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RESENHA: ANÁLISE DOS CAPÍTULOS III, IV E V DA TEORIA SIMPLIFICADA DA POSSE

JHERING, Rodolf Von, TEORIA SIMPLIFICADA DA POSSE. Tradução de Ricardo Rodrigues Gama. 1.ª ed. Campinas: Russell Editora, 2005. P. 23-36. Rudolph von Jhering (1818-1892), foi , segundo a “Nota introdutória do tradutor” p.9 do livro resenhado, o autor da teoria objetiva da posse, aceita pela maioria das legislações do mundo e um grande admirador e estudioso do Direito Romano. Autor das obras: Dissertationes de hereditate (1842), Abhanlungem aus dem romanischen Recht –“ Dissertações sobre o Direito Romano” (1844), Rechts auf dem verschiedenen Stufen driner Stwickelung – “O Espírito do Direito Romano”. Pretende-se resenhar neste escrito os capítulos III, IV e V da obra referenciada. O Capítulo III tem como título “A POSSE COMO SUSTENTÁCULO DE UM DIREITO”. Neste, como pode se perceber no título, que o direito de prevalecer-se da posse, pelo possuidor, deve perdurar até que se depare com alguém que o retire essa condição pela prova do seu jus possidendi, ou seja, a prerrogativa que tem a pessoa de apossar-se daquilo que é seu. Daí o a posse como sustentáculo do direito. O autor indaga o que determinou aos romanos conceder essa proteção jurídica a posse e em seguida afirma que a resposta está na forma que o Direito Romano deu a essa proteção possessória. O pretor impulsionado pelo pedido de uma parte emanava uma ordem dirigida à outra parte que só teria força sobre esta se houvessem as condições as quais se encontrava subordinada. Para obrigar o réu eram lhe impostas penas severas. Porém no caso de, em processo ulterior, o autor sucumbisse, a pena a este era direcionada. Vale dizer, que o Direito Romano não protegia qualquer posse, havia uma qualificação especial para que posse fosse protegida juridicamente no Direito Romano, é a posse jurídica, que se diferencia da posse natural (possessio naturalis ou detenção-posse (detentio) e da posse viciosa (vitiosa possessio). A ideia fundamental do interdito possessório concedido pelo juiz a ser acionado (interdicta retinendae possessionis) é que o “verdadeiro possuidor tem o direito de fazer justiça por si mesmo”. Informa ainda o autor que “... o cumprimento dos atos de justiça privada nas formas prescritas em lei nas formas prescritas pela lei era condição prévia da introdução da instancia judicial”. O capítulo IV – RELAÇÕES POSSESSÓRIAS NÃO PROTEGIDAS – no primeiro parágrafo deste capítulo desvenda que onde não for possível a propriedade e proprietário não possível a posse e o possuidor. Apesar do Direito Romano conceder a posse a alguns detentores temporários não o faz com outros. Problematiza o autor ao comparar que aquele que se apoderou da posse com violência, por exemplo, é protegido pelo direito possessório enquanto aquele que a obteve por meio justo, em alguns casos, não, como o colono. Para a teoria romanista, existência da posse faz necessária que a vontade do possuidor seja a mesma do proprietário, a vontade de ser dono ( animus domini). Porém o que influenciou o Direito Romanos nas relações possessórias, segundo autor, não foi a o ponto de vista da teoria, mas o caráter prático: primeiro lugar para garantir o poder de venda do proprietário a qualquer tempo e em segundo, “para livrar-se a todo momento de um inquilino rixoso ou desagradável”. No IV capítulo, A RAZÃO LEGISLATIVA DA PROTEÇÃO POSSESSÓRIA, o autor questiona a razão pelo qual o Direito Romano nega a proteção possessória ao inquilino ou ao colono e reconhece-a ao possuidor injusto. A explicação, segundo, André Viana Silva e Thiago Coelho de Faria, 7º período, matutino, Direito Civil V.

a relação legislativa entre a propriedade e a posse se explicam pelo “ desenvolvimento histórico da proteção possessória assim como a organização dogmática da teoria possessória por parte dos juristas romanos”. alunos e outros operadores do direito com intenção de conhecer sobre a posse e propriedade. No final. Recomenda-se que sejam lidos mais de uma vez para melhor compreensão.Jhering. Os capítulos resenhados exigem grande concentração do leitor. Para o precursor da teoria objetiva. Direito Civil V. e por vezes é preciso recorrer aos dicionários. onde quer que seja que a propriedade seja juridicamente excluída. matutino. Trata-se de literatura mais indicada para professores. 7º período. 5) nega-se por conseguinte. O Direito aceita tal consequência para atingir o fim de facilitar a posse da propriedade. . com o qual pode ele repelir com mais facilidade os ataques dirigidos contra sua esfera jurídica. 3) a posse é guarda avançada da propriedade. Assim basta a prova da posse que. ainda no capítulo V. é que a proteção possessória foi instituída com o fim de “aliviar e facilitar a proteção da propriedade” e aparece como um complemento indispensável desta. o direito de possuir é um elemento indispensável da propriedade. André Viana Silva e Thiago Coelho de Faria. 2) assim. beneficia proprietário na maioria dos casos mas também o não proprietário. 4) a proteção possessória apresenta-se como uma posição defensiva do proprietário. é oferecido um resumo do exposto interessa a transcrição: 1) a posse constitui a condição de fato de utilização econômica da propriedade.