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INSTITUTO DOCTUM DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA FACULDADES UNIFICADAS DOCTUM DE TEÓFILO OTONI – MG

BRUNO GONÇALVES COSTA

OBESIDADE COMO SINTOMA

TEÓFILO OTONI – MG 2012

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INSTITUTO DOCTUM DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA FACULDADES UNIFICADAS DOCTUM DE TEÓFILO OTONI – MG

BRUNO GONÇALVES COSTA

OBESIDADE COMO SINTOMA

Projeto de Pesquisa apresentado ao Curso de Psicologia das Faculdades Unificadas Doctum de Teófilo Otoni, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Psicologia. Área de concentração: Psicologia Clínica Orientador: Prof. Adriane Nóbrega

TEÓFILO OTONI 2012

como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Psicologia.3 Bruno Gonçalves Costa Obesidade como sintoma Projeto de Pesquisa apresentado às Faculdades Doctum campus Teófilo Otoni MG. BANCA EXAMINADORA _______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ _______________________________________ Aprovado em _____ / _____ / __________ .

O presente trabalho tem como objetivo pensar a obesidade pelo ângulo da psicanálise. Palavras – chave: Obesidade. isso porque dados estatísticos tem apontado para uma crescente no número de pessoas obesas no Brasil e no mundo. entre eles podemos citar os fatores genéticos. cultural e endócrino. Para construção deste trabalho será feita uma revisão bibliográfica de autores que tratam do assunto em livros e artigos científicos nas bases de dados eletrônicas Scielo e Google Acadêmico com os seguintes descritores de assunto: obesidade. tem aumentado o interesse pelo estudo da obesidade. São muitos os fatores envolvidos na causa e manutenção da obesidade. sintoma e psicanálise.4 Resumo Atualmente. sintoma e obesidade como sintoma. vendo-a como um sintoma psicogênico que se expressa no corpo do sujeito. .

..1...................1......................................1.2 CAUSAS.................................................................................... 16 6........................ 9 6........1 CONCEITO............ 6 3) OBJETIVO GERAL.............18 7) METODOLOGIA................................................... 9 6......2 SINTOMAS..................................1 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO DOS SINTOMAS SEGUNDO FREUD......................................................1 OBESIDADE.................1...................2................................ 13 6... 23 .....................................................................2 DESLOCAMENTO E CONDENSAÇÃO...................... 8 6) REFERENCIAL TEÓRICO........... 22 9) REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA. 7 5) JUSTIFICATIVA...........1.................................1...................................................................................................... 21 8) CRONOGRAMA.......................................... 5 2) HIPÓTESE. 9 6...................................................................... 15 6.................... 12 6...................2....................5 Sumário 1) APRESENTAÇÃO..........................4 PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA OBESIDADE MUNDIAL..................................1 PULSÃO .........2............................................................................................................3 HISTÓRIA DA OBESIDADE..............................................................................3 OBESIDADE COMO SINTOMA...........1.. 13 6....................... 7 4) OBJETIVO ESPECÍFICO........................................................................................................................1.........17 6.5 COMORBIDADES............... 10 6.........................................2............................... 15 6...

não está sendo alcançada a meta de diminuir o número de obesos no país. sem dúvida é uma preocupação que atinge vários setores da sociedade como a população em geral. . (Vigitel. ou seja. A psicanálise pode contribuir na compreensão dos fatores psicogênicos que podem estar envolvidos no aumento e principalmente na manutenção do peso. Uma das formas de expressão do sofrimento e da libido que não acham vazão por vias “normais” se dá no corpo. é um fato que se impõe pedindo respostas a curto. Apesar de haver inúmeros tratamentos sérios como dietas. 2011). Vários são os fatores que contribuem para o aumento e manutenção do número de obesos. médio e longo prazo. A pessoa com excesso de peso tem que ser vista como um todo. foi a forma inconsciente que sujeito encontrou de resolver seus problemas. assim podemos inferir que a obesidade em certos momentos pode ser sintomatológica. o Estado e pesquisadores e não sem razão. Pensar em obesidade hoje é uma necessidade e não mais uma escolha.6 1) Apresentação A obesidade é um dos assuntos mais discutidos nos dias atuais. sua história de vida e seu presente juntamente com sua forma de ver o mundo devem ser valorizados no tratamento contra a obesidade. o Ministério da Saúde em uma de suas pesquisas a Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção Para Doenças Crônicas Por Inquérito Telefônico) realizada em 2011 aponta em sua síntese das tendências no Brasil que o excesso de peso e obesidade entre homens e mulheres no país é um dado preocupante. pois segundo várias pesquisas o número de pessoas obesas e acima do peso tem crescido a cada ano. e um deles é o fator psicogênico que foi escolhido como proposta de pesquisa. remédios que auxiliam na perda do apetite e redução de estômago e também outros não tão sérios assim como dietas milagrosas sem uma comprovação ou validação dos órgãos responsáveis.

7 2) Hipótese: A obesidade pode ser um sintoma psicogênico. é uma das formas de expressão do sofrimento do sujeito no corpo .

. Articular teorias psicanalíticas sobre a obesidade e sintoma. mostrando que a obesidade pode ser um sintoma psicogênico que se apresenta no corpo do sujeito que sofre.8 3) Objetivo Geral: Tratar do tema da obesidade sob a ótica da psicanálise articulando seus conceitos com o tema em questão. deslocamento e condensação. libido. Abordar conceitos como pulsão. 4) Objetivos Específicos:    Conceituar obesidade e sintoma.

como doenças cardíacas. diabetes e cirurgias e além disso. pois o número de pessoas que voltam a engordar depois de um tratamento. O Estado é onerado anualmente com as doenças decorrentes da obesidade. talvez por causa dos padrões de beleza existentes. dado esse considerado alarmante por causa das consequências negativas que o excesso de peso pode trazer para a saúde do indivíduo. é muito grande. Assim justifica-se o presente trabalho.9 5) Justificativa A obesidade não é um conceito novo. não só futura como também para o presente afim de uma melhor compreensão do assunto. mas nas últimas décadas tem ganhado destaque em todo o mundo e no Brasil de forma especial por causa do crescimento de pessoas acima do peso. como nas cirurgias redutoras. por isso a importância do estudo dos aspectos psicogênicos envolvidos. no intuito de contribuição. . Cada vez mais importante em nossos dias. O Ministério da Saúde já considera baseada em suas pesquisas. como o sofrimento vivido pela pessoa obesa e sua família. que quase a metade da população nacional está acima do peso. É preciso pensar em políticas públicas de prevenção e combate à obesidade. sendo considerada uma epidemia ganhou muita relevância. há outros problemas também não menos importantes. mais notadamente em mulheres.

ser caracterizadas por doenças com história natural prolongada. 2004) e também as Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT) podem: . manifestações clínicas com períodos de remissão e de exacerbação. doenças crônicas-degenerativas ou como doenças crônicas não-transmissíveis. 2007).1. especificidade de causa desconhecida. conforme quadro abaixo: . curso clínico em geral lento.. É difícil a conceituação da obesidade.1. prolongado e permanente. sendo esta última a conceituação atualmente mais utilizada” (PINHEIRO. nas últimas décadas aumentou de forma considerável o número de pessoas obesas no Brasil e no mundo. múltiplos fatores de risco complexos. causa necessária desconhecida. o que acaba gerando polêmica em sua denominação. ausência de participação ou participação polêmica de microrganismos entre os determinantes. 1999).10 6) Referencial teórico 6. hoje um dos principais desafios do século em questão de saúde pública (COUTINHO. longo curso assintomático. FREITAS e CORSO. lesões celulares irreversíveis e evolução para diferentes graus de incapacidade ou para a morte (Lessa I. A obesidade é conceituada como excessivo acúmulo de gordura no corpo e que acarreta prejuízos à saúde do indivíduo (MONTEIRO. Obesidade 6. afeta a qualidade de vida da pessoa e pode aumentar a taxa de mortalidade e morbilidade e há uma maior prevalência ainda nos países desenvolvidos. longo período de latência. Também o Ministério da Saúde diz que é uma doença crônica que atinge homens e mulheres de todas as etnias e todas as idades. A partir do resultado é considerado obeso quem obtiver um valor igual ou superior a 30 Kg/m². 1998) O diagnóstico da obesidade é feito levando em consideração um índice criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) onde é obtido o resultado a partir da relação entre peso do corpo (Kg) e a estatura (m)² dos indivíduos chamado de body mass index (BMI) ou índice de massa corporal (IMC).. interação de fatores etiológicos desconhecidos. “seja como doenças não-infecciosas.1 Conceito A obesidade tem se tornado cada vez mais uma preocupação mundial.

R. Apesar de haver registros de pessoas acima do peso ou “homens corpulentos” desde a Era Paleolítica nunca houve um número tão grande como nos dias de hoje de obesos (WORLD HEALT ORGHANIZATION apud A. 2007) Peso inferior ao normal Peso normal Pré-obesos Obesidade grau I Além dos critérios objetivos para a mensuração da obesidade. Segundo Loli apud Rosa (2007). vários fatores influenciam na sua gênese e manutenção. sob esse ponto de vista é necessário se valer de indicadores estéticos.11 Quadro de referência do IMC IMC < 20 IMC entre 20 e 24. São complexos os fatores que determinam este desequilíbrio e ele pode ser “resultado de interações entre fatores genéticos. PINHEIRO et al.9 IMC entre 30 e 34. socioeconômico. a ginóide (ou ginecóide) e andróide. há outros autores que adotam também critérios subjetivos ou qualitativos na avaliação do obeso.2000). Para entendermos o motivo de tamanho crescimento do número de obesos na atualidade é necessário pensarmos em vários fatores.2004). 6. culturais e ambientais” (BLUMENKRANTZ apud FRANCISCHI et al.1. A obesidade só começou a . como citado acima.O.2 Causas Inúmeras podem ser as causas da obesidade. Pode-se ainda acrescentar que para a OMS a porcentagem de “gordura normal” situa -se entre 15 e 18% para o sexo masculino e entre 20 e 25 % para o sexo feminino.9 IMC > 40 Obesidade grau II Obesidade grau III (MONTEIRO apud ROSA.9 IMC entre 35 e 39.. A primeira acomete-se mais a mulheres e é chamada também de obesidade em forma de pêra ou subcutânea e a segunda encontra-se mais em homens e é a obesidade em forma de maçã ou visceral onde acumula gordura no abdômen. na realidade não dá para isolar um fator e dizer que ele é o responsável. onde a quantidade de energia ingerida é superior a energia gasta..9 IMC entre 25 e 29. psicológicos. sob esse critério qualitativo ou estético há dois tipos de obesidade. O acúmulo de gordura é resultado de sucessivos balanços energéticos positivos.

entre eles é destacado a mecanização dos processos. 2007). entrou no Código Internacional de Doenças (CID–10) (ROSA.12 se agravar depois da metade do século passado e justamente por isso o excesso de peso. ainda há divergências sobre os resultados obtidos. Há outras causas para a obesidade. como é o caso das obesidades relacionadas a problemas endócrinos. com isso diminui-se o uso da força física (WANDERLEY e FERREIRA. Com a modernidade emergiu um novo estilo de vida que fez com que as pessoas mudassem sua forma de alimentar (FISCHLER apud WANDERLEY e FERREIRA. Com maior fartura e com o desenvolvimento da tecnologia alimentar o consumo aumentou significativamente e todo tipo de gênero tornou-se acessível (Idem). e do perfil de saúde das populações”. São pouco citados esses casos pela baixa incidência. No passado houve uma escassez de alimentos. Mas baseado em estatísticas ainda não é possível fazer tais afirmações (ROSA. 2007). Na realidade as pesquisas genéticas sobre a obesidade estão no início. mas muitas delas ainda há pouca discussão a respeito. há vários estudos tentando mensurar e provar que pessoas obesas o são por influência dos genes. Há pesquisas que dizem que fatores genéticos respondem por 24 a 40 % das causas da obesidade (COUTINHO e DUALIB apud ROSA 2007). 2007).. passou a ser uma dieta rica em gordura (principalmente animal). que acompanham mudanças econômicas. segundo ROSA . Atualmente tem havido a discussão da influência genética na obesidade. e a mudança na estrutura das ocupações do trabalho. tornamos mais sedentário do que no passado. o setor terciário passou ser mais procurado e preenchido. Em contrapartida a nossa atividade física diminuiu. padronizado e nomeado como obesidade. “é um processo de modificações sequenciais no padrão de nutrição e consumo. vários podem ser os fatores influenciadores. açucares e alimentos refinados. A nossa dieta ocidental além de ter aumentada modificou-se também. Um desses processos é o de Transição Nutricional que de acordo com Popkin et al. Todas essas mudanças juntamente com outras que serão citadas são importantes para o entendimento da obesidade. com a Revolução Industrial e a mecanização houve possibilidade do aumento na produção. sociais e demográficas. É importante saber acerca dos processos que passou a humanidade para assim entendermos a obesidade na atualidade. diminuindo o uso da força física. 2007).

que são os fatores social. na realidade não há relatos de obesos como conhecemos hoje e mesmo que houvesse a relação dessa sociedade com eles provavelmente seria diferente. Dando um grande salto na história.13 (2007) são raras e “acometem aproximadamente de 1% a 5% da população mundial”. 2002). Olhando para o passado conseguimos perceber uma parte (afinal.1.3. inclusive as mulheres também faziam (PADEZ. afinal vivemos sob uma ditadura da magreza. aparece a agricultura que transforma todo cenário existente. A título de exemplificação podemos lembrar nossos “antepassados hominídeos e os primeiros humanos anatomicamente modernos. teriam tido uma subsistência semelhante a alguns grupos de caçadores-recolectores actuais” (ULIJASZEK apud PADEZ. 2002). Apesar de ter . 2004). precisavam carregar o peso das caças nessas distâncias. nosso conhecimento sempre será limitado) da trajetória de nós seres humanos. Isso significa que eles não estocavam comida como nos dias atuais e que eles precisavam caçar animais e recolherem os vegetais para se alimentarem e não estocavam por não terem como fazer isso e também sua relação com a caça era de grande respeito. Com a agricultura inicia-se a sedentarização (PADEZ. Há outros fatores não menos importantes. até pelo contrário. uma vez que é possível produzir o próprio alimento e em uma maior escala. cultural e psicológico. mas que serão objetos de estudo em capítulos posteriores. Diferentemente de hoje. além disso. se torna menos necessário percorrer longas distâncias para encontrá-lo. História da obesidade “Em certo sentido. ou seja. pode-se inferir que no passado os nossos ancestrais percorriam longas distâncias para obter o alimento e. Baseado em estudos dos atuais Bosquímanos que são caçadoresrecoletores e que até pouco tempo dependiam totalmente da caça. 2004). 2002) o que provavelmente tinha um gasto calórico como resultado. pode-se dizer que a história da humanidade foi pautada pela luta contra a fome “ (FILHO. Existem algumas esculturas e pinturas que indicam a presença de pessoas mais corpulentas (FILHO. 6. a relação das pessoas com o alimento era diferente.

segundo Who apud Rosa 2007.2004). o uso da força humana foi substituído pelas máquinas. não tem seguido esse ritmo de crescimento do número de obesos no mundo. Com a industrialização iniciou-se uma maior mecanização dos processos.2004).4. Na Europa constatou-se um aumento entre 10% e 40% em 10 anos da obesidade nos países como. a Inglaterra.R. PINHEIRO et al. Nos dias atuais sempre se cria novas comodidades. mas também os em desenvolvimento. (Dados da Worl Health Organization (WHO)2 apud A. Perfil epidemiológico da obesidade mundial O perfil epidemiológico mundial da obesidade tem modificado nas últimas décadas de forma muito rápida e crescente. e consequentemente se instalou o sedentarismo ou falta de esforço físico.R. como é chamado tecnicamente. os dados atuais são alarmantes..1. facilitação da comunicação pelos computadores os electrodomésticos. (A. e elas são inúmeras como se pode ver no quadro de resumo abaixo: Aparelho cardiovascular Hipertensão arterial.1. arteriosclerose. pode-se observar em todos os âmbitos. 2002) 6. Com a introdução de novas tecnologias o esforço físico é quase nulo. Apenas países da África e alguns como Japão e China. Comorbidades Vários podem ser os prejuízos ou comorbidades. tem seguido o mesmo ritmo. Esses dados têm sido mais expressivos em países desenvolvidos.. por exemplo. relacionados à obesidade.14 se iniciado a agricultura ainda era preciso o uso da atividade física para o trabalho. as máquinas agrícolas e industriais” (PADEZ. alterações de tolerância à .O.5. como o Brasil. os números se aproximam de uma verdadeira pandemia.O. PINHEIRO et al. seja no “transporte público e privado. Hoje esse cenário mudou completamente. 6. E é justamente essas comorbidades que mais causam preocupação. quase não há o uso do trabalho manual. insuficiência cardíaca congestiva e angina de peito Complicações metabólicas Hiperlipidémia.

O Estado gasta muito dinheiro anualmente com as comorbidades da obesidade no país. carcinoma da próstata. carcinoma da mama. foi empenhado. Aparelho genito-urinário e reprodutor infertilidade e amenorreia (ausência anormal da menstruação).52 milhões para incentivos de construção. diabetes tipo 2. hipogonadismo hipotalâmico e hirsutismo Outras alterações osteartroses. em 2011. gota Sistema pulmonar dispneia (dificuldade em respirar) e fadiga.2. risco anestésico.15 glicose. insuficiência venosa crónica. apneia de sono (ressonar) e embolismo pulmonar Aparelho gastrintestinal esteatose hepática.” 6.2. síndrome de insuficiência respiratória do obeso.1 Os caminhos da formação dos sintomas segundo Freud Sigmund Freud em seu texto “Os caminhos da formação dos sintomas” (1917/1980) descreve como surge o sintoma e suas características. por exemplo. Fonte: Site do Ministério da Saúde. só no programa para academias da saúde que estimulam a práticas da atividade física “R$186.76 milhões são recursos provenientes de emenda parlamentar. hérnias e propensão a quedas.76 milhões são recursos de Programa e R$ 61. Ele diferencia os . Sintoma 6. dentre os quais R$124. litíase vesicular (formação de areias ou pequenos cálculos na vesícula) e carcinoma do cólon. incontinência urinária de esforço. hiperplasia e carcinoma do endométrio. segundo informação no site do Ministério da Saúde.

E. por caminhos indiretos. Essa dificuldade em reconhecimento da satisfação libidinal é pelo fato de que no sintoma se opera as mesmas leis do sonho. haverá uma tentativa de fuga das leis do Ego. É importante destacar que o termo latino libido (= desejo) não foi criado por Freud. a sexualidade humana em geral e a infantil em particular”. via inconsciente e antigas fixações. com o sintoma ele passa sentir sofrimento. onde a libido era satisfeita e ele era feliz. M. Segundo os mesmos autores. 1998). Se a libido não é impedida em sua descarga não há problema algum. e é justamente esse tempo que a libido regressa no tempo que ela foi capaz de ser satisfeita. por conseguinte à realização dos desejos mentais. A partir da introdução desse termo Freud constrói sua teoria da sexualidade. se esta se tornar intransigente a libido será forçada a tomar outros caminhos para sua satisfação. para Freud. É difícil o reconhecimento de que o sintoma seja uma forma de satisfação libidinal. o termo tomou uma acepção totalmente diferente “para design ar a manifestação da pulsão* sexual na vida psíquica e. O sintoma é a representação de um acordo feito entre a libido insatisfeita ou desejo sexual e a realidade. a libido finalmente consegue achar sua saída até uma satisfação real”. e PLON. (1917/1980). por extensão. Freud (1917/1980) esclarece que “pelo caminho indireto. O que seriam fixações do desenvolvimento? Segundo Freud (1917/1980) foi descoberto em sua clínica que na história de vida do neurótico sempre há uma ancoragem no seu passado. rumo a um lugar onde reina o princípio do prazer. mesclando sofrimento com sinais que precipitaram sua doença. Mas se pelo contrário ela for. Com a “catexia” regressiva dessas fixações consegue contornar a repressão e leva à descarga (ou satisfação da libido) (Idem). pois não tem nada das coisas que normalmente fazem sentir prazer. Por ser a representação de um acordo o sintoma se torna tão resistente e de difícil extinção. os sintomas do qual o texto está tratando são os psíquicos ou psicogênicos. De alguma forma o sintoma repete essa fixação infantil e se apresenta deformado pela censura. pelas fixações do desenvolvimento (FREUD. outros autores já o utilizavam com o significado de uma energia do instinto sexual (ROUDINESCO. mas apenas de forma parcial. como ambos são do universo do inconsciente os . não há formação de neurose. É de se notar que o que outrora trazia satisfação para o sujeito. que controla não só a consciência. não sendo capaz de reconhecê-lo como tal. mas também as inervações que.16 sintomas para os leigos e médicos.

ROZA. (Idem) Uma definição dada por Freud (1905/2004) no seu texto “Três ensaios sobre a sexualidade” diz que: Por “pulsão” podemos entender. apenas o representante psíquico de uma fonte endossomática de estimulação que flui continuamente. Ela só se dá a conhecer pelos seus representantes como a idéia e o afeto. 2009). 2009). por assim dizer. Freud escreve em alemão a palavra Trieb que foi traduzida como instinto. o sintoma representa algo que já tenha sido satisfeito.17 princípios do deslocamento e condensação são operados nele. e possui um objeto específico. A diferença primordial entre instinto e pulsão é que o primeiro designa um comportamento herdado hereditariamente. (Idem) Há de se fazer uma distinção entre Pulsão e Instinto porque na tradução do original para o inglês houve uma confusão de termos. a princípio.1. pulsão. são constructos teóricos ou ficções teóricas que permitem uma inteligibilidade sobre o tema (GARCIA . “u ma satisfação à maneira infantil” (FREUD. merecem destaque por sua importância na teoria freudiana que serão tratados agora em novos subtítulos 6.ROZA. Como no sonho. Ela é “meio física e meio psíquica. 1917/1980). Isso torna muito difícil nós reconhecermos o mesmo em alguma satisfação libidinal. Assim o sintoma mediante uma condensação extrema apresenta a satisfação apenas em uma só sensação ou inervação e por meio de um deslocamento extremo também se restringe em apenas um detalhe a todo complexo libidinal (FREUD 1917/192004).ROZA. Daí seu caráter “mitológico””.1 Pulsão A teoria da pulsão em Freud não é comprovada empiricamente. Como o mesmo Freud diz “A teoria das pulsões é. A palavra “instinto” em alemão existe e se escreve instinkt que é diferente de trieb que pode ser traduzido como “impulso”. Três termos aqui citados. o segundo o contrário. 2009).2. nossa mitologia” (FREUD apud GARCIA . nem há um comportamento pré-formado e nem tem um objeto específico. que é produzido por . para diferenciá-la do “estímulo”. (GARCIA . deslocamento e condensação.

(1998) traz a definição de deslocamento da seguinte forma: Processo psíquico inconsciente. ou seja. O Dicionário de Psicanálise de ROUDINESCO. p. 6. ela reúne pensamentos dispersos. E. sobretudo no contexto da análise do sonho. O deslocamento. O deslocamento é essencial na deformação do trabalho do sonho.2. portanto. E.2 Deslocamento e condensação Tanto o deslocamento quanto a condensação faz parte do chamado processo primário. é um dos conceitos da delimitação entre o anímico e o físico Outra definição também é que pulsão é “um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático”.. M. por meio de um deslizamento associativo. ela (censura) determina quais elementos serão substituídos por outros. 1998). M. 2009). Então uma coisa é pulsão. M.2008). Pulsão. e PLON.. ou ainda. assim dificulta o entendimento dos conteúdos manifestos. e não nele apenas. de fusão de várias idéias do pensamento inconscientes para uma imagem apenas que aparecerá no consciente (ROUDINESCO.1. A pulsão nunca pode tornar-se objeto da consciência e até mesmo no inconsciente ela é representada por uma idéia ou afeto. origina-se e faz parte do inconsciente. (ROUDINESCO. Ela é responsável pela síntese do sonho fazendo assim que ele perca algumas de suas características. teorizado por Sigmund Freud.ROZA. 1998. que são a substituição de um elemento que está latente por outro mais remoto que faz relação ao primeiro como uma alusão e dá mais ênfase a um elemento sem importância deslocando os principais para detalhes secundários (GARCIA-ROZA. outra seus representantes psíquicos e outra coisa é a pulsão enquanto representante somático (GARCIA . E.18 excitações isoladas vindas de fora. O conteúdo manifesto sempre é menor do que o . e PLON. e PLON. transforma elementos primordiais de um conteúdo latente em detalhes secundários de um conteúdo manifesto . 148) Duas são as formas de operação do deslocamento. A condensação tem a função especialmente no sonho. “é o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente” (FREUD. 1914/2004). O deslocamento é formado da censura.

1905/1980. E a autora prossegue dizendo que “possivelmente o comer . com a omissão de determinados elementos latentes do sonho.3. terceiro. isso nos remete ao conceito de pulsão (BERG. (BERG. e nunca o contrário. Os eventos mentais são regulados pelo princípio do prazer. 2008). segundo. Esta nasce apoiando-se numa das funções somáticas vitais. “a satisfação da zona erógena está intimamente ligada à satisfação da necessidade alimentar” (BERG. Antecipemos que essas características são válidas também para a maioria das outras atividades das pulsões sexuais infantis (FREUD. mas ele pode ter inúmeros fatores e de forma alguma os fatores biológicos podem ser desconsiderados na análise da obesidade.19 conteúdo latente. Nele percebeu-se que sentimentos reprimidos encontram uma válvula de escape. 2008). Obesidade como sintoma É sabido que a obesidade não tem como causa apenas um fator. Freud já afirmava que na amamentação é possível notar as características das pulsões: No chuchar ou sugar com deleite já podemos observar as três características essenciais de uma manifestação sexual infantil. permitindo que apenas um fragmento de alguns complexos do sonho latente aparece no sonho manifesto. 6. e nenhum outro também. sendo assim alguns autores conseguem enxergar que a obesidade pode ser um sintoma psicogênico. A questão do comer vai muito além da saciedade orgânica. estes não satisfeitos irão encontrar alguma forma disso acontecer. a condensação pode operar de três maneiras: primeiro. Segundo Garcia-Roza (2008). juntando e combinando vários elementos de conteúdo latente que tenham algo em comum num único elemento do conteúdo manifesto. sendo auto-erótica. sendo o sintoma esse produto. Os sentidos do sintoma neurótico foram descobertos por Josef Breuer (entre 1880 1882) num estudo bem sucedido de histeria de conversão. ainda não conhece nenhum objeto sexual. Posteriormente Freud e outros deram continuidade a este estudo. grifo do autor) É na atividade da amamentação que o sujeito se familiariza com o prazer. 2008). e seu alvo acha-se sob um domínio de uma zona erógena.

como não tem um objeto definido ela é auto-erótica. Se o tempo em que a libido se fixou foi justamente na fase oral. A fase do desmame é dolorosa por demais para o bebê e também para a mãe. 2008) Na formação do sintoma. 2008). pois o desmame sempre provocará uma crise no psiquismo do bebê. ela terá a tendência de regredir a essa época para poder se satisfazer. a primeira é a fase oral e a segunda fase sádico-anal. Freud (1905/ 1976) afirma que: Ninguém que já tenha visto um bebê reclinar-se saciado do seio e dormir com as faces coradas e um sorriso feliz pode fugir à reflexão de que este quadro persiste como protótipo da expressão da satisfação sexual na vida ulterior. Mas não é uma alimentação mecânica. a segunda fase se liga às funções somáticas. se assim não for poderá contribuir para patologias futuras. e sim perpassada de afeto para que o corpo erógeno possa ser construído mas para isso é preciso ir além da função autoconservadora. mas é preciso que esta castração oral aconteça de forma adequada. obtendo prazer no ato de reter e expelir as fezes. p. Freud divide em duas fases do desenvolvimento psicossexual às organizações pré-genitais. a fase oral. assim descreve Lacan: . 1992) Á respeito da formação da personalidade. 1905/1976. Nela a satisfação sexual não se separou ainda da ingestão de alimentos. A necessidade de repetir a satisfação sexual desliga-se agora da necessidade de nutrir (FREUD.20 como busca de satisfação também pode ser encarado como a busca de reencontrar o objeto original provedor de prazer” (Idem). como vimos anteriormente. Como na primeira. se a libido não encontra forma de se satisfazer ela buscará caminhos indiretos para isso. Nosso interesse neste Amomento é apenas na primeira. o processo alimentar é o eixo. 186). é preciso que essa ação traga prazer (LECLAIRE. “tendo ambas o mesmo objetivo: a incorporação do objeto” (BERG. Ainda Machado (2001) nos afirma a importância da alimentação na primeira infância. ela é necessária que aconteça. o centro do universo da criança onde o prazer e o desprazer passa pela relação com o alimento. e retornará aos tempos em que vivia feliz. Pode-se afirmar que qualquer perturbação nessa fase poderá ocorrer perturbações futuras. Na primeira fase é o momento em que a criança obtém prazer por via oral através do ato de mamar ou seus substitutos (BERG.

o desmame. mas no momento nos serve como base o que fora escrito para podermos dizer da viabilidade de se estudar a obesidade como um sintoma . com efeito. é frequentemente um traumatismo psíquico cujos efeitos individuais. excesso de objeto.21 De fato. assim como na psicose. O obeso tenta compensar a ausência do signo atra vés do alimento. Este sujeito é completamente apegado com o Outro/mãe (MACHADO. na recusa em confronto com o outro. numa crise do psiquismo (LACAN. Essa crise vital se duplica. toxicomanias pela boca. o sujeito consome o objeto” (Recalcati. Assim eles trazem uma angústia de aprisionamento em um corpo que tem dificuldade de reconhecer como seu e de possuir um “excesso que acaba por ser recusado: a falta faz falta” (Idem) A teoria da formação do sintoma e obesidade é extensa. o desmame deixa no psiquismo humano o traço permanente da relação biológica que ele interrompe. “onde falta o signo. A dificuldade do obeso é na recusa. Traumatizante ou não. anorexias ditas mentais. Para Recalcati (2002) o obeso vive uma angústia de sufocamento do objeto. pois o objeto está sempre ao alcance da boca. p. 2002). por qualquer das contingências operatórias que comporta. 23). revelam suas causas à psicanálise. a angustia não está relacionada a falta e sim à ‘falta da falta’. então na obesidade. neuroses gástricas. 1985. 2001).

porque isso poderia excluir autores importantes para a pesquisa.22 7) Metodologia Este estudo caracteriza-se como pesquisa descritiva. Quanto ao meios será classificada como pesquisa bibliográfica. porque busca estabelecer correlações entre as variáveis da pesquisa com a finalidade de identificar a possibilidade da obesidade com um sintoma. dissertação de mestrado e livros que falem de obesidade. sintoma e obesidade como sintoma sob perspectiva psicanalítica. porque será realizada uma revisão literária sobre obesidade e sintoma a partir de artigos científicos. Quanto à análise dos dados a opção foi pesquisa qualitativa. . Não houve determinação de data.

cronograma e referencial bibliográfico Protocolo do projeto na secretaria Março X X X 2012 Abril Maio Junho X X X X X Pesquisa Especificação/ano Meses Levantamento bibliográfico Leitura do material e fichamento Contrução da pesquisa Apresentação da pesquisa Entrega da pesquisa em capa dura Agosto X X 2012 Setembro Outubro X X X X X X X Nov.23 8) Cronograma Projeto de pesquisa Especificação/ano Meses Fev Levantamento bibliográfico X Leitura e fichamento de obras X Redação provisória Apresentação dos objetivos. hipóteses e justificativa Apresentação ao professor Construção do referencial teórico e entrega ao professor Construção do resumo. .

Rio de Janeiro: Imago. ed. S. Rachel Pamfilio Prado de. Em Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Edição Standard brasileira das obras psicológicas de Sigmund Freud. 1976.pdf> acessado em 22/04/2012  Filho.abeso. Nº1. p. RJ: Imago. Em Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. São Paulo.  Garcia-Roza.  COUTINHO. 2008. 2009. Sigmund. 13(1): 17-28. 80. São Paulo.. Introdução à Metapsicologia de freudiana. Barros Um quebra-cabeça chamado obesidade. 2007. p.XIV. História do movimento psicanalítico (1914).119-231. Disponível em: <http://www. In: FREUD. L. Rio de Janeiro. Obesidade: Atualização sobre sua etiologia.VII. Etiologia da obesidade. 2000. Uma análise freudiana da obesidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 123-228. v./abr. . A.  FREUD. Freud e o Inconsciente. ed. W. Antônio A.Vol.7.2. S. Dissertação (Mestrado em psicolgia) – Universidade de São Paulo. Rev.  FREUD. Vol. L. Rio de Janeiro. Rev ABESO.br/pdf/Etiologia%20e%20Fisiopatologia%20%20Wa%20Coutinho. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905a). jan. Vol.. Rio de janeiro:Jorge Zahar Ed. Nutr. RJ: Imago. A. v. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905).  FREUD. Jornal de Pediatria . 8. R. 2008. S.  GARCIA-ROZA.org. 236p. morbidade e tratamento. 136 f.24 9) Referências Bibliográficas  BERG. 2004  FRANCISCHI. Campinas. 24.

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