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DIREITO PENAL - ESTATUTO DO DESARMAMENTO - LEI 10.

826/03 – NÍCOLAS MARQUES
1. LEGISLAÇÃO:
CAPÍTULO I
DO SISTEMA NACIONAL DE ARMAS
Art. 1o O Sistema Nacional de Armas – Sinarm, instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia
Federal, tem circunscrição em todo o território nacional.
Art. 2o Ao Sinarm compete:
I – identificar as características e a propriedade de armas de fogo, mediante cadastro;
II – cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e vendidas no País;
III – cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as renovações expedidas pela Polícia Federal;
IV – cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto, roubo e outras ocorrências suscetíveis de
alterar os dados cadastrais, inclusive as decorrentes de fechamento de empresas de segurança privada e de
transporte de valores;
V – identificar as modificações que alterem as características ou o funcionamento de arma de fogo;
VI – integrar no cadastro os acervos policiais já existentes;
VII – cadastrar as apreensões de armas de fogo, inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e judiciais;
VIII – cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder licença para exercer a atividade;
IX – cadastrar mediante registro os produtores, atacadistas, varejistas, exportadores e importadores
autorizados de armas de fogo, acessórios e munições;
X – cadastrar a identificação do cano da arma, as características das impressões de raiamento e de
microestriamento de projétil disparado, conforme marcação e testes obrigatoriamente realizados pelo
fabricante;
XI – informar às Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal os registros e
autorizações de porte de armas de fogo nos respectivos territórios, bem como manter o cadastro
atualizado para consulta.
Parágrafo único. As disposições deste artigo não alcançam as armas de fogo das Forças Armadas e
Auxiliares, bem como as demais que constem dos seus registros próprios.
CAPÍTULO II
DO REGISTRO
Art. 3o É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente.

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Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na forma do
regulamento desta Lei.
Art. 4o Para adquirir arma de fogo de uso permitido o interessado deverá, além de declarar a efetiva
necessidade, atender aos seguintes requisitos:
I - comprovação de idoneidade, com a apresentação de certidões negativas de antecedentes criminais
fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e de não estar respondendo a inquérito policial
ou a processo criminal, que poderão ser fornecidas por meios eletrônicos; (Redação dada pela Lei nº
11.706, de 2008)
II – apresentação de documento comprobatório de ocupação lícita e de residência certa;
III – comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo,
atestadas na forma disposta no regulamento desta Lei.
§ 1o O Sinarm expedirá autorização de compra de arma de fogo após atendidos os requisitos
anteriormente estabelecidos, em nome do requerente e para a arma indicada, sendo intransferível esta
autorização.
§ 2o A aquisição de munição somente poderá ser feita no calibre correspondente à arma registrada e na
quantidade estabelecida no regulamento desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 3o A empresa que comercializar arma de fogo em território nacional é obrigada a comunicar a venda à
autoridade competente, como também a manter banco de dados com todas as características da arma e
cópia dos documentos previstos neste artigo.
§ 4o A empresa que comercializa armas de fogo, acessórios e munições responde legalmente por essas
mercadorias, ficando registradas como de sua propriedade enquanto não forem vendidas.
§ 5o A comercialização de armas de fogo, acessórios e munições entre pessoas físicas somente será
efetivada mediante autorização do Sinarm.
§ 6o A expedição da autorização a que se refere o § 1o será concedida, ou recusada com a devida
fundamentação, no prazo de 30 (trinta) dias úteis, a contar da data do requerimento do interessado.
§ 7o O registro precário a que se refere o § 4o prescinde do cumprimento dos requisitos dos incisos I, II e III
deste artigo.
§ 8o Estará dispensado das exigências constantes do inciso III do caput deste artigo, na forma do
regulamento, o interessado em adquirir arma de fogo de uso permitido que comprove estar autorizado a
portar arma com as mesmas características daquela a ser adquirida. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
Art. 5o O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território nacional, autoriza o
seu proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou
dependência desses, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal
pelo estabelecimento ou empresa. (Redação dada pela Lei nº 10.884, de 2004)

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§ 1o O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia Federal e será precedido de
autorização do Sinarm.
§ 2o Os requisitos de que tratam os incisos I, II e III do art. 4o deverão ser comprovados periodicamente,
em período não inferior a 3 (três) anos, na conformidade do estabelecido no regulamento desta Lei, para a
renovação do Certificado de Registro de Arma de Fogo.
§ 3o O proprietário de arma de fogo com certificados de registro de propriedade expedido por órgão
estadual ou do Distrito Federal até a data da publicação desta Lei que não optar pela entrega espontânea
prevista no art. 32 desta Lei deverá renová-lo mediante o pertinente registro federal, até o dia 31 de
dezembro de 2008, ante a apresentação de documento de identificação pessoal e comprovante de
residência fixa, ficando dispensado do pagamento de taxas e do cumprimento das demais exigências
constantes dos incisos I a III do caput do art. 4o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
(Prorrogação de prazo)
§ 4o Para fins do cumprimento do disposto no § 3o deste artigo, o proprietário de arma de fogo poderá
obter, no Departamento de Polícia Federal, certificado de registro provisório, expedido na rede mundial de
computadores - internet, na forma do regulamento e obedecidos os procedimentos a seguir: (Redação
dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
I - emissão de certificado de registro provisório pela internet, com validade inicial de 90 (noventa) dias; e
(Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
II - revalidação pela unidade do Departamento de Polícia Federal do certificado de registro provisório pelo
prazo que estimar como necessário para a emissão definitiva do certificado de registro de propriedade.
(Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
CAPÍTULO III
DO PORTE
Art. 6o É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em
legislação própria e para:
I – os integrantes das Forças Armadas;
II – os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144 da Constituição Federal;
III – os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de 500.000
(quinhentos mil) habitantes, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei;
IV - os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de 50.000 (cinqüenta mil) e menos de
500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando em serviço; (Redação dada pela Lei nº 10.867, de 2004)
V – os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os agentes do Departamento de
Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;
VI – os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no art. 52, XIII, da Constituição Federal;

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VII – os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os integrantes das escoltas de
presos e as guardas portuárias;
VIII – as empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas, nos termos desta Lei;
IX – para os integrantes das entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas
demandem o uso de armas de fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-se, no que couber, a
legislação ambiental.
X - integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho,
cargos de Auditor-Fiscal e Analista Tributário. (Redação dada pela Lei nº 11.501, de 2007)
XI - os tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da Constituição Federal e os Ministérios Públicos da
União e dos Estados, para uso exclusivo de servidores de seus quadros pessoais que efetivamente estejam
no exercício de funções de segurança, na forma de regulamento a ser emitido pelo Conselho Nacional de
Justiça - CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 1o As pessoas previstas nos incisos I, II, III, V e VI do caput deste artigo terão direito de portar arma de
fogo de propriedade particular ou fornecida pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de
serviço, nos termos do regulamento desta Lei, com validade em âmbito nacional para aquelas constantes
dos incisos I, II, V e VI. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 1o-A (Revogado pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 2o A autorização para o porte de arma de fogo aos integrantes das instituições descritas nos incisos V, VI,
VII e X do caput deste artigo está condicionada à comprovação do requisito a que se refere o inciso III do
caput do art. 4o desta Lei nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei. (Redação dada pela Lei nº
11.706, de 2008)
§ 3o A autorização para o porte de arma de fogo das guardas municipais está condicionada à formação
funcional de seus integrantes em estabelecimentos de ensino de atividade policial e à existência de
mecanismos de fiscalização e de controle interno, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei,
observada a supervisão do Comando do Exército. (Redação dada pela Lei nº 10.867, de 2004)
§ 4o Os integrantes das Forças Armadas, das polícias federais e estaduais e do Distrito Federal, bem como
os militares dos Estados e do Distrito Federal, ao exercerem o direito descrito no art. 4o, ficam dispensados
do cumprimento do disposto nos incisos I, II e III do mesmo artigo, na forma do regulamento desta Lei.
§ 5o Aos residentes em áreas rurais, maiores de 25 (vinte e cinco) anos que comprovem depender do
emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar familiar será concedido pela Polícia
Federal o porte de arma de fogo, na categoria caçador para subsistência, de uma arma de uso permitido, de
tiro simples, com 1 (um) ou 2 (dois) canos, de alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16 (dezesseis), desde
que o interessado comprove a efetiva necessidade em requerimento ao qual deverão ser anexados os
seguintes documentos: (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
I - documento de identificação pessoal; (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
II - comprovante de residência em área rural; e (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)

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III - atestado de bons antecedentes. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 6o O caçador para subsistência que der outro uso à sua arma de fogo, independentemente de outras
tipificações penais, responderá, conforme o caso, por porte ilegal ou por disparo de arma de fogo de uso
permitido. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 7o Aos integrantes das guardas municipais dos Municípios que integram regiões metropolitanas será
autorizado porte de arma de fogo, quando em serviço. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
Art. 7o As armas de fogo utilizadas pelos empregados das empresas de segurança privada e de transporte
de valores, constituídas na forma da lei, serão de propriedade, responsabilidade e guarda das respectivas
empresas, somente podendo ser utilizadas quando em serviço, devendo essas observar as condições de
uso e de armazenagem estabelecidas pelo órgão competente, sendo o certificado de registro e a
autorização de porte expedidos pela Polícia Federal em nome da empresa.
§ 1o O proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança privada e de transporte de valores
responderá pelo crime previsto no parágrafo único do art. 13 desta Lei, sem prejuízo das demais sanções
administrativas e civis, se deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda,
furto, roubo ou outras formas de extravio de armas de fogo, acessórios e munições que estejam sob sua
guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato.
§ 2o A empresa de segurança e de transporte de valores deverá apresentar documentação comprobatória
do preenchimento dos requisitos constantes do art. 4o desta Lei quanto aos empregados que portarão
arma de fogo.
§ 3o A listagem dos empregados das empresas referidas neste artigo deverá ser atualizada semestralmente
junto ao Sinarm.
Art. 7o-A. As armas de fogo utilizadas pelos servidores das instituições descritas no inciso XI do art. 6o
serão de propriedade, responsabilidade e guarda das respectivas instituições, somente podendo ser
utilizadas quando em serviço, devendo estas observar as condições de uso e de armazenagem
estabelecidas pelo órgão competente, sendo o certificado de registro e a autorização de porte expedidos
pela Polícia Federal em nome da instituição. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 1o A autorização para o porte de arma de fogo de que trata este artigo independe do pagamento de
taxa. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 2o O presidente do tribunal ou o chefe do Ministério Público designará os servidores de seus quadros
pessoais no exercício de funções de segurança que poderão portar arma de fogo, respeitado o limite
máximo de 50% (cinquenta por cento) do número de servidores que exerçam funções de segurança.
(Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 3o O porte de arma pelos servidores das instituições de que trata este artigo fica condicionado à
apresentação de documentação comprobatória do preenchimento dos requisitos constantes do art. 4o
desta Lei, bem como à formação funcional em estabelecimentos de ensino de atividade policial e à
existência de mecanismos de fiscalização e de controle interno, nas condições estabelecidas no
regulamento desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)

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§ 4o A listagem dos servidores das instituições de que trata este artigo deverá ser atualizada
semestralmente no Sinarm. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 5o As instituições de que trata este artigo são obrigadas a registrar ocorrência policial e a comunicar à
Polícia Federal eventual perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de armas de fogo, acessórios e
munições que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato.
(Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
Art. 8o As armas de fogo utilizadas em entidades desportivas legalmente constituídas devem obedecer às
condições de uso e de armazenagem estabelecidas pelo órgão competente, respondendo o possuidor ou o
autorizado a portar a arma pela sua guarda na forma do regulamento desta Lei.
Art. 9o Compete ao Ministério da Justiça a autorização do porte de arma para os responsáveis pela
segurança de cidadãos estrangeiros em visita ou sediados no Brasil e, ao Comando do Exército, nos termos
do regulamento desta Lei, o registro e a concessão de porte de trânsito de arma de fogo para
colecionadores, atiradores e caçadores e de representantes estrangeiros em competição internacional
oficial de tiro realizada no território nacional.
Art. 10. A autorização para o porte de arma de fogo de uso permitido, em todo o território nacional, é de
competência da Polícia Federal e somente será concedida após autorização do Sinarm.
§ 1o A autorização prevista neste artigo poderá ser concedida com eficácia temporária e territorial limitada,
nos termos de atos regulamentares, e dependerá de o requerente:
I – demonstrar a sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua
integridade física;
II – atender às exigências previstas no art. 4o desta Lei;
III – apresentar documentação de propriedade de arma de fogo, bem como o seu devido registro no órgão
competente.
§ 2o A autorização de porte de arma de fogo, prevista neste artigo, perderá automaticamente sua eficácia
caso o portador dela seja detido ou abordado em estado de embriaguez ou sob efeito de substâncias
químicas ou alucinógenas.
Art. 11. Fica instituída a cobrança de taxas, nos valores constantes do Anexo desta Lei, pela prestação de
serviços relativos:
I – ao registro de arma de fogo;
II – à renovação de registro de arma de fogo;
III – à expedição de segunda via de registro de arma de fogo;
IV – à expedição de porte federal de arma de fogo;
V – à renovação de porte de arma de fogo;

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VI – à expedição de segunda via de porte federal de arma de fogo.
§ 1o Os valores arrecadados destinam-se ao custeio e à manutenção das atividades do Sinarm, da Polícia
Federal e do Comando do Exército, no âmbito de suas respectivas responsabilidades.
§ 2o São isentas do pagamento das taxas previstas neste artigo as pessoas e as instituições a que se
referem os incisos I a VII e X e o § 5o do art. 6o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
Art. 11-A. O Ministério da Justiça disciplinará a forma e as condições do credenciamento de profissionais
pela Polícia Federal para comprovação da aptidão psicológica e da capacidade técnica para o manuseio de
arma de fogo. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 1o Na comprovação da aptidão psicológica, o valor cobrado pelo psicólogo não poderá exceder ao valor
médio dos honorários profissionais para realização de avaliação psicológica constante do item 1.16 da
tabela do Conselho Federal de Psicologia. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 2o Na comprovação da capacidade técnica, o valor cobrado pelo instrutor de armamento e tiro não
poderá exceder R$ 80,00 (oitenta reais), acrescido do custo da munição. (Incluído pela Lei nº 11.706, de
2008)
§ 3o A cobrança de valores superiores aos previstos nos §§ 1o e 2o deste artigo implicará o
descredenciamento do profissional pela Polícia Federal. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)

CAPÍTULO IV
DOS CRIMES E DAS PENAS
Posse irregular de arma de fogo de uso permitido
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta,
ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou
empresa:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Omissão de cautela
Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa
portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua
propriedade:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de
segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia
Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que
estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.

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Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver
registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112-1)
Disparo de arma de fogo
Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via
pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. (Vide Adin 3.112-1)
Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório
ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato;
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso
proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito
ou juiz;
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar;
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer
outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado;
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo
a criança ou adolescente; e
VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou
explosivo.

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Comércio ilegal de arma de fogo
Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,
remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio,
no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma
de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em
residência.
Tráfico internacional de arma de fogo
Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma
de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de fogo, acessório
ou munição forem de uso proibido ou restrito.
Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se forem
praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei.
Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória. (Vide Adin 3.1121)
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 22. O Ministério da Justiça poderá celebrar convênios com os Estados e o Distrito Federal para o
cumprimento do disposto nesta Lei.
Art. 23. A classificação legal, técnica e geral bem como a definição das armas de fogo e demais produtos
controlados, de usos proibidos, restritos, permitidos ou obsoletos e de valor histórico serão disciplinadas
em ato do chefe do Poder Executivo Federal, mediante proposta do Comando do Exército. (Redação dada
pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 1o Todas as munições comercializadas no País deverão estar acondicionadas em embalagens com sistema
de código de barras, gravado na caixa, visando possibilitar a identificação do fabricante e do adquirente,
entre outras informações definidas pelo regulamento desta Lei.
§ 2o Para os órgãos referidos no art. 6o, somente serão expedidas autorizações de compra de munição com
identificação do lote e do adquirente no culote dos projéteis, na forma do regulamento desta Lei.

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§ 3o As armas de fogo fabricadas a partir de 1 (um) ano da data de publicação desta Lei conterão
dispositivo intrínseco de segurança e de identificação, gravado no corpo da arma, definido pelo
regulamento desta Lei, exclusive para os órgãos previstos no art. 6o.
§ 4o As instituições de ensino policial e as guardas municipais referidas nos incisos III e IV do caput do art.
6o desta Lei e no seu § 7o poderão adquirir insumos e máquinas de recarga de munição para o fim
exclusivo de suprimento de suas atividades, mediante autorização concedida nos termos definidos em
regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
Art. 24. Excetuadas as atribuições a que se refere o art. 2º desta Lei, compete ao Comando do Exército
autorizar e fiscalizar a produção, exportação, importação, desembaraço alfandegário e o comércio de
armas de fogo e demais produtos controlados, inclusive o registro e o porte de trânsito de arma de fogo de
colecionadores, atiradores e caçadores.
Art. 25. As armas de fogo apreendidas, após a elaboração do laudo pericial e sua juntada aos autos,
quando não mais interessarem à persecução penal serão encaminhadas pelo juiz competente ao Comando
do Exército, no prazo máximo de 48 (quarenta e oito) horas, para destruição ou doação aos órgãos de
segurança pública ou às Forças Armadas, na forma do regulamento desta Lei. (Redação dada pela Lei nº
11.706, de 2008)
§ 1o As armas de fogo encaminhadas ao Comando do Exército que receberem parecer favorável à doação,
obedecidos o padrão e a dotação de cada Força Armada ou órgão de segurança pública, atendidos os
critérios de prioridade estabelecidos pelo Ministério da Justiça e ouvido o Comando do Exército, serão
arroladas em relatório reservado trimestral a ser encaminhado àquelas instituições, abrindo-se-lhes prazo
para manifestação de interesse. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 2o O Comando do Exército encaminhará a relação das armas a serem doadas ao juiz competente, que
determinará o seu perdimento em favor da instituição beneficiada. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 3o O transporte das armas de fogo doadas será de responsabilidade da instituição beneficiada, que
procederá ao seu cadastramento no Sinarm ou no Sigma. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 5o O Poder Judiciário instituirá instrumentos para o encaminhamento ao Sinarm ou ao Sigma, conforme
se trate de arma de uso permitido ou de uso restrito, semestralmente, da relação de armas acauteladas em
juízo, mencionando suas características e o local onde se encontram. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
Art. 26. São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e
simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir.
Parágrafo único. Excetuam-se da proibição as réplicas e os simulacros destinados à instrução, ao
adestramento, ou à coleção de usuário autorizado, nas condições fixadas pelo Comando do Exército.
Art. 27. Caberá ao Comando do Exército autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas de fogo de uso
restrito.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às aquisições dos Comandos Militares.

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Art. 28. É vedado ao menor de 25 (vinte e cinco) anos adquirir arma de fogo, ressalvados os integrantes das
entidades constantes dos incisos I, II, III, V, VI, VII e X do caput do art. 6o desta Lei. (Redação dada pela Lei
nº 11.706, de 2008)
Art. 29. As autorizações de porte de armas de fogo já concedidas expirar-se-ão 90 (noventa) dias após a
publicação desta Lei. (Vide Lei nº 10.884, de 2004)
Parágrafo único. O detentor de autorização com prazo de validade superior a 90 (noventa) dias poderá
renová-la, perante a Polícia Federal, nas condições dos arts. 4o, 6o e 10 desta Lei, no prazo de 90 (noventa)
dias após sua publicação, sem ônus para o requerente.
Art. 30. Os possuidores e proprietários de arma de fogo de uso permitido ainda não registrada deverão
solicitar seu registro até o dia 31 de dezembro de 2008, mediante apresentação de documento de
identificação pessoal e comprovante de residência fixa, acompanhados de nota fiscal de compra ou
comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova admitidos em direito, ou declaração firmada
na qual constem as características da arma e a sua condição de proprietário, ficando este dispensado do
pagamento de taxas e do cumprimento das demais exigências constantes dos incisos I a III do caput do art.
4o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008) (Prorrogação de prazo)
Parágrafo único. Para fins do cumprimento do disposto no caput deste artigo, o proprietário de arma de
fogo poderá obter, no Departamento de Polícia Federal, certificado de registro provisório, expedido na
forma do § 4o do art. 5o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
Art. 31. Os possuidores e proprietários de armas de fogo adquiridas regularmente poderão, a qualquer
tempo, entregá-las à Polícia Federal, mediante recibo e indenização, nos termos do regulamento desta Lei.
Art. 32. Os possuidores e proprietários de arma de fogo poderão entregá-la, espontaneamente, mediante
recibo, e, presumindo-se de boa-fé, serão indenizados, na forma do regulamento, ficando extinta a
punibilidade de eventual posse irregular da referida arma. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 11.706, de 2008)
Art. 33. Será aplicada multa de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais),
conforme especificar o regulamento desta Lei:
I – à empresa de transporte aéreo, rodoviário, ferroviário, marítimo, fluvial ou lacustre que
deliberadamente, por qualquer meio, faça, promova, facilite ou permita o transporte de arma ou munição
sem a devida autorização ou com inobservância das normas de segurança;
II – à empresa de produção ou comércio de armamentos que realize publicidade para venda, estimulando o
uso indiscriminado de armas de fogo, exceto nas publicações especializadas.
Art. 34. Os promotores de eventos em locais fechados, com aglomeração superior a 1000 (um mil) pessoas,
adotarão, sob pena de responsabilidade, as providências necessárias para evitar o ingresso de pessoas
armadas, ressalvados os eventos garantidos pelo inciso VI do art. 5o da Constituição Federal.
Parágrafo único. As empresas responsáveis pela prestação dos serviços de transporte internacional e
interestadual de passageiros adotarão as providências necessárias para evitar o embarque de passageiros
armados.

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CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 35. É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para
as entidades previstas no art. 6o desta Lei.
§ 1o Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo popular, a ser
realizado em outubro de 2005.
§ 2o Em caso de aprovação do referendo popular, o disposto neste artigo entrará em vigor na data de
publicação de seu resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Art. 36. É revogada a Lei no 9.437, de 20 de fevereiro de 1997.
Art. 37. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
2. COMENTÁRIOS TEÓRICOS:
2.1 – INTRODUÇÃO:
A Lei 10.826, sancionada em 22 de dezembro de 2003, denominado de Estatuto do Desarmamento, que
possui 37 artigos e é composta tanto por dispositivos de ordem administrativa, voltadas para a atuação dos
órgãos públicos, e outra que estabelece os crimes. Interassa-nos, aqui, estudar, mais especificamente, os
crimes, que estão previstos entre os artigos 12 e 21 do referido Estatuto.
O Estatuto do Desarmamento, tutela, principalmente, a incolumidade pública, ou seja, a garantia e
preservação dos cidadãos indefinidamente considerados contra possíveis atos que os exponham a perigo.
2.2 – COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR:
Salvo na hipótese do tráfico internacional de armas (art. 18), em que estão envolvido o interesse na
fiscalização das fronteiras, cuja competência será da União, os demais crimes previstos no Estatuto do
Desarmamento são processados e julgados pela Justiça Comum Estadual.
2.3 – INFRAÇÕES DE PERIGO:
Os crimes previstos nos artigos 12 a 18 do Estatuto, cujos tipos penais não mencionam, em momento
algum, como elemento necessário à configuração típica, a prova da efetiva exposição de outrem a risco,
sendo denominados, doutrinariamente, de crimes de perigo abstrato. Em outras palavras, o Estatuto pune,
portanto, o perigo, antes que se transforme em dano efetivo.
Crime de perigo abstrato ou presumido é aquele cuja existência dispensa a demonstração efetiva de que a
vítima ficou exposta a uma situação concreta de risco. Contrapõe-se aos crimes de perigo concreto, que
exige a comprovação de que pessoa determinada ou pessoas determinadas ficaram sujeitas a um risco real
de lesão.

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Assim, por exemplo, no crime de provocação a incêndio (art. 250 do Código Penal), o aperfeiçoamento
típico integral exige a comprovação de que a conduta concretamente tenha aumentado a possibilidade de
morte ou lesão corporal de outrem ou de dano patrimonial. Da mesma forma, no delito de explosão (art.
251 do Código Penal) e no delito de perigo de para a vida ou saúde de outrem (art. 132 do Código Penal),
em que o risco real, concreto, efetivo e comprovado constitui elementar da figura típica.
2.4 – NORMA PENAL EM BRANCO:
Art. 23. A classificação legal, técnica e geral bem como a definição das armas de fogo e demais produtos
controlados, de usos proibidos, restritos, permitidos ou obsoletos e de valor histórico serão disciplinadas
em ato do chefe do Poder Executivo Federal, mediante proposta do Comando do Exército.
O Estatuto do Desarmamento é classificado como norma penal em branco, pois exige da complementação
de outra norma para viabilizar sua perfeita adequação ao caso concreto.
Isso significa que no Estatuto do Desarmamento, embora haja uma descrição da conduta proibida, essa
descrição requer, obrigatoriamente, um complemento extraído de outro diploma - leis, decretos,
regulamentos etc - para que possam ser, efetivamente, entendidos os limites da proibição ou imposição
feitos pela lei penal, uma vez que, sem esse complemento, torna-se impossível a sua aplicação.
Em outras palavras, diz-se em branco a norma penal porque seu preceito primário não é completo. Assim,
os conceitos de arma de fogo, de arma de fogo de uso permitido, arma de fogo de uso restrito, acessório,
munição etc, que são essenciais para o devido reconhecimento do crime, foram definidos pelo Decreto
3.665/00 e pelo Decreto 5.123/04, normas, portanto, que complementam o Estatuto do Desarmamento.
Obs.: os dispositivos contidos no Decreto 3.665/00 e no Decreto 5.123/04 não precisam estudados para as
provas de concursos. O que se exige é saber, em essência, é que o Estatuto do Desarmamento é uma
norma penal em branco, e o complemento está contido nesses Decretos.
É o mesmo que ocorre com a Lei de Drogas (Lei 10.343/06), em que não está expressamente escrito em seu
texto quais são as substâncias consideradas entorpecentes ou aquelas que causem dependência física ou
psíquica que são de uso proibido. Por isso, para a devida aplicação da Lei de Drogas ao caso concreto,
precisamos complementá-la com a Portaria expedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA), autarquia vinculada ao Ministério da Saúde, que definiu quais as substâncias tidas como
entorpecentes, para fins de aplicação do mencionado artigo.
2.5 – OBJETO MATERIAL:
O Estatuto do Desamamento refere-se a diversos objetos matérias: armas de fogo, acessórios ou munições
de uso permitido ou restrito, bem como artefatos explosivos e incendiários.
Observe que o Estatuto equiparou a posse (art. 12) ou o porte (art. 14) de acessórios ou munição à arma de
fogo. Dessa forma, o sujeito que for detido transportando somente a munição de um armamento, será
responsabilizado criminalmente da mesma forma daquele que transportar uma arma de fogo municiada. O
mesmo raciocínio serve para o acessório de arma de fogo. Não parece ser a medida mais justa, pois a
munição ou acessório, sozinhos, isto é, desacompanhados da arma de fogo, não possuem qualquer grau de
ofensividade, contudo, foi o critério adotado pelo legislador, e devemos observar.

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Em termos genéricos, definimos como arma de fogo de uso permitido são as armas de fogo que podem ser
adquiridas, legalmente, por qualquer pessoa física ou jurídica, desde que preenchidos os requisitos legais;
arma de fogo de uso restrito são as armas de fogo que são de uso restrito das Forças Armadas e dos órgãos
que compõe a Segurança Pública.
Atente-se que a linha interpretativa do STF sobre o Estatuto do Desarmamento, em breve síntese, afirma
haver a configuração de crime em todas as situações que a arma de fogo seja hábil para arremessar
projeteis, ainda que sua utilização não possa ser de forma imediata, na medida em que o Estatuto do
Desarmamento considerou como crime a simples conduta de possuir ou portar munição e/ou acessório, ao
quais, isoladamente, ou seja, sem a arma, não possuem qualquer potencial ofensivo.
2.5.1

- Observações:

a) Arma de fogo absolutamente inapta a efetuar disparos: conforme o entendimento jurisprudencial, se a
arma de fogo apreendida for declarada absolutamente inapta para efetuar disparos, independentemente
do motivo, não será considerada arma de fogo para efeitos dos crimes previstos no Estatuto, equiparandose às armas obsoletas, já que não se enquadra na definição legal de arma de fogo, dada a inexistência de
potencialidade de disparar um projétil. Define-se, legalmente, arma de fogo como todo engenho mecânico
capaz de lançar projéteis a distância. Ora, se o engenho mecânico apreendido é absolutamente inapto a
efetuar disparos, ou seja, não funciona, não pode ser chamado de arma de fogo, logo não existe crime. Por
fim, diz-se, ainda, que a situação em que envolva arma de fogo absolutamente inapta para o uso,
enquadra-se na hipótese de crime impossível (art. 17 do Código Penal), não existindo, portanto, crime, nem
responsabilidade penal.
b) Arma de fogo descarregada e desmontada: mesmo sem a possibilidade de uso imediato, o
entendimento jurisprudencial afirma que se considera como objeto material hábil para a caracterização do
crime. Para o STF, caracteriza-se crime possuir ou portar arma de fogo, independentemente se o artefato
está ou não municiado ou, ainda, se está desmontado.
c) Arma de fogo de brinquedo, simulacro, réplica: Ao contrário do que estava estabelecido na Lei 9.437/97
(antigo Estatuto do Desarmamento), o novo Estatuto do Desarmamento deixou de tratar como crime a
conduta de utilizar arma de brinquedo, réplicas e simulacro de armas de fogo em qualquer circunstância,
ainda que ela seja capaz de atemorizar alguém, ou que seja utilizada para cometer crimes. A providência
estabelecida no Estatuto do Desarmamento foi vedar à fabricação, a venda, a comercialização e a
importação delas (art. 26 do Estatuto) sem que tais fatos constituam crime, ante a ausência de qualquer
disposição legal criminalizando.
Obs.: Como fica a questão do roubo praticado mediante o emprego de arma de brinquedo? Resposta: A
doutrina e a jurisprudência é bastante dividida nesse aspecto. Não há como afirmar com segurança. Uma
primeira corrente defende que o agente que cometer o crime de roubou mediante o emprego de arma de
brinquedo (bem como réplica ou simulacro) deverá responder pelo crime de roubo majorado pelo emprego
de arma de fogo (art. 157, §2º, inciso I do Código Penal). Uma segunda corrente doutrinária defende que o
agente deverá responder apenas pelo crime de roubo na forma simples (art. 157 do Código Penal). Nós
perfilhamos o entendimento defendido pela primeira corrente.
d) Munição absolutamente inapta para disparo: seguindo o mesmo raciocínio delineado no item “a”, ao
tratarmos sobre a arma de fogo absolutamente inapta para o disparo, a munição absolutamente inapta
para o disparo, ou seja, a munição que não funciona, não constitui crime o ato de possuir ou portar,
devendo ser reconhecida a situação de crime impossível (art. 17 do Código Penal)

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e) Arma branca, arma de arremesso e os gases tóxicos: por não se enquadrarem no conceito de arma de
fogo, definido pelo Decreto 5.123/04, possuir ou portar esses artefatos não constitui crime previsto no
Estatuto do Desarmamento, que só criminaliza a conduta de possuir ou portar arma de fogo.
Obs.: NECESSIDADE DE EXAME PERICIAL NA ARMA DE FOGO, MUNIÇÃO E ACESSÓRIO: Pelo exposto, para
se verificar se a arma de fogo, acessório ou munição apreendidos é hábil para a configuração dos crimes
previstos no Estatuto do Desarmamento, a submissão desses à perícia é de extrema importância.
2.5.2 – DEFINIÇÃO LEGAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO E MUNIÇÃO:
Apenas para fins ilustrativos e complementares, transcrevemos as definições legais desses objetos, que
foram definidos pela Decreto 3.665/00 e pelo Decreto 4.123/04. Vejamos:
a) Definição legal de arma de fogo: Art. 3º, inciso XIII, do Decreto 3.665/00: Arma que arremessa projéteis
empregando a força expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente confinado em uma
câmara que, normalmente, está solidária a um cano que tem a função de propiciar continuidade à
combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil;
b) Definição legal de arma de fogo de uso permitido: Art. 10, do Decreto 5.123/04: Arma de fogo de uso
permitido é aquela cuja utilização é autorizada a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas, de acordo
com as normas do Comando do Exército e nas condições previstas na Lei 10.826/03. Exemplos de armas de
fogo de uso permitido: Art. 17, do Decreto 3.665/00: São de uso permitido: I - armas de fogo curtas, de
repetição ou semi-automáticas, cuja munição comum tenha, na saída do cano, energia de até trezentas
libras-pé ou quatrocentos e sete Joules e suas munições, como por exemplo, os calibres .22 LR, .25 Auto,
.32 Auto, .32 S&W, .38 SPL e .380 Auto; II - armas de fogo longas raiadas, de repetição ou semiautomáticas, cuja munição comum tenha, na saída do cano, energia de até mil libras-pé ou mil trezentos e
cinqüenta e cinco Joules e suas munições, como por exemplo, os calibres .22 LR, .32-20, .38-40 e .44-40;III armas de fogo de alma lisa, de repetição ou semi-automáticas, calibre doze ou inferior, com comprimento
de cano igual ou maior do que vinte e quatro polegadas ou seiscentos e dez milímetros; as de menor
calibre, com qualquer comprimento de cano, e suas munições de uso permitido;
c) Definição legal de arma de fogo de uso restrito: Art. 11, do Decreto 5.123/04: Arma de fogo de uso
restrito é aquela de uso exclusivo das Forças Armadas, de instituições de segurança pública e de pessoas
físicas e jurídicas habilitadas, devidamente autorizadas pelo Comando do Exército, de acordo com
legislação específica. Exemplos de armas de fogo de uso restrito: Decreto 3.665/2000: Art. 16. São de uso
restrito:I - armas, munições, acessórios e equipamentos iguais ou que possuam alguma característica no
que diz respeito aos empregos tático, estratégico e técnico do material bélico usado pelas Forças Armadas
nacionais; II - armas, munições, acessórios e equipamentos que, não sendo iguais ou similares ao material
bélico usado pelas Forças Armadas nacionais, possuam características que só as tornem aptas para
emprego militar ou policial; III - armas de fogo curtas, cuja munição comum tenha, na saída do cano,
energia superior a (trezentas libras-pé ou quatrocentos e sete Joules e suas munições, como por exemplo,
os calibres .357 Magnum, 9 Luger, .38 Super Auto, .40 S&W, .44 SPL, .44 Magnum, .45 Colt e .45 Auto; IV armas de fogo longas raiadas, cuja munição comum tenha, na saída do cano, energia superior a mil libraspé ou mil trezentos e cinqüenta e cinco Joules e suas munições, como por exemplo, .22-250, .223
Remington, .243 Winchester, .270 Winchester, 7 Mauser, .30-06, .308 Winchester, 7,62 x 39, .357 Magnum,
.375 Winchester e .44 Magnum; V - armas de fogo automáticas de qualquer calibre; VI - armas de fogo de
alma lisa de calibre doze ou maior com comprimento de cano menor que vinte e quatro polegadas ou
seiscentos e dez milímetros;VII - armas de fogo de alma lisa de calibre superior ao doze e suas munições;VIII
- armas de pressão por ação de gás comprimido ou por ação de mola, com calibre superior a seis

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milímetros, que disparem projéteis de qualquer natureza;IX - armas de fogo dissimuladas, conceituadas
como tais os dispositivos com aparência de objetos inofensivos, mas que escondem uma arma, tais como
bengalas-pistola, canetas-revólver e semelhantes;X - arma a ar comprimido, simulacro do Fz 7,62mm,
M964, FAL; XI - armas e dispositivos que lancem agentes de guerra química ou gás agressivo e suas
munições;
d) Definição legal de acessório de arma de fogo: artefato que, acoplado a uma arma, possibilita a melhoria
do desempenho do atirador, a modificação de um efeito secundário do tiro ou a modificação do aspecto
visual da arma;
e) Definição legal de munição de arma de fogo: munição: artefato completo, pronto para carregamento e
disparo de uma arma, cujo efeito desejado pode ser: destruição, iluminação ou ocultamento do alvo; efeito
moral sobre pessoal; exercício; manejo; outros efeitos especiais;
3 - DOS CRIMES EM ESPÉCIES:
Antes de iniciarmos o estudo detalhado dos crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, é de extrema
importância diferenciar o conceito de posse e de porte de arma de fogo.
Conforme se extrai do Estatuto, o registro assegura o direito à posse da arma de fogo pelo interessado na
sua residência ou no seu local de trabalho. A ausência do registro torna a posse irregular, caracterizando a
figura criminosa do art. 12 (quando a posse irregular for de arma de fogo de uso permitido) ou do art. 15 ou
do art. 16 da Lei (quando a posse irregular for de arma de fogo de uso restrito).
A concessão de porte de arma de fogo, por sua vez, permite que o sujeito traga a arma de fogo consigo,
transportando de um lugar para outro, em locais e vias públicas. Assim, o porte ilegal de arma de fogo
previstos no art. 14 (quando o porte irregular for de arma de fogo de uso permitido) e no art. 16 (quando o
porte irregular for de arma de fogo de uso proibido) ocorrerá sempre que o indivíduo for flagrado portando
consigo uma arma de fogo, em locais ou vias públicas, sem possuir a devida autorização.
3.1 – PORTE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO:
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta,
ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou
empresa:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Considera-se crime a conduta do agente de possuir ou mantiver sob sua guarda arma de fogo, acessórios
ou munições, ilegalmente, no interior de sua residência ou dependência desta (p.ex.: quintal, garagem,
jardim, celeiro etc).
Também será considerado crime possuir sem registro a arma de fogo, o acessório ou a munição, no local de
trabalho do agente, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa.
Observe a condição estabelecida por lei de que a pessoa encontrada com a arma, para ser responsabilizada
pelo crime do artigo 12, deve ser aquela que detém a qualidade de titular ou de responsável legal da
empresa. Assim, se o agente que é flagrado com uma arma de fogo no local de trabalho, não possui a
qualidade de titular ou responsável legal da empresa, responderá pelo crime mais grave de porte ilegal de

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arma de fogo, previsto no artigo 14, e não pela mera posse. Por exemplo: o garçom que leva sua arma de
fogo sem registro e porte para o restaurante em que trabalha está cometendo o crime do artigo 14 – porte
ilegal de arma de fogo.
Em síntese: para que ocorra o crime do artigo 12, exige-se que a arma de fogo de uso permitido, o
acessório ou a munição, mantido ou possuído de forma ilegal, seja encontrado no interior da residência ou
dependência desta, ou, ainda, no local de trabalho, desde que esteja com o titular ou com o responsável
legal da empresa.
COMENTÁRIOS DOUTRINÁRIOS: a) Objetividade jurídica: os crimes em questão têm como objetividade
jurídica a incolumidade pública; b) Classificação: trata-se de crimes de mera conduta, comum, de ação
múltipla, e de perigo abstrato. Trata-se, ainda, de norma penal em branco, uma vez que a expressão "em
desacordo com determinação legal ou regulamentar" denota a necessidade de complementação do que
vem a ser arma de uso permitido; d) Objeto material: a arma de fogo, acessório ou munição, de uso
permitido; e) Sujeito ativo: trata-se de crime comum, assim o agente pode ser qualquer pessoa; e) Sujeito
passivo: o sujeito passivo é a coletividade; f) Consumação: o agente consuma o delito no momento em que
realiza um dos verbos do tipo penal em questão; g) Tentativa: não é possível, pois é caracterizado como
crime unisubsistente; h) Elemento subjetivo do tipo: é o dolo, que consiste na vontade livre e consciente do
agente em realizar as condutas descritas no tipo, abrangendo o conhecimento dos elementos normativos
do tipo.
3.2 – OMISSÃO DE CAUTELA:
Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou
pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja
de sua propriedade:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de
segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia
Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que
estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.
O artigo 13 do Estatuto traz duas figuras bem distintas de crimes envolvendo arma de fogo. No caput, há o
crime de omissão voltado para aquele deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que o menor
de 18 anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo, e no parágrafo único
há o crime de deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal o extravio de arma de
fogo, acessório ou munição.
Para a caracterização do crime previsto no artigo 13, caput, exige-se que a criança ou o portador de
deficiência mental se apodere de arma de fogo. Não se exige, portanto, que haja qualquer resultado lesivo
decorrente do apoderamento da arma de fogo.
Observe, ainda, que em nada é relevante para a caracterização do crime se a arma de fogo é ou não
regularizada, se está ou não municiada. Assim, para que ocorra a caracterização do crime, basta a presença
da omissão de cautela do dono da arma e que a criança ou o portador de deficiência mental se apodere da
arma de fogo, para que o crime esteja consumado.

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ATENÇÃO: O caput do artigo 13 descreve um crime de natureza culposa, na modalidade de negligência. Se
o apoderamento da arma de fogo pela criança ou o portador de deficiência mental se der pelo dolo do
proprietário da arma, ou seja, se havia intenção de que a criança efetivamente se apoderasse da arma, o
crime será o do artigo 16, inciso V do Estatuto. Exemplo: Se o pai da criança, que é policial, deixa sua arma
de fogo sobre a mesa de jantar, com a intenção consciente e deliberada de que seu filho, que é menor de
idade, venha a dela se apoderar, o pai estará cometendo o crime do artigo 16, inciso V do Estatuto.
Se a arma estiver carregada e disparar ferindo ou matando o menor, ou pessoa portadora de deficiência,
que se apoderou, o proprietário da arma que negligentemente se omitiu na cautela, responderá, em tese,
pelo crime de lesão corporal culposa ou de homicídio culposo, a depender do resultado. Trata-se do
princípio da consunção, ou seja, o crime mais grave absorve o menos grave. Caso contrário, se não houver a
prática de crime mais grave, o negligente responderá somente por esta infração.
É importante lembrar que continua parcialmente em vigor a norma contida no art. 19, §2º, alínea “c” da Lei
das Contravenções Penais. Ela prevê a contravenção de omitir as cautelas necessárias para impedir que o
alienado, menor de 18 anos ou pessoa inexperiente ao manejo se apodere de arma (de fogo ou branca) que
o agente tenha sob sua guarda. A pena, bem mais leve, é a de prisão simples de 15 dias a 3 meses ou multa.
Assim, será contravenção penal quando se tratar de arma branca ou de arremesso, ou quando se tratar de
arma de fogo apoderada por pessoa inexperiente em manejá-la, já que a nova Lei só menciona o menor de
18 anos e o alienado mental.
Por fim, como se observa, o artigo 13, caput, do Estatuto do Desarmamento, nada fala a respeito da
munição, nem do acessório, de forma que o apoderamento destes não configura crime. Contudo, quanto
ao apoderamento de munição por criança ou deficiente mental, haverá contravenção penal prevista no
artigo 19, §2º, alínea “c” da Lei das Contravenções Penais.
O parágrafo único do artigo 13 estabelece outra figura típica, qual seja, deixar de registrar ocorrência
policial e de comunica à Polícia Federal o extravio de arma de fogo, acessório ou munição. Trata-se de
figura penal equiparada ao caput, sujeita às mesmas penas, consistente em crime próprio de natureza
omissiva, o qual somente pode ser praticado pelo proprietário ou pelo direto responsável de empresa de
segurança e transporte de valores que deixarem de registrar a ocorrência policial e de comunicar à Polícia
Federal perda, furto, roubo ou qualquer outra forma de extravio de arma de fogo, acessório ou munição.
Para o aperfeiçoamento do crime do parágrafo único do artigo 13, é necessário que decorra 24 horas após
o extravio dos objetos acima listados, sem que a comunicação tenha sido feita. Ultrapassado esse prazo,
sem a tomada de qualquer providência estabelecida na lei, o crime estará consumado.
OBS.: COMUNICAÇÃO À POLÍCIA CIVIL – DESNECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO À POLICIAL FEDERAL: a
doutrina sustenta que o simples fato do proprietário ou o direto responsável pela empresa de segurança e
transporte de valores comunicar o extravio na Delegacia de Polícia Estadual, dentro do prazo de 24 horas,
basta para afastar a configuração do crime. Da mesma forma se proceder à comunicação do extravio
somente à Polícia Federal.
3.3 – PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO:
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

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Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver
registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112-1)
O porte consiste em o agente trazer consigo a arma, sem autorização e em desacordo com determinação
legal, em locais públicos ou vias públicas. Não se exige o contato físico direto entre a arma e a pessoa,
sendo suficiente a condição de uso imediato (por exemplo: no porta-luvas do veículo, debaixo do banco, na
cintura, no bolso, em capanga, presa ao tornozelo, no console do carro, no arreio de animal, dentro de uma
pasta etc.)
Na hipótese em que o indivíduo adquire, recebe, transporta ou oculta arma de fogo que se encontre em
situação ilegal ou irregular, comete o delito do artigo 14 do Estatuto. Não incide nesse caso o crime
previsto no artigo 180 do Código Penal, que trata da receptação, tendo em vista o princípio da
especialidade. Atenção para o fato de que se essas condutas forem praticadas no exercício da atividade
comercial ou industrial, o agente deverá responder pelo crime previsto no artigo 17 do Estatuto, cuja pena
é mais grave.
Quanto à conduta de “empregar”, descrito no artigo 14, esse verbo não abrange o disparo de arma de fogo,
já que essa conduta foi abarcada pelo artigo 15 do Estatuto. Assim, deve-se interpretar o emprego como
qualquer forma de utilização da arma, com exceção do disparo (por exemplo: a ameaça exercida com o
emprego de arma de fogo).
Aqui, mais uma vez, temos um tipo penal misto alternativo, pois é composto de várias condutas. Assim,
aquele que praticar mais de uma das condutas descritas no tipo penal, deverá responder por um único
crime.
Questão interessante: se o roubo cometido com emprego de arma de fogo, o indivíduo deverá responder
apenas pelo crime de roubo, já que o crime de porte ilegal de arma de fogo deve ser absolvido pelo
princípio da consunção.
3.4 – DISPARO DE ARMA DE FOGO:
Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via
pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável.
Trata-se de um crime subsidiário, ou seja, o agente só responderá por esse crime se o disparo não tenha
como finalidade a prática de outro crime. De acordo com o artigo 15, não se leva em conta a maior ou
menor gravidade da conduta para o fim de estabelecer qual crime deva prevalecer, mas somente a
finalidade perseguida pelo autor. Assim, um sujeito que efetua disparos de arma de fogo em direção à
vítima, com o fim de provocar-lhe lesões corporais de natureza leve, não deverá responder pelo crime de
disparo (que é mais grave), mas pela pelo crime de lesão corporal, previsto no artigo 129 do Código Penal
(cuja pena é bem mais branda).
Exemplo: se o indivíduo efetua disparos com a intenção de expor determinada pessoa a uma situação de
perigo direto e iminente, sendo essa sua finalidade, deverá responder pelo crime previsto no artigo 132 do
Código Penal (crime de periclitação da vida ou saúde de outrem).

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O crime de disparo de arma de fogo só pode ser cometido na forma dolosa. Nesse sentido, não se pune a
modalidade culposa, ante a falta de previsão legal expressa, sendo atípica o disparo acidental.
A tentativa é perfeitamente admissível. É o caso do disparo que falha, devido ao picote do projétil ou ao
agente ser impedido de puxar o gatilho no exato instante em que o faria.
O disparo em via pública absorve o crime de porte ilegal de arma de fogo (art. 14). Assim, aquele que
estava portando uma arma de fogo ilegalmente, efetua um disparo, responderá apenas pelo crime de
disparo de arma de fogo (art. 15).
Questão interessante quando o disparo é de arma de fogo de uso restrito ou proibido. É que a pena
prevista para o porte ou posse ilegal de arma de fogo de uso restrito (art. 16) é de 3 a 6 anos e multa. O
crime de disparo de arma de fogo, por sua vez, seja de uso permitido ou restrito, (art.15), tem pena de 2 a 4
anos e multa. Assim, seguindo o mesmo raciocínio, se o indivíduo porta ou possui arma de fogo de uso
restrito, e, além disso, efetua o disparo nas hipóteses descritas no artigo 15, deverá responder apenas por
este crime. Em resumo: é mais vantajoso disparar arma de fogo de uso restrito (que irá incorrer nas penas
do art. 15) do que apenas possuí-la ou portá-la.
Contudo, se possível identificar que a posse ou porte já se consumou em momento distinto ao do crime de
disparo, o indivíduo deverá responder em concurso material de crimes. Assim, se o sujeito perambula a
noite inteira pela cidade, portando ilegalmente arma de fogo, e, ao amanhecer, efetua disparos a esmo,
nesse caso, haverá concurso material do crime de porte mais o crime de disparo.
Esse tipo é denominado pela doutrina como tipo residual, ou seja, o agente só responderá por este crime
se do disparo de arma de fogo não resultar um crime mais grave. Assim, se do disparo de arma resultar
lesão corporal a outrem o infrator responderá pelo crime de lesão corporal culposa na modalidade de
imprudência, art. 129, § 6º do CP, punido com detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano.
Se o disparo resultar na morte da vítima, o infrator responderá por infração ao art. 121, § 3º do CP
(Homicídio culposo) punido com detenção de 1 (um) a 3 (três) anos, também na modalidade de
imprudência.
Se o agente disparar arma em local de grande afluência de pessoas e matar alguém, sem a intenção de
praticar aquela ação, responderá por infração do art. 121, “caput” do CP (Homicídio doloso) na modalidade
do dolo eventual porque neste caso assumiu o risco de produzir o resultado.
3.5 – POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO:
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório
ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
São as mesmas condutas descritas no artigo 14, incluindo, apenas, a conduta de possuir. Trata-se, no
mesmo sentido, de um tipo penal misto alternativo, no qual a realização de mais de uma conduta pelo
mesmo agente implicará sempre um único crime.

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As condutas consubstanciadas nos verbos adquirir, receber, ter em depósito, transportar, ou ocultar foram
também reproduzidas no art. 17 do Estatuto, que trata do crime de comércio ilegal de arma de fogo,
acessório ou munição. Sucede que no art. 17 as ações acima elencadas são praticadas no exercício de
atividade comercial ou industrial. Assim, o comerciante de armas que, recebe, adquire, tem em depósito,
transporta ou oculta, artefatos ilegais comete o crime do artigo 17. Já o indivíduo que recebe, adquire, tem
em depósito, transporta ou oculta, artefato de uso restrito, com o fim de mantê-la em casa, comete o
crime do artigo 16.
Obs.: LEGÍTIMA DEFESA E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO: a pessoa que repele injustra agressão, atual
ou iminente, contra si ou terceiro, usando moderadamente do meio necessário, mas se servindo de arma
de fogo que portava ilegalmente, responde pelo crime do art. 14 (caso a arma de fogo seja de uso
permitido) ou pelo crime do art. 16 (caso a arma de fogo seja de uso proibido). Situação diversa é a do
sujeito que, no exato instante em que sofre a agressão, arma-se e efetua o disparo, não respondendo por
qualquer crime, pela presença da legítima defesa que absolve.
Obs.: a alegação de que o agente portava arma devido ao medo de ser vítima de crimes, uma vez que é
obrigado a transitar por locais perigosos, não afasta a responsabilidade criminal.
Parágrafo único: Nas mesmas penas incorre quem:
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato;
O simples fato de o agente raspar o número, emblema ou qualquer sinal de identificação da arma para
torná-la irreconhecível caracteriza o crime doloso que se consuma de imediato, isto é, instantâneo. Pune-se
somente a modalidade dolosa. Se a supressão ocorrer por culpa, como na hipótese de o agente deixar o
revolver cair em um tonel de ácido, o fato será atípico, antes a falta de previsão expressa.
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso
proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial,
perito ou juiz;
Realmente a arma descaracterizada não oferece condições para exame pericial porque se torna difícil para
o perito identificá-la. Por isso é que a autoridade policial, o perito e o juiz serão induzidos a erro. O crime é
instantâneo, punido a título de dolo, não admitindo a modalidade de culpa.
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar;
Possuir e detiver são modalidades de crime permanente porque a ação se protrai no tempo. Fabricar e
empregar, caracterizam delito instantâneo porque se consuma de imediato. Se após fabricar o agente
mantém o artefato em depósito para uso futuro ou comercialização, desde que para isso não tenha licença
e autorização, torna-se-á em crime permanente enquanto o objeto estiver na posse do agente.
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer
outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado;
Aqui, diferentemente do inciso I, onde se pune a conduta de suprimir ou alterar marca, numeração ou
qualquer sinal de identificação, no inciso IV se pune aquele que porta, possui, adquire, transporta ou
fornece arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido
ou adulterado. Não importa se a arma é de uso permitido ou de uso restrito.

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V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou
explosivo a criança ou adolescente; e
VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou
explosivo.
As modalidades: possuir, deter, portar e ter em depósito, guardar e ocultar constituem crime permanente,
eis que a ação se permanece no tempo, só cessando quando o agente for preso e o objeto for apreendido.
As modalidades: adquirir, fornecer, receber, transportar e ceder, constituem crime instantâneo porque se
consumam de imediato.
3.6 – COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO:
Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,
remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma
de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em
residência.
Para que configure o crime do artigo 17, é necessário que as condutas descritas adquirir, alugar, receber,
transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à
venda, ou de qualquer forma utilizar) sejam praticadas no exercício da atividade comercial ou industrial, ou
seja, o sujeito ativo desse crime é apenas aquele que comercializa arma de fogo, acessório ou munição de
forma habitual.
Assim, aquele que vende uma arma para um amigo não responde pelo crime de comércio ilegal (art. 17),
pela ausência de habitualidade, mas, sim, pelo crime do artigo 14 (caso a arma de fogo seja de uso
permitido) ou do artigo 16 (caso a arma de fogo seja de uso restrito).
3.7 – TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO:
Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de
arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Aqui, diferentemente do artigo anterior, não se exige para a ocorrência do crime, que as condutas sejam
praticadas no exercício de atividade comercial ou industrial. Ainda que o agente traga para dentro do
território nacional uma única arma de fogo de uso permitido ou proibido, sem autorização da autoridade
competente, apenas para uso próprio, sem que haja qualquer nexo com o exercício de atividade comercial,
estará configurado o crime do artigo 18.
Obs: se o tráfico de arma de fogo, acessório ou munição for dentro do território nacional, ou seja, de um
Estado-membro para outro, por exemplo, traficante do Ceará que leva arma para o Rio Grande do Norte,
responderá pelo crime do artigo 17 do Estatuto (crime de comércio ilegal) e não o crime do artigo 18.
A competência para processar e julgar aquele que comete esse crime é da Justiça Federal.
3.8 – CAUSAS DE AUMENTO DE PENA:

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Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de fogo,
acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.
Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se forem
praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6 o, 7o e 8o desta Lei.
4 - TEMAS INTERESSANTES:
a) DIFERENÇA ENTRE A POSSE ILEGAL E O PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO:
Incorre em posse ilegal de arma de fogo aquele que possui arma no interior de sua residência, sem estar a
mesma registrada; em porte ilegal, aquele que, independentemente de possuir arma registrada, a retira de
sua residência para levá-la consigo, sem a autorização da autoridade competente. Esta última conduta é
prevista no artigo 14, que trata do porte ilegal de arma.
b) EXAME PERICIAL DA ARMA, MUNIÇÃO OU ACESSÓRIO APREENDIDO:
O entendimento majoritário é pela necessidade do exame pericial da arma de fogo, uma vez que compete à
autoridade policial informar acerca das características da arma, sua potencialidade lesiva e recenticidade
de disparos, para a devida adequação ao crime.
Pelas características da arma saberemos se ela é de uso proibido ou permitido. Potencialidade lesiva:
saberemos se ela está em funcionamento ou se é obsoleta. Recenticidade de disparo: saberemos se ela foi
utilizada para a configuração do delito autônomo de disparo de arma de fogo.
b) ARMA DESMUNICIADA:
2ª Turma do STF reafirma entendimento sobre porte de arma sem munição (28 de fevereiro de 2012)
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão desta terça-feira (28) o julgamento conjunto
de três Habeas Corpus (HCs 102087, 102826 e 103826) impetrados em favor de cidadãos que portavam armas de fogo
sem munição. Por maioria de votos, o colegiado entendeu que o fato de o armamento estar desmuniciado não
descaracteriza o crime previsto no artigo 14 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), que pune com pena de
reclusão de dois a quatro anos, além de multa, quem porta ilegalmente arma de fogo de uso permitido.

c) ANÁLISE DO CRIME DE QUADRILHA ARMADA E OS CRIME DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO:
O crime de quadrilha ou bando é previsto no artigo 288 do Código Penal, que prevê uma pena de reclusão de 01 (um) a
03 (três) anos, sendo que esta pena deve ser aplicada em dobro, em caso da quadrilha ser armada, a teor do que dispõe o
seu parágrafo único, o que resulta em uma pena de reclusão de 02 (dois) a 06 (seis) anos de reclusão.
O crime previsto no artigo 14 do Estatuto do Desarmamento prevê uma pena de reclusão de 02 (dois) a 04 (quatro) anos
e multa, em se tratando de arma de uso permitido e no artigo 16 de reclusão de 03 (três) a 06 (seis) anos e multa, em se
tratando de arma de uso proibido ou restrito ou com a numeração raspada (inciso IV).
É tranqüila a jurisprudência no sentido de que o crime de quadrilha ou bando é autônomo, de modo que deve ser sempre
considerado em concurso material com os outros crimes que venham a ser praticados pela quadrilha.
Assim sendo é perfeitamente possível o reconhecimento do concurso material de crimes entre a quadrilha ou bando e os
delitos previstos no Estatuto do Desarmamento. Contudo, para se evitar o "bis in idem", necessário será combinar o
crime de quadrilha simples com os crimes do Estatuto do desarmamento, de modo que o agente seja responsabilizado

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por infração ao artigo 288 "caput" c.c. o artigo 14 ou 16 do Estatuto, conforme o caso, na forma do artigo 69 do Código
Penal, reservando-se a hipótese do parágrafo único do artigo 288 do C.P. para os casos de arma branca.

5 – LISTA DE EXERCÍCIOS – ESTATUTO DO DESARMAMENTO:
01 – (VUNESP - 2012 - TJ-MG -Juiz) Com relação ao porte de arma de fogo em todo o território nacional,
podem portar arma de fogo os integrantes das:
I. guardas municipais das capitais dos Estados, independentemente da regulamentação da lei;
II. guardas municipais dos Municípios com mais de 300 mil habitantes;
III. guardas municipais dos Municípios com mais de 50 mil e menos de 500 mil habitantes, quando em
serviço;
IV. carreiras de auditoria da Receita Federal e de auditoria fiscal do Trabalho, cargos de auditor fiscal e
analista tributário.
Está correto apenas o contido em
a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV
d) I, II e IV.
02 – (CESPE - 2011 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz) A polícia rodoviária federal, em 20/5/2011, durante abordagem
de rotina dos motoristas na BR-101, nas proximidades de Campos dos Goytacazes – RJ, abordou o veículo
conduzido por Nicolas, maior, capaz, cidadão francês, que, acompanhado de Sandra, brasileira, maior,
solteira, apresentou, juntamente com os documentos do veículo, alugado, habilitação estrangeira, com
tradução juramentada, vencida havia poucos dias. O elevado grau de nervosismo de Nicolas motivou os
policiais a fazerem revista minuciosa no veículo, no qual encontraram seis fuzis, oito pistolas e 22 caixas de
munição, tudo de procedência estrangeira. Nicolas confessou que as buscara no Paraguai para revendê-las
no Rio de Janeiro ! RJ e argumentou que a companheira, que acreditava estar em viagem de turismo, nada
sabia sobre o comércio das armas. O francês foi preso em flagrante, e, na delegacia, constatou-se que era
reincidente: fora condenado no Brasil por tráfico internacional de drogas e porte de armas, e cumprira as
penas. Nicolas foi expulso do país em 10/10/2010, em cumprimento a decreto publicado em 2/9/2010.
Apurou-se, igualmente, que o estrangeiro regressara ao país em março de 2011, por meio da fronteira do
Paraguai, e passara a residir na cidade de Belford Roxo – RJ, com Sandra.
Com base na situação hipotética apresentada, assinale a opção correta.
a) A lei permite, para o tráfico internacional de armas, de forma diversa do que prevê para o tráfico de
drogas, o concurso material com o contrabando, o que enseja a extinção da punibilidade desse último,
mediante o pagamento do imposto devido, antes de oferecida a denúncia
b) Nicolas deve ser acusado, além de tráfico internacional de armas, da prática de crime de trânsito, por ter
conduzido veículo automotor com habilitação estrangeira vencida, o que pressupõe risco à incolumidade
pública, sendo este crime, de perigo abstrato, absorvido pelo de reingresso de estrangeiro expulso, ante o
princípio da consunção.
c) Por ser considerado meio para o tráfico internacional de armas, o crime de reingresso de estrangeiro
expulso, caracterizado como a entrada, no território nacional, de estrangeiro com armas de fogo e
munições, sem autorização da autoridade competente, reputa-se absorvido por aquele, incidindo o
princípio da absorção.

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d) Caso se demonstre, no processo, que Sandra tinha ciência do tráfico de armas e da condição irregular de
seu companheiro estrangeiro no país, ela deve ser responsabilizada, em concurso de pessoas, por todos os
crimes cometidos pelo réu, acrescidos do delito personalíssimo de ocultar estrangeiro irregular.
e) Constatando-se que as armas e as munições fossem de uso privativo das forças armadas e que seriam
destinadas à real ofensa da integridade física aos chefes dos poderes da União, estaria caracterizado crime
contra a segurança nacional, pelo princípio da especialidade.
03 – (UEG - NÚCLEO - 2008 - PC-GO - Delegado de Polícia) Zé Metralhador é parado em uma blitz policial
quando é flagrado transportando no porta-malas de seu veículo uma espingarda desmontada,
acondicionada em um saco plástico. A conduta de Zé Metralhador configura:
a) crime impossível por impropriedade absoluta do objeto.
b) crime impossível por inidoneidade absoluta do meio.
c) crime de porte de arma de fogo, previsto no art. 14 do Estatuto do Desarmamento (Lei n. 10.826, de 22
de dezembro de 2003).
d) crime de posse de arma de fogo, previsto no art. 12 do Estatuto do Desarmamento (Lei n. 10.826, de 22
de dezembro de 2003). Parte inferior do formulário

04 – (ND - 2007 - OAB-SC - Exame de Ordem) Assinale a alternativa correta:
a) “W”, com 43 (quarenta e três) anos de idade, é casado com “Y”, com 39 (trinta e nove) anos de idade.
“W” discute com “Y” no quarto do casal, em seguida vai até a garagem da casa onde mora o casal e de
posse de uma arma de fogo, que de acordo com o que determina o estatuto do desarmamento, fica
trancada em um armário na garagem, efetua vários disparos contra o carro de “Y”. Nessa situação “W”
poderá responder pelo delito de dano, pois está caracterizada a violência.
b) “A”, com 82 (oitenta e dois) anos de idade, mora sozinho desde que sua esposa faleceu. “B”, com 45
(quarenta e cinco) anos de idade, filho de “A”, diante da frágil saúde de seu pai, passa a apropriar-se da
pensão de “A”, deixando-o à própria sorte. “B” não pode ser penalizado, pois é isento de pena, conforme
determina o art. 181 do Código Penal.
c) Conforme o Código Penal, a defraudação de penhor ocorre quando qualquer pessoa defrauda, mediante
alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia quando tem a posse do
objeto empenhado.
d) Conforme o Código Penal, considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual, independente de ter provocado por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
05 – (FUMARC - 2011 - PM-MG - Oficial da Polícia Militar) O SINARM envolve todas as instituições do
Sistema de Segurança Pública, criando uma rede de competências e de responsabilidades. Dentre elas, é
fundamental saber que:
I. pelo sistema, as armas apreendidas junto a processos criminais e que não mais interessarem à Justiça, e
não forem restituídas aos seus reais proprietários, poderão ser encaminhadas pelo juiz como doação aos
órgãos de Segurança Pública.
II. o SINARM é responsável pelo controle dos acervos de armas das polícias do Brasil e integração dos
dados, sob controle do FUSP (Fundo Nacional de Segurança Pública).
III. o SINARM controla o uso de arma de fogo de empresas de segurança privada, que são de propriedade
exclusiva das empresas, sendo proibido que o profssional de segurança privada utilize armamento de
propriedade pessoal, ainda que regularizado junto à Polícia Federal, como instrumento de trabalho
essencial.

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Assinale a alternativa CORRETA.
a) As afrmativas I, II e III estão corretas.
b) As afrmativas I, II e III estão incorretas.
c) Apenas as afrmativas I e II estão corretas.
d) Apenas as afrmativas I e III estão corretas.
06 – (MPE-SP - 2011 - MPE-SP - Promotor de Justiça) No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a
natureza jurídica do fato de ser a arma ou munição de uso proibido ou restrito constitui:
a) circunstância agravante genérica.
b) circunstância judicial.
c) causa especial de aumento de pena.
d) circunstância qualificadora.
e) circunstância agravante específica.
07 – (FUNDEP - 2011 - MPE-MG - Promotor de Justiça) Zé Carabina possuía em sua casa um revólver calibre
38 registrado, embora não tivesse autorização para portar arma de fogo. Certo dia, após efetuar a
manutenção (limpeza etc.) da arma e municiá-la com (05) cinco cartuchos, deixou-a sobre a mesa da sala,
local onde passaram a brincar seus filhos e alguns colegas, todos menores, com idade média de 08 (oito)
anos. O filho mais velho, de 09 (nove) anos de idade, apoderou-se da arma e passou a apontá-la na direção
dos amigos, dizendo que era da polícia. Nesse momento, Zé Carabina ingressou na sala, tomando a arma do
filho e evitando o que poderia ser uma tragédia. Considerando a hipótese narrada, é CORRETO afirmar que
Zé Carabina praticou:
a) o crime de perigo para a vida ou saúde de outrem, porém com a atenuante do arrependimento eficaz.
b) o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
c) um crime omissivo próprio.
d) um fato atípico.
08 - (CESPE - 2008 - PC-TO - Delegado de Polícia) Considere a seguinte situação hipotética.
Alfredo, imputável, transportava em seu veículo um revólver de calibre 38, quando foi abordado em uma
operação policial de trânsito. A diligência policial resultou na localização da arma, desmuniciada, embaixo
do banco do motorista. Em um dos bolsos da mochila de Alfredo foram localizados 5 projéteis do mesmo
calibre. Indagado a respeito, Alfredo declarou não possuir autorização legal para o porte da arma nem o
respectivo certificado de registro. O fato foi apresentado à autoridade policial competente.
Nessa situação, caberá à autoridade somente a apreensão da arma e das munições e a imediata liberação
de Alfredo, visto que, estando o armamento desmuniciado, não se caracteriza o crime de porte ilegal de
arma de fogo.
a) Certo

b) Errado

09 – (PUC-PR - 2011 - TJ-RO – Juiz) Além das disposições expressas no Código Penal, existem inúmeras
legislações penais extravagantes, as quais disciplinam uma série de condutas delituosas e suas respectivas
sanções. A esse respeito, assinale a única alternativa CORRETA.
a) No crime de tráfico ilícito de substância entorpecente, previsto no artigo 33, caput da Lei nº.
11.343/2006, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja primário,
de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.

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b) A pena por crime previsto na Lei nº. 8.072/1990 será cumprida inicialmente em regime fechado, sendo
permitida a progressão de regime aos condenados reincidentes após o cumprimento de 2/5 da pena
aplicada.
c) Ao agente condenado com sentença transitada em julgado pela prática de crime de responsabilidade de
Prefeito Municipal não acarreta a perda de cargo e a inabilitação, pelo prazo de 5 (cinco) anos, para o
exercício de cargo ou função pública, eletivo ou de nomeação.
d) Comete o crime de disparo de arma de fogo (artigo 15 da Lei nº. 10.826/2003), o agente que disparar
arma de fogo ou aciona munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a
ela, independentemente dessa conduta ter como finalidade a prática de outro crime.
e) A conduta de omitir sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, nas
embalagens, nos invólucros, recipientes ou publicidades não constitui crime segundo disciplina a Lei nº.
8.078/1990.
10 - O entendimento, atualmente predominante, na jurisprudência, é de que o porte de arma
desmuniciada, ainda que sem munição ao alcance do agente, gera resultado típico, pois se trata de crime
de perigo abstrato.
a)Certo

b) Errado

11 – (IESES - 2008 - TJ-MA - Titular de Serviços de Notas e de Registros) É certo afirmar:
I. Os crimes contra a ordem econômica por apresentarem pena de multa alternativa, são considerados de
pequeno potencial lesivo.
II. O disparo de arma de fogo em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a
ela, constitui-se em contravenção penal.
III. Por se tratar o crime contra a ordem tributária de crime de conduta múltipla ou de conteúdo variado,
ainda que o agente pratique várias condutas delitivas, haverá um único crime, e não multiplicidade de
crimes.
IV. Tratando-se de menores, os crimes cometidos contra a criança e o adolescente previstos no seu
Estatuto (ECA), são de ação pública condicionada à representação.
Analisando as proposições, pode-se afirmar:
a) Somente as proposições I e IV estão corretas.
b) Somente as proposições II e IV estão corretas.
c) Somente as proposições I e III estão corretas.
d) Somente as proposições II e III estão corretas.
12 – (CESPE - 2007 - TJ-TO – Juiz) No que concerne às leis penais especiais, assinale a opção correta:
a) Na hipótese de ação praticada por organização criminosa, o acusado envolvido na ação será apenas
civilmente identificado e não deve ser submetido a identificação criminal, de acordo com direito garantido
em regra geral da Constituição Federal.

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b) Nos crimes contra as relações de consumo, previstos na Lei n.º 8.137/1990, não se admite a modalidade
culposa.
c) Segundo entendimento do STF, é inconstitucional a vedação de fiança, legalmente prevista, nos crimes
de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
d) Nos crimes contra a economia popular, a lei não admite a concessão de suspensão da pena quando o
crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções.

13 – (CESPE - 2008 - TJ-SE – Juiz) Com relação ao Estatuto do Desarmamento, Lei n.º 10.826/2003, assinale
a opção correta.
a) O agente que perambula de madrugada pelas ruas com uma arma de fogo de uso permitido, sem
autorização para portá-la, comete infração penal, independentemente de se comprovar que uma pessoa
determinada ficou exposta a uma situação de perigo.
b) Na hipótese de porte de arma absolutamente inapta a efetuar disparos, o fato é considerado típico,
porque se presume o risco em prol da coletividade, apesar de não haver exposição de alguém a uma
situação concreta de perigo.
c) O crime de deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor se apodere de arma de
fogo que esteja sob sua posse admite tentativa.
d) O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável e hediondo, sendo irrelevante o fato de a
arma de fogo estar registrada em nome do agente.
e) No crime de comércio ilegal de arma de fogo, a pena é aumentada se a arma de fogo, acessório ou
munição for de uso permitido.
14 – (MPE-SP - 2006 - MPE-SP - Promotor de Justiça) Em relação ao estatuto do desarmamento, Lei n.º
10.826/03, assinale a alternativa correta:
a) não prevê a criminalização da posse de arma de fogo de uso permitido, desde que no interior de
residência.
b) prevê a criminalização da posse irregular de arma de fogo em residência, desde que se trate de arma de
uso privativo das Forças Armadas.
c) equipara a conduta de porte de arma de fogo de uso restrito à de porte de arma de fogo de uso
permitido que tenha seus sinais identificadores suprimidos ou alterados.
d) o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é punível com penas mais graves que as cominadas para
a posse de munição destinada a arma de fogo de uso permitido.
e) pune mais severamente o tráfico internacional de armas de fogo que o comércio ilegal de armas de fogo.
15 – (EJEF - 2008 - TJ-MG – Juiz) Sobre as leis que regulam as armas de fogo no Brasil, é CORRETO afirmar:
a) Aquele que deixa de observar as cautelas necessárias e permite que menor de 18 (dezoito) anos se
apodere de arma de fogo de sua posse ou propriedade não pode ser punido, eis que os crimes previstos no
Estatuto do Desarmamento só admitem o dolo como elemento subjetivo do tipo.
b) O agente que mantém em sua residência arma de fogo de uso permitido, sem o devido registro em seu
nome, incorre no delito de porte ilegal de arma, previsto no art. 14 da Lei n. 10.826, de 22 dezembro de
2003..
c) A fim de verificar a classificação e a definição de armas de fogo, deve-se consultar a parte final do
Estatuto do Desarmamento, eis que, em suas Disposições Gerais, consta o rol de armamentos restritos,
permitidos e proibidos.
d) A lei expressamente consagra a proibição de porte de arma de fogo em todo o território nacional,
ressalvadas algumas hipóteses específicas, como os integrantes das Forças Armadas e as empresas de

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segurança privada e de transporte de valores, os quais poderão portar armas de fogo, desde que
obedecidos os requisitos legais e regulamentares.
16 – (MPE-SP - 2010 - MPE-SP - Promotor de Justiça) Assinale a alternativa correta:
a) constitui causa de aumento de pena, nos crimes de disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de
fogo, sua prática por parte de integrantes das empresas de segurança privada e de transporte de valores.
b) o crime de omissão de cautela (art. 13 da Lei nº 10.826/03 – Lei do Desarmamento) sujeita o autor às
penas de um a dois anos de detenção, na hipótese de deixar de observar as cautelas necessárias para
impedir que qualquer cidadão se apodere de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua
posse ou que sejam de sua propriedade.
c) o crime de posse irregular de arma de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/03) não distingue, no seu
apenamento, se a arma, acessório ou munição são de uso permitido ou restrito.
d) com o advento da Lei nº 10.826/03, a contravenção de porte ilegal de arma, prevista no art. 19 da Lei das
Contravenções Penais, passou a ter como objeto apenas munições em geral e armas brancas.
e) acionar munição em lugar habitado ou em via pública, desde que essa conduta não tenha como
finalidade a prática de outro crime, constitui a contravenção penal descrita no art. 28 da Lei das
Contravenções Penais. Parte inferior do formulário
17 - De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o simples fato de portar arma de fogo de
uso permitido com numeração raspada viola o previsto no art. 16, da Lei n.º 10.826/2003, por se tratar de
delito de mera conduta ou de perigo abstrato, cujo objeto imediato é a segurança coletiva.
a) Certo

b) Errado

18 – (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia – Específicos) As armas de fogo apreendidas após a
elaboração do laudo pericial e sua juntada aos autos, quando não mais interessarem à persecução penal,
serão encaminhadas pelo juiz competente à Secretaria de Segurança Pública do respectivo estado, no prazo
máximo de 48 horas, para destruição ou doação aos órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas, na
forma da lei.
a) Certo

b)Errado

19 – (TJ-DFT - 2007 - TJ-DF – Juiz) Assinale a alternativa correta:
a) Por ser mais benéfica ao sujeito, aplica-se a lei que vigorava ao tempo em que o mesmo mantinha dentro
de seu domicílio arma de fogo sem registro, se após a entrada em vigor da nova Lei n. 10.826/2003 o
mesmo continuou a mantê-la ilegalmente.
b) Com a entrada em vigor da Lei n. 10.826/2003, nem todos os delitos nela previstos tiveram eficácia no
prazo que a mesma fixou, ou seja, após cento e oitenta dias, pois dependiam de regulamentação. Em que
pese isso, ainda que não ocorrida aludida regulamentação, não se pode ter por presumida a ausência de
dolo, ou seja, a boa-fé, considerando-se a inexistência de fato típico, se o fato se deu antes do decurso do
citado prazo.
c) Considerando a reabertura, com o advento da Lei 10.826/2003, para a regularização ou destruição da
arma de fogo possuída ilegalmente, foram beneficiados pela abolitio criminis, em razão da aplicação
retroativa do estatuto, aqueles sujeitos que, na vigência da Lei n. 9.437/97, já tinham sido flagrados com a
arma de fogo sem registro e estavam sendo investigados em inquérito policial.
d) As condutas consistentes em possuir ou manter sob sua guarda acessório ou munição de uso permitido
não constituem novas figuras incriminadoras, de forma que a Lei n. 10.826/2003 não pode ser considerada
novatio legis incriminadora, podendo, portanto, retroagir para alcançar fatos ocorridos antes de sua
vigência.

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20 – (FCC - 2010 - MPE-RS - Secretário de Diligências) Em relação aos crimes previstos no Estatuto do
Desarmamento (Lei n° 10.826/2003), é INCORRETO afirmar que será
a) punido o comércio ilegal de arma de fogo, acessório ou munição.
b) punida a omissão de cautela.
c) punida a posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
d) punida a posse ou porte legal de arma de fogo de uso restrito.
e) punido o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
21 – (UPENET - 2010 - SERES-PE - Agente Penitenciário) Assinale a alternativa CORRETA.
a) O registro de arma de fogo e a expedição do porte de arma respectivo são de competência do Poder
Executivo estadual.
b) Segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso
permitido é afiançável pela Autoridade Judiciária.
c) O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido não se consome, se a arma estiver
desmuniciada.
d) O crime de omissão de cautela é de ação penal pública condicionada à representação do ofendido.
e) As alternativas "B" e "C" estão corretas.
22 – (CESPE - 2009 - PC-RN - Delegado de Polícia) Em 17/2/2005, Vitor foi surpreendido, em atitude
suspeita, dentro de um veículo estacionado na via pública, por policiais militares, que lograram êxito em
encontrar em poder do mesmo duas armas de fogo, sem autorização e em desacordo com determinação
legal, as quais eram de sua propriedade, sendo um revólver Taurus, calibre 38, com numeração de série
raspada, e uma garrucha, marca Rossi, calibre 22.
De acordo com a situação hipotética acima, com o Estatuto do Desarmamento e com a jurisprudência do
STF, assinale a opção correta.
a) Vitor praticou a conduta de portar arma de fogo com numeração suprimida.
b) A conduta de ser proprietário de arma de fogo não foi abolida, temporariamente, pelo Estatuto do
Desarmamento.
c) A posse pressupõe que a arma de fogo esteja fora da residência ou local de trabalho.
d) Vitor praticou a conduta de possuir arma de fogo.
e) A conduta de portar arma de fogo foi abolida, temporariamente, pelo Estatuto do Desarmamento.
23 – (VUNESP - 2010 - MPE-SP - Analista de Promotoria) Levando-se em consideração, exclusivamente, os
tipos penais da Lei n.º 10.826/03, conhecida como Estatuto do Desarmamento, aquele que é o responsável
legal pela empresa e, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, possui arma de fogo de uso
permitido no seu local de trabalho,
a) comete, em tese, o crime de omissão de cautela.
b) não comete crime algum, mas mera infração administrativa.
c) comete, em tese, o crime de posse ilegal de arma de fogo ou simulacro.
d) comete, em tese, o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
e) comete, em tese, o crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
24 – (CESPE - 2010 - MPE-ES - Promotor de Justiça) A respeito dos crimes de remoção ilegal de órgãos,
tecidos e partes do corpo humano, de lavagem de dinheiro, dos previstos na Lei do Porte de Armas e das
disposições penais sobre prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas, assinale
a opção correta.

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a) O instituto da delação premiada, previsto na lei que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para
a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas, possibilita ao juiz a faculdade de
reduzir a pena de um a dois terços, quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento
de infrações penais e a respectiva autoria.
b) A remoção post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo de pessoas não identificadas, mediante
autorização do membro do MP competente, é fato atípico.
c) Conforme a jurisprudência do STJ, o crime de lavagem de dinheiro pressupõe a ocorrência de crime
antecedente, que deve estar listado no rol meramente exemplificativo do art. 1.º da Lei n.º 9.613/1998.
d) Segundo a jurisprudência do STJ, diante da literalidade dos artigos da Lei n.º 10.826/2003, relativos ao
prazo legal para regularização do registro da arma, ocorreu abolitio criminis temporária em relação à posse
ilegal de armas de fogo, munição e artefatos explosivos, praticada dentro desse período.
e) Os delitos de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo são inafiançáveis,
salvo quando a arma estiver registrada em nome do agente.

25 – (CESPE - 2009 - PC-PB - Agente de Investigação e Agente de Polícia) A Lei n.º 10.826/2003 - Estatuto do
Desarmamento - determinou que os possuidores e os proprietários de armas de fogo não-registradas
deveriam, sob pena de responsabilidade penal, no prazo de 180 dias após a publicação da lei, solicitar o seu
registro, apresentando nota fiscal de compra ou a comprovação da origem lícita da posse ou entregá-las à
Polícia Federal. Houve a prorrogação do prazo por duas vezes - Lei n.º 10.884/2004 e Lei n.º 11.118/2005 até a edição da Lei n.º 11.191/2005, que estipulou o termo final para o dia 23/10/2005.
Assinale a opção correta acerca do estatuto mencionado no texto acima.
a) O porte consiste em manter no interior de residência, ou dependência desta, ou no local de trabalho a
arma de fogo.
b) A posse pressupõe que a arma de fogo esteja fora da residência ou do local de trabalho.
c) As condutas delituosas relacionadas ao porte e à posse de arma de fogo foram abarcadas pela
denominada abolitio criminis temporária, prevista na Lei n.º 10.826/2003.
d) O porte de arma, segundo o Estatuto do Desarmamento, pode ser concedido àqueles a quem a
instituição ou a corporação autorize a utilização em razão do exercício de sua atividade. Assim, um
delegado de polícia que esteja aposentado não tem direito ao porte de armas; o pretendido direito deve
ser pleiteado nos moldes previstos pela legislação para os particulares em geral.
e) A objetividade jurídica dos crimes de porte e posse de arma de fogo, tipificados na Lei n.º 10.826/2003,
restringe-se à incolumidade pessoal.
26 – (VUNESP - 2008 - DPE-MS - Defensor Público) Com relação aos crimes definidos na Lei n.º 10.826/03,
não admite a figura do artigo 14, II, do Código Penal, o de
a) omissão de cautela (art. 13, caput).
b) comércio ilegal de arma de fogo (art. 17, caput).
c) tráfico internacional de arma de fogo (art. 18).
d) produzir munição sem autorização legal (art. 16, parágrafo único, VI).
27 – (TJ-SC - 2009 - TJ-SC – Juiz) Assinale a alternativa correta:
a) Nos termos do § 1º do art. 19 da Lei n.º 11.340/06, as medidas protetivas de urgência poderão ser
concedidas de imediato, observada a prévia manifestação do representante do Ministério Público.
b) O ato de comercializar emblemas que utilizem a cruz suástica ou gamada, ainda que sem a finalidade de
divulgação do nazismo, constitui o crime previsto no art. 20, § 1º, da Lei n.º 7.716/89.

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c) Ceder, gratuitamente, arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, não tipifica a conduta penal de que trata o art. 14 do
Estatuto do Desarmamento.
d) O art. 28 da Lei n.º 10.826/03 veda, em qualquer hipótese, ao menor de 25 anos, a aquisição de arma de
fogo.
e) Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, segundo as disposições expressas
na Lei n.º 11.340/06, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, entre
as medidas protetivas de urgência, a de restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, nesta
hipótese ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar.
28 – (FUNRIO - 2009 - PRF - Policial Rodoviário Federal) Segundo os Princípios Básicos para utilização da
força e armas de fogo, adotado pela ONU em 07/07/1990, as normas e regulamentações relativas à
utilização de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem incluir diretrizes
que
a) especifiquem as circunstâncias nas quais os funcionários responsáveis pela aplicação da lei sejam
autorizados a transportar armas de fogo e prescrevam os tipos de armas de fogo e munições autorizados.
b) garantam que as armas de fogo e as armas não letais sejam utilizadas apenas nas circunstâncias
adequadas e de modo a reduzir ao mínimo o risco de danos inúteis.
c) diminuam a utilização de armas de fogo e de munições que provoquem lesões desnecessárias ou
representem um risco injustificado.
d) regulamentem o controle, armazenamento e distribuição de armas de fogo e prevejam nomeadamente
procedimentos de acordo com os quais os funcionários responsáveis pela aplicação da lei necessitem
prestar contas de todas as armas e munições que lhes sejam distribuídas, somente quando solicitados.
e) prevejam um sistema de relatórios de ocorrência, sempre que os funcionários responsáveis pela
aplicação da lei utilizem armas de fogo fora do exercício das suas funções.
GABARITO OFICIAL:
1–C
11 – C
21 – E

2–E
12 – C
22 – A

3–C
13 – A
23 – E

4–C
14 – D
24 – D

5–D
15 – D
25 – B

6–C
16 – A
26 – A

7–C
17 – A
27 - E

8–B
18 – B
28 – A

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9–A
19 – B

10 – A
20 – D