pessoas comentaram. visivelmente cada vez mais incômodos. a 25 de abril.constituíam um grupo fluido e indistinto. o governador conde de Valadares enviava a todos os capitães-mores e comandantes dos distritos da capitania uma série de onze instruções que determinavam a forma pela qual se deveria proceder com relação. porém.102) “Denuncias apontavam que.” (Pág. que D. o governante mandou prender os vadios que se encontrassem por toda a capitania e os remeteu para lá. as autoridades se preocuparam mais com o modo de vida marginal dos vadios e com as formas possíveis de controla-los do que com as alternativas para a sua utilização. de fato.” (Pág.99) “Três anos depois. referindo-se ainda ás execuções contra Távoras e demais membros da nobreza lusitana. surgiu a necessidade de transformar o „peso inútil da terra‟ em elemento útil à ordem pública. aos vadios. não se fiando em acusações falsas de inimigos. averiguando se.102) ." (Pág.José I e seu ministro Pombal agiam de forma autoritária e inconcebível ao expulsarem os jesuítas.

a violência.onde.Antonio recebia ordens para devolver os bens sequestrados aos presos so Curvelo e soltar os que se encontravam na cadeia local. das quais 15 foram presas e remetidas para o Rio de Janeiro . 105) “1776.“Antônio de Noronha mandou procede à devassa. o suplício não fora em vão.104. Na Metrópole. pregariam a punição do desacato ao monarca nos moldes do suplicio de Tiradentes. que para a Metrópole. parece que as culpas foram consideras irrelevantes: em janeiro de 1778. no Curvelo. entre os quais achavam os inconfidentes.” (Pág.103) “Se os negros se sublevassem ou se os vadios tivessem consciência de seu peso. Enquanto governadores matavam índios e quilombolas e prendiam vadios para. voaria em estilhaços o mundo restrito dos homens brancos.” (Pág. apoiavam os jesuítas. inaugurava-se uma terceira possibilidade de revolta nas Minas. seguiram para Portugal.os baianos promoveram em Salvador. empurrar a fronteira interna para leste ou para oeste. as revoltas podiam estar deixando o segredo das reuniões domésticas e ganhando as ruas. após uma estada na Ilha das Cobras. como o levante que. naquele mesmo ano de 1798. criticavam a Monarquia – como aconteceu em Curvelo. homens letrados discutiam ideias. ameaçariam os revoltosos potenciais com a forca.D.107) “Os pasquins detratores indicam. a representação emblemática do poder ainda calavam fundo nos ânimos dos .” (Pág.” (Pág.” (Pág. e saíram incriminadas 16 pessoas. como ele. Em outras paragens. 104) “A partir da década de 40. fazendo com que os capitães-generais das Minas vissem às voltas com uma guerra surda que fustigava simultaneamente vários flancos. mas a coerção.105) “A existência deste pasquim sugere a existência de muitos outros que. a revolta se infiltrou nos interstícios do tecido social. com eles.

113) “As relações entre posses de terras e escravos mostrava-se. portanto. dessa forma. sendo capazes de disseminar o medo e trazes no seu rastro funesto.”(Pág.113) “Tudo indica. e muitos escravos feitos prisioneiros. a desagregação do tecido social.” (Pág. Era dessa forma que muitos agricultores futuros tornavam contato com as terras que depois se tornariam suas.107) “Para „alimpar‟ o interior e dar continuidade ao povoamento de uma frente avançada. criação roubada.” (Pág. houve em 1746 verdadeira guerra contra quilombos na região do Alto São Francisco – zona de cerrados. mais plana e própria à agricultura do que as escarpas pedregosas da região mineradora e diamantífera. mas lodo recrudesceram os mocambos negros fugidos. Os fazendeiros se queixavam de não poderem tocar direito a vida na suas terras. apesar disso os escravos não eram muitas vezes devolvidos ao dono. talvez fantasiando um pouco sobre a invasão de quintais.” (Pág. pois não teriam como comprovar sua capacidade em cultiva-las. extremamente complexas e contraditórias. não ser apenas por cuidado com ameaça de revolta ou por temor ante a possibilidade de os negros assumirem o comando da . não se concediam sesmarias aos requerentes. assaltos nos caminhos ou sobre a desonra de uma filha. o quilombo foi arrasado.112) “Após a luta terrível. Sem escravos.112) “Pelo trabalho de „limpeza‟. em paragem que conhecera quando das andanças atrás de quilombo no sertão do Campo Grande. passando a servir ao Estado.mineiros. Bartolomeu Bueno do Prado recebeu sesmaria de três léguas por uma. e a população em geral morria de medo. Houve calma por algum tempo.” (Pág. que se arrastou por sete horas e na qual se usaram até granadas.

como era então de praxe. faziam as vezes de línguas e de guias. presente a cada linha das cartas untuosas enviadas aos capitães- “Por outro lado. e são bons quando bem governados. mas cabe conjeturar que tenha a ver com a gabolice de Pamplona.118) bajulação. deveriam ser. e ainda do acesso mais ou menos livre as terras.” (Pág.113) “O empenho em povoar a fronteira sudoeste da capitania de Minas. O motivo que levou à redação do relato não é evidente.118) ..}” (Pág.sociedade que se batiam os matos atrás de mocambos. de resto merecidos.‟.. abundantes naquela situação de fronteira aberta. o traço distintivo da expedição de 1769 reside no fato de ter sido minuciosamente relatada por um de seus participantes.” (Pág.” (Pág. no sertão desconhecido. um obcecado em autopromoção. forças bem armadas e de composição variada. dentro da ética vigente na época: o antigo mascate soubera dosar bem o esforço pessoal – que e a mais deslavada contara inclusive com significativo desgaste físico generais. Trava-se da continuidade e da sobrevivência da exploração agrícola nas zonas afastadas.” (Pág.116) “Pamplona se tornara um potentado rural às custas de benefícios formidáveis extraídos dos governos regionais. contando entre seus membros com índios mansos e negros fiéis que. portanto. devendo ser compreendido no quadro mais amplo do esforço pombalino em povoar a América Portuguesa a qualquer preço – fosse com índios e mestiços que no dizer de um conselheiro do ministro. também serviam – „todos são homens.117.{. não dizia respeito a uma política regional.114) “ Apesar de não ter registros de todas as expedições.

Dava-se muita atenção aos locais do culto. às vezes em cantochão. essa entrada. a cada amanhecer. ladainhas ou Te Deum Laudamus. instrumentos fáceis de carregar.. A cada alvorada. no que o exemplo sempre veio da barraca do mestre-decampo. e o cronista não os omite. e a tradição propriamente popular. executando missas.}” (Pág.” (Pág.119. {.. tocavam e cantavam „suas letras‟. trompas e flautas transversais – todos eles. invocando dessa vez a prudência de Pamplona em lidar com situações tensas.120) “Em nenhum dos dias da jornada se descuidavam os entrantes de rezar o terço ao cair da tarde. rebecas. muito usados nas Minas de então .125) . e por isso. sempre ouvidas pela comitiva e ainda pelos que nela eventualmente se somavam.121) “O confronto entre os poemas pedantes dos padres e dos versi nhos ingênuos de Camacho revela a existência de pelo menos duas tradições distintas na poesia „de roça‟ praticada e usufruída durante a expedição de Pamplona contra quilombolas: aquela mais culta e afeita à norma erudita.124) “A repressão gerava ódios e criava inimigos.120) “Além da musica. adepto do „devoto exercício‟ cotidiano.“A presença de escravos músicos revela um dos aspectos civilizadores mais intrigantes dão.” (Pág. Munidos dos mencionados tambores e ainda de violas. os músicos.” (Pág. às vezes entoando ave-marias. junto com os cânticos vinham as missas. referida ao mundo da oralidade. também a religião imprimia sua marca no cotidiano incerto.. escandinho os atos civilizadores dos entrantes.” (Pág.

há um certo pioneirismo protogeográfico na expedição de 1769.” (Pág.” (Pág. mas que. o Tejuco foi assim sendo envolvido por uma série de mitologia depreciativa. por ele exterminados com a sanha do ano de 1782 .. os diamantes representaram para a Coroa Portuguesa uma de suas principais fontes de receita durante boa parte do século XVIII.” (Pág. a exploração foi desde cedo vetada aos particulares. Monopólio régio. o escrivão de empresa pôde fornecer dados precisos sobre a localização dos quilombos e.“Nesse sentido.” (Pág. servem para ilustrar que „barbárie‟ e „civilização‟ podem ser duas faces de uma mesma moeda. com base nestas fontes. Uma vez desvanecido o medo de quilombola e assentada a poeira dos confrontos. tecida sobretudo pelos que ficavam de fora da Demarcação Diamantina.133) “Descobertos oficialmente em 1729 na região do Tejuco. subvertia a norma e criava um território em que tudo andava ás avessas.132) “Traços que hoje nos parecem dispares e contraditórios. ficando limitada ao controlo-te do Estado e variando de forma. não haverá certamente argumentos que justifiquem seu comportamento vergonhoso na Inconfidência Mineira.139) “Mesmo que se trate de documentos produzidos por agentes metropolitanos ou por seus auxiliares diretos. preciosidade entre as preciosidades deixar-nos o desenho nítido de sete deles. e que tragam a marca do discurso oficial – muitas vezes preconceituoso e deformador.é possível. . nesse desencontro.128) “Pamplona certamente nunca foi flor que se cheirasse.138) “No decorrer do século XVIII.” (Pág. Em Minas Gerais. O mandonismo de Chica da Silva e a submissão „conjugal‟ do controlador são a face erótico-afetiva de uma desordem maior que impregnava o cotidiano. e se a complacência dos historiadores o eximiu do comando de massacres de negros e índios – como os Caiapó.

laços de solidariedade que os uniam ao resto da população.” (Pág. irmanando garimpeiros e quilombolas. os companheiros iam buscar o capelão da administração diamantina para que ele ministrasse os últimos sacramentos.” (Pág. Solidariedades verticais.” (Pág. homens livres pobres e escravos. muitas vezes participe das atividades infratoras. dando coesão. havia formas de organização e solidariedade a unirem diferentes segmentos sociais. e no caso deste estudo.141) “Ora era um golpe choque em que os soldados encontravam mais de 200 pessoas minerando clandestinamente e capazes de os receber a tiros. animado por um padre da Vila do Príncipe que incitava os garimpeiros a berrem: „Morra. Havia portanto. no Distrito Diamantino. Desta feita.147) . morra aqui tudo. soterrado por um penedo.142)avia portanto laços “Quando alguém morria trabalhando.” (Pág.refazer um pouco da revolta permanente e difusa que caracterizou a vida nas Minas durante a segunda metade do século XVIII. as autoridades locais fingiam que os garimpeiros eram quilombolas para assim dar continuidade ao extravio e poupar os senhores do confisco de escravos postos de caso pensado na mineração clandestina de diamantes.1486.” (Pág. mesmo que momentânea a senhores de escravos . ocorreu um combate de mais de meia hora.145) “No Distrito Diamantino. solidariedade horizontais.147) “O reformismo ilustrado de D. Rodrigo José de Menezes esbarraria não apenas do desconhecimento de causa do Conselho Ultramarino como também na mescla de corrupção administrativa. homens de patente e reles infratores. contrabando e defesa a ferro e fogo dos interesses escravistas vigentes nas Minas e. Para complicar ainda mais as coisas.

uma situação sui generis e específica no contexto colonial.155) “Voltando à coartação. os pardos forros foram se diferenciando.” (Pág. talvez.154) “Tudo indica que no correr dos anos. a generalização da prática. O escravo seria beneficiado se pagasse determinada quantia previamente determinada.” (Pág. único mas propostas de alforria correntes ou em gestão na sociedade mineira.151). As Minas foram incorporadas ao âmbito da colonização no exato momento em que Palmares estava sendo destruídos pelos paulistas: de 1693 data do tanto terror espalhou entre os colonizadores. assim junto com a assentamento dos colonos em solo mineiro. formas peculiares de obtenção da liberdade.” (Pág. “A consciência de que o desequilíbrio entre homens brancos e negros escravos podiam ser fatal surgiu. é importante salientar seu aspecto de alforria condicional sem contudo descurar os traços muito peculiares que caracterizam. mostrando que a sociedade não apenas a tolerava como. procurando. possivelmente.151) “ A abordagem das alforrias deve.153) “A presença de forros começou a incomodar de forma mais sistemática n o momento em que a prosperidade advinda da extração aurífera atingia seu ápice.” (Pág. necessitava dela. expressos pelo Estado e seus agentes. Todo primeiro quartel do século XVIII foi marcado pelo temor ante as consequências desse desbalanceamento. levar em conta ambos os aspectos: o temor e restrições ante a maior incidência da prática.“Um enorme contingente de escravos criou. dividida em parcelas que podiam ou não ser fixadas de ante-mão. desde o início da ocupação territorial em Minas. portanto. obrigação . fosse concedida mediante certas condições: bom comportamento. É o que parece indicar um documento curiosíssimo.” (Pág.

” (Pág. que conduzia à liberdade: não eram meras concessões. ao mesmo tempo. “cada ex-voto nos coloca em contato com uma aventura individual que foi vivida como maravilhosa. originalmente dissertação de mestrado. o trabalho avança muito no conhecimento do Distrito Diamantino e . de historia das mentalidades deram aos ex-votos e estatuto de documento respeitável.211) “Um dos grandes méritos do livro Vassalos Rebeldes – Violência Coletiva nas Minas na Primeira Metade do Século XVIII . Baseado e em abundante documentação. primeiro.158) “Para os escravos. quando descobrimos ou decodificamos estes ex-votos: reencontrar a normalidade a mais humilde mas. sem duvida.” (Pág. relativiza boa parte das generalizações abraçadas pela historiografia. a história dos medos. como os quilombos. formas de resistência que atuavam dentro do sistema. Nas palavras de um grande especialista. social e cultural o ex-voto desperta no expectador reações afetivas. E é isto que nos comove. servir o senhor ou sua família até a morte de determinados membros etc. talvez apertado e tortuoso. procura acertar contas com essas construções.” (Pág.208) “Documento de história demográfica. a maior parte manuscrita. mas „conquistas de uma massa anônima de agentes históricos‟. mais recentemente.209) “O Livro da Capa Verde. sem procurar rompe-lo. era o caminho. reconhecendo-lhes o relevo de testemunho no âmbito das sociedades tradicionais. das alegrias.168) Parte III “ Os estudos de sociologia religiosa e. das esperanças” (Pág. .de. de Carla Maria Junho Anastásia.” (Pág. mais profunda.

Tarefa corajosa e pioneira. através de seminários realizados pela Fundação Carlos Chagas. Foi das impressões mais vivas de minha vida profissional.” (Pág. tive conhecimento do trabalho de Luciano Figueiredo. sobre tudo porque não se debruça sobre revoltas espetaculares. dava conta de todos os arquivos mineiros que eu conhecia e revelava inúmeros acervos dos quais nunca ouvira falar até então. que soa gora começa a ser aberto ao público e consultado por pesquisadores. é propor alternativas de análise sobre o protesto social da América Portuguesa. que foram capazes de magnetizar gerações sucessivas de historiadores” (Pág. como o Acervo Documental da Câmara Municipal de Mariana.que apesar de pequenino veio para ficar.217) . clássicas. Sua pesquisa era muito séria.215) “Em 1983.