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QUALIDADE E CARACTERÍSTICA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL  –  CAP.

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4.1 INTRODUÇÃO
A informação contábil, como todo bem econômico, tem um custo e esse custo deve ser sempre
comparado com os benefícios esperado de um sistema de informação é o valor presente dos lucros
adicionais (ou dos fluxos de caixa) que não seriam obtidos caso aquele particular sistema de informação não
tivesse sido adotado ou não estivesse disponível.

4.1.1 CUSTO VERSUS BENEFÍCIO
Sem negar a eventualidade de uma descoberta extremamente original, deve-se sempre se
guiar pelo que a média das empresas bem-sucedidas e inteligentes está fazendo, desconfiando
sempre daquela forma "única e absolutamente original" de bolar o sistema de informação que
ninguém pensou ou ousou imaginar antes.
É claro, todavia, que empresas diferentes e gerentes diferentes sabem lidar de formas
diversas com o mesmo sistema de informação, utilizando com maior ou menor grau de eficiência o
nível e a qualidade da informação existente.
Alguns tomadores de decisão sabem "tirar leite de pedra" de informações simples ao passo que
outros nem tomam conhecimento de sistemas mais complexos. Para esses últimos, a informação
quase que terá somente custo e nenhum benefício.
Uma das formas de avaliar a qualidade da informação contábil e, portanto, sua utilidade
(benefício), quando comparada ao custo, é analisar algumas qualidades ou características que
deve possuir, tais como: compreensibílidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade.

4.2 COMPREENSIBÍLIDADE
FÁCIL DE ENTENDER
A informação contábil precisa ser compreensiva, isto é, completa, e retratar todos os aspectos
contábeis de determinada operação ou conjunto de eventos ou operações. Não se devem
compensar créditos com débitos, ou direitos e obrigações. Todos os aspectos de uma operação
que afeta o património precisam ser levados em conta. É o caso da elaboração da demonstração
de origem e aplicação de recursos (ou de caixa) que deveria evidenciar recursos e aplicações sem
compensações e por levantamento direto das operações e não por diferenças de saldos de
balanço, em princípio.

4.3 RELEVÂNCIA
A CONTRIBUIÇÃO DO IASC

Segundo o trabalho do International Accounting Standards Committee (IASC), a relevância é
uma das características ou qualidades mais importantes da informação contábil.
A fim de ser útil, a informação precisa ser relevante para as necessidades de tomada de
decisões dos usuários. A informação possui a qualidade da relevância quando ela influencia as
decisões econômicas dos usuários ajudando-os a avaliar eventos passados, presentes ou futuros
ou confirmando ou corrigindo suas avaliações passadas.
Continua o citado documento afirmando que "...os papéis predítivo e confirmatório das
informações estão inter-relacionados. Por exemplo, informação sobre o nível atual e sobre a
estrutura dos ativos mantidos pela entidade somente tem valor para o usuário quando ele tenta
prever a habilidade que a empresa tem de aproveitar as oportunidades e também sua habilidade
em reagir a situações adversas. A mesma informação exerce um papel confirmatório com relação a
previsões como, por exemplo, a forma pela qual a empresa seria estruturada ou o resultado das
operações planejadas".
A informação sobre a posição financeira e desempenho do passado é freqüentemente
utilizada, segundo aquele documento do IASC, como base para prever a situação financeira e o
desempenho futuros, bem como outros assuntos nos quais os usuários estão diretamente
interessados, tais como pagamentos de salários e de dividendos, movimentações e flutuações de
preços de ações e títulos e a habilidade da empresa em honrar suas obrigações à medida que
vão vencendo.
A fim de que tenha valor preditivo, a informação não precisa, necessariamente, estar colocada
na forma de previsão explícita.
A habilidade de efetuar previsões a partir das demonstrações contábeis é realçada, entretanto,
pela forma de evidenciar informações sobre transações passadas.

4.4 CONFIABILIDADE
Para que seja útil, a informação também precisa ser confiável. A informação possui a
qualidade da confíabilidade quando ela está livre de erros materiais e vieses e pode ser aceita
pelos usuários como representando fielmente o que está destinada a representar ou que poderia
razoavelmente se esperar que representasse.
A informação pode ser relevante mas tão inafiançável, pela sua natureza ou pela sua
exteriorização, que seu reconhecimento pode ser potencialmente enganoso. Por exemplo, se
a validade e o total de uma índenização por danos numa ação judicial estão sendo discutidos,
pode ser inapropriado para a empresa reconhecer o valor total da ação no balanço, embora
possa ser apropriado evidenciar a dimensão e as circunstâncias da disputa.

4.5 COMPARABILIDADE
Os usuários precisam ter condições de comparar as demonstrações contábeis de uma
entidade através dos anos a fim de identificar tendências em sua situação patrimonial e financeira
e em seu desempenho.
Os usuários também precisam ter condições de comparar as demonstrações contábeis de
diferentes entidades a fim de avaliar sua situação patrimonial e financeira em termos
comparativos, seu desempenho e as mudanças na situação financeira.

A IMPORTÂNCIA DA COMPARAÇÃO
Assim, a mensuração e a evidenciação dos efeitos financeiros de transações semelhantes e
outros eventos precisam ser efetuados de forma consistente por uma entidade através do tempo e
também por diferentes entidades ao mesmo tempo.
Uma importante implicação da característica qualitativa que é a comparabilidade é os
usuários precisam ser informados sobre as políticas contábeis utilizadas na preparação das
demonstrações contábeis, sobre quaisquer variações nas políticas e os efeitos de tais mudanças.

POLÍTICAS CONTÁBEIS
Os usuários precisam ter condições de identificar diferenças entre as políticas contábeis para
transações semelhantes utilizadas pela mesma entidade de um período para outro e também por
diferentes entidades ao mesmo tempo. A adequação aos padrões contábeis nacionais e
internacionais, incluindo a evidenciação das políticas contábeis utilizadas pela entidade, ajuda a
conseguir a comparabilidade.
A necessidade de comparabilidade não deveria ser confundida com mera uniformidade e não
deveria ser um impedimento para a introdução de padrões contábeis aperfeiçoados. Não é
apropriado para uma empresa continuar a contabilizar da mesma forma uma determinada
transação se a política adotada não se mantém aderente às condições de rel evânci a e
confi abi l i dade.
É também inapropriado para uma entidade deixar intocáveis suas práticas contábeis quando
existirem alternativas mais relevantes e confiáveis.
Pelo fato de os usuários quererem comparar a situação patrimonial, o desempenho e as
mudanças na posição de uma entidade através do tempo, é importante que as demonstrações
contábeis evidenciem a informação correspondente para os períodos precedentes.

TEMPESTIVIDADE
Existem algumas variáveis que rest ri ngem a utilidade e a plena potencialidade das
qualidades da informação acima descritas. São a tempestividade e a relação custo/benefício.
Pode-se afirmar que relevância, principalmente, é afetada pela tempestividade, no sentido de
que muito pouco adianta ter informação relevante e fidedigna se ela "passou do ponto", ou
melhor, da hora.
Não é fácil saber, a priori, esse tempo certo. Depende do tipo de decisão e avaliação que está
sendo realizada em cada caso.
Para o analista econômico que gosta de examinar balanços de várias empresas para extrair
tendências setoriais ou valores de agregados contábeis como lucratividade sobre vendas, sobre
patrimônio etc., não vai fazer diferença se ele fizer essa análise um dia após a publicação dos
balanços ou dois meses depois.

INTEMPESTIVIDADE
Entretanto, quase na mesma situação, se um investidor estiver interessado na compra das
ações de uma determinada empresa, o timing das peças contábeis dessa empresa que ele vai
utilizar para assessorá-lo na decisão é tremendamente importante, pois a situação da empresa
em particular pode se alterar em curto prazo, invalidando a i nf ormação i nt empest i va.
Mais dramática ainda é a importância da tempestividade nas decisões gerenciais dentro da
empresa, visando às operações e mesmo às decisões de longo prazo, em que informação
estruturada e semi-estruturada são necessárias na qualidade e no tempo certos.
J á a relação custo/benefício precisa estar sempre presente na mente do planejador do
sistema contábil ao estabelecer o nível de informação que é considerado ótímo.
Na terminologia da Information Economics, informação ótima tem um sentido preciso, ou
seja, aquela informação a partir da qual (se adicionar mais informação) esta última adição terá
somente custo e não adicionará benefícios ao sistema.

SEMPRE TOMADA DE DECISÕES
Só que, se já é difícil nos sistemas contábeís isolar custos e receitas marginais, muito mais o
será para o caso de val or da i nformação. Assim, valem muito as considerações feitas de que o
bom-senso e o que acontece em organizações comparáveis à nossa, consideradas sofisticadas em
matéria de informação, devem ser observadas com cuidado.
Não se pode esquecer de que o sistema de informação é um meio para o que é essencial, que
é o processo decisório.
O ideal seria dispor de um quadro de gerentes tão superdotados, tão imaginativos, tão
previsores do que irá ocorrer que nenhum sistema de informação seria necessário. É claro que
esses super-homens (ou mulheres) não existem, na realidade.