A DOUTRINA DO LÓGOS: Uma análise histórica e exegética.

MESQUITA NETO, Nelson Ávila (E.T.C.S.).

1 INTRODUÇÃO
Desde que João escreveu “e o Verbo [Lógos/Palavra] era Deus” (Jo 1:1c) [1], não têm sido poucos os que se levantaram em protesto ao longo da história da igreja. As “Controvérsias Cristológicas” dos primeiros séculos realçam o peso dessa afir mação, a qual ganha ainda mais destaque quando aliada a declaração do evangelista de que este Verbo/Deus “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14) na pessoa de Jesus. Assim, a chocante doutrina do Deus/homem Jesus Cristo apresentada por João, ora tem sido atacada de um lado, por grupos que buscam enfraquecer ou negar a plena humanidade do Verbo (estabelecida na encarnação), como nos casos do docetismo, do apolinarianismo e do eutiquinianismo; ora tem sido agredida em seu outro flanco, por grupos que buscam minimizar ou suprimir a plena divindade do Verbo (“e o Verbo era Deus”), como nos casos do ebionismo, do adocionismo e do arianismo. Embora o Credo cunhado no Concílio de Calcedônia (451 d.C.) figure como o postulado oficial da igreja cristã, cerrando assim as fronteiras da ortodoxia, facções continuaram a surgir ao longo de todas as épocas, seja para reverberar o grito de Ário – condenado como herege em Nicéia (325 d.C.) e Constantinopla (381 d.C.) por negar a plenadivindade do Lógos Jesus, afirmando que houve um tempo em que o Verbo não era (não existia) [2] – como o fizeram no séc. XVI Servetus e os italianos Lélio Socínio (1525-1562) e seu sobrinho Fausto Socínio (15391604) [3], e ainda o fazem em nossos dias a seita Testemunhas de Jeová; seja para reassumir velhas heresias como o sabelianismo[4], criado por Sabélio, presbítero de Ptolemaida, e o modalismo[5], desenvolvido por Paulo de Samosata, bispo de Antioquia, que negam a pessoalidade distinta entre o Verbo, o Pai e o Espírito, apontando para uma espécie de Deus em máscaras, que ora apresenta-se na máscara do Filho, ora na máscara do Espírito ou do Pai. “Esta posição tem reaparecido na atualidade no ensino dos pentecostais unidos” conforme declaram Ferreira e Myatt (2007, p. 488). [6] No presente trabalho, nos propomos a focar nas implicações concernentes a divindade do Lógos, a qual consideramos como a mais atacada na atualidade, principalmente depois do surgimento do liberalismo teológico, onde Cristo passou a ser apresentado como alguém que não está muito além de um grande mestre da moral. Iniciaremos, portanto, analisando o desenvolvimento anterior a João de uma doutrina doLógos, nos pensamentos helenista e judaico, findando com o desenvolvimento do próprio evangelista e suas peculiaridades. Em seguida, nos deteremos na consideração da declaração “e o Verbo era Deus” (Jo 1: 1), buscando estabelecer exegeticamente como esta deve ser compreendida.

2 A DOUTRINA DO LÓGOS ATRAVÉS DA HISTÓRIA 2.1 O Lógos no helenismo

Ladd observa que “os estudiosos, com freqüência, tentaram encontrar a fonte do conceito de João a respeito do Logos no pensamento helenístico” (2009, p.357). Falando a este respeito, Cullmann (2008, p. 330) destaca que “o título Logos ocorre já na mais antiga filosofia grega, a de Heráclito, e, mais tarde, especialmente no estoicismo”. A partir destas referências ana lisaremos a ocorrência do termo Lógos e seus variados conceitos no pensamento helenístico.

2.1.1 Heráclito
Para Heráclito de Éfeso (530-470 a.C.) “[...] todas as coisas estavam em um determinado curso, e [...] nada permanece da mesma maneira. Entretanto, a ordem e o padrão podem ser percebidos em meio ao fluxo e ao refluxo eternos e incessantes das coisas no Logos – o princípio eterno de ordem no universo.” Ele mantinha ainda que “o Logos, por trás de qualquer mudança duradoura, é que faz com que o mundo se torne um cosmos e um todo ordenado” (LADD, 2009, p. 357). Heráclito é o criador da famosa ilustração, a qual “[...] contende que um homem não pode parar no mesmo rio duas vezes, visto que a água e o leito do rio estão constantemente se movendo e mudando”. Em acréscimo a isto, é postulado que “o próprio homem está constantemente mudando também, de forma que quando ele parar num rio pela segunda vez, ele já será diferente do homem que era quando parou no rio pela primeira vez” (CHEUNG, 2008, p. 65). Cheung argumenta que “o conhecimento depende da imutabilidade”, visto que se um objeto muda o tempo todo, torna-se impossível traçar qualquer definição a seu respeito, o que findará reduzindo-o a nada, “e se é nada, então não pode ser conhecido”. Sendo assim, o Lógos, no entendimento de Heráclito, seria “[...] uma lei ou princípio, que não muda. [...] „um agente racional e bom, cuja atividade parece como a ordem na Natureza‟. Sem isso tudo seria um caos, e a natureza seria ininteligível” (2008, p. 65).

2.1.2 O estoicismo
Para o estoicismo, que “por sua vez, teve origem com Zenão de Cício (  263 a.C.) [...] Sua doutrina do Logos o concebia como a razão impressa na estrutura do universo e também como a fonte de energia de todas as coisas” (GRANCONATO, 2010, p. 51) , ou, como o expressou Cullmann (2008, p. 330), “O Logos aí é a lei suprema do mundo, que rege o universo e que, ao mesmo tempo, está presente na razão humana. Trata-se pois de uma abstração e não de uma hipóstase”. Uma espécie de “alma impessoal e panteísta do mundo”. É, portanto, muito natural a declaração de Ladd (2009, p. 357) de que “o Logos era um dos elementos mais importantes na teologia estóica”. Foi esta idéia do Lógos que “os estóicos usaram [...] para prover a base para uma vida moral e racional” (LADD, 2009, p. 357). Ladd explica que este conceito de Lógos surgiu da confrontação “[...] com o dualismo comum dos gregos, a respeito de Deus e do mundo”, e destaca que, “a fim de resolver o problema da dualidade”, passou-se a empregar “o conceito do Logos como uma idéia unitária” (2009, p. 357). Neste sistema de pensamento, portanto, todo o universo passou a ser “[...] concebido como formando um conjunto vivo singular, que era permeado em todas as suas partes por um poder primitivo”, o qual era idealizado “[...] como um poder que nunca precisava de repouso, um fogo capaz de penetrar todas as coisas, ou um vapor abrasador [...], um tipo difuso e firme de ar

Deus era concebido como absolutamente transcendente e impassível. p. 2008. sendo “[. 51).. 330. pp. 2. dos sábios rabínicos como Gamaliel.C. Filo ficou conhecido por seu método hermenêutico. pois influenciou ao menos na forma. as idéias judaicas e pagãs tardias de um Logos mais ou menos personificado” (2008. 2. Assim.C. 2009. 358) chama de “[.] a ordem racional do universo e providenciaria o padrão para a conduta e para a adequada ordenação da vida para o homem racional” (LADD. 83. com a da filosofia grega” (CULLMANN. p.] academia . 2007.] inumeráveis logoi spermatikoi. da Diáspora”. segundo proposto por Cullmann.1. 330). com a predominância do pensamento de Platão” (2007. “Filosoficamente falando. p. 357. Cullmann está convencido de que “a doutrina filosófica do Logos. p. que teria morrido entre 42 e 50 d.] iman ente em todo o mundo e aparecendo nos seres vivos como a alma”. Granconato escreve que a conclusão dos estóicos era a de que “o homem sábio é aquele que ajusta sua vida à ordem natural que existe no universo. 51).4 Filo de Alexandria Nascido em Alexandria (20-25 a. contendo dentro de si mesmo as condições e os processos de todas as coisas”. permeando o universo. Esse Deus mantinha ligação com o mundo sensível através do Logos. ou forças formativas.C. Embora seja provável que “temas mitológicos tenham influenciado mais profundamente”.] a identificar a concepção de Logos atestada no judaísmo tardio.. 358). Bem versado na Septuaginta e n as tradições do Judaísmo.flamejante que possuía a propriedade de pensar”. 83).] denom inado de spermatikos logos. o qual. pp. pp. ou mesmo a do Evangelho de João. p. Desta forma.[7] Ele foi [. Lopez declara ainda que “Filo teve um treinamento completo em filosofia grega” e.. É digno de nota que. “aqui já nos aproximamos mais da idéia de um ser real [o demiurgo].. “Filo era um judeu praticante. como é mais comum] de Alexandria (2008. o Lógos forneceria “[.. suprimindo suas paixões. Granconato diz que “de acordo com as noções do médio-platonismo (Sécs. a razão universal” (2010..] interpretação alegórica extremada”.] contemporâneo de Herodes. que energizavam o fenômeno múltiplo da natureza e da vida”. incontestavelmente.. 331). revelava -se em “[. ainda assim..1.. o Logos seminal ou princípio gerador do mundo”. Por esta razão.. não estamos diante de uma hipóstase. 84). I a.3 O platonismo Cullmann (2008. uma “substância ultra refinada [. Para Cullmann.. Porém. 84). 330). Para Cullmann um exemplo claro de alguém sob tal influência pode ser visto em Fílon [ou Filo. abandonando desregramentos e obedecendo à lei natural que existe no mundo e que está impressa no ser de cada pessoa” (2010. – II AD). de acordo com Lopes (2007. 330) afirma que o platonismo também alimentava um conceito referente ao Lógos. 330). era visto como um poder produtivo. “esta concepção filosófica do Logos ocupa um lugar essencial na história longa e complicada deste termo. ele era uma mistura de platonista e estóico. e a idéia de uma encarnação do Logos é absolutamente inconcebível” (2008... Tal método influenciou profundamente a “[.. embora não devamos permitir que a analogia da terminologia nos induza “[. p. ao que Ladd (2009. p... é uma das fontes destas concepções tardias” (2008. este “poder Divino [ Logos ou Deus] de caráter mundial.). p. e ainda de Jesus e de Paulo” (LOPES. Hilel e Shamai. p. o Grande. p. 331). „real‟ no sentido do idealismo platônico.

é que ele existe. onde temos seu maior representante em Filo.. ele “[.] o mesmo que o<<demiurgo>> de Platão”. no qual estariam comprimidas todas as idéias das coisas finitas.. 900). 2007. 2008. e “[. segundo a qual o Verbo de Deus. “[. Ele próprio não pode ser abrangido.] a perspectiva grega de um Deus completamente transcendente e separado do mundo. o debar Iahweh. Sendo assim...]. p. como o anjo do Senhor” (2008. “[. “Algumas vezes Filo se referia à impessoalidade do <<Logos>>. conforme concebido por Filo é. de onde teria procedido o plano e o padrão da criação.. ou Razão. de fato. visto que Deus não se mistura ao mundo material.] a Gn 1. to on. no entanto. 900). Assim sendo..2 O Lógos no judaísmo No pensamento judaico encontramos duas concepções acerca do Lógos: a concepção judaico-helenística... O único nome pelo qual Deus pode ser designado é „ser puro‟.] a concepção autenticamente bíblica”. p. Está fora do tempo e do espaço e não pode ser conhecido em seu próprio ser. na qualidade de agente revelador de Deus. p.83). Segundo Champlin. como se fosse a essência imaterial da mente de Deus. 899). Ferreira e Myatt (2007.. Ele abrange todas as coisas e. e utilizou o conceito do Logos para prover uma forma de mediação entre o Deus transcendente e a criação” (LADD. 358). como já apresentado acima. 2009. 358).. que procede da parte de Deus e que se manifesta neste mundo em tudo quanto aqui existe” (CHAMPLIN. que contém dentro de si mesmo o ideal universal. com exceção da afirmação de sua existência. 358).. 2008..” Em outras ocasiões. mas que ao mesmo tempo... Relevante para nossos objetivos é o empreendimento de Filo na “[. Por esta razão. “O princípio de mediação entre Deus e a matéria [. p. 2.] é a razão divina e universal..] o método dominante durante a Idade Média. é a palavra expressa.. ou ainda. sendo posteriormente adotado como “[. p. falar e saber acerca do Deus de Filo. “[. Deus poderia ser chamado de Logos”. ele falou pessoalmente sobre o<<Logos>>. Nada mais nos é dito a seu respeito.] a emanação divina que intermediou a criação do universo”. em virtude de seu caráter transcendental...] o Logos. p. p. 900). nem qualquer detalhe nos é oferecido sobre ele.. Filo defendia “[. ou seja. 509) resumem o pensamento de Filo acerca do Lógos como “[. p. 2009. 2008. portanto. a razão imanente. tornando-se “[. a escola de Alexandria.] precisa contar com agentes. O Lógos.. é entendido em seu sentido primitivo e . e que teria criado o mundo material. a qual remontaria “[.] a manifestação que Deus faz de si mesmo neste mundo”.. p.] entretanto.] extraordinária tarefa de casar a religião judaica com a filosofia helenística” (LADD. Como Ladd bem expressa: Deus é absoluto e encontra-se fora do universo material... poderia ser chamado de Deus” (CHAMPLIN. O que se pode. tanto na criação como nos seus contatos com o mundo” (CHAMPLIN. e aquilo que Cullmann chama de “[... após passar por algumas modificações” (LOPES. vendo o Lógos como “[...] o método de interpretação predominante em uma das mais importantes escolas de catequese nos primórdios da Igreja cristã. Filo entendia que “ao revelar a si mesmo. no Egito”..cristão patrística”. um ser sem atributos em si mesmo (2009. fazendo estas idéias penetrarem na matéria”.

pode também. transitoriamente. e/ou da doutrina gnóstica. 331) faz questão de frisar que o próprio Bultmann deixa claro que este ser mitológico “[. 37:4- . também. 4:8. Ele escreve: Aqui o Logos é um ser mitológico. a) O debar Iahweh O debar Iahweh. e o agente dos decretos divinos (ver Is. 2. nos livros da sabedoria e nos textos rabínicos e. os quais “[. embora já tenhamos discorrido sobre a influência do platonismo e do estoicismo aliados à hermenêutica alegórica no trato com a Bíblia judaica (o Antigo Testamento) em Filo. Cullmann (2008. 1 47:15). Não é tido só por criador do mundo é.2. p.torna-se. Champlin nos diz que “a Palavra.] foi um importante conceito para os judeus” (LADD.] ostentam o título de Logos” (CULLMANN. às vezes. considerada como uma entidade independente e que passa a ser objeto de reflexão teológica em razão do enorme poder de sua ação” (2008. 335). Deste modo. é personalizada na poesia hebraica”. p. p.. na formulação destes conceitos no pensamento judaico-helenístico... revestir-se da forma humana.2 A concepção veterotestamentário Na visão judaica mais preocupada em deter-se sobre a revelação bíblica. p. Cullmann (2008. 2009. 119:105)” (2008. o memra déjahvé e a sabedoria. sempre dentro de um quadro mítico e doceta. 358). aponta para uma possível influência do paganismo. seguindo Bultmann. uma hipóstase divina” (2008. um mensageiro (ver Sal.] um curador (ver Sal. Ladd (2009. (Ver também Sal..] está somente „disfarçado‟ de homem”.] esta doutrina gnóstica acerca do Logos como a única fonte da doutrina judaico-alexandrina do Logos e da sabedoria. intermediário entre Deus e o homem. 331).. que corporifica a vontade divina. p.2. em detrimento das considerações filosóficas e pagãs correntes. ao menos. jamais no quadro histórico de uma verdadeira encarnação. como a única fonte de noção joanina do Logos”. 333). „e disse Deus‟. 47: 15-18).. 332).. p. ou a Palavra de Deus. p. o portador da revelação e a este título. a Palavra nos é apresentada como “[. reforçando a rejeição de qualquer idéia de encarnação real. veja Sl. “[. Ez.1 A concepção judaico-helenística Quanto à primeira concepção. Cullmann (2008. 899). 358). 2.. 33:6. 9. 1:3. toda uma série de passagens nas quais a „Palavra de Deus‟. 55:11). 40:8 e Sal. Is. Conforme Cullmann. p. 107:27).. porém. 107:20. tal como a encontramos em Fílon. nos relembra que “a criação veio a existir e foi preservada pela palavra de Deus (Gn. 2008. Embora endossando o pensamento de Bultmann a este respeito. Exemplos da prefiguração deste Lógos personificado nas religiões antigas podem ser vistos em Hermes e no deus egípcio Thot. em virtude de um desenvolvimento imanente do pensamento. p.. ainda apontando para esta realidade. três são os conceitos sobre os quais uma doutrina do Lógos foi erigida: o debar Iahweh. “Há no Antigo Testamento. Salvador. se não está personificada é. em primeiro lugar. e a palavra de Deus é a portadora da salvação e da nova vida (Sl. 332) o critica por considerar “[. 32:4. Is. sendo-lhe conferidos atributos divinos.

foi criado. 11..”.5). 335).] as que mais influenciaram a noção de Logos no cristianismo primitivo”. e também teria sido a Menra quem conduziu Israel. Nesta concepção. na verdade. 18:15. é uma existência semi-hipostática.. 899) acerca de Gên. p. tem um certo número de funções que podem muito bem ser comparadas com aquelas atribuídas ao Logos em João. 2008. 41. 2:1) e na Lei (Sl. a palavra substituída por Menra é. “[.. p. c) A sabedoria De acordo com Ladd (2009. 337). escritas no idioma aramaico”.T.T. 551): Já na porção mais recente dos Provérbios (século III AC)... na prisão>>”. a odeia. introduzida pelos eruditos judaicos nos Targuns.] ou seja. “[. 55:10-11)”. p. de forma que pode mover-se e cumprir o propósito divino (Is.. todavia.] foram as especulações do judaísmo tardio acerca da Sabedoria [.4). “o Senhor”.9 -4. p.] Menra (Palavra ou <<Logos>>) de Jeová” (2008. p. onde lemos no capítulo 18:15: „Tua Palavra onipotente sai do trono real como um guerreiro implacável. a palavra não é meramente uma forma de expressão.. pp. e a este (tomado como uma espécie de princípio todo inclusivo) fora dado o nome “[.. “A palavra de Deus proferida na criação. enquanto delineando um exemplo muito claro da Palavra como um ser hipostasiado. 899). p..‟” (CULLMANN. e onde é chamado „o Lógos de Deus‟ (19:13)”. na nuvem de fogo” (CHAMPLIN. onde Cristo é descrito como o herói que chega num cavalo branco com uma espada na boca. Ela é primícia das obras de Deus e participa da obra da criação (Pv 8. 2008. Champlin nos informa que devido à personalização do conceito da Palavra de Deus nos “[. Isto nos revela uma clara personificação da Palavra (Lógos) de Jeová sendo intercambiável com o próprio Jeová ou Suas teofanias. quem. Interessantíssimo.. 397) declara: “Isto nos lembra imediatamente Ap 19... então. A nível de paralelo. Jr. b) O memra déjahvé Memra déjahvé. sir Bar 3.” Ele arremata ao declarar que “no Antigo Testamento. p. ou simplesmente Menra. é a descrição encontrada na “[. 899). 899). p..] comentários e [. Para Cullmann (2008. expressa por intermédio dos lábios dos profetas (cf.11ss. Nas palavras de Goppelt (1983. elevada ao nível em que pode ser usada até mesmo para substituir o próprio nome de Deus.22-36). portanto. 336.. Jeremias (2006..] Sabedoria de Salomão (submetida já à influência alexandrina). segundo eles são revelados aos homens”. 105). 119:38. cf. nas paráfrases inseridas no V...] teologia judaica”. .. 359).36. “[. Esta idéia. 335).] um agente de Deus. Assim. Um exemplo de tais paráfrases nos é fornecido por ele (2 008. assim como na “[. fora. “[.] exposições do A.] é a designação aramaica da Palavra de Iahweh” (CULLMANN. Este é um conceito posterior no pensamento judaico e parece expressar uma reflexão mais acurada acerca do conceito da Palavra de Deus.. 1:14. conforme nos explica Champlin (2008. “O conceito de sabedoria personificada também fornece um contexto judaico para o conceito de Logos”.. confere-se à Sabedoria uma função cosmológica. 39:21: “<<A Menra estava com José.. “encontra a morte” (Pv 8. Ao mesmo tempo. tem função soteriológica: quem ouve suas admoestações e observa seus caminhos “encontra a vida”. No trecho em questão. “A <<Menra>> também teria sido o anjo que destruiu os primogênitos do Egito. p.. acerca deste trecho de Sb. 2008.. como se fora a união de seus atributos.

. como uma mera extensão do pensamento judaico.. Tudo isto demonstra uma íntima relação entre o conceito de Lógos e aSophia.] em Eclo. João faz uso deste também em uma de suas cartas (1 Jo 1:1 – “Verbo da vida”) e em Apocalipse 19:13 (“Verbo de Deus”).. seja no conceito bíblico da Palavra de Deus ou da Sabedoria.1 ss. 337). “[. p. sobre o qual lemos que “fez o universo” (Hb 1:2) e sustenta “todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1:3).. 24:8 lê-se que “[. 337) diz que esta mesma idéia pode ser encontrada “[. é descrito pelo autor aos Hebreus como “o esplendor da glória e a expressão exata do seu [de Deus] Ser. por ocasião da criação do mundo.1 ss.2.” O Verbo por intermédio do qual foram feitas todas as coisas e. e ainda em diversos outros lugares”. Ladd destaca que “[. a que adota o conceito de “Palavra” simplesmente. “Em Provérbios 8:22-31. p. O Verbo apresentado como Deus em João (1:1c). Procurou-se por muito tempo compreender o Lógos joanino apenas com base no uso helenístico do termo. deve-se destacar que “ambas têm em comum o expressarem a obra pela qual Deus se revela. 2. A Sabedoria foi a primeira de todas as coisas criadas e. 2008. 48). entre duas linhas diretivas no judaísmo. “É verdade que o termo mesmo ιόγος não aparece aí. “nada do que foi feito se fez” (Jo 1:3). Embora paralelos existam.2. p. p. 359). 14).359). 3 O LÓGOS NO PENSAMENTO JOANINO Conforme Schreiner e Dautzengerg (1977. Não significa dizer com isto que a idéia do Lógos empregada por João não encontre paralelos em outros escritos do próprio Novo Testamento.26)” (CULLMANN. Exemplo claro disso pode ser visto em Hebreus 1:1-3. é coisa tão estranha a uma como a outra” (CULLMANN. porém. 338). “Na Sabedoria de Salomão se diz que a Sabedoria é um „reflexo da luz eterna de Deus‟ (7. encontra mais um claro paralelo no Filho retratado em Hebreus.2. Conquanto tenhamos distinguido nestas seções. pois como diz Champlin (p.] a Sabedoria emanou de Deus para habitar em Israel e torná -lo o povo de Deus” (LADD.. ou ainda. Como já vimos anteriormente. p.] são palavras quase intercambiáveis” (2008. Cullmann (2008. Em Sir. que para Cullmann “[. mais recentemente. esta Palavra dirigida por Deus ao mundo. 337).. sem o qual. do debar Iahweh.] a despeito de certas semelhanças. 2009. 342). o falar de Deus em seu Filho está associado com a criação do mundo e ligado a uma definição da relação eterna entre o Filho e Deus o Pai” (2008. p. 359). Porém. e a linha especificamente bíblica acerca da Palavra de Deus. De acordo com Cullmann...] essa doutrina não foi criada no vácuo”. nem a idéia do Logos nem a de sabedoria se aproxima da verdade que João enuncia por meio de sua doutrina do Logos: a preexistência pessoal e a encarnação doLogos” (2009.. “A aplicação do título de Logos a Cristo é específica da apresentação Joanina. 2009. depois.. mesmo que o conceito de Lógos fosse por vezes apresentado . p.1 e 2. este capítulo 8 de Provérbios constitui -se num discurso feito pela própria Sabedoria em primeira pessoa. p. a sabedoria é semi-hipostática. a idéia desta obra. Na verdade.” Ainda que no Evangelho o título seja empregado somente no prólogo (Jo 1:1.Digna de atenção é a noção de Sabedoria desenvolvida no livro de Provérbios. 900). 2008. p. 24.. poder finalmente encarnar-se no quadro histórico de uma vida humana e terrena. seja no conceito filosófico apresentado por Filo. diz de si mesma: „ Eu estava com ele e era seu aluno‟” (LADD. 1.. desenvolvida a partir de influências exteriores.

criação esta que. [9] Como dito previamente. comparar com Jr 2:13 – Jesus é “água viva”. Embora a expressão “o lugar onde primeiro estava” não aponte diretamente para Sua preexistência na própria eternidade. se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava?” (Jo 6:62). pois. Hendriksen (2004. Jesus também interrogou: “Que será. 48. que eu. mas porque dizia também . 360). pois. agora. p.” Nas palavras de Ladd. digno de nota é a alusão deliberada feita por João a Gênesis 1:1. não encontra paralelos. 360). nem se aceitava qualquer idéia relativa à encarnação real. p. no Evangelho de João este uso do ἐγώ εἰκί é profícuo (ex: 6:35. quer na filosofia helenística quer no pensamento judaico. 21:6. vem à existência por meio da palavra de Deus (“Disse Deus” – Gn 1:3). o próprio Lógos. Ele começa retratando a vida de Cristo na eternidade. 41. por ser peculiar. e esse uso. havia a Palavra [ou Verbo] de Deus. eu o sou. O Logos estava com (pros) Deus.] pois o Logos foi o agente da criação. 18. 32:39). onde lemos o relato da criação. contigo mesmo. “Em segundo lugar. “A preexistência de Jesus é refletida em várias passagens de seu próprio ensino. 1983. p. Se compararmos Έλ ἀρτᾖ (“No princípio”) em Jo 1:1 com a tradução feita pela Septuaginta de Gn 1:1. 8:12. e (2) Sua divindade. 22. eu sou‟ (8:58). refere-se a um período anterior a Gênesis 1:1 [. „Houve um tempo quando ele não existia‟”. “Vede. Isto fica muito evidente em Jo 5:17. Cristo faz uso da mesma expressão para representar sua divindade.” Assim. “antes que houvesse mundo”. é. Desta forma. e o Verbo era Deus (theos ēn ho logos)” (LADD. mesmo quando tratado de maneira figurada (ex. antes que o mundo existisse. p. e. Jo 4:14. 51.” Exemplo disto pode ser visto na declaração: “„Antes que Abraão existisse. não podemos nunca buscar um ponto no qual poderíamos dizer da Divina Palavra [ou Verbo]. 99) declara: “A maneira como este Evangelho começa é magnificente.como hipostasiado. Deus é manancial de água viva”. 31) [8]. 2009. p. ó Pai. segundo escreve João em Ap 7:17. p. como Ário o fez. perceberemos que não há qualquer diferença. 7:38. 10:11. A apropriação que Jesus fazia de Deus como Seu Pai também apontava para Sua divindade. p. A promessa aos que serão salvos.” Acerca deste uso teológico. As palavras são exatamente as mesmas. glorifica-me. 3:14)” (2009. jamais era concebido como personalizado. evidente que “o lugar onde primeiro estava”. é a de que serão conduzidos à “água da vida”). antes que houvesse mundo” (Jo 17:5). 11: 25. “Assim. A única distinção aqui se deve ao fato de que “„No princípio‟. então. “A questão importante é o uso teológico que João faz do conceito do Logos. tanto ali como em João (1:3). quando céu e terra foram criados. com a glória que eu tive junto de ti. Em primeiro lugar. agora. A este respeito. que não tem início e nem fim” (LADD. “O Verbo já existia na eternidade. e mais nenhum deus comigo” (Dt.. Para Ladd (2009. ou mesmo personificado. Deus Revelouse a Moisés como „EU SOU O QUE SOU‟ (Êx. Conforme supramencionado. Ou ainda. desde que este o fazia de forma toda particular. em Jo 1:1. 2009. 15:1. 360). 360). 5) e está sempre conectado ao uso do Antigo Testamento. portanto.. já existindo na mais próxima associação com Deus e compartilhando da essência de Deus” (BRUCE. junto ao Pai. Bruce (1983. Está. destacam -se dois conceitos: (1) A preexistência de Jesus (o Lógos). 14. se compararmos esta passagem com Sua oração final. portanto. Essa surpreendente afirmação é uma alusão ao uso do Antigo Testamento. 31) nos alerta: “Não importa para quão distante possamos tentar empurrar nossa imaginação. 14: 6. “não somente por violar o sábado”. Deus apresenta a Si mesmo como o “EU SOU”. João utiliza a idéia do Logos para afirmar a divindade de Jesus Cristo. poderemos encontrar. onde os judeus procuravam matá-lo. uma clara afirmação desta preexistência: “e.

exclama diante do Ressuscitado: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20. e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas perfeitas e distintas e uma só pessoa para sempre”. Para ele. convencido. Se Jeremias está correto ou não ao tomar esta passagem como um “[. um hino composto em forma de paralelismo em série ascendente. o paralelismo tem a mesma função que a rima entre nós: com a métrica.] hinos a Cristo. mas está em íntima e eterna relação com Este. não é matéria na qual devamos nos deter aqui. em sua liturgia cantavam “[. um hino ao Lógos Jesus Cristo” (2006.. Mais adiante. A partir daqui ele procura fazer uma análise literária da passagem em questão apontando para um paralelismo semelhante às construções encontradas nos Salmos.] no cumprimento do tempo fez-se homem. na verdade. Com isto ele busca corroborar a sua tese de que o que vemos em João é a mesma coisa. a saber.] um cântico vigorosamente construído. Cullmann (2008. no qual Paulo inseriu comentários” (2006. embora não objetivemos nos deter neste quesito. sendo um com o próprio Deus Pai (Jo 10:30). Sua argumentação desemboca na afirmação de que o prólogo joanino trata-se. 14:10). de “[. assim chamado. quem declara abertamente que outro motivo pelo qual buscavam assassinar Jesus se devia ao fato de Ele fazer-se “igual a Deus” (Jo 5:18). de tal forma que Ele está no Pai e o Pai nEle (Jo 10:38... e não os judeus. o qual “[. Acerca deste prólogo. pelo que quem O vê.. “[.[12] Escrevendo sobre João 1:1.. Maior[10] e Breve[11]. Isto é o que a parte final de seu Evangelho mostra quando Tomé. [adorando-o] como a um Deus” (in BETTENSON. no pensamento joanino.. é interessante destacar o pensamento de Jeremias (2006. ou seja...“que Deus era seu próprio Pai”. mas eternamente gerado] do Pai” (Jo 1:14).] gênero literário.]Heilsgeschichte in Hymnenform (história da salvação em forma de hino)” (2006. Assim. entremeado por comentários do autor do.. da mesma substância e igual ao Pai”.] a citação de um hino prépaulino a Cristo. mas antes “o unigênito [não criado. vê o Pai (Jo 14:9)..] o eterno Filho de Deus. 29. os quais declaram que Jesus é “[. a opinião do evangelista a que se expressa aqui.] Jo 1:1-18 é uma passagem poética”. fecha-se o círculo: o evangelista retorna ao prólogo. inspirado pelo Espírito Santo. onde lemos que os cristãos perseguidos. Com este último e decisivo “testemunho”. glória e . um poema religioso dos inícios do cristianismo. Jesus é Deus (Jo 1:1c. p. tal discussão unida ao registro histórico encontrado na carta de Plínio à Trajano (Carta X 96). pegam em pedras para o apedrejar acusando-o de blasfêmia. 2007. a “[. quando chama ao Logos “Deus”. Jeremias argumenta que “no Oriente Próximo. 382). de Westminster. 384). devemos ressaltar que é o evangelista. p. após a declaração de Jesus (“Eu e o Pai somos um” – Jo 10:30).. 5:18). um salmo.28).. Jesus não é a criatura agarrando -se ao Criador como a um Pai. Quarto Evangelho. p. diferencia a poesia da prosa”. de se o prólogo joanino consiste num hino primitivo ou não. Como a segunda pessoa da Trindade Ele não é o Pai. os próprios judeus indicam este fato quando. Destarte. No pensamento joanino. pois Ele [Jesus] sendo homem. deveras. p. Ainda em João 5:18. podemos resumir este ponto com a afirmação que encontramos nos Catecismos.. 30).. 386). porém. nos fornece uma boa base para afirmarmos que aoLógos [Jesus] era atribuída a mesma devoção. fazia-se Deus a Si mesmo.. 382). Ele aponta também para Fl 2:6-11 como “[. 348) afirma: É. pp.. em que a história da salvação é cantada em forma de salmodia”.

“In the beginning was the Word. Por fim. 4 ANÁLISE EXEGÉTICA DE JOÃO 1:1c: καὶ θεòς ἦν ὁλόγος            Analisaremos agora o primeiro versículo do prólogo joanino. He was with God. Sem dúvida. e a posição do Verbo em relação a Deus no princípio (cláusula 2). a Palavra presente em Deus. 307). NASB[27]). segundo é esclarecido em suas notas de rodapé. XXI.. o sobrenatural pode entrar na vida histórica do mundo” (BERKHOF. por exemplo. como. a pré-existência do Verbo (cláusula 1). e a Palavra estava com Deus. e o Verbo era Deus” (ARA. Alguns que confiaram nele chegaram a ver seu poder e majestade. onde a NWT. “In the beginning the Word was. and the Word was God” (HCSB [25]. reconheceram nele o Filho de Deus e admiraram-se com a bondade e fidelidade de Deus que encontraram nele” (2009. havia a Palavra. A divergência se levanta. embora algumas enfatizem mais alguns aspectos do que outras. e a Palavra estava com o Deus. Hörster expressa bem a idéia apresentada no prólogo joanino afirmando: “Esse Logos. conduzindo-nos. y el Verbo era Dios” (BTRV [24]). ou na presença de”. “In the beginning the Word already existed. versão de 1967). KJV[26]. na terceira cláusula. e o Verbo estava com Deus. “No princípio havia a Palavra. que era um com Deus. o que definiria “[. de algum modo. e em tudo era igual a Deus” ( Gute Nachricht[21]). Iniciaremos apresentando como 18 versões das Escrituras traduziriam João 1:1: “No princípio era o Verbo. A Palavra estava com Deus. buscando determinar a intenção do autor ao escrever “θαὶ ζεòς ἦλ ὁ ιόγος” [13] (kaì theòs ên ho lógos). and the Word was with God. aquele que é a Palavra já existia. “Isto mostra claramente que o infinito pode entrar em relações finitas. contrariando todas as demais traduções propostas acima. parece não haver discordância entre as traduções. and he was God” (NLT [28]). y el Verbo estaba ante Dios. que. Ele estava com Deus e era Deus” (NTLH[22]). e que. “No princípio era aquele que é a Palavra. and the Word was a god” (NWT [29]). “Antes de tudo. Deus presente na Palavra. . and the Word was with God. à evidente constatação de que a divindade de Jesus era amplamente sustentada pela igreja primitiva. e a Palavra era deus” (TNM [18]. TB[16]). frente a frente. portanto. nitidamente destacada pelas versões NTLH (“Antes de ser criado o mundo. e a Palavra era Deus” (VR [17]). A Palavra era Deus.] a posição reflexiva do Verbo” (itálicos originais) [30]. 55). como expressa a BTRV pelo uso da palavra “diante”. p. Quanto às duas primeiras cláusulas. Todos concordarão que o versículo pode ser dividido em três cláusulas: 1) No princípio era o Verbo. NBV[20]). p. BJ[15]. “Antes de ser criado o mundo. aquele que é a Palavra já existia. tem por significado estar “ face a face. ARC[14]. 2) O Verbo estava com Deus. esta concepção sustentada por João é absolutamente singular e distinta de qualquer outra idéia preconcebida acerca do Lógos.”) e NLT (“No princípio a Palavra já existia”).. “No princípio era a Palavra. tornou-se um homem de carne e osso e viveu com os homens. e era Deus” (NVI[19]. 3) O Verbo era Deus. traduz “θαὶ ζεòς ἦλ ὁ ιόγος” por “e a Palavra era um deus”. assim. 2002. Ele estava com Deus.louvor devida à Theós [Deus o Pai]. desde o princípio à disposição de Deus” (A Mensagem [23]). Almeida séc. “En un principio era el Verbo. e de fato entra. “No princípio era a Palavra.

ζωή deveria ser “uma vida” (1:4). etc.454) nos informam que “as Testemunhas de Jeová [seita responsável pela publicação da NWT] argumentam que as regras gramaticais gregas permitem a inserção de um artigo indefinido “um”. 266. Em suas próprias palavras: É interessante que a New World Translation traduz θεόρ como “um deus” sobre as bases simplistas de que lhe falta o artigo. . 1996. Seguindo o princípio “anártro = indefinido” significaria que ἀπχᾗ deveria ser “um princípio” (1:1. ou piedoso[35]. aqueles que argumentam por uma visão tal (em particular. notaremos outras inconsistências na NWT” [37]. 267) atesta: No Novo Testamento há 282 ocorrências do θεόρ anártro. o próprio argumento defendido por eles. Todavia.[38] Wallace arremata dizendo: “alguém pode somente suspeitar de uma forte tendência teológica em uma tradução como esta” (1996. p. e o omitem quando o português o exige” (MOUNCE. 47) destaca: “O artigo definido é o único artigo em grego. é importante ressaltar que “os gregos não empregam o artigo da mesma maneira que nós o fazemos. No entanto. de que a ausência de artigo tornaria o substantivo indefinido. [36] Wallace (1996. 13 e 18 não os leva a traduzir estas passagens como “um deus”. você pode se referir ao artigo definido grego simplesmente como o „artigo‟”. anular a utilização deste texto para defender a doutrina da divindade de Cristo” [31]. 267) nota que “Se expandirmos a discussão para outros termos anártros no Prólogo Joanino. Dezesseis de 282 significa que os tradutores foram fiéis ao seu próprio princípio de tradução apenas seis por cento das vezes. 2009. 2). deuses. a fim de. As Testemunhas de Jeová não são ignorantes quanto a isto. 12. e acrescenta: “Freqüentemente. A respeito do uso do artigo em grego.1 Seria Θεός em João 1:1 indefinido? Mather e Nichols (2000. p. Empregam-no onde nós nunca empregaríamos. os tradutores da NWT) o fazem assim tão somente sobre a base de que o termo é anártro [isto é. Ainda que nenhum desses outros substantivos anártros seja traduzido com um artigo indefinido. o que seria coerente com a justificativa utilizada para a tradução do versículo 1. 267). p.4. Ίωάννηρ deveria ser “um João” (1:6). Wallace (1996. 50). como o fazem seguindo todas as outras versões supracitadas [34]. Por isso. Em dezesseis lugares a NWT traduz como um deus. θεόν deveria ser “um deus” (1:18). desta maneira. 267) [39]. declara que “O argumento gramatical de que o predicado nominativo aqui é indefinido é fraco” [32]. παπὰ θεοῦ deveria ser “de um deus” (1:6). ao invés de “Deus”. p. Mais adiante ele complementa: “Se não houver artigo. porém. deus. Não existe artigo indefinido („um‟). Mounce (2009. Tais afirmações parecem aprovar o procedimento de tradução adotado pela NWT. deveria logicamente conduzi-los a traduzir estes versículos por “um deus”. não possui artigo]” [33]. Isto é certamente uma base insuficiente. visto que o texto em grego encontra-se como segue: “kaì [ausência do artigo definido “ho”] theòs ên ho lógos”. p. p. Enfatizando este ponto Countess (apud Wallace. Fato é que na NWT a ausência do artigo junto à theós nos versículos 6. você poderá inserir „um/uma‟ antes do substantivo se fizer melhor sentido em português” (2009. pp. 50 – itálicos acrescentados). p.

p. gramaticalmente um significado tal é improvável” (1996. em João 1:1. [44] Em outras palavras. visto que “há uma Cri stologia exaltada no Quarto Evangelho. a NWT sustenta tal inconsistência para com seu próprio princípio de tradução? Mather e Nichols (2000. Além de tudo.1 por “e o Verbo [a Palavra] era Deus”. seria o único predicado nominativo anártro pré-verbal no Evangelho de João a ser assim” (WALLACE. 8:58. p.455). Assim. citando Colwell acerca de sua famosa regra. se for demonstrado a partir do contexto que theós aqui é um predicativo do sujeito definido. se o contexto suger e que o predicado é definido. Mantey [40]. o qual se encontra após o verbo. p. R. Carson (2007. o qual precede o verbo. 1996. 266) [42]. o que João afirma é que há pelo menos dois deuses.[43] Passemos em revista agora os motivos pelos quais a esmagadora maioria das traduções bíblicas traduz a ultima cláusula de João 1. 4. Embora Wallace argumente que isto seja de algum modo um exagero. enquanto que o ensino consistente da Escritura é que só há um Deus”. Por isso. ele concorda que “o ponto geral é válido: A noção indefinida é a mais pobremente atestada pelos predicados nominativos anártros pré-verbais. em alguns casos. se θεόρ fosse indefinido em João 1:1. Wallace (1996. “De acordo com o estudo de Dixon. observando que “a própria teologia do evangelista milita contra essa visão”.. citando parte de uma entrevista do erudito em grego J. 267) [41]. escreve: Substantivos predicados definidos que precedem o verbo usualmente perdem o artigo. 267). p. diabólica. 1996. Porque de acordo com a TNM [a mesma NWT]. 20:28. Um bom exemplo de uma construção semelhante a esta pode ser visto no próprio capítulo 1 de João. 267). tu és o Rei de Israel!” [45]. tu és o Filho de Deus. Essa é uma atitude desonesta e. deliberada e fraudulentamente traduzem errado – engano deliberado – o que para mim é imperdoável. apresentam a seguinte conclusão quanto à metodologia empregada na tradução das Testemunhas de Jeová [NWT]: Quando encontram certas passagens das Escrituras que parecem estar contra o ponto de vista deles. p. Ele também sustenta que o contexto não apóia uma tradução assim. etc. No original há um artigo antes de “Filho de Deus” (ὁ σἱòς τοῦ ζεοῦ). 1996. p. 10:30. então.Por que. 30) assevera veementemente: “aceitar sua defeituosa tradução é aceitar o politeísmo... ele deve ser traduzido como um substantivo definido. No versículo 49 lemos a resposta de Natanael: “Mestre. ao ponto que Jesus Cristo é identificado como Deus (cf.117) confirma o que já tem sido . um predicado nominativo que precede o verbo não pode ser traduzido como um substantivo indefinido ou „qualitativo‟ tão somente por causa da ausência do artigo. “[.. p. 5:23. Van Dam (2000. enquanto que na oração seguinte não há artigo antes de “Rei” (βασηιεύς.] talvez sugerindo que a Palavra fosse meramente um deus secundário em um panteão de deidades” (WALLACE. para o meu grande desapontamento. num certo sentido.)” (WALLACE. p. entender θεόρ aqui como indefinido traria implicações teológicas sérias que apontariam para alguma forma de politeísmo. a ausência de um artigo pode perfeitamente ser explicada pelo fato de theós preceder o verbo. 257).2 Seria Θεόρ em João 1:1 definido? Primeiramente precisamos destacar mais uma vez o fato de que a ausência de artigo não prova que um predicativo do sujeito numa posição anterior ao verbo seja indefinido.

dito até aqui nas seguintes palavras: “Demonstrou-se que. Em João 20:28. por exemplo. p. 4. 268) [56]. Até mesmo a NWT traduz esta passagem como “Rei de Israel” [47] e não “um rei de Israel”. Um problema que se levanta contra a defesa de um theós definido é que “a maioria dos predicados nominativos definidos pré-verbais anártros são monádicos[51]. 31) [53]. p. Outro problema é que. como os antigos gramáticos e exegetas apontaram. em virtude da aparição prévia de θεός antecedido por artigo (τòλ ζεòλ) na segunda cláusula. 268) [54]. 268). há que se analisar ainda uma última probabilidade. o que seria mais adequado ao seu princípio de tradução perante substantivos anártros. a saber. 1996. alguns eruditos têm argumentado em favor de que theós seria um substantivo predicado anártro definido. dizer que θεόςem 1:1c [3ª cláusula] é a mesma pessoa é dizer que „A Palavra [o Verbo] era o Pai‟. ele teria a sua disposição o adjetivo theîos. mas apenas divina. 257) [46]. p. Mas.117)[50] argumentam ainda que se o intuito de João era expressar um sentido puramente adjetival (qualitativo). Bruce escreve: “Tivesse theos.] Colwell assumiu que a definição do predicado nominativo poderia ser alcançada tanto pelo artigo como pela mudança na ordem da palavra” (WALLACE. 117). 1996. 300) [48]. Conforme Wallace (1996. assim como logos. nenhum dos quais é verdade aqui. 1996. adjetivamente) por “divino”. o qual é impossível.. Reymond aponta para a tradução de Monffat como um exemplo de tradução onde theós é traduzido qualitativamente (isto é. em construções genitivas. p. Wallace afirma que “o mais provável candidato para ζεóς é o . nem o substantivo se torna adjetivo quando „perde‟ seu artigo” (2009. a de ζεóς ser encarado como qualitativo. nessa construção. “[. não há nada naquele contexto que o identificaria com o Pai” (WALLACE. Todavia. ser anártro”. A este respeito. p.3 Seria Θεόρ em João 1:1 qualitativo? O último de nossos questionamentos recai sobre a possibilidade de tomarmos theós como qualitativo na terceira cláusula. Baseado no que tem sido apresentado até então. “O Quarto Evangelho é o último lugar provável para se encontrar modalismo no NT” [55]. é comum para um substantivo predicado finito ser colocado antes do verbo. De acordo com isto. 268)[52]. p. e protesta: “Nenhum Léxico Grego padrão oferece „divino‟ como um dos significados de θεόςtheos. p. Porém. na cláusula 2 θεός é uma referência direta a Deus o Pai e na cláusula 3 uma referência ao Verbo. Carson demonstra sua insatisfação para com uma tradução que aponte theós como qualitativo afirmando: “Isto não é o bastante” (2007. Frente às dificuldades apresentadas acima.. o significado teria sido que a Palavra era completamente idêntica a Deus. é Sabelianismo ou modalismo embrionário” (WALLACE. sido precedido pelo artigo. p. Tanto Reymond (2009. Isto. p. p. é importante notar que ele faz questão de deixar claro que “isto não quer dizer que em um determinado contexto Jesus não poderia ser identificado com ὁ ζεóς. poderíamos afirmar com certeza ser θεός articular na terceira cláusula desde que se referisse à mesma pessoa. ou são nomes próprios. 1996. o qual seria mais indicado. já que a Palavra estava também „com Deus‟” (1983. Portanto. diminuindo a probabilidade de um θεόςdefinido em João 1:1c [cláusula 3]” (WALLACE.300)[49] quanto Carson (2007. “Assim. como se a Palavra (ou Verbo) não fosse Deus. Jesus é chamado ὁ ζεóς. onde o crescendo do Evangelho se estabelece na confissão de Tomé.

No que diz respeito ao aspecto gramatical. 31) apontam para a tradução “O que Deus era. o arrastamos para o início da frase: “e o Verbo [ou a Palavra] era Deus”. 2009. p. Sendo assim. freqüentemente. Bruce diz que a intenção de João aqui é expressar “[. de acordo com Wallace (apud MOUNCE. p. logo percebemos que se trata do sujeito e. 38) declara que “duas perguntas. o qual afirma que a posição enfática das palavras ressalta a essência ou qualidade do sujeito. o ensaio de Philip B. seguindo os moldes da relação “sujeito/predicativo do sujeito” em português. a partir do contexto. 38). „João‟ é o sujeito.. 37). recebe ênfase em virtude da ordem da palavra” (WALLACE apud MOUNCE..qualitativo” [57]. sendo utilizados outros meios para fazer a distinção entre sujeito e predicativo do sujeito. ou seja. esta relação é facilmente distinguida pela ordem das palavras.] que a Palavra [ou Verbo] compartilhava a natureza e o ser de Deus” (1983.. a ordem das palavras é bastante flexível e. 37). p. deve ser. é para enfatizá -la”. 2009.] é empregada visando ênfase mais do que uma função gramatical rigorosa”. Wallace (apud MOUNCE. na maioria das vezes baseadas numa má interpretação da regra de Colwell.. Tanto Wallace (1996. p.1c deva ser tomado como qualitativo tem encontrado algumas críticas. e sustenta que “isto é verdade tanto gramaticalmente (pois a maior proporção dos predicados nominativos pré-verbais anártros caem nesta categoria) quanto teologicamente (tanto na teologia do Quarto Evangelho quanto na do NT como um todo)” (1996. ambos unidos pelo verbo de ligação “é”. quando precedendo um verbo habitualmente aparecerá sem o artigo. porém. 2009. 37. A posição de que theós em João 1. pp.269) [58]. seguido pelo verbo de ligação e o predicativo do sujeito. e „homem‟ é o predicativo do sujeito” (WALLACE apud MOUNCE. p. No português. Embora Colwell tenha afirmado que um predicado nominativo. No grego. 37). devem vir à mente: (1) por que ζεóς foi transportado para o início da oração? E (2) por que está sem artigo?” Respondendo a primeira pergunta. a Palavra era” como uma boa interpretação para expressar a força dessa ordem de palavras. “[. 2009. a presença de um artigo definido junto a um dos substantivos. 31) [59]. 2009. em nossas versões. em nossas traduções.. como acontece em nosso caso com a terceira cláusula de João 1:1. muitos têm generalizado e entendido que um predicado nominativo. Harner foi publicado no mesmo jornal. porém. Wallace descreve um acontecimento que lança bastante luz acerca deste mau entendimento: Quarenta anos depois do artigo de Colwell ter aparecido no JBL. por exemplo. “[. simplesmente por anteceder o verbo. p. Harner apontou que “Colwell estava quase inteiramente interessado na questão de se os substantivos predicados anártros eram definidos ou indefinidos. como na frase “„João é um homem‟. p. em grego.” Isto foi provavelmente . provavelmente definido. sendo. este versículo é traduzido como “e o Verbo [ou a Palavra] era Deus”. A forma como o encontramos é: “θαì ζεòς ἦλ ὁ ιóγος” (“e Deus era a o Verbo [ou a Palavra]”). É interessante que. 269) quanto Bruce (1983. p. é importante tratarmos aqui brevemente sobre a relação entre sujeito e predicativo do sujeito. tomado como definido..] quando um predicativo do sujeito é transportado para antes do verbo. estudando a disposição das palavras nas sentenças gregas entendemos que “quando uma palavra é colocada no início da oração. ambas com relevância teológica. portanto. Isto concorda com o pensamento de Wallace ( apudMOUNCE. Visto que o “Verbo [ou a Palavra]” carrega consigo um artigo definido. como. evidenciando-o como o sujeito. e ele não discutiu em qualquer extensão o problema de sua significação qualitativa. Não é assim. o sujeito vem primeiro.

] evidência de que predicados nominativos anártros pré -verbais são usualmente qualitativos – não definidos nem indefinidos.. 259). 269) sustenta que ambas as passagens “[. a primeira pessoa da Trindade. 243) [61]. “Jesus Cristo é Deus e possui todos os atributos que o Pai possui.. nos parece evidente a intenção autoral de nos impedir “[.. acabou contribuindo para um posterior mau uso de sua regra.] com referência aos anjos. p. No que diz respeito à tradução. 38). p. foram de que 80% das construções de Colwell envolviam substantivos qualitativos e apenas 20% envolviam substantivos definidos” (1996. ao que parece. também.] de identificar a pessoa da Palavra (Jesus Cristo) com a pessoa de Deus (o Pai)” (WALLACE apud MOUNCE. enquanto σάπξ foi acrescentada na encarnação (daí. e neste caso a tradução de Moffatt (de que o Verbo é “divino”) seria aceitável apenas se o tomássemos como “[. diferindo do uso moderno que o aplica “[. embora creiamos que ζεóς na terceira cláusula seja qualitativo. 2009.. p.εἰκί ser usado). Tudo isso é afirmado de modo conciso em θαὶ ζεòς ἦλ ὁ ιόγος” (WALLACE apudMOUNCE.devido ao fato de que muitos gramáticos antigos não viam distinção entre substantivos qualitativos e substantivos definidos (1996..]ζεóς era sua natureza desde a eternidade (daí.. Wallace (1996. [. e até mesmo a comida” (WALLACE.] Conforme disse Martinho Lutero. 38).] enfatizam a natureza do verbo e não sua identidade. 2009. p. Uma forma de vermos isto mais claramente nos é proposta por Wallace ( apudMOUNCE. p. porém. Não é. Uma comparação entre João 1:1c e João 1:14 também se apresenta como grande auxílio para compreendermos o que se pretende expressar ao tomarmos theós como qualitativo. 269) [65]. nas Palavras de Wallace: “[.. 2009. [em inglês] aos teólogos. sabelianismo) θαὶ ὁ ιόγος ἦλ ζεóς θαὶ ζεòς ἦλ ὁ ιόγος “e a Palavra era um deus” (arianismo) “e a Palavra era Deus (fé ortodoxa) Assim..] um termo que pode ser aplicado tão somente à verdadeira deidade”[64].e.. p. a falta do artigo nos diz que Jesus Cristo não é o Pai. [. Ao deixar de abordar o problema da significação qualitativa. 259)[62].[60] Precisamos lembrar que “quando um substantivo é anártro. Suas descobertas.. o porquê de ζεóς estar sem artigo. 38). 1996. concordamos com Wallace que.] a ordem das palavras nos diz que Jesus Cristo tem todos os atributos divinos que o Pai possui. Acerca da segunda pergunta. p. em geral. “Pode ser melhor afirmar claramente o ensino neotestamentário da deidade de Cristo e então explicar que ele não é o Pai.. Digno de nota. p. p. a ordem das palavras vai contra o arianismo” (apud MOUNCE. ele pode ter uma das três forças: indefinido. qualitativo. p. é o destaque de Wallace ao fato de Harner ter produzido “[.. o próprio Colwell. 38) através da comparação das diferentes construções gregas tais como seguem: θαὶ ὁ ιόγος ἦλ ὁ ζεóς “e a Palavra era o Deus” (i. 269) [66]. o Pai. ou seja.... a falta de um artigo vai contra o sabelianismo. γίλοκαη ser usado). ou definido” (WALLACE.”[63] Assim. atribuindo a theós um peso qualitativo asseveramos a essência do Verbo (ele compartilha indistintamente dos mesmos atributos do Pai) sem contestar de maneira alguma Sua deidade. ao invés . podemos firmemente afirmar com Wallace: “ A construção que o evangelista escolheu para expressar esta idéia foi o modo mais conciso que ele poderia ter usado para afirmar que a Palavra era Deus e era ainda distinta do Pai” (1996. 1996. Resumindo. seguindo o que já dissemos até aqui. pensamos que a mais simples e correta tradução seja: “e o Verbo [ou a Palavra] era Deus”. 2009..

e. distinto da primeira Pessoa da Trindade quanto a Sua hipóstase (pessoa). demonstrando assim o seu amor e garantindo-lhes salvação. ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Ele não nos deixou esta opção. Faça a sua escolha. BRUCE. Sua doutrina do Lógos trabalha para revelar a natureza excepcional de Jesus. desde o prólogo de seu Evangelho. 269). o Filho. São Paulo: Aste. Documentos da igreja cristã. “quarto evangelista” de que. H. em absoluto acordo com toda ela. na narrativa de João. mas não é o Pai” (1996. Ou esse homem era. Grand Rapids: Wm. (LEWIS. Vale à pena relembrar as palavras de Lewis: Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: “estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral. Mas que ninguém venha. 1:14). mas não aceito a sua afirmação de ser Deus. Assim. o Deus preexistente que se faz homem e apresenta-se numa cruz como sacrifício ao Pai no lugar de pecadores. o Lógos compartilha da mesma essência do Pai. com paternal condescendência. p. 20:28).” Essa é a única coisa que não devemos dizer. ressuscitou e apareceu para Tomé como “Senhor” e “Deus” (Jo. atribuindo-o a uma existência divina que se encarna e vive como um homem neste mundo. F. Você pode querer calá-lo por ser um louco. tanto Jesus quanto o apóstolo reivindicam.[67] 5 CONCLUSÃO A conclusão a que chegamos é a de que. L. 1:1). embora o conceito de Lógos fosse comum e já bem definido no período em que João o empregou. São Paulo: Editora Cultura Cristã. e não quis deixá-la. o Filho de Deus. Nossa exegese de João 1:1 esforçou-se para estabelecer o real sentido aplicado pelo apóstolo ao chamar o Lógos de ζεóς. e é. co-eterno e co-igual ao Pai. Jesus “era Deus” desde o “princípio” (Jo. B. Seria um lunático – no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido – ou então o diabo em pessoa. ou não passa de um louco ou coisa pior. The Gospel and epistles of John. todavia. 69. p. o apóstolo o desenvolve de modo inteiramente novo. 70) Mais do que em qualquer outro lugar da Escritura. 1983. tomando ζεóς como qualitativo. “se fez carne” (Jo. F. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. incontestavelmente. apoiando o conceito do. João apresenta Jesus como Deus. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERKHOF. dizer que ele não passava de um grande mestre humano. . 2007. assim chamado. a doutrina do Deus/homem. BETTENSON. Eerdmans Publishing Co. todavia. Esta análise demonstrou-se consistente com o restante do ensino de João. sendo. foi crucificado.de parecer ambíguo sobre sua deidade e explicar que ele é Deus. pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio.. 2002. Teologia sistemática.

vol. SAYÃO. São Paulo: Ed. A Mensagem: Bíblia na linguagem contemporânea. Vol. 2008. G. Enciclopédia de Bíblia. O. N. A. A. R. Fundamentos do Grego Bíblico: livro de gramática. M. São Paulo: Hagnos. Cristianismo puro e simples. 2000. A. Estudos no Novo Testamento. S. NICHOLS. São Paulo: Hagnos. 1983. 3. São Paulo: Arte Editorial. G. 2011. G.. MYATT. São Paulo: Shedd Publicações. Curitiba: Editora Evangélica Esperança. E. LADD. bíblica e apologética para o contexto atual. H. (Ed. Nashville: Thomas Nelson. 2004. PETERSON. Teologia do Novo Testamento. F. G. A New Systematic Theology of the Christian Faith. E. LEWIS. R. N. São Paulo: Ed. 2007. São Paulo: Martins Fontes. HENDRIKSEN. D. Teologia do Novo Testamento. L. 2006. 2008. Reflexões sobre as questões últimas da vida. . São Paulo: Ed. Novo Testamento trilíngüe: grego. 2010. Teologia sistemática: uma análise histórica. LOPES. DAUTZENGERG. V. C. Crenças e Ocultismo . São Paulo: Editora Vida. FERREIRA. Academia Cristã Ltda. São Paulo: Editora Cultura Cristã. português e inglês. CHEUNG. JEREMIAS. CHAMPLIN. São Paulo: Editora Vida.). SCHREINER. A. Vida. 2008. 2007. Forma e exigências do Novo Testamento. 2008. L. 2009. W. CULLMANN. O Comentário de João. T. L. A. 2009. HÖRSTER. São Paulo: Cultura Cristã. São Paulo: Vida Nova. Eles falaram sobre o inferno: a doutrina da perdição eterna nos primeiros escritos cristãos. 2009.. A Bíblia e seus intérpretes: uma breve história da interpretação. J. São Paulo: Vida Nova. São Paulo: Arte Editorial. REYMOND. MOUNCE.. Cristologia do Novo Testamento. GOPPELT. 2003. 2007. São Paulo: Hagnos. 1977. D. Dicionário de Religiões. Paulinas. W. L.CARSON. 1 e 2. J. A. São Leopoldo: Vozes/Editora Sinodal. GRANCONATO. teologia e filosofia. Teologia do Novo Testamento. MATHER. 2009. O Evangelho de João.

essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. sendo verdadeiro e eterno Deus. [2] No Concílio de Nicéia (325 d. Para Ário. [7] Ladd (2009.. 2008. a Segunda Pessoa da Trindade. C. D. Filho e Espírito Santo.. [6] O famoso grupo “Voz da Verdade”. p. 1996.a Divindade e a humanidade . um só Cristo. que Cristo era um ser criado a partir do nada. Capellades: Fundacion Editorial de Literatura Reformada. [8] “So. perfeitas e distintas . p. § II) encontramos exatamente a mesma profissão. we can never reach a point at which we could say of the Divine Word. [11] Resposta a pergunta de nº 21: “Quem é o Redentor dos escolhidos de Deus?”. 2000. Greek Grammar Beyond the Basics: an exegetical syntax of the new testament. composição ou confusão. segundo sua natureza divina. de essência ou substância diferente (heteros) do Pai.. 2007. Ário achava. gerado desde a . p. p. p. entretanto. when heaven and earth were created. foram retiradas da versão Almeida Revista e Atualizada (2 ed. [4] “Sabélio [. da mesma substância do Pai e igual a ele. é uma pessoa que se transformou no processo da história” (FERREIRA & MYATT. WALLACE. Los Testigos de Jehová desenmascarados. então. 2008.C. already existing in the closest association with God and partaking of the essence of God. doravante ARA.C. subordinado ao Pai e de essência diferente do Pai. Intrinsecamente. com canções muito conhecidas e tocadas no meio “evangélico” apresenta-se sem reservas como unicista. 114). Deus Pai. Não era co-igual. § II) professa: “O Filho de Deus. 277). 2007. B. contudo sem pecado. Deus. 358) indica a data 42 d. VIII.” Na Confissão de fé Batista de 1689 (Cap. [3] “De acordo com os socinianos.). com exceção das expressamente identificadas. Pai. porém. [1] Todas as citações bíblicas.] cria na noção de que só existe uma Pessoa divina. Grand Rapids: Zondervan Publishing House. Na confissão Belga (Artigo X) encontramos a seguinte declaração: “Cremos que Jesus Cristo. 2009).. 488). as Arius did. Cristo era divino mas não era Deus” (CAIRNS.VAN DAM.] entendia que Deus apresentou-se em três modos.‟” [10] Resposta a pergunta de nº 36: “Quem é o Mediador do pacto da graça?”.C. que se manifesta nas três formas.] e por uma minoria dos presentes. coeterno e da mesma substância com o Pai. sem conversão.. sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela. Cristo era. there was the Word of God. p. As duas naturezas.” [9] No matter how far back we may try to push our imagination. Deus é somente uma pessoa” (FERREIRA & MYATT. Cristo pôde ser considerado divino. „There was once when he was not. [5] “Paulo de Samosata [. mas não existe eternamente como três pessoas. “Ário. quando chegou o cumprimento do tempo. como a da morte de Filo. enquanto Lopes (2007. III.. 488). é o único Filho de Deus. mas que começou a existir por um ato criativo de Deus antes do tempo. inteiras. tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns. então. Cristo deve ser adorado como um homem que obteve a divindade por sua vida superior” (CAIRNS. 83) aponta para uma data aproximada a 50 d. apoiado por Eusébio de Nicomédia [. [12] A própria Confissão de fé de Westminster (Cap. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil. insistiu que Cristo não existiu desde a eternidade.foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa. o único Mediador en tre Deus e o homem. Pela excelência da sua vida e por sua obediência à vontade de Deus.. mudando apenas algumas palavras.

São Paulo: Vida Nova. nem fim de existência‟ (Hebreus 7:3).20). e a Palavra estava com Deus. não somente quando da Virgem Maria assumiu a carne. Ele não foi feito. como os seguintes testemunhos nos ensinam. de um modo inexprimível. de Zacarias Ursinus e Guido de Brés. 1967). de Heinrich Bullinger (elaborada em 1562). 2011). desde os dias da eternidade‟ (Miquéias 5:2). T.” No Catecismo de Heidelberg (1563). [21] Bíblia alemã Gute Nachricht (Boa Notícia).). 53). H. desde a eternidade. A. nem apenas antes que se lançassem os fundamentos do mundo. São Paulo: Ed. já existia. que Deus criou todas as coisas por meio de Jesus Cristo. [16] Tradução Brasileira (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil. também. por obra do Espírito Santo. assim. Anaheim: Living Stream Ministry. e o Verbo estava diante de Deus. [22] Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil. da carne e do sangue da virgem Maria. XI (“De Jesus Cristo. [20] Nova Bíblia Viva (São Paulo: Mundo Cristão. quando diz que Cristo "foi concebido pelo Espírito Santo e nasceu da virgem Maria?”(Domingo 14). (Ed. [. nem criado . eterno Deus. no Cap. quando todas as coisas foram criadas por Ele. 2008). Inc.. respondendo a pergunta de nº 35: “0 que voc ê entende. e a carta aos Hebreus testemunha: „Ele não teve princípio de dias.eternidade. [15] Bíblia de Jerusalém (São Paulo: Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus. Assim.11). adoramos e servimos. E cremos que ele nasceu. [24] Biblia Textual Reina-Valera (EL NUEVO TESTAMENTO. o Todo-poderoso. Segue-se necessariamente que aquele que é chamado Deus. 2011). versão de 1967 (Brooklyn: Watchtower Bible and Tract Society of New York. português e inglês. mas em substância e natureza. Ele é o verdadeiro. nosso Senhor Jesus Cristo. foi. E. diz: „Suas origens são desde os tempos antigos. e o apóstolo João diz que todas as coisas foram feitas por intermédio do Verbo que ele chama Deus. tornou-se verdadeiro homem. que é e permanece verdadeiro e eterno Deus. o Filho é coigual e consubstancial com o Pai. 2003): “No princípio era a Palavra.. não de nome ou por adoção ou por qualquer dignidade. de fato. co-eterno. verdadeiro Deus e verdadeiro homem. [25] Holman Christian Standard Bible (Nashville: Holman Bible Publishers . a Segunda Confissão Helvética. 2001): “Em um princípio era o Verbo. p. Campinas: Os Gideões Internacionais.” Por fim. 2011. . lemos: “Entendo que o eterno Filho de Deus. portanto. mas antes de toda a eternidade e certamente pelo Pai. quanto à sua divindade. Capellades: Sociedad Bíblica Iberoamericana.. 1988). e o Verbo era Deus” (tradução nossa). 2003.] Portanto. Assim Ele é. Ele seria uma criatura. 2000). L. Ele é o Filho de Deus.mas é de igual substância do pai. O apóstolo diz que Deus fez o universo por seu Filho e. A Mensagem: Bíblia na linguagem contemporânea. Tradução apresentada por Hörster (2009.” [13] Todas as citações do texto grego foram retiradas de SAYÃO. Além disso. igual a Ele em tudo. . único Salvador do mundo”) está escrito: “Cristo é verdadeiro Deus. como disse o apóstolo São João: “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (I João 5. [17] Versão Restauração (NOVO TESTAMENTO. e a Palavra era Deus” (tradução nossa). 1996). [18] Tradução do Novo Mundo. mas desde a eternidade. ensinamos que o Filho de Deus. mas sem pecado. o Verbo. verdadeiro Deus (Fil 2. O profeta Miquéias. predestinado ou pré-ordenado pelo Pai para ser o Salvador do Mundo.pois. ao serem comparados uns aos outros: diz que Deus criou o mundo. o Filho e Jesus Cristo. a quem invocamos. [23] PETERSON. 2000). Novo Testamento trilíngüe: grego. [14] Almeida Revista e Corrigida (NOVO TESTAMENTO: português inglês. o descendente de Davi igual a seus irmãos em tudo. „o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser‟ (Hebreus 1:3). [19] Nova Versão Internacional (São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional. não somente desde que assumiu nossa natureza. Vida.

Ίωάννηρ should be “a John” (1:6).. Following the “anarthrous = indefinite” principle would mean that ἀπχᾗ should be “a beginning” (1:1. New Believer’s Bible New Testament: first steps for new Christians. [37] If we expand the discussion to other anarthrous terms in the Johannine Prologue. p. 455). [41] According to Dixon‟s study. Inc. Yet NWT six times translated „God. A expressão θατὰ ζεòλ (segundo Deus) é traduzida arbitrariamente aqui por “de modo piedoso” (godly way). a Torre de Vigia submeter sua teologia às Escrituras”. 18 – and has the article only twice – verses 1. onde lemos “ἡ γὰρ θατὰ ζεòλ ιύπεκετάλοηαλ εἰς σωτερίαλ ἀκετακέιετολ ἐργάδεταη”. the translators of the NWT) do so on the sole basis that the term is anarthrous”.): “No princípio a Palavra já existia. frente a frente. Inc.. god.. [40] Entrevista esta retirada de “[. a dor segundo Deus. Inc. it would be the only anarthrous pre-verbal PN in John‟s Gospel to be so […] the general point is valid: The indefinite notion is the . o em presencia de [. ao invés de ser o oposto.[26] King James Version (THE NEW TESTAMENT OF OUR LORD AND SAVIOR JESUS CHRIST.. E.. ζωή should be “a life” (1:4).. [27] New American Standard Bible (Anaheim: Foundation Publications..‟ once „a god. [39] One can only suspect strong theological bias in such a translation. Θεόρ occurs eight times – verses 1. 6. gods.] Ante define la posición reflexivadel Verbo” (p. Sixteen out of 282 means that the translators were faithful to their translation principle only six percent of the time. no qual o autor destaca que a seita Testemunhas de Jeová cita erroneamente os famosos eruditos gregos cristãos H. 2000.] um panfleto escrito por Michael Van Buskirk. θεόνshould be “a god” (1:18). 152). 12. A NWT produz uma tradução impossível aqui: “For sadness in a godly way makes for repentance to salvation that is not to be regretted” (Porque a tristeza de modo piedoso produz arrependimento para a salvação que não se há de deplorar). uma vez como “um deus”.‟ and once „the god‟”). 2.. 2). Yet none of these other anarthrous nouns is rendered with an indefinite article. [34] Nas palavras de Countess (apud Wallace. p. 6. 267): A primeira seção de João – 1:1-18 – fornece um lúcido exemplo do dogmatismo arbitrário da NWT. 13. ou seja. intitulado A Desonestidade Escolástica da Torre de Vigia (1975).] cara a cara.456) afirmam ainda que “a tradução deles [Teste munhas de Jeová] é feita para ficar de acordo com a sua teologia. 1988). 1996. 2. pois. e uma vez como “o deus” (“The first section of Jo hn – 1:1-18 – furnishes a lucid exemple of NWT arbitrary dogmatism. e a Palavra era um deus” (tradução nossa). a NWT traduziu seis vezes como “Deus”. [36] In the New Testament there are 282 occurrences of the anarthrous θεόρ. desenvolve irrevogável arrependimento para a salvação” (tradução nossa). [32] “The grammatical argument that the PN here is indefinite is weak. Ele estava com Deus. Mantey” (MATHER. 1996. [31] Mather e Nichols (2000. those who argue for such a view (in particular. [29] New World Translation [Tradução do Novo Mundo] (Brooklyn: Watchtower Bible and Tract Society of New York. NICHOLS. Dana e J. 13. Nashville: The Gideons International. [Ed.” [33] “Often. Wheaton: Tyndale House Publishers. 2006): “No princípio a Palavra era. [35] A referência aqui é a passagem de 2 Co 7:10a. p. etc. G. e a Palavra estava com Deus. [30] “[. 12. 2. This is surely an insufficient basis. 1995). Uma tradução literal seria: “Ela [a dor]. R.. [28] New Living Translation (LAURIE. we notice other inconsistencies in the NWT. e ele era Deus” (tradução nossa). [38] It is interesting that the New World Translation renders θεόρ as “a god” on the simplistic grounds that it lacks the article. 2. Θεόρ ocorre oito vezes – versos 1. Todavia. if θεόρ were indefinite in John 1:1. or godly. 18 – e possui o artigo apenas duas vezes – versos 1.]. παπὰ θεοῦ should be “from a god” (1:6). At sixteen places NWT has either a god.

Thus.” [44] “Definite predicate nouns which precede the verb usually lack the article. en Juan 1:1. Visto não haver outro sol.” [57] “The most likely candidate for ζεóς is qualitative. for there is an exalted Christology in the Fourth Gospel. theios] pronto à mão”). [52] “The vast majority of definite anarthrous pre-verbal predicate nominatives are monadic. is embryonic Sabellianism or modalism. Harner pointed out that „Colwell was almost entirely concerned with the question whether anarthrous predicate nouns were definite or indefinite. But there is nothing in that context that would identify him with the Father. por exemplo. como o sol. if the context suggests that the predicate is definite.” [58] “This is true both grammatically (for the largest proportion of pre-verbal anarthrous predicate nominatives fall into this category) and theologically (both the theology of the Fourth Gospel and of the NT as a whole). [49] “If John had intended an adjectival sense. as the older grammarians and exegetes pointed out. in genitive constructions. [60] “Forty years after Colwell‟s article appeared in JBL. σù βασιλεùρ εἶ τοῦ ’Ισπαήλ” [Rabbí.).” [59] “What is meant is that the Word shared the nature and being of God”. you are King of Israel‟” (Jo1:49 NWT). theios) ready at hand” (“Se João tivesse pretendido um sentido adjetival.el answered him: „Rabbi. 5:23. Philip B. etc. o único de um tipo.” [47] “Na. Colwell assumed that definiteness of the PN could be achieved either by the article ou by a shift in word order. and he did not discuss at any length the problem of their qualitative significance. ele tinha um adjetivo [ θεîορ.most poorly attested for anarthrous pre-verbal predicate nominatives. to the point that Jesus Christ is identified as God (cf. [51] Isto é.. it should be translated as a definite noun…” [45] “Ραββί. [54] “Thus to say that θεόςin 1:1c is the same person is to say that „the Word was theFather. mientras que la enseñanza consistente de la Escritura es que sólo hay un Dios.. ele é o único de um tipo. 10:30. sù eî ho huiòs toû theû. [46] “From this. none of which is true here. where the crescendo of the Gospel comes in Thomas‟ confession. a predicate nominative which precedes the verb cannot be translated as an indefinite or a „qualitative‟ noun solely because of the absence of the article. [48] “No standard Greek lexicon offers „divine‟ as on of the meanings of θεόςtheos. nor does the noun become an adjective when it „sheds‟ its article”. you are the Son of God. In John 20:28. which is impossible if the Word was also „with God‟”. σù εἶ ὁ σἱòς τοῦ θεοῦ.” [56] “This is not to say that in a given context Jesus could not be identified with ὁ ζεóς. he had an adjective ( θεîορ. 20:28.than´a.” [55] “The Fourth Gospel is about the least likely place to find modalism in the NT. lo que Juan afirma es que por lo menos hay dos dioses. sì basileùs eî toû ‟Israél].” [53] “Had theos as well as logos been preceded by the article the meaning would have been that the Word was completely identical with God. for example. Porque de acuerdo con la TNM. diminishing the likelihood of a definite θεόςin John 1:1c.. [43] “[. Harner‟s essay was published in the same journal.. [50] “Há uma palavra perfeitamente adequada em grego para „divina‟ ( theios). grammatically such a meaning is improbable […] the evangelist‟s own theology m ilitates against this view.] aceptar su defectuosa traducción es aceptar el politeísmo. 8:58. [42] “[…] perhaps suggesting that the Word was merely a secondary god in a pantheon of deities”.‟ This was probably due to the fact that many older grammarians saw no distinction between qualitative nouns and indefinite nouns” . or are proper names.‟ This. Jesus is called ὁ ζεóς.

were that 80% of Colwell‟s constructions involved qualitative nouns and only 20% involved definite nouns. or definite. qualitative.. while σάπξ was added at the incarnation (hence.] evidence that an anarthrous pre-verbal PN is usually qualitative – not definite nor indefinite. it may have one of three forces: Indefinite. rather his identity.” [63] “[. [67] “It may be better to clearly affirm the NT teaching of the deity of Christ and then explain that he is not the Father. […]ζεóς was his nature from eternity (hence. in general. than to sound ambiguous on his deity and explain that he is God but is not the Father. His findings.” [65] “[…] with reference to angels. γίλοκαηis used). εἰκί is used).” [62] “[..” [64] “[…] a term that can be applied only to true deity.] both emphasize the nature of the Word. . theologians. even a meal!” [66] “The construction the evangelist chose to express this idea was the most concise way he could have stated the Word was God and yet was distinct from the Father ” (itálico original).[61] “When a substantive is anarthrous...

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