UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS A Tutela da Posse na Constituição e no Códi o Ci!

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Considerando as vicissitudes experimentadas pela sociedade, o ordenamento pátrio tratou de criar os institutos da posse e da propriedade, objetivando, assim, dar a tutela devida para ambos os casos. Assim, visando discorrer sobre a tutela da posse na Constituição e no Código Civil à luz do belíssimo artigo de autoria do inistro !eori Albino "avasc#i, não podemos deixar de conceituar os dois institutos, a saber, a posse e a propriedade, pois são re$uisitos indispensáveis para a compreensão do $ue será abordado. %rimeiramente, ao "on"eitua# $osse e $#o$#iedade &$uesito '(, entende o autor se tratarem de %en&'enos da #ealidade. !ais )en*menos devem ser analisados sob ótica do princípio da )unção social da propriedade. +m outras palavras, olvidar tal princípio pode limitar a compreensão &ainda corrente( da propriedade e da posse "o'o sendo a detenção do t(tulo )u#(di"o e a e*te#io#i+ação do di#eito de $#o$#iedade, #es$e"ti!a'ente. ,outro prisma &início do $uesito -(, partindo do princípio constitucional da )unção social da propriedade &Art. ../ 00111, C2344(, pode5se observar um conjunto de limitaç6es ao exercício desse direito, ressaltando, como conse$u7ncia exeg8tica lógica, $ue de %unção so"ial se depreende uma limitação $uanto da utili+ação dos -ens, não $uanto à sua titularidade jurídica. +m outros termos, a )orça do princípio ocorre independentemente de $uem deten9a o título de proprietário &pg. '(, resultando na compreensão de $ue ao se tratar de )unção social da propriedade, visa5se atingir necessariamente o )en*meno da posse. :esse diapasão, não são incomuns con)litos entre posse e propriedade, em especial $uando se tratar do c9o$ue entre o direito de propriedade e a )unção social da propriedade &vista a partir da compreensão de posse, como visto anteriormente(. :aturalmente, diz o autor, se os )en*menos )orem analisados estritamente do ponto de vista normativo, tem5se por inegável a 9armonia entre os institutos, contudo, diante de um caso concreto pode5se perceber a possibilidade de con)lito. %ois bem, a título de exemplo, se um determinado indivíduo, titular jurídico de um bem imóvel, )ez5se omisso $uanto à destinação social da coisa e, com isso, a posse )ora exercida plenamente por outrem, teria a$uele direito absoluto )undado ;nica e exclusivamente no direito de propriedade< Analisando o caso do prisma estritamente legal, a resposta seria um inegável sim, tendo em vista o direito de propriedade consagrado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Contudo, um provimento jurisdicional nesse sentido =comprometeria a )orça

normativa do princípio da )unção social>, con)orme "avasc#i explicou na página ? de seu artigo. Cabe, portanto, em situaç6es de con)lito, a persecução de soluç6es 9armonizadoras, sem $ue nen9um dos princípios seja alijado $uando nas 9ipóteses de litígio. :esse respeito, tem importante responsabilidade o legislador $ue, na produção de leis &$ue terão aplicabilidade para situaç6es vindouras(, tentarão prever, na medida do possível, situaç6es especí)icas de colisão de princípios. Ainda nessa esteira, ao se tratar de diplomas legais não se pode ignorar a necessidade de uma breve exposição, à luz do texto do ilustre inistro !eori "avasc#i, acerca de .ual se#ia %en&'eno /$osse ou $#o$#iedade0 se#ia' $#i!ile iados $ela le islação -#asilei#a. &$uesito @( A resposta para essa pergunta, diante da análise de diplomas legais de das tend7ncias jurisdicionais 9odiernas, nos conduz necessariamente para a conclusão de $ue te'1se $#i!ile iado o di#eito de $#o$#iedade. ,iz5se isso por$ue na Carta %olítica de 'A44, v.g., não se v7 de )orma direta e clara, um dispositivo legal $ue garanta proteção à posse, tal como ocorre com o direito à propriedade &Art. ../, 00111, C2344(. B $ue se v7, segundo excepcional explanação do autor, 8 uma tutela implícita, sendo concretizada pelo princípio da )unção social da propriedade. %ode5se mencionar tamb8m o Art. --. da Constituição Cederal, $ue disciplina o meio ambiente e do $ual se pode extrair $ue 8 =bem de uso "o'u' do $o!o> a necessidade de preservá5lo para as geraç6es )uturas. :ota5se, portanto, uma tutela indireta à posse. ,estarte, após nos debruçarmos sobre o tema &$uesito ?(, concluímos $ue não poderia ser di)erente o posicionamento legal sobre o tema. ,eve5se $#i!ile ia# o di#eito 2 $#o$#iedade e' det#i'ento da $osse, #essal!ados os "asos de '31 utili+ação da $#o$#iedade. Busamos assim nos posicionar com base na grande insegurança $ue traria )avorecer o )en*meno da posse. De a legislação brasileira assim se posicionasse não seriam raros os casos de invasão de =ind;strias, )ábricas e estabelecimentos comerciais>, tal como sapientemente se posicionou a E.F !urma do D!G no Habeas Corpus n./ ?.@AA &re). pg. -H(.