O TRADICIONAL E O MODERNO QUANTO À DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR

Leude Pereira Rodrigues (Pós-Graduada em Metodologia do Ensino Superior pela FAHESA/ITPAC) Lucilene Silva Moura (Pós-Graduada em Metodologia do Ensino Superior pela FAHESA/ITPAC) Edimárcio Testa (Orientador, Docente da FAHESA) Email: leudeemilly@yahoo.com.br, bglene@hotmail.com, edimarciotesta@yahoo.com.br

Este trabalho aborda o tema da didática no ensino superior à luz de duas perspectivas históricas distintas: a tradicional e a moderna. De ambas, pretende identificar as suas principais diferenças a partir da comparação de alguns componentes didáticos básicos, a saber: professor, aluno, método, conteúdo e objetivo. Palavras-Chave: Didática Tradicional. Didática Moderna. This work approaches the subject of the didactics in superior education to the light of two distinct historical perspectives: traditional and the modern. Of both, it intends to identify its main differences from the comparison of some basic didactic components, namely: professor, pupil, method, content and objective. Key Words: Traditional Didactics. Didactic Modern.

1. INTRODUÇÃO
Didática é “a ciência e a arte do ensino”. (HAYDT, 2000). Como arte, a didática não objetiva apenas o conhecimento pelo conhecimento, mas procura aplicar os seus próprios princípios à finalidade concreta que é a instrução educativa. Enquanto arte de ensinar, a didática é tão antiga como o próprio ensino. Pode-se dizer ainda mais: ela é tão antiga como o próprio homem, pois, em todos os tempos houve “exímios educadores e exímios mestres, que, guiados por uma fina observação e por um grande talento inato, conseguiram os melhores resultados no domínio do ensino e da

educação, antes mesmo da existência da ciência da didática”. (OTÃO et al, 1965). Todavia, na medida em que consegue estabelecer uma “série de princípios certos, sistemáticos e universais”, a didática adquire status científico. Como ciência, ela é recente. Seus primeiros passos datam do século XVII, com Ratke e Comênio. Nos séculos seguintes - XVIII e XIX - a didática evoluiu, lentamente, alcançando, no século XX, estrutura sólida e valor definitivo. Desde, então, apresenta-se como “um conjunto apreciável de verdades, de experiências, de fatos e de técnicas, que impõem o seu estudo a todos quantos pretendem dedicar-se ao nobre trabalho da educação e do ensino”. (OTÃO et. al, 1965).

Se nesta concepção de didática. “em que a importância do ensinar predominou sobre o aprender”. realizado em Gand. objetivo. O educando recebe passivamente os conhecimentos. no seu sentido mais comum: o professor entra em aula para transmitir aos alunos informações e experiências consolidadas para ele por meio de seus estudos e atividades profissionais. no processo de ensino-aprendizagem. Nesta. elas se diferenciam? Envoltos nessa problemática. instruir. no ensino superior. para o campo do ensino médio. Assim ocorreu com a didática comeniana. em sua manifestação efetiva. aprender a ensinar. fundamentalmente. 1979). Além disso. P. que esta preocupação atinge o ensino superior. ele consegue ter uma visão ampla de todo o corpo estudantil. pergunta-se: Em que. Elemento passivo. no âmbito do ensino primário. n. Procura ouvir tudo em silêncio. comparar-se-á.3. assimilador.4. 2005). uma postura autoritária em relação a seus educandos. então. absorva e reproduza por ocasião dos exames e das provas avaliativas (MASETTO. Com uma atenção específica para o ensino superior. A DIDÁTICA TRADICIONAL Houve momentos. A partir desse ponto. na maioria das vezes. com o intuito de identificar as suas diferenças. bem ao centro. encontramos as carteiras dos alunos dispostas em colunas e. Julho 2011 . na Bélgica. orientar. Tal empresa será desenvolvida em dois momentos distintos. e. mas essencialmente interligados: primeiro. cabe a ele ouvir. matéria e método. (PIMENTA. inicialmente. não é suficiente para ensinar. v. Nesta perspectiva. também. A problematização deste pré-juízo contribuiu enormemente para o desenvolvimento de uma didática específica do ensino superior. da seguinte forma. Fator predominante. em seguida. É ele o responsável por transmitir. esperando que o aprendiz as retenha. decorar e obedecer. mostrar. sabe ensinar”. organização e estruturação da didática deu-se. Revista Científica do ITPAC. segundo. Com ela. Araguaína. como declararam os participantes do congresso sobre didática. os dois modelos didáticos. a partir dos seus componentes fundamentais: professor. tal paradigma é descrito. Pub. O professor ainda é um ser superior que ensina a ignorantes. é visto como receptor. A centralidade do professor. a comunidade acadêmica vem tomando consciência de que somente domínio do conteúdo ministrado em aula. na sala de aula. (1983): esta é uma das razões que leva o aluno a ver o professor como uma figura detentora de poder e conhecimento. Desde então. encontramos a mesa do professor. estendendo-se. Isso se deve ao fato. Numa perspectiva histórica e em qualquer um dos níveis de ensino supracitados. Até. com a didática herbartiana. repetidor. A grande preocupação no ensino superior é com o próprio ensino. então. não se preocupa com problemas e características do aluno. na história da didática. pode-se falar de uma didática tradicional e uma didática moderna. evidencia-se. fundada sobre a crença no poder de transmissão eficaz de informações através das tecnologias e das mídias. Este predomínio do ensino sobre a aprendizagem constitui a essência da chamada didática tradicional. mais recentemente. o ensino torna-se um paradigma. deve-se perguntar: Quem ensina? O professor. também. a quem se ensina? Ao aluno. ISSN 1983-6708 A preocupação científica com a constituição. Ocupando lugar central. a didática moderna. al. a ênfase é posta no ensino. É preciso. 2003).L. Rodrigues et.5. na organização física da sala de aula. Conforme Freire. com a didática tecnicista. Ainda que. Isto forma uma consciência bancária. tornandose um depósito do educador. assim. comunicar. do prevalecimento do espírito e da convicção de que “quem sabe. impondo. em 1954. aluno. “não existiu nenhuma preocupação de formar o professor do ensino superior”. sua disciplina e autoridade. 2. em todos os seus níveis. a didática tradicional. que precisou de passos formais tendo em vista uma prescrição metodológica. por vezes. enquanto arte de ensinar tudo a todos. assume. segundo eles. É somente na segunda metade do século XX. É ele quem avalia e dá a última palavra. no ensino superior. Especificamente. Ele reage somente em resposta a alguma pergunta do professor. Educa-se para arquivar o que se deposita (FREIRE. nas linhas que seguem.

especialmente de acordo com um plano.. Durante as lições. Consoante TITONE Apud CANDAU. contenta-se em saber aplicar uma fórmula mágica. Surge. que tem de aceitar sem a compreender. P. (2000): O professor. empregado pelos Jesuítas. Além disso. O método de ensino jesuítico. os jesuítas conseguiam despertar a atenção e a simpatia dos nativos.5. nele contida. o método de ensino é concebido a partir do seu aspecto material. Repete-as simplesmente para conseguir boas classificações ou para agradar ao professor (. No enfoque tradicional. O primeiro recurso metodológico utilizado para auxiliar a educação nos aldeamentos foi a música. Comênio. o problema do método. era obrigado a ministrar os conteúdos que o programa escolar determinava. elaborado no final do século XVI e exposto no Ratio Studiorum. frases significativas. abordar a questão daquilo que se deve ensinar. ou seja. implica também no planejamento e no replanejamento de procedimentos coerentes e coesos para o seu desenvolvimento integral. gradativamente. Julho 2011 . v. Segundo TURRA Apud LOPES. O aluno registra palavras ou fórmulas sem compreendê-las. ele tem uma atividade muito limitada e pouco participa da elaboração dos conhecimentos que serão adquiridos.) habitua-se a crer que existe uma ‘língua do professor’.4.. então. Nas escolas jesuíticas. Procedimento. (REBOUL Apud PIMENTA. posteriormente. aquele que leva de forma mais segura à consecução de uma meta estabelecida. O mestre de alguns anos atrás. (.3. assuntos. ANASTASIOU. Pestalozzi e Herbart tratavam de formular um método que. n. fosse capaz de imprimir ordem e unidade em todos os graus do saber. utilizando seus próprios instrumentos e elaborando um repertório no estilo indígena. Através dela. Araguaína. de certo modo. encontrava nos programas oficiais o rol completo de informações a ser estudado por seus alunos. técnica. Este aspecto repetitivo da aprendizagem era um elemento central do programa jesuítico de educação. abstrato e formal.. Tal prática antecipa. o método de ensino é pensado a partir de uma perspectiva abstrata. o ensino foi organizado. o método tem a finalidade de alcançar um propósito.) O verbalismo estende-se até às matemáticas.. meio de se fazer alguma coisa. a próxima questão: como se deve ensinar? Emerge. servindo aos interesses da empresa da colonização e da Igreja contra-reformista. tais anotações eram completadas com citações transpostas. A idéia de organização. ISSN 1983-6708 responda o interrogatório do professor e faça os exercícios pedidos. que foi peculiar na Teoria do Método Único. sob a responsabilidade de um aluno comandante. também. (. todo final de manhã e tarde. Sua tarefa principal é memorizá-los sem nenhuma estratégia de aprendizagem. Isso significa que ele acentua a transmissão de conhecimentos. conjunto de regras e princípios normativos que regulam o ensino ou a prática de uma arte. No Ratio Studiorum. foi utilizado para catequizar. palavras e pensamentos. formal e universalista. Ademais.L. No seio da didática tradicional. 2005). a transmissão do saber historicamente acumulado. então. a temática do conteúdo. memorizadas na forma de exercícios – organizados por ordem.. Rodrigues et. os alunos realizavam anotações em um caderno para serem. os estudantes. VEIGA. foi o teatro. (2008): A supervalorização do método. no Novo Mundo. faziam as repetições dos conteúdos ministrados naquele dia. al. dotado de valor universal. cujas letras falavam do Deus cristão. faz-se necessário. estava baseada em uma psicologia tipicamente racionalista. através de várias metodologias. aprendeu-se mas não se compreendeu. as aulas ocorriam em período integral e. pode-se passar a vida inteira sem saber porque é que se faz um transporte numa operação. Além do “como ensinar”.) Era exigido que o professor o Revista Científica do ITPAC. um pouco como a missa em latim. sem que se questione a sua natureza e o seu sentido. o mesmo já vem predeterminado pelo programa da escola. tradicionalmente.. imitando os clássicos. Outro recurso pedagógico. Pub.

nos vinte aldeamentos existentes. deixa de ser sujeito do processo de ensinoaprendizagem. não se trata aqui de um ensinar passivo. Em 1630. sem sombra de dúvida. Desse modo. ISSN 1983-6708 esgotasse apesar da rendimento do aluno. al. disso. 2003). Se estes apresentavam dificuldades. para o professor tornar efetiva: A sua atuação profissional enquanto docente. os conteúdos ministrados. 2009). para.000 indígenas. universalista. desligado do mundo da vida. comunicador. Nas artes. Segundo esta concepção pedagógica. agora. se a pedagogia está a serviço do desenvolvimento da fé e da espiritualidade do ser humano. o que não se pode deixar de cumprir são as funções inerentes ao exercício de uma docência produtiva. pintura. na aprendizagem que esse aluno venha a realizar. A ênfase no “ser que aprende”. hoje. ciências e aqueles ligados à doutrina cristã. precisa ser autodidata. não haveria outra solução além da reprovação ou da dependência. nesta ótica. Nela. metafísica. Para que se ensina? É a questão dos objetivos.3. sobretudo àquela desenvolvida nos primeiros séculos do Brasil. Segundo Vasconcelos (2000).1 A Didática Moderna Na história da didática. O conteúdo tinha que ser transmitido aos alunos. o objetivo fundamental da educação consiste no aprimoramento constante da essência humana para levar o homem à perfeição e. agora. na Didática Tradicional. é o formador e. Torna-se um Revista Científica do ITPAC. integrador. Araguaína. (MASETTO. (PIMENTA. rudimentos de leitura. perceber como cada aluno se desenvolve e propor situações de aprendizagens significativas. colaborador. n. 2005). em seguida. porém. · Elemento incentivador.L. tem o papel de coordenar as atividades. escultura e arquitetura.4. A partir desta perspectiva. mas de um ensinar ativo. qualidade do 2. a tarefa do professor era bastante simplificada. No desempenho adequado do papel do professor. Torna-se “apenas um orientador e organizador das situações de ensino”. não influindo no trabalho escolar. vê-se claramente que a prática pedagógica volta-se. Neste sentido. Porém. O professor. afastado dos homens concretos e de sua historicidade. gerador de conhecimento. pelos jesuítas. aproximá-lo de Deus. E caso as dificuldades permanecessem. no qual o aluno é sujeito da ação. assim. Em última instância. difusor de informação e comprometido com as mudanças desta nova era. Um exemplo. orientador e controlador da aprendizagem. Este. no século XVIII. mais precisamente. pergunta-se: Com quem se aprende? Com o professor. v. como paradigma para o ensino superior. Têm-se. no século XX. para a formação do cristão. Pub. Julho 2011 . Sua natureza é. também ocorreram momentos em que a importância do aprender predominou sobre o ensinar. é aquele que ensina o aluno a aprender e a ensinar a outrem o que aprendeu. eram escoltados a “estudar mais”. o objetivo didático se apresenta de modo intemporal. O professor. O momento inicial deste predomínio dá-se com Rousseau. flexível. Rodrigues et. eram basicamente os incluídos no ensino elementar – ou seja. eram desenvolvidos trabalhos no âmbito da música. ser amplamente desenvolvido pelo movimento da Escola Nova. em última instância. é a própria pedagogia jesuítica. sem nenhuma finalidade material. altera o papel dos participantes do processo: “ao aprendiz cabe o papel central de sujeito que exerce as ações necessárias para que aconteça sua aprendizagem”. escrita e aritmética – além de conteúdos de artes. especificamente. política ou social” (SEVERINO. não há como ignorar o fato de que o centro de toda e qualquer ação didáticopedagógica está sempre no aluno e. ANASTASIOU. Tal visão se torna mais compreensível se a situarmos no contexto de uma pedagogia essencialista. questionador. e não sujeito-paciente. abrigando por volta de 70. “uma educação integralmente voltada para o aprimoramento religioso e espiritual do homem. como tal. criativo. Convém ressaltar que o objetivo.5. fica evidente que o professor. oratória. P. eficiente. é visto como teórico e remoto.

Além de pensar na elaboração de aulas diferentes. o foco muda de direção e o aluno passa a ser considerado o centro do processo de ensino-aprendizagem. Ele é o organizador do espaço da sala de aula. partindo de um princípio onde o meio em que o aluno vive deve ser levado em conta. e ver seus alunos sob outra perspectiva. Logo. ajudar os alunos na construção de uma relação com o objeto de aprendizagem que. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem professor. localiza e trabalha as dificuldades do aluno. numa visão emancipadora. questiona. como mediador dos saberes. o professor deve contextualizálas incluindo-as em um planejamento de curso mais dinâmico e completo. assim buscando sua cultura e sua realidade. estimular. Elabora aulas a partir das necessidades geradas e da interação acadêmico-professor. clara e significativa. Na escola de hoje. porque constroem sentido para a vida dos seres humanos e para a humanidade. que todos queremos ter em nossas universidades. no início da aula. mais produtivo e mais saudável para a coletividade. é ainda bastante precária. ao lançar um conhecimento novo. seduz. não tem mais espaço para professores donos de um saber. 2004) é viver intensamente o seu tempo. e buscam.3. enfim. Está mais próximo de seus alunos e aberto ao diálogo. ao dominar solidamente os conteúdos que lhe são apresentados. que favorece também a ação do outro. afirma: O professor moderno. n. o professor precisa se adaptar a realidade de seus educandos instigando o interesse de seus alunos pelas aulas. que lecionam em estabelecimentos de ensino superior. o professor tem a difícil missão de canalizar as informações necessárias para que os educandos possam apreender os conteúdos interdisciplinares que o ensino os oferece. o conhecedor dos objetivos e dos conteúdos da disciplina. de forma organizada.4. mas também formam pessoas. dá muitos exemplos. Ser professor hoje (Gadotti. dominar a estrutura dos conteúdos. ISSN 1983-6708 orientador que remove obstáculos à aprendizagem. De acordo com Gil. Araguaína. bem como o trabalho conjunto entre colegas. conversa com seus alunos. observando os caminhos que essa interação traçou. 1999). (2005): a preparação do professor universitário. percebe-se determinado e capaz de operar conscientemente Revista Científica do ITPAC. sendo mudado. construir a sua estrutura do saber e do saber fazer. v. P. é aquele que. então. Só então. um mundo mais humanizado. O professor. não passou por qualquer processo sistemático de formação pedagógica. fornecendo informação coerente e de forma clara e progressiva. DIAZ BORDENAVE (2008). al. ele. auxiliando-os a tomar consciência das necessidades socialmente existentes numa formação universitária. em sala de aula. o de desafiar. Daí então o professor começa a apresentar para o aluno o mundo que ele não conhece (CANDAU. Como mediador do conhecimento. Há estabelecimentos de ensino superior isolados oferecendo cada vez mais cursos de Metodologia do Ensino Superior. Na escola de hoje. aos poucos. contextualiza o conteúdo a ser ensinado. Nesta descrição do que deva ser o professor do século XXI.L. Cabe a ele. Julho 2011 . Por isso eles são imprescindíveis. Colaborador. Eles não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica. inteligente. A maioria dos professores brasileiros. o professor é um facilitador. É o avaliador constante de todo esse processo. instiga. com consciência e sensibilidade. constrói o texto da matéria trabalhada. em algum nível. Rodrigues et. mas sós aqueles que tenham a humildade de ser também eles aprendizes e a única diferença que os separa de seus alunos é que eles professores são profissionais do ensino e por isso comprometidos com o aprender e o ensinar. esse cenário vem. atenda a necessidade dos mesmos. É o planejador das atividades discentes em sala. é aquele que cada dia está ensinando a seus alunos o caminho da biblioteca. Porém. participativo. De acordo com esse posicionamento. no Brasil. pode-se levantar a seguinte questão? Quem aprende? O aluno. juntamente com o aluno O papel do professor será. responsável por sua função. para que o professor seja o elo entre o aprender e ensinar. O professor tem que se adaptar ao meio e tentar transmitir sua didática. Eles fazem fluir o saber. em nível de especialização. Pub. É o responsável pela escolha das técnicas mais adequadas para o correto desenvolvimento dos trabalhos didáticos.5. solícito.

ISSN 1983-6708 mudanças na realidade. é possível utilizar e usufruir das ferramentas oferecidas pela tecnologia. investigativos. Outro conjunto de atividades pedagógicas. a partir do exame de suas próprias condições de trabalho e formação. o correio eletrônico (email).4. porém. P. No meio acadêmico. Desse modo.3. Revista Científica do ITPAC. contribuindo. o sujeito construtor do conhecimento. Trabalha com esses dados e procura solucionar certos problemas. é de relevante importância na construção de sua autonomia. Julho 2011 . de uma direção qualquer. proporcionando momentos em que os Nesse sentido. em sala de aula. o método pode colaborar na formação docente e de pesquisa. O aluno assume. Este traz. aprende a localizá-las.. O que se deve aprender? Trata-se do problema do conteúdo. a internet. um papel explicitamente ativo. pode colaborar significativamente para tornar a aprendizagem eficaz. o aprendente. enfatizando a construção do conhecimento a partir das relações com a realidade. para Teixeira. promovendo uma efetiva interação dentro do contexto escolar.5. Araguaína. contribuiu em muito para a constituição de tal situação. (1981): Método é “um conjunto de normas metodológicas referentes à aula. dá-se prioridade à forma como o aluno aprende. mais motivadora e envolvente. Este. tais como PowerPoint. o ensino e o estudo dos alunos.. Rodrigues et. al.L. dando-lhes significado próprio. e referem-se aos meios para alcançar os objetivos gerais e específicos do ensino. levando em conta a realidade sociocultural dos alunos. Através do ensino. dentro de si. Enquanto conjunto de técnicas e teorias. que predispõe a aceitar mais facilmente as mensagens Como se deve aprender? Através do método. portanto. no próprio processo de ensino”. para a eficácia dos resultados pretendidos. internet. a teleconferência. alunos tenham a oportunidade de elaborarem trabalhados possivelmente sugeridos. Imagem. (2000): É prazeroso. Relaciona estas novas informações com os conhecimentos anteriores.[. criam-se as condições para a assimilação consciente e sólida de conhecimentos. é a Mídia eletrônica que. O método é entendido como um conjunto de regras e normas prescritas visando à orientação do ensino e do estudo. opinativos. A aplicação da didática moderna tem possibilitado a formação de alunos que ultrapassam as barreiras da mera assimilação de conteúdos. Busca informações. englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir os objetivos e conteúdos. a telemática. que hoje já começa a fazer parte do cotidiano da sala de aula universitária. a lista de discussão. Ademais. (2002): O papel do aluno. Neste horizonte didático. ainda. Pub. por sua vez. Observa situações de campo e as registra. Propõe-se que o conteúdo específico da didática seja discutido e analisado pelos professores. nele. a mídia eletrônica. não se tratando. precisa ter coerência e ser ministrado de acordo com a vivência e realidade dos alunos. A inserção do diálogo. pelo qual o aluno chega até ele. agora. data-show e retroprojetor. Recursos como estes diversificam a prática pedagógica. visto que. mas daquela que leva de forma mais segura à consecução de um propósito estabelecido. palavra e música integram-se dentro de um contexto comunicacional de forte impacto emocional. pois deve mostrar-se coresponsável pela construção de resultados em todos os momentos de seu percurso acadêmico. no ritmo do desenvolvimento e seja. Redefine conclusões. analisá-las. n. onde professores e alunos possam aprender. v. São sujeitos mais críticos. mas o processo. Como afirma PAIVA. envolvendo o computador. é prioritário. habilidades e atitudes. O conteúdo é importante. a abordagem dos conteúdos é vista como à ação recíproca entre a matéria. a idéia de uma direção com a finalidade de alcançar um propósito. os métodos de ensino são determinados pela relação objetivo-conteúdo.] educa enquanto estamos entretidos. seja na ordem das questões. o bate-papo on-line (chat). Isso possibilita aos alunos formar suas capacidades intelectuais para se tornar sujeitos da própria aprendizagem. Está em função das necessidades e da capacidade real do aluno. as salas de aula podem tornar-se laboratórios de experimentação. no dizer de Moran. Para isso.

Julho 2011 . talvez. idéias. é altamente complexa. de trabalho. Sem eles o mestre não pode saber o que deve ensinar nem pode. no entender de Zabala (1998). mas ensinar o aluno a produzir e a formar a capacidade crítica e criativa em relação às matérias de ensino e à aplicação dos conhecimentos. Importante. hábitos de estudos. uma proposta de superação desse conceito restrito de conteúdo. poderão eles. (1975): “a seleção e organização de conteúdos não é tarefa rápida ou fácil. O ensino deve ser um processo projetado para um objetivo. específicos. sendo: O termo "conteúdo" normalmente foi utilizado para expressar aquilo que deve se aprender. Esta tarefa. conceitos. A determinação dos objetivos é. Dinamizam todo o trabalho escolar. para aludir aqueles que se expressam no conhecimento de nomes. enunciados teoremas. VEIGA.3.L. P.. habilidades cognoscitivas. criarem novos conhecimentos. mediatos. leis científicas. dando-lhe sentido. (2000): O conteúdo é uma parte integrante da matéria-prima.. o processo mais importante de quantos então implicados na educação. é freqüentemente compreendido de maneira simplista e reducionista. Contudo. instrucionais etc. Exige muito conhecimento do assunto e do grupo de alunos. é o que está contido em um campo de conhecimento. princípios. ou ao final de um período julgar seu progresso no ensino ou o dos estudantes na aprendizagem como resultado do ensino. a nomenclatura não é o fato mais importante. Assim. quando adaptados. Envolve informações. mas em relação quase exclusiva aos conhecimentos das matérias ou disciplinas clássicas e. processos.5. Em suma. Sendo assim. habitualmente. o mestre não pode proceder inteligentemente se não percebe a relação entre o que faz e seu objetivo. 1994) Portanto. (LIBÂNEO. dia a dia. Esses são usados de acordo com as necessidades concretas do contexto histórico-social onde professor e aluno se encontram. valores. Há. O objetivo é um mecanismo utilizado pelo professor para ensinar seu aluno a pesquisar.4. Para TURRA. Por fim. n. fatos. valor e direção. é importante que os professores estejam sempre se qualificando para aplicar o conteúdo de acordo com as necessidades e interesses dos alunos. em lugar de recebê-los prontos. os conteúdos retratam a experiência social da humanidade relacionada a conhecimentos e modos de ação que englobam: Conceitos. princípios. Isso garante um avanço qualitativo e evita dificuldades na aprendizagem. efetivamente. Estes constituem a fonte de onde o professor seleciona o conjunto de informações que trabalhará com seus alunos. conceitos. é apreender o que significa um objetivo para a vida do aluno e do professor. em longo prazo. Hammonds & Lamar SANT’ANNA. Revista Científica do ITPAC. em transmitir conhecimento. fatos. ISSN 1983-6708 De acordo com TURRA Apud LOPES. elaborados e organizados pedagogicamente. modos de atividade. compõem os conteúdos programáticos. entendendo-o como tudo aquilo que se deve aprender para alcançar objetivos de desenvolvimento de todas as capacidades dos indivíduos. em relação a um âmbito ou setor da vida humana (. princípios e generalizações acumuladas pela experiência do homem. para que se aprende? É a questão dos objetivos. regras. explícitos quanto ao desenvolvimento do ensino-aprendizagem. dados. de fato. Rodrigues et. v. Há muitas designações para os objetivos. Araguaína. pode-se dizer que não há prática educativa sem objetivos. Apud Outro aspecto relevante a respeito do conteúdo é a sua seleção. os objetivos não consistem.). no entanto. de lazer e de convivência social. Além disso. Os bens culturais. pois expressam propósitos definidos. Eles têm grande importância no trabalho docente. convicções e atitudes. segundo os especialistas. al. o conceito de conteúdo. imediatos. Pub. Fala-se em objetivos gerais. métodos de compreensão e aplicação. (1995) dizem que: (1995). Ademais. além do embasamento seguro em termos da estrutura da disciplina”.

GIL. Ed. prêmios concedidos em solenidades pomposas. Luigi. 2000. De fato. para uma determinada situação. apesar do notável avanço da didática moderna. mas. principalmente o brasileiro. colocá-lo constantemente em contato com todos os fatores do ambiente. Petrópolis. do sistema educacional vigente. vêm inovando suas práticas. Deste trabalho. sobretudo quantitativas. Esta última. É preciso então. Porto Alegre. Regina Célia Cazaux. ISSN 1983-6708 O ensino Jesuítas tinha uma característica diferente. perante qualquer situação.4. São Paulo: Companhia Ilimitada. Taxonomia dos objetivos educacionais. 1956. 1997. Avaliação Mediadora: Uma Prática em Construção da Pré-Escola à Universidade. v. portanto. HOFFMANN. na esfera do ensino superior. Paulo. centrada na preocupação com a “aprendizagem”. talvez. n. CANDAU. Porto Alegre: Mediação. Bordenave. et al. ou seja. o conteúdo ministrado e os objetivos a serem alcançados. nas quais participava as famílias. a precária formação dos futuros docentes e as exigências. explicitaram-se as diferenças fundamentais existentes entre as chamadas didática tradicional e didática moderna. percebe-se que muitos docentes. da finalidade da educação. com a mesma finalidade para que o ensino aprendizagem do aluno seja significativo. Uma comparação entre alguns elementos constitutivos da estrutura básica. Vera Maria (Org. REFERÊNCIAS BLOOM. tais como o papel do professor e do aluno. GIUSSANI. tem seu desenvolvimento brecado por diversos entraves. 2008. a fim de dar lhe brilho especial. de ambas as didáticas. FREIRE. São esses profissionais que. (2000) afirma que: O objetivo da educação é o de formar um homem novo. RJ: Vozes. P. de nível superior. na verdade. os alunos recebiam incentivos. Perspectivas atuais da educação. 3ª. ou seja. de outro. 1998. Educar é um risco: como criação de personalidade e de história. Ed. M. mas que é usada na didática moderna nos dias de hoje. Estratégias de Ensino Aprendizagem. as autoridades eclesiásticas e civis. 3. HAYDT. Editora Globo. Ed. 29ª edição. Benjamin S. Jussara. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. tem-se argumentado que um objetivo fornecerá ao professor e ao estudante “alguma direção envolvendo o conteúdo e o processo mental que se espera que o aluno desenvolva” (BLOOM. Apesar disso. da promoção humana. "agir por si".5.L. Rodrigues et. centrada na preocupação com Revista Científica do ITPAC. 2008.3. Juan & Martins. seguindo uma linha evolutiva determinada pela consciência de que o aprendente deverá chegar a ser capaz de. e sempre mais por si enfrente o ambiente. CONCLUSÃO Neste artigo. Antonio Carlos. Metodologia do Ensino Superior. Vozes. Artes Médicas. continua predominando nas práticas pedagógicas do ensino superior. GADOTTI. Araguaína. 2000. o método de ensino. Rumo a uma Nova Didática. 19ª. Pub. tornando suas aulas diferenciadas. o estimulo á competição. 4. Um objetivo educacional é. Inc. é possível inferir que a didática tradicional. porém. São Paulo: Ática. era a emulação. vols 1 e 2. Esse tipo de estratégia é usado até hoje de forma diferente. 1963). dentre os quais. preocupados com a aprendizagem de seus alunos. Pereira Adair. Giussani. o “ensinar”. a tradução concreta para o aqui e o agora. deixar-lhe a responsabilidade da escolha. Ed. DIAZ. al. São Paulo: Paz e Terra. Julho 2011 . São Paulo: Atlas. Curso de Didática Geral. expressem melhor o grande desafio da educação superior atual: a constante inovação.). possibilitou a realização desse empreendimento. 2000. de um lado. 1996. os fatores ativos da educação devem tender a fazer com que o educando aja cada vez mais por si próprio. pode-se citar a influência de preconceitos pedagógicos tradicionais.

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