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DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR

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Didática do Ensino Superior

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Didática do Ensino Superior

1840

APRESENTAÇÃO

Prezado Cursista,
O módulo de estudo que você recebeu foi formulado a partir de uma bibliografia especializada sobre o tema, com o objetivo de orientar suas pesquisas, análises e reflexões, bem como facilitar a fixação dos conteúdos propostos. Desse modo, a metodologia empregada priorizou o estudo de casos como forma de aprendizagem, na qual são apresentadas ao aluno algumas situações problematizando diversos assuntos abordados, ao final de cada unidade, objetivando sua compreensão, análise e solução. Tal abordagem faz com que o estudante avalie criticamente os conteúdos enfocados, desenvolvendo habilidades necessárias ao bom desempenho do profissional no mundo atual. Além disso, para contribuir ainda mais com seu auto-estudo, são indicados sites para pesquisa e leituras complementares, bem como propostas atividades práticas ao final de cada unidade, não sendo necessária a correção do professor. A disciplina é oferecida sob a forma de educação a distância, privilegiando o auto-estudo e sendo mediado por material didático e apoio da Orientação Acadêmica a distância, com encontros e avaliações presenciais. A metodologia do trabalho combina atividades teóricas e práticas com o objetivo de possibilitar aos participantes articularem momentos de reflexão com momentos de aplicação dos conhecimentos adquiridos à realidade. As técnicas adotadas obedecem a uma seqüência de atividades na qual as análises sobre fatores, que contribuem ou dificultem a integração dos programas de EAD, resultem na discussão e participação de todos. A organização dos módulos define um núcleo temático consistente e atual, diversificando as perspectivas de pesquisa e de análise históricas, sociológicas, filosóficas, pedagógicas e éticas, tendo em vistas questões que a LDB, Lei 9394/96, propõe, principalmente no seu Art. 64 sobre a formação de profissionais de educação. Ao final do curso, você estará apto a realizar uma avaliação presencial como parte do processo de avaliação global da disciplina. Lembre-se que o serviço de Orientação Acadêmica está disponível para solucionar possíveis dúvidas no decorrer de seus estudos.

PRODUÇÃO

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Didática a do do Ensino En nsino Superior Supe eri ior 1840 SUMÁRIO 8 13 28 46 79 81 UNIDADE I Introdução à Didática UNIDADE II Breve Panorama Histórico da Educação Brasileira UNIDADE III A Prática Pedagógica: Concepções e Tendências UNIDADE IV As Teorias do Conflito e a Prática Docente CONSIDERAÇÕES FINAIS BIBLIOGRAFIA PRODUÇÃO 5 .

Paralelamente. enquanto formadores de novos profissionais. vivencia-se também o desafio de se acatar novos projetos para a educação brasileira que dê conta dessa formação continuada dos profissionais como declara o texto legal. visando a construção de uma sociedade mais igualitária e justa para todos. uma nova formulação pedagógica à altura das exigências e carências do mundo contemporâneo. É papel.394-96) . edu-cadores. a NLDBEN. apontando carências de um novo perfil de educadores capazes de instrumentalizar os cidadãos das diversas áreas do conhecimento humano para uma nova convivência participativa e crítica nesta “nova” sociedade. de fato.Didática do Ensino Superior 1840 A INTRODUÇÃO sociedade deste milênio vem sendo marcada por significativas transformações no mundo do trabalho. no contexto sócio-político-histórico-cultural e educacional do nosso País. comprometidos com a melhoria e redesenhamento da nova ordem mundial. da produção e das relações sociais. Lei Darcy Ribeiro (lei nº 9. Este é o desafio posto a todos nós. que devem estar atrelados e cientes do mundo científico e tecnológico de que fazem parte. de formar novos profissionais. É contribuir para a construção de um novo projeto educativo. trabalhadores e cidadãos. de todos aqueles. PRODUÇÃO 6 .

comunicarem-se com eficiência diante das mídias existentes e atuarem com participação e autonomia da ação pedagógica? O Curso foi organizado para você buscar e aprofundar entendimento dos elementos básicos de uma didática crítica. que os levem a serem capazes de tomar decisões. deverão por isto mesmo. como nos diz Paulo Freire. que conteúdos privilegiar para que os sujeitos democráticos possam se apropriar/instrumentalizar desses novos conhecimentos científicotecnológicos em rede e como esses saberes. transformador dos sujeitos inseridos no processo em rede de conhecimentos e saberes que possa assegurar efetivo entendimento histórico da época em que vivemos. A comunicação docente e suas implicaPRODUÇÃO ções na prática do professor. estrutura.Didática do Ensino Superior 1840 A pergunta que não se quer calar. Seu produto final será. métodos e recursos estão a nossa disposição para a preparação de profissionais. sem perder o referencial com o tempo-espaço em que vivemos e atuamos. defendemos que por se tratar de um Curso de Educação a Distância (EAD). é que tipo de educação. Em outras palavras. com o espelhamento que esta sociedade atual está a nos exigir? Que currículo deve garantir o desvelamento do ato educativo. então. toda a organização. pois. enquanto fios condutores dos conhecimentos se tecem? Que metodologias. Ao contrário. capazes de responderem aos novos paradigmas e perfil profissional. que parta do diálogo dos diversos componentes do ato pedagógico como processo de ensino (Pressupostos e características da Didática. de serem gestores de situações novas. ensinar e aprender como processo complementares na produção e construção em redes de conhecimento. o entendimento do projeto educativo e pesquisa. funcionamento e desenvolvimento desse tipo de modalidade de ensino. o Contexto no qual ocorre o ato pedagógico. logo não a concebemos que seja um produto pronto e acabado enquanto ponto de chegada. de administrar conflitos oriundos dos cotidianos do mundo do trabalho. que a Educação é um processo em eterna discussão. a significativa contribuição de todos os envolvidos para desvelar posturas pedagógicas ultrapassadas e apontar para novas reflexões. 7 . como ato político. que tipo de didática se requerem e possam contribuir para a formação de cidadãos trabalhadores. Entendemos.). sim. administrar pontos possíveis de estrangulamento e aperfeiçoamento. para que se possa corrigir rotas. debates e proposições para projetos educativos que a escola do século XXI requer. ser alvo de avaliação contínua por todos os professores e cursistas envolvidos. resolver e solucionar problemas. isto é. do mundo contemporâneo e dos fundamentos teóricos da Educação hoje.

nas literaturas especializadas termos como didática geral.. além do que a sua conceituação é polissêmica. de Inglês e muitas outras áreas do conhecimento humano.Escola de Atenas PRESSUPOSTOS E CARACTERÍSTICAS DA DIDÁTICA Como e o que levar em conta ensinar/aprender no Século XXI. didática aplicada. sem falar em didáticas outras – todas com objetos específicos. didática teórica. como didática da Educação Física. por exemplo. Lemos. da História . didática crítica etc. didática tradicional. ou qual é a Didática “ideal” que dê conta para este desafio? Essa com certeza é uma questão complexa a ser respondida de imediato. do Português. pois seu objeto é difícil de ser delimitado. Didática do Ensino Superior UNIDADE I 8 .

tentando inutilmente disfarçar o seu vazio atrás de excessivo formalismo. o exercício regular da Didática.Didática do Ensino Superior 1840 A didática está inserida na pedagogia e tem a escola em todos os seus movimentos como “locus” para ação pedagógica. PRODUÇÃO 9 . quadratura. supõe-se que a origem deles esteja no práxis. simplificação e costuma. enquanto ciência da educação. A pedagogia. portanto também conotar rigor. seria responsável pelo seu desprestígio ou má fama. limitação. portanto. entre outras. para completá-la. ou seja. Realmente. necessita de outras ciências como a psicologia.profª da Universidade Federal do Rio de Janeiro e que oportunamente apresenta uma análise interessante e introdutória ao entendimento do que é Didática. a filosofia. clareza. ordem. o professor não deve e ficam. a sociologia. então. ou seja. em todos os níveis de ensino. apresenta uma argumentação no sentido acima exposto e que pode esclarecer você repensar sua futura prática docente: Didática De modo geral. Se ela adquiriu significados negativos. bitolamento. daí o seu “status” polissêmico. a palavra Didática se associa à arrumação. logicidade. a crise da disciplina didática. muito próximos dos receituários ou listagens de permissões e proibições. muitos manuais de Didática estão cheios de itens e subitens. a amplitude conceitual do termo Didática? O texto que segue foi elaborado Baline . regras e conselhos: o professor deve. a biologia. Como pode se entender. a história.

PRODUÇÃO 10 . pois. Não adianta. desigual. previamente. Do professor de Didática é natural que o aluno cobre um pouco mais do que de qualquer outro professor: em primeiro lugar. fezse popular o seguinte conceito de Didáticadisciplina com a qual ou sem a qual tudo fica tal e qual. capaz de acioná-lo. Enfrentar o amanhã com as armas de ontem é garantir. de adequação. cuja preocupação maior era a competência conteudística. ao contrário. mas que tenha também abertura para valorizar outras opções. inflacionada. entregues a professores leigos. como a querer comprovar a inutilidade desses recursos? Aliás estarão eles sendo utilizados? E se realmente estão. sem as tentativas de reformulação. não na acepção vulgar da palavra. De fato. ao seu fazer didático. reflete os problemas da sociedade doente... Por outro lado. esperar milagres da Didática. e aí está a exigir um aceitamento interior. o mais válido. enriquecida pela psicologia. Conviria. ele exige respeito ao que ele (aluno) é. violenta. não há material. mas o recurso humano. em segundo lugar.Didática D idát tic ca do Ensino Ens sino Superior Superio or Didática do Ensino Superior 1840 Corroborando todas estas restritivas. sem o esforço das Faculdades de Educação com licenciaturas. que ele vivencie e comprove numa lição de autenticidade o que ele (professor) considera correto. de repetição do passado. abrirá caminhos mais amplos do que se apenas trocar com eles o que sabe. por isso. tomar consciência dos seus limites e possibilidades e impedir que ela fosse mais um elemento de manipulação do homem. De um professor de Didática espera-se que seja pelo menos um didata. é covardia. a manutenção do respeito à cátedra e a sua pessoa. convém perguntar como aprenderam os nossos antepassados. Desistir de lutar. que do alto do seu tablado despejava sobre os alunos seu saber irrefutável. sem as pós-graduações em Educação? O momento pedagógico é dos piores. sem os cursos de reciclagem. mas no sentido de reconhecer que suas atitudes valem bem mais que suas técnicas. com tanta didática hoje em voga. que. sob o pretexto de falta de equipamento. devidamente rejeitados? Como saber também se o caos do ensino seria bem maior . a derrota. existe. de violação dos seus direitos. de espírito de busca e pesquisa? Ou tudo acontece na simples cópia ou transplante de modelos inadequados à realidade brasileira e. haverá em seu emprego uma dose mínima de consciência. tentando moldálos a si. Não há verbas. como explicar que o ensino continue piorando sempre. trocando com seus alunos o que ele é. pela análise de sistemas e por toda a tecnologia do ensino.

na vida acelerada e imprevisível de séculos. professores e alunos não se tornarão melhores. hoje irrisórias. Não se trata de negar as bases técnico-científicas em que se assenta a Didática. antes mesmo de adquiri-lo. país de jovens. antes úteis.Didática do Ensino Superior 1840 Uma Didática de vida estaria à frente de qualquer Didática legista ou receitante. pela cansativa repetição das mesmas mesmices. a do ilógico. a vivência didática seria preferível à permanência no exercício didático isolado ou atomizado. A Didática deve ampliar seu objeto de estudo. mas é possível que se preparem um pouco mais para o futuro. A Didática deve alertar a todos os professores do Brasil. ampliando-a. Se em cada habilidade ele se coloca. Ser o professor é conseguir integrar. praticando a criatividade e incrementando o senso crítico. as habilidades antes treinadas em separado. em as mantendo. conferindo-lhe espaços inusitados. harmoniosamente e com amor. Uma Didática Crítica e Criativa tentaria responder aos constantes ataques de que a Didática não leva a nada e até colabora para o emperramento do sistema escolar. no sentido de que despertem para o fato de que o ensino está perdendo terreno. a do incomum. mas de. PRODUÇÃO 11 . abrindo-lhe perspectiva que possam redimensioná-la e torná-la um instrumento útil ao ensino. nada impede o seu enriquecimento ou extrapolação na dinâmica da criatividade e no processo crítico da realidade. que passaram a durar de cinco a dez anos no máximo. Por certo. a ênfase a tudo o que foge aos padrões cotidianos e rotineiros. libertando-a de padrões rígidos e estagnantes. Parte-se do pressuposto de que se a Didática se alicerça na psicologia da aprendizagem e se alimenta da tecnologia do ensino.a da ousadia. sua humanidade ultrapassará a técnica. que transfiram mais facilmente as aprendizagens de hoje para o contexto de amanhã e que possam tornar-se menos temerosos e mais felizes na superação de situações diversas e adversas. acrescentar-lhes uma possibilidade a mais .

ela “amplia” seu campo de atuação por aplicar-se a todos os níveis de ensino e por estar aberta a todas as contribuições plausíveis que vieram subsidiá-la. traçamos a seguir a linha espaço-tempo histórico da Didática no panorama brasileiro para entendermos sua real evolução conceitual. o erro provisório em lugar do acerto fácil. Espero que através do texto básico. cujo o tema foi Introdução a Didática. PREZADO(A) CURSISTA Chegamos ao final da Unidade I.” (Baline Bello Lima) Para aprofundarmos a temática proposta para este módulo. a crítica em lugar da tranqüila aceitação.Didática do Ensino Superior 1840 Opta-se pela crença de que a boa Didática é a que incentiva a produção e não a reprodução. PRODUÇÃO 12 . a dúvida em detrimento das certezas preestabelecidas. Propõe-se também que a essa Didática se chame DIDÁTICA CRÍTICA: além da fusão de princípios científicos e recursos técnicos com a valorização da função criativa e busca do desvelamento da consciência crítica do professor-aluno. a divergência muito mais que a convergência. você tenha iniciado uma análise critica do processo da Didática o seu desenvolvimento.

políticos e educacionais que servem de pano de fundo para identificar as propostas pedagógicas presentes na educação.BREVE PANORAMA HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA DIDÁTICA: 1549 AOS NOSSOS DIAS A retrospectiva histórica da Didática abrange duas partes: na primeira é abordado o papel da disciplina antes de sua inclusão nos cursos de formação de professores a nível superior. São destacados os aspectos sócio-econômicos. a segunda parte procura reconstituir a trajetória da Didática a partir da década de 30 até os dias atuais. Didática do Ensino Superior UNIDADE II 13 . compreendendo o período que vai de 1549 até 1930. bem como os enfoques do papel da Didática.

Didática do Ensino Superior 1840 Primórdios da Didática: O período de 1549/1930 Sócrates quando perguntava aos discípulos: “pode-se ensinar a virtude?” ou na lectio e na disputatio medievais já havia uma idéia de Didática implícita. a instrução popular é 14 . a Didática Magna (1633). dependeria a formação das novas gerações Justifica-se. Mas o traçado de uma linha imaginária em torno de eventos — que caracterizam o ensino é fato do início dos tempos modernos. e revela uma tentativa —. de outras tantas frustrações. entre outras obras. PRODUÇÃO atribuindo-Ihes uma situação superior à da mera prática costumeira. ambos provenientes da Europa Central. de distinguir um campo de estudos autônomo. Dessa ambição participa também RATÍQUIO. A Didática surge graças à ação de dois educadores. RATIOUIO (1571-1635) e COMENIO ((1582-1670). COMÊNIO escreveu. e ambos. já que deveria orientar educadores e destes. assim. as muitas esperanças nela depositadas. do uso ou não do mito. acompanhadas. Da nova disciplina espera-se reformas da Humanidade. pautados por ideais ético-religiosos. SÉCULO XVII: SURGIMENTO DA DIDÁTICA A inauguração de um campo de estudos com esse nome tem uma característica que vai ser reencontrada na vida histórica da Didática: surge de uma crise e constitui um marco revolucionário e doutrinário no campo da Educação. por sua vez. acreditam ter encontrado um método para cumprir aqueles desígnios de modo rápido e agradável. infelizmente. Na verdade. que atuaram em países nos quais se havia instalado a Reforma Protestante. instituindo a nova disciplina como “arte de ensinar tudo a todos”. Constata-se que a delimitação da Didática constituiu a primeira tentativa que se conhece de agrupar os conhecimentos pedagógicos.

humanista e cristão. que. à causa da Reforma Protestante. o homem deve se empenhar para atingir a perfeição. mas. Tem-se notícias de experiências educacionais realizadas conforme os princípios expostos. como humanistas. Observa-se. na Europa Ocidental Católica. e a busca de procedimentos que propiciassem rendimento ao ensino torna-se importante. para a elite colonial. a educação não era considerada um valor social importante. explorada pela Metrópole. pois o objeto da Didática abrange o ensino de conhecimentos.12). (Ibid. Dessa forma. de acordo com SAVIANI (1984.12). na obra do século XVII. como exemplificou COMÊNIO. Essa etapa da gênese da Didática a faz servir. Os jesuítas foram os principais educadores de quase todo o período colonial. de luta contra o tipo de ensino da Igreja Católica Medieval.Didática do Ensino Superior 1840 crucial para a reforma religiosa. A essência humana é considerada criação divina e. dedicavam atenção ao preparo dos padres-mestres. PRODUÇÃO 15 . cujo ideal era a formação do homem universal. a reforma de procedimentos educacionais. entre Educação e Ensino. o homem constituído por uma essencial universal e imutável”. com a natureza como “nosso estado primitivo e fundamental ao qual devemos regressar como princípio”. p. Doutrinariamente. A educação se preocupava com o ensino humanista de cultura geral. No contexto de uma sociedade de economia agrário-exportadora-dependente. e esse fato marca seu caráter revolucionário. propunham iniciar o ensino pela língua materna e por meio de livros ilustrados. ir das coisas às idéias e do particular ao geral. isto é. entretanto. seu vínculo é com o preparo para a vida eterna e. outro tipo de educação era oferecido: o plano de instrução era consubstanciado no Ratio Studiorum. aqui no Brasil. atitudes e sentimentos. outros pensadores também já haviam discutido. de 1549 a 1759. A tarefa educativa estava voltada para a catequese e instrução dos indígenas. é marcada por uma “visão essencialista de homem. assim. p. tudo sem pressa. Numa época em que o latim dominava. enciclopédico e alheio à realidade da vida da Colônia. A ação pedagógica dos jesuítas foi marcada pelas formas dogmáticas de pensamento. contra o pensamento crítico. não se poderia pensar em uma prática pedagógica e muito menos em uma Didática que buscasse uma perspectiva transformadora na educação. Esses eram os alicerces da Pedagogia Tradicional na vertente religiosa que. dando ênfase à formação do caráter e sua formação psicológica para conhecimento de si mesmo e do aluno. Privilegiavam o exercício da memória e o desenvolvimento do raciocínio. embora nem todas tivessem tido sucesso.. em nome dela. com ardor. Não existem fronteiras. atuando. “para fazer por merecer a dádiva da vida sobrenatural”. Obedecem à utopia da época: a idéia baconiana da atenção à natureza -esta é o modelo que os didatas supõem imitar quando aconselham seguir sempre do fácil ao difícil.

a repetição visando repetir. no ritmo do desenvolvimento e seja. ainda. como é denominada no Código pedagógico dos jesuítas. o desafio. a matéria e o horário.Didática do Ensino Superior 1840 Os pressupostos didáticos diluídos no “Ratio” enfocavam instrumentos e regras metodológicas compreendendo o estudo privado. outro recurso metodológico era visto como uma defesa de tese. da Metodologia de Ensino. O enfoque sobre o qual o papel da Didática. p. a disputa. as aulas ministradas de forma expositiva. seja na ordem das questões. Os exames eram orais e escritos. tendo por base o intelecto. A nova organização instituída por Pombal. PRODUÇÃO 16 . é um conjunto de normas metodológicas referentes à aula. como são poucas as mudanças sofridas pela sociedade colonial e durante o Império e a República. A Metodologia de Ensino (Didática) é entendida como um conjunto de regras e normas prescritivas visando a orientação do ensino e do estudo. está centrado no seu caráter meramente formal. Após os jesuítas. Como afirma PAIVA (1981. ou melhor. estimulando a competição. decorar e expor em aula. 11). não ocorrem no país grandes movimentos pedagógicos. visando avaliar o aproveitamento do aluno. em que o mestre prescrevia o método de estudo. o conhecimento é marcado pela visão essencialista de homem. no próprio processo de ensino”.

na essência. No campo educacional. comparação. universal e gratuita. p. Uma Didática que separa teoria e prática. época de expansão cafeeira e da passgem de um modelo agrárioexportador para um urbano-comercial-exportador. os métodos são princípios universais e lógicos. essencialmente racional. representou um retrocesso. não como criação divina. concebendo o aluno como um ser receptivo e passivo. apresentação. “tomam corpo movimentos cada vez mais independentes da influência religiosa”. A escola busca disseminar uma visão burguesa de mundo e sociedade. 274). generalização e aplicação). laica. PRODUÇÃO 17 . que transmite a todos os alunos indistintamente a verdade universal e enciclopédica. a relação pedagógica que se desenvolve de forma hierarquizada e verticalista. está centrada no intelecto. É aprovada a reforma de Benjamin Constant (1890) sob a influência do positivismo. p. Professores leigos começaram a ser admitidos para as “aulas-régias” introduzidas pela reforma pombalina. Esta vertente da Pedagogia Tradicional mantém a visão essencialista de homem. 1984. Por volta de 1870. A disciplina é a forma de garantir a atenção. visando assegurar aos futuros professores as orientações necessárias ao trabalho docente. A Pedagogia tradicionalista leiga refletiase nas disciplinas de natureza pedagógica do currículo das Escolas Normais desde o início de sua criação. Segundo SAVIANI (1984. de 1882 e a primeira reforma republicana. É assim que a Didática. A Didática é compreendida como um conjunto de regras. em 1890. o silêncio e a ordem. onde o aluno é educado para seguir atentamente a exposição do professor. centrada no professor. passando o Estado a assumir a laicidade. a fim de garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominante. o método de ensino. ocorreu quase um século depois. em 1934. A essa teoria pedagógica correspondiam as seguintes características: a ênfase ao ensino humanístico de cultura geral. assimilação. (SAVIANI. mas aliada à noção de natureza humana.Didática do Ensino Superior 1840 pedagogicamente. a de Benjamin Constant. no bojo da Pedagogia Tradicional leiga. atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos. ou seja. 275). dissociada das questões entre escola e sociedade. em 1835. Essa vertente inspirou a criação da escola pública. suprime-se o ensino religioso nas escolas públicas. Os indicadores de penetração da Pedagogia Tradicional em sua vertente leiga são os Pareceres de Rui Barbosa. o Brasil vive o seu período de “iluminismo”. A inclusão da Didática como disciplina em cursos de formação de professores para o então ensino secundário. o professor se torna o centro do processo de aprendizagem. calcado no cinco passos. A atividade docente é entendida como inteiramente autônoma face à política. formais de Hebart (preparação.

ao se consolidar no poder com auxílio de grupos militantes e apoiado pela classe burguesa. Vargas implanta o Estado Novo. que persistiu até 1945. equivalente à Didática hoje nos cursos de licenciatura. desencadeia-se o movimento de reorganização das forças econômicas e políticas o que resultou em um conflito: a Revolução de 30. sabendo-se que a qualificação do PRODUÇÃO magistério era colocada como ponto central para a renovação do ensino. A crise mundial da economia capitalista provoca no Brasil a crise cafeeira. Em 1937.Didática do Ensino Superior 1840 A Didática nos Cursos de Formação de Professores a partir de 1930 O período de 1930/1945: A Didática é tradicional. 18 . Por força do art. ditatorial. preconizado a reconstrução social da escola na sociedade urbana e industrial. em 1934. instalando-se o modelo sócio-econômico de substituição de importações. com duração de um ano. Paralelamente. a sociedade brasileira sofre profundas transformações. a Didática foi instituída como curso e disciplina. No início. bem como organiza-se a primeira universidade brasileira. em 1941. Em 1932 é lançado o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. Entre os anos de 1931 e 1932 efetivouse a Reforma Francisco Campos. durante o governo revolucionário de 1930. Na década de 30. 20 do Decreto-Lei n°. marco comumente empregado para indicar o início de uma nova fase na história da República do Brasil. A legislação educacional foi introduzindo alterações para. adota-se o regime universitário para o ensino superior. a parte pedagógica existente nos cursos de formação de professores era realizada no Instituto de Educação. A origem da Didática como disciplina dos cursos de formação de professores a nível superior está vinculada à criação da referida Faculdade. cumpre renová-la. Vargas constitui o Ministério de Educação e Saúde Pública. sendo aí incluída a disciplina “Metodologia do Ensino Secundário”. 1190/39. o curso de Didática ser considerado um caso independente. No âmbito educacional. motivadas basicamente pela modificação do modelo sócio-econômico. realizado após o término do bacharelado (esquema três + um). Organizase o ensino comercial. A Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo foi o primeiro instituto de ensino superior que funcionou de acordo com o modelo Francisco Campos.

métodos dos projetos. etc ”. A Didática. na vida. O movimento escolanovista preconizava a solução de problemas educacionais em uma perspectiva interna da escola. A característica mais marcante do escolanovismo é a valorização da criança. A Didática é entendida como um conjunto de idéias e métodos. a técnica de fichas didáticas. econômico e social. como afirma PAIVA (1973. autonomia e interesses devem ser respeitados. 125). Para CANDAU (1982. estudo dirigido. PRODUÇÃO 19 . p. fundamentada nos pressupostos psicológicos e psicopedagógicos e experimentais. No entanto. os métodos e técnicas mais difundidas pela Didática renovada são: “centros de interesse. nesse momento. cientificamente validados na experiência e construídos em teoria. Devido à predominância da influência da Pedagogia Nova na legislação educacional e nos cursos de formação para o magistério. Assim. onde são evidentes as diferenças entre o dominador e as classes subalternas. assim concebida. Conseqüentemente. O ensino é concebido como um processo de pesquisa. partindo do pressuposto de que os assuntos de que tratam o ensino são problemas. isto é. sem considerar a realidade brasileira nos seus aspectos político. privilegiando a dimensão técnica do processo de ensino. o professor absorveu o seu ideário. propiciou a formação de um novo perfil de professor: o técnico. O escolanovismo propõe um novo tipo de homem. onde teoria e prática são justapostas.Didática do Ensino Superior 1840 Os debates educacionais são paralisados e o “prestígio dos educadores passa a condicionar-se às respectivas posições políticas”. O problema educacional passa a ser uma questão de escolar e técnica. Para SAVIANI (1985. vista como ser dotado de poderes individuais. as possibilidades de se concretizar este ideal de homem se voltam para aqueles pertencentes à classe dominante. Há predomínio do aspecto psicológico sobre o lógico. mesmo que a uma minoria. isso é feito em uma sociedade dividida em classes. defende os princípios democráticos. p. A ênfase recai no ensinar bem. iniciativa. o contrato de ensino. 276) a concepção humanista moderno se baseia em uma “visão de homem centrada na existência. a Didática também sofre a sua influência. unidades didáticas. na atividade”. passando a acentuar o caráter prático-técnico do processo ensino-aprendizagem. cuja liberdade. ignorando o contexto sócio-políticoeconômico. p. O período situado entre 1930 e 1945 é marcado pelo equilíbrio entre as influências da concepção humanista tradicional (representada pelos católicos) e humanista moderno (representada pelos pioneiros). 22). todos têm direito a assim se desenvolverem.

desenvolvem-se lutas ideológicas em torno da oposição entre escola particular e defensores da escola pública. representando uma aliança entre o empresariado e setores populares. fortemente marcada pela ênfase metodológica. reflete muito bem a “ambivalência dos grupos no poder ” como destaca FREITAG (1979. difundindo o método de Montessori e Lubienska. 54). A política educacional. É o Estado populista — desenvolvimentista.Didática do Ensino Superior 1840 O período de 1945/1960: o predomínio das novas idéias e a Didática Esta fase correspondente à aceleração e diversificação do processo de substituição de importações e à penetração do capital estrangeiro. que culminou com as reformas promovidas no sistema escolar brasileiro no período de 1968/1971. PRODUÇÃO Outros indícios renovadores começam a ser disseminados nessa década. Lei 4024/61. Em 1946. do Conselho Federal de Educação. Paralelamente a essas iniciativas renovadoras que começaram a ser implantadas. o esquema de três mais um foi extinto pelo Parecer n°. o Decreto-Lei n°. que caracteriza essa fase. O modelo político é baseado nos princípios da democracia liberal com crescente participação das massas. deixando entrever dois caminhos para o desenvolvimento: o de tendência populista e o de tendência antipopulista. 9053 desobrigava o curso de Didática e. começa a delinear-se uma polarização. insere-se a educação. 20 . As escolas católicas se inserem no movimento renovador. os Ginásios Pluricurriculares. 242/62. contra a oligarquia. A disseminação das idéias novas ganha mais força com a ação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). Entre 1948-1961. os Ginásios Vocacionais. entre os quais se destacam o Ginásio Orientado para o Trabalho (GOT). Neste contexto. A Didática perdeu seus qualificativos geral e especial introduzindo-se a Prática de Ensino sob a forma de estágio supervisionado. p. já sob a vigência da Lei Diretrizes e Bases. um outro redirecionamento vinha sendo dado à escola renovada. No fim do período.

começaram a ser introduzidos os princípios de uma tecnologia educacional importada dos Estados Unidos. a forma de governo e.. Por influência. mas não como conseqüência sua. 2/69 do Conselho Federal de Educação. de certa forma. Instalou-se na escola a divisão do trabalho sob a justificativa de produtividade. voltado para o aperfeiçoamento de professores do Curso Normal. conseqüentemente. o ideário renovador-tecnicista foi se difundindo. à clareza e consistência dos enunciados relativos aos fenômenos eles mesmos. nos cursos de Pedagogia. Acentuava-se desta forma. p.Missão de Operações dos Estados Unidos (PONTO IV) criou-se o PABAEE (Programa Americano Brasileiro de Auxílio ao Ensino Elementar).) A ela cabe fazer a assepsia da 21 . Dado o seu caráter multiplicador. inspirada nos princípios de racionalidade. O modelo político-econômico tinha como característica fundamental um projeto desenvolvimentista que buscava acelerar o crescimento sócio-econômico do país. Refere-se. nesta fase. provocou a superposição de conteúdos da nova disciplina com a Didática. o que. o ensino de Didática também se inspirava no liberalismo e no pragmatismo. eficiência e produtividade. acentuando as distâncias entre quem planeja e quem executa. O período pós-1964: os descaminhos da Didática. Nesses cursos. pelo Parecer 252/69 e Resolução n°. O sistema educacional era marcado pela influência dos Acordos MEC/USAID. o enfoque renovador-tecnicista da Didática na esteira do movimento escolanovista. 179). O período compreendido entre 1960 e 1968 foi marcado pela crise da Pedagogia Nova e articulação da tendência tecnicista. a educação. pois.) não tem por objeto a realidade. O pressuposto que embasou esta pedagogia está na neutralidade científica.. a disciplina “Currículos e Programas”. É importante frisar que. (. acentuando a predominância dos processos metodológicos em detrimento da própria aquisição do conhecimento. O quadro que se instalou no país com o movimento de 1964 alterou a ideologia política. também dos educadores americanos... Buscou-se a objetivação do trabalho pedagógico da mesma maneira que ocorreu no trabalho fabril. A educação desempenhava importante papel na preparação adequada de recursos humanos necessários à incrementação do crescimento econômico e tecnológico da sociedade de acordo com a concepção economicista de educação. propiciando a fragmentação do processo e. A Didática se voltava para as variáveis do processo de ensino sem considerar o contexto político-social.Didática do Ensino Superior 1840 Pela força do convênio celebrado entre o MEC/Governo de Minas Gerais --. com isso. SAVIANI (1984. A Pedagogia Tecnicista está relacionada com a concepção analítica de Filosofia da Educação. que serviram de sustentáculo às reformas do ensino superior e posteriormente do ensino de 1° e 2° PRODUÇÃO graus. assumida pelo grupo militar e tecnocrata. foi implantada. explica que a concepção analítica “(.

explica que a concepção analítica “(. e na elaboração de materiais instrucionais. nos livros didáticos descartáveis. A partir de 1974. O professor torna-se mero executor de objetos instrucionais.) A ela cabe fazer a assepsia da linguagem. O processo é que define o que professores e alunos devem fazer.. a desvinculação entre teoria e prática é mais acentuada.. a Didática passou também a fazer o discurso reprodutivista. a apontar o seu conteúdo ideo- A Pedagogia Tecnicista está relacionada com a concepção analítica de Filosofia da Educação. (. Na Didática Tecnicista. isto é. PRODUÇÃO de estratégias de ensino e de avaliação. depurá-la de suas inconsistências e ambigüidades. Essa Didática tem como pano de fundo uma perspectiva realmente ingênua de neutralidade científica. Refere-se. pois. apesar de considerar a educação a partir dos seus aspectos sociais. ou seja. Acentua-se o formalismo didático através dos planos elaborados segundo normas pré-fixadas. quando e como o farão. depurála de suas inconsistências e ambigüidades. mas não como conseqüência sua.” A afinidade entre as duas encontra-se. SAVIANI (1984. situando-se no âmbito da tecnologia educacional. 19) de “teorias críticas-reprodutivistas”. enquanto as questões didático-pedagógicas são minimizadas. Elas se empenham em fazer a denúncia do caráter reprodutor da escola. O enfoque do papel da Didática a partir dos pressupostos da Pedagogia Tecnicista procura desenvolver uma alternativa não psicológica. A Didática é concebida como estratégia para o alcance dos produtos previstos para o processo ensino-aprendizagem. Há uma predominância dos aspectos políticos. racionalidade e neutralidade. tendo como preocupação básica a eficácia e a eficiência do processo de ensino.) não tem por objeto a realidade. p.. concluem que sua função primordial é a de reproduzir as condições sociais vigentes. mas no plano dos pressupostos de objetividade. evidenciando as funções reais da política educacional. no planejamento didático formal. à clareza e consistência dos enunciados relativos aos fenômenos eles mesmos. surgiram estudos empenhados em fazer a crítica da educação dominante. que. não no plano das conseqüências. os conteúdos dos cursos de Didática centramse na organização racional do processo de ensino.” 22 . acobertada pelo discurso político-pedagógico oficial. Tais estudos foram agrupados e denominados por SAVIANI (1983. Não é sua tarefa produzir enunciados e muito menos práticas. Em conseqüência. época em que tem início a abertura gradual do regime político autoritário instalado em 1964.Didática a do do Ensino En nsino Superior Supe eri ior 1840 linguagem. 179). Não é sua tarefa produzir enunciados e muito menos práticas. Neste enfoque.. p.

A ascensão do governo civil da Aliança Democrática assinala o fim da ditadura militar. p. 28) afirma que “(. de certa forma. sob formas e meios diferentes.. desta forma uma nova fase da vida do país. buscando sua desmistificação de certa forma relevante. pode-se perceber que se. de um lado. a situação sócioeconômica do país tem dificultado a vida do povo brasileiro com a elevação da inflação. p. A Didática é questionada e os movimentos em torno de sua revisão apontam para a busca de novos rumos. PRODUÇÃO 23 . secundarizando a sua dimensão técnica.. alguns autores chegaram à negação da própria dimensão técnica da prática docente. instala-se a Nova República. A luta operária ganha força. “a preocupação com a perspectiva dialética ultrapassa.) junto com esta postura de denúncia e de explicitação do compromisso com o ‘status quo’ do técnico aparentemente neutro. 1986. a sua identidade. p. (FALCÃO. agravado mais com o aumento da dívida externa e pela política recessionista.” A concepção dialética ou crítica não foi dominante no nosso texto educacional. na filosofia da educação. Na primeira metade da década de 80.Didática do Ensino Superior 1840 lógico. iniciando-se. pois. porém relegando a segundo plano sua especificidade. filosófico e histórico. orientada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela se organizou com maior nitidez a partir de 1979. a teoria crítico-reprodutivista contribuiu para acentuar uma postura de pessimismo. os professores. acentuando uma postura pessimista e de descrédito relativo à sua contribuição quanto à prática pedagógica do futuro professor. 27). a Didática nos cursos de formação de professores passou a assumir o discurso sociológico. por outro lado. É nessa década que os professores se empenham para a reconquista do direito e dever de participarem na definição da política educacional e na luta pela recuperação da escola pública. porém conserva inúmeros aspectos dela. dentre elas. elevação do índice de desemprego. A realização da I Conferência Brasileira de Educação foi um marco importante na história da educação brasileira. Constitui um espaço para se discutir e disseminar a concepção crítica de educação. a atitude crítica passou a ser exigida pelos alunos e os professores procuram rever sua própria prática pedagógica a fim de tornála mais coerente com a realidade sócio-cultural. como afirma SAVIANI (1984.” Sob esta ótica. aquele empenho individual de sistematização e se torna objeto de um esforço coletivo. A década de 80: momento atual da Didática Ao longo dos anos 80. Contudo. 24). passando a se generalizar por outras categorias profissionais e. CANDAU (1982. comprometendo.

agir no interior da escola é contribuir para transformar a própria sociedade.Didática do Ensino Superior 1840 Para a concepção dialética de Filosofia da Educação. pois não coloca como ponto de partida uma determinada visão homem. ainda. Assim. a Didática Crítica busca superar o intelectualismo formal do enfoque tradicional. do ensino. a Didática tem uma importante contribuição a dar em função de clarificar o papel sócio-político da educação. a partir dos pressupostos da Pedagogia Crítica. esboçam-se os primeiros estudos em busca de alternativas para a Didática. mais especificamente. desprestigiadas a partir do discurso reprodutivista. A escola se organiza como espaço de negação da dominação e não mero instrumento para reproduzir a estrutura social vigente. conteúdo-forma. com nossa realidade educacional. Nesse sentido. Ora. p. É preciso uma Didática que proponha mudanças no modo de pensar e agir do professor e que este tenha presente a necessidade PRODUÇÃO 24 . “a educação se identifica como o processo de hominização. é o de trabalhar no sentido de ir além dos métodos e técnicas. Na década de 80. no meu entender. Interesse-se pelo ser concreto. teoria-prática. na prática dos professores. no bojo de uma Pedagogia Crítica. p. A Didática no âmbito desta pedagogia auxilia no processo de politização do futuro professor. GADOTTI afirma que. Neste sentido.24) A educação não está centrada no professor ou no aluno. (1983. de modo que ele possa perceber a ideologia que inspirou a natureza do conhecimento usado e a prática desenvolvida na escola. não existe um homem dado “a priori”. compreender e analisar a realidade social onde está inserida a escola. o enfoque da Didática. Ela deve contribuir para ampliar a visão do professor quanto às perspectivas didático-pedagógicas mais coerentes. 1984. mas na questão central da formação do homem. da escola e. de acordo com os pressupostos de uma Pedagogia Crítica. 149) É uma pedagogia que se compromete com os interesses do homem das camadas desfavorecidas. ao analisar as contradições entre o que é realmente o cotidiano da aula e o ideário pedagógico calcado nos princípios da teoria liberal. evitar os efeitos do espontaneísmo escolanovista. técnico-político. arraigado. A tarefa da filosofia é explicitar os problemas educacionais e compreendê-los a partir do contexto histórico em que estão inseridos (SAVIANI. procurando associar escola-sociedade. Nesse sentido. ensino-pesquisa. Procura. A educação é o que se pode fazer do homem de amanhã”. combater a orientação desmobilizadora do tecnicismo e recuperar as tarefas especificamente pedagógicas. A educação está voltada para o ser humano e sua realização em sociedade.

Didática do Ensino Superior 1840 de democratizar o ensino. Explicando melhor.. uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma”. psicológicas. Atreve-se dizer que boa parte dessa situação se deve a uma espécie de contaminação entre Didática – disciplina – e o conteúdo dos cursos. com a sociedade. contextualizada e socialmente comprometida com a formação do professor. pelo comprometimento da sala de aula com a escola. Há outros exemplos. filosóficas . não é condição suficiente para a formação do professor crítico. facilitados pela complexidade do fenômeno didático. quanto à Didática? Como é que a comunidade educacional interpreta esse paradigma? Considera-se que a dificuldade de responder a essas questões encontra-se no fato de que não há um paradigma. mas talvez paradigmas em conflito.. por seus múltiplos aspectos. (Kuhn. Qual o paradigma compartilhado.inversamente. Final do século: a Didática oscila entre diferentes paradigmas “Um paradigma (ou um conjunto de paradigmas) é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e. Há diferenças entre posições teóricas e diretrizes metodológicas ou tecnológicas. com a cultura que interpreta a realidade da vida. o continente didático acolhe diferentes conteúdos. Este é concebido como um processo sistemático e intencional de transmissão de conteúdos culturais e científicos.. por si. E condena-se o continente por seu conteúdo. Não resta dúvida de que a tomada de consciência e o desvelamento das contradições que permeiam a dinâmica da sala de aula são pontos de partida para a construção de uma Didática Crítica. algumas obras ou cursos privilegiam determinadas inflexões – sociológicas. PRODUÇÃO Na verdade há uma ação de “retorno” do segundo sobre o primeiro e pode-se acusar certas restrições à Didática (quando se torna somente uma série de técnicas docentes. com as comunidades. Interpretam o Ensino de muitos modos. 25 . em termos de tendências doutrinárias ou teóricas. A Estrutura das Revoluções Científicas) Trocando-se a palavra “científica” por “educacional’” obtém-se uma afirmativa que merece ser considerada. mas nem sempre as mesmas. Ou seja.) ou certas expansões da área (quando se expande até tornar-se uma sociopolítica do ensino). É evidente que a Didática.

br www. os alunos aprendem todo o código de ética.bperj. o professor exerce uma grande influência sobre seus alunos.Didática do Ensino Superior 1840 METODOLOGIA DE CASOS: APRENDENDO COM A REALIDADE 1. o contexto de cada período e informações biográficas sobre o tempo-espaço e as condições sócio-políticas em que os textos foram produzidos. através de textos de autores que marcaram decisivamente suas épocas.rj. Ática S.” Como um Chefe de Equipe deve trabalhar com seus profissionais para desenvolver a capacidade de auto-avaliação ? 2. Rio de Janeiro: Ed. São Paulo : Ed. Regina Célia Cazaux. Por ele passa muito mais do que a informação: a partir de sua autoridade e de sua postura dentro da sala de aula. 2003.” Lídia R. Moacir.bn. HAIDT. além de apresentar algumas questões para reflexão. “A capacidade de se auto-avaliar também depende da aprendizagem e por isso pode ser desenvolvida e aperfeiçoada.gov. Curso de didática geral. A autora parte das raízes mais profundas da Didática – suas ligações com a filosofia e a psicologia -. Ática. “Pela autoridade de que está investido. Os textos estão agrupados por períodos e tendências e apresentam uma introdução. Aratangy Como você se posiciona diante desta fala da autora ? LINKS DA INTERNET www. chegando progressivamente as grandes ramificações da ação PRODUÇÃO 26 .br LEITURAS SUGERIDAS GADOTTI. O autor faz uma trajetória das idéias pedagógicas elaboradas por diversos pensadores da Antigüidade aos dias de hoje. 1993.A. Histórias das idéias pedagógicas.

Didática do Ensino Superior 1840 didática:planejamentos de ensino. cujo o tema foi Breve Panorama Histórico da Educação Brasileira. Como deve ser o proceder do professorado hoje. tema bem atual e oportuno. ATIVIDADES PRÁTICAS 1. A Didática varia conforme o tempo em que atua. PRODUÇÃO 27 . para facilitar trace uma matriz analítica a partir do roteiro sugestivo que apresentamos: ano ou período. um capítulo sobre a Informática e a educação. Chegamos ao final da Unidade II. Para fixar a Conteúdo realize os exercícios de auto-estudo. aspectos conceituais apresentados pelos autores nas diversas épocas. com as várias mazelas de nosso tempo? 2. Faça um quadro-síntese da evolução do conceito de didática através dos tempos. Oferece. ainda. recursos e avaliação.

Para analisarmos a Didática e o seu papel na prática pedagógica.A PRÁTICA PEDAGÓGICA: CONCEPÇÕES E TENDÊNCIAS O objetivo desta unidade é fazer com que o cursista possa analisar as contradições existentes entre as diferentes concepções de educação e modo como tais concepções manifestaram concretamente nas práticas pedagógicas brasileiras. faz-se necessário explicar quem é o educador e como ele concebe o fenômeno educativo. tendo em vista as diretrizes que orientam sua atuação pedagógica. Didática do Ensino Superior UNIDADE III 28 .

E a educação é algo para acontecer neste espaço invisível e denso. sendo que cada aluno é uma entidade sui generis. nenhuma diferença faz aquele que a ministra. podemos dizer que educadores são todos os membros de uma sociedade. de forma metafórica. qual é a formação adequada? A resposta está no entendimento que temos do que é ser educador. uma história a ser contada. o educador com o professor: Entendendo educação no seu sentido mais amplo.. pois o que interessa é um crédito cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla. 17-18 PRODUÇÃO 29 . Espaço artesanal. 1983. Mas. Possui uma face. também de uma história sofrendo tristezas e alimentando esperanças. onde o educador pouco importa. p. Mas professores são habitantes de um mundo diferente. planejada com objetivos definidos e realizada através do ensino. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos.Didática do Ensino Superior 1840 É interessante citar Rubens Alves que compara. coadores de café descartáveis.. para fins institucionais. sendo que. que é um tipo de prática educativa. exige um profissional da educação com formação adequada. um nome. portador de um nome. professores são entidades descartáveis.” Rubem Alves. Por isso mesmo. No entanto. a educação sistemática. “Eu diria que os educadores são como velhas árvores. que se estabelece a dois. copinhos plásticos de café descartáveis.

contra outro alguém. Cada tendência pedagógica está embasada em teorias do conhecimento advindas de pesquisas nas áreas de Psicologia.. desde que seja coerente com a sua filosofia de educação. o educador pode adotar um ou outro aspecto das diferentes tendências. Ou seja. 30 . Segundo Mizukami (1986). conseqüentemente. conhecimento etc.” (p. isto é. mundo e sociedade. procurando. de algumas idéias e. Dessa forma. de forma articulada ou não. mesmo sendo um progressista. contra outro grupo e contra outras idéias. entendemos que os diferentes posicionamentos pessoais e profissionais do educador envolvem diferentes modos de compreender e organizar o processo ensinoaprendizagem. e. Sociologia ou Filosofia e resulta de uma relação sujeito ambiente. com esta postura. podendo outras abordagens teóricas virem a ser sugeridas por outros autores. contribuir para seu crescimento nos diferentes aspectos. a educação é um ato político – um ato que sempre é praticado a favor de alguém. deriva de uma tomada de posições epistemológicas em relação ao sujeito e ao meio. dificuldades. cultura. por isso. Veja agora o papel que a Didática vem desempenhando nas principais teorias ou tendências pedagógicas que estão influenciando a formação do professor brasileiro. subjacente a esta prática estaria presente. considerando sempre as premissas básicas da abordagem que privilegia em sua práxis. 4). Daí nossa preocupação em ressaltar o caráter parcial deste estudo sobre as correntes pedagógicas que serão apresentadas.Didática do Ensino Superior 1840 O educador olha os seus alunos como pessoas com necessidades. de um grupo. o professor pode adotar uma metodologia própria de tendência escolanovista. Como diz Freire (1988). O educador é alguém que deixa sua marca na educação de seus alunos. fraquezas e pontos fortes. a sua ação educativa PRODUÇÃO e a sua prática pedagógica retratam sempre uma opção política. “um referencial teórico que compreendesse os conceitos de homem. A importância da consciência política do educador é outro ponto a ser ressaltado. É importante ressaltar que até hoje não encontramos uma teoria que dê conta de todas as expressões e complexidades do comportamento dos indivíduos em situações de ensinoaprendizagem.. No entanto. implícita ou explicitamente.

A Didática. A supervalorização do método. 29). vamos encontrar a Didática Magna de Comênio. Outros professores adaptam esta proposta de ensino em suas aulas. Este método foi organizado de acordo com as seguintes etapas: preparação. nos seus aspectos mais gerais” (Candau. tendo em vista as possibilidades que esta oferece para a organização e planejamento das mesmas. ser capaz de imprimir ordem e unidade em todos os graus do saber. que foi peculiar na Teoria do Método Único. abstrato e formal. 1998. nessa tendência. Esta é a Didática Tradicional. desde os jesuítas. a tendência tradicional começa a sofrer criticas com o despontar da tendência Liberal Renovada Progressivista (Escola Nova) que lhe faz oposição. está embasada na transmissão cultural. apresentação. o centro do PRODUÇÃO processo ensino-aprendizagem é o professor. considerado o pai da Didática. cuja influência religiosa se deu até o final do Império e o inicio de Primeira República. Nesta tendência. até hoje. apesar de a tendência tradicional ainda prevalecer na pratica da maioria dos professores brasileiros. que assume uma postura autoritária e privilegia a exposição oral sobre qualquer outro procedimento de ensino. sistematização e aplicação. seguida por muitos mestres. Tal seqüência. Pestalozzi e Herbart formularam um método que acreditavam ser dotado de valor universal. No Brasil. Já nos anos de 1920. entendendo que a Didática deve estar voltada para a divulgação dos conteúdos de ensino. Comênio. estava embasa em uma psicologia tipicamente racionalista. no século XVII. 31 . Alguns destes fazem parte do grupo que comunga da tendência tradicional de educação. associação. p. “cuja grande contribuição é ter chamado a atenção para a organização lógica do processo ensino-aprendizagem. prevaleceu a tendência pedagógica tradicional. com fim em si mesmo. atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos de ensino e percebendo o professor como figura principal do processo ensino-aprendizagem. apresentada por Herbart é. É a valorização do conteúdo pelo conteúdo. concebendo o aluno como um ser passivo. apenas para classificar o aluno. que. Herbart estruturou um método tendo por base a ordem psicológica de aquisição do conhecimento. Na avaliação do aprendizado utilizam-se provas e argüições. procurou um método que pudesse ensinar tudo a todos.Didática a do do Ensino Ensino Superior Su upe eri ior Didática do Ensino Superior AS TENDÊNCIAS NÃO-CRÍTICAS 1840 Se voltarmos muito longe no tempo.

Educadores como Anísio Teixeira. a abordagem Liberal Progressivista ou Escolanovista (Escola Nova) poderia ser denominada didaticista. Para Mizukami (1986). Sendo assim. deve-se dar preferência aos “métodos ativos”. A avaliação passa a ter conotação qualitativa e começa a ser considerada pelo professor. Ora. que passa a valorizar não mais a quantidade de conhecimento. o processo ensino-aprendizagem tem de estar centrado no aluno. Traz como grande novidade a seguinte afirmação: é o individuo que aprende. A auto-avaliação surge na prática escolar como conseqüência da visão do aluno como pessoa e da valorização dos aspectos qualitativos que ele demonstra na apreensão dos conhecimentos. 1840 a Psicologia desponta como ciência independente. este aluno deve ser ativo. retornan- PRODUÇÃO 32 . os conteúdos devem ser os meios para o desenvolvimento de habilidades e os sentimentos também devem ser trabalhados. dando grandes contribuições à educação. a aprendizagem se dá na pessoa. Lourenço Filho e Fernando de Azevedo. e não no professor. fato justificado pela grande influencia da Psicologia. participar diretamente do seu processo de aprendizagem. se o processo ensino-aprendizagem deve estar centrado no aluno.Didática do Ensino Superior NO FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX. em vez da “exposição oral”. em virtude da grande importância atribuída aos aspectos didáticos. Portanto.

na prática pedagógica o que sabiam e fizessem mal feito o novo. mais um psicólogo do que um educador. Podemos dizer que a Didática da Escola Nova centra-se na preocupação de como facilitar o processo ensino-aprendizagem de forma a possibilitar ao aluno uma participação ativa neste processo. de liberdade para aprender. o professor passaria a ser um especialista em relações humanas. num primeiro momento. Na segunda metade do século XX. mais preocupado com as questões psicológicas do que com as pedagógicas e sociais. ou seja. a se autorealizar. Sobre este momento. para que a escola seja um local prazeroso e que retrate a vida da maneira mais fidedigna possível. o importante é ajudar o aluno a se conhecer. Mesmo sendo 1932 o ano que ocorreu o grande alarde em torno da Escola Nova em nosso país. Por isso. o trabalho pedagógico acaba por confundir-se com o psicológico e torna-se secundário. condizente com a Nova Escola. desponta uma outra tendência: a Tecnicista. estimulado pelos trabalhos de Carl Rogers. respeitando suas características. Assim. seus sentimentos. A maioria dos professores não estava bem preparada e se sentia insegura. onde a Escola Nova estava bastante difundida. foi somente em 1960 que ela atingiu o auge. passam a preconizar esta tendência. é o individuo que aprende. A grande influência da Psicologia na Educação fez com que os educadores apresentasPRODUÇÃO sem uma proposta educacional não-diretiva. criticando de maneira contundente a tendência radicional. costuma-se dizer que os docentes não só se sentiam despreparados para assumir uma nova prática. seduziu os educadores. dentre outras. Entretanto. seus interesses. aluno ativo implica escola equipada com laboratórios e salas-ambiente. Nesta proposta. É importante frisar que esta tendência trouxe informações indiscutíveis para a pratica pedagógica. centrada na pessoa. a implantação dessa proposta educativa tornou-se difícil. recursos didáticos que geram custos. a se relacionar. fortemente calçada na tecnologia. Sendo a nossa escola pública carente de recursos. em conseqüência da compreensão de que a aprendizagem se dá na pessoa. num segundo momento passou a cargo dos orientadores educacionais e psicólogos escolares. como as modificações nos papéis do professor e do aluno.Didática do Ensino Superior 1840 do dos Estados Unidos. ainda que a nova tendência marcasse o tom dos cursos de formação. psicólogo norteamericano que desenvolvia um trabalho terapêutico na linha não diretiva. com o crescimento da sociedade industrial. Isto fez com que eles deixassem de fazer . mas também não queriam ser “tradicionais”. 33 . se essa tendência. refluindo logo depois.

pois havia uma equipe responsável por isto. dando pequenos passos de cada vez. Estes profissionais formavam a equipe que planejava o processo didático a ser colocado em prática pelos professores. inclusive a educação. como a instrução programada e o módulo instrucional. O professor sempre planejou as aulas à sua maneira. Evidentemente. Isto levou todos os setores sociais a se tornarem “tecnologizados”. Este passou a achar que o planejamento não servia para nada. os meios passam a ser o foco. isto é.Didática do Ensino Superior N 1840 a tendência tradicional. este modelo PRODUÇÃO não funcionou. Agora. O bom desempenho alcançado pelas indústrias devia-se. Isso significou a nossa entrada no mundo capitalista. Foi o momento em que surgiram novas profissões na área educacional: o administrador escolar. ao se organizar o trabalho aos poucos. verdadeiro horror em relação aos planejamentos de ensino. este último pensado bem à moda da indústria. alijando o professor se seu próprio fazer. esta forma de planejar já não servia. o orientador educacional e o supervisor escolar. que todos são capazes de aprender qualquer coisa desde que estimulados. Nas escolas. naquela ocasião. que. No modelo tecnicista. A metodologia sofreu grande sofisticação pois agora ela passou a ser o foco principal do processo ensinoaprendizagem. o Brasil chega ao final de um modelo econômico intitulado “substituição de importações” com a implantação de indústrias de grande porte. A tendência tecnicista se adequa perfeitamente a uma sociedade industrializada que precisa aumentar. A idéia era que. relacionando os conteúdos que “daria” e se organizando em função disto. Os conteúdos 34 . estabelecia objetivos de forma bem operacionalizada. gerando nos professores. entre outros. nesse sentido. em grande parte. como forma de garantir os resultados do processo ensino-aprendizagem. Nesta tendência. cada vez mais. ao avanço tecnológico. utilizando procedimentos extremamente técnicos. o processo ensinoaprendizagem estava centrado no professor. ao passo que na Escola Nova centrava-se no aluno. O planejamento didático. surgiram os métodos individualizados. era movido pela produção industrial. agora. tornar os indivíduos mais produtivos. a sua produção e. na tendência tecnicista. mostrando. No inicio de 1960. a avaliação voltou-se para toso o processo de ensino. com a adoção pela escola da separação entre o pensar e o fazer. a possibilidade de sucesso era bem maior. com base neste modelo fabril. Outra vez a Psicologia faz-se muito presente na educação. como as automobilísticas. e os métodos de ensino tornam-se sofisticados. tendo como principais características o respeito ao ritmo próprio do aluno e às diferenças individuais.

PRODUÇÃO 35 . desconsiderando. exigidos para a capacitação profissional em uma sociedade industrial e tecnológica.Didática do Ensino Superior 1840 valorizados eram os de caráter científico. pois elas não se ocupam da realidade. O tecnicismo exigia a aplicação de uma metodologia extremamente sofisticada e distante da realidade da maioria dos professores das escolas brasileiras. não relacionam as questões educacionais às sociais. admitia a possibilidade de qualificar o professor em nível superior e o conteúdo dos cursos de formação de professores não seria mais que a versão do tecnicismo educacional. A vida dos professores ficou mais complicada quando a tendência tecnicista foi implantada oficialmente com a promulgação da Lei nº 5. Daí a denominação não-critica que se dá as tendências tradicionais. até o advento do tecnicismo. o que os estudiosos denominam de abordagens inatistas (importância dos fatores endógenos) ou ambientalistas (ação do meio e da cultura sobre a conduta humana). Esta orientação se deu a partir dos diferentes enfoques e confrontos de seus pesquisadores. As teorias apresentadas até então. Esse processo de apropriação do conhecimento enfatiza ora os fatores de interação internos (endógenos). Além do que. condicionadas por estas. os condicionantes sociais. enfatizou o caráter prático-técnico do ensino. liberal não-diretiva e liberal tecnicista. A Didática passa a sofrer grande influência das teorias críticas da educação. liberal escolanovista. Poder-se-ia dizer que. segundo a Psicologia. na tendência tecnicista. não se percebendo. a Didática enfatizava mais o processo de ensinar do que o contexto. portanto. como as tendências anteriores. ora os externos (exógenos). após um longo período de ditadura militar. AS TENDÊNCIAS CRÍTICAS A década de 1980 se inicia ainda sob a efervescência e ansiedade do restabelecimento do estado democrático de direito no Brasil. nesse momento. A didática. A partir de então. pela recuperação da escola pública e pela democratização do ensino. A legislação brasileira. o que contribuiu enormemente para a desestruturação da educação no nosso país. a ênfase na técnica. movimentos sociais ganham força em todo país. gerou um grande esvaziamento nos conteúdos. em um pluralismo de idéias e de inquietudes que norteava sua trajetória em novos rumos. A classe operária se une aos professores na luta pela participação nas decisões político-educacionais. no processo de ensino. apóiam-se em diferentes concepções do homem e do modo como ele constrói o conhecimento.692/71 para o ensino de 1º e 2º graus (denominação da época).

PRODUÇÃO 36 Paulo Freire . cujo ensino é centrado na realidade social. Para citar alguns: AS PEDAGOGIAS PROGRESSISTAS 1. nas posições dos educadores progressistas. a valorização do cotidiano do aluno. 3. o professor como mediador entre o aluno e o conhecimento. tornandose o sujeito de sua própria história. classes sociais. a pedagogia crítica libertadora de Paulo Freire atribuiu à educação o papel de denúncia das condições alienantes do povo. conscientização. Algumas das preocupações que orientaram as investigações na área giravam em torno das seguintes questões: ideologia. o diálogo amoroso entre professor e aluno.Didática a do do Ensino En nsino Superior Supe eri ior 1840 Espaços para troca de saberes entre educadores aconteciam em todo país. 5. educação como prática social. articulação do processo educativo com a realidade. uma Didática Fundamental. no entanto. passando a fundamentar as críticas dos professores que apontavam os mecanismos de opressão da sociedade de classes. alienação. reprodução. Essa busca resultou então na historização da Didática com a educação premente para o novo projeto histórico que emergia no Brasil. o educador como agente de transformação. a construção de uma práxis educativa que estimula a sua consciência crítica. poder. No Brasil. Seus princípios e práticas. Há. Sobressaiu. relação teoria-prática. 4. emancipação. não formal. tornaram-se pontos de referência para professores no mundo todo. ou seja. 2. A teoria pedagógica de Paulo Freire não tem uma proposta explícita para a Didática. contrapondo-se a anterior visão técnica da Didática como disciplina instrumental. resistência. inicialmente de caráter extra-escolar. uma didática implícita na orientação do trabalho escolar. a influência marxista em suas várias interpretações. Buscava-se repensar a didática a partir da ênfase da competência política dos educadores. contestação do sistema capitalista. o ensino dos conteúdos desvelando a realidade. é uma didática que busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e por isso o professor é coordenador das atividades que se organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos. A preocupação de Freire girava em torno da educação das classes populares.

possibilitam maior capacidade de intervenção e analise da realidade. o que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências socioculturais e com a vida concreta dos alunos. a seleção do conteúdo deve ser feita considerando a sua utilidade e seu caráter cientifico. tendo em vista as finalidades sociopolíticas e pedagógicas e as condições e meios formativos. considerando que esta tem como objetivo a direção do processo de ensinar. A partir dessa fase.Didática do Ensino Superior 1840 Tais princípios e ações contribuíram para uma concepção própria e política do ato de educar. de Piaget e Vygotsky considerados construtivistas. A Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos atribuiu grande importância à Didática. os professores não devem. Nesse sentido. Para o autor. Isto significa que ela faz a ligação entre o “para quê” (opção político-pedagógica) e o “como” da prática escolar (a prática docente). perder de vista o conteúdo da sua disciplina. PRODUÇÃO 37 . contextualizando e orientado o aluno para aplicá-lo na sua vida prática. de maneira nenhuma. A Pedagogia Histórico-Crítica fundamenta-se em uma teoria crítico-pedagógica capaz de orientar a prática cotidiana dos professores. um dos principais expoentes dessa teoria. O autor defende os conteúdos que. e Freinet. de forma a assegurar o acesso aos conhecimentos sistematizados a todos como condição para a efetiva participação do povo nas lutas sociais. percebe-se na educação de todo o país uma releitura de autores como Freire. da Pedagogia Libertadora. da Pedagogia Libertária. numa postura filosófica que influenciou a forma didática de atuar de muitos professores que trabalham também na educação formal. assumindo a pedagogia como ciência da educação e para a educação. Outras correntes anti-autoritárias aparecem no Brasil contrapondo-se ao sistema de exploração e dominação ideológica. por sua natureza. tais como a Pedagogia Histórico-Crítica e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. num tipo de Pedagogia ainda à procura de uma denominação. a Didática – corpo de conhecimentos teóricos e práticos – medeia o pedagógico e a docência. Para tanto. Para Libâneo. convergindo para promover a auto-atividade dos alunos que é a aprendizagem.

Propunha como atividade para os alunos a produção de textos livres. os ateliês de artes. em uma nova relação entre sujeito e objeto no processo de construção do conhecimento. operações) e se modifica como resultado da maturação biológica. a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais e começa desde que a criança nasce. Ele e sua equipe utilizaram-se de uma abordagem interdisciplinar e construtivista para investigar o reflexo que o mundo exterior exerce no mundo interior dos indivíduos. a horta. A TEORIA DE VYGOTSKY A teoria de Vygotsky baseou-se no vínculo histórico-cultural. através da “autogestão e educação pelo trabalho”.Didática do Ensino Superior 1840 A PEDAGOGIA DE CÉLESTIN FREINET A pedagogia de Célestin Freinet (18961966) tinha como preceito a reflexão. A aprendizagem escolar deve favorecer o desenvolvimento real (possibilidades que os alunos têm para realizarem sozinhos as tarefas) e o desenvolvimento proximal (possibilidades que as crianças revelam quando PRODUÇÃO 38 . A aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pela criança. O autor elaborou a teoria psicogenética. a imprensa escolar. procurando proporcionar aos filhos do povo os instrumentos necessários à sua emancipação. Para o grupo. a biblioteca de trabalho. OS ESTUDOS DE PIAGET Os estudos de Jean Piaget (1896-1980) tinham como preocupação a epistemologia (teoria do conhecimento) em uma perspectiva interdisciplinar e construtivista. Esse conjunto de técnicas tinha como objetivo dar condições aos indivíduos para exercerem a cidadania. O autor organizou junto com os alunos o “livro da vida”. a correspondência inter-escolar. a experimentação e o compromisso com uma escola democrática e popular. das trocas interpessoais e das transmissões culturais. O conhecimento se dá a partir da ação ativa e interativa da criança sobre a realidade. das experiências. desde o estágio inicial de uma inteligência prática até o pensamento formal. a partir da interação destes com a realidade. que procurava mostrar por quais mudanças qualitativas a criança passa. ação. Para o autor. no qual eram registrados os fatos mais interessantes vivenciados no cotidianos escolar. o fichário escolar cooperativo. Ela – criança – é ativa em todas as etapas de sua vida e procura compreender o que passa a seu redor através de esquemas mentais (assimilação. o conhecimento resulta de uma interação do sujeito que conhece (cognoscente) com o objetivo a ser conhecido. o uso do tear.

a nova lei. Outros educadores e profissionais das áreas da Sociologia. no que dizia respeito à relação professor-aluno. Psicologia e Filosofia colaboraram na investigação sobre a prática pedagógica escolar. por políticos educacionais vindos de fora. em geral. com o objetivo de compreender melhor o seu cotidiano e o fazer pedagógico. Considerando a falta de perspectivas. As teorias anteriormente referidas passaram a revigorar o cenário da educação brasileira. reformas curriculares forma realizadas e orientadas. ao conhecimento. as práticas desumanizadoras e a produção do conhecimento na área de Didática. tendo em vista a então necessidade de defesa da ação libertadora do sujeito humano silenciado pela realidade objetiva de mercado. passamos a vivenciar a era das incertezas na vida da sociedade brasileira e na educação.394/96. Ao mesmo tempo que se verificava uma valorização acentuada da educação. Afirmavam 39 . a profissionalização. Há uma consolidação do projeto neoliberal. Ao mesmo tempo. à utilização de atividades do interesse e produção dos alunos. sobre o processo de ensino-aprendizagem. as ciências questionavam o paradigma científico até então utilizado como base da produção e divulgação do conhecimento. essas teóricas auxiliaram a reflexão dos professores. nos Encontros Nacionais de Didáticas e Prática de Ensino (ENDIPEs). na maioria das vezes. à importância das atividades socializadas e de interação na sala de aula. cultura e sociedade. Questionavam-se os valores do neoliberalismo e as formas instituídas da racionalidade econômica. A partir de então. ditados. debatiam-se vários temas: o saber e o trabalho docente. voltaram-se para o interior da escola de ensino fundamental. cada vez mais. Diversas experiências educacionais ocorreram em todo o país. por organismos internacionais tais como o FMI e o Banco Mundial. DA PERSPECTIVA DA INCERTEZA À INCERTEZA DE PERSPECTIVAS A partir de 1990. à organização dos conteúdos. muitas vezes. Para o teórico. etc. deflagrados pelo espírito da nova Lei de Diretrizes e Bases. às operações mentais dos alunos. Lei nº 9. os educadores mostravam a necessidade de se trabalhar pelas práticas PRODUÇÃO didático-pedagógicas transformadoras à luz do materialismo histórico-dialético. ampliam-se as formas de exclusão social e cultural e uma intensificação da globalização econômica e da mundialização da cultura com o processo de globalização e a crise de paradigmas no nível das diferentes ciências. a qualidade do ensino a partir da sala de aula. à avaliação do aluno.Didática do Ensino Superior 1840 as atividades são mediadas por um professor ou um colega experiente). as pesquisas na área da Didática Crítica. Para a Didática. as mudanças que ocorrem com as pessoas decorrem da interação destas com a própria história.

técnica e filosoficamente a própria prática didática. como o todo que as formam. A educação também inclinava-se para essa visão holística. mas considerando também os aspectos emocional. o que reacende o “aprender a aprender” da Escola Nova. era encarado como uma forma de investigação e experimentação. propondo-se que se estudassem as diferentes áreas do conhecimento de forma interligada. Ainda há de se considerar o grande desenvolvimento tecnológico no campo da informação e da comunicação. reformulando-a quando for o caso. vindas de outras áreas do conhecimento. de forma a fundamentar científica. pesquisas realizadas na Europa e nos Estados Unidos sobre a formação docente cuja perspectiva era o ensino como prática reflexiva. cultural. O ensino. isto é.Didática do Ensino Superior 1840 que o mundo e o sujeito histórico também são construções culturais e os conhecimentos não devem ser tratados de forma compartimentalizada. social e de gênero. A escola é então percebida como espaço de produção cultural e de política cultural. entre elas a preocupação com os aspectos culturais. A insegurança desse período passa a exigir uma relação constante sobre os fins dessa sociedade. Finalmente. Repercutiram no Brasil. enfatizando cada vez mais a integração de conteúdos e a percepção do aluno não só como um ser intelectual. poderíamos dizer que o mundo “pós-moderno” esta dificultando a crítica às questões sociais em educação. passando a exigir dos educadores preparo para a sua utilização. físico. Questões como a diversidade cultural e a pedagogia da diferença constituíram temas do multiculturalismo. Faz-se necessária a formação continuada de professores. como conseqüência dos desafios impostos pela área tecnológica. propondo o paradigma holístico para se trabalhar os saberes. da educação e de um currículo multicultural. O aluno deve ser capaz de buscar informações em diferentes mídias e transformá-las em conhecimento. Outras contribuições para a didática começavam a surgir nesse período. por esta perspectiva. nesse período. PRODUÇÃO 40 . Atualmente surgem novas exigências.

Didática do Ensino Superior 1840 PEDAGOGIA PROGRESSIVA DISCRIMINAÇÃO PAPEL DA ESCOLA LIBERTADORA • Objetiva uma transformação social LIBERTÁRIA • Atuar na transformação da personalidade do • Aluno. até a síntese (unidade entre a teoria e a prática) • Participação ativa do aluno CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS • Preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições RELACIONAMENTO PROFESSOR/ALUNO • Relação horizontal • Educando e educador se posicionam como sujeito do ato do conhecimento • O que é aprendido não decorre de uma imposição ou memorização. do nível crítico de conhecimento • Confunde-se com “educação popular” • Relação não-diretiva PRESSUPOSTOS DA APRENDIZAGEM • Aprendizagem informal via-grupo • Verificação da bagagem cultural do aluno MANIFESTAÇÕES NA PRÁTICA ESCOLAR • Interação conteúdos/realidades sociais PRODUÇÃO 41 . contaminando todo o sistema CONTEÚDOS DE ENSINO • São extraídos da problematização da prática de vida dos educandos MÉTODOS • Através de diálogos • Resultam de necessidades e interesses manifestos pelo grupo • Vivência grupal • Não basta que os conteúdos sejam apenas ensinados. mas. à sua significação humana e social • Vai-se da ação à compreensão e da compreensão à ação. ainda que bem ensinados. é preciso que se liguem de forma indissociável.

ou escolhem técnicas de ensino e avaliação tem a ver com pressupostos teórico-metodológicos. apresenta-se como constituída por classes sociais com interesses antagônicos. É um de do Professor: Aluno auxiliar de desenvolvipassivo mento. através de técnicas específicas Ciência objetiva eliminando qualquer subjetividade Preocupação com a tele educação CONTEÚDOS DE ENSINO Conteúdos. aprendizagem. conseqüentemente. tem atrás de si condicionantes sócio-políticos que configuram diferentes concepções de homem e de sociedade e. já que a escola cumpre funções que lhe são dadas pela sociedade concreta que. Tais condições não se reduzem ao estritamente “pedagógico”. relações professor-aluno. A prática escolar. baseia a sua prática em prescrições pedagógicas que viraram senso comum. selecionam e organizam o conteúdo das matérias. Repassar os conhecimentos para o espírito da criança A motivação depende do estímulo. através de sua criatividade Não há rigidez nas normas disciplinares Modeladora do comportamento humano.Didática do Ensino Superior 1840 PEDAGOGIA LIBERAL DISCRIMINAÇÃO TRADICIONAL RENOVADA PROGRESSISTA RENOVADA NÃODIRETIVA TECNICISTA PAPEL DA ESCOLA Preparação intelectual e moral do aluno Adequar as necessidades individuais à sua realidade social Mudança na educação.Aprender: atividade de descoberta Choque com uma prática pedagógica tradicional O professor é o elo de ligação entre a verdade científica e o aluno O ensino é um processo de condicionamento. através do uso de reforço das respostas que se quer obter Através das leis: 5540/68 e 5692/71 PRESSUPOSTOS DA APRENDIZAGEM Auto-avaliação do aluno MANIFESTAÇÕES NA Predominantemente PRÁTICA ESCOLAR autoritária Prática não pedagógica A prática escolar consiste na concretização das condições que asseguram a realização do trabalho docente. técnicas pedagógicas etc. incorporadas quando de sua passa- 42 . assim. provavelmente a maioria. estabelecidos São separados da através de experiências experiência dos alunos e situações-problemas e e da realidade social desafios cognitivos Expositivo e memorização Aprender fazendo MÉTODOS RELACIONAMENTO PROFESSOR/ALUNO O professor não ocupa Predomina a autoridalugar de destaque. Fica claro que o modo como os professores realizam seu trabalho. Momento de psicologismo da educação Facilitar os estudantes a buscar por si mesmo os conhecimentos Prevalecendo quase exclusivamente o esforço do professor. por sua vez. explícita ou implicitamente. Uma boa parte dos professores. diferentes pressupostos sobre PRODUÇÃO o papel da escola.

São. Ele escreve: “ Os professores têm na cabeça o movimento e os princípios da escola nova. as limitações de qualquer tentativa de classificação. a realidade é tradicional. 1 SAVIANI. Nem conseguem captar toda a riqueza da prática concreta. Saviani descreveu com muita propriedade certas confusões que se emaranham na cabeça de professores. oficial. aliás.65. o professor se vê pressionado pela pedagogia oficial que prega a racionalidade e a produtividade do sistema do seu trabalho. A realidade. as respostas que procuram.. isto é. porém. ou giram em tomo de teorias de aprendizagem e ensino que quase nunca têm correspondência com as situações concretas de sala de aula. não oferece aos professores condições para instaurar a escola nova.. indica o aparecimento. incluem o estudo das correntes pedagógicas. mais recente. essa prática contém pressupostos teóricos implícitos. há professores interessados num trabalho docente mais conseqüente. sem maiores cuidados em refletir se essa escolha trará. entretanto. de fato. De qualquer modo. 1 É necessário esclarecer que as tendências não aparecem em sua forma pura. Deve-se salientar. p. Nem sempre são mutuamente exclusivas. ainda. (. que os conteúdos dos cursos de licenciaturas. da tendência tecnicista e das teorias crítico-reprodutivistas. (.) rejeita o tecnicismo porque sente-se violentado pela ideologia. Por outro lado. ou não. (.. Inclusive há aqueles que se apegam à última tendência da moda. todas incidindo sobre o professor. ênfase nos meios {tecnicismo). A essa contradição se acrescenta uma outra: além de constatar que as condições concretas não correspondem à sua crença. a classificação e a descrição das tendências poderão funcionar como instrumento de análise para o professor avaliar sua prática de sala de aula. Dermeval. PRODUÇÃO 43 .. não ajudando os professores a formar um quadro de referência para orientar a sua prática. “Tendências pedagógicas contemporâneas”.. professores capazes de perceber o sentido mais amplo de sua prática e de explicitar suas convicções. porque a realidade em que atuam é tradicional.) Aí está o quadro contraditório em que se encontra o professor: sua cabeça é escolanovista.) Mas o drama do professor não termina aí. Após caracterizar a pedagogia tradicional e a pedagogia nova..Didática do Ensino Superior 1840 gem pela escola ou transmitidas pelos colegas mais velhos. Em artigo publicado em 1981. não aceita a linha crítica porque não quer receber a denominação de agente repressor”.

alegria. bom senso. tolerância. molhadas pela esperança. Paulo. Dermeval. O referido autor associa as teorias da educação e o problema da PRODUÇÃO 44 . Nele Paulo Freire nos ensina a ensinar partindo do ser professor. Neste livro. generosidade. poucas vezes encontramos textos apropriados como este. humildade. curiosidade. : Paz e Terra. 93. desprezando o valor da teoria. competência. em pleno século XXI.Didática do Ensino Superior 1840 METODOLOGIA DE CASOS: APRENDENDO COM A REALIDADE 1. 2. Rio de Janeiro. Paulo Freire faz uma profunda reflexão sobre a formação docente ruma à autonomia discente.. na década de 80 e que continua fundamentando a prática de uma pedagogia crítica até os dias atuais. Numa linguagem acessível e didática ele reflete sobre saberes necessários à prática educativo-crítica fundamentados numa ética pedagógica e numa visão de mundo alicerçadas em rigorisidade. essas duas dimensões da atividade humana são inseparáveis. Saviani reúne quatro textos que tiveram papel fundamental nos debates em torno da educação. como atividades separadas.inep. no processo educacional. na busca permanente de aprendizado. criticidade. Neste livro. uma alimentando a outra.wikipedia.org. A prática e a reflexão têm sido tratadas. São Paulo: Cortez / autores associados. Apesar de muitos profissionais interessarem-se mais pela prática. pesquisa. 1996.br pt.gov. risco. Comente esta afirmação diante dos desafios enfrentados por um profissional em seu dia-a-dia. FREIRE. esperança. Segundo Moacir Gadotti./wiki/ LEITURAS SUGERIDAS 1. A perspectiva histórico-cultural da aprendizagem considera a avaliação como fonte de informação para novos procedimentos a serem tomados a cada instante.cibec. Pedagogia da autonomia. freqüentemente.. 2. disponibilidade. Escola e democracia.. SAVIANI. Que comentários você tece sobre o exposto? LINKS DA INTERNET bve. e outros estarem mais voltados para a reflexão teórica minimizando a prática.

Didática do Ensino Superior 1840 marginalidade com o fenômeno da escolarização. de ponta a ponta. O último texto Onze teses sobre educação e política – tem por objetivo encaminhar.o confronto entre as experiências dos sujeitos com os saberes acumulados que proporcionaria ao educando uma vida menos fragmentada e ingênua do mundo em que vive. 2. ATIVIDADES PRÁTICAS 1. seria o diálogo . a discussão das relações entre educação e política. Nos estudos – Escola e democracia – são abordados e discutidas os fundamentos da pedagogia histórico-crítica e o papel da educação na sociedade de um saber construído ao longo da História. que atravessa. Você concorda com esse posicionamento do autor? Chegamos ao final da Unidade III. Faça uma comparação em linhas gerais entre a pedagogia liberal e a pedagogia Progressista. PRODUÇÃO 45 . Realize os exercícios de auto-estudo. de modo explícito. Segundo Paulo Freire. o conteúdo da obra. cujo o tema foi A Prática Pedagógica: Concepções e Tendências.

3. Relacionar as teorias do conflito à problemática da reprodução e da ideologia subjacente no campo da prática docente. Descrever as lacunas existentes pelas teorias do conflito a partir do exame de suas semelhanças com as teorias do consenso.AS TEORIAS DO CONFLITO E A PRÁTICA DOCENTE O s objetivos desta unidade podem ser assim formulados: 1. revelando os seus vínculos com a natureza do trabalho docente. Didática do Ensino Superior UNIDADE IV 46 . Distinguir e descrever as três posições dominantes nas teorias do conflito. 2.

a reprodução cultural. na reprodução das relações de produção. e precisamente para poderem produzir. em seguida examinaremos a teoria de Bourdieu-Passeron. Louis Althusser. publicado pela primeira vez em 1969. as teorias do conflito colocam os conflitos de classe no cerne da explicação da realidade social. a saber: 1. moral. enquanto para as teorias do conflito é o de controle. a sociedade é concebida como um sistema integrado ou em vias de integração de elementos que são complementares. marxista.). o conceito-chave é o de ordem. todavia. por isso. há diferentes posições teóricas. composta por sua vez por dois níveis.Didática do Ensino Superior 1840 Segundo Petitat (2002). O debate entre essas teorias coloca em questão a seguinte contradição: enquanto as teorias do consenso estão centradas na problemática da integração social e do equilíbrio. Althusser (1989) concebe a forma de articulação de uma sociedade constituída por duas instâncias: a infra-estrutura ou base econômica. de sua gênese. no seu trabalho Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado. Necessitam. Althusser vai concentrar mais atenção na última questão. 3. reproduzir as condições da sua produção. de suas funções e de suas relações com a sociedade como unidade contraditória de elementos. e a superestrutura. Todas as formações sociais devem. para isso. No interior da corrente conflitualista. o conjunto dessas teorias apresenta diferentes interpretações da sociedade como um todo. O seu meritório trabalho propõe um modelo explicativo do modo como se reproduzem as relações de produção nas sociedades capitalistas. a reprodução social. política etc. a teoria da correspondência. a oposição existente entre o conjunto dessas teorias é bastante profundo e reflete no modo de interpretação da escola. jurídica. Para as primeiras teorias (as do consenso). Assim sendo. reproduzir as forças produtivas e as relações de produção existentes. a sociedade é concebida como uma unidade configurada por elementos contraditórios cuja estabilidade é garantida pela manutenção das relações de dominação. ao mesmo tempo que produzem. apresenta-nos uma interpretação da instituição escolar claramente política e. o jurídico-político (o direito e o Estado) e a ideologia (as diferentes ideologias: religiosa. na qual se circunscreve o espaço da educação. 2. destacaremos nesta aula três posições. E. mais concretamente. Iniciaremos nosso estudo examinando as concepções marxistas de Louis Althusser e de Bowles-Gintis. Já para as teorias do conflito. não hesita em recorrer a uma PRODUÇÃO 47 . a oposição existente entre as teorias do consenso e as teorias do conflito ainda constitui um dominante debate intelectual no campo da Sociologia. A TEORIA DA REPRODUÇÃO SOCIAL E A PRÁTICA DOCENTE Portanto. Para as teorias do consenso.

48 . a infra-estrutura. 6. “funcionam mediante a violência – pelo menos em última instância (já que a repressão. mas também as escolares e grande parte da função de informação e de cultura. 8. PRODUÇÃO Por outro lado. a superestrutura. “os andares superiores não poderiam sustentar-se no ar por si próprios. por conseguinte. 77). Pelo contrário. Assim. 1989. Os aparelhos repressivos de Estado nem sempre funcionam apenas mediante a violência. pode revestir-se de formas não físicas)” (Althusser. uma vez que concentrava não só as funções religiosas. e sobre esta dois andares. o ministério. mostrando assim uma considerável rigidez conceitual. por parte da base econômica. AIE cultural (as belas-artes. segundo a teorização de Althusser.). inclusivamente. não desempenharia qualquer papel de relevo como motor de transformação da sociedade. nas sociedades capitalistas desenvolvidas é a escola o principal AIE. 5. se não se apoiassem. literatura etc). em última instância. já que é. dessa forma. 3. 7. passa a desempenhar uma função prioritária na manutenção das relações sociais e econômicas existentes.) ocupar-se-ão em conservar o poder de uma forma mais direta e visível. AIE escolar. embora esta seja neles muito secundária. precisamente. de todos os aparelhos ideológicos de Estado. televisão etc. um total determinismo. a superestrutura não teria. Pressupõe. assim. os tribunais. as prisões etc. além disso. Na superestrutura. segundo as suas próprias palavras. aquele que cumpre a função dominante na reprodução das relações de exploração capitalistas. AIE familiar. os aparelhos repressivos de Estado (o governo. AIE jurídico (este pertence simultaneamente aos aparelhos repressivo e ideológico de Estado). por exemplo administrativa. A instituição educativa é.Didática a do do Ensino En nsino Superior Supe eri ior 1840 metáfora especial. qualquer autonomia. a diferenciação dos dois níveis atrás referidos (o jurídico-político e o ideológico) vai ter também duas funções diferentes. na etapa pré-capitalista era a Igreja o principal. AIE sindical. a de comparar a sociedade com um edifício com diversos andares. os Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE) são integrados pelo conjunto das seguintes instituições: 1. o que dispõe de mais anos de audiência obrigatória e. a polícia. AIE religioso (o sistema das diferentes igrejas). Todos os aparelhos acima funcionam em primeiro lugar mediante a ideologia e em segundo lugar também através da repressão. pois. AIE político (o sistema político com os diferentes partidos políticos). antes deixando também um pequeno espaço à ideologia. A escola como aparelho ideológico de Estado. 84). Também é diferente o peso de cada um dos diversos aparelhos ideológicos de Estado de acordo com o período histórico vigente. gratuita para a totalidade das crianças e jovens da sociedade. na base. Na realidade. 2. a diferença entre os dois aparelhos está no peso diferente que atribuem à violência e à repressão. desportos. 4. sobre a sua base” (p. p. rádio. AIE da informação (imprensa.

• a função de agentes da repressão (saber mandar e fazer-se obedecer ou saber utilizar a demagogia da retórica dos dirigentes políticos). obrigando-as a freqüentarem indefectivelmente as suas instalações durante um considerável número de anos. da Transcendência. uma última para os quadros superiores). segundo Althusser. mais ou menos rudimentares ou profundos. dependendo ainda do aparelho de Estado familiar.). uma terceira para os engenheiros. isto é. de acordo com o posto para o qual está destinado. da Virtude. estariam encarregadas de socializar ideologicamente os alunos. o conjunto dos estudantes adquire na instrução acadêmica as regras do bom comportamento. e prepara-as e classifica-as para desempenharem na sociedade diferentes tipos de funções. as principais seriam: • a função de explorados (com consciência profissional. A instituição acadêmica tem. ser-nos-ia dada por características como as seguintes: recebe as crianças de todas as classes sociais. assim. • a de profissionais da ideologia (sabendo tratar as consciências com a demagogia oportuna. moral. da atitude adequada que deve observar. PRODUÇÃO 49 . a instrução cívica e a filosofia seriam as disciplinas que. Na escola aprendem-se técnicas e conhecimentos. Esta função seria levada a cabo tanto com as novas metodologias pedagógicas como com as mais tradicionais. de cultura científica ou literária diretamente utilizáveis nos diferentes postos da produção (uma instrução para operários. Ao mesmo tempo que faz essa aprendizagem. acomodando-se ao discurso da Moral. de forma mais direta. da Nação etc. e boa parte do êxito dever-se-ia ao fato de as escolas trabalharem com crianças precisamente durante os anos em que estas são mais vulneráveis. outra para os técnicos. nacional e apolítica altamente desenvolvida). Destas. • a função de agentes da exploração (saber dirigir e falar aos operários). cívica.Didática a do do Ensino En nsino Superior Supe eri ior 1840 A importância da escola. como tarefa fomentar o desenvolvimento de diversas competências imersas na ideologia dominante. A educação moral.

Parece que a reprodução ideológica não é suscetível de apresentar falhas facilmente. a escola é vista como uma caixa negra onde na realidade não se passa nada. De igual modo. No entanto. pressupõe uma política de conspiração por parte do Governo e dos responsáveis da política educativa com vista a planificar de antemão o sucesso e o insucesso escolar dos diferentes membros da comunidade estudantil. O pensamento althusseriano cai assim num determinismo de base econômica. o fator condicionante e determinante. No pensamento althusseriano. Isto quer dizer que a ideologia tem de distribuir os indivíduos pelos diferentes postos da divisão do trabalho e convencê-los da justeza e da inevitabilidade dessa mesma distribuição. em última instância. em nenhum momento. A escola. PRODUÇÃO 50 . Autores como Gramsci (1990) e Poulantzas (1990) criticam o economicismo e a idéia de que a economia é. em Alhtusser. que se consegue a reprodução da força de trabalho. dominadas por ideologias que atuam de maneira tão inconsciente que é quase impossível desvendá-las e submetê-las a uma análise reflexiva. não pode contribuir em nada na luta pela transformação das estruturas de produção e das relações sociais existentes. passivas. Todos os materiais e práticas que estruturam a vida cotidiana de professores e estudantes na instituição escolar contribuem para reforçar as relações de poder existentes em cada sociedade específica. O estruturalismo althusseriano tem a grande vantagem de plasmar a vinculação causal existente entre as relações e as práticas sociais nas diversas instituições com as ideologias. Professores e estudantes são concebidos como pessoas obedientes e. no fundo.Didática do Ensino Superior 1840 É através da reprodução das qualificações e da reprodução da submissão às regras da ordem estabelecida. como tal. não existem verdadeiras possibilidades de analisar e modificar esses objetivos e conteúdos da educação. pois atribuem um papel prioritário à luta política e ideológica a diversos níveis dentro do aparelho ideológico de Estado. à ideologia dominante. ou seja. o seu modelo apresenta uma série de inconvenientes. se explica de que forma tanto os alunos como o coletivo docente poderiam alterar a situação estabelecida. é muito difícil o aparecimento de um pensamento e de práticas contra-hegemônicas. tudo segue uma linearidade perfeita. Neste sentido.

desencadearam forças progressistas maciças no passado. em especial com as estruturas derivadas dos modelos econômicos de caráter capitalista e. mesmo as violentas. destinam-se a procurar de modo prioritário pontos de união entre o âmbito escolar e outras esferas e lugares sociais. a partir de uma fundamentação teórica com fortes semelhanças com a althusseriana. capaz de ajudar nas lutas diárias dos trabalhadores e empenhado numa transformação revolucionária da economia estado unidense. embora totalmente dominadas pelo quantitativismo. no caso de ser posta em PRODUÇÃO prática. libertação pessoal e bem-estar social. Tal radicalismo vai levá-los a duvidar de posicionamentos mais reformistas e a não aceitar estratégias destinadas a conseguir mudanças parciais ou progressivas como meio de fazer frente aos numerosos problemas sociais de sociedades como a dos Estados Unidos. O desenvolvimento e a articulação da visão de uma alternativa socialista. irão muitas vezes existir fortes pressões e obstáculos que impossibilitarão a sua entrada em vigor. segundo Bowles e Gintis (1981). mais concretamente.Didática do Ensino Superior 1840 A TEORIA DA CORRESPONDÊNCIA E A PRÁTICA DOCENTE Um passo à frente para desvendar o interior dessa “caixa negra” que é a instituição escolar na perspectiva da reprodução é dado por Samuel Bowles e Herber Gintis com a sua elaboração da teoria da correspondência (1981). especialmente da forma do currículo como recurso para a reprodução. O radicalismo teórico defendido por ambos os investigadores força-os a adotarem e a comprometerem-se com vias de transformação prática. como dedução dos seus diagnósticos. Desta forma. inclusivamente. As indagações de Bowles e Gintis. concluem que apóiam o desenvolvimento de um movimento socialista revolucionário nos Estados Unidos por considerar uma alternativa socialista capaz de proporcionar o único acesso a um futuro progresso real em termos de justiça. vai levar necessariamente ao fracasso e. Como resultado disso. Bowles e Gintis realizam uma descrição claramente politizada da vida cotidiana das salas de aula. 51 . captando imediatamente a crucial importância política do currículo oculto. exigem um partido baseado nas massas. assim como a capacidade de enfrentar necessidades humanas concretas e atuais. que tem entre as suas peculiaridades a defesa de um maior radicalismo político. para os autores. Consideram que a política de remendos é inaceitável. As mudanças revolucionárias. os seus estudos vão provocar uma mudança muito significativa nas teorias pedagógicas existentes até o momento. dado que. coesão e estabilidade das relações sociais de produção e distribuição. com as necessidades dos grupos sociais nos quais reside uma maior concentração do poder e do controle.

as modalidades de ação através de um trabalho profissional são anuladas. “A instituição escolar na América capitalista”. A importância dessa estratégia metodológica de caráter comparativo é óbvia. a escolarização como caminho para uma sociedade mais humana. A base econômica determina inexoravelmente a superestrutura. Com isso. o pensamento de Dewey e o movimento da Escola Democrática. o derivado da economia neoclássica e do funcionalismo. no momento de realizar a sua proposta teórica da correspondência. uma especificação tão clara desse compromisso pode. Essa teoria liberal vinha e vem atribuindo um papel determinante ao sistema educativo como motor de transformação da sociedade. Bowles e Gintis. A partir do Iluminismo. de fato. As suas análises funcionalistas das relações entre o sistema educativo e a economia levam-nos a pensar por alto o papel das pessoas. a que tem vindo sido chamada Escola Tecnocrática e Meritocrática. uma sociedade em que as relações de exploração não tenham lugar. que a herança genética não tem grande importância porque.Didática do Ensino Superior 1840 Para Giroux (1986). incapazes de fazer frente a um destino irremediável. é dedicada a esse assunto. ao considerá-las como seres passivos. ou é provável que crie neles a sensação de estarem a serviço das forças opressoras da classe capitalista. teoricamente. e. Ambos os autores chegam ao seu modelo teórico após terem analisado aquilo que podemos denominar como a tradição do pensamento liberal educativo. uma vez que podemos constatar que quase metade da sua obra-chave. Essas tendências vão defender o pressuposto de que todos somos iguais por nascimento. pode PRODUÇÃO 52 . vai-se generalizar a atribuição de um papel preponderante à educação como motor de transformação e avanço da produção e da hominização. O debate escolar vai se concentrar à volta de duas tendências liberais: por um lado. vir a ter efeitos contraditórios e acabar por servir para reforçar as estruturas escolares atuais à espera de outros tempos e de outros ventos. por outro. É possível que chegue a provocar nos professores uma sensação de inutilidade no trabalho que desenvolvem cotidianamente nas escolas. de qualquer forma. recorrem a um teste de confrontação e valida- ção como é o de comparar as mudanças nas instituições educativas através dos tempos com as transformações na estrutura da produção e distribuição de cada sociedade concreta.

oferecer a possibilidade. A T E O R I A D A C O R R E S P O N D Ê N C I A E A P R Á T I C A D O C E N T E PRODUÇÃO 53 . do ponto de vista do modelo tecnocrático e meritocrático. se desejarmos uma sociedade mais igualitária teremos de nos preocupar em garantir a igualdade de oportunidades. as diferenças sociais são fruto da diferente dedicação ao estudo por parte de cada pessoa. ou melhor. pela propriedade e pelas relações de poder que definem o sistema capitalista. descritivas e históricas. fruto do esforço pessoal. seguindo este posicionamento teórico. portanto. São os méritos individuais. As críticas que esta posição teórica recebe ao cair num excessivo reducionismo economicista vão ser bastante numerosas. portanto. Assim sendo. os níveis educativos alcançados que determinam em última instância os horizontes das aspirações individuais. a obrigatoriedade da educação a todos os cidadãos. neste caso. Por conseguinte. conseguem confirmar que a educação nas sociedades capitalistas atuais é uma das principais estratégias que se utilizam para a reprodução deste modelo de sociedade e.Didática do Ensino Superior 1840 ser compensada. que vão decidir o acesso à estrutura ocupacional. Deste modo. a desigualdade econômica e os níveis educativos de desenvolvimento alcançados por cada homem ou mulher são desde logo condicionados e definidos em primeira instância pelo mercado. as desigualdades econômicas são fruto das escolhas individuais ou de insuficiências pessoais. portanto. é o esforço pessoal. os sucessos de cada indivíduo e. Bowles e Gintis constatam o fracasso da política liberal e dos modelos educativos dela derivados. no fundo acabam por cair numa posição mais próxima das teorias funcionalistas. Ainda que em diversos momentos de sua obra pareçam optar por estabelecer certas relações entre a base e a superestrutura. Assim. Servindo-se de uma ampla varie- dade de fontes estatísticas. e que é possível também compensar os condicionantes sociais e econômicos. Portanto. segundo os representantes da teoria da correspondência. de criar grandes contradições ao sistema de produção e distribuição capitalista que conduzam ao seu desaparecimento. e não o resultado de determinada estrutura econômica e das relações sociais vigentes. em termos marxistas. Em momento algum se apresentam claras possibilidades de contestar e. da desigualdade.

condicionando decisivamente. realizada em colaboração com Jean-Claude Passeron. em geral.Didática do Ensino Superior Didática do Ensino Superior 1840 1840 A TEORIA DA REPRODUÇÃO CULTURAL E A PRÁTICA DOCENTE Outro modelo que também pretende explicar a função da instituição escolar como reprodutora da ordem social e cultural estabelecida é o de Pierre Bourdieu. mas da violência legítima. por um lado. Não devemos esquecer a permanência na cultura francesa e. segundo especificam ambos os investigadores. as que na estrutura hierárquica de cada sociedade ocupam os escalões de menor poder e prestígio. No respeitante à França. coincidentes ao apontar. os trabalhos de Baudelot e Establet (1976) vieram dar um grande contributo com dados decisivos de caráter quantitativo. Por que é que só determinados grupos sociais podem participar na definição da cultura dominante. Através de que mecanismos a natureza arbitrária de certas normas. A análise teórica que realizam parte do pressuposto de que as sociedades humanas estão divididas de forma hierárquica em classes e que esta hierarquização se mantém e perpetua através daquilo que denominam como a violência simbólica. que o conjunto de estudantes que chegam aos níveis superiores do sistema educativo e às especialidades mais prestigiosas dos estudos universitários é descendente das famílias que gozam de maior poder e prestígio social. por conseguinte. costumes. Este termo. uma das suas obras mais importantes. de uma ideologia que denuncia as desigualdades de oportunidades 54 . ▪ ▪ Desde a década de 60 que a instituição escolar vem sendo objeto de análises diversas. em especial das gerações mais jovens. em todas as sociedades ocidentais. do seu modo de produção e da sua estratificação social. Daí que a sua proposta teórica seja conhecida também por outros autores como teoria da violência simbólica (Saviani. indica expressamente a ruptura com todas as representações espontâneas e concepções espontaneístas da ação pedagógica como ação não violenta e a sua incorporação como parte de uma teoria geral PRODUÇÃO 1840 da violência. no momento em que Bourdieu constrói a sua proposta teórica. conteúdos e valores obtém um forte grau de consenso e. 1998). e por outro lado. os processos de socialização. Esta teoria tem como pretensão compreender e dar resposta a três questões decisivas: ▪ Como é que a educação garante que alguns grupos sociais possam manter uma posição dominante. a sua legitimação. que o insucesso escolar e o abandono das instituições de ensino afetam em percentagens muito superiores as crianças de determinadas classes e grupos sociais. tem por título A reprodução. Inclusivamente. Ambos os autores se dedicam nesse trabalho a elaborar uma teoria do funcionamento do sistema educativo e a explicar de que forma este desempenha um papel decisivo na perpetuação da sociedade capitalista. desta forma.

Assim. a violência simbólica reforça com o seu próprio poder as relações de poder nas quais ela se apóia e contribui. com numerosas PRODUÇÃO subproposições e escólios. A cultura encontra-se. ainda que de um modo formal se mostre equitativa. o poder detido por uma classe social é utilizado para impor uma definição de mundo. Pretende investigar através de que processos objetivos os estudantes das classes e grupos sociais mais desfavorecidos são negativamente sancionadas e vão sendo continuamente excluídas do sistema de ensino. ▪ Proposição 1: refere-se à ação pedagógica. deposita uma excessiva confiança nas instituições escolares como compensadoras dessas desigualdades sociais. dissimulando o poder que essa classe tem para o fazer e escondendo. tal como indica o próprio plano elaborado pelos autores. Ou seja. A equidade formal do sistema de ensino traduz-se numa falsa neutralidade da escola ao tratar todos os membros do corpo estudantil como iguais em direitos e deveres.Didática do Ensino Superior 1840 de que são alvo muitos grupos sociais. dominada pelos interesses de classe. A teoria da violência simbólica tem procurado uma explicação para esta desigualdade nos êxitos e fracassos nas instituições educativas. além disso. A formulação dessa teoria. Tudo isso estruturado de forma hierárquica e unidirecional. para definir significados e apresentá-los como legítimos. mas. consta de cinco proposições principais. como sublinha Weber (1989). cuja apresentação é excessivamente formalista. os conteúdos culturais que impõem. A violência simbólica vai exercer-se muito diretamente através da ação pedagógica (1). as proposições são as seguintes: ▪ Proposição 0: refere-se à definição de violência simbólica. Na opinião de Bourdieu. apesar das desigualdades de fato. Os produtos das reformas educativas que essas políticas levam a cabo. portanto. no fundo os seus resultados não fazem outra coisa senão legitimá-los. continuam sem modificar de forma decisiva os valores que as instituições acadêmicas fomentam. Esta teoria considera que as divisões em classe e grupos sociais e as configurações ideológicas e materiais sobre as quais elas se apóiam são transmitidas e reproduzidas através da violência simbólica (0).. ▪ Proposição 4: refere-se ao sistema de ensino. os processos de orientação etc. para a domesticação do dominado. Para Bourdieu e Passeron (1982). ▪ Proposição 3: refere-se ao trabalho pedagógico. por sua vez. os métodos pedagógicos que adotam. por mais de uma vez. que essa interpretação da realidade coincide com os seus próprios interesses de classe. os critérios de seleção e controle. embora nos encontremos perante uma ideologia que aparentemente critica um modelo de sociedade e o seu sistema político. Desta forma. 55 . esta é uma das razões que nos impedem de ver a educação institucionalizada como conservadora e realmente injusta. dessa forma. ▪ Proposição 2: refere-se à autoridade pedagógica. contribuem para que se continue a beneficiar os grupos sociais mais favorecidos e a prejudicar os mais desfavorecidos.

no âmbito da cultura. existe uma classe ou grupo social que tem maior poder e que o utiliza para realizar uma seleção arbitrária que vai precisar de recorrer a uma maior ou menor coação. Bourdieu e Passeron declaram de forma explícita que toda ação pedagógica é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição. dispõe desta na qualidade de mandatária das classes ou grupos sociais cuja arbitrariedade Uma vez que se trata de um trabalho de inculcar. Dado que estamos perante uma situação definida como de imposição. Se a ação pedagógica quiser ter êxito na distribuição do capital cultural terá de recorrer à autoridade pedagógica (2). Dentro da concepção de ação pedagógica entram todas as tentativas de instrução. por um poder arbitrário. das suas categorias de percepção e de apreciação da realidade e vai ter efeitos reprodutores. Mas também é preciso não esquecer em momento algum que a autoridade pedagógica é fruto de uma delegação de autoridade. Esta ação é rotulada como violenta. tratar de a dissimular. quer as que são levadas a cabo pela própria família e outros grupos da sociedade que não têm intenção expressa de educar. por isso mesmo. a possibilidade de transformar essa informação em formação. com uma duração temporal suficiente para produzir nos destinatários uma formação capaz de deixar marcas persistentes. a ação pedagógica implica também um trabalho pedagógico (3). à transmissão do capital genético no âmbito da Biologia. ou seja. quer a que se desenvolve no quadro da educação escolar. de uma arbitrariedade cultural. e o modelo social do qual depende a ação pedagógica. uma vez que os significados que impõe não correspondem a princípios universais. visto que se exerce numa relação de comunicação em que as inter-relações são do tipo desigual. Entre as estratégias válidas para levar a cabo o trabalho de ocultação está a de lançar mão do conceito de autoridade. pois é equivalente. Em virtude da autoridade pedagógica. Segundo Bourdieu (1992). esse processo de socialização vai criar em cada pessoa um habitus. qualquer agente ou instituição pedagógica surge automaticamente como digno de transmitir aquilo que transmite e. 56 . Este é produto de uma interiorização de princípios da cultura dominante. fica autorizado a impor a sua recepção e a controlar a sua mensagem mediante um sistema de recompensas e sanções que goza da aprovação dessa colePRODUÇÃO tividade. O habitus se constrói através de um processo educativo e constitui a garantia da sobrevivência de uma cultura. portanto.Didática do Ensino Superior 1840 De fato. é preciso. O reconhecimento da legitimidade de inculcar vai condicionar a recepção da informação nos seus destinatários. Através das práticas dele derivadas perpetua-se a arbitrariedade cultural de que é fruto.

Além disso. ou seja. 57 . mas também um interesse crescente pelo consumo dessa arbitrariedade cultural. ou de que modo é que as disfunções na esfera da produção podem provocar contradições que levem à transformação ou. é preciso que o sistema de ensino (4) se auto-reproduza. um trabalho escolar. Tudo aquilo que não se identificar com a arbitrariedade cultural que a ação pedagógica impõe fica automaticamente excluído. apesar dos sistemas de ensino vigentes. Uma condição fundamental para que este habitus se forme é a de que o trabalho pedagógico que lhe vai dar origem seja contemplado como legítimo pelos seus destinatários. fruto de outras experiências reflexivas na práxis social. lhe conferem o seu reconhecimento e que. o fato de se lhes conceder um reconhecimento público por este tipo de capacitação – converte-os. Cada cultura pressupõe pontos de convergência. vê negada a sua existência. aos mesmos comportamentos e às mesmas obras. inclusivamente. segundo Bourdieu (1990). Por conseguinte. formas e métodos de resolução de problemas que se colocam às pessoas que possuem um mesmo habitus. para o que é necessário contar com profissionais ou agentes PRODUÇÃO da reprodução. aprendem a não conferir valor a outras formas culturais diferentes ou incompatíveis com a legítima. simultaneamente. É assim que podemos explicar. em funcionários públicos do sistema de ensino – leva a que não necessitem de conquistar e confirmar continuamente a sua autoridade pedagógica.que cada cultura detenha um código comum e que os utilizadores desse código possam associar o mesmo sentido às mesmas palavras. à substituição desse modelo de produção e distribuição. o trabalho pedagógico contribui para produzir e reproduzir a integração intelectual de uma sociedade. formados e qualificados para garantir um trabalho pedagógico específico e regulamentado. Os próprios setores sociais cuja cultura é marginalizada ou desprezada convertem-se em aliados dos seus inimigos. É desta forma que se legitima a cultura dominante e que os dominados a interiorizam. Os próprios profissionais da reprodução escolar necessitam receber uma formação homogênea a fim de serem dotados de instrumentos e técnicas que facilitem o seu futuro trabalho de homogeneizadores das populações a seu cargo. O trabalho pedagógico não só contribui para dar referências sobre como deve ser interpretada a realidade como também define itinerários. problemas similares e maneiras comuns de abordar esses problemas. em que condições é que o habitus concreto – uma vez que a pessoa se afasta do sistema escolar – sofre variações ou mudanças profundas. A teoria da reprodução cultural não explica de forma clara como o capital cultural com o qual se sai do sistema educativo é negociado nos próprios locais de trabalho. por exemplo.Didática do Ensino Superior 1840 Não obstante. isso facilitará não só a construção de um habitus duradouro.

pensar e sentir. o acesso à informação. das diferenças. da linguagem digital. O que tentamos nesta unidade é caminhar pelas trilhas abertas no cotidiano escolar. nas relações com a cultura dos grupos e no trabalho rotineiro dos professores. Estes. Todas as áreas do conhecimento. necessitam hoje ser revisadas à luz de um novo homem. Da mesma forma. nas quais não é fácil ver possibilidades de resistência e de contestação por parte dos estudantes ou do professorado. prontas e seguras que tínhamos. No entanto. Ele já aponta diversas conseqüências no âmbito do comportamento das sociedades globais. tem que lidar com a exploração da informação.Didática do Ensino Superior 1840 A teorização que Bourdieu leva a cabo. o acesso ao conhecimento e à qualidade do ensino nas escolas nos desafiam. não podemos deixar de destacar a importante contribuição que Bourdieu realiza no âmbito da educação institucionalizada ao colocar em destaque a relevância dos sistemas simbólicos no momento de considerar. Nesse sentido. Quaisquer que sejam os significados e os problemas sinalizados pela educação brasileira na atualidade. Sabemos que a realidade exerce grande 58 . e de leituras de outras áreas afins. PRODUÇÃO ao mesmo tempo em que se sentem ameaçados pela nova configuração. visto que as respostas. de um novo mundo e de uma nova sociedade. da diversidade cultural. Diante de tal constatação. não podemos nos certificar dos rumos futuros da Didática. cai na rigidez das teorias estruturalistas e funcionalistas da socialização e da reprodução. buscam novas formas de atualização. com as diferentes interpretações que o termo sugere. segundo autores como Giroux (1986) e McLaren (1997). devemos considerar as articulações e os compromissos assumidos pela Didática Crítica dos anos 1980 em sua perspectiva emancipatória. com as questões da subjetividade humana. entendemos que a Didática caminha para a investigação da produção dos saberes docentes e como estes se aplicam na rotina escolar. além de outras questões cotidianas de trabalho. analisar e planificar os sistemas escolares. A DIDÁTICA CRÍTICA E PLURAL As sociedades contemporâneas se transformam mudando as nossas formas de agir. Muitas situações que presenciamos hoje na educação indicam que caminhamos para uma nova etapa na configuração de um novo cenário. através do diálogo com alunos e professores dos cursos de formação de professores e dos estudos desenvolvidos até então na área. O novo século é também denominado por alguns autores de “pós-modernidade”. como a própria Didática. de modo a compreender seu papel para a melhoria da qualidade do ensino.

em detrimento de ações mais coletivas. Por outro lado. Precisamos entender a importância da confrontação (positiva) de idéias para o enriquecimento do grupo no contexto escolar. 1999). ou então. a importância de “vestir a camisa da escola” tendo em vista a realização profissional e coletiva. é preciso trazer para o debate dos professores a idéia de “pertença social”. os saberes sociais de referência e os saberes já construídos pelos alunos. seja em contexto “macro”. Ela demanda outras análises sobre a atual situação dos professores no país. O saber social do professor Para muitos educadores. relações e trabalho). seja no trato individual diário.Didática do Ensino Superior 1840 influência na prática pedagógica. Dessa forma. em qualquer função ou nível de ensino. seja em contexto “micro” (cotidiano das escolas. do aperfeiçoamento e das competências profissionais. é também importante compreender o cruzamento de saberes que se dá no cotidiano escolar: o saber docente. O que buscamos aqui. Sabemos que a crítica à atuação dos profissionais não é simplista como parece. não existe sujeito coletivo fora da realidade autônoma os indivíduos e de suas consciências individuais. Essa dialética precisa ser estimulada a partir da premissa de que o embate de idéias não significa o embate das pessoas. visando à tomada de decisões e o desenvolvimento das lideranças nas escolas. de forma a ajudá-los a enfrentar os desafios da prática pedagógica. Defendemos com isso a necessidade de o grupo sair da condição de simples agrupamento nos locais de trabalho. seja em assuntos que envolvam a convocação dos profissionais para determinados compromissos pedagógicos. mesmo que seja em reuniões pedagógicas ou de pais. seja nos debates sobre temáticas de interesse para a coletividade escolar. e não hesita diante das adversidades. sociopolítico e cultural). Quem atua no magistério sabe das dificuldades que algumas escolas enfrentam com determinados profissionais. Trabalhar a consciência e a autonomia não é uma tarefa fácil no âmbito pessoal e profissional. quando tentam a integração mais coletiva de todos os profissionais na instituição. Porém. dos seus desafios profissionais. Para algumas PRODUÇÃO escolas. é possibilitar a reflexão dos professores sobre algumas proposições que encaminhamos em seguida. que caracteriza determinadas posturas profissionais. O que propomos é a discussão salutar que admite e respeita as diferenças individuais e. os professores devem estar preparados para discutir essas relações e outras ligadas à aprendizagem. seja na organização dos planos de curso. Alguns dos professores alegam falta de tempo e de salário. aos processos internos da aquisição do conhecimento. é sempre um processo muito desgastante solicitar a participação de determinadas pessoas. externo (histórico. Um grupo unido e participativo é mais confiante diante dos seus saberes. ou ainda em um projeto de aprendizagem interdisciplinar. ou desenvolver competências necessárias à formação continuada de professores (Perrenoud. o que transcende a própria discussão do seu envolvimento nas escolas. seja na elaboração do projeto educativo. ao propor uma Didática Crítica e Plural. a partir 59 . em discussão sobre o projeto político-pedagógico.

seu imaginário. As praticas pedagógicas precisam ser cada vez mais plurais. 2. sua linguagem. Forquin (1993) sugere um entendimento interessante para o emprego da palavra cultura: “palavra-chave. além do intercultural. seus mo dos próprios de regulação e de transgressão. pelo uso de materiais e meios tecnológicos e didáticos. propomos um grupo-dialético nas escolas que visa. 5. já a cultura escolar é entendida como conjunto de conteúdos cognitivos e simbólicos e como objeto de transmissão no contexto escolar. (p. visto que a socialização e a humanização decorrentes dessas práticas são funções educativas básicas da escola. muitas são as trocas e os conhecimentos construídos a partir da experiência de integração dos próprios alunos. do pluralismo de vozes e idéias. nas atividades concretas desenvolvidas. ajudar o grupo a crescer. Nessa perspectiva. 3. As possibilidades de trocas de saberes na escola e na prática pedagógica são muitas. A diversidade cultural É dever da educação dar conta das diferenças. de grupo-dependente ou grupo-objeto. e a elaboração de estratégias para a minimização das desigualdades culturais. a cultura da escola é representada por seus ritmos e seus ritos. os centros de estudos de temas relevantes eleitos pelos professores. O referido autor comenta a diferenciação entre cultura escolar e cultura da escola como fundamental para aprofundar as relações entre escola e cultura (s). 12). fortalece as relações individuais e coletivas criando um novo grupo de referência mais forte e determinado. em torno das questões dos universos culturais dos alunos. as trocas de experiência. A questão cultural vem sendo apontada por educadores críticos como valiosa fonte de enriquecimento para o processo de ensino na sala de aula e na escola. Dessa forma. seja no âmbito escolar institucional da sala de aula. entre as quais destacamos: 1. palavra-guia. de forma a construir as finalidades de ação da escola. 4. dos alunos com os professores. a discussão dos conteúdos disciplinares. Na cultura 60 . seja no âmbito mais pulverizado das diferenças individuais. Assim sendo.Didática do Ensino Superior 1840 dela. dialogar com seus partícipes. o desenvolvimento dessa habilidade propicia o respeito às particularidades do outro. palavra interseção do vocabulário da educação”. para ele. a utilização de diferentes técnicas para melhoria da aprendizagem a partir de experiência no relacionamento inter-pessoal nas turmas. PRODUÇÃO A perspectiva de trabalho inter-cultural crítico na escola possibilita articulações de ações pedagógicas entre diferentes profissionais. a partir das contradições reais da prática . articulando a igualdade e a diferença no trabalho escolar. dos estilos e dos sujeitos socioculturais no enriquecimento dos debates em sala. do projeto político-pedagógico. a organização pedagógica de reunião de pais.

f) a narração de histórias. c) as suposições. social. classe social. b) o programa escolar possibilita e incentiva os alunos a desenvolverem experiências e outras maneiras de pensar que lhe são pouco familiares. há necessidade de um elo entre a cultura O ensino é culturalmente relevante quando as experiências dos alunos. b) do empenho profissional diário em torno do progresso dos alunos. raça. com isso. Na literatura atual. social e escolar. suas vivências. b) a orientação e distribuição das tarefas de casa. mas também como uma forma de se aprender a superar os efeitos negativos da cultura dominante. encontramos inúmeros suportes teóricos buscando compreender as atividades concretas de sincronizar a cultura escolar e a cultura da escola com a cultura da família. chegou-se à conclusão que havia a necessidade: a) da crença dos professores em que todos os alunos podem ser bem-sucedidos e que deviam comunicar isto a eles. precisamos valorizar a dimensão afetiva. Devido às múltiplas identidades microculturais e às características específicas dos alunos presentes em uma sala de aula (sexo. Estes princípios criam um laço pessoal de acolhimento do professor pelos alunos. comportamentos e valores são constantemente trocados. c) a avaliação. são utilizadas não só como uma forma de manter sua cultura. relevando alguns princípios de atuação docente que fizeram a diferença para o sucesso da aprendizagem: a) os professores conhecem e respeitam a formação cultural e lingüística dos alunos e lhes comunicam esse respeito de forma pessoal. ampliando as possibilidades reais de novas expressões culturais. a partir da colaboração de diversas práticas. Contudo. e) as festividades culturais. língua. fortalecendo sua auto-estima e. tais como: a) o ensino com monitoria. d) o estudo em grupos. g) a organização de projetos e pesquisas cujas temáticas estejam relacionadas aos interesses e às necessidades da comunidade. PRODUÇÃO 61 . religião). Considerando os resultados de muitas pesquisas (inclusive no exterior) sobre a deficiência dos professores junto aos alunos oriundos de minorias. cada indivíduo é afetado diferentemente pelas ações e relações que se constroem nos grupos: familiar.Didática do Ensino Superior 1840 escolar e na cultura da escola. Por isso. as expectativas e as formas de fazer as coisas na escola são dados a conhecer aos alunos na medida em que os professores explicam e modelam estas dimensões da aprendizagem escolar. c) da criação de um ambiente na sala de aula propício para que os alunos se sintam valorizados e sejam capazes de obter sucesso nos seus estudos. ética. artística de cada pessoa. Zeichner (1993) fornece a seguinte informação sobre os resultados das pesquisas desenvolvidas por Knapp e Turnbul sobre fatores associados ao sucesso escolar de crianças em desvantagem social. física.

Lévy (1993) reconhece que a terceira forma de apropriação do conhecimento se dá pela linguagem digital. considerando as constantes alterações da lin- 62 . através dos seus apelos e seduções. proliferaram os meios tecnológicos com finalidade. A DIDÁTICA E A LINGUAGEM DIGITAL Com a velocidade dos avanços tecnológicos e o desenvolvimento da sociedade informatizada das últimas décadas. em que as desigualdades sociais e regionais são ainda muito grandes. A prática docente precisa. portanto. As metodologias até então adotadas precisam relacionar outras áreas do conhecimento afins a esses novos estudos sobre a tecno-cultura contemporânea. da escola e a da família. É um fenômeno descontínuo. isto é. chegando até a países como o Brasil. Outras características marcantes dessa nova geração são a compulsão para a música em detrimento da leitura e o interesse maior pelo mundo virtual. e já se reconhecem sinais de um novo processo de produção de conhecimento. Trabalhar. bem como atua na formação do gosto e da personalidade. Muitos estudos mostram que os alunos ficam mais horas frente à TV e ao computador do que na sala de aula. a responsabilidade dos professores aumentou diante das escolhas variadas que precisam fazer para mediar essa relação no processo de ensino. parece ser a chave das afirmações contemporâneas sobre o sucesso do ensino e da aprendizagem escolar de qualquer estudante. de ajudar os alunos a aprender a cultura escolar e a da escola. ser revisada. ainda praticamente desconhecido na escola. porque há o risco de ser o professor o alienígena na sala de aula. inclusive do mercado de trabalho.Didática do Ensino Superior 1840 escolar. Na educação brasileira. as possibilidades de utilização da linguagem digital nas escolas. para um estudante com novos interesses e capacidades. a da escola e o contexto do aluno. ainda precisam ser mais investigados. Reconhecemos hoje a importância da PRODUÇÃO educação diante da cultura da mídia para a organização das relações sociais e das subjetividades. Ela representa um novo tempo. revolucionando nossa maneira de ver. muitas vezes. O momento presente está desconectado de qualquer história. levando em consideração a cultura escolar. Isto porque a atual geração de alunos se relaciona com as novas mídias de forma diversa. no espaço das novas tecnologias eletrônicas de comunicação e informação. A tecnologia digital caracteriza-se pela velocidade. Nossas escolas sabem lidar com esses novos estudantes? São eles diferentes dos de épocas anteriores? Quem são os alienígenas na sala de aula? Tendo em vista as novas formas de subjetividade. e estão presentes em todo o mundo. redimensionando o espaço. Para ele o tempo se desnaturaliza. a canalização da conduta de crianças e jovens. compreender e sentir. Os novos paradigmas tecnológicos são determinados de vários campos do conhecimento. graus e complexidades diferenciadas. mantendo simultaneamente a sua identidade cultural. A televisão entra somente nos quartos da juventude. Cada geração de jovens “cyborg” está associada às características de velocidade do ecossistema digital na qual ela nasceu. Visto que o conhecimento televisivo possibilita.

Didática do Ensino Superior 1840 guagem digital. encontros) ▪ elaboração e compartilhamento de materiais e experiências ▪ participação em entidades e instituições profissionais 4. tendo em vista o desejo de emancipação de alunos. Responsabilidade no processo ensinoaprendizagem: ▪ criação de um clima de trabalho positivo ▪ seleção de conteúdos adequados e relevantes ▪ seleção e organização de recursos e facilidades ▪ atuação moderadora de interação no processo ▪ avaliação e feedback 2. Serviços na comunidade: ▪ assessoria às instituições públicas e privadas ▪ serviço de consultoria ▪ cooperação com a administração PRODUÇÃO 63 . retomar nossos compromissos com as diferenças individuais. o que circula é a informação. podemos estabelecer quatro categorias. Responsabilidade de ação tutorial: ▪ facilidade na comunicação entre componentes do grupo ▪ orientação ao aluno ▪ desenvolvimento pessoal do aluno ▪ melhoria profissional do aluno ▪ favorecimento às relações inter-pessoais e de grupo ▪ favorecimento da comunicação com o grupo 3. bem como da dinâmica da sala de aula. admite as possibilidades do ensino além do presencial e escolar. a distancia. sociais e culturais. dos procedimentos didáticos do professor. sem perder o rigor. investir em trocas mais coletivas de informação e de praticas de trabalho. nada é fixo. em mundos virtuais. o ensino tutoriado e a pesquisa são fortes aliados metodológicos desde que planejados. Considerando essa realidade. Uma vez que vivemos o tempo das emergente culturas audiovisuais. O professor atua como mediador do conhecimento. segundo a literatura na área: 1. Responsabilidade em atividades de desenvolvimento profissional: ▪ participação em atividades profissionais (congresso. do semi-presencial. caminhamos para um trabalho didático-pedagógico em redes de trocas e conhecimentos. ou em outros espaços. ao contrário de outros tempo em que muitos professores foram condicionados a pensar como um livro. de negociações permanentes capazes de desenvolver a inteligência coletiva. AS FUNÇÕES DIDÁTICAS O PROFESSOR No tocante às funções didáticas do professor. somos obrigados a reavaliar nossas prioridades individuais para o ensino-aprendizagem. seminários. Os trabalhos de equipe. Da perspectiva linear da metáfora arbórea. caminhamos para um novo aluno que pensa através de imagens em movimento. coordenados e avaliados sob a orientação do professor.

A função investigadora deve atuar como elemento gerador da docência. Partindo da tese de que o professor é um profissional reflexivo. crítico. competente na sua disciplina. em nível nacional e internacional. na qual existe interação das múltiplas variáveis e condições internas e externas da aula. função investigadora 3. É através da investigação que são planificadas e desenvolvidas as inovações. seminários e debates sobre as funções. que realiza atividades de investigação e de participação como um membro da instituição. que se caracteriza por sua complexidade. o professor deve buscar a explicação para os fenômenos que ocorrem nesse contexto. PRODUÇÃO Podemos. profissionalização. desvalorização. A investigação deve ocorrer no âmbito de disciplina e da própria atividade docente para ter condições de transformar os processos de ensino-aprendizagem e produzir inovação e melhorias. de natureza eminentemente prática. político e social e atuar 64 . que na maioria das vezes está acoplado ao projeto neoliberal que vem se alastrando aceleradamente tanto nos países do primeiro como nos do terceiro mundo. Os problemas nessa função. sua organização e aperfeiçoamento ▪ comunicação de sua investigação ▪ inovação e comunicação das inovações pedagógicas ▪ tutoria e avaliação dos alunos ▪ participação responsável na seleção de outros professores ▪ avaliação da docência e da investigação (pesquisa) ▪ participação na gestão acadêmica ▪ estabelecimento de relações com o exterior. ainda. anualmente. função docente 2. podemos agrupar as funções didáticas do professor em três grandes blocos: 1. função gestora Na função de docência.Didática do Ensino Superior 1840 As funções didáticas do professor voltamse tanto para o processo ensino-aprendizagem com responsabilidade do docente como para o seu desenvolvimento profissional e a incumbência de prestar serviços à comunidade. tomada de decisões e aplicações de política institucional. São realizados. quase nunca são previsíveis. mundo do trabalho e da cultura ▪ promoção de relações e intercâmbio interdepartamental e interinstitucional ▪ contribuição para criar clima de colaboração entre professores A FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES E O PROCESSO DIDÁTICO Ultimamente. também destacar as seguintes funções que o professor deve desenvolver: ▪ estudo e investigação (pesquisa) ▪ ensino. como investigador. muito tem sido divulgado sobre o professor. A formação inicial e continuada do professor constitui um dos grandes desafios a serem avaliados e redimensionados para que o profissional possa analisar criticamente o projeto econômico. congressos. representa um cenário psicossocial vivo em contínua transformação. A função gestora se caracteriza pela responsabilidade de que o professor tem em participar do bom funcionamento da circulação da informação. preparação técnica e comprometimento político do docente. Assim. conferências.

A prática deverá ser o centro de formação do professor. 3º alicerçar-se numa reflexão na prática sobre a prática. reinterpretar e sistematizar a experiência. É mister introduzir na formação inicial uma metodologia que esteja presidida pela investigação-ação-reflexão e que vivencie o contraste entre teoria e prática. A formação profissional do professor não pode ser compreendida pelo somatório da formação inicial mais o acúmulo de cursos. quando o caso. É a preparação que o individuo obtém através do curso de formação de professores (licenciatura) e. É um processo de reflexão critica sobre a pratica pedagógica. O termo modelo. 2º valorizar as alternativas participativas e de formação mútua. ensaios e até perspectivas. Nóvoa (1991) sugere que a formação continuada do professor considere as cinco teses seguintes: 1º alimentar-se de perspectivas inovadoras que tenham a escola como referência. para o referido autor. permitindo interpretar. A formação inicial do professor deve capacitar o futuro docente para assumir a tarefa educativa em toda a sua complexidade e flexibilidade.Didática do Ensino Superior 1840 satisfatoriamente nesse contexto de contradições. de conhecimentos específicos e técnico-pedagógicos. 65 . 4º incentivar a participação de todos os docentes. Avançando na discussão. O docente terá que possuir uma sólida formação inicial. organização. desacertos. PRODUÇÃO A formação inicial do professor deverá acompanhar a transformação histórica das exigências das demais profissões. É indispensável que os professores estejam preparados para entender as transformações que vão surgindo nos diferentes campos. A formação continuada do professor realiza-se de forma permanente após o ingresso no exercício profissional e tem como imperativo principal atualizar a formação inicial. apresentamos os cinco modelos assinalados por Imbernón (1994) para a formação continuada do professor. intervenção e avaliação de formação. valorizando os saberes dos professores. A formação inicial do professor é aquela que antecede o ingresso profissional. a pós-graduação. 5º investir na transformação qualitativa em vez de instaurar novos dispositivos de controle. É necessário estabelecer uma preparação que proporciona ao professor conhecimentos e gere atitude que valorize a necessidade de atualização permanente em função das mudanças que se produzem. refere-se ao marco organizador e de gestão de processos de formação em que se estabelecem diversos sistemas de orientação. desafios. e tem como objetivo habilitá-lo ao exercício do magistério. e que sejam receptivos e abertos a concepções pluralistas.

O fundamento desse modelo está na concepção de que os adultos aprendem de maneira mais eficaz quando têm necessidade de conhecer algo concreto ou têm de resolver um problema. Para que esse modelo alcance seus objetivos. MODELO 2: OBSERVAÇÃO/AVALIAÇÃO Muitas vezes o professor recebe poucas devoluções sobre sua atuação nas aulas. na reflexão de sua prática e por fim. O modelo de formação continuada orientado individualmente tem referência nas idéias de Rogers e Dewey. planejamento. e em certas ocasiões. Tal modelo muitas vezes fracassa. discussões.Didática do Ensino Superior 1840 MODELO 1: FORMAÇÃO ORIENTADO INDIVIDUALMENTE Nesse modelo. aprende muitas coisas por si mesmo através da leitura. 2. na aplicação de novas metodologias de ensino. O modelo se apóia na concepção básica de que há uma série de comportamentos e técnicas que merecem ser reproduzidos na sala de aula e os docentes podem mudar sua maneira de atuar e aprender a reproduzir comportamentos em suas classes que não tenham sido aprendidos previamente. Esse modelo se apóia na referência de que a reflexão e a analise são meios fundamentais para o desenvolvimento profissional e na premissa de que a reflexão individual sobre uma prática pode melhorar a observação de outras. 4. como se fosse responsabilidade unicamente do docente. avaliação / replanejamento. Esse modelo observa determinados passos: 1. formação. Fundamenta-se na crença de que o professor. manifesta a necessidade de saber como está sua prática no cotidiano. no decorrer das suas atividades. o organizador seleciona as estratégias mercadológicas formativas que se supõe irão ajudar o professor a obter os resultados esperados. e principalmente nas investigações sobre os processos de aprendizagem de adultos. 66 . com sua própria experiência profissional. identificação da situação-problema. porém a formação permanente deve ser compartilhada e não simplesmente transferida. O modelo de observação/avaliação objetiva conectar essa necessidade e pode ser realizado entre pares e coordenadores. Esses conhecimentos podem ser obtidos através de leituras. execução. observações e ensaio e erro. conversa com colegas. pois o professor considera sua aula um lugar privado e não o vê como ajuda. crescimento. 3. é indispensável a elaboração de um diagnóstico para detectar as reais necessidades dos professores. PRODUÇÃO MODELO 4: TREINAMENTO Nesse modelo. o próprio professor planeja as atividades de formação que ele crê satisfazer suas necessidades. Esse modelo é sem dúvida extremamente importante e oportuno. Outra perspectiva que apóia esse modelo é a de que as pessoas adultas que estão próximas de seu trabalho têm uma melhor compreensão do que se requer para melhorar. MODELO 3: DESENVOLVIMENTO E MELHORA Esse modelo tem lugar quando o professor está envolvido em tarefas de desenvolvimento curricular mediante projetos didáticos.

identificação da situação-problema. “é disponível mesmo fora da sala de aula“. Essa atividade pode ser realizada em pequenos ou grandes grupos ou individualmente. “se preocupa conosco”. sem que este tenha as condições básicas de conhecimento de sua matéria de ensino. Maria Isabel. quando os alunos verbalizam o porquê da escolha do professor. A autora. Esse modelo se fundamenta na capacidade do professor em formular questões válidas sobre sua própria prática e marcar objetivos que tratem de responder às questões e realizar uma investigação. 3. realização das mudanças pertinentes. recolha informações. “é honesto nas observações“. planejamento da coleta de informações sobre o problema. “é gente como a gente”.145-158. 4ª ed. In: Re-pensando a didática. muitas aparecem dizendo respeito às relações professor-aluno. além de manter relações positivas. apresenta a situação pesquisada e discute os resultados do seu trabalho. “coloca-se na posição do aluno“. percebo que. Entre as expressões usadas estão “é amigo”. análise dos efeitos da intervenção e continuidade do processo. interprete-as e realize as mudanças necessárias no ensino. “é compreensivo”. destaca a Escola como instituição capaz de promover condicionamentos que interferem nos papéis desempenhados por professores e alunos. etc. 4. Na idéia dos alunos. Com isso quero dizer que dificilmente um aluno apontaria um professor como bom ou melhor de um curso. A utilização desse modelo requer determinados passos: 1. A relação professor-aluno. p. eles enfatizam os aspectos afetivos. São Paulo: 1990. “A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO”2 Ao pesquisar com os alunos de 2º e 3º graus sua percepção de bom professor. Entretanto. Estas expressões caracterizam que a idéia de bom 2 CUNHA. entre as justificativas apresentadas. no tocante ao que consideram um “bom professor”. IMPLICAÇÕES METODOLÓGICAS NA COMUNICAÇÃO DOCENTE-DISCENTE A Profª Maria Isabel Cunha fez uma pesquisa entre alunos de Ensino Médio e do Ensino Superior. análise dos dados. PRODUÇÃO 67 . que os aspectos afetivos que permeiam a relação professor-aluno foram mais enfatizados pelos entrevistados. Compreendo que é difícil dicotomizar a imagem do bom professor. “é justo“. ou habilidades para organizar suas aulas. identificando em seus resultados.Didática do Ensino Superior 1840 MODELO 5: INVESTIGAÇÃO OU INDAGATIVO Esse modelo requer que o professor identifique uma área de interesse. através de uma análise que extrapolando os aspectos afetivos citados pelos alunos. 2. as coisas se entrelaçam e certamente possuem influências semelhantes e recíprocas.

Dizem os alunos que.“Escolho este professor como o melhor pela forma com que nos faz pensar. a não-neutralidade do ato pedagógico. ele até PRODUÇÃO estimula a gente a ter dúvidas”. pela capacidade que o professor tem de se mostrar próximo. certamente. tentar depurar. a não ser para fins didáticos e de pesquisa. Para mim está muito claro. O comportamento do professor como um todo depende. E é esta forma de ser que demonstra. Mas fica a questão: quais os limites da idéia da relação professor-aluno? O que nós concebemos quando tentamos exercitar esta conceituação? Restringe-se o mesmo conceito a aspectos afetivos. Até porque também eles. colocando o conteúdo teórico não como verdade acabada.“O que me agrada no professor X é que ele está sempre pronto a responder as nossas dúvidas. Entretanto. vale também chamar a atenção 68 . tais como os citados pelos alunos? Parece que não. que a relação professor-aluno passa pelo trato do conteúdo de ensino. como fruto da contradição social. porém. “ estimula a participação do aluno”.Didática do Ensino Superior 1840 professor. é interessante observar que é quase impossível. E isto interfere na relação professor-aluno. A forma com que o professor se relaciona com a sua própria área de conhecimento é fundamental. nem sempre apresentam comportamentos lineares e totalmente coerentes com uma corrente filosófica. presente hoje nos alunos de 2º e 3º graus. E isto é também relação professor-aluno. à curiosidade e à pesquisa”. “sabe se expressar de forma que todos entendam”. entre as características de seus melhores professores. do ponto de vista afetivo. Dizem eles: . estão “ toma as aulas agradáveis e atraentes”. que a forma de ser e agir do homem revela um compromisso. sem dúvida. mais uma vez. Um professor que acredita nas potencialidades do aluno. “faz o aluno participar do ensino”. O aluno valoriza o professor que é exigente. Parece conseqüência natural que o professor que tem uma boa relação com os alunos preocupe-se com os métodos de aprendizagem e procure formas dialógicas de interação. Ao contrário. da cosmo-visão que ele possui. “procura formas inovadoras de desenvolver a aula”. exerce práticas de sala de aula de acordo com esta posição. novamente valho-me da palavra dos alunos. Ele percebe que esta é também uma forma de interesse. Ele nos mostra o prazer de aprender”. Não sei até que ponto é importante ou possível classificar os professores. Entretanto. que cobra participação e tarefas. se articulada com a prática cotidiana da sala de aula. “ induz à crítica. mas questionando-o” . etc. distinguir atitudes do professor que se referem especificamente a este lado da relação professor-aluno. É inegável. passa. que está preocupado com sua aprendizagem e com seu nível de satisfação. para demonstrar minhas idéias. Outro aspecto que se entrelaça é a metodologia do professor. – “O professor y é o melhor porque ele transmite para a gente o gosto que ele tem pela Matemática. É importante dizer que os alunos não apontam como melhores professores os chamados “bonzinhos“. é parte desta relação. Assim. assim como sua percepção de ciência e de produção de conhecimento. nestes depoimentos. As virtudes e valores do professor que consegue estabelecer laços afetivos com seus alunos repetem-se e intrincam-se na forma como ele trata o conteúdo e nas habilidades de ensino que desenvolve.

ou seja. Mas esta ainda não é uma idéia formada na expectativa dos alunos. Isto significa dizer que esta não é uma dimensão apreendida pelos alunos e que não faz parte fundamental da sua percepção do bom professor. os papéis escolares estão definidos ideologicamente também na sociedade. identificados com a classe dominante.”. As condições de classe social dos alunos determinam um rol de expectativas sobre o 69 . Analisando a amostra dos vinte professores escolhidos como melhores pelos alunos.social. só em situações raras referem-se ao posicionamento político do professor. etc. A Escola como instituição social determina aos seus próprios integrantes os comportamentos que deles se espera. escolho este professor porque. então. a questão posicionamento político expresso não é uma constante. passando pelas formas de produção e distribuição do conhecimento. Para os nossos alunos atuais. “o tomar a aula agradável. “ as idéias dominantes em uma sociedade numa época determinada não são todas as idéias existentes na sociedade.. mas em muitos outros não. ela é determinada pelo conjunto de expectativas que a sociedade faz sobre ela. apresenta formas adequadas de apresentar a matéria e tem bom relacionamento com o grupo. Isto demonstra que alguns alunos desejariam que às boas qualidades citadas sobre o professor se somasse um posicionamento político claro. continua a autora. Mas ao que parece este não é um dado consciente para os alunos e talvez sequer seja para o professor.. dessa sociedade nessa época. O senso de humor do professor..”. Segundo CHAUÍ ( 1980.Didática do Ensino Superior 1840 para um aspecto muito significativo: quando os alunos hoje apontam o bom professor.. Um último aspecto a considerar na fala dos alunos é o valor que eles dão ao prazer de aprender. Por certo. nasce da atividade social dos homens no momento em que estes representam para si mesmos essa atividade” (. com a sobre-natureza (deuses). mas também por ser instituição social. com o Estado. p. inclusive. Em alguns casos acontece. 92 ). mas são apenas as idéias da classe dominante. o bom professor é aquele que domina o conteúdo. como: “ Apesar de não ter posições políticas mais avançadas. interessante” são aspectos que eles apontam como fundamentais. Por outro lado. algo que se poderia traduzir como um clima positivo na sala de aula. ressalvas escritas.) “No entanto”. Este fluxo é que reproduz a ideologia dominante. “ a ideologia resulta da prática . a maneira como ela representa para si mesma sua relação com a o natureza. A análise destes dados encaminha-me para algumas questões : por que é esta a expectativa dos alunos atuais sobre o bom professor? Como pesa a definição de papéis para o PRODUÇÃO professor e o aluno? Que ideologia está sustentando estas expectativas? Qual a interferência do institucional nas expectativas dos alunos Como o cotidiano da relação professor-aluno resulta numa prática pedagógica? A EXPECTATIVA E A IDEOLOGIA Não há dúvida de que existe entre os alunos e professores um jogo de expectativas relacionadas ao respectivo desempenho. com os demais homens. Entre os alunos universitários há. É claro que sabemos que comportamento do professor manifesta uma postura política. “o gosto de ensinar “.

entre os alunos de 2º e 3º graus... porque se debatem no espaço de ajustar seu papel à realidade imediata da escola.)”. ser levantada a hipótese de que o aluno de 2º grau ainda representa um extrato de classe social mais baixa. por exemplo. portanto. Eu poderia dizer que os alunos de 2º grau requerem um professor mais diretivo.)”. Lá sou mais independente e os alunos são mais maduros. Na análise do depoimento dos alunos. também. um comportamento ingênuo.Didática do Ensino Superior 1840 seu desempenho. O ambiente institucional passa esta idéia de ordem aos integrantes de sua comunidade. ou seja. como do aluno. ou com idade inferior em relação ao 3º grau e. pois. calendário escolar. as relações que acontecem entre professor-aluno puramente no campo psicológico ou afetivo é. portanto. que a canalizam em uma direção por oposição a muitas outras que seriam teoricamente possíveis (. São eles também frutos da realidade cotidiana das escolas e. Os professores vivem num ambiente complexo onde participam de muitas interações sociais por dia. Um professor que atua nos dois graus de ensino chegou a expressar: “Na Universidade mudo meu comportamento em algumas coisas. “as instituições controlam a conduta humana estabelecendo padrões previamente definidos de conduta. no mínimo.) As instituições têm sempre uma história. para convencer os jovens a aceitar o fracasso. veremos que ela é toda mais diretiva (horários dos alunos e professores. muitas vezes. são incapazes de fornecer uma visão crítica aos alunos. a escola de 2º grau como instituição. porque eles mesmos não a têm. Este exemplo é a tentativa de expressar o valor institucional na definição dos papéis. Além disso. Poderia.. Segundo BERGER e LUCKMANN (1983.. definição de conteúdos. percebi que havia aspectos diferenciados. Elas acontecem no palco de uma sociedade e. percebi que entre os alunos de 2º grau há muitas expectativas de maior direcionamento do processo ensino-aprenPRODUÇÃO dizagem por parte dos professores. Apesar da visão geral do bom professor ser semelhante. porém.mais habituado a obedecer e a receber a ordem institucional com mais facilidade. Se analisarmos. p. são profundamente marcadas pelas contradições sociais. 80). Lá sou mais independente e os alunos são mais maduros. movimentação dos alunos no espaço escolar etc. e estes valores passam a ser parte das expectativas dos alunos. A escola de 2º grau tem ainda de preocupar-se com a formação de certos hábitos que requerem mais rigidez (. “Na Universidade mudo meu comportamento em algumas coisas. da qual são produtos e isto implica em controle”... A escola de 2º grau tem ainda de preocupar-se com a formação de certos hábitos que requerem mais rigidez (. A história da instituição também parece importante nos valores que passa para os professores e alunos. A instituição interfere na expectativa tanto dos professores. para aceitação da sua situação na sociedade. sobre o professor e o aluno há todo o peso das relações institucionais. E em muitos casos a escola serve apenas para ratificar esta expectativa. Quando a análise destas 70 .). . perdendo a dimensão social mais ampla da sociedade. Analisar.

definidores deste ritual. Modificar esta situação é possível. A obediência. BERGER e LUCKMANN (1983. Dizem. senti que não se poderia explicar o processo interativo sem entender a história e os valores da instituição. Só que elas são diferentes nos sujeitos. p. pode ter mais influência no cotidiano do professor. religiosos. o indivíduo é introduzido em áreas específicas do conhecimento socialmente objetivado.Didática do Ensino Superior 1840 relações acontece no ambiente de uma escola técnica industrial. O conhecimento do professor é construído no seu próprio cotidiano. há uma combinação de uma disciplina severa com um ambiente de cordialidade e participação que reina na Escola. primordialmente o mercado de trabalho. com muito mais esforço do que num ambiente onde o questionamento é lugarcomum ou em que a expectativa não seja . eles se apropriam de diferentes coisas em função de seus interesses. muito contribuíram a idéia de neutralidade da ciência e da tecnologia. de outros âmbitos e. sem dúvida. A influência do modelo empresarial encontrou plena ressonância neste tipo de escola. valores. mas. numa circunstância que interferem no seu modo de ser e de agir. Mas envolve uma PRODUÇÃO absorção de aprendizagens valorativas muito intensa. etc. Assim. exclui de sua prática elementos que pertencem ao domínio escolar. isto é. Isto é demonstrado pelo diferenciamento existente entre o comportamento dos professores que seguem propostas pedagógicas distintas. por exemplo. não somente no sentido cognitivo. políticos e comunitários. a hierarquia e a disciplina sempre foram valores privilegiados na organização escolar. parece que ser professor e ser aluno extrapola a relação de ensinara/prender e os conteúdos de ensino. muitas vezes. Entretanto. ou em movimentos sociais. 71 . que a própria formação acadêmica. Portanto. para que os protagonistas do processo pedagógico não sejam manipulados por idéias que nem sempre gostariam de servir. O importante é que haja consciência deste processo. A apropriação é uma ação recíproca entre os sujeitos e os diversos âmbitos ou integrações sociais. crenças. Suas experiências e sua história são fatores determinantes do seu comportamento. O professor: intervenientes no seu desempenho O professor nasceu numa época. Há uma proposta de harmonia e consenso ao invés de trabalhar com o conflito. Ele provém. Alunos e professores que convivem numa escola deste tipo recebem as influências institucionais e passam a exercer comportamentos de acordo com a expectativa formada. Precisam ser sujeitos conscientes. eles participam do caráter controlador da instituição. A prática e os saberes que podem ser observados no professor são o resultado da apropriação que ele fez da prática e dos saberes histórico-sociais. “em virtude dos papéis que desempenha. também. valores e mesmo ações”. mas ele não é só fruto da vida na escola. institucionalizada envolve um certo número de papéis. que.104) dizem que toda conduta . e a visão positivista liberal da formação da sociedade. Para isto. ainda. num local. sindicais. mas também no sentido do’ conhecimento’ de normas. A participação profissional. O professor e o aluno não podem ser engolidos pelo ritual escolar.

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refletindo e antecipando sua história. A questão principal está em desvendar o que acontece com o professor que determina que ele assuma uma postura pedagógica. Levanto a hipótese de que é através da produção do conhecimento que melhor se favorece o crescimento da consciência crítica, e não pela tentativa de passar, unicamente, com a palavra, a crítica aos outros. Produzir conhecimentos significa colocar os sujeitos da aprendizagem numa perspectiva de indagação que leve’ ao estudo e à reflexão. Estes podem tomar possíveis, de forma coletiva, a construção do conhecimento sobre a própria realidade. A pesquisa, nesta perspectiva, passa a ter um sentido especial e uma função política. E preciso envolver o professor na tarefa de investigar e analisar o seu próprio mundo. Somente quando o professor se sentir sujeito da História, consciente de sua prática, capaz de estabelecer relações entre a sua e as demais condições sociais, é que poderá agir em direção à modificação das relações pedagógicas e sociais. A compreensão da dimensão política da educação interferiu muito na forma de compreender o papel do professor e, por conseguinte, suas características, competências e compromissos. O professor passou a ser visto situado no seu tempo e se percebeu com nitidez que, como diz , GOFFMAN (1985, p.29), o papel social é a formulação de direitos e deveres ligados a uma determinada situação social. Desta forma, o papel do professor não pode ser deslocado do contexto onde se manifesta. E a concepção que temos de nosso papel é um fator muito importante, chegando até a ser percebido como uma segunda natureza, parte integral de nossa personalidade. Ele se
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forma como resultado da interação dos indivíduos com os demais, com seu grupo social, com a sociedade a que pertence. BERGER e LUCKMANN lembram, ainda, a importância da identidade, conceito já desenvolvido na linha psicológica. Só que alertam sobre o fato de que a identidade é também um produto social construído na relação dialética entre indivíduo e sociedade. O educador é um ser do mundo. Não pode ser pensado independentemente desta perspectiva; “não é um indivíduo isolado, uma individualidade à parte que emite pareceres limitados numa relação unívoca com a escola e a sociedade” (FRANCO, 1984, p.12). É independente e expressa uma contínua interação e influência com outros sujeitos, com a escola e a sociedade. Assim sendo, não se pode analisar as relações que o professor - estabelece com o aluno, senão a partir de situações concretas de sua história e de sua vida. As pesquisas têm mostrado que os professores afirmam que sua prática cotidiana tem mais importância no seu modo de ser, do que a formação acadêmica que porventura tiveram. E, ainda, que o seu comportamento docente é inspirado em professores que marcaram a sua própria trajetória educacional. Estes dados reforçam a necessidade de tratar os processos pedagógicos de forma contextualizada. Mostram que a relação professor-aluno é fundamental, capaz de deixar marcas no indivíduo por grande parte da existência. É preciso resgatá-la, compreendê-la e redimensioná-la.

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COMO MELHORAR A COMUNICAÇÃO PROFESSOR-ALUNO
O texto a seguir é a parte introdutória do 8º capítulo do livro Estratégias de Ensino-Aprendizagem, escrito por Juan Díaz Bordenave e Adair Martins Pereira. Bordenave é paraguaio e doutorado em Comunicação pela Universidade do Estado de Michigan. Há muitos anos trabalha no Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas. Adair Pereira é mineira e pós-graduada em Planejamento Educacional, na PUC-Rio. É professora de Metodologia de Ensino na Universidade Federal de Minas Gerais. A intenção dos autores, neste texto, é a de provocar uma sadia inquietação em seus leitores, fazendo-lhes um convite para resolver um problema que todo professor enfrenta diariamente: como melhorar a comunicação professor-aluno frente às dificuldades presentes nesta relação.

“A eficácia máxima da comunicação não é alcançada senão quando a mensagem é compreendida pelo receptor”.
Abraham Moles

I. O problema
No atual sistema de ensino centralizado no professor e na matéria, a tarefa de transmitir conhecimentos é a maior carga que o professor carrega sobre os ombros. Por sua vez, o aluno que deseja passar de ano vê-se obrigado a absorver uma considerável e cada dia maior quantidade de informações: conceitos, nomes, fatos, datas, cores, relações, quantidades, fórmulas, processos, normas etc., a maioria das quais ele recebe “via professor “. A emissão, transmissão e recepção de informação, entretanto, é apenas uma das funções da comunicação entre professor e alunos. Da boa comunicação, dependem não só a aprendizagem, mas também o respeito mútuo, a cooperação e a criatividade. Vamos tentar identificar os principais problemas que atualmente atrapalham a comuniPRODUÇÃO

cação professor-aluno, visando a descobrir os pontos de estrangulamento: — O problema fundamental, a nosso ver, consiste no fato de que o professor em geral não percebe que é um mau comunicador, da mesma maneira que são poucos os padres que acham ruins seus sermões. — O professor está mais preocupado em expor sua matéria, isto é, em falar, que em comunicar, isto é, despertar atenção e interesse, mobilizar a inteligência do aluno, ser entendido por este, e induzi-lo à expressão e ao diálogo. O professor acha que sua função consiste em transmitir conhecimentos e que é obrigação do aluno ouvir e compreender. Não percebe que a atenção e a aprendizagem são processos psicológicos que, às vezes, devem ser provocados.

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— Às vezes, o professor tem suas idéias tão mal, ou tão perfeitamente organizadas, que não há nelas lugar para a imaginação criativa dos alunos. Ambos os extremos produzem uma comunicação falha: quando as idéias do professor estão desorganizadas, sua mensagem é confusa e insegura, e os alunos não conseguem perceber a estrutura do assunto. Quando estão demasiadamente organizadas, o professor em geral não gosta de ser interrompido, nem de aceitar contribuições dos alunos. Ele evita tudo o que ameaça desorganizar o belo edifício mental que traz preparado. — O professor expõe, partindo da premissa de que, se os alunos mais inteligentes da primeira fila entendem o que ele fala, todos os demais também entenderão. E não se preocupa em verificar se isto ocorreu ou não. — O professor utiliza conceitos ou termos que ainda não existem na experiência dos alunos. Ou, se existem, é provável que cada um lhes atribua um significado diferente. Vejamos um exemplo: o professor emprega o termo “conjuntura”. Se perguntasse aos alunos o que entendem por “conjuntura”, ficaria surpreendido com respostas tão variadas, como “acontecimentos de curto prazo”, “situação em um período dado”, “articulação de ossos”, “contexto”, “interseção de estradas”, “coincidência de opiniões”, etc. — O professor não se preocupa em aumentar o vocabulário dos alunos, o que poderia ser feito, explicando o significado e diversas aplicações dos novos termos. — O professor coloca tantas idéias em cada exposição, que somente algumas delas
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são compreendidas e retidas. Pela pressa em dar a maior quantidade de matéria possível, o professor não repete as idéias principais, nem se detém o tempo necessário, para que os alunos de raciocínio mais lento as assimilem. Alguns professores falam tão rápido ou articulam as palavras tão mal, que muitas das idéias não são percebidas pelos alunos. Outros professores falam em voz tão baixa ou em tom tão monótono, que não conseguem manter a atenção dos alunos. O professor não utiliza meios visuais para comunicar conceitos ou relações que exigem apresentação gráfica. Assim, um professor de Entomologia descreve apenas verbalmente os insetos do algodão : tamanho,forma, cor etc., características todas que exigem visualização objetiva. O professor utiliza os meios visuais de uma forma inadequada: por exemplo, emprega o quadro-negro sem planejamento algum, escrevendo e desenhando ora aqui, ora ali, com muita confusão e desordem. As letras muito pequenas ou pouco claras são mal decifradas pelos alunos das últimas fileiras. Outro exemplo: o álbum-seriado é empregado por alguns professores como um roteiro de aula, e não como uma série de estímulos para o pensamento dos alunos. Outros projetam filmes, como substituto da aula, sem justificar seu papel na estratégia didática. Mas, de todas essas deficiências, a pior é a tendência do professor ao monólogo, à “salivação4 sem diálogo, o que traduz sua falta de interesse pela participação ativa dos alunos. Quanto mais passivos e “bem disciplina-

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dos “ forem os alunos, mais felizes são alguns professores. Entretanto, não é justo atribuirmos toda a responsabilidade das deficiências da comunicação ao professor. Os alunos também contribuem com sua importante quota de problemas: — O aluno tem uma forte tendência a não prestar atenção ao que o professor está dizendo. Por diversas razões (a força competitiva de outros estímulos atuantes em sua vida: namoradas, esportes, trabalho, família, saúde; as suas atitudes negativas contra figuras de autoridade; o seu desinteresse pela matéria em pauta), o aluno pode passar consideráveis períodos na classe, pensando ou fazendo qualquer outra coisa, em lugar de atender às palavras do professor. — Muitos alunos têm preguiça de pensar e, aplicando a lei do menor esforço, adotam uma atitude de passividade e desligamento. (É verdade que esta atitude pode ser um produto de experiências escolares anteriores, em que justamente se estimulava a passividade). — O aluno que, por preguiça, quer confiar em sua memória, não toma notas das idéias expostas pelo professor. Depois, percebe que esqueceu mais da metade. — O aluno pode manter uma atitude antagônica de rejeição e revolta contra um determinado professor. Essa disposição mental gera um bloqueio inconsciente contra a assimilação da matéria ensinada.

— Certas matérias difíceis e abstratas, como Matemática, Estatística, Teoria Econômica etc., exigem do aluno exercitar uma atividade intelectual fora do comum. Por falta de prática do pensamento operatório abstrato - (J. Piaget), o aluno não acompanha o raciocínio e apenas memoriza as equações e teoremas, sem realmente compreender sua estrutura e alcance. Esse é um produto típico da educação “bancária”: o professor pensa pelo aluno e, quando este se vê obrigado a pensar por sua conta, sua falta de prática o trai. — O aluno, às vezes, pensa que entendeu o que o professor está falando e não pede esclarecimentos. Porém, mais tarde, comprova que não entendeu realmente. “Salivação” é o termo criado pelo Prof. Lauro de Oliveira Lima, para referir-se pejorativamente à exposição oral. — A causa mais séria da ineficiência comunicativa do aluno, entretanto, é a sua falta de desejo de aprender: quando existe esse desejo, todos os demais obstáculos de ordem física ou psicológica são vencidos pelo aluno. Mas, muitos nunca vão além de uma atitude de “aceitar serem ensinados”, sem jamais chegar a um desejo positivo e entusiasta de aprender. Apesar disto ser, em parte, um problema o qual o professor deve ajudar a resolver, cabe ao aluno a decisão pessoal de sua própria modificação.

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Posicione-se quanto a este problema.Didática do Ensino Superior 1840 METODOLOGIA DE CASOS: APRENDENDO COM A REALIDADE 1. 2. deve ser a mistura colocada no combustível! O terceiro. deixem disso . No Brasil do século XXI . temos uma lei que determina a inclusão de alunos e profissionais portadores de necessidades especiais nas escolas e nas empresas. e confiante. em meio a essa excursão. levando em consideração que a construção de nosso conhecimento não é separado em caixinhas ou links. especialista em computação. O primeiro. ora. Convido você a discutir com outros profissionais este assunto. a escola e a empresa não estão equipadas para acomodá-los. muito bom em química. propôs sua alternativa usual: Por que não experimentamos sair todos do carro e depois entrarmos novamente ?” Celso Antunes. A anedota retrata com clareza a “especialização” perversa e doentia que tomou conta do ensino brasileiro por volta dos anos 1970 e que ainda persiste em muitas escolas. o veículo quebra. o quarto estudante. imediatamente imagina o problema e proclama: – Deve ser a caixa de marchas! O segundo. PRODUÇÃO 76 . deve ser a bateria descarregada! Com discussões não resolvem problemas e uma solução era necessária. em conhecimentos eletrônicos. protesta: – Que nada. especialista por sua vez.Ora. as equipes não foram orientadas a trabalharam com esta clientela. “Quatro jovens estudantes viajam em um automóvel e. estudante de Mecânica. os funcionários e gestores não estão preparados para tal. descarta a hipótese dos colegas. Eis uma anedota contada por Celso Antunes e que retrata a realidade de nosso ensino. proclama: . Contudo. Existe uma verdadeira obsessão em fazer com que o aluno aprenda saberes inerentes a esta ou àquela área.

Este é o meio.br/didat. se esta não aparecer .. 1998 – (Coleção magistério: Formação e trabalho pedagógico). Técnicas de ensino: por que não? – 2ª ed – Campinas. VEIGA. mas. algumas questões afloram: que relações a técnica de ensino guarda com a experiência de ensinar? É a técnica de ensino algo mecânico.br/educacional/artigos/panoread. ficará sem distintivo próprio. Bauru: São Paulo: EDUSC. A comunicação oral e sua didática. educação é o fim. REYZÁBAL.centrorefeducacional. principalmente para professores. Por outro lado. SP: Papirus. no mesmo processo. Ilma Passos Alencastro (org. que incorporados ao dia-adia escolar. a busca da recuperação e do aperfeiçoamento da oralidade (postura tão necessária nos dias atuais).htm LEITURAS SUGERIDAS 1.pro. ou vice-versa. no sentido de que ele determina e condiciona uma série de fases a serem seguidas no processo de ensinar? Ou constituem as técnicas de ensino um conjunto de orientações normativas. 1999. por meio das quais se consegue algo? Tais questões e similares são discutidas pelos diversos autores participantes da obra. O VOCÁBULO DIDÁTICA http://www. com apresentação pormenorizada de técnicas e procedimentos didáticos. A obra assenta-se na discussão sobre as técnicas de ensino nessa perspectiva. PRODUÇÃO 77 . ou seja. PANORAMA ATUAL DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL http://www.). A obra trata de discutir os mais significativos tipos de discursos orais. podem constituir um instrumental extremamente valioso.Didática do Ensino Superior 1840 LINKS DA INTERNET 1. São Paulo: Autores Associados. educação através da pesquisa.aquifolium. Educar pela pesquisa do conhecimento. 2. Maria Victoria. Significa também não separar os dois componentes do mesmo todo hierárquico. depois educação.html 2. Não se faz antes pesquisa. Imprimir tecnicidade ao trabalho pedagógico-escolar sempre esteve no horizonte humano. 3. DEMO. não se diferenciando de outros lugares educativos na sociedade.com. a pesquisa não se basta em ser princípio educativo. 1996 O que melhor distingue a educação escolar e universitária é sua instrumentação pela pesquisa.

quais as principais causas e possíveis efeitos. Para fixar a Conteúdo realize os exercícios de auto-estudo. segundo as seguintes categorias: • Conteúdos • Métodos • Relação professor-aluno 2. por que o aluno não consegue perceber na metodologia do professor seu caráter político-pedagógico determinantes de seu trabalho educativo? 3.Didática do Ensino Superior 1840 VIDEO O Homem Cinzento (Sistema de Tele-Ensino) – UFRJ/CEP ATIVIDADES PRÁTICAS 1. PRODUÇÃO 78 . identifique as condições que caracterizam o “bom professor”. Baseado em nas leituras feitas ao longo deste módulo de estudo. cujo o tema foi As Teorias do Conflito e a Prática Docente. no tocante a aprendizagem do aluno. com relação ao desempenho do professor em sala de aula? Chegamos ao final da Unidade IV. Na sua avaliação. Descreva em breves palavras.

o próprio educando ou aprendiz reclamou seus direitos. Viu-se que seu primeiro objeto. Didática do Ensino Superior 79 . no processo didático. o Método. no século XIX. indicou alguns marcos no desenvolvimento histórico da Didática. retornando ao puerocentrismo. correspondendo ao modo de agir sobre o educando. pôs em relevo as características de ordem e seqüência. recuou ao fundo do palco quando sua outra face. recorresse à psicologia da criança.CONSIDERAÇÕES FINAIS O percurso feito. antes que a Escola Nova. Um reviver metodológico. em sua aspiração científica. do século XVII até nossos dias.

Mas. em capacidade ampliada para conhecer ( ou aprender). essa fermentação ideológica nem sempre consegue um resultado harmônico: os novos temas ainda não tiveram função aglutinadora e vêem-se programações enviesadas com exclusividade. depende tanto de um esforço teórico e reflexivo. entretanto. Conseguir plenamente a autonomia. não se pode mais entender o ensino como a simples apropriação de um conteúdo: uma informação. parece dominar o conteúdo da disciplina. Mas não existem duas PRODUÇÃO Didáticas. contribuições de áreas diferentes se tornam úteis e mesmo necessárias: Sua dupla dimensão (vertical e horizontal) e o ciclo didático sempre recomeçado. que defendo a possibilidade de uma “Didática Marxista” ou “Didática Sociológica” ou “Didática Cognitivista” ou qualquer outra adjetivação que indique um ponto de vista exclusivo sobre seu campo de estudos. É desse fenômeno que trata a Didática: do ensino que implica desenvolvimento. como disciplina e campo de estudos. entre as muitas frentes de pesquisa e exploração. seu compromisso com a prática do ensino. vai-se familiarizar com teorias de origem epistemológica e social. moralidade ou sociabilidade. no entanto. interdependentes. sem prejudicar suas fecundas relações com disciplinas afins. A oscilação entre uma tendência psicológica que acentua a relevância da compreensão da inteligência humana e sua construção e outra que se apóia na visão sociológica das relações escola-sociedade. como elas. Pois ocorre que. Não se entenda. essência da aprendizagem legítima. ora recorre às correntes neomarxistas. palavra que revela um resultado desejado. palavra-ordem. correspondente ao ensino que merece esse nome. 80 . de um lado ou de outro. a meu ver. em cada um deles. Esta. e. vê-se que. Nos programas de Didática. parece acelerar o progresso no sentido de uma autoconsciência de sua identidade -encontrada em seu núcleo central -e de sua necessária interdisciplinaridade. é palavraação. exige recursos e técnicas. A Didática está impregnada de todas as inquietações da época e. mas envolverá igualmente progressos na afetividade. por exemplo. depois de PIAGET. Creio que é tarefa para o século XXI. Revela uma intenção: a de produzir aprendizagem. Deixamos claro que a Didática. uma teórica e outra prática: são duas faces da mesma moeda. sem perder. em sua complexidade. por constituir-se a Didática numa disciplina que pode ser desmembrada em vários planos (exemplifiquei com os planos humano. um conhecimento ou uma atitude. cuja eficiência é objeto de pesquisa e experimentação. E mais: não se limita o bom ensino ao avanço cognitivo intelectual. quanto de um avanço no campo experimental. ora requer auxílio da psicologia profunda de origem freudiana. sobre o conceito foco da Didática: o Ensino. técnico e cultural). terá como subproduto (sub ou super?) alguma mobilização da inteligência redundando em progresso cognitivo. em conseqüência. melhoria. vinculam-na diretamente à prática e esta. por condições que são do desenvolvimento humano integral. palavra-prospectiva. é um projeto que. Um esclarecimento final. O ato assimilador. por outro lado.Didática do Ensino Superior 1840 O panorama do final do século XX e início do Século XXI não é simples.

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