PLANEJAMENTO NO ENSINO SUPERIOR: UMA DEFICIÊNCIA DO ENSINO NO BRASIL Adilson A. Baldez (baldezadilson@yahoo.com.br), Cinira Maria B.

Leite (ciniraleite@uol.com.br), Andressa N.W. do Prado (andressa.fisio@hotmail.com) Orientador: Drª. Maria Tereza Dejuste de Paula Universidade do vale do Paraíba Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento – IP&D Disciplina: Metodologia do Ensino Superior Curso: Mestrado Eng. Biomédica RESUMO
O processo de planejamento está inserido em vários setores da vida social: planejamento urbano, planejamento econômico, planejamento habitacional, planejamento familiar, entre outros. O ensino superior tem características muito próprias porque objetiva a formação do cidadão, do profissional, do sujeito enquanto pessoa, enfim de uma formação que o habilite ao trabalho e à vida. É neste contexto o que vem se desenvolvendo no Brasil a nível de formação de profissionais no nível superior. É uma grande massificação do ensino, sem a preocupação com a qualidade do ensino e a formação dos profissionais de educação. Palavras Chaves: Planejamento, Educação, Ensino. Introdução O processo de planejamento está inserido em vários setores da vida social: planejamento urbano, planejamento econômico, planejamento habitacional, planejamento familiar, entre outros. Do ponto de vista educacional, o planejamento é um ato político-pedagógico porque revela intenções e a intencionalidade, expõe o que se deseja realizar e o que se pretende atingir. Mas o que significa planejamento do ensino e suas finalidades pedagógicas? VASCONCELOS, Celso: Planejamento. Projeto Ensino Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico São Paulo, Libertad: 1999. Esses conceitos, atualmente, foram redefinidos, não só por conta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, mas também como resultante do novo modelo de sociedade, onde alguns denominam de sociedade aprendente, outros, sociedade do conhecimento SHON, Donald A: Formar professores como profissionais reflexivos - Lisboa, Don Quixote: 1992. O que é importante, do ponto de vista do ensino, é deixar claro que o professor necessita planejar, refletir sobre sua ação, pensar sobre o que faz, antes, durante e depois. O ensino superior tem características muito próprias porque objetiva a formação do cidadão, do profissional, do sujeito enquanto pessoa, enfim de uma formação que o habilite ao trabalho e à vida. O relatório da Unesco publicado no final de 2005 sobre a educação nos países em desenvolvimento contém sérias advertências sobre o papel da educação no processo de desenvolvimento não só das pessoas como das sociedades, não como um processo milagroso que aconteça de um dia para outro, mas como um processo que demanda tempo e políticas de educação integradas. Há que se priorizar a educação no sentido universal para que possamos ter uma sociedade mais justa em consonância com o desenvolvimento do país. As prioridades dadas ao campo econômico financeiro sobre a educação têm relegado esta a um segundo plano e em conseqüência, tem gerado um desordenamento social que tem como principal vítima desse sistema perverso, o cidadão, que não consegue emprego para manter o nível mínimo de qualidade de vida de sua família. A questão fundamental é: o que fazer para vencer este desafio? Como devemos proceder de forma a superar os obstáculos que o próprio desenvolvimento, no auge do avanço das tecnologias e das tensões indispensáveis das competições, e os cuidados com a igualdade de oportunidades se tornam imprescindíveis? É dentro dessa complexidade que orientamos o nosso trabalho, particularizando o processo educativo no ensino superior no Brasil, com foco na estratégia e planejamento do ensino de acordo com as práticas atuais.

O que tem se observado no Brasil é uma grande expansão de cursos superiores, sem que haja um aprofundamento no estudo das demandas do mercado para que ocorram essas implantações de novos cursos sem prejuízo da qualidade do ensino. A rigor o que estamos assistindo é uma corrida desenfreada a um mercado que oferece novas oportunidades aos empresários da educação, que vêem nesse novo mercado, um bom negócio e excelente campo de investimento para aumentarem seus lucros, sem a preocupação com a qualidade final do produto e o controle eficiente em sua execução. Na estrutura das instituições poucas dispõem de departamentos de planejamento, normalmente o departamento de ensino agrega essa função, algumas só dispõem de uma secretaria e um departamento de coordenação de ensino onde os profissionais de ensino recebem o seu diário e se dirigem para a sala de aula. É nesse contexto que se desenvolve boa parte do ensino superior no Brasil. Voltando a questão do planejamento do ensino superior que é o foco da nossa proposta de trabalho, formulamos a seguinte pergunta: como planejar uma aula em um ambiente que não se planejou para o fim a que se destina? Quais as perspectivas de sucesso de um aluno que estudou em um ambiente como este? - estas perguntas são claramente respondidas quando se compara o desempenho de um aluno que estudou em uma boa escola e um aluno que estudou em uma escola sem estrutura. Sem planejamento não conseguimos alcançar os objetivos propostos na relação ensino aprendizado. O professor, em geral um profissional bem sucedido em sua profissão, não dispõe de informação necessária sobre as práticas pedagógicas no processo de ensino aprendizagem. É necessário que se repense a qualificação deste profissional, promovendo – se cursos específicos na área de educação para melhorar o seu desempenho enquanto educador. É neste contexto que se desenvolve no Brasil a formação de profissionais em nível superior. Se estes profissionais tivessem tido a oportunidade de se prepararem adequadamente, com certeza teríamos mais eficiência e qualidade na transmissão do conhecimento na formação de profissionais no ensino superior, é uma questão de reflexão, do saber diferenciar o que é mais importante no processo ensino aprendizagem: - o ensinar ou o aprender a ensinar. Se pretendermos ensinar, é fundamental que se aplique uma metodologia e para que isto seja possível, temos que planejar pensar, desenvolver uma estratégia em que seja possível repassar conhecimentos com a convicção de que os objetivos específicos contidos no seu planejamento de ensino sejam atingidos. A rigor o que acontece a nível de ensino superior no Brasil é que a falta de planejamento, seja da própria instituição de ensino ou do professor que não se planeja para ministrar a disciplina com

competência, traz enormes prejuízos tanto ao professor como para o aluno que não conhece a razão daquilo que lhe está sendo ensinado e em última análise, á própria instituição que sofre o reflexo desta deficiência, reproduzida no conceito que desfruta entre as instituições de sua área de atuação. A conseqüência imediata do descompromisso com o planejamento na área de educação, conduz a massificação do ensino e a falta de qualidade dos cursos ministrados em certas instituições. A falta de políticas públicas e do controle do governo sobre estas instituições são fatores que contribuem com a falta da qualidade de ensino destas instituições. Materiais e Métodos Este trabalho foi elaborado a partir de pesquisas em textos especializados em educação, artigos publicados em revistas e a leitura de alguns autores nacionalmente conhecidos como Celso Vasconcelos, Luiz Paulo Leopoldo e o Relatório da Unesco para a Educação no século XXI. Resultados As leituras de textos especializados em educação e em particular os relacionados ao ensino superior, mostram claramente a necessidade de repensarmos a prática docente nas instituições de ensino superior no Brasil. O professor deve voltar a aprender, abandonar os conceitos anteriores de uma prática construtivista, em detrimento do social e demais valores que universalizam a formação do cidadão. É neste contexto que devemos repensar a estratégia de ensino nos cursos superiores. A leitura do Relatório da Unesco sobre educação no século XXI, é documento obrigatório para todos aqueles que militam na área de educação no país. Hoje não se planeja mais as aulas, não se elaboram projetos específicos para as disciplinas a serem ministradas em salas de aulas. Não existe nenhuma estratégia para a condução das aulas, somos meros repassadores de conhecimentos adquiridos ao longo tempo. A experiência profissional e a quantidade de títulos de um cidadão são fatores que predominam no processo seletivo para docência no país. Discussão É indiscutível a necessidade de um planejamento global que possa orientar o governo a desenvolver políticas públicas compatíveis com as necessidades da reforma universitária, não como reguladora, mas como um instrumento que possibilite as instituições desenvolverem suas estratégias de gestão de acordo com suas peculiaridades e integrando-se ao seguimento social no qual esteja inserida. As instituições podem e devem desenvolver projetos

estruturais e sociais que se coadunem com o seu projeto pedagógico e desta forma melhorarem a qualidade do ensino em sua área de conhecimento. Conclusão O desprezo pelas questões básicas relacionadas ao processo ensino aprendizagem, bem como a visão capitalista do ensino como mercadoria de grande valor, levaram as instituições de ensino superior a meros mercadores do conhecimento. As relevantes teorias sobre metodologia de ensino, planejamento de aulas, projetos pedagógicos (feito apenas para cumprir normas para autorização de funcionamento do curso), são postas em segundo plano. As melhores instituições são sempre aquelas que mais investem em infraestrutura física, prédios monumentais, sem, entretanto investirem na qualificação de seus professores, que em geral, são profissionais competentes em sua área de conhecimento, mas que não possuem nenhum conhecimento didático-pedagógico para o exercício do magistério.

O fazer é fácil, o aprender a fazer também, difícil é aprender a pensar. É esta reflexão que possibilita o ser humano a criar. É o como fazer e o fazer bem. Referências Revista Ibero-americana de educación (ISSN: 1681-5653). Vasconcelos, Celso: Planejamento. Projeto Ensino Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico, São Paulo: Libetad 1999. Mercado, Luis Paulo Leopoldo: Formação Continuada de Professores e Novas Tecnologias. Maceió, EDUFAL: 1999. Garcia, M. Mº: A Didática do Ensino Superior. Campinas, Papirus: 1994. Leal, Regina B: Memorial em Dinâmica de Grupo. Fortaleza, Edições Dezessete e Trinta: 2001. Relatório da Unesco para Educação no Século XXI> MEC: 2005.