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[ARTIGO] Águas para a vida, não para a morte.

Notas para uma história do movimento de atingidos por barragens no Brasil. Carlos B. Vainer MINHAS NOTAS: Em estudos de impacto de grandes barragens, normalmente possuem um capítulo desti nado ao "social" ou sobre o "meio ambiente sócio-econômico", que é preconizado pela le gislação ambiental brasileira, a fim de licenciar grandes empreendimentos ou por age ncias multilaterais como condição de oferecer apoio financeiro. No entanto, esses estudos parecem não ter diferença entre si, mesmo que as realidade s econômicas, políticas, culturais e sociais sejam diferentes nas áreas onde elas serão construídas. A literatura de uma forma geral, está mais preocupada em "detectar regularidades e generalizar efeitos a partir de estudos feitos em contextos sociais distintos"( SIGAUD, 1986, apud, VAINER, 2002) do que entender os processos sociais diferenci ados que intervenções 'vindas de cima' engendram em cada caso. "Antropologia de barragens" (Sigaud, 1986) Mesmo não sendo um tema recente, ainda hoje, quando existem conflitos sociais rela cionados à grandes barragens, os estudos de impacto não consegue prever lutas, resis tências ou a organização das populações. O Banco Mundial, a partir de seu 'expert' senior em reassentamentos involuntários, são omissos quanto os movimentos existentes e não se pronunciam quanto a possibilid ade de resistências organizadas. Segundo Vainer (2002), isso pode ser explicados pela existência de uma espécie de po nto cego no instrumental teórico-conceitual que, por assim dizer, ambientaliza, ou melhor, naturaliza as populações, considerando-as como incapazes de se constituírem e m sujeitos aptos a se conceberem enquanto portadores de direitos e interesses, e em consequência, a se tornarem atores com condições de operar autonomamente na transf ormação do ambiente de implantação das barragens em arena de conflito social e político. INVERSÃO > "As populações humanas (o meio ambiente sócio-econômico) atingidas pelo projeto de engenharia passaram a fazer parte do ambiente". (CASTRO e ANDRADE, 1988) Em consequência dessa inversão, Castro e Andrade (1988, apud, VAINER, 2002) apontam que "os setores sociais atingidos pela mega-obra são recuados para um lugar de fun do, de 'ambiente' sobre o qual e contra o qual se desenha uma forma: a obra. As populações humanas são assimiladas a uma natureza, e a obra recolhe em si os valores d e sujeitos" As populações são, de fato, naturalizadas, reificadas, DESTITUÍDAS DE SUBJETIVIDADE e po r conseguinte, impossibilitadas de serem constituídas como sujeitos, não podendo ser pensadas como agentes sociais coletivos, reivindicantes e politicamente operant es. REASSENTAMENTO INVOLUNTÁRIO, eufemismo para DESLOCAMENTO COMPULSÓRIO. O reassentamento nem sempre ocorre, e quando acontece, é o resultado da pressão dos movimentos sociais para minimizar as perdas resultantes do deslocamento forçado. PROCURAR: Sigaud, 1986; Castro e Andrade, 1988 e Vainer, 1996.

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