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FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO

FENOLOGIA
O ciclo da cultura compreende cinco etapas de desenvolvimento: (1) germinação e emergência: ocorre entre a semeadura e o aparecimento da plântula, cujo período varia entre 4 e 12 dias, em conseqüência da temperatura e umidade do solo; (2) crescimento vegetativo: iniciado a partir da emissão da segunda folha até o início do florescimento, cuja extensão varia em decorrência do genótipo e de fatores climáticos, caracterizando e classificando diferentes genótipos entre ciclos superprecoces, precoces e normais; (3) florescimento: estabelecido entre o início da polinização e o da frutificação; (4) frutificação: compreendida entre a fecundação e o enchimento completo dos grãos, cuja duração varia entre 40 e 60 dias; (5) maturidade: período compreendido entre o fim da frutificação e o aparecimento da camada negra, sendo esse relativamente curto e indicativo do fim do ciclo de vida da planta. Fancelli (1986) adaptou um trabalho realizado por Hanway (1966) e Nel & Smith (1978) sugerindo a divisão do ciclo da cultura de milho em 11 estádios distintos, com o objetivo de correlacionar o desempenho agronômico da planta com fatores genéticos e ambientais. O referido autor ressalta que até o surgimento das espigas, os estádios devem ser identificados pelo número de folhas totalmente desdobradas do “cartucho” da planta, assim consideradas quando apresentarem, sucessivamente, a linha de união entre a lâmina e a bainha foliares. Após o aparecimento da espiga, os estádios passam a ser identificados em decorrência do desenvolvimento e da consistência dos grãos.

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reduzindo a população final de plantas. pela maior exposição das sementes ao ataque de pragas e doenças. Para Fornasieri (1992). bem como pela lixiviação de nutrientes causada por chuvas ocorridas entre a semeadura e a emergência (estádio 0). e a duração dessa fase pode variar. 23 .FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO TABELA 1. FENOLOGIA DA CULTURA DE MILHO Estádio 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Emergência Cultura com 50% das plantas apresentando 4 folhas totalmente desdobradas Cultura com 50% das plantas apresentando 8 folhas totalmente desdobradas Cultura com 50% das plantas apresentando 12 folhas totalmente desdobradas Cultura com 50% das plantas apresentando emissão do pendão Cultura com 50% das plantas apresentando emissão de pólen Cultura com 50% das plantas apresentando grãos leitosos Cultura com 50% das plantas apresentando grãos pastosos Cultura com 50% das plantas iniciando a formação de “dentes” Cultura com 50% das plantas apresentando grãos “duros” Cultura com 50% das plantas apresentando “camada negra” (grãos fisiologicamente maduros) Descrição Adaptado de Fancelli. de três a 15 dias. aproximadamente. 1986. O processo germinativo da semente tem início sob condições favoráveis de umidade e temperatura entre 10ºC e 42ºC. A caracterização dos estádios fenológicos da cultura de milho estão apresentados na Figura 1. o acréscimo no tempo além do necessário para a emergência acarreta prejuízos à produtividade da lavoura.

A planta encontra-se apta à realização do processo de fotossíntese aproximadamente uma semana após a emergência.Estádios de desenvolvimento da cultura de milho (Fancelli. 1966. 2000). No primeiro nó basal. O principal evento relacionado ao estádio refere-se à ocorrência da definição do potencial produtivo das plantas através da diferenciação do meristema apical. podendo-se 24 Maturação Fisiológica . justificando a importância de nitrogênio disponível. adaptado de Hanway. diferentemente das raízes seminais. e Nel & Smith. que são ramificadas e com pêlos absorventes (Fancelli & Dourado-Neto.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO Estádios fenológicos da cultura do milho 0 1 2 3 4 Definição do Tamanho da Espiga Definição do Número de Fileiras Fancelli (1986) 5 6 Definição da Densidade do Grão Definição de produção POTENCIAL 12 folhas Farináceo duro Florescimento Grão farináceo 4 folhas 8 folhas Pendoamento Emergência Grão pastoso Grão leitoso - 0 2 4 6 12 24 36 48 Semanas após a emergência Dias após polinização Figura 1 . já se identifica um grupo de raízes adventícias não ramificadas e sem pêlos absorventes. 1986. 1978). quando apresenta duas folhas totalmente expandidas.

2000). 1993). pela aceleração do processo de formação da inflorescência masculina e pelo desenvolvimento de novas raízes nodais (Fancelli & Dourado-Neto. além de suportar as folhas e partes florais. O colmo. a presença de considerável porcentagem de pêlos absorventes e ramificações diferenciadas sugere que danos mecânicos por operações de cultivo e/ou matocompetição poderão afetar a densidade e a distribuição de raízes. 2000). até esse ponto. todo carboidrato foi utilizado na formação de novas folhas (Magalhães & Paiva.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO observar a definição dos órgãos reprodutivos e das folhas no colmo da planta. Ademais. provavelmente pela inibição da elongação das células em desenvolvimento. Tal acúmulo ocorre após o término do desenvolvimento vegetativo e antes do início do enchimento de grãos. com conseqüente redução na absorção de nutrientes e na produtividade da cultura (Fancelli & Dourado-Neto. sendo que a diminuição dessa disponibilidade pelas razões mencionadas pode constituir-se num impedimento para o bom desenvolvimento do sistema radicular. reduzindo a capacidade de armazenagem de sintetizados no colmo (Fancelli & Dourado-Neto. Dessa forma. Por outro lado. Com oito 28 folhas e 35 expandidas dias após a (estádio 2) e esse entre período aproximadamente emergência. 2000). ocorrência de granizo ou mesmo ataque de pragas. é caracterizado pelo crescimento do colmo em diâmetro e comprimento. estresse hídrico nessa etapa pode afetar o comprimento dos internódios. já que. atua também como órgão de reserva. o que justifica a pequena redução na produção ocasionada pelos efeitos de baixas temperaturas causadas por geadas. cujas estruturas ainda encontram-se localizadas abaixo da superfície do solo. o crescimento em extensão das raízes é decisivamente influenciado pelo suprimento de carboidratos produzidos e acumulados na parte aérea. Experimentos com remoção de folhas demonstram que o colmo diminui em peso. enquanto a espiga prossegue seu enchimento normal. indicando que há translocação de fotoassimilados do colmo para os grãos. 25 .

1998). 2000). notadamente naqueles sistemas em que se utiliza alto investimento e adoção de arranjos espaciais que permitem a exploração de maior volume de solo por unidade de planta. O estádio 4 caracteriza-se pelo aparecimento parcial do pendão e crescimento acentuado dos estilo-estigmas da espiga. 2000). inicia-se a caracterização do fenômeno da protandria. A redução da relação fonte: dreno promovida pela desfolha restringe-se à quantidade de matéria seca presente nos grãos ao fim do seu período de enchimento (Fancelli. pelo qual a emissão da inflorescência masculina antecede a exposição dos estilo-estigmas de dois a quatro dias. entre o sexto e nono nós acima do solo. Para a exploração do alto potencial produtivo das plantas. fenômeno 26 . A definição da produção e produtividade da cultura está associada ao número de grãos por fileira definidos por espiga. pode ser observada a perda das quatro primeiras folhas e o desenvolvimento das raízes adventícias (“esporões”) a partir do primeiro nó presente ao nível do solo (Fancelli & Dourado-Neto. o pendão atinge o seu desenvolvimento máximo ao mesmo tempo em que tem início o crescimento dos estilo-estigmas (Fancelli & Dourado-Neto. torna-se fundamental a manutenção da integridade foliar localizada acima das espigas. 2000). podendo-se observar boa resposta à utilização de fertilizantes (principalmente nitrogênio e potássio) e sua absorção. Como se observa na maioria dos genótipos. Sete semanas após a emergência. cujo comprimento máximo está condicionado à boa disponibilidade hídrica e de nutrientes (principalmente nitrogênio) e à integridade das folhas (reduzido ataque de pragas e doenças) (Fancelli & Dourado-Neto.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO O estádio 2 antecede a ocorrência de aumento na taxa de crescimento das espigas. já que ocorre acentuado desenvolvimento do sistema radicular. Com 85% a 90% da área foliar definida. pendão e espiga superior marcam o principal evento que aparece no estádio 3. A alta taxa de crescimento do colmo. principalmente pelo controle de pragas e doenças.

necessária para suprir a formação das estruturas reprodutivas femininas: pedúnculo. sabugo. momento em que se define o máximo acúmulo de matéria seca pela planta. 2000). alta densidade de semeadura. palha e grãos em formação (Fornasieri. Dessa forma. Contudo. bem como a ocorrência de temperaturas elevadas podem antecipar a emissão do pendão em relação aos estilo-estigmas da espiga (Fancelli & Dourado-Neto. 2000). evento que determina o fim do seu crescimento. cujo processo é extremamente dependente da disponibilidade de água e da integridade foliar do terço superior da planta. Assim.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO esse regulado pela carga genética do genótipo. O período de polinização (estádio 5) dura. de cinco a oito dias caracterizando-se pela interrupção das elongações do colmo e internódios. bem como pela redução no desenvolvimento do sistema radicular. estabelecendo sua máxima capacidade fotossintética (Fancelli & Dourado-Neto. O estádio 6. aproximadamente 14 dias após o início da polinização. o impedimento ou a redução da fotossíntese decorrente de fatores bióticos e abióticos nessa fase implicam na redução significativa da taxa de 27 . estabelece-se um intervalo de tempo no qual cada estilo-estigma pode ser polinizado antes da interrupção da liberação de pólen por parte do pendão. assim permanecendo por até 14 dias. em média. 1992). até que ocorra a polinização. Magalhães & Paiva (1993) relatam que os estilo-estigmas levam de três a quatro dias para emergir e são imediatamente receptivos após a emergência. amplitudes térmicas em torno de 17ºC e 18ºC e disponibilidade de água e nutrientes são fatores positivamente correlacionados com a produção final por causa desse estádio estar associado à intensa atividade fotossintética. cujas produtividades finais estão condicionadas à efetividade fotossintética durante o referido período. caracteriza-se pelo acúmulo de amido no endosperma dos grãos em conseqüência da translocação dos sintetizados presentes nas folhas e no colmo para a espiga. fatores ambientais como deficiência hídrica e/ou de nutrientes. Elevada umidade relativa do ar (acima de 60%). sob condições favoráveis.

cujos tamanhos e densidades finais estão fortemente condicionados à ausência de déficit hídrico (Fancelli & Dourado-Neto. nos quais transcorre alta taxa de acumulação de amido. constata-se acelerada perda de umidade em toda a planta e significativa redução na taxa de acumulação de sintetizados nos grãos. a alta umidade dos grãos nesse momento (30% a 38%) constitui-se num impedimento natural às operações mecânicas inerentes a um processo de colheita eficiente. 28 . 2000). Tabela 1) (Fancelli & Dourado-Neto. Simultaneamente a esse processo. as quais gradativamente começam a perder a sua coloração verde. Identifica-se esse estádio pela formação da “camada negra” no ponto de inserção dos grãos com o sabugo. 2000). cuja referência para identificação deste estádio está no endurecimento. o grão torna-se cada vez mais endurecido. Finaliza-se no estádio 7 a diferenciação das estruturas embrionárias no interior dos grãos (Fornasieri. caracterizando o momento ideal para a colheita. Porém. além de favorecer a incidência de doenças de colmo (Fancelli & Dourado-Neto. 2000). os quais alcançam massa de matéria seca máxima. sendo que em genótipos portadores de grãos dentados e semiduros. Aproximadamente entre 48 a 55 dias após a emissão dos estilo-estigmas. 1984). diferentemente daqueles genótipos de grãos duros. os quais encontram-se na iminência da maturidade fisiológica (estádio 9. No estádio 8. encontrando-se em estado de maturidade fisiológica (estádio 10). momento em que é definida a produtividade máxima das plantas em decorrência das condições ambientais transcorridas em cada estádio fenológico descrito (Company. por causa da máxima produção concentrada (Fancelli & Dourado-Neto. observa-se a senescência natural das folhas das plantas.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO acúmulo de matéria seca do grão. é visível a concavidade em sua parte superior. mudando do estado pastoso para o farináceo. observa-se o término do acúmulo de amido nos grãos. caracterizando-se um período exclusivamente destinado ao ganho de peso por parte dos grãos. 1992). representando o rompimento do elo entre a planta e o fruto. 2000). Por volta da oitava e nona semana após a fecundação.

é possível realizar uma boa operação de plantio com velocidade até 6 km/h. As tabelas 1 e 2 mostram o efeito da velocidade na produtividade do milho. que deve ficar dentro dos limites recomendados. O aumento da velocidade de 5 para 10 km/h pode implicar em até 12% de perdas.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO o que se torna possível quando a umidade dos grãos encontra-se entre 18% e 25%. umidade e textura do solo permitam operar com essa velocidade. Por meio de semeadora a dedo ou a vácuo. permitindo seu armazenamento seguro. 29 . A velocidade ideal para semeadura de milho pode variar de 4 a 6 km/h. procedendo-se à secagem artificial até 13% de umidade. desde que as condições da topografia do terreno. VELOCIDADE DE SEMEADURA Um dos aspectos mais negligenciados por ocasião da semeadura é a velocidade.

8 8. EFEITO DA VELOCIDADE DE SEMEADURA NA DENSIDADE FINAL E NA PRODUTIVIDADE DO MILHO: Avaliações: Densidade desejada Densidade final % em relação à desejada Plantas/ha para 5 km/h Perdas em % para 5 km/h Produtividade kg/ha Diferença em kg/ha Fonte: Adaptado da EMBRAPA.7 0 0 9. EFEITO DA VELOCIDADE DE SEMEADURA NA DENSIDADE FINAL E NA PRODUTIVIDADE DO MILHO: Velocidade de Plantio População final (pl/ha)* Diferença da população para 5 km/ha Produtividade (kg/ha)* Diferença da produtividade para 5 km/ha Perda/ha em R$ (base R$ 6.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO TABELA 1.567 10.327 0 51.5 km/h 55.6 30 .5 km/h 50.000 plantas/ha 10.897 8.0 km/h 46. 5.6 9.912 1.589 738 46.791 11.0 8.612 plantas/ha 95.136 113. 5.124 TABELA 2.479 7.0 km/h 52.131 plantas/ha 93.328 8.1 -5.0 -1.00) Fonte: Departamento Técnico Sementes Agroceres.522 776 77.582 5.481 2.0 km/h 7.192 1.203 1.0 km/h 52.821 plantas/ha 85.

não repetir o uso desse produto com o mesmo mecanismo de ação. Organofosforados. Como podemos ver acima. Carbamatos. 31 . Grupos Químicos Recomendados Piretróides Organofosforados Carbamatos Naturalyte Diacilhidrazinas Derivados de Uréia Primeira Aplicação X X X X X X X X X X X X X X Segunda Aplicação Terceira Aplicação Fonte: Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Inseticidas. Naturalyte. não é recomendado a utilização desses produtos em mais de uma aplicação. Diacilhidrazinas e Derivados de Uréia. Para os inseticidas dos dois primeiros grupos (Piretróides e Organofosforados) já foram observados a ocorrência de resistência. Caso nossa opção para a primeira aplicação seja um inseticida do grupo dos Carbamatos. Piretróides e Organofosforados somente são recomendados na primeira aplicação. Hoje temos no mercado seis diferentes grupos químicos de inseticidas recomendados para o controle da lagarta do cartucho: Piretróides. O mesmo ocorre com os inseticidas do grupo do Naturalyte. Diacilhidrazinas e Derivados de Uréia. não podemos mais utilizar inseticidas desse grupo nas demais aplicações.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO PROGRAMA DE CONTROLE DE LAGARTA DO CARTUCHO EM MILHO O princípio básico desse programa é a rotação de inseticidas. ou seja. como podemos ver na tabela a seguir. sendo assim.

• Equipamento: se possível. utilizar barra específica com os bicos localizados na linha de plantio do milho. CICLO DA LAGARTA DO CARTUCHO 32 . Nunca utilizar subdoses. • Volume de calda: que proporcione uma boa cobertura nas folhas (acima de 250 l/ha). • Mistura de produtos: desde que sejam de grupos químicos diferentes e devem ser utilizados na dose recomendada. • Horário preferencial de aplicação: no fim da tarde e à noite.FATORES DE SUCESSO NA CULTURA DO MILHO Outras recomendações para o bom controle da lagarta do cartucho: • Quando aplicar: quando forem observados os primeiros síntomas de folhas raspadas (20%).