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MANDADO DE INJUNÇÃO

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O Mandado de Injunção destina-se a obter sentença que declare a ocorrência de omissão legislativa, para que o órgão omisso adote as medidas necessárias à aplicação deste Direito Constitucional.

Art. 5º, LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

Segundo o Ministro Moreira Alves: “Este remédio jurídico é a ação mandamental que se propõe contra a autoridade, órgão ou Poder omisso em regulamentar a Constituição, nos casos nela previstos como dando margem à utilização deste instrumento processual, que segue o rito do mandado de segurança, mas que com ele não se identifica, obviamente”. MI 284-DF

Canotilho, ao discorrer sobre as perspectivas do mandado de injunção e da inconstitucionalidade por omissão no Direito Brasileiro, fez a seguinte observação: “Resta perguntar como o mandado de injunção ou a ação constitucional de defesa perante omissões normativas é um passo significativo no contexto da jurisdição constitucional das liberdades. Se um mandado de injunção puder, mesmo modestamente, limitar a arrogante discricionariedade dos órgãos normativos, que ficam calados quando a sua obrigação jurídico-constitucional era vazar em moldes normativos regras atuativas de direitos e liberdades constitucionais; se, por outro lado, através de uma vigilância judicial que não extravase da função judicial, se conseguir chegar a uma proteção jurídica sem lacunas; se através de pressões jurídicas e políticas, se começar a destruir o ‘rochedo de bronze’ da incensurabilidade do silêncio, então o mandado de injunção logrará os seus objetivos.”

Histórico:
Há autores, como Sérgio Reginaldo Bacha (Mandado de Injunção, in: Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política, nº 11, p. 224-228), que apontam a origem desta ação constitucional no writ of injunction do Direito norte-americano, consistindo em remédio de uso freqüente, com base na chamada jurisdição de eqüidade, aplicando-se sempre que uma norma legal se mostre insuficiente ou incompleta para solucionar, com Justiça, determinado caso concreto.

Paulo. restringem-se às normas constitucionais de eficácia limitada de princípio institutivo e de caráter impositivo e das normas programáticas vinculadas ao princípio da legalidade. supostamente incompatível com a Constituição. ou ainda para pleitear uma aplicação “mais justa” da Lei existente. . Apesar das raízes históricas do Direito Anglo-Saxão. por dependerem de atuação normativa ulterior para garantir a sua aplicabilidade. Dörner 14 Outros. o conceito. Objeto: O ajuizamento do Mandado de Injunção ou da ADO não decorrem de todas as espécies de omissões do Poder Público. Carlos R. ou para exigir-se uma certa interpretação à aplicação da legislação infraconstitcional. com a finalidade de compelir o Congresso Nacional a colmatar omissões normativas alegadamente existente na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Não caberá.Prof. mandado de injunção para. como Carlos Augusto Alcântara Machado (Mandado de Injunção. apontam suas raízes nos instrumentos existentes no velho Direito Português. destinado a dar concreção ao que prescreve o Artigo 25 do Pacto de S. S. Ed. José da Costa Rica”. Conforme já decidiu o STF (MS 22. portanto. com a única finalidade de advertência do Poder Competente omisso. Atlas. cabendo portanto à doutrina e à jurisprudência pátrias a definição dos contornos e objetivos deste importante instrumento constitucional de combate à inefetividade das Normas Constitucionais que não possuam aplicação imediata. p.Processo Constitucional – 2013-1 . 2000. estrutura e finalidades da injunção norte-americana ou dos antigos instrumentos lusitanos. 44).483-5/DF): Não há a possibilidade de “ação injuncional. não correspondem à criação do mandado de injunção pelo legislador constituinte de 1988. Da mesma forma. não cabe mandado de injunção contra norma constitucional auto-aplicável. sob a alegação de reclamar a edição de norma regulamentadora de dispositivo constitucional. em ordem a viabilizar a instituição de um sistema articulado de recursos judiciais. pretender-se a alteração de Lei ou ato normativo já existente.

Liberdade ou Prerrogativa constitucional esteja sendo inviabilizado em virtude da falta de norma reguladora. Além disso: 1. Dörner 15 Diferença entre Mandado de Injunção Inconstitucionalidade por Omissão: e Ação de Preliminarmente: A única semelhança entre os dois institutos reside no fato de ambos agirem contra a falta de regulamentação de determinados Direitos e Liberdades Constitucionais. Requisitos: a) Falta de norma reguladora de uma previsão constitucional (omissão do Poder Público). valendo apenas para os impetrantes do remédio constitucional. O Mandado de Injunção poderá ser ajuizado por qualquer indivíduo que se sinta impedido de exercer um Direito assegurado Constitucionalmente.Prof. Liberdade ou Prerrogativa. Apesar da ausência de previsão constitucional expressa. valendo para toda a sociedade. mas tão apenas aqueles expressos no texto Constitucional.Processo Constitucional – 2013-1 . enquanto o o do Mandado de Injunção é inter partes. é perfeitamente admissível o mandado de injunção coletivo. Carlos R. 3. O Mandado de Injunção tem um campo mais restrito. tendo sido reconhecida a legitimidade para as associações de classe devidamente constituídas. Legitimidade Ativa: O mandado de injunção poderá se ajuizado por qualquer pessoa cujo exercício e um Direito. 4. A legitimação Ativa para a propositura de Ação de Inconstitucionalidade por Omissão está limitada aos entes arrolados no art. . Quanto aos efeitos: Na Ação de Inconstitucionalidade por Omissão o efeito é erga omnes. b) Inviabilização do exercício dos Direitos e Liberdades Constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 103. em virtude da ausência de Norma Regulamentadora. soberania e cidadania – o mandado de injunção pressupõe a existência de nexo de causalidade entre a omissão normativa do Poder Público e a inviabilidade do exercício do Direito. na medida em que deixa de alcançar os chamados Direitos Sociais. 2.

Carlos R. CF). Competências: Art. uma vez que no pólo passivo da relação processual instaurada com o ajuizamento do mandado de injunção somente aquelas podem estar presentes. da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. I. A Lei poderá. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais. quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República. entidade ou autoridade federal. das Mesas de uma dessas Casas Legislativas. Se a omissão legislativa for federal. 102. quando então o mandado de injunção deverá ser ajuizado em face do Presidente da República. h) o mandado de injunção. respeitadas as hipóteses previamente definidas na Constituição. da Câmara dos Deputados. nunca do Congresso Nacional. de um dos Tribunais Superiores. salvo se a iniciativa da Lei for privativa do Presidente da República (Art. da administração direta ou indireta. . 105. mandado de segurança. do Senado Federal. Somente ao Poder Público é imputável o encargo constitucional de emanação de provimento normativo para dar aplicabilidade à norma constitucional.denegarem "habeas-corpus". pois somente aos entes estatais pode ser imputável o dever jurídico de legislar. § 1º. q) o mandado de injunção. da Justiça Eleitoral. Art. quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão. regulamentar a competência remanescente para outros casos de mandado de injunção. dos juízes de direito e das juntas eleitorais. o mandado de injunção deverá ser ajuizado em face do Congresso Nacional. V . excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar.Processo Constitucional – 2013-1 . "habeas-data" ou mandado de injunção. ou do próprio Supremo Tribunal Federal. do Congresso Nacional. Dörner 16 Legitimidade Passiva: O sujeito passivo da ação será somente a pessoa estatal. Art. do Tribunal de Contas da União. 61. I.Prof.

liberdade ou prerrogativa prevista na norma constitucional. . as normas do mandado de segurança. implementando o exercício da norma constitucional através de uma normatividade geral. enquanto não editada legislação específica.Prof. que poderá exercitar plenamente o direito. implementando o exercício do Direito. a decisão do Poder Judiciário só produzirá efeitos para o autor do mandado de injunção. Dörner 17 No âmbito estadual.Processo Constitucional – 2013-1 . no exercício do seu poder constituinte decorrente. Carlos R. Mandado de Segurança e Habeas Data. Regimentalmente. no que couber. serão observadas. até que a omissão seja suprida pelo poder competente. no STF. b) Pela vertente concretista individual. exceto Habeas Corpus. por ser imprópria ao instituto do mandado de injunção. declara a existência da omissão administrativa ou legislativa. da liberdade ou da prerrogativa constitucional até que sobrevenha a regulamentação do poder competente. Importante ressaltar. será permitido aos estados. a decisão do Poder Judiciário terá efeitos erga omnes. o mandado de injunção terá prioridade sobre os demais atos judiciais. que a jurisprudência do STF já se pacificou pela impossibilidade da concessão de medida liminar. Procedimento: No mandado de injunção. Esta posição divide-se em duas espécies: a) Pela vertente concretista geral. Decisão e Efeitos: Conforme a posição concretista da doutrina: O Poder Judiciário através de uma decisão constitutiva. estabelecerem em suas constituições estaduais o órgão competente para processo e julgamento de mandados de injunção contra a omissão do Poder Público estadual em relação às normas constitucionais estaduais. porém.

Concretista Individual Intermediária: segue o entendimento do Ministro Néri da Silveira. 18 Concretista individual direta: O Poder Judiciário. deverá ser dada ciência ao poder competente para que este edite a norma faltante. Dörner A posição concretista individual. tão somente. Carlos R. Sendo esse conteúdo possível da decisão injuncional. “em dar concreção à norma positivadora do direito postulado. se a inércia permanecer. buscando-se. no sentido de fixar ao Congresso Nacional o prazo de 120 dias para a elaboração da norma regulamentadora. não há que falar em medidas jurisdicionais que estabeleçam. subdivide-se em: I. mas. . II.Processo Constitucional – 2013-1 . da liberdade ou da prerrogativa constitucionalmente prevista. Ao término deste prazo. como fundamento da prerrogativa que lhe foi outorgada pela Constituição” (RTJ 133/11). implementa a eficácia da norma constitucional ao autor. pela jurisprudência no STF e hoje não mais subsistente. desde logo. com essa exportação ao legislador. condições viabilizadoras do exercício do direito. por sua vez. imediatamente ao julgar procedente o mandado de injunção.Prof. inicialmente. o Poder Judiciário deve fixar as condições necessárias ao exercício do direito por parte do autor. Conforme a posição não concretista da doutrina: Adotada. firmava-se no sentido de atribuir ao mandado de injunção finalidade específica de ensejar o reconhecimento formal da inércia do Poder Público. a plena integração normativa do preceito fundamental invocado pelo impetrante.