Iluminação Eficiente

Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

Organizadores Luiz Eduardo Menandro de Vasconcellos Marcos Alexandre Couto Limberger

Iluminação Eficiente
Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

Organizadores Luiz Eduardo Menandro de Vasconcellos Marcos Alexandre Couto Limberger

Eletrobras Procel Rio de Janeiro - 2013

Copyright @ by Eletrobras Procel Direitos Reservados em 2013 por Eletrobras Procel Organização Luiz Eduardo Menandro de Vasconcellos – Eletrobras Procel Marcos Alexandre Couto Limberger – Eletrobras Procel Revisão Técnica: Eletrobras Procel Ana Lúcia dos Prazeres Costa Emerson Salvador George Camargo dos Santos José Luiz Grünewald Miglievich Leduc Marcelo José dos Santos Rafael David Meirelles Rudney Espírito Santo Edição e Consultoria editorial Júlio Santos - Ambiente Energia Revisão de Textos Joselaine Andrade Padronização de Textos Fábbio Lobo - Ambiente Energia Ficha Catalográfica Fernanda Maria Lobo da Fonseca - Ambiente Energia Programação Visual e Produção Gráfica Ana Beatriz Leta - Girasoli Soluções Capa Ana Beatriz Leta, sobre foto de Jorge Coelho Enseada de Botafogo a partir do bairro da Urca, no Rio de Janeiro Apoio Gráfico Raphaël Paulo de Souza – Assessoria de Comunicação – Eletrobras Impressão Zit Gráfica

E393 Eletrobras Procel. Iluminação Eficiente: Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros / Organizadores: Luiz Eduardo Menandro de Vasconcellos e Marcos Alexandre Couto Limberger. – Rio de Janeiro : Eletrobras/ Procel, 2013. 266 p. : il. color ISBN 978-85-87083-36-4 1. Iluminação – Brasil. 2. Eficiência Energética – Brasil. 3 Conservação de Energia. I. Eletrobras. II. Procel. III. Vasconcellos, Luiz Eduardo Menandro de (Org.). II. Limberger, Marcos Alexandre Couto (Org.). II. Título. CDU 621.3

Eletrobras – Centrais Elétricas Brasileiras S/A Avenida Presidente Vargas, 409 - 13o andar - Centro - Rio de Janeiro, RJ CEP: 20071-003 - Tel.: (21) 2514-5151 Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica Avenida Rio Branco, 53 - 13o andar - Centro - Rio de Janeiro, RJ CEP: 20090-004 - Tel.: (21) 2514-4697 - Fax: (21) 2514-4521 www.procelinfo.com.br/procel@eletrobras.com

Na maior parte das ações de eficiência energética em iluminação que realizou, a Eletrobras contou com a lúcida contribuição, o apoio e o estímulo do engenheiro Isac Roizenblatt, profundo conhecedor da visão da indústria, e do engenheiro Ricardo Ficara, que possui pleno domínio da perspectiva dos laboratórios. Este livro é dedicado a eles.

centros de pesquisas. paradigmas também na iluminação. O controle da chama foi evoluindo. Como contrapartida. assim. o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). É uma área em que surge uma luz nova a cada momento. vem celebrando parcerias com órgãos reguladores. porém. um marco na ciência trouxe grande avanço na qualidade de vida das pessoas. característica de toda relação ganha-ganha. Nos dias de hoje. universidades. conceberam-se velas. Com o tempo. custo e eficiência. apresentaram ao mundo seus protótipos de dispositivos para gerar luz a partir da energia elétrica: nasceu a lâmpada incandescente. tochas. um campo que não se esgota. passando pela utilização de graxa animal e a criação de lamparinas de pedra. 6 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . sob a coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME). Uma plêiade de pesquisadores trabalha e desenvolve produtos a todo instante. criatividade e solução. laboratórios. Mais de um século se passou e o modelo de Swan e Edison continua presente e amplamente conhecido. o fogo. No Brasil. Dois cientistas. o inglês Joseph Swan e o americano Thomas Edison. mais eficientes. envolvendo milhões de pessoas e movimentando recursos extraordinários. que nos remete à ideia nova.Prefácio Um dos vários desafios com o qual a humanidade se defrontou foi dotar as moradias com luz artificial. Somente séculos mais tarde passou-se a utilizar amplamente o gás e o petróleo. sejam disponibilizadas à sociedade brasileira. era utilizado pelo homem com os objetivos de afugentar seus predadores e aquecê-lo. a partir de materiais e ideias inovadoras. em meados do século XIX. na época. há mais de 27 anos. buscando continuamente transpor novas barreiras de qualidade. considerados. com os estudos da eletricidade. lampiões. executado pela Eletrobras. O formato dessa lâmpada é tão marcante. e. indústrias e associações de classe. Contudo. permitindo que novas opções de equipamentos. com a luz sempre originada da queima arcaica de combustíveis sólidos e líquidos. originado da queima da madeira. as técnicas de manutenção da chama se multiplicaram. porém. Na pré-história. já cumpria indiretamente o propósito de iluminar o ambiente a sua volta. o que melhorou consideravelmente a iluminação dos ambientes. a indústria da iluminação desempenha um papel importantíssimo na economia mundial.

onde foi instalado um goniofotômetro – equipamento utilizado para medir a distribuição espacial da luz emitida por sistemas de iluminação –. os quais. podemos citar os investimentos feitos em laboratórios de última geração para testes em lâmpadas e luminárias. A utilização de produtos eficientes nessa área foi responsável. Por fim.8 milhões. Como exemplo de ações em infraestrutura. novas tecnologias precisam ser desenvolvidas e agregadas ao Selo Procel Eletrobras. o Procel Reluz. para que muitas ações como estas reunidas sejam replicadas e compartilhadas.5 milhões de pontos de iluminação por outros mais eficientes. com suas diferentes visões. destacamos e agradecemos a participação dos parceiros. são perceptíveis os avanços conquistados na eficientização da iluminação no País.500 GWh – 40% dos resultados do Procel nesse período.esses parceiros se beneficiam da visão direcionada do Programa para definir suas estratégias e ter suas marcas reconhecidas como promotoras da eficiência energética. Esperamos que este esforço possa inspirar novos trabalhos e estudos. José da Costa Carvalho Neto Presidente da Eletrobras Prefácio 7 . Ao longo dos artigos aqui contemplados. na última década. ações de cunho educacional. além de economias expressivas por meio da substituição de mais de 2. pela redução do consumo de cerca de 14. Realizado em parceria com concessionárias e prefeituras de todas as regiões do Brasil. Entretanto. Para ampliar esses ganhos. participação em comitês de desenvolvimento e ampliação dos índices mínimos de eficiência energética. Outras atividades. como é o caso do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). mas os desafios ainda são grandes. como estudos para criação e atualização de normas técnicas. no valor de R$ 3. o Reluz já proporcionou uma melhoria considerável da qualidade de vida. autores e coautores nesta publicação. contribuíram para alavancar mais essa iniciativa. enquanto aquelas já conhecidas precisam ser continuamente aprimoradas. estudos do Programa apontam um potencial considerável de economia de energia nessa área. estão reunidas nesta publicação para que seus ensinamentos e resultados fiquem disponíveis a todos os interessados pelo tema. entre muitas já realizadas ou em curso. Laboratórios desse tipo dão apoio também ao nosso Programa de Eficiência Energética em Iluminação Pública.

eletrônicos e eletrodomésticos na classe residencial. que contempla edifícios residenciais.4. relatando-os nos artigos que seguem. de serviços e públicos. em 1.2 aborda a eficiência energética nesses projetos. com destaque à participação da iluminação.3 destaca os resultados da pesquisa realizada pela Eletrobras Procel que visou quantificar a posse e qualificar a tipologia e o hábito de uso dos equipamentos elétricos. por meio de um histórico mundial e nacional e ao final são salientadas as principais regulamentações aplicadas no Brasil. Ao final há uma breve introdução às lâmpadas do tipo LED (light emitting diode) – 8 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . A obra foi concebida a várias mãos. De forma mais particular. é apresentado em 1. 1.Apresentação A presente obra foi elaborada com o objetivo de agrupar e deixar registrado o conhecimento desenvolvido nos últimos anos pela Eletrobras Procel e seus Parceiros na área da iluminação residencial. sendo que para a elaboração de cada capítulo. Tratando sobre iluminação predial. sendo o Capítulo 1 responsável por contextualizar e apresentar alguns conceitos de forma geral. tratando do potencial de conservação de energia elétrica para a classe residencial até 2030. Um estudo. sendo o Capítulo 2 responsável por apresentar o mercado de equipamentos de iluminação no Brasil e os programas governamentais de avaliação da conformidade.1 é destacada a iluminação pública (IP). Nos primeiros textos é dada uma introdução ao leitor sobre o tema iluminação eficiente. tomando por base a metodologia do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) de Edificações. participantes dos respectivos projetos ou especialistas nos assuntos foram convidados a compartilharem seus conhecimentos. 1. Os artigos subsequentes são voltados à vertente tecnológica. comerciais. levando em consideração diferentes cenários teóricos e práticos. realizado pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). Na sequência. comercial e pública.

2. além de um breve relato das ações de capacitação laboratorial para ensaiar equipamentos e de apoio à área de normalização do setor. 4. Seguindo o teor tecnológico. 2. detalhando-se o processo desenvolvido e a forma como se executa o acompanhamento.3 destaca a regulamentação da Lei de Eficiência Energética para as lâmpadas incandescentes de uso comum.1 . e o segundo. 4. frutos de parcerias entre a Eletrobras Procel com outros agentes. o Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes. É dado destaque ao Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia. sendo apresentado um histórico do programa e a evolução de seus resultados.2 trata daqueles empregados na iluminação pública. Apresentação 9 .1 introduz os equipamentos e tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial. O primeiro. é referente à avaliação do desempenho de relés fotocontroladores nesses sistemas. Após essa visão do mercado nacional. dados históricos.2 a metodologia de avaliação dos impactos energéticos do Selo Procel Eletrobras em lâmpadas fluorescentes compactas. que objetiva sua retirada gradual do mercado devido a sua ineficiência energética em relação a outras tecnologias existentes e já difundidas. Suas informações gerais. comumente chamado Procel Reluz. São apresentadas algumas iniciativas do governo e da indústria para remediar tal inconveniente. Instituto Nacional de Metrologia Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e laboratórios para que sejam disponibilizados equipamentos eficientes de iluminação no mercado. em 2.2. são pormenorizadas em 3. Os dois textos ulteriores tratam de estudos realizados na área de IP.a tecnologia “da vez” na iluminação. Tais ações.4 é exposto um problema comum para a sociedade: o descarte de equipamentos. adotadas para a realização da capacitação laboratorial. O Capítulo 3 sintetiza os esforços realizados pela Eletrobras Procel. neste caso. descreve as atividades e resultados do projeto para avaliação dos sistemas de IP implementados no âmbito do Procel Reluz.1. seus resultados mensurados e benefícios percebidos estão descritos no Capítulo 4. Ainda contemplando os esforços para fornecer equipamentos eficientes ao mercado. de lâmpadas com conteúdo de mercúrio. Por fim. enquanto 2. Outro subprograma da Eletrobras Procel também atua no setor de iluminação. é apresentada em 3.

o 7. são realizadas as Considerações finais e perspectivas da iluminação nas quais se faz um apanhado da publicação. Após uma breve introdução. compreenderam a importância deste projeto e dispuseram de 10 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . formação acadêmica e disseminação na área de iluminação eficiente. Nessa mesma vertente.2 expõe as ações dos chamados Centros de Demonstração. com instalações no Cepel na Ilha do Fundão. A última parte do livro. 7. O Capítulo 6 apresenta o Programa de Eficiência Energética (PEE). criado em 2008.4 descreve as atividades de laboratório e pesquisa.O Capítulo 5 trata sobre o extenso e minucioso trabalho em andamento de revisão e criação de normas no segmento de IP. desde 1997. De forma geral. situada em Florianópolis (SC). principalmente em se tratando da tecnologia LED. Encerrando a obra.3 tem como foco o ensino em sala de aula. no Rio Grande do Sul. com ênfase na eficiência energética. e 7. desde 2006. apresenta algumas iniciativas de capacitação. destinados a disseminar informações relacionadas à eficiência energética por meio do uso de técnicas e equipamentos eficientes. destacando. localizado no Rio de Janeiro. em Porto Alegre (RS). Por fim. o artigo 7. entre outros benefícios comumente obtidos com a vigência de normas atualizadas e abrangentes. regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). quando solicitados. e a Casa Genial. a redução dos custos com desperdícios. o trabalho busca a melhoria da qualidade dos equipamentos. a uniformização da produção. por exemplo.1 provê informações dos trabalhos realizados pelo Centro de Excelência em Iluminação Pública (CEIP). cabe ressaltar que todo esse material só está aqui disponível graças ao comprometimento de todos os autores e parceiros envolvidos que. meios de restringir e regular o mercado importador. reunida a partir do Capítulo 7. a Casa Eficiente. criada em 2008. que obriga as concessionárias a executarem projetos de eficiência energética em suas áreas de concessão/permissão. São eles: Centro de Aplicação de Tecnologias Eficientes (Cate). Referente à formação acadêmica. como matérias e conteúdos devem ser abrangidos nos cursos e a forma como deve se repassar as informações aos alunos. da evolução do mercado e das tendências tecnológicas.

Apresentação 11 . É devido. um agradecimento ao apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH na edição desta obra. de forma gratuita.seu tempo. ainda. para registrarem suas experiências e conhecimento.

....................................... ... comercial e pública................. ................... 96 Felipe Carlos Bastos Eletrobras Procel Jamil Haddad Unifei-Excen Rafael Meirelles David Eletrobras Procel 2........................ 67 Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel 2.......................3 Uso da iluminação na classe residencial... . .. 108 Isac Roizenblatt Abilux William Mendes de Farias Eletrobras Procel Zilda Maria Faria Veloso MMA 3 Iluminação no Brasil: contribuições do Selo Procel Eletrobras e da ENCE........Sumário 1 Panorama e conceitos sobre iluminação residencial.......... 76 Isac Roizenblatt Abilux Sérgio Lucas de Meneses Blaso Cemig 2...... .......................4 O potencial de conservação de energia elétrica na iluminação. 14 Gilberto José Correa Costa Testtech Laboratórios ...3 Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação........... conceituação e regulamentação.......................... 40 Estefânia Neiva de Mello Eletrobras Procel Roberto Lamberts Labeee-UFSC Veridiana Atanasio Scalco Labeee-UFSC 1.4 Descarte de lâmpadas contendo mercúrio no Brasil............................... 58 Claude Cohen UFRJ/UFF Gustavo Malaguti Coppe-UFRJ Mariana Weiss UFF Vanderlei Martins Coppe-UFRJ 2 Introdução ao mercado de equipamentos de iluminação no Brasil..consultor Isac Roizenblatt Abilux Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Rafael Meirelles David Eletrobras Procel 1.......................1 Iluminação pública no Brasil – histórico...2 Tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial ...1 Tecnologias aplicadas em iluminação pública............. .... 126 Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel Ricardo Ficara Cepel William Mendes de Farias Eletrobras Procel 12 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros ...............2 Sistemas de iluminação predial e a eficiência energética. 50 Emerson Salvador Eletrobras Procel Reinaldo Castro Souza PUC-Rio 1.................... 117 Alexandre Paes Leme Inmetro Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel Rafael Meirelles David Eletrobras Procel 3...........1 Capacitação de laboratórios de iluminação...................................participante Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Rafael Meirelles David Eletrobras Procel Sérgio Lucas de Meneses Blaso Cemig 1....... 26 Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT ................................ 86 Alexandre Cricci Abilumi Rubens Rosado Guimarães Teixeira Abilumi 2.....

214 Ary Vaz Pinto Junior Cepel Clóvis Nicoleit Carvalho Eletrobras Eletrosul João Carlos Aguiar Cepel Jorge Luis Alves Eletrobras Eletrosul Luis Marcos Scolari PUCRS Roberto Lamberts Labeee-UFSC 7..................4 Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados................... . 184 Máximo Luiz Pompermayer Aneel 7 Capacitação...2 Estudo sobre relés fotocontroladores................ 177 Álvaro Medeiros de Farias Theisen Testtech Laboratórios Isac Roizenblatt Abilux Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT-participante 6 Contribuições do PEE para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação...................... 155 Álvaro Medeiros de Farias Theisen Testtech Laboratórios Luciano de Barros Giovaneli Eletrobras Procel Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT-participante Moises Antônio dos Santos Eletrobras Procel 4......................................................... .............................................................................................................................................................. 204 Cássio Alexandre Pereira de Souza Labelo-PUCRS Domingos Francisco Malaguez Alves Labelo-PUCRS Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT-participante Mauricio Wahast Avila Labelo-PUCRS 7.................. 250 Minicurrículos dos autores.................................2 Centros de Demonstração..1 Avaliação de sistema de iluminação pública do Procel Reluz.........3 O ensino da iluminação......................................................................................................... 170 Álvaro Medeiros de Farias Theisen Testtech Laboratórios Rafael Meirelles David Eletrobras Procel 5 Normas aplicáveis à iluminação pública...................................................................3............................ 224 Gilberto José Correa Costa Testtech Laboratórios ..........................................consultor 7......... ..........................................................1 O Centro de Excelência em Iluminação Pública.................. 256 Sumário 13 .............................................. 232 Danilo Pereira Pinto UFJF Henrique Antonio Carvalho Braga UFJF Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Considerações finais e perspectivas............ ........................... 134 Luiz Augusto Horta Nogueira Unifei-Excen Moises Antônio dos Santos Eletrobras Procel Rafael Balbino Cardoso Unifei-Itabira Rafael Meirelles David Eletrobras Procel 4 Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes .. 202 Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel 7............. 146 Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Moisés Antônio dos Santos Eletrobras Procel 4........... formação e disseminação da iluminação.................2 Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação.................Reluz ..............................

consultor Isac Roizenblat Abilux Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Rafael Meirelles David Eletrobras Procel O capítulo traça um breve quadro da evolução da iluminação nos setores residencial. Também destaca iniciativas como o programa Procel Reluz da Eletrobras. destacando pontos como o surgimento das associações técnicas e o desenvolvimento tecnológico. 14 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . hoje marcado pela forte entrada no mercado de soluções de alto patamar de eficiência energética com os LEDs (light emitting diode – diodo emissor de luz) e mais futuramente dos OLEDs (organic light emitting diode – diodo orgânico emissor de luz). comercial e de iluminação pública.1 Panorama e conceitos sobre iluminação residencial. comercial e pública Gilberto José Correa Costa Testtech Laboratórios .

quando começaram a viver a inflação controlada. a iluminação começou a mostrar uma melhoria nos seus produtos até então existentes. em meados dos anos 1990. Os reflexos no Brasil vieram de forma lenta e gradual. bem como regulamentar os novos preços. Fruto destas ações de um lado exógenas ao país. passados alguns anos. mas também de natureza interna. otimizando quantidade. Foi o momento em que surgiu a primeira crise do petróleo de forma inesperada. É importante lembrar que ao conservar energia está se ajudando a preservar o meio ambiente e a reduzir os gastos com o consumo de energia elétrica. atendendo às diretrizes estratégicas do Ministério de Minas e Energia (MME). geralmente utilizam-se estudos de luminotécnica. adequação e emoção à finalidade da visão. No meio desse processo de conscientização surge o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). estabelecer novas regras tarifárias. puderam avaliar os reflexos no seu balanço financeiro. que. Entretanto. Criou-se assim uma nova mentalidade comercial. A consequência foi inevitável para todos os consumidores. bem como de produzir e utilizar a luz artificial. pela melhoria da eficiência em sistemas existentes. visto que dependiam principalmente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) como fonte energética principal para as suas atividades econômicas. que pode ocorrer por um processo tecnológico. na maioria. tornou-se indispensável. Como forma de apoio à eficiência energética. executado pela Eletrobras. houve um marco para o mundo na questão da gestão energética. comercial e pública 15 . qualidade. que é a ciência de aproveitar a luz do dia. tornou-se indispensável pensar em como as matrizes financeiras de investimentos e de custos tornar-se-iam competitivas nos mercados interno e internacional. A necessidade de competitividade Controlada a inflação. intensa e impactante para todos os países. de origem hidráulica. como um programa do Governo Federal. Panorama e conceitos sobre iluminação residencial.Considerações iniciais Em 1973. Deve ser entendido que conservar energia elétrica em iluminação significa combater o desperdício. ou pela mudança de hábitos de uso. em 1985. pois suas fontes geradoras de energia eram e são.

o mercado dos LEDs de luz “branca” – e no futuro dos OLEDs – passou a ter uma consideração muito importante. dos quais se destacou a obra em latim de Johann Heinrich Lambert (1760) “Phtometria sine de Mesura et Gradibus Luminis. que trouxe uma nova forma de produção de luz. É inconcebível que fontes de potência usando mercúrio permaneçam como parte essencial do nosso mundo”. Finalmente. Uma análise do Departamento de Energia Norte Americano (DOE. segundo um cronograma implantado pela Comunidade Econômica Europeia (CEE). Particularmente. esporadicamente outros textos apareceram. Surgem então as lâmpadas fluorescentes T8 e T5. no final do século passado. com rendimentos elevados expressos em lúmens por watt (lm/W). por meio da eletroluminescência (até então só eram usadas a incandescência e a descarga por meio dos gases). é bom não esquecer que o primeiro texto referente ao estudo e medição da luz surgiu a partir de 1560. As lâmpadas a vapor de mercúrio e o modelo “frankstein” das de luz mista perderam a expressão. chegando até a serem proibidas em alguns países. que tem como objetivo principal o desenvolvimento dos LEDs. que passaram a ter um custo de produção competitivo devido às revisões de aumentos tarifários a nível mundial. Dessa maneira. A indústria desenvolveu novos modelos de lâmpadas de multivapores metálicos usando tubos de arco cerâmicos – tecnologia já conhecida nas a vapor de sódio de alta pressão. na sigla em inglês) verificou que as lâmpadas fluorescentes tubulares e mesmo as compactas tendem a obter no máximo uma eficiência adicional da ordem de 5%. Color et Umbræ”. O uso das tradicionais T10 e T12 diminuiu. Dessa maneira. os fabricantes de lâmpadas situados no hemisfério norte co- meçaram a buscar um melhor rendimento para as lâmpadas existentes. A iluminação e as associações técnicas No arcabouço desse renascimento. mediante o uso de pós fluorescentes a base de terras raras. denominados trifósforos. traduzida para o inglês pelo professor David DiLaura (2006). Gavin Weightman (2011) comentou que “a morte da lâmpada de filamento é sem dúvida uma das primeiras mudanças que serão feitas no uso da eletricidade. 16 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Todas essas ações foram mais reforçadas pelo fato de que a iluminação incandescente passou a ter seus dias contados. aconteceu uma evolução tecnológica: a iluminação por estado sólido (SSL – solid state lighting).

e a Comissão Internacional de Iluminação (CIE). também utilizada como referência pela ABNT. A Sociedade de Engenharia de Iluminação (IES). pois a característica do pesquisador brasileiro e da indústria associada é buscar conhecimento com base no passado. melhorando-o para conquistar mercados internacionais. O Instituto Nacional de Metrologia. O sistema de unidades fotométrico fotópico A definição das unidades fotométricas foi realizada ao longo do tempo pelo Sistema Internacional de Unidades (SI). por meio do Selo Procel Eletrobras. mediante o intercâmbio de informações técnicas. via a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). mas que hoje podem ser simplificadas por duas principais. criada em 1906 e atuando na América do Norte. que promove a eficiência energética. denominadas ISO (International Standard Organization) e o Código de Defesa do Consumidor. comercial e pública 17 . honrado por todos. 2001). administrado pela Eletrobras. Ela decorreu do fato de que havia uma nePanorama e conceitos sobre iluminação residencial. A evolução dos estudos de iluminação passou também pela criação de associações particulares em cada país. até então. criada em 1913. desenvolvendo trabalhos paralelos. com a participação inicial de países da Europa e atualmente disseminada pelo mundo. A meta final dos trabalhos é a mesma. luminárias e acessórios). Trata-se da Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC. Comenta ainda que “é o livro texto que está presente na literatura técnica. mas os estudos teóricos seguem seus próprios caminhos para atingir os mesmos objetivos. Há ainda as normas referentes à qualidade. reunindo-os num sistema coerente de quantidades fotométricas. colecionado por alguns e lido por ninguém”. na sigla em inglês). Outras instituições importantes se agregam a esse perfil. Ambas se dedicam a formular normas e procedimentos relativos à iluminação. mas com a segurança e os ensaios dos produtos que a emitem (lâmpadas. Quem pode ganhar? Naturalmente o Brasil.que assim se pronuncia no seu prefácio: “Ele foi aquele que identificou com precisão a maioria dos conceitos fotométricos. hoje com ampla aceitação. Qualidade e Tecnologia (Inmetro) que por meio da certificação de produtos passa a exigir qualidade e o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). definindo-as com precisão suficientemente matemática” (Lambert. é necessário incluir mais uma organização que nada tem a ver com a luz propriamente. Como a iluminação artificial está condicionada ao uso da eletricidade.

de comparar fontes e sistemas de iluminação de forma numérica. em 1931. apresentadas na figura 1. Recentemente surgiram os valores intermediários ou mesópicos. mais precisa e objetiva do que a expressão: “bem ou mal iluminado”. A CIE. A definição do olho padrão. aprovou a curva de visibilidade. lembrando que apesar da unidade básica de intensidade luminosa ser candelas (cd).cessidade urgente. permitiu formular a interligação das diferentes unidades de iluminação. Esta caracterização é semelhante à formulação entre intensidade de corrente elétrica (ampères) e tensão elétrica (volts) – ambas unidades básicas têm medições indiretas. complementada com os valores dos tristímulos (correspondente à sensibilidade da retina relativa aos cones: azul. na Inglaterra.1 • Diagrama de relação das unidades de iluminação 18 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . caracterizada pelo professor Thompson. em 1931. ela deriva do fluxo luminoso (lúmens).sr) ILUMINÂNCIA lux EXITÂNCIA lúmen/m SPD – Distribuição Espectral de Potência RLE – Eficácia Normalizada Luminosa Espectral Figura 1. verde e vermelho) para comparação de cores e também com os valores escotópicos V’(l) (correspondente ao limiar da sensibilidade da retina para o escuro). Uma análise pormenorizada da figura permitirá facilmente verificar os elos entre cada uma dessas grandezas.1 do sistema fotométrico. SPD X W/nm V( ) RLE FLUXO LUMINOSO Light (W) ÂNGULO SÓLIDO sr ÁREA PROJETADA m ÷ X K = 683 lm/W ÁREA ÷ m FLUXO LUMINOSO lúmen ÷ INTENSIDADE LUMINOSA candela chegando saindo LUMINÂNCIA candela/(m . em 1909. conhecida como V(l) ou Eficácia Normalizada Luminosa Espectral Fotópica. cujo uso final ainda é objeto de estudos.

Com um comprimento de 75 metros e uma largura de 10 metros. e às atividades dos membros da corte. comercial. paredes e piso (refletâncias). adicionados aos ganhos das interreflexões da radiação luminosa devido ao teto. com base em uma moda de vãos de posteação (comprimento de vãos ou entre postes de maior frequência em uma distribuição) e no tipo de superfície da via. Assim. comercial e pública 19 . era necessário disseminar um processo mais simples. a qual também é amarelada. cuja luz é amarelo-avermelhada. é função de três informações: dados técnicos da lâmpada e da luminária que estão sendo empregadas. às paredes e ao piso. mencionar que o arquiteto Mansart. Imagine agora a obra de criação do grande arquiteto que. Somente apresenta um resultado parcial na iluminação esportiva. Em 1953. luminária e recinto. imediatos e ao mesmo tempo eficazes. Na iluminação pública (IP). industrial e serviço público). antes de comentar este item. mas é a emoção que faz da iluminação uma possível obra de arte. pois avalia a quantidade de projetores sem definir a sua orientação sobre o campo ou a quadra. outros procedimentos para projetos passaram a ser considerados. com resultados mais rápidos. a galeria recebe uma iluminação natural através de 17 grandes janelas (com visão para os jardins do palácio). logo. as metodologias de cálculo são importantes. O Método dos Lumens se aplica praticamente em todas as situações (iluminação residencial. ao conceber a Galeria dos Espelhos no Palácio de Versailles (1687). e textura ou cor do teto. Neste Panorama e conceitos sobre iluminação residencial. geometria do local (comprimento. Sendo o método de cálculo ponto por ponto trabalhoso. Uma vez definido o olho humano padrão (a técnica trabalha com padrões). largura e altura). no momento do pôr do sol. A meta final desse método é obter o “fator de utilização” (Fu) que representa a eficiência luminosa do conjunto lâmpada. localizou-a de forma tal que sua orientação segue transversalmente a trajetória solar. em oposição a 17 conjuntos de espelhos. vislumbrou a entrada dessa luz integrada ao ambiente com candelabros munidos de velas. surge o Método dos Lumens que parte de estudos práticos realizados por meio da consideração teórica do fluxo luminoso direto. a iluminância estimada sobre o plano. fornecendo a quantidade de luminárias necessárias para iluminar um ambiente. permite inferir. a partir de um valor de iluminância.Os métodos de cálculo É interessante.

Tanto as residências como os edifícios têm áreas comuns destinadas às ligações entre os ambientes. a iluminação incandescente vem sendo substituída pelas lâmpadas fluorescentes compactas. podendo ter cada um deles mais de um ambiente. quando o então presidente da Intel. através de projetores ou de sistemas que incorporam o projetor. Sua substituição aguarda o desenvolvimento dos OLEDs que não estão no mesmo nível dos LEDs. cuja eficácia energética (lúmens por watt) cresce segundo a Lei de Moore1. Os sistemas de iluminação são em geral constituídos por lustres nas áreas sociais e íntimas e por luminárias nas áreas de serviço. mas tem sempre o mesmo objetivo: transformar o estoque das mercadorias em vendas. A iluminação comercial deve atender ao propósito do estabelecimento. na qual o número de transistores dos chips teria um aumento de 100%. Os ambientes nobres de natureza social (vestíbulo. 1 Até meados de 1965 não havia nenhuma previsão real sobre o futuro do hardware. apresentando ainda incertezas tecnológicas. pelo mesmo custo. Iluminação residencial e comercial O objetivo da iluminação residencial visa atender às necessidades dos ambientes segundo a sua função. 20 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . que apresentam maior eficiência e durabilidade. sala de estar etc). O mesmo deverá acontecer com as lâmpadas incandescentes halógenas com refletor dicróico. lavanderias. Desta forma. A iluminação de realce pode empregar lâmpadas de descarga de multivapores metálicos com tubo de arco cerâmico. os íntimos (dormitórios. Essa profecia tornou-se realidade e acabou ganhando o nome de Lei de Moore. Paulatinamente. Gordon E. Moore fez sua profecia. o futuro estará reservado sem sombra de dúvida aos LEDs. já disponíveis no mercado. em médio prazo. De forma muito simplificada. uma residência se compõe de três conjuntos funcionais. a cada período de 18 meses.caso é necessário empregar o método ponto por ponto que também é aplicável na iluminação dirigida a objetos. banheiros etc) e os ambientes de serviço (como cozinhas. O sistema é variável segundo o tipo de comércio. comumente denominadas lâmpadas dicróicas. garagens etc). Usualmente empregam-se luminárias fluorescentes tubulares lineares para a iluminação geral.

definiu que o alcance da visão dos motoristas estava situada entre 60 e 100 m (valor usado hoje nas normas). mas as fontes possíveis de distração para os motoristas são usualmente negligenciadas (um exemplo são os painéis de propaganda) e há os casos das placas de sinalização que nem sempre são tão visíveis à noite (Boyce. que adquiriu um destaque maior nos últimos tempos. percebeu que em distâncias pequenas o motorista usava a visão apenas para detalhes (Waldram. 2009). nos oratórios. No Brasil. lamparinas ou velas voltadas para o interior das construções. Panorama e conceitos sobre iluminação residencial. trata da iluminação de monumentos. nas ruas de Paris. Waldram. Com relação a isso. 2009). era dotada de fraca iluminação noturna. fachadas de prédios ou obras civis consideradas como sendo de arte (tais como pontes). um pesquisador inglês. É interessante notar que a IP surgiu para o combate ao crime em Londres (1415) por solicitação de comerciantes. pode ser considerado como um pioneiro no estudo da iluminação pública. A iluminação rodoviária tem aplicações para o caso de estradas. já a iluminação urbana é empregada na iluminação de ruas (vias urbanas). Já na cidade de Colônia. comercial e pública 21 . a única iluminação que se tinha era de cunho religioso. 1951). na Alemanha. Primeiro. Peter Boyce. verificou que a iluminação mudava segundo o tipo de pavimentação da via (é muito importante a consideração desse critério pelas normas). e por terceiro. as densidades de tráfego e de velocidade são as fontes de informação mais comumente encontradas em normas. ficou encarregada da IP (Loe. pois os cristãos alegavam que “Deus havia criado a noite para ser escura”. em meados do século XVI e no início do século XVII. engenheiro reconhecido como uma autoridade na questão da percepção visual e na iluminação de vias públicas. a polícia francesa. A iluminação de túneis é muito particular e leva em consideração os aspectos específicos de cada túnel.Iluminação pública A iluminação pública é um caso particular de iluminação externa que pode ser classificada como rodoviária. vindas de candeeiros. urbana e monumental. Nas vias públicas. para o Dr. A iluminação monumental. a cidade do Rio de Janeiro. pois estabeleceu alguns pontos importantes. percebida somente através das janelas. Em 1665. em seguida. a iluminação pública foi proibida por motivos religiosos.

) a cidade era iluminada apenas e muito precariamente. a cada 100 passos de distância. extraídos. enchidos com cera e com um pavio no centro. sobretudo da baleia. lampiões sobre colunas de pedra e cal no trajeto do coche de D. Foram instalados. cem lampiões e candeeiros de azeite afixados em postes pelas ruas da cidade. posteriormente. João em direção à Quinta da Boa Vista. Figura 1. Em 1808. aí então pelo governo. do lobo-marinho. 2004) Em 1794..) A iluminação pública era assim precaríssima em ruas estreitas e não calçadas.. foram instalados. realizavam diariamente a tarefa de acendimento (figura 1. As casas eram iluminadas por meio de pequenos cilindros coloridos de vidro. Esta estrada ficaria conhecida como Caminho das Lanternas e. o que fazia o povo recolher-se cedo. A Intendência de Polícia providenciou a instalação de iluminação em diversas ruas da cidade para evitar a escuridão.2). Os lampiões eram custeados pelo poder público e pelos particulares. A iluminação pública era realizada com utilização de óleos.. quando o Rio de Janeiro passou a ser capital do Brasil (.“Em 1763. fechar as portas e evitar saídas noturnas. chamados de azeites. do coco e da mamona. em geral trabalhadores escravos.2 • Iluminação a azeite Tela: Coleta de esmolas para irmandade. Jean Baptista Debret (1820) 22 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . a família real se transferiu para o Brasil e D. tida como propícia à proliferação de marginais. 2006)..” (Memória. Acendedores de lampiões. por meio de lampiões e candeeiros alimentados a óleo de peixe (. João VI instituiu a Intendência Nacional de Polícia para cuidar da segurança e policiamento. traçado sobre área aterrada sobre alagadiços então existentes (Fróes da Silva. Caminho do Aterrado.

no teatro a emoção tende a vir em primeiro lugar e depois as seguintes. que necessitam melhorar a sua qualidade para que ocorra um efetivo ganho em eficiência energética. portanto. como por exemplo as fotocélulas.5 milhões de pontos de iluminação pública em todo o país (Eletrobras Procel. Vale ainda comentar que um projeto de iluminação começa na sua concepção (Kother. a operação e a manutenção. apesar de seu custo inicial ainda ser elevado e algumas incertezas práticas estarem sendo estudadas. luminárias ou acessórios (Costa. associadas com a empresa de distribuição de energia elétrica de sua região. a expansão. O aspecto econômico será atendido quando forem usados produtos de última geração. Para custear esse serviço é cobrada uma taxa mensal dos usuários em suas faturas de energia elétrica. Considerações finais Um projeto de iluminação exige um conhecimento detalhado da tarefa visual. a implantação. deixa-se registrado que atualmente já existem ruas iluminadas com luminárias usando conjuntos de LEDs.Na atual legislação (2012). Essa concepção será tanto mais demorada. podem contar com a Eletrobras Procel. De 2000 a 2011. 2011). comercial e pública 23 . As prefeituras. por exemplo. 2006). Cabe. conhecidas como relés crepusculares. às prefeituras zelarem por uma política que atenda aos padrões técnicos previstos em normas. 2006). o Procel Reluz já substituiu mais de 2. visto que esse é o ponto principal no desenvolvimento de novos componentes. visto que é ela que permite o estabelecimento dos aspectos ligados à quantidade e qualidade de luz. sejam lâmpadas. Sua ordem de prioridade está profundamente alicerçada no exame atento e cuidadoso do que é realizado no local. o projeto. como também sob o aspecto econômico-financeiro dos projetos. ainda existem algumas situações técnicas que necessitam de normas mais rígidas que precisam ser trabalhadas nesse segmento. economicidade energética e emoção. Para finalizar. sua competência é municipal tendo como responsabilidades básicas: a gestão. beneficiando e melhorando desta forma a qualidade de vida da população. por meio do programa Procel Reluz que vem assegurando ótimos resultados não só sob o ponto de vista da economicidade energética. Apesar do significativo avanço. quanto maior for a sua Panorama e conceitos sobre iluminação residencial.

Assim. qualidade (distribuição espectral. fluxo luminoso e iluminância). Reatores eletrônicos exigem qualidade. temperatura da cor. ligada à possibilidade de ofuscamento direto. Há grandezas que expressam quantidade (intensidade luminosa. v. Em relação aos tipos de lâmpadas utilizadas. de descarga (fluorescentes e de alta intensidade de alta pressão – vapor de mercúrio. A emoção. Um projeto de uma butique é bem mais estudado do que o de uma sala comercial. implicando em maior ou menor “suor” dedicado ao seu estudo. Int. segundo os desejos da administração e a importância que a empresa considera nesse caso. Environmental and economical impact of LED lighting systems and effect of thermal management. por sua vez. 24 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Referências ARIK. 2011. elas se dividem em três grandes grupos: incandescentes (comuns. 2008). estão condicionadas à escolha da lâmpada. sob pena de que o efeito devido à presença de harmônicas cause graves problemas na rede elétrica e de transmissão de dados. a concepção faz parte do início de todo e qualquer projeto. halógenas e halógenas com refletor dicróico). James. paredes e piso). SETLUR. O emprego dos reatores está diretamente vinculado a sua qualidade. é função da subjetividade e de quanto a iluminação deverá fazer parte do ambiente. multivapor metálico e vapor de sódio) e as eletroluminescentes (LEDs). entre outros aspectos. Lighting retrofit and relighting.1195-1204. J. O mesmo é válido para o fator de crista do reator que pode diminuir a vida da lâmpada e deve ser inferior a 1. Sua qualidade está.particularidade. New York: Wiley. Energy Res. New York. atuando sobre o comportamento dos indivíduos (Costa. As luminárias. 2010. índice de reprodução de cor e luminância) e economia (eficácia luminosa e parâmetros como fator de utilização e refletâncias do teto. LEBAN. 34.. visto que todos os cálculos e metodologias de projeto são decorrentes. mas a sala de um diretor ou presidente se reveste de um caráter mais individualizado. Anant. p. BENYA. Mehmet. por sua vez. O conhecimento das grandezas e unidades é absolutamente imprescindível. Donna.7.

Gilberto. Reflexos da Cidade: A Iluminação Pública no Rio de Janeiro – Centro da Memória da Eletricidade no Brasil. Arquitetura e Urbanismo : posturas. 2001. David DiLaura.100-110. and signals. J. London: Atlantic Books. 1951. Children of light: how electricity changed Britain forever.procelinfo. Notas de Aula. Photometry: light’s and measure. ed. p. Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura/PUCRS... Iluminação econômica: cálculo e avaliação. Rio de Janeiro. Panorama e conceitos sobre iluminação residencial. p. 2004. WALDRAM. DiLAURA. Rosemary. 2006. Reflections on the last one hundred years of lighting in Great Britain. Porto Alegre: EDIPUCRS. McINTOSH. David. Lighting for driving: roads. p. London: Edward Arnold. In: ______________. 4ª ed. LAMBERT. Acesso em: 09 mar. 164p.1. ano base 2010. A history of light and lighting. 2008. Peter R. 2011. comercial e pública 25 . Street lighting. ELETROBRAS PROCEL. tendências & reflexões. Rio de Janeiro. David L. Reluz: iluminação pública eficiente. 2006. COSTA. Photometry or on the measure and gradations of light. 2011. _________________. LOE. Iluminação em arquitetura. Rio de Janeiro: Coppe/UFRJ. Engenharia de iluminação. FRÓES DA SILVA. Trad. 2004. WEIGHTMAN. _________________. New York: IESNA. 2009. urbanismo e arquitetura. Maria Beatriz Medeiros et al. Rio de Janeiro: Eletrobras/IBAM. Gavin. colors and shade. 2ª. Guia Técnico Procel. Lourenço Lustosa. signs.2012. vehicles. 2009. Gilberto José Corrêa da. London: The Society of Light and Lighting. M. Porto Alegre: EDIPUCRS. MEMÓRIA da Eletricidade. KOTHER. Dissertação: Iluminação Pública no Brasil: Aspectos Energéticos e Institucionais. New York: IESNA.com. 2006. London: CRC Press.12-3.10. Disponível em: <http://www. In: COSTA.BOYCE. 2006. Cap. Johann Heinrich. Relatório de resultados do Procel 2011.br/ >.

são realizadas algumas considerações. Por fim.1. por meio de um apanhado do que foi exposto ao longo do texto e algumas conclusões a respeito da importância dessa atividade para a sociedade. destacando e analisando algumas normas e regulamentos. O texto trata ainda da forma como essa atividade é gerida e regulada. é o foco aqui. 26 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .1 Iluminação pública no Brasil – histórico. das suas origens até os dias de hoje. conceituação e regulamentação Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT-participante Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Rafael Meirelles David Eletrobras Procel Sérgio Lucas de Meneses Blaso Cemig O histórico da iluminação pública no Brasil.

tendo a iluminação papel fundamental. é possível afirmar que as possibilidades que a IP gerou a partir de sua utilização em larga escala. Também há registro que Paris foi a primeira cidade a ter um serviço público de iluminação (luminárias a azeite e velas de cera) a partir de 1662. bem como de espaços públicos e de sua utilização no período noturno. um dos fatores de avaliação do grau de desenvolvimento de uma sociedade é o nível de iluminação disponível. os primórdios da iluminação pública nos remetem ao século XVIII. A iluminação pública (IP) tem como uma provável origem a Inglaterra em 1415. conceituação e regulamentação 27 . foram instaladas 100 luminárias a óleo de azeite pelos postes da cidade. quando começaram a ser substituídas pelas lâmpadas elétricas. As lâmpadas de óleo na Mesopotâmia datam de 8000 a. conforto e bem estar da população. Com esta iluminação percebeu-se o aumento do número de pessoas andando nas ruas e o incremento das atividades comerciais até horários mais adiantados. até os dias de hoje. está relacionado às funções de visão. desde as formas de vida mais primitivas até a espécie humana. que a iluminação pública está associada aos conceitos de segurança. quando em 1794. transformaram os hábitos da sociedade e seu modo de vida. Velas foram empregadas pela primeira vez no Egito antigo.C. no Rio de Janeiro. As lâmpadas a gás foram utilizadas em larga escala durante o século XIX e início do século XX. pessoas. Evolução da iluminação pública No Brasil. Séculos mais tarde a utilização de óleo de baleia esteve presente em diversos países. e até hoje. O desenvolvimento do cérebro. Nos povos antigos já havia indícios da utilização da iluminação artificial. por solicitação de comerciantes para o combate ao crime. Percebe-se em vários momentos da história. em especial na iluminação pública. Ao longo da história da humanidade. dentro de níveis adequados. dando a dimensão do ambiente no qual essa sociedade se encontra. obstáculos. permitindo a identificação de objetos.Considerações iniciais Desde a pré-história a evolução está ligada à utilização da iluminação natural e artificial. Iluminação pública no Brasil – histórico. propiciados pela sensação de segurança não existente anteriormente. Dessa forma.

18x24 cm . com a inauguração da usina do gasômetro.1. há o registro da iluminação da Estação Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II (Central do Brasil – Rio de Janeiro).1. Porto Alegre Fotografia. sendo a primeira instalação permanente no Brasil.1900 – 1910. iniciou-se o uso da energia elétrica nessa cidade (figura 1.1. 28 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .Acervo Museu Afro Brasil (Virgílio Calegari) Ainda em Porto Alegre. Em 1883. C.1 • Acendedores de Lampião. há a inauguração. há registro fotográfico dos acendedores de lampiões no início do século XX (figura 1. consolidou-se um sistema de iluminação pública com lampiões a gás. Em Fortaleza. no Rio de Janeiro.1.Em Porto Alegre.1.2 • Iluminação a gás em Porto Alegre. Em 1912. 1874 Em 1879. no Ceará. Figura 1.2). De 1866 a 1935. “ Figura 1.1). as casas eram iluminadas por velas. candeeiros e lamparinas. de um serviço público de iluminação elétrica. na cidade de Campos.3). a Praça da Matriz recebeu postes de iluminação pública a gás no entorno do chafariz central (figura 1. no ano de 1874.

no rio São Francisco). Iluminação pública no Brasil – histórico. em Alagoas.Figura 1. que depois foi replicado em diversas outras cidades. em 1901.1.4 • Usina hidroelétrica de Marmelo. intensificou-se a evolução da geração de energia no Brasil. a iluminação pública consequentemente passou a ser mais disseminada. e a usina hidroelétrica Pedra (atual Delmiro Gouveia).1. uma usina elétrica começou a operar em Porto Alegre.1. criando-se um serviço municipal de iluminação elétrica. foi inaugurada em Juiz de Fora. a Usina de Marmelos. Com a maior oferta de geração elétrica.3 • Iluminação Pública de Fortaleza (Museu do Ceará) Em 1887.4). de Fontes. em 1913 (cachoeira de Paulo Afonso. no Rio Grande do Sul. Juiz de Fora-MG (1889) (imagem da internet) No início do século XX. Minas Gerais. no Rio de Janeiro. Destacam-se a entrada em operação de usinas hidroelétricas como a de Parnaíba (atual Edgard de Souza) em São Paulo. Dois anos depois. em 1907. primeira usina hidroelétrica de grande porte da América do Sul (figura 1. Figura 1. conceituação e regulamentação 29 .

Em 1965. no Rio de Janeiro. esse mesmo tipo de instalação. a iluminação foi acionada de forma direta no local. Em 1977. ou se devido às condições meteorológicas. iniciou-se a utilização em larga escala das lâmpadas de descarga. Em 1962. Na década de 1970. na Itália. em função da evolução tecnológica. Esse intervalo de tempo entre a invenção e a utilização comercial também ocorreu com as lâmpadas a vapor de sódio e a vapor metálico – com o surgimento de novas tecnologias este tempo tende a ser cada vez menor. quando o Marquês Guglielmo Marconi. De sua invenção até sua utilização comercial em larga escala se passaram alguns anos. a partir de ondas de rádio geradas em Nápoles. Na década de 1950. Nas décadas de 1970 e 1980. foi registrada a instalação de lâmpadas de vapor de mercúrio com potência de 1000 W no aterro do Flamengo. no Rio de Janeiro. na primeira metade do século XX. que ocorreu nas grandes cidades. iluminava seus logradouros públicos com lâmpadas incandescentes.000 pontos por década. 30 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . houve a substituição dessas por lâmpadas fluorescentes. foi acompanhada de planos de expansão. Essa evolução. foi realizada no parque Marinha do Brasil na cidade de Porto Alegre. com postes de 45 metros de altura. A partir da década de 1960. A utilização das lâmpadas de descarga e a melhoria da eficiência e da eficácia dos equipamentos resultaram em melhores níveis de iluminação. Até hoje há controvérsia se o sinal realmente foi emitido da Itália por Marconi e o Papa. pretendia iluminar a estátua do Cristo Redentor no Corcovado. A cidade de São Paulo. foi inventada a lâmpada a vapor de sódio a alta pressão e. a lâmpada a vapor metálico. físico italiano. foi inventada a lâmpada a vapor de mercúrio. em São Paulo. Vivíamos uma época de matéria-prima abundante para consumo e de necessidade de utilização da tecnologia disponível. Cidades como o Rio de Janeiro apresentavam uma evolução de 10. Podia-se encontrar luminárias que abrigavam mais de uma lâmpada. com grandes dimensões e grande quantidade de material (alumínio e vidro). foram utilizadas lâmpadas a vapor de mercúrio e a vapor de sódio – a racionalização na utilização dos recursos naturais ainda não era uma preocupação. em 1964.Em 1931. na década de 1930. Um fato a ser destacado na história da iluminação ocorreu em 12 de outubro de 1931. ocorreu a instalação de lâmpadas a vapor de sódio na via Anchieta.

da implantação de técnicas e da aplicação de tecnologias disponíveis. Desde 1988. gerando uma melhor iluminação e economia de energia elétrica. intensificou-se a necessidade de seu gerenciamento e manutenção. Iniciou-se a criação dos departamentos e divisões de iluminação pública. sendo responsabilidade do município gerir ou delegar a terceiros sua gestão. dessa forma tem-se a noção da dimensão do desafio de realizar essa gestão de forma eficiente. projetos de expansão etc. Há também diversas linhas de projetos que podem ser apresentados além dos de melhoria. Por este programa os municípios do Brasil têm a oportunidade de tornar eficientes seus pontos de iluminação pública. muitos Iluminação pública no Brasil – histórico. a Constituição Brasileira define a iluminação pública como serviço público de interesse local.Gestão da iluminação pública Com o crescimento das cidades e a consequente expansão da IP da metade para o final do século XX. deficiências e as diferentes formas de lidar com esse tema. Estima-se que existam hoje no Brasil em torno de 14. conceituação e regulamentação 31 . contava com 5565 municípios (IBGE. tais como iluminação especial. suas dificuldades. econômicos e sociais obtidos através de sua aplicação. de espaços públicos esportivos. já faz parte da história devido a sua importância no remodelamento dos sistemas e nos ganhos energéticos. já convertidos para tecnologia de lâmpadas de descarga a vapor de sódio. 2010). pelo Governo Federal. levando-se em conta a especificidade de cada cidade.7 milhões de pontos de IP (Eletrobras Procel. do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) no ano de 1985. O Brasil. geralmente geridos pelas prefeituras municipais ou por setores responsáveis pela IP dentro das concessionárias de energia elétrica que passaram a cuidar da organização do setor. mais de 60%. que possui. que apesar de seu pouco tempo de existência (em torno de uma década). em 2012. estando grande parte. a de IP por meio do programa Procel Reluz. dentre suas áreas de atuação. 2011). Eficiência na IP Um marco importante para a iluminação pública eficiente foi a criação. iluminação de destaque.

desses graças à atuação do Programa Procel Reluz. Regulamentação do serviço A Constituição Como já citado. Independente do modelo adotado. profissional e sistematizada. desmembrada em instalação. Segundo o seu Artigo 30. Sabe-se que a iluminação pública não deve ser tratada separadamente. compete aos municípios “organizar e prestar. os serviços públicos de interesse local. com bom nível de luminosidade e baixo índice de falhas. equipamentos e manutenção do sistema (que não se resume apenas na troca das lâmpadas e no cadastramento dos pontos instalados). Entretanto. há pelo menos 35 anos. a responsabilidade pela iluminação é do município e deve ser tratada de forma técnica. devido a fatores históricos e culturais. Em outros. pois os recursos utilizados têm origem nos impostos e contribuições que são pagos por toda população. Em última análise somos todos provedores dos recursos utilizados para este fim e consumidores do produto final que deve ser uma iluminação adequada. As resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que tratam desse tema estão em fase de assimilação e aplicação e podem gerar novas mudanças na forma de tratar a iluminação pública no Brasil. Ainda em outros houve o interesse em delegar a responsabilidade para empresas especializadas. que leve em conta a utilização de um sistema específico.” 32 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . ainda há mais de 30% de lâmpadas a vapor de mercúrio e outro tanto de lâmpadas mistas. compra do material. a Constituição Federal de 1988 reforçou o papel institucional do município com relação aos serviços de iluminação pública. adequando-se às mudanças na legislação. Em diversos deles a concessionária historicamente foi a responsável e vem mantendo essa situação. É fundamental a gestão integrada das atividades. fluorescentes e incandescentes utilizadas na IP. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão. empregando um modelo que considere os critérios de qualidade. a responsabilidade da iluminação é da prefeitura. Pode-se dizer que em cada estado do Brasil há uma realidade na gestão da iluminação pública.

túneis. conceituação e regulamentação 33 . incluído o fornecimento destinado à iluminação de monumentos. avenidas. jardins. As Portarias do DNAEE 158/1989 e 466/1997 que regulamentavam o fornecimento de energia elétrica para iluminação pública ficaram vigentes até a publicação da Resolução 456/2000 (atual 414/2010) da Aneel que trouxe diversas modificações. passarelas. enquadramento tarifário e responsabilidade sobre o sistema. passagens subterrâneas. praças.Essa mesma Constituição prevê. de uso comum e livre acesso. definiu-se o ponto de entrega e a quantidade de horas cobradas diariamente. A iluminação pública foi enquadrada no Subgrupo B4.” O conhecimento dessa conceituação e aplicação da IP é fundamental para o correto projeto. de 2002). abrigos de usuários de transportes coletivos. através de seu Artigo 149-A (Emenda Constitucional nº. Iluminação pública no Brasil – histórico. na fatura de energia elétrica. que os municípios poderão instituir a cobrança de contribuições para o custeio do serviço de iluminação pública (Cosip) – facultada. excluído o fornecimento de energia elétrica que tenha por objetivo qualquer forma de propaganda ou publicidade. cultural ou ambiental. estradas. Análise da norma quanto à IP Nessa resolução. vias. e outros logradouros de domínio público. fontes luminosas e obras de arte de valor histórico. 39. A seguir alguns tópicos da resolução que devem ser observados quanto à IP: • Aplicação “Fornecimento para iluminação de ruas. O DNAEE e a Aneel O Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE) foi o órgão regulador e fiscalizador dos serviços de energia elétrica até a sua extinção com a criação da Aneel. de responsabilidade de pessoa jurídica de direito público ou por esta delegada mediante concessão ou autorização. fachadas. localizadas em áreas públicas e definidas por meio de legislação específica.

deve também disciplinar as seguintes condições”: I . para revisão dos consumos de energia elétrica ativa vinculados à utilização de equipamentos automáticos de controle de carga. e certamente a sua aplicação tornaria mais justo e real o valor cobrado pela energia. Entretanto. diz a resolução que: “deverá ser firmado contrato tendo por objeto ajustar as condições de prestação do serviço. consultores etc. tarifas e impostos aplicáveis. a concessionária deverá instalar os respectivos equipamentos de medição sempre que julgar necessário ou quando solicitados pelo consumidor. procedimentos para alteração de carga e cadastro. efetuado a partir de circuito exclusivo. Em relação aos contratos.propriedade das instalações. • Medição Segundo a resolução. sendo obedecidos os requisitos estabelecidos na resolução. quando houver. semáforos ou assemelhados. no caso de fornecimento destinado para iluminação pública.• Contratos e tarifas . II – Tarifa B4b: aplicável quando o ponto de entrega for o bulbo da lâmpada. a concessionária não é obrigada a instalar equipamentos de medição quando o fornecimento for destinado para iluminação pública.Tarifas B4a e B4b A tarifação aplicada ao fornecimento de energia elétrica para iluminação pública é estruturada de acordo com a localização do ponto de entrega: I – Tarifa B4a: aplicável quando o ponto de entrega for a conexão do sistema de distribuição do concessionário com as instalações de iluminação pública. elaborados por associações. além das cláusulas referidas no artigo 23. mas que acima de tudo devem ser cuidadosamente analisados para que haja um equilíbrio entre as partes. datas de leitura dos medidores. condições de faturamento. Poucas prefeituras se valem deste artigo da resolução. forma e condições para prestação dos serviços de operação e manutenção. 34 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . condições de faturamento das perdas referidas. de apresentação e de vencimento das faturas. Há contratos padrões. incluindo critérios para contemplar falhas no funcionamento do sistema. o qual. condições e procedimentos para o uso de postes e da rede de distribuição.

A resolução estabelece que: “caso sejam instalados equipamentos automáticos de controle de carga. devendo as condições pactuadas constarem do contrato”.” Mas qual o número correto de horas a ser tarifado a cada dia? Há influência de diversos fatores. for constatado um número de horas diferente do estabelecido neste artigo. qualidade do relé fotoelétrico (que pode variar o nível de acionamento ao longo do tempo normatizado). Busca-se a forma mais justa de cobrança e também o acionamento correto da iluminação somente quando é necessária. tais como: arborização. a concessionária deverá proceder a revisão da estimativa de consumo e considerar a redução proporcionada por tais equipamentos. Iluminação pública no Brasil – histórico. que reduzam o consumo de energia elétrica do sistema de iluminação pública. com perdas elétricas menores. que é pouco utilizada no Brasil devido a problemas com a manutenção da sensação de segurança da população. entre outros. por meio de estudos realizados pelas partes.” Ainda há um ponto que gera muitas dúvidas e controvérsias que diz respeito à quantidade de horas a ser tarifada na iluminação pública. conceituação e regulamentação 35 . Diz a resolução que: “a concessionária deverá ajustar com o consumidor o número de horas mensais para fins de faturamento quando. ou seja. em dados do fabricante dos equipamentos ou em ensaios realizados em laboratórios credenciados.• Faturamento “Para fins de faturamento de energia elétrica destinada à iluminação pública ou iluminação de vias internas de condomínios fechados.” Esta é uma grande oportunidade da aplicação de equipamentos de redução de consumo de energia. ressalvado o caso de logradouros públicos que necessitem de iluminação permanente. será de 360 (trezentos e sessenta) o número de horas a ser considerado como tempo de consumo mensal. principalmente em horários de redução de fluxo de veículos e pedestres. Diz a resolução que: “o cálculo da energia consumida pelos equipamentos auxiliares de iluminação pública deverá ser fixado com base em critérios das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). características climáticas. o responsável pela IP que utilizar equipamentos mais eficientes. terá seu custo com energia elétrica tanto menor quanto for sua eficiência e preocupação com a redução das perdas. em que o tempo será de 24 (vinte e quatro) horas por dia do período de fornecimento.

prazos para regularização dos níveis de tensão etc são estabelecidos nessa resolução. Resolução 505/2001 da Aneel A Resolução 505 (Aneel. Aspectos como a classificação da tensão de atendimento. 2001) estabelece as disposições relativas à conformidade dos níveis de tensão de energia elétrica em regime permanente (níveis de tensão mínimos e máximos admissíveis que devem ser levados em conta para o projeto e especificação de materiais de iluminação pública). podendo a concessionária prestar esses serviços por meio de celebração de contrato específico para tal fim. No artigo 115: “Nos casos em que o Poder Público necessite acessar o sistema elétrico de distribuição para a realização de serviços de operação e manutenção das instalações de iluminação pública. Por outro lado. expansão. esta será responsável pela execução e custeio dos respectivos serviços de operação e manutenção.” “Parágrafo único: Quando o sistema de iluminação pública for de propriedade da concessionária. operação e manutenção das instalações de IP é de pessoa jurídica de direito público ou por esta delegada mediante concessão ou autorização. Mais uma vez é necessária a troca de informações e o estabelecimento de uma boa relação entre a concessionária e a prefeitura através de seus representantes.” A diferença entre o valor das tarifas B4a e B4b fica em torno de 9%. A elaboração e validação de um manual de procedimentos para instalação e manutenção de IP pode ser o instrumento a ser utilizado e seguido pela prefeitura ou empresas que para ela prestem serviços.• Das especificidades da iluminação pública “A responsabilidade pelos serviços de elaboração de projeto. A confiabilidade do sistema de iluminação está diretamente ligada às condições de fornecimento de energia elétrica e aos adequados níveis de tensão. indicadores individuais de tensão. a concessionária deve alocar recursos para prestação de serviços de IP às prefeituras. registros de medições. 36 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . com essa diferença percentual. deverão ser observados os procedimentos de rede da concessionária local”. ficando o consumidor responsável pelas despesas. ou seja. implantação.

a interferência que os equipamentos de iluminação pública podem ter na qualidade dessa energia e os impactos resultantes na rede de distribuição devem ser discutidos e as normas e regulamentos devem levar isto em consideração. Nessa resolução também foi estabelecido um cronograma de transferência para que. hoje em dia. papel fundamental na melhoria da qualidade de vida da população. mas podem. Desta forma. turismo e na segurança pública. nos casos em que o sistema de iluminação pública for de propriedade da distribuidora. Iluminação pública no Brasil – histórico. lâmpadas de indução. operação e manutenção das instalações de iluminação pública é de pessoa jurídica de direito público ou por esta delegada mediante concessão ou autorização. que venceu em setembro de 2012. implantação. A iluminação pública teve. Resolução 414/2010 da Aneel A Resolução da Aneel nº. na ocupação noturna de espaços com atividades lícitas. caso tenham interesse. conceituação e regulamentação 37 . e tem. houve uma transformação radical nos conceitos de iluminação. no incremento do comércio. os municípios passam a deter os ativos. vapor de sódio. expansão. imaginar qualquer município sem iluminação pública – os que ainda possuem iluminação inadequada ou ineficiente já têm a consciência dos benefícios que sua melhora pode ocasionar. na imagem das cidades. Considerações finais Da lâmpada incandescente. multivapores metálicos. 414. reforçou que a responsabilidade pelos serviços de elaboração de projeto. de 7 de setembro de 2010. esta transfira os respectivos ativos às prefeituras no prazo máximo de 24 meses. até os LEDs (lighting emitting diode). da mesma forma que as transformações da sociedade ditaram mudanças no modo de vida e na organização social. É impossível. Reforçou ainda que é permitido à distribuidora de energia prestar esses serviços mediante celebração de contrato específico para tal. passando pela vapor de mercúrio. prestar contrato de manutenção do sistema de iluminação pública com as distribuidoras.

aneel. que pontuam as vantagens de uma IP eficiente. Encerrando as conclusões. tanto no aumento da segurança quanto na diminuição dos gastos públicos. Disponível em: < http://www. Resolução nº. sua situação atual no Brasil e os desafios para os próximos anos. Agência Nacional de Energia Elétrica (Brasil).gov. 2012. Disponível em: < www. Portaria nº. de 26 de novembro de 2001.pdf > Acesso em: 12 set. 2012. há duas frases que retratam a importância da iluminação para a sociedade: “Com a invenção da lâmpada elétrica. _________________. 2012. Também estão em pauta as discussões entre municípios e concessionárias de energia sobre o processo de transferência dos respectivos ativos de IP às prefeituras. A médio e longo prazos esta tecnologia irá garantir ganhos para a população. 505. 38 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica. _________________. de 9 de setembro de 2010.br/ cedoc/prt1997466. e “Do desenvolvimento das antigas lanternas a óleo até os LEDs. Resolução nº.pdf >.br/cedoc/ res2001505 >. de 12 de novembro de 1997.br/cedoc/ren2010414. o desenvolvimento da humanidade se confunde com a evolução da iluminação”. graças ao apoio do Programa Procel Reluz.br/cedoc/ prt1989158.Existem no Brasil aproximadamente 15 milhões de pontos de iluminação pública. a maioria já eficientizado. Outro ponto a ser destacado é o arcabouço legal robusto que evoluiu consideravelmente ao longo dos anos. 414.aneel.pdf >. Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica.gov. Acesso em: 20 out. Acesso em: 12 set. de 17 de outubro de 1989. 2012. Disponível em: < http://www. Disponível em: < www. bem como o processo de manutenção destes. Agência Nacional de Energia Elétrica (Brasil). Portaria nº.aneel. um salto na iluminação foi possível”.aneel. 158. Os desafios históricos da IP nos dias de hoje impõem-se através da utilização de novas tecnologias como os sistemas LED.gov. Referências ANEEL. que já oferecem grande economia no consumo de energia e melhoria da qualidade da iluminação das cidades. DNAEE. 466.gov. Acesso em: 20 out.

ELETROBRAS PROCEL. Rio de Janeiro. 2012. Acesso em: 21 set. Disponível em:<www. Disponível em: < http://www.censo2010.gov. 2012. Censo Demográfico 2010.ibge. 2012.br/ >.procelinfo.com. Acesso em: 10 ago. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.br>. Relatório de resultados do Procel 2012: ano base 2011. conceituação e regulamentação 39 . Iluminação pública no Brasil – histórico.

UFSC Veridiana Atanasio Scalco Labeee . em parceria com a Eletrobras Procel. de serviços e públicos. Qualidade e Tecnologia (Inmetro).1. que propõe uma metodologia para a classificação do nível de eficiência energética de edificações brasileiras. tendo como base o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) de Edificações do Instituto Nacional de Metrologia. comerciais. 40 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .UFSC O artigo aborda os aspectos de projeto que influenciam na eficiência energética dos sistemas de iluminação artificiais aplicados a edifícios residenciais.2 Sistemas de iluminação predial e a eficiência energética Estefânia Neiva de Mello Eletrobras Procel Roberto Lamberts Labeee .

em média. em parceria com a Eletrobras Procel Edifica. importante iniciativa do Governo Brasileiro em prol da eficiência energética dos edifícios construídos no País. 14% do consumo energético residencial. quer seja no controle do conforto térmico e da qualidade do ar. No setor comercial alimentado por alta tensão. um bom projeto arquitetônico pode minimizar a necessidade de utilização de sistemas artificiais para garantia do conforto. 23% do consumo é destinado a esse fim (Eletrobras. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). publicou os requisitos técnicos do Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações (PBE Edificações). 2011). o consumo dos sistemas de iluminação representa 22% de seu consumo total. quer seja na garantia do conforto acústico e visual. A maior parte desta energia é gasta para atender às condições de conforto do usuário e habitabilidade do espaço construído. Sistemas de iluminação predial e a eficiência energética 41 . aquecedores. fazendo uso das condicionantes climáticas locais. Portanto.8% em edifícios residenciais. os sistemas de climatização – ar condicionado. De maneira geral. variando de 8% na região Sul a 19% na região Sudeste. o Instituto Nacional de Metrologia. Cabe à arquitetura amenizar os climas severos ou proporcionar ambientes tão confortáveis quanto o ambiente externo em climas amenos. notadamente para climatização e iluminação. 15% em edifícios comerciais e 23. que representam. foi o caminho encontrado para tal regulamentação. O PBE Edificações regulamentou a Lei de Eficiência Energética – Lei n. os principais usos finais da energia elétrica nos edifícios são os equipamentos e eletrodomésticos. ventiladores e exaustores – os sistemas de aquecimento de água e os sistemas de iluminação. O Programa Brasileiro de Etiquetagem.Considerações iniciais As edificações são responsáveis por quase 45% do consumo faturado de energia elétrica no Brasil (EPE. Eficiência energética dos sistemas de iluminação Em 2009. enquanto no setor de público. Do total consumido. executado pelo Inmetro desde 1984. estima-se que 4% ocorram em edifícios públicos. 2007).º 10. 2001) – que relacionava os edifícios entre os produtos que deveriam possuir regulamentação específica para definição de índices mínimos de eficiência ou máximos de consumo.295/2001 (Brasil.

2. 2010) 42 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . A primeira mede o desempenho energético do edifício por meio da avaliação de sua envoltória – conjunto de fachadas e cobertura –. estipular os índices mínimos de eficiência que eles deverão cumprir. que deixam a cargo do morador a definição do sistema. de Serviços e Públicos (Brasil. de serviços e públicos.1).Por meio da etiquetagem avalia-se o nível de eficiência energética dos edifícios e informa-se o consumidor sobre o desempenho do imóvel que ele irá adquirir. do sistema de iluminação e do sistema de climatização (figura 1. Tendo em vista a variação do consumo de energia nas diferentes tipologias construtivas.2. enquanto a segunda avalia o desempenho da envoltória para verão e inverno e do sistema de aquecimento de água (figura 1. finalmente.2). A partir da classificação da etiqueta é possível estabelecer uma linha de base sobre a eficiência energética dos edifícios e. esse sistema não pode ser contemplado nesta etiquetagem específica devido às práticas de mercado. que pode variar de A. foram elaboradas duas metodologias para etiquetagem dos edifícios: uma aplicada aos edifícios comerciais. mais eficiente. Figura 1.2. e outra destinada aos edifícios residenciais. menos eficiente. Apesar da grande importância da iluminação no consumo global do setor residencial. a E.1 • Etiqueta Nacional de Conservação de Energia para Edifícios Comerciais.

que compõe o PBE-Edificações.2 • Etiqueta Nacional de Conservação de Energia para Edifícios Residenciais (ENCE) (Brasil. a eficiência das luminárias ainda não é avaliada pelo PBE e. é possível penalizar os excessos 1 ABNT. Sistemas de iluminação predial e a eficiência energética 43 . 2012) Apesar do grande impacto no desempenho energético do sistema de iluminação. por isso. Esta norma será atualizada pela ISO 8995:2002 . 1992) – Iluminância de interiores. essa densidade era medida na unidade W/m²/100 lux.Figura 1.2. de Serviços e Públicos (RTQ-C). método que não punia os superdimesionamentos dos sistemas de iluminação. Na primeira versão dos Requisitos Técnicos da Qualidade do Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais. NBR 5413/1992: iluminância de interiores. Os requisitos do sistema de iluminação que influenciam na eficiência dos edifícios comerciais. de serviços e públicos e que constam no programa de etiquetagem são: • A densidade de potência de iluminação instalada (W/m²) de acordo com o uso do ambiente e os valores de iluminância média mínima de cada atividade estabelecidos pela NBR 54131 (ABNT.CIE S 008/E. na qual a densidade de potência é medida em W/m². Para cada nível de eficiência é estabelecida uma densidade de potência de iluminação limite. Na versão de 2009. Comissão de Estudo para Aplicações Luminotécnicas e Medições Fotométricas da ABNT/CB-03 – Comitê Brasileiro de Eletricidade. não pode ser incluída na metodologia de etiquetagem de edifícios.

A potência é calculada pela soma das potências das lâmpadas e das perdas dos reatores instalados. • A previsão de uso da luz natural em ambientes com aberturas voltadas para o exterior e que contenham mais de uma fileira de luminárias paralelas às aberturas. de forma a propiciar o aproveitamento da luz natural disponível. Ao contrário dos edifícios comerciais. que utilizam iluminação e ventilação naturais para garantia do conforto. manual ou automático. Nas edificações residenciais. um sensor de presença que desligue a iluminação 30 minutos após a saída de todos ocupantes. Esta exigência é aplicada a todos os ambientes que almejem obter níveis A. Por questões de segurança. ambientes de uso público poderão ter o controle manual em local de acesso exclusivo a funcionários. exceto ambientes que devem propositalmente funcionar durante 24 horas. ou um sinal de outro controle ou sistema de alarme que indique que a área está desocupada. e a densidade é obtida em relação à área de cada ambiente iluminado. Esta exigência é aplicada a todos os ambientes que almejem obter o nível A de eficiência. ou ainda onde o desligamento automático da iluminação pode comprovadamente oferecer riscos à integridade física dos usuários. para o acionamento independente da fileira de luminárias mais próxima às aberturas. Neste caso. nas residências 44 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . a eficiência energética avaliada pela etiquetagem está diretamente relacionada aos sistemas passivos de condicionamento ambiental. evitando que algum sistema permaneça ligado sem necessidade. B ou C de eficiência.do sistema de iluminação. Este dispositivo deve funcionar através de um sistema automático com desligamento da iluminação em um horário pré-determinado. Cada controle manual deve ser facilmente acessível e localizado de tal forma que seja possível ver todo o sistema de iluminação que está sendo controlado. • A existência de pelo menos um dispositivo de controle manual para o acionamento independente da iluminação interna de cada ambiente fechado por paredes ou divisórias até o teto. reduzindo a classificação do seu nível de eficiência. • A existência de dispositivo de controle automático para desligamento da iluminação interna de ambientes com área superior a 250 m2. Unidades de edificações de meios de hospedagem são exceções a este pré-requisito. nos quais a climatização e a iluminação provenientes de sistemas ativos são estratégias amplamente empregadas. para que sejam eficientes e obtenham os níveis A e B da etiqueta o sistema de iluminação deve possuir um controle instalado. onde existe tratamento ou repouso de pacientes. ou seja.

Ambientes que vão além deste mínimo podem obter pontos extras de bonificação e ter seu nível de eficiência elevado. desde que o projeto arquitetônico seja bem dimensionado. Para tal deve-se investir na limitação de sua profundidade em relação à entrada de luz natural. evitando zonas escuras no fundo dos ambientes. Nesse caso. e deve ser modelado o entorno do ambiente simulado. em grande parte das horas ocupadas. Outro aspecto importante é a refletância do teto do ambiente. 2010). Como referência básica utilizada internacionalmente exige-se que a maioria dos ambientes de permanência prolongada. Permite-se também a comprovação do uso da luz natural nas residências por meio de simulações computacionais feitas em softwares específicos capazes de executar uma simulação dinâmica de iluminação natural. que representa o quociente da taxa de radiação luminosa refletida pela taxa de radiação luminosa que incide sobre ele.salas e dormitórios . Para a simulação do ambiente deve ser feita uma malha na altura do plano de trabalho. para que o sistema de iluminação seja eficiente. seus sistemas e tipos de caixilho. Alguns dos programas computacionais de simulação sugeridos são DaySim. a refletância mínima dos tetos dos ambientes de permanência prolongada. Sistemas de iluminação predial e a eficiência energética 45 .6. Segundo a metodologia de etiquetagem do Inmetro. Também não entram no cálculo as áreas de circulação.por uma ou mais aberturas para o exterior. cozinha e área de serviço/lavanderia tenham profundidade máxima igual a 2.4 vezes a altura das esquadrias voltadas para o exterior (Reinhart e Loverso. não sendo necessário contabilizar a área restante. com no mínimo 25 pontos de avaliação.760 horas em formato adequado. ele precisa conjugar o emprego da luz natural com sistemas artificiais eficientes. uma residência com iluminação eficiente deve garantir o acesso à luz natural em todos os ambientes de permanência prolongada . Para ser eficiente. A soma das áreas de aberturas para iluminação natural de cada um desses ambientes deve corresponder a no mínimo 12. Apolux e Troplux. Ambientes que almejem os níveis A e B de eficiência precisam atender a esta exigência. Nos dormitórios com área superior a 15 m2. utilizando arquivo climático com 8. é possível dispensar o uso de tais sistemas. As áreas de aberturas para iluminação natural variam de acordo com a esquadria especificada.5% da sua área útil. cozinha e área de serviço/lavanderia deve ser acima de 0.brasileiras. o percentual mínimo de área de abertura para iluminação deve estar relacionado até o limite de 15m².

46 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Além disso. o tipo de reator e a existência de automação. a residência também pode obter pontos extras de bonificação e elevar seu nível de eficiência. durante 70% das horas do ano. as residências devem possuir metade das fontes de iluminação artificial com eficiência superior a 75 lm/W ou com Selo Procel Eletrobras em todos os ambientes. Para ser eficiente (nível A) é preciso.inmetro. fazendo uso apenas da luz natural. publicadas pelo Inmetro em sua página eletrônica (http://www. Quando há proteções solares nas aberturas desses ambientes. caso seja eficiente. Este requisito não se aplica à iluminação de áreas de uso eventual. Para obtenção deste dado é preciso considerar a última versão das Tabelas do PBE para lâmpadas. Para os tipos de lâmpada que não fazem parte do PBE. Para obter 0. A eficiência do sistema de iluminação é feita de acordo com a fonte luminosa. instalar sistema de automação em iluminação intermitente. cujas aberturas para o exterior sejam desprovidas de proteção solar. A sua avaliação. cozinha e área de serviço/lavanderia.gov. podem ser utilizadas outras fontes que não sejam as descritas acima.2. sejam elas áreas de uso frequente ou eventual. durante 70% das horas do ano. Neste caso. Com relação ao sistema de iluminação artificial.10 ponto de bônus. todas as fontes de iluminação artificial da residência devem possuir tal eficiência. deve-se comprovar a obtenção de 60 lux de iluminância em 50% do ambiente.05 ponto de bônus. por exemplo.1. deve-se comprovar a obtenção de 60 lux de iluminância em 70% do ambiente. para comprovação da eficiência.br/consumidor/tabelas.Nesse caso. a eficiência luminosa deve ser medida ou fornecida pelo fabricante. Da mesma forma.asp). as lâmpadas incandescentes e incandescentes halógenas têm classificação nível E. sensor de presença ou minuterias. as áreas de uso comum de edifícios multifamiliares ou de condomínios precisam ter iluminação eficiente. a maioria dos ambientes de permanência prolongada. tais como. segundo a etiquetagem. conforme a tabela 1. Já para ganhar 0. é feita através da ponderação da eficiência dos sistemas por suas potências.

com área de no mínimo 1/10 da área do ambiente. 2012) Para os níveis A e B.(Brasil. Para garantir pontos extras. estacionamentos externos.6. A iluminação natural nas áreas de uso comum. bem como seu impacto na redução do consumo de energia.90 ___ ___ ___ * η: Eficiência luminosa ** Light Emitting Diode (diodo emissor de luz) . a iluminação artificial de áreas comuns externas como jardins.1 • Critérios para classificação da iluminação artificial de áreas comuns de uso frequente de acordo com o nível pretendido Dispositivo Fluorescentes tubulares Reatores para fluorescentes tubulares Fluorescentes compactas LED** Lâmpadas de vapor de sódio Reatores para lâmpadas de vapor de sódio Automação na iluminação intermitente Nível A η* ≥ 84lm/W Eletrônicos com Selo Procel Eletrobras Selo Procel Eletrobras η ≥ 75 lm/W Selo Procel Eletrobras Eletromagnéticos com Selo Procel Eletrobras Sim Nível B 75 ≤ η < 84 lm/W ___ ENCE B 50 ≤ η < 75 lm/W ENCE B Nível C 70 ≤ η < 75 lm/W Fator de potência ≥ 0. acessos de veículos e pedestres. que não for projetada para funcionar durante todo o dia. Exceção é feita à iluminação de entrada ou saída de pessoas e de veículos que exijam segurança ou vigilância. Como ela varia conforme as condições de céu de cada local. as garagens internas e mais de 75% dos ambientes internos das áreas comuns de uso frequente devem apresentar dispositivos de iluminação natural.95 ENCE D η < 30 lm/W ENCE D Fator de potência < 0.90 Não Nível D 60 ≤ η < 70 lm/W Fator de potência < 0.95 ENCE C 30 ≤ η < 50lm/W ENCE C Fator de potência ≥ 0. contribui para eficiência e. um amplo Sistemas de iluminação predial e a eficiência energética 47 . como janelas e iluminação zenital. por isso. Também é possível obter bonificação quando o teto desses ambientes tem refletância mínima de 0. deve possuir uma programação de controle por horário ou um foto sensor capaz de desligar automaticamente esse sistema quando houver luz natural suficiente ou quando a iluminação externa não for necessária. também é computada na etiqueta como bonificação.Tabela 1. A relação entre a iluminação natural e a eficiência do sistema de iluminação predial ainda é pouco mensurada.2. caso haja.

2001. pois envolve uma avaliação da eficiência da fonte de luz. Lei n. Brasília. incluindo sistemas de controle. Dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia e dá outras providências. Ministério do Desenvolvimento. _________________. DF.º 10. Considerações finais Avaliar a eficiência energética de sistemas de iluminação prediais é tarefa complexa. _________________. Qualidade e Tecnologia.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC001599. NBR 5413:1992 – Iluminância de interiores. A quantidade de energia de fato economizada dependerá diretamente do uso adequado do sistema instalado. de 17 de setembro de 2010.estudo aplicado à realidade brasileira será desenvolvido nos próximos anos no âmbito de um convênio firmado entre a Eletrobras e o CIE (Commission Internationale de L’Eclairage) Brasil. do dimensionamento e das características do projeto luminotécnico. Referências ABNT. 1992. Ministério do Desenvolvimento. Publica o Regulamento Técnico da Qualidade para o 48 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . através da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Instituto Nacional de Metrologia. Indústria e Comércio Exterior. Portaria n. Qualidade e Tecnologia. BRASIL.º 372.295. portanto.inmetro. Espera-se que essa iniciativa possa alavancar o grande potencial de emprego da iluminação natural como estratégia de eficiência nos edifícios.gov. O usuário. Acesso em: 19 abr. a avaliação se atém apenas ao potencial de eficiência. 2012. Instituto Nacional de Metrologia. Abril. Ainda assim. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Publica os requisitos técnicos da qualidade para o nível de eficiência energética de edifícios comerciais. de 17 de outubro de 2001. Indústria e Comércio Exterior. pdf>. Disponível em: <http://www. tem papel fundamental na realização da eficiência projetada. Portaria nº 18. de serviços e públicos. e da qualidade da instalação de todo o sistema. de 16 de janeiro de 2012.

ELETROBRAS PROCEL.pdf. Sumário Executivo. 2012. 2007.42. Balanço energético nacional 2011: ano base 2010. Disponível em: <http:// www. EPE. Empresa de Pesquisa Energética. M.gov. Acesso em: 2 jan. ano base 2005 classe residencial: relatório Brasil.inmetro. Lighting Research and Technology.. n. Sistemas de iluminação predial e a eficiência energética 49 . A. p.  v. 7-32. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: EPE. 2011. V.>. REINHART. L. Rules of thumb based design sequence for diffuse daylight.Nível de Eficiência Energética de Edificações Residenciais. LOVERSO. 2010. C. F.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC001787. Pesquisa de posse de equipamentos e hábitos de uso. Leon Gaster Award.1.

O texto é fundamentado nos resultados da Pesquisa de Posse de Equipamentos e Hábitos de Uso (PPH).3 Uso da iluminação na classe residencial Emerson Salvador Eletrobras Procel Reinaldo Castro Souza PUC-Rio O objetivo deste artigo é apresentar o panorama sobre iluminação da classe residencial no Brasil. realizada pela Eletrobras Procel. 50 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . que traz dados sobre os equipamentos e tecnologias empregadas. incluindo as tecnologias utilizadas para este fim.1.

a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentou a exigência de realização de PPHs às concessionárias de energia elétrica a cada duas revisões tarifárias (periodicidade de oito anos). Os resultados dessas pesquisas. entre outros. Essas ações são estruturadas tendo como uma das referências as Pesquisas de Posse de Equipamentos e Hábitos de Uso (PPH) realizadas em 1987. 2007). iluminação pública. que atua em todo território nacional. foi realizada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A PPH mais recente. Seus subprogramas são direcionados para os segmentos residencial. espera-se que essa atividade entre na rotina das empresas distribuidoras de energia elétrica. comercial. educação. fruto do contrato assinado entre a Eletrobras e o Banco Mundial. estimar os respectivos resultados e fornecer. além de subsidiarem o planejamento do setor elétrico brasileiro.Considerações iniciais O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) foi criado em dezembro de 1985 pelo Governo Brasileiro. empresa estatal de geração. A pesquisa. 1997 e 2005. permitem definir as linhas de atuação prioritárias do Programa. Pela importância citada e a possibilidade de se obterem estimativas dessas tendências e monitorar o crescimento do mercado de usos finais. industrial. Foi admitido para as estimativas populacionais do total do Brasil um erro máximo de ±1. atuando por meio de subprogramas. Seu objetivo é promover o uso eficiente da energia elétrica a fim de eliminar desperdícios e reduzir os custos e postergar os investimentos setoriais. e a Eletrobras. no caso residencial. A Eletrobras Procel desenvolve diversas atividades visando fomentar o uso eficiente de energia elétrica. Com isso. informações estratégias aos fabricantes a respeito da evolução da tendência das posses dos equipamentos presentes nos lares brasileiros. em última instância. sob a coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME). sob a coordenação da Eletrobras Procel. este funcionando como instituição de repasse dos recursos doados pelo Global Environment Facility (GEF) ao Governo Brasileiro. faz parte do Projeto de Eficiência Energética (PEE).5% para um intervalo Uso da iluminação na classe residencial 51 . saneamento. foi escolhida como a responsável pela sua implementação. transmissão e distribuição de energia elétrica. realizada em 2005 (Eletrobras Procel.

14% Geladeira.3.2.3. Som. 5% TV. sendo que esses erros variaram de ±2% a ±3% para os agregados das regiões geográficas.847 residências em 21 concessionárias de energia elétrica. Números da PPH Com base nos resultados da PPH foi possível estimar em 14% a participação das lâmpadas no consumo total de energia elétrica na classe residencial. 22% Condicionamneto ambiental. 3% Lâmpadas. porém é no horário de ponta do sistema. constata-se que as lâmpadas são usadas praticamente em todos os horários. 9% Chuveiro. Foram pesquisadas 9.1 • Consumo final residencial (Eletrobras Procel.de confiança de 95%. A pesquisa realizada em cada área de concessão das distribuidoras de energia apresentou um erro máximo de ±4% a ±5%. Isso evidencia que a iluminação elétrica é o quarto maior consumidor de energia nas residências do país. No gráfico 1. 52 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . 3% Freezer. da curva de carga diária média residencial dos principais usos finais.3. 2007) Observando o gráfico 1. que se observa um maior uso desses dispositivos.1. geralmente entre 19 e 23 horas. 20% Gráfico 1. pode ser visto qual a participação dos eletrodomésticos mais importantes no consumo médio domiciliar brasileiro. 24% Ferro.

2006) As pesquisas de campo relativas à posse de equipamentos elétricos e hábitos de uso.3. coordenadas pela Eletrobras Procel.3. que audita não só a posse e hábito de uso de todos os equipamentos do cliente. como também as características de seu habitat. Uso da iluminação na classe residencial 53 .2 • Curva de carga média residencial (ONS. as condições de moradia e dados socioeconômicos. têm como objetivos quantificar a tipologia da posse e obter a declaração do consumidor final quanto à utilização de equipamentos domésticos.500 450 400 350 Watt-hora 300 250 200 150 100 50 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas TV Chuveiro Freezer Lava Roupa Ar Condicionado Geladeira Ferro Microondas Som Lampadas Gráfico 1. Convém destacar que a posse de lâmpadas para uso eventual era em média maior que aquelas consideradas de uso habitual em ambos os tipos de equipamentos. qualidade do fornecimento da energia elétrica. sendo que existiam em média. de acordo com a PPH de 2005. aquisição de eletrodomésticos. mediante aplicação do instrumento de coleta de dados. quatro lâmpadas de cada tecnologia por residência. aproximadamente. por exemplo. O gráfico 1. A pesquisa demonstrou que as posses eram iguais tanto para fluorescentes quanto para incandescentes. possibilitando a realização de algumas comparações. segundo critérios padronizados adotados por outros institutos de pesquisa.3 apresenta as posses médias de lâmpadas utilizadas para iluminação nas residências brasileiras. Dessa forma são levantadas. entre outros dados.

01 3 2.2 1.59 2. 6 4.36 4.4.78 5.01 4.01 4.I CO .08 5.98 4.I N-F N-I NE . 2007) Analisando o gráfico 1.3.3.43 1.F BR . com destaque para a maior posse de incandescentes: 5. está na região Sul.36.I SE .8 0 Incandescente Incandescente Incandescente Posse média Uso eventual Uso habitual Fluorescente Posse média Fluorescente Uso eventual Fluorescente Uso habitual Gráfico 1. Já a maior proporção de posse de lâmpadas fluorescentes. observou-se que as maiores quantidades de lâmpadas por residência foram verificadas na região Sudeste.08 1. as mais eficientes energeticamente. 2007) 54 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .31 4 2 0 BR .55 4.91 4.F NE . que apresenta a posse média por região.3.F CO .6 4.I S-F S-I I = lâmpada incandescente F = lâmpada fluorescente Gráfico 1. Apenas a região Centro-Oeste também possui posse de incandescentes superior a fluorescentes.35 2.4 • Comparação entre a posse média de lâmpadas do Brasil e por regiões (Eletrobras Procel.30 3.01 3.F SE .3 • Posse média e uso de lâmpadas nos domicílios brasileiros (Eletrobras Procel.

20W 40W Fluor.7 4.28% 4.5 • Distribuição por tipo e potência de lâmpadas nos domicílios (Souza.8 5. 60W Inc.9 5 4.6 5 na classe residencial 4.52% 14.07% 25W Inc.4 5. 9.3 6.8 8. que apoia.26% 6.4 7. Fluor.4 1.1 4.5 apresenta a distribuição percentual por tipo e potência de lâmpadas nas residências.3. Circular >15W Outro Tipos de Lâmpadas Gráfico 1.6 e 1.1 3. Tubular Tubular até 15W Fluor.31% 17.3.O gráfico 1.6 • Posse de lâmpadas incandescentes em 1987.41% 37. 40W Inc. 1988. que incentiva o uso de lâmpadas mais eficientes (figura 1. percebeu-se que a população brasileira começou a substituir a tecnologia de lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes.8 6 4 2.1).7. seguidas pelas fluorescentes compactas maiores de 15 W de potência.1 55 . 100W Inc. apresentadas nos gráficos 1.9 1988 1997 2005 7. 40 35 30 25 20 15 10 5 0 1. 1997 e 2005 (Eletrobras Procel.3.3.69% 0.77% 0.3.2 7. Fluor.3. 150W Inc. Comp. Fluor Dicróica Comp.9 3.35% 1. 2007) Comparando as três PPHs realizadas.95% 0. a divulgação de conceitos sobre o uso eficiente da energia no currículo escolar. Observa-se que as lâmpadas mais comuns na época de realização da pesquisa eram as incandescentes de 60 W. 1997 e 2007) Uso da iluminação 1988 1997 2005 5.8 3. desde o ensino fundamental. quanto ao Procel Educação. Grande parte dessa mudança de atitude pode ser creditada tanto ao Selo Procel Eletrobras.3 Brasil Sudeste Sul Nordeste Norte Centro-Oeste Gráfico 1.53% 9.88% 5.

Como medida para reduzir esse impacto. reduzindo o tempo de utilização da artificial. Conforme verificado.7 0.6 1. 2011). o bem estar e a segurança tanto nas vias públicas como em ambientes fechados.7 • Posse de lâmpadas fluorescentes em 1987.3 0. garantindo o conforto.5 Norte Brasil Sudeste Sul Nordeste Centro-Oeste Gráfico 1.8 0.9 0.6 4 3. Além disso. como forma de aproveitar por mais tempo a iluminação natural. o que nos dias de hoje corresponde a algo em torno de 15 mil GWh/ano (EPE.1 • Lâmpada fluorescente compacta (Selo Procel Eletrobras geralmente inserido na embalagem) Considerações finais A eletricidade é o principal insumo para iluminação em um modo geral. período no 56 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .7 0.3. essa demanda de energia é mais significativa no horário de ponta do sistema elétrico. 1997 e 2005 (Eletrobras Procel.3. 1997 e 2007) Figura 1. principalmente após a restrição no abastecimento de energia ocorrida em 2001.1 1 1.1 4.1988 5.1 2. O uso das lâmpadas fluorescentes compactas vem crescendo no país.7 0.3 1997 5 2005 4. o consumo de energia elétrica das lâmpadas presentes nos lares brasileiros representa 14% de toda energia elétrica utilizada na classe residencial. anualmente é realizado o horário de verão em algumas regiões do Brasil. 1988.7 2 1.

a não ser que surjam novas tecnologias. garantem níveis iguais ou superiores de eficiência luminosa. com Selo Procel Eletrobras. Resenha do mercado de energia elétrica: nov. além de proporcionarem um menor consumo de energia. Acesso em: 24 jan. Pesquisa de mercado em eficiência energética: apresentação dos resultados. do Ministério de Minas e Energia. Uso da iluminação na classe residencial 57 . Acesso em: 17 set. Rio de Janeiro. Referências ELETROBRAS PROCEL. 1997. de 31 de dezembro de 2010. Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: pesquisa de posse de equipamentos e hábitos de uso da classe residencial no ano base 2005. A Portaria Interministerial n. É importante destacar que as lâmpadas incandescentes comuns serão banidas do mercado gradativamente até 2016. SOUZA.007. 1988. Rio de Janeiro. Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: pesquisa de posse de equipamentos e hábitos de uso da classe residencial no ano base 1987. cabe à Eletrobras Procel incentivar a substituição dos modelos de lâmpadas ineficientes pelos mais eficientes. que. Rio de Janeiro. _________________. ano base 1997. Avaliação do Mercado de Eficiência Energética no Brasil: pesquisa de posse de equipamentos e hábitos de uso da classe residencial.org.epe.br>. Nesse sentido. por meio de consulta pública. abr. regulamentou a retirada progressiva desse tipo de produto do mercado.br/mercado>.gov. 2012. Disponível em: <http://www. A medida é fruto de um longo processo de negociação com setores da sociedade. 2007. R.qual a sociedade passou a preocupar-se mais intensamente com a eficiência energética e o desperdício de energia elétrica. A finalidade é que elas sejam totalmente substituídas por modelos mais econômicos. permitindo que se tornem mais eficientes. Curva de Carga. Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio. EPE. Rio de Janeiro. Disponível em: <www. 2007. Empresa de Pesquisa Energética.ons. 2007. 2011. 2006. além de uma maior vida útil. _________________.º 1. ONS. Operador Nacional do Sistema Elétrico (Brasil).

econômico. o uso de equipamentos de iluminação tem o maior potencial.1. o texto mostra quatro cenários que permitem avaliar o potencial de conservação na área de iluminação. Como será visto. na maioria dos cenários em 2030.4 O potencial de conservação de energia elétrica na iluminação Claude Cohen UFRJ/UFF Gustavo Malaguti Coppe-UFRJ Mariana Weiss UFF Vanderlei Martins Coppe-UFRJ Após apresentar de forma breve algumas soluções para economia de energia. estimados para 2030. O artigo compara os cenários: técnico. 58 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . de mercado e o sem conservação.

devido à sua baixa eficiência luminosa e energética em comparação às outras tecnologias disponíveis. social e econômica. principalmente pelo padrão de consumo e uso da sociedade. Essas medidas contribuíram para mudar o padrão do consumo residencial brasileiro. a lâmpada incandescente foi um dos primeiros itens a ser substituído. as políticas de incentivo à eficiência energética têm como objetivo diminuir o consumo de energia primária necessária na produção de determinado serviço. mantendo o nível de bem-estar social. Quanto maior a quantidade de luz produzida com o mesmo consumo. Iluminação Com relação ao padrão de uso e consumo da iluminação residencial. que são aspectos que estão diretamente associados. 2004). Eficiência na geração e consumo de energia e sustentabilidade. mas infelizmente esse processo se torna difícil. Dessa forma. que contempla as três dimensões: ambiental. no que diz respeito à preservação do planeta sem comprometer as gerações futuras. por meio do combate ao desperdício e da redução dos impactos das fontes geradoras de energia. Nesse sentido. Para suprir o déficit energético ocasionado pela diferença entre a taxa de crescimento da oferta e a da demanda.Considerações iniciais Em 2001. as lâmpadas fluorescentes compactas e a tecnologia LED (light emitting diode) vêm substituindo as incandescentes pelas suas inúmeras vantagens: consumo de energia em média 80% menor. resultando em retorno financeiro na conta de energia elétrica da população com a aquisição de equipamentos mais eficientes. somente a eficiência energética. responsáveis por uma redução de 24% no consumo energético nacional (Bardelin. Segundo Schaeffer (2011). maior a eficiência luminosa de determinada lâmpada. durabilidade aproximadamente O potencial de conservação de energia elétrica na iluminação 59 . o setor energético brasileiro despertou de forma mais intensa a preocupação com a conservação e o uso eficiente da energia elétrica. com a restrição no abastecimento de energia elétrica. foram criadas metas de economia de energia elétrica. nenhuma fonte de energia é totalmente limpa.

aumentado a temperatura do ambiente e os gastos na conta de luz com condicionamento térmico (Rodrigues. a utilização da tecnologia de pó trifósforo. Todavia. outro aspecto relevante são as características das luminárias. Nesse caso. de 8 de setembro de 2008 (Brasil. 2002). a utilização da luz natural requer algumas avaliações antes da sua viabilização. A luminária também pode absorver parte da luz emitida pelas lâmpadas e. no que diz respeito ao seu formato. Além das tecnologias já citadas. outra forma de aproveitar melhor a luz solar pode se dar por meio do horário de verão. 2002). sendo peças chaves para aperfeiçoar o desempenho do sistema de iluminação artificial. torna viável a construção de edifícios e residências mais sustentáveis e menos dependentes da iluminação artificial. os equipamentos que promovem o controle da potência fornecida à lâmpada por meio do circuito elétrico. que permite a obtenção de tonalidades de cor adequadas para cada ambiente (Rodrigues. diminuindo a necessidade de condicionamento térmico. No mesmo sentido. essa prática foi regulamentada como permanente pelo decreto n. e o sistema fotoelétrico. ao material utilizado na sua construção e ao grau de refletância da sua superfície. quanto maior a quantidade de luz natural disponível no ambiente. Além do tipo de lâmpada. assim. acionado automaticamente por sensores identificadores da presença de luz natural. 2008). Dentre elas podem ser citados os sensores de presença que evitam que as lâmpadas fiquem acesas por tempo desnecessário. a medida passou a ser essencial para a segurança do sistema elétrico nacional. há outra que não gera custos para o consumidor: a iluminação natural. 2002). menor aquecimento do ambiente.º 6558. o Brasil por ser país de clima tropical e ter como ponto forte a incidência solar durante todo o ano. menor será a potência elétrica fornecida às lâmpadas e vice-versa (Rodrigues. Adicionalmente. há diversas alternativas que colaboram para o uso mais eficiente da iluminação. reduzir a eficiência luminosa do sistema (Rodrigues. No Brasil. assim.10 vezes maior. 2002). principalmente no que diz respeito ao ponto ótimo entre iluminação natural e artificial. proporcionando a diminuição do carregamento das instalações de 60 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . como o dimmer manual. tendo em vista que a falta da primeira pode levar ao uso demasiado da segunda. De acordo com o ONS (2011).

ME(t): melhoria de eficiência obtida com a introdução da alternativa eficiente em um ano t. Potencial de conservação de energia elétrica No Brasil. envolvendo variáveis tais como vida útil e depreciação do aparelho. • cenário econômico é determinado pelas restrições de viabilidade econômica das alternativas de maior eficiência elétrica. uma estimativa do potencial de conservação de eletricidade pelo lado da demanda foi realizada pelo Modelo de Estimativa de Potencial de Conservação de Energia Elétrica (EPOCA). os valores de PM(t) e ME(t) são os máximos atingíveis com as tecnologias disponíveis. de mercado e sem conservação. sendo: PC: participação da alternativa eficiente no consumo específico no ano de início do programa. definidos da seguinte forma: • cenário técnico tem como resultado o total de energia elétrica economizada com a melhor escolha de alternativas eficientes no uso de energia. por meio de cenários de evolução do consumo elétrico específico (Schaeffer et alii. reduzindo a possibilidade de cortes de carga. Os valores de PM(t) e ME(t) também são considerados somente a partir do ano em que a avaliação econômica da alternativa satisfaz o critério predeterminado. Há também uma grande economia financeira. Estes parâmetros foram definidos em função de quatro diferentes cenários: técnico. • cenário de mercado incorporam-se o custo de oportunidade dos recursos financeiros disponíveis e usam-se os seguintes critérios de análise de investimento: valor presente líquido (VPL). Centro-Oeste. e 1 A redução efetiva no consumo de eletricidade é dada pela fórmula: RCE(t) = PC x PM(t) x ME(t). Sul e o estado da Bahia (ONS. disponíveis em um ano base. ou seja. já que isto gera uma redução média de até 5% da demanda de energia elétrica na ponta para as localidades do Sudeste. tempo de retorno (payback) e razão custo/benefício. 2011). os valores PM(t) e ME(t) apenas são considerados a partir do ano em que a razão benefício/custo supera a unidade.transmissão e maior flexibilidade no controle da tensão. PM(t): penetração da alternativa eficiente no mercado em um ano t e. Assim. Caracteriza-se pelo melhor desempenho possível em termos de eficiência elétrica do ponto de vista físico. 2007). A redução efetiva no consumo de eletricidade1 depende da participação da alternativa eficiente no consumo de energia (PC).. O potencial de conservação de energia elétrica na iluminação 61 . econômico. da melhoria de eficiência (ME) e da penetração da alternativa no mercado (PM).

• cenário sem conservação não são projetados ganhos de eficiência em função da introdução de equipamentos ou processos no sistema. Considera-se apenas um crescimento do consumo específico de energia elétrica em função do maior uso dos equipamentos (Schaeffer et alii, 2007). Como se pode perceber pelo gráfico 1.4.1 - a,b,c, o uso de equipamentos de iluminação (lâmpadas) apresenta o maior potencial de conservação de energia elétrica na maioria dos cenários em 2030, seguido de aquecimento de água (chuveiro), condicionamento térmico (ar condicionado) e refrigeração (refrigerador e freezer).
a)
Brasil - Cenário Técnico - 2030
Freezer; 1,78% Refrigerador; 4,50% Ar condicionado; 3,60%

b)

Brasil - Cenário Econômico - 2030

Refrigerador; 1,43%

Ar condicionado; 4,23%

Iluminação; 34,86%

Iluminação; 55,9%

Chuveiro; 38,41%

Chuveiro; 55,26%

c) Brasil - Cenário Mercado - 2030
Refrigerador; 0,77% Ar condicionado; 1,24% Chuveiro; 6,53%

Iluminação; 91,46%

Gráfico 1.4.1 • Potenciais de conservação de energia elétrica para os cenários: a) técnico, b) econômico e c) de mercado - Brasil 2030 (Schaeffer et alii., 2007)

62 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

Schaeffer et alii (2007) verificaram ademais que em todas as regiões consideradas no estudo o cenário técnico e de mercado apresentaram na faixa de renda mais
2

baixa, independente da localidade, o maior potencial de conservação da energia elétrica. De certa forma, esses resultados podem ser confirmados graças a uma pesquisa realizada para 10 comunidades de baixa renda no estado do Rio de Janeiro3, como mostra o gráfico 1.4.2.

497,70

kWh/mês

89,53

51,43
Redução Econômico

51,90
Redução Mercado

Consumo Específico

Redução Técnico

Gráfico 1.4.2 • Média do consumo específico para 10 comunidades de baixa renda e a redução no consumo para diferentes cenários em 2030 (Schaeffer et alii, 2008)

Estima-se que o consumo médio específico para essas comunidades alcance aproximadamente 497,7 kW/mês em 2030, utilizando-se as mesmas hipóteses dos cenários de Schaeffer et alii (2007). Dessa forma, espera-se uma redução aproximada de 89,5 kW/mês (cerca de 18% do consumo específico), no cenário técnico; 51,4 kW/mês (10,3%), no cenário econômico; e 51,90 kW/mês (10,4%), no cenário de mercado (Schaeffer, 2008). Além disso, verificou-se um grande potencial de conservação do uso iluminação em todas as comunidades analisadas e para todos os cenários utilizados no modelo.

2 As regiões foram divididas em quatro classes de consumo pelo critério da média mensal de kWh/mês/residência. O Grupo I corresponde de 0-100 kWh/mês/residência; o Grupo II, de 101-200 kWh/mês/residência; o Grupo III, de 201300 kWh/mês/residência; e, o Grupo IV, consumo superior a 300 kWh/mês/residência. 3 No caso do estudo com as comunidades no estado do Rio de Janeiro, foi utilizado o Critério Brasil para desagregar as comunidades estudadas em classes. A construção desse critério se baseia em duas tarefas independentes: uma que busca desenvolver um sistema de pontuação, de modo que o número de pontos de um domicílio por este sistema esteja fortemente associado à capacidade de seu consumo; e após a atribuição de pontos, uma outra que estabelece pontos de corte para segmentação em classes (Schaeffer, 2008, p. 35).

O potencial de conservação de energia elétrica na iluminação

63

Demanda na ponta
Tendo em vista o potencial de redução no consumo de energia elétrica nos cenários técnico, econômico e de mercado até 2030, destaca-se a importância do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), da Eletrobras. De acordo com o relatório de resultados do Programa (Eletrobras Procel, 2012), estimou-se uma economia de energia elétrica de aproximadamente 6,696 bilhões de kWh, em 2011, que, se convertida em termos de emissões de CO2 corresponde à emissão evitada de 196 mil tCO2 equivalentes. Esse resultado equivale a 1,56% do consumo total de energia elétrica do Brasil no período, e também pode ser comparado ao consumo anual de 3,6 milhões de residências no País, contribuindo para uma redução da demanda na ponta de 2.619 MW. Como previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel, 2005), a demanda por energia elétrica no horário de ponta ocorre no período compreendido entre 18h e 21h e entre 19h e 22h no horário de verão. A adoção de medidas de uso racional de energia nesse horário tornam-se relevantes tendo em vista uma maior concentração de pessoas nas residências e o aumento no uso e na posse de equipamentos, ocasionados principalmente pelo aumento da renda da população e por facilidades comerciais na aquisição de novos produtos que antes não faziam parte da rotina de muitas famílias. Em função do aumento da demanda neste período, as usinas termoelétricas, muitas vezes a base de combustíveis fósseis e com custo operacional e ambiental mais elevado, entram em operação. Logo, o uso dessa alternativa energética nesse horário onera a conta de energia para o consumidor. Considerando esse fato, alguns comportamentos, por parte da população, podem contribuir para a economia de energia, tais como a manutenção das geladeiras e freezers4 que são responsáveis em média por 22% do consumo de energia domiciliar; a instalação de sistemas de aquecimento de água a gás, à energia solar, ou pelo menos de forma híbrida com o chuveiro; a utilização de equipamentos com Selo Procel Eletrobras, que possuem os melhores níveis de eficiência energética do mercado.

4 Como, por exemplo, verificar se a borracha de vedação está conservada e funcionando.

64 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

Considerações finais
Segundo Szylo & Tomalsquim (2003), podem-se vislumbrar também novas alternativas de otimização das redes de energia elétrica, como as redes inteligentes - smart grids. Automatizadas com medidores de qualidade que exibem o consumo de energia elétrica em tempo real, essas redes permitem a cada domicílio optar pela autogeração de energia com custos inferiores aos praticados pelas concessionárias, com o objetivo de atender a sua necessidade e ainda revender o excedente não consumido, o que estimula a eficiência energética principalmente no horário de ponta. Essas medidas contribuem para postergar ou diminuir a necessidade de construção de novas usinas e, consequentemente, reduzir os impactos ambientais. Segundo a Eletrobras Procel (2012), em 2011 o Programa evitou a construção de uma usina hidrelétrica com capacidade de 1.606 MW, graças ao estímulo para aquisição de equipamentos mais eficientes pelo consumidor final. Em outras palavras, a conservação da energia elétrica conduz a uma exploração mais eficiente dos recursos naturais. Assim, conservar energia elétrica ou combater o seu desperdício é, na realidade, a fonte de produção mais barata e mais limpa que existe.

Referências
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O potencial de conservação de energia elétrica na iluminação

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66 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

Além de abordar a importância para a valorização do espaço arquitetônico e urbano.Introdução ao mercado de equipamentos de iluminação no Brasil 2 Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel O propósito deste capítulo é apresentar a evolução do mercado de equipamentos de iluminação no Brasil e sua importância no desenvolvimento do País. destaca também o crescimento da eletrônica na iluminação por meio das novas tecnologias. Introdução ao mercado de equipamentos de iluminação no Brasil 67 . destacando a participação dos programas governamentais de avaliação da conformidade dos diversos equipamentos que compõem os sistemas de iluminação.

tendo em vista uma época em que as cidades brasileiras eram iluminadas à base de óleo de baleia e. estética. harmonizando técnica. da própria luminotécnica. residencial/decorativa. no interior das edificações. que tem no apelo visual sua garantia de sucesso. industrial. a energia elétrica suplantou todas as demais fontes de energia. o embelezamento e a segurança nas cidades. arquitetural etc. decoradores. contribuindo para a modernização. mais tardiamente. iniciou-se no Brasil a prática dos projetos de iluminação. caracterizados até então pela quantificação dos pontos de luz pelos projetistas e a especificação das luminárias por arquitetos. uma nova revolução tecnológica promovida pela eletrônica está em curso. Houve também grande evolução da tecnologia. Ao longo do século XX. Somente a partir dos anos 1980. Uma segunda fase desse processo ocorrerá com a produção em escala comercial dos OLEDs (organic light-emitting diode).2002). O próprio interesse pela renovação visual. Atualmente. pelos lampiões a gás na iluminação pública e a querosene. profissionais oriundos das grandes empresas de iluminação deram início às atividades em seus próprios escritórios. trazendo novas ferramentas e técnicas voltadas para a valorização do espaço arquitetônico. A partir dos anos 1960. popularizando o acesso a uma iluminação de qualidade. o uso da eletricidade na iluminação teve início no final do século XIX. grandes avanços tecnológicos impulsionaram a indústria da iluminação mundial. principalmente para o setor de lojas. e a necessidade de economia no uso de energia nos edifícios institucionais e comerciais levaram a uma enorme ampliação do mercado (Stiller. economia e conforto (Ferreira. cenógrafos. As tecnologias ditas “tradicionais” tendem a serem substituídas pelos LEDs (light emitting diode). pública. nas mais diferentes aplicações: comercial. abrindo um leque de novas soluções e possibilidades. projetistas elétricos e engenheiros. Rapidamente. representando um grande avanço tecnológico. o que já é uma realidade de mercado em diversas aplicações. 2009). O uso da luz artificial evoluiu muito nos últimos 15 anos. Aquilo que era a conquista de alguns. para hotéis ou para lojas. 68 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . gerando uma infinidade de novas soluções.Considerações iniciais No Brasil. passou a ser necessidade para a maioria das obras.

2005). enquanto a tabela 2. Paraná. 2012).1 • Perfil das empresas que trabalham com iluminação no Brasil (Abilux.7 bilhões em 2011. o setor de iluminação faturou R$ 3. Minas Gerais.1 relaciona os principais sistemas de iluminação. não respondeu 17% micro e pequenas empresas 38% grandes empresas 18% médias empresas 27% Gráfico 2. Ainda segundo a Abilux. Santa Catarina. cênica 4% lâmpadas 5% componentes e outros 8% iluminação pública. Bahia e Pernambuco.O mercado da iluminação no Brasil Segundo pesquisa de mercado realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux. a indústria brasileira de iluminação era composta de 604 empresas (gráfico 2.1). 2005) O gráfico 2. sendo que as importações representaram 80% do que é consumido no País (Abilux. As demais indústrias (25%) estavam distribuídas nos estados do Rio Faturamento bruto médio anual da indústria de iluminação Grande do Sul. 2005) Introdução ao mercado de equipamentos de iluminação no Brasil 69 .2 apresenta a distribuição dos sistemas de iluminação por setor. sendo que 58% estavam localizadas na grande São Paulo e 17% no interior do estado. distribuídos de Distribuição por setor dos sistema de iluminação acordo com o uso final.2 • Distribuição dos sistemas de iluminação por setor no Brasil (Abilux. luminotécnica e reatores 10% publicitária 4% iluminação residencial 29% iluminação industrial 17% iluminação comercial 23% Gráfico 2. Rio de Janeiro.

sendo substituídas aos poucos pelas fluorescentes. seguindo uma tendência mundial. Esse processo irá se acelerar com a entrada em vigor dos novos índices de eficiência instituídos pela Regulamentação Específica de Lâmpadas Incandescentes. halógenas e LEDs. 70 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .2 • Total de lâmpadas utilizadas anualmente nas residências Tipo de lâmpada Incandescente Fluorescente compacta Fluorescente tubular Halógenas LED Total 250 milhões 200 milhões 90 milhões 20 milhões 250 mil Ainda segundo a Abilux.007. 1. aprovada pela Portaria Interministerial nº.1 • Sistemas de iluminação por uso final Usos Equipamento Incandescente Halógena Fluorescente tubular e circular Lâmpadas Fluorescente compacta Descarga de alta pressão LED Mista Luminárias Projetores Reatores Comercial Residencial Industrial Emergência Pública X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Arquitetural Segundo estimativa realizada pela Abilux. o consumo anual de lâmpadas no Brasil é apresentado na tabela 2. as vendas das lâmpadas incandescentes comuns estão em queda gradual.Tabela 2.2: Tabela 2. 2010). de 31 de dezembro de 2010 (Brasil.

da Eletrobras.Programas de Avaliação da Conformidade No Brasil. incentivar o desenvolvimento tecnológico dos produtos.2). a evolução da eficiência energética dos equipamentos eletroeletrônicos se confunde com a criação e a parceria de mais de 26 anos entre os dois principais programas de Avaliação da Conformidade em Equipamentos: O Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). indiretamente. por meio da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). o Selo Procel Eletrobras objetiva destacar para o consumidor os equipamentos mais eficientes do mercado e. Enquanto o PBE tem o objetivo de prover o consumidor de informações sobre o desempenho energético dos equipamentos eletroeletrônicos. Figura 2. subprograma do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).figura 2.1 • Logomarca do PBE Figura 2.1. Qualidade e Tecnologia (Inmetro) . do Instituto Nacional de Metrologia. e o Selo Procel Eletrobras (figura 2.2 • Logomarca do Selo Procel Eletrobras Introdução ao mercado de equipamentos de iluminação no Brasil 71 .

11 W de potência e uma eficiência acima de 60 lm/W (AIE.extremamente ineficiente energeticamente. LEDs e OLEDs Nos últimos anos. mais especificamente no aprimoramento dos LEDs e no desenvolvimento dos OLEDs. como as lâmpadas a vapor de sódio.3). 2010). passaram a ser fabricados com tamanhos muito menores.No setor da iluminação pública. com uma temperatura de cor de 2700 K. mais confiáveis e eficientes. destaca-se o Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficiente (Reluz).2. que desde a década de 1980 todos conhecíamos como aquela pequena luz verde ou vermelha que indicava o status de operação dos equipamentos eletroeletrônicos. Os LEDs (figura 2.3 • LED Enquanto uma lâmpada incandescente de uso comum de 60 W tem uma eficiência média de 13 lm/W . também inserido na Eletrobras Procel. sendo utilizados como fonte luminosa para os mais diversos equipamentos de iluminação. 72 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . pois somente 5% da energia consumida é convertida em luz visível – já são encontradas no mercado fontes de luz LED equivalente. a indústria mundial da iluminação vem realizando grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento em eletrônica. Figura. Essa iniciativa visou estimular a introdução de tecnologias mais eficientes. e mais recentemente das luminárias a LED. bem como em luminárias e seus equipamentos auxiliares. que foi responsável por tornar eficientes cinco milhões de pontos de iluminação pública e instalar mais um milhão no País.

Entre os setores contemplados. em substituição às luminárias com lâmpadas convencionais de descarga e aos semáforos de trânsito (figura 2. cuja visibilidade não é prejudicada pelo sol. Essa tecnologia usa compostos orgânicos de carbono. muito finas.5 • Modelo de semáforo que utiliza lâmpadas a LED Uma segunda revolução é esperada com a introdução no mercado dos LEDs orgânicos – OLEDs (figura 2. com uma infinidade de cores. permitindo produzir superfícies luminosas flexíveis. Figura 2. Além de serem mais econômicos. os LEDs produzem luzes muito mais brilhantes. Da mesma forma que os LEDs. os OLEDs irão revolucionar o mercado Introdução ao mercado de equipamentos de iluminação no Brasil 73 .4 • Luminária a LED utilizada em iluminação pública Figura 2.5).Todos os grandes fabricantes já disponibilizam em seus catálogos diversas linhas de produtos e soluções utilizando essa nova tecnologia.6). destacam-se a iluminação pública (figura 2.4).

com destaque para o crescimento das tecnologias à LED. especificação e fabricação dos sistemas de iluminação. o mercado de iluminação no Brasil estava intimamente ligado aos grandes fabricantes que lideravam o conhecimento na área de projetos. cujas vendas foram impulsionadas durante o período de restrição no abastecimento de energia elétrica ocorrido em 2001. monitores e televisores. especialmente em função da enorme demanda do setor da construção civil por soluções inovadoras que trouxessem um diferencial aos empreendimentos. o mercado mundial da iluminação movimentará mais de 80 bilhões de euros em 2015 (Philips. o mercado experimentou um grande crescimento. com o surgimento dos escritórios de projeto em iluminação e dos profissionais de lighting design. 74 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Vale citar o caso da concessão do Selo Procel Eletrobras para lâmpadas fluorescentes compactas. assim como em diversos outros segmentos. Os programas governamentais de avaliação da conformidade têm contribuído qualitativa e quantitativamente no crescimento do mercado de equipamentos. o mercado de sistemas de iluminação brasileiro encontra-se alinhado com os grandes mercados mundiais em termos de inovação e eficiência. especialmente de displays. Figura 2. Segundo estimativas da fabricante Philips. A partir da década de 1970.de equipamentos de iluminação. com destaque para os sistemas de iluminação.6 • A evolução da iluminação a LED: os OLEDs Considerações finais Até a primeira metade do século XX. No atual contexto. 2010).

abilux. Introdução ao mercado de equipamentos de iluminação no Brasil 75 . São Paulo: Abilux. 2012. Brasília. Disponível em: <http://www.com. Esther. Paris: AIE. Portaria Interministerial n. Phase out of incandescent lamps: implications for international supply and demand for regulatory compliant lamps.º 1. 2012. de 31 de dezembro de 2010. FERREIRA. Texto adaptado. AIE.com. Milton Martins.br/portal/conjuntura. Acesso em: 20 fev. br/entrevista/esther-stiller-a-luz-13-09-2002. Associação Brasileira da Indústria da Iluminação. Disponível em: <http://metalica. Light. Regulamentação específica de lâmpadas incandescentes. misteriosa.com. PHILIPS quer aproveitar onda ecológica com sistemas LED de luz. 2010. Rio de Janeiro: Synergia. 2010. Acesso em: 20 fev. STILLER. 2005. mas a iluminação artificial é mágica. Agência Internacional de Energia. DF. Disponível em: <http://br.Referências ABILUX.html>. Acesso em: 19 out. 2009. Associação Brasileira da Indústria da Iluminação São Paulo: Abilux. 2010. _________________.br/setor-de-iluminacaofaturou-r-3-7-bilhoes-em-2011-e-deve-crescer-ate-7-este-ano/>.reuters. BRASIL.arcoweb.aspx?id=1/>. A evolução da iluminação na cidade do Rio de Janeiro: contribuições tecnológicas. 2010. Disponível em: <http://www. 2012. Acesso em: 20 fev. A luz natural é muito importante.com/article/idBRSPE6170C620100208>.007.

2. O texto.1 Tecnologias aplicadas em iluminação pública Isac Roizenblatt Abilux Sérgio Lucas de Meneses Blaso Cemig Este artigo mostra um breve relato da evolução tecnológica dos equipamentos e de alguns conceitos aplicados na iluminação pública no Brasil. 76 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . figuras e fotos permitem compreender as transformações tecnológicas pelas quais os materiais e equipamentos passaram na busca por uma maior eficiência energética.

desde 80 W até 1. Utilizou-se inicialmente lâmpadas incandescentes especiais com filamento reforçado ligadas em circuitos em série. evoluindo e trazendo novas soluções técnicas e estéticas. dando origem à atual Associação Tecnologias aplicadas em iluminação pública 77 . Mais recentemente. iniciou-se a utilização das lâmpadas a vapor de sódio. Equipamentos de iluminação pública Lâmpadas A iluminação pública (IP) no Brasil pode assim ser considerada a partir da utilização da energia elétrica em 1912. coordenado pelas concessionárias distribuidoras de energia. 250 e 400 W. formando um corpo único. com maior eficiência e eficácia da iluminação. entre outros aspectos. começou a migrar para essa nova tecnologia. com a invenção das lâmpadas de descarga a vapor de mercúrio. o sistema de iluminação pública. que nesta época já se encontrava instalado principalmente nas redes das concessionárias de distribuição de energia.000 W. Nessa época. pela(s) lâmpada(s) e por uma luminária. 125. com o desenvolvimento da tecnologia LED (light emitting diode). A partir da década de 1930. Ao final dos anos 1980. em função da melhor eficiência luminosa.Considerações iniciais Os sistemas de iluminação pública são compostos basicamente por uma fotocélula. os seus componentes vêm. Desde os primeiros sistemas de iluminação pública. ao longo dos últimos anos. todavia o mercado trabalhava basicamente com potências de 80. Diversas potências foram então avaliadas. eficiente e indissociável. sendo essa responsável pela proteção do conjunto e pelo bom direcionamento da luz gerada pela lâmpada. já estavam em pleno funcionamento os grupos técnicos do Comitê de Distribuição (CODI). O capítulo a seguir tem o propósito de apresentar de forma superficial os equipamentos utilizados na iluminação pública e um pouco de seu histórico de evolução tecnológica. em que os seus componentes básicos – lâmpada e luminária – se fundem. surge um novo conceito em sistema de iluminação.

ABNT/CB-03. a) b) c) Figura 2. As citadas lâmpadas podem ser vistas na figura 2.1 a seguir. posteriormente. diversos testes de campo. e com intensa participação na elaboração e revisão de normas relativas à iluminação pública da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). conduzidos entre concessionárias. 250 e 400 W e. b) vapor metálico e c) vapor de sódio (imagens da internet) 78 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .1. responsável pela uniformização dos padrões e procedimentos das concessionárias de distribuição de energia.Brasileira das Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). foram definidas em 1985 como padrão brasileiro as lâmpadas a vapor de sódio com potências de 70.1 • Esquemático das lâmpadas de descarga: a) vapor de mercúrio.1. a partir do ano 2000 foram incluídas as lâmpadas a vapor de sódio de 100 W. 150. Por meio do Comitê Brasileiro de Eletricidade. ABNT e os fabricantes.

Como inovação essas luminárias possuíam refletores em alumínio e refratores em vidro prismático (figuras 2. em chapa de aço. as lâmpadas a vapor de mercúrio ocupavam quase que inteiramente o interior dos refletores.2 .b). com acabamento branco esmaltado (figura 2.1.1.2 .a e 2.a. em função do modelo ovóide difuso do bulbo característico.b • a) Detalhe de luminária para lâmpada a vapor de mercúrio e b) sua aplicação com um braço longo curvo em um poste (Arquivo Cemig Distribuição) Tecnologias aplicadas em iluminação pública 79 .1.b • a) Desenho esquemático de uma luminária aberta e b) sua aplicação em um poste (Arquivo Cemig Distribuição) As primeiras luminárias desenvolvidas especificamente para vias públicas surgiram a partir dos anos 1940.2 .a.b).3 . Contudo. com a tecnologia das lâmpadas a vapor de mercúrio.a e 2. Para as lâmpadas incandescentes eram utilizadas luminárias abertas.1.3 .1.1.Luminárias A evolução das luminárias para iluminação pública no Brasil se deu juntamente com a evolução das lâmpadas. a) b) Figura 2. a) b) Figura 2.3 .

Na época, a norma brasileira de luminárias fechadas para iluminação pública NBR-10672 (ABNT, 1989), substituída pela NBR 15129/2004 (ABNT, 2004) e posteriormente pela versão de 2012 (ABNT, 2012), admitia um rendimento mínimo de 50% para esses equipamentos. Essa associação de fatores teve como consequência a comercialização, até a década de 1980, de equipamentos caracterizados por luminárias grandes com até seis lâmpadas e que não apresentavam um bom rendimento luminoso do conjunto lâmpada x luminária. Esse conceito se manteve no início da utilização das lâmpadas a vapor de sódio, pois a fim de reduzir o investimento inicial e viabilizar a nova tecnologia, o modelo ovóide difuso foi mantido. Contudo, devido à baixa qualidade das luminárias, o sistema permaneceu ineficiente, apesar de utilizar lâmpadas mais modernas, como pode ser observado nas figuras 2.1.4 - a e 2.1.4 - b, que apresentam uma via pública inicialmente com iluminação feita por lâmpadas a vapor de mercúrio e posteriormente substituída por lâmpadas a vapor de sódio, com reaproveitamento das luminárias. Observa-se que a má distribuição luminosa da luminária é mantida apesar do aumento do nível de iluminância.
a) b)

Figura 2.1. 4 - a,b • a) Via inicialmente iluminada com lâmpadas a vapor de mercúrio e b) o resultado da substituição por lâmpadas a vapor de sódio com o reaproveitamento das luminárias (Arquivo Cemig Distribuição)

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A tecnologia de luminárias com baixa eficiência se manteve sem inovação até o início dos anos 1990, quando o mercado nacional começou a receber fabricantes dos EUA, Espanha e Bélgica, que trouxeram novos conceitos, tais como rendimento, selagem da anodização1 entre outros. Essa saudável competição motivou a modernização das fábricas locais e dos projetos das luminárias, que então passaram a desenvolver produtos para lâmpadas a vapor de sódio tubular, como a utilização de refletores de alto rendimento, um maior grau de proteção contra água e impacto e equipamentos incorporados. A diferença tecnológica entre as luminárias pode ser melhor ilustrada nas figuras 2.1.5 - a e 2.1.5 - b.
a) b)

Figura 2.1.5 - a.b • a) Luminária para lâmpadas a vapor de sódio antes das melhorias tecnológicas e b) luminária de mesma finalidade com as melhorias citadas (Arquivo Cemig Distribuição)

A melhoria da iluminação obtida com a utilização das novas luminárias pode ser verificada nas figuras 2.1.6 - a e 2.1.6 - b. A substituição permitiu a adequação do nível de iluminância médio aos parâmetros ideais previstos para a via e a melhoria da uniformidade da iluminação, tornando-a de melhor qualidade, além da redução de 75% no consumo de energia elétrica (3.520W para 880W) por poste.
1 A selagem é um tratamento químico adicional que veda a microrugosidade que ocorre no processo de anodização (que é o polimento químico para o brilho da chapa de alumínio) e tem como vantagem a duração maior do brilho do refletor sem a depreciação por sujeira.

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a)

b)

Figura 2.1.6 - a,b • a) Via com iluminação a vapor de sódio com luminárias de tecnologia de baixa eficiência. b) Mesma via após a substituição por luminárias de maior eficiência e redução da quantidade de lâmpadas por poste. (Arquivo Cemig Distribuição)

Relés fotoelétricos

Diversos conceitos e equipamentos são utilizados para ligar e desligar a iluminação pública, que, dependendo da especificidade da instalação, pode ter o acionamento individual ou em grupo. Contudo, entre o acionamento horário e o definido pela variação da luminosidade, o mais utilizado no mundo é o segundo, principalmente por meio de relé fotoelétrico individual. O relé fotoelétrico foi mais utilizado a partir dos anos 1940 basicamente com dois projetos construtivos, sendo um térmico (acionamento através de termopar) e outro magnético (acionamento através de bobina). Este equipamento evoluiu lentamente no Brasil, sendo que diversas melhorias somente foram implementadas por meio de programas de qualificação técnica de materiais da Eletrobras, o Programa de Qualificação dos Materiais (PROQUIP). O objetivo era avaliar o desempenho dos equipamentos disponibilizados no mercado conforme as normas da NBR disponíveis e propor adequações aos fabricantes que fossem reprovados nos ensaios.

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Ao final dos anos 1990 surgiram no mercado os primeiros relés fotoelétricos com acionamento eletrônico, que desde o início demonstraram maior confiabilidade no desempenho que os seus antecessores e atualmente dominam o mercado.
Reatores

O reator é definido como o componente que tem a função de limitar a corrente elétrica a ser fornecida para a lâmpada, garantindo sua vida útil e podendo ser considerado um ponto chave para a iluminação eficiente. Um reator bem projetado e com uma durabilidade alta diminui o índice de manutenções do sistema como um todo. Além disso, pode-se obter um melhor custo-benefício utilizando um reator com perdas reduzidas. Esse menor índice de perdas pode ser deduzido da fatura de energia elétrica do município. Já existem reatores eletrônicos para utilização com lâmpadas a vapor de sódio e multivapores metálicos, que também apresentam baixas perdas e garantem a estabilidade das características das lâmpadas. Entretanto, pelo seu alto custo ainda não estão sendo utilizados em larga escala.
Novas tecnologias

Hoje com a constante disseminação da eletrônica, novas tecnologias são frequentemente disponibilizadas para os sistemas de iluminação pública, como os sistemas de controle e de gerenciamento dessas instalações, que possibilitam a comunicação remota com as luminárias via rede ou cabo, permitindo o acionamento programado, a indicação de falha e a dimerização, quando viável. Outra tecnologia que vem apresentando uma rápida evolução são as luminárias a LED (figura 2.1.7) para IP. Essa evolução é resultado de grandes investimentos dos fabricantes que buscam por uma fonte de luz artificial de alta eficiência, boa reprodução de cores, confiabilidade e baixa emissão de resíduos contaminantes para o ambiente, seja na produção ou no descarte final. O desafio dessa tecnologia está na obtenção da intercambiabilidade entre os diversos projetos de seus produtos, de forma a reduzir custos de fabricação e melhorar a distribuição luminosa para baixas alturas de montagem, característica dos sistemas de iluminação no Brasil.
Tecnologias aplicadas em iluminação pública 83

Figura 2.1.7 • Luminárias a LED para IP (imagens de internet)

Considerações finais A eficiência dos sistemas de iluminação evoluiu gradualmente, e de forma descompassada entre lâmpadas e luminárias. Enquanto as lâmpadas com tecnologias mais eficientes foram rapidamente introduzidas no mercado, as luminárias fabricadas no país só apresentaram um salto relevante de qualidade a partir da introdução, no mercado nacional, de modelos importados dos EUA e Europa. Mas para que possamos garantir a eficiência dos sistemas de iluminação, além das lâmpadas e luminárias, os demais componentes, entre eles os réles fotoelétricos, reatores, ignitores etc, devem também atender a critérios mínimos de qualidade e desempenho, quando pertinente.
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NBR 15129:2004 – Luminárias para iluminação pública – Requisitos particulares. 2012. dos quais fazem parte reatores e lâmpadas a vapor de sódio – no momento os mais amplamente utilizados em IP. Associação Brasileira de Normas Técnicas. É um diferencial positivo adquirir equipamentos eficientes. ________________. Associação Brasileira de Normas Técnicas. pois possuem perdas reduzidas e um preço compatível com outros menos eficientes disponíveis no mercado. 2004. NBR 15129:2012 – Luminárias para iluminação pública – Requisitos particulares. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Julho. fechada para lâmpadas a vapor de mercúrio de 250 e 400 W – Especificação.Contamos no Brasil com o Programa de Etiquetagem do Inmetro (PBE) e com o Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia. NBR 10672:1989 – Luminária para iluminação pública. Julho. ________________. Referências ABNT. Tecnologias aplicadas em iluminação pública 85 .

de forma que o leitor que desconheça o assunto se familiarize com esses equipamentos.2 Tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial Alexandre Cricci Abilumi Rubens Rosado Guimarães Teixeira Abilumi O texto aborda de forma básica e sintetizada as principais tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial.2. Destaca-se o crescimento do segmento de iluminação a LED (light emitting diode). fruto da busca por soluções mais eficientes. 86 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .

nem realizar uma análise crítica.1).2. surgiram as primeiras lâmpadas a carvão e gás natural. Figura 2. mas foi por volta do século XIX que o homem deu sua primeira prova de preocupação com o uso racional da energia: criou o queimador central e as chaminés de vidro para as lâmpadas. Desenvolvimento tecnológico das lâmpadas Lâmpadas a combustão No século XVII não havia exploração de petróleo e as primeiras lâmpadas usavam combustíveis como ceras e todo tipo de óleo disponível (figura 2. bem como os meios de geração de luz. que permitiam não só a proteção da chama. Desde aquela época o homem vem desenvolvendo não só as formas. O artigo a seguir apresentará de forma breve os principais equipamentos e suas tecnologias aplicadas à iluminação residencial e comercial. como também um controle mais eficiente da queima do combustível através do ajuste do fluxo de ar que circulava em seu interior. de forma a se produzir mais luz com um menor consumo de energia.Considerações iniciais Há mais de 70 milênios foi construído o primeiro protótipo de lâmpada feito de rocha oca preenchida com musgo seco e gordura animal. São abordados também as luminárias.1 • Lâmpada de óleo romana (GNU Free Documentation License) Tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial 87 . O objetivo deste capítulo não é o de apontar prós e contras das tecnologias. procurando cada vez mais uma eficiência maior. Em meados de 1784. com destaque um pouco maior às lâmpadas.2. mas o de familiarizar os leitores com esses equipamentos. os sensores e os reatores.

O uso comercial de iluminação a gás teve início em 1792 quando William Murdoch utilizou o gás de carvão. Contrariamente à crença popular. Figura 2. o americano Thomas Alva Edson e a lâmpada com filamento de carbono incandescente. o americano Thomas Edison (figura 2. Por volta de 1879. Walther Hermann Nernst e Sir Joseph Wilson Swan (imagens de internet) Figura 2.2. mas seus dispositivos tinham vida curta. Com a perfuração dos primeiros poços de petróleo.2. mas melhorou a ideia de outros inventores.3) tornou-se a primeira lâmpada comercialmente bem sucedida e vem sendo utilizada regularmente nas residências. Lâmpadas incandescentes Na virada do século XIX. permitindo o crescimento popular desse tipo de lâmpada.2. as pessoas viram uma grande transformação na iluminação que mudou o mundo para sempre. a lâmpada incandescente (figura 2.2. em 1859. no caso o inglês Sir Joseph Wilson Swan – que registrou a primeira patente de lâmpada incandescente em 1878 – e o alemão Walther Hermann Nernst – ambos já possuíam alguns resultados nas tentativas de construir lâmpadas elétricas.3 • Lâmpada incandescente (imagem de internet) 88 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .2) não inventou a primeira lâmpada. com a descoberta da eletricidade.2 • Da esquerda para direita. surgiu o querosene.

o próprio Brasil. Já na década de 1930. Em 1927. que em seguida passaram a ser adotadas no comércio e residências.Com o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes. suas paredes internas eram revestidas de material fluorescente. como no caso das fluorescentes compactas. Austrália. vapor metálico e das fluorescentes (figura 2.2. a iluminação a gás nas ruas deu lugar à tecnologia de lâmpadas de descarga. diminuindo assim o consumo de energia elétrica no País. entre outros. o americano Peter Cooper Hewitt patenteou uma lâmpada que produzia luz por meio de um arco elétrico dentro do bulbo de vidro contendo vapor metálico.4) – apenas essa última usualmente utilizada na iluminação residencial e comercial. A descoberta era a lâmpada de descarga a vapor de mercúrio.2. Argentina. têm optado por restrições à fabricação e comercialização de lâmpadas incandescentes.  Essas lâmpadas possuem elementos halógenos. precursora das lâmpadas a vapor de sódio. dentro do bulbo e possuem em geral maior eficiência luTecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial 89 . diferentemente das lâmpadas a vapor de mercúrio. surgiu a lâmpada fluorescente. Figura 2.2. como o iodo ou bromo.5) com tecnologia capaz de ser comercializada foi inventada em 1960. Essas lâmpadas sofreram evoluções como a utilização de novos materiais no revestimento do bulbo e em sua forma. Lâmpadas de descarga a gás Em 1901. países como EUA.4 • Lâmpadas de descarga fluorescentes compacta e tubular (imagens cedidas por fabricantes) Lâmpadas halógenas A lâmpada incandescente halógena (figura 2.

mas também em relação à qualidade da iluminação proporcionada por essa fonte de luz. a transformação de energia elétrica em energia luminosa é feita na matéria. Figura 2. Essas lâmpadas são utilizadas geralmente em projetos de iluminação para destacar objetos. texturas. sendo. para uma iluminação mais decorativa. chamada de estado sólido (solid state).6). Nos LEDs (figura 2. diferente da tecnologia encontrada nas lâmpadas convencionais que utilizam filamentos metálicos. enfim. a lâmpada LED certamente é a que mais vai impactar o mercado da iluminação.2.5 • Lâmpadas incandescentes halógenas Lâmpadas LED O light emitting diode (LED) é um componente eletrônico semicondutor que tem a propriedade de transformar energia elétrica em luz. não só devido ao seu potencial de economia de energia. os sensores (figura 2. por isso. Figura 2.6 • Alguns modelos de lâmpadas LED disponíveis no mercado (imagens cedidas por fabricantes) Sensores Utilizados em projetos nos quais se deseja obter uma maior eficiência dos sistemas de iluminação.7) de ocupação podem trabalhar de forma 90 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Dentre todas as tecnologias em desenvolvimento.minosa do que as incandescentes comuns e durabilidade de duas a cinco vezes mais. radiação ultravioleta e descarga de gases.2.2. materiais.2.

integrada à iluminação natural ou artificial. Seu uso é recomendado para uma vasta variedade de ambientes. que informam a uma unidade eletrônica. Explicando de uma forma mais técnica. sua operação é baseada na detecção de indivíduos por meio de células com tecnologia de raios infravermelhos. o sistema de iluminação é acionado.2.8).8 • Ilustração esquemática do circuito de controle Tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial 91 . chamada de controlador. Detectada a presença (movimento). energizando ou desenergizando um relé que por sua vez irá operar o circuito elétrico da fonte de luz (figura 2.2. economia de energia e benefícios ecológicos. ambos ou até microondas. proporcionando flexibilidade. permanecendo ativado por um tempo pré-determinado. Figura 2. a ocupação ou não do local. Figura 2.2.7 • Sensores para acionamento de circuitos de iluminação (imagens da internet) Seu princípio básico de funcionamento é a detecção da presença de indivíduos em um determinado ambiente com área de cobertura do sensor. ultrassom. proporcionando melhor conforto aos ocupantes do ambiente em que estão instalados.

qualidade dos materiais que a 92 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Uma das partes mais importantes da luminária é seu refletor. existem várias características que devem ser consideradas. as luminárias (figura 2.2. a) b) c) Figura 2.c) desempenham um papel fundamental no sistema de iluminação: são responsáveis por boa parte da otimização do desempenho do sistema.b. Luminárias Destinadas a distribuir. Esses índices. e sua forma e material são responsáveis pela distribuição da luz originária da lâmpada.b.c • Modelos de luminárias usualmente utilizadas na iluminação residencial e comercial: a) luminária de alto rendimento. podem sofrer significativas alterações acarretando resultados frustrantes.9 – a. no entanto. b) luminária a LED e c) luminária para fluorescente tubular (imagens cedidas por fabricantes) Basicamente as luminárias são compostas de refletor. geralmente fabricado em alumínio. soquete e fiação elétrica. controlar ou filtrar a luz proveniente das lâmpadas. resistência à abrasão e a intempéries. uma luminária pode também conter um ou mais dos seguintes componentes: lente. Ao avaliar a adequação do material à sua aplicação. 30% a 90% em refeitórios. até equipamentos que monitoram e gravam os hábitos dos usuários. 22% a 65% em salas de conferência.9 . como capacidade e forma de reflexão da luz. elementos decorativos e filtros de raios ultravioletas ou de cor.2. Para se determinar de forma mais precisa a eficiência dos sensores de ocupação. existem algumas ferramentas disponíveis que vão desde questionários dirigidos aos ocupantes das áreas onde serão instalados.De acordo com a Environmental Protection Agency (EPA). o uso de sensores de ocupação pode apresentar economia de energia que varia de 40% a 46% em salas de aula. 13% a 50% em escritórios privados. Além destas partes. 30% a 80% em corredores e 45% a 80% em depósitos.a. difusor.

O uso de materiais com tecnologias mais avançadas. Uma luminária deve proporcionar uma iluminação suficiente para execução das tarefas desejadas (uma tabela de iluminação mínima para cada tipo de atividade pode ser observada na NBR 5413/1992). largamente utilizadas em instalações comerciais e residenciais. pintura de sua superfície. É importante que se considerem todos os fatores já citados. entre outros. são eficientes na conversão de energia elétrica em energia luminosa. deve ser visto com critério. Reatores Lâmpadas fluorescentes.compõe. Essas informações são fornecidas pelos fabricantes e geralmente estão contidas nos catálogos. gerando calor ou em outros termos perda de energia. que pode ser obtida pela fração de emissão de luz (FEL) ou rendimento. das lâmpadas e dispositivos auxiliares antigos por outros de tecnologia mais recente. número correto de luminárias por área. sempre que possível controlável e garantir o conforto ambiental. faixa na qual as lâmpadas trabalham em sua máxima eficiência e eliminar as perdas que ocorrem na operação dos eletrodos. Sendo assim. entre 20 a 60 kHz. existem basicamente três fatores que contribuem para reduzir este efeito indesejável: eliminar as perdas internas do reator. especificações de controle de ofuscamento. operar as lâmpadas em alta frequência. Outro aspecto relevante a ser considerado é a eficiência da luminária. espelhamento. Em relação ao projeto do sistema de iluminação. contudo. controle de ofuscamento. Tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial 93 . ser segura. não bastando que se faça simplesmente a troca do refletor. deve-se atentar aos cuidados técnicos como interpretação de curvas de distribuição da luz. presença de lentes etc. espaçamento entre elas. que nada mais é do que a relação entre a luz emitida pela luminária e a luz emitida pela lâmpada. nos chamados retrofits. Ambientes iluminados adequadamente melhoram a produtividade e o conforto visual de seus ocupantes. para que estas lâmpadas funcionem faz-se necessário o uso de reatores que nem sempre são tão eficientes. A iluminação residencial e comercial está presente na vida de todos e suas características técnicas são muitas vezes negligenciadas em função apenas do design da luminária.

de forma a se obter o máximo do aprovei94 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . • trabalham em alta frequência. esta vantagem tem que ser vista com restrições.10 • Reator eletrônico aplicado na iluminação residencial e comercial para acionamento de lâmpadas fluorescentes tubulares (imagem cedida por fabricante) Considerações finais Pelo exposto. • por não possuírem núcleo de ferro. armazenamento e disposição em forros e luminárias. • possuem peso bem inferior quando comparados aos reatores eletromagnéticos. reduzindo desta forma o custo de instalação. Apesar dos benefícios desta “elasticidade” no uso. o que reduz o flicker a valores desconsideráveis. mas desvantajosa quando na ocorrência de queima de uma lâmpada. o que os torna vantajoso quanto ao transporte.2. tem-se a noção da variedade de equipamentos existentes no mercado e a vasta possibilidade de combinações permitidas. principal motivo de sua recomendação em instalações onde se deseja fazer uso eficiente de energia. muitas nem sempre eficientes dos pontos de vista energético e de conforto visual. Antes de se optar por qualquer uma dessas tecnologias é recomendável que seja feito um criterioso estudo luminotécnico. pois acarretará o desligamento das demais). • permitem instalações das lâmpadas tanto em circuito série como paralelo (sendo a instalação em série vantajosa em termos de consumo. Figura 2. e • muitas vezes os reatores eletrônicos são projetados para operar vários tipos de lâmpadas.O reator eletrônico atende a estes três fatores. três ou quatro lâmpadas em luminárias distintas. Outras vantagens do uso de reatores eletrônicos: • com um mesmo reator é possível operar duas. operam de forma silenciosa.

implementar no projeto sistemas de controle. NBR 5413:1992 – Iluminância de interiores. Tecnologias utilizadas na iluminação residencial e comercial 95 .tamento dos componentes utilizados. tornando assim o ambiente inteligente e capaz de obter resultados ainda mais eficientes e confortáveis. Sempre que possível. Abril. Associação Brasileira de Normas Técnicas. de forma a garantir a eficiência projetada. alguns sistemas necessitam de manutenção e limpeza periódica. sempre levando-se em conta os níveis de iluminação adequados à atividade a ser desempenhada no local. Além da preocupação com a instalação inicial. 1992. Referência ABNT.

de dezembro de 2010.007.2. 96 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . no caso das incandescentes. a Portaria Interministerial nº. em especial.3 Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação Felipe Carlos Bastos Eletrobras Procel Jamil Haddad Unifei-Excen Rafael Meirelles David Eletrobras Procel Este artigo aborda a Regulamentação da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação. 1. que trata das lâmpadas incandescentes de uso comum. acarretará a consequente exclusão desta tecnologia do mercado brasileiro. Essas regulamentações têm como objetivo o estabelecimento de níveis mínimos de eficiência energética e.

caso desejem continuar a comercializá-los no País. foi apresentado no Senado Federal o projeto de lei PLS nº. após ter tramitado nas Comissões de Constituição. Tendo em vista que as lâmpadas e os reatores são responsáveis por uma significativa parcela da energia elétrica consumida no Brasil. recebeu a denominação de PL nº.Considerações iniciais Em 17 de outubro de 2001. uma vez que tornou possível o estabelecimento. Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação 97 . de caráter não compulsório. o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e o Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia. estes equipamentos também foram regulamentados. de níveis mínimos de eficiência energética para máquinas e aparelhos consumidores de energia. do Instituto Naciconal de Metrologia. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). 2001). 10. o projeto foi aprovado e encaminhado à Câmara dos Deputados para revisão nos termos do Art. foi sancionada a Lei no. Nessa casa revisora. Justiça e Cidadania e de Serviços de Infraestrutura. não abordada em regulamentações anteriores. 125 com o objetivo de “fixar diretrizes para conservação de energia e outras providências”. Histórico Em 10 de agosto de 1990. Essa lei preencheu uma lacuna importante. Assim. Antes da lei já existiam programas que buscavam tornar os equipamentos mais eficientes. O processo de regulamentação específica para equipamentos de iluminação foi iniciado em 2006 e tomou como base as experiências do Programa do Selo Procel Eletrobras e do PBE.295 . Em 31 de maio de 1993. após a entrada em vigor de uma regulamentação específica. 3875/1993 e após as alterações recebidas na primeira casa congressual passou a apresentar a seguinte ementa: “dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia Elétrica e dá outras providências”. 65 da Constituição Federal. todos os fabricantes e importadores de aparelhos que não atendam aos níveis estabelecidos devem adotar medidas de incremento da eficiência em seus equipamentos. de forma compulsória.Lei de Eficiência Energética (Brasil.

como representações de fabricantes e importadores de máquinas e aparelhos consumidores de energia. Para se obter mais transparência e participação da sociedade nesse processo. antes de se estabelecer os indicadores de consumo específico. de máquinas e aparelhos consumidores de energia fabricados ou comercializados no País. Segundo previsto na lei.Na Câmara dos Deputados. o projeto de lei foi encaminhado ao plenário do Senado Federal e aprovado em regime de urgência em 25 de setembro de 2001. o projeto de lei foi ao Plenário da Câmara dos Deputados para deliberação. de 19 de dezembro de 2001 A Lei nº. Decreto 4. Após aprovação de um Substitutivo na Comissão de Minas e Energia. de 19 de dezembro de 2001.295 de 17 de outubro de 2001 Como principais pontos descritos nessa lei. instituições de ensino e pesquisa etc. o projeto de lei começou sua tramitação em 26 de agosto de 1993 na Comissão de Desenvolvimento Econômico. ressaltando que também caberá ao Poder Executivo desenvolver mecanismos que promovam a eficiência energética nas edificações construídas no País. A lei foi sancionada em 17 de outubro de 2001 e publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 18 de outubro de 2001. 10. diversas entidades devem ser ouvidas em audiência pública. tem-se adotado como prática. Em 13 de junho de 2001. construtores. e o Artigo 4º. 4.295 foi regulamentada por meio do Decreto Presidencial nº. projetistas. a publicação das propostas de regulamentações em consulta pública.509. ou mínimos de eficiência energética. destacam-se o Artigo 2º. Indústria e Comércio. após aprovação pela Câmara dos Deputados.509. Minas e Energia e Constituição e Justiça e de Redação. Esse decreto define os procedimen98 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . passando ainda pelas seguintes Comissões: Defesa do Consumidor. Lei 10. no qual se definiu a competência do Poder Executivo para estabelecer níveis máximos de consumo específico de energia. consumidores.

Indústria e Comércio (MDIC). Ministério de Desenvolvimento.3. lâmpadas fluorescentes compactas. refrigeradores e congeladores.3. um representante de universidade e um cidadão brasileiro.1. as regulamentações específicas devem conter obrigatoriamente as seguintes definições: normas com procedimentos e indicadores utilizados nos ensaios para comprovação do atendimento dos níveis mínimos de eficiência energética. Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Regulamentações para equipamentos de iluminação No dia 12 junho de 2006. já foram aprovadas regulamentações específicas para motores elétricos trifásicos. composto pelo Ministério de Minas e Energia (MME). condicionadores de ar. 132 (MME.tos e as responsabilidades para o estabelecimento dos indicadores e dos níveis de eficiência energética. MCT e MDIC). Esse comitê tem como atribuições. a elaboração de regulamentações específicas para cada tipo de aparelho consumidor de energia. os laboratórios responsáveis pelos ensaios e o prazo para entrada em vigor. Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação 99 . fogões e fornos a gás. Agência Nacional de Petróleo. como pode ser visualizado na tabela 2. foram regulamentados. aquecedores de água a gás. Segundo o Decreto. Também instituiu o Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE). Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). lâmpadas incandescentes e reatores eletromagnéticos para lâmpadas a vapor de sódio e a vapor metálico. por meio da Portaria Interministerial nº. Até 2012. Os níveis mínimos de eficiência energética a serem atendidos pelas LFC a 100 horas de uso podem ser observados na tabela 2.2 a seguir. Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). dentre outras. os níveis mínimos de eficiência energética para as lâmpadas fluorescentes compactas (LFC) com reator integrado. o estabelecimento de um programa de metas que indica a evolução dos níveis a serem alcançados por cada equipamento regulamentado e a constituição de comitês técnicos para analisar matérias específicas.

132 de 2006) 100 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . 325 Portaria Interministerial n°.Tabela 2. 298 Portaria Interministerial n°.508 Portaria Interministerial n°. 323 Portaria Interministerial n°. 553 Portaria Interministerial n°. 363 Portaria Interministerial n°. 324 Data 8/12/2005 31/12/2010 26/05/2011 24/12/2007 26/05/2011 24/12/2007 26/05/2011 10/09/2008 26/05/2011 9/12/2010 - - 31/12/2010 - - Tabela 2.007 Data 11/12/2002 12/06/2006 24/12/2007 Programa de Metas Documento Portaria Interministerial nº.1 • Histórico de regulamentações específicas Regulamentação Específica Tipo de Equipamento Motores Elétricos Trifásicos LFC Refrigeradores e Congeladores Fogões e Fornos a Gás Condicionadores de Ar Aquecedores de Água e Gás Reatores Eletromagnéticos para Lâmp.3. 1008 Portaria Interministerial n°. 132 Portaria Interministerial n°. 326 Portaria Interministerial n°.2 • Níveis mínimos de eficiência energética para LFC a 100 horas de uso LFC sem invólucro Potência da lâmpada < 8 W 8 W < Potência da lâmpada < 15 W 15 W < Potência da lâmpada < 25 W 25 W < Potência da lâmpada LFC com invólucro Potência da lâmpada < 8 W 8 W < Potência da lâmpada < 15 W 15 W < Potência da lâmpada < 25 W 25 W < Potência da lâmpada Índice mínimo lúmen/watt 43 50 55 57 Índice mínimo lúmen/watt 40 40 44 45 (Portaria Interministerial nº. a Vapor de Sódio e a Vapor Metálico Lâmpadas Incandescentes Documento Decreto n°. 364 Portaria Interministerial n°.3. 1. 362 Portaria Interministerial n°. 4. 959 Portaria Interministerial n°.

foram aprovadas as Portarias Interministeriais nº.3. por meio do Programa de Metas. a lâmpada incandescente deve atingir a eficiência mínima. Tabela 2. foram definidos os níveis mínimos de eficiência energética para reatores eletromagnéticos para lâmpadas a vapor de sódio de alta pressão e a vapor metálico (tabela 2.007 – estabelecendo os níveis mínimos de eficiência energética que as lâmpadas incandescentes conseguirão atender (tabelas 2. Tabela 2. por meio da Portaria Interministerial nº.5     30/06/2015         20 14 11 30/06/2016           19 15 * A partir da data indicada. 1.5) – e a nº. 959 de 2010) No dia 31 de dezembro de 2010.008 – que estabelece. 1.3 • Níveis de eficiência energética a serem atendidos nos ensaios de reatores eletromagnéticos Potência da lâmpada 35(*) 70 100 150 250 250(*) 400 400(*) Perda elétrica máxima 10 14 17 22 30 23 38 29 (*)Somente para os reatores eletromagnéticos para lâmpadas a vapor metálico (Portaria Interministerial nº.3).4 e 2.4 • Níveis mínimos de eficiência energética para lâmpadas incandescentes de 127V – 750 horas Potência (W) Acima de 150 101 a 150 76 a 100 61 a 75 41 a 60 26 a 40 Até 25 Eficiência mínima (lm/W)* 30/06/2012 20 19           30/06/2013 24 23 17 16       30/06/2014     22 21 15. (Portaria Interministerial nº. 959/2010.3.3. de 9 de dezembro de 2010. novos níveis mínimos de eficiência energética para lâmpadas fluorescentes compactas.No ano de 2010.3. 1.007 de 2010) Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação 101 .3.

Destaca-se que algumas lâmpadas incandescentes.Tabela 2. Já no caso das LFCs. 2010). a data limite foi 31 de dezembro de 2012. não foram abrangidas pela regulamentação. Para comercialização por parte de fabricantes e importadores.5. e para atacadistas e varejistas. 30 de junho de 2013.3. entre outras. é de seis meses. 1.5 • Níveis mínimos de eficiência energética para lâmpadas incandescentes de 220V – 1. semafóricas.3. 102 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . por parte de fabricantes e importadores das lâmpadas incandescentes que não atendam a esses níveis de eficiência.3. Por sua vez. a data limite para fabricação no País ou importação dos equipamentos que não atendam aos novos níveis mínimos estabelecidos (tabela 2.007 de 2010) O prazo limite para comercialização no Brasil. utilizadas em fins específicos. como por exemplo. a contar das datas limites estabelecidas nas tabelas 2. as automotivas. halógenas.6) foi 30 de junho de 2012.000 horas Potência (W) Acima de 150 101 a 150 76 a 100 61 a 75 41 a 60 26 a 40 Até 25 Eficiência mínima (lm/W)* 30/06/2012 18 17           30/06/2013 22 21 14 14       30/06/2014     20 19 13     30/06/2015         18 11 10 30/06/2016           16 15 * A partir da data indicada. o prazo limite para comercialização por atacadistas e varejistas no País é de um ano.3. (Portaria Interministerial nº. a lâmpada incandescente deverá atingir a eficiência mínima.4 e 2. a contar das datas limites estabelecidas anteriormente (Brasil. refletoras.

Assim. Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação 103 . devendo. refletora ou corrente contínua LFC com invólucro ou corrente contínua Potência da lâmpada ≤ 15W 15W < Potência da lâmpada ≤ 25W 25 W < Potência da lâmpada LFC Refletora Todas as Potências ( Portaria Interministerial nº.3. por consequência.008. Tabela 2. ocorrer um incremento das vendas dos demais produtos que permanecem.3.3.7 apresenta os novos níveis mínimos exigidos para LFC com invólucro quando foi publicada a Portaria Interministerial nº.7 • Novos níveis mínimos de eficiência energética para LFC com invólucro. 1. em função da diferença entre o consumo da parcela do parque que deixou 1 Entende-se por lâmpada fluorescente com invólucro aquela que recebe uma cobertura adicional sobre o tubo de descarga.6 • Novos níveis mínimos de eficiência energética para LFC sem invólucro 1 LFC sem invólucro Potência da lâmpada ≤ 6 W 6 W < Potência da lâmpada ≤ 8 W 8 W < Potência da lâmpada ≤ 12 W 12 W < Potência da lâmpada ≤ 15 W 15 W < Potência da lâmpada ≤ 18 W 18 W < Potência da lâmpada ≤ 25 W 25 W < Potência da lâmpada Eficiência mínima (lm/W) 47 49 54 56 58 59 60 (Portaria Interministerial nº. pode-se estimar a economia de energia obtida pela adoção dos níveis mínimos de eficiência. 1. 1. podendo o invólucro ser transparente ou translúcido.008 de 2010) Eficiência mínima (lm/W) 40 44 45 Eficiência mínima (lm/W) 31 Resultados esperados De uma forma geral. a introdução de níveis mínimos de eficiência energética exclui do mercado os produtos mais ineficientes.008 de 2010) A tabela 2.Tabela 2.

No caso da regulamentação específica das lâmpadas incandescentes de uso comum. com isso. publicadas em 2008. reduzindo a demanda de energia elétrica na iluminação em 18% (AIE. estima-se uma economia de energia elétrica da ordem de 132 TWh e uma redução na emissão de gases causadores de efeito estufa de 9. Segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE). 2007). foram estabelecidos níveis mínimos que a atual tecnologia não consegue atender. seria de aproximadamente 700 TWh por ano. em 2006. 2011). No atual cenário. ou • banindo as incandescentes de forma não gradual por meio de lei. é para os governos providenciarem a eliminação progressiva das lâmpadas incandescentes convencionais. a energia elétrica conservada. assim que for viável economicamente e comercialmente.8 MtCO2. e sua retirada gradual do mercado. Austrália e União Europeia: a de estabelecimento de índices inatingíveis de 104 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . caso todas as lâmpadas incandescentes do mundo fossem substituídas por lâmpadas fluorescentes compactas. A política adotada no Brasil foi muito semelhante às empregadas nos Estados Unidos. buscando. Experiências internacionais na restrição às lâmpadas incandescentes Todos os países do G8 e diversos outros do mundo têm desenvolvido políticas para aumentar a eficiência energética no setor da iluminação. não alcançáveis pela tecnologia. em favor das LFCs. no período de 2012 a 2030 (Bastos. 2009). os governos vêm restringindo a utilização das incandescentes de duas formas: • por meio do estabelecimento de índices de eficiência. representando uma redução equivalente de 400 Mtons CO2 emitidos para a atmosfera. Foi recomendado também que sejam promovidas ações pelos países membros da AIE para garantir uma oferta suficiente de lâmpadas de boa qualidade e eficiência (AIE. estabelecendo prazos e metas de performances. Nesse contexto.de ser comercializada e o consumo que essa parcela passou a ter. na medida em que foram adquiridos produtos mais eficientes. Com essa medida. sua substituição no mercado brasileiro. uma das 25 recomendações de políticas em prol da eficiência energética da AIE.

De forma geral. A publicação da Lei nº. viabilizando a criação de uma estrutura laboratorial e o desenvolvimento das metodologias de medição e dos índices de eficiência energética. Na Austrália e União Europeia. dependendo do arcabouço legal do país. Na Argentina. foi-se mais além. Vale lembrar que a regulamentação dessa lei só foi possível graças à parceria dos dois programas. e o Programa do Selo Procel Eletrobras. da urgência e importância que se dá para a questão da eficiência energética no setor elétrico. a proibição também ocorreu por meio de uma lei federal. ou seja: Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação 105 . Novamente. fazendo parte de seu Anexo 1 (países com metas de redução). porém a retirada do mercado foi de forma não gradual. um pouco mais eficientes do que as incandescentes. cujo propósito é indicar o consumo de todos os equipamentos comercializados no País. Considerações finais O estabelecimento de índices mínimos de eficiência energética é um mecanismo de política pública que vem sendo adotado em diversos países do mundo e tem como objetivo principal conservar energia por meio da retirada do mercado de produtos que não atendam a requisitos mínimos de eficiência energética ou máximo de consumo. da capacidade de absorver ou mitigar os impactos inerentes à política e. dado que possuem uma matriz de geração de energia elétrica intensiva em emissão de CO2. principalmente. a intervenção governamental pode ser realizada de diversas formas. que destaca para o consumidor os equipamentos mais eficientes. no qual todos os segmentos da sociedade são beneficiados com o estabelecimento dos índices mínimos de eficiência.295 de 2001 veio complementar o PBE. Pode-se considerar esse processo como um “ganha-ganha”. o principal benefício que se buscou com a política energética de retirar as lâmpadas menos eficientes do mercado foi o de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.eficiência e retirada gradativa do mercado das incandescentes. Ambos são signatários do Protocolo de Quioto. iniciando o processo com as de maior potência. destacando-se o caso da União Europeia e da Austrália. e optou-se por banir também as lâmpadas halógenas. 10.

proporcionando assim economia financeira com os gastos de energia. deve-se intensificar cada vez mais o processo de fiscalização e a manutenção da estrutura laboratorial. • ganha o governo brasileiro que. Felipe Carlos. o aumento de distorções harmônicas na rede elétrica e a emissão de mercúrio para o meio ambiente. responsável essa pela confiabilidade dos resultados dos ensaios. Vale lembrar também que. BASTOS. o trabalho de implementação da Lei Nacional de Eficiência Energética não termina com o estabelecimento dos índices mínimos de eficiência. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético) . como a conservação de energia elétrica e a redução na emissão de gases causadores de efeito estufa. Para conseguir com que todos os equipamentos comercializados no país atendam aos índices regulamentados. Agência Nacional de Energia Elétrica (Brasil). pois adquirem equipamentos que consomem menos energia. caso não haja um descarte adequado das lâmpadas. e • ganha a sociedade como um todo. ao contrário do que se imagina.• ganham os fabricantes por meio da diferenciação e da melhoria no desempenho de seus equipamentos. 2011. também se observam algumas externalidades negativas. Paris: AIE. 2009. Referências AIE. aumentando assim a sua competitividade. 2007. em função da energia economizada. Universidade Federal do Rio de Janeiro. • ganham os consumidores. pode postergar investimentos no setor energético.Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE). pois a conservação de energia contribui para o aumento na segurança do abastecimento de energia e para a preservação do meio ambiente. por outro lado. Agência Internacional de Energia. Rio de Janeiro. Se por um lado a política de retirada das lâmpadas incandescentes do mercado brasileiro traz benefícios para a sociedade. 106 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Análise da política de banimento de lâmpadas incandescentes do mercado brasileiro. Paris: AIE. como a redução do fator de potência. Energy efficiency policy: recommendations worldwide implementation now. Progress with implementing energy efficiency policies in the G8. 2011. ANEEL.

Lei nº.295.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10295.2011. 1. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. de 9 de dezembro de 2010. 2011. 2006. Regulamentação específica que define os níveis mínimos de eficiência energética de lâmpadas fluorescentes compactas. Anexo: Programa de metas de lâmpadas fluorescentes compactas. 132. DF. 4. Regulamentação específica que define os níveis mínimos de energia de reatores eletromagnéticos para lâmpadas a vapor de sódio de alta pressão e a vapor metálico (halogenetos). Dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia e dá outras providências. dez. Regulamentação específica que define os níveis mínimos de eficiência energética de lâmpadas incandescentes.planalto. de 31 de dezembro de 2010. ________________. ________________. Acesso em: 20 fev. Brasília. de 31 de dezembro de 2010. Portaria Interministerial no. dez. DF.007. 2010. Brasília.gov. de 12 de junho de 2006.BRASIL. de 17 de outubro de 2001. Disponível em: <https://www. Portaria Interministerial no. Brasília. DF. 1. Portaria Interministerial no. 2010. no.008. 959. 6 jan. Ministério de Minas e Energia. Brasília. Regulamentações da Lei de Eficiência Energética para equipamentos de iluminação 107 . ________________. ________________. 10. Portaria Interministerial no. jun. DF.htm>.

108 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . O objetivo do texto é informar sobre algumas iniciativas do governo brasileiro e da indústria para a gestão desses resíduos.4 Descarte de lâmpadas contendo mercúrio no Brasil Isac Roizenblatt Abilux William Mendes de Farias Eletrobras Procel Zilda Maria Faria Veloso MMA O que fazer com as lâmpadas fluorescentes após a sua utilização? Eis a questão levantada neste artigo devido à presença do mercúrio – substância tóxica e potencialmente nociva aos seres humanos e ao meio ambiente.2.

404 de 23 de dezembro de 2010 (Brasil. onde são jogadas e ocorrem as quebras contaminando o solo e. na maioria das vezes.b) implantaram a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS). a Lei nº. 12. a qual trata de maneira especial da logística reversa das lâmpadas que contêm mercúrio após a sua vida útil. que se desfazem deles. O descarte feito de forma correta deve evitar não apenas a ocorrência de impactos ao meio ambiente e à saúde humana.a). tornando-se incômodos para seus proprietários. destinadas aos aterros sanitários.Considerações iniciais No final de sua vida útil (durabilidade). como também contribuir para prolongar a vida das reservas de recursos naturais não renováveis. por parte dos fabricantes e importadores.305 (Brasil. aquilo que comumente é chamado de descarte. que em conjunto com o Decreto nº. 7. Descarte de lâmpadas fluorescentes de vapor de mercúrio Os produtos usados em nossa moderna sociedade industrial têm uma vida útil finita e. Todos os impactos sociais e econômicos da implantação dos diversos modelos de logística reversa estão sendo avaliados pelo governo para a escolha da melhor alternativa. 2010 . quando essa vida se esgota. 2010 . perdem sua utilidade. Seguindo estes exemplos. por sua metodologia. assim. as lâmpadas que contêm mercúrio (Hg) são. os cursos d’água e lençóis freáticos. Essa política motivou uma busca. Este capítulo mostra os esforços do governo brasileiro e da indústria para solução do problema gerado pelo descarte inadequado das lâmpadas que contém mercúrio em sua composição. transporte e descontaminação dessas lâmpadas. Ocorre. em maior possibilidade de sucesso em um país continental como o Brasil. de modelos de logística reversa que já houvessem mostrado bons resultados e refletissem. Em alguns países como Estados Unidos e União Europeia. já existe uma regulamentação para o armazenamento. mais tarde. aqui no Brasil foi sancionada no dia 2 de agosto de 2010. Descarte de lâmpadas contendo mercúrio no Brasil 109 .

Uma concentração maior que 0.04 mg de Hg/m3 em ambiente fechado pode produzir uma incidência significativa de sinais e sintomas de intoxicação. 110 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . nas células do sistema nervoso central.1 e 2. do solo. No corpo humano. tremores das mãos e comportamento anormal e introvertido. ocasionando. contribuindo para aumentar a vida útil destes últimos.4. alumínio ou latão. em geral. entre outros efeitos. As figuras 2. pó de fósforo e vidro. da água.2 • Mercúrio extraído Malefícios do descarte incorreto de lâmpadas que contêm mercúrio O descarte incorreto dessas lâmpadas pode provocar sérios impactos ao meio ambiente. a absorção do mercúrio ocorre principalmente através das vias respiratórias. e • minimizar a extração de matéria-prima do meio ambiente. Figura 2.2 mostram alguns materiais que podem ser extraídos de uma lâmpada de mercúrio em sua reciclagem. • diminuir o volume de mercúrio liberado no meio ambiente. • diminuir o risco de contaminação do ar. sobretudo. bem como à saúde. do homem e dos seres vivos.4.4. São eles: mercúrio.4.1 • Componentes de lâmpadas de mercúrio separados Figura 2.Benefícios do descarte correto de lâmpadas que contêm mercúrio Os benefícios do descarte correto são os seguintes: • diminuir o volume de resíduo gerado e o descarte em lixões e aterros sanitários.

sobre atividades e operações em locais insalubres. A obrigação dos consumidores. de 2 de agosto de 2010. implantaram no país a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). é recomendável que incluam em seus planos o gerenciamento de seus resíduos perigosos. Quanto às lâmpadas. distribuiu as atribuições relativas ao gerenciamento e à gestão de resíduos sólidos a fabricantes.O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). distribuidores. classifica os componentes da lâmpada de mercúrio como “resíduos perigosos”. comerciantes. bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos. consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. 2004) e o Ministério do Trabalho. de 23 de dezembro de 2010. será de acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados e disponibilizar de forma adequada aqueles reutilizáveis e recicláveis para coleta ou devolução.305.norma ABNT NBR 10.PNRS A lei nº. Para o caso de grandes geradores de resíduos. 23. importadores. as empresas de grande porte. 1978). de forma a minimizar o volume de resíduos e rejeitos gerados. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) destaca o mercúrio por sua grande periculosidade ao estabelecer limites admissíveis de diversos elementos e substâncias químicas para serem descartados no meio ambiente . caberá aos fabricantes. por sua vez. de vapor de mercúrio e de luz mista. ou de logística reversa pelos setores empresariais citados no parágrafo anterior. 1996). e o Decreto Regulamentar nº. 7. que. como por exemplo. inclui o mercúrio como agente nocivo que afeta a saúde do trabalhador na Norma Regulamentadora NR15 (Brasil. A Política Nacional de Resíduos Sólidos . estruturar e implementar sistemas de logística reDescarte de lâmpadas contendo mercúrio no Brasil 111 . por meio de sua Resolução nº.404. por meio do instrumento “Responsabilidade Compartilhada”. importadores. distribuidores e comerciantes de lâmpadas fluorescentes. de vapor de sódio. quando estabelecido um sistema de coleta seletiva pela administração municipal. 12.004/2004 (ABNT. de 12 de dezembro de 1996 (Conama.

Esse acordo é definido como ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes. mediante o retorno desses produtos após seu uso pelo consumidor. de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. O método empregado tem sido a criação de Grupos de Trabalho Temáticos. Com a conclusão dos trabalhos do GTT de lâmpadas. que se constituem nas exigências legais para início do processo. os GTTs. dentre os três instrumentos eleitos pela lei para essa implementação (Regulamento. distribuidores ou comerciantes. O Decreto também explicita no Artigo 23. Acordo Setorial e Termo de Compromisso). bem como elaborar minutas de “Edital de chamamento para a elaboração de proposta de Acordo Setorial”. com a participação dos setores empresariais envolvidos para desenvolver estudos de viabilidade técnica e econômica. procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento. ou outra destinação final ambientalmente adequada. em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos. O texto legal define logística reversa como um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações.versa. deve atender os itens discriminados a seguir: 112 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .404. pelo Acordo Setorial. 7. As ações do Governo para implementar a logística reversa O Decreto nº. até agora. criou o Comitê Orientador para Implementação de Sistemas de Logística Reversa que tem optado. os pontos de coleta são divulgados para o consumidor. os pontos fundamentais a serem cobertos integralmente na implantação da logística reversa. no dia 5 de julho de 2012 foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o extrato do edital de chamamento para a elaboração de propostas de Acordo Setorial para a implementação de sistema de logística reversa de lâmpadas. Com a assinatura do acordo setorial. ou seja. importadores. de 23 de dezembro de 2010.

transporte dos resíduos. metas a serem alcançadas no âmbito do sistema de logística reversa a ser implantado. descrição do conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos participantes do sistema de logística reversa no processo de recolhimento. xii. identificação dos resíduos perigosos presentes nas várias ações propostas e os cuidados e procedimentos para minimizar ou eliminar riscos e impactos. alertando para os riscos decorrentes do seu manuseio. cronograma para a implantação da logística reversa. vi. xi. Descarte de lâmpadas contendo mercúrio no Brasil 113 . ii. avaliação dos impactos sociais e econômicos da implantação da logística reversa.404. x. informações sobre a possibilidade ou a viabilidade de aproveitamento dos resíduos gerados. cláusulas prevendo as penalidades aplicáveis no caso de descumprimento das obrigações previstas no acordo. iii. reciclar e eliminar os resíduos sólidos. em maior probabilidade de sucesso em um país continental como o Brasil.i. Modelo de logística reversa proposto pela indústria Em paralelo à iniciativa do Governo e em atendimento ao Artigo 23 do Decreto nº. definição das formas de participação do consumidor. viii. indicação dos produtos e embalagens. por sua metodologia. objeto do acordo setorial. v. iv. armazenamento. xiii. ix. descrição da forma de operacionalização da logística reversa. houve uma busca por parte dos fabricantes associados à Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) de um modelo que já houvesse mostrado bons resultados e refletisse. mecanismos para divulgação de informações relativas aos métodos existentes para evitar. quando estes se encarregarem de alguma etapa da logística a ser implantada. vii. possibilidade de contratação de entidades ou outras formas de associação de catadores. e xiv. 7. participação de órgãos públicos nas ações propostas. descrição das etapas do ciclo de vida em que o sistema de logística reversa se insere. já citado.

que visa mínimo custo para os consumidores. Turquia. o transporte adequado e a reciclagem. O objetivo dos fabricantes é viabilizar as ações que cabem às indústrias e aos importadores. Rússia. por exemplo. México. sem fins lucrativos. Essa entidade gerencia o tratamento das lâmpadas de mercúrio no período pós-uso. decorrentes das legislações e peculiaridades locais de cada país. econômicos e ambientais Alguns dos impactos sociais e econômicos da implantação de uma logística reversa são: • indução ao desenvolvimento de tecnologias verdes e redução do impacto ambiental do que é utilizado e consumido. O modelo cria uma entidade gestora com atuação nacional e sem fins lucrativos a fim de minimizar o custo aos consumidores. 114 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . No entanto. Impactos sociais. O modelo europeu mostrou ter alcançado. responsável pelo projeto e implementação do sistema de descarte na comunidade europeia e que tem experiência mundial e conhecimento em implantação de políticas públicas. ou outra destinação ambientalmente adequada. há algumas diferenças no modelo básico. Austrália. Chile. no decorrer de alguns anos. atendendo integralmente a legislação brasileira na coleta e restituição dos resíduos sólidos de lâmpadas para reaproveitamento em seu ciclo. Filipinas e Tailândia. Os modelos americanos mostraram resultados insatisfatórios e caros. ter escopo nacional em cada país da comunidade europeia e construir uma gestora única. Colômbia.Foram estudados os modelos de alguns estados norte-americanos e o modelo da Europa implantado em 27 países. Recorreu à indústria a mesma consultoria técnica especializada. O mesmo modelo vem sendo estudado para implementação em outros países como. grande sucesso por permitir a destinação adequada das lâmpadas inservíveis que contêm mercúrio. levando-se em conta os pontos de coleta. ou em outros ciclos produtivos.

404. o transporte adequado e a destinação correta das lâmpadas. proposto pela indústria. • redução de impactos ao meio ambiente do ponto de vista de resíduos sólidos. • fomento de um mercado no Brasil no qual as empresas contarão com ganhos reputacionais por serem mais sustentáveis. • promoção da economia socioambiental. com sua propriedade única de mudança de estado. • acesso aos fabricantes a matérias-primas secundárias e materiais escassos. sem fins lucrativos. O descarte incorreto dessas lâmpadas pode acarretar em sua quebra a possível contaminação do meio ambiente. levando-se em consideração os pontos de coleta. deu origem à Política Nacional dos Resíduos Sólidos.305. Considerações finais Não resta dúvida que o mercúrio. cria uma entidade gestora. este metal é extremamente tóxico à saúde humana e ao meio ambiente. que trata de maneira especial a logística reversa das lâmpadas de mercúrio após o término de sua vida útil. em conjunto com o Decreto nº. o que o torna um problema no momento do descarte. para gerenciar o tratamento das lâmpadas de mercúrio no seu período de pós-uso. é o grande responsável pela elevada eficiência das lâmpadas. O modelo de logística reversa. Porém. Descarte de lâmpadas contendo mercúrio no Brasil 115 . 12. criou o GTT de lâmpadas com a participação de diversos setores da sociedade na elaboração de edital para chamamento de propostas para Acordo Setorial de implementação do sistema de logística reversa para lâmpadas. e • garantia do Poder Público de que todos os requisitos legais sejam colocados em prática e aplicados. • favorecimento da inovação tecnológica mediante incentivos governamentais. 7.• desenvolvimento e implementação de instrumentos para melhor infor mar e educar a sociedade brasileira a respeito dos impactos ambientais de suas escolhas. cabe destacar os esforços do Governo Brasileiro. que. O governo brasileiro sancionou em 2010 a Lei nº. que para atendimento à PNRS. Por fim.

Conselho Nacional do Meio Ambiente. de 23 de dezembro de 2010-b. NBR 10. 2012..mma.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.br/port/conama/>.305.htm >. htm>. de  2 de agosto de 2010-a. Acesso em: 10 fev. Brasília.004:2004 – Resíduos sólidos: classificação. Resolução no. Acesso em: 10 fev. ________________. 7.gov. p. 23. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil.1116-1124. 2004. CONAMA.13. 12. Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www. Norma Regulamentadora NR 15: Atividades e operações insalubres. 116 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . DF.Referências ABNT. Disponível em: <http://portal. Lei nº. 2012.404.br/data/files/8A7C816A36A 27C140136A8089B344C39/NR-15%20(atualizada%202011)%20II. 1978. ________________. gov. Disponível em: < http://www. n. Brasília. BRASIL.pdf>. Associação Brasileira de Normas Técnicas.planalto.gov.1997. Decreto nº.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/Decreto/D7404. 2012. Disponível em: <http://www. 20 jan. Acesso em: 10 fev. Acesso em: 10 fev. Seção 1.planalto.mte. de 12 de dezembro de 1996. 2012.

Iluminação no Brasil: contribuições do Selo Procel Eletrobras e da ENCE 3 Alexandre Paes Leme Inmetro Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel Rafael Meirelles David Eletrobras Procel Este capítulo apresenta os programas executados no Brasil para avaliar a eficiência energética dos equipamentos que compõem um sistema de iluminação. Também reúne dados sobre a evolução dos índices de eficiência de lâmpadas fluorescentes compactas (LFC) e os resultados esperados com a implantação de programas de informação aos consumidores a respeito do desempenho energético de equipamentos. Iluminação no Brasil: contribuições do Selo Procel Eletrobras e da ENCE 117 .

iniciativas para avaliar o desempenho das LFCs comercializadas no País. figura 3. manutenção e reposição. Essas iniciativas deram frutos. os reatores eletrônicos. no Brasil. para evidenciar o atendimento aos critérios normativos exigidos na regulamentação. Atualmente. essas lâmpadas são as mais indicadas para substituir as incandescentes. Além disso.1. após a restrição no abastecimento de energia elétrica ocorrida em 2001. fato que implica em redução dos custos com energia elétrica. a Eletrobras Procel e o Instituto Nacional de Metrologia. Qualidade e Tecnologia (Inmetro) começaram. 118 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . uma vez que apresentam maior eficiência luminosa (cerca de quatro vezes mais) e maior durabilidade (seis a oito vezes maior). em 1998. essa tecnologia de lâmpadas vem gradativamente perdendo mercado para as lâmpadas fluorescentes compactas (LFC). No entanto. sendo grande parte deste consumo referente ao uso de lâmpadas incandescentes. Programas de eficiência energética e sistemas de iluminação Conforme destacado a seguir. Tendo em vista o aumento significativo do uso de LFCs e a consequente necessidade de estabelecer critérios que diferenciassem os produtos disponíveis no mercado quanto ao seu desempenho. Uma delas é um programa de avaliação da conformidade com foco na eficiência energética. denominado Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). sendo que atualmente. existem no Brasil duas iniciativas distintas que funcionam de forma integrada para distinguir e estimular a melhoria do desempenho dos equipamentos de iluminação.Considerações iniciais A iluminação é responsável por uma significativa parcela da energia elétrica usada no país. na maior parte dos casos a substituição pode ser realizada sem que sejam necessários investimentos complementares em outros equipamentos. baseado no uso da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). os reatores eletromagnéticos para lâmpadas de descarga e as lâmpadas a vapor de sódio têm seus desempenhos avaliados. além das LFCs.

de caráter voluntário. Figura 3.2 • Selo Procel Eletrobras Iluminação no Brasil: contribuições do Selo Procel Eletrobras e da ENCE 119 . de forma a influenciar a decisão de compra dos consumidores e. a adquirir equipamentos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética. no ato da compra. O Selo Procel Eletrobras (figura 3. contribuindo assim para o desenvolvimento tecnológico e para a redução de impactos ambientais.2) tem a finalidade de estimular a fabricação e comercialização nacional de produtos mais eficientes. coordenado pelo Inmetro com o apoio técnico e institucional da Eletrobras Procel. incentivar o processo de melhoria contínua da indústria por meio do aperfeiçoamento das tecnologias. é a concessão do Selo Procel Eletrobras para os equipamentos de iluminação mais eficientes fabricados e comercializados no país. tem o objetivo de prover informações úteis sobre o desempenho dos equipamentos consumidores de energia. A outra iniciativa. por meio dessa seleção de produtos mais eficientes.1 • Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) O PBE. na medida em que orienta o consumidor.Figura 3.

é possível observar uma expressiva melhora no desempenho das LFCs comercializadas no País. Destaca-se. começaram a ser comercializadas as primeiras LFCs no mercado brasileiro ostentando o Selo Procel Inmetro de Desempenho que representava tanto o Procel quanto o Inmetro. uma vez que a etiqueta ENCE para esses equipamentos só foi lançada em 2004. 120 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Para ser agraciado. Histórico e evolução Em 1998. outras características técnicas e qualitativas associadas ao equipamento são também verificadas e consideradas para a concessão do Selo. Esse índice foi evoluindo ao longo dos anos. entretanto. Conforme pode ser observado no gráfico 3. necessariamente. na sua respectiva categoria. Desde o início da concessão do Selo Procel Eletrobras e da ENCE.O Selo Procel Eletrobras é concedido anualmente aos equipamentos que apresentam os melhores índices de eficiência energética. por meio da celebração de um convênio entre a Eletrobras Procel. que para algumas categorias de produtos. o que corresponde a uma evolução superior a 24%. a média da eficiência energética das LFCs 127V contempladas com o Selo Procel Eletrobras em 1999 era de 49. em 2011.1.2 lm/W. o nível médio de 61 lm/W. o Inmetro e o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Eletrobras Cepel). atingindo. até hoje. Ainda nesse ano. o fabricante/importador deve encaminhar seus equipamentos para um dos laboratórios indicados pela Eletrobras Procel para que seja verificado o seu desempenho energético e o atendimento às normas vigentes de segurança e qualidade estabelecidos pela Eletrobras Procel com o apoio do Inmetro. foram iniciados os trabalhos para concessão da ENCE e do Selo Procel Eletrobras para LFC. além da eficiência.

6%. como pode ser observado no gráfico 3.10 48 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Gráfico 3. 62 Rev. o que representa uma evolução de 23.67 Média da Eficiência Energética [lm/W] 60 58 Crescimento de 23. 60.1 • Evolução da média da eficiência energética das LFCs 127V com o Selo Procel Eletrobras (Eletrobras Procel.2.17 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Rev.1 lm/W. Iluminação no Brasil: contribuições do Selo Procel Eletrobras e da ENCE 121 .3.Evolução da Média da Eficiência Energética Lâmpadas Fluorescentes Compactas 127V 62 Média da Eficiência Energética [lm/W] 60 61. 2012) É possível observar também ao longo dos anos uma grande evolução da quantidade de modelos de LFC participantes dos programas.6% 56 54 52 50 49. saiu da marca de 49.2 • Evolução da média da eficiência das LFC 220V (lm/W) com o Selo Procel Eletrobras (Eletrobras Procel. para 60. em 2000. 2010 2011 Gráfico 3. 48 49.02 58 Crescimento de 24% 56 54 52 50 Rev. Evolução da Média da Eficiência Energética Lâmpadas Fluorescentes Compactas 220V Rev.67 lm/W em 2011. No gráfico 3. 2012) Já a média da eficiência energética das LFCs 220V. apresenta-se a evolução da quantidade de modelos de LFC 127V e 220V etiquetados e contemplados com o Selo Procel Eletrobras de 1999 a 2011.

000 Até o ano de 2004.500 2. em função da ausência dessa informação. 2011 O número de modelos etiquetados em 2005 foi obtido a partir de uma curva de tendência. havia somente o Selo Procel Inmetro de Desempenho Equipamentos Etiquetados PBE Equipamentos com Selo Procel 3. iniciou-se a concessão do Selo Procel para os reatores eletromagnéticos de lâmpadas fluorescentes tubulares e dos reatores eletromagnéticos para lâmpadas a vapor de sódio. 2007 2008 2009 2010 Rev. foi lançado o Selo Procel para reatores eletrônicos de lâmpadas fluorescentes tubulares. em 2010.406 598 828 918 882 500 0 31 1999 44 2000 86 2001 160 2002 187 2003 172 2004 410 144 2005 435 2006 Rev.000 2. as lâmpadas a vapor de sódio também passaram a fazer parte do programa e.000 3. com a experiência adquirida com as LFCs.534 1. 122 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .651 1.500 1. ENCE) concomitantemente a etiquetas/selos de endosso (como o Selo Procel Eletrobras).451 1. 2012) Em 2002.346 2. Gráfico 3.000 1.ex. luminárias de iluminação pública e lâmpadas LED (light emitting diode). foi possível direcionar novos esforços para avaliação de mais equipamentos. Em 2008. Nesse mesmo ano.500 3.Quantidade de Modelos com Selo Procel e Etiquetados pelo PBE Lâmpadas Fluorescentes Compactas de 127V e 220V 4.3 apresenta uma abordagem simplificada dos impactos esperados sobre a distribuição das vendas de um equipamento em função da introdução de programas de informação aos consumidores sobre o desempenho energético de equipamentos.658 3. Resultados esperados A figura 3.3 • Evolução da quantidade de modelos de LFCs 127V e 220V contemplados pelo PBE e pelo Selo Eletrobras Procel (Eletrobras Procel. como etiquetas classificatórias (p. Destaca-se que já foram iniciados os trabalhos para a concessão da ENCE e do Selo Procel Eletrobras para lâmpadas tubulares.886 1.

dentre outros. destaca apenas os produtos mais eficientes. tende a elevar o desempenho energético dos produtos comercializados. México. Canadá. Chile. Uruguai. devendo desse modo influenciar de forma particular as vendas das categorias de desempenho mais elevado. Normalização no continente Com a finalidade de harmonizar as normas de eficiência energética nas Américas. com categorias de desempenho e informações sobre o consumo energético de um equipamento. Já a adoção de etiqueta/selo de endosso. onde participam Estados Unidos. como indicado na curva cinza da figura 3. Costa Rica. Cuba. ou seja. 2011) A curva vermelha representa a distribuição esperada de venda de um equipamento genérico na sua situação original. sem a implantação de um programa de informação aos consumidores sobre o desempenho energético desse determinado equipamento.4). Colômbia. já que seu desempenho passa a ser um atributo visível para o consumidor. em bases compulsórias ou não. Brasil. Argentina. A introdução de etiquetas classificatórias. e os projetos de normas referentes à eficiência energética e ao desempenho de LFCs e reatores estão em fase final de discussão. Iluminação no Brasil: contribuições do Selo Procel Eletrobras e da ENCE 123 . Peru. foi criada uma comissão técnica dentro do Comitê Panamericano de Normalização Técnica – Copant (figura 3. como o Selo Procel Eletrobras.3 • Distribuição das vendas de um equipamento genérico na situação original e com a introdução de etiqueta classificatória e selo de endosso (Eletrobras Procel.Figura 3. Até o momento já foi publicada a norma técnica de lâmpadas incandescentes.3. devendo motivar a comercialização de produtos mais eficientes (curva azul escura).

dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem. dentro do Programa do Selo Procel Eletrobras. Essas ações foram decisivas para a melhoria do desempenho dos equipamentos de iluminação comercializados no País. já no caso das LFCs 220V. e a concessão do Selo Procel. 124 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .4 • Representantes da Copant em reunião em maio de 2010 na Cidade do México Os procedimentos normativos adotados pela comissão técnica para as normas Copant estão sendo baseados nos programas brasileiros. Douglas Messina Considerações finais A Eletrobras Procel e o Inmetro vêm realizando uma série de ações com o objetivo de estimular a fabricação de equipamentos de iluminação cada vez mais eficientes. com destaque para o meio técnico e acadêmico e entidades representativas do setor produtivo. assim como a estruturação e monitoramento da capacidade laboratorial para realização dos ensaios necessários para tal. As principais ações desenvolvidas nesse âmbito foram a etiquetagem. sendo que os requisitos para obtenção da ENCE e a sua configuração estão sendo contemplados. Essas iniciativas são implementadas de forma a avaliar sistematicamente. Mas nada seria possível sem a colaboração de importantes parceiros.Figura 3. dentro de regras pré-estabelecidas em normas e regulamentos técnicos. verificou-se o aumento de 23. No caso das LFCs 127V.6% da média de suas eficiências. a segurança e o desempenho energético dos equipamentos eletroeletrônicos comercializados no País. identificou-se o aumento de cerca de 24% da média da eficiência.

Iluminação no Brasil: contribuições do Selo Procel Eletrobras e da ENCE 125 . Rio de Janeiro: Eletrobras Procel. Documento interno. Referências ELETROBRAS PROCEL.Dois grandes marcos estão previstos para o setor nos próximos anos: o lançamento da ENCE e do Selo Procel Eletrobras para luminárias de iluminação pública e para as lâmpadas LED. Análise conceitual dos benefícios energéticos e das inter-relações entre o Selo Procel e a Etiqueta Inmetro (PBE). Selo Procel. 2011. Documento interno. ________________. Rio de Janeiro: Eletrobras Procel. Selo Procel. Banco de Dados de Equipamentos. 2012.

3.1 Capacitação de laboratórios de iluminação Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel Ricardo Ficara Cepel William Mendes de Farias Eletrobras Procel O texto mostra os esforços da Eletrobras Procel em realizar investimentos para ampliar a rede laboratorial. capacitada para ensaios de eficiência em equipamentos de iluminação. e monitorar o trabalho desses laboratórios. Cinco laboratórios foram equipados com aparelhos de última geração. por meio de um Sistema de Acompanhamento Laboratorial. 126 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . dando assim suporte à Lei de Eficiência Energética. garantindo mais agilidade e precisão aos diagnósticos.

com equipamentos e metodologias. Para a implementação do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e do Programa do Selo Procel Eletrobras. com recursos oriundos de entidades internacionais e o apoio técnico do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). percebeu-se a necessidade de expansão da estrutura laboratorial para fornecer o apoio técnico à verificação e à qualificação de equipamentos e sistemas de iluminação comercializados no País. do Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica. Esses recursos foram gerenciados pela Eletrobras Procel. estruturou um projeto de expansão da rede de laboratórios. Desta forma. do Laboratório de Luminotécnica da Universidade Federal Fluminense (Lablux). com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e aplicados na implementação de atividades orientadas a mitigar as barreiras no mercado brasileiro de eficiência energética (Salvador et al. os laboratórios disponibilizaram sua infraestrutura e seu corpo técnico para o atendimento aos projetos dos programas do PBE e do Selo Procel Eletrobras. a infraestrutura laboratorial disponível no Brasil era incipiente e restrita basicamente a alguns centros universitários destinados apenas a trabalhos acadêmicos e a alguns projetos externos. 2009) . Ampliação da rede laboratorial O Global Environmental Facility (GEF) doou recursos da ordem de US$ 12 milhões ao Governo Brasileiro. no Rio de Janeiro. a Eletrobras. do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec). no Rio de Janeiro. para a realização de pesquisas e ensaios. em São Paulo. no Paraná. além de permitir trabalhos em suas atividades específicas. Foram capacitados os laboratórios de iluminação do Cepel. por intermédio do Banco Mundial (Bird). Calibração e Ensaios (Labelo). e da TÜV Rheinland do Brasil. Em contrapartida. A realização desse projeto criou condições para a ampliação do número de categorias de equipamentos eletroeletrônicos contemplados com o Selo Procel EletroCapacitação de laboratórios de iluminação 127 .Considerações iniciais Até o final da década de 1990. para a implementação de uma carteira de projetos relevantes na área de eficiência energética no Brasil. no Rio Grande do Sul.

6 milhões na capacitação de cinco deles para ensaios em equipamentos de iluminação.1 • Laboratórios para ensaios em equipamentos de iluminação Instituição Eletrobras Cepel LACTEC PUC UFF TÜV Cidade/UF Rio de Janeiro/RJ Paraná/PR Porto Alegre/RS Niterói/RJ São Paulo/SP Inauguração 04/04/2005 18/10/2005 09/11/2005 02/05/2006 24/11/2008 (Adaptado do Relatório de Resultados Procel. Esses laboratórios foram inaugurados entre 2005 e 2008. como mostrado na tabela 3.1. Para isso.bras de Economia de Energia. Equipamentos laboratoriais Os laboratórios foram capacitados com equipamentos de última geração. 2006): Tabela 3.1. Dentre esses laboratórios. para capacitação de 22 laboratórios de avaliação de equipamentos quanto à eficiência energética. tais como espectrômetros UV – visível – IR (ultravioleta – visível – infravermelho). a Eletrobras firmou convênios com 11 entidades. 128 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . além de possibilitar a implementação da lei n. Capacitação laboratorial Parte dos recursos doados pelo GEF foi destinada à ampliação da rede laboratorial brasileira para realização de ensaios de eficiência energética.º 10. foram investidos cerca de R$ 5. uma vez que 31% dos recursos disponibilizados pelo GEF para capacitação laboratorial foram utilizados nestes. em sua maioria universidades e centros de pesquisa.1 (Eletrobras Procel.295 de 2001 – conhecida como Lei de Eficiência Energética. 2006) Cabe destacar a importância dada pela Eletrobras aos laboratórios de iluminação.

2 – a. desenvolver luminárias com parâmetros de controle da distribuição da luz. radiômetros. possibilita aos projetistas e fabricantes. Figura 3.1. medindo a intensidade da iluminação e mapeando. Mostrado na figura 3. mais precisos e com menor consumo de energia elétrica. a forma como a luz é distribuída no ambiente. esse equipamento é destinado a avaliar luminárias e lâmpadas. é capaz de avaliar a performance de luminárias de até 50 kg e. ângulo a ângulo.1 • Goniofotômetro do laboratório de iluminação do Cepel Todos os laboratórios contaram com equipamentos de última geração em sua capacitação. empregado para medições fotométricas e ensaios aplicados à eficiência energética.esferas integradoras. Com essa estrutura laboratorial. O equipamento. importado da Alemanha.d): Capacitação de laboratórios de iluminação 129 . calorímetros entre outros.1.c. por meio dos resultados obtidos nas medições. além de atender às especificidades do mercado brasileiro e manter o País alinhado com o estado da arte da tecnologia.1. os programas de eficiência energética e segurança podem ser aplicados dentro dos padrões internacionais.1. Seguem fotos de alguns desses equipamentos (figura 3. O Laboratório de Iluminação do Cepel contou com a instalação de um goniofotômetro de grande porte e alta precisão.b.

foi concebido o Sistema de Acompanhamento Laboratorial. contendo informações referentes aos ensaios do PBE e do Selo Procel Eletrobras.2 – a.b. tornou-se necessária a realização de um acompanhamento periódico para avaliar as atividades desenvolvidas.a) b) c) d) Figura 3. a utilização dos equipamentos e os produtos ensaiados. de periodicidade semestral.c. Esse acompanhamento é realizado por meio da elaboração de relatórios. d) Estabilizador de Tensão (Lactec) Sistema de Acompanhamento Laboratorial Com a estruturação dos laboratórios.3): o primeiro módulo (in- 130 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . c) Medidor para teste de compatibilidade eletromagnética (Lablux). Para otimização desses relatórios. Essa ferramenta é composta por dois módulos (figura 3. com a colaboração do Departamento de Informática da Eletrobras. 2006).1.1. b) Câmara climática (TÜV).d • a) Esfera Integradora (Cepel). para suporte à Lei de Eficiência Energética e a serviços prestado para os setores industrial e comercial (Eletrobras Procel.

pode-se citar: número de ensaios de cada equipamento de iluminação. o sistema de acompanhamento dessas atividades proporciona à Eletrobras Procel analisar diversas informações a respeito do funcionamento dos laboratórios. No gráfico 3. equipe técnica dos laboratórios. está registrado a quantidade total de ensaios em Capacitação de laboratórios de iluminação 131 . aprimorar os processos de concessão da ENCE e do Selo Procel Eletrobras. equipamentos de medição utilizados para capacitação laboratorial.1.1. assim como. Como exemplo.terno) encontra-se instalado na Eletrobras Procel para recepção das informações laboratoriais. e quando necessário. para a realização de estudos e trabalhos associados à segurança e ao desempenho técnico e energético dos equipamentos. Figura 3. o segundo módulo (externo) encontra-se instalado nos laboratórios para transmissão das informações via internet.1. Resultados do acompanhamento laboratorial Através da recepção das informações laboratoriais.3 • Módulos interno (à esquerda) e externo (à direita) do Sistema de Acompanhamento Laboratorial Por sua vez. as informações obtidas com os laboratórios são utilizadas para realimentar o processo de planejamento e concepção de novos projetos de capacitação laboratorial. entre outros. tipo e finalidade dos ensaios. Essas informações contribuem para verificação da produtividade dos laboratórios de iluminação.

1 • Total de ensaios realizados nos laboratórios de iluminação Considerações finais A capacitação desses laboratórios possibilita a realização de ensaios compulsórios e voluntários em diversos equipamentos de iluminação de uso comum em ambientes comerciais. industriais.273 LAB2 2.408 2.equipamentos de iluminação. muito solicitadas após a restrição no fornecimento de energia de 2001.1.595 LAB4 LAB5 Total 1. realizados pelos cinco laboratórios capacitados com recursos do GEF. acompanhando assim o estado da arte da tecnologia.080 786 193 1.181 650 98 264 LAB1 2.741 3.567 905 550 102 0 10 86 651 100 1. Entre 2006 e o primeiro semestre de 2011.672 1.607 LAB3 1. com a disseminação de uma cultura nacional sobre eficiência e 132 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Além das contribuições citadas ao longo do capítulo. os cinco laboratórios capacitados pela Eletrobras. é fundamental ressaltar o legado que essas iniciativas vêm deixando para sociedade brasileira. em especial para a academia.027 751 281 191 208 207 200 158 10 134 63 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Gráfico 3.000 ensaios e avaliações técnicas em mais de dez categorias de produtos.290 1. com aproximadamente 50 profissionais. Ensaios por Laboratórios 3.424 1. especialmente de lâmpadas fluorescentes compactas.271 3. foram responsáveis por mais de 15. A estruturação dos laboratórios permitiu o aprimoramento de programas de eficiência energética dentro de padrões internacionais. residenciais e públicos.

Emerson et al. Suporte tecnológico à eficiência energética no Brasil. Relatório de avaliação de resultados: ano 2006. Recife: nov. Acesso em: 10 fev.procelinfo. SNPTEE.com.br/. 2012. SALVADOR. Rio de Janeiro: Eletrobras Procel. Capacitação de laboratórios de iluminação 133 . Disponível em: http://www. In: Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica.o uso racional dos recursos energéticos envolvidos neste e nos demais segmentos abrangidos pelos programas de eficiência. 2007. Anais.2009. Referências ELETROBRAS PROCEL.

134 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .3.2 Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação Luiz Augusto Horta Nogueira Unifei-Excen Moises Antônio dos Santos Eletrobras Procel Rafael Balbino Cardoso Unifei-Itabira Rafael Meirelles David Eletrobras Procel Neste artigo é abordada a metodologia de avaliação dos impactos energéticos do Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia em lâmpadas fluorescentes compactas (LFC). considerando premissas que são baseadas em diretrizes do Protocolo Internacional de Medição e Verificação de Performance (PIMVP). Esta metodologia permite estimar a economia de energia e redução de demanda na ponta das lâmpadas fluorescentes compactas e dos equipamentos de iluminação com Selo Procel Eletrobras.

determinados os resultados acumulados. a avaliação e divulgação dos resultados têm sido promovidas pela Eletrobras. Para a avaliação dos resultados do Selo Procel Eletrobras. a avaliação e divulgação dos resultados da Eletrobras Procel passaram a ser uma atividade permanente da empresa. foram utilizadas metodologias baseadas na análise top-down. procurando informar à sociedade sobre os investimentos realizados e estimar os benefícios alcançados ano a ano.Considerações iniciais O Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia (figura 3.2. obtinha-se a economia de energia e a redução na demanda de ponta ano a ano. Esses resultados servem ainda de referência para estudos elaborados no País e no exterior sobre as ações governamentais de fomento à eficiência energética e fornecem subsídios para diversos documentos técnicos do setor energético nacional. ainda. Figura 3.2. a partir das vendas desses equipamentos no ano de interesse. Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação 135 . A partir de 1996.1) é um dos mais relevantes instrumentos de divulgação da eficiência energética de eletrodomésticos e equipamentos eletroeletrônicos comercializados no Brasil. que conta desde então com uma área especializada em seu quadro de funcionários. permitindo que fossem. sendo responsável por mais de 90% dos resultados de economia de energia do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). na qual era considerada a melhoria na eficiência energética dos equipamentos desde o início da concessão do Selo e.1 • Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia Desde o início desse Programa em 1985.

através desse processo.2). o Relatório de Resultados da Eletrobras Procel teve sua divulgação restrita à equipe técnica do Programa e aos órgãos superiores da Eletrobras e do Ministério de Minas e Energia (MME). A divulgação dos resultados e investimentos era então limitada a apresentações em eventos técnicos e esporádica divulgação na imprensa. além de ser disponibilizado para download. Nesse mesmo ano foi firmada uma parceria com a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) para coordenar esse processo.Até 2005.br). no Portal Procel Info (www. foi desenvolvida a metodologia de mensuração do impacto energético do Selo Procel Eletrobras para ventiladores de teto. lâmpadas fluorescentes compactas (LFC). 136 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .com. motores elétricos trifásicos. entre 2006 e 2010. muitos deles com a própria Eletrobras. reatores e sistemas de aquecimento solar de água. Assim. em sua versão completa e executiva. A Unifei foi selecionada para executar o projeto por ser uma referência em avaliação de resultados de atividades em eficiência energética. além de abrigar o Centro de Excelência em Eficiência Energética – Excen (figura 3. A partir de 2006. inglês e espanhol. Junto à estratégia de ampliar a divulgação do Relatório de Resultados.2.procelinfo. a Eletrobras decidiu rever as metodologias utilizadas para a determinação dos benefícios energéticos proporcionados pelo Selo Procel Eletrobras. Outro trabalho relevante conduzido pela universidade foi o desenvolvimento de metodologias de avaliação de programas nacionais de eficiência energética para a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal). esta última em português. tendo realizado diversos trabalhos de medição e verificação nesse campo. esse relatório passou a ser distribuído aos principais parceiros do Programa. condicionadores de ar. Também. foram revistas e atualizadas as metodologias de mensuração do impacto energético do Selo Procel Eletrobras concedido a refrigeradores e freezers .

Instituto Nacional de Metrologia. a partir de visão de especialistas externos ao Programa. A revisão das metodologias de avaliação procurou ampliar a credibilidade dos resultados da Eletrobras Procel. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Empresa de Pesquisa Energética (EPE). assim como aproximar as metodologias das orientações do Protocolo Internacional de Medição e Verificação de Performance (PIMVP). destacando-se entre elas: Ministério de Minas e Energia (MME). Qualidade e Tecnologia (Inmetro). principalmente na avaliação ao longo da vida útil dos equipamentos. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux). Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).Figura 3.2 • Centro de Excelência em Eficiência Energética – Excen-Unifei Além da Unifei. várias instituições colaboram no projeto. da degradação da eficiência ao longo do tempo e do levantamento da linha de base para determinação dos ganhos energéticos.2. Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Eletrobras Cepel). Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação Marcos Dias 137 .

000 horas e 5. tornou-se ainda mais importante uma revisão na metodologia de mensuração dos impactos energéticos das LFCs. devido ao estabelecimento. de índices mínimos de eficiência energética para lâmpadas. 1 Valores médios baseados nos catálogos dos fabricantes 138 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Metodologia e premissas As principais características e as premissas adotadas na metodologia são apresentadas a seguir: • avaliação desagregada por região do país. mais curtas. assumidas como respectivamente 1. Destaca-se. Após esses acontecimentos. • inclusão dos efeitos de latitude que influenciam no tempo de utilização das lâmpadas nos diferentes períodos do ano considerados (período seco e período úmido).000 horas1. Cabe observar que o tempo de utilização das lâmpadas varia de acordo com o período do ano considerado. • vida útil de lâmpadas incandescentes e LFCs.Economia das lâmpadas eficientes com Selo Procel Eletrobras A Eletrobras Procel tem estimulado o consumidor a comprar lâmpadas mais eficientes por meio da divulgação do Selo Procel Eletrobras na mídia e por intermédio de parcerias com os próprios fabricantes.500 horas por ano nos setores industrial e comercial. setor de consumo (residencial ou comercial e industrial) e período do ano (seco e úmido). Em 2007. principalmente. o aumento por volta de 75% na quantidade de empresas com produtos contemplados. • substituição de lâmpadas incandescentes de 60 W por LFCs de 15 W. já que no período seco as noites são mais longas e no período úmido.000 horas por ano no setor residencial e 2. houve um aumento significativo (cerca de 50%) na quantidade de lâmpadas contempladas com o Selo. e • tempo de utilização constante de lâmpadas por ponto de luz de 1. importadores. laboratórios e centros de pesquisa. também. no âmbito da Lei de Eficiência Energética.

1998). como por exemplo. O modelo procura. no tempo de utilização constante. sendo que 2 Vale frisar que 78.3 • Evolução do consumo de energia do parque de lâmpadas instaladas A linha de base (baseline) utilizada nas estimativas é um mercado fictício no qual o parque de lâmpadas seria formado por 82% de lâmpadas incandescentes com potência média de 60 W2 e 18% de lâmpadas fluorescentes tubulares com potência média de 20 W (Eletrobras Procel. Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação 139 . fluorescentes tubulares. compactas ou circulares) corresponde ao valor da economia de energia atribuível às lâmpadas eficientes. Figura 3. O tempo de utilização dessas lâmpadas não foi corrigido pelos efeitos da latitude. A diferença de consumo de energia entre o mercado com produtos da linha de base e o mercado real estimado (formado por lâmpadas incandescentes.Para os cálculos do tempo de utilização nas diferentes regiões brasileiras. segundo a PPH 2005. em ambos os períodos considerados. Com base em informações de especialistas do setor de iluminação no Brasil.2.53% das lâmpadas incandescentes instaladas no país são de 60 W. se adequar às seguintes premissas do PIMVP: • utilização de ano-base ou linha de base para comparação dos resultados de economia de energia (figura 3. e • verificação das incertezas do modelo.3). considerou-se ainda que cerca de 20% das lâmpadas instaladas no setor residencial e 50% dos setores comercial e industrial não são influenciadas pelo período do dia (dia ou noite) ao serem ligadas. • avaliação ao longo da vida útil das lâmpadas.2. as lâmpadas de porões ou depósitos. também. incluiu-se a interferência da latitude.

Figura 3. que se baseia na obtenção do parque de lâmpadas incandescentes e eficientes e nos tempos de utilização. como participação nas vendas de mercado. baseando-se no percentual de lâmpadas com Selo instaladas no País.4.4 • Visão esquemática da economia de energia a partir do modelo proposto (Santos. 95% e 5% para as LFCs e LF circulares. é apresentada a estrutura da modelagem para a determinação da economia de energia atribuída ao Selo Procel Eletrobras. respectivamente. Esse último parâmetro é considerado variável de acordo com a região e período do ano. 140 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . foram utilizados o número de residências com iluminação elétrica (PNAD. Essa parcela foi assumida pela Eletrobras Procel em 20%. devido às influências da latitude e com o setor considerado (residencial ou comercial e industrial).2. Indústria e Comércio Exterior (Brasil.2. 2011). 2009). 2009) Para a formação do parque de lâmpadas. As vendas totais de lâmpadas fluorescentes foram obtidas a partir do sistema “Alice Web” do Ministério do Desenvolvimento.uma parcela é atribuída ao Selo Procel Eletrobras. 2005) e adotados. no âmbito dos equipamentos de iluminação. Na figura 3. a posse média de lâmpadas fluorescentes ou incandescentes (Eletrobras Procel. obtido a partir de consultas ao mercado e em pesquisas relacionadas.

CBLijp . a economia de energia atribuída às lâmpadas eficientes em uma região “i” em um período “p” é calculada pela diferença entre o consumo de energia do mercado da linha de base (baseline). considerando que todo o parque de lâmpadas seria formado por lâmpadas incandescentes e fluorescentes tubulares e o consumo real. fluorescentes tubulares e lâmpadas eficientes (compactas e circulares). FSP Onde: EEjpSP . a economia é dada por: EEijp = CBLijp . no âmbito de lâmpadas eficientes para os dois períodos do ano. então: EEjpSP = EEjp . Então. Uma parcela dessa economia de energia (20%. tem-se a economia do Brasil atribuída a lâmpadas eficientes no setor “j” e período “p”. conforme descrito anteriormente) é atribuída ao Selo Procel. atribuída ao Selo Procel Eletrobras. Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação 141 .CPijp Onde: EEijp . Observe-se que esse valor representa uma economia realizada. com o parque formado por lâmpadas incandescentes.Fração de lâmpadas com o Selo Procel. tem-se a economia de energia do Brasil.Nesse contexto. Somando a economia das cinco regiões brasileiras. CPijp . sendo a economia potencial máxima dada pela diferença entre o mercado na linha de base e o mercado considerando que a totalidade das lâmpadas é eficiente. FSP .Consumo do parque real na região “i” no setor “j” no período “p”. comercial e industrial).Consumo do parque de lâmpadas da linha de base na região “i” no setor “j” no período “p”.Economia de energia na região “i” no setor “j” no período “p”.Economia de energia no setor “j” no período “p” no Brasil atribuída ao Selo Procel. Somando as economias dos três setores considerados (residencial.

2008). Considerando os possíveis desvios envolvidos na modelagem.1 • Parque brasileiro de lâmpadas de uso interno (em milhões de unidades)4 Lâmpada Incandescentes Fluorescentes Tubulares Fluorescentes Compactas Total Residencial (milhões) 238. tendo em vista a facilidade de substituição e seus baixos custos frente aos resultados proporcionados. respectivamente. 12% e 21%.2.2.1. utiliza-se o número de domicílios com iluminação elétrica por região do País. considerou-se o fator de coincidência na ponta de 42%3 tanto para o setor residencial quanto para os setores comercial e industrial. segundo relatório de Simulação de potenciais de eficiência energética (Eletrobras Procel. sem levar em conta o fator de crédito do Procel (20%).64 47.73 190. cerca de 90% do potencial de economia de energia no setor residencial brasileiro é atribuído à substituição de lâmpadas. um grande parque de lâmpadas não eficientes a serem substituídas no País. 3 Valor obtido a partir do percentual de lâmpadas de uso habitual identificado na PPH 2005. fluorescentes tubulares e compactas) é estimado em 530 milhões de unidades.92 477. verificado na PPH 2005. a incerteza na estimativa na Redução de Potência e na Economia de Energia é da ordem de.21 53.2. por setor. De fato.03 212. e o número médio de lâmpadas por domicílio e região.32 No gráfico 3. 4 Para determinação do parque de lâmpadas no setor residencial. segundo a metodologia utilizada nesta avaliação. o que justifica a implantação de campanhas de marketing. são apresentados os cenários de economia de energia totais referentes às substituições das lâmpadas incandescentes pelas lâmpadas eficientes.Para a obtenção da Redução da Demanda na Ponta (RDP). divididas conforme a tabela 3.16 53.30 21. ainda. também da PPH 2005.1. e a posse de lâmpadas por tipo e região. 142 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .52 5.03 Total (milhões) 265. no entanto. O número de lâmpadas nos setores comercial e industrial é considerado como sendo 10% da quantidade do setor residencial (premissa do modelo).13 530.29 Comercial/Industrial (milhões) 26. Tabela 3. Resultados alcançados em 2011 O parque brasileiro de lâmpadas de uso interno (incandescentes. de programas de doações e de descontos (rebate) para a aquisição desses produtos. fornecido pela PNAD do IBGE. Nota-se que existe.

25.000
Cenário real Cenário potencial

23.121,57

20.000 Milhões de kWh

18.500,84

15.000
9.735,50

10.000

7.789,83 4.620,73 1.945,68

5.000

0 Residencial Com/Ind Total

Gráfico 3.2.1 • Cenários de economia de energia para as lâmpadas

Conforme mencionado na descrição da metodologia, a nova sistemática para a quantificação dos ganhos energéticos proporcionados pela utilização das lâmpadas fluorescentes compactas detentoras do Selo Procel Eletrobras permite a divisão dos resultados anuais entre os períodos do ano, assim como nos setores residencial e comercial agregado com industrial, de acordo com a tabela 3.2.2.
Tabela 3.2.2 • Economia de energia atribuída às LFC com Selo Procel Eletrobras em 2010 Setor e Período do Ano Residencial - Período Seco Residencial - Período Úmido Subtotal - Residencial Com/Ind. - Período Seco Com/Ind. - Período Úmido Subtotal - Comércio/Indústria Total Geral EE (milhões de kWh/ano) 931,3 626,7 1.558 231,6 157,5 389,1 1.947,1

O total de energia economizada se distribuiu entre as regiões geográficas do País, conforme a gráfico 3.2.2, apresentado a seguir.

Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação

143

9% 19%

33%

32% 7%

S

SE

CO

NE

N

Gráfico 3.2.2 • Resultados de economia de energia por região geográfica

A RDP, em 2010, como resultado da substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes compactas contempladas com o Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia, é apresentada na tabela 3.2.3.
Tabela 3.2.3 • RDP devida às lâmpadas eficientes com Selo Procel Eletrobras em 2010 Setor de Consumo Residencial Comercial e Industrial Total RDP (MW) 647 72 719

A energia de 1.947 GWh/ano economizada com as substituições analisadas é equivalente à energia produzida por uma usina hidrelétrica de 467 MW durante um ano, considerando um fator de capacidade médio típico de 56% para usinas hidrelétricas e incluindo 15% de perdas médias na transmissão e distribuição. Tal parque gerador demandaria investimentos da ordem de R$ 220 milhões, levando-se em consideração o Custo Marginal de Expansão da Geração de Energia Elétrica - CME (Brasil/EPE, 2011).

Considerações finais
Foi apresentada a metodologia adotada pela Eletrobras Procel para estimar a economia de energia e redução de demanda na ponta das lâmpadas fluorescentes compactas com o Selo Procel Eletrobras. A metodologia se baseia em considerações de dois mercados: linha de base (menos eficiente) e no mercado de lâmpadas com os modelos

144 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

mais eficientes em utilização no Brasil, além de se adequar em algumas premissas do PIMVP. Essa metodologia, com alguns ajustes, vem sendo empregada em outras linhas de ações, como por exemplo na avaliação dos impactos energéticos do Selo Eletrobras Procel em condicionadores de ar, refrigeradores e outros equipamentos. Segundo estimativas, a economia de energia elétrica de quase de dois mil GWh obtida em 2011 se mostra relevante e necessária no cenário de evolução do consumo de energia no País, tendo em vista representar quase 11% do acréscimo no consumo observado entre 2010 e 2011, que foi de aproximadamente 17 mil GWh no período (EPE, 2011). Somente a economia proporcionada pelas LFCs representou cerca de 30% de todo o resultado do Selo Procel Eletrobras no ano.

Referências
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Alice Web. Disponível em: <http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br/>. Acesso em: 10 dez. 2011. BRASIL, EPE. Ministério de Minas e Energia. Empresa de Pesquisa Energética. Plano Decenal de Expansão de Energia 2020. Brasília, DF, 2011. ELETROBRAS PROCEL. Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: pesquisa de posse de equipamentos e hábitos de uso da classe residencial. Rio de Janeiro, 1998. ________________. Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: pesquisa de posse de equipamentos e hábitos de uso da classe residencial no ano base 2005. Rio de Janeiro, 2007. ________________. Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: simulação de potenciais de eficiência energética para o setor residencial. Rio de Janeiro, 2008. EPE. Empresa de Pesquisa Energética. Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética, v. 4, nº. 40, jan. 2011. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra a Domicílio (PNAD), 2006. SANTOS, M. A., et al. Avaliação dos resultados obtidos em 2007 pelas lâmpadas eficientes com selo Procel. XX SNPTE, Recife: [s.n.], 2009.

Metodologia de avaliação do Selo Procel Eletrobras em sistemas de iluminação

145

4

Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes - Reluz

Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Moisés Antônio dos Santos Eletrobras Procel

O Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes (Reluz), criado em 2000, implementa projetos de eficiência energética, substituindo equipamentos com tecnologias menos eficientes por outras de maior eficiência. Este capítulo aborda o desenvolvimento do Programa, destacando sua história, funcionamento, ações realizadas e resultados obtidos.

146 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

Considerações iniciais
A iluminação pública (IP) é essencial à qualidade de vida nos centros urbanos, atuando como instrumento de cidadania, permitindo aos habitantes desfrutar plenamente do espaço público no período noturno. Além de estar diretamente associada à segurança no tráfego e de pessoas, a IP embeleza as áreas urbanas, destaca e valoriza monumentos, prédios e paisagens, facilita a hierarquia viária, orienta percursos e permite melhor aproveitamento das áreas de lazer. Dessa forma, a melhoria da qualidade dos sistemas de IP favorece o turismo, o comércio e o lazer noturno, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico da população. A IP no Brasil corresponde a aproximadamente 4,5% da demanda nacional e a 3% do consumo total de energia elétrica do País. O equivalente a uma demanda de 2,2 GW e a um consumo de 9,7 bilhões de kWh/ano (EPE, 2008). Devido a essa importância, a Eletrobras desde os anos 1990 atua promovendo a disseminação das tecnologias eficientes para a IP. Com o objetivo de institucionalizar as ações voltadas à melhoria nessa área, no ano 2000 foi lançado o Procel Reluz, uma iniciativa da Eletrobras apoiada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Desde seu lançamento, o Programa já ajudou a economizar 885 milhões de kWh de energia elétrica por meio da melhoria de mais de 2,5 milhões de pontos de IP.

Procel Reluz: informações gerais
O Programa Procel Reluz, de abrangência nacional, consiste, basicamente, na implementação de projetos de eficiência energética nos sistemas de IP e sinalização semafórica por meio da substituição de lâmpadas incandescentes, mistas e a vapor de mercúrio por outras mais eficientes. Uma lâmpada a vapor de mercúrio de 250 W pode ser substituída por outra a vapor de sódio de 150 W, mantendo o mesmo nível de iluminância. Além das lâmpadas, outros equipamentos são substituídos ou instalados, de forma a tornar todo o conjunto eficiente. São abrangidos os relés fotoelétricos, os reatores eletromagnéticos, os ignitores, as luminárias e até os braços de sustentação destas. No caso da sinalização semafórica, substituem-se as lâmpadas incandescentes por sistemas que utilizam diodos emissores de luz (LEDs – light emitting diode), com maior vida útil e consumo de energia até 90% menor.
Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes - Reluz 147

. e tem como metas tornar eficientes cinco milhões de pontos de IP e instalar um milhão de novos pontos no País. . Segundo levantamento realizado pela Eletrobras.Melhoria da sinalização semafórica.277 GWh/ano de consumo de energia elétrica. . Em 2011.Iluminação especial. tornando a cidade mais segura.Iluminação de áreas públicas esportivas.Expansão de pontos de IP. O Procel Reluz previa financiamentos com recursos provindos da Reserva Global de Reversão (RGR). a carteira de projetos do Procel Reluz contava com mais de R$ 1 bilhão contratados. enquanto que para as 148 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . além de obter reduções estimadas de 292 MW de potência e 1. O financiamento corresponde a até 75% do valor total do projeto. 2006).eletrobras. disponível no site da Eletrobras Procel (www. e . os fatores que mais estimulam as concessionárias a aderirem ao Programa são as condições de pagamento do financiamento e a possibilidade de atualizarem seus cadastros.Melhoria dos sistemas de IP. .Inovação tecnológica na IP. o Governo conseguirá reduzir a despesa dos municípios com IP em aproximadamente R$ 184 milhões por ano. Informações mais detalhadas sobre essa tramitação podem ser encontradas no manual de instruções do Reluz. As categorias de projetos elegíveis ao financiamento são: . sendo os 25% restantes de responsabilidade das prefeituras ou concessionárias (Eletrobras Procel.Remodelagem dos sistemas de IP.Procedimentos para adesão Os municípios interessados em modernizar seus sistemas de IP dirigem-se diretamente aos agentes executores (concessionárias locais de energia elétrica) que negociam com a Eletrobras um financiamento para os projetos.com/procel). Os benefícios do Programa Há dois objetivos principais em se tornar eficientes os sistemas de IP: diminuir o consumo de energia elétrica com o aumento do nível de iluminação e melhorar as condições de vida da população. Atendendo às metas do Programa. sendo cerca de R$ 400 milhões já investidos. .

1 • Fatores que estimulam a adesão das concessionárias ao Reluz (Pesquisa de opinião sobre o Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente) 76% 61% 21% 17% 10% 5% A B C D E F 4% G 2% H 2% I A .Possibilidade de negociar a conta de energia elétrica G .Outras razões Gráfico 4.Reluz 149 .Padronização de equipamentos Gráfico 4. 2005).Visibilidade das ações e dos resultados D .Possibilidade de negociar a dívida de energia do município F . 64% 64% 59% 55% 55% 55% 55% A B C D E F G A .prefeituras o estímulo fica por conta da possibilidade de redução dos gastos na fatura de energia (Siqueira.2 ilustram essas informações.Visibilidade das ações I .Busca de um sistema de iluminação eficiente C .Aumento da vida útil de instalações e equipamentos G . Os gráficos 4.Oportunidade de ter um cadastro atualizado do parque de IP H .Aumento da vida útil das instalações e equipamentos D .Oportunidade de ter um cadastro atualizado do parque de IP C .Boas condições de pagamento E .Cumprimento de obrigações junto à agência reguladora (Aneel) e outros órgãos E .1 e 4.Condições de pagamento B .Diminuição da conta de energia elétrica B .Padronização de equipamentos F .2 • Fatores que estimulam a adesão das prefeituras ao Reluz (Pesquisa de opinião sobre o Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente) Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes .

• diminuição dos estoques de material. e • utilização de relés fotoelétricos mais eficientes.(P2 + R2)] x N x T x 10-9 Demanda Retirada da Ponta (MW) = [(P1 + R1) . A metodologia utilizada é a apresentada a seguir: Economia de Energia (GWh/ano) = [(P1 + R1) . • qualificação técnica dos envolvidos nos projetos. • utilização de equipamentos eficientes de maior vida útil. e • melhoria da qualidade da manutenção. e • aumento da satisfação da população. Resultados do Programa A determinação da economia de energia elétrica e da demanda retirada do horário de ponta do sistema elétrico é baseada nas informações contidas nos projetos aprovados pela Eletrobras e executados pelas concessionárias no período de avaliação. há outras vantagens diretas e indiretas para as prefeituras e concessionárias. permitindo postergar investimentos na construção de usinas de geração de energia elétrica. conforme destacados a seguir: Benefícios diretos para as prefeituras • redução do consumo de energia elétrica. • redução da fatura de energia elétrica. • redução do índice de manutenção nos pontos de iluminação. • melhoria da iluminação da cidade. Benefícios indiretos para prefeituras e concessionárias • redução de compras de equipamentos de ip. reduzindo a manutenção e acionando as lâmpadas com maior precisão (ligando mais tarde e desligando mais cedo). Benefícios diretos para as concessionárias • oportunidade de atualização de cadastro.(P2 + R2)] x N x FC x 10-6 150 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .Além dos benefícios ao País. • oportunidade de tornar o município adimplente.

27 2007 168.380 h/ano FC o fator de coincidência na ponta.7 1.789. A evolução do número de pontos substituídos e de seus correspondentes resultados em termos de energia economizada e redução de demanda na ponta.029.281 3. considerado aqui.95 (Eletrobras Procel Reluz) 1 Entre 1994 e 1999 foram substituídos 709.559 2011 223.Reluz 151 .580 2.049.529 962. ou seja. conforme atestaram as supervisões físicas in loco realizadas pela equipe de engenheiros do Procel Reluz. e o restante como contrapartida dos beneficiários. igual a 1.057.55 222.066. a média de lâmpadas ligadas simultaneamente na ponta.88 1.24 237.21 265. 2012).19 milhões de kWh/ano e 62. a 58.281. que contempla ainda os projetos anteriores1 ao lançamento do Procel Reluz. sendo R$ 68.658 2009 66. A economia de energia elétrica e a redução de demanda totais decorrentes das ações desenvolvidas no âmbito do Procel Reluz em 2011 corresponderam.31 4.74 58.621. em 2000. A substituição desses pontos envolveu investimento de aproximadamente R$ 91 milhões.82 252.788 66.043 2010 89.25 15.1.968.09 13.44 mil kW de redução de demanda na ponta. com recursos da RGR.051 2008 112.58 242.902.83 245.03 1.18 3. Tabela 4.09 16. podem ser observados na tabela 4.621.526 pontos de IP.1 • Resultados do Procel Reluz de 1994 a 2011   Número de pontos de IP substituídos no período Número pontos de IP substituídos (acumulado) Economia de energia no período (milhões de kWh) Economia de energia acumulada (milhões de kWh) Demanda retirada da ponta no período (MW) Demanda retirada da ponta acumulada (MW) 1994 a 2006 2.87 1.03 GWh e 13.948 2. conforme já citado.840 3. que proporcionaram uma economia de 269.27 222. distribuídos em oito unidades da federação.92 29.529 2.238 2.21 MW (Eletrobras Procel.51 20.sendo: P1 a potência da lâmpada substituída (W) R1 a potência do reator substituído (W) P2 a potência da lâmpada instalada (W) R2 a potência do reator instalado (W) N a quantidade de pontos de IP substituídos T o tempo de utilização das lâmpadas no ano = 12 horas/dia x 365 dias/ano = 4. Esses resultados foram oriundos da substituição de mais de 223 mil pontos de IP em 65 municípios.096. respectivamente.06 1.4 milhões financiados pela Eletrobras. Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes .06 6.55 962.154. no período de 1994 a 2011.

1 .948 O gráfico 4. Tabela 4.2 • Pontos de Iluminação Pública Eficientes Implementados em 2011.1 .a até 4. 152 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .3 apresenta a distribuição regional dos pontos de IP tornados eficientes pelo Procel Reluz no país em 2011.3 • Distribuição regional dos pontos modernizados pelo Reluz em 2011 A seguir algumas fotos (figura 4. a seguir.675 92.656 27.873 223. apresenta a quantidade de pontos de IP eficientes implementados em cada estado contemplado pelo Reluz no ano de 2011.046 1.220 15.560 8.126 48.f) de projetos executados pelo Procel Reluz em diversos estados brasileiros. por estado Estado Goiás Mato Grosso do Sul Minas Gerais Rio Grande do Sul Paraná Piauí São Paulo Tocantins Total Número de Pontos 11. NE 7% SE 12% N 41% CO 6% S 34% Gráfico 4.792 18.A tabela 4.2.

a) b) c) d) e) f) Figura 4.1 .a até 4. Rio Grande do Sul e Minas Gerais Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes .1.Reluz 153 .f • Procel Reluz em Tocantins.

Rio de Janeiro. SIQUEIRA. Rio de Janeiro.procelinfo. Além dos benefícios conhecidos. Manual de instruções do Programa Reluz.br>.7 milhões de pontos de IP (Eletrobras Procel. 2012. Disponível em:<www. o Programa Procel Reluz traz muitos benefícios à sociedade e ao País.com. 2005. Boletim de estatística mensal de energia elétrica: dezembro de 2007. gerando uma economia de energia da ordem de 1. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética..5 milhões. Além disso. que contribui para o uso confortável e seguro do espaço urbano noturno.15 bilhão de kWh. com investimentos de cerca de R$ 400 milhões. o Procel Reluz ainda tem o grande mérito de promover a universalização do acesso da população brasileira a uma iluminação pública de qualidade e eficiente. Como se pode perceber. 2006. 2012. com destaques para a qualificação técnica da mão de obra envolvida nos projetos e a melhoria na gestão dos recursos e da qualidade dos serviços prestados. que vão desde a sensação de maior segurança até a postergação de investimentos em geração de energia elétrica. Acesso em: 21 set. Pesquisa de opinião sobre o Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente – Reluz. há uma gama de benefícios diretos e indiretos para as prefeituras e concessionárias.Considerações finais Estima-se que atualmente o Brasil tenha em torno de 14. Empresa de Pesquisa Energética. ________________. M. e que o Procel Reluz já tenha atuado em mais de 2. Rio de Janeiro. al. et. 2012). 2008. Relatório de resultados do Procel 2012: ano base 2011. 154 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Referência ELETROBRAS PROCEL. C. EPE.

Avaliação de sistema de iluminação pública do Procel Reluz 4. Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 155 . os impactos energéticos e luminotécnicos. os ganhos pós-execução dos projetos. Foram verificados a adequação dos equipamentos em uso. assim como a percepção da população sobre a modernização dos sistemas.1 Álvaro Medeiros De Farias Theisen Testtech Laboratórios Luciano de Barros Giovaneli Eletrobras Procel Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT-participante Moises Antônio dos Santos Eletrobras Procel Este artigo apresenta os principais resultados de uma parceria firmada entre a Eletrobras Procel e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). para avaliar os sistemas de iluminação pública implementados pelo Procel Reluz.

os ganhos pós-execução dos projetos. Siqueira. b) Verificação dos ganhos pós-implantação de sistemas eficientes de iluminação pública. Em 2006. ações que melhorem a qualidade dos sistemas de IP impactam diretamente na rotina das cidades e. a Eletrobras Procel e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) firmaram uma parceria para avaliar alguns dos sistemas de IP do País. além dos impactos energéticos e luminotécnicos e a percepção da população com a melhoria dos sistemas (Menezes. 2009). orienta percursos e. entre outros aspectos. prédios e paisagens. nesse sentido. contribui com a segurança pública e o tráfego. cujo objetivo é identificar e corrigir os pontos negativos e consolidar e replicar os pontos positivos (Santos. com o intuito de identificar o nível de perenização dos projetos financiados pela Eletrobras. sobretudo. Por esses motivos. potencializa o uso das áreas de lazer no período noturno. 2011). no âmbito do Procel Reluz. modernizados entre os anos de 2001 e 2003. é importante ressaltar que o processo de melhoria contínua deve passar por avaliações das ações já realizadas. tais como a adequação dos equipamentos em uso. Ao longo das atividades foram verificados alguns itens. O projeto foi coordenado pela Eletrobras Procel e executado pela PUCRS num período de quatro anos. destaca e valoriza monumentos. cujas atividades foram divididas em três linhas de ação: a) Avaliação dos sistemas de IP financiados pelo Procel Reluz no Rio Grande do Sul. foi selecionada uma amostra com 200 pontos 156 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Ramalho. e c) Estudo para comprovação da vida útil das lâmpadas a vapor de sódio declarada pelos fabricantes. Avaliação dos sistemas de IP financiados pelo Procel Reluz no RS De acordo com a metodologia de estudo estabelecida pelas equipes da Eletrobras Procel e da PUCRS.Considerações iniciais A iluminação pública (IP) tem se consolidado como um serviço fundamental à qualidade de vida da sociedade.

As atividades desenvolvidas foram divididas da seguinte maneira. As iluminâncias foram medidas em 110 pontos de cada uma das vias.de IP. 1992).1. incluindo a uniformidade da distribuição da luz. eram fechadas. Santo Ângelo e Viamão.1.1 apresenta os resultados obtidos entre os vãos de uma rua em cada cidade selecionada. A seleção desses projetos considerou o critério de distribuição entre as concessionárias que atuam no estado e também a inclusão de um município litorâneo (Osório). atendendo aos requisitos da norma sobre luminárias para IP – NBR 15129 (ABNT. conforme especificado na Norma Brasileira de Iluminação Pública .NBR 5101 em vigência na época do estudo (ABNT. Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 157 . antes e depois das trocas dos conjuntos de IP. em substituição às antigas. Caxias do Sul. 2004). Destaca-se ainda que todas as luminárias colocadas. dividida entre as cidades gaúchas de Bagé.1 • Etapas realizadas para avaliação dos sistemas de IP Medições luminotécnicas em campo Quanto às medições luminotécnicas realizadas em campo. a tabela 4.1. Pelotas. É oportuno registrar que nesse capítulo o nome das cidades foi omitido e a denominação utilizada não mantém relação com a ordem alfabética da lista de cidades outrora mencionadas.1: Figura 4. Gramado. Osório. conforme ilustrado na figura 4.

38 111.67 Cidade 1 Cidade 2 Cidade 3 Cidade 4 Cidade 5 Cidade 6 Cidade 7 Fechada Aberta Aberta Aberta Fechada Aberta Fechada 0. assim.26 Iluminância antes (lux) Iluminância depois (lux) Cidade Máxima 17.43 Média 8. antes e depois da substituição dos conjuntos de IP Tipo de luminária antes da troca Fator de Uniformidade (antes) Fator de Uniformidade (depois) 0.80 14.03 0.73 2.30 28.19 2.39 0. em vez de 220 V.71 3.73 lux.33 2. 158 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .10 11. o que ocasionou uma perda significativa no fluxo luminoso da lâmpada quando operada nesta tensão.25 0. tendo em vista que o aumento da iluminância média foi maior que o da iluminância mínima.27 0. Cabe destacar que o fator de uniformidade é a relação entre a iluminância mínima e a média.30 Mínima 3.34 0.13 0. como arborização sob a luminária.10 0. por exemplo.1.73 31.06 34.90 38.46 46.48 1. mesmo após quatro anos de uso.16 9.46 0. Percebe-se que. os reatores deveriam ser de 240 V.1.82 20. verificou-se que a iluminância mínima baixou de 2.80 110. principalmente pela ocorrência de obstruções à luz.89 8. quanto mais próximo da unidade.70 Mínima 3.66 25. evidenciando que essa norma brasileira necessita ser revisada. cujo valor pré-estabelecido para a iluminância mínima é de dois lux para esse tipo de via.09 0.Tabela 4.67 16.15 Os dados apresentados na tabela 4. em alguns casos.08 14. as iluminâncias mínimas medidas nas cidades que utilizam luminárias fechadas atendiam à norma NBR 5101.70 125.73 11.06 0.30 2.51 0.80 67.07 3. Nota-se que.74 1.25 Máxima 27.60 46.45 Média 10. pois. a uniformidade diminuiu. Na cidade 5.48 lux para 0. tendo em vista algumas obstruções no momento da medição que interferiram nos resultados. mesmo após as substituições dos conjuntos de IP.1 • Iluminâncias medidas em cada cidade.69 28. por exigência da prefeitura local.82 9.1 indicam quando a norma NBR 5101 não foi atendida. melhor a distribuição de luz em uma via.42 4. Em alguns casos.51 7.19 0. a norma NBR 5101 não foi atendida.19 0.42 0.76 3.15 0.05 0.

Assim. 2011). 2005).000 Fluxo médio em relação ao fluxo padrão Reluz (%) 86. após quatro anos de uso.600 14.74 55.8 13.534 Fluxo padrão Reluz (lm) 5.59 58. conforme pode ser verificado na tabela 4. fato que corrobora a exigência atual do Procel Reluz a esse tipo de equipamento. Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 159 .1 102 Nesta etapa.1. ocorreu uma degradação do fluxo em menos de 30%.170.3 • Rendimento das luminárias substituídas Cidade 1 2 3 4 5 6 7 Luminária retirada Fechada Aberta Aberta Aberta Fechada Aberta Fechada Rendimento médio (%) 68. Tabela 4. Tabela 4. as luminárias fechadas apresentaram um desempenho muito superior em comparação às abertas. o que atende ao critério exigido de vida útil1.1.1. somado ao efeito das respectivas queimas ocorridas no período.Ensaios em laboratórios Em laboratório. devido à depreciação do fluxo luminoso de cada lâmpada.1. tendo em vista o ano de fabricação dessas. utilizando-se o equipamento goniofotômetro. a partir da amostra de 200 pontos de IP. Destaca-se que 70% das lâmpadas ensaiadas eram originais do Projeto Reluz. e 3% sequer funciona1 Vida útil (h): é o número de horas decorrido quando se atinge 70% da quantidade de luz inicial.2 • Fluxo luminoso das lâmpadas substituídas Potência (W) 70 150 250 Fluxo médio (lm) 4. nota-se que 71% dos relés fotoelétricos não atendiam à norma específica no que diz respeito ao ligamento e desligamento. foram realizadas medições do fluxo luminoso – lúmen (lm) – das lâmpadas coletadas das ruas e foi constatado que.15 74.81 55.1. conforme pode ser verificado na tabela 4.2.2 94. o fluxo verificado estava acima do exigido pelo Procel Reluz (Eletrobras Procel. também cabe destacar que.74 74 58. ou seja.1.6 26. 30% de redução na quantidade de luz inicial (OSRAM. foram ensaiadas 31 luminárias no laboratório de iluminação do Eletrobras Cepel.06 No gráfico 4.3.826.000 26. No caso das lâmpadas de 250 W.

principalmente por conta dos capacitores danificados. com apoio da PUC-Rio. Nessas entrevistas.1 • Funcionamento dos relés fotoelétricos No que se refere aos reatores. antes e depois de sua modernização nas cidades de Belo Horizonte e Porto Alegre. buscou-se identificar a percepção das pessoas em relação à IP dos municípios avaliados. observou-se que 93.3% dos integrados às luminárias eram originais do Projeto Reluz. foi possível estimar que. Verificação dos ganhos pós-implantação de sistemas eficientes de IP O objetivo desta ação foi avaliar os parâmetros luminotécnicos do sistema de IP. Com os dados levantados em laboratório. três fases de entrevistas com a população local foram realizadas. ao passo que no caso dos reatores externos este percentual cai para 81%.1. os relés mantêm as lâmpadas acesas 27 minutos além do necessário. 160 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . lançando-se mão de painéis com 150 moradores em cada uma das duas cidades. Paralelamente. o que se torna um desperdício considerável de energia elétrica.vam. Não funciona 3% Atende à norma 26% Não atende à norma 71% Gráfico 4. os quais foram entrevistados em três ocasiões: antes do início das obras financiadas no âmbito do Procel Reluz. Essa diferença pode ser justificada em função da maior proteção dada aos reatores integrados contra efeitos climáticos e de depredação. imediatamente após as obras e um ano após a conclusão dessas. Outra constatação foi o baixo fator de potência observado. em média.

as medições de campo foram feitas em diferentes localidades da cidade e abrangeu diferentes potências de lâmpadas.97 0. conforme pode ser visto na tabela 4. totalizando 21 medições em sete vias distintas. tendo em vista que.1. o que contribui para a sensação de segurança e conforto dos pedestres.63 0. não atendendo a um padrão de iluminância adequado. observando-se inclusive um aumento na iluminação das calçadas.04 Depois 29.4. Em Belo Horizonte.73 0.10 Pode-se verificar uma melhoria considerável do nível de iluminância. Tabela 4. Em Porto Alegre.32 0.02 Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 161 .1. Tabela 4. Há de se considerar a diminuição da uniformidade devido ao fato de o aumento da iluminância média ter sido superior ao da iluminância mínima. um ano após a conclusão do Projeto de Modernização da IP. houve atrasos nas substituições da IP durante a implementação do Reluz.4 • Situação luminotécnica antes e depois do Projeto Reluz em Belo Horizonte Antes Iluminância média (lux) Fator de Uniformidade 3. Em Porto Alegre. a seguir. Os resultados médios são apresentados na tabela 4. serão apresentadas.1. as medições ocorreram em julho de 2007 e maio de 2010. As medições após a execução foram realizadas em junho do mesmo ano.As medições luminotécnicas foram realizadas antes da execução da melhoria da IP em Belo Horizonte no mês de janeiro de 2008. as principais informações levantadas nas medições e nas entrevistas que puderam ser realizadas nas duas cidades.5 • Situação luminotécnica antes e depois do Projeto Reluz em Porto Alegre Antes Iluminância média (lux) Fator de Uniformidade 6. não puderam ser realizadas. tendo em vista que a parceria entre a Eletrobras e a PUCRS terminou em agosto de 2010.1. No entanto. Também por conta dos atrasos na execução da substituição da IP pela prefeitura de Porto Alegre. as entrevistas com a população.24 Depois 10.5. nesta cidade. a situação foi similar. que apresentava uma distribuição mais uniforme. diferente da situação anterior.

a) Péssima 18% Boa 35% Ótima 5% b) Ruim Péssima 2% 2% c) Ruim Péssima 4% 1% Regular 9% Ótima 23% Regular 17% Ótima 25% Ruim 13% Regular 29% Boa 54% Boa 63% Gráfico 4. Antes do Reluz Depois do Reluz 20% 40% 40% 20% 60% 20% Avaliação negativa Avaliação regular Avaliação positiva Gráfico 4.1. a percepção das pessoas se manteve positiva naquela cidade. antes e depois da implantação do Projeto Reluz pode ser verificada no gráfico 4.3. b) logo após a melhoria na IP e c) um ano após a melhoria na IP A percepção da população de Porto Alegre com a IP.O gráfico 4.1.3 • Percepção da população de Porto Alegre com a IP do município antes e logo após a melhoria na iluminação 162 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . mesmo após um ano de seu término.1. Nota-se que a satisfação aumentou imediatamente após a conclusão das melhorias nas instalações e.1.2 apresenta a opinião da população de Belo Horizonte sobre a IP do município nas três fases de entrevistas.2 • Percepção da população de Belo Horizonte com a IP do município: a) antes da melhoria na IP.

Nesse caso. a satisfação dos moradores de Belo Horizonte com a nova cor da iluminação (amarelada.3% dos pesquisados a consideraram uma luz mais clara. Outro fator interessante de registrar foi a sensação de segurança da população em ambas as cidades. característica das lâmpadas a vapor de sódio). por parte dos moradores. conforme pode ser visualizada no gráfico 4. Belo Horizonte 46% 51% 43% 37% 29% 33% 34% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Positiva 11% 16% Regular Antes Logo depois 1 ano depois Negativa 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% 0% Positiva 20% Porto Alegre 100% 80% 0% 0% Negativa Regular Antes Logo depois Gráfico 4.4 • Avaliação.1. também. Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 163 . verificou-se que a avaliação positiva passou de 20% para 40% imediatamente depois da troca da iluminação.4. ocasionando uma melhor iluminação nas ruas. sendo que 94.1. que aumentou com a nova iluminação em seus bairros. da segurança nos bairros de Belo Horizonte e Porto Alegre com a nova IP Observou-se.

000 h. conforme declarado pelo fabricante. a fim de se verificar se eram lâmpadas originais do Projeto. atendida pela Escelsa. a fim de assegurar uma melhor representatividade da amostra. além de possuírem lâmpadas de diferentes fabricantes. e Limeira. para a avaliação em laboratório. atendida pela CPFL Paulista. também a vapor de sódio 70 W.Estudo para a comprovação da vida útil das lâmpadas a vapor de sódio declarada pelos fabricantes Para a realização deste estudo foram selecionadas quatro cidades beneficiadas pelo Procel Reluz nos anos de 2001 a 2003.6 • Lâmpadas originais e não originais do Projeto Reluz nas cidades Cidade Cidade 1 Cidade 2 Cidade 3 Cidade 4 Tipo de luminária Fechada Fechada Aberta Aberta Percentual de lâmpadas originais (%) 96 58 28 62 Percentual de lâmpadas não originais (%) 4 42 72 38 164 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . a saber: Campinas/SP. as lâmpadas foram substituídas por novas. Duque de Caxias/RJ. nas quais foram coletadas amostras de 50 lâmpadas em cada uma. As lâmpadas coletadas foram confrontadas com o ano de implementação dos Projetos Reluz de cada município. fluxo luminoso de 6. Assim. Conforme feito na seção que apresentou os resultados da avaliação nas cidades do Rio Grande do Sul.1. totalizando 200 unidades. atendida pela Elektro. Cariacica/ES. as cidades participantes tiveram seus nomes preservados. quando da apresentação das informações obtidas. Os anos de 2001 a 2003 foram escolhidos tendo em vista que as lâmpadas estariam no final das suas vidas úteis. A coleta das lâmpadas ocorreu em 2007 de forma aleatória em cada cidade. A escolha das cidades levou em consideração a época em que o Reluz foi executado e que os municípios fossem atendidos por distintas concessionárias de energia./SP. atendida pela Light.6: Tabela 4. atendidas por diferentes concessionárias de distribuição de energia elétrica. foram selecionados os bairros ou regiões em que haviam sido implementados Projetos do Reluz nos anos de interesse e que utilizavam lâmpadas a vapor de sódio 70 W. O trabalho foi executado em cidades da região Sudeste do País. obtendo-se as informações apresentadas na tabela 4. As lâmpadas coletadas foram substituídas por lâmpadas novas de forma a garantir os níveis de iluminação originais. Após a definição dos pontos de coleta.1.600 lm e vida mediana de 28.

1. Lúmens 6.000 1.. sendo que estes deveriam ter sido instalados na luminária.000 4.000 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 Lâmpadas Gráfico 4. que em pouco tempo deteriorou-se.1.000 10.5.000 15.000 3. Esse fato teve como causa uma falha na instalação do conjunto de IP. permitindo a passagem de água e.000 Fluxo Luminoso / Horas de uso Horas 25.8) mostram a comparação entre os fluxos luminosos das lâmpadas originais coletadas (representado pelas barras verticais) e o respectivo número de horas de utilização (pontos) em cada cidade avaliada. 4.000 15..000 10.6.000 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 Lâmpadas Gráfico 4. 2009) Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 165 .6 • Comparação das lâmpadas originais do Projeto Reluz na Cidade 2 (Santos.000 20. Com a intenção de vedar os terminais da tomada do relé na luminária foi colocado silicone. Os gráficos (4.000 5.000 fluxo de referência (5. mesmo com luminárias fechadas.000 2.000 1.1. David et al. queimando as lâmpadas. consequentemente.Cabe destacar que na Cidade 2. se comparado com a Cidade 1.5 • Comparação das lâmpadas originais do Projeto Reluz na Cidade 1 (Santos et al. 4. o número de trocas de lâmpadas foi alto.000 20.600) horas Horas 25.000 2.1.600) horas 5.000 5.000 3.000 4. Magalhães.1.000 5.1.7 e 4. Os relés fotoelétricos foram instalados nos postes. 2009) Lúmens 6.000 Fluxo Luminoso / Horas de uso fluxo de referência (5.

8 • Comparação das lâmpadas originais do Projeto Reluz na Cidade 4 (Santos.000 10. Magalhães.000 18.000 4.500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 17.1.000 3. Magalhães.000 19..000 5.000 Lâmpadas Gráfico 4.. David et al.000 19.600) horas Horas 30.500 2. 2009) Lúmens 6.000 15. David et al.600) horas Horas 20.000 20.500 4.000 1.000 25.000 18.Lúmens 6.000 5.7 • Comparação das lâmpadas originais do Projeto Reluz na Cidade 3 (Santos.000 1.000 3.000 5.000 Fluxo Luminoso / Horas de uso fluxo de referência (5.000 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Lâmpadas Gráfico 4.000 Fluxo Luminoso / Horas de uso fluxo de referência (5. 2009) 166 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .1.000 17.000 2.

1. avaliações sistemáticas do parque instalado permitem acompanhar o real comportamento dos equipamentos em campo.4%) 20.7 apresenta um resumo das informações obtidas no estudo com as lâmpadas originais do Projeto Reluz executado nas cidades. No caso dos reatores já existe um programa de etiquetagem e de concessão do Selo Procel Eletrobras. os relés fotoelétricos e os reatores.7 • Resumo das informações obtidas sobre as lâmpadas originais do Projeto Reluz Tipo de luminária Lâmpadas originais do Reluz (%) Lâmpadas com fluxo acima de 85% (>= 4. No caso específico da avaliação dos sistemas de IP financiados pelo Procel Reluz.4 (83. O Governo Federal e a Eletrobras Procel. David et al.482 (80%) 62 (88. além de gerar um volume de dados que certamente vão auxiliar no planejamento de novas ações.1.600 lm Potência média (W) (referência 70 W) Tempo médio de uso (h) Cidade 1 Fechada 96% 87% 100% 4. no Rio Grande do Sul.6%) 20.Por fim.471 (80%) 66.976 Cidade 3 Aberta 28% 64% 100% 4. Considerações finais Os resultados obtidos ao longo do projeto reforçam a importância de se investir na modernização dos sistemas de IP do País.920 lm) Lâmpadas com fluxo abaixo de 70% (< 3. 2009) Nota-se que quase todas as lâmpadas originais dos Projetos Reluz atenderam ao requisito de tempo de vida útil declarado pelos fabricantes.316 (Santos. tanto para se obter a redução da carga instalada quanto para combater o desperdício de energia elétrica.760 lm) Lâmpadas com fluxo acima de 70% (>= 3. Nesse sentido. a tabela 4. principalmente em relação ao baixo fator de potência.145 (74%) 58. Tabela 4. Magalhães.5 (95%) 20. junto com o Insti- Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 167 ..9 (92.620 Cidade 4 Aberta 62% 83% 97% 3% 4.920 lm) Fluxo médio (lm) – referência: 5. como por exemplo.592 Cidade 2 Fechada 58% 33% 97% 3% 4.000 horas.7%) 19.652 (83%) 64. que é em média 20. ficou evidente que nas cidades participantes do estudo alguns equipamentos precisavam ser aperfeiçoados.

tendo em vista o demasiado tempo de ensaio que seria necessário para se atingir sua vida útil – atualmente esses ensaios são realizados em um curto período (100 horas de sazonamento) para verificação das características elétricas e fotométricas. sendo que a norma NBR 60598-1: 2010 . o que poderá ocorrer nos próximos anos. 168 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . estão trabalhando para tornar compulsória a etiquetagem. aproximadamente. Nesse estudo ressalta-se que foi possível coletar os equipamentos em condições reais de uso e ensaiá-los ao final de sua vida. em grande parte. consequentemente. revisada e publicada em abril de 2012. Outro fato comprovado foi a satisfação que a nova iluminação trouxe aos moradores beneficiados.Parte 1: Requisitos Gerais e Ensaios. Ensaios laboratoriais nesse tipo de lâmpada não são de fácil realização. publicada em julho de 2012. assim como a NBR 5101:2012: Iluminação Pública – Procedimentos. mostrando claramente a sensível melhoria na IP dos municípios pesquisados.Luminárias para iluminação pública . e a NBR 15129:2012 . foram geradas importantes informações para que se pudesse dar início à concessão do Selo Procel Eletrobras para as lâmpadas a vapor de sódio em 2008. Comprovou-se que as vidas úteis declaradas pelos fabricantes estavam consistentes com as verificadas após 20 mil horas de uso. tanto sobre a qualidade da luz e sua nova cor quanto na sensação de segurança que ela trouxe.Requisitos particulares. Outro fato evidenciado foi a necessidade de revisão das normas brasileiras de IP. No caso dos relés. alavancando o comércio local. baseando-se. Em outra linha de ação do estudo. nas constatações desse projeto e teve concluída a fase de ensaios em laboratório e apresentada a proposta de formatação do programa em 2012. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). verificou-se a efetividade do Procel Reluz. de forma a comprovar sua durabilidade. permitindo o incremento das atividades noturnas e. os trabalhos para certificação foram iniciados em 2010.tuto Nacional de Metrologia.295/2001. foi revisada e relançada em dezembro de 2010. Finalmente. no âmbito da Lei 10. O estudo trouxe subsídios a essa revisão. Cabe ressaltar que outras normas encontram-se em processo de realinhamento.

C. Avaliação da vida útil das lâmpadas a vapor de sódio de 70 W. ELETROBRAS PROCEL. R. M. et alii. _______________. Disponível em: <http://www. Belém. Revista Brasileira de Energia. osram. Anais.com. Avaliação do desempenho dos sistemas de iluminação pública implementados pelo Programa Reluz. Florianópolis.eletrobras.15. Abril. In: XXI SNPTEE. 2011. 2005. Acesso em: 5 jan. 2009. 2011. 2010. T.. NBR 15129:2004 – Luminárias para iluminação pública .. Catálogo sobre lâmpadas de descarga. MENEZES. C. OSRAM. p. Rio de Janeiro. SANTOS. NBR 5101:1992 – Iluminação Pública. Sem. 1. Avaliação de sistemas e equipamentos de iluminação pública: estudo de caso em projetos do Procel Reluz.Requisitos particulares. SIQUEIRA. In: CBEE. 3. J. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Associação Brasileira de Normas Técnicas.br>. MAGALHÃES. R. 2011.. Novembro.. Avaliação de Sistema de Iluminação Pública do Procel Reluz 169 .73-89. Florianópolis. L. 1. ________________. et alii. 2011. RAMALHO.. Belém. L. Acesso em: 5 jan. Itajubá. P. n. DAVID. M.. V. Disponível em: <http://www.. v.com/procel. 1992.Referências ABNT. Manual de instruções do Programa Reluz. 2009. Anais. 2009. A. M.

Nesse sentido. Este texto apresenta uma síntese dos resultados obtidos nesses estudos.4. a Eletrobras Procel e seus parceiros vêm ao longo dos anos desenvolvendo estudos para avaliar o desempenho desses equipamentos e propor ações de melhoria. assim como os seus respectivos desdobramentos. 170 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .2 Estudo sobre relés fotocontroladores Álvaro Medeiros De Farias Theisen Testtech Laboratórios Rafael Meirelles David Eletrobras Procel O relé fotocontrolador desempenha um papel fundamental no sistema de iluminação pública.

portanto. por exemplo.2. comprometendo significativamente o controle do desperdício de energia do sistema como um todo. os relés são considerados um dos principais problemas do sistema de IP.Considerações iniciais O conceito do controle da iluminação pública adotado no Brasil (que considera o controle individual por ponto) leva a alguns aspectos que definem uma peculiar situação de contorno do cenário atual do qual não se pode esquivar: o relé fotocontrolador (figura 4.2.1) possui um papel primordial no sistema de iluminação pública (IP) e seu desempenho influencia decisivamente a eficiência energética do conjunto. uma falha de operação do relé pode.1 • Relé Fotocontrolador O relé fotocontrolador é um dispositivo destinado ao controle do equipamento de iluminação em função do nível de iluminância do local no qual está inserido. Apesar do papel de destaque. Figura 4. ocasionar o funcionamento ininterrupto da luminária de um poste. Assim. uma vez que há a percepção de que grande parte dos equipamentos disponíveis no mercado apresenta funcionamento fora dos padrões desejados. a Eletrobras Procel e seus parceiros desenvolveram vários estudos e levantamentos de campo para identificar a real situação dos relés instalados e comercializados no País. foi possível elaborar um diagnóstico consistente e que também proporcionasse subsídios para a proposição de um cenário futuro desejável. Estudo sobre relés fotocontroladores 171 . No sentido de reverter esse quadro. para muitos especialistas.

Outro ponto importante constatado nesse estudo foi o fato de que muitas prefeituras e concessionárias. Foram avaliados a adequação dos equipamentos em uso. e constatou-se que em praticamente todas elas não haviam especificações adequadas para os componentes de IP que seriam adquiridos e/ou instalados. com o intuito de avaliar os modelos de gestão da IP. o relé energiza a carga (no caso. no âmbito do Procel Reluz. luminotécnicos e na percepção da população com a modernização nos sistemas. Essa norma. Esse fato pode ter influenciado os fabricantes a priorizarem os produtos de baixo custo em detrimento aos de maior sofisticação tecnológica. são os mais indicados para o desenvolvimento do mercado. as práticas adotadas para prestar este serviço. para atenderem à Lei Geral de Licitações (Lei no 8. a forma de aquisição dos materiais e  o nível de detalhamento das especificações técnicas necessárias.Os estudos realizados Em 2008. os ganhos pós-execução dos projetos. foram avaliadas diversas prefeituras do Rio Grande do Sul. São Paulo. levando-se em consideração os projetos financiados pela Eletrobras. No caso específico de relés. instalados entre os anos de 2001 a 2003. apresentados por algumas prefeituras. basearam e baseiam seus processos licitatórios em produtos que apresentam menor preço. quanto a qualidade superior dos equipamentos. deixando em segundo plano a qualidade. que pontuam tanto o menor preço. o estudo avaliou o funcionamento das amostras coletadas em relação aos critérios exigidos na Norma NBR 5123/98 (ABNT.1998). garantido produtos de boa qualidade a preços competitivos.666/93). além dos impactos energéticos. A mesma situação foi encontrada nas concessionárias de energia. Processos licitatórios mais eficientes. Esses estudos tiveram uma duração de quatro anos e abrangeram os estados do Rio Grande do Sul. Em 2006. a lâmpada) em função do nível de iluminância 172 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . pois esses não teriam um preço competitivo nas licitações. Minas Gerais e Espírito Santo. dentre outros quesitos. tendo em vista incentivarem o mercado a desenvolver produtos com essas características. que tinham ainda a preocupação com a inadimplência das prefeituras. foi realizado um estudo pelo Centro de Excelência em Iluminação Pública (CEIP). Rio de Janeiro. Durante o estudo. para os sistemas de iluminação pública. determina que para o acendimento das lâmpadas. a Eletrobras Procel e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) firmaram uma parceria para avaliar sistemas de IP.

2. cerca de 70% dos relés ensaiados não estão em conformidade com a norma NBR 5123/98. a amostra coletada compreendia 187 relés. ou seja. conhecida como relação de funcionamento do relé. que para o acendimento é de 3 a 20 lux. baseado na tabela anterior. pois via de regra.do local em lux. 71% Gráfico 4. o acendimento e apagamento das lâmpadas ocorre com valores de iluminância maiores do que aqueles especificados na norma. A tabela 4.1 • Porcentagem de relés coletados que atendem ou não à norma NBR 5123/98 Com os dados levantados em laboratório.2. Já para o apagamento das lâmpadas. sendo aproximadamente 80% deles peças originais fornecidas pelo Procel Reluz.1.2. A razão entre os valores em lux de acendimento e apagamento. dois e quatro. o relé desenergiza a carga quando o nível de iluminamento do local atinge no máximo 80 lux. o que pode ocasionar um consumo adicional de energia elétrica. 25. identificou-se os relés que não atendiam à norma. Tabela 4. deve estar compreendida entre um.1 apresenta os resultados obtidos após a avaliação dos equipamentos.8% Não atende à norma.1 • Resultados da avaliação da amostra de relés coletada Número de relés em funcionamento de acordo com a norma 47 Número de relés em funcionamento fora dos parâmetros da norma 134 Número de relés que não funcionaram 6 Total 187 Como se pode observar no gráfico 4. Não funciona.2% Atende à norma.2. Ao todo. 3. o ligamento ou desligamento fora das faixas de iluminância Estudo sobre relés fotocontroladores 173 .

Partindo dessa premissa.pré-determinadas.2. além de um processo de avaliação da conformidade comparativo. os relés mantêm as lâmpadas acesas 27 minutos além do necessário. procedimentos de ensaios para relés. com o objetivo de propor. com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável. do consumo incremental (perda) de energia mensal em função do problema de ajuste ou sensibilidade do relé fotocontrolador quando o ponto de IP permanece aceso por um período diário de 27 minutos superior ao estipulado em norma. a Eletrobras Procel. 174 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Essa solicitação foi prontamente atendida. Com isso.2. colaborando com o desperdício de energia elétrica. Tais evidências demonstraram a necessidade de que algo deveria ser feito para alterar o cenário encontrado. por potência de lâmpada. contratou o Testtech Laboratórios para desenvolver um estudo aprofundado sobre esse tema. apresenta uma simulação. em média. A tabela 4. ou a relação entre o ligamento e o desligamento fora dos valores previstos. de que os relés fotocontroladores não estão atendendo às especificações da norma. a seguir. foi possível estimar que. passando assim a integrar o plano de ação quadrienal 2012-2015 do PBAC. Nesse estudo. Tabela 4. coordenado pelo próprio Inmetro. a Eletrobras Procel encaminhou uma solicitação ao Instituto Nacional de Metrologia. Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para que os relés fotocontroladores fossem incluídos no Programa Brasileiro de Avaliação da Conformidade (PBAC). por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.2. Com o intuito de gerar os subsídios necessários para a implantação de um programa de avaliação da conformidade para relés.2 • Consumo incremental (perda) mensal de energia considerando um acionamento excendente de 27 minutos por dia por ponto de iluminação Potência da lâmpada utilizada no ponto de IP (W) Consumo incremental mensal (Wh/mês) 70 945 100 1350 150 2025 250 3375 400 5400 Esses resultados comprovaram o que já era o sentimento de muitos especialistas envolvidos na área. foram avaliados mais de 20 diferentes modelos de relés comercializados no País.

na eventualidade de um defeito no relé fotocontrolador. • avaliação da durabilidade dos produtos na situação de campo (real) – este é outro caso em que há divergência entre o conteúdo da norma e o real estado de operação dos equipamentos. por meio da definição de classes de eficiência energética. que serão úteis para as especificações das perdas globais do sistema de IP.O estudo foi orientado pelas seguintes premissas básicas: • possibilidade de comparar os resultados entre os diversos modelos – essa é a situação desejada. Considerando a importância que o relé fotocontrolador desempenha sobre o sistema de IP. ou seja. pois apresentam vida útil em campo bem abaixo da expectativa estabelecida em norma. não representa de forma fidedigna a situação de campo. na qual. • avaliação da funcionalidade dos produtos na situação de campo (real) – os estudos demonstraram que o sistema de medição do desempenho. que consta no texto normativo. Segundo estudos realizados pela Eletrobras Procel e seus parceiros. por exemplo. lâmpadas e luminárias). grande parte dos relés instalados e comercializados no país encontram-se em desacordo com a norma. e • critério de modo de falha – do ponto de vista da eficiência energética. • identificação das perdas inerentes de cada modelo – esta informação permitirá que cada produto apresente as suas perdas nominais. portanto. o desejável é que não se encontre nenhum ponto de iluminação aceso durante o dia. ocorre com os refrigeradores. para com isso comparar e diferenciar visualmente os produtos mais eficientes dos menos eficientes. há uma tendência natural e necessária que se desenvolva Estudo sobre relés fotocontroladores 175 . conforme já ocorre com os demais componentes do sistema (reatores. nos relés fotocontroladores. se possa utilizar o conceito de uma etiqueta multicolorida como. podendo a diferença entre os níveis “normativos” e de operação chegar a até 50%. com aproximadamente 14. Considerações finais O sistema de controle de IP no Brasil. ele não deve deixar a lâmpada acesa ininterruptamente.8 milhões de pontos instalados está essencialmente baseado em controles individuais e.

htm>. BRASIL. contratou o Testtech Laboratórios para desenvolver um estudo aprofundado sobre esse tema.planalto. Assim. Nesse estudo. que tanto causa preocupação aos gestores do sistema elétrico brasileiro. em que havendo o mau funcionamento destes proporcionará grande desperdício de energia. e resulte em uma economia significativa de energia para o País.br/ccivil_03/leis/L8666cons. constatou-se que a norma brasileira vigente para relés não atende às necessidades atuais. Disponível em: < http://www. Acesso em: 25 jan. Assim. mais ainda se consideramos que a IP contribui para o horário de ponta do consumo. principalmente em relação ao desempenho desses equipamentos em campo sendo necessário que a norma se adeque a essa realidade. é facilmente perceptível o potencial existente para que um programa de eficiência energética neste segmento tenha êxito. Também constatou-se que o consumo de energia inerente ao próprio relé fotocontrolador não é significativo. 8666. Abril. Lei nº.gov. Associação Brasileira de Normas Técnicas. com o intuito de gerar subsídios para a implantação desse programa. Referências ABNT. o consumo de energia significativo é aquele inerente ao funcionamento dos relés. em comparação à potência da lâmpada que ele controla. a Eletrobras Procel.um programa para avaliação da conformidade desse equipamento. Nesse sentido. de 21 de junho de 1993. com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. 2012. Lei de Licitações e Legislação em Licitação.Especificação e método de ensaio. 176 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . NBR 5123:1998 – Relé fotoelétrico e tomada para iluminação . 1998.

de revisão de uma série de normas relacionadas ao segmento de iluminação pública. ferramenta fundamental para aprimorar a qualidade e eficiência dos equipamentos.Normas aplicáveis à iluminação pública 5 Álvaro Medeiros de Faria Theisen Testtech Laboratórios Isac Roizenblatt Abilux Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT-participante Em paralelo ao desenvolvimento das tecnologias de iluminação. O capítulo destaca o trabalho reiniciado. o mercado brasileiro também evoluiu nos últimos anos na área de normalização. a partir de 2008. Normas aplicáveis à iluminação pública 177 .

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Dessa forma. que trata sobre licitações e contratos administrativos no âmbito dos Poderes da União. Outros possíveis benefícios são a padronização de equipamentos e componentes. processos e serviços. reduzir custos com desperdícios. muitas vezes é possível encontrar no mercado equipamentos que não atendem aos requisitos normativos. terão condições de concorrer em condição de igualdade. e a melhoria da qualidade do produto final. definindo os índices mínimos para cada situação. as instituições dependem de sua capacidade de incorporação de novas tecnologias de produtos. Em iluminação pública existem normas que se referem basicamente: 1 – ao sistema de iluminação pública. somente produtos equivalentes. bem como para regular a importação de produtos que não estejam em conformidade com as normas do país importador. no qual um organis178 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Segundo a lei nº 8.Considerações iniciais Em um mundo no qual a competitividade é acirrada e as exigências são cada vez maiores. devido à ausência de organismos que verifiquem e fiscalizem essa situação. materiais e humanos) e uma uniformização da produção. Entretanto. definindo seus requisitos de segurança e eficiência. O atendimento aos requisitos normativos é um dos fatores que coloca um determinado produto de acordo com as exigências da lei. facilitando assim o treinamento da mão de obra e melhorando seu nível de capacitação. o aumento de produtividade. dos Estados. 1993). sendo assim uma condição básica e necessária para sua produção e venda. a normalização é cada vez mais valorizada e utilizada como uma ferramenta para melhorar a qualidade e. dessa forma. do Distrito Federal e dos Municípios. A normalização funciona ainda como um excelente argumento para vendas ao mercado internacional. com o processo de normalização é possível obter uma utilização adequada de recursos (equipamentos. e 2 – aos produtos aplicáveis no sistema.666/1993 (Brasil. Assim. Essa grande competição entre as empresas minimizou as vantagens baseadas no uso de fatores abundantes e de baixo custo. as classificações fotométricas e demais especificidades. avaliados sob a mesma norma. uma norma para equipamentos habitualmente serve de base para o estabelecimento de um processo de avaliação da conformidade.

No caso brasileiro. as normas servem de base para as regulamentações do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). se um determinado produto atende aos itens prescritos em sua regulamentação. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Destaca-se que muitos dados provenientes do estudo realizado pela PUCRS e a Eletrobras Procel estão sendo utilizados como subsídios para o processo de elaboração e revisão das normas. e Normas aplicáveis à iluminação pública 179 . a Eletrobras Procel solicitou à ABNT a reativação dos respectivos comitês de estudos para elaboração/revisão das normas relacionadas à iluminação pública. Para isso. Criação e revisão de normas de IP e seu estágio atual De 2006 a 2010. A seguir são relacionadas as normas e os respectivos status em que encontram-se (agosto de 2012) no processo de revisão: • ABNT NBR 5101:2012 – Iluminação Pública – Procedimento. em conjunto com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). as normas passaram a ser revisadas. Uma das principais recomendações extraídas desse estudo foi referente à necessidade de iniciar um processo de revisão de diversas normas aplicadas a esse segmento. • ABNT NBR 60598-2-5 – Projetores para Iluminação Pública (criação da norma). e do Programa do Selo Procel Eletrobras. em 2008. • ABNT NBR IEC 60598 – 1:2010 – Luminárias – Requisitos Gerais – revisão em 2010 (ABNT NBR IEC 60598-1:2010). desenvolveu um vasto estudo sobre o segmento de iluminação pública. coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia. publicada em julho de 2012 (ABNT 2012-b).mo verifica. por meio de procedimentos preestabelecidos. • ABNT NBR 15129:2012 – Luminárias para Iluminação Pública. • ABNT NBR 60598-2-13 – Projetores para uso embutido – em processo de publicação (ABNT NBR IEC 60598-2-13). 1998). a partir de setembro de 2008. atualizada e publicada em abril de 2012 (ABNT. Essa solicitação foi atendida e. a Eletrobras Procel. 2012-a). • ABNT NBR 5123:1998 – Relé Fotoelétrico e Tomadas (ABNT.

normalmente se pensa em um documento elaborado por alguma associação ou instituto que descreve os requisitos que um produto ou sistema deve seguir. na tradução e adaptação das normas de fonte de luz a LED. e a NBR IEC 60598-2-1 – Luminárias fixas para uso em iluminação geral.Iluminação de interiores e NBR 5181 – Iluminação de túneis. Encontram-se em processo de revisão as normas: NBR 5413 . ignitores. Grande parte das normas de equipamentos para iluminação pública passa por esta comissão. Em 2012. entrou em pauta a criação de normas específicas para desempenho de luminárias a LED e luminárias para uso geral. CE 03:034:03 – Luminárias e acessórios Esta comissão já concluiu a revisão da NBR 60598-1 em 2010 e está publicando a norma NBR IEC 60598-2-13 – Luminárias para uso embutido em piso. 180 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Na verdade. estando o mais próximo do estado da arte daquele produto ou serviço. além da atualização de normas. 1976) – em processo de criação (ABNT NBR 5181:2013 – provável data de publicação) As Comissões de Estudo (CE) para revisão de normas estão organizadas conforme abaixo: CE 03:034:01 – Lâmpadas elétricas Esta comissão tem trabalhado. transformadores e controles Esta comissão já concluiu a revisão da NBR 13593 em 2011 relativa a reatores para lâmpadas a vapor de sódio a alta pressão e vem finalizando a revisão da NBR 14305 referente a reatores para lâmpadas a vapor metálico e normas para reatores para fontes de luz a LED (IEC 61347-2-13 e IEC 62383). Quando se fala em normas técnicas. CE 03:034:04 – Aplicações luminotécnicas e medições fotométricas Esta comissão publicou em abril de 2012 a revisão da NBR 5101 – Iluminação Pública. uma norma e suas revisões devem ser o resultado da discussão da experiência acumulada por diversos profissionais.• ABNT NBR 5181/1976 – Iluminação de túneis (ABNT. CE 03:034:02 – Reatores.

é a ABNT NBR 5101 – Iluminação Pública. As reuniões ocorrem normalmente a cada 30 ou 45 dias. mas sua versão anterior era de 1992. que se apresentam em um estágio de testes na IP. no que se refere ao sistema.A participação no processo de elaboração de normas é livre e voluntária. Normas relativas aos materiais aplicados no sistema de IP Além da ABNT NBR 5101/2012 que define os requisitos mínimos necessários para iluminação de vias públicas. grupo que representa (produtor.034. dependendo do andamento dos trabalhos. ABNT NBR 5101/2012 . a evolução da normalização em outros países. consumidor ou neutro). que é empregada para determinar os parâmetros mínimos a serem considerados em um projeto e na sua verificação em campo após a instalação. Com a reativação das comissões de estudo. que evitam o ofuscamento e a poluição luminosa. cabendo aos interessados entrar em contato com a ABNT. que vem modificando e tornando eficiente grande parte da iluminação pública das cidades do Brasil. entre outros. número de participações com direito a voto. Essa norma tem por base os documentos da Illuminating Engineering Society (IESNA – Sociedade de Engenharia da Iluminação). e seguem uma série de regras adotadas para definição da representatividade. cabe também destacar as normas brasileiras reNormas aplicáveis à iluminação pública 181 .04 que trata dessa norma. entre elas a CE 03. surgiu novamente a oportunidade de revisar e republicar uma norma atualizada de acordo o Código de Trânsito Brasileiro. De 1992 até 2012. de normas americanas. houve a difusão da lâmpada a vapor de sódio.Iluminação Pública A principal norma utilizada em sistemas de IP no Brasil. e o surgimento das lâmpadas light emitting diode (LED – diodo emissor de luz). com eficiência e segurança no trânsito de veículos e pedestres. a criação do programa Procel Reluz. quando ainda predominava a tecnologia de lâmpadas a vapor de mercúrio. que encaminhará o assunto ao coordenador da comissão que trata da devida norma. e sejam relevantes para a melhoria da iluminação. com conceitos técnicos utilizando os critérios de luminância e de qualidade na iluminação. e teve a sua última atualização realizada em 2012.

embora ainda exista muita desinformação.Relé fotoelétrico e tomada para iluminação (ABNT. no segmento de IP.Capacitor (IEC. conectores etc • IEC – 60238:2005 – Porta-lâmpadas de rosca Edson (ABNT.5123/1998 . No Brasil. lâmpadas a vapor de mercúrio. o desenvolvimento de um mecanismo de avaliação da conformidade para validar se os equipamentos estão seguindo as exigências estabelecidas na norma. 182 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Nesse sentido. destacam-se os trabalhos desenvolvidos pela Eletrobras no âmbito do Programa do Selo Procel Eletrobras. 1997-a). 2011). • Demais normas . • ABNT NBR .ferentes aos equipamentos e materiais aplicados no sistema de iluminação pública relacionadas a seguir: • ABNT NBR IEC 60598/2010 – Luminárias (ABNT. • ABNT NBR IEC 61167/1997 – Lâmpadas a vapor metálico (ABNT.Postes.Reator e ignitor para lâmpada a vapor de sódio a alta pressão . que na maioria das vezes só admitem a comercialização de produtos seguros e que tenham sua conformidade avaliada. É necessário também. já é possível identificar essa tendência. principalmente em países desenvolvidos.Luminárias para iluminação pública.Lâmpadas a vapor de sódio a alta pressão (ABNT. • IEC – 61048 e 61049 . e os trabalhos da ABNT para revisão/elaboração de praticamente todo arcabouço normativo desse segmento.Especificação e ensaios (ABNT. 2005). 1998). • ABNT NBR – 13593/2011 . 1997-b). esta deve estar atualizada e assim refletir o que existe de mais moderno quanto ao estado da arte. • ABNT NBR IEC 60662/1997 . 2010). que destaca para o consumidor os reatores e lâmpadas mais eficientes comercializados no País. • ABNT NBR 15129/2004 . 2006 e IEC. no caso de equipamentos. Considerações finais A exigência da normalização e de avaliação da conformidade é uma tendência mundial. 1991). Para que uma norma atinja plenamente os seus objetivos.

IEC 6048 Auxiliaries for lamps: Capacitors for use in tubular fluorescent and other discharge lamp circuits .gov. Abril. NBR 15129:2012 Luminárias para iluminação pública . NBR IEC 605981:2010  Luminárias Parte 1: Requisitos gerais e ensaios. 2012 . Acesso em: 25 jan. Julho. _______________. _______________. Disponível em: < http://www.Requisitos particulares. Lei nº. 2011. _______________. NBR 5101:2012 – Iluminação Pública .General and safety requirements. Associação Brasileira de Normas Técnicas.planalto. Associação Brasileira de Normas Técnicas. International Electrotechnical Commission. 1991. NBR 13593:2011 Reator e ignitor para lâmpada a vapor de sódio a alta pressão . IEC.b. 2006. Abril. NBR IEC 60662:1997 Lâmpadas a vapor de sódio a alta pressão. NBR 5123:1998 Relé fotoelétrico e tomada para iluminação . Lei de Licitações e Legislação em Licitação. _______________.Especificação e método de ensaio. _______________. Janeiro. Janeiro. Outubro. Normas aplicáveis à iluminação pública 183 . BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR IEC 60238:2005 Porta-lâmpadas de rosca Edison. _______________. NBR IEC 61167:1997 Lâmpadas a vapor metálico (halogenetos). 2012.a. Associação Brasileira de Normas Técnicas. International Electrotechnical Commission. IEC 6049 Capacitors for use in tubular fluorescent and other discharge lamp circuits. 8666 de 21 de junho de 1993.Procedimento. Associação Brasileira de Normas Técnicas. 2005. 1997 . Associação Brasileira de Normas Técnicas. Associação Brasileira de Normas Técnicas.Referências ABNT. 2010.a. NBR 5181:1976 Iluminação de Túneis.b.Especificação e ensaios. _______________. _______________. 1998. Março. 2012 .br/ccivil_03/leis/L8666cons. _______________. 1976. Março. 1997 . Novembro. Abril. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Performance requirements. Outubro. Associação Brasileira de Normas Técnicas. htm>.

Além de analisar os mecanismos de incentivo adotados no PEE. sendo um exemplo de política pública para a área.6 Contribuições do PEE para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação Máximo Luiz Pompermayer Aneel Este capítulo descreve as contribuições do Programa de Eficiência Energética (PEE) regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a difusão de tecnologias e práticas eficientes em iluminação. 184 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . o capítulo traz dados sobre investimentos e resultados registrados no segmento de iluminação pública.

distribuição. até dezembro de 2010. e de 0. de outubro de 1997. 1999). para dezembro de 2015. de 28 de março de 2007. responsável pela regulação e pela fiscalização dos serviços de energia elétrica no Brasil. Entre as diversas competências e atribuições da Aneel está a de incentivar a eficiência energética em todas as formas de produção. Os maiores investimentos públicos diretos em ações de eficiência energética ocorrem. a Lei nº.427/1996 (Brasil. que previa a destinação de pelo menos 1% da ROL em programas de eficiência energética. de 20 de janeiro de 2010 (Brasil.991 estendeu a todas as concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica do País a obrigação de investimentos em programas de eficiência energética. 9. de forma que o percentual relativo à eficiência energética foi reduzido para 0. definindo o percentual mínimo de 0.9% da ROL (Aneel.465.25%. visto que é proporcional à ROL do setor. até dezembro de 2005. no âmbito do PEE. 2000). transmissão. 9. de 3 de setembro de 1999. e. A Resolução no. como iluminação pública. e está próximo de R$ 400 milhões. conforme dispõe o Decreto no. por meio da Lei no 11. e disciplinada pela Resolução no. 2007 e 2010).Considerações iniciais Entre os fatos relevantes da reestruturação do Setor Elétrico Brasileiro. comercialização e uso final da energia elétrica. a Aneel obrigou as concessionárias de distribuição a destinarem parte da Receita Operacional Líquida (ROL) a projetos de eficiência energética. como o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). a partir de janeiro de 2006 (Brasil. Essa obrigação foi estabelecida mediante cláusula contratual. porém. Em cumprimento ao disposto no parágrafo anterior.5% da ROL. está a criação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação 185 . que regulamenta a Lei no. Há outros programas e instrumentos de política pública para a promoção da eficiência energética no Brasil. posteriormente. marketing e setor industrial (Aneel. cujo valor anual é crescente. 1996). 261.5% da ROL foi estendido. O percentual de 0. de 24 de julho de 1998. 2. Além do montante mínimo a ser observado. inicialmente.212. havia limites e percentuais mínimos para segmentos e usos finais específicos. 242. incluiu também a obrigação de investimentos mínimos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). 1998). Em 24 de julho de 2000.335. ocorrida em meados dos anos 1990. por meio da Lei no 12.

entende-se que o principal objetivo do PEE é estimular o crescimento e a sustentabilidade das ações de eficiência energética nos diversos setores de atividade e usos finais de energia elétrica. podem ser ampliados para todas as regiões e unidades da federação. projetos realizados em escala piloto em outros programas. Com base nesse pressuposto. Entre os instrumentos utilizados pelo órgão regulador para assegurar racionalidade na aplicação dos recursos e maximizar os benefícios do programa. destacam-se: definição das regras para aplicação dos recursos. também. de modo que eles não se limitem aos consumidores contemplados pelos projetos e ações de eficiência energética.8. busca-se dar uma destinação racional aos recursos disponíveis e maximizar os benefícios do programa. de treinamento. a impossibilidade de contingenciamentos. Como política pública ou instrumento de promoção da eficiência energética no País. divulgação dos resultados e benefícios alcançados. Os projetos contemplam. destacam-se as seguintes: i) Relação Custo-Benefício (RCB) menor ou igual a 0. iii) Plano de Medição & Verifi186 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Dessa forma. gestão e marketing. Procura-se. como a Eletrobras Procel.A razão de ser ou o diferencial do PEE é sua abrangência ou capilaridade. o grande volume de recursos disponíveis. em 2012) são obrigadas a executar projetos de eficiência energética nas respectivas áreas de concessão/permissão. avaliação e acompanhamento dos projetos executados. fiscalização dos projetos e investimentos realizados. Somem-se a isso. visto que todas as concessionárias e permissionárias do País (cerca de 100. e a menor interferência política na gestão ou destinação dos recursos. empreender esforços para que os investimentos sejam direcionados para ações de eficiência energética que promovam mudança de hábitos e induzam o mercado a incorporá-las no seu dia a dia. assim. ii) exigência de um Plano Plurianual de Investimentos. por parte do governo. incluindo vários setores de atividade e um contingente maior de pessoas e unidades consumidoras. ações educativas. Tais ações incluem a substituição de equipamentos e a adoção de práticas de combate ao desperdício de energia nos vários setores de atividade e usos finais. Regras e diretrizes do PEE Entre as principais diretrizes e regras para aplicação dos recursos do PEE. por exemplo.

v) Custos administrativos e de marketing limitados a 5% dos investimentos realizados. 50% dos recursos do Programa para projetos destinados a comunidades de baixo poder aquisitivo (Aneel. A exigência de recuperação do investimento realizado.cação dos resultados. 2011). assegura mais racionalidade no uso dos recursos do programa e evita a transferência de recursos públicos para usuários com fins lucrativos. Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação 187 . cujo valor monetário seja de no mínimo R$ 1. em novembro de 2005. quando envolve empresas ou entidades com fins lucrativos. Em termos de classe de consumidores ou de setores de atividade. A única restrição é a destinação de um percentual mínimo para consumidores de baixa renda. que obrigava a destinação de. por meio de contratos de desempenho. O limite de 5% dos investimentos realizados para custos administrativos e marketing também é uma forma de racionalizar a aplicação dos recursos do Programa e direcioná-los para ações de eficiência energética. iv) Exigência de Contrato de Desempenho para consumidores ou beneficiários com fins lucrativos. Isso significa que cada real investido num dado projeto de eficiência energética deve proporcionar uma economia de energia e/ou demanda evitada. A Relação Custo-Benefício é um dos principais critérios de avaliação dos projetos. 176. 2005). por meio da Resolução Normativa nº. A primeira diretriz foi imposta pela Aneel.25. no mínimo. A obrigatoriedade de apresentar um Plano Plurianual de investimentos leva os agentes a planejarem a aplicação dos recursos e as ações realizadas. Esses valores devem ser levantados por meio de diagnósticos e práticas adequadas de medição e verificação (M&V). prospectando segmentos e usos finais mais atrativos ou promissores em termos de eficiência energética. A exigência de um Plano de Medição & Verificação procura assegurar maior precisão e credibilidade aos resultados dos projetos. A energia economizada e a redução de demanda no horário de ponta são os principais indicadores de desempenho ou eficácia das ações e projetos realizados. observando-se as diretrizes do Protocolo Internacional para Medição e Verificação de Performance (PIMVP). que fornece uma visão geral das melhores práticas para medir e verificar os resultados de um projeto de eficiência energética (EVO. todos são ou podem ser contemplados pelo Programa.

Um exem188 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Mas. visto que uma parte considerável dos consumidores de baixa renda não consegue enquadramento na TSEE e outra apresenta um nível de consumo tão baixo que inviabiliza ações de eficiência energética. embora não adotadas em grande escala. visto que. que. de 20 de janeiro de 2010). já são consagradas pelo mercado. deixou de ser contemplada com recursos do PEE. Some-se a isso o fato de que um consumidor pode deixar de ser (e voltar a ser) enquadrado na TSEE a qualquer tempo. com a diretriz de elevar o percentual mínimo para 60% dos recursos do programa e reduzir o público-alvo a consumidores beneficiados pela Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE). Quanto à tipologia de projetos ou usos finais. fraudes e demais irregularidades no uso da energia elétrica. como instrumento de difusão de tecnologias e práticas de uso eficiente de energia.7% do consumo de energia elétrica do País (Brasil. conforme será analisado mais adiante. além de ganhos de eficiência energética e redução de perdas por inadimplência. o Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente (Reluz). executado pela Eletrobras Procel. há dúvidas sobre a eficácia ou razoabilidade desse mecanismo. busca-se ampliar a difusão dessas práticas no mercado. 2010). de modo que os resultados desses projetos são mais previsíveis e mais fáceis de mensurar. visto que o consumo de energia elétrica dessa categoria corresponde a menos de 5% do consumo de energia elétrica de todos os setores de atividade. A medida é inviável para algumas concessionárias e de difícil implantação para outras. o que dificulta o controle do cumprimento desse dispositivo legal. Entre as principais tipologias de projeto do PEE estão os Projetos Convencionais. cujas medidas. os projetos proporcionariam transferência de renda para comunidades carentes e melhoria nas condições de vida de um número considerável de pessoas. Apesar da polêmica e das dúvidas em relação à eficácia e à razoabilidade da medida. visto que há um programa específico para a promoção da eficiência energética nesse segmento. 12. A inclusão dessa tipologia de projetos no PEE se justifica pela existência de barreiras para sua implantação em grande escala.A intenção da Aneel era nobre. ela acabou se transformando em lei (Lei nº. os quais são responsáveis por cerca de 3. a única restrição se refere à Iluminação Pública.212. incluindo informação e marketing. Por meio de projetos demonstrativos.

221 GWh – (EPE.1. A energia economizada ao longo desse período correspondeu a cerca de 5% do consumo residencial em 2011 – 113. no público escolar e em comunidades de baixo poder aquisitivo. cujas ações são dirigidas à formação de uma cultura de conservação e uso eficiente de energia. Também estão entre as tipologias de projetos do PEE os Projetos de Gestão Energética. o que significa uma economia anual de mais de R$ 1 bilhão. 2006). em parceria com a Eletrobras Procel. cuja implantação exigiria cerca de R$ 5 bilhões de investimentos. destinados à melhoria da gestão energética nos serviços públicos. Investimentos e resultados do PEE Como pode ser verificado na tabela 6. especialmente na esfera do poder público municipal. considerando a tarifa média de fornecimento em janeiro de 2011 – R$ 213.591 GWh e uma demanda evitada no horário de ponta do sistema de 1. estabelecido no Manual para a Elaboração do Programa de Eficiência Energética (Aneel. é a dos Projetos Pilotos. foram investidos quase R$ 2 bilhões entre os ciclos 1998/1999 e 2006/2007 (primeira fase do Programa). 2012). incluindo pioneirismo tecnológico e aquisição de experiência para ampliação da escala de execução. 2008).691 MW. no qual há maior carência de informação e conhecimento para implantação de ações de eficiência energética. Uma das tipologias mais importantes de projeto. Uma tipologia bastante conhecida no mercado é a denominada Gestão Energética Municipal (GEM). Outra tipologia importante é a denominada Projetos Educacionais.plo clássico de projeto ou medida convencional é a substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas. o que proporcionou uma economia de energia de 5.58/MWh. que envolve tecnologias e/ou práticas inovadoras. Essa redução na demanda corresponde a uma usina hidrelétrica de grande porte. embora pouco utilizada pelos agentes. A principal referência para a implantação e avaliação de projetos educacionais é a metodologia do Procel nas Escolas (Didonet. cuja metodologia foi desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM). notadamente em consumidores residenciais de baixa renda. Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação 189 .

37 (SPE/Aneel) 190 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . 0. considerando o período entre os ciclos 2000/2001 e 2004/2005.281.d.00 12. cujos beneficiários tendem a perpetuar práticas e transmitir conhecimento para toda a sociedade. Como se pode observar.12 n. criando hábitos mais eficientes de uso da energia e novas oportunidades de negócio.635.00 Energia Econ. 0.00 91.45 0.878. o efeito das medidas tende a ir além da vida útil dos equipamentos instalados.2 apresenta os investimentos e resultados por tipo de projeto. por exemplo).48 0.474.803.341. 83 9 79 17 n.934 (SPE/Aneel) Energia Eco.2 • Investimentos realizados e resultados obtidos/estimados entre os ciclos 2000/2001 e 2004/2005 Tipo de Projeto Iluminação Pública Residencial Industrial Serviços Públicos Educação Comércio e Serviços Poder Público Aquecimento Solar Rural Perdas Gestão E. Um exemplo de efeito de longo prazo e de grande alcance é o caso dos projetos educacionais. porém.591 Demanda Evitada (MW) 250 370 251 85 54 110 275 158 138 1.489. que os números apresentados na tabela 6. Municipal Fator de Carga Total Investimento (R$) 374.338.11 0.470.21 0. Demanda Evitada (GWh/ano) (MW) 797 175 930 313 376 59 312 118 90 25 130 30 57 14 n.493.d.608.00 11.00 133. Embora a vida útil (permanência ou duração) de alguns projetos seja relativamente curta (substituição de lâmpadas. cerca de 40% dos investimentos foram destinados à Iluminação Pública. A tabela 6.09 0.382.855 766 RCB 0.d.67 n.1 • Investimentos realizados e resultados obtidos/estimados no período de 1998/1999 a 2006/2007 Ciclo 1998/1999 1999/2000 2000/2001 2001/2002 2002/2003 2003/2004 2004/2005 2005/2006 2006/2007 Total Número de Empresas 17 42 64 64 64 64 64 63 61 Investimento (milhões de R$) 196 230 152 142 154 313 175 311 261 1.906.725.1 são os impactos das medidas de eficiência no dia a dia das pessoas e organizações.691 Mais importante.00 11. (GWh/ano) 755 1020 894 348 222 489 925 569 369 5.00 14.00 95.406.865. segmento responsável por 28% da energia economizada nesse período e 23% da demanda evitada.d.d.139. Tabela 6.568.271.408. n.32 0.780.992.6 6 2.00 80.694.00 34. n.00 59.859.32 0.25 0.Tabela 6.00 939.d.277. 0.00 19.788.

979.10 21. Supondo a permanência das medidas adotadas.410.17 16.03 1.00 8.10 49.959.000.53 5.01 5. que 63% dos investimentos previstos serão destinados ao segmento residencial de baixa renda.70 para cada real investido em ações de eficiência energética.827.845.99 1. Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação 191 .478.948. em atendimento ao disposto na Lei no.881.776.67 27. estima-se uma economia de energia de 2. um total de 913 projetos.617.63 1.65 2.090.928.601.05 21.06 126.924.04 52.66 317.133.123.576. ainda.21.67.343.235. Desconsiderando medidas de menor impacto direto ou imediato em termos de energia economizada e/ou demanda evitada.366.135.78 31. redução de perdas e gestão energética. verifica-se um índice médio de 0.29 320.438.343.3 • Investimentos realizados/previstos e resultados obtidos/estimados a partir de 2008 Energia Economizada Segmento/ Quantidade Investimento Redução de Tipologia de Projetos (R$) Demanda (MW) (MWh/ano) Aquecimento Solar Baixa Renda Comércio e Serviços Industrial Poder Público Projeto Piloto Rural Serviços Públicos Gestão Energética Municipal Educacional Pelo Lado da Oferta Cogeração Total 26 223 119 20 274 10 55 106 11 37 1 5 887 98.982.781. o segmento que apresentou melhor relação custo-benefício foi o de comércio e serviços.375. cujo índice médio foi de 0.37.264.21 31.827.4 bilhões.751. foi cadastrado na Aneel. Na segunda fase do Programa (posterior ao ciclo 2006/2007).206.056. 12. como melhoria do fator de carga.09 6.32.510.39 6. com investimentos previstos de aproximadamente R$ 2.88 118.524.37 18.63 237.014.14 (SPE/Aneel) 29.557.130.227.3).00 70.559.60 1. Tabela 6.481. o que significa um retorno de R$ 2.212.42 480.28 19.677.848.065 GWh por ano e uma demanda evitada de 705 MW (tabela 6. Os setores residencial e o industrial também apresentaram excelente relação custo-benefício. até 15 de novembro de 2011. com índice igual a 0.170.78 32.652.62 26.23 27.232. com RCB igual a 0.99 675. O pior desempenho foi observado no setor público.094.389.413.03 Observa-se.934.59 69. cuja análise em termos de impactos na área de iluminação será feita no próximo item.70 65.739.995.78 528.40 2.190.Quanto à relação custo-benefício (RCB) das ações.

de 20 de janeiro de 2010. Entre os demais segmentos, destaca-se o Poder Público, responsável por 30% dos projetos e 13% dos investimentos previstos.

Contribuições do PEE na área de iluminação
A iluminação sempre teve destaque em programas de eficiência energética, notadamente em países em desenvolvimento. Não tem sido diferente no âmbito do PEE, no qual a iluminação é o uso final com maior índice de participação nos projetos, tomando como referência os investimentos realizados. Nos primeiros ciclos do Programa (1998/1999 a 2004/2005), deu-se ênfase ao segmento de iluminação pública, para onde foram destinados R$ 444 milhões, o que correspondeu a cerca de 1/3 dos recursos do Programa, como indicado na tabela 6.4. Esses investimentos proporcionaram uma economia de energia estimada em cerca de 1.100 GWh por ano e uma redução de demanda no horário de ponta do sistema de 246 MW (tabela 6.5).
Tabela 6.4 • Investimentos realizados no segmento de IP no período de 1998/1999 a 2004/2005 (R$) Ciclo 1998/1999 1999/2000 2000/2001 2001/2002 2002/2003 2003/2004 2004/2005 Total IP 36.029.426,00 33.478.608,00 36.692.318,00 85.561.089,00 77.572.108,00 117.422.832,00 57.359.934,00 444.116.315,00 Total 214.784.397,00 173.264.052,00 150.871.406,00 143.301.351,00 157.304.198,00 313.013.414,00 175.125.754,00 1.327.664.572,00 IP/Total 17% 19% 24% 60% 49% 38% 33% 33%

(SRC/Aneel) Tabela 6.5 • Energia economizada e demanda evitada pelos investimentos realizados em IP Energia Economizada Demanda evitada Ciclo (MWh/ano) (kW) 1998/1999 171.590 37.961 1999/2000 2000/2001 2001/2002 2002/2003 2003/2004 2004/2005 Total 142.996 140.494 178.490 111.242 136.911 229.439 1.111.162 (SRC/Aneel) 32.952 32.458 41.007 24.577 30.785 45.887 245.627

192 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

Embora já existissem investimentos expressivos nos três primeiros ciclos do Programa em Iluminação Pública (IP), conforme pode ser verificado na tabela 6.4, foi dada maior ênfase a esse segmento durante o ciclo 2001/2002, em decorrência da restrição no abastecimento de energia elétrica decretado pelo Governo Federal. Tal ênfase ou prioridade foi instituída por meio da Resolução no. 186, de maio de 2001 (Aneel, 2001 - a). Algo similar ocorreu com o setor residencial, mais especificamente com a classe residencial de baixa renda, cujo sistema de iluminação era constituído, basicamente, por lâmpadas incandescentes. A Resolução no. 153, de 18 de abril de 2001, estabeleceu que, no ciclo 2000/2001, as concessionárias e permissionárias do serviço público de distribuição de energia elétrica deveriam aplicar 100% dos recursos do PEE em projetos de doação de lâmpadas fluorescentes compactas aos consumidores de baixo poder aquisitivo (Aneel, 2001- b). A resolução a que se refere o parágrafo anterior foi modificada pela Resolução no. 186, já citada, que incluiu no programa a eficientização de sistemas de iluminação pública. Como se observa na tabela 6.6, a seguir, 51,7% dos investimentos realizados naquele ciclo foram destinados à doação de lâmpadas fluorescentes compactas (LFCs) ao segmento residencial de baixa renda1. Em termos de substituições de lâmpadas ou de pontos de iluminação, levantamentos feitos pela área responsável pelo PEE naquela época indicavam que, no ciclo 2000/2001, houve a substituição de 3,4 milhões de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas, no setor residencial, e de 316 mil pontos de iluminação pública. Nos ciclos anteriores (1998/1999 e 1999/2000), foram realizadas 310 mil substituições no setor residencial e 770 mil substituições de pontos de IP. Não se fez, ainda, esse levantamento para os ciclos seguintes (2001/2002 a 2004/2005), mas uma extrapolação da relação observada entre os investimentos realizados nos ciclos anteriores e o número de lâmpadas substituídas indica que, do início do Programa até o ciclo 2004/2005, foram realizadas 6.101.145 substituições no setor residencial e 4.539.711 no segmento de IP.

1 Somando os 24% destinados à IP, restaram 24,3% dos investimentos realizados naquele ciclo, os quais já haviam sido aprovados pela Aneel, segundo a regulamentação anterior (Resolução no. 271, de 19 de julho de 2000 – Aneel, 2000).

Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação

193

Tabela 6.6 • Investimentos realizados no segmento residencial entre 1998/1999 e 2004/2005 (R$) Segmento 1998/1999 1999/2000 2000/2001 2001/2002 2002/2003 2003/2004 2004/2005 Total Residencial (A) 5.745.462,00 4.057.789,00 78.018.057,00 14.740.564,00 1.907.937,00 11.032.301,00 27.776.000,00 143.278.110 (SRC/Aneel) Total (B) 214.784.397,00 173.264.052,00 150.871.406,00 143.301.351,00 157.304.198,00 313.013.414,00 175.125.754,00 1.014.651.158 A/B 2,7% 2,3% 51,7% 10,3% 1,2% 3,5% 15,9% 14,1%

Em novembro de 2005, por meio da Resolução Normativa no. 176 (Aneel, 2005), houve nova ênfase à iluminação, embora de maneira indireta e restrita às lâmpadas fluorescentes compactas. Trata-se da prioridade ao segmento residencial baixa renda, para onde as concessionárias deviam destinar pelo menos 50% dos recursos do programa. Segundo levantamentos realizados pela área responsável pela regulação do programa no ciclo 2005/2006, a Superintendência de Regulação da Comercialização da Eletricidade (SRC), no ciclo, cerca de R$ 185 milhões foram destinados ao segmento residencial baixa renda, o equivalente a 62,3% dos recursos do Programa. Em compensação, vários segmentos ou usos finais foram excluídos, como se observa na tabela 6.7, cujos dados são relativos ao ciclo 2005/2006.
Tabela 6.7• Investimentos realizados e resultados obtidos/estimados no ciclo 2005/2006 Tipo de Projeto Baixa Renda Industrial Serviços Públicos Comércio e Serviços Poderes Públicos Aquecimento Solar Rural Total Investimento Apropriado (R$) 184.731.222,36 43.896.747,13 16.097.515,48 12.673.795,52 32.023.246,98 2.486.917,19 4.529.310,18 296.438.754,84 (SRC/Aneel) Energia Economizada (MWh/ano) 320.783,14 141.390,37 20.332,96 14.997,58 34.203,24 691,09 5.672,44 538.070,82 Redução de Demanda na Ponta (kW) 103.452,48 16.771,28 4.658,39 4.080,13 8.985,13 593,85 2.563,34 141.104,60

O argumento utilizado para a exclusão do segmento de iluminação pública do PEE foi a existência de um programa de eficiência energética específico para esse segmento, o Procel Reluz –, que previa investimentos de R$ 2 bilhões, para tornar
194 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

eficientes cinco milhões de pontos de iluminação pública, e instalar mais um milhão de pontos no País (Eletrobras Procel, 2012). A exclusão dos projetos educacionais e dos projetos de gestão energética municipal foi motivada pelas dificuldades na análise e aferição dos resultados efetivamente alcançados, tomando como referência as economias de energia e possíveis reduções de demanda na ponta. No ciclo seguinte (2006/2007), cerca de 70% dos investimentos realizados foram destinados ao segmento residencial de baixa renda (tabela 6.8). Entre os demais setores de atividade ou segmentos, destaca-se o setor público (Poder Público + Serviços Públicos), para os quais foram destinados cerca de R$ 43 milhões, o que corresponde a 16% dos investimentos realizados. Extrapolando-se a relação entre investimento realizado e lâmpadas substituídas nos ciclos mencionados, estima-se em cerca de 18 milhões o número de substituições realizadas nos ciclos 2005/2006 e 2006/2007. Incluindo as substituições realizadas no período anterior, chega-se a um total de 24.336.344 substituições até o ciclo 2006/2007.
Tabela 6.8 • Investimentos realizados e resultados obtidos/estimados no ciclo 2006/2007 Energia Economizada Redução de Demanda Tipologia Investimento (R$) (MWh/ano) na Ponta (kW) Aquecimento Solar Baixa Renda Comércio e Serviços Industrial Poder Público Projeto Piloto Rural Serviços Públicos Total 2.437.729,53 188.525.009,97 13.773.401,49 17.176.952,62 30409118,81 1.011.766,64 2.680.812,55 12.297.877,19 268.312.668,80 (SPE/Aneel) 725 260.685 15.083 47.042 32.139 923 2.104 22.338 381.039 805 112.424 3.285 10.399 8.502 244 1.092 4.013 140.764

Em fevereiro de 2008, com a publicação da Resolução Normativa no. 300, houve grande mudança na sistemática de avaliação dos projetos do PEE, mas nada mudou em relação à ênfase no segmento residencial de baixa renda (Aneel, 2008). A avaliação inicial ficou restrita aos projetos pilotos, educacionais e de gestão energética, de
Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação 195

forma que as concessionárias e permissionárias de distribuição realizam os projetos e, somente ao final, depois de concluído e auditado, contabilmente, por empresa de auditoria independente, submetem à avaliação da Aneel. Uma vez comprovados os resultados obtidos e observados os critérios estabelecidos no Manual para Elaboração do Programa de Eficiência Energética, os investimentos feitos são reconhecidos pela Aneel. Nova mudança, com ainda mais ênfase ao segmento residencial de baixa renda, ocorreu em janeiro de 2010, com a publicação da Lei no. 12.212, que, por meio de alteração na Lei no. 9.991, de 24 de julho de 2000, ampliou o percentual mínimo destinado a esse segmento, de 50% para 60%, e restringiu o público-alvo a consumidores beneficiados pela TSEE (Brasil, 2012). Como já apresentado anteriormente (ver tabela 6.3), cerca de 63% dos investimentos previstos até dezembro de 2011 foram destinados ao segmento residencial de baixa renda, no qual se destacou a substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas. Em termos de equipamentos ou intervenções nos sistemas de iluminação, incluindo lâmpadas fluorescentes compactas (LFC), lâmpadas fluorescentes tubulares (LFT) e diodos emissores de luz (LED), levantamentos indicam cerca de 20 milhões de pontos de iluminação, dos quais 85% correspondem às LFCs, que substituíram às lâmpadas incandescentes. O restante se distribui entre LFTs (14,3%) e LEDs (0,7%), conforme tabela 6.9.
Tabela 6.9 • Número de lâmpadas substituídas/distribuídas no âmbito do PEE a partir de 2008 Tipo LED - Diodo Emissor de Luz LFC - Lâmpada Fluorescente Compacta LFT - Lâmpada Fluorescente Tubular Total (SPE/Aneel) Quantidade 132.757 16.674.679 2.812.382 19.619.818 Porcentagem 0,7% 85% 14,3% 100%

A tabela 6.10 apresenta a distribuição das lâmpadas nos vários setores ou classes de consumidores. Como pode ser observado, 81% das lâmpadas foram destinadas à classe residencial de baixa renda e 14,4% ao poder público.

196 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros

405 14.541 19.376 1.699 1.898.699 421.116 7.401 523.619.900 1.135 71.427 148.852 1. Como se observa.929 Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação 197 . estima-se uma economia anual de energia de 1.03% 0.11 apresenta os resultados em termos de energia economizada (MWh/ ano) e de demanda evitada no horário de ponta.777 18 4.17% 2. Tabela 6.001 10.3 milhões de lâmpadas fluorescentes compactas distribuídas no período anterior (até 2006/2007).10 • Lâmpadas substituídas/distribuídas no âmbito do PEE a partir de 2008 por setor Tipologia Baixa Renda Comércio e Serviços Educacional Industrial Poder Público Projeto Piloto Residencial Rural Serviços Públicos Total Quantidade 15. somam-se aproximadamente 44 milhões de lâmpadas ineficientes substituídas por tecnologias mais eficientes de iluminação.303 (SPE/Aneel) 333.Tabela 6.336 112. A tabela 6.206 15.818 (SPE/Aneel) Porcentagem 81.212 32.57% 0.018 16.816.317 47.67% 0.11• Resultados decorrentes de melhorias nos sistemas de iluminação realizadas no âmbito do PEE a partir de 2008 Energia Economizada Redução de Demanda na Tipologia (MWh/ano) Ponta (kW) Baixa Renda Comércio e Serviços Educacional Industrial Poder Público Projeto Piloto Residencial Rural Serviços Públicos Total 841.153 30 20.151.01% 0.789 8.76% 100% Incluindo os 24.36% 0.935 5.08% 14.861 2.150 GWh e uma redução de aproximadamente 422 MW na demanda do sistema.860 42.043 215.943 1.35% 0.

em termos de energia economizada.6 TWh a energia economizada em 20 anos. Falta. Considerações finais O programa de eficiência energética regulado pela Aneel é um dos principais mecanismos públicos de promoção da eficiência energética no setor de energia elétrica. o PNE 2030 estabelece em 106. Em termos de demanda evitada. Embora o PEE esteja livre de contingenciamentos orçamentários do Governo. 2011). cada lâmpada substituída proporciona uma economia anual de energia de 58. Os dados históricos do PEE indicam uma economia média de energia em torno de 550 GWh por ano. o que corresponde a quase 1% de toda a capacidade instalada no País em 2010. Com volume de recursos crescentes e da ordem de R$ 400 milhões por ano. entretanto. Enquanto se estabelecem metas ousadas de eficiência energética no PNE. com tendência de redução. A destinação de. Considerando uma vida útil de 8. direcionam-se os recursos do PEE para unidades consumidoras de baixo consumo de energia elétrica.8 TWh a energia economizada pela substituição de lâmpadas incandescentes no âmbito do PEE.7 kWh e contribui com 21. as concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica realizam projetos de eficiência energética nos vários setores de atividade e usos finais. no 198 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .Esses números indicam que. por exemplo. lacunas e vieses que precisam ser corrigidos. não está imune a interferências de natureza político-partidária. Por outro lado. quase dez vezes o que se tem conseguido no âmbito do PEE. o que significa uma média anual de 5. em média. estima-se em 860 MW de potência evitada no horário de ponta do sistema.000 horas e um tempo médio de uso diário de quatro horas. Esse montante corresponde a cerca de 3% de toda a energia elétrica consumida no Brasil em 2010 (EPE. desde o primeiro ciclo do Programa. quando se comparam as duas fases do Programa. alinhamento entre as diretrizes e projetos realizados no âmbito do PEE e as metas de eficiência energética estabelecidas no Plano Nacional de Energia (PNE). Há.5 W em termos de demanda evitada. disseminando informações relevantes e práticas de uso eficiente de um recurso estratégico para o desenvolvimento socioeconômico do País. estima-se em 12.330 GWh.

visto que requer pouca intervenção na unidade consumidora e os equipamentos (essencialmente. considerando os custos de logística e reciclagem. Consta-se. Resolução no. de 3 de setembro de 1999. Uma das razões pelas quais isso ocorre é a relativa facilidade na implantação de medidas dessa natureza. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. 141– E. p. que o programa de eficiência energética regulado pela Aneel (PEE) tem contribuído. v. Agência Nacional de Energia Elétrica (Brasil). _______________. 09. Poder Executivo. no qual se observam números expressivos em termos de equipamentos substituídos. DF. de energia economizada e de demanda evitada no horário de ponta do sistema.mínimo. cujo consumo corresponde a menos de 4% da energia elétrica consumida no País. portanto. Outro argumento favorável à implementação de projetos de eficiência energética na área de iluminação. de 24 de julho de 1998. o que ocorreu somente nos primeiros ciclos. verifica-se forte presença dessa tipologia de projetos nos demais ciclos do Programa. especialmente em 2001/2002. notadamente no setor residencial. Mesmo sem orientação explícita para investimentos em projetos de eficiência energética na área de iluminação. é a relação custo-benefício (RCB) da medida. substancialmente. Enquanto a substituição de uma geladeira por outra mais eficiente apresenta RCB > 1. é um exemplo claro de orientação política dos recursos do Programa. notadamente no segmento de iluminação pública e em consumidores de baixa renda.1998. Resolução no. Seção 1. 60% dos recursos do Programa para consumidores beneficiados pela TSEE. Referências ANEEL. quando se obrigou as empresas a destinar 100% dos recursos do PEE para projetos dessa natureza. lâmpadas) são de fácil transporte e manuseio. 136. n. esse valor costuma ficar abaixo de 0. 261. 242. Brasília. 27 jul. Por outro lado. Diário Oficial Contribuições do PEE da Aneel para a difusão de tecnologias e práticas eficientes de iluminação 199 .4 nos projetos de substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas. para a difusão de tecnologias eficientes de iluminação. são evidentes os benefícios do programa na difusão de tecnologias eficientes de iluminação.

DF.2001 . Brasília. Disponível em: <http://www. v. Poder Executivo. Brasília.Energia: recurso da vida.a.1999. 2005. 36. BRASIL. de 27 de dezembro de 1996.com/EM_Programas_Reluz/ default. 27 dez. 2012. 300. nº.[da] República Federativa do Brasil. 107 – E. DF. _______________. 2008. de 23 de maio de 2001. p. DF. 14. p. 1996. (Livros 1 ao 5). Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. n. v. p.427. 76 – E.eletrobras. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. 144. _______________. Seção 1. v. p. Lei nº. v.gov. 200 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. n. 36. Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente – RELUZ. ELETROBRAS PROCEL. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. 06 set. 139-E. 186. 28653. 145. Resolução no. p. n. 2007. 61-A. Marcos. p. 12. 139. v. Lei nº. Brasília. _______________.asp>. cfm?idArea=27&idPerfil=6>. 69. Brasília. de 12 de fevereiro de 2008. DF. _______________. 176. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. 138. _______________. 11. Seção 1. p. A Natureza da paisagem .br/area. 19 abr. Resolução nº. Poder Executivo. Disponível em: <http://www. p. 29 mar. 147. Acesso em: 16 jan. Seção 1. de 18 de abril de 2001. _______________. de 28 de março de 2007. 1. 9. Brasília. 2001 . 25 jul. 2010. Poder Executivo. Seção 1. v. Seção 1. _______________. Seção 1. 356. Rio de Janeiro. 15 dez. 9. Seção 1. Resolução no. 1. v. de 19 de julho de 2000. 21 jan. Brasília. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder Executivo. de 28 de novembro de 2005. Seção 1. 04 jun. 142. p. de 20 de janeiro de 2010. DF. _______________.b. 2000. de 24 julho de 2000. 2000. 137. DF. Brasília. 22 fev. 35. 171 – E. _______________. Lei nº. 1. n. 153. Lei nº. n. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. n. p. DF. 2006. 20 set. DF. Acesso em: 28 jan. Brasília. n.465.212. DIDONET. DF. Resolução no.991. Brasília. Rio de Janeiro: CIMA. Seção 1. 139.aneel. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. 2011. 53. Manual para elaboração do Programa de Eficiência Energética. 9. DF. 2008. 271. Brasília. v. Resolução no. Seção 1. 240.

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Os exemplos são o Centro de Excelência em Iluminação Pública (CEIP). 202 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . e os centros de demonstração. esta parte do livro apresenta experiências de como ações de parceria vêm ajudando na capacitação e formação técnica e profissional e na disseminação do tema iluminação. com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). o Laboratório de Eficiência Energética (LEENER) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).7 Capacitação. formação e disseminação da iluminação Daniel Delgado Bouts Eletrobras Procel Além de abordar critérios e práticas de ensino da iluminação.

após a criação do Laboratório de Eficiência Energética (LEENER). além de acompanhar de forma atuante as mudanças tecnológicas. profissional e o desenvolvimento da pesquisa. Mais detalhes sobre cada uma dessas iniciativas serão abordados nos próximos capítulos. vem buscando investir na capacitação. sobretudo. envolvimento acadêmico. Capacitação. Outro bom caso que reúne experimento. Novas tecnologias. hoje reconhecido nacional e internacionalmente pela competência técnica acumulada. Um exemplo foi o trabalho do Centro de Excelência em Iluminação Pública (CEIP). mercadológicas. No que diz respeito à disseminação de informações sobre a aplicação prática que visa à redução do desperdício de energia.como o Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafória Eficientes (Procel Reluz) e o Programa de Eficiência Energética (PEE) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) . capacitação e disseminação do conhecimento vem da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). mas também na formação.e um conjunto de normas foram desenvolvidos ou aperfeiçoados em busca de maiores níveis de eficiência na iluminação pública. com certeza. assim como a capacitação e formação técnica. viram a necessidade de aumentar os investimentos não só na disseminação do conhecimento sobre o tema. industrial e no setor de prestação de serviços em geral. do segmento de iluminação no mercado brasileiro. um passo para o mercado ficar antenado com o estado da arte tecnológica.Ao longo dos capítulos anteriores. que vem contribuindo para a disseminação da temática. O mercado brasileiro já tem boas experiências de iniciativas que favoreceram a disseminação do assunto. criado a partir da parceria entre a Eletrobras e os Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Labelo/PUCRS). nos últimos anos. o livro não deixa dúvidas sobre o crescimento. distribuidoras de energia. iniciativas e programas nas mais diversas áreas . fabricantes. universidades. regulatórias e normativas do mundo da iluminação. centros de pesquisas e universidades. Esses centros têm por objetivo a interação do público com técnicas e equipamentos eficientes em operação e a consequente absorção do conhecimento e sua disseminação por meio dessa experiência prática.formação e disseminação da iluminação 203 . mostrando que o Brasil. entre outros agentes que gravitam de alguma forma no segmento de iluminação. a partir de 2001. Aliado à maior conscientização da sociedade. o Brasil traz o bom exemplo da formação de centros de demonstração. quando o País viveu uma crise no abastecimento de energia. qualificação e formação técnica e profissional para suportar a dinâmica de um mercado efervescente e altamente dinâmico. residencial. capacitação e no treinamento de técnicos e profissionais. associações setoriais ou de classe.

7. maior segurança à população. redução do custo de manutenção e do consumo de energia.1 O Centro de Excelência em Iluminação Pública Cássio Alexandre Pereira de Souza Labelo-PUCRS Domingos Francisco Malaguez Alves Labelo-PUCRS Luciano Haas Rosito Cobei-ABNT-participante Mauricio Wahast Avila Labelo-PUCRS Este artigo reúne informações sobre o Centro de Excelência em Iluminação Pública (CEIP). projetistas e empresas que atuam na área. 204 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . trazendo benefícios como a melhoria da qualidade dos equipamentos utilizados. projeto que surgiu a partir da necessidade das prefeituras. O projeto possibilitou o tratamento científico e sistematizado do tema iluminação pública no País. aumento da eficiência energética. concessionárias.

O Centro de Excelência em Iluminação Pública 205 . Almeida. destaca e valoriza monumentos. facilita a hierarquia viária. Essa parceria resultou na criação do Centro de Excelência em Iluminação Pública (CEIP). surgiu a necessidade de a Eletrobras estabelecer uma parceria para o desenvolvimento de um trabalho voltado ao atendimento das necessidades das prefeituras e concessionárias. permitindo à sociedade desfrutar plenamente do espaço público no período noturno. embeleza as áreas urbanas.3 bilhões de kWh/ano. A IP no Brasil corresponde a aproximadamente 4. Nesse contexto. concessionárias e fabricantes. 2012). Com isso.4% do consumo total de energia elétrica do país. encaminhados pelas prefeituras. o Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Labelo/PUCRS) tornou-se parceiro da Eletrobras. no intuito de aprimorar a interação destas com as administrações municipais. Com isso. luminárias e porta-lâmpadas. atuando como instrumento de cidadania. com o objetivo de qualificar os produtos de IP por meio de ensaios realizados em reatores. previne a criminalidade (Clark. que foi inaugurado em setembro de 2006. lâmpadas. A origem do CEIP Desde 1995. segundo dados do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – Procel (Eletrobras Procel. 2007. com a finalidade de disseminar o conhecimento gerado e aplicá-lo para o desenvolvimento de um modelo de gestão de IP para o estado do Rio Grande do Sul. 2004). equivalente a uma demanda de 2. a Eletrobras Procel vem atuando em conjunto com as concessionárias de energia elétrica.2 GW e a um consumo de 10. 2004). a Eletrobras buscou ampliar o alcance dos benefícios para toda a sociedade brasileira. o Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente – Reluz (Barbosa. orienta percursos e permite melhor aproveitamento das áreas de lazer. relés. prédios e paisagens.Considerações iniciais A iluminação pública (IP) é essencial à qualidade de vida nos centros urbanos. em 2000. no que tange às especificações técnicas e análise dos produtos de IP. Além de estar diretamente ligada à segurança pública no tráfego. instituindo. almejando níveis cada vez mais elevados de eficiência energética.5% da demanda nacional e a 3.

no qual foram desenvolvidos treinamentos e capacitados laboratórios para fazer a avaliação de equipamentos de IP. Coube à Eletrobras o aporte de R$ 487 mil. • qualificação de produtos. técnicos e engenheiros capacitados.5%. PUCRS. 2008-a e 2010). disponibilizado no site do CEIP.1 o processo aplicado ao longo do convênio. o convênio foi efetivado em 2 de janeiro de 2006. com a finalidade de comprovação de qualidade. sendo realizados alguns ensaios nos produtos da empresa vencedora da licitação. adequação dos equipamentos. equivalente a 51. Esses laboratórios contam com o auxílio de professores. equivalente a 48. facilitando assim para as prefeituras a escolha de empresas nos processos de licitação – todos os associados podem visualizar os produtos aprovados. 2008-b) que teve por objetivo estabelecer os critérios mínimos de segurança e eficiência energética nos produtos utilizados na IP e dar suporte às concessionárias.1. dos produtos aprovados nos ensaios de tipo (ensaios completos realizados conforme norma específica). e 206 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . aos fabricantes e também às prefeituras envolvidas no programa Procel Reluz.5% do total. • inspeção de recebimento dos produtos de IP. no qual a estimativa de custo para desenvolver este trabalho foi de cerca de R$ 1 milhão. que consiste em realizar ensaios de acordo com as normas específicas verificando sua qualidade e fornecendo informações aos fabricantes para futuras melhorias. levando em conta a perenização – sustentabilidade e continuidade funcional –. e à PUCRS a contrapartida de R$ 516 mil.O convênio foi desenvolvido para avaliar os pontos de IP contemplados pelos projetos do Procel Reluz. • desenvolvimento de banco de dados. Os trabalhos realizados Um dos primeiros trabalhos desenvolvidos pelo CEIP foi a elaboração de um manual de especificações técnicas (Eletrobras Procel. ganhos pós-execução do projeto e impacto de economia de energia elétrica (Eletrobras. PUCRS. Considerando o cenário brasileiro de IP. gestão dos sistemas. É possível visualizar na figura 7. e têm como objetivos: • qualificação de pessoal e realização de cursos.

O Centro de Excelência em Iluminação Pública 207 . orientando os participantes a respeito da importância da utilização de materiais de qualidade e o porquê da necessidade de qualificação desses produtos. desenvolveu-se e aplicou-se um processo para a avaliação da conformidade dos produtos de IP. ministrando cursos e palestras (PUCRS/CEIP. PUCRS. entretanto. conforme apresentado no diagrama da figura 7. em função dos pesados recursos destinados a essa área por meio do Programa Procel Reluz. Como o setor de IP tem uma importância muito grande para a sociedade e. o CEIP iniciou seu trabalho de disseminação do conhecimento. Essa necessidade. Qualificação de pessoal Qualificação de produtos Elaboração de normas Gestão Cursos Banco de dados de produtos aprovados ABNT Modelo de gestão Fórum permanete Inspeção de recebimento Procel Software Inmetro Figura 7.2. Com o apoio dos agentes envolvidos.• suporte na elaboração de normas e desenvolvimento de um sistema de gestão para as prefeituras para controlar e gerenciar todas as atividades relativas ao funcionamento da IP.1. 2007) com o objetivo de desenvolver o aprendizado sobre as normas e os requisitos específicos de IP. ficou evidente a necessidade de criar uma base tecnológica para a avaliação dos produtos que eram aplicados nos projetos. não se fundamentou apenas em dados de campo reunidos de uma forma científica. da Eletrobras. 2008) Após o desenvolvimento desse modelo.1.1 • Modelo utilizado pelo CEIP (Eletrobras.

2 • Processo para avaliação da conformidade em produtos (Eletrobras. os suspendem. Sempre que os materiais são especificados para compra deve ser solicitado o ensaio de tipo. concessionárias de energia elétrica e prefeituras. no caso de não conformidade. podendo até acarretar sua exclusão (Rosito. Organismo de Certificação de Produtos . PUCRS. 2008) Nesse processo. Os resultados são enviados ao fabricante e à organização regulamentadora (Inmetro. Esses produtos são ensaiados de acordo com as normas. O resultado dessa inspeção realimentará o banco de dados de produtos aprovados que.1.OCP) e caso estejam em conformidade.Fabricante Licitação Lei no. Para que este mecanismo funcione é essencial o comprometimento dos compradores que. mas a estrita manutenção de um sistema da qualidade baseado na norma ABNT ISO/IEC 17. algum modelo de certificação ou produtos etiquetados. é necessária a realização de uma inspeção de recebimento para avaliar a conformidade dos produtos. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). os mantêm cadastrados e. há como saber exatamente o que está sendo solicitado e o que deve ser entregue. assegurando não apenas a capacidade técnica e operacional. em sua maioria. 2009-b). No momento da entrega. no caso de conformidade.025:2005. 1993). regulamentos e especificações técnicas. neste caso são. Desta forma. 208 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . 2009-a. 8666 Prefeitura Labelo Inspeção de recebimento CEIP Banco de dados de produtos aprovados Figura 7. são cadastrados em um banco de dados de produtos aprovados e publicados para que possam ser utilizados na qualificação prévia das licitações (Brasil. o fabricante inicialmente submete seus produtos à avaliação de um laboratório acreditado – são laboratórios de calibração e de ensaio qualificados por meio de auditorias periódicas por parte do Instituto Nacional de Normalização.

e • Laboratórios de ensaios do Labelo/PUCRS: a) Laboratório de lâmpadas.e. a criação de novos laboratórios.1. Com as ações de avaliação desses equipamentos e dos locais de instalação. por meio da aplicação de equipamentos mais eficientes. e) Laboratório de reatores Os resultados Durante os trabalhos realizados verificou-se a existência de sistemas de IP defasados. equipamentos auxiliares externos e com longo tempo de utilização. ou luminárias fechadas. conforme pode ser visto na tabela 7. cobertos pelo convênio Eletrobras-PUCRS.d.4 – a. e os suportes técnicos dados às prefeituras. a ampliação da infraestrutura e a aquisição de novos equipamentos. O Centro de Excelência em Iluminação Pública 209 .a. foram de extrema importância para a avaliação dos produtos de IP.1 e na figura 7. luminárias abertas. porém inadequadas às normas vigentes.3 .b. d) Laboratório de porta lâmpadas.b.De forma geral. sem proteção para a lâmpada. a seguir. a b c d e Figura 7.d.1.3 – a. Alguns dos laboratórios podem ser visualizados na figura 7. b) Laboratório de luminárias. ocorreu uma significativa e perceptível melhoria na qualidade da iluminação.1. c) Laboratório de relés fotoelétricos.c.1.b. com a utilização de diversos tipos de lâmpadas de tecnologias ultrapassadas.c.

passando de 3.5% no consumo de energia elétrica. Com essas substituições foi possível verificar um aumento de 270% no nível de iluminância.b ilustra alguns exemplos dos resultados positivos com base no processo desenvolvido pelo CEIP.000 Depois 75% a 80% Mínimo exigido .4 • Comparativo das curvas de distribuição de iluminação das luminárias antes e após o programa Reluz – a) luminária aberta com rendimento de 55% (antes do Reluz) e b) luminária fechada com rendimento de 76% (após o Reluz) (PUCRS/CEIP.73 lux. Pode-se ainda observar que a troca de uma lâmpada a vapor de mercúrio (VM) de 80 W por uma lâmpada vapor de sódio (VS) de 70 W significou uma redução de 12.5 – a.000 a) b) Figura 7.97 lux para 10.1. 2008) A figura 7.Tabela 7. 210 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .1 • Comparativo técnico entre os equipamentos existentes e os equipamentos aplicados após as avaliações realizadas pelo CEIP para o Programa Reluz Luminárias Ensaios Rendimento fotométrico IP (Índice de proteção) IK (Impacto) Ensaios Perda elétrica (W) Fator de potência Ensaios Eficiência energética (Im/W) Vida mediana (h) * VM = Vapor de mercúrio ** VS = Vapor de sódio Antes 55% Luminárias abertas Luminárias abertas Reatores Antes Normas ABNT 0.Grupo ótico IP55 e compartimento do reator IP33 IK08 ou IK09 Depois ENCE e Procel 0.1.000 a 32.1.6 Lâmpadas Antes (VM)* até 55 15.92 Depois (VS)** até 140 24.

1 • Nível de satisfação da população na avaliação da IP antes e após o Programa Reluz (Eletrobras.6 4.7 Regular Boa Ótima 24. fato comprovado pela satisfação da população frente a pesquisas realizadas antes e depois da execução do projeto.8 19. 2010) O Centro de Excelência em Iluminação Pública 211 .3 3. este percentual aumentou para 83. Logo após a implantação do projeto (Fase 2).7 18 16. 77.5 • Via pública antes e após a implementação do projeto: a) antes com lâmpadas VM 80 W e b) depois com lâmpadas VS 70 W Além disso. com níveis “bom” e “ótimo” antes do programa Procel Reluz (Fase 1) era de 40%.3 28. No gráfico 7.7 1. o nítido aumento na iluminação das calçadas contribuiu para uma maior sensação de segurança e conforto dos pedestres.3%.5 10.1.a b Figura 7. Por fim.8% dos entrevistados ainda permaneciam satisfeitos.5 63.8 5.3 0.9 53 13. é possível verificar que a fatia de indivíduos satisfeitos.1. PUCRS. após um ano da conclusão do projeto (Fase 3).1.1. Nível de Satisfação da população na avaliação da IP (%) Antes do Reluz (Fase 1) Após Início do Reluz (Fase 2) Após Início do Reluz (Fase 3) 35.9 Ruim Péssimo Gráfico 7.

Acesso em: 28 jan. 2012. Iluminação pública eficiente.Considerações finais Sob todos os aspectos. Disponivel em: < http://www. com base nas análises realizadas em campo e nos ensaios em laboratório dos produtos de IP. Disponível em: < http://www. Lei nº. J. Cabe ainda salientar que é de extrema importância que as prefeituras e concessionárias exijam. pois é desta forma que se agrega cada vez mais qualidade. 2012. dentre eles o de propiciar a concorrência justa entre fabricantes.asv. estimular a melhoria contínua da qualidade dos produtos e informar e proteger o consumidor. Lei de Licitações e Legislação em Licitação. Referências BARBOSA.asv. ou sejam detentores do Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia.planalto. 212 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . part 1: little or no benefit. através da parceria entre a Eletrobras e a PUCRS.au>.br/ccivil_03/leis/L8666cons. Acesso em: 28 jan. org. CLARK. preferencialmente A (mais eficiente). J. htm>.au>.gov. 2012. BRASIL. do consumo de energia elétrica e maior sensação de segurança pelo aumento da eficiência na iluminação. R. 2004. Sidney: Astronomical Society of Victoria. que os produtos adquiridos tenham classificação energética significativa da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). Sidney: Astronomical Society of Victoria. G. Outdoor lighting an crime.org. foi de extrema importância a criação do CEIP. de. Uma das percepções durante a realização dos trabalhos é a de que o acompanhamento do CEIP junto às prefeituras e concessionárias traz maior eficácia no momento da escolha dos materiais a serem utilizados. em seus processos de compra. 2004. São vários os aspectos que justificam a implantação de programas de avaliação da conformidade. B. Disponível em: < http://www. P. Rio de Janeiro: Eletrobras. 2004.. A. fomentando a inovação e transpondo barreiras com o auxílio do desenvolvimento de novas tecnologias. Acesso em: 25 jan. sobretudo pela visão fundamentada em um centro voltado para a busca da excelência. possibilitando redução dos custos de manutenção. ALMEIDA. 8666 de 21 de junho de 1993. onde couber.

ELETROBRAS PROCEL. 2008 . 2010. Curso básico. H. O Centro de Excelência em Iluminação Pública 213 . Rio de Janeiro: Eletrobras Procel.br/web/ documentos/fasciculos/fasc_desenvolvimento_da_iluminacao_publica_no_brasil_ cap8_ed43. Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: pesquisa de posse de equipamentos e hábitos de uso da classe residencial no ano base 2005. 2012. Avaliação da conformidade em iluminação pública. 2007. Porto Alegre. Acesso em: 25 jan.40_desenvolvimento_da_iluminacaopublicanobrasil. _______________. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul / Centro de Excelência em Iluminação Pública.a. Porto Alegre.osetoreletrico. 2012. 2008. PUCRS/CEIP. Acesso em: 25 jan. 5.com.ceiprs. In: ________________. 2007. Iluminação pública no Brasil. 2012. Acesso em 25 jan. ROSITO. Cap. versão 3. Desenvolvimento da iluminação pública no Brasil. Manual de especificações Técnicas.ceiprs.com.br/web/documentos/ fasciculos/ed.eletrobras. _______________. 2012.php>. ELETROBRAS PROCEL. O setor elétrico. 2009 a. 8: Avaliação dos projetos de eficiência energética em iluminação pública. L. Disponível em: <http://www.com/ELB/main.pdf >. Disponível em: < http://www.b. Cap. Disponível em: <http://www. Porto Alegre. Acesso em: 24 jan. In:______. PUCRS. _______________.pdf>.pdf>. _______________. Porto Alegre.b. 2008 . Porto Alegre. Desenvolvimento da iluminação pública no Brasil.br/docs/Apresentacao_ PUCRS_21-08-2008.osetoreletrico. Disponível em: <http://www.com. Relatório final Convênio Nº ECV 149/2005. Acesso em: 25 jan. Avaliação de Sistemas de Iluminação Pública: Reluz. Disponível em: <http:// www. _______________.asp?TeamID=%7BEB94AEA0-B206-43DE8FBE-6D70F3C44E57%7D>.com. Relatório final trabalho II BH e Porto Alegre – contrato da Eletrobras ECV193/2006. 2009 . 2012.br/scripts/curso_basico.

214 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . bem como de procedimentos e práticas que minimizem o desperdício de energia. ressaltando os benefícios para a sociedade.7.2 Centros de Demonstração Ary Vaz Pinto Junior Cepel Clóvis Nicoleit Carvalho Eletrobras Eletrosul João Carlos Aguiar Cepel Jorge Luis Alves Eletrobras Eletrosul Luis Marcos Scolari PUCRS Roberto Lamberts Labeee-UFSC O artigo trata da constituição de centros de demonstração destinados à disseminação de informações relacionadas à eficiência energética por meio do uso de técnicas e equipamentos eficientes em condições reais de operação.

à época. lançou um projeto para criação de centros de aplicação de tecnologias eficientes em países em desenvolvimento. A partir de 2010. Os centros de demonstração desenvolvidos para divulgação da eficiência energética permitem o contato do público interessado. do Grupo E7: Electricité de France. a conscientização sobre o tema em questão. O Cepel foi escolhido para sediar o protótipo mundial. localizado na cidade do Rio de Janeiro. formado por concessionárias de energia elétrica de alguns dos países mais industrializados do mundo2. Tokyo Electric Power Company. Centro de Aplicação de Tecnologias Eficientes . Centros de Demonstração 215 . Nesse contexto. Ontario Hydro. e o Centre Français de l’Electricité (CFE). da Electricité de France (EDF). o Centro de Aplicação de Tecnologias Eficientes (Cate). ressaltando os seus benefícios econômicos.Cate Em 1995. principalmente. RWE AG e Southern California Edison. que hoje é denominado “Global Sustainable Electricity Partnership”. Hydro-Québec. pode-se citar o Customer Technology Application Center (CTAC1). o Grupo E7. configuram-se como referências nacionais para a disseminação de informações associadas ao uso eficiente da energia e dos recursos naturais. com o apoio da Eletrobras Procel. Concessionárias de energia elétrica criaram organizações desse tipo para aumento da competitividade e ampliação de seus mercados consumidores ou para benefício da sociedade como um todo. com o objetivo de desempenhar um papel ativo na proteção ao meio ambiente e na promoção da geração e do uso eficiente da eletricidade. a informação e o treinamento constituem-se entre as formas mais eficazes de se promover o uso eficiente da energia elétrica e combater o seu desperdício. com as tecnologias e conceitos associados. a Casa Eficiente e a Casa Genial. por meio de visitação. o CTAC se desdobrou em centros regionais chamados “Energy Education Centers”. na 1 Recentemente. Kansai Electric Power Company. suscitando o interesse.Considerações iniciais Com o desenvolvimento tecnológico. a curiosidade e. nas instalações do Cepel. O desenvolvimento de organizações voltadas à divulgação de tecnologias e conceitos aplicados à eficiência energética é uma tendência internacional. sociais e ambientais. Como exemplo. a Eletrobras passou a integrar esse grupo. para posteriormente servir como modelo para multiplicação em outros países. O Cate. ENEL. da Southern California Edison (EUA). 2 Participavam.

divulgação de informações via Internet. operada em conjunto com o Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito (Cresesb3) e um espaço de exposição permanente. iluminação eficiente.2. 216 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . comercial e de serviços.1.Ilha do Fundão. conforme pode ser visualizado na figura 7. manutenção de uma biblioteca especializada e realização de visitas à Casa Solar Eficiente. montagem e realização de cursos de energia solar e eólica. visando à redução do consumo de energia elétrica. reduzindo a carga térmica total da edificação. entre outros. 3 Localizado nas instalações do Cepel. visando à redução do consumo de energia. que geram energia para o prédio e produzem sombreamento sobre o telhado. Entre os seus diversos trabalhos. com a finalidade de promover o uso eficiente da energia elétrica por meio da divulgação de informação qualificada sobre equipamentos e sistemas. da ampliação do diálogo entre as entidades envolvidas e do estímulo à implementação de estudos e projetos.2). industrial. bem como da realização de treinamentos e da prestação de serviços de diagnósticos energéticos. o Cate dispõe de duas áreas: a Casa Solar Eficiente (figura 7. sistema de climatização setorizado. destacam-se: apoio aos programas de governo do MME e do MCT. o Cresesb foi criado em 1994 para promover o desenvolvimento das energias solar e eólica no Brasil por meio da difusão de conhecimentos.2.1 • Vista superior do Cate Para a demonstração de tecnologias disponíveis comercialmente. cores claras em todas as fachadas. entrou em operação em 1997.2. As áreas de atuação do Centro estão voltadas para os segmentos residencial. Figura 7. edição de publicações. Na cobertura estão instalados painéis fotovoltaicos. A concepção arquitetônica adotada para o Cate utiliza proteções externas contra a radiação solar direta.

entre outros. conteúdo harmônico e outras variáveis. coletores solares para aquecimento de água. combina-se a eficiência energética ao uso de uma fonte alternativa de energia. fator de potência. Figura 7. controladores de cargas. permitindo visualizá-los fisicamente e.3) dispõe de painéis equipados com medidores e diversos tipos de lâmpadas e luminárias.Figura 7. são utilizadas algumas técnicas de demonstração.3 • Área de exposição do Cate sobre iluminação eficiente Centros de Demonstração 217 .2. além da possibilidade de medir individualmente o consumo energético.2 • Casa Solar Eficiente Na Casa Solar Eficiente. A área específica de iluminação eficiente (figura 7. por sua vez. das lâmpadas expostas. nos quais podem ser verificadas as diferentes características dos produtos disponíveis no mercado. sempre que possível. painéis fotovoltaicos. A área de exposição. Também pode ser observado o comportamento. principalmente no que diz respeito a controles e sistemas alternativos para redução do consumo de eletricidade.2.2. tem como finalidade abrigar demonstrações de tecnologias e equipamentos. em condições reais de operação. em termos de reprodução e temperatura de cor. sensores de presença. tais como sistemas eficientes de iluminação. Para isso.

constituindo-se como um centro de demonstração em eficiência energética. links para instituições correlatas e dicas sobre economia de energia em ambientes residenciais. alguns resultados de trabalhos relevantes.4) é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido pela Eletrobras.2. Na página do Cate na internet (www. assim como demonstração de sistemas eficientes para bombeamento de fluidos. Sua construção teve como objetivo criar uma vitrine de tecnologias de ponta e conceitos aplicados de eficiência energética. ferramentas computacionais para diagnóstico energético em edificações. destacam-se: simuladores de diagnósticos energéticos. a Eletrobras Eletrosul e o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina . produtos desenvolvidos pelo Cate4. Figura 7. banco de dados para dimensionamento. 218 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . industriais e de serviços. na forma de uma residência unifamiliar.2. podem ser obtidas informações sobre os serviços prestados pelo Centro. Casa Eficiente Inaugurada em 2006. A administração da Casa é realizada pela Eletrobras Eletrosul. tornando-se uma referência nacional para disseminação dessas ideias.cepel. a Casa Eficiente (figura 7.Na área de exposição permanente também podem ser encontradas informações sobre equipamentos detentores do Selo Procel Eletrobras.br). por meio do Procel. adequação climática.cate.4 • Fachada da Casa Eficiente 4 Entre os principais produtos. conservação de energia e uso eficiente da água. substituição de motores elétricos e manuais e guias técnicos.Labeee/UFSC. cabendo a coordenação ao setor de eficiência energética da empresa.

com alto grau de adequação ambiental. Até o final de maio de 2012. tais como. destacam-se os profissionais de cons- trução civil. que reduzam o consumo de energia e mantenham o padrão de conforto. O contato com essas tecnologias. Além disso. • realizar o monitoramento diário de variáveis ambientais internas e externas. proporcionando máxima eficiência no aproveitamento do clima e do consumo energético. científico e ambiental. por meio de sua maquete representativa. cidade onde se localiza a Casa Eficiente. econômico. a construção da Casa teve os seguintes objetivos. tanto sob coordenação da Eletrobras Eletrosul. engenheiros e estudantes. Mais precisamente. mais de 9. suscita o interesse e a curiosidade das pessoas para o uso eficiente da energia e dos recursos naturais. por meio da visitação à Casa e da leitura do material online de sua construção e. o uso de lâmpadas eficientes e o aproveitamento da iluminação natural.600 pessoas participaram das visitas às instalações da Casa. Como público alvo da Casa Eficiente. arquitetos. fornece indicações para aqueles que trabalham diretamente com a construção civil. entrevistas na mídia e palestras ministradas pelos envolvidos no projeto. • aplicar os conceitos de eficiência energética e de tecnologia de ponta. principalmente em regiões com características bioclimáticas semelhantes à Florianópolis. como dos pesquisadores do Labeee/UFSC. Os resultados obtidos com a Casa Eficiente proporcionam benefícios no âmbito social. com distribuição de folders e breve explanação do projeto. como o vento. congressos. e • sensibilizar e buscar o comprometimento das indústrias para o desenvolvimento de materiais adequados a serem aplicados na construção civil. do consumo de energia por uso final e dos fluxos de calor através das vedações. Para a sociedade. A Casa Eficiente é exposta em feiras. os quais condicionaram o levantamento do prédio: • implantar um Projeto de Demonstração de Eficiência Energética em Habitação Unifamiliar: modelo de eficiência energética que conta com sistemas e soluções arquitetônicas. a divulgação das Centros de Demonstração 219 . Há ainda a divulgação da Casa por meio de matérias jornalísticas. igualmente dos seus resultados de pesquisa. a água e a luz natural. seminários e outros eventos relacionados ao uso eficiente de energia e à sustentabilidade. incorporando o aproveitamento de águas pluviais e a diminuição de impactos ambientais.

foram realizadas pesquisas direcionadas à construção civil. porém não eficiente. Entre os resultados apresentados.5 • Interior da Casa Eficiente Por fim. Figura 7.2.4% no consumo de água.Bioclimatologia e Desempenho Térmico”.5 apresenta uma vista interna da Casa Eficiente. o público também pode contribuir na disseminação do conhecimento adquirido para familiares e conhecidos. e a economia de 30% a 50% de energia elétrica em comparação a uma residência de mesma proporção. devido ao uso da água da chuva e de sistemas economizadores.Consumo e Geração de Energia”. com o objetivo de monitorar o desempenho bioclimático e a eficiência energética da edificação.Simulação Computacional do Desempenho Termo-Energético”. “Volume 2 . suficiente para atender o consumo da residência.br/casaeficiente). abordando os conceitos e os resultados práticos das pesquisas. Essas publicações se encontram disponíveis para consulta livre na internet. Além disso.ideias da Casa e a conscientização da população em geral são os principais benefícios obtidos. foram elaboradas quatro publicações em formato de livro.Uso Racional da Água” e “Volume 4 . no site da Casa Eficiente. o Volume 2 também trata dos aspectos relacionados à iluminação da Casa. mantida pela Eletrobras Eletrosul (www. A figura 7. Como consequência desse estudo. Em especial. “Volume 3 . Após a visita à Casa.eletrosul.2. a redução de 54. destacam-se a redução do ganho de calor interno devido ao uso de telhado vegetado (telhado verde). a energia gerada pelos painéis fotovoltaicos sobre a Casa. a concepção da Casa Eficiente e sua construção acompanharam a elaboração da metodologia aplicada atualmente no processo de etiquetagem de edi220 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . sendo: “Volume 1 .gov.

cozinha. públicas e de serviços. quanto à eficiência energética de algumas de suas características. detentores do Selo Procel Eletrobras. lavanderia e banheiro.2. em Porto Alegre. Figura 7. Simulação e Obra Construída.6) foi criada em parceria com a Eletrobras Procel. Casa Genial Instalada no Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). a Casa Genial (figura 7. sala de estar. em comparação com os não eficientes. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). envoltória no verão e aquecimento de água. bem como através de procedimentos e práticas que evitem o desperdício de energia. escritório.ficações do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Instituto Nacional de Metrologia. O projeto tem como objetivo demonstrar a utilização da energia elétrica de forma eficiente através da presença de eletrodomésticos eficientes. Em todas as avaliações. a Casa Eficiente foi classificada no “nível A” de eficiência energética – melhor qualificação possível pela etiqueta –. a Casa Eficiente passou pelo processo de avaliação para obtenção da Ence nas modalidades de Projeto. sendo uma residência completa constituída por dormitório. A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence) atesta e classifica as edificações residenciais. Como forma de provar sua filosofia. comerciais.2.6 • Fachada da Casa Genial do Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS Centros de Demonstração 221 . tendo sido verificadas as seguintes características: envoltória no inverno.

2. o qual permite elaborar uma comparação entre a potência total registrada por um conjunto de lâmpadas fluorescentes compactas e a por outro conjunto de lâmpadas incandescentes. Além disso. Ao final da visita.7 • Painel de medidores de energia instalado na Casa Genial 222 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . as quais se encontram distribuídas pelas dependências da Casa. a Casa dispõe de um painel de medidores de energia instalado no escritório (figura 7. Dessa forma. é demonstrado de forma eficaz. ressaltando os seus benefícios econômicos e ambientais. Figura 7. mostrando-a inserida no cotidiano das pessoas. Especificamente no que diz respeito à iluminação. sendo a energia tema obrigatório.2. destacando a variação na intensidade de luz e na potência registrada. o impacto proporcionado pelo uso das lâmpadas fluorescentes em relação a uma possível substituição às lâmpadas incandescentes. de maneira didática. Nas atividades interativas promovidas pela Casa. recebem uma cartilha com conteúdo que valoriza a mudança de hábitos individuais. bem como um jogo educativo que confirma a concepção lúdica e visual do projeto. o painel demonstra a operação de um circuito de lâmpadas incandescentes realizada por dimmers. A Casa Genial se enquadra perfeitamente na proposta do Museu e se constitui em uma excelente oportunidade para a divulgação da eficiência energética. os visitantes têm a oportunidade de verificar a potência elétrica registrada em cada eletrodoméstico e participar de um jogo de perguntas e respostas que remete ao uso eficiente da energia. por meio de mecanismos interativos.7).O Museu é um espaço destinado a divulgar a ciência.

o Museu tem inserido em seus projetos relacionados à temática energia roteiros que incluem visitas à Casa Genial. mais de 10. Por meio de visitação. através do contato com técnicas e equipamentos eficientes. com o intuito de aumentar sua visibilidade. os visitantes são cada vez mais estimulados a pensar de maneira crítica. Considerações finais Para promover a eficiência energética e combater o desperdício de energia elétrica. No ano de 2011. para melhorar a qualidade de vida da população e a eficiência dos bens e serviços. Dessa forma. em condições reais de operação. dentre os quais se destacam os alunos dos ensinos fundamental. contribuindo. médio e superior.700 pessoas participaram efetivamente das atividades propostas durante a visita à Casa. De forma geral. os centros de demonstração contribuem para despertar o interesse e a curiosidade do público visitante. Centros de Demonstração 223 . Sempre que possível.Desde a sua inauguração em 2008. assim como de práticas que evitem o desperdício de energia. O Cate. a Casa Genial tem recebido um expressivo contingente de visitantes. no que diz respeito ao uso eficiente da energia e dos recursos naturais. a disseminação de tecnologias e conceitos relacionados ao tema torna-se fundamental. a Casa Eficiente e a Casa Genial constituem-se como centros de demonstração de referência para a divulgação da eficiência energética no Brasil. assim. para a educação quanto ao uso de forma consciente da energia. o público alvo é estimulado a se conscientizar sobre o tema em questão.

Partindo de uma ideia geral.7. que baseia-se na experiência do ensino desta matéria em várias modalidades de cursos ministrados ao longo dos anos.3 O ensino da iluminação Gilberto José Correa Costa Testtech Laboratórios-consultor Os critérios que um professor de iluminação deve se orientar quando trata do ensino do tema iluminação é o foco deste texto. 224 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e parceiros . o artigo finaliza com recomendações objetivas a serem adotadas quando do planejamento e desenvolvimento detalhado do curso.

Trata-se de um conjunto de técnicas formuladas por meio de metodologias próprias. Nesse contexto existem linhas gerais que ao serem obedecidas muito facilitam a tarefa de orientação didática para o professor e que estão colocadas na questão do conteúdo curricular em texto próprio neste capítulo. Diferentemente. Distingue-se do autodidatismo no qual os conhecimentos são adquiridos de forma mais ou menos desordenada segundo o grau de necessidade do indivíduo. superior ou de pós-graduação. Incluem-se ainda as modalidades a distância. que como em um quebra-cabeças vai formando um desenho paulatino no qual a visão do todo somente se completa no encaixe da última peça. ou de caráter estratégico. elaborados segundo necessidades das organizações para treinamento de seus funcionários. A sua disseminação é parte importante do processo.Considerações iniciais O ensino formal é parte de um sistema maior denominado educação. revela-se como uma metodologia ordenada permitindo uma formação profissionalizante. seja através de simples programas de treinamento de curta duração sobre um tema determinado. apresentando conteúdos de forma hierárquica. mediante módulos de ensino. para o aprofundamento do grau de conhecimento de sua profissão. O ensino da iluminação 225 . É um processo de certa maneira aleatório de buscas nem sempre lógicas. em geral para a capacitação ou aperfeiçoamento em atividades rotineiras. simples e fáceis. O seu planejamento e programação obedecerá aos critérios da empresa contratante em reunião com o professor e cujos custos são objeto de orçamento específico da instituição. desenvolvidas para atender demandas sem a necessidade de local físico e presença dos interessados. com complexidade crescente. com melhorias contínuas e sistemáticas. seja através de conteúdos em cursos regulares de nível médio. na própria empresa. possibilitando ainda a flexibilização de horários. formando as disciplinas. O efeito multiplicador se caracteriza pelo fato de que havendo um profissional treinado é possível que a sua orientação aos seus subordinados se transmita de forma oral e prática (uma característica da transferência de tecnologia desde a origem da humanidade). e outros denominados de in company. a capacitação. pois atua com um efeito multiplicador na transmissão da informação.

Não deve ser esquecido que a iluminação tem por objetivo atender ao ser vivo e. David Bergson identificaram um terceiro tipo de fotoreceptor (os anteriores eram os cones e os bastonetes). primeiramente sob esta condição. mas no início do século XXI. quanto na Arquitetura e também em outros níveis. provando a necessidade de repensar em todo o processo visual. de euforia e depressão. como sendo muito mais complexo do que era admitido. 226 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e parceiros . Os cursos destinados à iluminação têm características diferenciadas. Desta forma o estudo formal já era então aceito como fazendo parte de um currículo universitário. Até recentemente o processo visual era suposto como apenas a interpretação de imagens produzidas pelo cérebro. pois se aplicam tanto na Engenharia. o Instituto Northampton (Inglaterra) criava um curso em iluminação sob o título Production and Utilization of Light no qual os princípios relativos à fabricação de fontes luminosas. comprovando que a luz exerce um efeito não visual que atende à homeostase do indivíduo (equilíbrio biológico do ser humano de autorregulação). Estudar iluminação. é mais do que uma necessidade e sim um dever (Loe. 2009). em 1909.Aspectos referenciais e a especificidade do processo visual Historicamente. ainda que incipientes para a época. Incluíam os trabalhos em laboratório relativos à fotometria. há outros ciclos que são mensais como por exemplo a menstruação nas mulheres e outros ainda que se caracterizam por períodos diários determinados como o horário das refeições). Isso. pois é impossível enxergar naturalmente sem luz. recebiam a devida atenção. pois a padronização para as unidades de medida somente viria mais tarde. McIntosh. caracteriza o estudioso de iluminação como alguém que busca desenvolver requisitos para uma ciência tanto técnica. ao ser humano. como comportamental e biológica. de certa forma. incandescentes e a gás. propiciando-lhe saúde mental e bem estar. no desempenho laboral. atuando no emocional do ser humano (esta descoberta se refere à produção diária do hormônio conhecido como melatonina. Trata-se do ritmo circadiano que influi nos processos de alegria e de tristeza. no caso particular deste livro. pesquisas conduzidas pelo Dr. ou seja. como os cursos técnicos de nível médio. duas décadas após o surgimento das aplicações com lâmpadas elétricas incandescentes. A esta constatação se seguiram outras. refletidos no seu comportamento diário. no absenteísmo. para depois aplicá-la.

a neurologia. Esse pronunciamento era decorrente de uma afirmação do Dr.. surgido em 1908. já meditados no primeiro quartel do século XX. Modernamente esta forma de pensar ganhou ainda mais força. John Walsh (pesquisador inglês e eleito duas vezes na Sociedade de Engenharia da Grã-Bretanha) abordando sobre o profissional de iluminação comentava este aspecto com o texto a seguir: “Embora seja verdadeiro que a iluminação é um dos mais novos ramos da ciência aplicada. Esse interesse tardio no assunto também pode ter sido potencializado pela escassez de bibliografia própria na língua portuguesa.. O olho humano sendo o juiz final. o Brasil não é diferente. Nos seus aspectos gerais.Considerados estes pontos e antes de abordar a questão do ensino propriamente dito. Passada a Primeira Grande Guerra. pois segundo o Dr. é necessário caracterizar. 2006). O ensino da iluminação 227 . em 1926. . a não ser pelo fato de que a iluminação passa a ser hoje um ponto importante para a economicidade energética. . Leon Gaster.. O engenheiro de iluminação necessita compreender o comportamento fisiológico do ser humano. ocorria nos primeiros tempos da iluminação elétrica. provavelmente todo o engenheiro de iluminação está surpreso com a grande limitação do seu conhecimento. a partir de que existe uma realidade tarifária sobre os preços da eletricidade. Provavelmente. de que “uma boa iluminação somente poderia ser obtida por uma ação orquestrada pelo fisiólogo.. Woût van Bomel (ex-presidente da Comissão Internacional de Iluminação). pelo arquiteto e pelo engenheiro”. as associações técnicas existentes em cada país disseminavam o treinamento. editor do primeiro volume do The Illuminating Engineer. para a nova concepção das necessidades de luz há necessidade de uma colaboração estreita com a psicologia.. pois esta era uma das grandes aplicações do uso da eletricidade e. ainda que de forma muito simplificada. a biologia. 2005).. o Dr. o perfil do profissional que busca no estudo da iluminação seu ganha-pão. Uma das razões é de que a maioria dos outros engenheiros tratam com fenômenos que são quase inteiramente de natureza física. a capacitação e o ensino como parte do escopo de seus objetivos. e o engenheiro de iluminação deve se perguntar: o que será que o olho pensa disto?”. como está sendo visto.. foi no final do século XX que a preocupação com a iluminação passou a ser o objeto mais efetivo dos profissionais brasileiros (Costa. a fisiologia e a prática da iluminação (Bommel. Esse desenvolvimento da formação do profissional.

já o estudo da iluminação é fotometria e não cálculo elétrico. tanto no aspecto comportamental. mas justo para o profissional que ministra o curso. nem baixo. Portanto. isso dependerá do tempo disponível e do perfil de interesse do público-alvo. o fato de o Brasil ter dimensões continentais e que o deslocamento dos profissionais para atender a esses cursos deve ser somado ao seu preço. projetos de iluminação e métodos de cálculo aplicados às fontes natural e artificiais. É bem verdade que seu custo se enquadra dentro de um orçamento nem elevado. pois naturalmente sua preocupação reside no retorno do investimento aplicado. externa. fontes luminosas e luminárias. o investimento educacional não é pequeno. na maioria das vezes. 2006). O conteúdo curricular frente às necessidades da fotometria Como consequência. Deve-se entender que a instalação elétrica faz parte da infraestrutura que possibilitará a alimentação dos pontos de iluminação. encontra-se o comprador do produto que. quanto no emocional. Acrescente-se a essa realidade. os objetivos de um curso de iluminação podem ser enumerados abaixo: • fundamentação dos conceitos básicos de iluminação. pública e esportiva. No extremo dessa cadeia. 228 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e parceiros . O que lhe interessa é a relação custo versus benefício e ela nem sempre é tão óbvia assim. segundo o seu modo de ver. Em se tratando do nível de profundidade ideal que cada tema deve ser abordado. apresentando uma procura mais ou menos significativa. destacando os aspectos subjetivos da sua percepção. para citar um exemplo corriqueiro. o currículo dos diferentes programas deveria possuir ementas que tratem de temas como: sistemas de iluminação natural e artificial.A despeito da pouca oferta de cursos formais nas universidades. aplicações na iluminação interna. estabelecendo as conexões entre as diferentes grandezas empregadas e sua importância para a tarefa visual. não consegue entender o que o projetista recomenda. outros surgem sob outras modalidades – como aqueles próprios da pós-graduação ou de organizações particulares –. e conceitos de gestão energética (PUCRS. fundamentação teórica básica e importância da iluminação no contexto do espaço interno ou externo. O importante é que não deve haver um agrupamento desses temas com disciplinas tratando de conteúdos de instalações elétricas. De uma forma geral.

• desenvolvimento de cálculos de iluminação aplicados. criar condições para que haja uma interação entre espaço e luz. através do uso das leis fotométricas. de modo que o profissional possa. o exercício aplicado é de certa maneira o retorno ao professor do grau de conhecimento absorvido pelo participante e ele permite realizar uma espécie de autoavaliação. uma sala de aula. A experiência revela que somente nessa fase o professor tem condições de avaliar até que ponto foi devidamente compreendido. entre o racional e o subjetivo. há a necessidade de uma infraestrutura. quanto à sua didática. entre o físico e o emocional. Ao fundo uma série de nichos para o exame da qualidade da iluminação das lâmpadas. como pode ser visualizado nas figuras 7.2. de forma a poder interpretar corretamente todas as informações prestadas pelos fabricantes em seus catálogos.3.• ánalise das fontes luminosas e luminárias encontradas no mercado nacional e internacional. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUCRS. Além do professor e do conteúdo.1 • Laboratório Didático de Iluminação. elaborados especificamente para os próprios participantes e que permitam discussões entre os profissionais. A sala contém luminárias dimerizáveis que podem ter o nível de iluminação variável para que os alunos possam saber as diferenças entre 50 lux. 100 lux e até 700 lux O ensino da iluminação 229 . na concepção e detalhamento de seus trabalhos. fonte primária e necessária para o desenvolvimento de um projeto e diagnóstico de uma situação existente. reprovável ou não.3. é possível que apresente recursos materiais de laboratório que permitam ao professor demonstrar na prática o que está sendo comentado. No teto um domo para o estudo da luz do dia. e • tratamento do desafio da gestão energética como o meio eficiente e eficaz de estabelecer vínculos entre a técnica e a arte. de modo a firmar um compromisso sustentável. Figura 7.3.1 e 7. A fixação dos conceitos se dá pela elaboração de exercícios aderentes ao conteúdo apresentado. se esta for num ambiente de ensino. Neste sentido. por exemplo.

não é comum. Projetos de iluminação não são feitos somente com o uso de fórmulas matemáticas. Entretanto.2 • A sala do Heliodomo. para a cidade de Porto Alegre. relativa à concepção associada à inspiração a qual os projetos apresentam – algumas vezes isso é sim- 230 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e parceiros . também no laboratório da PUCRS. e contém lâmpadas que podem ser acesas separadamente Este ideal. do nascer ao entardecer. Os pontos brancos em cada eletroduto curvo representam as horas do dia. o mesmo para o caso de um ambiente destinado a eventos (em se tratando de hotéis). Cursos desta natureza não são de venda de produto. mas sim de desenvolvimento de técnicas dos princípios aplicados em iluminação. Em iluminação existem duas fases importantes: a primeira. facilita a apresentação do professor.3. Outro recurso adicional é o uso do software Power Point visto que.Figura 7. equinócios e solstício de verão. Um recurso didático possível é a confecção de maquetes que demonstrem estes princípios e que sejam facilmente transportáveis para facilitar o entendimento dos participantes. na qual os alunos podem fazer estudos e efeitos de luz e sombra da iluminação solar em maquetes. Ela apresenta o movimento aparente do sol para: solstício de inverno. Cabe ao instrutor exercer a sua criatividade para motivar os participantes. Considerações finais Ao longo desse breve texto foram comentados os principais pontos no tratamento do ensino da iluminação e quanto ele exige de outros conhecimentos que não são somente de natureza puramente técnica. mediante ao uso de cores. nem toda a sala que esteja dentro de uma instituição de ensino disporá de meios que permitam apresentar as leis da fotometria como desejável. fotografias e animações. na grande maioria dos casos.

2006.12/ p. p. br). 2005. Gilberto José Corrêa da.ples. O ensino da iluminação 231 . p. disponibiliza vários meios didáticos gratuitos como: programas. por meio do Portal Procel Info (www. a segunda é referente ao que pode ser denominado de transpiração – nesse caso. COSTA.37. Visual. London: The Society of Light and Lighting. v. para quem se interessar sobre o tema eficiência energética na iluminação.7-11. n.2. De forma geral. Programa da disciplina de iluminação em Arquitetura. a preocupação do professor deve ser de desmitificar os procedimentos de análise e o cálculo de iluminação. a Eletrobras Procel. entretanto isso não significa que o rigorismo da fundamentação técnica deva deixar de ser considerado. Rosemary. McINTOSH.com. mas para isso. o cálculo é necessário. livros. existem os aplicativos computacionais. mas de qualquer forma pode representar até 70% do tempo despendido no uso da criatividade –. Nesta fase é importante que o profissional tenha uma noção dos valores que devem ser obtidos como forma de verificar se o uso do aplicativo está correto. Leukos. LOE. Porto Alegre. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.1. textos e palestras visando disseminar o assunto. 2006.procelinfo. Porto Alegre: EDIPUC/RS. 4. Reflections on the last one hundred years of lighting in Great Britain. Por fim. ed. Faculdade de Arquitetura. PUCRS. Woût van. 2009. Iluminação econômica: cálculo e avaliação. New York. David . Referências BOMMEL. biological and emotional aspects of lighting: recent new findings and their meaning for lighting practice.

4 Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados Danilo Pereira Pinto UFJF Henrique Antonio Carvalho Braga UFJF Marcel da Costa Siqueira Eletrobras Procel Este artigo descreve as atividades acadêmicas em eficiência energética no âmbito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 232 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . reconhecido nacional e internacionalmente pela execução de projetos em vários segmentos. Destaca-se ainda a criação do Laboratório de Eficiência Energética (LEENER) e o início das atividades do Núcleo de Iluminação Moderna (NIMO). que contribuíram para o desenvolvimento da área de Iluminação na universidade.7.

como uma atividade integralizadora de conhecimento. Histórico da criação do LEENER O LEENER (figura 7. e com as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação em Engenharia. por meio da Pró-Reitoria de Administração. Seu escopo de atuação engloba os diversos segmentos de consumo: residencial. a partir de 2001 e com o objetivo de modernização do currículo do curso de Engenharia Elétrica. o laboratório contou com o apoio financeiro da Eletrobras ProExperiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 233 . de 20 de dezembro de 1996 (Brasil. Este ambiente tem por objetivos apoiar as ações de formação. De fato. a universidade passou a oferecer a disciplina eficiência energética. do ponto de vista de fomento externo. transferência de tecnologia e pesquisa e desenvolvimento nas áreas de combate ao desperdício de energia. Faculdade de Engenharia e do Centro Regional para Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT).Considerações iniciais A consolidação das ações da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) no campo da eficiência energética remonta ao início do presente século.394. sempre que pertinente. Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Quase simultaneamente.4. 9. Pró-Reitoria de Logística. industrial e setor público. criou-se o Laboratório de Eficiência Energética (LEENER). estudo de equipamentos eficientes e interface com a comunidade visando à eficientização energética de suas atividades. culminando com o convênio em fase conclusiva: Novas Tecnologias em Iluminação Pública Desenvolvimento de Ações Priorizando a Eficiência Energética. Resolução CNE/ CES 11/2002 (CNE. e para atender às demandas identificadas e geradas em função do desenvolvimento dessa atividade acadêmica. em especial no que diz respeito aos eventos relacionados com o tema no âmbito do curso de Engenharia Elétrica. Contudo. a interface importante com a Eletrobras Procel e os projetos financiados e efetivamente implantados. comercial. Lei nº. Além disso. 2002). 1996).1) foi criado com o apoio institucional da UFJF. O objetivo principal deste capítulo é descrever a trajetória recente da conscientização sobre a importância da eficiência energética na UFJF. destacam-se. que tem sido desenvolvida em consonância com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

1 • Laboratório LEENER da UFJF Esses recursos tiveram como objetivo principal apoiar as atividades desenvolvidas no LEENER.c). O Ambiente de Sistemas Motrizes permite simular as principais cargas existentes na indústria (bomba centrífuga. o laboratório torna-se um ambiente no qual o aluno pode. o Laboratório de Controle de Processos Industriais (figura 7. com recursos do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico (FDT). 2007). por meio de experimentos simples e idealizados por ele. por meio de um Convênio de Cooperação Técnico-Financeira para Capacitação Laboratorial. sendo que o estudante identifica um problema e procura as soluções. Braga. após o ano de 2005.4.4.4. esteira transportadora.4. A metodologia de ensino praticada no LEENER baseia-se na ideia de laboratório aberto. desenvolvimento e transferência de tecnologia em eficiência energética. comprovar os conhecimentos adquiridos.2 . Compondo o espaço físico do LEENER.2 .a). tendo em vista sua identidade como pólo de formação. permitindo a integração do conhecimento acadêmico com um pouco da vivência prática profissional dos engenheiros (Pinto. foram criados.2 . Figura 7. sem experimentos focados. condicionador e compressor de ar).cel. o Ambiente de Sistemas Motrizes (figura 7.b) e o Laboratório do Núcleo de Iluminação Moderna – NIMO (figura 7. Desta forma. realizar simulações e desenvolver protótipos. da Eletrobras. ventilador. objetivando o desenvolvimento de pesquisas de combate ao desper- 234 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .

4. tendo contato com a tecnologia utilizada na indústria. foi efetivamente assinado no final do ano 2009. a b c Figura 7.b. destinado a cursos tecnológicos de ensino superior.2 . desenvolvendo habilidades para atuarem no segmento industrial. 2) implantação de um projeto piloto envolvendo diodos emissores de luz (LEDs – light emitting diode) em iluminação pública (IP). motor elétrico. sobre IP. O Laboratório de Controle de Processos Industriais auxilia na complementação da formação dos engenheiros. algumas ações foram desenvolvidas ainda na fase de conclusão do texto final. iniciado em meados do ano 2007. Com base nesses objetivos. acoplamento motor-carga e cargas mecânicas acionadas). conforme acordado entre as instituições partícipes. Já o NIMO se especializou em temas relacionados com eficiência energética em iluminação e aplicações da Eletrônica de Potência em iluminação de interiores e exteriores. e 3) desenvolvimento de uma disciplina de cunho acadêmico.a. Em relação ao primeiro objetivo. o espaço previamente dedicado ao NIMO ganhou destaque. O documento final estabeleceu três objetivos fundamentais: 1) reestruturação do laboratório do NIMO.c • a) Laboratório de Sistemas Motrizes b) Laboratório de Controle de Processos Industriais e c) Laboratório do Núcleo de Iluminação Moderna (NIMO) O convênio envolvendo a Universidade Federal de Juiz de Fora e a Eletrobras. Uma melhor descrição sobre este laboratório é apresentada mais adiante no item A.dício de energia e de eficiência energética desses sistemas (acionamento eletroeletrônico. Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 235 . de modo que este Núcleo conquistou reconhecimento institucional e se expandiu ao longo do projeto. tendo como metas o estabelecimento de meios que facilitassem o desenvolvimento das atividades e delimitassem o escopo do trabalho.

orientações de trabalhos de graduação e pós-graduação. na Física e em Arquitetura e Urbanismo. A criação desse núcleo resultou de ações específicas que remontavam o ano 2000. o projeto da disciplina sobre IP. o NIMO foi. 236 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . desde sua gênese. Reestruturação do Laboratório do Núcleo de Iluminação Moderna (NIMO) O Núcleo de Iluminação Moderna da UFJF foi criado em 2006. Os detalhes são mais bem esclarecidos no item E. orientada aos cursos de ensino superior.Em se tratando do segundo objetivo. bem como em projetos de extensão universitária (consultoria empresarial) focados em buscar metodologias e técnicas para garantir que a iluminação artificial consistisse em serviços e atividades mais eficientes. um grupo multidisciplinar que procurou se consolidar através de pesquisas e desenvolvimento no campo de interseção destas áreas. um grupo de professores que atuava no curso de Engenharia Elétrica. Assim. ano em que se consolidou também a área de eficiência energética na instituição. Civil e de Produção. tendo sido registrado oficialmente no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no ano seguinte (Plataforma Grupos). Os detalhes e principais resultados obtidos em função deste objetivo fundamental são mais bem descritos nos itens B a D. que teve suas atividades e produtos continuamente monitorados e avaliados ao longo da execução do projeto. foi necessário definir os limites do projeto piloto. Principais resultados A. previu o envolvimento de uma empresa de consultoria especializada. A proposta original do núcleo era de sustentar atividades na graduação e pós-graduação nas engenharias Elétrica. os estudos envolvendo a iluminação fluorescente (tubular e compacta). este projeto foi concebido com o objetivo primeiro de promover a substituição de cerca de 50 conjuntos de IP (luminárias com lâmpadas a vapor de sódio de 250 W e 400 W) que constituíam o anel viário da plataforma da Faculdade de Engenharia da UFJF. da Faculdade de Engenharia. técnicas de modelagem de lâmpadas e concepção de conversores eletrônicos (reatores) para acionamento de lâmpadas de descarga em baixa pressão dominaram os trabalhos. Inicialmente. tendo em vista as restrições do orçamento e de modo a facilitar a execução das atividades. envolveu-se com projetos científicos locais. Assim. Desde essa época. Por fim.

diversos trabalhos foram publicados pelo grupo. como resultado destes investimentos e parcerias (Braga. no âmbito do Procel Reluz. A partir de 2006. Tal condição facilitou os trabalhos de sensibilização da administração superior da UFJF para a necessidade de expansão física imediata do ambiente original. Braga. Se até 2007 o NIMO compartilhava seus materiais. envolvendo-se em trabalhos que focavam as lâmpadas de descarga em alta pressão (principalmente sódio e mercúrio) e a iluminação de estado sólido empregando LEDs. o espaço original de 40 m2 se mostrou insuficiente. o NIMO ganhou um Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 237 .a. Por essa época. o atendimento às demandas do NIMO só foi possível de ser alcançado em meados de 2011. quando a cidade de Juiz de Fora se preparava para sediar o IV Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (IV CBEE) e o Seminário de Iluminação Pública Eficiente (SEMIPE). um maior interesse de estudantes em todos os níveis (graduação. Como as etapas iniciais do projeto previam a interação com fabricantes. Além disso. descrita ao final do parágrafo anterior. o NIMO passou a expandir suas áreas de atuação. equipamentos e estruturas com o LEENER. em julho de 2011.b) . Assim. se manteve até o ano de 2010. bem como alguns equipamentos essenciais para as pesquisas naquele momento. o NIMO já se consolidava no que diz respeito à aquisição de materiais. compra e avaliação de luminárias LEDs para IP e compra de diversos equipamentos de maior porte para apoio às medições e ensaios específicos. então emergente. em função das dificuldades de realocação de espaço no âmbito da Faculdade de Engenharia. quando teve início o projeto de pesquisa e desenvolvimento apoiado pela Eletrobras. Este novo espaço serviu para abrigar até cinco estudantes bolsistas de graduação e pós-graduação. investimento institucional local e apoio da Eletrobras foram fundamentais para esta consolidação.Em um segundo momento. A configuração do NIMO. investigando falhas metodológicas na manutenção de redes e perdas técnicas. 2007 . em 2008 ele ganhou um espaço específico de cerca de 40 m2 no prédio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFJF. Concessionárias de energia (por meio de projetos de P&D da Aneel). equipamentos e formação de recursos humanos. 2007 . a partir de 2004. os pesquisadores passaram a se dedicar ao grande tema da iluminação pública. mestrado e doutorado) exigiu que o NIMO voltasse a compartilhar espaço com o LEENER e também com o recém-criado Núcleo de Automação e Eletrônica de Potência (NAEP). Por este período. Contudo.

Ressaltam-se as duas esferas integradoras (esfera de Ulbricht).4. sendo uma delas orientada a estudos. a seguir). de 40 cm e 1 m de diâmetro (índices 1 e 2 na figura 7.4. de parceria com a Eletrobras Procel.3) para ensaios de desgaste ambiental em equipamentos eletrônicos. para avaliação e ensaios radiométricos de luminárias de IP.3.4).3).4.espaço adicional de mesmo tamanho e contíguo à área original. A nova configuração é demonstrada na figura 7. bem como outras atividades afins ao núcleo. conforme item B. melhor elucidado no item F desta seção.3 • Planta baixa do laboratório do NIMO 238 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . composto por duas salas. Além desses ambientes. A segunda área comporta os principais equipamentos utilizados em ensaios e projetos de desenvolvimento. Pode-se dizer.4. associado a uma estrutura mecânica de 7 m de altura (figura 7. e uma câmara climática (índice 4 na figura 7. O espaço total destinado ao NIMO é. assim. Figura 7. ainda. o NIMO conseguiu obter um espaço externo. também se tornaram ambientes propícios aos estudos relacionados com o projeto piloto. reuniões e armazenamento de alguns itens (almoxarifado de componentes e pequenos equipamentos) empregados em pesquisas. que todo o anel viário e espaços externos da Faculdade de Engenharia da UFJF (estacionamentos e vias de acesso.4.

Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 239 . desde seus momentos primordiais. B.4. a repercussão da ação do grupo vem se diversificando em novas pesquisas.4. concepção de produtos inovadores e desenvolvimento tecnológico.4 • Estrutura mecânica destinada a ensaios radiométricos de luminárias de IP Enfim.Figura 7. Alguns pontos de interesse são destacados nesta figura. conforme ilustra a figura 7. como pode ser visto no item F. atingindo abrangência regional e nacional. Como consequência. O ambiente escolhido foi a via pública que circunda a Faculdade de Engenharia da UFJF. já sendo possível vislumbrar alguma repercussão internacional. que constitui a via em si. como o polígono.5. O projeto piloto de IP empregando LEDs Esta atividade constante do convênio foi concebida com o objetivo de via- bilizar o emprego e a avaliação de luminárias de estado sólido (usando LEDs de alta potência) em uma via de trânsito de veículos típica. o Núcleo de Iluminação Moderna da UFJF tem se expandido de forma consistente. que pudesse ser monitorada ao longo de um período de pelo menos 12 meses.

a substituição de 45 conjuntos de iluminação por equivalentes utilizando LEDs. instalados em campo. participou de congressos e seminários especializados e recebeu cerca de 20 unidades de luminárias LEDs. elétrico.4. a equipe do NIMO estabeleceu intensos contatos com fabricantes. representando seis modelos comerciais de diversos fabricantes nacionais e estrangeiros. posteriormente. então.5 • Via pública utilizada no projeto piloto no emprego de luminárias a LED (Google Maps. praticidade e robustez. Esses modelos foram avaliados em laboratório e. Ao final desse processo.Figura 7. capaz de alcançar uma maior abrangência e compensar as limitações devido à intensa arborização observada ao longo da via.4. Outra suspeita seria a possibilidade de se obter um nível de iluminamento superior. com o objetivo de se avaliar o seu desempenho fotométrico. 2012) No anel viário destacado eram usadas cerca de 70 luminárias que empregavam lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão – a grande maioria de 250 W e algumas de 400 W. foram definidos alguns modelos que se ajustaram tecni240 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Durante os anos de 2010 e 2011.6. Uma das explicações para este uso mesclado de lâmpadas com potências distintas seria a carência momentânea de lâmpadas de 250 W quando se necessitou proceder à manutenção de pontos avariados. conforme ilustra a figura 7. O projeto piloto determinou. no início do ano 2011.

foi feito o acompanhamento de desempenho das luminárias LEDs instaladas. com as seguintes características: potência total de 157 W. e superaram as exigências das normas em vigor.4. da Faculdade de Engenharia e seu entorno. em 2012. com indicação dos pontos substituídos no projeto piloto em fevereiro (Adaptação do autor sobre planta baixa fornecida pela UFJF) Durante o ano de 2012. Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 241 . arranjo não modular de LEDs e sistema óptico anti-ofuscamento.camente às exigências do entorno determinado. fluxo luminoso de 9600 lúmens típicos iniciais. Figura 7.6 • Planta baixa do layout. bem como obedeciam aos critérios estabelecidos pela equipe técnica (Eletrobras e UFJF). além de algumas luminárias doadas por fabricantes. as novas luminárias adquiridas. temperatura de cor 6000 K. distribuição assimétrica aberta. sendo que a equipe da UFJF incluiu no universo dos pontos de iluminação.

avaliações elétrico-fotométricas de LEDs empregados em luminárias de IP. anterior). os LEDs HP apresentam um fluxo luminoso muito superior ao observado 242 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Alguns desses resultados têm sido veiculados em importantes publicações científicas. em especial uma análise fotométrica envolvendo diversos modelos de LEDs comercial e um estudo avaliando os impactos de diversas formas de onda de corrente elétrica impostas a LEDs de potência. concepção e desenvolvimento eletrônico de acionadores (drivers) de LEDs. Contudo. C. os LEDs HP são normalmente acionados com correntes elétricas superiores a 350 mA. avaliações elétrico-fotométricas de luminárias comerciais. alguns dos quais obtidos por meio de apoio financeiro previsto no projeto. o NIMO se qualificou e pode contribuir com propriedade no cenário nacional e internacional. alguns estudos são brevemente destacados a seguir. se comparados aos primeiros diodos de luz produzidos comercialmente. Neste sentido. baixíssima distorção harmônica. baixo custo. ao passo que os LEDs HB funcionam com corrente inferior a 50 mA. Como resultado. longa vida útil e elevada eficiência). empregando tecnologias modernas (fator de potência unitário. Avaliações experimentais em LEDs para iluminação Com a recente aquisição de importantes equipamentos destinados a ensaios de tipo e de pré-qualificação de produtos. o NIMO/UFJF tem logrado importantes avanços no que diz respeito à aplicação de normas nacionais e internacionais pertinentes. integração de estágios conversores. como facilitar a tomada de decisão por parte de organismos públicos de fomento e entidades públicas que buscam financiamento para projetos nessa linha. do inglês high brightness) e de alta potência (HP. além de contribuir para o domínio da tecnologia em âmbito nacional.O estudo como um todo deverá produzir importantes resultados para este campo da engenharia. Pela avaliação das amostras de luminárias comerciais usadas na IP de estado sólido (veja item B. os pesquisadores do NIMO tomaram conhecimento da existência de dois tipos básicos de diodos emissores de luz sendo adotados atualmente na implementação de luminárias SSL: os LEDs de alto brilho (HB. Vale mencionar que os dois tipos de componentes produzem iluminação de alto brilho. com maior concentração entre os anos 2011 e 2012. Apenas como exemplo. do inglês high power). em especial no campo da IP e iluminação de estado sólido.

por exemplo. característica que é comumente alcançada para os que apresentam temperatura de cor mais alta. um maior fluxo luminoso por unidade resulta em um menor número de elementos por luminária. Pode‐se observar que a temperatura de cor de alguns modelos diferiram de seus valores de catálogo. Durante os ensaios. Um estudo conceitual foi realizado pelo NIMO (Braga et al. de modo a produzir um melhor resultado de eficácia luminosa). compostas de algumas unidades de tais elementos (quantidades mínimas. quando adotados na iluminação de ambientes externos. Isto indica que estes componentes. Com o objetivo de melhor interpretar o comportamento elétrico e radiométrico destes componentes.com os LEDs HB (tipicamente. o que aponta para um cuidado a ser tomado na seleção de tais elementos quando da implementação de luminárias a serem aplicadas em ambientes que exigem um controle de cor mais rígido. tais modelos nem sempre apresentaram uma eficácia luminosa muito alta (em lm/W). Em contrapartida. situação em que o fluxo luminoso necessita ser mais elevado. Além disso. de modo a facilitar o trabalho no interior de esferas integradoras) e posteriormente ensaiadas. os LEDs HP foram submetidos a correntes reguladas de 350 mA (inferior ao valor nominal. Notou-se. arborização.400 lm. As luminárias foram definidas para apresentarem um fluxo luminoso total de 6. foram implementadas “luminárias simplificadas”. monumentos etc. são capazes de destacar muito mais apropriadamente as cores do entorno ambiental (vias públicas. ainda. em alguns casos. com o objetivo de se avaliar alguns detalhes na produção de luminárias LEDs empregando os dois tipos de tecnologias descritas aqui (HP e HB). propiciando um conjunto tipicamente mais harmonioso. Vale destacar que os LEDs modernos de alta potência (HP) podem apresentar eficácias luminosas bem superiores aos modelos de alto brilho (HB). mais leve e menos volumoso se comparado a modelos de luminárias de IP que empregam LEDs HB. enquanto os LEDs HB foram ensaiados sob corrente de 20 mA. Neste Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 243 .) do que lâmpadas convencionais atualmente empregadas para este fim (vapor de mercúrio e sódio). que o índice de reprodução de cor (IRC) de todos os modelos ensaiados superou a marca de 70% e. 2011). da ordem de 10:1 como mínimo). o que aponta para sua preferência na fabricação de modernas luminárias para iluminação de exteriores. foi superior a 80%.

Uma comparação das alternativas indica boas evidências em favor da tecnologia HP-LED. o consumo de energia é menor. Apesar de um arranjo com mais strings em paralelo representar uma menor redução de fluxo no caso de falhas. pois a potência de entrada foi menor devido à maior eficiência dos dispositivos de LEDs HP.200 K com uma tensão máxima inferior a 120V nas strings em paralelo. ao se escolher entre os dois projetos. a descrição de todos eles não seria algo apropriado para o escopo deste livro. 244 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . diferindo não mais de 1. Produção bibliográfica especializada É interessante destacar que o Núcleo de Iluminação Moderna da UFJF teve a sua produção científica significativamente aumentada nos últimos dois anos (20102012). torna-se também outra variável a ser considerada. Diversos outros estudos e ensaios experimentais foram conduzidos durante a execução do projeto. Também houve submissão de dois artigos a revistas especializadas internacionais.estudo. inferior (o que reduz o custo total). diminuição da quantidade de LEDs necessários (62 contra 1599). previu-se ainda para o ano de 2012 a publicação de cerca de 20 trabalhos em congressos no Brasil e exterior. D. algo que se pode atribuir ao apoio fundamental da Eletrobras Procel. o emprego de um menor número de componentes no caso HP (unidades de LEDs e drivers) acaba por ser mais barato e mais fácil de montar em uma luminária. Porém. Além disso. menor número de strings (2 contra 31) e número de conversores estáticos. consequentemente.5%. ou drivers. monografias de conclusão de curso de graduação e de qualificação de doutorado. tais como artigos em congressos no Brasil e no exterior. Além desse significativo incremento na produtividade científica do NIMO‐ UFJF. e ambos observaram uma temperatura de cor próxima de 6. mais especialmente no ano de 2011. A confiabilidade. cinco artigos em revistas especializadas (dois em revistas estrangeiras e três em revistas nacionais). No decorrer da execução do projeto foram elaborados e tornados públicos inúmeros produtos. ambos os projetos apresentaram um fluxo luminoso muito próximo do desejado. tais como uma melhor eficácia luminosa global. três defesas de dissertação de mestrado e uma defesa de tese de doutorado.

o conhecimento nessa área é adquirido após longos anos de estudos e trabalho em concessionárias de energia. monitoramento e comando. a formação de engenheiros e arquitetos ainda não se deu conta da importância de projetar e operar sistemas de iluminação mais eficientes. em geral. de forma que ações que promovam a excelência desses sistemas resultam em melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento socioeconômico do município onde é implantada (Braga. 2010). acarretando em sistemas mal dimensionados e no desperdício de energia. Dois exemplos que podem representar mudanças de paradigmas no segmento da IP são o uso mais abrangente da eletrônica. Estima-se a possibilidade de redução de 10% a 15% no consumo de energia elétrica na iluminação das edificações. com o foco no projeto de instalação elétrica residencial unifamiliar. Engenheiros e arquitetos que se interessam pelo tema e desejam expandir suas áreas de conhecimento são obrigados a se especializarem após sua formação na graduação. de segurança no trânsito e da satisfação do contribuinte. Entretanto. De forma recorrente. Desse modo. observa-se que a área de iluminação. Como resposta a tais percepções. de elevada potência e intensidade luminosa. Uma iluminação externa. apresentando um significativo melhoramento no que tange às marcas de eficácia luminosa (em lm/W). uma importante mudança em fase de implantação no Brasil é a transferência dos ativos de IP da concessionária para o município. de um modo geral. Portanto. Apesar desses avanços. na maioria dos cursos de Engenharia e Arquitetura os conteúdos referentes à iluminação. empresas prestadoras de serviços de instalações elétricas. apenas com melhor aproveitamento da iluminação natural (Pinto. e a recente evolução da tecnologia LED. bem dimensionada e bem distribuída é fator decisivo na melhoria dos índices de segurança pública. determi- Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 245 . associada aos reatores. discute-se apenas iluminação residencial. há no mercado de trabalho a carência de profissionais especializados em iluminação.E. principalmente em IP. empresas de consultoria. Em acréscimo a todos estes fatos. Com isso. dentre outras. a eficiência dos sistemas de IP está ligada diretamente à qualidade de vida dos cidadãos. de boa qualidade. tem passado por profundas alterações e avanços tecnológicos nos últimos anos. 2007 .b). Projeto de disciplina acadêmica em IP orientada ao terceiro grau O consumo de energia elétrica nos sistemas de iluminação é um dos usos finais mais importantes para diversos tipos de consumidores. são abordados na disciplina de instalações elétricas.

civis. 4. 414/2010.4. Como consequência. (2011-2013). em que. Cooperação científica na área de drivers integrados para iluminação de estado sólido e projeto térmico-fotométrico de luminárias SSL empregadas em iluminação pública. Pode-se conjeturar que o cenário descrito até aqui fornece justificativas mais do que suficientes para a inclusão dos conteúdos de Sistemas de Iluminação Pública Eficientes como uma atividade acadêmica na formação profissional dos engenheiros eletricistas. Contatos com o Smart Lighting Engineering Research Center (ERC) do Rensselaer Polytechnic Institute. Cooperação científica na área drivers para iluminação de estado sólido e avaliação radiométrica de LEDs para iluminação. uma possível lista de conteúdos a ser abordada em tais cursos é organizada na tabela 7. (2011-2014). (A ser desdobrado no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras do Governo Federal). Cooperação científica na área drivers para iluminação de estado sólido e avaliação radiométrica de LEDs para iluminação. preocupado com a qualidade da iluminação e seus custos. Desdobramentos em novos projetos e parceiros Tendo em vista a projeção do trabalho do Núcleo de Iluminação Moderna da UFJF nos últimos anos. Universidad de Oviedo. F. Essa mudança abrirá oportunidades de trabalho descentralizadas em cada município e a necessidade de os agentes municipais conhecerem mais profundamente os aspectos referentes à gestão de IP. Espanha. (2012-2014).1. sendo que o NIMO 246 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Troca de experiências e integração entre equipes de ambos os laboratórios. Nova Iorque. 3. assim.nados pelo art. Parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). em Troy. 218 da Resolução Aneel nº. e 5. dentre as quais é possível destacar: 1. diversas iniciativas e parcerias nacionais e estrangeiras foram estabelecidas. Poderá ser. Universitá de Padova. temos um cliente municipal passivo que poderá transformar-se em um cliente exigente. que atuou especificamente na produção dos conteúdos descritos. Parceria Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e empresas EDP-Escelsa e EDP-Bandeirante. 2. os quais foram avaliados por integrantes do convênio. Vale a pena mencionar que a proposta descrita nesta tabela foi elaborada em parceria com uma equipe especializada. no geral. Projeto P&D Aneel Metodologia computacional e dispositivo de coleta de dados para auxílio à detecção de perdas de energia na iluminação pública. Estados Unidos. uma boa oportunidade de transformação do modelo atual de gestão da iluminação. entre outros. arquitetos. Itália.

456 da Aneel. equipamentos necessários. que regulamenta os serviços de energia elétrica. características dos de energia e gerenciamento sistemas de gerenciamento remoto da IP. relação dos ensaios etc. Confiabilidade de sistemas de IP 10. Fotometria 7. Conceitos associados à confiabilidade. relé fotoelétrico. os quais são destinados a propiciar algum nível de segurança aos tráfegos de pedestres e veículos. tecnologias disponíveis. uso do LED no Brasil. incluindo tarifas. Poluição luminosa 13. projeto de iluminação especial. descarte. Legislação brasileira Observações Fatos históricos e antecedentes. plano diretor de iluminação pública. Dispersão da abóbada celeste. Agi32) Diodos emissores de Luz (LEDs). poste. Características dos componentes de IP. IESNA . Normas para componentes de Iluminação Pública: luminária. recomendações para manutenção eficiente. responsabilidades e obrigações etc. Programas governamentais e financiamentos Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 247 . remoto de IP 6.1 • Tópicos a serem abordados na disciplina sobre Iluminação Pública Conteúdos 1. dentre outros. depreciação dos equipamentos. lâmpada. atendimento ao público. Iluminação de estado sólido 9. dentro outros.Comissão internacional de iluminação. Tabela 7. cadastramento. projeto de iluminação esportiva. etapas de execução. Elaboração de projeto executivo 8.Iluminação Pública . reator. Normas internacionais: CIE . normas técnicas. características técnicas.4. Projeto coordenado do IP para municípios. Projeto de um sistema de IP eficiente. projetos de melhoria. Inspeção do sistema de iluminação pública. vantagens e desvantagens. componentes e acessórios. Resolução nº. simulações de projetos em softwares (Dialux. qualidade de energia. Descrição dos principais fundos destinados ao setor. especificação e ensaios. Atributos e importância do gestor de IP. Relux. Equipamentos e tecnologias de IP 5.foi convidado a proferir palestra para o grupo do ERC em novembro de 2012. Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública. medições de campo. aspectos de custos de manutenção. ensaios fotométricos.. características do sistema de gestão informatizado de IP. IRAM Instituto Argentino de Normatização e Certificação. capacitor. Normas Nacionais: ABNT NBR 5101/1992 . porta-lâmpada. braço e núcleo características construtivas. Gestão de IP Conceitos. Código de Defesa do Consumidor. Fatores que influenciam o mau uso da iluminação externa e como contorná-los. História da iluminação pública 2. avaliação e controle dos serviços executados. georeferenciamento. controle de qualidade do material utilizado na manutenção. conceitua e classifica os serviços de iluminação pública. 3. projeto de expansão.Iluminação de túneis. relatando seus projetos e resultados. dentre outros. normas de segurança e boas práticas. planejamento de projetos de eficiência de IP. manutenção. Plano Diretor de IP 14.Iluminating Engineering Society of North America. classificações fotométricas. Dispositivos de economia Principais dispositivos. ABNT NBR 5181/1976 . Normas nacionais e internacionais 4.fixa requisitos mínimos necessários a iluminação de vias públicas. taxa de falhas em IP. 11. critérios de projeto. Implicações na astronomia e outras ciências. benefícios de uma boa gestão da IP. vantagens e desvantagens do uso do LED na IP. Manutenção em IP 12.

Degradação da qualidade de reatores eletromagnéticos de 248 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Anais. H. Disponível em: < http://www6. tendo se agregado vasto conhecimento em fotometria de diodos emissores de luz. 2007 . capaz de contribuir para uma melhor formação na área. et al. Ciências Exatas. que se iniciaram por volta do ano 2000. concepção de projetos de iluminação. BRAGA.b. Dentre as agências financiadoras. É evidente que esses avanços aconteceram em função do desenvolvimento de inúmeros projetos financiados. C.br/legislacao/ ListaTextoIntegral. como também interagiu tecnicamente durante a execução dos distintos projetos. Anais. 9394. Improvements in public lighting network: reducing losses and energy waste.gov. Há que se relevar a contribuição do convênio com a Eletrobras para a consolidação do Núcleo de Iluminação Moderna da UFJF.. 2007 . Araxá: ANEEL. Uma proposta de redução de custos no gerenciamento e na manutenção de redes de iluminação pública. _______________. Além disso. Acesso em: 20 de novembro de 2012. em âmbito nacional.. In: IV Congresso de Inovação Tecnológica em Energia Elétrica. avaliação de luminárias comerciais e impactos de um projeto piloto.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA. é possível destacar a importante parceria da Eletrobras Procel. em cursos de Engenharia. A. 2. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. et al. Vitória.. Vitória: CBEE. de 20 de dezembro de 1996.. 2007. Arquitetura e Urbanismo. Araxá-MG. iluminação geral e IP colocaram os grupos científicos da Universidade Federal de Juiz de Fora em um patamar técnico de relevância no cenário nacional e internacional. 2007.senado. Lei nº.action?id=75723 >. Referências BRASIL. _______________. que não somente participou do suporte financeiro. este convênio propiciou o avanço do conhecimento.a. da tecnologia de iluminação de estado sólido aplicada às vias públicas e áreas externas.Considerações finais As recentes ações em eficiência energética. Também foi possível organizar e elaborar um roteiro de uma disciplina acadêmica (ensino superior) orientada à iluminação pública.

PINTO. 2010... CONGRESSO BRASILEIRO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA. The discipline and the energy efficiency laboratory (LEENER): formation. BRAGA. H.. CNE. In: IEEE POWERENG. P.pdf >. C. 2011. Juiz de Fora: Fórum Mineiro de Engenharia de Produção. D. CASAGRANDE. 9.. C.. 2010. Anais. PINTO. A disciplina e o laboratório de eficiência energética da UFJF: formação. BRAGA.. 9. 2010. Disponível em: < http://portal.gov. Experimental characterization regarding two types of phospor_converted white high_brightness LEDs: low power and high power devices. desenvolvimento e transferência de tecnologia para o combate ao desperdício de energia. A. 2011. formação. Natal. São Paulo: IEEE/IAS International Conference on Industry Applications.. Resolução CNE/CES 11. 2007. Acesso em: 14 de setembro de 2012. Experiência do laboratório da UFJF em casos aplicados 249 . _______________. In: INDUSCON 2010 . C. p.lâmpadas de descarga..br/cne/arquivos/pdf/ CES112002.. H. A.mec. 2007. Anais. In: Educação em Engenharia: evolução. G.. 734_740. bases. Conselho Nacional de Educação. D. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Engenharia.. development and transference of technology for the combat to the energy waste. Setúbal (Portugal). de 11 de março de 2002. Anais.IEEE/IAS: INTERNATIONAL CONFERENCE ON INDUSTRY APPLICATIONS. Natal: CBEP. P. Setúbal (Portugal): IEEE.

interações com outros homens e a natureza eram realizadas durante o dia. este direcionado à iluminação pública e sinalização semafórica. que propiciaram um salto considerável nos níveis de iluminação. havendo inclusive profissionais específicos para tratar do assunto. Atividades de sobrevivência. em 1794.Considerações finais e perspectivas O homem sempre necessitou da luz para se desenvolver. lighting designers e projetistas. refugiando-se de possíveis predadores. velas e lampiões. para um cenário mais coletivo. os hábitos foram mudando. Dada a crescente importância dessa área. tanto por meio do Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia como pelo Procel Reluz. diferentes da madeira. como a caça e a pesca. tochas. aliada a alternativas de maior mobilidade. como graxa e óleo. A noite apenas se descansava. dúvida. Atualmente. normatização. com o tempo. sua ausência era significado de desconhecimento. equipamentos e tecnologias. O desenvolvimento da iluminação pública auxiliou no progresso das cidades. Utilizava-se óleo de baleia como combustível. como lamparinas. com a instalação de 100 luminárias a óleo de azeite no Rio de Janeiro. ampliou e muito a relação do homem com a noite. Naturalmente. 250 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . A utilização de outros combustíveis. em 1415. como o desenvolvimento de materiais. uma ciência que abrange as mais variadas vertentes. passando por equipamentos de queima de gás à utilização das lâmpadas elétricas. as técnicas e tecnologias de iluminação foram sendo aperfeiçoadas. passando-se de uma iluminação pontual ou individual em moradias. crenças e conceitos negativos. A demanda se deu pelo desejo de comerciantes em reduzir a criminalidade noturna. entre outras. planejamento. o tema iluminação é um campo muito amplo. em nichos familiares. A evolução prosseguiu. Após a descoberta e domínio do fogo. medo. Sua provável origem tem registro na Inglaterra. No Brasil. comum. a Eletrobras Procel procurou atuar no tema sob a perspectiva da eficiência energética. enfim. como consultores de iluminação. a origem remete-se ao século XVIII.

além da avaliação dos resultados dos projetos e ações desenvolvidas. além de projetos de avaliação desses sistemas e de equipamentos específicos. Transporte. “Guia Procel Edifica – Iluminação”. como foi o caso de relés fotocontroladores. 3. “Manual de Iluminação de Espaços PúConsiderações finais e perspectivas 251 . e disseminá-lo para os públicos interessados no tema. 2. Armazenamento e Destinação Final”. esta publicação buscou registrar e disseminar as diversas ações realizadas. normatização e regulamentação: apoiando a revisão e criação de normas técnicas de iluminação.com. 4. e continuarão a ser. juntamente com seus parceiros. a realização da Pesquisa de Posse de Equipamentos e Hábitos de Consumo de Energia (PPH). a criação de centros de demonstração e iniciativas que visam alavancar técnicas e tecnologias para impulsionar ainda mais a eficiência energética em sistemas e equipamentos de iluminação. capacitação de pessoal e laboratorial: no que diz respeito à realização de ensaios em equipamentos. estudos e pesquisa: destacando-se a criação de um centro de excelência em iluminação pública responsável por desenvolver pesquisas nessa área.br) que tem o objetivo de criar e manter uma base dinâmica de conhecimento sobre eficiência energética. e o estudo de potencial de conservação de energia elétrica na classe residencial.procelinfo. Procel Reluz: financiamento de projetos de substituição do parque de iluminação pública por equipamentos mais eficientes. certificação de equipamentos: por meio do Selo Procel Eletrobras e do processo de etiquetagem. destacam-se os livros: “Manual de Descarte de Lâmpadas de Iluminação Pública: Guia de Manuseio. e para isso o Programa conta com o Portal Procel Info (www. por meio do desenvolvimento e aplicação de metodologias específicas.Nesse contexto. É muito importante a disseminação dessas informações à sociedade. ações de cunho educacional. Em se tratando de materiais específicos sobre iluminação eficiente. no desenvolvimento de cinco principais vertentes de atuação: 1. para transpor barreiras ao aprimoramento da iluminação visando maior eficiência. os esforços do Programa foram concentrados. e 5. acompanhando a vanguarda tecnológica. Como visto ao longo dos capítulos. Soma-se ainda a tudo isso. a partir de conteúdo produzido no Brasil e no exterior.

facilitando a utilização dos recursos e permitindo ações integradas dos envolvidos. 252 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Entre esses potenciais de economia de energia. da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para o caso de prédios públicos. porém não trata isoladamente de ações de eficiência energética em iluminação no setor de edificações. O Plano apresentou um conjunto de problemas e propostas de soluções para que se atinja. Em relação à eficiência energética na IP. aumentando para 50% em edificações novas. Na seção de Simuladores. pode-se citar a estimativa de economia realizada pelo Procel Edifica de aproximadamente 30% nas edificações existentes. há exemplos de “casos de sucesso” – relatos sobre projetos replicáveis – e uma relação com a descrição do conteúdo de normas técnicas e outros documentos relevantes do setor elétrico. O documento destina um de seus capítulos exclusivamente à iluminação pública. o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf). Como exemplo.blicos Esportivos”. um documento específico que contempla a eficiência energética em vários setores e segmentos da sociedade. que estão disponíveis na seção de ‘Publicações’. além do DIALux. que foi responsável por aproximadamente 178 TWh. pelo Ministério de Minas e Energia (MME). “Manual de Iluminação Eficiente” e o presente livro. elaborado em 2011. dispõem-se dos softwares Mark IV Plus. para gestão de IP nos municípios. de forma que as diversas iniciativas de eficiência energética no Brasil possam se articular e ganhar volume e efetividade. Estas ações vêm geralmente associadas a intervenções arquitetônicas na envoltória das edificações e a melhorias no sistema de condicionamento de ar. Ao longo do documento são definidas responsabilidades para os vários agentes. tanto com ações autônomas quanto incentivadas. o equivalente a 41% do consumo nacional de energia elétrica em 2009. ou de 25% a 60% para projetos elaborados pelas Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Escos) no âmbito do Programa de Eficiência Energética (PEE). Na seção ‘Informações Técnicas’. o montante de 10% de economia de energia nesses diversos segmentos no ano de 2030. para diagnóstico energético. com participação dos sistemas de iluminação. estimou-se um potencial de redução da ordem de 20% para projetos implementados entre 2002 e 2007. o PNEf destaca os dois programas governamentais: o Procel Reluz e o Programa de Eficiência Energética da Aneel. SoftLux e TropLux. SIGIP de Gerenciamento de Iluminação Pública.

a baixo consumo de energia. como nas próprias luminárias. Parâmetros e variáveis que não eram tão relevantes num passado próximo passaram a ser considerados e estudados com maior atenção. já muito empregada atualmente e com enorme potencial de evolução. detectou-se que 62. tanto em projetos luminotécnicos. do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). dimensões compactas. se comparada com as outras tecnologias usuais utilizadas. entre as linhas de ações propostas pelo PNEf para IP. vida útil longa. de forma que a utilização do LED seja a mais eficiente possível. principalmente os equipamentos de alta potência. manutenção facilitada. Nesse tipo de iluminação.9% das lâmpadas utilizadas no parque de iluminação pública no Brasil eram a vapor de sódio.1% dos pontos restantes. • voltar a utilizar os recursos da Aneel. • promover estudos de viabilidade de criação da indústria nacional de Light Emitting Diodes (LEDs) de alta potência para aplicação na IP e demais setores. em função das condições de trabalho. Esse potencial é exposto no documento como um “Cenário Potencial Técnico”. representando um potencial de economia considerável. destacam-se: • estudar a possibilidade de oferecer incentivos fiscais aos equipamentos detentores do Selo Procel. no qual se estima uma economia de energia de 911 GWh/ano e uma redução de 208 MW de demanda na ponta. • criar normas brasileiras de ensaios com a tecnologia LED e especificação de requisitos mínimos de desempenho e vida útil. Perspectivas de novas tecnologias: A iluminação a LED A tecnologia a LED em sistemas de iluminação.Conforme pesquisa realizada pela Eletrobras Procel em 2008. ao criar outra linha que faça o município não depender da concessionária de energia para obtenção de financiamentos em IP. e é claro. as variações de temperatura podem alterar seu espectro e consequentemente Considerações finais e perspectivas 253 . Por fim. e • dinamizar a linha de financiamento Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos (PMAT). resultante da substituição dos 37. além da vasta gama de cores possível. A iluminação a LED se destaca pela sua eficácia luminosa. considerando que agora a titularidade é da prefeitura e pode haver regressão do estado atual.

a eficiência de um LED está em torno de 100 lm/W. pode-se citar o ângulo de emissão de luz. Há estudos que revelam uma redução anual superior a 20% na relação custo por fluxo luminoso (R$/lm). levando a crer que em um futuro próximo tudo. Por fim. Uma mostra recente de que essa tecnologia ainda está em período de maturação foi a apresentação dos resultados de ensaios laboratoriais de durabilidade realizados pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). as restrições térmicas. se consolidará dentro dos próximos 10 a 15 anos. Esse fato também deixa saliente outro problema pelo qual essa nova tecnologia vem passando: a entrada no mercado de diversos produtos desenvolvidos pelos mais variados fornecedores. a distribuição do fluxo luminoso do conjunto lâmpada-luminária.000 horas de medição. nem sempre preocupados com critérios técnicos e de qualidade. principalmente quando se trata de IP. entre outros. passe a ser produzido na região e exportado para o mundo todo. o que contribuirá para uma iluminação sustentável. de boa qualidade. A normalização está apenas se iniciando. apenas uma receberia o Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia. assim como a regulamentação e em breve poderemos iniciar a fiscalização no mercado brasileiro. Outra percepção está relacionada ao crescimento da indústria asiática no setor de iluminação que cada vez mais concentra produtores e recebe linhas de fabricação. analistas acreditam que a tecnologia da iluminação à LED. caso países de dimensões continentais e grande mercado como o Brasil não tomem iniciativas de alavancar sua indústria. em lâmpadas tubulares e com base E27 de LED. a intensidade de luz e a depreciação do fluxo luminoso. dentre todas as amostras testadas.sua aparência de cor. que demonstraram alguns dados críticos. Em se tratando de luminárias para IP. ou quase tudo. Atualmente. Como exemplos dessas variáveis a serem consideradas. índice de reprodução de cor e a fonte de alimentação. baixo consumo 254 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . A tendência é uma penetração cada vez maior da tecnologia em função da projeção da redução do custo dos componentes e do aumento da eficiência luminosa dos LEDs. porém estima-se que em 2020 esta eficiência supere 200 lm/W – as fluorescentes tubulares de maior eficiência apresentam 100 lm/W e as a vapor de sódio a alta pressão 140 lm/W. nos quais havia grande variação na qualidade dos produtos e alguns mostraram altas reduções de fluxo luminoso nas lâmpadas e variação de temperatura e de reprodução de cor em apenas 6.

além da própria iluminação.de energia e com pouca geração de resíduos e impactos ambientais. otimizando. Alia-se a esses benefícios a possibilidade da utilização de energia renovável nos pontos de iluminação pelo emprego de placas solares. principalmente devido à ausência de mercúrio. Com o desenvolvimento das redes inteligentes (smart grids). os processos de planejamento e manutenção desses sistemas. implicando em autonomia energética. Considerações finais e perspectivas 255 . os sistemas de controle e gestão estarão mais presentes nessas instalações.

alexandre@abilumi. é coordenador de Programas de Avaliação da Conformidade no Instituto Nacional de Metrologia. trabalha no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). coordenador substituto do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). ary@cepel. Em 1999.gov. IEC (International Electrotechnical Commission) e ISO (International Standard Organization). A.. com. trabalhou na Cobra Computadores e Sistemas Brasileiros S. como representante dos laboratórios. coordenador do Comitê Técnico de Eletrodomésticos do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE/MME) e coordenador/representante do Brasil na Comissão Panamericana de Normas Técnicas (Copant). é engenheiro eletricista. no qual são tratados os seguintes temas: eficiência energética. apleme@inmetro. Tem três livros publicados na área de Metrologia e Avaliação da Conformidade.org. e de 1989 até o presente momento. também pela PUC-Rio. tem pós-graduação em Administração Contábil e Financeira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além de membro fundador da Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM) e da Rede Metrológica do Rio Grande do Sul. integra comissões técnicas do Instituto Nacional de Metrologia.br 256 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . É presidente da Abilumi (Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação) e diretor da Lâmpadas Golden. com mestrado em Engenharia de Produção. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). na função de chefe do Departamento de Tecnologias Especiais. obtido em 1982.Tem curso de MBA em Gerência de Energia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). em 1978. trabalhou na PUC-Rio como auxiliar de ensino e pesquisa.br Ary Vaz Pinto Junior Engenheiro eletricista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). energias renováveis. Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).Minicurrículos dos autores Alexandre Cricci É formado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).br Alexandre Paes Leme Engenheiro Eletrotécnico.br Álvaro Medeiros de Farias Theisen Diretor da Testtech Laboratórios e consultor na área de Qualidade Laboratorial e Desenvolvimento Laboratorial. alvaro@testtech. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). de 1981 a 1989. com mestrado em Engenharia Elétrica. Também é membro do Comitê Brasileiro de Avaliação da Conformidade (CBAC). geração distribuída e metalurgia e materiais. realizou curso de pós-graduação lato sensu de especialização em Sistemas de Telecomunicações. De 1979 a 1981.

vários trabalhos em anais de eventos e capítulos de livros nas áreas de Economia da Energia e do Meio Ambiente. trabalha como técnico de laboratório de ensaios da própria instituição. com MBA Executivo em Gestão de Negócios pelo Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). cassio. clovisc@eletrosul. no qual integra o núcleo responsável pela gestão do Selo Procel nos segmentos de iluminação e aquecimento solar de água.br Clóvis Nicoleit Carvalho Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). trabalha na Eletrobras Eletrosul.bouts@eletrobras. Em 2009. em 2008. Publicou artigos em periódicos especializados. em 1995.souza@pucrs. em 2007. além de especialização em Otimização de Sistemas Motrizes. Tem diversos trabalhos publicados e palestras no Brasil. na Venezuela. respectivamente. Tem mestrado em Automação do Dispositivo do Ensaio de Resistência ao Impacto Izod pela PUCRS. desde 2009.br Claude Cohen Doutora em Planejamento Energético com ênfase em Planejamento Ambiental pela Coppe/UFRJ e mestre em Economia do Desenvolvimento pela Université de Paris X – Nanterre. em 1988 e 1995. Em 2005. principalmente na área de Mudanças Climáticas e Eficiência Energética. já exerceu atividades profissionais na Celesc e no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e. iniciou atividades na área de Pesquisa e Desenvolvimento.br Daniel Delgado Bouts Arquiteto e Urbanista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). na qual coordenou o Comitê de P&D e. tendo exercido atividades na operação do sistema elétrico. tem mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). daniel. atualmente é professora adjunta da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF). desde 2001. Trabalha desde 2005 na Eletrobras. em 1984.uff. foi agraciada com o projeto Jovem Cientista do Nosso Estado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) com o projeto análise do consumo e do potencial de conservação de energia elétrica em comunidades de baixo poder aquisitivo.com Danilo Pereira Pinto Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Santa Úrsula. Atualmente é mestrando em Engenharia da Energia pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei). na Argentina e no Japão.Cássio Alexandre Pereira de Souza Graduado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).gov. em 2001. em 2004. atuando em estudos relacionados à eficiência energética em edificações. pela Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais Minicurrículos 257 . Em suas atividades profissionais interagiu com 38 colaboradores em coautorias de trabalhos científicos e atua frequentemente em projetos de pesquisa científica na França e em Portugal. no âmbito do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). claudecohen@economia. professora colaboradora do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFF. coordena as atividades de eficiência energética.

Desde 2001.br Emerson Salvador Engenheiro eletricista formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). domingos.com 258 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . salvador@eletrobras. Desde 2006. danilo. Tem experiência nos temas de eficiência energética e conforto do ambiente construído. Atua desde 2004 no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais como avaliador institucional e de cursos. atuando no programa Procel Edifica em suas diversas vertentes. Desde 2003 é funcionário da Eletrobras e gerencia a Divisão de Planejamento e Fomento de Eficiência Energética. Trabalha como arquiteta na Divisão de Eficiência Energética em Edificações da Eletrobras.alves@pucrs. em 2010. concluído em 2011.bastos@eletrobras. em 2000. e pós-graduação em Uso Racional da Energia pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Atua em estudos relacionados ao banimento das lâmpadas incandescentes do mercado brasileiro. com MBA em Gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). coordena o Laboratório de Eficiência Energética da UFJF. em 1981. em 2003. atua como engenheiro consultor de Telecomunicações da OI.(Fiemg). coordenador do Sistema de Gestão (Prisma) da área de Implantação e Operação da OI no Rio Grande do Sul. em 2000. em parceira com o Instituto Nacional de Normalização.com Estefânia Neiva de Mello Arquiteta e urbanista com mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF). pela Escola Superior de Propaganda e Marketing de Porto Alegre. e MBA em Marketing de Serviços. felipe. Atualmente é mestrando em Engenharia da Energia pela Unifei. notadamente no Programa Nacional de Etiquetagem de Edifícios. como funcionário da Light Serviços de Eletricidade. em 2005.edu.pinto@ufjf. Qualidade e Tecnologia (Inmetro). e coordenador do Centro de Operação e Manutenção de Comunicação de Dados de Clientes Corporativos e Empresariais no estado para serviços de Banda Larga e Transmissão. desenvolvendo estudos relacionados à eficiência energética de equipamentos. atuou na Électricité de France (EDF) em planejamento e execução de projetos de expansão da rede elétrica no sudoeste da França. tem mestrado em Planejamento Energético pelo PPE/Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tem especialização em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). no qual coordena o Centro Brasileiro de Informação de Eficiência Energética (Procel Info). em 2005.mello@eletrobras. Entre as quais. onde já desempenhou ao longo de 31 anos uma série de funções.com Felipe Carlos Bastos Formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (UFF).br Domingos Francisco Malaguez Alves Formado na área de Engenharia Operacional Eletrônica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). De 2001 a 2002. convênios firmados entre a universidade e a Eletrobras e projetos de P&D. desenvolvendo trabalhos nas áreas de educação para engenharia e combate ao desperdício de energia. trabalha na Eletrobras no âmbito do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). estefania. Atua desde 1987 como professor no Departamento de Energia Elétrica da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

desde 1994. 2006. em 1963. Trabalha em projetos de pesquisa relacionados à Energia e ao Meio Ambiente com ênfase em Mudanças Climáticas e Métodos Quantitativos. para o mandato 2010-2011. pesquisador do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente (LIMA) e da International Energy Agency (IEA) e mestre pela Université de Paris Dauphine. tendo sido eleito em 2011 vice-presidente desta entidade. desde 2007. É professor da UFJF desde 1985 e leciona atualmente nos cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Elétrica da UFJF. DE 1963 a 1992. tendo sido eleito. e o Núcleo de Iluminação Moderna (NIMO). É. em 1982. Tem experiência na área de energia e estagiou em empresas como Petrobras.br Gustavo Malaguti É doutorando no PPE/Coppe/UFRJ. em 1996.braga@ufjf. É membro sênior do IEEE.edu. tratando de iluminação artificial para horticultura (trabalho em parceria com a Universidade do Arizona. além de ter escrito vários capítulos de livros e diversos artigos para simpósios e seminários no Brasil e no exterior. Ad- Minicurrículos 259 . gugamalaguti@gmail. presidente do Conselho Brasil deste instituto. é também coordenador do Comitê 6-61. 2006. iluminação eficiente. em 2008. em 1988. e Projeto de Instalações Elétricas Residenciais.prof@uol.br Isac Roizenblatt Consultor da Pró Light and Energy Consultants e diretor técnico da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux). É membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Eletrônica de Potência (Sobraep). gjcosta. dedicando-se à área de Eletrônica de Potência. no desenvolvimento de produtos eletroeletrônicos inovadores junto ao CRITT/UFJF. ministrando disciplinas nas áreas de Eletrônica Básica e Eletrônica de Potência.Gilberto José Correa Costa Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). conversores aplicados a fontes renováveis de energia e. com especialização em Educação Média Técnica. Publicou dois livros: Iluminação Econômica – Cálculo e Avaliação. 4ª edição esgotada. e doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). lecionando nas faculdades de Engenharia e de Arquitetura e Urbanismo disciplinas de Instalações Elétricas de Baixa Tensão e de Iluminação em Arquitetura. GDF Suez e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). coordena o Núcleo de Eletro-Eletrônica (NEE) do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT/ UFJF). em 1965. trabalhou como engenheiro da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). tem mestrado na Coppe-UFRJ. Engenheiro eletricista formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Como pesquisador atua em atividades relacionadas com a eletrônica de potência. Desde maio de 2008. desde 1998. em Tucson). mais recentemente. 2ª edição. Fez estágio através do governo francês na Electricité de France (EDF). membro da Iluminating Engineering Society of North America. Divisão 6. sócio da Sociedade Brasileira de Automática (SBA) e da Associação Brasileira de Eficiência Energética (ABEE).com. Foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) de 1969 a 2011. Atualmente consultor independente para iluminação. henrique. e Fotobiologia. Coordena os núcleos científicos de Automação e Eletrônica de Potência (NAEP).com Henrique Antonio Carvalho Braga Com graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Departamento de Agricultura. da Comissão Internacional de Iluminação. integrando os comitês de Iluminação em Museus e Galerias de Arte. especialização em Iluminação pela Technological University of Eindhoven – Holanda.

alves@eletrosul. É consultor técnico de várias empresas e instituições como Eletrobras Procel. e atualmente cursa MBA em Gestão de Negócios de Energia Elétrica pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). em 2004.ministração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente é pesquisador sênior do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). além de pesquisador e coordenador do Centro de Excelência em Eficiência Energética (Excen). Possui inúmeros livros. com mestrado em Engenharia Elétrica. pela Coppe – UFRJ. Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). em 1993. isac. periódicos e trabalhos publicados. Grupo Ultra. em 2000. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). especializado em Processamento de Sinais. jorge.edu.br João Carlos Rodrigues Aguiar É engenheiro formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1982. Tem especializações em mercado de energia elétrica e gestão da inovação tecnológica aplicada ao setor de energia elétrica. jamil@unifei. Ministério de Minas e Energia (MME). jocarlos@cepel. automação predial. Trabalhou na coordenação e implementação da Lei de Eficiência Energética e nos Procedimentos de Redes de Distribuição (Prodist). medição e controle e laboratório de metrologia por 20 anos.com.br Luciano de Barros Giovaneli Arquiteto e Urbanista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). efeitos de novas cargas na qualidade da energia. com trabalhos em: instrumentação para medição de energia elétrica em residências. professor titular da Universidade Federal de Itajubá (Unifei).br Jamil Haddad Engenheiro eletricista. Exerce atividades na área de eficiência energética desde 1986. Tem diversos trabalhos publicados e palestras no Brasil. Petrobras. Banco Mundial. passou a gerenciar a Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento e Novas Tecnologias e. Agência Nacional de Petróleo. o Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética.br Jorge Luis Alves Trabalha na Eletrobras Eletrosul desde 1984. Atua nas áreas de eficiência energética. demonstração de tecnologias para os setores comercial e residencial e indicadores de eficiência para gestão da sustentabilidade empresarial. Exerceu atividades profissionais nas áreas de supervisão. Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). regulação do setor elétrico e planejamento energético desde 1985. Invista. utilização de redes neurais na identificação de equipamentos elétricos. onde trabalha como gerente de projetos na área de eficiência energética e como coordenador do Centro de Aplicação de Tecnologias Eficientes (CATE). em 2010. De 2000 a 2007. entre outras. vinculado ao Departamento de Tecnologias Especiais. Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). eficiência energética em edificações. coordenou projetos de infraestrutura 260 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .gov. com pós-graduação em Projetos Urbanos pelo Instituto Metodista Bennett. Companhia Energética de Minas Gerias (Cemig).roizenblatt@uol. É engenheiro eletricista e físico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). artigos em revistas técnicas. e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. mestrado em Energia pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2004. doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

no Chile. em 1997/1998. É integrante da comissão de implantação do Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS (MCT-PUCRS) e de muitos equipamentos interativos da área de Física do museu. lotado na Coordenadoria de Planejamento Urbano e na Coordenadoria de Projetos Urbanos da Secretaria Municipal de Urbanismo. luciano. bioenergia e cogeração. e pós-graduação em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ). Atuou como coordenador do Centro de Excelência em Iluminação (CEIP) de 2006 a 2010. mestre. horta@unifei. no âmbito do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). atualmente é professor titular do Instituto de Recursos Naturais da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). diretor técnico da Agência Nacional do Petróleo. onde atua desde 1979.rosito2@ge. em 1971. onde atua no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). em 2002. entrou para o quadro efetivo de arquitetos da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. incluindo passagem pela Rioluz. e doutor em Engenharia. no qual integra o núcleo responsável pelo Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes (Procel Minicurrículos 261 . Trabalha desde 2003 na Eletrobras. e à Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Foi catedrático do Memorial da América Latina em 2007. em 1981. contando com experiência de 12 anos na Divisão de Iluminação Pública da cidade de Porto Alegre. giovaneli@eletrobras. É coordenador de comissões de estudo e grupos de trabalho de revisão de normas do Comitê Brasileiro de Eletricidade. scolari@pucrs. e pesquisador visitante junto ao Wood Energy Program (FAO.urbana. Roma).edu. pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). em 2009. em 2009. além de autor de artigos sobre o tema. de 1998 a 2004. Eletrônica e Iluminação/ Associação Brasileira de Normas Técnicas (Cobei/ABNT) na área de iluminação pública e professor de cursos de iluminação pública. em 1987.com Luciano Haas Rosito Formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Desde 2010 integra o quadro de arquitetos da Eletrobras. é professor adjunto da Faculdade de Física da instituição. Atualmente exerce a Coordenadoria de Operações e Inovação do MCT-PUCRS. é engenheiro eletricista de especificação da GE no segmento de iluminação pública. em 1981. Orientou 34 teses acadêmicas sobre temas energéticos e é autor de cinco livros e diversos trabalhos técnicos e artigos especializados sobre eficiência energética. em Santiago. em 2007.br Marcel da Costa Siqueira É engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF). com especialização em Ciências Físicas. Em 2008. luciano.br Luiz Marcos Scolari Graduado em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).com Luiz Augusto Horta Nogueira Engenheiro mecânico formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). com mestrado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). em 1978.

além de trabalhar em atividades relacionadas à gestão da tecnologia e inovação. Desde 2010 atua como gerente da Divisão responsável pelo Procel Reluz. e doutorado em Engenharia Elétrica na área de concentração Sistemas Elétricos de Potência pela COPPE/UFRJ. trabalha na Divisão de Eficiência Energética na Oferta da Eletrobras e faz parte da equipe responsável pela Avaliação dos Resultados da Eletrobras Procel. em 2000.com. Desde 2006. com mestrado e doutorado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Possui experiência na área de Economia da Energia e dos Recursos Naturais. Também desenvolve atividades de suporte ao gerenciamento financeiro de projetos. em 1996 e 2000. Tem licenciatura em Matemática pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). assumindo também.com Marcelo Jose dos Santos Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). de maio de 262 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Atua com ênfase em gerência da Qualidade e certificações de produtos. como o perfil de consumo da energia elétrica em comunidades do Rio de Janeiro. analisando tanto o padrão de uso e posse de equipamentos.br Maurício Wahast Ávila Coordenador de relacionamento externo do Laboratório de Avaliação da Conformidade de Produtos e Metrologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) é graduado em Engenharia de Produção pela mesma instituição. marcel@ eletrobras. a gestão dos Programas Procel GEM (Gestão Energética Municipal) e Procel Sanear (Eficiência Energética no Saneamento Ambiental).santos@eletrobras. Já representou a Eletrobras Procel nas comissões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para revisão das normas referentes à iluminação pública.com Mariana Weiss Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestranda no PPGE/UFF. Entre 2005 e 2007. mariweiss@uol. desde fevereiro/ março de 2007. e coordenou diretamente a implementação de projetos e a supervisão de obras de eficiência energética na iluminação pública em diversas cidades. consultor e técnico da Aneel. em 2012. foi responsável pelo desenvolvimento do Centro de Excelência em Iluminação Pública (CEIP) em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). assim como pela Revisão das Metodologias de Avaliação dos Resultados do Selo Procel e demais estudos de avaliação que visem ao impacto de economia de energia.Reluz). em 1994. marcelo.br Máximo Luiz Pompermayer Superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e professor da Faculdade de Tecnologia Senac no Distrito Federal. em 2002. em 2008. com mestrado em Engenharia Elétrica na área de concentração Sistemas Elétricos de Potência pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). onde atuou como pesquisador e consultor nas áreas de Energia e Meio Ambiente. mauricio. Participou do projeto de iniciação científica junto ao Centro de Estudos sobre Desenvolvimento e Desigualdades (CEDE).avila@pucrs.

Desde 2010 atua como gerente da Divisão de Estudos e Equipamentos Eficientes. atuando em estudos relacionados à eficiência energética no meio rural. atuou como técnico da Eletrobras na área de tecnologia do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). em 2006. pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e professor da Universidade Paulista (Unip). com ênfase em eficiência energética e fontes renováveis de energia. no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). De 2006 a 2010. em 2010. avaliação de economia de energia e redução de demanda de ponta atribuídos a equipamentos elétricos. na França. em 2002.edu. Atualmente é professor da Unifei . moisess@eletrobras. maximo@aneel. otimização energética e econômica em sistemas elétricos e mecânicos. Modelos de Previsão e Estatística Bayesiana) pela Warwick University. coordenou o Projeto de Avaliação dos Sistemas de Iluminação Pública do Procel Reluz e o Projeto de Desenvolvimento de Metodologias de Avaliação do Selo Procel de Economia de Energia. com ênfase em Planejamento Energético pela mesma universidade. de setembro de 1997 a agosto de 1998. e pós-doutor em Econometria pela London School of Minicurrículos 263 . no qual integra o núcleo responsável pela consolidação e divulgação do Relatório Anual de Resultados do Procel.Itabira (MG).gov. em 2005. Coventry. Foi pesquisador-visitante do Centro Internacional de Pesquisas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CIRED/CNRS).br Moises Antônio dos Santos Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei). em 2005.br Rafael Meirelles David Engenheiro de produção formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF). que tem como principal atribuição a gestão do sub-programa do Selo Procel. tem MBA Executivo em Gestão de Negócios pelo Ibmec/RJ. De 2002 até 2009. coordenou atividades e projetos nas áreas de Energia e Meio Ambiente. com MBA em Gerência de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ).2000 a junho de 2005. coordenou o Projeto Piloto de Conservação de Energia no Meio Rural: Estudos de Caso nas Terras Altas da Mantiqueira. Trabalha desde 2003 na Eletrobras.com Rafael Balbino Cardoso Possui graduação em Engenharia Hídrica pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei). De 2008 a 2011. rmdavid@eletrobras. entre os quais o Atlas de Energia Elétrica do Brasil e os Programas de Pesquisa & Desenvolvimento das empresas de energia elétrica. com mestrado em Engenharia de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). e pós-graduação em Uso Racional da Energia pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei). atuando principalmente nos seguintes temas: geração de energia elétrica. em 2010. mestrado em Engenharia da Energia. PhD em Estatística (Séries Temporais. em 2008. Na ocasião. de julho/agosto de 2005 a janeiro de 2007. em 2002. Tem experiência na área de Engenharia da Energia e Sistemas Hidráulicos. e pós-graduação em Uso Racional da Energia pela Unifei.com Reinaldo Castro Souza Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente é mestrando em Engenharia da Energia pela Unifei. cardosorb@unifei.

em 1988. e da Associação Internacional para a Simulação do Desempenho de Edificações (IBPSA). Sua área de atuação é desenvolvimento de modelos estatísticos clássicos e/ou bayesianos para a previsão de séries temporais. Atua na Gerência de Engenharia de Ativos da Distribuição da empresa.br Roberto Lamberts Com formação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Participou da elaboração da regulamentação dos índices para implementação da lei de Eficiência Energética. Faz parte ainda do GT e ST de edificações do Ministério de Minas e Energia (MME).com Sérgio Lucas de Meneses Blaso Técnico em Tecnologia de Normalização formado na Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). e membro do comitê assessor de Engenharia III da Capes. além de ter orientado 39 dissertações de mestrado e 13 teses de doutorado nas áreas de Engenharia Civil. sendo da diretoria atual. reinaldo@ele. atuando como consultor na área elétrica. tem mestrado em Engenharia Civil pela mesma instituição. É supervisor do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações na UFSC (Labeee).ufsc. onde foi da diretoria por vários mandatos. coeditor do periódico Ambiente Construído. desde a sua criação. na França. bioclimatologia e conforto térmico. membro do comitê editorial dos periódicos Advances in Building Energy Research e do Journal of Building Performance Simulation. ricafica@cepel. sendo responsável pela elabora- 264 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros . Atualmente. em 1983. professor colaborador do programa de mestrado em Metrologia. há mais de 10 anos.Economics. Tem dois livros escritos e publicou 31 artigos em periódicos especializados e 218 trabalhos em anais de eventos. membro das associações científicas Associação de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac). lamberts@ecv.br Ricardo Ficara Pesquisador formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Santa Úrsula – RJ. Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). em 1980. coordena dois projetos de pesquisa. perito de juízo e assessor técnico da Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi). atuando na área de Engenharia Civil. membro do corpo diretor do IEPUC.puc-rio.br Rubens Rosado Guimarães Teixeira Pesquisador do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) de 1981 a 2001. e é PHD em Engenharia Civil pela University of Leeds. Engenharia de Produção e Arquitetura. além de ser membro do CA de Engenharia de Produção. nível 1A. rubensrosado@hotmail. É diretor da empresa HT Consultoria. por três mandatos. desempenho térmico de edificações. desenvolve desde 1995 trabalhos de pesquisa e avaliação em sistemas de iluminação no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). onde trabalha há 27 anos. apoiando o desenvolvimento da etiquetagem de eficiência energética em edificações. Pesquisa Operacional e Transportes do CNPq. com ênfase em eficiência energética. análise de risco e tomada de decisão sob incerteza. em 1979. É pesquisador com bolsa de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Qualidade e Inovação da PUC-Rio e professor do Curso de Especialização em Métodos Estatísticos Computacionais do departamento de Estatística da UFJF. É professor titular do departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio. é engenheiro eletricista.

é pós-graduado no curso de especialização em uso racional de energia pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei). em 2003. Atualmente participa do convênio do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações na UFSC (Labeee)/Eletrobras com vínculo pós-doutoral. atualmente exerce as funções de gerente de Resíduos Perigosos do Departamento de Ambiente Urbano da Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA). veridi@gmail. obtidas junto aos laboratórios do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). possui mestrado em Planejamento Urbano na Universidade de Brasília (UnB). realização de capacitações sobre a etiquetagem de eficiência energética de edificações e desenvolvimento dos Regulamentos Técnicos.br William Mendes de Farias Engenheiro eletricista formado.com. mestrado em Arquitetura. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo. em 2007/2008. Economia Internacional e Eficiência no Uso da Energia e dos Recursos Naturais. Participou do projeto de iniciação científica junto ao Centro de Estudos sobre Desenvolvimento e Desigualdades (CEDE). sendo responsável pela coordenação e análise das informações de produção laboratorial. Além disso. Tem experiência nas áreas de Economia da Energia. em 2010. capacitados com recursos captados pela Eletrobras. Foi professora substituta do Departamento de Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). e orientadora do Curso de Especialização em Arquitetura Bioclimática e Sustentável na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). em 2006.farias@eletrobras. mestrandos e bolsistas de IC). é mestrando no PPE/Coppe/UFRJ. e doutorado em Engenharia Civil. na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).ção das normas e padrões de projetos e materiais na área de iluminação pública. simulação computacional e educação à distância. com ênfase em conforto ambiental e eficiência energética de edificações.br Veridiana Atanásio Scalco Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo.com Zilda Maria Faria Veloso Analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desde a sua criação. atualmente. Trabalha. analisando o padrão de uso e posse de equipamentos em comunidades do Rio de Janeiro. com trabalho final apresentado na área de Resíduos Sólidos.affonso@yahoo. e pós-graduação na República Federal da Alemanha na área de Planejamento Ambiental. pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). realizando as seguintes atividades: coordenação da equipe (doutorandos. atuando nos seguintes temas: projeto arquitetônico e urbanístico. a pesquisadora atua como professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisul.com Vanderlei Martins Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF). bem como o perfil de consumo da energia elétrica nessas localidades. blaso@cemig. Arquiteta formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É responsável pela coordenação de programas de Minicurrículos 265 . em 1995. em 2011. vanderlei. william. no Departamento de Desenvolvimento de Eficiência Energética da Eletrobras Procel.com.

veloso@mma. zilda. participa da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) na coordenação da Logística Reversa.gerenciamento de resíduos perigosos e áreas contaminadas no MMA.gov. e apoia tecnicamente a elaboração de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) sobre o tema. atua na Autoridade Competente da Convenção de Basiléia sobre Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e seu Depósito.br 266 Iluminação Eficiente | Iniciativas da Eletrobras Procel e Parceiros .