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CRIME E SOCIEDADE

AUTOR: THIAGO BOTTINO COLABORAÇÃO: PALOMA CANECA E ARTHUR LARDOSA DOS SANTOS

GRADUAÇÃO 2013.1

Sumário

Crime e Sociedade
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................... 3 BLOCO 1 — DIREITO PENAL ................................................................................................................................. 11

Aulas 01 e 02 — Princípio da Legalidade (taxatividade, reserva legal, vedação de analogia) .......... 11 Aula 03 — Princípio da legalidade (anterioridade) ....................................................................... 31 Aula 04 — Princípio da legalidade (insignificância) ..................................................................... 52
BLOCO 2 — DIREITO PROCESSUAL PENAL ............................................................................................................... 73

Aula 05 — Princípio do devido processo legal (vedação de Prova ilícita) ...................................... 73 Aula 6 — Princípio do devido processo legal (presunção de inocência) ........................................ 84 Aula 7 — Princípio do devido processo legal (vedação de autoincriminação) ............................... 89 Aulas 10, 11, 12, 13 e 14 — Preparação para o Júri Simulado...................................................... 96

CRIME E SOCIEDADE

INTRODUÇÃO “Se, de lado, a ação criminosa constitui, de fato, ao menos como regra, o mais grave ataque que o indivíduo desfere contra os bens sociais máximos tutelados pelo Estado, por outro lado, a sanção criminal, também por natureza, dá corpo à mais aguda e penetrante intervenção do Estado na esfera individual” (Francesco C. Palazzo. “Valores Constitucionais e Direito Penal”. Porto Alegre: SAFB, 1989, p. 16) Oscar Vilhena Vieira utiliza uma imagem originalmente citada por Jon Elster — a partir da concepção fabulosa de Homero na epopéia “Odisséia” — para definir o papel que a Constituição desempenha num Estado Democrático de Direito. Tendo que atravessar o mar em um ponto em que habitavam sereias (seres cujo canto místico enfeitiçava os homens para depois matá-los), Ulisses pediu a seus homens que o amarrassem ao mastro do navio, tapassem seus próprios ouvidos com cera e não obedecessem a nenhuma ordem sua até que as sereias tivessem desaparecido. Desse modo, embora tenha perdido o discernimento, desejando atirar-se ao mar, Ulisses não sucumbiu ao encantamento, o que seria fatídico. “Neste mesmo sentido, as constituições democráticas atuariam como mecanismos de auto-limitação, ou precomprometimento, adotados pela soberania popular para se proteger de suas paixões e fraquezas”1. Esse arranjo teórico entre democracia e constituição implica na limitação da soberania popular dos membros de uma coletividade e também de suas futuras gerações. Em outras palavras, o sistema democrático de tomada de decisões pode ser limitado pela substância da decisão (com exceção daquelas decisões que afetem o próprio procedimento democrático de escolha). No campo do Direito Penal, são as garantias e os direitos fundamentais constantes no art. 5º da Constituição de 1988 que constituem os fundamentos de um sistema punitivo democrático, ou seja, aquelas regras e princípios que não podem ser suprimidos da estrutura do sistema punitivo (sob pena de a legitimidade do Estado para proibir, processar e punir dissociar-se do paradigma democrático) e que vinculam a produção legislativa na área penal. A primeira preocupação na elaboração de um sistema punitivo democrático é assegurar “o máximo grau de racionalidade e confiabilidade do juízo e, portanto, de limitação do poder punitivo e de tutela da pessoa contra a arbitrariedade”2. A justificativa para o controle do Estado decorre da constatação de que o Estado possui um poder incontrastável, que o exercício desse poder pode ocorrer de modo impróprio e que, por ser o próprio Estado o responsável por

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perseguir etc. prender. das prisões e da natureza e efeitos do encarceramento episódico e quase arbitrário que caracteriza o sistema brasileiro. a Teoria do Direito e a Teoria da Democracia. processar os indivíduos e impor penas. o ciclo de estudos de direito penal da FGV Direito Rio é dividido em quatro disciplinas (Crime e Sociedade. tais direitos adquirem o status de invioláveis. A concepção do curso de Direito Penal da FGV Direito Rio espelha-se na idealização original de Roberto Mangabeira Unger: “O direito penal deve ser dividido em três partes. A segunda parte trataria das normas e práticas usadas para controlar a violência comum. deve haver um limite previamente estabelecido para que essa atividade seja bem desenvolvida. sem que estejam presentes as condições estabelecidas em lei). No segundo ano do curso serão estudados as penas e os crimes em espécie. sobretudo aquela que se difunde entre as partes mais pobres e mais desorganizadas da população. Nesta primeira parte do ciclo (disciplinas do primeiro ano) serão abordados os conceitos fundamentais do direito penal. A primeira parte estudaria os conceitos básicos do direito e o pequeno número de regras que perpassam toda a tipologia de crimes. Essa atividade FGV DIREITO RIO 4 .. é entendido como um sistema de limites substanciais que deve ser observado para a salvaguarda das garantias fundamentais. É um estudo que tem de abranger a discussão da polícia. Ainda serão abordadas as questões referentes à adequação do sistema penal ao Estado Democrático de Direito. I — APRESENTAÇÃO DO CURSO A disciplina Crime e Sociedade constitui o primeiro contato que o estudante terá com o Direito Penal e Processual Penal no ciclo de estudos dessa área do direito. o tema seria os crimes típicos dos endinheirados (ou aspirantes a tal condição). divididos entre os crimes clássicos e econômicos. não só os crimes reconhecidos de colarinho branco mas também aqueles que resultam da violação do direito de proteção ao consumidor e de repressão ao abuso do poder econômico” 3 A partir dessa concepção. Penas e Medidas Alternativas e Direito Penal Econômico). Partindo dessa premissa. O Estado de Direito. Na terceira parte do curso. campo do Direito Penal Processual Penal. ao longo dos dois primeiros anos da formação do aluno. Se o Estado de Direito surge vinculado à noção de garantias (vedação de punir. Direito Penal Geral. O objetivo da disciplina Crime e Sociedade é refletir sobre as funções de criminalizar condutas. conduzir o processo e impor as penas.CRIME E SOCIEDADE elaborar a legislação. podemos entender melhor as relações entre o Direito Penal. noções de processo penal e criminologia. o Direito Constitucional.

conflito entre garantias fundamentais e devido processo legal. surgem temas como a  filtragem constitucional no Direito Penal e Processual Penal. e especialmente a partir da última delas. a Teoria do Direito e a Teoria da Democracia. “por que”. “como” e “quando” processar pessoas. Transversalmente às discussões acima. Na seara do Direito Processual Penal. “como” e “quando” criminalizar comportamentos. a democracia e o Estado de Direito. A finalidade é questionar se existe um modelo de sistema punitivo que se coadune com os postulados básicos do Estado Democrático de Direito. o recurso aos postulados da ponderação. Essa reflexão será estimulada também a partir da comparação entre o arranjo teórico constitucional e o funcionamento efetivo do sistema. Todos esses temas conectam o Direito Penal com o Direito Constitucional. seguem-se outros questionamentos: “por que”. reforçando uma abordagem interdisciplinar da matéria. Nesse ponto. Ao buscar respostas para tais questões. Por fim. “por que”. a utilização de argumentos de “emergência” e “exceção” como fundamento de sentenças criminais. maior o grau de democracia e segurança jurídica de um determinado sistema punitivo. são estudados temas como segurança jurídica. destacam-se os temas como construção da verdade. mas para ser legítima deve observar limites e para identificar esses critérios serão propostas as seguintes questões: Existe justiça na natureza ou se trata de uma criação humana? A justiça é um conceito moral ou jurídico? Quem deve ser encarregado da execução da justiça. coerência legislativa e amplitude dos poderes do juiz na aplicação da lei penal.CRIME E SOCIEDADE é exclusiva do Estado. serão estudados também alguns conceitos de política criminal — especialmente a relação existente entre o sistema penal. os alunos refletem sobre os princípios fundamentais que orientam o Direito Penal e Processual Penal. “como” e “quando” punir indivíduos. o Estado ou o indivíduo? Quais as regras que devem ser observadas quando se constrói um sistema penal? A partir dessas perguntas. No âmbito do Direito Penal. destaca-se a utilização de casos paradigmáticos como forma de análise do sistema ideal e do sistema efetivo. criando um “modelo ideal” de sistema punitivo: quanto mais próximo desse modelo ideal estiverem as leis e as práticas policiais e judiciais. II — METODOLOGIA DAS AULAS Cada aula terá como ponto de partida um ou mais casos concretos (casos julgados pelo Supremo Tribunal Federal ou pelas cortes constitucionais de FGV DIREITO RIO 5 . e. proporcionalidade e razoabilidade na construção de decisões em matéria penal.

qual a data do julgamento. a saber: A pretensão é suscitar diferentes possibilidades de aplicação do direito ao caso concreto. elaborar um resumo do conflito em discussão com foco nas etapas processuais anteriores. Identificar e classificar as normas jurídicas em discussão. votos concorrentes. os temas mais relevantes do direito penal e processual penal da atualidade. 1. criando-se um ambiente de interatividade entre aluno e professor e aprimorando sua capacidade de raciocínio lógico-jurídico. Identificação do caso 2. qual o julgador relator. mas as diferentes questões jurídicas que decorrem de cada solução possível do caso. votos majoritários). cuja análise será objeto de debates em sala de aula. sem deixar de se posicionar criticamente.CRIME E SOCIEDADE outros países). Essa metodologia aposta na capacidade do aluno de graduação da FGV Direito Rio de discutir. com profundidade. cada caso estudado deverá ser examinado e organizado segundo os critérios definidos na tabela abaixo: FICHA DE ANÁLISE Qual o tribunal que prolatou a decisão e qual o órgão desse tribunal. Os alunos deverão elaborar. contendo as informações principais do caso. A fim de orientar o aluno no estudo do caso concreto. uma ficha de análise. fazer isso com todas). Resumo dos argumentos indicando qual a solução que cada parte pleiteia no caso concreto. Expor a decisão (parte dispositiva) em comento e seus fundamentos. Relato da situação processual 3. quais as partes que estão em litígio. para saber o regime jurídico aplicável e apontar os eventuais conflitos normativos. Decisão do tribunal e sua motivação FGV DIREITO RIO 6 . Identificar a questão jurídica que está em discussão (ou se for mais de uma. qual o resultado da votação (votos vencidos. O objetivo dessa metodologia é habilitar o aluno a identificar problemas e resolvê-los de forma pragmática. para cada caso estudado. Questões jurídicas em discussão 6. Se houve decisões judiciais anteriores e o que decidiram. Classificação das normas 5. O uso de casos concretos que possuem ligação com situações cotidianas traz a realidade da aplicação do direito para dentro da sala de aula e estimula a participação do aluno no processo de aprendizado. Pretensão das partes 4. Não apenas o conflito normativo.

c) Como punir essas pessoas. consiste em uma prova escrita. As discussões geradas a partir das situações concretas retiradas dos cases são enriquecidas com os fundamentos doutrinários fornecidos pelos textos de apoio e pela exposição do professor. respeito ao tamanho 4 a 6 pági- FGV DIREITO RIO 7 . margens superior e inferior de 2. por escrito e oralmente. A segunda atividade com valor de 7. Essa avaliação pretende estimular que o aluno esteja preparado para participar de todas as aulas e que contribua para o desenvolvimento das atividades. O objetivo não é ensinar uma “forma correta” de realizar justiça. dissertativa e individual. Essa opinião deve ser construída com argumentos próprios e deve refutar os argumentos opostos constantes do livro. bem como comentar a apresentação dos colegas.0 pontos. seguida da apresentação de um texto argumentativo sobre as seguintes questões: a) Se deve haver punição aos denunciantes invejosos. Participações inoportunas ou deficientes não serão pontuadas positivamente.0 cm). um ou mais alunos poderão ser chamados para relatarem ou comentarem o caso. A primeira atividade. A maior riqueza desses trabalhos é. consiste em um trabalho escrito. O trabalho deverá ter mínimo de 5 laudas impressas (fonte Times New Roman tamanho 12. O trabalho deverá apresentar um breve relato sobre as questões jurídicas e filosóficas contidas no livro. A cada aula. A N1 será composta por duas atividades. o aluno que não apresentar a ficha de caso das aulas no dia da aula não receberá nenhuma pontuação.5 cm e laterais de 3. consiste na participação em sala de aula.0 pontos. as fichas de análise dos casos em debate. o aluno deverá apontar as principais questões decorrentes do caso concreto ou do texto relacionado com os temas jurídicos tratados.5. baseado no livro de leitura obrigatória “O caso dos denunciantes invejosos” de Lon Fuller (São Paulo: Editora Revista dos Tribunais).CRIME E SOCIEDADE III — AVALIAÇÃO A avaliação será realizada a partir de duas notas (N1 e N2). Os alunos serão chamados a apresentar. Os casos concretos são julgamentos ocorridos no Supremo Tribunal Federal ou em Cortes Supremas de outros países. e a necessidade de se encontrar a solução mais adequada. b) Por que punir essas pessoas. com valor de 3. com valor de 3. No caso da apresentação oral do caso. Serão utilizados os seguintes critérios para a correção do trabalho: formais (capa com nome dos integrantes do grupo. espaçamento 1. mas justamente demonstrar a multiplicidade de soluções “justas” (conforme as percepções pessoais dos alunos) para o mesmo caso. sem dúvida. que será aplicada ao final do curso. feito em grupo. A primeira delas.0 pontos. Da mesma forma. A N2 será composta também por duas atividades. a diversidade de percepções do problema e das conseqüências de cada solução.

Antoine: Crimes que não se podem punir nem perdoar. coerência. páginas 161/191. quantidade e qualidade das teses apresentadas. A relação abaixo é uma bibliografia complementar. A segunda atividade. • AMARAL.0 ponto. clareza/foco/escolha nos fundamentos da acusação. Alan: The Torture Warrant. In DOXA Cadernos de filosofia do direito nº 23. Robert: Derecho injusto. Serão utilizados os seguintes critérios para a correção do trabalho: formais (respeito ao tempo total e individual. caso sejam selecionados para da final do júri simulado. p. In New York Law School Law Review. A participação no júri simulado é limitada a 10 alunos (podendo ser menos). 385. com valor de 6. O corpo de jurados será composto por professores.0 ponto extra.CRIME E SOCIEDADE nas. alunos de outros períodos e convidados externos. IV — BIBLIOGRAFIA A leitura obrigatória está limitada aos textos da apostila. v. Lisboa: Instituto Piaget. • DERSHOWITZ. Thiago Bottino Do: Notas para um sistema punitivo democrático. FGV DIREITO RIO 8 . aos casos que serão debatidos e ao livro que serve de base tanto para o trabalho escrito quanto para o júri simulado. 2006.5 ponto. e os que ganharem a etapa final recebem 1. Os alunos que se sobressaírem nessa 1ª etapa poderão receber até 1. Alicante: Universidade de Alicante. escolhidos dentre aqueles que tenham apresentado melhor rendimento nas etapas anteriores. retroactividad y principio de legalidad penal. destinada àqueles que desejarem aprofundar seu conhecimento sobre os temas trabalhados em sala. La doctrina del Tribunal Constitucional Federal alemán sobre los homicidios cometidos por los centinelas del Muro de Berlin. formatação) e substanciais (utilização dos conceitos trabalhados durante o curso. eloqüência) e substanciais (argumentação fundamentada. Revista Forense. Serão três dias de júri nos quais serão feitas simulações com grupos de alunos funcionando como acusação ou defesa. Até cinco alunos deverão defender a condenação criminal e outros tantos deverão defender a absolvição. 185-201. Rio de Janeiro.0 pontos é a atuação dos alunos nos júris simulados com base no livro de leitura obrigatória. vol. • GARAPON. 48. 2000). • ALEXY. Os alunos que participarem dessa fase final recebem 0. concisão e objetividade). entrega no prazo. 2004. issue 2. 2002. clareza/ foco/capacidade de rebater o argumento da acusação).

ocasião em que serão apresentados o curso. Aula 02 — Tema: Princípio da legalidade em matéria penal (reserva legal e vedação de analogia) Caso: Habeas Corpus nº 70. no horário de 14:00 às 15:40.389. Aula 03 — Tema: Princípio da legalidade em matéria penal (anterioridade) Caso: Recurso de Habeas Corpus nº 81. A aula inaugural será no dia 25 de abril. Oxford: Oxford University Press. Klaus: Introdução ao Direito Penal e ao Processual Penal.100. BLOCO 1 — DIREITO PENAL 5ª Feira — 25/abril Apresentação do curso Aula 01 — Tema: Princípio da legalidade em matéria penal (taxatividade) Caso: Habeas Corpus nº 70. do Supremo Tribunal Federal. da Suprema Corte de Israel Aula 06 — Tema: Princípio da presunção de inocência Caso: Doze homens e uma sentença Aula 07 — Tema: Princípio da vedação de autoincriminação Caso: Lei Seca FGV DIREITO RIO 9 . a metodologia das aulas.389.412. do Supremo Tribunal Federal. V — PLANO DE ENSINO As aulas da disciplina Crime e Sociedade ocorrerão sempre às 3as e 5as feiras. do Supremo Tribunal Federal. 2005 • ROXIN. A tabela de aulas abaixo permitirá que o aluno se prepare adequadamente para cada caso que será tratado em sala de aula. 2007. Claus. a bibliografia e os critérios de avaliação.453. Florian: Bad torture — Good torture?. antecipando as leituras que servirão de base às discussões em sala de aula. do Supremo Tribunal Federal. vol. Aula 04 — Tema: Princípio da legalidade em matéria penal (insignificância) Caso: Habeas Corpus nº 84. TIEDEMANN. BLOCO 2 — DIREITO PROCESSUAL PENAL 3ª Feira — 30/abril 5ª Feira — 02/maio 3ª Feira — 07/maio 5ª Feira — 09/maio 3ª feira — 14/maio 5ª feira — 16/maio Aula 05 — Tema: Princípio da vedação de prova ilícita Caso: Habeas Corpus nº 5. In Journal of International Criminal Justice.CRIME E SOCIEDADE • JESSBERGER. Gunther. ARZT. Belo Horizonte: Del Rey. 3.

Aula 11 — Entrega do memorial escrito.CRIME E SOCIEDADE BLOCO 3 — SISTEMA PENAL E ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 3ª Feira — 21/maio 5ª Feira — 23/maio 3ª Feira — 28/maio 3ª Feira — 04/junho 5ª feira — 06/junho 3ª feira — 11/junho 5ª feira — 13/junho 3ª feira — 18/junho 3ª feira — 25/junho 3ª feira — 02/julho Aula 08 —Tema: Ação Penal 470. STF (caso Mensalão) Aula 09 — Tema: Analise Econômica do Direito Penal Aula 10 — Visita externa a um julgamento do Tribunal do Júri. 1ª RODADA DO JÚRI SIMULADO Aula 12 — 2ª RODADA DO JÚRI SIMULADO Aula 13 — 3ª RODADA DO JÚRI SIMULADO Aula 14 — JÚRI SIMULADO — FINAL Aula 15 — Prova escrita (P2) Aula 16 — Prova escrita (2ª chamada) Aula 15 — Prova oral (prova final) FGV DIREITO RIO 10 .

A aplicação da norma penal incriminadora deve se pautar pelos parâmetros em que foi formulada. 5º. FGV DIREITO RIO 11 . exige-se que a lei descreva de forma clara. nem pena sem prévia cominação legal”. 1º do Código Penal. Isto ocorre. de modo que não surjam dúvidas quanto a sua aplicação ao caso concreto. no qual o juiz pode preencher livremente o conteúdo da norma incriminadora. Esse princípio também vincula o julgador. uma vez que é essencial que o conteúdo da lei possa ser conhecido por seus destinatários. pois a lei é a única fonte que pode ser utilizada para proibir ou impor condutas sob ameaça de sanção. inciso XXXIX da Constituição Federal: “Não há crime sem lei anterior que o defina. da reserva legal e da vedação de analogia. Essa determinação linguística vincula tanto o legislador como o juiz. está associado a sistemas jurídicos autoritários e representa a previsão de condutas puníveis de modo indeterminado e valorativo. é preciso uma lei que descreva uma conduta como proibida e associe uma pena para aqueles que realizarem a conduta proibida. Neste sentido. as leis penais devem ser precisas. é o princípio mais importante desta área do direito. RESERVA LEGAL.CRIME E SOCIEDADE BLOCO 1 — DIREITO PENAL AULAS 01 E 02 — PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (TAXATIVIDADE. O modelo oposto. VEDAÇÃO DE ANALOGIA) I — INTRODUÇÃO O princípio da legalidade está previsto no art. evitando-se assim o abuso judicial decorrente de uma interpretação que possa abranger um número indeterminado de comportamentos. pois estabelece os limites interpretativos aos quais ele está vinculado. tais como o princípio da taxatividade. No caso do legislador. permitindo-lhes diferenciar entre o penalmente lícito e o ilícito. permitindo discriminações fundadas nas características pessoais e esvaziando o princípio da legalidade. Esta disposição também está prevista de modo semelhante no art. e neste sentido. pois se trata de uma construção doutrinária. Em outras palavras. compreensível e precisa a conduta punível pelo Estado. fundamentada no princípio da legalidade e no Estado Democrático de Direito. os cidadãos. O princípio da reserva legal tem como escopo que os tipos penais incriminadores somente podem ser criados através de lei pelo Poder Legislativo e respeitando o procedimento previsto na Constituição Federal. O princípio da taxatividade para é sinônimo da precisão na definição do comportamento incriminado. Existem outros princípios que decorrem da legalidade. É importante mencionar que o princípio da taxatividade ou da determinação não está expresso em nenhuma norma legal.

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Vale destacar, que o princípio da legalidade impõe respeito ao que a lei expressa, ou seja, possui um caráter mais amplo. Já o princípio da reserva legal, com seu caráter mais específico, estabelece que determinada matéria só pode ser tratada através de lei. No campo do Direito Penal, essa limitação serve para assegurar que somente normas produzidas de forma democrática, pelos representantes eleitos pelo povo, podem vincular os cidadãos. Normas emanadas diretamente pelo Executivo não preenchem esse critério, pois embora o Presidente da República tenha legitimidade popular, somente o Poder Legislativo (com todas as dificuldades que tenha ou possa vir a ter) representa a pluralidade de concepções de justiça de uma sociedade. O princípio da vedação de aplicação da analogia no Direito Penal impede que se use uma norma penal para punir uma conduta com base na analogia ou extensão. Isso significa que o juiz não pode realizar uma interpretação integrativa ou ampliativa da hipótese que foi originalmente estabelecida na lei. Exceção a essa regra é quando se faz uma analogia para beneficiar o indivíduo4.

II — O CASO Em agosto de 1991, no condomínio de classe média Jardim Colonial, X. Y., policiais militares, foram chamados para atender uma ocorrência de furto de bicicleta cometido por um menor dentro do condomínio. O crime de furto consiste em subtrair coisa alheia para si ou para outrem, como previsto no art. 155 do Código Penal. O suposto autor do fato foi capturado e se achava detido por duas pessoas, quais sejam os vigilantes do condomínio que entraram em contato com a polícia que se dirigiu ao local. A vítima, de acordo com os vigilantes, afirmou que o menor era autor do fato. Com base nisso, acatando as conclusões dos “vigilantes’, X. e Y. detiveram o adolescente, que não tinha qualquer bicicleta em sua posse, e conduziram-no ao posto policial, onde passaram a agredi-lo violentamente com socos, pontapés e golpes de cassetete para que confessasse haver subtraído a bicicleta. Vejaumvídeosemelhante:http://www.youtube.com/watch?v=iN0aFWkr0rU

A questão Jurídica

Diante dos atos praticados pelos policiais, duas ações foram instauradas. A primeira ação penal foi ajuizada na Justiça Estadual Militar, para apurar o crime de lesão corporal praticado por militar (art. 209, do Código Penal Militar; Decreto-Lei Nº 1.001, de 21 de outubro de 1969): “Art. 209. Ofender

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a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena — detenção, de três meses a um ano”. Uma segunda ação penal foi instaurada para apurar o mesmo fato, porém perante a Justiça Estadual Comum, para apurar o crime de tortura contra criança ou adolescente (art. 233, do Estatuto da Criança e do Adolescente; Lei 8069/90): “Art. 233. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a tortura: Pena — reclusão de um a cinco anos. § 1º Se resultar lesão corporal grave: Pena — reclusão de dois a oito anos. § 2º Se resultar lesão corporal gravíssima: Pena — reclusão de quatro a doze anos. § 3º Se resultar morte: Pena — reclusão de quinze a trinta anos”5. A defesa dos policiais alegou que ninguém pode ser processado nem punido duas vezes pelo mesmo fato (princípio do ne bis in idem). Para solucionar qual deveria ser a justiça competente, foi suscitado um conflito de competência perante o Superior Tribunal de Justiça, que julga questões infraconstitucionais. O STJ, no entanto, determinou que ambas as ações teriam prosseguimento. A defesa recorreu novamente, impetrando um habeas corpus e o caso foi ao Supremo Tribunal Federal, órgão responsável pela interpretação da Constituição Federal e da proteção dos direitos e garantias individuais, que disse que o caso deveria ser julgado pelo Justiça Estadual Comum, pois o crime de prática de tortura contra criança ou adolescente era mais específico que a lesão corporal genérica prevista no Código Penal Militar. Porém, o STF iniciou uma discussão se o art. 233 era inconstitucional, à luz dos princípios da taxatividade e da reserva legal.

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Questões a serem enfrentadas

1) O crime do art. 233, do ECA, respeita a regra da reserva legal? 2) O crime de tortura pode ser preenchido por meio das convenções internacionais que o Brasil ratificou e incorporou ao direito pátrio? 3) O crime de tortura pode ser preenchido por um conteúdo que não esteja normatizado? 4) O Poder Judiciário pode flexibilizar (ponderar) essa garantia, quando estiver diante de um crime grave? 5) O fato de tramitarem no Congresso seis diferentes projetos para tipificar a tortura permite ao judiciário escolher uma definição? 6) É correto punir alguém por crime de tortura sem que seja taxativamente definido em lei o ato de torturar?

III — DINÂMICA DA AULA O aluno deverá ler a ementa e o relatório do acórdão do Supremo Tribunal Federal (HC 70.389-5) e elaborar a ficha de análise de caso. Cada grupo de alunos deverá ler os votos de determinados Ministros de acordo com a orientação abaixo, incorporando o voto dos Ministros na ficha de análise. Em sala de aula serão debatidas as diferentes propostas de solução desse caso, conforme os diferentes votos dos Ministros. Grupo A: Votos Celso de Mello e Sepúlveda Pertence Grupo B: Votos Carlos Velloso, Francisco Rezek, Néri da Silveira e Paulo Brossard Grupo C: Votos Sydnei Sanches, Ilmar Galvão e Octavio Gallotti Grupo D: Votos Marco Aurélio e Moreira Alves

IV. LEITURA OBRIGATÓRIA Ementa e Relatório do HC 70.389-5

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LEITURA COMPLEMENTAR Texto do Prof. Nilo Batista FGV DIREITO RIO 20 .CRIME E SOCIEDADE V.

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salvo para beneficiar o réu”) e no art. Em harmonia com o princípio da anterioridade da lei penal. pois a lei mais benéfica vai alcançar o fato praticado antes do início de sua vigência. pois criar uma lei. a pena mais leve da lei nova é justa e a mais severa da lei revogada é desnecessária. 5º. ocorrendo assim. a retroatividade da lei mais benéfica. seria totalmente inútil para a segurança que a norma penal deve representar a todos os seus destinatários”. a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal (crime hoje não mais previsto no Código Penal. como bem expressa Guilherme de Souza Nucci6. sem a correspondente anterioridade. o princípio da irretroatividade está em total sintonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. disposto no art. FGV DIREITO RIO 31 .2 dispõe: “Ninguém será condenado por ações ou omissões que no momento de sua prática não forem delitivas segundo o Direito nacional ou internacional. após o cometimento do fato. XL da Constituição Federal (“A lei penal não retroagirá. existe o princípio da irretroatividade da lei penal mais benéfica. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória”). 2º do Código Penal (“Ninguém poderá ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. Neste sentido. caso esteja em vigor no momento da prática da infração penal. “de nada adiantaria adotarmos o princípio da legalidade. que em seu art.CRIME E SOCIEDADE AULA 03 — PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (ANTERIORIDADE) I — INTRODUÇÃO O princípio da anterioridade significa que uma lei penal incriminadora somente pode ser aplicada. Neste caso. Com o objetivo de restringir o arbítrio legislativo e judicial na elaboração ou aplicação retroativa de lei prejudicial. pois agora está englobado no crime de estupro). Tampouco será imposta pena mais grave do que a aplicável no momento da comissão do delito”. A irretroatividade somente se aplica à lei penal mais severa que a anterior. II — O CASO O acusado foi processado por crime de atentado violento ao pudor. 11. que consiste em constranger alguém mediante violência ou grave ameaça.

O advogado de defesa entrou com a revisão criminal. (a) houve conflito de leis no tempo (Lei dos crimes hediondos x Estatuto da Criança e do Adolescente). Além disso. 1991 e 1992. 71. ou seja.CRIME E SOCIEDADE O acusado foi absolvido e o Ministério Público que fez a denúncia. trazendo a discussão de qual lei deveria ser aplicada. afirmando que a lei penal não retroagirá salvo para beneficiar o réu e Lei dos Crimes Hediondos que foi aplicada é pior para o réu. QUESTÕES JURÍDICAS A SEREM ENFRENTADAS: 1) Quando uma norma ingressa no “mundo jurídico”? Ela pode ser revogada. e (b) os fatos ocorreram em 1990.072/90 (Lei dos crimes hediondos) e 8. para reverter a situação. em mais uma tentativa de reverter a condenação. 224 e art. antes de entrar em vigor? 2) É possível a revogação implícita da lei penal? É possível a revogação implícita da lei penal gerando piora na situação jurídico-penal do réu? 3) Há retroatividade in malan partem no caso concreto? FGV DIREITO RIO 32 . 214 c/c art. O Tribunal de Justiça de São Paulo proveu parcialmente a apelação. todos do CP) e fixando a pena em 10 (dez) anos e 6 (seis) meses de reclusão. inconformado. condenando o acusado por atentado violento ao pudor em continuidade delitiva. apelou. tendo a defesa do acusado alegado que.069/90 (ECA). em dias e meses incertos. não se sabe se antes ou depois da edição das Leis 8. foi impetrado Recurso Ordinário de Habeas Corpus perante o STF. impetrou Habeas Corpus. com o mesmo objetivo que foi indeferido pelo STJ. Assim. mas foi indeferida pelo TJ-SP. o mesmo crime foi praticado várias vezes por um longo prazo de tempo (art.

453-1) e elaborar a ficha de análise de caso.CRIME E SOCIEDADE 4) O Poder Judiciário pode negar vigência a uma disposição legislativa expressa e literalmente inequívoca em nome da “coerência legislativa”? III — DINÂMICA DA AULA O aluno deverá ler o inteiro teor do julgamento do Supremo Tribunal Federal (HC 81. Cada grupo de alunos deverá se preparar para defender ou contestar a decisão do STF. Grupo A: defende a decisão do Supremo Tribunal Federal Grupo B: contesta a decisão do Supremo Tribunal Federal FGV DIREITO RIO 33 .

CRIME E SOCIEDADE IV — LEITURA OBRIGATÓRIA Habeas Corpus 81.453. julgado pelo Supremo Tribunal Federal FGV DIREITO RIO 34 .

CRIME E SOCIEDADE FGV DIREITO RIO 35 .

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enunciadas pela filosofia iluminista. A despeito da grande evolução do Direito Penal. os delitos de baixa ou nenhuma lesividade social devem ser objeto de intervenção mínima do direito penal. hoje aperfeiçoada doutrinariamente. alinham-se ao lado do princípio da insignificância os preceitos de razoabilidade e proporcionalidade. sua aplicação gera a absolvição do réu e não apenas a diminuição e substituição da pena. Assim. que não derive da absoluta necessidade (. São Paulo: RT. 28). e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. (c) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento. XVIII. Consoante esse princípio. p. o princípio da insignificância tem o sentido de não considerar o ato praticado como um crime. merecendo tratamento diferenciado e. 1996. o respectivo princípio sofre críticas. quiçá. caracterizam a doutrina do Direito Penal Mínimo7. remonta ao período das primeiras conquistas do Direito Penal Moderno. (b) ausência de periculosidade social da ação. p. nos idos do sec.) é tirânica”. No Brasil. São Paulo: RT. por isso. já alertava que “Toda pena.CRIME E SOCIEDADE AULA 04 — PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (INSIGNIFICÂNCIA) I — INTRODUÇÃO Segundo Mauricio Ribeiro Lopes (Princípio da insignificância no direito penal. Modernamente. que. conjugados. No entanto. 1997. sendo apenas uma criação doutrinária. Mais do que isso. Diante dessa situação. uma vez que surge a indagação do que seria insignificante. foi Claus Roxin quem primeiro enunciou o princípio da insignificância (geringfügigkeitsprinzip). Ao longo do tempo o Supremo Tribunal Federal passou a reiterar o entendimento de que deve ser analisado o caso concreto e devem estar presentes os seguintes requisitos: (a) mínima ofensividade da conduta do agente.. serem excluídos do rol daqueles que merecem a tradicional resposta punitiva estatal. 82). o princípio da insignificância não tem previsão legislativa. o princípio da insignificância foi acolhido pela doutrina e pela jurisprudência. Cesare Beccaria (Dos delitos e das penas.. aplicase esse princípio com o intuito de retirar do direito penal condutas que não produzam prejuízos significativos a bens jurídicos tutelados. passados mais de duzentos anos desde a primeira edição da obra do mestre italiano. Essa lição. FGV DIREITO RIO 52 . continua a vanguarda da ciência penal a reafirmar os mesmos princípios.

pois B. A vítima fez um registro na Delegacia de Polícia e B. não causa uma lesão a um bem jurídico protegido. foi localizado. ou seja. a utilizara somente para jogar algumas partidas do jogo eletrônico. Assim. qual seja o patrimônio. contudo o acusado foi condenado a 8 meses de reclusão por uma conduta que para muitos pode ser considerada como insignificante. de forma a ensejar a necessidade de que o direito penal seja aplicado. destacando que o parecer do Ministério Público foi favorável a manutenção da pena.412-0) e elaborar a ficha de análise de caso. com valor estimado de R$ 25. A defesa recorreu e a decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça e pelo Superior Tribunal de Justiça. Cada grupo de alunos deverá ler as ementas dos casos incluídos na leitura obrigatória e defender a aplicação ou não do princípio da insignificância Grupo A — Casos 1 e 2 Grupo B — Casos 3 e 4 Grupo C — Casos 5 e 6 FGV DIREITO RIO 53 .00. a vítima pretendia “retirar a queixa e a fita foi devolvida. A fita foi devolvida.CRIME E SOCIEDADE II — O CASO Um jovem desempregado de 19 anos furtou uma fita de vídeo-game. foi impetrado Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal para que. Questões a serem enfrentadas 1) É correto deixar de punir alguém porque o a pena seria desproporcional ao crime praticado? 3) O Poder Judiciário pode deixar de aplicar a lei penal quando estiver diante de um crime sem gravidade? III — DINÂMICA DA AULA O aluno deverá ler o inteiro teor do julgamento do Supremo Tribunal Federal (HC 84. Diante dos fatos.

1 — Se o bem tutelado nem mesmo chegou a ser ofendido. SEXTA TURMA) FGV DIREITO RIO 54 . o patrimônio. afastando-se a tipicidade. o princípio da insignificância deve ser aplicado. 386. REINCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA.CRIME E SOCIEDADE IV — LEITURA OBRIGATÓRIA Caso 1 PROCESSO PENAL. Expedido alvará de soltura. A conduta de subtrair um carregador e uma capa de celular do Supermercado Carrefour. no valor total de R$56. A tipicidade material — que faz parte do conceito de tipicidade — consiste em averiguar se uma conduta formalmente típica causou ofensa intolerável ao objeto jurídico penalmente protegido. Data de Julgamento: 06/03/2006) Caso 2 PENAL — HABEAS CORPUS — FURTO DE UM BONÉ — VALOR DE R$ 50. 4 — Ordem concedida para absolver o paciente pelo reconhecimento da atipicidade de sua conduta. à vista do bem jurídico que se tutela. 2 — A aplicação dos princípios da necessariedade e da suficiência afasta a fixação de pena que se mostra excessiva para reprimir conduta irrelevante. PRINCÍPIO DA NECESSARIEDADE DA PENA — ORDEM CONCEDIDA PARA RECONHECER A ATIPICIDADE DA CONDUTA. 386III Código de Processo Penal (41638 Mandado de Segurança 2005/0019248-7. PENAL. salvo prisão por outro motivo.40. 386. Relator: Ministra JANE SILVA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/MG). (96929 Mandado de segurança 2007/0300036-8. 386. DO CPP. Na aplicação do princípio da insignificância leva-se em conta. inciso III CPP. Data de Julgamento: 08/04/2008. o valor da coisa subtraída e nunca a utilidade que propicia ao proprietário ou possuidor. tão só. APLICAÇÃO DO PRINCIPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCISO III. Relator: Ministro PAULO MEDINA. VALOR IRRISÓRIO. Ordem CONCEDIDA para ABSOLVER o Paciente com base no art. TENTATIVA DE FURTO.00 —OBJETO RESTITUÍDO À VÍTIMA — REINCIDÊNCIA — APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA OU BAGATELA — POSSIBILIDADE —IRRELEVÂNCIA DA REINCIDÊNCIA E DOS MAUS ANTECEDENTES. AUSÊNCIA. III. TIPICIDADE MATERIAL. nem há relevância na conduta praticada. ABSOLVIÇÃO. pois inexistente a tipicidade material. não constitui crime de furto. HABEAS CORPUS. ART. do Código de Processo Penal. 3 — Maus antecedentes e reincidência não impedem a aplicação do princípio da bagatela. ORDEM CONCEDIDA.

JOAQUIM BARBOSA. O princípio da insignificância incide quando presentes. Furto qualificado. (110840 Mandado de Segurança. FURTO PRIVILEGIADO (CP. fato este suficiente ao afastamento da incidência do princípio da insignificância. A prática reiterada de furtos para comprar drogas. Inviabilidade. (b) nenhuma periculosidade social da ação. 155. RES FURTIVA DE PEQUENO VALOR (SEIS BARRAS DE CHOCOLATE AVALIADAS EM R$ 31. Min. SÚMULA 691-STF: AUSÊNCIA DE TERATOLOGIA OU DE PATENTE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. Precedente: HC 101144/RS. Relator: Min. Ordem denegada. ser tida como de mínima ofensividade. Ordem denegada. as seguintes condições objetivas: (a) mínima ofensividade da conduta do agente. DJ de 22/10/2010. não pode. obviamente. NÃO-CABIMENTO. Caso 4 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. Penal. § 2º): PACIENTE REINCIDENTE.CRIME E SOCIEDADE Caso 3 Habeas Corpus. NÃO-INCIDÊNCIA: AUSÊNCIA DE CUMULATIVIDADE DE SEUS REQUISITOS. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. CP155 § 2º 691 1. nem o comportamento do paciente pode ser considerado como de reduzido grau de reprovabilidade. (c) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento.80). rel. cumulativamente. 2ª Turma. Crime praticado mediante o rompimento de obstáculo. As peculiaridades do delito — praticado mediante a destruição de obstáculo (arrombamento da janela da casa da vítima) — demonstram significativa reprovabilidade do comportamento e relevante periculosidade da ação. ACENTUADO GRAU DE REPROVABILIDADE DO COMPORTAMENTO DO PACIENTE. e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. SUBTRAÇÃO DOS BENS PARA COMPRAR DROGAS: CONDUTA DE CONSIDERÁVEL OFENSIBILIDADE. É entendimento reiterado desta Corte que a aplicação do princípio da insignificância exige a satisfação dos seguintes vetores: (a) mínima ofensividade da conduta do agente. Segunda Turma). DECISÃO DE RELATOR. Incidência do princípio da insignificância. FURTO. 2. (c) grau reduzido de reprovabilidade do comportamento. QUE INDEFERIU PEDIDO DE LIMINAR EM IDÊNTICA VIA PROCESSUAL. (b) ausência de periculosidade social da ação. DO STJ. HABEAS CORPUS. ART. Data de Julgamento: 22/05/2012. Ellen Gracie.: HC 101144/RS FGV DIREITO RIO 55 . e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. independentemente do valor dos bens envolvidos.

O princípio da insignificância não se aplica quando se trata de paciente reincidente. Parecer do MPF pelo desprovimento do agravo regimental. ATIPICIDADE DA CONDUTA. § 2º. 1ªTurma. Cármen Lúcia. Data de Julgamento: 07/02/2012.” — grifei). § 1º. rel.26 (trezentos e oitenta e seis reais e vinte e seis centavos). 20 DA LEI 10. DJ de 23/11/2010. 1ªTurma. O art.522/02 determina o arquivamento das execuções fiscais. ao admitir o reconhecimento do furto privilegiado a réu primário.§ 2º 155 Código Penal 5. Rel. benefício reservado a réus primários. do Código Penal. DA SÚMULA 691/STF. é a suposta atipicidade da conduta realizada pela paciente com base no princípio da insignificância. no qual o valor dos tributos sonegados seria de R$ 381. Agravo regimental desprovido. valor modificado pela Lei 11. 8. Se o criminoso é primário. (107733 MG. 334. rel. rel. 4. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. quando os débitos inscritos como dívida ativa da União forem iguais ou inferiores a R$ 10. 1ªTurma. traz ínsita a vedação do benefício a reincidentes. Cármen Lúcia. Relator: Min. 2. Cármen Lúcia. diminuí-la de um a dois terços.033/04.522/02. HABEAS CORPUS. o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. DJ de 8/9/2011. Precedentes: HC 107067.000. do Código Penal. 1. HC 103359/RS. Caso 5 DIREITO PENAL. sem baixa na distribuição. CRIME DE DESCAMINHO. Min. A questão de direito tratada neste writ. em que pese o ínfimo valor dos bens furtados. No caso concreto. HC 100367.00 (dez mil reais). 155.CRIME E SOCIEDADE 3. DJ de 26/5/2011. consoante a tese exposta pela impetrante na petição inicial. 1ª Turma. Min. VALOR SONEGADO INFERIOR AO FIXADO NO ART. a rejeição da tese da insignificância restou plenamente fundamentado pelo Juízo na existência de duas sentenças transitadas em julgado contra o paciente por crimes contra o patrimônio. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. In casu. Luiz Fux. LUIZ FUX. ou aplicar somente a pena de multa. e é de pequeno valor a coisa furtada. RELATIVIZAÇÃO. 3. porquanto não há que se falar em reduzido grau de reprovabilidade do comportamento lesivo. a paciente foi denunciada pela suposta prática do crime previsto no art. DJ 6/8/2010. Min. FGV DIREITO RIO 56 . IN CASU. O § 2º do artigo 155 do Código Penal (“§ 2º. O paciente duplamente reincidente não tem direito ao privilégio do art. HC 96684/MS. APLICABILIDADE. 155§ 2ºCódigo Penal 7. Primeira Turma). 20 da Lei 10. 6. Min.

indefere a liminar” — tem sido abrandado por julgados desta Corte apenas em hipóteses excepcionais de flagrante ilegalidade ou abuso de poder na denegação da tutela de eficácia imediata. (HC 100513. O postulado da insignificância é tratado como vetor interpretativo do tipo penal. Primeira Turma. pela falta de recolhimento de um tributo que nem sequer se tem a certeza de que será cobrado no âmbito administrativo-tributário. ORDEM CONCEDIDA. 5. julgado em 18/08/2009) FGV DIREITO RIO 57 . excepcionalmente. TIPICIDADE.CRIME E SOCIEDADE 4. VALOR DO TRIBUTO.176-79). Relator(a): Min. o afastamento da orientação contida na Súmula 691/STF. LEI Nº 10. IRRELEVÂNCIA PENAL. (HC 99594. Esta Colenda Segunda Turma tem precedentes no sentido de que falta justa causa para a ação penal por crime de descaminho quando a quantia sonegada não ultrapassar o valor previsto no art. estabeleceu os procedimentos a serem adotados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. ao descongestionamento de uma Justiça Penal que deve se ocupar apenas das infrações tão lesivas a bens jurídicos dessa ou daquela pessoa quanto aos interesses societários em geral. a relevância penal é de ser investigada a partir das coordenadas traçadas pela Lei nº 10. não conheço do presente pedido de habeas corpus. Relator(a): Min. em matéria de débitos fiscais. No caso. Ademais. Ante o exposto. INSIGNIFICÂNCIA PENAL DA CONDUTA. que tem o objetivo de excluir da abrangência do Direito Criminal condutas provocadoras de ínfima lesão ao bem jurídico por ele tutelado. diante da orientação que vem se delineando no âmbito desta Corte. Tal forma de interpretação assume contornos de uma válida medida de política criminal. Ordem concedida para restabelecer a sentença absolutória. Segunda Turma. 20 da Lei 10. Contudo. DESCAMINHO. julgado em 23/03/2010) Caso 6 EMENTA: HABEAS CORPUS. o rigor na aplicação da Súmula 691/STF — segundo a qual “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que. 6.522/02. VALOR DAS MERCADORIAS. a presente a presente hipótese autoriza. em habeas corpus requerido a tribunal superior. Lei que. Não há sentido lógico permitir que alguém seja processado. CARLOS BRITTO.522/02. visando. de ofício. para além de uma desnecessária carceirização. ELLEN GRACIE. mas concedo a ordem. 1. criminalmente. 3. 2. 7. ao dispor sobre o “Cadastro Informativo dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais”. 4.522/02 (lei objeto de conversão da Medida Provisória nº 2.

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assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. as provas devem ser produzidas conforme determina a lei. as provas obtidas por meios ilícitos”. teremos uma prova que não pode ser utilizada. LVI da CF: “LVI — são inadmissíveis. § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. Trata-se de mais uma (dentre tantas outras) norma que busca limitar a ação do Estado na persecução penal.” FGV DIREITO RIO 73 . Tanto na fase pré-processual. como na fase processual. no processo. 157. As duas etapas concretizam a atividade persecutória do Estado. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. facultado às partes acompanhar o incidente. seguindo os trâmites típicos e de praxe.CRIME E SOCIEDADE BLOCO 2 — DIREITO PROCESSUAL PENAL AULA 05 — PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL (VEDAÇÃO DE PROVA ILÍCITA) I — INTRODUÇÃO A inadmissibilidade da prova ilícita está prevista no art. provas que sejam produzidas na fase policial podem ser utilizadas pelo juiz para formar sua convicção. salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. 5º. esta será inutilizada por decisão judicial. § 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível. próprios da investigação ou instrução criminal. devendo ser desentranhadas do processo. Contudo. Se houver desrespeito à lei. São inadmissíveis. as provas produzidas na fase processual possuem maior valor. com o inquérito policial) e também processual (produzida pelas partes perante um juiz). A atividade probatória do Estado (reunião de elementos de prova que indiquem a autoria e materialidade de um crime) no processo penal pode ser pré processual (o que normalmente ocorre no âmbito da Polícia Judiciária. isto é. já que permitem a participação da defesa e da acusação. § 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só. as provas ilícitas. O Código de Processo Penal tenta conceituar prova ilícita: “Art. Provas produzidas na fase de inquérito tem por finalidade reunir elementos de informação para o início do processo. uma prova ilícita. Excepcionalmente.

questionando o uso de “pressão física moderada” em interrogatórios envolvendo suspeitos de terem participado de atentados. para examinar métodos de interrogatório empregados pelo Serviço Secreto Israelense (GSS). dirigida pelo ex-presidente da Corte Suprema de Israel. FGV DIREITO RIO 74 . Os grupos israelenses mais radicais sustentam que o Estado de Israel tem direito sobre o território atualmente ocupado. permitindo que o GSS continuasse a empregar os métodos questionados durante interrogatórios. etc.CRIME E SOCIEDADE II — O CASO (Narrativa baseada no Habeas Corpus 5. em autorizar a prática de assassinatos. Essa comissão aprovou e recomendou uso de “pressão psicológica” e “um grau moderado de força física” pelo GSS durante suas investigações. Apesar das tentativas de firmar um tratado de paz definitivo. Setores mais conservadores do governo de Israel não hesitaram. Até a decisão de setembro de 1999. Essa atuação pode ser considerada prática de terrorismo estatal. Desde a data de sua criação. Tais grupos promovem ataques suicidas a alvos não-militares mediante explosão de bombas em ônibus. Em 1987. ora examinada. teatros. Alguns dos presos submetidos aos métodos questionados foram posteriormente processados e condenados por ataques terroristas que causaram a morte de dezenas de pessoas. a Corte rejeitara a maior parte dessas petições. bem como em pessoas suspeitas de planejarem futuros ataques. julgado pela Suprema Corte de Israel). em 1948. e (3) ocupação de regiões circunvizinhas às fronteiras originais de Israel. tais problemas não foram resolvidos. Outros presos submetidos aos mesmos métodos foram liberados sem que fosse formulada acusação contra eles. seqüestros e prisões indiscriminadas para impedir ou retaliar os ataques palestinos. o governo de Israel criou uma comissão governamental. assinadas por indivíduos e organizações. O caso concreto compreende o julgamento de diversas petições de Habeas Corpus. o Estado de Israel está marcado pela instabilidade política devido aos seguintes fatores principais: (1) demanda pela instalação de um Estado Palestino na mesma área. questionando a validade do emprego de força física como método de investigação. Os grupos palestinos mais radicais sustentam que o Estado de Israel é uma ocupação indevida do território palestino imposta pelas potências ocidentais.100/94. embaixadas. Esses comportamentos podem ser considerados terroristas. judeus e cristãos). a investigação tem natureza preventiva. ao longo dos anos. Neste último caso. Moshe Landau. (2) posse da cidade de Jerusalém (considerada sagrada por muçulmanos. A Corte Suprema de Israel recebeu centenas de petições dos detidos.

Por fim. em nenhuma circunstância poderiam ser admitidos. indícios ou depoimentos são provas ilícitas e o Estado não poderia se valer delas. • HC 7563/97 — Abd Al Rahman Ismail Ganimat e Comitê Público contra a Tortura em Israel. Os advogados dos presos alegam que esses métodos são ilegais e constituem tortura e. portanto. • HC 1043/99 — Issa Ali Batat Resumo dos argumentos das partes perante o tribunal. agressões físicas. Quaisquer provas. lesão cervical e danos cerebrais irreversíveis.CRIME E SOCIEDADE Petições reunidas para julgamento: • HC 4054/95 Associação para os Direitos Civis de Israel. tais métodos não constituem tortura. o que somente autoriza que sejam empregados como último recurso em situações extremas. vômito. Wa’al Al Kaaqua e Ibrahim Abd’allah Ganimat. ameaças psicológicas. ainda que vidas humanas estivessem em perigo. • HC 5100/94 — Comitê Público contra a Tortura em Israel. em último caso. Os métodos de investigação questionados compreendem: obrigar o investigado a permanecer em posições desconfortáveis e dolorosas por longos períodos. • HC 7628/97 — Fouad Awad Quran e Comitê Público contra a Tortura em Israel. Para o governo de Israel. FGV DIREITO RIO 75 . • HC 5188/96 — Centro de Defesa do Indivíduo. um deles após ser sacudido. Mesmo se isso ocorresse. • HC 6536/95 — Hat’m Abu Zayda. perda de consciência. Pelo menos dois investigados morreram durante sessões de interrogatório. privação de sono. a prática estaria permitida porque os agentes do GSS as utilizavam para proteger a vida e a segurança de inocentes. poder-se-ia “sacudir” o suspeito. Vários indivíduos “sacudidos” tiveram dores de cabeça violentas. pois não causam dor ou sofrimento. os métodos questionados estão sujeitos à avaliação prévia da chefia do GSS. encapuzar suspeitos com sacos embebidos em urina.

por exemplo)? Opiniões de juristas fictícios Professor Emergix O caso concreto que se apresenta para decisão é uma hipótese de colisão de princípios jurídicos. temos o princípio da verdade real — segundo o qual as investigações de natureza criminal devem buscar a verdade do que efetivamente aconteceu — e de outro lado temos o princípio da dignidade humana — segundo o qual os indivíduos devem ter sua dignidade preservada. E devemos ser claros e assumir as conseqüências de nossas escolhas. Ambos são válidos e nenhum desses princípios é absoluto. não podemos negar que há situações em que o governo deve violar a lei para poder fazer um bem maior à sociedade. A lei de nosso país já diz isso e tal lei deve ser respeitada. 1) Se você fosse membro do tribunal. como decidiria o pedido de proibição das práticas do GSS aos suspeitos de terrorismo? Para justificar sua decisão. Seja porque a Convenção Internacional da ONU (que o Estado de Israel ratificou) diz isso. 2) O uso de pressão física e psicológica sobre pessoas suspeitas de crimes é uma forma de tortura? 3) A tortura é um meio eficaz de obter informações sobre crimes? 4) A tortura é um meio razoável de obter informações sobre crimes? 5) A tortura é um meio justo de obter informações sobre crimes? 6) A tortura é um meio juridicamente válido de obter informações sobre crimes? 7) A tortura poderia ou deveria ser “legalizada” pelo Congresso e submetida a um processo judicial de decretação. Porém. por exemplo. com a busca e apreensão feita pela polícia na residência das pessoas.CRIME E SOCIEDADE Questões a serem enfrentadas. tal como ocorre. devemos pesar as circunstâncias. procure guiar-se pelas questões abaixo e veja as opiniões fictícias oferecidas por “estudiosos fictícios”. mediante autorização judicial (como ocorre com a medida de busca e apreensão. Penso que a tortura deve ser proibida. Numa situação concreta. De um lado. Quando os investigadores do GSS estiverem diante de uma situação em que acreditem que o suspeito possui informações relevantes e não quer for- FGV DIREITO RIO 76 . seja porque o espancamento de pessoas suspeitas de crimes constitui o caso clássico de tortura. Ambos os princípios fazem parte do nosso direito. O tratamento aplicado aos terroristas pelo GSS é uma forma de tortura.

Professor Demorradicalix Concordo com o professor Emergenix quando fala que existe um conflito de princípios. todos os suspeitos da prática de crimes que não quiserem colaborar com as autoridades espontaneamente deverão ser obrigados a tanto. somente a partir da edição da lei ela seria válida (mas somente nas situações que os deputados definissem na lei). Além disso. para o bem da segurança e da vida de outros cidadãos inocentes. seria melhor se tal prática estivesse prevista em lei (poderia haver uma lista de crimes graves nos quais o suspeito pudesse ser torturado) e os agentes do GSS teriam de obter autorização judicial para torturar. Se quebraram a ordem jurídica. pode-se afirmar que há grande apoio popular ao seu uso. se governo tem por obrigação exigir que todos obedeçam a lei (e pune quem não o faz).CRIME E SOCIEDADE necê-las espontaneamente. nem o chefe do GSS têm legitimidade para decidir em que casos pode existir tortura. não teremos autoridade moral para exigir deles outro comportamento. Porém. discordo quando ele sugere que o Estado ou seus agentes — policiais. Ora. Na minha opinião. justamente o governo. sobretudo nas situações de crise. não podem agora querer que ela os defenda. já que a lei não faz essa exceção. — possam violar a lei. investigadores do GSS etc. se também nós violarmos as leis. Somente o povo. Nem a Comissão Landau. Justamente o que diferencia os homens de bem dos terroristas e demais criminosos é o fato de que eles violaram as nossas leis. Diante de um crime grave. nos crimes graves — como é o terrorismo — deverá prevalecer o princípio da busca da verdade real. agir de outra forma? Esse caso concreto deve ser definido com base na lei. deverão obrigar o suspeito a falar a verdade. Digo isso porque a tortura já é efetivamente aplicada como prática corriqueira pelos do Estado. O caso dos terroristas e dos investigadores do GSS é exemplar para comprovar minha tese de que a tortura de alguns poucos garante o bem de muitos outros. Se a lei proíbe a tortura. como pode. Portanto. nem mesmo em crimes graves. Em situações normais. Porém. Até lá a tortura seria proibida e. por meio de seus representantes democraticamente eleitos pode tomar essa decisão. Defendo que nosso país se retire da Convenção da ONU e que nosso Congresso aprove uma nova lei autorizando a tortura. juízes. mesmo porque um criminoso não tem dignidade. não podemos praticá-la. o conflito entre a busca da verdade e a dignidade do ser humano deverá ser resolvido a favor da dignidade na maioria dos casos. nem o Ministro da Justiça. FGV DIREITO RIO 77 .

em hipótese nenhuma. FGV DIREITO RIO 78 . A dignidade do homem não é um princípio absoluto. haveria regras e limitações que dessem visibilidade e controle sobre essa prática. Ainda que 99% dos suspeitos sejam de fato criminosos. a tortura representa a própria negação da dignidade. A democracia tem que obedecer a limites morais que estão em nossa consciência. Nenhum ganho social justifica tal risco individual. Além do mais. Nossas leis e as leis internacionais confirmam isso. Essa é minha opinião. a tortura é um meio imoral de atuação. nem mesmo diante de crimes graves. que um inocente seja brutalizado dessa forma. Porém. seremos animais. não podemos nos igualar aos criminosos. Como bem marcou o Professor Demorradicalix. Do contrário. O governo e seus agentes não podem buscar fins morais (segurança. não há limites para a imaginação do homem quando se trata de fazer sofrer outra pessoa. Nessa mesma linha de argumentação. equivale a retirar completamente a dignidade de alguém. sabemos que muitos “suspeitos” foram torturados e depois nenhuma acusação foi formulada contra eles. não é somente a lei que proíbe a tortura: é a moral. Será que é possível admitir determinada forma de tortura (pau-de-arara) e vedar outra (aplicação de choques elétricos)? Como avaliar a quantidade de dor sofrida por cada investigado? Reconheço que muitas situações vividas pelos agentes do GSS são graves e que eles buscam salvar vidas. na minha opinião. Não posso admitir que se torture um suspeito antes que ele seja processado e julgado. O que nos torna homens é nossa moral. Afinal. ao contrário da dele. seremos menos que criminosos. Professor Natuliberalix Ouso discordar dos nobres professores que me antecederam. vida.CRIME E SOCIEDADE Dessa forma. considero que nenhuma lei pode aprovar o uso de tortura em nosso país. de 1789. Porém. Mas. pois a convivência em sociedade impõe limitações a todos os direitos. Nem mesmo a unanimidade das pessoas pode aprovar uma atuação do Estado que viole de modo tão brutal a dignidade de um ser humano inocente. E essa sentença só será válida se esse homem puder se defender. se abrirmos mão dela. felicidade do povo) com meios imorais (tortura). o Direito Criminal prevê que um homem deve ser considerado inocente até que um tribunal declare sua culpa. Desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. não há como justificar que o direito deixe desprotegidos os 1% restantes. tais fatos continuarão ocorrendo (com ou sem autorização do governo) enquanto todos fingem que não os vêem. A tortura é uma prática abominável e nada justifica seu uso. Não posso admitir.

Por mais pungente que seja o argumento da “bomba-relógio prestes a explodir”. mais do que pela razão. “terroristas”. isso incentivará sua prática. “subversivos”. Será instituída a “tortura para averiguações”. Não interessa saber se a tortura é moral ou não. FGV DIREITO RIO 79 . machucar e matar seus semelhantes mais fracos. de usar essa força para subjugar. etc. interessa saber se a tortura é um meio eficiente de obtenção de informação. quando muitas pessoas foram mortas por causa de perseguições religiosas. devemos ter cuidado para que o direito não dê margem aos abusos dos governos. mas sim a vontade de determinados homens.CRIME E SOCIEDADE Professor Garantilix Vejo que os colegas que falaram antes de mim estão conduzidos pela emoção. Admitir a tortura é um convite ao abuso do poder. será que o suspeito tem obrigação de confessar o crime? Será razoável exigir que alguém forneça as provas para sua própria condenação? Ao admitirmos a tortura. Aqueles que consideram haver uma guerra entre nós dirão que a guerra é. Eu considero que não é. pois o conceito de moral é variável. Em primeiro lugar. ofender. será tão fácil conseguir um mandado para tortura como ocorre hoje com a busca e apreensão ou a prisão. O medo de ser torturado fará com que pessoas fracas façam declarações falsas que apenas atrapalharão as investigações. Na minha opinião. Logo. estamos supervalorizando a confissão como meio de prova. Por outro lado. imoral e atinge tanto culpados como inocentes e que agir assim nessa situação não é imoral. pessoas fortes nada falarão. A história já deu provas que os governos não hesitam em transformar seus opositores políticos em “inimigos”. nós mesmos. levantada pelo Professor Natuliberalix. A questão moral. os valores pelos quais lutamos: liberdade. não se aplica. mesmo se torturadas até a morte. humilhar. ele voltará a ser a “rainha das provas” exatamente como ocorria durante a Inquisição. igualdade e fraternidade. Não devemos submeter aos argumentos de “emergência” e nos conduzirmos de acordo com nossa consciência. sob risco de destruirmos. Além disso. nós temos a responsabilidade de seguir os princípios e valores que julgamos serem corretos sem nos desviarmos desse caminho. o que fará o investigador do GSS? Passará a torturar a esposa do terrorista para que ele fale? Trará para a sala de torturas a filha de quatro anos do terrorista e começará a espancá-la? Por trás do desejo de torturar não está a busca pela informação. como propõe o professor Demorradicalix. Penso que se a tortura for legalizada pelo congresso. Nesse caso. em si. Com o tempo. que no momento são mais fortes que outros.

11 e 14.CRIME E SOCIEDADE III — DINÂMICA DA AULA O aluno deverá apresentar um quadro apontando cada argumento favorável à tortura e o correspondente contra-argumento. Os alunos serão divididos em grupos para defender o uso da tortura ou sua proibição. FGV DIREITO RIO 80 . p. in Contos Criminais. A tia zelosa. Injeções na barriga e o juiz mais realista do que rei”. Antonio Carlos da Gama — “Interrogatório do economista. 1998. Rio de Janeiro. Lumen Juris. IV — LEITURA OBRIGATÓRIA BARANDIER.

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Em vista disso. mas sim que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. pelo Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos de 1966 e pela Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969. A partir dessa premissa. de aplicação mais restrita. em 26 de agosto de 1789. que está a chave para se compreender o conteúdo e alcance do princípio da presunção de inocência. mas sim o da desconsideração prévia da culpabilidade. Importante registrar que não se trata apenas de uma discussão semântica a respeito da propriedade de se utilizar o termo presunção em seu sentido técnico. Com efeito. para se transformar em instrumento de tutela da liberdade. Isto porque não se repetiu a fórmula consagrada na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. a qual por sua vez resultou de um movimento protagonizado por parte da doutrina italiana que defendia a restrição do alcance do princípio da inocência. A forma como está enunciado na Constituição ensejou alguns debates a respeito do seu alcance.CRIME E SOCIEDADE AULA 6 — PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL (PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA) I — INTRODUÇÃO O princípio da presunção de inocência está consagrado no inciso LVII do art. duas diferentes concepções político-ideológicas da finalidade do processo penal e das garantias que devem cercar a persecução penal. a Constituição Federal brasileira adotou a redação do art. a consagração do princípio da presunção da inocência na Declaração de 1789 reflete uma nova concepção do processo penal defendida por pensadores iluministas em reação ao sistema persecutório que marcara o antigo regime.2 da Constituição italiana de 1948. De fato. É nessa mudança de foco. bem como pela Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. com o fim de extrair dele a confissão. não se estaria consagrando propriamente o princípio da presunção da inocência. acaba por ser irrelevante a diferença que se pretende acentuar entre o texto contido na Declaração de 1789 e o dispositi- FGV DIREITO RIO 84 . aprovada pela Assembléia Nacional Francesa. com vistas a garantir a eficácia do processo penal8. 5º da CF de 1988: “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. em verdade. 27. até que seja condenado. Não está dito no texto constitucional que todo homem se presumirá inocente. no qual a prova dos fatos era produzida através da sujeição do acusado à prisão e tormento. O embate que se trava traduz. em que o processo penal deixa de ser um mero instrumento de realização da pretensão punitiva do Estado.

Em vista disso. HC 31. HC 13. os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça referemse ao princípio da inocência: RHC 11. A aplicação mais comumente defendida pela doutrina da norma sob exame dá-se no campo probatório. Todos os julgados citados tratam.177/MS — remetem ao princípio da não-culpabilidade.662/RS. HC 16.457/SP — citam ambos como sinônimos.167/SP. no direito processual penal. Em uma palavra. De fato. que se permanecer no espírito do juiz alguma dúvida.491/MS.725/RJ. que o ônus de provar a veracidade dos fatos que lhe são imputados é da parte autora na ação penal (em regra. HC 32. HC 30. não o exime de produzir prova de sua alegação. RHC 9.541/SP. deve-se FGV DIREITO RIO 85 . Se houver várias formas de conduzir a investigação. A condição de investigado e de réu em processo criminal já traz.387/SP. HC 33. ainda que não esteja plenamente convencido daquelas alegações. Já estes outros — REsp 304. Nessa primeira formulação. Com efeito. contudo. ou seja. Deve ser dispensado tanto ao investigado quanto ao réu tratamento compatível com seu estado de inocente. RHC 15.521/SP. após a apreciação das provas produzidas. todas as medidas restritivas ou coercitivas que se façam necessárias no curso do processo só podem ser aplicadas ao acusado na exata medida de tal necessidade. A solução pro reo só existe se o juiz não chegar a um juízo de certeza contra o réu. E estes últimos — HC 19. a dúvida não resolvível quanto à matéria de fato é sempre dirimida a favor do réu. não se suscitando suposta diferença entre ambas como fundamento para restringir as conseqüências normativas do princípio da presunção de inocência. o in dubio pro reo é apenas uma de suas repercussões. Portanto.186/SP.CRIME E SOCIEDADE vo constitucional brasileiro. por exemplo. indiscutível constrangimento. sob uma excludente de antijuridicidade.745/ PR. por outro lado. RHC 8.139/SP. Diz-se assim que o in dubio pro reo é uma regra de julgamento que se extrai do princípio da presunção de inocência. se ao final o juiz tiver dúvidas a respeito da procedência das alegações do réu. do mesmo princípio. A mera alegação do réu de que agiu. o certo é que na prática judiciária brasileira as expressões presunção de inocência e presunção de não culpabilidade são utilizadas indistintamente. por si. o réu ser presumido inocente significa. HC 28.711/SP. deve a querela ser decidida a favor do réu. por um lado. se ele ficar realmente em dúvida quanto à ocorrência ou não da situação que justificaria sua conduta. Mas o princípio da presunção de inocência não se aplica exclusivamente no campo probatório. ainda que a terminologia adotada pela Constituição de 1988 seja semelhante àquela engendrada na Itália pós-fascista a partir das críticas capitaneadas pelas escolas positiva e técnico-jurídica à presunção de inocência. em vista da prova produzida. ele deve absolvê-lo. independentemente das regras ordinárias de distribuição do ônus da prova. o Ministério Público) e.

mas também não o acha culpado. O mesmo ocorre com outras medidas que impliquem restrição de direitos fundamentais. sob pena de morte. deverá estar pautada em decisão judicial que indique quais circunstâncias presentes no caso concreto autorizam e recomendam a excepcional privação da liberdade do réu. com vontade de irem embora logo para suas casas. ou quelquer pessoa conhecida) preenchendo o seguinte questionário: (1) você conhece o princípio da presunção de inocência? (2) como definiria esse princípio? (3) você pode citar um exemplo concreto de aplicação prática desse princípio? (4) você concorda com a forma como essa garantia é aplicada pela justiça no Brasil? FGV DIREITO RIO 86 . III — DINÂMICA DA AULA Antes da aula cada aluno deverá entrevistar pessoas (professores e alunos de períodos mais avançados da FGV Direito Rio. enquanto um não acredita em sua inocência.CRIME E SOCIEDADE adotar a que traga menor constrangimento ao imputado e que enseje a menor restrição possível a seus direitos. sejam precedidas de decisão judicial devidamente fundamentada. Decidido a analisar novamente os fatos do caso. ou ainda a busca e apreensão no domicílio do acusado. o jurado número 8 não deve enfrentar apenas as dificuldades de interpretação dos fatos para achar a inocência do réu. mas também a má vontade e os rancores dos outros jurados. Eventual prisão anterior à condenação definitiva. ou de outras escolas. como se observa da necessidade de que a quebra de sigilo bancário e de comunicação telefônica. Onze têm plena certeza que ele é culpado. por exemplo. II — O CASO Filme 12 homens e uma sentença que será passado em aula Um jovem porto-riquenho é acusado de ter matado o próprio pai e doze jurados devem decidir se ele é culpado ou não pelo assassinato.

CRIME E SOCIEDADE IV — LEITURA OBRIGATÓRIA Artigo Thiago Bottino — O empate decide o jogo? FGV DIREITO RIO 87 .

CRIME E SOCIEDADE FGV DIREITO RIO 88 .

o regime jurídico da auto-incriminação é crucial para a diferenciação entre dois modelos opostos de sistema punitivo: o modelo democrático e o modelo autoritário. Mas qual o alcance do direito ao silêncio? II — O CASO Por iniciativa do Ministério da Justiça (com apoio do Ministério da Saúde). segundo o Ministério da Saúde. a Polícia Rodoviária Federal lançou em maio de 2009 uma campanha para reforçar o conceito da Lei Seca ao volante em seu primeiro de ano de existência. Neste sentido. E metade das mortes. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). está relacionada ao uso do álcool por motoristas. o devido processo legal. O mais popular é o teste do ‘bafômetro’. Diante deste cenário preocupante. —. o contraditório e a ampla defesa. equipamento que identifica presença e quantidade de álcool no organismo a partir da análise do ar expelido pelos pulmões. surge o questionamento: fazer o teste do bafômetro é obrigatório? O que pode ocorrer se a pessoa optar por não participar desse teste? FGV DIREITO RIO 89 . a Lei 11.CRIME E SOCIEDADE AULA 7 — PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL (VEDAÇÃO DE AUTOINCRIMINAÇÃO) I — INTRODUÇÃO O direito ao silêncio ou garantia de vedação de auto-incriminação desempenha um papel estruturante na construção de um sistema punitivo compatível com um Estado Democrático de Direito. a vedação de provas ilícitas. a utilização de bebidas alcoólicas é responsável por 30% dos acidentes de trânsito. Embora haja outras garantias igualmente fundamentais — tais como o juiz natural.705/2008 surgiu com uma difícil missão: alertar a sociedade para os perigos do álcool associado à direção. a presunção de inocência etc. Existem vários métodos de detecção de alcoolemia.

Como ele apresentou um condutor habilitado.globo. As informações são da Secretaria de Estado de Governo do Rio. De acordo com a Secretaria de Governo. Huck também perdeu 7 pontos na carteira e foi multado em R$ 957. Romário se recusou a fazer o teste do bafômetro e. por isso. O parlamentar estava sem a carteira de habilitação e.globo. Zona Sul do Rio. Aécio foi parado na blitz na madrugada deste domingo (17).70. Zona Oeste do Rio. já que se trata de infração gravíssima. o carro foi liberado. pois apresentou um con- FGV DIREITO RIO 90 . o apresentador se recusou a fazer o teste do bafômetro e teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) apreendida. Segundo a assessoria do governo.com/rio/deputado-rodrigo-bethlem-multado-emblitz-da-lei-seca-na-lagoa-6637118 O deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ) foi multado na noite de domingo. se recusou a fazer o teste do bafômetro — ele nega. A primeira ocorreu em março de 2010.html O deputado federal e ex-jogador Romário (PSB-RJ) teve a carteira de habilitação apreendida em uma blitz da Operação Lei Seca na madrugada deste domingo (10). na Lagoa. Segundo a assessoria do governo do Estado do Rio.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/07/romario-tem-carteira-apreendida-na-operacao-lei-seca-no-rio. na Avenida Niemeyer. na avenida Armando Lombardi. a multa foi de R$ 957. Aécio Neves foi multado. http://g1. com perda de sete pontos na carteira.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/04/aecio-neves-tem-habilitacao-apreendida-em-blitz-da-lei-seca-no-rio.globo. na Zona Sul do Rio de Janeiro.20. teve a carteira suspensa por cinco dias e levou uma multa de R$ 957. três pontos a mais. em São Conrado. Essa é segunda vez em que Romário se recusa a passar pelo bafômetro em uma blitz da Lei Seca. Pela recusa.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/12/luciano-huck-temhabilitacao-apreendida-em-blitz-da-lei-seca. A infração é considerada gravíssima. no Leblon.CRIME E SOCIEDADE Casos famosos http://g1. http://g1. na Avenida Epitácio Pessoa.html O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve a carteira de habilitação apreendida por estar com o documento vencido e por se recusar a fazer o teste do bafômetro numa Operação Lei Seca na Avenida Bartolomeu Mitre.html O apresentador Luciano Huck foi parado em uma blitz da Lei Seca na madrugada deste domingo (2). O senador não teve o carro apreendido.70. Já a punição por não estar com a habilitação foi de R$ 53.70. ao ser parado numa blitz da Operação Lei Seca. http://oglobo. segundo a Secretaria estadual de Governo.globo. na Barra da Tijuca.

com/rio-de-janeiro/noticia/2012/12/eri-johnson-temcarteira-apreendida-em-blitz-da-lei-seca-no-rio. de R$ 127.html Na madrugada de sábado. Dirigir com a carteira de habilitação vencida também é uma infração gravíssima e representa 7 pontos. A multa de R$ 191. e recebeu multa de R$ 957.html O ator Kayky Brito. após parado em uma blitz da Operação Lei Seca. representa 7 pontos na carteira e vale multa de R$ 957. Ainda segundo a assessoria. o tucano tinha saído da casa de amigos e voltava para sua residência.CRIME E SOCIEDADE dutor habilitado. com perda de mais cinco pontos na carteira. ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Por se recusar a fazer o teste do bafômetro. o carro dele foi liberado. Zona Oeste do Rio.Por ter se recusado a realizar o testo do bafômetro. na Avenida Lucio Costa. Como o ator apresentou um condutor habilitado. com a namorada. Quando os policiais alertaram que a habilitação estava vencida. Príncipe recebeu outra multa. teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) apreendida e recebeu multa de R$ 957. no Leblon.globo. em uma fiscalização. ele também perdeu 7 pontos na carteira. http://g1.70. na Barra da Tijuca. com perda de sete pontos na carteira. http://g1. FGV DIREITO RIO 91 . de 24 anos. os policiais reconheceram o senador e solicitaram a documentação. De acordo com a assessoria. já que a infração é considerada gravíssima.globo. e foi liberado. na Zona Oeste do Rio. O carro dele só foi liberado após uma motorista habilitada ter sido apresentada. http://g1. De acordo com a nota divulgada pelo governo do estado.69.html Mais um famoso teve a carteira de habilitação apreendida durante a blitz da Operação Lei Seca.70. O ator Eri Johnson foi abordado pelos agentes. o coronel Fernando Príncipe foi parado pela primeira vez pela Operação Lei Seca.globo. que foi imediatamente apresentada.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/10/pm-abre-sindicancia-para-investigar-coronel-que-fugiu-da-lei-seca-no-rio. na Barra da Tijuca.54. na madrugada deste domingo (2). neste fim de semana. Aécio Neves disse que não sabia que estava vencida. durante blitz realizada na Praça do Ó. na Barra da Tijuca. A assessoria de imprensa de Aécio Neves informou que o senador não sabia que a carteira de habilitação estava vencida.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/12/ator-kayky-britotem-habilitacao-apreendida-em-blitz-da-lei-seca. na Avenida Sernambetiba. teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) apreendida. neste domingo (2). Por estar sem o cinto de segurança. A recusa do teste de bafômetro é considerada uma infração gravíssima. 15 de setembro. no Rio de Janeiro.

Alan seguia pela Avenida Afonso Reidy.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/07/dira-paes-tem-habilitacao-apreendida-na-lei-seca-diz-governo-do-rj. segundo informações do jornal “O Estado de São Paulo”. A notícia foi divulgada por Ancelmo Góis. Ele terá que pagar uma multa de R$ 957.globo. III — DINÂMICA DA AULA O aluno deverá identificar outras situações concretas de aplicação prática do princípio de vedação de autoincriminação. o atleta foi liberado depois que um condutor habilitado se apresentou para levar o carro. na Barra da Tijuca. na Zona Sul do Rio de Janeiro. do Vasco.CRIME E SOCIEDADE http://g1. quando foi abordado. De acordo com a assessoria de imprensa do governo do Rio. além de ter a CNH apreendida. na Barra da Tijuca. http://globoesporte.html A atriz Dira Paes teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) apreendida após se recusar a fazer o teste do bafômetro ao ser abordada por agentes. em sua coluna. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (30) pela assessoria de imprensa do governo do estado. no Rio de Janeiro. Ao se recusar ao passar pelo teste do etilômetro.globo.70 e perdeu 7 pontos na carteira. depois de ser parado numa blitz da Lei Seca. FGV DIREITO RIO 92 . teve a carteira de habilitação apreendida. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro em uma blitz da Operação Lei Seca. na madrugada desta segunda-feira. no GLOBO.O carro do delegado foi liberado depois que um condutor habilitado se apresentou no local. http://oglobo.globo. Zona Oeste do Rio. a atriz foi multada em R$ 957.60 e perdeu sete pontos na carteira. na madrugada deste sábado (28). O carro da atriz foi liberado após um condutor habilitado ter sido apresentado. teve a carteira de habilitação apreendida na noite de domingo. A infração é considerada gravíssima. além de uma multa de R$ 957. durante blitz da Operação Lei Seca.html O meia Diego Souza. delegado Allan Turnowski.70.com/rio/ex-chefe-de-policia-tem-carteira-apreendida-em-blitz-da-lei-seca-5654561 O ex-chefe da Polícia Civil do Rio. Diego Souza levou sete pontos na carteira. Allan se recusou a fazer o teste do bafômetro.com/futebol/times/vasco/noticia/2012/01/diego-souza-do-vasco-tem-carteira-de-habilitacao-apreendida-na-lei-seca.

cujos argumentos a favor da brutalização da autonomia individual em nome do “combate ao crime” vêm travestidos sob a roupagem da supremacia do bem comum sobre os direitos individuais. os direitos e garantias fundamentais funcionariam como “obstáculos ao funcionamento eficiente do sistema”. essa afirmação deve ser compreendida a partir da premissa de que tais limites somente se justificam quando protegem direitos fundamentais do indivíduo. São exemplos do exercício dessa garantia: (1) o direito de não responder perguntas e outras formas de inatividade (recusar-se a participar de reconstituição simulada da cena do crime. mais democrático.com. É o reconhecimento de que não se pode exigir do indivíduo um comprometimento maior com a busca da verdade e a realização da justiça penal pelo Estado maior do que o comprometimento que tem — e deve ter — com sua própria liberdade. de forma oposta. quanto maior o número de limites. deixar de fornecer material gráfico ou padrões vocais para exame pericial). Esses comportamentos não acarretam piora na situação processual do acusado (aumento de pena. no qual os indivíduos (sejam culpados ou inocentes) não perdem a proteção jurídica da dignidade e têm assegurado o direito de defesa. Obviamente. Em nome da busca da verdade. Carta Forense. Esse modelo autoritário encontra defensores até hoje.CRIME E SOCIEDADE IV — LEITURA OBRIGATÓRIA A BUSCA DA VERDADE NO PROCESSO PENAL E A OBTENÇÃO DE TECIDO HUMANO PARA FINS DE EXAME PERICIAL Thiago Bottino. Nessa percepção.cartaforense. regime mais gravoso de FGV DIREITO RIO 93 . De outro lado. Uma questão cada dia mais tormentosa que toca nesse debate diz respeito à busca de provas no corpo do indivíduo que está sendo investigado. 05 de outubro de 2010. há quem prefira um modelo democrático de processo penal. A obtenção compulsória de tecido humano violaria o direito de não se autoincriminar? Criada pela Constituição de 1988 e consolidada pelo Supremo Tribunal Federal ao longo de sucessivos julgamentos. Pode-se dizer que quanto menor o número de limites na atividade investigatória do Estado. mentir ou mesmo utilizar malícia ao fornecer material gráfico visando a prejudicar as conclusões do exame pericial. a característica que mais chama atenção diz respeito aos limites postos à busca da verdade. a vedação de auto-incriminação já está incorporada à cultura jurídica nacional. e (2) o direito de negar falsamente a acusação. mais autoritário é o modelo penal e.br/conteudo/artigos/obtencao-de-tecidohumano-para-fins-de-exame-pericial/6067) Quando se define um determinado sistema processual penal. (http://www. muitos ordenamentos previam a tortura do suspeito.

a Suprema Corte entendeu que tal medida era abusiva. Germany. por considerar que a magnitude da intervenção constituiria uma medida desproporcional e violaria o devido processo legal. num caso envolvendo um acidente de trânsito. enquanto o suspeito estava inconsciente (Breithaupt v. Em matéria penal. no segundo caso. o Supremo Tribunal Federal entendeu que a única intervenção possível seria na placenta. Em outras palavras: já que não se pode compelir o suspeito a fornecer material. houve poucos casos em que o Supremo Tribunal Federal foi chamado a se pronunciar sobre o tema. uma prova obtida de forma semelhante à de Jalloh também foi considerada ilícita (Rochin v. foi administrado um medicamento para que o suspeito regurgitasse as cápsulas de entorpecente que havia ingerido para ocultar da polícia. de 1952). tecido morto FGV DIREITO RIO 94 . Lee (1985). admitiu-se a coleta de sangue por médico no hospital. mas a Corte Européia de Direitos Humanos já anulou um julgamento baseado em prova obtida dessa forma. posteriormente confirmado em Schmerber v. alegando que a violência e brutalidade com que a prova foi colhida. Por maioria. O critério diferenciador foi a forma de obtenção que. a questão que se coloca é se haveria alguma restrição para obtenção de material corpóreo (DNA. Estabeleceu-se ali a doutrina da intangibilidade do corpo humano. de sangue ou ainda da placenta. Mais recentemente. a Suprema Corte dos EUA proibiu a realização de uma cirurgia que seria realizada com anestesia geral para a retirada de um projétil para exame balístico. de células da mucosa oral. há o caso da cantora Gloria Trevi. como forma de preservação da dignidade humana. Califórnia.CRIME E SOCIEDADE execução). de 1966). de 1957. segundo o qual a prova da acusação deve provir do próprio acusado (Jalloh v. Estabelecido esse conceito. No Habeas Corpus nº 71. que engravidou quando estava presa e alegou ter sido estuprada na carceragem da Polícia Federal. No caso. 81-A do Código de Procedimento Criminal). tecido) do suspeito. no caso Winston v. No Brasil. sangue. em que se discutia investigação de paternidade e a possibilidade de condução coercitiva do réu para a coleta de material genético e realização de exame de DNA. julgado em 11/07/2006). não configuram crime de desobediência e tampouco podem justificar a decretação de uma prisão cautelar. seria possível obter esse material contra sua vontade? Algo como uma autorização judicial para coleta de sangue de um suspeito com a finalidade de realizar um exame toxicológico ou genético? O direito alemão prevê essa possibilidade (Art. apesar de não caracterizar um método de tortura. Por outro lado. Abram.373 (1994). Nos EUA. Um juiz atendeu ao pedido dos policiais suspeitos do crime e determinou o exame de DNA a partir de fios de cabelo da criança. Califórnia. reviveu a lógica do sistema inquisitório. não “choca a consciência” nem ofende o “senso de justiça”.

o DNA humano reúne uma quantidade enorme de informações extremamente íntimas que não devem estar à disposição de governos e. o leitor. Com a palavra. Ocorre que esse é o primeiro passo para a criação de bancos de DNA de suspeitos e. de todo e qualquer cidadão. ao contrário de fotos e impressões digitais. saliva ou cabelo constitui uma intervenção mínima no indivíduo e que. nem da criança (Questão de Ordem na Reclamação nº 2040. E. posteriormente. de particulares. Pode parecer que uma amostra de sangue.CRIME E SOCIEDADE que não pertencia mais ao corpo da mãe. quiçá. portanto. ferindo-lhe a autonomia moral e a dignidade humana. O debate sobre se a intangibilidade do corpo do indivíduo deve prevalecer sobre a busca da prova penal admite diversos outros argumentos. o que acabaria por reduzir o indivíduo à condição de objeto dos processos e ações estatais. julgada em 2002). A ideia que anima o direito de não produzir prova contra si e de preservar a intangibilidade do corpo humano é impedir que o Estado sucumba à tentação autoritária de buscar a prova do crime por meio do (ou no) sujeito acusado no processo. deveria ceder ante o interesse na busca da verdade. FGV DIREITO RIO 95 .

Lon Fuller provoca nos leitores a discussão sobre as relações entre direito. um pequeno país é tomado por uma grave crise política.). entre 1940 e 1972. 12. econômica e institucional.academico. Basicamente. A dificuldade decorre da imposição de sanções ou reprimendas quando o “descompasso” entre o sentimento do povo e a lei só surge depois de um longo período durante o qual a impressão que se tinha era que tais leis contavam com aprovação popular. moral e justiça a partir de um caso de um pequeno país fictício que. O problema apresentado por Fuller cinge-se ao tratamento que deve ser dispensado àqueles que obedeceram e se pautaram por essas regras. No entanto.CRIME E SOCIEDADE AULAS 10. instala-se um regime de terror no país. a questão que se coloca diz respeito à existência de leis injustas. FGV DIREITO RIO 96 . nos EUA. 11. Ao final de um processo eleitoral no qual não faltaram denúncias de irregularidades (ameaças. Os camisas-púrpuras também elegem a maioria dos representantes para a Assembleia Nacional. responsável pela cátedra de Teoria do Direito da Universidade de Harvard. No texto dos “denunciantes invejosos”.direito-rio. dos valores da sociedade e dos mandatos mais elementares de justiça. numa aparente normalidade democrática. à capacidade que o direito positivo tem de dissociar-se. INTRODUÇÃO O texto denominado “O caso dos denunciantes invejosos” é de autoria do professor estadunidense Lon Luvois Fuller. é eleito para o posto de Presidente da República o chefe do partido denominado “camisas-púrpuras”. subitamente se vê em meio a uma grave crise econômica e distúrbios causados por conflitos entre diferentes grupos políticos. Fuller é autor do conhecido texto “O caso dos exploradores de cavernas”. (www. Vários Grupos disputam o poder em meio ao sentimento de abandono e desespero da população. CONTEXTO JURÍDICO-POLÍTICO Depois de anos vivendo pacificamente num regime constitucional democrático. considerado um verdadeiro salvador da pátria. religiosos e econômicos.fgv. às vezes. Não há mudanças na constituição ou as leis e são mantidas as eleições periódicas.br/ wiki/O_caso_dos_denunciantes_invejosos). falsificações etc. tendo vivido durante anos em relativa estabilidade política. sob um regime constitucional democrático. 13 E 14 — PREPARAÇÃO PARA O JÚRI SIMULADO O CASO DOS DENUNCIANTES INVEJOSOS Origem: Cadernos Colaborativos.

Um desses casos foi o de um sujeito que se enamorou por uma moça casada e decidiu denunciar o marido desta por um delito absolutamente banal. eram decorrentes da decisão de juízes regularmente constituídos. criou-se um problema político prestes a inflamar os ânimos da população: o que fazer com aqueles denunciantes que agiram movidos por interesse pessoal. reportando crimes que levaram pessoas à mor- FGV DIREITO RIO 97 . por meio da qual todos os partidários dos camisaspúrpuras que estavam presos são libertados. Eram duramente punidas várias espécies de condutas. Essas denúncias levaram a penas de prisão e até mesmo à pena de morte. São criados regulamentos secretos e legislações de exceção. Vários problemas decorrentes dos anos de desmando e terror devem ser enfrentados. os camisas-púrpuras são derrotados e novamente instala-se um regime constitucional e democrático. muitas pessoas denunciaram seus desafetos às autoridades movidas exclusivamente por inveja. o regime dos camisas-púrpuras foi desmantelado e a democracia restaurada. em outros casos. a escuta de transmissões radiofônicas estrangeiras. De outro lado. Um deles é o problema dos denunciantes invejosos. a omissão de informar a perda de documentos no prazo de cinco dias. Promulga-se uma lei concedendo anistia a todos que “tivessem cometidos atos em defesa da pátria”. as penalidades extremamente duras estavam autorizadas por regulamentos emergenciais. entre elas a crítica ao governo ou ao partido. mas que fez com que o marido fosse processado e condenado à pena de morte. A RESTAURAÇÃO DA DEMOCRACIA Felizmente. Opositores políticos são cassados e partidos políticos suprimidos. a posse de saquinhos de ovo em pó em quantidade superior à permitida etc. mesmo em conversas particulares.CRIME E SOCIEDADE Juízes e funcionários que se recusassem a aceitar os abusos do governo são ameaçados. ou ainda conferidas interpretações perniciosas às leis com a finalidade de encarcerar todos aqueles que representem uma ameaça aos planos de poder dos camisas-púrpuras. O governo não respeita as leis existentes e nem aquelas que ele próprio edita. agredidos ou assassinados. Contudo. O CASO DOS DENUNCIANTES INVEJOSOS Aproveitando-se do clima de perseguição e terror implantado pelos camisas-púrpuras. são criadas leis retroativas para punir os inimigos do regime. Em alguns casos. Após anos de dominação.

Um grupo apresentará razões de acusação e outro grupo sustentará as teses de defesa. dentre os quais está você. Caberá aos jurados simplesmente votar “sim” ou “não” para a seguinte pergunta: OS DENUNCIANTES INVEJOSOS DEVEM SER PUNIDOS CRIMINALMENTE? FGV DIREITO RIO 98 .CRIME E SOCIEDADE te? A população clama pela punição dos denunciantes invejosos e a tarefa de decidir o que fazer coube a um júri de notáveis. dia 04/junho. às 11hs. Foi designado um julgamento para a próxima 3ª feira.

cnpq. Mestre (2004) e Doutor (2008) em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Coordenou projeto de pesquisa sobre as medidas cautelares no Processo Penal em parceria com o Ministério da Justiça e com financiamento do PNUD (base para o PL nº 2902/2011. Integrou a Comissão de Exame de Ordem da OAB/RJ e a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ. 3º período (Turma 2012. Autor de livros e artigos sobre Direito Penal e Processual Penal. Direito Penal Econômico e Direito Processual Penal na Graduação e na Pós-Graduação lato sensu. FGV DIREITO RIO 99 . Link para o currículo Lattes: http://lattes. Membro efetivo do IAB onde integra a Comissão Permanente de Direito Penal. É professor do curso de mestrado em Direito e Regulação. lecionando a disciplina Reflexos Penais da Regulação Econômica. tendo proferido palestras no Brasil e no exterior (Alemanha.br/3134056986747443 COLABORADORES Colaboraram na elaboração dessa apostila em 2013 a ex-aluna Paloma Caneca (Turma 2006.1). em tramitação na Câmara dos Deputados). França e Índia). Leciona as disciplinas Crime e Sociedade.2) e o aluno da Graduação Arthur Lardosa dos Santos. Professor Adjunto da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas e Coordenador do Curso de Graduação em Direito. tendo recebido a Medalha Chico Mendes oferecida pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ por sua atuação nesse período.CRIME E SOCIEDADE THIAGO BOTTINO Graduado em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (1999).

PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO Rodrigo Vianna VICE-DIRETOR ADMINISTRATIVO Thiago Bottino do Amaral COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Marília Araújo COORDENADORA EXECUTIVA DA GRADUAÇÃO Cristina Nacif Alves COORDENADORA DE ENSINO Andre Pacheco Mendes COORDENADOR DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA Paula Spieler COORDENADORA DE ATIVIDADES COMPLEMENTARES E DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS FGV DIREITO RIO 100 .CRIME E SOCIEDADE FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DE ENSINO.