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A Indústria de Construção Naval e Offshore Aula 1

Histórico da Construção Naval
no Brasil
Marca Instituição Ensino

Introdução:
• Durante todo período colonial a manufatura no Brasil era quase inexistente, limitando-se a pequenas atividades de fabrico de alimentos e utensílios domésticos. Esta situação começou a se reverter somente com a chegada da Família Real e a abertura dos portos, ambas em 1808, que aceleraram a acumulação do capital mercantil nas principais cidades portuárias. Mesmo assim, as condições herdadas do passado, que eram sempre repostas, impediam de darmos saltos produtivos. • O aumento do fluxo mercantil nos portos brasileiros gerou demandas para realizarem consertos e manutenção nos navios que atracavam nos vários trapiches espalhados nas cidades portuárias. Esta nova situação exigiu mais esforços dos arsenais e possibilitou o surgimento de novos estaleiros para reparos e construção de navios.

Introdução:
• No início do século XIX, em Salvador, havia 42 pequenos estaleiros, e no Rio de Janeiro, ao longo da Rua da Saúde e na Prainha, 16 pequenos estaleiros, que além de fazerem reparos também construíam embarcações para atender as demandas locais.
• Com a Independência em 1822, a construção de navios para a Marinha tornou-se a atividade motriz da nascente indústria da construção naval, localizada no Rio de Janeiro, onde formou-se um aglomerado inter-relacionado de estaleiros navais. • No final dos anos de 1840, dos estaleiros localizados na Prainha havia dois tipos de estaleiros, o que fazia reparos, chamado de “estaleiro de fabrico”, e o de “construção de navios”.

Introdução:
• No entanto, o maior estaleiro fundado foi em Niterói, por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, no ano de 1846, o Estabelecimento de Fundição e Estaleiro Ponta da Areia, que se tornou num símbolo da “indústria nacional” no Império. • Ao longo dos trinta anos que Mauá esteve à frente do estaleiro, foram construídos 72 navios, sendo doze encomendados pela Marinha, empregando em torno de mil trabalhadores assalariados. • Ao lado do AMC (Arsenal de Marinha da Corte, atual AMRJ), o Estaleiro Ponta da Areia cumpriu o papel de “indústria motriz” de segunda ordem, no aglomerado de estaleiros localizado no Rio de Janeiro e Niterói durante o Segundo Reinado. Afinal, durante o Império, enquanto o AMC construiu 44 embarcações, o Estaleiro Ponta da Areia construiu 72.

01 12.867 2.612 2.205:935$350 3.70 5. .002:972$804 2.013:280$000 1.81 12.64 18.927:076$275 1.654 1.85 4.275 843 977 Construção naval 333 304 590 590 590 1.394 2.89 17.81 Número de “trabalhadores” no AMC/AMRJ e vinculados à Diretoria das Construções Navais e a participação no orçamento geral do Ministério da Marinha 1833-1920 Fonte: Brasil – Orçamentos das receitas e despesas do Império e do Ministério da Marinha.389 1.526 1.01 17.052:760$000 2.07 16.521:440$000 Participação sobre o total do Ministério da Marinha (em %) 19.26 11.119 1.944:888$975 2.190 2.088 1.34 18. vários anos.966 1.Introdução: Ano 1833 1847 1851 1859 1862 1867 1872 1877 1881 1885 1890 1903 1911 1916 1920 Total do Arsenal 1.26 6.053 903 996 515 441 300 400 Orçamento do AMC/AMRJ 301:199160 658:479$380 534:400$950 761:685$514 939:801$124 977:851$690 1.912:597$275 1.91 8.223:740$000 2.49 12.401 1.00 17.339 2.

química. centrado no processo de produção e distribuição dos complexos regionais.Introdução: • A construção naval brasileira nos primeiros anos da República enfrentou dificuldades estruturais. dada a incapacidade de o país incorporar os adventos da Segunda Revolução Industrial: aço. grande indústria pesada e capital financeiro. . O padrão de acumulação brasileiro era o capital agrário mercantil exportador. ambos inexistentes na incipiente indústria brasileira. • As bases da indústria naval sofreram mudanças radicais com a introdução do aço e de componentes elétricos.

. mas eram incapazes de dar saltos diante das dificuldades técnicas e financeiras da economia brasileira. como o de Felismino. O aumento da frota mercante nacional respondia positivamente nos estaleiros cariocas. os estaleiros situados na Saúde foram sendo deslocados para o bairro do Caju. Soares & Cia. por outro lado. Sociedade Anônima de Construções Navais e Vicente dos Santos Caneco.Introdução: • No Rio de Janeiro os pequenos e médios estaleiros ainda operavam. mas. na sua grande maioria. • Com a expansão urbana na capital da República. eram carentes de equipamentos pesados. e em Niterói ficaram concentrados na Ponta da Areia nas ruas Barão do Amazonas e Barão de Mauá. os navios não encontravam suporte técnico junto aos estaleiros que. com o aumento no volume de carga transportada.

localizado no Caju. o aglomerado começou a se concentrar em torno de estaleiros de maior porte. em 1905. A Companhia Comércio e Navegação. fundado em 1895. e fundou na Ponta da Areia o Estaleiro Mauá. .Introdução: • Mesmo com a presença de vários pequenos estaleiros na capital e em Niterói. localizado na Ilha do Viana. fundado em 1886. como o da Companhia Nacional de Navegação Costeira. • Outro destaque foi o estaleiro de Vicente dos Santos Caneco. adquiriu as antigas instalações do Barão de Mauá.

fundada em 1905. onde construiu o dique Lahmeyer. inaugurado em 1911. na época o maior da América Latina. Ocupando uma área de 24. O Estaleiro Mauá também foi um dos pilares da indústria da construção naval pesada pós-1960.000m². dispunha de equipamentos modernos para construção de embarcações.Introdução: • A Companhia Comércio e Navegação. adquiriu as instalações do antigo Estaleiro Mauá. .

000 32. Área disponível (m²) 226.800 2. p.000 15.100 12.500 3. 1927.141 333 150 200 661 444 Panorama geral dos principais estaleiros localizados no Rio de Janeiro e Niterói em 1927.000 350 2.600 Capital (contos de réis) 11.040 31.000 600 Trabalhadores 1.500 200 5. Lino Prado Peixoto & Cia SA Estaleiro Guanabara SA Construções Navais Fonte: FLEMING. S. 133.000 7.Introdução: Estaleiro Companhia Nacional de Navegação Costeira Lloyd Brasileiro Companhia Comércio e Navegação Vicente de Souza Caneco & Cia M.000 60. Nome da embarcação Presidente Wenceslau Barca Farol Bragança Rebocador Ipiranga Iate Tenente Rosa Barca de Vigia Sattamini Rebocador Mocanguê Deslocamento (t) 802 592 300 160 160 80 Base do casco Madeira Madeira Ferro Madeira Madeira Ferro Ano 1910 1918 1910 1908 Embarcações construídas pelo Estaleiro Vicente dos Santos Caneco & Cia até 1925 Fonte: Fleming. 1927 .000 133.600 39.

Introdução:

• Na década de 1930 ainda era impossível a construção naval pesada dar saltos no país, uma vez que grande parte da matériaprima e componentes eram importados. Num cálculo realizado por Branconnot em 1936, podemos ver a dimensão da “dependência” da indústria naval brasileira dos importados:
– – – – – – – Madeira: tudo nacional; Aço laminado: 90% importado; Aço e ferro fundido: tudo nacional, exceto as partes integrantes das máquinas; Bronze, ligas, tintas e vernizes: tudo nacional; Material para instalação elétrica: 20% importado; Máquinas: 80% importado Aparelhos e equipamentos: 90% importado

Introdução:

• O acelerado processo de industrialização pesada pós-1956 encarregou-se de eliminar estes gargalos para a formação de um parque industrial naval pesado. O aglomerado inter-relacionado de estaleiros navais, que havia arrefecido nas primeiras décadas do século XX, a partir do Plano de Metas, ganhou força e novas indústrias assumiram o comando do papel de indústria motriz.
Ano 1905 1910 1916 1920 1925 1930 1935 1940 Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro 29 67 57 98 92 82 74 81 Companhia Nacional de Navegação Costeira 18 20 21 22 24 25 Companhia Comércio e Navegação 11 13 19 19 16

Frota mercante da Companhia Comércio e Navegação e da Companhia Nacional de Navegação Costeira 1905-1927
Fonte: Relatórios do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, vários anos. Relatórios da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, vários anos.

Introdução:

• Com a criação, em 1941, do Conselho da Marinha Mercante (CMM), inaugurou-se um novo regime jurídico para a navegação garantindo à União o direito de explorar, conceder e autorizar os serviços da navegação, marítima, fluvial e lacustre, e consagrou a presença do Estado no setor. Essa participação ativa do Estado vinha seguindo uma trajetória ascendente desde a criação do Lloyd Brasileiro.

Introdução
• No período compreendido entre a criação da Comissão da Marinha Mercante (CMM) à criação do Fundo da Marinha Mercante (FMM), em 1958, paralelo à industrialização restringida, assistimos ao afastamento do Ministério da Marinha do setor, a deterioração da frota mercante e a instrumentalização política do setor, que culminou com a unificação dos objetivos da marinha mercante com os da construção naval.

381 de 24 de abril de 1958. depositadas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).Introdução: • A indústria da construção naval pesada foi instalada no Brasil no bojo do Plano de Metas. • O financiamento da Meta 28 foi possível mediante a aprovação da Lei 3. e do Estaleiro Verolme. de origem holandesa. Os recursos destas duas fontes arrecadadores. de origem japonesa. dentro da Meta 28 no governo JK. que arquitetou os planos de estímulo à construção naval. eram administrados pela Comissão da Marinha Mercante (CMM). a partir da vinda do Estaleiro Ishibrás. que criou o Fundo da Marinha Mercante (FMM) e a Taxa de Renovação da Marinha Mercante (TRMM). .

fundado em 1850. • Junto com as duas multinacionais também foram incluídos nos planos de estímulo à construção naval pesada o Estaleiro Só. sendo que o primeiro localizava-se no Rio Grande do Sul e os demais no Rio de Janeiro. ofertados pelas recéminauguradas siderúrgicas estatais e pela indústria eletro-metalmecânica. 1907. 1914. o Estaleiro Caneco. 1886. e o Estaleiro EMAQ. . Todos de capital nacional. o Estaleiro Mauá.Introdução: • Outro fator determinante foi a disponibilidade no mercado nacional de aço e componentes elétricos.

que por sua vez está condicionada ao fluxo mercantil gerado pelo sistema nacional de economia.Introdução: • O bom desempenho da indústria da construção naval está associado ao desenvolvimento da marinha mercante. Este foi o mecanismo. que possibilitou ao Brasil chegar aos anos de 1980 como umas das maiores potências da indústria naval do mundo. • O aumento na participação da frota mercante nacional no longo curso e a constante modernização da frota destinada à cabotagem rebatia no aumento das encomendas junto aos estaleiros. amparado pelas políticas públicas de proteção e financiamento. .

foram forjadas no século XIX e início do XX. iniciado em 1958. as condições materiais que possibilitaram ao país fazer esta escolha e dar saltos. até 1857. 72 navios. A fábrica representou a mais importante indústria pesada e de bens de capital no Brasil e na América Latina . construindo e reparando embarcações. adquirida pelo Barão de Mauá. empreendedores privados. assumiram iniciativas pioneiras e ousadas na navegação e na construção naval. O aglomerado de estaleiros navais presente desde o início do século XIX nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói.Introdução: • Porém. pequenas fundições e estaleiros. • Mauá e Lage. • Na Fábrica de Ponta d’Areia. criou um sistema propício para o fortalecimento e a integração inter-setorial entre estabelecimentos comerciais. foram construídos. em 1847.

máquinas ferramentas. usina termelétrica. . eletricidade. em 1956. na época o maior e mais bem equipado centro de construção e reparos navais em toda a América do Sul.Introdução: • Em 1917. fábricas de oxigênio e acetileno. • Somente. o problema marítimo foi devidamente atacado de maneira integrada com a Construção Naval e a Marinha Mercante inseridas em um plano estratégico nacional de desenvolvimento. inclusive com a provisão de recursos de sustentação. fundição. além de carreiras e diques secos para construção e reparos. foi instalado o Estaleiro da Ilha do Viana por Henrique Lage. com oficinas de processamento de chapas.

• Os objetivos específicos foram definidos pelo GEICON – Grupo Executivo da Indústria de Construção Naval para alavancar a implantação industrial dos estaleiros no País. . instituindo o Fundo de Marinha Mercante e a Taxa de Renovação da Marinha Mercante.Introdução: • O Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek contemplou entre outras: – Renovação da Marinha Mercante – Implantação da Construção Naval • Lei 3381.

• Simultaneamente. . em São Paulo. foram implantados os Cursos de Engenharia Naval na USP e na UFRJ. estabelecendo um grande diferencial em relação às tentativas anteriores de capacitação tecnológica. nos cursos em São Paulo e no Rio de Janeiro. atuando diretamente na implantação do curso de engenharia naval USP e na criação do tanque de provas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). da VEROLME . em 1956. • Houve grande empenho por parte da Marinha do Brasil.Introdução: • Foram aprovados pelo GEICON os projetos de instalação dos estaleiros da CCN. da ISHIBRÁS. do SÓ e do CANECO. dotando o país de centros de formação de recursos humanos. além de intensa colaboração de seus engenheiros navais. da EMAQ.

.Introdução: • Em março de 1963. foi fundada a SOBENA – Sociedade Brasileira de Engenharia Naval. • Em 1961 foram entregues os primeiros navios construídos dentro do Plano de Metas do Governo JK – o Ponta d’Areia pela CCN e o Volta Redonda pela ISHIBRÁS. iniciando a trajetória progressiva de capacitação tecnológica na construção e na concepção e elaboração de projeto. tendo como membros fundadores um grande contingente de engenheiros navais já formados no país.

nas atividades multidisciplinares do projeto. EMAQ. passaram a admitir engenheiros e técnicos formados no país. . CANECO e SÓ. as sociedades classificadoras. participaram Engenheiros Navais da Marinha e recém-formados das Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. da produção. além de engenheiros mecânicos e eletricistas. em função da demanda do novo mercado. da inspeção e do suprimento nos estaleiros CCN. os armadores e fabricantes.Introdução: • Nessa fase da construção naval brasileira. • Simultaneamente. VEROLME. também. ISHIBRÁS.

de comunicação.700 tpb de carga geral exportados para a TMM Transportacion Marítima Mexicana. inserindo a construção naval brasileira no mercado internacional e familiarizando-nos com fiscalização da construção por inspetores europeus a serviço dos armadores. • Alguns fatos relevantes: • 1964 . estrutural.Navios de 12. projetando-a no cenário técnico nacional e internacional. . propulsivo.Histórico da Construção Naval no Brasil • Sucessivos saltos tecnológicos proporcionados pelos desafios nos projetos sob aspectos como hidrodinâmico. de carregamento e de severas condições de segurança e de proteção ambiental conferiram à engenharia naval brasileira conceito e confiablilidade. de manobrabilidade.

visando principalmente a compatibilização dos padrões adotados pela origem de procedência de equipamentos e acessórios importados e os adotados por empresas nacionais e estrangeiras que se instalaram no Brasil. . • É projetado e construído pela ISHIBRAS para a MARINHA DO BRASIL o petroleiro de esquadra Marajó de 10. a ABNT instituí o CB 7 Comitê Brasileiro de Construção Naval.500 tpb. entregue pela ISHIBRÁS para a NORSUL. • Construção do primeiro conjunto empurrador-barcaça de longo curso. ensejando a familiarização de nossos engenheiros com os requisitos de navios militares e com a montagem e operação do complexo sistema de transferência de óleo no mar fornecido pela Marinha Americana.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1968 .Em sintonia com o empenho dos engenheiros dos estaleiros na padronização de componentes navais.

nessa época. é o primeiro estaleiro a utilizar programas de computador no projeto do navio. A EMAQ. viabilizando o empenho do Governo no posicionamento mais significativo de nossa marinha mercante nas conferências de frete. utilizando um computador IBM 1130 (na época. pelos estaleiros CCN. com a fantástica memória de 16 kbytes!).Construção de 24 navios de carga geral. do tipo liner de alta velocidade.Consciente da necessidade de desenvolver tecnologia própria a EMAQ cria o seu escritório de projetos. • 1970 . . a PROJEMAR. para que seja criado um núcleo de desenvolvimento e capacitação tecnológica do estaleiro.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1969 . ISHIBRÁS e VEROLME.

projeto SD-14. • 1973 . de produtividade industrial e de lucratividade . construído pela ISHIBRAS.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1971 .A EMAQ inicia a construção para o Lloyd Brasileiro do primeiro liner de 8000 TDW inteiramente projetado no Brasil pela PROJEMAR.500 / 15. a maior quantidade já comercializada por estaleiros nacionais.A CCN entrega o Serra Verde. sem nenhuma assistência técnica ou projeto básico estrangeiro. proporcionando condições excepcionais de eficiência gestora. A ISHITEC desenvolve no país o projeto do primeiro petroleiro de esquadra para a MARINHA DO BRASIL.000 tpb. primeiro de uma série de 42 cargueiros de 14.

Significativos investimentos foram realizados pelos estaleiros e indústria subsidiária. . • 1975 .Em plena vigência do 2º PCN e severa diligência do CDI – Conselho de Desenvolvimento Industrial.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1974 .272.380 tpb de navios contratados. • O CANECO constrói 2 navios frigoríficos de 10. incluindo parcela significativa para exportação. o índice de nacionalização na construção de navios superou a marca de 90%.O Brasil atinge o 2º lugar na estatística mundial com uma carteira de encomendas de 3.195 m³ de capacidade com equipamentos e porões frigorificados obedecendo padrões exigentes de precisão e isolamento.

SEMCO e SULZER. além do licenciamento para fabricação de motores diesel marítimos de última geração. passou a produzir caldeiras. • 1976 . em Varginha. CCN iniciou a produção de escotilhas e equipamentos de convés na CEC. LIPS e HELISTONE instalaram fábricas de hélices no Rio de Janeiro. ALFA LAVAL. CBC. em Niterói.Histórico da Construção Naval no Brasil • ISHIBRAS. e VILLARES ampliaram capacidade em Máquinas marítimas e na fabricação de eixos propulsores.A ISHIBRAS cria o Departamento dos Novos Projetos. . estimulando a fabricação de novos produtos e o aumento do índice de nacionalização de equipamentos. aumentaram a capacidade de fabricação e de nacionalização de purificadores e bombas de uso naval.

.Histórico da Construção Naval no Brasil • A EMAQ inicia a utilização de máquinas de oxi-corte de controle numérico utilizando sistemas de CAD/CAM totalmente desenvolvidos no Brasil pela PROJEMAR.

Histórico da Construção Naval no Brasil • 1978 . . a ISHIBRAS desenvolveu processo de one-side welding para chapas grossas. o CANECO instalou linha de panelização. • O VEROLME instalou um pórtico de 660 t.000 tpb para a DOCENAVE e para a PETROBRAS. instalou sistema de posicionamento para fabricação de perfilados de abas desiguais e implantou as unidades de trabalho móveis em substituição aos andaimes estáticos. O EMAQ instalou pórticos para movimentação de blocos.000 e 135. na ocasião. inserindo.Construídos uma série de minero-petroleiros de 130. o Brasil entre os poucos países capazes de construir navios de grande porte.

proporcionando ao engenheiro brasileiro a familiarização com mais uma alternativa de planejamento e de produção de navios.000 TPB “VARICARGO”. com o qual foram construídos três navios para armadores gregos. requerendo o aprendizado de segurança e severidade na tolerância de fabricação e montagem de equipamentos. em Itajaí SC. • Construídos 4 navios petroleiros VLCC – Very Large Crude Carriers de 277. sem nenhuma assistência técnica ou projeto básico estrangeiro.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1978 .O estaleiro EBIN adquiriu as instalações fabris do Estaleiro SÓ. para a PETROBRAS.000 tpb. o navio multipurpose de 18. acessórios e tubulação para vapor superaquecido. O estaleiro CORENA. de Porto Alegre RS. . com particularidade de propulsão por turbina a vapor. O estaleiro CANECO inicia o seu primeiro projeto totalmente desenvolvido no Brasil. adotou o sistema “synchro-lift” de movimentação de blocos e lançamento.

em parte restringida pelo problema logístico de transporte ferroviário. As usinas siderúrgicas passaram a laminar chapas de aço de maiores dimensões. totalizando 1. .980 tpb no ano.Entrega recorde de navios pelos estaleiros brasileiros.394. registrando o avançado estágio de projeto. em sincronia com as etapas de aquisição e de produção alcançadas.Histórico da Construção Naval no Brasil • Normas administrativas e sistemas de controle e de segurança no trabalho foram adequadas ao efeito de escala dimensional. • 1979 .

3 navios de carga geral PRI 121 de 14500/14.600 tpb. trading da Petrobrás.500 tpb. para a exportação de uma série desses navios para a PDVSA. Construção do petroleiro Aframax de 80. CCN entrega. de uma série de 3 exportados pela ISHIBRAS e o projeto aprovado para a construção da série Bicas de 3 petroleiros Aframax de 83. o Prêmio Tecnologia pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo como reconhecimento pelo pioneirismo no desenvolvimento e na aplicação de sistemas CAD-CAM na indústria nacional.900 tpb e 5 de projeto SD 14. O mesmo projeto foi negociado pela INTERBRÁS.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1980 . no ano. 13 navios: 6 graneleiros projeto PRI 26/15 de 26. • • .EMAQ recebe o maior prêmio de tecnologia daquela época no Brasil. Brazil Glory.300 tpb para a PETROBRAS.

Histórico da Construção Naval no Brasil • 1983 . .000 tpb Docefjord e o Tijuca pela ISHIBRÁS para a WILSEA – joint-venture WILLIAMSEN (Noruega) e SEAMAR – braço internacional da DOCENAVE. desenvolvidos pela PROJEMAR. • 1986 .Construídos os míneropetroleiros ULOO . comprovando o alto nível da tecnologia de projeto naval desenvolvida no Brasil.EMAQ vence concorrência internacional e exporta sistema de CAD/CAM para processamento de aço.Ultra Large Ore-Oil de 305.

000 tpb.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1991 .O estaleiro CANECO entrega o Intrépido navio de 17. • 1991 .A ISHIBRAS constrói o petroleiro de esquadra Gastão Moutinho de 6.160 TPB para a MARINHA DO BRASIL. o primeiro Ro-Ro/Lo-Lo construído no país. Este navio foi considerado como um dos “Significant Ships” de 1991 pelo “Royal Institution of Naval Architects (UK)”. já com a experiência adquirida no Marajó. para a TRANSROLL. .

Histórico da Construção Naval no Brasil • 1992 . sistema de “loadout” e dique flutuante com controle de lastro computarizado.Construídas as corvetas Júlio de Noronha e Frontin com projeto básico desenvolvido pela Diretoria de Engenharia Naval da MARINHA DO BRASIL. familiarizando a nossa engenharia com os severos requisitos e duplicidade de sistemas exigidos nos navios militares. . • O estaleiro VEROLME para capacitarse à construção dessas corvetas investiu em um estaleiro militar com ponte rolante de 50 t.

considerados como um dos “Significant Ships” de 1992 pelo “Royal Institution of Naval Architects (UK)”. dimensionamento para alta concentração de carga e amplo vão livre constituíram-se.600 tpb pela EMAQ para a TRANSROLL. . • A instalação de rampas de acesso e bow thruster. com projeto PROJEMAR. entre outros. em altos desafios de projeto e de produção.Histórico da Construção Naval no Brasil • 1992 .Construídos os navios Ro-Ro/Lo-Lo Betelgeuse e o Belatrix de 33.

Histórico da Construção Naval no Brasil • Entregue o navio petroleiro Suezmax James N. confiabilidade e qualidade de nossos projetos foi a reversão da escolha pelo armador HAMBURG-SUD do projeto de graneleiro Panamax da BURMEISTER & WAIN. • . pelo projeto brasileiro da PROJEMAR. moderno.Evidência da atualidade. em destaque na mídia internacional. o primeiro de uma série de oito navios exportados para a CHEVRON CORP. Sullivan. mais atual. 1994 . econômico e eficiente para as exigências severas do cliente alemão.

FROTABELEM. FROTASANTOS. .O navio container de 1250 TEU. com projeto PROJEMAR. • 1996 . foi considerado como um dos “Significant Ships” de 1996 pelo “Royal Institution of Naval Architects (UK)” e como um dos “Great Ships” de 1996 pela conceituada revista especializada americana “Maritime Report and Engineering News”.Histórico da Construção Naval no Brasil • O navio multipurpose container de 660 TEU. construído pela EMAQ para a FROTA AMAZÔNICA é considerado como um dos “Significant Ships” de 1994 pelo “Royal Institution of Naval Architects ”. construído pela VEROLME para a FROTA OCEÂNICA.

iniciando uma série de conjuntos integrados empurrador-barcaça para o transporte oceânico de madeira. construído pelo estaleiro ITAJAÍ. de celulose e de bobinas de aço.000 kw e a barcaça Norsul II de 5.200 tpb.Histórico da Construção Naval no Brasil • 2000 . destinado ao transporte de etileno a -104ºC. incorporando tecnologia e processos de fabricação e montagem com a participação efetiva de nossos engenheiros e técnicos. • 2003 .Construído pelo estaleiro EISA para a NORSUL o empurrador Norsul Caravelas de 4. com projeto da PROJEMAR. primeiro navio para transporte de gás liquefeito construído no Brasil. .É entregue o Metaltanque III.

O acoplamento para empurradorbarcaça requer severo controle de qualidade e precisão de montagem e enseja a familiarização com o sistema operacional conjugado.Histórico da Construção Naval no Brasil • O projeto totalmente desenvolvido no Brasil pela PROJEMAR incorpora diversos aperfeiçoamentos e recursos para a barcaça. . como bow thruster.

(Eisa) (RJ): 4 Panamax. Preço global: US$ 1. Preço global: US$ 277 milhões . Preço global: US$ 693 milhões Estaleiro Ilha S. pelas empresas ganhadoras do processo licitatório: – – – – Estaleiro Atlântico Sul (PE): 10 Suezmax. O Plano foi dividido em duas fases: • Promef 1 .A. O programa revitaliza a indústria naval. Ao assegurar sustentabilidade para o setor. o Promef faz o Brasil retomar o seu papel de player mundial na construção de navios de grande porte.2 bilhão Estaleiro Atlântico Sul (PE): 5 Aframax. tornando os estaleiros brasileiros internacionalmente competitivos.Histórico da Construção Naval no Brasil • O Promef foi lançado em 2004. Preço global: US$ 468 milhões Estaleiro Mauá (RJ): 4 de Produtos.Na primeira fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota estão sendo construídos os seguintes navios.

Preço global: US$ 536 milhões Estaleiro Superpesa (RJ): 3 navios de Bunker . Preço global: US$ 477 milhões Estaleiro Promar (PE): 8 navios Gaseiros .Histórico da Construção Naval no Brasil • Promef 2 .5 milhões . pelas empresas ganhadoras do processo licitatório: – – – – Estaleiro Atlântico Sul (PE): 4 Suezmax DP (Aliviadores de Posicionamento Dinâmico). Preço global: US$ 746 milhões Estaleiro Atlântico Sul (PE): 5 Aframax DP (Aliviadores de Posicionamento Dinâmico).Na segunda fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota serão construídos os seguintes navios. Preço global: US$ 46.

.Histórico da Construção Naval no Brasil • Em 2010. Para 2011. sendo um construído no estado de Pernambuco e dois no Rio de Janeiro. foram lançados três navios. Batizados com nomes relevantes da história brasileira. está prevista a entrega de cinco navios e o lançamento ao mar de outros seis para acabamentos finais. as embarcações homenagearam João Cândido. Celso Furtado e Sérgio Buarque de Holanda.

nossas universidades. o novo e promissor mercado offshore atraiu os estaleiros JURONG e KEPPEL FELS. em Niterói. estenderam a abrangência de seu currículo à engenharia oceânica e. que se instalaram nos canteiros do MAUÁ. plataformas semisubmersíveis e outras estruturas fixas e móveis para exploração e produção de petróleo em águas rasas e profundas. em Angra dos Reis. e da IVI. consolidada nos projetos e na construção de navios mercantes de vários tipos. posteriormente. ampliou com mérito seu universo de atuação no projeto e construção de plataformas auto-eleváveis marítimas para a construção civil e para offshore. ambos de Cingapura. barcos de apoio para serviços no mar. . • Em comportamento idêntico ao da construção naval.Histórico da Construção Offshore no Brasil • A engenharia naval brasileira. também.

segundo projeto IHC.Entregue o primeiro de uma série de 8 plataformas auto-eleváveis. 3 plataformas flutuantes auto-eleváveis operadas pela ECEX na construção da ponte Presidente Costa e Silva. • .A ISHIBRÁS constrói. simultaneamente.Histórico da Construção Offshore no Brasil • • Fatos relevantes: 1972 . 1982 . 6 construídas pelo VEROLME dos quais 2 para PETROBRAS e 4 exportados para ARAMCO e 2 construídas pela ISHIBRAS para MONTREAL e para PETROBRAS com transferência de tecnologia pela LEVINGSTON dos EUA. em seu dique seco.

Histórico da Construção Offshore no Brasil • 1997 .Entra em operação na Bacia de Campos a FPU P-19 com o primeiro sistema de ancoragem no mundo utilizando cabos de poliéster e configuração “taut-leg”. PETROBRAS-19 . em 800 m de lâmina d’água.

• 2000 .Entra em operação na Bacia de Campos o FPSO P-37 com o maior sistema de ancoragem do tipo “turret” já construído no mundo (44 risers). . que bateu naquela época o recorde de lamina d’água (840 m) com o maior sistema de ancoragem do tipo “turret” instalado no mundo (34 risers).Histórico da Construção Offshore no Brasil • 1997 . apesar de ser o primeiro FPSO com “turret” interno a ser instalado no Brasil.Entra em operação na Bacia de Campos o FPSO P-34.

000 t).Entra em operação na Bacia de Campos a FPU P-40. que nessa época bateu o recorde mundial de lamina d’água para uma plataforma semisubmersível (1.Histórico da Construção Offshore no Brasil • 2001 . . • O transporte da FPU P-40 de Cingapura para o Brasil foi naquela época a maior operação de “dry-tow” realizada no mundo (42.080 m).

em uma profundidade de 1200 metros e com estimados 1500 toneladas de óleo ainda a bordo.Histórico da Construção Offshore no Brasil • No dia 15 de março de 2001 ocorreu o pior acidente da história da Petrobrás que culminou com o óbito de onze trabalhadores e com o afundamento da plataforma P-36. no dia no dia 20 de março. Acidente da Plataforma P-36 .

• A concepção do Sistema Híbrido de Ancoragem (HYPO) é apresentada na “Deep Offshore Technology Conference” pela PROJEMAR. a primeira instalação de um sistema de ancoragem do tipo DICAS em unidade de produção permanente (820 m).Histórico da Construção Offshore no Brasil • 2004 . FPSO PETROBRAS-43 .Entra em operação na Bacia de Campos o FPSO P43.

pertencente à frota da Petrobras. FPSO PETROBRAS-54 . a P-54 tem capacidade para comprimir 6 milhões de metros cúbicos por dia de gás e estocar até 2 milhões de barris de óleo. esta última construída a partir da conversão do navio Barão de Mauá.Entram em operação a P-52 e a P54.Histórico da Construção Offshore no Brasil • 2007 .

Elaboração do projeto básico FEED – Front End Engineering Design da plataforma P-57.Centro de Pesquisas da Petrobrás e das empresas brasileiras CHEMTECH e KROMAV e a norueguesa AKER KVAERNER. FPSO PETROBRAS-57 . estocagem. Entrou em operação em 2010. Cerca de 100 profissionais do CENPES . processamento e transbordo de petróleo no mundo.Histórico da Construção Offshore no Brasil • 2006 . • Desenvolvem projeto pioneiro de uma das maiores FPSOs –unidades flutuantes de produção. através de sua divisão brasileira AKER KVAERNER ENGINEERING & TECHNOLOGY BRASIL.

FPSO PETROBRAS-53 .Histórico da Construção Offshore no Brasil • 2009 – Entra em operação a FPU P53. na Bacia de Campos. utilizando pela primeira vez o conceito do sistema de ancoragem do tipo “Very Large Turret” (75 risers).

como a P-58 e P-62.Histórico da Construção Offshore no Brasil • 2010 – Entra em operação a P-57. FPSO PETROBRAS-57 . Essa unidade inaugura uma nova geração de plataformas. concebidas e montadas a partir do conceito de engenharia que privilegia a simplificação de projetos e a padronização de equipamentos. constrída pela Brasfels. Um modelo que será referência para as futuras plataformas da Petrobras.

construída pela Brasfels . construído pelo EAS que irá receber os módulos do convés no Rio Grande – RS e da P56.Histórico da Construção Offshore no Brasil • 2011 – Entrega do Casco da P-55.

FIM • Obrigado .

A Indústria de Construção Naval e Offshore Aula 2 A Construção Naval Como Atividade Econômica Marca Instituição Ensino .

Construção Naval como Atividade Econômica Fonte: Ref.1 .

• Os mecanismos de proteção e incentivo introduzidos na ocasião foram bem sucedidos.7 para 9.Construção Naval como Atividade Econômica • A indústria naval brasileira moderna foi implantada no final da década de 60.2 milhões de tpb. entre 1969 e 1984. no contexto de uma política governamental para os setores de construção naval e marinha mercante extremamente abrangente e bem articulada. . de modo que o Brasil apareceu como o segundo produtor mundial em 1979. A produção de navios expandiu-se rapidamente. A frota mercante sob bandeira brasileira passou de 1.

e devido à crise que afetou o conjunto da economia nacional. devido às mudanças na indústria marítima mundial. A frota declinou até atingir o patamar de 4. os cinco estaleiros nacionais capazes de produzir navios oceânicos. . ambos os setores entraram em um longo período de declínio. estavam fechados.Construção Naval como Atividade Econômica • A partir de meados da década de 80.7 milhões de tpb em 2007. No final da década de 90.

097 13. devido ao grande crescimento da exploração e produção de petróleo offshore no país.206 5.330 12. . a indústria naval brasileira iniciou um processo de recuperação.885 14. A mobilização para a retomada do desenvolvimento da indústria naval nacional tem sido muito estimulada pela conjuntura extremamente favorável do mercado mundial.562 • A partir do início da década atual.700 9.225 12.Construção Naval como Atividade Econômica ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 NAVIOS LANÇADOS 03 07 08 10 10 04 01 NAVIOS ENTREGUES 08 05 07 12 11 07 05 NAVIOS EXPORTADOS 01 02 02 02 02 03 00 EMPREGADOS 13.

Construção Naval como Atividade Econômica .

Construção Naval como Atividade Econômica • Os desembolsos anuais do FMM cobrem 90% dos empréstimos para construção de navios. definido em legislação e regulamentado para o financiamento da construção naval. do Ministério dos Transportes. • O FMM está em vigor desde 1958. • O FMM é um fundo público. .

Construção Naval como Atividade Econômica • Distribuição Regional da produção e do Emprego .

Construção Naval como Atividade Econômica • Distribuição Regional da produção e do Emprego .

Construção Naval como Atividade Econômica .

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2 milhões de TPB em carteira de pedidos. 30 navios-sonda contratados. 11 novos estaleiros em construção. 6.000 trabalhadores empregados. .Construção Naval como Atividade Econômica • Situação Atual • • • • • • • Estaleiros brasileiros – ambiente de negócios: 47 estaleiros. 18 plataformas offshore em construção. 59.

. 50 sondas de perfuração. 500 embarcações offshore. • • • • • Demanda para os próximos 10 anos (até 2020): 50 plataformas de produção.2015: • US$ 127. 130 petroleiros.Construção Naval como Atividade Econômica • Situação Atual • Petrobras Business Plan 2011.5 bilhões em E & P.

Construção Naval como Atividade Econômica .

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IPT. USP e Transpetro). • Criação da Rede de Inovação para Competitividade da Indústria Naval e Offshore (RICINO). compostos pela Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena). o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Sindarma) e o Centro de Excelência em Engenharia Naval e Oceânica (Ceeno – Coppe/UFRJ. .Construção Naval como Atividade Econômica • Desenvolvimento de tecnologia para a construção naval através de programas do Ministério de Ciência e Tecnologia.

. de 25/9/2008. através do Decreto nº 6. e Lei nº 11.774. de 17/9/2008. de 19/12/2008. que trata da desoneração do IPI para o fornecimento de materiais para a construção naval.Construção Naval como Atividade Econômica • Desoneração fiscal nos fornecimentos para a construção naval.786. de 13/10/2009.704.058. com destinação de R$ 5 bilhões para formação do patrimônio do Fundo. Retira a cobrança de imposto de renda das aplicações financeiras para manutenção do Fundo. complementada pela Lei nº 12. • Criação do FGCN – Fundo Garantidor da Construção Naval pela Lei nº 11. que trata da redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre equipamentos destinados à construção naval.

. no valor de R$ 8. nas unidades de treinamento dos estaleiros e através do Plano Nacional de Qualificação Profissional do Prominp que formou.Construção Naval como Atividade Econômica • De 2000 a 2009 os estaleiros entregaram 168 navios.9 bilhões. Essa expansão ocorreu de forma planejada. até hoje. cerca de 50 mil pessoas. com formação de recursos humanos.

• 3. Navios de apoio marítimo – com encomendas de 146 unidades de diversos tipos. . Promef – programa de renovação da frota de petroleiros da Transpetro em andamento com 49 navios contratados. Apoio portuário – construção de rebocadores para manobras de atracamento de navios nos portos e terminais privados.Construção Naval como Atividade Econômica • A indústria de construção naval brasileira trabalha atualmente com encomendas de sete áreas principais: • 1. • 2. São os navios que operam no suprimento e apoio às operações de exploração e produção de petróleo em alto-mar.

em andamento. Em construção três plataformas de produção de petróleo. • 5. está construindo cinco navios porta-contêineres e dois navios graneleiros. com seleção pela Petrobras dos armadores que irão oferecer navios petroleiros para afretamento. construindo em estaleiros locais. oito cascos de navios plataformas (FPSO) e 28 sondas de perfuração. . Navios para transporte de cabotagem – o operador de transporte marítimo Log In. EBN – programa Empresa Brasileira de Navegação.Construção Naval como Atividade Econômica • 4. • 6. uma empresa brasileira que tem a Vale como principal acionista. Plataformas e sondas – programa em andamento.

Participação da indústria de construção naval por segmento: • Apoio marítimo • Os navios de apoio marítimo. principalmente em estaleiros da região Norte do país. A construção desses navios marcou o início da recuperação da indústria de construção naval brasileira • . representam cerca de 50% da frota total de 260 navios de apoio marítimo em operação no Brasil. construídos no Brasil desde 1999. lagoas e baías já foram entregues.Construção Naval como Atividade Econômica • 7. Outros 63 empreendimentos estão em construção. Navegação fluvial e interior – 27 comboios e navios de transporte de passageiros em rios. contratados pela Petrobras e petroleiras internacionais.

. Os primeiros navios. o “Celso Furtado” e o “Sergio Buarque” (Mauá). os petroleiros foram lançados ao mar em 2010: “João Candido” (EAS). Viabilizaram a construção do mais moderno estaleiro de Hemisfério Sul.Construção Naval como Atividade Econômica • Navios petroleiros • As encomendas de navios petroleiros da Transpetro marcaram o retorno à construção naval de grande porte. o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). em Pernambuco.

com a meta de ampliar a produção de petróleo atual de 2. . • Existem 258 unidades flutuantes de produção ativas no mundo.3 milhões de barris/dia para mais de 5. próprias e sob contrato. armazenamento e transferência de petróleo (FPSO). em 2020.4 milhões de barris/dia.Construção Naval como Atividade Econômica • Plataformas de produção e sondas de perfuração • Os estaleiros brasileiros já conquistaram posição na construção de plataformas de petróleo semissubmersíveis e navios de produção. A Petrobras tem 50 delas. É a petroleira com maior atividade na produção de petróleo offshore.

. – Sete plataformas parcialmente construídas no Brasil (módulos): P-52.Construção Naval como Atividade Econômica • De 2007 a 2010 os investimentos da Petrobras e petroleiras privadas representaram a contratação de 31 plataformas de produção de diversos tipos. P-53. P-62 e P-63 (em construção). P-57. P-58. P-54 (construídas). a plataforma de Mexilhão (entregue pelo Estaleiro Mauá). e a P-56 (em construção pelo consórcio BrasFels-Technip). – Oito cascos de navios plataformas contratados em 2010 à Engevix para construção no Estaleiro Rio Grande (ERG). a P-55 (em construção pelo consórcio EAS-Quip). – Quatro plataformas integralmente construídas localmente: a P51 (entregue pelo consórcio BrasFelsTechnip). registrando a progressão técnica dos estaleiros brasileiros: – Doze plataformas integralmente construídas em estaleiros internacionais.

operadora de transporte marítimo que atua na cabotagem e sofre a competição com navios internacionais operando na costa brasileira. Praticamente a única encomenda são cinco portacontêineres e dois graneleiros da Log In.Construção Naval como Atividade Econômica • Porta-contêineres e graneleiros • Nesse segmento está a participação mais modesta da construção naval brasileira. .

com ênfase no transporte hidroviário. . A Transpetro contratou. aumenta o uso dos rios. comboios para transporte de etanol pela hidrovia Tietê-Paraná. O benefício da redução de custos através do transporte fluvial já é percebido pelos operadores. recentemente.Construção Naval como Atividade Econômica • Comboios fluviais • A construção de balsas e empurradores para transporte fluvial é um segmento plenamente consolidado. A mudança na matriz dos transportes.

Construção Naval como Atividade Econômica • Navipeças • A Transpetro. em diversos países. para construir seus navios no Brasil. realizado por cada estaleiro. O detalhamento desses estudos. Os resultados orientaram os projetos dos petroleiros e o aumento do conteúdo local no fornecimento de navipeças. . é informação estratégica na formação de seus preços. contratou estudos da USP e da UFRJ determinando os parâmetros (benchmark) existentes no mercado mundial e investigando o sistema de construção e gerenciamento da rede de suprimentos.

chamado de navipeças. O conjunto de máquinas e equipamentos. • Materiais = 60% (sendo 20% estrutura do casco e 40% máquinas e equipamentos). uma contribuição percentual dos seguintes itens de custos principais: • Administração = 15%.Construção Naval como Atividade Econômica • Pode ser informado que um navio petroleiro. • Recursos Humanos = 25%. apresenta de modo geral. compreende cerca de 40% do preço do navio. . Nesse grupo reside o maior desafio para o aumento do conteúdo local. como os da Transpetro. • A estrutura do casco é na sua maior parte aço de chapa grossa e perfis.

desafio do aumento da competitividade. Governo – comando e máquinas do leme – importado. – Carga e lastro – bombas e compressores – produção local parcial.Construção Naval como Atividade Econômica • As máquinas e equipamentos de um petroleiro podem ser subdivididos nos seguintes sistemas principais: – – – – – Propulsão – motor principal – importado. – Prevenção e combate a incêndio – produção local parcial. . grande escala de demanda necessária para produção local. cozinha e tratamento de efluentes – produção local predominante. fundeio e reboque – produção local predominante. – Amarração. exige grande escala para produção local. – Hospedagem – habitação. Geração de vapor – caldeiras – produção local. – Salvatagem e combate à poluição – produção local parcial. Geração elétrica – motores auxiliares – produção local parcial. – Tubos e cabos elétricos – produção local predominante.

Construção Naval como Atividade Econômica .

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Construção Naval como Atividade Econômica
• Aço naval • O SINAVAL estima a demanda por aço naval (chapa grossa) em 1,850 milhão de toneladas nos próximos cinco anos, considerando a carteira de encomendas conhecida.
• Representa, em média, 370 mil toneladas ao ano, sem atingir ainda a capacidade anual de processamento de aço dos estaleiros, estimada em 560 mil toneladas, mas suficiente para indicar a necessidade de implantação de novos estaleiros. No Brasil, uma única siderúrgica produz aço naval de chapa grossa. É indicado estimular outra siderúrgica local a produzir aço naval.

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• Construção naval mundial
• A Coreia do Sul e a China são os países líderes com 67% de participação na construção naval mundial, principalmente de graneleiros e petroleiros. • A tendência é de aumento da participação da China. O Japão representa 14% do total, especialmente com navios portacontêineres. A Europa mantém uma participação de 4% com foco em navios de passageiros e navios especiais.

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• Os demais países somados representam 15% do total. Neste conjunto estão os Estados Unidos (navios militares), Cingapura (plataformas offshore), a Índia e o Brasil. • A Europa (principalmente Alemanha, Inglaterra, França, Espanha e Polônia) foi predominante até perder a posição para o Japão na década de 90. Na primeira década de 2000 a Coreia do Sul supera o Japão. Em 2010, a China começa a assumir a liderança. • Considerando o consumo de aço naval por estaleiros, é necessário registrar que o consumo no Brasil é modesto no panorama mundial.

A nova usina siderúrgica da Hyundai Steel. em Dangjin. vai direcionar 65% da sua produção ao estaleiro. o estaleiro sul-coreano Hyundai Heavy Industries. O exemplo da Coreia do Sul demonstra a estreita relação entre estaleiros e indústria siderúrgica para alcançar expressão internacional no setor de construção naval. vai consumir 650 mil toneladas de aço naval ao ano.Construção Naval como Atividade Econômica • O maior construtor naval mundial. .

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nos últimos 20 anos. . por um forte processo de fusões e aquisições e poucas operadoras globais passaram a dominar o mercado mundial. As maiores operadoras de transporte marítimo (movimentam 60% dos contêineres no mundo e todas operam no Brasil).Construção Naval como Atividade Econômica • As maiores operadoras mundiais de transporte marítimo • O transporte marítimo mundial passou.

O comércio internacional brasileiro (exportações de US$ 200 bilhões e importações de US$ 160 bilhões) é transportado em 95% por navios. O desequilíbrio no volume transportado gera um adicional de preço para que navios vazios venham ao país para receber cargas e partir. . Há impacto no custo do frete de grãos. entre outros.Construção Naval como Atividade Econômica • • • As cargas brasileiras A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) registra que as cargas brasileiras de exportação representam 480 mil toneladas/ano enquanto as cargas de importação somam 113 mil toneladas/ano.

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• Frota mercante brasileira • A Antaq e o Syndarma apresentaram (agosto de 2009) dados preocupantes sobre a frota mercante brasileira. O afretamento de navios de bandeira estrangeira de longo curso somou, nos últimos seis anos, mais de US$ 7,9 bilhões, o que corresponde ao valor de um programa de construção naval de mais de 50 navios.

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• Elementos estratégicos – 1. O comércio exterior brasileiro é realizado 95% por via marítima – a navegação é um segmento essencial para a economia brasileira. – 2. A existência de navegação própria inibe a prática abusiva de preços no transporte marítimo. – 3. A criação de uma frota própria cria emprego e renda no país, impulsionando a indústria de construção naval e outros segmentos da economia interna. – 4. A existência de frota própria assegura a soberania nacional no caso de crises externas e reduz o pagamento de fretes e afretamentos ao exterior.

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• A competitividade do agronegócio se ressente da falta de uma oferta de transporte marítimo estratégico para o granel seco de grãos, o que poderia ser um projeto público-privado para criar uma operadora marítima brasileira para assegurar pelo menos 20% das cargas neste segmento – um projeto para garantir a continuidade da construção naval brasileira a partir de 2030.

• A estatística da Antaq informa que a frota de navios brasileiros de Marinha Mercante é de 3,5 milhões de TPB (toneladas de porte bruto), distribuídos nos principais segmentos:

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• Este cenário será mudado com a construção dos navios em andamento, principalmente petroleiros da Transpetro que irão dobrar a capacidade de transporte da frota de navios brasileiros.

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A Indústria de Construção Naval e Offshore Aula 3 Transporte Marítimo e Aquaviário e Logística Marca Instituição Ensino .

pode ser o mais simples modal entre os demais. Essa particularidade do abrangente universo que o transporte aquaviário possui. exige do gerente uma visão ampla e ao mesmo tempo específica de suas atividades. • Paradoxalmente.Transporte Marítimo e Aquaviário • O transporte aquaviário utiliza-se do meio que tem maior espaço físico do planeta. demandando diferentes qualificações de pessoas em uma organização. . Talvez possa ser considerado o mais diversificado.

no Rio de janeiro. Lançado ao mar em 1663. em 1532. o de Porto Seguro e o de são Vicente. do galeão Padre Eterno.Transporte Marítimo e Aquaviário • Com a criação das Capitanias Hereditárias. que a parti daquele momento começaram a fomentar o transporte costeiro. • Em 1659. chegou a Lisboa dois anos depois. tais como o de Itamaracá. foram surgindo pequenos núcleos portuários. que na época foi considerado o maior navio do mundo. materializando a importância do comércio de longo curso com o emprego de embarcações maiores que tivessem grande capacidade de carga. o governador Salvador de Sá iniciou a construção. .

no Rio de Janeiro. • Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. . que veio permitir. o rei D João. posteriormente. fazendo com que houvesse maior movimento transações comerciais nos principais portos da Colônia. em 1763. a fabricação de navios de cabotagem e de longo curso. decretou a abertura dos portos brasileiros às nações Amigas.Transporte Marítimo e Aquaviário • Outro destaque da época foi o direcionamento dado para a construção naval na Colônia com a implantação do Arsenal da Marinha. em 28 de janeiro de 1808.

. foi criada a 1ª linha de navegação a vapor do País. ligando aquela província à Niterói. a situação econômica favorável que passava o Brasil. ainda no Rio de Janeiro.Transporte Marítimo e Aquaviário • No Período Regencial. entre outros aspectos. • O Segundo Império foi marcado pelo grande avanço nos transportes fluviais e marítimos. com aumento das exportações de café para o mercado Europeu que possibilitou carrear recursos para a infra-estrutura de transporte. devido.

dando fôlego ao transporte de cabotagem e marítimo. • No Norte e no nordeste do País. Tapajós. . o Governo tornou livre. pertencente ao Barão de Mauá. Madeira. Tocantins e São Francisco. à companhia de comercio e navegação do Amazonas. foi dada em 1852. para a empresa “Imperial Companhia de Navegação a Vapor”. a concessão mais importante no império. aumentando naquelas regiões a presença de navios estrangeiros nas rotas fluviais. por um período de 10 anos. no setor hidroviário. Este obteve concessão do governo.Transporte Marítimo e Aquaviário • Inicialmente. em 1866 o trafico de navios estrangeiros nos rios Amazonas. Negro.

proporcionando maior segurança ao transporte marítimo brasileiro. Vale aqui ressaltar o predomínio inglês quando se verificava a presença das empresas de serviços regulares de vapores entre o Brasil e a Inglaterra. tais como a Royal Mail Steam Packet .Transporte Marítimo e Aquaviário • A Companhia de Paquetes a vapor. já utilizando navios com casco de aço. 50% dos navios que aportaram no Rio de Janeiro eram ingleses. • Durante do século XIX. começou a operar a partir de 1855 a nova rota ligando o Rio de Janeiro à Montevidéu.

Transporte Marítimo e Aquaviário • No final do século XIX e inicio do século XX. • Com o ciclo da borracha os portos de Manaus e Belém receberam investimentos e inovações tecnológicas tais como. . entre outros aspectos. a necessidade de atender a oferta de café ao mercado externo. a construção de um cais flutuante e obras complementares (teleférico). em 1903. ocorreu o processo de modernização dos portos devido.

Transporte Marítimo e Aquaviário • Nos Anos 30. como: o confisco pelo Governo da empresa Amazon River Stem navegation e da Port of Pará. voltou o setor marítimo a crescer após os estragos produzidos pela 2ª Guerra Mundial em nossa frota navegante. bem como aos transportes marítimo e fluvial e aos portos. • O transporte fluvial também apresentou fatos marcantes nesse período. por constatação de fraude contra o tesouro nacional. daí resultando a criação do serviço de navegação da Amazonas e Administração do Porto do Pará SNPP. Foi criado o Departamento Nacional de Portos de Navegação (DNPN) que passou a tratar dos assuntos relativos à Marinha Mercante. . • Paralelamente a tudo isso.

Transporte Marítimo e Aquaviário • No período de pós guerra. em 1946. tendo importante papel no desenvolvimento e na navegação fluvial desta região. • No setor marítimo. a criação do Fundo Portuário Nacional e da Taxa de Melhoramento dos Portos e a implantação da Industria de Construção Naval . destacam-se: a inauguração do porto de Itajaí. destaca-se a criação da CIA do Vale de São Francisco. possibilitada pela construção da barragem de Três Marias. através da regularização do fluxo das águas.

ligando São Paulo a Guairá. • Na área do transporte fluvial tem inicio a operação da hidrovia Tietê – Paraná na região sudeste com 1600 Km. Aracajú (SE) e o terminal salineiro do Rio Grande do Norte. Itaquí (MA). . no Paraná. foram inaugurados os portos de Mucuripe (CE).Transporte Marítimo e Aquaviário • A partir de 1964. Fato esse que veio a dinamizar a economia local proporcionada pelos fretes mais baratos em relação a outros modais. possibilitando o nordeste a ampliar seu comércio com o mercado externo.

Transporte Marítimo e Aquaviário • A expansão da movimentação portuária. ocorrida a partir dos anos 70. o governo transformou a comissão da Marinha Mercante na superintendência de Marinha Mercante (SUNAMAN). Orgão fiscalizador que tinha como principal tarefa a unificação jurídica do sistema portuário nacional. seu aparelhamento e um alcance de uma utilização mais eficiente da mão-deobra portuária. em 75 a portos brasileiros S. (Portobrás). . fez com que o governo criasse. • Em 1969.A.

• Nos anos 70. o Governo decidiu lançar o segundo programa de construção naval. .Transporte Marítimo e Aquaviário • Em função das crescentes despesas com o afretamento de navios estrangeiros e da relativa participação da bandeira brasileira na navegação marítima. além de obras referente à melhoria de portos. alcançando o objetivo desejado com o aumento participação do País para 40% na repartição do transporte. No setor hidroviário. destaca-se a construção da eclusa de Sobradinho BA/PE e o inicio da eclusa de Tucuruí no PA que permitirá futuramente a ligação entre os rios Tocantins e Araguaia. completando uma hidrovia de 2840 Km.

houve o arrendamento de terminais. após a dissolução da Portobrás.Transporte Marítimo e Aquaviário • Nos anos 90. o qual permitiu a iniciativa privada controlar e modernizar silos e armazéns. • No setor portuário. . entre eles o do porto de Santos. aumentando a otimização dos estoques de produtos agrícolas. por intermédio do Programa Nacional de Desestatização. o governo põe em prática o processo da exploração comercial privada da infra-estrutura portuária no Brasil.

• É uma autarquia especial vinculada ao Ministério dos Transportes.122. de 05/06/2001 e Medida Provisória nº 2.Transporte Marítimo e Aquaviário • Do ponto de vista institucional. que Desempenha. de 04/09/2001 e regulamentada pelo Decreto nº 4. de 13/02/2002. como autoridade administrativa independente. • Criada pela Lei nº 10. a função de entidade reguladora e fiscalizadora das atividades portuárias e de transporte aquaviário .217. o governo federal criou a Agência Nacional de Transportes Aquaviário ANTAQ.233.

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Transporte Marítimo e Aquaviário • Esfera de Atuação da ANTAQ • A navegação fluvial. • Os terminais portuários de uso privativo. de apoio portuário. lacustre. de cabotagem e de longo curso. • Os portos organizados. . de apoio marítimo. • Exploração da infra-estrutura aquaviária federal. • O transporte aquaviário de cargas especiais e perigosas. de travessia.

. com eficiência. regularidade. – Harmonizar os interesses dos usuários e operadores. – Arbitrar conflitos entre prestadores de serviços e entre estes e os usuários. preservando o interesse público. exercidas por terceiros. preservando a ordem econômica. segurança.Transporte Marítimo e Aquaviário • Objetivos da ANTAQ • Regular. e modicidade nos fretes e tarifas. com vistas a: – Garantir a movimentação de pessoas e bens. supervisionar e fiscalizar as atividades de prestação de serviços de transporte aquaviário e de exploração da infraestrutura portuária e aquaviária.

– Propor a definição da área dos portos. – Aprovar revisão e reajuste das tarifas portuárias. – Fiscalizar as administrações portuárias. – Autorizar terminais portuários privativos. – Indicar os presidentes dos CAP’s – Conselho de Autoridade Portuária .Transporte Marítimo e Aquaviário • Competências da ANTAQ em Relação aos Portos – Propor o plano geral de outorgas. – Propor normas e padrões para disciplinar a exploração da infraestrutura portuária. – Atuar na defesa e proteção dos direitos dos usuários.

Transporte Marítimo e Aquaviário • Competências da ANTAQ em Relação à Navegação – Propor normas e padrões para disciplinar a exploração de serviços de navegação e de exploração da infra-estrutura aquaviária. interior. – Autorizar o afretamento de embarcações estrangeiras. . – Autorizar o transporte de carga prescrita. – Celebrar atos de outorga para serviços de navegação e exploração de hidrovias. – Atuar na defesa e proteção dos direitos dos usuários. – Homologar acordos operacionais. – Fiscalizar empresas de navegação de longo curso. de apoio marítimo e portuário (brasileiras e estrangeiras). de cabotagem.

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Transporte Marítimo e Aquaviário .

embalagem. valor. como base de cálculo.Composição do Frete Marítimo • Segundo Martins & Silva (2001). a remuneração pelo serviço contratado para o transporte de uma mercadoria é conhecida como frete • . peso e volume cúbico da carga.O valor do frete. equivale à remuneração do transporte mercante porto a porto. • Os custos do transporte são influenciados por: características da carga. fragilidade. . distância entre os portos de embarque e desembarque e localização dos portos. incluídas as despesas portuárias e outras despesas. constantes do conhecimento de embarque.

– Frete “Payable at Destination” .Composição do Frete Marítimo • O pagamento do frete pode ocorrer de três formas : – Frete “Prepaid” . sendo que o armador será avisado pelo seu agente sobre o recebimento do frete.é o frete pago pelo importador na chegada ou retirada da mercadoria. . para então proceder à liberação da mercadoria • A tarifa é determinada por mercadoria e quando o produto não está identificado nas tabelas é cobrado o frete NOS (Not Otherwise Specified). que representa o maior valor existente no respectivo item do tarifário. – Frete “Collect” . imediatamente após este. podendo ser pago em qualquer lugar do mundo.é o frete pago no local do embarque.é o frete a pagar .

Silva.. M. J. 2001 . Rio de Janeiro. L. C.Composição do Frete Marítimo Fonte: Martins. “Aspectos Atuais da Movimentação de Conteineres: Análises e Perpectivas”. R.

• Passa a ser devido no porto brasileiro de descarga e na data da operação (início efetivo da operação. que o recolhe posteriormente. de 25% para a navegação de longo curso (assim considerada quando entre portos estrangeiros e brasileiros. que é um percentual sobre o frete. ou seja. fluviais ou lacustres). sejam marítimos. . incide somente na importação. cobrado do consignatário da carga pela empresa de navegação.Composição do Frete Marítimo • Há ainda a taxa Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante – AFRMM. de descarregamento).

loja franca. drawback. livros. admissão temporária. carga consular. reimportação. amostras. Befiex. Zona Franca de Manaus.Composição do Frete Marítimo • Estão isentos de recolhimento: – Bagagem. doação. cargas em trânsito. atos e acordos internacionais (quando especificado no escopo do Acordo). unidades de carga (contêineres). papel de imprensa. remessas postais e os bens destinados à pesquisa científica ou tecnológica . periódicos. alguns tipos de embarcações. eventos culturais e artísticos. carga militar. importações do Governo Federal. jornais.

Instalações Portuárias • Porto: É uma área abrigada de correntes e ondas. . mar. • Utilizam estruturas como os quebra-mares e molhes para criar uma barreira a ondas e oferecer condições de segurança aos barcos atracados. destinada ao atracamento de barcos e navios. lago ou rio. localizada à beira de um oceano. • Contêm todas as instalações necessárias tanto ao movimento de cargas como de pessoas e em alguns casos terminais especialmente designados para acomodação de passageiros.

Instalações Portuárias .

.Instalações Portuárias • Doca seca ou Dique Seco: É um recinto cavado. fabrico. • No fundo da doca seca existem picadeiros onde assentam as quilhas das embarcações e as paredes laterais vão alargando para a parte superior de modo facilitar a circulação de pessoal e o escoramento das embarcações. normalmente associado aos portos e estaleiros de forma a receber embarcações para vistorias. limpeza ou construção.

estas portas são fechadas e a água é bombeada para fora da doca de modo a deixar a doca seca e livre para iniciar os trabalhos.Instalações Portuárias • As docas secas estão ligadas à água por portas estanques. após a entrada da embarcação. . • No processo inverso para a saída das embarcações a água é bombeada até um nível que permita a abertura das portas sem que o caudal da entrada ponha em risco a estabilidade da embarcação dentro da doca.

Instalações Portuárias .

para poder operar próximo às margens e em águas rasas. • Permite carregar ou descarregar veículos ou carga das embarcações. Pode ajustar-se a diferentes alturas da maré assim como ao tipo de carga transportada pelo ferry. e grande boca).Instalações Portuárias • Ferry slip: É uma doca especializada para receber ferryboats (Balsa. com pequeno calado. • . embarcação de fundo chato. muitas vezes utilizada para transporte de veículos. por exemplo no caso de serem transportados vagões de comboio as Ferryslip terão trilhos possibilitando o deslocamentos dos vagões.

Instalações Portuárias .

Instalações Portuárias • Marina: Pode ser considerada como um pequeno porto mas direcionada para embarcações de lazer. pois tem zonas de restauração e alguns serviços portuários como lavagem de embarcações. . São normalmente centros de lazer. venda de combustível e manutenção de embarcações.

específicos para carga e descarga de navio portaconteiners. .Instalações Portuárias • Terminal de Containers: É um tipo de porto especializado com equipamentos e área especiais.

Instalações Portuárias • Terminais de Granel Sólido: São portos especializados para embarque e desembarque de graneis sólidos leves e pesados .

Instalações Portuárias • Terminal de Granel Líquido: Terminal especializado em embarque e desembarque de cargas líquidas. principalmente petróleo e derivados e produtos químicos. .

Instalações Portuárias • Terminal de Embarque Roll-On Roll-Off: Terminal especializado para atracação de navios tipo Roll-on Rolloff. .

Instalações Portuárias • Porteiners: .

Instalações Portuárias • Guindastes: .

Instalações Portuárias • Transportadores: .

Conceitos de Transporte Multimodal • Historicamente. responsável pela integração de portos. não se concretizou. com o argumento de que permitem uma malha mais extensa e com maior capilaridade. • A expectativa de que o governo criasse uma única agência regulatória para o setor. hidrovias. • O governo optou pela criação de duas agências. rodovias. . ferrovias e até pelo transporte de carga aérea. o Brasil fez uma opção pelas rodovias. a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Essa opção travou e ainda trava o desenvolvimento do transporte multimodal.

cujas competências estão abaixo relacionadas: – Articular com entidades de classe. – Harmonizar interesses e conflitos entre prestadores de serviços e entre estes e os clientes e usuários. – Aferir a satisfação dos usuários com a prestação dos serviços de movimentação de bens.SULOG. . está a Superintendência de Logística e Transporte Multimodal . agências reguladoras de outros modais. – Atuar na defesa e proteção dos direitos dos usuários.Conceitos de Transporte Multimodal • Subordinada a ANTT. órgãos de governo e demais envolvidos com a movimentação de bens para promover o transporte multimodal. – Propor a habilitação dos Operadores de Transporte Multimodal. – Elaborar normas e regulamentos técnicos relativos ao transporte multimodal de cargas. donos de cargas. transportadores. acompanhar a logística de distribuição de bens e propor medidas para desenvolver o transporte multimodal. – Desenvolver estudos.

. • Entretanto. • Isto quer dizer transportar uma mercadoria do seu ponto de origem até a entrega no destino final por modalidades diferentes. bem como pela divisão de responsabilidade entre os transportadores. tanto a multimodalidade e a intermodalidade são operações que se realizam pela utilização de mais de um modal de transporte. a intermodalidade caracteriza-se pela emissão individual de documento de transporte para cada modal.Conceitos de Transporte Multimodal • Segundo Keedi (2002).

que também toma para si a responsabilidade total pela carga sob sua custodia. existe a emissão de apenas um documento de transporte. do seu ponto de origem até o ponto de destino. . cobrindo o trajeto total da carga. ao contrário. Este documento é emitido pelo OTM.Conceitos de Transporte Multimodal • A multimodalidade.

Conceitos de Transporte Multimodal • O Operador de Transportes Multimodal no Brasil • A regulamentação do operador de Transporte Multimodal – OTM ocorreu através da lei de nº 9. – Parágrafo único.611/98 e assinada em 12 de abril de 2000. da seguinte forma: – Art. 5º O Operador de Transporte Multimodal é a pessoa jurídica contratada como principal para a realização do Transporte Multimodal de Cargas da origem até o destino. por meios próprios ou por intermédio de terceiros. . O Operador de Transporte Multimodal poderá ser transportador ou não transportador. Define o Operador de Transporte Multimodal em seu Artigo 5.

Conceitos de Transporte Multimodal • Em matéria de modais os transportes podem ser divididos em rodoviário. aquaviário e aéreo. • Existem claras vantagens e desvantagens nos diferentes tipos de transporte. ferroviário. bem como possíveis melhorias de modo a torná-los mais competitivos. .

horários) – Desvantagens .Conceitos de Transporte Multimodal • Modo Rodoviário – Vantagens • • • • • • • • • • • • Manuseamento mais simples (cargas menores) Grande competitividade em distâncias curtas/médias Elevado grau de adaptação Baixo investimento para o operador Rápido e eficaz Custos mais baixos de embalagem Grande cobertura geográfica Aumento do preço com a distância Espaço limitado Sujeito às condições atmosféricas Sujeito ao trânsito Sujeito à regulamentação (circulação.

Conceitos de Transporte Multimodal • Modo Ferroviário – Vantagens • • • • • • • • • • Ideal para grandes quantidades de carga Baixo custo para grandes distâncias Bom para produtos de baixo valor e alta densidade Pouco afetado pelo tráfico e condições atmosféricas Amigo do ambiente Serviços e horários pouco flexíveis Pouco competitivo para distâncias curtas e cargas pequenas Grande dependência de outros transportes (nomeadamente rodoviário) Pouco flexível pois só para de terminal em terminal Elevados custos de manuseamento – Desvantagens .

pois trabalha terminal a terminal • Mais lento do que rodoviário para pequenas distâncias • Elevado custo para grande parte dos produtos .Conceitos de Transporte Multimodal • Modo Aéreo – Vantagens • • • • Bom para situações de "aperto" a larga distância Bom para mercadoria de elevado valor a grandes distâncias Boa fiabilidade e frequência entre cidades Velocidade de transporte – Desvantagens • Pouco flexível.

ferro. cimento. minerais e outros) • Muito flexível • Permite o transporte de grandes quantidades de carga – Desvantagens • Velocidade reduzida • Limitados a zonas com orla marítima ou rios navegáveis – Melhorias Possíveis • Associação a sistemas de armazenagem e transporte em terminal • Melhor funcionamento sempre que inserido em plataformas multimodais . petróleo.Conceitos de Transporte Multimodal • Modo Aquaviário – Vantagens • Competitivo para produtos de muito baixo custo (químicos industriais.

FIM • Obrigado .

A Indústria de Construção Naval e Offshore Aula 4 Legislação Marítima Marca Instituição Ensino .

em todos os seus aspectos. profissionais. sempre despertou a atenção de profissionais das diversas áreas e de vários segmentos da sociedade. que se faz no mar. que compõem um sistema regulador da conduta humana nesta atividade. estuda também este conjunto de normas jurídicas e atos da administração pública. • .Legislação Marítima • O Direito Marítimo e os Órgãos da Autoridade Marítima • • Por: Eduardo Antonio Temponi Lebre (*) Doutor em Filosofia e Teoria do Estado e do Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) • • Introdução A atividade humana. esportivas e recreativas. através de seus métodos próprios. Com a habilidade e a inteligência para navegação são possíveis diversas atividades. ou seja. Portanto. estudar os parâmetros de uma conduta humana capaz de dar um mínimo de segurança à vida e aos patrimônios privado e público. não podia ser diferente com os juristas quando se deparam com o cumprimento de uma ética relacionada à navegação. esteja ligado ao exercício de um direito ou a observância às normas – um dever. a Ciência do Direito.

E. passageiros e terceiros eventualmente participantes. limitador da autonomia da vontade individual e coletiva. dentre outras competências. • . uma delas é expressa pelo direito administrativo marítimo. Mais especificamente. O Tribunal Marítimo é órgão da administração pública e. na regulamentação do tráfego e da salvaguarda da vida humana no mar. analisa e interpreta a intervenção estatal. Principalmente. cuja apuração é de competência da Autoridade Marítima. é o julgador de comportamentos relacionados às infrações marítimas. Estabelece-se inicialmente uma área denominada de atividade marítima. instaladas em toda costa brasileira. uma atividade que registra um elevado grau de risco.Legislação Marítima • No presente ensaio estará sendo abordado um sistema de normas jurídicas que legitimam os órgãos públicos na tarefa de intervenção estatal na atividade marítima de navegação. nele estão as tipificadas as infrações marítimas. Dentro desta. como medida de garantir a segurança pública e de permitir. deve ser considerado como aquele que identifica. para assegurar menor grau de risco e mais segurança que envolve todos tripulantes. encontrase a navegação. por sua vez. as Capitanias dos Portos. portanto. como órgão de fiscalização. Estas normas estão contidas no direito administrativo marítimo. organizar e fiscalizar a realização de atividade das embarcações em todo seu mar territorial. em prol do interesse público e. Este. sobre a qual incide muitas modalidades de intervenção estatal.

dos passageiros. no direito administrativo marítimo ela é chamada de Autoridade Marítima. que ocorre o mesmo. da tripulação. no ramo denominado direito administrativo marítimo encontram-se presentes outros aspectos que se relacionam às situações jurídicas diversas. não só no seu papel legislativo (organizador). mas. na função pública de apuração das infrações à legislação marítima e na atividade de prevenção a acidentes. existem questões de direito internacional público e privado e de direito penal. na relação de emprego.Legislação Marítima • As Capitanias dos Portos exercem atividade estatal e que se destacam pelos procedimentos administrativos das inspeções navais (regras sobre as embarcações). diz a Constituição da República. da carga. regras sobre os condutores e demais tripulantes e das regras de segurança no tráfego. e artigo 22. especialmente. nos contratos comerciais. em se tratando de navegação lacustre e fluvial. constitui o ponto de partida da atuação fiscalizadora do Estado (Autoridade Marítima). como é o caso da regulamentação do conteúdo econômico da atividade de navegação. No entanto. dos portos e do meio ambiente marinho. nos seguros. também. que pertence à União o mar territorial. no regime jurídico da propriedade de embarcações e. das rotas. Assim sendo. Conforme artigo 20. compete-lhe privativamente legislar sobre direito marítimo e também sobre navegação marítima. por exemplo. incisos III até VII. Observa-se. o cuidado com a segurança das embarcações. da CRFB/88. • • . Do ponto de vista da legitimidade da administração pública. ainda. incisos I e X.

pelo Estado. registre-se que todos os assuntos relacionados ao mar e a navegação são de extrema importância para sociedade [i]. quanto à apuração. Não obstante. uma breve exposição. • .Legislação Marítima • Registrem-se as existências da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (ANTAQ) e da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca ambos os órgãos públicos ligados ao Governo Federal. especificamente. sobre alguns destes itens. a título de conhecimento básico. das infrações marítimas de competência das Capitanias dos Portos (com estudo de casos e trabalho de pesquisa de campo na Capitania dos Portos de Santa Catarina). Far-se-á. Lembramos que este trabalho tem a finalidade de estudar uma parte do direito administrativo marítimo.

Considera-se o direito marítimo como o conjunto de normas jurídicas que regulamenta. as normas que regulam o tráfego marítimo e a segurança das embarcações e das pessoas. que o direito marítimo não se aplica somente à navegação no mar. A doutrina clássica prefere incluir no direito marítimo as normas sobre a navegação em dois subconjuntos. Conceito e âmbito do direito marítimo: Considerações gerais. apesar do Código Comercial prever o registro de embarcação destinada à navegação em alto-mar [ii]. que sofre forte influência dos tratados internacionais. também. • • . Por outro lado. nos rios. Theophilo de Azevedo Santos foi um dos primeiros a admitir. mas. e realize-se em superfície ou submersa. são de natureza pública. originada da utilização dos bens e meios para navegação. um público e outro privado.Legislação Marítima • • • 1. em todo seu potencial. e da exploração do mar e das águas interiores. As normas que dispõem sobre comércio e indústria da navegação são de natureza privada e regulada pela parte não revogada do Código Comercial e legislação especial. seja qual for a sua finalidade e objetivo. toda e qualquer atividade.

navegação. direito empresarial marítimo e direto administrativo marítimo [iv]. de competência da Autoridade Aeronáutica. pura e simplesmente. o exercício da profissão de navegação e as condições mínimas de navegabilidade das embarcações. a esse respeito uma grave crise deflagrada no ano de 2006 (outubro) leva os especialistas e políticos à discussão sobre a desmilitarização do controle de tráfego aéreo [iii]. as infrações cometidas contra as normas jurídicas que dispõem sobre navegação marítima devem ser entendidas como aquelas que regem o tráfego. Ademais. podendo subdividir-se em direito internacional marítimo. serve para que assuntos decorrentes das atividades em lagos. carga e passageiros. rios lagoas. • • . insertas no universo do direito administrativo marítimo [v]. e estão. baías e portos. Para evitar toda confusão decorrente de várias situações aplicáveis ao conceito de navegação. Neste ponto. em mar territorial e águas nacionais. incidentes sobre as embarcações. preferimos adotar uma classificação que identifique no direito marítimo um ramo do direito. direito penal marítimo. por excelência. canais. profissão da tripulação. direito do trabalho marítimo. a navegação aérea também está regulamentada por leis e sofre intervenção estatal do Ministério da Defesa. que abrange tanto as normas de ordem pública quanto as privadas. e que estejam agrupados com as atividades feitas no mar territorial ou alto-mar.Legislação Marítima • A opção por admitir-se um ramo do direito da navegação. portanto.

assim. desde a Roma antiga. civis. a teoria positiva do direito determinar a unidade do ordenamento jurídico. reservado papel importante das Capitanias dos Portos. por exemplo. Com a adoção do ramo direito marítimo. em sistema. Isto não retira a validade da ideia da unidade do ordenamento jurídico.. Notadamente. o resultado da sua análise e interpretação apresenta elevado grau de cientificidade. que tem seus próprios métodos de investigação. acredita-se. espalhadas em todo território nacional. mas. há necessidade de estabelecer as suas subdivisões e. podem ser constitucionais. o transporte de coisas ou pessoas. penais. administrativas. esta técnica de separação por ramos vem sendo largamente utilizada. etc. separar estas normas jurídicas para entendê-las melhor tem sido a técnica utilizada por vários séculos. avança-se na conquista científica do estudo das normas jurídicas ordenadas. ainda mais específico. • . cabe à Administração Pública o Poder de Polícia que subordina os agentes da navegação à jurisdição administrativa do Tribunal Marítimo brasileiro. o que transforma algo abrangente em investigações especiais. seus direitos e obrigações.Legislação Marítima • Trata-se de uma particularidade da Ciência do Direito. numa divisão conceitual da existência do direito público e do direito privado. é o caso do nosso particular estudo inserido no direito administrativo marítimo. sendo o estudo direcionado como um ramo de direito específico. como é o caso da atividade de navegação de embarcações em mar e águas territoriais. não obstante. e ao longo da costa brasileira [vi]. porque. o direito regula de modo geral muitas atividades humanas. um deles é o de separar o estudo do direito por ramos. pois.

zona contígua. Outro ponto relevante é o de delimitação destes espaços marítimos. que atualmente são conhecidos como: águas interiores. destacam-se as Convenções de Genebra de 1958 e de Montego Bay.1. zona internacional dos fundos dos mares. • • . No século passado. Orientar as Nações para o desenvolvimento do comércio e indústria realizados pelo mar tem sido um dos grandes desafios para humanidade. (United Nations Convention on the Law of the Sea) Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. plataforma continental.Legislação Marítima • • 1. O direito internacional marítimo ou direito do mar. como integrantes de uma solução legal internacional definitiva. que fossem iguais em todo mundo ou pelo menos mais próximos. zona econômica exclusiva. O direito do mar consagra o equilíbrio do exercício do princípio da liberdade dos mares com o do respeito à soberania nacional. canais e rios. ou seja. sempre se preocuparam em trazer uma definição e regime jurídico dos espaços marítimos. mar territorial. de como estabelecer um fator determinante uniforme de delimitação e os seus critérios de eqüidistância e de equidade. águas arquipelágicas. alto mar. Tais diplomas supranacionais e outros acordos bilaterais existentes. casos especiais: estreitos.

fretadores. são classes dos navios: públicos ou privados.Legislação Marítima • Já. a classe dos navios de guerra. e. • . temos os navios sob o ponto de vista nacional. nem toda atividade marítima está voltada para o comércio internacional ou navegação em alto-mar. para fixar um conceito de navio e definição da sua natureza jurídica compatível e. passando a classificar as embarcações e a criar uma identificação reconhecível internacionalmente bem como critérios de aquisição e regime jurídico para proprietários. o navio. com determinação soberana de cada Estado. armadores. agentes e o pessoal de bordo. No entanto. Integram pontos importantes do direito do mar estabelecer-se critério de nacionalidade dos navios e um regime jurídico das pessoas a bordo e da situação jurídica do pessoal desembarcado e da jurisdição. • Por outro lado. que o direito internacional tende a uniformizar. sob o ponto de vista internacional. assim. ainda. o que implica dizer que cada Estado tem soberania para definir regras internas de ordem pública para regular a navegação e garantir a segurança da atividade e a ordem econômica [vii]. afretadores. e o seu regime jurídico levou o direito do mar a criar uma classificação de embarcações.

sendo regido pelas normas internacionais como o Regulamento Internacional para Evitar Abalroamento no Mar (RIPEAM). quando a atividade for explorada em alto-mar. do direito humanitário e dos crimes de guerra. também. os achados no mar e a recuperação de objetos do fundo são aspectos que o direito internacional público regula. Especificamente sobre a segurança da navegação pode-se dizer que existe um direito internacional da navegação que trata do tráfego da navegação em alto-mar. Ainda sobre a exploração de águas internacionais. Nos quados a seguir.Legislação Marítima • Cabe registrar a importância da investigação científica e de tecnologia. com a fixação de um regime jurídico internacional da investigação científica marinha e do desenvolvimento e transferência desta tecnologia. como. Atos Multilaterais Assinados pelo Brasil no Âmbito da Organização Marítima Internacional (IMO) [viii] • • • . Vale reconhecer que é importante para o mundo que estas regras uniformes representem o anseio da humanidade e com um grau elevado de neutralidade para questões marítimas em seus aspectos gerais a fim de evitar que superpotências navais comerciais e de guerra estejam a prevalecer interesses exclusivos dos seus Estados em detrimento dos demais integrantes das Nações Unidas. o regime jurídico da guerra naval em seus aspectos gerais do direito da guerra naval. sejam eles países pobres ou ricos.

Legislação Marítima .

pois abrange a matéria de âmbito internacional que regula o transporte internacional. tão importante como fonte de saudáveis alimentos. a liberdade dos mares. zonas econômicas e de regras relativas à preservação do meio ambiente. para não dizer das espécies animais que estão sendo ameaçadas de extinção e compromete o equilíbrio do ecossistema marinho. há grandes evidências científicas de que são as algas marinhas grandes produtoras de oxigênio que abastece à atmosfera terrestre.Legislação Marítima • A complexidade do DIREITO MARÍTIMO PÚBLICO INTERNACIONAL é evidente. zonas contíguas. o limite do mar territorial. .

Não fosse a irresponsabilidade (culpa) ou o dolo de alguns profissionais marítimos. que somente no Século XX iniciou-se o processo de codificação das normas internacionais sobre os mares. este particular sistema jurídico constitui o direito penal marítimo. Existem algumas condutas ilícitas. e da importância da Faculdade de Direito de Harvard. surge o estudo das normas jurídicas que definem os crimes relacionados com o mar e a navegação. sendo grave o bastante para que incida sobre elas uma punição restritiva do direito de liberdade. que disse com razão.Legislação Marítima • Citando Jete Jane Fiorati. cabe ao Estado investigar o fato e processar criminalmente os agentes. Arnaud e Internoscia.2. as que se relacionam com a pesca proibida. Neste sentido. que são decorrentes direta ou indiretamente das várias modalidades da atividade marítima. • • 1. O direito penal marítimo. muitos desastres seriam evitados. todos que contribuíram apresentando projetos sobre o regime jurídico internacional dos oceanos [ix]. Fiori. o derramamento de óleo da embarcação e outros crimes contra o meio ambiente. Field. • . lembrando de nomes de juristas como Bluntschli. para que haja uma efetividade das normas jurídicas de proteção da economia nacional e do meio ambiente. neste caso em águas territoriais. São exemplos destas condutas.

em questões de responsabilidade individual criminal ou administrativa. pois estão contidas no artigo 19. acredita-se que a nacionalidade do navio deva fixar a competência para o processo judicial. 2. Esta é a orientação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. Ela estabelece critérios que definem os atos atentatórios ao direito de passagem inocente. sendo eles cometidos em águas internacionais devem ser observadas as normas supranacionais de fixação da competência para estabelecer a jurisdição. por isso. No caso de violação de direitos. No entanto. • • . temos que os acusados podem ser de nacionalidade diferente da bandeira do Estado que pertence ao navio. no entanto. como fator importante para responsabilização penal. sobre crimes marítimos. existe a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. letras “h” e “i”. dois ou mais Estados poderiam estar interessados em ter a jurisdição. no entanto. que seja por embarcação estrangeira que ingressa no mar territorial de outro Estado[x].Legislação Marítima • Sobre o livre trânsito de embarcações. aplicamse estas normas. desse modo. da Convenção: “h) qualquer ato proposital e grave de poluição que contrarie a presente Convenção” e “i) qualquer atividade de pesca”. traz grandes problemas na tarefa de investigar. um crime que causa dano ambiental em alto-mar é um crime contra a humanidade e. Ainda. processar e punir os responsáveis.

quando ocorre o sinistro com pena de detenção. § 1º . submersão ou encalhe de embarcação ou a queda ou destruição de aeronave com pena de reclusão. Pena: reclusão. ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima.Se do fato resulta naufrágio. aeroportos. usinas. “praticar sabotagem contra instalações militares. meios de comunicações. no caso de desastre ou sinistro. no § 3º. fábricas. estaleiros. 263: “Se de qualquer dos crimes previstos nos arts. 258. Há previsão da modalidade culposa. no Código Penal. de 3 a 10 anos. com a previsão da aplicação da Lei dos Crimes Contra a Segurança Nacional – Lei n. observa-se o disposto no § 2º e aplica-se.”. O Código Penal prevê a hipótese qualificadora do crime no art. a pena de multa. num regime de exceção. portos. temos no seu art. resultam lesão corporal ou morte. também. 15 que. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.Se do fato resulta: • • .170 de 1983. 260 a 262. própria ou alheia. depósitos e outras instalações congêneres. § 1º . aplica-se o disposto no art. fluvial ou aérea com uma pena de reclusão. quando há o intuito de obter vantagem econômica.Legislação Marítima • Seguindo o raciocínio de que existem condutas criminosas específicas à navegação e a embarcação. dispõe que é crime expor à perigo embarcação ou aeronave. Se o agente pratica o crime com o fim de lucro. de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. artigo 261. meios e as vias de transporte. para si ou para outrem. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.” Em tempos difíceis. 7. barragem.

paralisação. da Lei 6. a segurança ou a economia do País. destruição ou neutralização de meios de defesa ou de segurança. A Lei n. A pena é de reclusão de três meses a um ano.Legislação Marítima – – a) lesão corporal grave.938/81. 7. igualmente.679/88 proíbe a pesca quando for feita com explosivos ou substâncias que causem explosão em contato com a água. para o armador e para o dono da carga. estão às normas jurídicas de proteção ao meio ambiente. c) morte. São duas as espécies de sanções impostas. b) dano. total ou parcial. Também quando utilizada substância tóxica.643/87 proíbe a pesca ou qualquer forma de molestamento intencional de cetáceos em águas jurisdicionais brasileiras. – • Em outro sentido. sem prejuízo da responsabilidade civil. a pena aumenta-se até o triplo.. do artigo 14. definindo crimes que estão relacionados com a atividade no mar ou em águas territoriais. a pena aumenta-se até a metade. a pena aumenta-se até o dobro. sabotar um navio é um ato que coloca vidas em perigo e também avarias que resultam em prejuízos econômicos. cuja legitimidade ativa para ação civil fica com o Ministério Público . mas. outra que atinge o patrimônio do infrator de duas formas: pena de multa de 50 a 100 OTN e perda da propriedade da embarcação em caso de reincidência. As embarcações sempre foram meio de transporte importante. • . sem dizer nos danos que o porto pode sofrer em decorrência da conduta criminosa. como nos rios e nos lagos. uma restritiva de liberdade com previsão legal de reclusão de dois a cinco anos. de atividade ou serviços públicos reputados essenciais para a defesa. nos termos do parágrafo 1º. A Lei 7.

mas. Ainda sobre a atividade de navegação o artigo 54 desta Lei refere-se de modo geral a conduta que causar poluição. Mais adiante. órgão de segurança pública subordinado ao Ministério da Justiça. apresenta algumas situações que podem estar relacionadas diretamente com a atividade de navegação. A pesca predatória ou o extrativismo de flora em águas territoriais estão proibidos e os infratores responderão pelos crimes previstos nesta Lei. assegurando a organização da segurança pública para preservar a ordem. A CRFB/88 dispõe no artigo 21. aeroportuária e de fronteiras”.executar os serviços de polícia marítima. a Constituição determina que a polícia marítima seja integrante da carreira da polícia federal..605/98 define os crimes contra o meio ambiente. o parágrafo 2º. também. • • • .Legislação Marítima • A Lei 9. Outro aspecto relevante e relacionado com o direito penal é a atividade de polícia marítima. os utensílios a bordo. ela pode estar sujeita à apreensão e. que compete à União:“XXII . garantida sua descaracterização por meio de reciclagem. Esta Lei determina a apreensão do instrumento de infração administrativa ou de crime. incolumidade das pessoas e do patrimônio. sendo ele vendido. III. 144. no art. Em toda e qualquer atividade embarcada. como alguém dificultar ou impedir o uso público das praias ou de ocorrer por lançamento de resíduos sólidos. em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos. ou detritos. quando caracterizada a infração ou crime ambiental. líquidos ou gasosos. parágrafo 1º. óleos ou substâncias oleosas. dentre eles destacam-se alguns que podem utilizar-se como instrumento a atividade de navegação.

Núcleo Especial de Polícia Marítima . tráfico ilícito de drogas e contrabando de armas. se a infração criminal for de tal natureza que possa perturbar a paz do país ou a ordem no mar territorial. em ação conjunta. contrabando de armas. reforços às ações policiais e atividade de mergulho. . embarcações ou litoral de nossa área de atuação e patrulhas rotineiras. como as que acontecem com crimes ambientais. conta com uma Equipe de Apoio dando suporte logístico. controle de imigração e crimes contra o meio ambiente. diurnas e noturnas. para prevenir contra atos de intenção criminosa.vai além do combate aos "atos de pirataria“[xi]. Atuando também. Especialmente. através do funcionamento de rotina e. atuando também na prevenção e repressão ao tráfico ilícito de entorpecentes. com objetivo de prevenir e reprimir crimes cometidos a bordo de embarcações. imigração ilegal. Realiza operações programadas para coibir ações ilícitas em ilhas. O funcionamento do NEPOM consiste no atendimento de qualquer chamado de emergência em plantão de 24 horas. • • • O Estado costeiro independentemente da bandeira da embarcação tem o direito de apurar e investigar crimes a bordo quando a infração criminal tiver conseqüências para o Estado costeiro. se a assistência das autoridades tiver sido solicitada pelo capitão do navio ou pelo representante diplomático ou funcionário consular do Estado de bandeira. em situações voltadas para o mar. ou se essas medidas forem necessárias para a repressão do tráfico ilícito de estupefacientes ou de substâncias entorpecentes [xiii].Legislação Marítima • O NEPOM . principalmente “atos de pirataria”[xii]. contrabando e descaminho. marítimas e terrestres. de efetuar o apoio operacional (meio e pessoal treinado) para as investigações das delegacias especializadas.

pescador. uma vez dentro destas embarcações pode desempenhar função específica. operador de rádio etc. Existem várias maneiras de uma pessoa trabalhar no ambiente de uma embarcação.Legislação Marítima • • 1. segundo o art. Também pode optar pela carreira de Oficial da Marinha Mercante que equivale ao curso superior ou pode ficar com funções básicas com a devida habilitação expedida pela Autoridade Marítima. é considerado um tripulante. Na doutrina encontra-se a lição de Alice Monteiro de Barros que “os marítimos integram a categoria dos aquaviários” [xiv]. na operação da embarcação” sendo que a estes se aplicará à legislação especial dos marítimos. as embarcações pesqueiras. navios. da Consolidação das Leis do Trabalho. por exemplo. como mecânico. mestre. conhecido popularmente como marinheiro.. embarcado. o trabalhador embarcado pode escolher a área de atuação profissional. para operar embarcações em caráter profissional. etc. • • . com habilitação certificada pela Autoridade Marítima. O direito do trabalho marítimo.3. O trabalhador marítimo é aquele que exerce atividade a bordo de embarcação classificada na navegação. estando sujeito às normas dos artigos 248 a 252. Esta Lei define como tripulante o “aquaviário ou amador que exerce funções. balsas.537/98. Este por sua vez. 2º da Lei nº 9.

sem exercer atribuições diretamente ligadas à operação da embarcação. então.Legislação Marítima • • Segundo a Sentença Judicial [xv]. O trabalhador portuário não se confunde com o marítimo. os passageiros (todo aquele que. embora seja uma profissão civil [xvii].” • Assim. porém. portanto. eles ficam sujeitos ao comandante. A Consolidação das Leis do Trabalho garante regime especial de jornada de trabalho aos marítimos [xvi]. mas também ressalta a garantia de recurso ao marítimo nos casos de abuso do poder pelo comandante ou superior hierárquico. eles não são considerados como trabalhadores marítimos. é transportado pela embarcação) bem assim os profissionais não-tripulantes (todo aquele que. acreditamos que não são considerados tripulantes. dada a sua condição de passageiros da embarcação. • . verificam-se também quem não são trabalhadores marítimos: “Estarão excluídos. não fazendo parte da tripulação nem sendo profissional não-tripulante prestando serviço profissional a bordo. da legislação especial. não são considerados marítimos os trabalhadores: em estaleiros ou oficinas de construção naval e nos portos. não são empregados do armador. uma vez que a Marinha Mercante é caracterizada pela disciplina a bordo da embarcação. muito semelhante à carreira militar. Existe uma questão complexa envolvendo pessoas admitidas a bordo como vendedores ou como agentes de recreação. presta serviços eventuais a bordo).

foi a navegação e o comércio marítimo. O direito empresarial marítimo. com uma frota tecnologicamente aprimorada com embarcações feitas de aço e com propulsão à motores potentes os navios petroleiros e outros super-cargueiros navegam por todos os oceanos oferecendo pronta e rápida entrega de bilhões de toneladas de petróleo e de matérias primas e alimentos. ou de economia mista.Legislação Marítima • • 1. pública. Como qualquer empresa a exploração do mar e das águas interiores é uma atividade particular. • • . com o objetivo de atender a necessidade dos seres humanos e a navegação representa uma das mais antigas formas de lucratividade. Atualmente. Um dos meios mais importantes. o termo foi criado pelo economista Adam Smith em 1776.4. cujo exemplo histórico mais marcante é conhecido como Mercantilismo. São conhecidos como armadores os empresários que atuam neste ramo da economia. que produz e oferece bens e/ou serviços. entre o século XV e os finais do século XVIII. É um segmento da economia totalmente consolidado.

O novo Código Civil entrou em vigor em janeiro de 2003. há muitos séculos existem as normas jurídicas e os tratados internacionais sobre a atividade empresarial marítima. mas permanece a PARTE SEGUNDA . Os contratos de seguro de mercadorias embarcadas e da própria embarcação também é um dos pontos de interesse nessa atividade empresarial. de 25 de junho de 1850). As Avarias marítimas passam a ter uma classificação como avarias particulares ou simples.DO COMÉRCIO MARÍTIMO. • • . de 1° de janeiro de 1916) e a Parte Primeira do Código Comercial (Lei n° 556. O direito marítimo interessa-se pelos Contratos e Formas de aquisição de um navio. legitimidade e competência e abalroamento por navio de guerra. e a responsabilidade de repartição e regulação de avarias. Mas também cuida da Assistência e salvação no mar: sobre a obrigatoriedade da assistência e salvação e da remuneração por assistência e salvação. que trata do Comércio em Geral.Legislação Marítima • Dessa forma.071. E questões relativas as Abalroamento no mar: criando definição e espécies de abalroamento. revogando expressamente o Código Civil de 1916 (Lei n° 3. distinção entre assistência e salvação e contrato de reboque. avarias grossas ou comuns. responsabilidade.

na verdade. outros por blocos (multilaterais) e os bilaterais (somente entre dois países). a complexidade de tratados internacionais. por exemplo. no tocante às normas sobre o comércio marítimo internacional. verifica-se que poucas faculdades se importam em estudar a Segunda Parte do Código Comercial que. imperando neste ramo uma especialização total dos profissionais e uma pouca possibilidade de textos mais abrangentes. principalmente. Também. Porém. do ponto de vista acadêmico.Legislação Marítima • A atitude do legislador brasileiro deixa dúvidas sobre a inserção do comércio marítimo nas novas teorias societárias adotadas pelo Código Civil de 2002. os navios de passageiros tornaram-se hotéis. o que ocorre é o esgotamento dos modelos nacionais no mundo globalizado atual. deixa claro. alguns globais. Somando-se a isso uma histórica falta de investimentos numa navegação de cabotagem em águas nacionais resultou na pouca influência do direito marítimo e na sua regulamentação sobre a empresa nos dias atuais. a pouca importância dada na reforma codificadora à navegação parece que distanciou o “velho” direito comercial do “novo” direito empresarial. Outra dificuldade. puro turismo de consumo imediato. cassinos. • • . a pouca doutrina escrita em sede de direito marítimo. apesar de vigente. é um negócio de entretenimento. parece esquecida. shopping centre e não mais servem como meio de locomoção entre as pessoas e os lugares. sem a noção de navegação como meio de transporte [xviii]. e até uma falta de interesse nos currículos obrigatórios dos cursos de graduação em direito.

O Brasil tem um imenso território e. o aumento no movimento nos portos marítimos e fluviais era a questão crucial para a circulação de riquezas no Brasil e havia a necessidade de definir responsabilidades na área portuária. do extremo norte ao sul foi necessária estabelecer edificações relacionadas à soberania do Império de Portugal na Colônia. criou a Capitania do Porto. João VI o Príncipe Regente. na sua Segunda-Parte vigente. onde circulavam cada vez mais navios e outras embarcações menores. desde 1813. • • • . o Governo Imperial. desde gramatical até cultural. durante a Revolução Farroupilha. há uma timidez teórica e legislativa entre os brasileiros na revisão do Código Comercial de 1850. ao sul.Legislação Marítima • Embora seja de extrema importância. uma larga faixa de mar territorial no Oceano Atlântico. Assim. consequentemente. Os órgãos da autoridade marítima. citando ao norte o Maranhão subordinado à Divisão Naval do Norte e por outro lado. que inspirada na atuação dos Arsenais de Marinha e Administrações Navais. havia criado as Divisões Navais nas costas do Brasil. Rio Grande. então. aguarda-se por uma reforma urgente e mais condizente com o direito e a economia do Século XXI. local onde surgiu uma idéia efetiva de criação das Capitanias dos Portos. 2. de 14 de agosto de 1845. portanto. Já não era mais a defesa militar o único ponto de vista do Imperador. elas foram criadas na província do Rio Grande. com características de defesa em casos de ataques e guerras. em todas as Capitanias que possuíssem porto. D. de fato existe uma inadequação temporal. através do Decreto de número 358.

caput. salvaguarda da vida humana no mar e prevenção à poluição hídrica. as normas vigentes são reguladas por Portarias destes órgãos. lacustres e fluviais do Território Nacional. sendo representada por suas Diretorias Especializadas. Exercendo o poder de fiscalização em segurança da navegação. mas. por exemplo. sempre militarizada. com suas diversas composições e finalidades. a principal é a Diretoria de Portos e Costas (DPC) que conta com as Capitanias dos Portos e respectivas Delegacias e Agências. atuantes nas principais vias navegáveis marítimas. de cada órgão a seguir indicado: (*) Art. 3º A CIRM. é a Autoridade Marítima brasileira.09.939. onde estabelecem as diretrizes a serem cumpridas para o local sob sua competência. com redação dada pelo Decreto nº 4. por força de lei. ainda como Colônia de Portugal e permanece até os dias de hoje.DOU de 21.08. portanto. designado Autoridade Marítima. titular ou suplente.” O órgão das Forças Armadas. • • • . que dispõe sobre a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) e dá outras providências. como se verifica. fixando a pessoa de direito como Autoridade Marítima. de 20.2003. A Marinha do Brasil. de 26. a Marinha do Brasil. 3º. exerce o poder naval.2003 . remonta à época do Brasil.2001. coordenada pelo Comandante da Marinha. nos seguintes termos: “(*)Art.Legislação Marítima • A Autoridade Marítima.08.815. será composta por um representante. como função subsidiária exerce o poder marítimo. no caso do Decreto nº 3.

ao lado de militares da Marinha. mantém registro de propriedade e ônus que recaem sobre embarcações. o Tribunal Marítimo. subordinadas ao Ministério da Defesa e. laudos e vistorias. também. por não ser órgão pertencente ao poder judiciário. ficando sempre as suas matérias julgadas sujeitas ao reexame pelo poder judiciário.Legislação Marítima • Como órgãos localizados nos Estados-membros da União. disciplinares. No entanto. do Ministério da Defesa. via de regra. fazendo parte de um corpo técnico especializado. como sendo uma atividade pública específica sobre questões técnicas. porém. como em perícias. servidores públicos civis. ou seja. evidentemente. em sede de jurisdição administrativa. não exerce atividade jurisdicional propriamente dita e embora as suas decisões não se revistam de caráter jurisdicional típico garantem a imparcialidade e a neutralidade no processo administrativo. organizacionais e de aplicação do direito marítimo. . não somente militares atuam como agentes púbicos nas tarefas decorrentes das competências das Capitanias dos Portos. em última instância. investiga acidentes e fatos da navegação. são integrantes da Marinha do Brasil e constitucionalmente pertencentes às Forças Armadas. também. que envolve a Autoridade Marítima. órgão autônomo e auxiliar do poder naval. desempenham funções importantes. que. • • • Atua na resolução de conflito em matéria de sua competência. ao Presidente da República. estão presentes em todo território nacional. Há. as Capitanias dos Portos. Fundamenta-se este poder do Tribunal Marítimo como sendo uma espécie de jurisdição atípica para questões da Administração Pública.

por lei é órgão autônomo. 2. inclusive. em razão de sua plena especialização nos seus julgamentos. o Tribunal Marítimo tem jurisdição aos fatos e acidentes da navegação sob o aspecto da territorialidade e da extraterritorialidade.Legislação Marítima • Segundo o Desembargador Athos Gusmão Carneiro existe mesmo uma “jurisdição anômala”. no sentido da exploração industrial e comercial do transporte aquaviário. com mais alcance que o próprio poder judiciário brasileiro. Agência Nacional de Transporte Aquaviário. Então. da Lei n.180/54. Vale ressaltar que a recente ANTQ. contando com corpo de juízes com formação especializada avaliada em processo legal de escolha dos integrantes desse órgão judicante administrativo[xx]. exatamente. em que um órgão diverso do poder judiciário exerce atividade judicante. este órgão tem como objetivo regular a atividade econômica. bem como manter o registro da propriedade marítima. • • • . É. esta a jurisdição exercida pelo Tribunal Marítimo [xix]. fluvial e lacustre. não exerce o poder marítimo e não integra a Autoridade Marítima. tem como principais atribuições julgar os acidentes e fatos da navegação marítima. nos termos da lei que o criou. O Tribunal Marítimo tem jurisdição em todo o território nacional. nos termos do artigo 10.

e) as dos lagos. III e VI. todas aquelas sob jurisdição nacional que não sejam interiores. da Constituição Federal.966/00: Art. 3º Para os efeitos desta Lei são consideradas águas sob jurisdição nacional: I . Tratados e Acordos internacionais ratificados pelo Brasil. das lagoas e dos canais. d) as dos rios e de suas desembocaduras. não se pode dizer o mesmo das disposições em vigor do Código Comercial de 1850. II .águas marítimas. evidentemente superadas pelo tempo. este que tem a obrigação de observar os textos de Convenções. as normas contidas precisam ser atualizadas pelo legislador.Legislação Marítima • Concluindo. fica evidente que num cenário de desenvolvimento naval o Brasil encontra uma organização de direito administrativo marítimo muito eficaz. a) as compreendidas entre a costa e a linhade-base reta. porque. e mais explicitada na Lei 9. Notas: [i] Águas jurisdicionais brasileiras são todas aquelas elencadas no art. 20. c) as das baías. a partir de onde se mede o mar territorial. Já.águas interiores. como membro e signatário. f) as dos arquipélagos. b) as dos portos. g) as águas entre os baixios a descoberta e a costa. • • .

E a posição do Código Comercial.Redação Terra. Direito da navegação. sendo que ss primeiras regulam a liberdade dos mares. 2 de abril de 2007.Legislação Marítima • [ii] SANTOS.terra. 03h31 Atualizado às 08h11. onde estão as normas do direito marítimo administrativo e penal. art. o direito e obrigações entre beligerantes e neutros.00. A decisão foi tomada depois do motim dos controladores de vôo na última sexta-feira .br/brasil/interna/0.que parou os aeroportos por todo o País. Rio de Janeiro: Forense. Paulo: “O governo pretende assinar nesta terça-feira uma medida provisória que irá transferir 1. segundo o jornal”. • . que são as que regem a armação e expedição de navios e as relações decorrentes dos fatos inerentes à navegação. p. fonte O Estado de S.5 mil controladores para o recém-criado Controle da Circulação Aérea Geral. Theophilo de Azevedo. normas de direito internacional marítimo: público ou privado.OI1521967-EI7897. O tráfego aéreo nacional está sem supervisão dos oficiais da Aeronáutica. Classificam-se as normas do direito marítimo da seguinte forma: normas de direito público marítimo. Segunda.com. 10. [iii] http://noticias. 460. que deixaram as funções antes mesmo da criação do novo órgão civil que vai gerir a área..html. as segundas dos conflitos de leis derivados da navegação marítima e normas de direito empresarial marítimo. 1964.

Constituem monopólio da União: (. observar os acordos firmados pela União. Na ordenação do transporte aquático. • • • . No entanto. as normas jurídicas relativas à navegação no mar territorial. ou seja. atendido o princípio da reciprocidade.. neste trabalho. igualmente subordinada à jurisdição administrativa de Autoridade Marítima brasileira. E o controle do poder da autonomia da vontade. tudo no interesse público. cometidas no mar territorial brasileiro. seus derivados e gás natural de qualquer origem. por meio de conduto. Art. [v] A navegação lacustre e fluvial também está intimamente ligada ao direito administrativo e submetida à fiscalização estatal em questões de normas de tráfego e segurança. [vii] Vide exemplos. Parágrafo único.) IV . [vi] Da mesma forma. a lei estabelecerá as condições em que o transporte de mercadorias na cabotagem e a navegação interior poderão ser feitos por embarcações estrangeiras. 178. na CRFB/88: Art. quanto à ordenação do transporte internacional.Legislação Marítima • [iv] No direito administrativo marítimo localiza-se.. dentre outros assuntos. apenas tratamos das infrações marítimas. de petróleo bruto. 177 . observando-se o princípio da legalidade e outros pertinentes ao direito administrativo. aquático e terrestre. devendo. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo. que se impõem aos indivíduos engajados na atividade marítima. cabendo sua execução à administração pública.o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos do petróleo produzidos no País. relevantes são os limites impostos à propriedade privada do navio. bem assim o transporte..

territorial integrity or political independence of the coastal State.mre. (i) any fishing activities. (k) any act aimed at interfering with any systems of communication or any other facilities or installations of the coastal State. good order or security of the coastal State.htm. acesso 31/03/2007. Passage of a foreign ship shall be considered to be prejudicial to the peace. Such passage shall take place in conformity with this Convention and with other rules of international law. Passage is innocent so long as it is not prejudicial to the peace. (e) the launching.Legislação Marítima • • [viii] http://www2. A disciplina jurídica dos espaços marítimos na Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar de 1982 e na Jurisprudência Internacional. • . landing or taking on board of any aircraft. (f) the launching. p. [x] Article 19. Meaning of innocent passage: 1. (h) any act of wilful and serious pollution contrary to this Convention. fiscal.br/dai/imo. 1999. (j) the carrying out of research or survey activities. (g) the loading or unloading of any commodity. good order or security of the coastal State if in the territorial sea it engages in any of the following activities: (a) any threat or use of force against the sovereignty.gov. landing or taking on board of any military device. [ix] FIORATI. or in any other manner in violation of the principles of international law embodied in the Charter of the United Nations. currency or person contrary to the customs. Rio de Janeiro: Renovar. 12. 2. (d) any act of propaganda aimed at affecting the defence or security of the coastal State. Jete Jane. (b) any exercise or practice with weapons of any kind. (c) any act aimed at collecting information to the prejudice of the defence or security of the coastal State. (l) any other activity not having a direct bearing on passage. immigration or sanitary laws and regulations of the coastal State.

abdm. de atos de pirataria.br/informativos/crimes_a_bordo. Parecer. em 16/11/2009. Como nos informa Celso D. Há um costumeiro entendimento de que a pirataria é representada por qualquer ato de pilhagem de um navio. como nova não é a falta de solução global e até mesmo local. including tourist resorts. significando o que vai à procura de aventuras e. de Albuquerque. using or against vessels or fixed platforms at sea or in port. against coastal facilities or settlements.” [xii] http://www. port areas and port towns or cities.com/definitions/. acesso 2/4/2007: “Qual a origem da palavra pirataria? Sua origem vem do grego peirates. O questionário enviado trata de delitos criminais. aí incluídos os casos de roubo e outros tipos de violência. estendendo o conceito. Defining Maritime Terrorism: The Council for Security Cooperation in the Asia Pacific (CSCAP) Working Group has offered an extensive definition for maritime terrorism: “…the undertaking of terrorist acts and activities within the maritime environment. não sendo.” • . Valdir Andrade. dividindo-os entre aqueles conformes e os não conformes com a SUA.http://www. ou ainda que roubo e pirataria seriam palavras sinônimas.org. e ainda subsiste em nossos dias. o que nos remete a uma análise mais ampla da matéria. um problema novo. seria o ladrão do mar. sem especificá-los.htm. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DIREITO MARÍTIMO.maritimeterrorism. portanto. or against any one of their passengers or personnel. haja vista os relatos em todo o mundo. a repressão à pirataria já existia em Roma.Legislação Marítima • [xi] SANTOS. Acesso.

• Vide a Constituição brasileira: Art. segundo se dispuser em lei. III – exercer as funções de polícia marítima.Legislação Marítima • [xiii] Convención de las Naciones Unidas sobre el Derecho del Mar.1. através dos seguintes órgãos: § 1° A polícia federal(.. salvo en los casos siguientes: a) Cuando el delito tenga consecuencias en el Estado ribereño. 2. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. Aos juízes federais compete processar e julgar: IX. dever do Estado. b) Cuando el delito sea de tal naturaleza que pueda perturbar la paz del país o el buen orden en el mar territorial. o d) Cuando tales medidas sean necesarias para la represión del tráfico ilícito de estupefacientes o de sustancias sicotrópicas. c) Cuando el capitán del buque o un agente diplomático o funcionario consular del Estado del pabellón hayan solicitado la asistencia de las autoridades locales. Las disposiciones precedentes no afectan al derecho del Estado ribereño a tomar cualesquiera medidas autorizadas por sus leyes para proceder a detenciones e investigaciones a bordo de un buque extranjero que pase por el mar territorial procedente de aguas interiores. 144. La jurisdicción penal del Estado ribereño no debería ejercerse a bordo de un buque extranjero que pase por el mar territorial para detener a ninguna persona o realizar ninguna investigación en relación con un delito cometido a bordo de dicho buque durante su paso. A segurança pública. aeroportuária e de fronteiras. ressalvada a competência da Justiça Militar. os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves. direito e responsabilidade de todos é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme.. Art.) destina-se a: I – apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. . Jurisdicción penal a bordo de un buque extranjero. 109. Artículo 27.

nunca por período menor que 1 (uma) hora. Art. [xv] PODER JUDICIÁRIO. [xvi] Art. possam prejudicar a saúde do tripulante serão executados por períodos não maiores e com intervalos não menores de 4 (quatro) horas. Ed. VARA DO TRABALHO DO RIO DE JANEIRO – RJ. – § 2º .Todo o tempo de serviço efetivo. 250. 249 . quer de modo intermitente. 2ª ed. TRT DA 1ª REGIÃO. Contratos e Regulamentações Especiais de Trabalho. LTr. o tripulante poderá ser conservado em seu posto durante 8 (oito) horas. quer de modo contínuo. 2002.Entre as horas 0 (zero) e 24 (vinte e quatro) de cada dia civil.. – § 1º . 248 . Alice. sujeito à compensação a que se refere o art.Legislação Marítima • [xiv] MONTEIRO DE BARROS. passadiço. consoante parecer médico. excedente de 8 (oito) horas.A exigência do serviço contínuo ou intermitente ficará a critério do comandante e. ocupado na forma do artigo anterior. exceto se se tratar de trabalho executado: • • • . neste último caso.Os serviços de quarto nas máquinas. PROCESSO 00664-2005-064-01-00-5. 64ª. JUSTIÇA DO TRABALHO. vigilância e outros que. será considerado de trabalho extraordinário.

salvo se se destinar: – a) ao serviço de quartos e vigilância. serviço pessoal destes e. para salvaguarda ou defesa da embarcação. inclusive operações de alívio ou transbordo de carga. desatracação. b) ao fim da navegação ou das manobras para a entrada ou saída de portos. para obtenção de calado menor para essa transposição. embarque ou desembarque de carga e passageiros. a juízo exclusivo do comandante ou do responsável pela segurança a bordo. c) por motivo de manobras ou fainas gerais que reclamem a presença. d) na navegação lacustre e fluvial. sendo consideradas como tais todas aquelas que a bordo se achem constituídas em um único indivíduo com responsabilidade exclusiva e pessoal.O trabalho executado aos domingos e feriados será considerado extraordinário. . aos socorros de urgência ao navio ou ao pessoal. bem assim. • § 1º .Legislação Marítima – a) em virtude de responsabilidade pessoal do tripulante e no desempenho de funções de direção. dos passageiros. b) na iminência de perigo. na transposição de passos ou pontos difíceis. • • • § 2º . ou da carga. de todo o pessoal de bordo.Não excederá de 30 (trinta) horas semanais o serviço extraordinário prestado para o tráfego nos portos. ou por efeito das contingências da natureza da navegação. em seus postos. limpeza e higiene da embarcação. preparo de alimentação da equipagem e dos passageiros. atracação. quando se destina ao abastecimento do navio ou embarcação de combustível e rancho. movimentação das máquinas e aparelhos de bordo.

ou pelo pagamento do salário correspondente. Parágrafo único . em termos. por descanso em período equivalente no dia seguinte ou no subseqüente dentro das do trabalho normal. e outro.Os livros de que trata este artigo obedecerão a modelos organizados pelo Ministério do Trabalho. o qual deverá encaminhá-lo com a respectiva informação dentro de 5 (cinco) dias. contados de sua chegada ao porto. [xvii] Art.Legislação Marítima • Art. 250 . segundo a conveniência do serviço. do qual constarão.As horas extraordinárias de trabalho são indivisíveis.As horas de trabalho extraordinário serão compensadas. serão escriturados em dia pelo comandante da embarcação e ficam sujeitos às formalidades instituídas para os livros de registro de empregados em geral. por intermédio do respectivo comandante. • • • • . Parágrafo único . ou no fim da viagem. computando-se a fração de hora como hora inteira.Em cada embarcação haverá um livro em que serão anotadas as horas extraordinárias de trabalho de cada tripulante. perante a Delegacia do Trabalho Marítimo.Qualquer tripulante que se julgue prejudicado por ordem emanada de superior hierárquico poderá interpor recurso. Indústria e Comercio. devidamente circunstanciadas. 252 . Art. as transgressões dos mesmos tripulantes. 251 .

As nomeações dos Juizes Militares e Civis serão feitas pelo Presidente da República. porém. § 2º .O Tribunal Marítimo compor-se-á de sete juízes a saber: a) um Presidente. da ativa ou na inatividade. fluvial ou lacustre.Generais do Corpo da Armada. b) dois Juízes Militares. Athos Gusmão. p. podendo ser reconduzido. respeitado. 2º . Saraiva. os limites de idade estabelecidos para permanência no Serviço Público. será de livre nomeação do Presidente da República com mandato de dois anos. Até mesmo esta definição clássica da doutrina parece não ter mais efeito em se tratando dos novos navios de cruzeiro. 13/14. e. c) quatro Juizes Civis. 1988. atendidas as seguintes condições: • • • – .Legislação Marítima • [xviii] O termo navio ou embarcação mercante abrange as embarcações destinadas ao comércio marítimo. Jurisdição e Competência. Oficial-General do Corpo da Armada da ativa ou na inatividade. Oficiais de Marinha. [xx] Art. – § 1º .O Presidente do Tribunal Marítimo. e ao transporte de carga e/ou de passageiro. indicado pelo Ministro da Marinha dentre os Oficiais . mediante proposta do Ministro da Marinha e. na inatividade. [xix] CARNEIRO.

com idade compreendida entre trinta e cinco e quarenta e oito anos e com mais de cinco anos de efetivo comando em navios brasileiros de longo curso. especializado um deles em Direito Marítimo e o outro em Direito Internacional Público. dois bacharéis em Direito. – 3. um especialista em armação de navios e navegação comercial. de reconhecida idoneidade e competência. com mais de cinco anos de prática forense e idade compreendida entre trinta e cinco e quarenta e oito anos. – 2. subespecializado em Máquinas ou Casco. b) para Juizes Civis: – 1. de reconhecida idoneidade e competência. um Capitão-de-Longo-Curso da Marinha Mercante. sem punição decorrente de julgamento em tribunal hábil. . de reconhecida idoneidade. Capitão-de-Mar-e-Guerra ou Capitão-de-Fragata da Ativa ou na inatividade.Legislação Marítima • a) para Juízes Militares. com idade compreendida entre trinta e cinco e quarenta e oito anos e com mais de cinco anos de exercício de cargo de direção em empresa de navegação marítima. sendo um deles do Corpo da Armada e outro do Corpo de Engenheiros e Técnicos Navais.

FIM • Obrigado .